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montesclaros.com - Ano 26 - quinta-feira, 23 de julho de 2026
 

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Mensagem: Rui e a Imprensa Manoel Hygino Um artigo de Deonísio da Silva, em 2005, em Brasília, presta-se à hora de hoje a que a nação então atravessava. Referia-se a republicação do livro “A Imprensa e o dever da verdade” (Editora Papagaio, 128 páginas), de Rui Barbosa. Inicialmente fora publicada como conferência e com direitos autorais doados ao Abrigo dos Filhos do Povo, de Salvador, entidade que dava assistência a crianças pobres e mantida pela Caixa Federal. O prefaciador, Manoel Alceu Affonso Ferreira, que era da OAB, conselheiro, alude à concepção de que só as crianças e os loucos dizem a verdade. Por isso, “as primeiras se educa; aos segundos, interna-se”. Do livro sobressai a verdadeira obsessão que Rui Barbosa tinha por defender a verdade em todos os campos, mas notadamente em dois: na política e na imprensa. “O mais inviolável dos deveres do homem público é o dever da verdade”, assegurava Rui Barbosa, para em seguida imprecar contra “os vendedores da imprensa ao poder”. Mas o prefaciador faz um alerta: “Como tudo na vida, a verdade também tem a sua hora”. Destaca ainda sua ojeriza à “impiedade repulsiva” que leva jornalistas, em casos de sequestro, por exemplo, noticiá-los sem se preocupar com “aflitos pedidos de familiares e autoridades”. O livro de Rui Barbosa gira em torno de conhecido bordão que ele forjou: “A imprensa é a vista da Nação”. Continuando com tal metáfora, acha, porém, que ainda é suficiente para reiterar-lhe a importância e diz que é também pulmão: “É sobretudo mediante a publicidade que os povos respiram”. Publicidade é palavra que mudou de sentido, migrando da imprensa, onde significava apenas tornar público um acontecimento ou ideia para o terreno da propaganda. Rui, apesar do estilo castiço, não deixa de dizer as coisas claramente, mas é sobretudo com os exemplos acrescentados que ele melhor explica a sua conferência quando lembra o cinquentenário da publicação do livro Reptilienfond (A verba dos répteis), da autoria do professor Roland Wuttke (...) Rui Barbosa conclui a conferência denunciando administradores que roubam o Tesouro Público para comprar escritores que tinham o dever de embutir na opinião pública o contrário do que sentem, traindo os leitores. Assim procedendo, eram tão ou mais ladrões do que aqueles que compravam suas consciências.

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