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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Isaas Caldeira    [email protected]
86334
Por Isaas Caldeira - 28/6/2022 07:30:05
MAR DISPERSO
(Isaas Caldeira Veloso)

Vasto, sou inteiro em mim
No por orgulho, mas por ser
Que muito mais que ter
Que ser um sem fim.


Um mundo s meu
Terra alheia, universo
A quilha dessa nau rompeu
O mar em mim disperso.

Na tormenta, velas pandas
Capito sem leme e norte
fora das guas anda.
Num porto qualquer, a sorte

Talvez seja irm.
Talvez, morte.


86307
Por Isaas Caldeira - 10/6/2022 19:17:56

Envelhecer tem suas vantagens. A maior delas que o medo passa a ser apenas um fantasma escondido nas cortinas do passado. No h nada mais a temer, seno a morte. Em mim, particularmente, ando mais destemido que Lampio diante das volantes, capaz de mastigar cactos para matar sede e fome, nas trincheiras cavadas neste terreno sfaro de uma existncia que ruma ao seu ocaso. Se nao tenho carabinas ou punhais, sou municiado de paz espiritual, haurida numa vida sem grandes aventuras e nada espetacular, ciente do que sou, no caso, um ser a caminho do nada, rumo ao esquecimento, que a todos cinge com seu fecho do tempo, eternamente. Isto me fortalece, afinal a liberdade agora se apresenta plena e cheia de si- sem o dever de prestar contas,face ao desapreo opinio pblica , fardo que a nobreza exige dos relacionamentos sociais. O tempo que resta s meu, para meu uso e gozo. No por este egosmo dos que buscam seu lugar ao sol, to comum na mocidade, mas ao contrrio, de no se desejar nada alm do cio usufrudo em dolce far niente, em contraposio ao savoir- faire das relaes mundanas, exigido dos que se acham construtores do mundo e giram sua roda. Se no quero ir a algum lugar ou evento, simplesmente no vou, malgrado os convites generosos que chegam. Peo desculpas, inventando um pretexto qualquer. Tambm no guardo o melhor vinho para uma data especial- nunca se sabe se o sol nos testemunhar na manh seguinte. Ainda na ativa nas minhas funes judicantes, mas sem a pretenso de converter os jurisdicionados luz da razo, desviando-os das querelas inteis. Afinal, sei que se acham todos com significativo quinho de bom senso, prescindindo de meus conselhos. Ento, a fora da sentena dita as regras, como tem que ser. Cada dia mais admirador de Voltaire, s desejo cultivar meu jardim, deixando aos contemporneos os embates da vida, sempre os mesmos em todas as geraes. Se hoje divirjo e brigo at, apenas pelo gosto liberdade, de modo deletrio, ciente que o resultado prescinde de minhas aes e que no final do embate o vencedor ter batatas por prmio, como disse o eterno Machado de Assis. Sim, guardei a f, mas para meu consolo somente. Espero que os outros tambm possam usufruir desse emplastro que, se no resolve a dor de existir, ao menos a alivia, o que acho razovel e suficiente. No mais, que cada um leve sua cruz em paz, de bom grado. Logo ela ser tirada de todos, num eterno descanso que merecemos.


86299
Por Isaas Caldeira - 6/6/2022 15:24:40
Todo lugar sem voc um Saara, tempestade de areia em minhas manhs, cobrindo o cu da minha vida. Acordo e estendo o brao sua procura ao meu lado, e se no a encontro, meu corao se perde nesta amplido da cama e sou um nmade na estril e vasta paisagem sem voc. Ento, me invadem os mesmos pensamentos de Otelo e seu enredo de punhais, no desfecho de sangue de todas as tragdias amorosas. H vezo de morte nessa Sharia ditada pelo cdigo do cime. Os homens matam o que amam,segundo um bardo Ingls, em poema vertido na masmorra. Sublimo a dor da sua ausncia, na esperana da sua volta.Passa o dia e aguardo ouvir sua voz na chegada, como sempre, e sei que, de novo e de novo, to certo como o sol nas manhs de todos os dias, como as estaes do ano, cativo seu, farei festa por sua presena,mesmo que tardia, grato s migalhas de seu afeto atiradas an passant, porque a tragdia de quem ama fazer, de um minuto da ateno de quem se ama, uma eternidade amorosa. Tudo suportvel , menos sua ausncia!


86298
Por Isaas Caldeira - 5/6/2022 15:23:49
Um homem morreu. Seu corpo foi vestido com um terno da funerria e arrumado no caixo. Logo baixar sepultura, aps as exquias contumazes, neste ofcio que os vivos devem e prestam aos mortos. Nada levar de seu o de cujus, liberto das ornamentaes e bens que o escravizaram em vida. Todos os seus regalos, enquanto transeunte no mundo, debaixo do cu de todos os dias, jazem espera de outras mos e nomes que deles se apropriaro. Logo os registros pblicos, que atribuem a posse das coisas no mundo, escrevero outros nomes nesta cadeia dominial que atesta a Impermanncia de todas as geraes,firmando a nossa condio de locatrios dos acervos materiais que acumulamos na vida. Sua fazenda, seu gado, sua casa e carro, continuaro sua saga de coisas alheias a quem lhes velava, espera, indiferentes, dos novos proprietrios e cuidadores.A esposa lembrar com saudades talvez, mas nada obsta que desvie o curso de um riacho para irrigar um outro amor que se faz rebento no deserto amoroso de sua vida, aps o stimo dia. Isto se tiver idade e hormnios condizentes. Enfim, cada morte est sob a atrao do buraco negro que devora tudo que vive, cuja potestade invencivel nos oprime e subjuga. Portanto, busquemos sombra na jornada, sempre que possvel. Comer o mais apetitoso alimento, se tiver vontade. Amar muito, beber o melhor vinho que puder comprar, e divertir-se, mesmo sob tempestades. No fim, nada de seu permanecer , e o que voc foi e as coisas que teve como suas, seguiro seu destino sob o talante de outras mos, das novas iluses dos que o sucedero. O que voc fez de sua vida ser seu patrimnio no plano espiritual e no o que voc acumulou. Na verdade, se te for possvel, no guarde muito, s o suficiente para uma emergncia. Nem sofra pensando no futuro, afinal ele nem existe concretamente. A cada dia seu mal, diz a Sabedoria. Trabalhe, aprenda, divirta-se enquanto pode. Se o final conhecido, entre o presente e o dia que vir, podemos muito bem danar a msica que gostamos. No final, a roupa que vestiremos, para a jornada ltima, prescindir de espelho e da nossa vontade. At l, lembre-se do Eclesistico: carpe diem!!


86292
Por Isaas Caldeira - 2/6/2022 07:46:59
Estupefato, num mundo em guerra, pandmico, inflacionrio, corrodo pelo autoritarismo do pensamento nico, vejo uns grupelhos de arrivistas preocupados com a liberao da maconha e fazem disto o leitmotiv de suas vidas e lutas, com o patrocnio de partidos de esquerda.Tantas tragdias em curso, mas os nefelibatas fazem passeatas em favor de fumaa e alienao psicodlica! A esquerda brasileira parece que tem crebro de camaro: s merda dentro, e pouca carne , em si ,para oferecer aos apetites, mesmos os menos exigentes. Basta ser lgico, afinal esses nefelibatas que protestam, tm quem lhes paguem as contas, pois algum tem que trabalhar, e isto incompatvel com alienados por efeitos alucingenos. Garroteados por piercing nas narinas e nos crebros, como bois arredios arrastados por ces pastores,com argolas nas narinas, sensveis fora bruta de seus algozes- no caso fora mental- esses alucinados cantam seus mantras pelas ruas e praas , porque, j destrudos pelas drogas, no mais conseguem elaborar pensamentos para alm de refres, com duas ou trs palavras, num vocabulrio pueril. A desgraa que eles votam e grassam no mundo, cada dia mais estridentes. H algumas dcadas analfabetos no votavam, por ausncia de esprito crtico e racional sobre o universo poltico. Fica evidente que aquela restrio era injusta, afinal, sabemos hoje, h universitrios que leem, mas no interpretam, no elaboram conceitos- razo do pensamento - porque sob efeito da lavagem cerebral haurida nas universidades, onde duvidar opor-se ao pensamento nico imposto, em evidente afronta s verdades de falsrios doutrinadores. Pertos do Armagedom, vemos o mundo danando em seu festim diablico, nesta imensa cornucpia entre interesses do baronato que dita as regras no planeta e o delirio niilista desses militantes teis causa globalista. Logo seremos todos transformados em esttuas de sal, no por olharmos para trs, como a esposa de L, mas pela cegueira de uma humanidade obtusa, que nao consegue enxergar um passo frente


85917
Por Isaas Caldeira - 25/10/2021 19:18:48
AGOSTO, AGORA SEM ZANZA

Isaas Caldeira Veloso

Vim da roa em 1968, l do Gorutuba, longe, longe.

E o trajeto at Janaba era feito de carro de bois, durando um dia inteiro.

Depois, pegava o trem para Montes Claros. Lento, quase como o transporte no percurso anterior. Nas paradas, em terminais ao longo do trajeto, gente, bichos e malas eram acomodados.

Ningum tinha pressa. A vida era devagar.

Vim para estudar. Morava na casa de minha tia Negrinha (Maria de Jesus), na Rua Tefilo Otni, n. 50, no Bairro Roxo Verde. Ali, a cem metros da linha frrea. Rua de cascalho, de saudosas peladas, onde aprendi a jogar bola e a curar feridas na cabea do dedo do p, lacerada por alguma pedra, com a juno de urina prpria e terra. Resistncia orgnica de verdade, feita desses emplastros naturais, que se no matassem, nos guardariam de todos os males para sempre. Amm.

Da, o enfrentamento de doenas tantas, desde sarampo at a peste chinesa, sem grandes sobressaltos.

A vida tranquila de ento s era alterada quando se aproximava o ms de agosto.

Ao lado da nossa casa, morava o Sr. Jos Aristides, um homem gentil, trabalhador na Central do Brasil. Era muito querido por todos. Todos os anos sua casa era tomada pelos Catops, que ele coordenava. E o barulho de tambores e cantorias enchia a rua.

Na mesma rua, na esquina, a poucos metros, o Sr. Anbal coordenava a Marujada.

Tudo era tomado por gente e fitas, tambores e msicas, espadas, guerreiros em batalhas ldicas. E a meninada acompanhando os ensaios. A formao do povo brasileiro simbolizada naqueles festejos brancos, ndios e negros.

No ramos divididos por ideologias. Somente brasileiros, todos.

Que tempo bom!

Na verdade, naquele tempo achvamos to naturais aquelas manifestaes folclricas que nem dvamos a importncia merecida. No dia da festa, em agosto, todos os marujos e catops, mais Caboclinhos, reuniam-se, desfilando pelas ruas poeirentas de Montes Claros, em homenagem ao Divino, So Benedito e Nossa Senhora do Rosrio. No havia patrocnio pblico. Tudo feito com esforo pessoal dos festeiros, especialmente dos Mestres, que eram os coordenadores.

Veio o tempo com suas tenazes.

Morreram Anbal e Z Aristides, h dcadas.

Mestre Zanza manteve a tradio, junto a outros.

Houve reconhecimento pblico deste patrimnio cultural da cidade, enfim. A Marujada, Catops e Caboclinhos continuam enfeitando e alegrando o ms de agosto na nossa cidade.

Agora, com o passamento de Mestre Zanza, que seu trabalho e dedicao sejam heranas permanentes de outros festeiros, mantendo viva a memria. No apenas dele, mas de todos os que, como ele, guardaram a tradio at estes tempos.

Descanse em paz, Mestre Zanza! Aqui, o barulho dos tambores, em agosto, vai certificar sua pessoa e seu legado, ad perpetuam rei memoriam.


85908
Por Isaas Caldeira - 20/10/2021 08:49:47
CABELOS BRANCOS

Isaas Caldeira Veloso


Meus amigos tm cabelos brancos. Tingidos de neve pelos anos.

Dizem no os pinto, como se a tinta fosse um capitis diminutio, uma desonra ao que so, ou se pretendem: machos alfas em seus harns monogmicos, onde, sob juramento de fidelidade eterna s amadas, acham-se na obrigao de envelhecerem juntos, eles e elas. Mesmo que estas - as amadas - se artificializem em plsticas, clios e tintas.

Eu, no! S tinjo os cabelos, porque tudo falso.

Ceclia Meireles j me libertou - desde os dezessete anos, quando li sua obra potica - da escravido opinio alheia sobre o que somos. E Ceclia o fez com estes versos, que cito de memria: que importa estes cabelos e este rosto, se tudo tinta, a vida, o contentamento, o desgosto.

Chico Xavier, que se sabia atemporal e eterno, recomendava que os feios buscassem artifcios que minorassem seus aspectos, onde inclua, com seu exemplo pessoal, uma indefectvel peruca e alguma maquiagem.

Sim. Sei que um velho conservado no deixa de ser um velho. Uma velha com um colar de esmeraldas no esconde a pele flcida do pescoo.

Mas, no fazemos essas coisas para enganar ningum. Fazemos por ns mesmos, para nossos espelhos de todos os dias. Se nos sentirmos jovens, assim estaremos, embora no o sejamos. Doce iluso! Breves sero nossos dias, afirma o Eclesiastes. Vanitas, vanitas! Tudo vaidades!

Um oleiro nos aguarda, indiferente ao que fomos. Barro adiado, criamos adornos efmeros num corpo voltil como um fumo, que ser disperso, numa amanh impossvel.

Entretanto, insisto em negar o espelho. E, assim, maquio a face com a iluso de mentir o que sou. Mesmo certo que desfilo desnudo aos olhos dos meus contemporneos, fartos de enganos.

Um homem que recusa o tempo, paga pelo tempo que tem. No nego nada. Mas, acinzento tudo, reconheo.

E vou distribuindo as moedas da iluso pelos caminhos, sem grandes pretenses. Mas, afirmo-me como sou: quase um velho. Mas, sempre cheio de vontade e potncia! Que outros se entreguem ao tempo e suas runas.

Meus martelos, com acrescentada fora, vo me afirmando como ser, enquanto mascaro esses desenhos feitos pelo tempo. Ainda que o espelho diga "no", certificando as rugas, uma a uma, neste mapa que meu corpo, que meu mundo.

No engano ningum. Iludo-me, somente. Uma iluso a mais, neste mundo mgico!

Sim, somos todos ilusionistas de ns mesmos!


85902
Por Isaas Caldeira - 18/10/2021 06:46:17
A NOITE INFINITA

Isaas Caldeira Veloso


A noite infinita.

As estrelas testemunham a eternidade em seu silncio de luz em meio s trevas. Tudo acontece num segundo. Tudo o eterno retorno. E, assim, nunca tem fim. sempre presente o que foi, o que .

O que ser, foge do meu testemunho. S o meu tempo certifica o mundo. O mais no passa de delrios advindos de expectativas construdas sobre o efmero e impondervel.

As manhs sero sempre feitas de sol, pontualmente, como testemunham os galos, que anunciam arrebis. A noite apenas confirma o dia e a luz adiada.

Inutilmente, aparo o tempo na memria, porque fugaz, indiferente luz ou penumbra. Mas, no tenho como evitar sua passagem na eterna rotao do cu que nos guarda.

Sou apego ao que vivi e aos meus enganos sensoriais. Afinal, tudo iluso.

Vastas, as impossibilidades certificam o real. E Pandora cumpre seu destino de esperana.

Toda noite um castelo de desejos em forma de sonhos, revelando o inconsciente.

No instante vivido, presente, nesta noite dominical, apanho os arredores festivos no bar onde confabulo, comigo, esses somatrios de desejos de tantos. Os mesmos, desde sempre, que afastam o clice de fel da vida de cada um. Mas, que todos provaro seu gosto amargo. Destino dos homens.

Mas - pasmem! - sou feliz!

Meus avs sonharam esses mesmos sonhos e cerraram os olhos cientes da permanncia real, na descendncia, ou pela f, na imortalidade espiritual.

Por mim, creio que ambas so reais.

Ento, como almejo certo conforto eterno, sigo tentando no sacanear ningum, no ser hipcrita, nem acumular bens.

Neste item, sei que tive sucesso: aos 62 anos, moro de aluguel e no deixarei bens a inventariar. Meus sonhos, porm, enchero obiturios! O amor de tantos, hauridos na lida cotidiana, ser meu acervo, herana na memria de alguns.

O mais que fui, no vale nada.


85873
Por Isaas Caldeira - 30/9/2021 21:33:52
MEUS MORTOS

(por Isaas Caldeira Veloso)

Carrego meus mortos do lado esquerdo do peito, por isso ando assim, meio de banda". Drumond no me conhecia, mas nos conhecia.

Enterrei meus pais, irmos, uma tia que foi minha me tambm, outros tios, primos, amigos. Tudo gente que eu amava.

um peso danado traz-los comigo no peito.

Vezes h em que ameaam implodir este edifcio onde habitam sob forma de saudade. E a dor que causam tanta que penso desaloj-los, rompendo o fio que nos separa. E, desfeita a chama da vida, buscar noutro corao o "habite-se" de algum que tenha a mesma vocao amorosa e o mesmo vezo doao.

Seria, como eles, saudade tambm.

Mas, a razo me diz que incuo antecipar a sentena a que todos fomos condenados, no plano material.

Numa hora incerta, provarei o sentido do nada, do no ser, liberto dos sentidos que me sustentam a existncia.

Ento, vou conversando com esses entes, nessa linguagem transcendente em que a voz a do silncio, com o qual os fao ver que continuam aqui, vivos, como testemunham os seus incontveis gestos de bondade na memria de tantos.

No. Meus mortos no me pesam, em verdade. No pesa quem amamos! Mas como di!


85863
Por Isaas Caldeira - 27/9/2021 15:05:28
Cad Meus Amigos, Onde Andam?

(por Isaas Caldeira Veloso)

Cad meus amigos, onde esto?

Sem nenhum contemporneo da minha gerao ou mesmo prxima, sou indez dentro da noite. Nesta noite, que cinge minha cintura num abrao secular, sou ave desgarrada, em voo solo.

Sexagenrio, ignoro meu tipo roto pelos anos, este arquiteto de runas e que de tudo faz esquecimento, como testemunham meus antepassados e todos que, como eles, foram oxidados, depois consumidos, e hoje habitam Efemrides.

As moas passam com seus gestuais, lindas, com seus corpos em exposio, por entre as mesas. O bar fervilha. Tenho a idade de algumas mesas somadas.

Os rapazes, fartos da liberdade e do usufruto dessa volpia edificada sobre hormnios, olham distrados essas rosas que aspiram tarde, prontas a serem colhidas, uma a uma, e postas sobre vaso de linho ou qualquer espao que abrigue luxrias. Eles colecionam feitos sob o manto de Afrodite. Fugazes. Mal sabem esses moos que, vindo o tempo e suas tenazes, vero que o prazer de instantes no supera longas e demoradas preliminares, e que lamentaro, na idade madura, a desateno a esse tem. Sexo no faz tanta falta; mas, beijar na boca, faz, disse uma linda atriz brasileira, ao fazer 65 anos.

As preliminares so a cereja do bolo.

No, no faltam mulheres aos que transitam cobertos dessas cinzas do tempo, como eu. Faltam esses ademanes, esses ornamentos, essas fantasias que fazem a tessitura dos encontros amorosos.

Aos envelhecidos, faltam essas expanses amorosas, carentes desses desvelos femininos, desses carinhos que ornam os amores na juventude.

Na noite, fazendo dela e seus sortilgios, a minha Shangri-la, vou apreciando a paisagem.

Sou um homem atemporal, com a idade dos presentes. No um stiro dentro da noite, entre ninfas, mas algum que se sabe efmero e a quem o tempo lembra a condio de barro adiado.

Carpe diem!

(Montes Claros, 26 de setembro de 2021).



N. da Redao: Isaas Caldeira Veloso escritor, poeta e Juiz de Direito em M. Claros, da Vara de Famlia


85619
Por Isaas Caldeira - 24/4/2021 07:52:15
Paulinho Ribeiro morreu ontem noite. Quase hoje. Sujeito de luta. Brigador, mas amoroso. Amante da natureza, de quem fez causa, no como esses debilides que vivem repetindo jarges sobre o tema, mas no sabem diferenciar caatinga de mata seca, e falam de ambas com uma ignorncia loquaz. Alis, falam de tudo que no sabem. Paulinho era operacional. Fazia. E fez muito na rea. Os passarinhos e matas esto em luto. A obra feita testemunhar sua vida, cada rvore salva ser um registro de sua passagem neste mundo.No so todos que sobrevivem a si mesmos. Bom descanso, Paulinho! Os versos de Neruda, o chileno de Isla Negra, podiam ser tambm seu epitfio, no em um tmulo, mas na memria e corao dos que o sobrevivem e dos que viro.

Tenho pronta a minha morte, como uma roupa

que me espera, da cor que eu gosto,


da extenso que inutilmente procurei,

da profundidade que necessito.

Quando o amor gastou sua matria evidente

e a luta consome seus martelos

em outras mos de acrescentada fora,

vem a morte apagar os sinais

que foram construindo tuas fronteiras.

(trecho do poema A Morte, de Pablo Neruda)


85595
Por Isaias Caldeira - 8/4/2021 11:11:13
(Isaas Caldeira)

Moc sob o influxo da lua
acaso cheia.
Poderia ser minguante,
mas, lua que clareia,
luz em si,
ou sonho dos amantes.

(Deus meu!
Na roa,
um whisky,
uma lua cheia
e ento
o mundo dos avs,
com o mesmo encantamento,
desenha no terreiro
as mesmas iluses).

Outros viro.
A lua permanece.


85593
Por Isaas Caldeira - 7/4/2021 20:10:28

BH nao tem praias ou locais pblicos acolhedores. Ento ,inventamos os bares, universo onde mesas e cadeiras agasalham braos que, mngua de outros espaos de acomodao, se entrelaam, emendando caladas e ruas, num microcosmo de vozes e gestos amorosos e fraternos. Mas os tempos so outros. Cad os beijos dos amantes, naqueles enlevos que os lcoois exacerbam, ou mesmo encorajam os tmidos aos passos seguintes , em direo conquista, onde os bares e cafs serviam s expanses sentimentais? Cad o burburinho das ruas cheias?Dos camels e ambulantes, que fizeram da cidade de todos os mineiros uma representao das velhas urbes orientais? As galerias cheias, a feira de domingo, espao de artes e lazer, onde Minas se encontra e pulsa com o mesmo sentimento de mineiridade, cad?Quem devastou nossa histria, nossa hospitalidade, nosso acolhimento a todos, mineiros ou no, que nos fazia abrir as portas das nossas casas ao estrangeiro desconhecido, mal nossas mos se apertavam num gesto indez, nos tornando irmos desde a epignese da infncia? Cad Minas? Cad os Gerais? Um caudilho, desses que no passam de estrume na histria, entendeu de roubar nossa identidade, feita de amor e simplicidade, de aconchego e abraos, nos enclausurando numa ilha de tristeza. Belo Horizonte, sntese do Brasil, corao multifacetado, onde o pas inteiro se resume, agora silncio, tristeza e solido. Ruas e praas desertas . Nem homens nem ideias. Minas no h mais, como disse o poeta mais mineiro de todos os tempos. Mas o que era s licena potica, ganhou vida e se fez tragdia , sob o silncio do povo mineiro, no mais como virtude de uma gente trabalhadora, mas como a escatologia de uma populao submissa e medrosa, que no tem mais voz e, calada, perde sua identidade e destri sua histria. Pobre Minas, liberdade agora s uma palavra na bandeira , nada mais. O pior que no se vislumbra algum capaz de reerguer nosso estandarte, mesmo que tardiamente.


85440
Por Isaias Caldeira - 9/1/2021 00:04:11

Era uma vez a America. Luta fratricida na terra de Tio Sam. Os inimigos da liberdade conseguiram realizar seu sonho de uma Amrica dividida e frgil. Uma Confederao reside num pacto entre Estados independentes que, por razes superiores, se agregam e formam uma Unio, como os Estados Unidos da Amrica. Hoje uma jovem foi baleada e morta dentro da Casa do povo, o Congresso Americano. A bandeira Americana jamais poder esconder o cadver da jovem desarmada, e o seu sangue manchou o estardante da liberdade, que guiava o mundo livre h mais de um sculo. O mundo nunca mais ser o mesmo. Quando o forte se enfraquece, os fracos sofrem as consequncias. Prefiro mil vezes a cultura do Mikey, do Superman, das estrelas de Hollywood, que nos fizeram amar ee admirar os guardies da liberdade, defensores do bem e da Justia, a esses seres que se esconderam do mundo por meio sculo, at ressurgirem como pestes, inundando o mundo com seus miasmas e males de laboratrios. Estamos no fim de um perodo maravilhoso da histria, onde a liberdade do homem era o fim primeiro do Estado. Aniquilar o indivduo, sob o pretexto da coletividade o fim da civilizao como a conhecemos e pela qual nossos ancestrais lutaram, hoje abatida por globalistas, que intentam nivelar a todos, sob o comando de um consrcio dos que acham que o mundo foi feito para eles, milionrios e grandes corporaes. A terra pequena para suas ambies. Esquecidos de Deus, esses agnsticos e ateus fabulam uma religio humanstica, tendo o homem como fim, naquela construo Niestzsniana que aniquila a transcendncia e nos condena s limitaes existenciais, do p ao p, e nada mais. Pobre mundo que se avizinha. As luzes que iluminavam as ruas e praas agora vigiam os transeuntes. Todos os olhos sobre os cidados. No h resistncia possvel. hora de submisso. Neste mundo novo, os que amam a liberdade sero defenestrados, e vagaro como vivos numa terra de zumbis. No h mais a terra da liberdade e a cavalaria amofinou-se diante do politicamente correto, que prefere a morte defesa da vida.Deus, intervenha por amor a ns, seus filhos abandonados e entregues s barbries dos fariseus!


84688
Por Isaas Caldeira - 27/4/2020 16:59:12
Ningum carrega pasta de ex. Aprendi isso observando o mecanismo que faz girar a roda do Poder. Um juiz chegava ao frum pontualmente no mesmo horrio, e sabendo disso e que ele sempre trazia volumosos processos, porque naquele tempo no tinha nenhum assessor, advogados ficavam sua espera e, chegando o j envelhecido magistrado aos portes da casa de justia, o acudiam de pronto, tomando-lhe das mos os autos, e subiam as escadas at a secretaria, onde depositavam os volumes, sempre sob agradecimento do juiz. Pediu aposentadoria e, publicada esta, no outro dia foi devolver processos em seu poder, muitos. No havia ali uma viva alma que o ajudasse, subindo as escadas com aquela carga ,sob a indiferena dos presentes. Assim acontece com reis e todas as demais autoridades no mundo. Sem o lastro do poder, as pessoas submergem no oceano comum onde todos navegam, perdidas as tessituras que cerziam seu imprio, mesmo que modesto, e o tornam algum que tem somente o passado como referncia. Para uns muito, para outros, solido. Moro, incensado por muitos em razo de seu ofcio, quando da lava a jato, embora com reservas daqueles que acham melhor a absolvio de culpados que violar a legislao penal/processual, viveu seus dias de glria. Mas a glria pode ser a antevspera do desprezo, porque o enaltecido nunca poder exercer o direito ao erro, sob pena de ver desabar o seu passado glorioso, estigmatizado pelas circunstncias do presente. Vejam, nada h de mais vil que algum, valendo-se da intimidade, confiana ou amizade, gravar uma pessoa e depois tornar pblico o contedo. Coisa a que s os canalhas se prestam. O ex juiz e ex ministro nunca mais ser respeitado por quem tem na tica, no dever ser, um norte. Praticou, revelia de um axioma imperativo da tica, ato revelador de um a personalidade capaz de tudo para alcanar objetivos pessoais.Ademais, seus gestos foram todos calculados, como aquele personagem tolo da Tv , o Chapolin Colorado, pois j com prints a serem exibidos no horrio nobre da emissora que v nele sua chance de ditar as regras no pas, como sempre fez at a posse do atual presidente. No contava com a reao daqueles que no se guiam pela grande mdia e que, por vontade prpria, sem nenhuma ajuda oficial, colocaram na presidncia seu pupilo, para fazer exatamente o que ele hoje faz: aniquilar a corrupo e os corruptos. Moro olhou-se naqueles espelhos que aumentam a imagem e se viu maior do que . A biografia dele importaria aos seus psteros, histria, mas ele achou que podia antecipar os louros e que o tapete lhe fosse estendido desde j, mesmo que ao custo da destruio do pas que diz amar e defender. Moro agora passado. Traiu quem confiou nele e o respaldou com cargo relevante na repblica. Antes, apenas um juiz de carreira. Depois ministro de Estado. Quanta honra! Sucumbiu, parece, aos apelos do poder e a mosca azul , banido agora esquerda e direita, deixando- o na vala comum dos Silvrios dos Reis, figuras sempre presentes na vida nacional. Que suba as escadas sozinho, se tiver foras.


84582
Por Isaas Caldeira - 18/3/2020 01:18:38
Paixo uma msica antiga que j nem sei a letra. Sei que era comovente e me fez desafiar todos os tons na mocidade ,mas agora desafino. Tudo hormnios que secaram em minhas veias sexagenrias, e agora o solo rachado do meu corpo- essas rugas e adiposidades- h de permanecer infenso s transfuses por osmose do corpo jovem que abrao . Ela me pergunta se j terminei e sentencia a pantomima das geraes, nesse enlace polimrfico. To bela!! A pulso inconsciente revela a distncia que nos separa. O vcuo das palavras so enciclopdias da alma. De minha parte, a dor da indiferena, no dela, minha, de ser impermevel a qualquer exasperao sentimental diante do desamor que me devota.Velho no apaixona. Nada mais triste nesta idade, quando mal se anuncia o cinquentenrio e o espelho revela nossa face. Mais passa o tempo e a aridez se acentua- um vento seco sopra neste deserto, onde jazem enterradas todas as paixes . Vontade de sofrer como antigamente, ouvindo canes de dor e esquecimentos. Vontade de sentir as mos frias e o corao disparando, a voz presa e as palavras perdidas, sem nexo, que s os coraes proferem e entendem.Tudo to ontem. Agora para sempre inacessvel, como outra margem de um rio que nunca mais atravessaremos, porque as guas so outras e a gente tambm. Alguma coisa me diz que, sem paixo, aprende-se a desapegar da vida, numa forma silenciosa de aceitar o fim, nesta mgica em que o Todo Poderoso revela seu engenho e arte, ao nos fazer permeveis s circunstancias que nos cercam. Nos resta o sonho, onde somos sempre o que fomos. O mais, so apenas saudades, amainando a realidade presente, com as memrias dos amores antigos.


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Por Isaas Caldeira - 15/1/2020 19:52:08
Pitacos sobre a vida

Isaias Caldeira

Sim, aos sessenta, um bom observador j viu tudo e pode, querendo, expor seus olhares. Fao-o, no com a tola pretenso da verdade, mas com a firme certeza da sinceridade . Meu amigo, no h frmula nenhuma para encontrar a felicidade, sonho de todos, pura quimera , mas possvel ter uma vida feliz, o que diferente. Meus pais deram o exemplo para a famlia: honestidade e apreo ao conhecimento acadmico. Logo eles, que nunca foram escola. 10 filhos formados e graduados! Nada de herana material, mas escola, sem necessidade de trabalho remunerado, embora alguns tivessem emprego, pois no tnhamos mesadas e nem podiam nos dar. Nos ensinaram que at na desordem tem de haver ordem, ou seja, nos hbitos no de todo puros, afinal somos pecadores, termos prudncia e discrio. Na bebida, moderao, aps os primeiros sintomas do lcool, rumo de casa! Comer o que se quiser e como quiser, porque isso no da conta de mais ningum. Aos homens da casa, buscar ter sempre um pouco de dinheiro no bolso, pois no h homem feio ou bonito, gordo ou magro, negro ou branco, velho ou novo, mas duas espcies apenas: com dinheiro e sem dinheiro. s filhas, recomendavam juzo e independncia financeira, afinal no livre quem depende de outro para viver, especialmente de marido. Acho que apreendemos e guardamos conosco aqueles ensinamentos. Ento, mortos meus pais , e me vendo chegar aos sessenta, sabendo que no terei nenhum arrebatamento e nem irei subir em uma nave de fogo, como Elias no deserto, vou me preparando espiritualmente para o retorno de onde vim, no sei aonde, se morte definitiva e absoluta, ou para uma invernada em outras paragens, na busca de melhora e evoluo do esprito que monta este cavalo. Tenho certeza que nunca fiz maldades, deliberadamente, contra algum, gostando ou no do semelhante. Fiz a caridade que pude, e este foi meu maior investimento, uma poupana onde saco incontveis Deus lhe paguede alguns favorecidos, que na maioria das vezes nem me lembro quem so, mas de quem recebo esses bolos com a alegria de algum que encontra um dinheiro guardado e esquecido num bolso de uma cala. Continuo bebendo meu wisky ou vinho, cotidianamente, mal se esconde o sol, porque a luz do astro me diz que o dia para o trabalho e no congemina com libaes alcolicas. Ainda cultivo outros prazeres nsitos ao pecado da luxria, mas que a decncia recomenda severo silncio, quando no nos encontramos entre amigos da mesma gerao. Entre os excessos da idade madura- sim, porque velho quem tem 15 anos a mais que a gente, segundo o livro no escrito da Sabedoria- recorrente o hbito de se narrarem faanhas prprias da juventude, com uma convico que desafia aparelhos de deteco de mentiras. Estou ainda pegando jeito e maneira, aprendendo com os amigos, alguns mestres nesta arte, que no prescinde do domnio da retrica e argumentao. No tenho vocao para santo, apenas uma vontade imensa de ser bom. Minha conscincia, eterna preceptora e vigia, me diz que ainda no consegui, mas estou no caminho. Sei que o trgico do erro acreditar que se est certo, mas conheo minhas boas intenes. As ms, sublimo, ou mantenho ferrenho combate. Termino por recomendar, nesta idade quase provecta, que voc, meu irmo, tem o direito de existir, de ser e se pertencer. Beba, se quiser. No v para academias, se isto virou obrigao social apenas . Coma o que quiser, indiferente s patrulhas e patrulheiros . Dificilmente voc vai passar dos 80 anos, mesmo seguindo os manuais mais rigorosos, com suas dietas salvadoras. Todo tempo de vida suficiente, se foi o bastante para voc fazer algo de til para algum. Se pudesse deixar um ensinamento para as pessoas, sem muitas palavras, diria apenas, AME. Amor relativiza tudo, perdas e ganhos, e d ao sofrimento que a todos ns visitar um dia, sua dimenso real, algo que passa e ser esquecido ou minorado com o tempo. A felicidade real a ausncia de dor. Um p com calo agradece quando seu dono fica descalo. Humildemente, pecador confesso, mas sempre bem intencionado, registro minhas convices , neste momento, afinal,amanh pode me acontecer uma estrada de Damasco e mude minha concepo da vida. Sempre h uma esperana aos pecadores!


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Por Isaas Caldeira - 21/4/2019 21:53:15
O VAR

Isaias Caldeira

O futebol brasileiro nasceu nas ruas e becos, cresceu em lotes vagos, que se tornaram campos de memorveis peladas. Sempre foi marginal, porque os pais no queriam os filhos jogando bola. Coisa de vagabundo. Deste modo, sem as amarras oficiais, sem submeter -se aos regramentos que enclausuram os homens, em todas as atividades, incontveis Basquiat , Warhol ou Van Gogh artistas marginais - deram matizes e nuances nicas ao futebol brasileiro, nas penas tortas de Garrincha, na inteligncia de Tosto, na preciso de Gerson . Pel foi a soma deles e ocupamos, por dcadas, o palco da bola, inquilinos dos sonhos de torcedores espalhados pelo mundo. Paramos guerra na frica. Nos tornamos Mexicanos, por um torneio. O mundo, uma bola, tinha a cor verde-amarela. Ento, vieram os que tm e querem o mundo arrumado e dividido uniformemente, construindo fronteiras entre os povos, com suas normas e regras, sempre bem intencionados, enquanto trilham o caminho do inferno. A tecnologia tornou-se a dona do espetculo. Pel nunca mais vai enfiar o seu brao no brao do zagueiro adversrio e, malandramente, cavar um pnalti. Maradona nunca mais vai usar a mo para um gol antolgico e decidir um ttulo. Acabaram com a malandragem, o sal do futebol, e o esporte Breto tornou-se um amontoado de regras submissas tecnologia, sem espaos ao imaginrio, ao desejo, agora servido frio na mesa de um operador extra campo, que para o jogo e muda o lance, driblando o sonho e trazendo ao jogo a burocracia dominante em todos os estamentos da vida social. Empacotaram o futebol, servido agora sem o tempero da jogada duvidosa, pea da engrenagem futebolstica, e o grito de gol ficou postergado para os minutos depois do lance, e s o eco do que foi ser ouvido, frio como carvo, sem o sopro da alegria do momento nico - o gol, desiderato deste esporte. As cmaras mataram a emoo, deixaram em suspenso a arte, sempre fruto do impondervel quando genuna, e os tecnocratas nunca mais vo permitir que uma flor brote de um descuido do rbitro, fazendo-se de tese para anos de discusses apaixonadas entre os amantes do futebol. Esses mesmos que querem plastificar o amor em conceitos politicamente corretos, sem espaos para lgrimas e desavenas entre os casais, onde a intolerncia ao erro mnimo leva rupturas e o ego dita as regras, agora se voltam para os esportes, em todas as modalidades. Nunca vo entender o que paixo. Esquecem que tudo iluso e nos querem enjaulados na realidade, sem espao para sonho. Para esta tecnologia que enquadra o jogo e paralisa a emoo, fica a minha mensagem, pedindo desculpas pela linguagem: VAR para a PQP!!


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Por Isaias Caldeira - 17/2/2018 20:43:18
Isaias: no princpio era o caos

Isaas Caldeira *

Tardo, mas no falto. Dizem que depois que tentaram me processar, criminal e administrativamente, por artigos que escrevi aqui, sob acusao de crimes contra a honra ( ?) - embora nunca tenha nominado em meus textos as pretensas vtimas, at porque as conheo en passant e nem as tenho como dignas de citao- teria deixado o ofcio da opinio escrita, premido pelo medo comum nacional de afrontar esses que, sem prestar contas a ningum, arvoraram-se em polcia universal e a todos intimidam, inocentes e culpados. No! Abjuro tais maledicncias. Sim, fui o primeiro a denunciar o monstro que emergia, no mesmo formato de sempre,com o mesmo discurso , neste devir histrico, que nos obriga ao eterno retorno ou ao pndulo de Tocqueville, onde a prostituta das construes sofistas, a tal moralidade pblica , em permanente cornucpia com todos os governos, em todos os tempos, empala alguns em praa pblica, sob ovao da massa ignara e de aproveitadores polticos, e tem a sua epifania. Agora, agindo como justiceiros oficiais, desgraadamente amparados em um cumpra-se de algum juiz infenso aos rigores nsitos ao devido processo legal , nada e nem ningum os intimida, nem um Ministro do Supremo, pois no hesitam em crticas cidas e mesmo mal-educadas s decises proferidas pela Instncia Superior do Judicirio. Tomam a histria de assalto, e no podendo incriminar judeus , como outros j fizeram em passado recente , elegem a classe poltica como alvo, no aleatoriamente, mas de caso pensado, com um progron a ser cumprido, onde o extermnio moral tomou o lugar da morte fsica, sem deixar de ser horroroso e infame. Sim, tambm fui o primeiro a denunciar a tal conduo coercitiva de quem nunca se recusou a comparecer perante autoridade. Como juiz criminal por mais de 10 anos, nenhum Promotor ou Delegado teve meu amparo a tal ignomnia jurdica, pois sem qualquer previso no Cdigo de Processo Penal. Entendo, data venia, que diante de tal ilegalidade, todo o processo deveria ser anulado, mesmo ao custo de se absolverem criminosos confessos e seus squitos, pois o que se busca preservar maior que o mal porventura feito e no punido- a garantia do processo amparado na lei, sob pena de qualquer casa ser assaltada por agentes estatais, fortemente armados, encapuzados, para levar um pai de famlia inofensivo Autoridade, sem que ele saiba sequer de qual crime acusado, sob regozijo da turba . o que temos visto pas afora. Nunca faltam aplausos quando a guilhotina acionada na casa do vizinho. Nem no regime militar vi coisas assim. Quando algum era retirado de sua casa , e foram raros, geralmente pessoas envolvidas na luta armada, isso era feito de forma clandestina, sem o conhecimento ou aprovao das instncias superiores de poder. O Presidente Geisel ps termo a esses atos, exonerando generais e outras autoridades que praticavam ou toleravam esses abusos. Basta comparar o nmero de mortos e desaparecidos nos governos militares do Brasil com os governos Chileno, Argentino e Uruguaio, estas, sim, ditaduras cruis. Pouco mais de uma centena aqui. Milhares l. Claro, no fao defesa daqueles atos dos nacionais, como no defendo os atos de hoje. Tudo igual e infame. A diferena que hoje tem a chancela institucional, o que trgico. Quando as instituies patrocinam ou autorizam a barbrie, sinal que a democracia claudica, e que um tempo de desesperana e medo permeia o vento que se avizinha. Sim, a histria pendular, nunca um evoluir permanente. Pessoas sempre estaro na busca de um dj vu, repetindo a histria, mesmo ignorantes disso, pois poucos se ocupam do passado, e cada nova gerao acredita que a civilizao comea com ela. Enfim, agora outros se ocupam em dizer o que j verbalizei h anos neste espao, no estou mais sozinho. As reaes comeam, partindo de pessoas que no querem mais violaes das garantias Constitucionais e que tm instrumentos e poder para retir-las do cotidiano nacional, acabando com o dantesco espetculo das execraes publicas. J era tempo. Aos protagonistas das cenas lamentveis, que jactavam-se de seus feitos nas redes sociais e na mdia em geral, os aplausos diminuem. Logo os excessos sero posto na balana, e por causa deles, se a histria repetir-se, como de sua natureza, sero execrados, da mesma forma como fizeram a tantos nessas condenaes prvias e sem processos, que foram a marca destes tempos. No lhes desejo o final do Duce ou do Furher: seus cabedais so poucos, mseros arlequins animando a pantomima, e seus atos no passam de um trao no livro da Histria, embora acreditem, como os bobos da corte, que o reino no prescinda deles. A eles, ao final,tenho certeza, um epitfio lhes prestar a ltima homenagem em seus tmulos: vanitas finis.

* Isaias Caldeira Juiz de Direito em Montes Claros


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Por Isaias Caldeira - 21/10/2016 11:05:27
Sobre leis abusivas

Isaias Caldeira *

Os amigos que me leem sabem que sou um sujeito enojado de uma das prticas mais comuns queles que expem ideias em pblico, a tal hipocrisia, onde a verdade jaz subjacente, enterrada sob palavras do agrado geral, no desejo real do sujeito de se apresentar bem aos olhos crticos dos leitores. Pois bem, na unanimidade quase geral que avasssala o Pas em apoio s medidas de combate corrupo propostas e em exame no Congresso Nacional, de iniciativa do Ministrio Pblico, da Polcia Federal e de parte do Judicirio, guardo minhas resistncias , pois, como dizia o velho Brizola, venho de longe, e sei que o Estado, esse monstro de punhos de ao, tem o vezo de abusar de suas foras, em detrimento da cidadania. J temos leis penais em demasia no Brasil. No creio que algum Pas no mundo cultive tanto esse jardim , onde , ao invs de flores, medram espinhos normativos, como bice sanha dos refratrios a paz social. H sempre uma ideia nova , numa criatividade ilimitada, para punir e vigiar. Imaginem, dentre as inovaes pretendidas, basta ao agente do Estado alegar boa f na sua conduta, por mais abusiva que seja, para validar uma prova em um inqurito ou processo. Mais, prev a possibilidade do agente se insinuar ao servidor pblico, induzindo-o a cometer quaisquer dos crimes contra a administrao pblica, e deste modo ser processado, criminal e administrativamente. Isso crime preparado pelo Estado, incentivado por ele, num retrocesso medieval, digno daqueles ambientes da idade mdia, onde a Inquisio tinha igual procedimento e ttica. O mais absurdo que, contrariamente a esses abusos, as mesmas vozes se mostram refratrias s inovaes pretendidas na ineficiente Lei de Abuso de Autoridades, vigente no Brasil, de n. 4898/65. O novo projeto de Lei de 2009 e foi agora movimentado por Senadores, a pedido de Ministro do STF, preocupado com os excessos nas investigaes policiais, de promotores e de juzes, obviamente em casos pontuais, no sendo esta a regra. Investigados alguns Senadores pela operao Lava a Jato, haveria, na opinio bronca de alguns crticos, razo para se posicionarem contrrios s inovaes. Dizem que as mudanas visam atingir a famosa operao em curso. No verdade. Por imperativo legal, a lei nova no retroage para punir, s para beneficiar. Assim, nenhum dos agentes e seus atos, j praticados no mbito dessa operao, seriam atingidos, permanecendo infensos aos novos rigores legais a gizarem as investigaes em geral. Sei que as associaes de Magistrados tambm so contrrias s mudanas, mas delas permito-me, respeitosamente, divergir, acompanhando o posicionamento do Min. Gilmar Mendes, e dos juristas que elaboraram o projeto em gestao. A nova lei que pune o abuso de autoridades j deveria estar em vigor, como forma de inibir os excessos nas acusaes, nas denncias lastreadas em hipteses, sem concretude nas provas. Um inqurito ou processo criminal , em si, uma punio ao cidado, que perde a sua tranquilidade, convivendo com uma ameaa permanente sua liberdade. As autoridades incumbidas pelo Estado de investigarem e promoverem a ao penal devem ser melhor controladas em seus atos, e nada mais bvio, para se alcanar e vivenciar o Estado Democrtico de Direito, que impor limites s aes desses agentes. Como Magistrado, a lei no me intimida, ao contrrio, ser o coroamento de uma esperana que sempre tive, da plena cidadania, pois abjuro toda forma de abuso Estatal, mesmo quando os autores alardeiam fins nobres no martrio imposto aos indivduos investigados e, no raro, previamente castigados com antecipaes de pena, em inquritos e processos que , muitos deles, ao final, resultam em absolvies tardias.

* Isaas Caldeira Juiz de Direito na Comarca de Montes Claros


81708
Por Isaas Caldeira - 8/7/2016 20:15:16
Vae victis ( Ai dos vencidos. )

Isaas Caldeira

Nessas operaes policiais em curso no pas,vejo alguns acusados, com prises temporrias decretadas, expostos na mdia e nas redes sociais com as cabeas raspadas, nesta que a forma de sujeio do indivduo ao Estado policial e punitivo, sempre pronto a constranger a liberdade, enquanto escamoteia outras obrigaes que lhe so impostas pela Constituio Federal. Trata-se da humilhao e aniquilamento do indivduo, sinalizando a perda de poder sobre o prprio corpo, no se contentando os agentes pblicos com a mera constrio da sua liberdade, sendo necessrio o ritual de iniciao, que d-se com a raspagem da cabea, e posterior fotografia, devidamente uniformizado, para divulgao na mdia, o que seria proibido, em tese. evidente que, em se tratando de prisioneiro sentenciado, por bvio que a medida tem at um carter higinico, evitando-se a proliferao de doenas do couro cabeludo, facilmente transmissveis nos presdios, especialmente a contaminao por piolhos e similares. Entanto, fora dessas hipteses, tratando-se de prises cautelares, a prtica abusiva e completamente desnecessria, no fosse o vezo de constranger pessoas um hbito comum queles que se acham em poder de mando, em todas as escalas. No se admitindo mais a tortura fsica, resta a alternativa da humilhao, que tortura psicolgica, de modo que um prisioneiro, que sequer tem denncia formal contra a sua pessoa, j sofra esta pena antecipada, na forma de supresso de suas melenas, fora, como a dizer que sua individualidade ali j no conta e que ele no tem o mnimo arbtrio sobre si, enquanto sujeito priso. A prtica de raspar a cabea do acusado ou suspeito no nenhuma novidade histrica, mas no Brasil tudo copiado do resto do mundo com atraso, at o que no presta. Quem no se lembra das mulheres francesas acusadas de terem mantido relaes com os alemes, durante a ocupao nazista, e que tiveram suas cabeas raspadas em praa pblica, enquanto o povo as hostilizava, no ano de 1944, com a Frana j libertada? A maioria apenas tivera simples contatos com os invasores, mas foi o suficiente para a execrao pblica, como se elas fossem colaboracionistas dos invasores alemes. Esse desejo de destruio do outro, fsica ou moralmente, descrito pela psicanlise como produto do inconsciente coletivo, encontrando na prtica uma forma de punio e alvio s nossas culpas, sempre recaindo o castigo sobre o outro, imolado na fogueira pblica, sob aplauso popular. Mas no nos limitamos, atualmente, a esses desatinos. Num Pas onde a Constituio regra as prises, causa desconforto, para dizer-se o mnimo, ver pessoas sendo tiradas de suas casas, logo no desjejum matinal, conduzidas coercitivamente, para prestarem depoimentos em inquritos, sem que se tenham negado previamente a isto. Resta clara a afronta s suas garantias Constitucionais, especialmente de se verem processadas dentro de procedimentos previstos na Lei Processual Penal, onde no consta tal modalidade de constrio, mesmo que momentnea, de sua liberdade. Ser conduzido por agentes policiais, diante de sua famlia, uma desonra imensurvel. Mas parece que a honra pessoal foi suprimida pelo Estado, e os homens, neste Pas, foram reduzidos condio de coisas, sem alma, sem esprito a anim-los, desprovidos de suas subjetividades. Honra a quem tem honra, exorta o Evangelho, mas no Brasil ela apenas um apetrecho ornando a superfcie do cidado, degradvel sob os ditos interesses pblicos, essa justificativa genrica para os atos de fora. Tambm as prises cautelares tornaram-se regra, e no mais exceo, como se ensina nos livros de direito ptrio. Prende-se desde o inqurito, sob qualquer argumento. Se inocente aps investigado, liberta-se, e o sujeito volta sua casa, mas no sua vida, para sempre destruda moralmente, e at financeiramente. Agora as prises se justificam pela chamada delao premiada, onde o Acusado, aps ser preso at por meses, instado a delatar seus comparsas, se os tiver, j ento destroado pelo longo tempo de acautelamento. Aniquilado moralmente, delata, recebendo regalias no cumprimento da sentena imposta. A priso para delao premiada uma espcie de pau de arara politicamente correto, ao gosto da modernidade brasileira, avessa aos mtodos de tortura fsica, pois a modernidade tem vis esquerdista e traumatizada com os governos passados, dos quais se diz perseguida, mas admite esta tortura psicolgica, desde que com finalidade nobre, claro, no combate corrupo. Sei que sou canio contra o vento geral que varre o Pas de norte a sul, mas mantenho-me sobre as guas revoltas do pensamento dominante, sob minha tica. Combater a corrupo, sim, mas dentro da Lei e da Constituio Federal. De minha parte, enquanto modesto Juiz de Provncia, sei j intil minha disposio de no ceder s tentaes do mal, porque voto vencido no tribunal pblico, mas contrariamente laicidade que os materialistas dominantes impem ao Pas, continuarei servindo lei, sem descuidar da transcendncia, e imitao do profeta Daniel, no serei responsvel pelo apedrejamento de nenhum Acusado, culpado ou no.


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Por Isaias Caldeira - 15/3/2016 07:25:26

40 anos do 55 BI

Isaas Caldeira

No ano de 1978 ingressei no Exrcito Brasileiro, prestando o servio militar no 55 BI. ramos o terceiro contingente de jovens a faz-lo, sendo a primeira turma de 1976. Tinha 18 anos e a rebeldia natural da idade, de quem deseja mudar o mundo, desde os valores ensinados no mbito familiar, at o governo da poca, especialmente num Pas onde a liberdade era relativa, do ponto de vista poltico, com as restries ideolgicas prpria de regimes militares ento em curso na America Latina. O mundo ainda era o da guerra fria, com a diviso patrocinada pelos EUA e URSS, cujo smbolo diversionista era o muro de Berlim. ramos quase 200 recrutas, com jovens de todas as camadas sociais. Necessariamente, aqueles que tinham alguma curiosidade sobre coisas para alm do bvio, buscavam na literatura e autores de esquerda, como Sartre , Marcuse e outros, saciar a curiosidade sobre o mundo do dever ser, do mundo perfeito, sem misria, com plenitude de liberdade e cidadania, que nossa ingenuidade creditava ao socialismo utpico ento disseminado , capaz de mudar o estabelecido pela sociedade arquetpica ocidental, com lastros na famlia tradicional e seu forte contedo religioso, cheio de proibies e dogmas. Numa poca ainda de costumes quase vitorianos, com o aniquilamento das vontades em prol do establishment familiar e ainda patriarcal, evidente que autores que dinamitassem essas crenas e valores eram amados, afinal no queramos 100 virgens aps a morte, mas as desejvamos em vida, com a vantagem de no termos bombas amarradas ao corpo, mas dentro dele, de testosterona. Quando me apresentei para o servio militar, no imaginava ser escolhido, mas fui. As primeiras semanas foram terrveis, recolhidos ao quartel em quarentena, ficvamos o tempo todo a merc do taco de sargentos e praas antigos, naquilo que clich no universo militar, onde sempre h um Tainha infernizando a vida de um recruta indcil e refratrio aos deveres hierrquicos ou obrigaes da caserna. Aos poucos amos acostumando com as regras rgidas da vida militar, e aquele perodo de recolhimento no quartel domava nossa rebeldia, enquadrando todos na nova vida que teramos sob o verde-oliva de nosso uniforme e as pisadas firmes dos coturnos na ordem unida cotidiana, ao som da cano do soldado. Na minha companhia de fuzileiros pontificava o ento Tenente Toscano, nosso Comandante e o maior lder que conheci em minha vida, com uma voz de comando que faria o mais medroso e dbil dos soldados transformar-se num portento, num samurai, arrostando todos os perigos da batalha sob suas ordens. Pensei que chegaria a General por merecimento. Parece que no conseguiu, mas para ns, recrutas do 55 BI daqueles tempos, ser para sempre o comandante da tropa, na permanente defesa da Ptria e dos seus valores, que tem no nosso Exrcito seu maior guardio. Quantas saudades! Passado tanto tempo, ainda sonho com os toques da corneta, com as formaes para as batalhas que fazamos em treinamentos, com toda a casta de militares com os quais convivi, acordando emocionado, por ter, mesmo em sonho, vestido a velha farda e empunhado o mesmo fuzil, retirando-os do escaninho de minhas memrias, onde latejam, permanentemente lustrados pelo amor Ptria, a cada dia mais ardente em mim. No 55 BI completei o ciclo necessrio a minha formao como homem e cidado. Hauri valores que ostento orgulhoso, especialmente aqueles cvicos, alargando nossas responsabilidades para alm do crculo familiar e prximo, nos tornando responsveis por todo este Continente que os Portugueses nos deixaram por herana. Um s Brasil, um s povo, uma s nao. Nesses 40 anos do 55 BI, coloco no altar da Ptria, sob a guarda segura do Exrcito Brasileiro, tudo aquilo que ele me entregou e que tenho como patrimnio maior, resumindo-se na vocao de servir ao Pas, honradamente. Nesses momentos de turbulncia na vida nacional, aqui, neste canto de Minas, um brasileiro, j quase envelhecido e um pouco fora de forma, se preciso vai luta, como naquela velha cano, bastando para tanto que lhe dem um velho FAL, um cantil e uma bandeira brasileira como escudo e esperana. Parabns, 55 Batalho de Infantaria do Exrcito Brasileiro! Do alto dos nossos Montes Claros a Ptria vos contempla!

* Isaas Caldeira Juiz de Direito em M. Claros


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Por Isaas Caldeira - 15/2/2016 16:21:24
Sobre o Carnaval

Isaas Caldeira

Quando tinha 16 anos escrevi um texto exaltando a chegada do carnaval. Hoje, dcadas aps, me vejo escrevendo outro, mas agradecendo o seu final. Nessas quatro dcadas, ambos mudamos, quem escreve e o perodo de Momo,este pela permissividade atual, o escriba pelo arrefecimento dos hormnios, induzindo os cabelos brancos e a pouca vontade com festividades. Naquele tempo vivamos governos militares, com censura aos costumes e a liberdade poltica, mas os jovens buscavam como desiderato o exerccio do poder sobre o prprio corpo e de expressarem-se livremente sobre questes nacionais. Desde ento existia, nessa poca festiva, uma expanso das liberdades, notadamente aquelas referentes aos costumes, permitindo-se alguns excessos, especialmente das mulheres, at ento sujeitas ao ptrio poder ou sob o guante de homens conservadores. A vigilncia severa dispensada s moas deixava frestas para ousadias a mais nos sales, e era possvel ao folio mais arrojado o usufruto de alguns dotes femininos, at ento guardados sob o pesado tecido da moral vigente. Em geral no se ia alm de beijos e abraos mais voluptuosos, mas era o combustvel suficiente para dias, at meses, de parolagens entre amigos, dependendo do grau de dificuldades de acesso foliona , onde contavam beleza e o percurso feito- se mais difcil, mais loas ao felizardo. Os homens usavam o carnaval para suas conquistas amorosas, enquanto as mulheres buscavam mesmo divertirem-se nos clubes e sales. Se na quarta-feira de cinza no tivesse o folio algum a aventura para contar, era imperativo que inventasse, sob pena da galhofa dos amigos, ao par com a sensao de derrota que o afligia intimamente. Bebia-se, mas drogava-se, ilicitamente, menos. O lana-perfume era proibido, mas no havia fiscalizao e era comum o uso de lenos umedecidos da substncia estupefaciente nos sales, s vezes por pais e filhos, naquelas famlias mais modernas. Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes, dizem os versos poticos, e nos tempos atuais, com a liberao sexual, so as moas que vo aos bailes em busca de namoros fugazes, no raro estreitados no altar de Afrodite, enquanto os rapazes, enfadados do acesso fcil s primcias femininas, voltam-se para bebedeiras homricas , quase sempre acompanhadas de cenas de pugilato entre contendores embriagados. Sem frenagens libido e sem as amarras da moralidade, no h mais espaos para novidades nos bailes e adereos, esgotado o arsenal criativo dos folies, j despidos das fantasias reveladoras de pulses represadas e que agora deixam expostas, sem mscaras ou artifcios, onde perverses imaginadas pelo Marqus de Sade ficam ao longe das proezas reveladas pela mdia em geral. No fao aqui censura moral, pois todo moralista um canalha enrustido, mas mera observao crtica, afinal preciso um pouco de mistrio nas coisas, sob pena do fastio, do cansao prprio do que se revela em demasia ou se tem acesso fcil. Algumas matronas, j bem rodadas e conhecidas, deram de se declararem homo afetivas, posando para fotos em lnguidos beijos com presumveis namoradas, em cenas teatrais capazes de renderem manchetes em jornais sensacionalistas, mngua de outros atributos que lhes mantenham sob os holofotes, perdido o espao para rainhas do carnaval mais jovens e saradas. preciso chamar s atenes, mais que divertir-se, nestes tempos. As coisas mudam, nem sempre para melhor. Tambm as pessoas comuns sentem uma vontade, mesmo compulso, para viagens a outros lugares, sejam cidades histricas ou praianas, em busca de outros carnavais, quando poderiam, se quisessem, faz-los na prpria cidade, se nada impede que se organizem em blocos, criando um ambiente festivo, em desfiles nas ruas ou clubes, na aprazvel companhia daqueles conviventes de todos os dias. A felicidade sempre est longe da gente, ou sempre a pomos onde no estamos, novamente recorrendo poesia. Ainda sem os achaques da velhice, mas em idade claudicante nas vontades, preferi ficar longe das folias, indo descansar no stio, com familiares e amigos, numa sensao de liberdade gratificante, com um sentimento de completude e paz. Embora saudoso daqueles carnavais, que ainda ecoam em minha memria, mas consciente que o novo sempre vem e que preciso que cada gerao cometa seus prprios erros, pois deles que tiraro as lies necessrias construo de seus destinos. Aos folies de ontem resta a tolerncia ao que no entendem ou assimilaram, mesmo porque vida tem seu contedo personalssimo, onde a subjetividade determina a relao das pessoas com o que contemporneo. No mais, aos mais velhos bom que guardem suas vivncias para uso pessoal, pois como disse o maior memorialista nacional, Pedro Nava, a experincia um carro com os faris para trs.

N. da Redao - Isaias Caldeira Juiz de Direito em M. Claros.


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Por Isaas Caldeira - 24/1/2016 23:21:09
Conheci Rafhael Reys no Caf Galo, que ambos frequentvamos, local de uma boa prosa, mas tambm de muita maledicncia, com especial relevo para a vida poltica local. Tinha uma memria notvel, como demonstram seus textos, tantas vezes publicados em revistas e jornais locais e mesmo de outros estados. Suas estrias sobre a vida mundana da cidade e regio, permeadas de proxenetas, alcoviteiras, mulheres-damas em geral,de discpulos do pano verde, de homens valentes e briges, so uma fotografia do tecido social de uma poca, que ele desenhava com muito humor, em linguagem simples e graciosa. Homem espiritualista, certamente no pagou pedgio ao barqueiro sombrio, Caronte, na travessia das guas que separam vida e morte, indo ao encontro das almas superiores, como era seu desejo, e tambm seu merecimento. Que descanse em paz, como descansam tantos que foram personagens de suas estrias, com os quais conviver no plano espiritual, como era de sua f.


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Por Isaias Caldeira - 8/1/2016 20:28:32
Saudades

Isaias Caldeira

Corram meninos, j vem chuva, e chuva nova faz mal, ouviram as crianas o grito da me ao longe. Tomaram ento o rumo da casa, aonde chegaram junto com os primeiros pingos. A primeira chuva em meses de seca. Trouxe consigo o vento forte, bandoleiro, sem rumo certo, o que era, segundo a experincia sertaneja, bom sinal. Foi de tal intensidade que todos foram alojados debaixo da mesa grande, que ficava na sala , afinal era possvel que uma telha casse, arrancada pelo vento, protegendo-se tambm dos respingos que atravessavam o telhado. Durou cerca de meia hora, mas intensamente. Depois, os pingos rarearam, e todos foram para o alpendre, onde os adultos ficaram, enquanto os meninos corriam para as enxurradas, tentando fazer pequenas barragens de terra, que logo se rompiam ou desviavam as guas para outros rumos. O cheiro de terra molhada espalhava-se no ar . Ento vinha uma alegria que s o sertanejo entende, com as pessoas fazendo planos das lavouras plantadas no p, ou por plantarem, tecendo consideraes sobre o perodo chuvoso advindo, apagando das mentes os dias de sol e seca, como se a vida recomeasse . Era a estao das chuvas. Para os meninos, era tempo de pularem no rio cheio, descendo na correnteza at por quilmetros, para desespero dos pais. Pegavam tanajuras, que se transformavam em bois aprisionados em currais de pedras, sem prejuzo de serem comidas por alguns, aps fritas. A passarinhada era s cantigas nas rvores em derredor; bezerros corriam dando pinotes, sob o olhar displicente das vacas; uma profuso de insetos deixavam os ermos onde se escondiam o ano inteiro e enchiam os terreiros das casas, fazendo a festa das galinhas e bem-te-vis. Nos roados, homens e mulheres se juntavam na lida diria, plantando ou limpando as roas, enquanto contavam causos, em geral sobre coisas cotidianas, pois aquela gente simples no admitia maledicncias sobre os do lugar, e os malfeitos alheios eram reservados s conversas ntimas, como num confessionrio. Se o ano era bom de chuva, havia fartura para todos. Mesmo os mais pobres, sem salrio ou renda de qualquer natureza, banqueteavam-se com a profuso de frutas, legumes e leguminosas que abundavam na regio. Maxixe e umbus, peixes de todas as espcies, encontrados com fartura nas empoeiras, lagoas e rios, afastavam a fome, ento rotineira em algumas famlias. O piro de farinha agregava seu sabor s demais comidas servidas nas refeies de todas as casas. As crianas refaziam-se, encorpando, assim como os adultos, o que garantia nova safra de meninos dentro de alguns meses. Ningum falava em governo ou da ajuda de quem quer que seja, ou de sua falta, somente de Deus, a quem eram ofertados todos os agradecimentos. Deus era o governo de todos e somente Dele se valiam, esquecidos dos poderes temporais. O inverno sertanejo tingia de verde o mundo, com a vegetao renovando-se com a fora das guas, as enchentes alagando os arrozais nas vazantes, e todos ocupados em incontveis afazeres cotidianos, antes que o tempo chuvoso findasse. Foi assim a infncia de todos, at mesmo os da cidade, afinal o Brasil era de populao rural, e os citadinos tinham l as suas origens. J vai longe aquele tempo de fartura de chuvas, tempo em que todos estavam vivos e a felicidade de todos se entrelaava, cerzida pelas coisas simples de ento. Entanto, em todo vero, de longe ecoam, em forma de saudade, as vozes daquela gente antiga, agora j rfs de sua presena. E o menino de ontem perscruta os cus, sondando o tempo, e quando as nuvens confirmam o advento das guas, dentro dele grita, daquelas lonjuras que s o corao pode escutar, a mesma voz materna anunciando o temporal que se avizinha, advertindo que a primeira chuva di, di, di.


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Por Isaias Caldeira - 13/11/2015 20:03:24
Lembranas

A casa sede da fazenda era enorme, e enorme era o terreiro em volta, sob o olhar telescpico do menino, que media as coisas por suas pernas curtas, superdimensionando o mundo. O curral de lascas de aroeira em frente, as bananeiras ao fundo, junto ao jirau de madeira, onde se lavavam as vasilhas em gamelas, colocando-as sob o suporte para secarem. A gua usada, impregnada de sabo de coada, era despejada nos ps de bananas, gerando cachos enormes, com necessrio aporte de uma escora na bananeira. E a vida sempre igual, todos os dias. Ento, ao longe, vislumbraram-se as figuras de uma mulher e duas crianas, em passos lentos, em direo sede, como miragem sob o sol escaldante daquele meio de dia. Aos poucos foram se aproximando, at que se vislumbrassem a criana nos braos da me e as outras duas agarradas s suas saias de algodo, num azul de tintol, a blusa branca com rendas coloridas no colo e nas mangas, como se vestiam as descendentes de escravos naquela poca. Usava chinelos de couro cru, bem gastos. Os ps das crianas eram descalos, as roupas pudas, mas limpas, num asseio que demonstrava a dignidade daquela mulher, da altivez como carregava a sua pobreza, emprestando-lhe uma humanidade quase arrogante , segura que sua sorte ou destino no lhe arrancara do mundo dos homens, e que era filha de Deus, gente, afinal. Chamava-se Alexandrina, esposa de Miguel Vaqueiro, e moravam a uma lgua , no meio da mata. No alpendre, os de casa esperavam. Na chegada, a visitante deu um bom dia respeitoso dona da casa. As crianas maiores, sendo a mais velha de cerca de 8 anos, embora aparentasse a metade, estenderam as mos em pedido de bnos, enquanto a me segurava a mo da de colo, para o mesmo fim. Feitos os cumprimentos, foram convidados a entrarem, seguindo direto para a cozinha. Perguntada pelo marido, respondeu que estava no campo afora, com um companheiro, em busca de gado de criador local, reses que no viam curral h anos, paridas de vrias crias na mata, mais ariscas que veado campeiro, arredias a toda proximidade humana. Saram no final da lua crescente, embrenhando-se na mata, naquela altura do ano bem seca, para aproveitarem a claridade da noite, mais por segurana pessoal, pois abundavam onas naqueles ermos, e era preciso permanecer vigilante. Em volta da mesa, assentadas e caladas, as crianas ouviam a conversa. No fogo de lenha, a gua quente foi misturada ao p de caf, modo na hora, e o cheiro bom tomou conta da cozinha, arregalando os olhos dos meninos maiores, na espera da mesa posta com aqueles regalos da fartura, aos quais no tinha acesso em casa. Serviu-se o caf quente, acompanhado de requeijo e queijo, bem vontade. As mos geis dos meninos logo agarraram seus bocados, que quase nem mastigavam. Vendo que aquela famlia acorrera ali por fora da fome, providenciou-se a fritura de ovos e um pouco de toucinho, servindo-se ento uma farofa com torresmo, e tudo foi consumido rapidamente. Ento, aps alguns instantes, a me sentiu-se mal, vindo a desmaiar. Foram tomadas as medidas prprias, conhecidas pela experincia dos locais, de modo que ela logo se recomps, sentando-se mesa, enquanto arrumava suas roupas. Pediu desculpas por seu mal- estar, envergonhada daquela sua fraqueza. Disse que o marido deixara pouca coisa de comer em casa, acabando os alimentos ao final de uma semana. Que estava a famlia sobrevivendo de beldroega e caruru, com redenho de gado. Mas o desmaio foi porque no comiam comida de sal havia mais de ms, confessou. Fez-se ento uma pequena cesta de alimentos, com os visitantes retornando sua casa com o suficiente para alguns dias, at a chegada do chefe de famlia. Na sada, antes de ir-se, empertigada em sua boa altura, com face altiva, fez questo de convidar a anfitri para um caf em sua casa, assim que seu marido retornasse, pois haveria de receber o suficiente para o abastecimento da despensa, e que gostaria de retribuir a gentileza. Sua figura ereta, aprumada sob um corpo longilneo e magro, perdeu-se logo depois na trilha do mato. Entanto, nos caminhos que ando trilhando pela vida, uma negra alta e elegantemente composta em suas vestes simples, segue na vanguarda dos meus passos, como exemplo de altivez e dignidade, mostrando que o homem est acima de suas circunstncias.


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Por Isaias Caldeira - 17/10/2015 20:20:27
A porta estreita

Isaas Caldeira

Sou catlico de pouca prtica, afinal quase nunca vou igreja, embora me persigne diante dela com o sinal da cruz, acredite na intercesso dos santos e creia numa forma de conscincia do que fomos neste mundo, quando apartados fisicamente dele. o que por ora me basta no que diz respeito transcendncia. Sim, claro, creio em Deus. E o temo. Sei que sou pecador, e pecador que habita a seara de um daqueles pecados ditos mortais, no caso, a luxria. Gosto dos prazeres da vida: boa comida, embora possa ser a simples, bebida, e principalmente quando esses gostos se encontram com aquelas primcias decorrentes da companhia feminina, e nisto me espelho no mais sbio dos homens, o Rei Salomo, to querido por Deus. No cheguei a compor nenhum cntico s amadas, mas s no o fiz por falta de talento, vencida minha vontade. Embora temeroso, dependendo do momento, s vezes chego a recitar alguns versos Salomnicos em apologia ao chamado belo sexo, mas sei que o gosto feminino atual est mais consonante com o fraseado sertanejo ou de comunidades ditas carentes, onde a rima pobre encontra seus congneres, nesses esquentas da vida. Quando jovem, muitas vezes me vali de algum poema de Neruda como mtodo de conquista, quase sempre infalvel para demonstrar sensibilidade ao gosto feminino, sem revelar a apropriao intelectual, com o propsito de vencer minhas limitaes estticas em face de rapazes de feies apolneas. J cheguei a derrot-los em algumas disputas, embora possa parecer impossvel, mas eram outros tempos e outras as mulheres, e sei que hoje elas quase nem se atentam ao que a gente fala ao lado, somente meneando as cabeas distradas, enquanto teclam mensagens nos seus telefones. So os tempos e costumes. No fao aqui nenhuma confisso da linha Agostiniana, afinal ainda espero o sinal de Deus, naquela manifestao ao escolhido, seja pessoalmente, como a Paulo de Tarso na estrada de Damasco, ou em sonhos, para ento buscar o meu deserto pessoal e, sozinho ali, vencer essas tentaes que me escravizam. Posso parecer pretensioso, mas sei que, em algum momento das nossas vidas, todos j aspiramos santidade. menos tolo que querer ser sbio. Afinal, buscam-se mais os conventos e seminrios que s bibliotecas, como atestam os censos e o pouco senso pblicos. Fao essas consideraes em razo da senda encampada pelo nosso Papa Francisco, em seu pontificado. Homem simples e notavelmente bom. Risonho e desapegado de formalidades no seu contato com os fiis, somente mantendo as liturgias essenciais preservao da prpria Igreja Catlica, razo de sua sobrevivncia nesses milnios. Sua Santidade vem acenando com um perdo amplo aos pecadores de todos os matizes. Tolerncia s diversidades, num evangelho acolhedor , onde as portas do inferno se fecham, abrindo-se o caminho do cu para todos. Ao menos assim que percebo, na minha ignorncia, suas intenes . Tudo isso porque um homem bom. Pecador confesso, temo que o Santo Padre esteja enganado na sua vontade de acolher os homens, material e espiritualmente, com perdo amplo e irrestrito. De dar- lhes guarida, convencido que o amor de Deus infinito e que o perdo depende apenas de uma confisso do pecador, mesmo sem o respaldo de mudana pessoal, na crena que so os mandamentos Divinos que devem se amoldar a ns, e no de nos colocarmos sob seu jugo, de suas ordens, do seu imprio. Ah, Santo Padre, esse caminho largo deixaria o inferno no limbo, vazio de almas, e o prprio Demnio perderia sua utilidade existencial, sob o escrnio dos pecadores em geral, libertos dos martrios de seu reino de fogo e leo escaldante. Espero que o Papa Chico esteja certo, mas por cautela, temeroso, entrego-me tarefa de ser justo em meu ofcio, procurando dar a cada um o que seu, enquanto vou pedindo perdo ao Criador por meus pecados, j pblicos e publicados, porque no frontispcio do meu ser brilha a advertncia bblica de que a porta estreita, no larga, e que devo porfiar por entrar por ela.


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Por Isaias Caldeira - 12/8/2015 07:46:31
Os Brasileiros.

Isaas Caldeira

Meu pai casou-se em segundas npcias com esposa quase trs dcadas mais jovem, afrodescendente, e conviveram por mais de vinte anos, at sua morte, por ela testemunhada num leito de hospital. Mulher humilde, roceira, que da vida somente apreendeu o essencial, prescindindo de toda filosofia para praticar o bem e a aceitar, tranqila, as vicissitudes, tudo resumindo numa sentena simples: trabalhe duro e pacientemente, tristezas e alegrias se revezam permanentemente na vida das pessoas. Nada nosso, meros fiduciantes das coisas do mundo e de Deus. Assim, estoicamente, ela passa os dias na lida no pequeno stio em que viveram, e no qual ainda porfia escavando a terra agreste, sob sol inclemente. Nada entende de poltica e nem se interessa por isso. Desde nova sabe que o salrio que paga ao Criador, cotidianamente, tem o valor de seu suor, e grata de poder, dia a dia, adimplir com seu compromisso, agradecendo a Deus por braos sadios e mos que oram cultivando a terra. Por ter enteados juzes, mdicas, servidores pblicos, bancrios e outros aburguesados, no tem acesso as benesses do governo. Numa repblica onde o mrito reside em quem adere s palavras de ordem e empunha bandeiras de faces, com o trabalho considerado uma submisso aos exploradores capitalistas, d gosto ver como insiste em cultivar seu jardim. Semeia a boa semente na terra onde labora, enquanto cresce uma descendncia miscigenada de frica e Europa . Os seus irmos, vizinhos seu, to honestos e trabalhadores como ela, so requisitados por todos os proprietrios de terras na localidade, com a fama de laboriosos e dedicados aos compromissos assumidos credenciando-os entre todos. Alguns prestam servios a mais de um patro, todos eles agradecidos por terem disposio gente to honesta e comprometida com o trabalho. Nunca receberam um palmo de terra do governo, pois no integram nenhuma organizao campesina, nem se filiaram a partido poltico. Trabalham duro e tm a mesa farta, s suas custas. Nunca foram contaminados por qualquer ideologia. So, aparentemente, felizes. Digo isso, neste momento de desconstruo da nao brasileira, para lembrar a todos da extraordinria herana portuguesa que nos foi legada, esta unidade lingstica e territorial que o mundo admira e inveja, e esse povo miscigenado. A Amrica espanhola transformou-se em vrios pases. Somente o Brasil manteve esta unidade territorial, com mesmo idioma, o mesmo sentimento de brasilidade, unindo brancos, mestios ,ndios e negros, miscigenando raas, dando origem ao que Darcy Ribeiro exaltou como modelo de civilizao feliz. Dizem que hoje j entregaram 20% do territrio nacional a grupos ditos indgenas, exigindo apenas uma declarao dessa condio para usufruir da bondade governamental. Pouco importa se avs j eram integrados comunidades urbanas ou entre outros nacionais, alheios aos rituais de seus ancestrais. Tambm separam territrios para descendentes de escravos, nominados quilombolas, em prejuzo aos proprietrios locais , onde geraes viveram e ajudaram a construir o progresso da regio. Sintomtico que as terras requisitadas so quase sempre as melhores do lugar, j prontas. Bem que o governo poderia entregar as terras na regio norte do Brasil, ainda despovoadas e que precisam de gente disposta a explor-las, a esses novos proprietrios. Mas o norte do Brasil to longe de tudo e preciso trabalho duro para tornar aquelas terras produtivas, o que um empecilho, certamente. Assim, melhor requisitar, em geral fora, a fazenda produtiva mais prxima, que logo o governo vem com providencial decreto expropriatrio, baseado em laudos antropolgicos de engajados, sempre dispostos a distriburem o que dos outros. Os proprietrios, se resistirem s invases, passam condio de latifundirios sanguinrios e criminosos, aos quais os grupos organizados exigem prises imediatas. A justia social, que realmente necessria, acaba por ser ser feita injustamente, ferindo direitos. Assim, em poucos anos, conseguiram disseminar o dio entre os nacionais, dividindo os brasileiros em grupos tnicos e entre classes sociais, entre exploradores e explorados, talvez de forma irreversvel. Lembro ento do meu pai, vaqueiro, na lida do gado, e minha me na cozinha, socando arroz em casca no pilo, para a comida de mais de uma dezena de pees, todos os dias, na fazenda onde trabalhavam no incio de suas vidas, ela sem salrio. Com esforo e economia, compraram uma modesta propriedade rural , dela tirando o sustento de famlia numerosa. Todos os filhos formados, com vidas honradas. Vieram ainda trs irmos desta segunda unio de meu pai, todos cursando faculdades, no mesmo caminho j trilhado. No pas das palavras de ordens gritadas por uma minoria que nada produz, ainda h uma maioria que acredita no trabalho e no esforo pessoal como forma de ascenso social, para brancos, negros, ndios e mestios. Mantermos este Continente chamado Brasil unido, nao e territrio, nosso compromisso com os desbravadores portugueses que nos colonizaram e delinearam nossas fronteiras e, mais que tudo, com nossos descendentes, continuadores da epopia Lusitana.


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Por Isaias Caldeira - 21/7/2015 12:12:56
Uma cena urbana


maro, em pleno vero, ao meio dia . Os transeuntes vagam procura das balaustradas das casas e dos toldos das lojas , ou qualquer sombra que arrefea, mesmo que por instantes, o furor canicular. Vejo sair, das dependncias da Santa Casa, uma mulher com o filho nos braos. Deve ter pouco mais de 30 anos, e mais ou menos um metro e cinqenta de altura, e a criana uns quatro ou cinco natalcios. So pobres, sei, como revelam os chinelos de borracha e as vestes estampadas e pudas. Anda rapidamente a me, como se aquela criana fosse um complemento de seu corpo e do seu peso, to agarrados estavam, cingindo ao peito e ombros aquele ser pequeno. O menino que carrega tem os punhos levantados e as mos fechadas, hgidos, sobre os ombros dela, em clara e transparente anomalia advinda do parto, apodada como paralisia cerebral pela medicina. Sigo-a com os olhos, ou a ambos, mesmo que sejam um s neste desenho de momento, atento ao seu deslocamento pelo centro da cidade, admirado daquela fora que s as mes possuem, dessa proeza que s o amor materno capaz. Coberta de suor , seus passos ligeiros pelas caladas lembram-me uma estria antiga, dos anos setenta, no sculo passado, sobre um menino que carregava nos braos um irmo, pouco mais novo que ele, em pleno inverno em Nova York, e que batera porta onde moravam alguns padres, em busca de ajuda e abrigo. Ao abrir a porta e ver aquelas duas criaturas pequeninas cobertas de neve, perguntou o religioso quele que carregava, como conseguia levar tanto peso sob seus ombros, respondendo o menino que no levava peso nenhum, mas o seu irmo. Deus meu, amoroso Deus Cristo, a quem me vergo e submeto todos os dias da minha vida, eu sei que a verdadeira fora o amor que pregaste. ele que remove as montanhas, porque f sem amor sino sem badalo, opacidade e vcuo, limbo onde jazem as coisas e seres sem alma. Aquela criaturinha frgil e seu rebento , expostos s mesmas leis da gravidade e do calor,jungiam-se naquele abrao amoroso, e se complementavam de tal modo e com tanta intensidade, que era impossvel saber quem realmente era carregado, porque o amor verdadeiro apaga essas fronteiras entre doador e donatrio. Fisicamente, ambos eram distantes daquela figura da Madona e seu filho ao colo, estampadas nos quadros renascentistas, cobertos pela luz divinal, com a criana rechonchuda e de olhos vivazes, onde a vida se revelava em sua plenitude, com a abundncia da sade somada alegria materna de ter nos braos o Deus Menino, salvador dos homens, que sabia de destino inigualvel. Nada disso animava aquela mulher, certamente, mas somente o amor, na sua forma mais pura, pois no dependente de qualquer esperana e sem nenhuma certeza quanto ao filho que carregava, ao contrrio, temerosa de seu futuro sem as rdeas de sua vida, subalterno a terceiros cuidadores, bons e maus. Sei que em mes assim s um medo habita os coraes, o de no terem vida longa para cuidarem deles, e por tal se carpem aos ps dos santos e em preces a Deus, na esperana de um milagre impossvel. Perdendo-a de vista, mas no em meus pensamentos, imagino que outros filhos esperam em casa, por isso tem tanta pressa, ou talvez algum marido ciumento, que lhe indagar sobre razes da demora, sem prejuzo de palavras duras. Sei que ela somente se libertar de seu calvrio quando chamada por Deus. Ento, seu corpo franzino, numa urna pobre e pequenina, ser conduzido sem dificuldades para seu ltimo leito, liberto de suas circunstncias. Mas sua alma enorme, esta sim, demandar uma legio de anjos a conduzi-la, em alegre coro, at o colo do Pai, onde permanecer, para todo sempre, em descanso, no usufruto daquele mesmo amor que dedicara ao filho neste mundo.


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Por Isaias Caldeira - 21/6/2015 21:50:08
Sobre prises

Isaias caldeira

A personagem Javert, policial implacvel, magistralmente descrito por Vitor Hugo no romance Os Miserveis, tinha obsesso em encontrar e prender Joo Valjean, por um furto cometido h anos e que o condenara s gals, de onde fugira, e essa busca constitui-se num dos eixos centrais desta obra prima, que emociona o leitor desde a primeira pgina. No final da extensa obra, realiza o perseguidor seu intento, encurralando sua presa. Entanto, aps tantos anos em seu encalo, conhecendo sua vida dedicada aos mais pobres e honesta, desiste de efetuar a priso e suicida-se , porque para ele, Javert, ao deixar de cumprir com sua obrigao policial, somente a morte poderia aplacar a vergonha da sua omisso, mesmo que por razes mais que justificadas no contexto da obra. Tambm em O Alienista, do maior escritor brasileiro, Machado de Assis, a personagem Simo Bacamarte, mdico formado em Portugal, que passa a estudar e catalogar os loucos e as loucuras na pequena Itagua, no Rio de janeiro, aps internar a cidade inteira, at sua esposa, acaba sendo ele mesmo encerrado nas grades do manicmio que criara. Essas obras , uma de carter mais romntico e a outra realista, desenham quadros sociais perfeitamente reconhecveis por todas as geraes, evidentemente com as tintas dos notveis escritores que as criaram. Ambas esto a nos alertar para o perigo dos excessos, das obsesses, das ideias fixas, em como elas se apresentam em algum momento da histria, partindo muitas vezes de uma tese plausvel, racional na aparncia, mas incapaz de uma anttese, sem o corolrio lgico de uma sntese. Pois bem, essas lies no so consideradas por alguns dos detentores de poder no aparato estatal, muitas vezes por desconhecimento ou por simples desprezo aos seus contedos morais. Contextualizando as obras aos dias atuais, v-se que nunca foram presas tantas autoridades e empresrios como nesta safra da nossa histria, o que, se tem um carter positivo, do imprio da lei para todos, deixa dvidas sobre a prevalncia da lei processual em vigor, quanto aos requisitos para as prises preventivas. Basta uma causa ou pretexto palatvel ao grande pblico para justificar um decreto prisional, pois os fundamentos das prises em geral mostram elevado grau de subjetividade, apoiando-se em perspectivas, na categoria das possibilidades, mas no do real, aqui entendido como fato incontroverso, inserto no mundo e perceptvel aos sentidos. Sob a premissa que o investigado poder fazer ou deixar de fazer algo que dificulte o processo, decreta-se o acautelamento, em geral, mas no unicamente por isso, repito. Pouco importa se o cidado tem empresas que empregam milhares de pessoas, com dcadas de atividades no pas e no exterior, gerando rendas e prestgio ao Brasil. Uma vida sem mculas, endereo no Pas, servios prestados nao, nada disso conta quando das prises cautelares, de modo que fica a impresso que mais vale uma vida desonesta e criminosa, como a maioria dos bandidos que infernizam a vida dos brasileiros cotidianamente, que ter um passado de trabalho e honrado, sob a tica de alguns intrpretes do Cdigo de Processo Penal. Se suspeito, prende-se. Enxovalhado publicamente e para sempre, pois j teve sua pena antecipada, sem sequer um processo formal que a legitime, em meros inquritos investigativos. No podemos esquecer que a execrao pblica era uma modalidade de condenao em tempos nem to antigos, com a marca escarlate no rosto do condenado, ou ser arrastado amarrado ao rabo de um cavalo pela cidade, para conhecimento da populao, mas depois de um processo. Hoje a mdia se encarrega disso previamente, registrando a morte moral do acusado, na mesma fogueira pblica onde arderam as vidas de tantas pessoas no passado, sob o aplauso da massa sedenta de sangue, do martrio de algum como justificativa para fracassos pblicos e privados. Nem falo das tais condues coercitivas de quem no se recusou a depor. Foram buscar fundamentao jurdica no Cdigo de Processo Civil para este absurdo, o que jamais imaginei presenciar numa democracia, onde a Constituio Federal limita as privaes de liberdade aos casos de flagrantes e prises por ordem judicial, obviamente em cautelares previstas no Cdigo Processual Penal e em sentenas condenatrias. Ser conduzido coercitivamente ser privado de liberdade naquele momento, sem sequer saber qual crime imputado. Depois, o investigado tem direito ao silncio, sem nenhum prejuzo, ento uma medida injustificvel juridicamente. Estou certo que ela somente humilha e destri moralmente o cidado suspeito. Mas ningum reclama, incluindo a OAB, todos refns das boas intenes dos agentes do Estado, dos fins buscados, de coibir a corrupo. Danem-se os meios. No esta a Democracia que imaginei aps o governo dos militares. O estado de direito deve ser imperativo para todos, com prises de quem quer que desafie a ordem jurdica, mas dentro do devido processo legal. Receio que com tantas decretos prisionais, ao final sejamos todos encarcerados, sob a ordem de algum Simo Bacamarte do Judicirio, sem termos um Inspetor Javert moralmente capaz de resistir ao cumprimento da ordem.

Isaas Caldeira juiz na Comarca de M. Claros


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Por Isaias Caldeira - 12/4/2015 08:38:47
DA VIDA E DAS LEIS

Isaias Caldeira

Gastei quase toda a vida inutilmente. Tantas oportunidades perdidas nesses hiatos entre as obrigaes cotidianas, debruado nas janelas , na intil contemplao do mundo em movimento, do espetculo encenado que convidava para o palco , enquanto fui quase um tmido espectador dos acontecimentos. Nenhum sbio me procurou nas montanhas em que me isolava, prisioneiro dos meus medos, para mostrar a ponte que conduziria ao homem novo , a um lugar para as expanses dos meus desejos. Poderia ter sido tantas coisas, porque tempo h em demasia, como testemunham nossos domingos vazios, os jogos de cartas e as mesas dos bares. Agora que, em meu caso, o futuro menos que o passado e que se tem a verdadeira dimenso da vida, nem infinita e nem curta, mas suficiente a incontveis jardins, corro a semear apressado as sementes que colhi e guardei, plantando rvores que no verei florescer, na esperana de sombras e flores nas manhs dos que viro. Certamente teria amado mais, se pudesse, porque nada h de mais extraordinrio que o amor, rosa sempiterna , com textura e cor iguais a todas as rosas, mas nica para algum que a colhe , no mesmo gesto repetido por todas as geraes . Chego a sentir os coraes adolescentes pulsando no primeiro assombro amoroso, seus rostos rubros na timidez da descoberta do outro como parte de suas vidas, renovando-se nas demais fases da existncia, afinal no se ama uma nica vez, em regra. Sei que isso tem um nome: vida. ela, que acontece enquanto fazemos planos, to nossa parceira que no se incomoda com nossa gratido, nesse seu hbito de se fazer minimalista nas coisas cotidianas. Na verdade, s precisamos do ar que respiramos , porque o resto a vida nos oferta, nesse imenso mercado exposto aos nossos sentidos, onde tudo escolher e apaixonar-se, como dizia um filsofo do sculo passado. Mas tambm teria brigado mais com os hipcritas ,nas assemblias pblicas que promovem para venderem suas verdades fabricadas , encilhando suas mentiras com arreios dourados, para que o brilho cegue a verdade e o julgamento se d escravizado pelas aparncias, que se fazem de provas ao dito condenatrio. Hoje, ando farto dessa gente e j os rifei das minhas preocupaes rotineiras. Deixei ao Eterno, que tudo sabe e perscruta os coraes dos homens, o julgamento de suas maldades, pois est dito que como julgamos seremos julgados. A mim me basta saber que, assim como o profeta Daniel, que admoestou os juzes de seu tempo para a injustia contra a mulher conduzida ao apedrejamento, no fui responsvel pelo sangue de inocentes , deixando contaminar-me por sentimentos subalternos ou prevaricando no exerccio de meu ofcio, com meu cargo a servio de faces polticas ou contra quem quer que seja, no campo pessoal. S o sentimento de justia me anima e move, desde a epignese de minha existncia, pois o homem conduz o Magistrado em todas as circunstncias. S um psicopata pode ter prazer em condenar algum priso, esta modalidade de castigo terrvel, j que os presdios em nada diferem das jaulas onde animais so recolhidos , para tranqilidade de um pblico que se contenta em subjugar quem o ameaa. Entanto, reconheo que o Estado ainda no criou nada melhor que substitua o castigo que atua sobre a liberdade de ir e vir. Ele j teve na tortura fsica, com chicotadas e apedrejamentos, a punio aos acusados. Infelizmente tais prticas so legitimadas at nossos dias em pases onde o direito regido pela ortodoxia religiosa. Falo de mim e do que acredito, neste opsculo, no por vaidade, mas esperando ser til, mesmo contrariando os bem intencionados , mas desprovidos daquela racionalidade singela, que prescinde de maiores argumentaes ou provas, assentada to somente no bom senso, que anda em falta no mercado de idias. Refiro-me, aqui, especificamente, reduo da maioridade penal, que sou favorvel. No porque, como querem pautar o assunto, v reduzir a criminalidade, mas porque ela conduz Justia concebida pelo homens, de reparar vtima ou seus familiares do mal imposto pelo ofensor. Uma criana cruelmente assassinada por um adolescente, j consciente este de seu ato, merece uma resposta condizente com a gravidade do crime pelo Estado. Se este nada faz ou faz pouco, legtima a indignao dos vitimados, o que pode ser um caminho para a justia privada. No se trata de reduzir a maioridade em todos atos infracionais, mas to somente naqueles crimes graves, que causam clamor pblico, como latrocnio, estupro, seqestro e outros similares, que no representam quase nada no universo dos delitos menoristas atuais. Uma lei penal que no considera a vtima, reproduz o mesmo crime contra ela, pois legitima o mal imposto, afastando-se do imperativo tico essencial paz social. Pautada apenas em critrio cronolgico, sistematiza injustias, e o momento exige reparos que instrumentalizem uma resposta pelo Estado ao mal imposto pelo agente, seja ele menor ou maior de 18 anos. Que o Congresso Nacional no se esquea de seu compromisso com a sociedade, que na quase totalidade exige mudanas na legislao menorista, encerrando esse ciclo de impunidade.


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Por Isaias Caldeira - 13/2/2015 09:28:37
Solues mgicas

Isaas caldeira

Um dia, quando criana, peguei um sofr com as mos. Acho que andei pegando mais um ou outro pssaro. Foi o bastante para meu pai alardear meus poderes sobrenaturais na cidade que s conheceria anos depois, quando parti da roa para estudar em Montes Claros. Aqui chegando, logo minhas tias e primos queriam saber dos meus dons extraordinrios. Eu, que at ento no tinha a dimenso do feito e achava que apenas ocorrera de pegar os passarinhos que se mostraram dceis e acessveis minha aproximao e contato, aceitei de bom grado os atributos mgicos, de modo que cheguei a acreditar nos poderes que me atribuam. Assim, s escondidas, sem a presena das pessoas, vrias vezes me pus a observar os pardais que abundavam nos quintais daquele tempo, tentando deles me aproximar e realizar a faanha de apanh-los com as mos. Bichos arredios, logo davam asas, abrigando-se nas frondosas mangueiras prximas, indiferentes aos meus desejos e boas intenes, certamente temerosos do vezo dos meninos de dirigirem- lhes pedradas. Aos poucos, fui aceitando minha incapacidade para o encantamento de pssaros, e quando algum me pedia para faz-lo, arrumava uma desculpa qualquer, especialmente de que somente me relacionava com os passarinhos da roa, muito diferentes dos pardais e outras espcies da cidade, que insistam em comer os restos de comida jogados fora e enchiam de piolhos os telhados das casas citadinas. Ainda adolescente, dei-me conta que apenas me ativera e considerara, ento, o olhar do outro, nisso que chamamos vaidade, em contraponto aquilo que eu realmente era, um pobre mgico mirim sem cartola e sem truques, incapaz de tirar pssaros do nada, tampouco de apreend-los em minhas mos pequenas e inbeis. Hoje, j um velho em gestao, por mais que me esforce em contrrio, vez ou outra sou tentado pelos crditos e louros que alguns me pespegam, e me surpreendo em gozos sbitos , movidos por uma satisfao ntima que emerge do somatrio das loas recebidas, e chego a acreditar, como o poeta, que alguma mo anotou em mim o sigilo do gnio. Graas a Deus no duram esses desvarios mais que alguns segundos, e logo o menino fracassado nos seus pendores extraordinrios emerge, colocando em fuga esse pssaro de penas douradas, da mesma gnese volvel do beijo que antecede o escarro, fruto do barro informe que apodamos de opinio pblica. Juiz de provncia, com um poder liliputiano, esforo-me para dar conta de uma tarefa infinda, levando aos ombros a balana da justia dos homens, onde devo medir os seus atos, sob o prisma das construes jurdicas previamente estabelecidas e codificadas. Tarefa de Ssifo, quando quase me dou por satisfeito com minha atuao jurisdicional, eis que os fatos jogam-me de novo ao rs do penhasco, e vem a sensao de inutilidade, de fracasso pessoal e das instituies, por no atender minimamente aos anseios de um povo acuado e desprotegido, em permanente risco de morte em meio a uma guerra civil no declarada. Atuando na rea criminal h muitos anos, sei que perdemos a batalha contra a criminalidade. Cadeias superlotadas, algumas j interditadas, centenas de novos inquritos chegando mensalmente s varas criminais, estruturas precrias em todos os setores responsveis pela aplicao da lei e combate aos crimes, esta a realidade vivenciada. No h mais vagas no sistema prisional para maiores e menores. Para se prender algum, coloca-se em liberdade outro, revezando-se nas celas dos presdios e centros de recuperao menoristas. Acabado o expediente forense, aps vrias audincias, despachos e sentenas , retornando para casa, imagino o pas daqui a alguns anos, se continuar neste ritmo, e temo caminharmos para o impasse, para o confronto social, onde o descrdito nas instituies nos conduzir luta fratricida, no desespero das vtimas dessa guerra civil em curso, que mata mais que em pases oficialmente em litgios blicos. Mas talvez exista algum pssaro na cartola das autoridades responsveis, e faam a mgica de apresentarem ao pblico uma soluo para o impasse, devolvendo a paz hoje perdida, embora desde menino saiba que no to fcil pegar pssaros de verdade sem o uso de mtodos convencionais, no caso, leis mais duras, com penas que desestimulem os criminosos e efetividade no seu cumprimento. Parece simples, mas preciso coragem para se fazer o bvio, deixando de lado malabarismos jurdicos e retricos. Afinal, a ave da injustia j se assenta nos umbrais das portas e no preciso mgica para toc-la com as mos.


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Por Isaias Caldeira - 27/1/2015 09:56:26
A terra desolada.

Isaias Caldeira

Na minha infncia rurcola, o sol era o relgio de todos. No seu nascer e declnio medamos a passagem do tempo, as horas de trabalho e descanso dos homens. Amanhecendo, os foiceros e demais empregados iam cozinha da sede da fazenda e ali, antes da jornada diria, refestelavam-se com coalhadas, leite, queijo e caf, livremente e sem medidas. Tudo era muito farto, as coisas da roa eram produzidas apenas para consumo interno. tarde, inclinando-se o sol por trs dos montes, punham as ferramentas aos ombros e, em fila indiana, marchavam de volta sede, com seus rostos queimados, banhados em suor, passos arrastados, j pensando no jantar que os aguardava, em geral aps um mergulho no rio de guas limpas e fartas. Tudo era sempre igual, dia aps dia. Reunidos, a preocupao de todos era o tempo e suas variaes. Olhavam para o cu, mediam as nuvens, suas coloraes e intensidades. Faziam-se os prognsticos climticos, sempre na esperana da chuva benfazeja. No havia stress, pois as mentes s se ocupavam dessas coisas simples. Sem televiso, somente o rdio trazia as notcias do mundo. Entanto, as guerras e tragdias, despidas das imagens, no geravam grandes comoes, mesmo porque tudo era to longe, num mundo que desconhecamos, de povos que s vezes sequer sabamos onde habitavam. Depois, era preciso concentrar-se nos afazeres dirios, sob pena de dificuldades at mesmo de sobrevivncia. Cuidar dos pastos e dos animais, das plantaes, das coisas cotidianas, sem tempo para os sortilgios de outros povos ou naes. De tempos em tempos a morte deixava seus sinais na comunidade, tingindo de negro as vestes familiares . Depois, tudo se acomodava. Deus d, Deus tira, graas a Deus. O homem simples encara a realidade de modo mais objetivo e conformado. Sabe que frgil e que a dor se apresentar de alguma forma para tudo o que vive, culminando na morte, sendo intil toda a especulao sobre a justia na sua distribuio no mundo. Apenas reza a Deus e aos santos de sua devoo, como uma obrigao que se cumpre, mas j ciente de seu destino, prescindindo de qualquer filosofia ou metafsica. Deus quer ou quis. O resto so meras especulaes , e as coisas que so , aquelas as quais no se tem acesso s suas causas e tornam inteis as palavras, essas permanecem distantes da apreenso dos homens, porque inexpugnveis em seus mistrios e enlouquecem os que se prestam intil tarefa de decifr-las. Rememoro aquele tempo de meninice em razo desta inusitada e assustadora situao climtica que passamos. Conheo pessoas com mais de 90 anos que dizem nunca terem presenciado algo semelhante, com tanta seca e calor . Em certas localidades at o mato, em palmo, tostou, alm das plantaes . Nada cresceu, parecendo que foi usado herbicida de alta eficincia nos campos e pastagens. A terra ressequida verbera o sol, que desde o nascer queima como se no znite. At os beija-flores desapareceram dos campos, onde a cancula vergasta tudo o que vive e afugenta os animais para a pouca sombra que ainda resiste. A saracura trs potes entoa seu canto inutilmente nas tardes findas, quebrando o silncio das paisagens , alternando-se com o mugir faminto do gado sobrevivente e que ainda no foi vendido . Um tom escarlate inunda o horizonte e as pedras exalam o calor recebido. Ento,os campesinos esperam, adivinhando os sinais da natureza, na esperana de uma mudana no tempo e que a chuva alivie a situao de penria de todos. No cio forado, aguardam o dia seguinte. Mas sobretudo h o medo que o clima tenha mesmo mudado, para sempre, e que um tempo de destruio apocalptica imposto pela natureza se faa permanente, indiferente a dor dos homens, mas no s suas aes contra o meio ambiente, cobrando o preo pelo mau uso dos recursos naturais ao longo da civilizao. Incapazes diante do portento avassalador, somente nos restaria a misericrdia Divina. Rezemos, pois.


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Por Isaias Caldeira - 20/12/2014 19:54:41
Sobre eleies .
Isaas Caldeira

O sistema eleitoral brasileiro fez do que seria um dia festivo, aquele do pleito, num quase luto, tudo em face do excesso normativo em vigor, na busca de um voto livre de toda e qualquer peia capaz de imprimir a marca do servilismo ou da sujeio ao poder poltico ou econmico. Um dia monstico, sem manifestaes de eleitores, sem alegria, num silncio sepulcral, de uma gravidade anloga uma sexta-feira da paixo, onde o sacrificado o direito de expresso poltica, no culto ao mundo ideal, do dever ser , enquanto a tempestade de realidade poltica destelha a manso da hipocrisia nacional.Erra-se no diagnstico e no prognstico. Os labirintos que conduzem aos pores onde a prxis poltica habita, dispensam , na luta pelo Poder, trinta legies ou armadas hericas, trocando os velhos mtodos pela orgia dos financiamentos escusos e a propaganda enganosa, onde aquele que mentir melhor ser o vencedor. Sem a espada de um Perseu moderno capaz de decapitar essa Medusa, ou de um espelho que mostre suas faces disformes, ausentes as luzes da moral e da tica, nesses pores silenciosos onde se ajustam as campanhas, ouve-se o tilintar das moedas, entre sussurros de polticos e mercadores do poder . Os Poderes Constitudos criam as estratgias legais para a lisura do pleito e buscam inibir a corrupo eleitoral pela via de um sofisticado emaranhado jurdico, onde leis e regulamentos esmiam detalhes a serem observados pelos candidatos e partidos polticos, com um rigor formal que certamente no encontra paralelo em nenhuma outra nao do mundo democrtico. A tentativa de controlar os gastos de campanha resta intil, pois no h como evitar-se o caixa dois, presente em todas as eleies, notadamente para os cargos executivos, em todos os nveis. Face ao furor normativo, quem ousa candidatar-se passa o seu calvrio quando da prestao de contas da campanha, em razo do inferno burocrtico ao qual se submetido, sob pena de impedimento de acesso ao cargo disputado e at de inelegibilidade futura. Todos os candidatos, vencedores ou no, submetem-se s mesmas normas burocrticas . H alguns anos venho afirmando a inutilidade deste rigor legal, que no inibe a busca de recursos infensos aos rigores da lei eleitoral, no conhecido, muito praticado e j citado caixa dois das campanhas, alimentado pelo tambm caixa dois de empresas, algumas at fictcias. No laranjal que se espalha de norte a sul do Pas, motoristas e domsticas se transformam em milionrios donos de empresas em pocas eleitorais. O dinheiro repassado, na maioria das vezes, em espcie, diretamente ao chefe poltico ou liderana. Por sua vez, essas empresas de fachada fornecem recibos e notas por trabalhos nunca realizados, ou superfaturados. Diante das notcias que enchem os jornais e revistas atualmente, essas afirmaes chegam a ser acacianas. Financiamento pblico das campanhas no vai impedir que essas coisas continuem a acontecer, s que acrescidas do dinheiro do contribuinte. Recursos do caixa dois no so contabilizados nas campanhas, por bvio. Para impedir e diminuir os abusos do poder econmico, a nica soluo que vislumbro o fortalecimento da Receita Federal, com mais autonomia, mais quadros, mais recursos tecnolgicos e legais, com amplo acesso contabilidade das empresas e pessoas fsicas, mitigando-se o manto dos sigilos fiscais e bancrios , mas com graves punies ao seu servidor que franquear os dados ao pblico ou a terceiros, a includas as Polcias e o Ministrio Pblico. Penas severas para sonegadores fiscais, como nos Estados Unidos, igualmente para agentes pblicos envolvidos nessas falcatruas. No foi o FBI quem prendeu Al Capone e desmontou a mfia americana por ele liderada, mas a Receita Federal . Se mais prestigiada, a nossa Receita Federal ir dispensar, no futuro, o catlogo de leis e regulamentos eleitorais em vigor, poupando-nos desse vexame do voto tutelado, sob o taco de juzes, promotores e advogados. Acrescida esta medida com a instituio do voto distrital,a reduo da propaganda gratuita no rdio e televiso, e o fim desse cabresto que nos obriga ao caminho das urnas, varreremos da vida nacional esses episdios lamentveis, sempre reproduzidos aps cada eleio, para descrdito das instituies.


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Por Isaias Caldeira - 4/11/2014 08:58:01
Memrias e fatos

Isaas Caldeira

Nasci no final do ano de 1959. Passei a minha infncia e juventude sob o governo militar. A primeira memria que tenho da minha infncia do meu pai de prontido, espera do resultado das aes das foras armadas, num dia que hoje sei ser aquele em que os militares derrubaram Joo Goulart. Havia combinado com o fazendeiro vizinho que, caso fracassassem os militares, enfrentariam os elementos da liga camponesa bala, mesmo sob o risco do sacifcio dos familiares, incluindo as crianas, em meio s escaramuas. Vitoriosos os militares, ficamos vivos, escapando do enfrentamento armado, para a alegria do chefe da casa e nossa. Meu pai acreditava na sentena bblica que condenava o homem a comer ao preo do suor do seu rosto, recusando qualquer forma de governo contrria a sua f, preferindo a morte. Trabalhava desde os oito anos de idade. Fora oleiro, tropeiro,vaqueiro e conseguiu, com suor e economia, comprar um pedao de terra, dela vivendo com a famlia. Devo, de certa forma, s foras armadas, o ainda poder ver a lua crescente de hoje e sei que ela esta noite no me procurar em vo, no dizer de um poeta persa. A minha relao com o governo militar de ento, iniciada minha juventude, era de indiferena. Depois, passei a achar que a felicidade era poder cantar uma cano censurada de Geraldo Vandr, comprar um disco do burgus Chico Buarque, ou de Caetano Veloso pelado na capa, fatos que pesaram na minha contestao ao regime. De nada valia a vida tranquila, que nos permitia atravessar a cidade a qualquer hora da noite, em bandos adolescentes, sem nenhum perigo, ao no ser de algum cachorro bravo solto na rua, sem riscos de assalto ou de perda da vida por alguma bala perdida. Ningum, do nosso grupo de adolescentes, usava drogas ou mesmo conhecia algo estupefaciente alm de bacardi com coca-cola, limo e gelo, ou o famoso rabo-de- galo, mistura de cachaa, cortezano e licor de pequi. Outros jovens eram mais liberais, afinal vnhamos da contracultura, que teve seu auge nos anos 60, mas eles se limitavam a um visual diferente, cabeludos, de roupas coloridas, espera da Era de Aqurio , na base do paz e amor e faa amor, no faa a guerra. Enquanto isso, o governo militar, que duraria 20 anos, entre 1964 a 1984, cuidava de levar o Brasil da 49 economia mundial para a 8 posio, quando do seu trmino, e desde ento, 30 anos depois, estacionamos no stimo lugar no cotejo das naes. Os militares fizeram quatro grandes usinas hidreltricas, Tucuru, Ilha Solteira, Jupi e Itaipu , que permitiram a industrializao do Pas, alm de outras menores; 46 mil quilmetros de rodovias asfaltadas, incluindo Belo Horizonte-Montes Claros, Rio-Santos, Rio-Juiz de Fora, Ponte Rio-Niteroi; a transamaznica; metrs de So Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza; quatro grandes portos; criao da Embrapa, que tirou o Pas da agricultura de subsistncia para exportador de gros; o Banco Central; o SFH, INPS,IAPAS,DATAPREV, LBA, FUNABEM, FGTS, Funrural; Nuclebrs, com Angras I e II ; Infraero, Polcia Federal, Zona Franca de Manaus; IBDF, BNH, SUDAN; o Prolcool ; a Ferrovia da Soja; fomos o 2 maior construtor naval do mundo; o Projeto Rondon, Mobral; Embratel e Telebrs; Ferrovia do ao e tantas coisas mais, que impossvel cit-las sem encher pginas. O Brasil crescia at 14% ao ano, em primeiro lugar no mundo, nos anos 60/70. Tudo isso em 20 anos, mesmo tempo dos governos do PSDB e do PT somados. Falava-se de enfrentamento guerrilhas, e como ficamos sabendo, alguns foram mortos e outros torturados. Dos que sobreviveram, muitos esto no poder atualmente. Todos os presidentes militares continuaram pobres e nem sabemos quem so seus descendentes. Em governos civis apareceram o MST, MTST, e outros congneres, atuando em frentes ditas populares, a salvo dos rigores das leis, que em tese valem para todos. No h mais censura, usar droga no d mais cadeia, bolsas diversas sustentam mais de 36 milhes de famlias, e as faculdades formam milhares de doutores, especialmente advogados. A gente pode cantar qualquer cano, acabou-se a indstria da msica de protesto e ficar pelado no escandaliza mais. Gays se beijam em pblico e at se casam; virgindade s na orao Mariana; existe a Lei da Palmada, as leis de cotas, e outras tantas em defesa da igualdade formal, que um desavisado acharia que esta nao caminha para ser o melhor dos mundos. Da casa murada, com alarmes, concertinas e cercas eltricas, ouvem-se as sirenes do Corpo de Bombeiros e do Samu, em socorro s vtimas de uma guerra civil no declarada, nas cidades e campos, que mata 60.000 brasileiros por ano, oficialmente. Mais que isso, s no trnsito. Antes, temamos o guarda da esquina. Hoje o medo est em toda parte. Est nos encapuzados que depredam lojas e o patrimnio pblico, em ndios que interrompem as estradas e cobram pedgios, nos sem-terras que no respeitam a propriedade privada, no grampeamento sem controle por agentes do Estado, na bandidagem que nada teme e se organiza em faces, formando seus exrcitos. O Brasil est se deteriorando, apesar da melhora na distribuio de renda. H um certo desalento , um desgosto com o rumo das coisas. Todos queremos democracia, que no se confunde com baderna. Queremos segurana e sade . Melhoras na educao. Bandidos na cadeia. O imprio da lei e governantes honestos. No muito, mas o suficiente para a garantia da liberdade, banindo para sempre os fantasmas totalitrios, da esquerda ou direita.


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Por Isaias Caldeira - 29/10/2014 11:28:08
Engenheiros polticos e a falta deles

Isaias Caldeira

Neste momento poltico , com o Brasil dividido no s eleitoralmente, mas passionalmente, com um dio entre classes sociais que beira quelas situaes extremas, onde a chama do dissenso apresenta-se como o estopim ao enfrentamento fratricida entre os nacionais, preciso buscar os exemplos de homens que, a despeito dos mtodos e das diferenas ideolgicas, buscaram o caminho do consenso, num dilogo poltico que preservasse os interesses do Pas. Sei que minha abordagem pode ser polmica, mas nunca me ative ao aplauso fcil ou tergiversei em minhas convices, hauridas estas na permanente observao dos acontecimentos e no sentimento de justia para com os homens em geral e dos que foram personagens da nossa histria poltica, com destacada atuao no nosso destino. O General Golbery do Couto Silva, apodado de O Bruxo por seus desafetos e O Mago por seus admiradores, idelogo da doutrina de segurana nacional, teve relevante papel no regime militar instalado no Pas a partir de 1964 e foi fundamental para a restaurao da democracia do Brasil, com a abertura poltica iniciada por Ernesto Geisel e consolidada no governo do Gel. Figueiredo. Coube a Golbery o afastamento do centro de poder e isolamento dos radicais de direita, refratrios s medidas liberalizantes no campo poltico, inclusive da anistia, construindo pontes com a oposio, num dilogo que na maioria das vezes dava-se em movimentos sibilinos, incompreendidos por muitos, longe dos holofotes e da mdia, para no despertar reaes dos adversrios das negociaes, no caso os radicais de ambos os campos polticos, da situao e oposio. Homem de destacada cultura e imenso patriotismo, alm de sua exemplar atuao poltica, que o fez merecer de um dos cones da esquerda beletrista, o cineasta Glauber Rocha, o epteto de gnio da raa, deixou-nos uma monumental obra geopoltica , onde traava os caminhos a serem percorridos pelo Pas em suas relaes com o mundo, especialmente a America Latina. Parcela da oposio radical tudo fez para desmerec-lo , face ao dio cego ao homem que era o estrategista do regime militar, no reconhecendo sua atuao serena e equilibrada, na permanente restaurao dos postulados democrticos, mas de forma lenta e gradual, para no melindrar companheiros de farda equivocados mas patriticos, no dizer do ento Presidente Geisel. Aos poucos, j no governo Figueiredo, implementou a anistia poltica e a volta de lideranas expatriadas pelo regime, possibilitando com sua atuao que a sucesso presidencial se desse dentro de um clima poltico tranqilo, com a ascenso de Tancredo Neves ao cargo de Presidente da Repblica,escolhido pelo Congresso Nacional. Nunca lhe prestaram os tributos devidos. Naquele tempo, por conta da antipatia devotada pela oposio, que via nele o maior obstculo conquista do poder, como idelogo do regime, e hoje em face da prevalncia do iderio esquerdista, com um ntido vis revanchista, reescrevendo a histria ao seu modo, na viso dos derrotados de ento e que esto ao leme da poltica nacional , guindados ao poder por fora do voto, coroando aquelas iniciativas do velho General. Assim como Golbery, que nunca foi devidamente reconhecido por sua a atuao no campo poltico, guardadas as diferenas ideolgicas e de estilo, tambm o petista Jos Dirceu sempre teve a repulsa de setores da oposio , por ter sido, no mandato do Presidente Lula, o mais influente poltico em atuao, quem de fato traava as linhas mestras do governo, com vis de esquerda, mas sem radicalismos, bem prximo da social democracia. Ignoram que foi ele , antes mesmo de Lula ganhar as eleies em 2002, o mentor de canais de dilogos com o mercado e sistema financeiro, chegando a ir at os Estados Unidos para conversas com o governo do Presidente Bush, no que foi bem sucedido, de modo que, eleito, pode Lula encontrar-se com o americano, numa aproximao que gerou at mesmo afinidades pessoais entre ambos os presidentes. Naquela eleio, coube a Jos Dirceu tambm buscar aproximao com setores moderados do pas, dentre eles Itamar Franco, ainda governador de Minas Gerais, com parcela do PMDB e outros partidos de centro-direita, atravs de suas principais lideranas. Instalado o governo Lula, isolou setores mais esquerda do PT, resultando no afastamento de parlamentares e idelogos ditos histricos, mas de vis socialista, aos moldes Cubanos. Em 2004 parte desses polticos formaram o PSTU. Em 2005, formou-se o PSOL , ambas as agremiaes descontentes com o que chamavam de vis conservador do governo Lula. Enquanto isso, consolidava-se uma poltica financeira com forte influncia do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, oriundo do mercado financeiro. Com o advento do mensalo encurralando o Presidente Lula politicamente, sua atuao foi fundamental para o afastamento do seu impeachment, sendo bom lembrar que Acio Neves era citado como um dos seus interlocutores junto aos partidos de oposio, visando impedir a medida drstica, que colocaria o pas, pela segunda vez, sob risco da instabilidade poltica, como ocorrera na poca do presidente Collor de Melo. Jos Dirceu comandava a blindagem ao Presidente Lula, resultando no trmino do seu mandato e em sua reeleio presidncia. Com o julgamento do mensalo, veio sua derrocada, condenado pelo STF com base em teoria que nunca fora adotada nos meios jurdicos nacionais, a at hoje contestada teoria do domnio do fato, mesmo sem provas concretas de que comandasse o esquema de compra de parlamentares. Afastou-se a necessidade de prova absoluta de culpa para a condenao criminal, contrariando entendimento at ento dominante que a tinha como imprescindvel. Preso, viu-se afastado do poder poltico, e ainda cumpre sua condenao. Lembro esses fatos para dizer que, se estivesse presente no comando do PT, certamente as ltimas eleies no teriam chegado a esse estgio de guerra, de diviso do Pas entre ns e eles, de radicalismo sem precedentes. Ele sabe que em caso de enfrentamento, a tradio conservadora do Pas inviabilizar o governo da Presidente Dilma, com o perigo de uma crise jamais vista, em prejuzo da Democracia. Impossibilitado de atuar politicamente, com seus direitos cassados, no se vislumbra de parte do atual governo algum capaz de construir pontes, de um dilogo confivel com a oposio, hoje bem mais forte e articulada que antigamente. Como disse, ambos os articuladores,Golbery e Jos Dirceu, foram e so vtimas da disputa poltica, que cega os homens e s permite que acreditem naquilo que amam.


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Por Isaias Caldeira - 23/9/2014 21:13:27
Sobre a Lei Maria da Penha

Isaas Caldeira

Oscar Wilde escreveu no poema A balada da priso de Reading: Os homens matam o que amam, seja por todos isto ouvido, uns matam com acerbo olhar, outros com palavras de lisonja, o covarde mata com um beijo, o bravo mata com punhal. Os homens matam o que amam. Ao ver ir ao patbulo um prisioneiro que assassinara a mulher, na priso onde se encontrava condenado por sodomia, o poeta escreveu esta balada memorvel, por guardar imperecvel retrato, esculpido sob o influxo mgico das palavras, das circunstncias que permeiam a condio humana, no paradoxo do amor que mata . O homicdio o mais grave dos crimes, mas de natureza universal, com seu registro primitivo no assassinato de Abel por Caim, da repercutindo em todas as geraes, at os tempos atuais. Mata-se, no obstante as leis dos homens e de Deus, no indomvel anseio da supremacia do indivduo sobre o outro, ou por simples vaidade, sob o manto do amor prprio, ou por puro desamor, que equivale ao dio. A mo assassina, mensageira do desejo pervertido, tece os fios que moldam a realidade construda no imaginrio do verdugo e levanta-se com o instrumento que esculpe a morte , seja o punhal ou bala, manchando de sangue a arena onde a vida do outro construa seu avatar. Fao esse prlogo para expor minha vivncia cotidiana no universo jurdico que permeia a sociedade brasileira aps o advento da chamada e aclamada Lei Maria da Penha. As intenes nobres do legislador, esculpidas na lei 11.343/06, buscam a proteo da mulher frente violncia do homem, decorrente de relaes familiares ou amorosas, de modo a inibir essa prtica perversa e cruel, to recorrente na sociedade brasileira, em todas as suas classes sociais. Do proletrio, passando pelo burgus, at a nobreza que alguns ostentam, com seus brases familiares e ancestrais, o uso da fora fsica como instrumento de persuaso, do aniquilamento moral e fsico ,subjugando a mulher vontade do agressor, recorrente. Recebo cerca de 40 inquritos por ms relativos violncia domstica, com pedidos de medidas cautelares, notadamente o afastamento dos autores das proximidades das vtimas. Aps entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido que as aes penais da Lei Maria da Penha so pblicas, exceto no delito de ameaa, a mulher no pode mais desistir aps feita a ocorrncia policial e instaurado o inqurito. Tornou-se comum o inconformismo de vtimas com a continuidade da ao penal, porquanto a maioria manifesta-se, diante do Juiz, arrependida das providncias tomadas, desejando encerrar o caso. Pesa o fato da maior parte dos casais envolvidos serem jovens ainda, e as condenaes pfias recebidas pelo agressor, se no o mantm por muito tempo preso, redundam em impedimentos de aprovao em concursos pblicos ou mesmo em empregos em algumas empresas, por exigncia de folha corrida sem mcula criminal. Se um casal discute e h empurres, pode se acionar a polcia e o Autor ser preso em flagrante e condenado a uma pena de alguns dias de deteno. No chega a ficar preso pela condenao, mas passa a ser um ficha suja, do ponto de vista criminal, e no mais consegue certido negativa de seus antecedentes. Reconciliado o casal, como ocorre na quase totalidade desses casos, restam bvias as dificuldades de emprego, em prejuzo da prpria famlia. Mesmo no caso de leses leves, tambm com pena irrisria, tornando-se crime de ao pblica, de nada adianta o perdo da mulher, pois o processo independe de sua vontade. Como de domnio no mundo jurdico, a legislao brasileira caminha para a descriminalizao de delitos sem maior gravidade, com aplicao de penas alternativas para a grande maioria dos crimes, exceto para aqueles descritos na Lei Maria da Penha. Ao considerar esses delitos como de ao pblica, caminhou-se em direo contrria, com o vis poltico prevalecendo sobre a realidade do ato delituoso, em si considerado. evidente que algo tinha que ser feito para inibir um costume cruel incorporado na sociedade, que enxergava essas situaes como algo natural, legitimando o uso da fora pelo homem nas suas relaes com o gnero oposto. Mas a experincia tem mostrado que, mais que simplesmente condenar o Autor, com processos arrastados e que enchem as pautas de audincias dos juzes, em detrimento da apurao e punio de crimes gravssimos, como estupros, latrocnios e trfico de drogas, era preciso que o legislador buscasse, primeiramente, um estudo social do casal, com orientao psicolgica das partes, antes do recebimento da denncia e instaurao do processo criminal. bvio que ao Juiz ficaria a possibilidade de medida de fora, prvia e efetiva, em caso de real ameaa integridade fsica da vtima, incluindo a priso do Autor. Mas a demagogia legiferante no tem limites. J h projeto de lei que condena o agressor verbal ou fsico ao impedimento de exerccio de cargo pblico, com base na Lei Maria da Penha. Se matou um desafeto, pode ser servidor pblico. Se empurrou ou somente a ameaou a mulher, no. evidente que se trata de uma proposta desarrazoada. A Lei Maria da penha uma conquista, mas no substitui a educao, orientando as pessoas ao respeito ao prximo, independente de gnero. O curioso, mas tambm trgico, o incentivo de socilogos e juristas, engajados politicamente, ao endurecimento da Lei Maria da Penha, mas so contrrios ao encarceramento de bandidos por crimes muito mais graves. No so nada Kantianos, como se v. preciso tambm que as mulheres assumam a responsabilidade de suas escolhas amorosas, afinal, desde o namoro o homem se revela. Se desptico, ciumento, possessivo, ou simplesmente violento, logo sinaliza com suas atitudes e exigncias. queles camalenicos, quando se mostrarem luz e suas realidades , sempre possvel enxot-los, cabendo mulher a deciso neste sentido. No mundo atual no h mais espaos para paternalismos, e o Estado, to presente quando se trata de cobrar impostos e prender as pessoas, deve abster-se da normatizao exagerada da vida, afinal o maior dos Juzes, Deus, nos legou apenas 10 artigos, em forma de mandamentos. Quanto mais leis, menos direito e justia.



78275
Por Isaias Caldeira - 4/7/2014 15:43:23
Fim de conversa

Isaas Caldeira Veloso

Sneca condenava a ira, porque somente aquilo que nos surpreende legitima este destempero emocional , jamais as coisas previsveis. Quem sai de carro no trnsito catico de nossas cidades sabe que pode acontecer um imprevisto, um abalroamento qualquer. Ento, no razovel que se enfurea, mas que mantenha a calma, pois tudo estaria dentro de um contexto,dentro das possibilidades . Fao esse prlogo em ateno ao que escrevi neste site em resposta a um policial, onde deixei de lado a natural moderao para , de forma direta, retorquir os assaques contra a minha pessoa. o meu tipo sanguneo, a gentica de quem no suporta desaforos. Mas confesso que no me vanglorio da resposta s calnias perpetradas . Mas dela me penitencio.No momento em que comeava o jogo do Brasil contra o Chile, tomei conhecimento do texto do policial. Num timo, sem pensar duas vezes, respondi, diretamente dentro do site montesclaros.com, sem correes, sob o influxo da ira, de modo que sequer vi o primeiro tempo do jogo. Da alguns erros de ortografia e concordncia. Peo desculpas, afinal no lgico que algum que sempre criticou o entorpecimento da inteligncia e da cultura neste pas deixe de dar bom exemplo. Quem critica pode ter resposta e ser criticado. Conhecendo a natureza dos meus hoje desafetos, no poderia esperar algo civilizado, no caso, especialmente, do Delegado, embora tenha certeza que seu texto tem vrias mos, mas no digo crebros, por bvio. Prometendo no mais me ater a este assunto especfico, sobre a tal Operao Conto do Vigrio, necessito desmentir inverdades postas tanto na nota de esclarecimento de dois promotores, quanto na da Associao de Delegados Federais. Primeiro, nunca critiquei processos, nem juzes, mas os mtodos dos investigadores, no caso Ministrio Pblico , com a participao do Delegado mencionado. Sou contra a espetacularizao dos atos, com a mdia adrede preparada para as filmagens e jornalistas a postos, quando das prises. Prises em geral por 05 dias, as tais prises temporrias, j apodadas atualmente de prises para humilhaes . Sei que so decretadas por juzes, mas o que os investigadores no dizem que formam eles uma tropa de elite e fazem presso sobre magistrados, em geral em pequenas Comarcas, apresentando nmeros assustadores de verbas que teriam sido desviadas. Imaginem as presenas de quatro ou cinco promotores, mais delegado federal, no gabinete de um magistrado ainda iniciante no ofcio, e no caso, cheio de boa f e com vontade de servir seu pas, coibindo a roubalheira, que real. Como duvidar das palavras e nmeros apresentados por integrantes de instituies de tamanha grandeza? Colegas j me relataram essas presses. Os investigadores sabem que falo a verdade. Tenho provas. Ministrio Pblico quando atua como parte deve ser tratado como tal, sem qualquer privilgio, sob pena de se desvirtuar o devido processo legal e a paridade entre acusao e defesa. Qualquer iniciante em direito sabe disso. Na operao conto do vigrio, pelo que sei, anunciaram na denncia desvio de 10.000,000,00 ( dez milhes de reais ), nmero impressionante, capaz de comover e convencer qualquer um. Mas nas alegaes finais, naquele processo, o prprio Ministrio Pblico pediu a condenao dos cinco acusados por desvios de R$36.000,00 ( trinta e seis mil reais ). Se assim for, quanta diferena! Claro, nenhum centavo deveria ser desviado, mas o excesso na acusao conduta condenvel, tambm ao que sei. Esclareo que este processo est findo, com trs condenados,dentre os 16 presos, somente um com pena de quatro anos, os demais , ainda pelo que sei, com penas alternativas. Ratifico que no conheo os acusados e nem sei se esto indiciados ou denunciados em outros processos. Mas s me referi a tal conto do vigrio em meu texto. Processo findo no processo em curso. processo terminado. Ao menos para a acusao, j h trnsito em julgado. Leiam a LOMAM com calma. Depois, pago impostos como os senhores , tenho filhos e amo meu pas e a democracia. Enfim, sou cidado. No vou me calar quando sentir que os postulados democrticos esto sendo atacados. No quero ditadura, sob nenhum pretexto. J vivi sob regime de exceo. Chega! Respeito a Polcia Federal e mantenho com todos os demais integrantes da corporao um excelente relacionamento. Em verdade a Associao dos Delegados que deveria ouvir seus pares locais, a incluindo os policiais em geral. Parece que ele no benquisto entre os seus. o que dizem. Depois, temos uma Corregedoria sria, que no tolera desvios. Se entenderem, representem contra o magistrado. Como disse um jornalista russo, agora que os fatos tomaram as palavras, os que nada tm a dizer seguem falando, quem tem algo a dizer, que d um passo e se cale. o que fao. Encerro por aqui. Vamos resolver institucionalmente a questo.


78227
Por Isaias Caldeira - 28/6/2014 14:31:34
Enfim, a carapua se assenta.

Isaias caldeira

Poderia esperar mais um tempo para, de modo sequencial e mais substancioso, rebater insultos de um ignorante contra minha pessoa, mas como sabem, resposta tardia se assemelha aquele sujeito que, ao ouvir uma piada, somente dias depois ri. Uma coisa sei: nunca fui tolo e sei os riscos que enfrento. Como leitor do Eclesistes, sei que no se deve manter contenda com loucos e pertubados, pois eles s acreditam no que amam. Mas no posso deixar sem resposta uma agresso, mesmo que partindo de um tipo menor, seja em carter ou cultura. Tivessse este elemento lido um pouco em sua vida, alm de gibis e letras de msicas populares que cita em seus textos,ou manuais do seu ofcio, se ousasse ter mais conhecimento -afinal saber no di e vacina para toda a vida contra a estupidez- teria ao menos deixado as generalizaes de lado e apontado os fatos, de modo especfico, como no meu texto eu fiz. Ter certamente a oportunidade de faz-lo, pois j acionei o meu jurdico para que ele esclarea as acusaes de prevaricao, trfico de influncia e corrupo, que assocou contra este signatrio. Como j disse, se tivesse rabo preso eu no teria a ousadia de denunciar tais arbitrariedades perpetradas na regio, onde este senhor, embora no seja da Justia Estadual, tem sempre a primazia das prises, em processos nesta Justia. H algo de podre no ar, e no s o cheiro da estao de tratamento da Copasa em Montes Claros-MG. No sou amigo de estelionatrios e nunca permiti que infratores, de qualquer natureza, fizessem sala em meu gabinete. O Doutor sabe de quem falo. Vamos sinteticamente aos fatos.Apontei uma operao , a tal Conto do Vigrio, cujo nome foi o delegado quem disse, onde 16 pessoas foram presas e somente 03 foram condenadas. 11 delas sequer foram denunciadas naquele processso. So fatos irrefutveis, confirmados pelo STJ. Se foram denunciadas em outros processos, o que no sei, no implica na injustia daquelas prises. Se foram inocentadas naquela, possvel que sejam tambm em outras. Mas no as conheo e nem sei desses processos. Me atenho aos meus. Foram ouvidas pessoas no mbito da Polcia Federal, com presena de escrivo e promotores de ( in )justias, sobre minha pessoa e sobre minhas relaes pessoais.As cpias esto no Habeas Corpus que impetrei,onde tais promotores, no caso Impetrados, negaram inteno de me investigar, ao prestarem informaes solicitadas pelo Judicirio. Acovardaram-se. So fatos. No invento nada, ao contrrio do caluniador, a quem, sem nominar em meu texto anterior, apodei de "Show Man", por uma questo de tica e respeito instituio a qual ele pertence, mas que sinceramente no passaa de um " Bozo", com todo respeito aos que fazem da pantomima uma profisso. Digo mais, em resposta ao caluniador. Com base em um documento em que eu mesmo pedi ao TRE para me deslocar para So Joo da Ponte-MG, por ter sido advogado em Montes Claros e por no querer atrasar a prestao jurisdicional em processos de natureza eleitoral - pois algum poderia alegar suspeio, que eu no aceitaria, foi deferida a permuta, sabiamente, pelos dirigentes daquela especializada. Valendo-se dessa permuta e com base no documento que eu, espontaneamente, fiz, lograram tais promotores uma deciso onde, por aquele meu excesso de virtude, foi deslocada competncia para a 2 Vara Criminal local de um processo nominado " Pombo Correio", remetendo-se os autos, com intuito, segundo a deciso, de preservar o Juiz. At hoje, um ano depois, nada foi feito naquele processo. Estivesse comigo, j teria sido julgado, condenados ou absolvidos os rus. Da deciso caberia recurso ao tribunal. Esclareo, tambm, que nunca fumei charutos, at porque detesto o cheiro de tabaco. Mas invejo o gosto daqueles que se aprazem neste hbito ou vcio. Tenho amigos empresrios, polticos, garis, garons e muita gente mais. Centenas, graas ao meu bom Deus. Bebo Wiskie, cachaa, cerveja, ou qualquer coisa que tenha alcol, desde os 17 anos at esta provecta idade de 54 anos, sempre as minhas custas e sem excessos. No me consta que isso desabone algum.No sou dos alcolicos annimos- que respeito- e nem fiz qualquer voto de abstinncia. No tenho outros vcios, somente o de amar meu semelhante e sofrer com as injustias que pessoas ms perpetram valendo-se de seus cargos e funes. O delegado no sabe o meu conceito com os presos locais e da regio. No sabe que prendi todos os lderes de faces criminosas da cidade, com medalha ofertada pelo Governador, a medalha Tiradentes, da gloriosa PMMG, com a maior produtividade em Minas Gerais.No sabe do meu trabalho cotidiano no frum, nesses 16 anos, sem nenhum processo ou sindicncia contra minha pessoa.No sabe porque perde seu tempo em aes miditicas, que nem so da sua competncia, mas da Polcia Judiciria do Estado de MInas Gerais, sempre escamoteada pelos acusadores e aclitos seu ,pois sabem que al no se busca holofotes, mas a verdade dos fatos. Recebo quase 300 inquritos por ms da Polcia Civil, com todas as suas dificuldades operacionais . Quantos inquritos produz o delegado? Pergunte aos advogados, aos Defensores Pblicos, aos Promotores que trabalharam e aos que trabalham comigo sobre minha atuao.Sem falsa modstia, de todos ouvir - meu Deus, devo diz-lo!- que fui e sou o melhor com quem j trabalharam. generosidade deles, sei,mas nenhum deles me deve nada, ao no a alegria de me proporcionarem convvio to profcuo e respeitoso. Do doutor delegado, parece-me que seus colegas no dizem coisas assim. Por fim, para no me alongar, gastando meu tempero com carne podre, espero que o delegado tenha as provas contra a minha pessoa dos crimes que me acusou. J me preparo para, enfim, quitar o meu carro de consrcio e comprar um apartamento, deixando de vez o aluguel de R$1.200,00, que me custa tanto pagar todo incio do ms. Minhas filhas, papai vai dar a vocs aquela viagem Disney!


78207
Por Isaias Caldeira - 25/6/2014 09:31:51
Um Conto do Vigrio.

Isaias Caldeira

Depois de ser preso temporariamente ou preventivamente, apresentado nos noticirios de tvs e jornais como ladro de dinheiro pblico e integrante de uma sofisticada organizao criminosa, mesmo consciente de sua inocncia, veja-se entrando em sua casa, onde o esperam a esposa amada, filhos, parentes e amigos. Como voc olharia nos olhos deles? Aps amargar dias em cadeias ou presdios, junto marginais de toda a espcie, sofrendo o escrnio da sociedade, condenado sem o devido processo legal, destrudo moralmente pela sentena precipitada diante dos meios de comunicao, em geral sedentos de notcias que elevem suas vendas ou audincias, como voc se sentiria? E as vidas de seus familiares, especialmente dos filhos, nas escolas e na comunidade onde vivem, como sero doravante? Desde que me entendo por gente, sei que preciso colocar-se no lugar do outro antes de o acusar. A isso chamamos tica. Mas tica hoje apenas um nome no pntano enganoso das bocas de mistificadores e sofistas. Afinal, to fcil acusar e destruir pessoas quando se bradam palavras ao gosto popular, especialmente no combate a corrupo e na necessidade de se moralizar a administrao pblica, que aos olhos do povo, desde que o mundo mundo, mostra-se corroda pelos desmandos dos polticos. A tese nunca encontra combatentes, deixando aos acusadores um campo aberto para atuao, sob o aplauso quase geral , de modo que acaba se transformando- esta licena sem limites- em escandaloso abuso, levando ao cadafalso moral pessoas de bem, tantas j encanecidas e com relevantes trabalhos na sociedade, que nunca tinham pisado antes em uma delegacia de polcia. O gozo da histrica a destruio do ser amado, diz a psicanlise. a inveja, esse cncer que abunda nos fracassados, que impele destruio de quem galgou alguma projeo na vida pblica, numa aparente forma de nivelar a todos ao cho existencial onde vivem os salteadores da honra alheia . Pois bem, explico a minha indignao, que no atual, mas repetida exausto aqui desde alguns anos,desde a primeira barbrie levado a cabo pelos contumazes discpulos de Torquemada. Como foi noticiado anos atrs, realizou-se uma operao policial em cidade ribeirinha, na nossa regio. Dezesseis ( 16 ) pessoas foram presas e apresentadas como ladres de dinheiro pblico, diante de cmaras de tvs e jornais, tendo como Show Man um policial, circundado por integrantes do Ministrio Pblico, todos eles apresentando os prisioneiros como trofus, afinal aqueles homens e mulheres roubariam verbas destinadas pobreza, ao servio pblico, num pas onde tudo falta e as pessoas morrem em filas de hospitais. Sucesso miditico infalvel, a causa nobre. Em sua fala diante dos holofotes, a autoridade policial busca comover a populao, fala dos filhos e do prazer da misso cumprida, de olhar nos olhos de seus rebentos, aps prender os malfeitores, com o orgulho de um servidor cumpridor de seus deveres. Acesa a fogueira pblica onde arderam vidas e honras, vem a Justia, mesmo que tardia, a absolver quase todos os acusados, inclusive em instncias superiores. Pasmem, a prpria Acusao somente denunciou 05 ( cinco ) daqueles presos, de modo que onze pessoas foram execradas publicamente, para todos os sculos, nas redes sociais ,TVs e jornais, postas algemadas e com roupas de presidirios, e depois sequer foram denunciadas pelo Ministrio Pblico. Somente 3 ( trs ) foram condenados, ao final do processo, dentre os cinco que foram denunciados. Trnsito em julgado da deciso, ao que consta. No conheo nenhum desses infelizes brasileiros, vtimas dessa barbrie praticada por agentes do Estado, o que me autoriza a crtica e indignao. Em geral os acusadores sabem que as pessoas so inocentes, mas prendem porque querem alguma revelao sobre aquele que pretendem condenar, o verdadeiro alvo da operao. Tal prtica j foi at denunciada em matria no jornal Folha de So Paulo, e naquele estado da federao tambm ocorre. Assusta a omisso da OAB, que tem uma histria de luta contra o arbtrio, diante dos abusos sistemticos perpetrados na regio por tais autoridades. Que as vtimas busquem reparao na mesma Justia, contra todos. De minha parte, que nunca tive rabo preso e nem cultuo falcias, por mais que estejam enfeitadas com guizos de virtudes , saibam que vou continuar esperneando, no meu ofcio solitrio neste campo de idias, afinal quero viver numa democracia verdadeira, onde os agentes pblicos submetam-se ao imprio da Constituio, vedando-se os abusos, com severa punio queles que desvirtuam os fins das leis e dos cargos que ocupam. No h amor e justia em quem tolera o mal. A punio de um inocente agride toda a humanidade, e o demnio do arbtrio tem o vezo de instalar-se onde no o repelem. Vade retro Satana!


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Por Isaias Caldeira - 16/6/2014 23:12:09
Os revisionistas

Isaias Caldeira

Aps brasileiros manifestarem-se nas redes sociais em apoio ao regime militar deflagrado no ano de 1964, certamente mais por desespero do que saudades daqueles anos, em face de uma guerra civil no declarada, que mata mais que em pases do oriente mdio oficialmente em conflitos, da anarquia reinante e do descrdito generalizado nas instituies,os detentores do poder e seus guardies se alarmaram. Buscam, ento, reescrever a histria impondo, pela via da repetio miditica, teses fantasiosas em que terroristas e assaltantes de bancos se transformam em heris , na defesa da liberdade e da democracia,em contraposio a um governo que perseguia esses bons e bem intencionados brasileiros. Seqestros, assassinatos seletivos, assaltos a bancos e outros crimes, sob a premissa da ausncia de liberdade poltica, justificariam os mtodos revolucionrios, o enfrentamento pela via da luta armada. Mas o que queriam eles, afinal? Certamente nunca foi a restaurao da liberdade, mas seu aniquilamento definitivo, como fizeram seus camaradas na antiga URSS, em Cuba, na Coria do Norte, China e agora com esses aprendizes de ditadores que emergem na Venezuela, Bolvia, Equador e outras repblicas latino-americanas. Engendram a destruio da classe mdia, que detestam e tm como bice aos seus propsitos, enquanto deixam o grande capital financeiro auferir lucros astronmicos, conquistando sua confiana,como o pescador que ceva o peixe para depois fisg-lo. Arrivistas delirantes, destroem crenas e sentimentos que nos identificam como nao. Espalham a ciznia e a secesso entre os brasileiros,dividindo-nos em brancos exploradores e negros e ndios escravizados, para manterem-se poder pela via do dissenso entre os nacionais. Buscam a desinformao para confundir o povo e a grande imprensa se submete aos desejos dos revisionistas. Da o surto apopltico da mdia contra governo militar que se instalou no Brasil h 50 anos , malgrado a justia de algumas crticas,mas omitem-se as conquistas em todos os setores da nacionalidade, na infra-estrutura , com estradas e servios de telecomunicaes, com a alfabetizao e assistncia ao homem do campo, notadamente a sua incluso no sistema previdencirio, que revolucionou o comrcio nas pequenas cidades e grotes deste pas.Esquecem-se que os mandatrios daqueles tempos nunca tiveram seus nomes envolvidos em falcatruas, indo eternidade pobres, deixando descendncia de quem sequer sabemos os nomes, se vivos ou mortos. Afinal, como se chamam ou fazem os filhos de Castelo Branco, Costa e Silva, Mdici, Gelsel e Figueiredo? Quanta diferena dos dias atuais! Exaltam guerrilheiros de ontem e execram os governos militares, numa generalizao perniciosa, de santos guerreiros contra demnios, como se todas as foras armadas fossem partcipes de um imprio do mal e estivessem diretamente envolvidas nos excessos ocasionais daqueles tempos. A insegurana atual nas cidades e campos, com a disseminao das drogas e aumento da criminalidade, a corrupo generalizada, o aparelhamento da mquina pblica por partidos polticos, o enfrentamento entre milcias camponesas e produtores rurais , o desrespeito propriedade privada, com invases de imveis urbanos, o fechamento do espao pblico por grupos de desordeiros, em prejuzo do comrcio e da circulao de pedestres e veculos, do aos brasileiros a sensao de caos generalizado. Os desordeiros de hoje aprenderam as lies daqueles que sempre pregaram a desobedincia civil, da as ofensas pblicas s autoridades, o desrespeito puro e simples,grosseiro e vulgar, sob os olhos do mundo . Assim, qualquer ao que restaure a ordem pblica e devolva a paz aos brasileiros, torna-se vlida ao olhos da populao acuada. Ostensivamente buscam transformar este pas rico e pacfico numa repblica Lamarquiana ou Maringeliana, cpia da desventura vivenciada pelo bolivarianismo catastrfico da Venezuela. Comits populares so criados para a gesto do patrimnio pblico, sem prejuzo de avanarem, querendo, sobre a propriedade privada. Vo, sob os augrios das lies Gramscianas, comendo pelas beiradas. Mas, por certo, no passaro. Os brasileiros sabero manter, pela via da legalidade, a nossa unidade territorial e convivncia tnica, esta indez dentre as naes do mundo, revigoradas pela ao de mandatrios compromissados to somente com o progresso e felicidade do nosso povo , dentro de uma democracia real, sob o imprio da lei e da ordem, na paz que merecemos.


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Por Isaias Caldeira - 11/6/2014 12:58:03
A seduo do mal

Isaas Caldeira

Aps jejuar por 40 dias no deserto, Jesus foi tentado pelo Diabo com a oferta das riquezas da terra, honra e glria, se lhe prestasse vassalagem e fidelidade. Como de conhecimento dos Cristos, o Messias renegou-lhe culto e submisso, mantendo-se fiel ao Pai, no obstante j soubesse o suplcio que o aguardava como Deus encarnado, senhor do tempo e ciente de seu calvrio de cruz. Ele sabia que a verdadeira riqueza estava no plano espiritual, e que os bens deste mundo tinham valor efmero, submetidos todos eles as inflexes do tempo e espao ,at a libertao das peias da existncia material e do desejo que nos une ao que o acaso nos emprestou na vida, s coisas que conquistamos, que temos como nossas propriedades e que nos impulsionam cotidianamente: os bens materiais, nossos afetos, amores e certezas. Quando Jesus recusa os bens materiais ofertados, sinaliza a supremacia da alma, perene elo com a eternidade,atributo Divino, em contraposio ao que perecvel, ao momento que nos consome fisicamente e cujo somatrio ao final resulta no que fomos, do que de ns permanecer na memria da posteridade, nessa intricada construo social que nos torna a todos necessrios, alinhavando e dando colorido ao multiforme tapete da vida. Nem s de po viver o homem , sentencia a mensagem salvdica, alertando para as coisas espirituais. Afinal, nem po nem circo impediram as runas de imprios, como registra a histria. Esquecidos disso, governantes teimam em repetir os mesmos mtodos, tentados pelo aplauso fcil e manuteno do poder temporal, ignorando que o desejo humano tem o cu por limite, que aquele pouco recebido com alegria e agradecimento hoje, amanh estar incorporado ao patrimnio do beneficiado como um direito seu e obrigao do Estado. O que era para acudir a fome, j no serve mais, afinal quem recebe o almoo passa a querer tambm janta e sobremesa, e assim sucessivamente. Esgotados os recursos pblicos e a capacidade de atender as novas demandas populares, caminha-se para a sedio, para as revolues que destroem imprios, levando ao cadafalso ou priso governantes pouco antes endeusados. A histria sempre se repetindo. No Brasil atual, criou-se uma nova forma de aposentadoria precoce, atravs dos programas assistenciais, pois quem inserido nas tais bolsas, ali permanece, sem previso de mudanas, no gozo pleno do cio , sob sustento dos impostos dos que trabalham e recolhem aos cofres pblicos, para o proselitismo caridoso de mandatrios ocasionais. Por migalhas, compraram o sentimento de nacionalidade, perdendo-se uma das nossas melhores caractersticas, a cordialidade, como demonstram a violncia e desrespeito para com pessoas e patrimnios, na fria devastadora de baderneiros que integram movimentos ditos sociais e que infernizam as cidades e campos. Nada respeitam e ningum os pune. Chantageiam o governo publicamente, at serem recebidos e atendidas suas demandas. O custo das benesses bancado pela outra parcela da populao, a que trabalha e sustenta o pas. Nas periferias das cidades, mulheres jovens e obesas sentam-se s portas de suas casas, vendo o tempo passar, enquanto cuidam da multiplicao da espcie, afinal um Brasil carinhoso incentiva a pario irresponsvel. Na zona rural, cada parto contemplado com quase trs mil reais, alm de parcelas sucessivas de quase duzentos reais. Trabalhar virou coisa do passado escravagista. Deus em breve ser julgado por conselhos populares e condenado, certamente, pois dele a lei que imps ao homem a obrigao de comer o po com o suor do seu rosto, o que , nestes tempos de perplexidades, a legitimao da explorao capitalista. Neste deserto moral e tico, que avana sobre o Brasil, o Demnio busca estabelecer o seu reinado. Aos brasileiros cabe resistirem ao mal.


77858
Por Isaias Caldeira - 29/4/2014 23:11:23
Os nossos mortos.

Atravessado certo perodo da vida, vamos nos especializando em ossrios, nas tratativas memoriais que mantemos com aqueles que nos deixaram, levando consigo parte de nossas vidas e do que somos. Aps os cinqenta anos, como o meu caso, enterrados os pais, alguns irmos e tantos parentes amados, alm de incontveis amigos, de se esperar algum alheamento, uma certa aceitao do inevitvel, tal o ofcio dos sobreviventes na dolorosa e contumaz prtica dos rituais fnebres que a vida nos obriga. Mas no h como desnaturar a dor a perda, do impossvel reencontro com o ente querido, agora guardado nos escaninhos das nossas recordaes, no mais como ser ativo, mas como elemento subjacente da nossa histria pessoal, personagem de algum feito, de alguma experincia em comum, para sempre no passado. O Livro da Sabedoria recomenda tirar o luto aps trinta dias, pois breve ser nossa vez. Mas a lacuna deixada pelo falecido lateja, s vezes por toda a vida. Quando ocorre do finado integrar o rol da infncia ou juventude, compartilhando momentos que somente sua pessoa foi testemunha, seu passamento rasga pginas da vida, rf da chancela de sua presena, perdida a partitura em comum, as aventuras vividas, para sempre nos condenando solido da memria. Apenas o testemunho solitrio da nossa conscincia permanece intacto, mas sem o lastro convivente, sem a sua amlgama necessria , a ns mesmos dando a certeza do ocorrido, face s artimanhas da memria, que as vezes se perde em seus labirintos. Os que vivem muito sofrem desta solido nostlgica, no encontrando com quem compartilhar suas vivncias, notadamente da mocidade. Aos mais jovens, um turbilho de acontecimentos no presente no deixa espaos nostalgia dos velhos, sequiosos todos do desfrute do tempo que passa, sedentos de vida. Olham para a frente e vem a vastido do porvir, enquanto os mais velhos olham o passado e sabem que tudo fugaz, relampejante. O calor do fogo de ontem ainda aquece a alma, e no raro nos surpreende com sentimentos e emoes distantes no tempo, incandescentes menor lufada do vento antigo, como um sopro nos coraes encanecidos, e que chamamos de saudade. Paradoxalmente, no nosso inconsciente est assente que a morte libertadora, da a pulso - tema to recorrente em Freud - que conduz o indivduo ao seu encontro, mesmo negando em palavras aquilo que confirma em atos, materializando-se nos nossos vcios como ofertrios no altar a Thanatos. A prova cabal de nosso apreo e respeito indesejada mostra-se patente no repdio queles que, mortos, ousam acordar deste sono, seja subitamente, durante as exquias, ou por obra de algum milagre. Imaginem Lzaro, aps quatro dias de sua morte, apresentando-se diante das pessoas. O terror de imagin-lo diante de sua amada, dos amigos, da sociedade enfim. Pobre Lzaro ressurreto, sem saber ao certo o seu espao, perdido no tempo, cadver adiado, refm do escrnio dos contemporneos, no obstante o milagre de sua ressurreio. A morte sempre ser um mistrio insondvel. Dela falo neste espao para lembrar-me de tanta gente querida que perdi nesses ltimos meses. O ltimo foi amigo de infncia. Companheiro de bairro. Gente humilde, como todos ns, moradores prximos da linha frrea que corta os bairros Roxo Verde e Lourdes. As malinezas da infncia ainda verberam na memria, aliadas s brincadeiras ingnuas dos meninos daqueles tempos inocentes. Tudo to ontem! Ainda lateja o sangue do menino que desmaiou na linha frrea e foi atropelado pelo trem , com seu corpo esquartejado recolhido diante de nossos olhos infantis, tingindo de vermelho as pedras e dormentes. A dor da velha que perdeu uma perna naquelas linhas, de propsito, apenas para vingar-se de um filho com quem se desentendera horas antes, ecoa em gritos na nossa memria. Tambm as brincadeiras de finca, de bafo, porta-bandeira, do futebol de rua, de brigas entre trincas, de todas essas coisas que moldaram nosso carter, forjados ludicamente, desapegados das didticas que nos impem ao longo da vida, quase todas elas com o propsito de perpetuarem a infelicidade dos apedeutas que ditam regras e costumes no mundo. Nesse ambiente, vivenciei com Natalino, morto recentemente em acidente de carro, as alegrias suburbanas de ento, que a memria agora evoca de forma pungente, saudosa de sua presena e do seu testemunho dessas coisas simples. Acima de tudo, da amizade inocente que permeia as relaes infanto-juvenis, do pacto firmado e selado sem a ndoa da inveja, da disputa e da hipocrisia, cimentado na confiana que h entre meninos, e que os adultos tem o vezo de esquecer, presos aos grilhes de seus desejos, escravido ao poder, poltico ou financeiro. Natalino morreu sem deixar patrimnio material, que eu saiba. Mas deixou muitos rfos entre a gente simples, e era comovente ver o choro coletivo sobre seu esquife. Insondveis so os desgnios de Deus, a quem submetemos nossas vidas. A ausncia de Natalino di como uma chaga viva, mesmo na certeza de que ele, discpulo de Nossa Senhora Aparecida e apostador contumaz, por certo deve estar a fazer uma fezinha no jogo entre o bem e o mal, nesta peleja entre Deus e o Demo, apostando suas fichas na vitria do bem, no xeque-mate do Criador no dia do juzo final.


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Por Isaias Caldeira - 18/3/2014 17:33:29
Cidadania sem violncia.

Minha filha mais velha estuda arquitetura em Belo Horizonte, numa das melhores faculdades da cidade, em bairro central. H mais de um ms vem me ligando apavorada, em prantos mesmo, diante da violncia que invadiu as cercanias daquele espao estudantil . Nos ltimos meses contabilizaram-se ali trs mortes de jovens, incluindo-se alunos, vtimas de assaltantes, quase todos os algozes menores de 18 anos . A legislao tupiniquim tipifica tais aes criminosas como atos anlogos ao crime de latrocnio, num eufemismo que s a lgica perversa incrustada no mago dos nossos legisladores consegue sofismar, na tentativa de convencer o mundo que o bandido com 17 anos, onze meses e 29 dias de vida, tem menos tirocnio que aquele que completou 18 anos no dia anterior ao ato criminoso. Deram aos maiores de 16 anos o poder do voto . Podem influenciar nos destinos da nacionalidade como eleitores. So cortejados pelos polticos, que lhes imputam inocncia pueril quando cometem crimes graves, mas ressaltam o amadurecimento quando buscam legitimar a condio de eleitores. O paradoxo desafiaria o filsofo Zeno, pois a flecha dos interesses polticos se move segundo leis prprias, onde prevalecem a convenincia eleitoral e a demagogia.Conta, tambm, a influncia nefasta de socilogos engajados e militantes, que unem-se na defesa da bandidagem mirim, com os argumentos j por demais conhecidos,repetidos exausto, de modo que ningum mais se preocupa em desmenti-los e, consequentemente, tornam-se verdades, haurido o vezo na lgica do nazista Goebels. As leis penais j no so feitas sob o influxo inteligente dos juristas, mas impem-se pela fora e barulho desses militantes polticos incrustados em Ongs , Ocips , nas ctedras de universidades pblicas e partidos radicais, que fazem valer seus propsitos diante da fragilidade intelectual e moral dos nossos representantes polticos, com excees bvias. Ser minoria no lhes retira o destemor, pois o poder legislativo brasileiro um gigante com ps de barro, no aquenta tranco ou presso , movendo-se ao sabor das ondas, reais ou fabricadas. Pauta-se o legislativo pelas mentiras daqueles que se dizem vtimas do sistema e que buscam suas vindictas atravs da destruio do status quo,aniquilando todos os que foram ou so empecilhos construo de um regime socialista neste territrio brasileiro. Pautados nas estatsticas construdas sobre nmeros fabricados e fantasiosos, em teses falaciosas, legislam sem preocupao com a nacionalidade, destruindo com suas leis valores e crenas que sempre nos marcaram e que nos identificam, de tal modo que aos poucos o Pas vai se transformando em guetos,dividindo os brasileiros. Ali, territrio quilombola, acol indgena, noutro, rea de sem-terras , ou sem-tetos, vedando-se, inclusive, o acesso a quem no for da turma. H direitos a serem conferidos, mas os excessos so evidentes. Sofismam os demarcadores de cidadanias, e at alguns que no comungam com o iderio socialista, mngua de maior conhecimento da matria ou dos fatos, se pem de atalaia como sentinelas na defesa das teses descabidas dos fariseus, que usam as palavras liberdade e democracia como se as cultuassem, como arrimo aos seus propsitos ocultos. Tais valores so diametralmente opostos prtica incrustada nos regimes totalitrios de esquerda,onde o que conta a coletividade, sem oportunidade de expanso da individualidade, e o cidado mero instrumento ou pea de engrenagem do ncleo social, sem direito construo de sua subjetividade, expanso de sua vontade pessoal. Enquanto isso, menores e maiores matam mais que na Sria em guerra civil, encurralando os brasileiros honestos, que se fecham com concertinas e cercas eltricas sobre muros residenciais, fazendo do Pas o nico no mundo em que tais aparatos so to disseminados entre ricos e pobres, e os polticos se omitem. preciso reagir. Oportunizar ao Judicirio reduzir a maioridade penal em casos de crimes graves uma das medidas urgentes, mas nada ser feito sem a mobilizao dos verdadeiros trabalhadores, dos que constroem o Brasil com seu labor, tomando o espao que seu , hoje ocupado por diletantes polticos,minoritrios, que s vem seus interesses subalternos. Por tudo isso, para tranqilizar meu rebento na capital distante, mas sem meios de remediar materialmente sua proteo, recomendei-lhe rezar os salmos 23 e 91, afinal, em matria de segurana no Brasil, s contamos atualmente com a proteo Divina.


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Por Isaias Caldeira - 11/2/2014 09:33:48
Democracia no baderna

Isaas Caldeira *


Esses elementos que saem s ruas em protestos esto brincando de revolucionrios. Viram filmes e reportagens sobre os anos 60/70 do sculo passado e acham que devem repetir aquelas passeatas da Une e dos sindicatos contra o regime militar. Mas as fazem como pantomima, sem um iderio a ser alcanado, por simples balbrdia, pelo gosto nico de manifestar-se contra o que sequer definiram , sejam centavos de aumento em qualquer tarifa ou a copa do mundo, ou coisa alguma. Ao contrrio do passado, estamos hoje em uma democracia, onde o voto livre substitui a fora bruta na alternncia do poder , de modo que este exercido por meio da vontade popular, em eleies democrticas, com a participao de todos os grupos polticos, de todas as orientaes ideolgicas. A bizarrice da situao seria cmica, no fossem os resultados at aqui apresentados, onde depredaes do patrimnio pblico e privado, a violncia contra pessoas e o desafio s autoridades e ao aparato da segurana pblica, do a dimenso da estupidez dos manifestantes, sejam mascarados ou no. certo que os mascarados integram grupo organizado, de natureza anarquista, que prega a destruio de todos os valores que sustentam a sociedade atual, com o aniquilamento das instituies e do prprio estado. So inocentes apenas nos seus propsitos, de todo irrealizveis, fruto da desocupao das coisas teis, do cio em que vivem. Sem sustentao intelectual, nulos de conhecimentos, sob o influxo do peso da liberdade a que estamos submetidos e que nos torna senhores de nossa histria pessoal , so os fracassados em busca de uma justificativa externa para suas angstias, e no querem mudar o mundo, mas destruir o que est feito para nivelarem as coisas ao cho em que arrastam suas existncias. So violentos, pois falta-lhes discernimento para o dilogo, e a ignorncia recomenda o embate fsico, avessa aos ditames da racionalidade. Outros participantes desses movimentos so integrantes de partidos nanicos, com as velhas palavras de ordem da esquerda ancestral e caduca, que hoje somente serve como passaporte a algum cargo pblico, afinal esta gente no sabe sobreviver sem um emprego de terceiro ou quinto escalo ou se acomodar em algum sindicato. S no querem trabalho srio, com jornada certa e de alguma utilidade pblica. Querem tirar proveito poltico da onda, com suas bandeiras escarlates, com os mesmos integrantes desfilando as velhas caras de sempre, e os mesmos discursos decorados de tanta repetio nestes ltimos 30 anos de democracia. Os demais participantes so cooptados nas redes sociais, entre jovens da periferia e alienados polticos que alaram classe mdia ou esto prximos , em geral alunos medocres nas escolas que freqentam, todos com seus celulares na mo, teclando inutilidades, num dilogo que dispensa o uso de neurnios , construdo base de instintos e hormnios. Formam eles o caldo que entorna nas ruas das cidades grandes e mdias, sob o olhar de uma sociedade amedrontada e desamparada, inertes as autoridades garantidoras da Constituio Federal, que se negam a cumprir com suas obrigaes , extirpando a semente da secesso social que ameaa inviabilizar o Pas . Com a polcia acuada, receosa de agir, pois teme ser apontada na mdia como responsvel pela violncia , quando apenas estaria cumprindo o seu papel Constitucional de defender a sociedade da ao desses vndalos , chegamos pouco a pouco beira do abismo institucional, sem lei e sem ordem , num estgio de desobedincia civil nunca visto antes, onde se agrega a violncia patrocinada por criminosos em geral, numa guerra onde a vtima sempre a populao trabalhadora. H 50 anos o cenrio nem era to grave e deu no que sabemos e vivemos. A histria sempre se repetindo. Pedro Nava tinha razo, a experincia mesmo um carro com os faris para trs.

* Juiz da Vara de Execuces Criminais na Comarca de M. Claros


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Por Isaias Caldeira - 12/1/2014 21:42:05
Maranho: a bola da vez

Isaias Caldeira

No campeonato nacional de hipocrisia, os crticos da famlia Sarney disputam, cabea a cabea, quem atravessar a linha do absurdo frente, com as apostas naquele que tiver o nariz mais comprido, semelhana de pinquio. Senhores cronistas polticos, tomem tenncia, ningum, em perfeita sanidade mental, deixa o poder por vontade prpria, e natural o desejo de perpetuao no centro poltico-administrativo. O grupo do ex-presidente FHC tinha planos de 20 anos de PSDB no poder. O PT, a face um pouco mais esquerda do PSDB, tambm alimenta os mesmos sonhos, e parece que caminha para os 16 anos, com pretenso de atingir a meta sonhada do antecessor. Em So Paulo, de Covas at Alkmim, o mesmo grupo j domina a poltica h 20 anos. Por que essa birra com a famlia Sarney? Ah, eles so nordestinos e ento so todos corruptos! Como se o sul maravilha no estivesse no comando do Pas desde que isto aqui virou Brasil. Como se no sul, de Minas para baixo, no fosse do mesmo jeito. Nas terras Gerais, o PSDB j atingiu a maioridade no poder. As mesmas pessoas ditam os destinos do Estado. No vejo crticas sobre isso. O sobrenome Sarney no implica domnio de uma famlia, mas de um grupo poltico. Poderia ser a famlia Neves, Alkmim, Serra. Nunca esto sozinhos, mas agrupados politicamente, onde aquele de maior prestgio lidera, sempre atento aos interesses dos demais integrantes. a democracia, com todos os seus dilemas, mas o melhor sistema poltico conhecido. Sarney, o patriarca, foi essencial na transio democrtica, negociando com Tancredo nos bastidores. Foi um presidente da repblica tolerante, suportando os insultos desrespeitosos de Collor, ento caador de marajs. A imprensa era livre e o processo poltico teve continuidade, com uma nova Constituio em seu governo. Mas a mdia do sul nunca fala sobre isso. No sou admirador dos Sarney, mas respeito o Jos, patriarca, porque sei que na democracia que ele ajudou a construir, as pessoas de l, do Maranho, votam neles porque gostam e eles devem ter feito algo de bom para permanecerem no poder por todos esses anos. Quanto aos presdios Maranhenses, eu os enxergo em todas as masmorras nacionais, com presos de norte a sul defecando uns sobre os outros em celas medievais. A violncia nesses antros decorre no somente da promiscuidade em que vivem os presos, mas principalmente do domnio dos presdios por organizaes criminosas, que fazem ali suas prprias leis, onde a pena capital, por enforcamento, decapitao ou qualquer outro meio cruel, aps torturas escabrosas da vtima, a forma de controle do grupo sobre os demais condenados. H 15 anos venho afirmando que a matriz do crime So Paulo, onde o PCC comanda todos os presdios e de l exporta seus mtodos para todo o Brasil, ramificando-se. At mesmo nas cadeias do interior os detentos so batizados por elementos oriundos de So Paulo e que so presos quando em aes criminosas em outros estados. Sei o que falo. Sou da rea e atuo em Vara criminal. O diabo, nestes tempos, que os pinquios mentem as verdades que pautam a vida nacional, e escondem seus narizes colossais sob o manto das boas intenes, esta lona do grande circo brasileiro, onde todos querem ser os artistas, quando no passam, em sua maioria, de mata-cachorros- o cara que faz a guarda do lado de fora da lona.


(Nota da Redao - O autor Juiz da Vara de Execuces Criminais na Comarca de M. Claros)


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Por Isaias Caldeira - 11/1/2014 19:50:14
Por sete anos Gilmara foi minha assessora jurdica. Tinha 36 anos e muitos planos, prprios e para as duas lindas filhas, to lindas quanto ela, Gabi e Doti. Estvamos ambos em gozo de frias. No dia 07 deste ms retornaramos ao trabalho. Conversamos no domingo noite, por telefone. Estava gripada, mas animada, e me disse que tomaria uns chs e que estaria bem na tera. Muito trabalho nos esperava. Fez mingau de milho verde para levar para Bocaiva, terra de sua famlia. Na segunda amanheceu bem, mas no mesmo dia tarde sentiu-se mal. Uma irm a levou Santa Casa. No conseguindo respirar, foi para o CTI. Pneumonia dupla. Na tera os rins pararam. J inconsciente, respirando artificialmente, deixou de responder aos medicamentos. Na quarta feira, infeco generalizada. Quinta feira, por volta do meio dia, seu corao generoso deixou de bater. Foi para a eternidade e ficamos mais pobres, sem sua amizade, sem sua presena zeladora. Ficaram rfos, alm das filhas, os infelizes que passam pelas salas de audincias das varas criminais e depois amargam as agruras do presdio, aos quais ela devotava todas as suas foras e energias, anotando suas splicas, reportando-as a mim e at a colegas juzes, para as medidas necessrias. Sentia-se responsvel por todos os familiares de presos que batiam s portas do nosso gabinete e a todos ouvia, ciente das carncias a que ficam submetidos sem o sustento pelos encarcerados, especialmente os infantes nascidos em bero estigmatizado pela misria e pela condenao penal de ascendente. Nada tinha nas mos que no fosse para repartir. Acreditava na reincarnao, Kardecista que era. E se assim for, deve estar nascendo, em algum lugar do mundo, um ltus feito gente, calmo e tranquilo, posto em meio s guas turbulentas do rio da vida, como sinal de que a obra continuar e que haver sempre, em todos os tempos e lugares, pessoas com a misso de cuidar de outros, no exerccio de cotidiana caridade, a mais pura manifestao do amor. Mas, sabe-se l, talvez queira o Criador mant-la consigo, assessorando-O nos pleitos dos homens aqui na terra, ouvindo suas preces e reportando-as ao Pai, no gabinete celeste, onde nossas aes encontram-se processadas, espera da sentena que merecemos e que nos ser dada pelo maior dos Juzes. Fique em paz, Gil, e obrigado por fortalecer a minha convico que s o amor conduz Justia.



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Por Isaias Caldeira - 21/12/2013 16:25:11
Nunca alimentei a esperana do homem bom de Rousseau ,corrompido em sua inocncia pela sociedade. A maldade nos inata, mas a civilizao imps frenagens aos nossos instintos ancestrais, mitigando ou domesticando nossas naturais inclinaes barbrie, ao aniquilamento do outro motivado por nossos pendores egosticos. O mal, entretanto, lateja em ns, e contra este demnio interior que travamos a nossa luta mais renhida, de to difcil xito que nominamos santos aqueles que conseguiram domar seus desejos , aplacando em si a semente das ambies mundanas. O Budismo chama de nirvana este estgio espiritual. O Cristianismo, ao sinalizar desapego material e busca de uma vida eterna, de carter espiritual, vai pelo mesmo caminho do preceito budista. Conseguimos, apesar de todos os ingredientes contrrios, chegarmos ao estgio civilizatrio atual, mesmo ao custo de guerras, de terrorismos de todas as espcies e da melancolia geral. Mas preciso ateno permanente. Nunca deixar de se indignar com o mal, com a imensurvel capacidade do exerccio da torpeza e da hipocrisia em sociedade .Mas preciso compreender a luta pela sobrevivncia e seus excessos, o que no significa aceit-los. Enfim, a luta por espaos numa sociedade consumista e hedonista fomenta o enfrentamento. Todos querem a felicidade pessoal, como se fosse possvel encontr-la em um ambiente socialmente desigual , onde se come em restaurantes rodeado de pedintes que, em geral enxotados, nos aguardam nas esquinas para nos tirar um naco de patrimnio, quando no a vida. Certo que, mesmo atribulada e com todos seus reveses, a vida vale a pena. Vale principalmente se for vivida de modo consciente, sabendo que a caminhada tem incio e fim, mas que no caminho possvel compor a paisagem, dando-lhe nuances e coloridos pessoais, no fazer cotidiano de cada um. No preciso despojar-se de bens materiais, nem ser sbio ou asceta, mas to somente lembrar-se quer ningum vive sozinho e que em sociedade caminha-se mais facilmente de mos dadas, e por isso a alegria do outro uma necessidade. Afinal, no h nada mais desagradvel que a companhia de algum alquebrado pela tristeza, infeliz. Sentir a dor do outro e se colocar em seu lugar so requisitos para uma boa convivncia, ciente que a tolerncia uma das maiores virtudes humanas. Como disse um velho ndio norte-americano, que no se julgue um homem sem andar sete luas com suas sandlias. Fundamentalmente, preciso amar. Sem medo e sem limites, pois este patrimnio aumenta na medida em que distribudo. H algo melhor e mais gratificante que ser til a algum na prestao de um obsquio, de suprir uma lacuna com uma ao desinteressada? Humanidade isso, so esses laos que tecemos e que formam as imagens das nossas vidas, do que somos e do que aqui deixaremos quando, j alheios voz do mundo, tornarmos-nos to somente a vaga lembrana de algum gesto bom na memria de uns poucos. No h tempo a perder, a areia da ampulheta vaticina o fim do percurso, da jornada de cada um, e a messe anseia por mos desprendidas e laboriosas. Tambm preciso arrostar os medos, afinal todos eles so filiais do ancestral medo da morte, e a histria no prescinde de homens que, mantendo a prudncia, ousam enfrentar os desafios, construindo pontes sobre abismos da ignorncia e do mal, criando um porto seguro aos novos caminhantes. Neste natal que se avizinha, muito mais que dar presentes , que a semente da verdade brote em cada um de ns para, alheios s paixes momentneas e ambies pessoais, cumprirmos o desiderato do Crucificado, que deu sua vida como sinal de amor aos homens,mesmo posto sob o suplcio dos ferros que lhe atravessaram as carnes, mas no violaram seu corao incorruptvel. Feliz Natal e prspero ano novo a todos os homens e mulheres do mundo!


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Por Isaas Caldeira - 16/7/2013 18:01:44
Os Corvos.
Isaas Caldeira

O procurador Luiz Francisco de Souza, algoz de Eduardo Jorge, assessor do ex- Presidente FHC, e implacvel perseguidor do governo tucano, encontrava um culpado por semana, nas palavras do jornalista Augusto Nunes. Com sua aparncia adunca, seu bitipo era de um corvo, aquela ave que Edgar Allan Poe imortalizou no mais extraordinrio e perfeito poema que a Inteligncia humana j concebeu, cuja perfeio rtmica ainda no encontrou par, titulado com o nome da gralha negra que a crendice associa aos vaticnios mais sombrios. A noite, na janela de infeliz amante, pousou a ave preta, e inquirida a Agourenta a anunciar mensagem da amada que partira desta vida, insistia em resposta monocrdia s suas esperanas, todas elas retorquindo: Nunca Mais. Mas sua manifestao na realidade brasileira no tinha nenhuma poesia e no batia janela de personagem fictcio. O corvo ostentava insgnia de uma instituio sria, tinha nome e sobrenome e era senhor do poder estatal de fazer a perseguio de acusados por crimes ou ilcitos de qualquer natureza. Suas aparies semanais davam-se nos portais de desafetos polticos, habitantes destas esferas terrenas, sujeitos s leis dos homens e no das hostes celestiais . Sua aparncia humilde e vida espartana ganharam o gosto do povo e da mdia e, encantados com tamanho despojamento, j o incensavam no altar dos justos, dando-lhe espaos destacados nas edies de finais de semana, em revistas e jornais. Deslocava-se em um velho fusca, em franciscana imagem de desprendimento dos bens materiais, isto num mundo repleto de vaidades. Mas a histria demonstrou que este homem gralhava mentiras e, tempos depois, surpreendido pela mar da verdade, flutuou, pois nada mais era que um santo do pau oco, um fariseu ciente e consciente que laborava inverdades com fins polticos , atingindo suas vtimas sem d ou piedade, para os srdidos propsitos de faco poltica, da qual fora militante antes de alcanar cargo federal. Desnudo, aps sofrer punio de seus pares, submergiu. Dizem alguns que de forma conveniente, afinal o partido de seu corao agora o dono do poder central. Mas deixou seguidores. O capeta tem seu squito. Laboram na escurido de propsitos infernais e ergueram-lhe um altar nos pores onde tecem planos malignos, repetindo o mesmo credo do mal e os mesmos mtodos do mestre. Do aparato que ostentava a antiga vestal, s lhes falta um fusca velho. Infestam o judicirio e a polcia com denncias, enquanto tratam, eles mesmos, de divulg-las mdia escrita e televisada. No so os acusados suspeitos, mas autores de crimes graves contra o errio, com prvia condenao diante de cmeras de TV, sem ao menos habitar o universo jurdico a pea inicial, a Denncia formal que abre o processo criminal. Mas a platia j desconfia do excesso acusatrio, sempre direcionado a um grupo poltico, mesmo que outras administraes no possam se dizer cheirosas, inclusive com a presena, em cargo relevante , de quem se revelaria o maior estelionatrio do norte de minas, estranhamente ainda virgem da fria punitiva dos discpulos do procurador Luiz Francisco, ficando suas vtimas ao desamparo. Do procurador, caiu-lhe a mscara. Os de hoje , de tantas injustias praticadas, j no se escondem mais, confiantes na impunidade. Agem j sob a luz do sol, em aberto desafio ao Estado Democrtico e Constituio Federal. As respostas tm sido amenas, mas o brilho da verdade h de impor-se ao final, fazendo voltar s catacumbas os despojos desses litigantes temerrios, restaurando a dignidade e os propsitos dos relevantes cargos que ocupam ,com a necessria varredura de suas memrias do Livro da Justia, que deles, h de registrar-se: Nunca Mais .


75611
Por Isaias Caldeira - 19/6/2013 12:35:00
Quem semeia vento colhe tempestades. O velho bordo exprime, como nenhum outro, o momento atual. A esquerda brasileira sempre teve em sua pauta o incentivo desobedincia civil, com apoio programtico aos ditos movimentos sociais, onde o desrespeito s autoridades e as leis integram a praxis poltica desses grupos. Um dos seus mais renomados e respeitados tericos, Vladimir Safatle, em suas colunas na grande imprensa, incontveis vezes defendeu o no cumprimento de leis, se estas contrariam interesses dos autointitulados excludos. Invases de propriedades rurais, de imveis urbanos, desobedincia s ordens judiciais, fechamento de estradas, so a materializao dessa poltica fundada em orientao maxista, na luta de classes, na busca incessante da instalao de um regime socialista, aos moldes cubanos, no Pas.Apenas fato. Pessoalmente, nada contra a forma de ao, face ao esprito democrtico que norteia minha vida. Mas a velha esquerda, agora no poder, esqueceu-se disto, de suas responsabilidades de governante, e que a semente jogada ao vento caa em terreno para alm dos limites dos grupos amestrados, sem o controle dos idelogos e orientadores de suas aes. Enquanto pregavam suas teorias sociais, os alienados das polticas partidrias e ideolgicas teciam as linhas de suas angstias em outras plagas, no espao ciberntico e virtual das redes sociais. Ento, para desespero dos atuais detentores do poder central, esses novos burgueses, muitos alados recentemente a esta condio, aprenderam as lies e resolveram por em prtica os ensinamentos adquiridos, chamando o povo s ruas para demonstrarem suas insatisfaes, tudo de forma genrica, sem uma bandeira especfica, pelo simples prazer de protestar. No h famintos dentre eles, nem condenados ou perseguidos polticos. No tm lideranas e nem causas; no tm comando, seno aquelas teclas dos computadores que remetem s redes sociais; ajuntam-se e saem s ruas, desprezando a ingerncia poltica e partidria. A maioria bem intencionada, mas sem saber sequer o porqu das manifestaes. Centavos cobrados a mais, sade, educao, corrupo, qualquer coisa enfim, razo suficiente adeso ao movimento. Dentre os participantes, como sempre acontece, radicais e extremistas atuam. Da a destruio do patrimnio pblico e o enfrentamento com o aparato da segurana estatal, o vandalismo puro e simples. Vai piorar, pois no se sabe como estas coisas terminam. Alis, sabemos todos: quando o poder e a autoridade se esvaziam, criando um vcuo em seu espao de ao, com certeza outro grupo aparecer para ocup-lo, restaurando a ordem e a legalidade, para o bem ou mal.


75344
Por Isaias Caldeira - 1/5/2013 23:50:03
Muito barulho por nada

Isaias Caldeira

Desgraadamente sou um empedernido humanista, maturado nas lies hauridas nas observaes cotidianas, consolidado o vezo na leitura de escritores humanistas , todos eles assentados nas obras do bardo ingls, Shakespeare, que tem entre suas extraordinrias e incomparveis criaes aquela que leva o ttulo acima, prenhe de humor e tragdia, onde a calnia um dos pilares da estria. Esta velha chaga sangra, mesmo mudados os tempos e os costumes, e hoje tem a chancela do Estado. No so mais as relaes pessoais, com nfase em questes amorosas, o pntano em que viceja esta mrbida flor amoral. Sua gnese medra, hodiernamente, nas intrigas polticas, fomentadas por aes de agentes do Estado e apaninguados, que conspiram moda medieval , e como novos comissrios do povo tramam seus atos tendo por mote a apodada moralidade pblica, esta que pe-se a servio dos objetivos mais torpes, ela que a mais subjetiva das construes hermenuticas. A moralidade pblica veste-se segundo o figurino do seu tempo e despe-se segundo a tara dos que usam seus prstimos. Foi ela o combustvel da Inquisio e de quase todos os genocdios, em todos os tempos, perpetrados por dspotas e pseudo-democratas, tendo por fundo, quase sempre, as palavras de ordem em apoio ao morticnio e ao justiceiro, gritadas pelos algozes e repetidas pela massa ignara. O dolo desses carniceiros reside na conscincia de que agem amparados em sofismas, em indcios claudicantes, e que pretextam to somente para atingir objetivos pessoais ou de grupos, mesmo destruindo pessoas, pois a honra pessoal atributo indispensvel ao homem, e sua privao o nivela aos animais irracionais. No h vida plena sem honra , pois a vergonha a inibe de ver-se , de sua auto-imagem,pois aos olhos da vtima a pecha que lhe foi imposta que se revela no espelho, tomando o lugar de sua face real, de sua identidade.Para a platia se dirigem os atos vis dos guardies da moralidade e a destruio do outro mostra-se sob a roupagem do politicamente correto, do bom-mocismo, da defesa da tica, que tem no combate corrupo a mais justa aspirao dos cidados. Mas este vis aparente, apenas o mote desses guardas de quarteiro para o implemento de suas vilanias. nesta enseada que lanam suas ncoras. No lhes atormenta a injustia perpetrada, e nem os norteia sequer a intil indignao da Rainha Isabel , ao ver ir ao patbulo sua prima Maria,que sabia inocente, perante a multido. Da inteligncia de Schiller,obrou-se esta prola, o registro, posto aos olhos da posteridade, da subservincia ao populismo: Oh, escravido de servir o povo, vergonhosa escravido! J estou cansada de queimar incenso nas aras desse dolo que intimamente desprezo. Quando ficarei livre no meu trono? Sou obrigada a respeitar a opinio, forar o aplauso da turba, dar razo a uma ral que ama os espetculos. Oh, no rei quem procura agradar ao mundo! mas sim quem no tem preciso de regrar a sua conduta pela opinio dos homens. Os justiceiros de hoje repetem a pantomina, e depois de despedaarem vidas, imoladas no patbulo pblico, se renem e gozam seus feitos, indiferentes s lgrimas inocentes, sem um grama de arrependimento, pois despidos de conscincia e vestidos da brutalidade dos mpios. Sei que no fcil combater quem usa de bons argumentos , do poder das palavras e de sofismas para plantar suas verdades, mesmo que escritas sobre a areia, ciente do permanente descontentamento popular com seus dirigentes, em todos os tempos. O que consola saber que, apesar dos estragos causados, a verdade quase sempre vence, e os salvadores de hoje podem, amanh, terem revisadas suas biografias, onde a infmia e a desonestidade sejam a marca escarlate que justificaram suas vidas. Aos caluniados e difamados de hoje consola a mxima do poeta gacho: eles passaro, eu passarinho.


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Por Isaias Caldeira - 8/12/2012 21:14:21

Afonso Brant era primo e amigo de meu pai , alm de advogado nas poucas vezes em que ele precisou de um profissional. No era homem de falsear os fatos na defesa de seus clientes. Amava a verdade e tinha tica rigorosa. No mentia e no deixava a mentira do cliente ganhar vida nas suas peties. Se o consulente insistia em tese descabida, indicava-lhe a lista de advogados da cidade. No era dado s conversas inteis e cavilosas, mantendo-se discreto e respeitoso a todo o tempo, de modo que sua figura merecia dos seus contemporneos permanente reverncia. Um nobre, mas investido daquela simplicidade que mais reala um carter superior. Foi-se como vo as grandes almas, sem deixar maldade humana espao para necrolgios reticentes, pois a unanimidade dos que com ele privaram ecoa a sua falta, o espao vazio de sua ausncia irreparvel. Mas seu exemplo permanece, mostrando que o campo da tica deve ser o espao de todos , em todas as atividades e, o que mais importante, que isto possvel.


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Por Isaias Caldeira - 4/11/2012 17:42:23
O mensalo na TV.

Isaias Caldeira.

ta velho mundo novo! O tempo a roldana da histria, e ela se reproduz a cada volta deste relgio, mesmo como farsa, dizem. Mas se reproduz. Madalenas sempre existiro em todas as civilizaes e em todos os tempos. A hipocrisia humana necessita de autos-da-f para nos redimir,em alvio de nossas culpas, desde que outros sejam os expiadores. Antigamente a multido reunia-se na praa onde seria imolado o condenado, num frenesi histrico, pouco importando se inocente ou culpado. Era o preo que o governante ento pagava para aliviar as tenses da poca, sossegando a inquietude e o descontentamento populares.Punindo-se algum de forma radical, o sangue do condenado lavava as ndoas nacionais e todos se sentiam expurgados de seus pecados, de modo a continuarem com as mesmas prticas, at um novo martrio. Hoje diante das televises que a platia se pe. No fao aqui crtica ao julgamento do Mensalo quanto as decises al tomadas, afinal deram-se dentro das normas Constitucionais e penais vigentes. Os honrados Ministros do STF tm a plena conscincia que esto criando paradigmas, de forma que os demais Tribunais e Juzes balizaro suas decises em matria penal no precedente da Corte Superior. Esto fixando diretrizes nas anlises de concurso de crimes e fixao de penas, da o tamanho da responsabilidade deste julgamento . So homens e mulheres ntegros, de grande saber jurdico, todos querendo fazer o melhor no ofcio de julgar. Mas sou critico do modelo de publicizao do processo, da mdia como jurada e do pblico que bate palmas enquanto se executa a pea, sem prejuzo de autgrafos nos intervalos,fazendo com que os atores aumentem o volume de suas vozes para serem ouvidos. Afinal, os microfones esto abertos, as televises ligadas, e nas casas, nos bares e especialmente nas redaes miditicas, policiam-se os votos dos julgadores, no sendo incomum crticas e insinuaes queles que frustaram expectativas, como se fossem meros serviais da opinio pblica. Como manter-se impassvel aos holofotes da tv, aos olhos acusadores de uma mdia que antecipa votos, que vaticina penas e aos libelos de colunistas rancorosos, mas de grande prestgio? A cobertura do julgamento concorreu em audincia com novela de sucesso da maior emissora do pas. Analistas apressados j anunciam um Brasil novo depois deste processo. Mas outros julgamentos viro, com novas cobranas da mdia e h de se encontrar um limite presso popular, haurida nos editoriais dos grandes jornais e na politizao dos fatos. Assim, creio no aperfeioamento do modelo, com a cobertura dos atos processuais obedecendo um mnimo de iseno,por fora de lei, possibilitando aos julgadores a tranquilidade benfica ao desiderato da justia. Por ora temo que, ao final, como na novela das oito, os viles no sejam to maus , e assim como a vil principal, tenham o perdo do pblico, embora na vida real as punies j tenham sido aplicadas e as prises se consolidado, restando intil a tardia remisso popular.


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Por Isaias caldeira - 13/7/2012 13:54:03
O velho tema de sempre.

Isaas Caldeira

A tristeza um dos pecados capitais. a acdia, essa malemolncia da alma, esse buraco negro que nos engole, o grande vazio existencial. So Toms de Aquino, sbio e santo bispo, ciente que somos todos tristes, mesmo que sem a mesma frequncia e intensidade, colocou a tristeza como stimo pecado capital, pois ser triste seria uma ofensa ao Criador, que nos ps aqui, alm de deixar os homens letrgicos, desanimados de cuidarem deste jardim, obra de Deus. Mas a igreja catlica aplacou a nossa culpa deste sentimento acrrimo e nos incentivou a preenchermos o vazio existencial com o labor, nesta azfama diria que nos livra da pior das companhias, ns mesmos, trocando o pecado da acdia pela preguia. Quer ver algum triste e depressivo, visite seu vizinho num domingo tarde, sem jogo de futebol ou algo que o distraia de si mesmo. Como demora a passar uma tarde assim, dominical. E o demnio que as pessoas ainda aspiram a eternidade! Imagine-se imortal, para sempre voc e suas circunstncias, sem ter como fugir de seus demnios pessoais, preso s engrenagens que movem seu ser, que o personalizam e o escravizam, perpetuamente! Que inferno pode haver pior que este? Sim, nos liberta de tal horror aquela que nos aguarda na esquina do tempo, a mesma que levou nossos ancestrais e tantos contemporneos, velhos e novos, indiferente s lgrimas derramadas, alheia ao desespero materno, ao status do escolhido. Da a perplexidade de Hamlet, jovem prncipe Dinamarqus: ser ou no ser! Procuro sempre ter algum problema para resolver e manter a mente ocupada. falta dos pessoais, ocupo-me do meu prximo, como se no bastassem aqueles tantos que o ofcio me obriga, nestes quatorze anos de magistrado. Afinal, se voc olhar em volta, h coisas mais interessantes a fazer que jogar domin na praa ou cartas entre amigos. Combater as injustias uma delas. Especialmente aquelas patrocinadas pelo Estado, este ser jurdico concebido para te proteger e zelar por seus direitos. Em qualquer lugar haver sempre algum investido de poder estatal se achando no direito de humilhar pessoas, pouco importando idades e vidas pregressas inclumes. Parece at que h um certo gozo em destrurem reputaes, talvez como forma de nivelarem todos ao lodo, no terreno sfaro onde o carter ch medra, de modo que o espelho possa refletir sempre a mesma imagem distorcida de todos os homens. Somos todos maus, dizem, justificando a mxima com seus atos. A tirania que submete o homem, que o humilha e ultraja, alheia a dor da famlia e do seu ncleo social, busca justificar-se com argumentos nobres, especialmente o subjetivismo nominado moralidade pblica. As piores ditaduras, as que mais mataram e reduziram escravido, deram-se em nome da coletividade, inscientes que o indivduo que conta, por ser nico, nesta grande construo do tecido social onde estamos inseridos. O mal a um homem inocente contamina todo o processo, por mais bem intencionados que estejam. Hoje o seu vizinho o acusado e levado priso, sem imputao objetiva. Amanh, se voc permanece indiferente, na grama de seu jardim que eles pisaro, no sem antes disseminarem uma condenao antecipada, com os holofotes da mdia registrando, para sempre, a ndoa que lhe impuseram, para vergonha sua e de sua descendncia. Vamos combater o mal, em todos os lugares, mas faz-lo moda Kantiana, como um imperativo universal, mesmo que venha embrulhado com o papel difano da moralidade pblica, esta construo voltil ao tempo e costumes, to til s perversidades humanas. Tristeza, preguia, medo, nada disso pode ser bice luta pela liberdade, ou melhor responder indagao Hamletiana com a ponta do punhal ou uma poo libertadora.


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Por Isaias Caldeira - 2/5/2012 09:30:29
Os Ressentidos

Isaias Caldeira

Contrariamente impermanncia de Herclito, eles nunca mudaram. Freqentam os mesmos botecos h mais de 30 anos. Esto sempre juntos- malgrado uma ou outra visita do Barqueiro sombrio- desde aqueles tempos em que a barba cerrada , os chinelos de dedo e uma bolsa a tiracolo eram instrumentos visveis de uma rebeldia juvenil, de um inconformismo com o mundo e de vontade de mudana. Naquele tempo, ser do contra impunha um estilo ornamental , onde pontilhava, mesmo sem a cincia do rebelde interiorano e rude, os ensinamentos de Marcuse, mentor da contracultura, onde os hippies se apresentavam como a materializao visvel do descontentamento com os rumos de uma civilizao consumista e hedonista. Mas naquele tempo, h mais de trinta anos ( to longe e to perto, meu Deus!), contrapor-se mesmice careta e conservadora era a nica possibilidade do novo, da experimentao de um caminho que sintetizava a natural averso dos jovens s verdades estabelecidas, em par com as experimentaes psicodlicas em voga, na construo de uma realidade onde o onrico ocupasse o lugar da sistematizao e enquadramento da vida, renegando o modelo adotado por nossos pais, produto da ancestralidade imemorial, calcada na sobrevivncia num mundo hostil e famlico. Vieram as palavras de ordem. Faa amor, no faa a guerra. O poder das flores.etc. Tudo embalado por Joan Baez, Bob Dylan e outros, at mesmo nacionais, os quais, passado tanto tempo, j nem lembramos os nomes, pois enviuvaram-se da ditadura, engolidos pela falta de um tema que justificasse suas canes e que lhes devolvesse a admirao popular , pois no h nenhuma graa em falar de misria em casa de novo rico. A Democracia e suas novidades fizeram vtimas. H sempre os que perderam o trem da histria e, como a Carolina da cano, ficam janela da vida, vendo a passagem das gentes, dos que assumiram o leme do mundo, enquanto eles elucubram alheios tessitura orgnica de uma realidade tecnolgica, instvel e frentica que nos cerca. Com copos de cachaa,bebida preferida, no por modismo mas pelo custo, ombreiam-se nas mesas dos botecos que frequentam, e se reconfortam repetindo os velhos bordes do passado, levantando antigas e rotas bandeiras,agora sem causas definidas, ao sabor das circunstncias. Faltos de ideologias, apenas e to somente em busca de um meio de sobrevivncia, feitos uma legio estrangeira num deserto de propsitos, agem como mercenrios , sempre disposio da m f e de interesses escusos de algum charlato. De rebeldes passaram condio de ressentidos. De idelogos do mundo novo, condio de claques de algum detentor do poder que lhes arrume alguma sinecura, uma boquinha qualquer em alguma repartio pblica. Tentam-se fazer modernos, mas lhes falta a prtica de algum ofcio til. Ento jogam pedras, sistematizam a injria e a calnia como prtica poltica, posta disposio de quem lhes d uns trocados mensais ou se lhes pague uma rodada de bebida. Assim, j encanecidos alguns e fracassados todos, assistem histria que passa, sentados nas mesmas cadeiras, nas mesmas esquinas, no cio intil mas loquaz, esperando algum milagre que lhes d sentido s vidas gastas inutilmente. Sem saberem, justificam, pessimamente, Parmnides, que negava a mudana das coisas.


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Por Isaias Caldeira - 12/4/2012 02:49:02
Cachoeira de hipocrisia

Isaas Caldeira

O Brasil sempre endeusou a cultura da malandragem. Quem, de minha gerao, no ria e aplaudia a esperteza de um Z Carioca, malandro sempre disposto a um jeitinho para continuar sem dar se ao trabalho de algum esforo para sua sobrevivncia, sob o olhar criativo de Walt Disney? Os malandros do morro, os contraventores do jogo do bicho, os proxenetas e alcoviteiras em geral, to romanceados pela literatura nacional, de Jorge Amado a Nelson Rodrigues, sempre sob a aura de gente boa, ntegra moralmente, contra um Estado opressor, dirigido por uma elite egosta e conservadora, contextualizam o pensamento dominante no cenrio intelectual brasileiro desde o sculo passado. Agora, sob os mais variados pretextos, inclusive em nome da santa tica, a mdia nacional volta-se contra um dos cones culturais que ela tanto acalentou e deu expanso, levando berra pblica , como se maior criminoso do Pas, a figura de um decano dos jogos de azar no Brasil, o tal Carlinhos Cachoeira, de Gois, amigo do discpulo de Cato, o eloqente Senador Demstenes Torres e outros tantos. Uma geladeira de presente de aniversrio a prova maior de corrupo, aliada s ligaes telefnicas interceptadas, onde o moralista Senador se prontificava a defender os interesses do contraventor em votaes na Casa Alta. Como se fosse novidade esse entrelaamento entre o jogo de bicho , seus correlatos e a classe poltica, tendo por gnesis a cultura carioca, onde tais contraventores lobrigam de conceito invejvel junto populao , especialmente entre a classe mdia e a pobreza, alm de responsveis diretos pelo carnaval , em que se destacam como benfeitores e lderes das comunidades. Gois e Goinia no so o Rio de Janeiro. O tal Carlinhos Cachoeira no levou isto em conta e deu-se mal. Ningum nega os lobbies de banqueiros, com os maiores lucros de todos os tempos no mundo financeiro , de construtoras e empresas poderosas, com seus inmeros polticos financiados para defender seus interesses no Congresso Nacional, como se isso fosse legtimo, embora em jogo recursos do errio. Demonizam o Senador Demstenes, mesmo sem uma nica acusao de prejuzo ao patrimnio pblico, embasados to somente no fato de defender , tambm, os interesses do contraventor , em sua atuao poltica. A hipocrisia nacional no tem limites. A moralidade no Brasil desonesta, pois veste-se segundo o figurino do Poder, usando como instrumento a mdia amestrada e domada fora de verbas publicitrias ou, quando esta ainda guarda alguns pruridos ticos, os interesses de grupos polticos. O Senador Demstenes apenas revela, com seu comportamento, a crua realidade da poltica nacional, onde a tica relativa, e o que conta o sucesso da empreita, pois feio perder. No fosse o vezo moralista do Senador, o que para mim j motivo de sua condenao, afinal todo moralista um canalha enrustido, elegeria o dito como cone da brasilidade, do jeitinho brasileiro de acomodar-se e sobreviver, sempre de olho na casa do vizinho, enquanto o lixo se acumula sob seus tapetes.


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Por Isaias Caldeira - 10/12/2011 18:49:53
Dizia-se, no tempo do governo militar ( regime que, hoje, comparado realidade ftica atual, no me parece distante, e que outrora, na minha mocidade,j era objeto de minha ojeriza), dizia-se, que em cidade pequena o soldado era a autoridade mais importante. De fato. Lembro-me de um que, sem mandado, a paisano, ia at fazenda do meu pai para prend-lo, revirando a casa e, ao final, indo pescar no rio que cortava a propriedade, neste que era seu verdadeiro objetivo, mas antes era preciso humilhar a famlia do foragido. Esclareo,por oportuno, que naquele tempo no tinha a Lei Fleuri, e o acusado de um crime tinha de permanecer preso at o julgamento. Meu pai, levado a jri por tentativa de homicdio, foi absolvido por 7 a 0, reconhecida a legitima defesa. Mas naquele tempo a honra pessoal era algo quase divino, intocvel, a ponto de um homem, no conseguindo honrar suas dvidas financeiras, ser obrigado a "cair no gois", numa aluso ao bom estado da federao, ento local ermo, inspito, uma espcie de Saara, onde uma legio estrangeira amargava sua existncia, foragida da desonra, da vergonha pblica pelo inadimplemento de suas obrigaes ou por algum crime . Mas era um outro tempo! Hoje ladravazes vo pblico pedir desculpas pelo cano dado, no em um ou outro credor, mas em dezenas, enquanto se desestressam em solo estrangeiro,no gozo da riqueza usurpada, certos que o tempo e os artifcios legais lhes permitiro o retorno vida normal, com o pleno usufruto do produto auferido s custas do suor alheio. A coisa bem mais nefasta nestes tempos. O que tem de fariseus se passando por bons samaritanos causa repugnncia! Quantos canalhas usam de prerrogativas oficiais para enxovalhar a honra alheia, cientes que laboram em erro, propositalmente dirigidos uma finalidade ch, mesquinha, com o nico propsito de atender interesses pessoais e polticos! Uma nova inquisio se estabeleceu no Brasil, onde as pessoas so presas antes de investigadas, expostas ao enxovalhamento pblico, o que se constitui em tortura- para quem preza a honra- pior que o famigerado "pau de arara", hoje pgina virada nos mtodos dos novos inquisidores. Nestes tempos, no mais necessrio arrastar o corpo inerte pelas ruas, ferrar a face com dsticos humilhantes, ou retalhar o acusado e expor seus membros pela cidade. No, nada disso necessrio. Hoje, chama- se a mdia, adrede convocada, para o espetculo do linchamento moral, de preferncia com o uso de algemas e sirenes de carros, avisando aos cidados que um homem acaba de ser moralmente destrudo, e que seu nome deve ser, para sempre - pois a mdia memorizvel e reproduzvel- coberto com o manto do oprbrio, e que sua gerao, "ad perpetuam rei memoriam", deve merecer o escrnio e a condenao das massas.A nuvem negra das manchetes de jornais so cicatrizes que nunca se apagam. Tempos difceis estes! Anda-se no fio da navalha. Imaginem se Juscelino faria Braslia, ou Trs Marias, usina que abastece esta regio, ou tudo que fez em quatro anos como Presidente neste Brasil enorme! Quem pode ter a ousadia de desafiar as probalidades e fazer algo novo? S um louco pode querer enfrentar uma corrente feita de maledicncias, sobre o artifcio canalha do " bom mocismo", e que se acha no direito de se impor como portadora da verdade, enquanto no passa de um grupelho de moedeiros falsos.Leitor,peo licena para, volta e meia, quando ciente de uma nova barbaridade em curso, levada a cabo por pessoas que deveriam prezar a imparcialidade e o amor verdade, dar meu pitaco neste espao. No sofri os excessos do regime militar na minha mocidade para, agora, na democracia de cuja construo foi partcipe, assistir aos novos "guardas da esquina", sob vestes talares e insignias , empunharem suas adagas contra cidados honestos, tudo em nome de uma suposta moralidade pblica, a mesma que levava fogueira inocentes, enquanto adversrios repartiam os despojos do martirizado. Contra essa canalha vou resistindo, na modstia de um cargo pblico que ocupo, quando instado a decidir. Assim tambm, na condio de cidado, despido da toga, no me canso de abjurar tais mtodos aqui neste espao democrtico, pois quem conheceu a fora de baionetas e fuzis no se verga ou se cala diante de desses anes, que buscam nos refletores da mdia dar dimenso s suas futilidades e faz-los , pessoalmente, maiores do que so. Sei que, lendo esta mensagem, eles se reconhecero. Por eplogo, parelho-me a todos os injustiados, execrados e torturados psicologicamente, por qualquer dos tentculos do Estado, certos que os algozes no triunfaro. A histria pendular, o carrasco de hoje em geral o enforcado de amanh.


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Por Isaias Caldeira - 23/9/2011 03:00:16
Opsculo sore a condio humana

Tenho completos 52 anos. Creio j ter visto tudo. Nada que humano me surpreende, como j no surpreendia outros h centenas de anos. A histria da civilizao pendular: parte de uma ruptura no tecido social, com os insurgentes devastando a ordem estabelecida, levando ao fio da espada aqueles detentores do poder, vingando-se de antiga submisso, sem contemplao , d ou piedade, at que, chegando ao ponto de exausto, a mesma espada volve-se contra os revoltosos, e com mesma intensidade, aplica-lhes os castigos e punies que prescreviam, levando-os ao cadafalso. Danton e Robespierre no me deixam mentir. No regime militar, com o qual convivi na minha mocidade, eram comuns estrias de humilhaes e execraes pblicas, onde qualquer autoridade, desde o praa menos graduado, brandia seu poder em praa pblica ou nas ante-salas das delegacias, vergando aqueles que ousavam discordar da doutrina e pensamento dominantes. A desgraa do totalitarismo so as palavras de ordem. Ame-o ou deixe-o, era o jargo contra quem discordava do regime vigente, tornando malditos os insurgentes ou adversrios. Contra esse estado de coisas lutamos, combatemos o bom combate, enchendo praas e ruas de descontentes, insubmissos ordem estabelecida, onde o apogeu deu-se com a campanha das diretas j, redundando , aos trancos e barrancos, no Pas e na democracia que temos hoje. Mas a histria sempre se repetindo. Restabelecida a democracia, ao reboque trouxe os excessos de sempre. Num Pas desigual socialmente, aparecem sempre os oportunistas, os justiceiros, os distribuidores do suor alheio guisa de justia social, condenado a prosperidade dos que trabalham, obrigando-os a repartir os frutos de seu labor com as lesmas e parasitas que quase nunca se elevam com o nascer do sol, porque acordam tarde, mas que se quedam inertes ao crepsculo , cheio do banzo, da tristeza de um dia vo, sem nada para contar de feito do dia que se vai. Os distribuidores do patrimnio alheio enchem o peito e falam de justia social, mas suas mos so lisas, pois no enfrentaram o sol e a chuva e nem carregaram pesos: o seu ofcio prescinde de suor e se sustenta na arte dos sofismas, no engodo das palavras . Estes reformadores do mundo abundam neste momento histrico. O Brasil hoje se divide entre os que trabalham e trazem a prosperidade e os sanguessugas, estes comandados por capatazes ideolgicos, montados em suas animlias pr-histricas , que bradam por justia social, como se no soubssemos de seus verdadeiros objetivos. Meu pai comeou a trabalhar em olaria aos oito anos de idade, puxando o animal que carregava o barro. Criou 13 filhos, dentre os quais dois juzes, duas mdicas , advogados, funcionrio do Banco do Brasil e professores com ps -graduao e mestrados. Sempre madrugou, e nos deixou este hbito. Principalmente, nos legou o apreo prosperidade, mas sem perder o enfoque na dor do semelhante, sendo este o limite de nossas aes, nunca ultrapassando as defensas da tica e da moral. Assim vejo o mundo. Assim tenho procurado agir. Sei das fraquezas humanas, e tenho, antes de mais nada, um d enorme dos homens , de sua fragilidade. Sendo efmera sua individualidade , di-lhe a certeza da morte, insciente que parte do todo, do grande organismo universal, de quem um tomo perene, seja homem ou flor que brota no mais humilde tmulo. Amo este Pas, este mundo. Sofro porque vejo injustias, mas no perco a esperana , no posso e nunca devo perder a minha crena nos homens, na nossa natureza divina. Esses lapsos histricos, sei, so apenas pequenas pedras para nos lembrar da caminhada at perfeio. O Brasil est se acertando, apesar desses excessos. Contidos os exageros, especialmente os institucionais, os brasileiros vo conduzir a humanidade paz e a felicidade.
Em tempo: dedico esta modesta mensagem a Ivonei Abade Brito, um dos raros polticos ntegros deste Pas, a despeito das adversidades do momento . A minha certeza de sua honestidade est acima das vicissitudes presentes, pois no sou homem sujeito hipocrisia, e sei que no mundo abundam os discpulos de Torquemada, os que sorriem enquanto a honra alheia posta em chamas, para gudio da massa ignara e gozo da canalha adversa. Feliz aniversrio, Ivonei. Deus o maior dos juzes.


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Por Isaias Caldeira - 28/4/2011 12:20:08
Apenas coisas bvias.

At o ano de 2006, antes da Lei 11.343/06,a chamada Lei de Txicos em vigor no Pas, no Rio de Janeiro, Capital, a venda de "Crack" no era tolerada pelos traficantes que dominavam os morros cariocas. Sabiam os donos das bocas de fumo que o crack mata o usurio em pouco tempo, ou o deixa incapacitado mentalmente, da no desejarem o seu consumo, at porque droga barata em comparao com as demais. Mas depois da citada lei 11.343/06, foi esta droga por eles autorizada naquela cidade e Estado, pois perceberam que, vendendo-a, destruiriam a vida de uns tantos, mas agregariam milhares na base de consumo, expandindo-se o universo de usurios. Perdiam uma dezena e ganhavam milhares. Assim tem sido ali e em todo o Brasil. O crack est nas cidades e nas zonas rurais, at mesmo em locais onde a gente imaginava que no chegaria facilmente, como nos municpios de Gro Mogol, Cristlia, Batumirim, etc, em que a pobreza avulta, mas de populao rurcola, de gente simples e trabalhadora. Fui Juiz ali e fiquei perplexo com o grau de contaminao por este cncer social, introduzido pela ganncia dos traficantes e irresponsabilidade dos nossos legisladores e autoridades em geral. Registro a data da Lei 11.343/06 como marco e divisor de guas no trfico de drogas neste Pas porque, na prtica, esta lei liberou o consumo de drogas ao no punir o usurio. Se preso, somente conduzido delegacia e lavrado um TCO, liberando-se o usurio e o encaminhando ao Judicirio, onde recebe advertncias ou determinado que se submeta a terapia. Mas se ele no cumprir, fica o dito pelo no dito. Nunca poder ser preso por desobedecer a " sentena" dada. Nunca se ouviu falar de crime sem pena, sem punio. Ento, bvio, o uso de drogas no mais crime no Brasil desde a vigncia desta Lei 1.343/06. queles que discordarem, peo que examinem as estatiscas anteriores a esta lei e como o consumo de crack universalizou-se aps seu advento. simples, so nmeros de ocorrncias ligados venda e consumo de drogas no Pas. Ningum mentalmente hgido quer o simples encarceramento de usurios, mas a lei deveria converter em priso o no cumprimento da ordem judicial emanada da sentena. Se no frequentasse a terapia ou no se submetesse ao tratamento determinado pelo Juiz,
iria para a cadeia. Afirmo, como Juiz da rea criminal em Montes Claros-MG, que o trfico de drogas saiu do controle do Estado, permeia as cidades e campos, destroi vidas e famlias, sendo responsvel por mais de 80% dos crimes cometidos em comunidades como a nossa. De nada adianta o esforo tremendo das polcias no combate sistemtico ao trfico e traficantes. Dezenas so presos todos os meses, mas outros tantos assumem os lugares dos encarcerados. Sugiro, com conhecimento de causa, para no me alongar muito, as seguintes providncias: primeiro, aplicar a lei 1.343/06 na forma expressa pelo legislador, no permitindo a substituio da pena privativa de liberdade por alternativas em crime de trfico; manuteno do regime fechado nesta modalidade criminosa; encarceramento do usurio que no se submeter a deciso do Juiz na sentena; e agregar a priso perptua para os grandes traficantes, passvel de indulto, mas somente aps cumpridos mais de 25 anos de encarceramento. E que, pelo amor de Deus, afastem esses pruridos ideolgicos que norteiam a poltica criminal neste Pas, onde o bandido sempre vtima de alguma coisa, jamais responsvel pelas barbries que pratica. Do jeito que a coisa anda, em breve tempo, quem buscar justia vai ter que faz-la, tudo por culpa da lenincia dos Poderes da Repblica, esquecidos que esto daqueles que lhes arrimam a existncia e sustenta o Estado- os homens honestos desta nao.


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Por Isaas Caldeira - 17/12/2010 08:00:18
DE NOVO CLAMANDO NO DESERTO.

J verberei contra a tal Lei de Ficha Limpa, ou Suja. Agora, com a eleio e diplomao do Sr. Paulo Maluf, em So Paulo, creio que alguns no sectrios me daro razo. O poltico em questo, de forma justa ou no, o smbolo do que h de pior na poltica nacional e no foi alcanado por esta lei. Embalde a aclamao popular,a Lei ruim, e o povo s vezes erra- que o diga o prprio Jesus Cristo.Agora venho me manifestar contra esta lei que exige receita mdica para compra de antibiticos em farmcias, e exige mesmo,no obstante a falta de mdicos no Brasil. H regies, no norte e nordeste, com 1 mdico para 10.000 habitantes. Legislam nossos polticos como se fossem cegos e surdos, no assistindo nos noticirios a barbrie na sade pblica. Quem vai receitar para o pobre na compra de um antibitico para um caso de infeco de garganta ou ouvido, to comum na infncia? Minha assessora, que tem plano de sade, somente conseguiu uma consulta mdica para 8 dias, mesmo com um familiar febril em casa,padecendo de infeco de garganta. Gritou, teve a consulta antecipada, recebendo a receita de sempre, com os antibiticos imprescindveis cura da molstia. E os pobres, como faro? No tm planos de sade e nem voz para serem ouvidos pelo sistema. O SUS no acompanhou a exigncia legal, no se preparou para isso. claro que somente mdicos DEVERIAM receitar, mas a realidade se sobrepe a esta, ainda, utopia brasileira de justia social. Que farmacuticos possam indicar e vender antibiticos nesses casos simples, onde no h opo cura e so males de diagnsticos evidentes. J disse aqui neste mural que o problema brasileiro que o governo est sempre tentando cuidar de nossas vidas, de nossos destinos, mesmo s custas de nossa desgraa. Que preparem o SUS, encontrem mdicos para o pobre, depois exijam o mundo do dever ser. Se no mudarem a lei ou o atendimento mdico, teremos agravada a sade pblica no Brasil por conta de uma legislao Sucia, mas dirigida ao povo com padres de vida de terceiro mundo. Crianas esto sofrendo e pais esto desesperadas nos postos de sade e nos corredores dos hospitais. doloroso ver isto e calar-se, da minha opinio sincera.


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Por Isaas Caldeira - 2/9/2010 08:52:18
Mais uma Lei das "burras".

Em vigor no Pas, desde o dia primeiro deste ms, a Lei que obriga o uso de cadeirinhas para crianas no banco traseiro. Mais uma vez cheia de boas intenes do legislador.Na prtica, um estorvo, pois refletir negativamente no dia a dia das pessoas.Vejamos: se algum sem filhos menores, portanto sem necessidade do acessrio, tiver que transportar um carona acompanhado de filho at sete anos,no poder faz-lo.Pergunta-se:e se a criana estiver numa fazenda, ou na beira de uma rodovia, precisando de consulta mdica urgente, como resolver? E se for um parente do motorista, ou amigo, numa emergncia qualquer, como atender necessidade premente sem incorrer na tal multa? No se fala aqui em Samu, 190, ou equivalente, pois nem sempre so acessveis ao cidado.Pense no cotidiano,no passeio com sobrinhos, vizinhos, etc: tendo mais de uma criana, impossvel! No dia 30 de agosto passado, na rodovia de Francisco S, um veculo com 05 passageiros acidentou-se. Morreram uma senhora e uma criana que estava em um banquinho deste. Dependendo do acidente ou da fatalidade, a tal cadeirinha no adianta nada, ou muito pouco. Nessa estria, quem vai ganhar so os fabricantes e comerciantes do acessrio, alm, claro, do governo, que vai encher as burras com as multas aplicadas. Pobre cidado, que precisa sempre do governo para zelar por sua vida e destino, mesmo como pretexto para arrancar-lhe o couro!


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Por Isaas Caldeira - 9/7/2010 08:36:52
De novo, mas pela ltima vez.

" Age de tal modo que a mxima da tua ao se possa tornar princpio de uma legislao universal."

A mxima acima, do velho Kant, parece que foi esquecida por nossos legisladores, ou lhes desconhecida. Cito-a apenas para ratificar minha manifestao neste mural contra a tal Lei da Ficha Suja, que sei, de agrado do povo, mas tal subjetivismo no a desnatura de sua condio de inconstitucional e perigosa, estou certo. Volto ao assunto, desta vez de forma breve, em razo de recente manifestao de um deputado mineiro,que deixo de citar o nome, que vai apresentar emenda Constituio Estadual proibindo a contratao de condenados para cargos cargos pblicos em geral, com base na malsinada lei. sempre assim.Quando se abre caminho atravs de uma lei de exceo, como a " Ficha Suja", restringindo direitos de parte da populao, a porteira fica aberta para novas leis, estendendo seus tentculos a outros grupos sociais ou categorias, tudo na melhor das intenes, para gudio do inferno. Por isso sou contra. Vejamos: se o prrio Conselho Nacional de Justia e o Governo incentivam a contratao de egressos ( condenados reinseridos na sociedade aps o tempo de priso) at com incentivos governamentais, como justificar as restries acima mencionadas? No pode haver duas verdades. Ou todos so tratados igualmente pelo legislador ou a lei no presta, porque no tem esse carter universal preconizado na frase do filsofo Kant, no tem uma razo moral slida. Infelizmente me oponho ao sentimento quase geral da populao,porque sei que solues fceis escondem armadilhas e em geral voltam-se contra a nacionalidade.


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Por Isaias Caldeira - 1/7/2010 17:20:06
Ditadura legislativa

Por Isaas Caldeira Veloso

Este um tempo de perplexidades, os fatos o comprovam. Ainda extasiados diante de um mundo globalizado, com cada vez menos individualidade, menos privacidade e a exasperao da publicidade, os homens deste tempo ainda buscam uma linha demarcatria para os limites da informao, de modo a preservar o cidado da exposio e julgamento pblicos e, ao mesmo tempo, conceder a todos o acesso ao conhecimento dos fatos e das pessoas, especialmente daquelas que ocupam parcela do poder estatal. Em tempo em que a democracia reina quase que absoluta no mundo, com poucas excees, os pases,notadamente aqueles que no tm uma tradio democrtica slida, vem-se diante da necessidade de adequar-se modernidade poltica, em que avultam-se as garantias individuais, e de igual maneira criar mecanismos de contrapeso individualidade em favor do Estado e do interesse pblico. Pois bem, no caso especfico do Brasil, que viveu um perodo de exceo h mais de 20 anos, assistimos a uma tendncia de se acentuar essas garantias individuais por meio de leis que, contaminadas pela parcialidade, desprovidas daquele carter geral que as direcionaria a todos, nos tornando uma s nao, j nos divide. Agora temos cotas nas universidades que se lastreiam em cor, condies sociais e pseudo raa. Querem at impor cotas para raas em contratos de trabalho. Sob pretexto de reparar males da antiguidade da nossa formao como pas, mas que hoje mostram-se coerentes e benficos nossa sociedade, face miscigenao decorrente deste casamento racial entre brancos, negros e ndios, concedem queles que se auto denominam descendentes de escravos - como se a maioria dos brasileiros no tivesse um p na senzala - ou descendentes de antigas tribos indgenas, direitos que outra parcela da populao so negados. Basta ter a pele um pouco mais clara para ser tratado como explorador e usurpador dos que no a tm, retirando-se ao cidado, mesmo pobre, os benefcios necessrios ao alcance dos bens da civilizao, como cursar uma faculdade ou ter acesso posse da terra, pois exconjurados pela legislao em vigor. Lado outro, em outra vertente, os legisladores se vem acuados pela opinio pblica que, podendo expressar-se livremente, quer uma rpida soluo para as mazelas nacionais, dentre elas a corrupo na seara poltica. A, mobilizando-se parcela de eleitores, com o apoio de uma mdia despreocupada com as conseqncias de suas manchetes e opinies, gestam leis discriminatrias e perigosas democracia, embora a inteno seja generosa. Nesta esteira, a tal Ficha Limpa ou Ficha Suja, dependendo do sentido que se quiser dar s candidaturas postas. Basta uma condenao por rgo colegiado para retirar do homem pblico a sua cidadania, que , substancialmente, votar e ser votado, participando da vida nacional. Ora, alm de contrariar a Constituio Federal, que exige trnsito em julgado da sentena condenatria, retira do poder Judicirio a sua obrigao de celeridade processual, punindo o cidado que se v processado ao invs de assumir sua responsabilidade pelo no julgamento do processo. Alm disso, revela-se uma violao do sistema hierrquico imposto pelo duplo grau de jurisdio, consignado na Constituio Federal, em prejuzo do cidado e de seus direitos, dando efeito definitivo a uma condenao ainda no consolidada no plano jurdico. Querem mudar o carter da nacionalidade por decreto, retirando do eleitor a sua responsabilidade pelo voto, tutelando-o, como se fosse um incapaz e no algum destinatrio de informaes cotidianas, com o mundo em sua casa, pela televiso e jornais de hoje. A instncia final, o STF, que no raro modifica ou cassa as decises das instncias inferiores, ter como reparar o mal j feito pela lei que puniu indevidamente um cidado? Basta que um inocente seja punido, o que certamente ocorrer, para manchar indelevelmente esta lei. temerria toda lei que antecipa condenao, e assim como as custdias cautelares, que mantm as prises abarrotadas de acusados, dentre os quais inmeros inocentes, esta lei certamente punir tambm homens honrados, probos administradores, perdidos dentro deste emaranhado de normas que regem a administrao pblica, de modo que, estou certo, no futuro far jus ao seu nome, Lei da Ficha Suja, pois sujo seu destino, condenada ao lixo da histria.




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