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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Petrnio Braz    [email protected]
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Por Petrnio Braz - 15/11/2019 22:05:23
Teatro Municipal

Montes Claros, cidade universitria, centro de cultura, princesa do Norte de Minas, com quase quinhentos mil habitantes, a quinta cidade mais populosa do Estado, ainda no tem um Teatro Municipal.
Em verdade temos o auditrio do Centro Cultural, mas no um Teatro. Temos outras salas, outros auditrios, mas no temos um Teatro.
Desde os tempos histricos da velha Grcia, os povos civilizados j edificavam Teatros.
O Teatro uma casa de cultura, onde os atores interpretam histrias para o pblico, com o objetivo de apresentar uma situao e despertar sentimentos, no um sentimento comum, mas sim ter uma experincia intensa, envolvente e inquiridora.
No se diga que o Teatro seletivo. Talvez seja, em localidades onde baixo o nvel cultural das pessoas, que no o caso de Montes Claros, uma cidade universitria. Mas, mesmo seletivo, ele indispensvel ao desenvolvimento cultural de qualquer comunidade humana.
Fatigado de cinema e de televiso, quando vou ao Rio de Janeiro, por qualquer motivo (sade ou passeio) no deixo de assitir a um espetculo teatral.
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi inaugurado no dia 14 de julho de 1909, h mais de um sculo, pelo presidente Nilo Peanha, com capacidade para 1.739 espectadores. Com as modificaes posteriores, chegou capacidade de 2.361 lugares.
Em todas as grandes cidades do Mundo civilizado, os Teatros so referncias culturais e arquitetnicas.
O Teatro Amazonas, em Manaus, foi inaugurado em 1896. um belo teatro, uma das expresses mais significativas da riqueza criada na regio, durante o ciclo da borracha.
Belo Horizonte possui vrios Teatros, com destaque para o Palcio das Artes, que est entre os principais espaos culturais de Minas Gerais. Foi inaugurado em 1970 e possui um complexo de trs teatros, trs galerias de arte, cinema, livraria, caf e espao para exposies.
Juiz de Fora possui alguns Teatros e foi sede, em 2009, do 4 Festival Nacional de Teatro.
O Teatro Experimental de Uberaba Augusto Csar Vanucci est instalado em um prdio cuja arquitetura remonta ao incio do sculo XX. H trs anos foi adaptado para apresentaes culturais, com instalao de moderna aparelhagem de som e iluminao.
Os rituais da humanidade comeam por volta de 30.000 anos, mas a Histria registra que o primeiro evento com dilogos foi uma apresentao de peas sagradas, no Antigo Egito, do mito de Osris e sis, por volta de 2.500 a.C, que conta a histria da morte e ressureio de Osris. A palavra teatro e o conceito de teatro como algo independente da religio, s surgiram na Grcia de Psstrato e atingiu o seu esplendor maior com Shakespeare.
Montes Claros merece.


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Por Petrnio Braz - 6/9/2019 19:36:27
A lenda do Famali

Para o Brasil, por fora do cristianismo, no emigrou a diviso clssica dos bons e maus demnios. No politesmo helnico, como informa Luiz da Cmara Cascudo, o demnio era entidade protetora ou malfica (Dicionrio do Folclore Brasileiro, 8 ed., So Paulo, Global, 2000:285).
Conta-se que existiu, h muitos e muitos anos, na regio do Alto Mdio So Francisco um abastado fazendeiro, possuidor de invejvel fortuna, que pompeava o honroso ttulo de tenente-coronel da Guarda Nacional, que, por um dever de respeito que imposto aos mortos, no se revela o nome. No tinha sido ele sempre rico. Ao revs, era um msero lavrador. Lamentando sua desdita, o pobre do homem queixava-se amargamente do destino que lhe havia tributado a condio humilde de desafortunado. S o demnio, ele pensava, poderia ajud-lo. Mas, como encontr-lo?
Por casualidade e foi por casualidade que Newton descobriu a Lei da Gravidade o lavrador encontrou no poleiro um ovo de galo e resolveu choc-lo.
Para quem no sabe e poucas pessoas sabem disto quando ficam velhos os galos pem um nico ovo, um pouco maior que um ovo de codorna. O lavrador apanhou o ovo e levou-o para casa, guardando-o com esmerado cuidado, disposto a ajunt-lo a outros debaixo da primeira galinha que cantasse choco, pronta para incub-los.
Noite cerrada, quando todos dormiam, sob o comando de foras invisveis aos olhos humanos, ele saiu a caminhar pela estrada, sem destino certo. Em uma encruzilhada, brotando da terra, formou-se um redemoinho forte, levantando folhas secas e gravetos para o ar, cercando o lavrador.
Uma voz cavernosa, sada do vendaval em torvelinho, disse:
Voc foi escolhido pra ser rico. Abjure suas crendices, renegue tudo que lhe pertence e eu farei de voc um homem rico.
Espavorido, como Judas diante do Remorso, o lavrador balbuciou:
Amigo! Quem vosmec? O que que vosmec qu?
Darei a voc todas as riquezas desse mundo, s basta voc me entregar sua alma.
Sem esperar resposta, depois de um breve silncio, a misteriosa voz continuou:
Volte pra casa. Apanhe o ovo que voc guardou e choque debaixo do brao. Espere quarenta dias. Se voc tiver pacincia e cuidado, as sua misrias vo acabar finda a quarentena.
Ouviu-se, em seguida, uma ruidosa gargalhada, estridente e prolongada, que ecoou pelo agreste. O vento ficou mais forte fazendo redemoinhar esqueletos, em cambiantes cintilaes, bracejando em um ranger de dentes, balanando frementemente dentro do torvelinho e ao redor do corpo inerte do pobre lavrador. O redemoinho parecia querer suspender, com invisveis tenazes, o corpo do agricultor.
O diabo manifestava-se claramente como o esprito do mal, no o demnio de Scrates, o gnio do bem, condutor das fabulosas criaes do pensador universal.
Como por encanto, com a mesma rapidez como tinha comeado, o redemoinho amainou-se. Fez-se aterrador silncio. As folhas secas estavam no cho, como se nada tivesse acontecido.
Extenuado, sem foras para controlar-se, o lavrador desmaiou.
Ia j alto o astro do dia quando ele despertou, na manh seguinte, em pleno agreste, deitado no meio da estrada. Alquebrado com o peso das foras sobrenaturais, voltou para casa disposto ao sacrifcio.
Durante quarenta dias, manteve o pequeno ovo protegido debaixo do brao e, para sua surpresa, no quadragsimo dia, um capetinha, do tamanho de um dedo, no mais que isso, quebrou a casca do ovo. O lavrador, com medo de perd-lo, prendeu-o em uma garrafa e, a partir desse dia, a fortuna lhe sorriu. Todos os seus desejos eram logo satisfeitos.
Desde ento, quebrado o segredo pelo prprio lavrador, para se justificar perante seus amigos, outros, porm poucos, seguiram o exemplo do Coronel e fizeram fortuna rpida.
Por um pacto que se estabeleceu depois, quem tivesse um Famali nunca revelaria a terceiros a sua condio de possuidor.
Sigmund Freud, analisando as semelhanas entre Deus e o demnio, para justificar os antigos pactos do homem com o ltimo em busca da felicidade terrena, nos leva ao entendimento de que Deus e o demnio so em tudo semelhantes, apenas o segundo, por ter decado do poder, deixou de ser o esprito da luz para ser o esprito das trevas. O homem, em passado no muito remoto, em estado de depresso, de revolta, de desencanto, para ser libertado desse mesmo estado firmava compromissos com o diabo, desprezando as benesses de Deus.






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Por Petrnio Braz - 4/9/2019 23:07:58
Maria da Cruz

Maria da Cruz Porto Carreiro ou Maria da Cruz Torre Prado de Almeida Oliveira Matias Toledo Cardoso, descendente dos vilas da Casa da Torre, educada em colgio de freiras em Salvador-BA, presente na Conjurao do So Francisco de 1735, viva de Salvador Cardoso de Oliveira, est a exigir um estudo aprofundado de sua vida e de sua ao colonizadora.
A poesia de Jos Gonalves de Souza marca sua vida; Augusta Figueiredo, em Maria da Cruz e o Velho Chico, fixa passagem de sua profcua existncia, mas pouco, muito pouco, sobre ela se escreveu at agora. Diogo de Vasconcelos, em sua Histria Mdia de Minas Gerais, quem melhor informa sobre sua vida, esclarecendo que em seus domnios ela possua teares de algodo, curtumes e oficinas de couros, tenda de ferreiros e carapinas, escolas de leitura e de msica, alm de armazns de fazenda. A ela dedicou Antnio Emlio Pereira pouco mais de uma pgina em seu livro Memorial Januria Terra, Rios e Gente.
Afirmou Alexandre Herculano que o mister de recordar o passado uma espcie de magistratura moral, uma espcie de sacerdcio. Exercitem-no os que podem e sabem, porque no o fazer um crime. H, todavia, pessoas que afirmam que recordar o passado um saudosismo dmod.
Dediquei-me, por um longo perodo de mais de vinte anos, a pesquisar sobre a vida de Antnio D. No tenho mais idade, nem me sobra tempo para investigar sobre a vida e a obra de Maria da Cruz, extraordinria mulher que dominou, durante muito tempo, toda a regio do Alto Mdio So Francisco, em Minas Gerais, em uma poca em que os homens tinham o domnio das decises.
No poucas mulheres se destacaram no contexto histrico universal, no campo das artes, das cincias e at mesmo das guerras. Infelizmente, a televiso nos mostrou Xica (Chica) da Silva, uma prostituta qualificada, como classificada no mesmo sentido foi Clepatra, que destacada como personagem de primeira grandeza no Museu do Sexo de Amsterd, na Holanda.
A histria ressalta, entre tantas outras mulheres extraordinrias, Joaquina de Pompu, Emlia Snethlage, desbravadora da floresta amaznica, nos primrdios do sculo XX; Josephina lvares de Azevedo, defensora do voto feminino, mas no se lembrou, ainda, de colocar no pedestal que merece a pioneira Maria da Cruz. A sua fazenda, nas margens do Rio So Francisco, transformou-se em povoado; e o povoado, em cidade que lembra o seu nome, apenas isso. Nem mesmo o povo de Pedras de Maria da Cruz sabe dizer de sua histria.
Morei alguns anos em Joo Pinheiro, todavia, muitos ali residentes no sabiam, nem sabem, quem foi Joo Pinheiro, a pessoa que deu nome cidade.
Quando se fala hoje, em Governador Valadares, todos se lembram da cidade, mas ningum, ou quase ningum, sabe que o nome da cidade uma homenagem ao Governador Benedito Valadares. Pedras de Maria da Cruz no foge a essa realidade. Para muitos, apenas um nome, como tantos outros, mas um nome que imortaliza a extraordinria precursora, que, servindo-me das palavras de Euclides da Cunha, suportou as agruras daquele rinco.
Os positivistas, como lembra Vanessa M. Braslia, ilustre professora do Departamento de Histria da Universidade de Braslia, subestimam o rio So Francisco declarando ser ele um rio sem histria, porque no tem documentos que a comprovem.
At quando?


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Por Petrnio Braz - 1/9/2019 19:18:45
A lenda da Iara

Nas margens do rio So Francisco corre, por tradio oral, a lenda da Iara, que personifica as sedues e os perigos do rio. Histria surpreendente, que se conta ainda hoje, passados muitos e muitos sculos, e que se projeta nos espritos menos crdulos no campo enigmtico da lenda. Mas, como lenda, das mais belas do vale do grande rio, o Opar dos aborgines, entre tantas outras que o crcere do tempo vai consumindo com a avidez dos vendavais, que tudo destroem.
Em tempos remotos, na parte mdia do extenso curso do caudaloso rio, no alto de um rochedo de pedras calcrias de prisca idade, que ainda ali est desafiando os sculos e a fria das guas, localizado no interior agreste de Pindorama, na margem direita do rio, vivia a tribo guerreira dos xacriabs, da grande nao tapuia. A taba localizava-se sobre o rochedo, onde se erguia a oca do murumuxaua, a Oeste da ocaruu. No muito longe dali, para o Sul, rio acima, menos de um dia de viagem pela mata densa, vivia o pag da tribo, a quem atribuam poderes sobrenaturais, capazes de amainar as iras de Tup, o trovo. Eram os xacriabs geis canoeiros e excelentes nadadores. Em suas frgeis igaras ou nas fortes igaraus, que flutuavam sobre as guas como a palmeira de Tamandar, desafiavam as guas do grande rio. Nas guerras, que eram uma constante em suas vidas, quase sempre contra os temveis caiaps, exmios flecheiros e denodados guerreiros que dominavam a margem oposta do rio, destacavam-se pela ferocidade nos combates, a que se acrescentava o domnio quase absoluto das guas: nadavam como peixes.
Vivia ali um jovem guerreiro, de nome Pirajara, capaz de esticar o arco de Ulisses com uma flecha de Apolo, aglimo no manejo da tangapema e to destro quanto Peri no uso da azagaia, que era profundamente triste. Afligia-o a infelicidade de ter perdido a noiva. Itaoera este o seu nome havia morrido afogada nas guas do rio, apesar de ter sido ela, como seus irmos de taba, excelente nadadora e o guainumbi tinha levado sua alma para o outro mundo. A perda irreparvel era para o guerreiro mais dolorida que um golpe de tacape ou um profundo ferimento de uma certeira flecha caiap nos embates da guerra.
Intensamente angustiado, o jovem guerreiro ouviu, quando a obscuridade da noite comeava a encobrir a terra e a jacy-caboau despontava no horizonte, o canto terno da Uyara, que vinha do rio.
Sabia ele, porque lhe tinha sido dito pelo murumuxaua, em uma reunio do moacaret, ser perigoso aproximar-se do rio quando cantava a Uyara. Mas, no rio estava o corpo de Itaoera.
Todos na tribo sabiam que o guerreiro que fosse ilaqueado pelo canto da Uyara seria por ela arrastado para o fundo das guas e no mais retornaria superfcie.
Pirajara, apesar da convico aculturada da tribo, afastou-se vagarosamente da fogueira que ardia em frente oca de seus pais e dirigiu-se enlevado para a margem do rio, conduzido pelo canto sedutor.
Era a coara-cyra e o rio estava em sua vazante mxima.
No alto de uma pedra que aflorava das guas em frente ao rochedo, estava a Uyara, uma encantadora e jovem mulher, sentada com seus longos e mdidos cabelos verdes, como se feitos de delicados pecolos de algas oscilrias, cobrindo-lhe o corpo nu. Seus rbidos lbios, ainda midos, traziam o vermelho da aucena. Os olhos castanhos, protegidos por grandes clios, refletiam a luz leitosa que jacy-caboau despejava sobre as guas. Os braos estendidos em oferecimento de carinho, com a graciosa cauda guardada sob as guas.
Ela, em um gesto rpido, pleno de feminilidade, jogou para trs os longos cabelos, deixando mostra o colo e dois alvos e lindos seios. Seu rosto to belo quanto o de Itaoera.
Diante do oferente gesto da Uyara, o bravo guerreiro atirou-se nas guas, nadando at a pedra.
Realizada com sua ob-repo, a Uyara abraou-o, um abrao de encantamento, e ele no viu, nem sentiu, quando juntos mergulharam em demanda larga e espaosa oca de pedras localizada no centro do rochedo, sob as guas do rio, de prodigiosa beleza natural, e ali vivem felizes longe das tribulaes do mundo exterior, enquanto a lenda perdurar na lembrana dos homens.



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Por Petrnio Braz - 19/5/2019 08:32:08
Os dez Mandamentos


Est registrado no Antigo Testamento que Moiss recebeu no Monte Horebe, na Pennsula do Sinai, as Tbuas dos Dez Mandamentos, que lhe teriam sido entregues diretamente pelo Deus de Abrao. A Tbua dos Dez Mandamentos ou Declogo contm dez orientaes a serem seguidas, sendo quatro de amor a Deus e seis do caminho da retido, a ser seguido pelo homem.
A histria bblica tambm registra que Moiss, autor dos primeiros livros do Antigo Testamento, judeu da Tribo de Levi que teria sido adotado pela filha do Fara Seth, Thermuthis, que o encontrou enquanto se banhava no rio Nilo e o educou na corte como um prncipe. Fala-se, tambm, que Moiss depois de conhecer a sua origem, libertou os judeus do cativeiro, atravessou o Mar Vermelho e perambulou durante quarenta anos (1260 a.C. a 1219 a.C.) pelo deserto at chegar Terra Prometida.
Criado na corte egpcia, como prncipe, Moiss conheceu a escrita e a cultura egipcia da poca, reservada aos sacerdotes e nobres da famlia imperial. Moiss, utilizando-se dos conhecimentos adquiridos na corte egpcia, escreveu a sua lei ao povo judeu, a Lei de Moiss.
Os egiptlogos, traduzindo os papiros dos sarcfagos, nos informam que durante o Imprio Novo (de 1550 a.C. a 1070 a.C.) foi escrito, em rolos de papiros, o que hoje chamamos de Livro dos Mortos, que teria sido ditado aos sacerdotes pelo deus Thoth, que era colocado nos sarcfagos para orientar o morto em sua nova vida. O egiptlogo Kurt Lange, em seu livro Pirmides, Esfinge e Faras, esclarece que a ideia central do Livro dos Mortos o respeito verdade e justia, mostrando o elevado ideal da sociedade egpcia. Era crena geral que diante de Osris de nada valeriam as riquezas, nem a posio social do falecido, mas que apenas seus atos seriam levados em conta. Preservava-se o valor da conduta moral.
Todos os princpios religiosos e doutrinrios contidos nos Dez Mandamentos e nos livros de Moiss esto, de certa forma, presentes no Livro dos Mortos. Observa Kurt Lange que as cenas do julgamento dos mortos est transcrita no Livro dos Mortos, de onde se extrai que a deciso era tomada no Saguo das Duas Verdades, um grande salo no qual ficava uma grande balana destinada a pesar o corao do morto.
O mesmo historiador resume a solenidade: Osris, senhor da eternidade, est sentado como um rei no seu trono. Tem em suas mos o cetro e o leque. Por trs dele, mantm-se habitualmente suas irms sis e Nftis. Na outra extremidade, v-se a deusa da justia, Maat, introduzir o morto ou a morta. No meio do quadro est desenhada a grande balana em que o peso do corao comparado ao duma pluma de avestruz, smbolo da verdade. A pesagem confiada a Hrus e ao guardio das mmias, de cabea de chacal, Anbis. O deus Thoth, de cabea de bis, senhor da sabedoria e da escrita, anota o resultado da pesagem sobre um papiro, por meio de um clamo. Quarenta e dois juzes - correspondendo s quarenta e duas provncias do Egito - assistem operao. Diante desse tribunal que o candidato eternidade deve fazer as declaraes nas quais afirma nunca se ter tornado culpado de certo nmero de faltas para com seus semelhantes, para com os deuses, para com sua prpria pessoa e o bem alheio. Se a sentena dos juzes fosse favorvel ao morto, Hrus tomava-o pela mo e o conduzia ao trono de Osris, que lhe indicava seu lugar no reino do alm. Caso contrrio, o morto estaria cheio de pecados e, ento, seria comido por um terrvel monstro, Ammut, o devorador dos mortos.
Ao tempo de Moiss, o princpio monotesta j havia se incorporado cultura dos judeus. Moiss no poderia, portanto, modific-lo. Os egpcios tinham, na pessoa do fara, a presena de um deus antropomorfo. Desta forma, no primeiro livro do Pentateuco, que seria a lei religiosa dos judeus, ele idealizou a criao do mundo, por um deus antropoide, com suporte na mitologia egpcia.
Observa a historiadora Liliana Mafalda Mendes da Guia, licenciada em Histria pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em seu livro Mitos Sobre a Criao do Mundo, que havia no Egipto Antigo vrios mitos sobre a criao, contam-se pelo menos 10 divindades criadoras. Antes de todas as coisas no havia seno trevas e gua primordial, o Nun (oceano semelhana do Nilo que continha todos os germes da vida). Surgiu o senhor todo-poderoso Atum, que se criou a si prprio a partir do Nun, por ter pronunciado o seu prprio nome, depois teve 2 gmeos, um filho Chu (que representava o ar seco) e uma filha Tefnut (ar mido). Estes separaram o cu das guas e geraram Geb a terra seca e Nut o cu.
No seria Chu o Ado de Moiss e Tefnut a Eva?


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Por Petrnio Braz - 18/5/2019 20:00:09
Literatura e Matemtica

Se considerarmos que a literatura a transcrio da realidade da vida, chegamos concluso de que ela est vinculada a todas as reas do saber humano. Em verdade, todas as cincias se interligam. Para se escrever necessrio ter ideias, desenvolver raciocnios criativos e a matemtica a cincia por excelncia que nos ensina a raciocinar. Afirmou Einstein que a Matemtica a poesia das ideias lgicas.
O escritor mineiro Jacques Fux, o argentino Jorge Luis Borges e o francs Georges Perec, entre outros, inspiraram seus escritos na relao aparentemente distinta entre a matemtica e suas narrativas ficcionais.
Jacques Fux foi estudante de engenharia, mas transformou-se em literato. Sua tese de doutorado na UFMG foi premiada: Literatura e Matemtica: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o Oulipo. Ele faz uma viagem, navegando entre os mundos das letras e dos nmeros. Analisa objetivamente os romances de Jorge Luis Borges, Georges Perec: matemticos-literatos.
O escritor Jacques Fux estreou na fico com o romance Antiterapias, vencendo em 2013 o Prmio So Paulo de Literatura, na categoria de autor estreante.
La Fontaine na fbula A menina do leite, sem buscar objetivamente uma soluo matemtica, faz contas: soma, subtrai, divide e multiplica.
Quando eu era estudante secundarista fui bom em exatas. Sempre auxiliava meus colegas nas provas de matemtica, entre eles os doutores Francisco Lopes (Chico Lopes, mdico e pintor montes-clarense) e Murilo Bador (ex-presidente da Academia Mineira de Letras). No fiz engenharia. Estudei agronomia (curso mdio) em Viosa, antes de cursar a Faculdade de Direito.
Fui professor de Matemtica e Histria no Ginsio Joseph Hein, em Vrzea da Palma. A matemtica ensinou-me a raciocinar, mas sempre gostei de ler, e a leitura levou-me ao O Homem que Calculava, de Malba Tahan, onde o autor sabiamente interliga Histria e Matemtica, fazendo Literatura. O livro uma Histria da Matemtica. Entre outros e belos captulos do livro, a Diviso dos 35 Camelos uma equao, resolvida pelo hbil Beremiz.
Quando das solenidades de instalao da Academia de Letras, Cincias e Artes de Vrzea da Palma, um ex-aluno lembrou-me: Professor ( como me tratam em Vrzea da Palma), sua ltima aula no Ginsio foi sobre a equao do segundo grau.
A equao matemtica do segundo grau constitui-se, como a problemtica elaborao literria, em fico e realidade: ax+bx+c=0, onde x a incgnita; a, b, c so nmeros reais. Resolver a equao encontrar os valores possveis para a incgnita. Escrever, como exps Aristteles, dar uma igualdade a concluses contraditrias.
Todo escritor cria raciocinando e, quem raciocina, resolve intricados problemas subjetivos da razo, dentro da realidade objetiva da matemtica.


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Por Petrnio Braz - 16/5/2019 10:41:16
Nossos primos, os macacos

Ainda h quem no acredite, mas somos primos dos macacos. Sou levado a crer que os macacos no acreditam que sejamos parentes deles, por uma razo lgica. Para eles somos predadores, a mais violenta espcie de predadores, que se encontra no pice da cadeia alimentar.
Somos um gnero da ordem dos primatas e dessa realidade no podemos nos afastar, embora queiram nos separar criando um reino distinto dos reinos animal, vegetal e mineral: o reino humano.
Fora dessa ideologia, nos situando no reino animal, estaramos classificados na ordem dos Primatas, da famlia Hominidae, ao lado dos chimpanzs, gorilas e orangotangos (homem da floresta), com trs troncos distintos: caucsico, monglico e etope, na classe dos mamferos superiores, mesmo porque todas as nossas funes fisiolgicas realizam-se do mesmo modo.
Compartilhamos 98,6% de nosso patrimnio gentico com os chimpanzs. Somente 1,4% de nosso arcabouo gensico nos fazem seres racionais, de porte ereto, capazes de produzir uma linguagem articulada, dotados de inteligncia, mas nem sempre agimos com racionalidade.
Racionalidade a qualidade de ser racional, isto , que somente age segundo a razo, em oposio ao irracional. graas ao raciocnio que podemos entender os nossos conhecimentos e lig-los logicamente a outros. Sendo racionais deveramos ter, desde os primrdios da prpria civilizao, dos hbitos contrados em sociedade, visto o ambiente fsico em que vivemos como sujeito nossa degradao. Nossos primos, nesse passo, tm sido mais racionais que ns, os racionais.
Seramos ns civilizados?
Certo que nem todas as comunidades humanas podem ser vistas como civilizadas. Todavia, se o uso da razo se constitui em referncia classificao, e se os povos ditos civilizados se distinguem dos brbaros pela independncia de vida em relao natureza fsica, no sabemos efetivamente quem civilizado.
Quando vivia em contato direto e dependente da natureza, em estado de barbrie, o ser humano agia como preservacionista, talvez inconscientemente.
O homem civilizado, que assim se considera, tem o dever de, usando a razo, saber que a contaminao do solo polui os lenis freticos fonte permanente de gua, que a poluio do ar causa prejuzos irreparveis e que a poluio dos rios e mares degrada o meio ambiente em que ele vive.
Preservar resguardar; livrar de danos futuros.
Existem dvidas sobre as causas do aquecimento global, que podem ser naturais, mas os cientistas apontam o homem como o principal responsvel. Pesquisadores afirmam que, em um futuro bem prximo, o aumento da temperatura, provocado pelo efeito estufa, poder favorecer o derretimento do gelo das calotas polares e o aumento do nvel das guas dos oceanos
A deteriorao dos rios, mares, lagos e oceanos, provocada pela poluio originada por produtos qumicos e esgotos, tem o ser humano como nico responsvel.
A poluio do ar, gerada nos centros urbanos, resulta da queima principalmente de derivados do petrleo (gasolina e diesel), que tem lanado um alto nvel de monxido e dixido de carbono na atmosfera terrestre.
Poluentes depositados no solo sem nenhum tipo de controle causam a contaminao dos lenis freticos.
Se 1,4% de nosso patrimnio gentico no forem suficientes para nos alertar para a realidade ambiental, que os 98,6% dos nossos primos, presentes nesse patrimnio gentico, sejam despertados.
Nossa independncia de vida em relao Natureza fsica nos tem levado a destruir essa mesma Natureza. O homem dito civilizado olha para o futuro, mas no existir futuro sem a preservao presente da Natureza fsica. E essa preservao deve ser individual para se fazer coletiva.



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Por Petrnio Braz - 15/5/2019 10:20:30
Deuses antropomorfos

Siddharta Gautama (Buba), em um de seus pensamentos, nos deixou este sbio ensinamento: No acredite em algo simplesmente porque ouviu. No acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. No acredite em algo simplesmente porque est escrito em seus livros religiosos. No acredite em algo s porque seus professores e mestres dizem que verdade. No acredite em tradies s porque foram passadas de gerao em gerao. Mas depois de muita anlise e observao, se voc v que algo concorda com a razo.
Falando em razo, teramos que ser levados a buscar os ensinamentos do filsofo alemo Immanuel Kant, externados em seu livro Crtica da Razo Pura, mas tais ensinamentos fogem ao espao limitado de um artigo. No precisamos ir longe. Basta sabermos que a razo a faculdade do homem de julgar, a faculdade de raciocinar, compreender, ponderar.
Ponderando e rebuscando na histria, somos conduzidos ao antigo Egito e logo depois aos gregos. Eles, para satisfao de suas necessidades espirituais, criaram deuses e deram a eles a forma humana, capazes de terem sentimentos e paixes.
Zeus, para os gregos, ou Jpiter, para os romanos, descia do Monte Olimpo, do emprio ou de seu habitat para conviver com os humanos. Nesse convvio muitas vezes ele se relacionava com mulheres mortais e produzia semi-deuses.
Na mitologia grega, o Monte Olimpo a morada dos Doze Deuses, os principais deuses do panteo grego. Os gregos pensavam nisto como uma manso de cristais, que estes deuses habitavam. Sabe-se tambm, na mitologia grega, que quando Gaia (a Terra, para os gregos) deu origem aos Tits eles fizeram das montanhas gregas, inclusive as do Monte Olimpo, seus tronos, pois eram muito grandes.
Antes dos gregos, os egpicios criaram deuses. No Egito, desde o perodo pr-dinstico, a cerca de 3.000 anos a.C., j existiam deuses antropomorfos, criados imagem e semelhana do homem. A religio era politesta, por crer em vrias divindades, como foras da natureza, todas nascidas de Geb (terra, para os egpcios). Ao passar dos sculos, a crena passou a ser mais diversificada, sendo considerada henotesta. Eles passaram, posteriormente, a acreditar em uma divindade criadora do universo, essa divindade passou a ser a mais importante. Estabeleceram o monotesmo. O fara personificava um deus. Osris (senhor da eternidade) e sis foram os deuses mais populares.
A Terra era, para os antigos, a criadora de todas as coisas, inclusive dos deuses.
Por influncia das culturas grega e egpcia, os judeus instituram o monotesmo antropoforfo como consta do Tor ou Pentateuco, divindade nacional.
Somos levados a acreditar que deuses, santos, divindades sempre existiram, mas Deus, em sua essncia, o ser humano ainda no foi capaz de identificar. Ele est alm da razo. inacessvel ao pensamento racional. Bem disse Aristteles que, pela sua pureza, ele est separado da realidade sensvel.
Hoje, em presena da imensido incomensurvel do Universo, no temos como admitir um Deus antropomorfo. Cames, no Canto X (Parte II), dos Lusadas, questionou: mas o que Deus, ningum o entende / Que a tanto o engenho humano no se estende.


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Por Petrnio Braz - 13/5/2019 18:50:43
O Sculo da Vida

No precisamos ser cientistas para entender que estamos vivendo neste Sculo a Era da Biologia. comum afirmar-se que o Sculo XIX foi a Era da Fsica; o Sculo XX da Qumica e estamos vivendo no Sculo XXI o tempo da vida.
A humanidade est despertada para a grande realidade ecolgica da atualidade, que no se reflete apenas na preservao do meio ambiente, na proteo das comunidades biolgicas, na garantia da integridade das populaes de organismos da fauna e da flora, mas na certeza de que a vida humana, a presena do homem na face da Terra, corre srio perigo. Entraram para o contexto do nosso vocabulrio palavras tcnicas como bitipo, biocenose, ecossistema, bioma, biosfera, e outros.
Mas no s por esse lado que este Sculo ser definido como a Era da Vida.
O filsofo ingls John Harris, professor do Instituto de Medicina, Direito e Biotica da Universidade de Manchester, durante o VI Congresso Mundial de Biotica, que ocorreu em So Paulo, afirmou que estamos no limiar de uma era na qual, potencialmente, poderamos criar imortais. Declarou ele que embora a cincia ainda esteja longe de poder cumprir essa promessa, as pesquisas em busca de novos tratamentos para doenas letais - que podem no apenas adiar a morte, como tambm, a longo prazo, estender a vida por muito tempo - avanam rapidamente. Por isso, questes aparentemente futuristas devem ser debatidas.
Neste Sculo no apenas ser discutida ou prolongada a vida; ela ser criada.
A Revista poca informa que o vencedor do Prmio Nobel, Hamilton Smith, e Craig Venter, pioneiro no mapeamento de genes, divulgaram que planejam criar uma nova forma de vida em laboratrio. A pesquisa j recebeu financiamento de US$ 3 milhes do Departamento de Energia norte-americano e ter como objetivo desenvolver um organismo artificial que seja capaz de sobreviver com um nmero reduzido de genes em uma nica clula e, a partir disso, criar uma nova espcie. A metodologia que ser utilizada a de isolar os genes de certa bactria que permitem a ela sobreviver em ambientes hostis. Dessa maneira, o organismo seria extremamente delicado e viveria em um tubo de ensaio em um meio favorvel sua sobrevivncia. Caso o experimento d certo e a bactria passar a se reproduzir, ter sido criada uma populao totalmente nova. A importncia desse projeto de servir como base para todo o estudo da biologia, estabelecendo um critrio geral para a origem da vida atravs do entendimento da clula mais bsica, uma vez que j se sabe que a formao celular segue o mesmo processo em todos os organismos. Os dois cientistas reconhecem o risco de seu trabalho, pois ele potencializa novas formas de se desenvolver armas biolgicas. Por esse motivo, ambos concordam que os resultados e as concluses do estudo devem ser divulgados de forma parcial, havendo uma seleo para deixar algumas peas chaves da pesquisa fora de alcance do conhecimento pblico.



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Por Petrnio Braz - 12/5/2019 20:04:30
A legitimidade do aborto

No faz muito tempo o Papa pediu perdo pelos erros da Igreja, especialmente os cometidos durante a Inquisio, sendo lembrado que at o padre Antnio Vieira, o maior orador sacro de todos os tempos, foi vtima e esteve recluso nos crceres do Santo Ofcio.
Em um de seus sermes o Pe. Antnio Vieira disse: Quando perguntaram a Joo Batista quem era, ele respondeu o que fazia, porque cada um o que faz e no outra coisa. As coisas definem-se pela essncia. O Batista definiu-se pelas aes, porque as aes de cada um so a sua essncia. Definiu-se pelo que fazia para declarar o que era... O que fazeis isso sois, nada mais!
Um representante da Igreja, revelando-se pelos seus atos, negou a existncia do Holocausto. Disse ele que no existiu a eliminao sumria de milhes de vidas humanas durante a Segunda Guerra Mundial pelos adeptos do nazismo. Cada um o que faz e, pelo que faz, se revela.
Ainda no consegui entender as reaes drsticas de um outro membro da Igreja condenando o aborto provocado em uma menina de nove anos, grvida de gmeos, quando ainda brinca com bonecas, vtima de estupro, crime que consiste em constranger algum, de qualquer idade ou condio, a conjuno carnal, por meio de violncia ou grave ameaa.
No ser mais o pecado um correspondente do crime? Quem pratica um crime no estar tambm cometendo um pecado?
O jornalista Vicente Serejo (jornaldehoje.com.br), acertadamente afirmou que o homem viveu dois mil anos com medo dos pecados capitais, quando eram sete as portas do inferno. Hoje andam to fracos, se que ainda so pecados, que outros so os medos e at o pobre Diabo perdeu seu veneno. O que poderia haver de to perigoso assim na ira, luxria, gula, inveja, soberba, avareza e preguia?
O estupro no seria luxria, no se inscreveria como libertinagem descontrolada? O sexo teria se transformado em um direito do homem, em uma olimpada de eficincia e sucesso?
Eu me pergunto qual seria a sentena religiosa de Salomo, em um caso to marcante e que revoltou a sociedade brasileira?
Desde a primeira Constituio republicana que o Estado brasileiro est separado da Igreja. As leis do Estado no so mais vinculadas s leis cannicas e todos os brasileiros, assim como os estrangeiros aqui residentes, esto vinculados s normas que regulamentam a vida humana em territrio brasileiro. A legislao ptria autoriza o aborto provocado em caso de estupro. Assim, no cometeram crime os mdicos, a famlia e quem, de uma forma ou de outra participou do aborto provocado, que talvez tenha salvado a vida da criana de nove anos, restitundo-lhe o direito de ser criana. Se no praticaram crime, tambm no cometeram pecado.
No compreendo, na minha modesta ignorncia, porque a luxria, um dos sete pecados capitais, no foi condenada com a excomunho, pena eclesistica que exclui os fieis do gozo de todos os bens espirituais. Para o representante da Igreja, e as aes de cada um so a sua essncia, somente cometeram pecado, passvel de excomunho, os que eliminaram os efeitos malficos da luxria.



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Por Petrnio Braz - 22/1/2019 19:25:27
Montes Claros uma cidade que honra o seu passado e valoriza seus filhos ilustres, que contriburam para a consolidao de sua liderana regional e do respeito nacional sua condio de polo convergente do Norte de Minas Gerais. Por isso, temos que voltar as nossas vistas ao passado, glorificando-o para, estribados nele, formularmos nosso juzo sobre o presente para nele destacarmos valores humanos, que realizam atos com sinais positivos em proveito da sociedade.
A vida humana passageira, como passageiras so, s vezes, as nossas ideias, da porque a todo cidado dado o dever de se manifestar em aprovao ou em repdio ao que v e sente. O silncio, em tais circunstncias, traz a pobreza da indiferena e at mesmo da irresponsabilidade.
Feito este registro, como uma lembrana necessria ao conceito de cidadania, antes de me ater objetividade desta crnica, sou levado a fazer uma viso retrospectiva do barranqueiro que sou, do menino que andou descalo pelas ruas de So Francisco, que engoliu piaba viva para aprender a nadar, que por vezes algumas ousou atravessar nadando o caudaloso Rio da Unidade Nacional, que aprendeu a admirar as belezas naturais do grande Vale e, por isto, cresceu vendo o mundo com os olhos da alma.
Porque vejo o mundo com os olhos da alma, que posso enxergar a presena de pessoas que pensam e agem com aspiraes, que se elevam na busca de uma mudana de comportamento do ser humano, em benefcio da humanidade como um todo.
Na terra dos montes claros, que apontam para o infinito em busca de paz, amor e justia, o ideal de um homem est presente em campanha permanente contra a violncia. Este homem Joaquim Cndido da Silva.
A busca da paz entre os homens to antiga quanto a prpria humanidade. No Sculo VI Lao-Ts escreveu: Para haver paz no mundo, deve haver paz nas naes. Para haver paz nas naes, deve haver paz nas cidades. Para haver paz nas cidades, deve haver paz entre vizinhos. Para haver paz entre vizinhos, deve haver paz em casa. Para haver paz em casa, deve haver paz no corao.
Joaquim Cndido da Silva, com uma personalidade de exceo, esprito iluminado, mentalidade superior, em sua vocao de servir, a si mesmo se imps uma tarefa, que enorme e encontra seu primeiro obstculo na indiferena daqueles a quem ele pretende beneficiar.
Vivemos em um mundo onde impera a violncia. A campanha por ele instituda visa promover a paz mundial e harmonia entre os povos; resgatar a moral da famlia tornando-a reserva de valores; despertar a conscincia do exerccio da cidadania; propor ao cidado rever conceitos, analisar procedimentos e assumir responsabilidades de resolver problemas de ao e justia social.


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Por Petrnio Braz - 21/1/2019 08:09:45
Entropia do Macrocosmo

Relendo artigos da lavra de Raphael Reys despertou-me a curiosidade de uma anlise do macrocosmo, alm do espiritual, que ele to bem tem abordado.
Afirma Raphael Reys, que exatamente h trezentos e vinte milhes de anos a mente do Criador dormitava no seio plstico do imanifesto, do incriado.
Criador necessariamente antropomorfo, na manifestao potica de Vnicius de Morais. Da mente do Criador surgiu a centelha, que produziu a energia primeva, nascendo da a mecnica do macrocosmo.
O Universo finito, criado pela energia, uma maravilha que se observa nas noites estreladas. Em maio de 1910, assombrosamente belo, o cometa Halley prendeu a totalidade da viso do cu, empolgando a ateno e a curiosidade dos seres humanos. Essa no foi, todavia, a nossa viso do mesmo cometa, em 1986. Naquele ano ele o cometa no soneto de Napoleo Valadares, errante e zombeteiro, fez dos homens bobos. Veio e foi-se, a pr os olhos ansiosos numa luz sem cor, frustrados com a sua pequenez.
Edmundo Halley, em seu livro Synopsis astronomi cometic, publicado em 1705, predisse para 1758 a reapario do cometa que tinha sido observado por Kepler em 1607, que hoje conhecido como cometa Halley ou de Halley. Ele continuar voltando rbita da Terra a cada 76 anos, at desaparecer. A entropia dos cometas mais rpida que a do Universo como um todo. Tambm o Universo ter, um dia, um fim pela dissipao gradativa de energia.
Em 1456, aconteceu uma das mais belas aparies do cometa que mais tarde seria conhecido como o cometa Halley, viso que amedrontou a Europa inteira. Essa apario foi tida como uma consequncia da tomada de Constantinopla pelos turcos, ocorrida antes, tanto assim que o papa Calisto III ordenou preces pblicas, para afastar a ira divina pela perda do Imprio Cristo do Oriente. At hoje, os catlicos ainda recitam a saudao anglica, ao meio-dia, em obedincia quela ordem papal.
Segundo relatam os cientistas, o Universo (macrocosmo) evoluiu do caos inicial ao cosmos que conhecemos ou simplesmente vemos nas noites estreladas. Os cometas, que integram o macrocosmo, so corpos celestes, que passam de quando em vez pelas proximidades da Terra em sua rbita ao redor do sol. Em muitas ocasies, os cometas tm aparecido. Eles passam e muitas vezes no voltam mais. Dizem que a vida desses corpos celestes no passa de mil anos.
O Universo integra o homem (microcosmo hominal) no contexto do macrocosmo. Inteira-o e, como ele, desaparecer um dia. O Universo, ainda em expanso, est fadado a desaparecer, mesmo considerando a sua grandiosidade incomensurvel. A expanso de hoje resultado de uma energia anterior e toda energia se dissipa gradativamente. A energia dissipada promover o caos pela eliminao das foras gravitacionais, que equilibram, entre si, os corpos que in-tegram o macrocosmo. Tudo foi p (poeira csmica) e ao p reverter, no verdadeiro apocalipse.
A realidade do universo seria incompleta sem o homem, na sbia afirmao de Huberto Rohden. Ns, seres humanos, somos o micro do macrocosmo universal. Nossa passagem rpida, todavia, todos ns existimos desde o comeo e continuaremos a existir no momento do caos.
Em pouco tempo, nossa energia dinmica se transforma em energia esttica, e se incorpora, como p, energia vital do Universo, pois nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Por esta razo, todos ns estaremos presentes na entropia final, no retorno ao caos. Da devermos lembrar o ensinamento de Georgino Jnior: Na vida, o importante no ser importante; vale dizer: o fundamental na vida no sermos fundamentais.






83781
Por Petrnio Braz - 16/1/2019 15:16:57
Humanismo e religio

O Humanismo clssico surgiu com o Renascimento, no Sculo XV, portando, h mais de cinco Sculos, vinculado s transformaes de natureza cultural, social, religiosa, poltica e econmica da poca e objetivando colocar o homem como centro do Universo, e ainda est presente nos tempos modernos.
Aqui no me refiro ao Humanismo existencialista, marxista ou religioso, mas ao clssico, dos racionalistas, dos agnsticos que veem o homem como o ser dominante em permanente estado de aperfeioamento, que exerceu grande influncia nas cincias e na prpria cultura humana, definindo a ruptura entre a Igreja (religies) e as Cincias (cultura humana).
O ser humano, voltado para dentro de si mesmo, reconhece a sua superioridade e ultrapassa os limites da subordinao a crenas que, de certa forma, o reduzem condio de mero expectador, submisso adorao de dolos materiais e imateriais, como foram todos os seres humanos na sua fase primitiva, desde as cavernas escravido.
Verdade que, como observou Sartre, para ser superior necessrio que outro ser reconhea essa superioridade, ser esse inexistente por ser o homem o nico dotado de racionalidade na face da Terra. Tal fato, todavia, no pode subordinar o mesmo homem ao que ele efetivamente desconhece, criando, dentro desse desconhecimento, entes ou dolos imateriais postados em nvel de superioridade. O racionalismo repele essa subordinao.
No se pode, a toda evidncia, pretender a separao das questes que possam ou no ser formalizadas logicamente, como os enunciados matemticos, dos problemas metafsicos de certa forma inacessveis, entendendo-se metafsica, com William James como "apenas um esforo extraordinariamente obstinado para pensar com clareza".
pensando com clareza, dentro de uma conscincia csmica, que no se pode admitir a existncia de divindades antropomorfas superiores ao prprio homem. Temos que estar conscientes de que as leis fsicas do Universo no so subordinadas a entidades imateriais ou sobrenaturais como demnios, deuses, ou outros seres "espirituais" fora do domnio do Universo natural.
Com Fritz Stevens, Edward Tabash, Tom Hill, Mary Ellen Sikes e Tom Flynn, somos levados a ter uma viso humanista do mundo com os seguintes elementos e princpios:
- Uma convico de que dogmas, ideologias e tradies, quer religiosas, polticas ou sociais, devem ser avaliados e testados por cada pessoa individual ao invs de simplesmente aceitas por uma questo de f.
- Compromisso com o uso da razo crtica, evidncia factual, e mtodo cientfico de pesquisa, em lugar da f e misticismo, na busca de solues para os problemas humanos e respostas para as questes humanas mais importantes.
- Uma preocupao primeira com a satisfao, desenvolvimento e criatividade tanto para o indivduo quanto para a humanidade em geral.
- Uma busca constante pela verdade objetiva, tendo entendido que nossa imperfeita percepo dessa verdade constantemente alterada por novos conhecimentos e experincias.
- Uma preocupao com esta vida e um compromisso de dot-la de sentido atravs de um melhor conhecimento de ns mesmos, nossa histria, nossas conquistas intelectuais e artsticas, e as perspectivas daqueles que diferem de ns.
- Uma busca por princpios viveis de conduta tica (tanto individuais quanto sociais e polticos), julgando-os por sua capacidade de melhorar o bem-estar humano e a responsabilidade individual.
- Uma convico de que com a razo, um mercado aberto de ideias, boa vontade, e tolerncia, pode-se obter progresso na construo de um mundo melhor para ns mesmos e nossas crianas.





83749
Por Petrnio Braz - 29/12/2018 16:56:38
O livro - Relendo Hamlet, de Shakespeare, edio de Martim Claret, destaco do Prefcio anotaes sobre o livro como objeto de cultura.
O livro uma publicao impressa, no peridica, de contedo tcnico, cientfico, literrio ou artstico, com folhas impressas, grampeadas, costuradas ou coladas e revestidas de capa, que conta no mnimo de 49 pginas, sem contar as capas. Com nmero menor de folhas ser um folheto.
O livro ser apenas uma publicao impressa, no peridica, com um de-terminado nmero de pginas ou somente uma reunio de manuscritos encadernados?
O livro , quando visto formalmente, uma obra literria em prosa ou verso, cientfica ou artstica com extenso que permita sua estrutura em pelo menos um volume, mas o livro no pode ser visto to-somente sob seu aspecto formal, pena de ser comparado ao folhoso, o estmago dos ruminantes, tambm chamado livro.
Sabe-se que a histria do livro se confunde com a da humanidade. O livro glido para quem dele no se aproxima, todavia, ele transmite ideias que revolucionaram o mundo, que derrubaram governos, que mudaram a hu-manidade.
O livro sempre foi objeto de cultura, de transmisso de conhecimentos, de evoluo de ideias, devendo, por isso, ser sempre erudito, seja quando inova ou cria cientificamente novos conceitos, seja quando descreve ou comenta a vida em sociedade. Deve ser um instrumento do saber, de transmisso da estrutura da lngua na qual escrito.
Com o nascimento da impressa, que popularizou o livro, antes manuscrito e reservado a um nmero muito reduzido de sbios e estudiosos, ocorreu a sua laicizao, com o crescimento do nmero de leitores. Os escritos deixaram de ser enrolados e envolvidos em invlucros em forma de canio (lber), para serem encadernados, promovendo a difuso universal da cultura de todos os povos.
Lamentavelmente o nmero de leitores de livros no tem crescido na mesma proporo da expanso demogrfica mundial. A grande maioria da populao humana contenta-se com leituras de jornais e revistas, que no transmitem ideias, ou com o rdio e a televiso, que escravizam a mente e o esprito.
A leitura de bons livros , mais do que a gramtica, a melhor forma de se aprender um idioma, de se fixar as estruturas de uma lngua. Os leitores habituais de bons livros falam como o livro e possuem uma linguagem esmerada. O livro smbolo de cultura e nunca ser superado pelas modernas tcnicas eletrnicas de comunicao em massa.
O jornalista Manoel Hygino dos Santos manifesta-se: "O livro, o nosso ou o dos outros, uma viagem interior, no passado, no presente e no futuro. um ingresso no mais profundo de ns mesmos, ou no mago dos demais que escrevem. Nesses escritos, tudo pode, porque grandioso, ainda quando pernicioso. Ao que l sabe discernir. a fotografia dos conhecimentos, dos sentimentos, dos pensamentos, da vida."
A escritora portuguesa Isabel Cabral identifica o livro como um cofre que encerra em si um tesouro e, ao abrirmos o cofre e manusearmos o tesouro, estamos a acariciar prolas. Livros existem em que cada uma dessas prolas est imbuda de memrias, de sonhos e de emoes, que o autor anseia que vo ao encontro das mais ntimas memrias, dos mais profundos sonhos e das mais sentidas emoes de todos e de cada um dos leitores. O autor abraa o leitor e convida-o a empreender com ele uma viagem pela realidade da vida, percorrendo juntos espaos de encontros, desencontros e reencontros. Abenoados sejam os homens que sabem enriquecer esse Patrimnio da Humanidade e abenoados sejam todos aqueles que, tendo acesso a tais relquias, as sabem acariciar.
Minha filha Regina Cli Braz Oliveira, amante da leitura e dando asas sua veia potica, nos fala do livro: Com ele mergulho / No mar da imaginao / Com ele navego / No passado de toda gerao. / a bssola o norte / a orientao. / o incio o arremate / a transformao. / Tira a direo, desestabiliza. / Seria reflexo? / Tira o cho, desmaterializa. / Seria revelao? / H o sabor da leitura / Mas um aroma de aventura! / So tantos contos apreendidos / So tantos mundos descobertos / Mil segredos desvendados / Mil amores revelados / Mil vidas recontadas. / fuga / desabafo / delrio / o avesso.



83745
Por Petrnio Braz - 27/12/2018 21:55:09
Fala-se, em presena da crise financeira do Municpio, que no teremos em 2019 o Carnaval Oficial em Montes Claros (Pampulha), mas j se sabe que haver o carnaval do Povo. O Rei Momo um personagem da mitologia grega, que se tornou smbolo do Carnaval. Figura que no mais aparece nas festividades carnavalescas e nem lembrado.
A origem do Carnaval se perde na mais remota antiguidade. Poder ter sua origem nas Lupercais romanas, festividades pastoris originadas no perodo pr-romano, ou mesmo antes, j que os deuses do Olimpo tinham as suas festividades.
No Brasil, a sua origem data de 1841, como parte dos festejos promovidos na Bahia pelo governador Salvador Correia de S e Benevides, em regozijo pela coroao de Dom Joo VI, rei de Portugal.
Mas, o Carnaval no se espalhou de imediato pelo Pas pela inexistncia de comunicao, que somente comeou a ocorrer com a chegada dos primeiros gramofones, como observa Brasiliano Braz em documento indito. Uma das primeiras marchinhas de carnaval, cantados no interior, foi a Abre Alas, de Chiquinho Gonzaga, sucesso de 1900 e cantada at o final dos anos 40. Pessoalmente, ainda me lembro dela e a canto.
Ainda, segundo Brasiliano Braz, as mscaras nas festividades sociais, que eram importadas, foram introduzidas no Brasil em 1834, antes do Carnaval, mas se integraram depois s folias carnavalescas.
O carnaval de rua tomou fora a partir de 1930, com a introduo dos confetes, da lana-perfume e da serpentina. Quase todos ns nos lembramos de que a lana-perfume foi proibida no governo Jnio Quadros.
Os carnavais de clube, de minha mocidade, ficaram gravados e com eles as marchas inesquecveis, hoje substitudas pelo samba e outras coisas mais.


83735
Por Petrnio Braz - 23/12/2018 16:04:38
Evoluo ou Criao - O Papa Francisco afirmou, durante discurso na Pontifcia Academia de Cincias, que a Teoria da Evoluo e o Big Bang so reais.
No momento em que a cincia, aliada s aes governamentais, se preocupa com a conservao da originalidade das ilhas Galpagos, bero da inspirao de Charles Darwin, o criador da Teoria da Evoluo, a Igreja Catlica, vencida a irracionalidade da Idade Mdia e as resistncias posteriores contra a cincia, pelas mos do Papa Bento XVI, no livro Schoepfung und evolution (Criao e evoluo), lanado na Alemanha, j havia elogiadp o progresso cientfico e no endossamdo o criacionismo, embora discordando da teoria evolucionista de Darwin, como exposta no livro A origem das espcies publicado em 1859.
Enquanto isto, o arquiplago de Galpagos, declarado Patrimnio Mundial pela UNESCO, onde existem espcies animais nicas, como as iguanas e as treze espcies diferentes de tentilhes, est sendo ameaado pela mo do homem.
Em dois extremos, nas Galpagos e na Alemanha, as duas teorias, que buscam explicar a origem da vida terrestre, se encontram em uma viso maior de Bento XVI que, em seu livro, defende a evoluo testa, isto , Deus criou a vida e esta evoluiu no correr dos sculos.
Admite o Papa, ao analisar uma das grandes questes fundamentais da filosofia, que a criao da vida se deve a um ser sobrenatural, o Deus Criador, que usou o processo natural na criao do mundo, chamado de evoluo testa. A vida foi criada por Deus.
O que a vida? Sabe-se que muito antes da presena do homem na Terra, a vida microscpica comeou na gua. No perodo Devoniano os primeiros peixes pul-monados, que viviam em charcos pantanosos, teriam se aventurado, por terra, de um charco a outro, permanecendo cada vez mais em terra, da se originando os primeiros animais terrestres, os tetrpodes. A vida, de origem divina, comeou antes do homem. O restante teria vindo por evoluo?
O professor Rubens Giglioni Rosenhein, mestre em teologia, esclarece, em artigo publicado antes do lanamento do livro de Bento XVI, que a criao descrita biblicamente no primeiro captulo do primeiro livro do Pentateuco, mas tem sido interpretada de diversas formas. Passando pela interpretao fundamentalista, pela religiosa moderada, ele informa que a interpretao conciliatria entre a religio e a cincia diz que o Gnesis inspirado, mas no um tratado cientfico e sim uma dramatizao potica. Dessa forma, a evoluo das espcies previstas pelo neodarwinismo ocorreu, mas foi apenas um instrumento conduzido e controlado plenamente por Deus. As concluses cientficas, portanto, esto no caminho certo, sendo que no contrariam a Bblia. Esta interpretao chamada de evoluo testa.
O que Deus, ou quem Deus? Deus, isolado no latbulo sagrado, uma dvida; dvida humana que se precipita no abismo de nossa ignorncia. Certos estavam os filsofos gregos da Antiguidade Clssica, quando afirmaram que Deus est alm dos homens, com eles no se parecendo, nem na forma, nem no pensamento.


83726
Por Petrnio Braz - 17/12/2018 08:35:14
Revisor de textos literrios, informam os entendidos, o profissional encarregado de revisar material escrito com o intuito de conferir-lhe correo, clareza, conciso e harmonia. O revisor um dubl annimo dentro da obra literria. Sabemos que os grandes artistas no tomam parte das cenas perigosas. usado o dubl, mas este no integra a cena, no aparece. A cena do artista principal. O que seria dos artistas principais se os dubls viessem a pblica informar que a cena foi dele? Quem come um bolo sabe o seu sabor que foi definido pela pessoa que o preparou, que juntou os ingredientes, mas ele s existe porque foi levado ao forno. O forno deu consistncia e forma, mas no o autor do bolo.
Em literatura existe a figura do revisor (dubl), que no integra a autoria da obra. O revisor deve ser tico. No aparece em cena, no revela o fato reviso. Todas as Editoras tm revisores, dai existir a profisso de revisor (cobra pelo seu servio). Mas h os amadores (que no cobram), que fazem reviso por gostar ou por amizade.
O revisor integra o processo editorial. Ele pode e deve sugerir adicionamento e remoo de textos ou palavras. Como o forno, ela d consistncia obra literria, mas no o autor dela; ele apenas garante s correo gramatical. Ele no cria. Quem cria o autor. O revisor que deve ser tico. Como o dubl, ele no vem a pblico dizer que foi revisor dessa ou daquela, obra literria. Mas, h revisores sem tica.


83688
Por Petrnio Braz - 26/11/2018 09:22:14
A Biografia a histrica da vida de uma pessoa. um gnero literrio com abordagens de todos ou de alguns aspectos da vida e da obra do biografado, que podem ser historiogrficos ou at mesmo crticos.
Sem ousar dizer que a vida parou e nada h mais por escrever, sou levado a reconhecer, como nos informa James Russell Lowell que a juventude um defeito; um defeito do qual nos curamos muito rpido. Quando se aproxima a noite da vida, na penumbra da tarde, pela presena sempre constante de planos de vida, estou ousando formular trs projetos de atividades literrias. Escrever Amelia Chaves Uma biografia, Pe. Adherbal Murta Um educador e Raquel Mendona Uma lutadora.
Mas, porque no Ivana Ferrante Rebello, Karla Celene Campos, Felicidade Patrocnio, Drio Teixeira Cotrim, Dorislene Arajo, Edgar Pereira, Maria Luiza Silveira Teles, Marta Vernica V. Leite, Mara Yanmar Narciso e tantos outros? muita bagagem para o meu modesto caminho.
No meu entendimento pessoal, no se deve escrever biografia de pessoa vida. Explico: Ainda em vida a pessoa pode praticar atos que maculem tudo que antes teria feito de positivo em sua passagem terrena. , portanto, uma aventura temerria. No caso especfico de Amelina Chaves, a sua maneira de ser afasta essa possibilidade.
Tomei uma ousada deciso: descrever a vida terreno do imortal Padre Adherbal Murta, em parceria com Laura Murta. Ningum melhor do que ela para informar fatos particulares de sua vida.
Vou rebuscar e historiografar, tanto quanto possvel, da vida de Raquel Mendona e trazer o trabalho de pesquisa luz da publicidade. Ela uma lutadora.


83686
Por Petrnio Braz - 25/11/2018 18:15:54
Raquel Mendona, embora no tenha editado livros, destaca-se no meio cultural de Montes Claros, como cronista e poetisa, membro da Academia Montesclarense de Letras, da Academia de Letras, Cincias e Artes do So Francisco ACLECIA e scia do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Comeou a escrever poemas ainda muito menina. Ela publicou (e publica) centenas de poemas e crnicas em jornais e revistas, alm do Blog Cultural Arte e Fatos, criado e editado por sua filha e Designer Grfico, Ana Brbara Mendona.
Em defesa dos direitos da mulher, como fundadora do I Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher de Montes Claros e sua ento presidente, tem, h alguns anos, organizado o livro de poemas: "Mulher-Cor Feminina" ou "O Feminino da Cor",
Cumpre lembrar que o saudoso poeta Georgino Jnior, o "hilrio ranzinza", autor do Hino Popular de Montes Claros, msica smbolo de Montes Claros, junto a Tino Gomes, "Montesclareou", no se importava com livros, mas acabou publicando pelo menos um de poemas "Bola pr frente Futebol Clube".
A imortal Raquel Mendona ingressou na Academia Montesclarense de Letras, por indicao do saudoso Oyintho Silveira, com vinte e poucos anos, quando trabalhava no antigo Dirio de Montes Claros, onde tinha criado a primeira pgina cultural: "Rua XV". Pelas suas poesias ali publicadas, o tambm saudoso Joo Valle Maurcio a chamava de "Poeta de Fama". Georgino Jnior e outros grandes nomes da imprensa e literatura da cidade escreveram lindas crnicas sobre o seu trabalho literrio e em defesa da arte e da cultura da cidade!...
Entre as suas muitas participaes em eventos literrios na cidade, lembramos os convites - e todos os elogios - recebidos dos escritores Darcy Ribeiro e Maria Luiza Silveira Teles, para apresentar os livros "O Mulo" e "As Sete Pontes". Revisou e revisa, criteriosamente, livros e mais livros.
Como Promotora Cultural de destaque, atuando na Secretaria de Cultura/Prefeitura de Montes Claros, h 33 anos, criou, junto aos Mestres e ao antroplogo Joba Costa - Joo Batista de Almeida Costa -, a Associao dos Grupos de Catops, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, visando contribuir para a organizao e fortalecimento dos grupos da maior e mais importante manifestao cultural popular e tradicional do municpio, que so as nossas famosas "Festas de Agosto". Junto aos Chefes dos Ternos, criou tambm a Associao dos Ternos de Folias e Pastorinhas de Montes Claros, com o mesmo fim. Foi "batizada" por ex-Prefeito de "Advogada sem diploma de Funcionrios Pblicos, Artistas e Catops", o que muito a honra.
Foi amiga e apoiou Z Cco do Riacho (Jos Barbosa dos Santos), considerado por TV alem "O Beethoven do Serto" pela extraordinria beleza e qualidade de suas composies musicais, hoje estudado em grandes universidades do mundo como "verdadeiro fenmeno da msica popular mundial".
Na sua pgina cultural Rua XV, publicava e destacava inmeros artistas e poetas da cidade, entre eles Ray Collares que, segundo Konstantin Christoff, "era to grande pintor quanto poeta".
No Jornal do Norte, bom recordar, ela editou a pgina cultural "Cultura & Cia", onde trocava missivas com Drummond e publicava poemas dela e destacava escritores e artistas de todos os segmentos culturais, em pginas inteiras, muitas vezes.
No Jornal de Notcias, ela criou a pgina "Arte & Fatos", que manteve por 14 anos, alm de ter sido revisora geral. Afastou do jornal do grande Edgar Pereira, por motivos pessoais.
Muito, ainda, sobre ela se falar.


83672
Por Petrnio Braz - 17/11/2018 16:28:47
Inteligncia e Cultura

Em bate-papo informal com alguns amigos, em Montes Claros, em um sbado de descontrao, conversarmos sobre a inteligncia e a cultura, analisando, as vezes de forma indiscreta, algumas figuras de aparente importncia que integram a vida sociocultural dessa nossa vasta regio.
Levando em considerao que inteligncia to somente aptido para compreenso, penetrao de esprito, percepo clara e fcil, enquanto a cultura o desenvolvimento que se d, por cuidados assduos s faculdades naturais, procuramos definir o alcance objetivo de reais ou simplesmente externados conhecimentos dos integrantes da chamada cpula cultural.
No vai-e-vem da conversa foram destacados nomes de real valor, detentores de uma considervel erudio, outros simplesmente inteligentes, portanto, possuidores de capacidade para se tornarem cultos. Foram lembrados alguns dotados de inteligncia com cultura de vitrine, capazes de decorar textos literrios de famosos autores, para declam-los no curso das conversas, com imponncia desprovida de autenticidade, mas com capacidade para impressionar os incautos.
Os grandes sbios so simples; no carecem da necessidade exibicionista de seus reais conhecimentos. Eles os externam no momento oportuno, em uma simples frase complementar de uma conversa ou nos trabalhos literrios ou cientficos que publicam.
J em casa, algum tempo depois, lembrei-me do conto A Menina e o Velho Marujo, de Malba Tahan. Veio-me a deduo de que so muitos os que se acham iludidos quando julgam conhecer o que efetivamente no conhecem.
Malba Tahan informa, em seu conto, que uma menina, que residia no interior do pas, desejava muito conhecer o mar. Levada por sua famlia ao litoral, dirigiu-se a uma praia e, depois de admirar deslumbrada, por muito tempo, as vagas que se desmanchavam tranquilas em espumas sobre a areia, voltou ao hotel e, entrando na sala de visitas disse, alegre, aos que ali estavam:
─ J conheo o mar!
Entre os circunstantes havia um velho capito de navio, que atravessara diversos oceanos, lutando com violentas tempestades, e vira de perto o horror das procelas martimas. Logo que a menina afirmou satisfeitssima que conhecia o mar, o velho comandante, acariciando-a disse:
─ Eu tambm, menina; eu tambm o conheo.
Nas duas afirmativas, embora ambos conhecessem o mar, havia uma grande diferena, no sentido real de tal conhecimento. Conhecer no apenas ver. Conhecer ter uma ideia justa e completa do objeto de conhecimento, que somente o capito tinha.
Preocupa-nos, hoje, a proliferao de cursos de ensino superior, de onde podero sair profissionais despreparados para as grandes responsabilidades sociais de suas atividades. O despreparo, contudo, nasce no Ensino Fundamental, feito por muitos a toque de caixa, objetivando alcanar a faculdade. No ser, contudo, na faculdade que se efetivar o aprimoramento cultural, necessrio aos embates da vida. A base tem que estar pronta, preparada desde o primeiro grau e completada no segundo. No terceiro ocorrer to somente a profissionalizao. Muitos profissionais assim formados sero apenas conhecedores do mar, como a menina do conto.


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Por Petrnio Braz - 9/10/2018 22:34:03
Iluso

Petrnio Braz

As maiores venturas deste mundo so como as nuvens que passam informes e no se fixam em ponto algum; apenas criam sombras passageiras que amainam as vicissitudes da vida. Por sobre as nuvens, o espao infinito, ilimitado, que sufoca o homem em sua insignificante pequenez.
H momentos que sentimos que o sopro da vida se esvai na indefinio de um sentido. Em um desses momentos, comecei a caminhar sozinho pelas ruas, em Montes Claros, sem ver ningum. No meu indefinido pantesmo, buscava uma liberdade individual, uma muda serenidade estoica, sentindo-me isolado no espantoso universo de pessoas ao meu redor.
Em situaes de depresso psicolgica, em todos os pases, em todos os povos, em todos os tempos, em todas as crenas, o ser humano pode ser levado, por um ato irracional voluntrio, a adiantar o inevitvel. O que teria levado Hermingway, Virgnia Woolf e Pedro Nava a anteciparem, por ato prprio, o fim de suas to profcuas existncias terrenas?
O sbio Confcio, depois de ter exercido os mais elevados cargos e as mais importantes funes como professor, primeiro magistrado de Chumg-Tu, entre outros, j passando da primavera da vida, foi obrigado a empunhar o cajado do viandante. Isolado dentro de si, converteu-se em um intelectual. Solitrio e desiludido teve, todavia, o amparo de um nico neto junto ao seu leito de morte.
Tenho me sentido isolado em todos os lugares, e apenas me realizo assentado em frente ao meu computador, onde somente vejo a mim mesmo. Embora seja pai de onze filhos, av de vinte e oito netos e bisav de vinte e trs bisnetos, sou um homem s.
S dentro do meu individualismo por no encontrar, nem atravs de supostas iluses, uma razo objetiva para a minha angstia interior.
A sombra da vida se esvai quando se perde, sem entender por que, alguma coisa que se ama. No se ama s uma pessoa; podemos amar muitas, mas cada uma tem sua individualidade.
O objeto do amor indefinido, mas est presente em cada uma das pessoas, com maior ou menor intensidade, e quando se perde algo se esvai. Abre-se um vazio sem possibilidades de preenchimento. E a vida perde o seu sentido maior. Perdi minha me em 2004, perda esperada e inexorvel. No doeu tanto. Ela descansou com dignidade. Esta perda no afetou muito o meu j molestado interior.
Pessoas h que se sustentam no anteparo de seu egosmo, sobre a preferncia de seus supostos direitos, que se sobrepem aos de seus semelhantes. A dvida quanto ao certo e ao errado, dentro do meu ceticismo, transforma-se na nica atitude coerente, que ainda sustenta os prprios objetivos da vida, dentro de um invlucro de considerao e de reserva. Gostaria de possuir uma inteligncia superior para colocar-me acima e alheio a tantos males.


83602
Por Petrnio Braz - 8/10/2018 06:44:24
Ensaio

Petrnio Braz

A simplicidade o ltimo degrau da sabedoria, como nos ensinou Khalil Gibran. Felicidade Patrocnio, diligente presidente da Academia Feminina de Letras de Montes Claros, mostra essa simplicidade quando editou Ensaio. Mas, ensaio uma experimentao prvia de algo a vir depois. Lendo o livro, naveguei por mares calmos e revoltos da cultura humana. Melhor seria se ela tivesse dado a seu livro o titulo Introduo ao Estudo da Filosofia.
Obra pouco conhecida. Edio restrita de apenas cem exemplares. Machado de Assis, em Memrias Pstumas de Brs Cubas, lembra que Stendhal confessou haver escrito um de seus livros para cem leitores. Foi o que fez Felicidade Patrocnio.
Quando se trata de livro, de obra literria, sempre bom lembrar a lio de Ivana Ferrante Rebello: Sempre que me disponho a falar de Literatura, retomo uma questo cada vez mais premente, nesses tempos de palavras to escassas quanto infrteis, e de muitos prenncios da morte da arte da escrita, como se nossa poca no suportasse mais o verbo trabalhado e uma letra manejada por mo de mestre.
Ensaio, de Felicidade Patrocnio, um livro escrito por mo de mestre. Ela uma amante da sabedoria.
Folheando o livro, antes de adentrar no seu contedo filosfico, fui levado transcendentalmente Critica da Razo Pura do imortal Immanuel Kant, persuadindo-me a logo iniciar a leitura para conhecer, apetecer e, se possvel, julgar.
Lendo, comecei a caminhar com ela e a sonhar acordado. Enquanto lia chegou s minhas mos, trazido pela autora, Cadernos de Ediclar, de Karla Celene Campos e, pelo correio, da lavra de Manoel Hygino dos Santos, Non do Tijuco Pioneiro em Urologia.
A morte da arte da escrita, de que nos fala Ivana Rebello, a mesma cicuta que silenciou Scrates, mas ainda no assusta, primeiro porque Scrates no morreu e, segundo, porque a arte de escrever ainda se faz presente, com fora construtiva das geraes passadas e da gerao presente, que tem como exemplos marcantes as jovens acadmicas Marina Couto Ribeiro e Nannah Andrade, sendo de ser destacado que o ltimo Escambo de livros do Ateli Galeria Felicidade Patrocnio foi um sucesso absoluto.
Para escrever Ensaio Felicidade Patrocnio banhou-se de luz no rio de Herclito, dormiu com Scrates, com sua concepo de ideias, acordou com Plato, pois um no existiria sem o outro, e, principalmente, dissolveu-se em Aristteles, Descartes e outros mestres.
Coube a Scrates, como bem definiu Ccero, o grande orador romano, trazer a filosofia do cu para a terra, afastando-se da natureza, objeto maior dos pr-socrticos. Felicidade Patrocnio, em seu Apelo a Scrates, compreendendo que ele focalizou seus ensinamentos nos problemas morais, nos faz lembrar de outro filsofo, que, como ele, pregou as virtudes do esprito Jesus Cristo. Mas ela nos leva, pelas mos de Aisa, a mensageira homrica do Destino, crua realidade do mundo, que veio depois deles, sendo de se destacar, pela odienta realidade, o apelo afro-brasileiro de Castro Alves eternidade socrtica: H dois mil anos de mandei meu grito / que embalde corre o infinito / onde ests, Senhor Deus. O homem escravizado pelo homem em nome de Deus; seres humanos queimados em fogueiras, em nome de Deus. Um Deus que no da humanidade, mas to somente de seus seguidores. Misria, fome e extermnio de irmos. Felicidade Patrocnio questiona: O que justia? O que lealdade? O que beleza? O que prudncia? O que coragem?
Parei, ainda no primeiro Captulo, para meditar. E, meditando, adveio a quase impossibilidade de ser definido o homo sapiens, como um ser de razo ou de experincias. A Autora, reconhecendo os limites desse ser busca recursos para perceber e penetrar em sua real essncia. Em regresso, socorre-se da Mitologia Grega para encontrar o homem, ainda de quatro ps, buscando reerguer-se. Mas, a sua reflexo no desce a tanto. Ela v Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxgoras, Parmnides e outros pr-socrticos questionando o objeto de suas reflexes: o homem, razo ou experincia.
Felicidade Patrocnio sobrevoa o tempo que , na concepo de Luiz de Paula Ferreira, um estranho pssaro que voa de asas leves, as penas da cor do vento, e chega metafsica de Aristteles. Ela, procurando um saber mais elevado, caminha peripateticamente com o grande estagirita, no pelo jardim dos Capuletos de Shakespeare, mas pelo jardim do Liceu, na periferia de Atenas, e ouve dele que todos os homens tm, por natureza, desejo de conhecer.
Ainda nas asas do tempo Felicidade Patrocnio nos conduz a Marx, retorna a Protgoras, v a genialidade de Leonardo Da Vinci e nos leva a meditar entre cincia e arte.



83586
Por Petrnio Braz - 1/10/2018 08:36:32
Primeiro amor
Hoje voltei setenta anos no tempo. Inesperadamente, por volta das 10:00h, recebi uma ligao telefnica:
Eu sou o Joozinho Bosco e estou em So Francisco com minha famlia e meu irmo. Consegui o seu nmero com Vicente, seu genro.
Pensei um pouco e perguntei:
Filho de Joo Bosco e de Vanda Burle?
Sim. Estive aqui em So Francisco h quase 50 anos e retornei agora. Minha me faleceu h 50 anos, com 37 anos de idade. Ela sempre falava que voc tinha sido namorado dela e que depois tinha sido prefeito da cidade.
O tempo desabou. Disse com clareza:
Sua me foi minha primeira namorada. O primeiro amor de minha vida.
Ela tambm falava assim.
Namoro dos tempos da juventude, dos anos 40. Namoro srio, sem intimidades. Namoro de quatro anos com a possvel futura esposa. Amor que ficou marcado para sempre. Ela se casou com Joo Bosco, pai do meu interlocutor da manh.
Anos depois, no correr dos anos 60, ela retornou a So Francisco e, acreditem, foi com sai me, Aurora Burle, at a fazenda de meu pai, onde eu morava, para me ver. Eu no estava em casa, e ela foi recebida por Olga, minha esposa, e disse, com toda naturalidade: Vim ver Petrnio. Maria Elisa, minha filha, testemunha desse fato.
Na vida existem passagens que se eternizam. Ela faleceu jovem, muito nova, mas sempre esteve e continuar vinculada minha vida.
Naqueles tempos idos, quando eu namorava com Vanda Burle; Newton Ferreira namorava com Conceio Figueiredo, e Oscar, com Alda Figueiredo. Vanda casou-se com Joo Bosco; eu casei-me com Olga; Newton mudou-se para Januria e por l se casou; Oscar casou-se com Selme; Conceio Figueiredo, com Mrio Mendes, e Alda casou-se com Nelson Spina que no tinha entrado na histria.
Como escreveu Carlos Drummond de Andrade em "A Quadrilha", "Joo amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili, que no amava ningum. Joo foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que no tinha entrado na histria."


83529
Por Petrnio Braz - 12/9/2018 01:36:49
Nas asas do tempo

Informa-nos James Russell Lowell que a juventude um defeito; um defeito do qual nos curamos muito rpido.
H muito me despedi da juventude, das mundanas iluses, dos sonhos da mocidade. Sem ousar dizer que a vida parou e nada h mais por escrever, sou levado a ver, como disse Alexandre Herculano, que debaixo dos ps de cada gerao que passa na Terra dormem as cinzas de muitas geraes que a precederam (...) Como de pais a filhos as diversas geraes se continuam e entretecem sem diviso (...) e como o octogenrio, na vizinhana do tmulo, no v roda de si, nem pai, nem irmos, nem amigos da infncia, mas filhos, netos, mas existncias todas virentes, todas cheias de vida, e sente com amargura que o seu sculo j repousa em paz e espera por ele que tarda.
Com as mundanas iluses dissipadas pelos dissabores da vida e as esperanas deterioradas no curso final da existncia, resolvi editar em livro uma coletnea de artigos, que publiquei em jornais, para preservao dos mesmos, por j me encontrar cansado da jornada de noventa anos.
Um livro de crnicas, naturalmente, mas h quem no goste de crnicas em livro. No esse o meu entendimento. Os jornais passam; os livros ficam.
Para publicar os artigos em um livro, teria que escolher ou eleger um nome, um ttulo. Pensei primeiramente em Contemplao, posto que, em verdade, os artigos nada mais so que uma aplicao do meu esprito ao cotidiano da vida. Mas este ttulo poderia ser visto como plgio, isto porque Franz Kafka, um dos maiores escritores de fico da lngua alem, do sculo passado, deu primeira coletnea de seus escritos o ttulo de Contemplao (Betrachtung). Afastei a ideia, sem muita convico, pois temos Clarissa de Samuel Richardson e Clarissa de rico Verssimo; O Lao Hngaro escrito por Fernando Benedito Jnior e O Lao Hngaro da lavra de Drio Cotrim; Cartas para Mariana de Osmar Pereira Oliva e Cartas para Mariana de Vera Abad; O Retrato de rico Verssimo e O Retrato de Charlie Lavett; O Capital de Karl Marx e O Capital de Thomas Piketty; Caminhos Cruzados de rico Verssimo e Caminhos Cruzados de Eullia Alves da Mata Machado.
Pensando em outro nome, deparei-me com uma frase potica do imortal Luiz de Paula Ferreira: O tempo um estranho pssaro que voa de asas leves, as penas da cor do vento. Em homenagem a Luiz de Paula fixei o ttulo: Nas asas do tempo.


83482
Por Petrnio Braz - 17/8/2018 16:56:32
Os olhos tristes de Ulisses

As ideias so o fio condutor do pensamento e das aes do ser humano. So como o fio de Ariadne no Labirinto: elas governam o mundo. Elas nascem simples e mesquinhas como um pequeno riacho ou uma insignificante enxurrada nos dias de chuva, mas vo crescendo, incorporam-se a outros cursos dgua, criam volume e terminam por formar o oceano.
Lipa Xavier um homem de ideologia formada, consciente. As ideais em sua mente so, em sua essncia, um caudaloso rio que irriga as frteis manifestaes dos sistemas dogmaticamente organizados por Karl Marx, Engels e Proudhon. socilogo, como no podia deixar de ser, graduado pela UNIMONTES. Foi Secretrio-adjunto de Cultura do Municpio de Montes Claros.
O Brejo das Almas bero de literatos. Eu diria que a nata cultural de Montes Claros teve origem no Brejo. Lipa Xavier mais um brejeiro-montes-clarense, que nos brindou com um livro que me surpreendeu positivamente.
Conhecia, e sempre admirei, o poltico Lipa Xavier, mas desconhecia o literato, que muitas vezes se manifestava nos seus pronunciamentos pblicos, nas entrevistas. Mas, Lipa Xavier havia j vencido concursos literrios no contexto universitrio.
A escritora, educadora e consultora editorial Maria Luiza Silveira Teles, autora do Prefcio da editio princeps da obra de Lipa Xavier, atesta que ele como estreante tem a tarimba de um antigo profissional das letras. Considera ela o conto o gnero mais difcil da literatura. preciso ser mestre de muita inspirao e habilidade para lidar com ele. No entanto, o autor, sertanejo de savoir-faire, nos encanta com histrias curtas que falam das coisas e da gente do serto.
Quem sertanejo sabe que o Serto, como bem definiu Guimares Rosa, do tamanho do mundo; o serto no tem fronteiras. Quem escreve sobre o Serto, redige para o mundo.
Integram o livro, com estilo prprio, contos que individualmente j qualificam o autor. O sublime princpio da loucura (ou o pispiar da lucidez), Servano, Rosa das almas, Os olhos tristes de Ulisses (que d nome obra), Serenas chuvas nos Gerais, Anos, saudades e alumbramentos e Um sopro que me ventou aos ouvidos.
Lipa Xavier abre o seu livro revelando-se, em comparao com Valodia Teitelboin, do pas de Neruda, ser bgamo. Mas, depois de ler, verifico que ele polgamo. Ele efetivamente ama a poltica, amante traioeira; revelou amar a literatura, companheira de esprito irrequieto; ama a si mesmo, amor indispensvel autoafirmao; ama a natureza, amor universal; ama a vida.



83461
Por Petrnio Braz - 3/8/2018 11:28:50
O erotismo em Amelina Chaves

Petrnio Braz

Dos livros Priapo de bano, Rancho da Lua e Retrato do Prazer, principalmente, se extrai a natureza ertica da literatura de Amelina Chaves.
Itamaury Teles nos traz lembrana o livro Dois Mil Anos de Segredos de Alcova: de Nero a Hitler, de Claude Pasteur. Esclarecendo ele que consciente de que os acontecimentos mais ntimos, passados sob os lenis, sempre atiaram o interesse alheio, a Autora resolveu escancarar as cortinas da Histria e revelar alguns segredos gerados em alcovas famosas, nos ltimos dois milnios.
A sensualidade em Amelina Chaves desponta flor da pele, da porque no poderia ela, em complemento sua vasta obra literria, deixar de externar o que de mais bonito se esconde na intimidade de seu prprio ser.
A literatura ertica embora anterior a D. H. Lawrence, com seu livro O Pavo Branco, publicado em 1911 na Inglaterra, nos tem mostrado o realismo das relaes entre o sexo e o amor, como uma fora da natureza. Quem na juventude no leu O Amante de Lady Chatterley, do mesmo autor, ou Amor Natural, de Carlos Drummond de Andrade?
Madame Bovary, romance de Gustave Flaubert, uma das maiores obras da literatura francesa, o romance dos romances, ultrapassou os tempos e chegou at ns, mas quando publicado em 1857 levou o autor a julgamento na Frana, mas resultou, depois, em um grande filme (1949). Embora absolvido, no foi aprovado pelos crticos puritanos da poca.
Para ser levado a ler as pginas dos livros de Amelina Chaves, basta apenas comear: Vez por outra pergunto a mim mesma, ao tempo, ao destino e a Deus, como pode uma pessoa amar tanto a outro um desconhecido que aparece em nosso caminho sem aviso prvio!? Um amor desesperado que tritura e desafia os limites impostos pela sociedade, que nada entende de sentimento humano!? Principalmente quando chega num repente e toma todo o nosso espao e vai nos esmagando, ferindo a pele e rasgando a alma at sangrar o corao.
Amelina demorou tempo para lanar Priapo de bano e no de se admirar, pois o grande Flaubert afirmou que, quando escrevia, passava horas a procurar uma palavra.
Observa Maria Belo, em Literatura e Sexualidade que a realidade do inconsciente a realidade sexual. Para melhor entender e admirar o erotismo nas obras de Amelina Chaves, necessrio ser ir fonte maior, isto , ler Sigmund Freud em Trs ensaios sobre a teoria da sexualidade, editado em 1905, e que se encontra disponvel nas boas livrarias.
Gosto de ler os livros de Amelina Chaves. Escritora por vocao, em sonhos ela repudiou o Cu para retornar Terra: O Senhor me perdoar, tenho certeza. Lutei uma vida inteira para chegar aqui, no cu, porque pensei num cu diferente, onde ao menos eu pudesse ler, escrever, ouvir msicas, cozinhar, ser feliz! Que Deus me perdoe, mas quero voltar para a minha vidinha, que seja. Mas quero voltar. Por favor, leva-me de volta. Senhor de todas as coisas.


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Por Petrnio Braz - 1/8/2018 18:38:36
Delrio lrico

Petrnio Braz

Vencedor do Concurso de Contos Cyro dos Anjos, promovido pela Academia Montesclarense de Letras, autor de muitos e bons livros, Napoleo Valadares, urucuiano da Barra da Vaca, hoje prspera cidade de Arinos, cenrio de um conto de Guimares Rosa, mandou-me seu ltimo livro: Delrio Lrico, editado por Edies Galo Branco, do Rio de Janeiro, dedicado memria de Juscelino Kubitschek, o criador de Braslia, onde ele reside.
Do escritor nasceu o poeta; do romancista adveio o pensador-historiador. Em ordem definida pelo passar ininterrupto dos anos, o poeta Napoleo Valadares, membro efetivo da Academia de Letras, Cincias e Artes do So Francisco e de outros sodalcios, em versos decasslabos brancos, em uma srie de trinta e quatro cantos, nos reconta a histria da humanidade, abrangendo os ltimos 33 sculos, iniciando pela Guerra de Troia.
Ele nos leva a Scrates, Plato, Aristteles e chega por ltimo a Juscelino (em Braslia). Uma forma deliciosa de se rever ou mesmo conhecer a histria universal. No erudito livro, dois talentos em uma s pessoa: o poeta e o historiador.
Joo Carlos Taveira, nosso confrade da Associao Nacional de Escritores, em artigo publicado no jornal da ANE, edio de dezembro de 2008, comenta: Napoleo Valadares, na sua construo potica, optou pela narrativa pica em que, com mestria e bom humor, funde a linguagem nobre, clssica, linguagem popular, atual, em uma tirada muito interessante e jamais vista em nenhum poeta brasileiro de qualquer escola. Mas o que salta aos olhos e aos sentidos a correo gramatical, o domnio da lngua, a clareza de expresso, a conciso. Alm, claro, do senso de humor nas pilhrias e invenes que o Autor derrama pelo texto afora. Sirva-se de exemplo o Canto XXVI, em que o narrador, em dilogo com Cames, ouve do mestre de Os Lusadas a seguinte confisso: Amor fogo, em uma clara aluso ao clebre soneto Amor fogo que arde sem se ver, do bardo portugus.
Os versos decasslabos so heroicos ou sficos, cabendo lembrar que todos os versos de Os Lusadas so decasslabos heroicos. Napoleo Valadares, todavia, preferiu utilizar-se dos decasslabos brancos, sem estrofes, mais em moda nesses tempos de ps-modernismo, presentes o ritmo e a mtrica.
Ler Delrio Lrico uma forma recreativa de reestudar a histria. Descrevendo poeticamente um delrio de febre ele conclui, no Canto I: E foi nesse delrio que saltei / do Vale para o Mar Egeu. Desci / praia, caminhei e fui a Troia, / no extremo noroeste da Anatlia. / Trinta e trs sculos j passados, / e eu, tonto, ali na capital de Pramo, / via o cerco dos gregos, via Ulisses / com mil astcias, via Agamenon / raptando a escrava do guerreiro Aquiles, / como se no bastasse a justa clera / de Menelau, que fez se unirem todos / os prncipes da Grcia belicosa.
Bem mais adiante, ele percorre as margens do rio Tigre: Vi-me no Tigre, num lugar bem antes / da sua confluncia com o Eufrates, / e fui descendo. Inesperadamente, / topei de testa com o grande rei / Alexandre, de Pela, aquele moo / da Macednia, filho de Felipe, / que tinha sido aluno de Aristteles, / interessando-se pela poltica, / filosofia, medicina e tudo / o que viesse do mestre de Estagira.
No ltimo canto a construo de Braslia: E foi assim que no Planalto vi-me / entre os que comeavam a construir / Braslia. Juscelino, grande lder, / cinquenta anos em cinco - se dizia. / A construo da capital moderna a se concluir em menos de mil dias... / Ah! mas candangos mil coa mo na massa, / j contagiados pela animao, / nas grimpas do entusiasmo e da euforia, / atravessavam dia e atravessavam / noite nessa labuta. Pareciam / um formigueiro. Levantaram prdios / no meio do cerrado. A Catedral / e os palcios se erguiam. Na alvorada, / uma cidade-loua se fazia.
No precisa mais, ler o livro.
O livro, com dedicatria, j se integrou minha modesta biblioteca, onde somente os livros j lidos se aninham.


83402
Por Petrnio Braz - 29/6/2018 08:30:10
Uma Flor do Cerrado.

Petrnio Braz

Em razo da conduta pessoal, da personalidade marcante, ou at mesmo da simplicidade congnita, h pessoas que se salientam entre seus contemporneos, alcanando celebridade. A biografia um gnero literrio em que se narra a histria da vida de uma pessoa, que tenha alcanado essa notoriedade.
Na terra dos montes claros, na aldeia do saudoso Bala Doce, Amelina Chaves uma dessas pessoas.
Em presena dela nasceu uma disposio, uma pretenso, um instinto, uma vontade de fazer, uma responsabilidade: Escrever sua biografia.
Coragem para assumir tamanha responsabilidade. Tempo restante de vida para procurar fontes, entrevistar pessoas, visitar locais que marcaram sua vida, contextualizar sua vida na organizao da pesquisa. Como comear?
Escrever uma biografia no apenas citar fatos ou individualizar o biografado. Escrever uma biografia dar vida ao biografado. muita responsabilidade.
Disse, h no muito tempo, que, apesar da idade, ainda fao planos e no sou de acovardar-me.
Dispondo-me a identificar sua vida, pessoal, literria e artstica, devidamente autorizado tenho, como fator determinando, desligar-me da obrigatoriedade de ser apologtico, postando-me equidistante, numa atitude tanto quanto possvel isenta, dentro do espao e do tempo da trajetria de sua vida, e da vertente literria que a notabilizou. Dedicar-me-ei a descobri-la, para tentar mostrar o contedo de uma vida cheia de diversidades. Desvendar de onde veio tanta notoriedade literria, presente em uma pessoa desprovida de formao acadmica? Essa a curiosidade, o mvel que ir impulsionar o aprofundamento no campo das pesquisas. Ela no tem formao em Letras, no graduada e, muito mesmo ps-graduada em literatura. Contudo, ela sabe pensar por si mesma. No passou por curso de escrita criativa, mas um exemplo, uma inspirao para quem pretende dar os primeiros passos na Arte de Escrever.


83393
Por Petrnio Braz - 25/6/2018 19:07:11
Cultura barranqueira

Contou-me o saudoso Ivo das Chagas, professor emrito da UNIMONTES, que em determinada poca, no muito remota, para a implantao do Projeto Museu do So Francisco, uma comitiva de doutores foi organizada em Belo Horizonte, para percorrer o Vale do rio So Francisco, conhecer a realidade regional e propor a redeno do rio. Os sbios integrantes do cortejo traziam, em suas bagagens culturais, a ideia de que o homem sertanejo, alm de analfabeto, era ignorante.
Em razo dessa assertiva, os participantes foram alertados de que deveriam esquecer o vernculo, utilizando-se de uma linguagem em nvel do nois foi e do nois vai, que seria a nica que o barranqueiro haveria de entender.
Em um dos primeiros municpios visitados, na histrica Vila Risonha de Santo Antnio da Manga de So Romo, depararam-se os eruditos com pessoas que manejavam com mestria a lngua ptria e que exibiam uma dilatada instruo, superior que eles traziam. De plano, defrontaram-se com Joo Torres, um autodidata, que lhes ministrou verdadeira aula de cultura geral e local, informando-lhes a biografia de todos os membros da Academia Brasileira de Letras, que ele sabia de cor. Joo Torres descreveu a geografia e contou os anais histricos da regio, alm de discorrer sobre literatura nacional e de alm-mar. Aprofundou-se em assuntos de natureza filosfica, que nenhum deles estava preparado para com ele questionar.
Esta uma realidade regional e, na mesma cidade de So Romo, nasceu a escritora e poeta Maria da Glria Caxito Mameluque, que integra com destaque o meio cultural, no s de Montes Claros, mas de todo o Norte de Minas, viva do saudoso Dr. Pedro Mameluque Mota.
Ela, na escolha nem sempre fcil de uma profisso, nos momentos de dvidas e incertezas da juventude, no optou por uma profisso liberal, que lhe permitisse devaneios literrios. Preferiu ser tcnica. Graduou-se em Enfermagem pela PUC/MG. Exerceu a profisso com brilhantismo, mas logo veio o esperado: Graduou-se em Direito pela UNIMONTES. E no parou por ai, diplomou-se em Psicologia pelas Faculdades Integradas Pitgoras, com alguns cursos de ps-graduao.
Essa a Glorinha Mameluque que integra os meios culturais de Montes Claros como estrela de primeira grandeza. Ela membro efetivo da Academia Montesclarense de Letras, da Academia Letras, Cincias e Artes do So Francisco e scia do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Foi a primeira presidente da Academia Feminina de Letras de Montes Claros.
Autora de dezoito obras literrias, publica com regularidade artigos pelos jornais regionais, com destaque pelo Jornal de Notcias e Gazeta, de Montes Claros, com participao nas Revistas peridicas do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros e da Academia Montesclarense de Letras. Est presente em todos os livros editados pela Academia Feminina de Letras de Montes Claros


83384
Por Petrnio Braz - 19/6/2018 08:50:45
A educao dever da famlia e do Estado, da sociedade como um todo, e deve ser inspirada nos princpios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana e ter por finalidade, principalmente, o exerccio da cidadania.
A Academia Feminina de Letras de Montes Claros congregou em seu seio uma pliade de intelectuais, uma constelao de mulheres, muitas delas voltadas para a rea educacional, de relevante importncia para a formao das futuras geraes. Entre elas, a professora Geralda Magela de Sena Almeida e Sousa, graduada em Pedagogia e alistada por vocao nobre profisso de educadora, que tambm scia do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros.
Tudo nasce de um princpio.
Os gregos foram os primeiros a se preocuparem com o princpio de todas as cosias. Seria a gua (Tales de Mileto), o nmero (Pitgoras), uma matria indeterminada e ilimitada (Anaximandro), o ar (Anaximenes), uma inteligncia csmica (Anaxgoras) ou o conjunto dos quatro elementos: terra, ar, gua e fogo (Empdocles)?
O princpio da acadmica Geralda Magela de Sena Almeida e Sousa, sua arch est no j quase centenrio Colgio Imaculada Conceio de Montes Claros, onde se formaram os alicerces da sua evoluo cultural.
Ela graduada em Pedagogia pela UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros, com especializao em Orientao Educacional e Educao Distncia, e em Pedagogia Musical, Canto Coral e Teoria Musical pelo Conservatrio Lorenzo Fernandes, de Montes Claros.
Mas, ela escritora. Iniciou, no fim da formao cultural e incio da vida profissional, com a publicao de seu discurso de formatura, "Por que Universidade?", publicado pelo saudoso Dirio de Montes Claros.
Tem publicado inmeros artigos pela Revista do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, pelo Jornal de Notcias de Montes Claros e nas antologias editadas pela Academia Feminina de Letras de Montes Claros.
Criou msicas e editou livros. Uma intelectual polivalente.


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Por Petrnio Braz - 9/6/2018 06:50:35
A imortalidade

Para tornar-se imortal, Zeus ao nascer pediu a Hermes que o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e o fizesse mamar. A imortalidade, assim, depende de um ato ou de um fato,
Em uma sucesso rpida e cambiante de impresses sobre um nmero finito de pessoas, sou levado a lembrar de que a imortalidade se faz presente, no pela viso do ser, mas pela memria de uma existncia, que deixou marcas particularizantes. So imortais os humanos que mamaram nos seios de Atena, a deusa grega da sabedoria.
No necessrio que se tenha conhecido o ente animado pela existncia fsica, suficiente a leitura de suas obras, a viso do conjunto de sua arte, a anlise da correo de sua existncia.
No precisamos descer ao Inferno de Dante, na companhia de Virglio, representante maior da sabedoria humana, para de l subirmos ao Paraso em estado de perfeio. A perfeio atributo dos deuses, no dos homens. O poeta florentino buscou a sua autorrealizao obediente aos conceitos de sua poca, firmado no convencimento da existncia de vida alm da morte, em presena da imortalidade.
Se admitida a criao divina do homem, feito imagem e semelhana do Criador, o ser humano foi concebido imortal. Os gregos foram mais objetivos. Eles criaram os deuses sua forma e similitude, habitando o Monte Olimpo, aqui mesmo na Terra, e deram a eles os sentimentos humanos, dotados da faculdade de conhecer, perceber e apreciar, com disposies afetivas em relao vida terrena.
Por terem convivido com os sentimentos e a fora criativa dos deuses do Olimpo, que com os homens ainda se misturam transmitindo valores em um plano superior, alguns se tornam anlogos s divindades do classicismo greco-romanas. So os humanamente imortais.
A ideia da imortalidade, como uma busca desesperadora, est presente no ser humano, por ser ele o nico animal da face da Terra a ter certeza de que nasceu, est vivendo e morrer um dia. Mas, sem a certeza da morte, os humanos no teriam prazer pela vida.
Imagine-se, como na histria de Gregory Widen no filme Highlander O guerreiro imortal, atravessando os tempos, assistindo evoluo da humanidade e percorrendo o caminho trilhado por Connor MacLeod, nascido h mais de 400 anos nas colinas da Esccia! O excntrico argelino Jean Richepin estava certo ao asseverar que se fosse imortal inventaria a morte para encontrar algum prazer na vida e o rei Salomo, por inspirao da pomba Butimar, com sabedoria, escusou-se de beber o vinho da imortalidade, para no ser o mais infortunado dos homens.
No entanto, a procura da imortalidade est presente na conscincia do homem e muitos a alcanam atravs de suas realizaes terrenas. O prprio rei Salomo tornou-se imortal na lembrana dos homens.
O filsofo ingls John Harris, professor do Instituto de Medicina, Direito e Biotica da Universidade de Manchester, durante o VI Congresso Mundial de Biotica, que ocorreu em So Paulo, afirmou que estamos no limiar de uma era na qual, potencialmente, poderamos criar imortais. Declarou ele que embora a cincia ainda esteja longe de poder cumprir essa promessa, as pesquisas em busca de novos tratamentos para doenas letais - que podem no apenas adiar a morte, como tambm, a longo prazo, estender a vida por muito tempo - avanam rapidamente. Por isso, questes aparentemente futuristas devem ser debatidas.
Independente do esforo da cincia, a imortalidade de alguns seres humanos j existe h muitos e muitos anos. Sem amparo da cincia, com os nomes gravados na memria coletiva e estribados no que fizeram, so imortais por terem aprendido a dar essncia s palavras.


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Por Petrnio Braz - 3/6/2018 10:29:25
Voltaire tinha razo ao afirmar que o ser humano somente ser feliz quando enforcar o ltimo poltico. O poltico, em um passado no muito distante, era um lder comunitrio que buscava o bem comum. Fui vereador por trs mandatos em So Francisco e no tinha salrio. Ser vereador era uma honraria muito disputada pelos lderes comunitrios. Todos os polticos tinha sua prpria profisso e dela viviam. Politica no era profisso. Falo isto para, em uma extenso de pensamento, definir que os males atuais desse Pas (preo dos combustveis) no advm da Petrobras, mas da forma como ela est sendo administrada. Ela foi assaltada, tiraram milhes de seus recursos, mas no se pode aceitar que seja recuperada, da noite para o dia, em uma administrao custa do contribuinte. O tal Pertense (acho que isto mesmo) foi um grande administrador financeiro (capitalista) e elogiado pelos que assim pensam. No nenhum orgulho para o brasileiro saber que a Empresa a maior dentro do mercado financeiro. Os polticos, mesmo que profissionais, tm que entender isto. Lutamos nos anos quarenta (estudantes) pela mensagem pblica: O petrleo nosso. De nada valeu a greve dos caminhoneiros. S trouxe prejuzos para eles e para a populao como um todo. A mensagem de revolta (greve) no sensibilizou os polticos profissionais. A gasolina j teve alta para garantir os lucros exorbitantes da Petrobras. Porra.


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Por Petrnio Braz - 31/5/2018 11:19:14
Repblica e Democracia

Petrnio Braz

Quando algumas vozes j se levantam, neste Pas, pondo em dvida ser a Repblica a melhor forma de governo, bom ser lembrado que o Liberalismo, difundido pelas ideias de John Locke, um dos predecessores do Iluminismo, pugnou pelo estabelecimento de governos fundamentados no respeito ao direito natural do ser humano vida, liberdade e propriedade, no se estabelecendo, da, a imperiosa necessidade da escolha dos governantes pela via eletiva.
Verdade, que no pode ser esquecida, que a sociedade humana no se mantm equilibrada sem um governo forte. Fssemos idnticos s formigas ou s abelhas, cada um cumpriria a sua tarefa comunitria dentro de parmetros unitrios, sem abusos, sem corrupo. Mas no somos. E, porque no somos, necessitamos da presena de um governo que garanta o exerccio dos princpios fundamentais vida, liberdade controlada e propriedade. Digo liberdade controlada porque no se pode viver em sociedade, sem que haja um controle superior da prpria liberdade.
Os conflitos sociais existentes no Mundo moderno so tidos como originrios das lutas de classes apregoadas por Marx, todavia, tais conflitos no se estabelecem seno pelas diferenas existentes entre governantes e governados.
Os governos republicanos eleitos, muitas vezes so levados a desprezar o direito das minorias, desrespeitando os fundamentos maiores do prprio sistema que os elegeu. Se o ser humano precisa de um governo, o governo precisa ter meios de controle de seus possveis abusos.
Thomas Hobbes, em seu Leviat, analisou com objetividade as relaes entre governo e sociedade esclarecendo que o homem vive em uma constante guerra de todos contra todos, mas todos desejam acabar com esse estado beligerante, instituindo controles pela via do governo ou de um contrato social, mas esse governo deve ser estvel e assegurar a paz e a defesa comum. Esse governo deve ser uma autoridade inquestionvel e justa.
Observa Joo Luiz Mauad que numa democracia stricto sensu, nada impede que 51% decidam escravizar os 49% restantes. Se maioria dado o poder de decidir sobre todas as coisas, se isto que os liberais chamam de direitos naturais no foram mantidos acima de qualquer outra lei objetiva, tudo possvel, e o poder no encontrar nenhuma barreira em sua marcha rumo tirania. Isto s se torna possvel de acontecer pela carncia de um poder superior, dotado de capacidade controladora.
Existem direitos naturais que antecedem prpria ordem estabelecida em uma sociedade organizada, e esses direitos no podem ser maculados, da se questionar se a Repblica a melhor forma de governo. Em pouco mais de cem anos de Repblica, no Brasil, tivemos trinta e cinco anos de ditadura, sem contarmos os quarenta anos irregulares, que antecederam a Revoluo de 1930.
O nico regime republicano estvel, do Mundo moderno, ainda o da Amrica do Norte, e no pode servir de exemplo a nenhum outro. Pases como o Japo, a Inglaterra, a Holanda, a Dinamarca, a Blgica, a Espanha e a Noruega, entre inmeros outros, so estveis em sua estrutura governamental e se desenvolvem dentro dos conceitos maiores de respeito aos direitos naturais de cada cidado que nele habita, sem adotarem o regime republicano de governo.


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Por Petrnio Braz - 30/5/2018 09:09:22
Pera. No sou a favor, nem contra a greve dos caminhoneiros, muito pelo contrrio, como diria Jos Maria Alkmim. A culpa pela situao quase catica atual no dos caminhoneiros, que esto buscando os seus direitos, mas do desgoverno deste Pas. Alguma coisa tinha que ser feita, e foi feita. Todos perdemos alguma coisa. Uns mais outros menos, mas todos perdemos e todos ganhamos. Mas, a greve foi melhor que uma Revoluo popular ou, quem sabe, uma tomada do Poder. E agora? Como fica o preo da gasolina e do etanol? A PETROBRAS uma empresa pblica, mesmo com capital privado, mas os seus lucros pretendidos no podem prejudicar o Pas como um todo. a que est o n grdio da questo. Vamos (o povo) pagar os lucros da PETROPBRAS com dinheiro dos impostos. Nos anos quarenta, quando eu era secundarista, em Belo Horizonte, lutamos pelo lema nacionalista: O Petrleo nosso. Ser?


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Por Petrnio Braz - 17/5/2018 07:56:11
Literatura e Matemtica

Se considerarmos que a literatura a transcrio da realidade da vida, chegamos concluso de que ela est vinculada a todas as reas do saber humano. Em verdade, todas as cincias se interligam. Para se escrever necessrio ter ideias, desenvolver raciocnios criativos e a matemtica a cincia por excelncia que nos ensina a raciocinar.
O escritor mineiro Jacques Fux, o argentino Jorge Luis Borges e o francs Georges Perec, entre outros, inspiraram seus escritos na relao aparentemente distinta entre a matemtica e suas narrativas ficcionais.
Jacques Fux foi estudante de engenharia, mas transformou-se em literato. Sua tese de doutorado na UFMG foi premiada: Literatura e Matemtica: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o Oulipo. Ele faz uma viagem, navegando entre os mundos das letras e dos nmeros. Analisa objetivamente os romances de Jorge Luis Borges, Georges Perec: matemticos-literatos.
O escritor Jacques Fux estreou na fico com o romance Antiterapias, vencendo em 2013 o Prmio So Paulo de Literatura, na categoria de autor estreante.
La Fontaine na fbula A menina do leite, sem buscar objetivamente uma soluo matemtica, faz contas: soma, subtrai, divide e multiplica.
Quando eu era estudante secundarista fui bom em exatas. Sempre auxiliava meus colegas nas provas de matemtica, entre eles os doutores Francisco Lopes (Chico Lopes, mdico e pintor montes-clarense) e Murilo Bador (ex-presidente da Academia Mineira de Letras). No fiz engenharia. Estudei agronomia (curso mdio) em Viosa, antes de cursar a Faculdade de Direito.
Fui professor de Matemtica e Histria no Ginsio Joseph Hein, em Vrzea da Palma. A matemtica ensinou-me a raciocinar, mas sempre gostei de ler, e a leitura levou-me ao O Homem que Calculava, de Malba Tahan, onde o autor sabiamente interliga Histria e Matemtica, fazendo Literatura. O livro uma Histria da Matemtica. Entre outros e belos captulos do livro, a Diviso dos 35 Camelos uma equao, resolvida pelo hbil Beremiz.
Quando das solenidades de instalao da Academia de Letras, Cincias e Artes de Vrzea da Palma, um ex-aluno lembrou-me: Professor ( como me tratam em Vrzea da Palma), sua ltima aula no Ginsio foi sobre a equao do segundo grau.
A equao matemtica do segundo grau constitui-se, como a problemtica elaborao literria, em fico e realidade: ax+bx+c=0, onde x a incgnita; a, b, c so nmeros reais. Resolver a equao encontrar os valores possveis para a incgnita. Escrever, como exps Aristteles, dar uma igualdade a concluses contraditrias.
Todo escritor cria raciocinando e, quem raciocina, resolve intricados problemas subjetivos da razo, dentro da realidade objetiva da matemtica.


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Por Petrnio Braz - 6/5/2018 03:46:02
Teoria da Recepo

Petrnio Braz

Sempre costumo dizer que so as ideias que conduzem o mundo, mas no esse o pensamento de Fernando Pessoa. Ele afirmou que as sociedades so conduzidas por agitadores de sentimentos, no por agitadores de ideias. Nenhum filsofo fez caminho seno porque serviu, em todo ou em parte, uma religio, uma poltica ou outro qualquer modo social do sentimento.
Todavia, no aristotelismo, o princpio que faz com que alguma coisa se torne aquilo que , determinando sua constituio e suas caractersticas essenciais a ideia. a ideia que provoca o sentimento. O sentimento sensibilidade, disposio para se comover.
Pelo correio recebi o livro Cidade do Bonfim de autoria do desembargador Lcio Urbano Silva Martins, conscio do Instituto Histrico e Geogrfico de Minas Gerais, em edio de luxo, em papel couchet brilhante, que retrata as famlias e as pessoas ilustres da Cidade do Bonfim. Um livro para guardar e pesquisar, quando necessrio.
Com o livro, veio uma carta que me sensibilizou, que feriu o sistema lmbico de meu crebro, onde os sentimentos so processados: Prezado Dr. Petrnio Braz. Com prazer, li Serrano de Pilo Arcado, que muito me agradou. J o conhecia pelo seu Direito Municipal na Constituio. Mando-lhe Cidade do Bonfim, de minha autoria, que conta a histria da cidade, clula mater do Mrito Paraopeba, fundada pelo Bandeirante Manoel Teixeira Sobreira, em 1675. Note que se cuida de lugar que conta com filhos ilustrssimos. incrvel que cidade do porte de Bonfim tenha tantos filhos notveis, biografias no livro. Cordialmente Lcio Urbano Silva Martins.
A sensibilidade no adveio, necessariamente, dos termos da carta, mas da certeza de que o livro Serrano de Pilo Arcado est circulando pelos pinculos mais elevados da cultura brasileira.
Reginauro Silva d testemunho de que sem dvidas, um dos maiores prazeres da escrita o retorno, a correspondncia, a interao com os leitores. Para que uma obra literria tenha receptividade necessrio que haja uma ao recproca entre o autor e o receptor da mesma obra (leitor). Quando nos interagimos com um leitor, completamos a relao autor-obra-leitor. O leitor o mais importante elo da conexo dos trs elementos dessa relao.
Observa Marly Gondim Cavalcanti Souza, em tese de doutorado, que a obra de arte possui mltiplas faces, resultantes da complexidade de campos que se interligam, tanto no momento de sua criao como naquele em que dela se desfruta.
Objetivando analisar o comportamento do leitor diante de uma obra de arte literria, criou-se a Teoria da Recepo, tendo por objetivo a defesa da soberania do leitor na anlise crtica da obra literria. A Teoria da Recepo um conjunto de regras de anlise do fato artstico ou cultural em face do receptor. Nasceu com o trabalho de Hans Robert Jauss, na Alemanha, nos anos sessenta do Sculo passado, e se desenvolveu nas dcadas seguintes.


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Por Petrnio Braz - 5/5/2018 08:35:21
Mrio Genival Tourinho

Petrnio Braz

Observa Huberto Rohden que o Universo seria incompleto sem o homem. Faltaria o fator autodeterminante, para completar os fatos alo-determinados, extra-hominais. No homem converge a pirmide csmica num pice culminante.
O primeiro homem veio de uma evoluo imperfeita para o perfeito. Sendo o homem a essncia do Universo, essa busca da perfectibilidade nele est presente desde toda a eternidade. Est presente na potencialidade evolutiva e se apresenta mais evidente em pessoas privilegiadas.
Os filsofos gregos, especialmente Scrates, inquiriram sobre o homem, na busca da compreenso do mvel de suas aes. A filosofia colocou o homem no centro de suas discusses, tornando-se uma forma de entendimento da prpria vida.
No precisamos, todavia, do socorro da filosofia para definir Mrio Genival Tourinho, sua funo social, sua natureza e at mesmo o seu destino. Genival Tourinho um homem, como so todos os homens. Um homo sapiens, no sentido mais elevado da classificao antropolgica. Homem econmico, se ficarmos com Marx, homem instintivo se preferirmos Freud, homem problemtico se adotarmos Marcel. Um ser racional e um ser poltico.
Todo ser humano tem uma trajetria, que se define desde o nascimento. Conheci Genival Tourinho no internato do Instituto Padre Machado, em Belo Horizonte, h algumas dezenas de anos, melhor no dizer quantas, mas foi nos embates da vida pblica que nos conhecemos melhor, por comungarmos os mesmos ideais.
Para falar dele ou sobre ele bastaria o uso da memria, que vida real. Mas foi necessrio escrever para lembrar, pois o esquecimento, como afirmou Drummond, ainda memria. Todavia, no foi necessrio o apelo a Marcel Proust para a busca do tempo perdido.
Mesmo a distncia, sempre estivemos unidos pela fora de um ideal maior: A liberdade e a busca da Justia. Nosso apego, o apego de Minas liberdade nos foi legado pelos conjurados do So Francisco, pelos inconfidentes de Vila Rica, pelos indgenas que habitavam nossas montanhas, nossos cerrados e as margens de nossos rios, e lutaram contra o forasteiro invasor ou, quem sabe, pela revolta da prpria terra, que se extrai da poesia de Pablo Neruda.
Genival Tourinho um mineiro que se destacou na tribuna pblica do Congresso Nacional, onde revelou a sua personalidade pelas vertentes maiores da coragem e da independncia. A coragem, como entendida por Napoleo Bonaparte, no se pode simular; uma virtude que escapa hipocrisia. Como mineiro, teve ele, na sua mais autntica expresso, uma dimenso eminentemente tica e desassombrada. Ele redimensionou os conceitos partidrios definindo o seu comportamento por valores pessoais, sempre agindo sans peur et sans reproche.
Embora tenha sido autntico representante da poltica mineira, Genival Tourinho no se limitou a agir no silncio dos gabinetes. Revelou-se na tribuna, impulsionado pela pujana de seu temperamento e pelo seu esprito audacioso, em um dos momentos mais difceis da vida brasileira, anos intranquilos e turbulentos do chamado Perodo Revolucionrio.
Em uma anlise mais genrica temos que ver o advogado, o poltico, o deputado, o administrador do IPSEMG, o Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. A sua trajetria comea com o advogado e est com o advogado, depois de passar por tantos outros Genivais.
Pelo desempenho de suas atividades, pela fora de sua mineiridade, est relacionado entre os nomes de maior expresso deste Pas. No do Brasil de tanta corrupo, mas do Brasil de Afonso Augusto Moreira Pena, Crispim Jacques Bias Fortes, David Campista, Afrnio de Melo Franco, Pandi Calgeras, Olegrio Maciel, Bernardo Monteiro, Artur da Silva Bernardes, Camilo Pinheiro Prates, Juscelino Kubitschek, Jos Maria Alkmim, Magalhes Pinto, Tancredo Neves e outros tantos de igual valor, que fizeram o Estado de Minas Gerais respeitado no cenrio nacional.



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Por Petrnio Braz - 29/4/2018 02:50:50
A palavra falada e escrita

Petrnio Brs

O homem, o ser humano, comunica-se com seus semelhantes atravs da linguagem falada, escrita ou gestual, utilizando-se das lgicas mental e prtica. Os conhecimentos adquiridos foram acumulados atravs de geraes pelo uso da palavra.
O mundo das palavras o prprio universo do ser humano. Muitos so os idiomas falados, mas todos se incorporam lgica mental do fenmeno literrio.
Falamos o Portugus, que se originou da fala galega, que por sua vez teve a sua origem no Latim vulgar. Lngua que nos veio dos versos de D. Dinis, da prosa de Ferno Lopes, das clogas de Gil Vicente, da poesia de Cames e de Antero, dos sermes de Vieira, das novelas de Camilo, da lrica de Joo de Deus e, por isto, devemos am-la e preserv-la.
Lembra-nos Jlio Dantas: como no haveremos ns de am-la, se ela feita do melhor do nosso sangue e da nossa glria; se ela a mais viva expresso de nossa imortalidade; se - obra laboriosa dos sculos! - ela viveu antes de ns e viver para alm de ns; se ela , enfim, o vnculo imortal que nos une e a voz dos mortos que nos fala!
A lngua constitui-se em um fator essencial de ligao entre os elementos humanos que compem uma Nao.
Em qualquer profisso, a construo do pensamento e sua exteriorizao realizam-se por meio da palavra. Assim, cultuar a lngua e preserv-la na sua inteireza plena dever de todo bom profissional.
Saber expressar-se atravs de palavras prprias, fiel ao pensamento elaborado e capazes de transferir com propriedade a ideia criada, valoriza o profissional e sua profisso.
O ser humano, em suas relaes com outros, identifica-se pela capacidade de comunicao. Comunica melhor quem fala melhor, quem se expressa melhor e, para se expressar melhor, necessrio conhecer bem a lngua, que o instrumento dessa comunicao.
Preocupa-me as constantes transformaes ocorridas na educao de nossos jovens. H quase dois sculos j dizia Voltaire: Sufoca-se o esprito da criana com conhecimentos inteis. Em lugar de se aprimorar o conhecimento da lngua, j nos primeiros anos de formao os estudantes so assoberbados com matrias as mais diversas, absolutamente desnecessrias formao inicial de seus conhecimentos. Resultado: No aprendem nenhuma delas.
No vai muito longe o tempo em que nos quatro primeiros anos de escolaridade, aps a alfabetizao, estudava-se Portugus, Aritmtica, Histria, Geografia e iniciao s Cincias. Alunos de Faculdade (universitrios), hoje, no sabem nenhuma dessas matrias importantes e essenciais, que ns outros aprendemos no Curso Primrio. No Primrio aprendemos a gostar de leitura e a leitura nos proporcionou o conhecimento posterior dos outros campos do saber humano.


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Por Petrnio Braz - 15/4/2018 15:23:29
O Retrato do Prazer

Petrnio Braz

Relatos de vida. Uma filosofia da existncia. Eis como vi, li e reli o novo livro de Amelina Chaves, para elaborar o Prefcio. A preocupao de apresent-lo, em presena da honra da deferncia que a Autora me delegou, leva-me despreocupao, porque os prefcios nunca so lidos. O leitor vai ignor-lo, mas haver quem o ler e esse quem se inscreve entre os leitores mais seletos.
Bom mesmo ser que o leitor v direto ao texto da obra literria por um convite do Ttulo e por respeito consagrada Autora. O leitor livre para tomar a sua deciso. Nesse sentido a observao de Marisa Lajolo: Mergulhar na leitura o que fazem os leitores que gostam do que esto lendo. E quando no gostam? Quando no gostam, nem tm de ler por obrigao, largam o livro, pois o leitor dono e senhor de seu nariz e de sua vontade: tanto pode fechar o volume depois de algumas pginas se no estiver gostando ou, ao contrrio, esquecer o mundo sua volta e mergulhar na histria que o livro conta. (LAJOLO, 2004:29).
Mas, iniciando a leitura de O Retrato do Prazer, o leitor ir esquecer o mundo sua volta e ir se deleitar com a realidade humana dos inmeros captulos. Lendo um captulo, ler o outro porque interligados numa sequncia coerente.
A Autora nos adverte: Nessas histrias narradas por outros, tento focar experincias e sentimentos velados para o mundo. Abrir o quarto escuro da mente humana. Esta que guarda sentimentos dos mais absurdos jamais imaginados e expor a realidade de cada um. Que o mundo desconhece, tanto que este ter varias historias. Algum me perguntou: Ser um livro ertico?
Erotismo? A sexualidade envolve quase todas as reas da vida humana. Tornar-se sexual ao vestir um dever social da mulher. A nossa vida est permeada de sexualidade. As limitaes scias, de natureza religiosa, inibem a nossa prpria existncia. O papa Gregrio Magno, no sculo VI da Era Crist, instituiu os sete pecados capitais. O jornalista Vicente Serejo (jornaldehoje.com.br), acertadamente afirmou que o homem viveu dois mil anos com medo dos pecados capitais, quando eram sete as portas do inferno. Hoje andam to fracos, se que ainda so pecados, que outros so os medos e at o pobre Diabo perdeu seu veneno. O que poderia haver de to perigoso assim na ira, luxria, gula, inveja, soberba, avareza e preguia?
Tudo est to mudado. Segundo Savater, at o sexo perdeu seu sentido de recreio ldico dos jogos amorosos para ser uma olimpada de eficincia e sucesso. Houve um tempo, conta o filsofo espanhol, que o sexo era algo sagrado, acima do bem e do mal, intocvel por umas tantas artimanhas da vida besta. Hoje, no. Vivemos sem ritos, sem liturgias. Tudo caiu na banalidade invencvel. At os sete pecados que um dia j foram capitais.
O Papa Bonifcio VIII afirmou publicamente que no acreditava na imortalidade da alma e na vida eterna, e que os prazeres dos sentidos no eram pecados.
O sexo est permeado de uma srie de crenas e mitos. Mas ele um dos aspectos mais importantes de um relacionamento, necessrio ao bem estar fsico e psicolgico.
Amelina Chaves nos d a certeza de que o sexo, seja ele eventual ou estvel, agradvel. Uma demonstrao de carinho, emoo e afeto. Ela comedida, no descendo ao realismo de Darcy Ribeiro, de Jorge Amado, ou de E. L. James em Cinquenta Tons de Cinzas.
Observa o psiclogo Diego Henrique Viviani que vemos o sexo como parte integrante da sociedade e da vida das pessoas. Independente do contexto em que est inserido, ele pode ser vivido de forma prazerosa e complementar de nossa vida.
Pessoalmente, com noventa anos de idade, no mais me ocorrem os prazeres da carne, mas os prazeres da vida continuam presentes. Plato em A Repblica, diz, pela voz de Cfalo: Fica a sab-lo bem: na medida em que vo murchando para um os prazeres fsicos, nessa mesma aumentam o desejo e o prazer da conversa (A Repblica, So Paulo, Editora Martin Claret, 2005:12).
Mas, ocorreram-me pela leitura de O Retrato do Prazer lembranas. E quantas? Quem no as tem?


83229
Por Petrnio Braz - 6/4/2018 05:44:29
Dentro de minhas convices pessoais, estou sem candidato presidncia da Repblica. Preocupa-me, contudo, o fato de que o Pas continua dentro dos conceitos firmados pelos preceitos da corrupo, que se estriba (forte) na convico de que o dinheiro pblico desviado no faz falta porque os tributos arrecadados em sequncia cobrem o rombo.
Ser que os homens pblicos desapareceram dos quadros polticos desse Pas?
Sou levado a admitir, contrariando em Ruy Barbosa, que no tenho vergonha de ter sido honesto enquanto fui administrador pblico.
Quando Prefeito de So Francisco, j faz alguns anos, com recursos do DNOCS (atravs de convnio), constru o Servio de Abastecimento de gua da cidade, com Estao de Tratamento (obras que pertenciam ao Municpio e foram doadas depois gratuitamente COPASA, na administrao Oscar Caetano Jnior).
Quando estvamos abrindo as valas nas ruas, para instalao da canalizao geral, o Sr. Arnaldo (pai de Sady Maynart) caiu em uma delas, na Rua Silva Jardim, e quebrou a perna. Ele disse: - Esse Prefeito um irresponsvel, abrindo esses buracos na rua.
A rede de distribuio de gua est enterrada em todas as ruas da cidade e ningum v. Mas, quando a dona de casa abre a torneira e a gua jorra ela sabe que a gua est chegando ali, a partir da Estao de Tratamento, de alguma forma. Para o povo, o calamento de uma rua parece mais importante, porque fica vista de todos. Mas no disso que eu quero falar.
Antes de comear a abrir as valas pelas ruas da cidade, eu tinha ido a So Paulo para comprar a tubulao, para a distribuio da gua em todo o permetro urbano da cidade. Visitei trs fornecedores em coleta de preos. As despesas eram volumosas. Em um deles, onde o preo era mais barato (pouca diferena) estava pronto a fazer a compra quando um diretor disse-me: - Ns daremos ao senhor 10% (dez por cento) do valor global da compra. Eu respondi: - Fechado. Os senhores deduzam o percentual oferecido do valor que o Municpio ter que pagar.
Um dos caminhes que transportava parte da tubulao foi acidentado em Bocaiva e eu no aceitei a carga (poderia ter avarias no visveis) e teve que ser substituda.
Comentado este fato dos 10%, anos depois, com o ex-prefeito de So Francisco Severino Gonalves da Silva - ele disse-me: - Voc foi burro.
preciso que se afaste, do conceito geral, a ideia de que todo homem pblico desonesto. Nas prximas eleies ser imposto ao eleitor a obrigao de escolher bem. Escolher bem, sem partidarismos polticos que cegam. Precisamos acabar com a corrupo na base. Todo eleitor, que pede favores para votar, corrupto.


83208
Por Petrnio Braz - 25/3/2018 07:07:08
O Caf Galo

Nos subrbios de Paris e nas reas prximas aos arrondissements centrais, especialmente em Neuilly, Boulogne ou Levallois, existem os conhecidos cafs.
O hbito de tomar caf, na Europa, sempre esteve associado aos encontros sociais e culturais. Em Veneza, esses encontros ocorriam nos Bottegle Del Caf e ainda ocorrem nos tempos atuais, sendo famoso o Caf Florian.
Em Paris, muito conhecido o Caf Procope, onde os intelectuais se renem, durante as tardes, para declamarem poesias, ler livros e jornais ou simplesmente para passar o tempo.
No Brasil, ficou famosa a Rua do Ouvidor, que Joaquim Manoel de Macedo classificou como a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bis-bilhoteira, esbanjadora, ftil, noveleira, poliglota e enciclopdica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro.
Principalmente poliglota e enciclopdica, a Rua do Ouvidor era o ponto de encontro dos intelectuais da capital do Imprio e, posteriormente, da Repblica. Por ela passavam ou nela permaneciam, no apenas fidalgos libertinos, mas principalmente intelectuais. Os primeiros republicanos por ela passaram e nela discutiram os ideais revolucionrios. Fizeram histria.
Montes Claros, a capital do Norte de Minas, tambm possui a sua via pblica passeada e concorrida, leviana e indiscreta, bisbilhoteira e esbanjadora, ftil e noveleira, poliglota e enciclopdica: o Quarteiro do Povo.
So famosos o Caf Procope em Paris e o Caf Florian em Veneza, todavia, no menos famoso e conhecido o Caf Galo, em Montes Claros, situado exatamente no centro do Quarteiro do Povo.
O Caf Galo o ponto de encontro dos polticos, profissionais liberais, jornalistas e aposentados, principalmente no correr do meio dia e nos finais de tarde. Pessoas que venceram na vida e, por esta razo, podem dar-se ostentao de verem passar o tempo. Uma pliade de profissionais liberais, jornalistas, escritores e professores, que se deleitam em discutir o indiscutvel. E uma parcela considervel de aposentados, que se deliciam em ver desfilar as beldades da cidade.
Os primeiros so pessoas ativas, afirmadas na vida, de formao superior, graduados e ps-graduados, que se podem dar ao fausto de se reunir para os deleites maiores da intelectualidade, e os outros, no menos importantes, so criaturas que j desenvolveram, no devido tempo, as mais variadas atividades produtivas e, agora, podem, por direito, desfrutar, despreocupados, os prazeres da ociosidade.
H, em todas as vias pblicas, indiscretos bisbilhoteiros, fteis observadores que passam e, desconhecendo a magnitude e os valores dos que ali so frequentes, por no possurem os atributos filosficos da reflexo, da elevao do esprito acima da materialidade da vida, ou por serem desprovidos do respeito veneranda condio da aposentadoria, ficam a meditar a distncia, sem atributos para se aproximarem, considerando os cultores da intelectualidade como desocupados, e os aposentados como vagabundos.


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Por Petrnio Braz - 9/3/2018 21:16:21
Os Sermes

Petrnio Braz

Para quem viveu a vida religiosa (crist) antes dos anos sessenta, do Sculo passado, os sermes eram a forma mais perfeita de evangelizao. Os templos catlicos, em sua grande maioria, possuam plpitos, geralmente nas laterais na nave principal e o proco, no momento preciso, deslocava-se do altar-mor e dirigia-se para o plpito. Momento aguardado com certa ansiedade pelos fiis, j que a missa, celebrada em latim, nada transmitia de cristianidade grande maioria dos que a assistiam. Fui coroinha nesse tempo, ajudando o sacerdote nas funes do altar.
A missa, como a reconstituio do sacrifcio de Cristo pela humanidade, no era momento de festa, era um ato solene e mstico, e deveria ter continuado a ser. Um ato respeitoso de contrio, de elevao espiritual e no de alegrias humanas de natureza terrestre.
O contato do proco com os fiis circunscrevia-se ao sermo. Nele a palavra do Evangelho era mostrada de forma viva, pela eloquncia do pregador.
Foram-se os tempos de um Padre Vieira (o maior pregador catlico de todos os tempos, em lngua portuguesa), mas ainda podemos encontra sacerdotes capazes de transmitir a f atravs da palavra, no da imposio desta atravs de dogmas. Entre os evanglicos destacam-se tambm alguns excelentes pregadores.
Quando leio os Sermes do Padre Vieira, vejo renascer em meu esprito, hoje agnstico, a procura do entendimento da realidade incognoscvel da minha condio de ser humano, de minha origem evolutiva ou criativa.
O padre Antnio Vieira, da Companhia de Jesus, natural de Portugal, veio para o Brasil com sete anos de idade. considerado um dos homens mais extraordinrios do sculo XVII. Teve atuao de vulto na poltica e grande influncia religiosa tanto no Brasil como em Portugal, e na vida cultural e literria em outros pases.
Os sermes daqueles tempos eram persuasivos e claros, centrados no Evangelho, e tinham como paradigma o Sermo da Montanha, provindo da palavra do prprio Cristo.
Ouvi alguns bons sermes, com igreja cheia de fieis silenciosos, com os olhos e a mente presos palavra do orador sacro. No se batia palmas nem antes, nem durante, nem depois. Rezava-se, com as ltimas palavras do sermo ainda presentes a nos infundir a certeza da f. Eram sempre palavras que deixavam a mais forte impresso emocional. O orador sacro no buscava aplausos; ele se realizava atravs do estado reflexivo, da elevada contrio dos fiis.
De Vieira, alm de inmeros outros, so imperdveis: Sermo de Santo Antnio, Sermo da Visitao de Nossa Senhora a Santa Isabel e o Sermo pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda.
Os sermes, quando objetivamente conduzidos a tempo e modo, ainda exercem influncias benficas na manuteno da f, conduzindo ao arrependimento, renovando a devoo e orientando a conduta humana dentro dos preceitos da f de cada um.
O convencimento, pela fora da palavra qualifica o orador sacro. Existe um poder imenso nas palavras. Um sermo pode libertar o que de bom existe dentro de ns mesmos, exorcizando o mal.


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Por Petrnio Braz - 5/3/2018 08:01:35

Tradio e Cultura

No tivessem as tradies vinculadas cultura de qualquer povo, primitivo ou civilizado, sido preservadas no teriam chegado aos nossos tempos os valores da Grcia clssica e, na Europa, os edifcios e as obras de arte medievais teriam desaparecido.
Aqui pelo Norte das Gerais pouco se cuida da preservao do nosso passado histrico. Nem mesmo em Montes Claros, cidade universitria, os valores culturais edificados tm sido resguardados, como deviam ser.
Se assim fosse, para que estudar Histria? O passado deveria morrer. Ser esquecido. Nem mesmo de nossos pais, filhos ou avs, que se foram, deveramos nos lembrar. passado. No entanto, nem os brbaros esqueciam os seus mortos. Eles - os brbaros - no deixavam sair da memria das geraes as suas tradies.
O que somos est vinculado ao que ramos. Faz parte do processo evolutivo da humanidade. At hoje no me conformo, por exemplo, com a demolio do Mercado Central da Praa Dr. Carlos. A Administrao Municipal poderia ter retirado dele os comerciantes, como Cristo expulsou os vendilhes do Tempo, transformando o local em um Centro Cultural ou em um Museu do Tropeiro. Em Jerusalm os vendilhes foram expulsos, mas as runas do Templo ainda se fazem presentes no contexto urbano da cidade.
Falando em tradio, h pouco mais de trs anos percorri parte da Estrada Real, na regio do Parque Nacional da Serra do Cip. Em Ipoema, distrito de Itabira, que se localiza no curso da mesma Estrada, presenciei as comemoraes do 5 Aniversrio da instalao do Museu do Tropeiro. Ali, no Centro de Minas Gerais, as tradies so resguardadas e o povo se orgulha delas. Vive-se o passado com os ps no presente. O progresso no apagou da memria as andanas a cavalo, a vida rural em sua inteireza plena. As ruas e a prpria estrada (ainda de terra) com incontveis cavaleiros, orgulhosos de serem ruralistas. Na lembrana revivi os meus prprios tempos de vaqueiro, quando na mocidade auxiliava, nas frias escolares, os trabalhos de campo na fazenda de meu pai, em So Francisco. Por que, em Montes Claros, ainda no se lembraram de fixar o passado de nossos vaqueiros, dos tropeiros? Verdade que as vaquejadas retm em nossa memria parte desse passado. Mas no tudo que se espera, para essa preservao.
Na realidade presente, os caminhes substituram os vaqueiros no rduo e edificante trabalho de conduzir boiadas. O berrante do vaqueiro foi substitudo pela buzina do caminho. Quem leu Euclides da Cunha viu o vaqueiro nordestino em sua essncia fsica.
Como era eletrizante o topar de um boi na aguilhada de um vaqueiro! Nunca me animei a tanto. Como era dramtico o estouro de uma boiada! Presenciei a um, e pretendo descrev-lo um dia.
A modernidade no deve e no pode apagar as tradies do passado. O Departamento de Histria da UNIMONTES tem sobre os seus ombros a grande responsabilidade da manuteno da lembrana e da preservao de nossas tradies culturais, que devem ser tratadas com especial carinho.
Preservar a cultura um dever de cidadania.


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Por Petrnio Braz - 25/2/2018 16:49:11
H de gemer por ele o gaturamo

Petrnio Braz

H j uns poucos anos, faleceu sozinho e pobre, excludo dos Quadros da OAB, em um quarto qualquer, de uma casa qualquer, de uma rua qualquer, em Belo Horizonte, o causdico Charles Emerson Bispo. Faleceu sem a assistncia de um amigo, de um parente, de uma mulher. Separado da esposa e dos filhos, vivia s.
Nos dias finais de sua vida, desprovido de afetos pessoais, amargurado, no se maldizia do destino, embora vivesse recolhido dentro de uma roldana de magoas e dissabores. Em seu fadrio, a melancolia entremeada de amarguras como feridas abertas eram suas companheiras.
A vida no lhe foi amena. No silncio das noites, no idear da imaginao dos tempos vividos, nos ltimos anos de sua vida esteve acorrentado como Prometeu montanha de suas desiluses. Faleceu sozinho, absolutamente s. Apenas um amigo distante, residente em Montes Claros, ao ter conhecimento do doloroso desenlace, chorou por ele: Antnio Gonalves de Oliveira, o Lieta. Chorou com emoo, com verdadeiro sentimento de perda.
Em um cemitrio qualquer, em Belo Horizonte, dorme ele o sono da eternidade. Piedosas e annimas beatas havero de orar por ele, ao p da cruz abandonada que identifica a presena de seu sepultado corpo. Ele no estar s.
Esta realidade da cruz abandonada fez-me lembrar a poema A Cruz da Estrada de Castro Alves. O profissional do Direito, Charles Emerson Bispo, teve os seus dias de glria. Brilhou por alguns anos na tribuna da defesa do Tribunal do Jri, em algumas Comarcas do Norte de Minas e em Belo Horizonte. Tendo Dcio Fulgncio na Tribuna de Acusao, ele atuou na Tribuna da Defesa, em jri no Frum Lafayete, em Belo Horizonte. Orador brilhante, culto e destemido. Enveredando-se pelo Direito Eleitoral, foi advogado do PDS de Minas Gerais, em Belo Horizonte, nos anos 80, o maior Partido Poltico do Ocidente naquela poca. Advogado com poderes para requisitar avio para conduzi-lo a qualquer cidade de Minas Gerais, onde os interesses do Partido estivessem em jogo. A seu convite, estive com ele em Capelinha, naqueles tempos idos, para suspender a posse de um Prefeito por deciso do presidente do Tribunal de Justia do Estado.
Com o testemunho do professor Ivo das Chagas, posso atestar ter sido ele, no seu devido tempo, um dos maiores advogados mineiros.
O bacharel de invejvel cultura, leitor assduo dos clssicos, diplomado pela UFMG, deixou-se suplantar pelo homem. E o homem comum que nele existia foi capaz de destruir o advogado. Coisas da vida.
Os desacertos, os despropsitos de seu final de vida no so to fortes que possam apagar o seu efetivo valor cultural, que prevalece vivo em nossas mentes. Nesta hora de lembranas, prefiro esquecer-me do homem que jogou pelo ralo sua vida, para recordar-me do profissional, enquanto foi um advogado.
Lembro-me do jovem graduado pela Faculdade de Direito da UFMG, que chegou a So Francisco com os arroubos da juventude, e fez carreira. Recordo-me do advogado que brilhou em Pirapora, Januria, Manga, Braslia de Minas, So Romo e Belo Horizonte, esquecendo-me do homem que ele foi e que dele nunca se afastou; que o destruiu, depois.
No silncio de sua sepultura ele descansa sem a presena de amigos e parentes, dormindo em seu leito de desventuras, que a vida dentre as selvas do asfalto lhe comps. Ali, nas palavras de Castro Alves, h de gemer por ele o gaturamo..


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Por Petrnio Braz - 9/2/2018 04:56:09
O Estado e a Violncia

A violncia, provocada ou no pelo crime organizado, uma consequncia direta da diminuio do poder do Estado em face do cidado.
A Constituio brasileira de 1988, a chamada Constituio Cidad, fundamentada na defesa do cidado contra o Estado, ou melhor, contra o Regime Militar implantado em 1964, deu ao cidado direitos, sem deveres expressamente definidos.
A violncia deixou de ser um fato social localizado nos grandes centros. No existe mais cidade ou campo, vida urbana ou rural imune s suas consequncias. A falta de segurana transformou a populao ordeira e laboriosa em refm dos criminosos, em todo o territrio nacional, situao nascida, em parte, por mais absurdo que parea, do desarmamento da sociedade civil obstaculizando a autodefesa.
O direito vida, o maior bem de todo cidado, o legtimo e ainda legal direito autodefesa, no pode mais ser exercitado pelo cidado comum, que foi desarmado em benefcio de uma suposta paz social. O porte-de-arma deferido ao policial (civil ou militar) e ao bandido.
No atravs de algumas poucas armas, furtadas ou tomadas por bandidos de civis honestos, que eles se armam. Eles so armados por outros meios, que todos sabem, mas fingem ignorar.
A Constituio garante, como direito de todos os brasileiros, a vida e a propriedade; contudo, o Estado est impotente para a garantia desses direitos. A simples afirmao, tendente a justificar o injustificvel, de que o Estado, em passadas administraes, relegou a lugar secundrio a segurana pblica, no atende aos interesses maiores da sociedade.
A criminalidade , antes de tudo, fruto do descaso pela educao. produto do desrespeito ao cidado honesto, impossibilitado do exerccio natural da legtima defesa, em presena da ausncia do Estado. Nasceu da crise de autoridade, implantada pelo despreparo ou pela irresponsabilidade dos governantes. Vigora em presena da corrupo pblica, que mina os conceitos de cidadania; alimenta-se do exemplo diariamente exibido pelos meios de comunicao, especialmente pela televiso, que est se constituindo em escola de criminalidade, no s pelos filmes de violncia que exibe, mas tambm pelos noticirios. Estabiliza-se, criando a insegurana generalizada, atravs do despreparo de alguns poucos, felizmente policiais, que muitas vezes agridem impunemente o cidado civil honesto.
Nem todos podem pagar por segurana particular, mas todos os cidados esto sendo obrigados a instalarem cercas eltricas em suas residncias, a colocarem grades em suas portas e janelas, a terem porto eletrnico com alarme e a criarem cachorros. Todos os cidados honestos esto presos dentro de suas prprias casas e desarmados, como cordeiros a serem imolados.
Que Pas este? um Pas rico de povo oprimido.
Impe-se, urgentemente, uma reformulao corajosa de alguns conceitos liberais ou neoliberais, sem retorno supremacia do Estado sobre o cidado.
Impe-se sejam definidos novos conceitos de Democracia.


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Por Petrnio Braz - 1/10/2017 20:07:48
Uma parada para meditar

Disse h quase dois anos, mas no cumpri. Porem, no me julguem como Nietzsche: Fiquei magoado, no por me teres mentido, mas por no poder voltar a acreditar-te. Mas agora sou levado a repetir, e no ser mentira.
Sou levado a suspender minhas contribuies, que tm aparecido nas pginas dos nossos jornais, no montesclaros.com, em Montes Claros. Suspender no sentido de parar para uma meditao sobre o prprio sentido da vida literria. Ficar meditabundo talvez como o vate de Gonalves Dias: E o vate entanto plido o semblante / meditabundo sobre as mos firmara.
Meditar sem dizer palavra ou repetindo Castilho: no que tanto h de durar medite-se mui de espao. Mas a minha no ser uma meditao mitolgica como a de Puruha, o Prajapati (Pradjpati) dos indianos (Vedas), que meditando criou os deuses, nem uma meditao dos budistas para adquirir, atravs dela, a cincia transcendente universal ou Badhi, nem a dos sbios. Ser uma meditao de plebeu sertanejo, preguiosa, mas, com certeza, no ser uma meditao de aposentado, embora j esteja na sala de embarque do aeroporto interestelar, com o bilhete da passagem j marcado, mas sem pressa, no aguardo de um possvel cancelamento temporrio da partida. No viemos aqui para ficar.
Considerando o cancelamento temporrio da partida, da responsabilidade dos mdicos que me assistem, tenho como compromissos editoriais, que estavam programados para o ano passado, revisar, para novas edies, meus livros jurdicos, que no so poucos, e rever, na fase final de editorao, cinco outras obras, estas de cunho puramente literrio.
Se tudo correr bem, como espero porque j realizados os trabalhos e prontos para serem entregues Editora, quero estar relanando o Serrano de Pilo Arcado A saga de Antnio D e o romance Jandaia em Tempo de Seca. Vou editar os livros Caleidoscpio, Nas Asas do Tempo e O Lxico do Grande Serto.
Habituei a preencher os vazios dos sbados e domingos, no mais visitando o Quarteiro do Povo (aos sbados) e a Praa da Matriz (aos domingos), mas assistindo filmes westerns ou jogando xadrez contra o computador (adversrio s vezes terrvel).


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Por Petrnio Braz - 1/10/2017 10:24:12
Lembrar preciso VI

As ideias so o fio condutor do pensamento e das aes do ser humano. So como o fio de Ariadne no Labirinto: elas governam o mundo. Elas nascem simples e mesquinhas como um pequeno riacho ou uma insignificante enxurrada nos dias de chuva, mas vo crescendo, incorporam-se a outros cursos dgua, criam volume e terminam por formar o oceano.
Lipa Xavier um homem de ideologia formada, consciente. As ideais em sua mente so, em sua essncia, um caudaloso rio que irriga as frteis manifestaes dos sistemas dogmaticamente organizados por Karl Marx, Engels e Proudhon.
O Brejo das Almas bero de literatos. Eu diria que a nata cultural de Montes Claros teve origem no Brejo. Lipa Xavier mais um brejeiro-montes-clarense que nos brindou com o livro "Os Olhos Tristes de Ulisses, que me surpreendeu positivamente, e estou relendo pela terceira vez.
Conhecia, e sempre admirei, o poltico Lipa Xavier, mas desconhecia o literato, que muitas vezes se manifestava nos seus pronunciamentos pblicos, nas entrevistas. Mas Lipa Xavier havia j vencido concursos literrios no contexto universitrio. O literato j existia.
Quem sertanejo sabe que o Serto, como bem definiu Guimares Rosa, do tamanho do mundo; o serto no tem fronteiras. Quem escreve sobre o Serto, redige para o mundo.
Integram o livro, com estilo prprio e inconfundvel, contos que individualmente j qualificam o autor. O sublime princpio da loucura (ou o pispiar da lucidez), Servano, Rosa das almas, Os olhos tristes de Ulisses (que d nome obra), Serenas chuvas nos Gerais, Anos, saudades e alumbramentos e Um sopro que me ventou aos ouvidos.
Lipa Xavier abre o seu livro revelando-se, em comparao com Valodia Teitelboin, do pas de Neruda, ser bgamo. Mas, depois de ler, verifico que ele polgamo. Ele efetivamente ama a poltica, amante traioeira; revelou amar a literatura, companheira de esprito irrequieto; ama a si mesmo, amor indispensvel autoafirmao; ama a natureza, amor universal; ama a vida.


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Por Petrnio Braz - 26/9/2017 16:33:33
Lembrar preciso V

Rossini Corra, vice-reitor da American World University AWU/USA, vice-presidente da Associao Brasileira de Advogados ABA e membro da Academia Brasiliense de Letras, em Vida inteligente com os gregos, artigo publicado na Revista da Escola Nacional de Advocacia, n 7‏, observa que Alexandre Magno, no por acaso, desejoso de demarcar a conquista do Egito com a fundao de uma cidade que lhe guardasse a memria, chamando-se Alexandria e que vivesse povoada pela respirao molecular da presena grega, Alexandre, o Grande, realizou o seu traado com farinha sobre a terra negra, falta de giz ou areia. Pssaros em profuso, descidos em nuvem, comeram a farinha e apagaram o traado da futura construo. Espiritualmente aflito com o mau pressgio, Alexandre, o Grande, perpassou os areais perigosos do deserto, em busca do Templo de Jpiter Amon, onde consultou o orculo, interessado em receber como resposta do presbtero, entre outras coisas, se o deus lhe concederia a graa de torn-lo monarca do mundo inteiro. Chamado de filho de Jpiter, por meio do seu profeta, o deus respondeu-lhe que sim.
O mundo que Alexandre Magno, expandiu nada tinha, a rigor, de macednico: era grego. De onde o desejo do clebre conquistador de que a cidade, que lhe guardasse a memria, tivesse a presena capital de gregos e mais gregos, porque, se a Macednia formara um corpo, a Grcia tinha uma alma, era um esprito e afirmara um paradigma.
Educado por Aristteles, seu preceptor, outra coisa no se podia esperar do grande Alexandre. Da parte final do texto de Rossini Corra extrai-se que alguns seres humanos formam o corpo de uma cidade e outros a sua alma, isto , a parte capacitada para ser, pensar e criar.
O rido cho deste Norte de Minas Gerais tambm tem uma alma, que se determina por aqueles intelectualizados que se dedicam produo literria, que identifica o lado mais humano e menos materializado da vida. Por uma lembrana, que se vincula ao merecimento, sou levado a dar relevo, por ser portador das qualidades que se atribuem aos que integram a alma norte-mineira, a Olyntho da Silveira, de saudosa memria..
Olyntho da Silveira, escritor e poeta, que faleceu centenrio, uma lembrana viva. Sou levado a recordar que, por telefone sua esposa, escritora Yvonne de Oliveira Silveira, tambm de saudosa memria, convidou-me, com minha esposa, para uma reunio em sua casa, sem nos informar que era para comemorao dos 99 anos de Olyntho. L estivemos, em uma noite festiva.
Olyntho da Silveira nasceu em Brejo das Almas, hoje Francisco S/MG. Foi fazendeiro, comerciante, funcionrio pblico, delegado de polcia, vice-prefeito de Montes Claros. Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia Montesclarense de Letras, de que foi presidente. Ele publicou: Cantos e Desencantos, Minha terra e a nossa histria, Portais Versificados, Francisco S nas suas origens: O Velho Brejo das Almas, Cinquento, Cantos Chorados e, em parceria com sua esposa Yvonne Silveira, Brejo das Almas. Realista e amoroso, no seu soneto a Maria Lusa, ele canta: Voc comea a sua Primavera, / enquanto o meu Outono est no fim / e aproveit-la mais eu bem quisera. / Mas mesmo assim bendigo a sua vinda, / Pois que voc o Universo em mim, / na pouca vida que me resta ainda.





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Por Petrnio Braz - 23/9/2017 22:01:33
Avelino Pereira Nogueira, com a dedicatria: Ao consagrado jurista e escritor Petrnio Braz, nossos sinceros agradecimentos e saudaes, presenteou-me com o livro Veredas da Justia, apresentao de Hlio Braga Arajo.
Conhecia o defensor do meio ambiente, o lutador incansvel em defesa dos menos protegidos do meio rural e agora vou deliciar-me com os fundamentos juridicos e sociais de sua atuao.
Ele se apresenta: Eu sou quem sou. Sou um homem simples. Sou um gro de areia. Sou filho de Deus, que amo este pas sobre todas as coisas. Sou um amigo de todos os meus familiares. Sou amigo de todos os brasileiros e brasileiras. Sou amigo fiel nossa me Natureza. Sou um semeador de semente que possa germinar a paz e a felicidade a toda homanidade. Sou um sem orgulho, sem cobia ao alheio, sem dio. No sou vingativo, perdou tudo que j fizeram comigo. No tenho mguas, pois tudo me fizeram fortalecer nas graas de Deus. Por tudo isso, estou escrevendo esse simples livro para que todos faam uma boa leitura e faam algumas reflexes e avaliaes do que poder consertar e o que dever ser feito.
No um livro para ser simplesmente lido. Ele tem que ser degustado, e o que vou fazer.


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Por Petrnio Braz - 23/9/2017 12:24:36
Lembrar preciso IV

Com a fora assoladora de um tsunami circulou pelos arredores do Caf Galo, nos idos de 2009, comentrios sobre o livro O Lao Hngaro lanado por Drio Cotrim, que estaria se contrapondo ao livro O Lao Hngaro, escrito por Fernando Benedito Jnior e lanado em 1991, Prmio BDMG Cultural de Literatura 1990. Por terem ambos o mesmo ttulo denominativo, primeira vista desponta uma elaborao mental de existncia de reproduo de obraETG intelectual.
Mas, temos Clarissa de Samuel Richardson e Clarissa de rico Verssimo; Cartas para Mariana de Osmar Pereira Oliva e Cartas para Mariana de Vera Abad; O Retrato de rico Verssimo e O Retrato de Charlie Lavett; O Capital de Karl Marx e O Capital de Thomas Piketty.
Vrios historiadores fixaram a presena da Coluna Prestes nos anais de nossa Histria.
A Coluna Miguel Costa-Prestes, Coluna Prestes ou Isidorada foi um movimento revolucionrio que se iniciou no Rio Grande do Sul. Informa a biografia de Luiz Carlos Prestes que os revolucionrios que lutavam no Sul foram-se reunindo em So Lus Gonzaga (RS) em torno de Prestes, considerado por Cordeiro de Farias, Juarez Tvora, Siqueira Campos, Joo Alberto e Ari Salgado Freire como o mais apto a liderar a revoluo. Em So Lus, esse grupo analisou as opes que se lhes apresentavam para continuar a luta. Deveriam de incio tentar receber armas, e munies de Isidoro, que continuava controlando a situao na regio de Foz do Iguau.
At a nada a ver com os dois livros referidos. Eles cuidam da passagem da Coluna pelo Norte/Noroeste de Minas e Sul da Bahia.
Plato e Xenofonte escreveram sobre Scrates. O primeiro na Apologia de Scrates, v o filsofo e o segundo, nas Memrias de Scrates, nos oferta a vida cotidiana do imortal filsofo. Ambos escreveram sobre o mesmo assunto por enfoques diferentes.
Sobre o tema Coluna Prestes foram editados vrios livros e outros tantos a ela se referem. Com o ttulo Coluna Prestes foram editados cinco livros, ou talvez mais. O tema palpitante e vasto. Como um diamante de vrias superfcies limitantes, ele pode ser descrito de acordo com o ngulo de viso do escritor.
O livro O Lao Hngaro, escrito por Fernando Benedito Jnior um romance com personagens reais e fictcias, com algum fundamento histrico, enquanto o livro O Lao Hngaro de Drio Cotrim histrico, fundamentado em pesquisas, com apresentao de vasta biografia. Em comum apenas o nome, como tantos Joos, Marias e Antnios que encontramos a todo instante. A obra literria de Fernando Benedito Jnior de fcil leitura porque ele romanceando procurou retirar a aridez dos fatos histricos, enquanto a de Drio Cotrim uma obra histrica, nos trazendo a sobriedade do historiador


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Por Petrnio Braz - 15/9/2017 08:13:01
Lembrar preciso III

Ao ser convidado pelos diretores da Editora Alcance, do Rio Grande do Sul, para participar da audaciosa antologia potica Poetas Pela Paz e Justia Social, que reuniu 500 poetas brasileiros, lembrei-me, em uma primeira pesquisa de memria, de Aroldo Pereira.
Para dizer sobre/de Aroldo Pereira, de quem me lembrei, pesquisei no Google e navegando descobri que ele natural Corao de Jesus, cidade que me acolheu, por um largo espao de tempo, e deu-me o honroso titulo de Cidado Honorrio.
Todos ns sabemos que ele poeta, ator, agitador cultural e compositor, mas eu no sabia que ele era integrante do Grupo de Literatura e Teatro Transa Potico, que desde os anos 80 desenvolve um trabalho performtico com poesia, msica e teatro. Vocalista da banda punk Ataq. Cardaco, no final dos anos 70, tem canes gravadas por lcio Lucas e Deusdeth Rocha.
Todos ns temos cincia que ele foi homenageado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que deu seu nome ao Centro Acadmico de Letras, mas eu no sabia que ele verbete do Volume II da Enciclopdia da Literatura Brasileira, organizada por Afrnio Coutinho (estou presente no Volume I da mesma Enciclopdia).
Aroldo Pereira reside em Montes Claros/MG, onde, em 1987, idealizou e o curador, por mais de vinte anos consecutivos, do Salo Nacional de Poesia Psiu Potico (www.psiupoetico.com.br), atravs da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Cultura, onde foi, at 2008, Secretrio Adjunto de Cultura.
Ele recebeu em 2006 a mais alta condecorao do Governo do Estado de Minas Gerais, a Medalha da Inconfidncia e em 2007 recebeu a Medalha do Sesquicentenrio de Montes Claros, onde tambm cidado benemrito.
De uma das orelhas de seu livro Cinema bumerangue, da lavra de Jorge Mautner, extra-se que Aroldo Pereira um poeta mineiro do Brasil-universal que j tem quatro livros publicados. Sua poesia uma mescla, ora com tons de concretismo, ora com tons romnticos. s vezes so poemas onde ele indica seu itinerrio como em rvore, onde comea citando Jack (deve ser Kerouac) e termina dizendo: no fujo do fato / na minha cabea reluz torquato sem dvida o poeta se refere a Torquato Neto, um dos alicerces literrios do tropicalismo, que se suicidou. Em outro poema, nomeado Cinema bumerangue, Pereira torna-se concreto, ziquezagueante e katico. Em mais um outro poema, intitulado Poesia, me parece que a inteno resgatar a chamada poesia panfletria, por muitos considerada demaggica. Ainda em uma outra poesia, o poeta se torna lacnico e pergunta em uma s frase-poesia-interrogao-filosofia--queima-roupa: h quanto tempo ser poeta estar no poder.



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Por Petrnio Braz - 10/9/2017 10:30:24
Lembra preciso II

O professor Edson Ferreira Andrade nos diz que o poeta de si mesmo nada pode dizer de real e que ns no vivemos da poesia, mas tambm no existiramos sem ela. A poesia, na viso de Slvio Prado, um universo imaginrio e para Alphonsus de Guimaraens Filho a vida do poeta mais real que a realidade. A poesia , em verdade, rebento de momentos sofridos. Ivana Ferrante Rebelo observa: Quem de ns no plantou sementes de sonhos? Quem de ns no guarda uma saudade no peito? Quem no traz a emoo de um abrao? De uma flor ganhada? De uma conversa partilhada? Luiz de Paula Ferreira nos adverte que: Quem quiser plantar saudade, primeiro escalde a semente, plante num lugar bem seco onde o Sol bata bem quente, pois se plantar no molhado ela nasce e mata a gente.
Os anos passam, trazem o esquecimento e ocasionam o nascimento da saudade, mas ela, a saudade, necessria lembrana. Coelho Neto sentenciou que a casa da saudade chama-se memria.
Os versos de Dris Arajo so vivos e efervescentes em cada texto contido nas folhas de seus livros, transparentes e brilhantes como os sis que iluminam a sua arte de poetizar. Eles passeiam voluptuosos pelo erotismo de seu corpo, que torna rubras as rosas. To sublimes quanto o enlevo de sua alma embriagada de sentimentos inquietantes como as ondas agigantadas de um mar revolto. Os seus sonhos, enfeitados de estrelas, no deixam que a terra macule os seus ps, em desvarios de loucura. Neles ela mostra o lado humano de sua alma exterior, energia que ela manifesta com prazer para deleite de seus leitores. Deles extrai-se, dentro da teoria machadiana da alma exterior, a importncia que tm os outros para ela mesma. uma pena que o tempo tenha levado algumas de suas composies em versos, mesmo que elas fossem mgoas ou dores bem dodas. No conheo a sua prosa, mas aplaudo o seu subjetivismo potico.
Revendo Dris Arajo, lembrei-me com saudade do seu projeto Livro na Praa, uma realizao apoiada pela Secretaria de Cultura de Montes Claros, sob a direo de Ildeu Brana, que buscou difundir as obras literrias dos escritores montes-clarenses. A mostra pblica ocorria todos os domingos, na Praa da Matriz, no horrio de 9:00 s 14:00 horas.
Os livros eram expostos para conhecimento dos visitantes, que compareciam Barraca do Projeto. Todos os domingos alguns escritores se faziam presentes, em processo de revezamento, promovendo uma interao com os visitantes, em um processo autor-livro-leitor.
Em Hamlet, de Shakespeare, edio de Martim Claret, destaca-se do Prefcio anotaes sobre o livro como objeto de cultura, mas lamentavelmente o nmero de leitores de livros no tem crescido na mesma proporo da expanso demogrfica mundial. A grande maioria da populao humana contenta-se com a leitura de jornais e revistas, que no transmitem ideias, ou com o rdio e a televiso, que escravizam a mente e o esprito.
Meus filhos tero computadores sim, mas antes tero livros" (Bill Gates).



82681
Por Petrnio Braz - 8/9/2017 12:15:34
Os acontecimentos e valores da vida, no acontecem por uma sequncia natural. Se assim fosse, Salomo, filho de Bate-Seba (Betsab), no teria sido o herdeiro de Davi. O valor de cada um deve ser conquistado. Pessoas h, no universo cultural de Montes Claros, que merecem a nossa compaixo em presena do egosmo torpe, em adorao deusa Fama. Buscam, na palavra insuspeita de Jos Pedro Frazo, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, no seu artigo Letras de Palha, a glria pedante e espria conquistada com atributos de vaidade, narcisismo e manipulao, sob a gide e o estratagema de todos os pecados capitais. E prossegue o intelectual acadmico: A menor fagulha de poder suficiente para incendiar cabeas que contm palha. E das cinzas, em vez da lendria Fnix, brota presunosa vaidade jorrando empfia e arrogncia, na iluso de que inchao grandeza. Dessa ambiciosa fogueira, eleva-se fumaa de orgulho arvorando-se no cu da passividade, com ostentao de escuras e levianas nuvens carregadas de oportunismo, sufocando o mais humilde brilho solar.


82675
Por Petrnio Braz - 6/9/2017 21:34:48
Lembrar preciso

Abri, por acaso, o livro Cartas de Inglaterra, de Ruy Barbosa, e reli o primeiro captulo: Duas glrias da humanidade. Escreve ele que ningum poder desvanecer-se de ter percorrido intelectualmente a Inglaterra, se no ousou uma excurso pelas regies sui generis da obra de Carlyle, que parece confinar, por outro lado, com Shakespeare, por outro lado com a Alemanha de Goethe, Schiller e Joo Paulo Richter.
Nossa submisso primeira cultura que nos vinha da Frana, at princpios do ltimo sculo e, depois da Inglaterra, por imposio econmica, nos leva a, esquecendo do que nosso, permanecermos atrelados ao que nos vem de fora. Essa submisso foi necessria aos escritores do passado, especialmente aos do sculo XIX. Obrigatoriamente, no existe mais.
Parodiando Ruy Barbosa posso afirmar que ningum poder ufanar-se de ter explorado intelectualmente o Norte de Minas, se no ousou uma incurso pelas obras de Joo Valle Maurcio e pela vida de Joo Chaves. Da leitura das obras do imortal Joo Valle Maurcio e da biografia de Joo Chaves, escrita por Amelina Chaves, verifica-se que o solo rido de nosso Serto est marcado pela presena frtil de expoentes culturais da mais alta valia.
Joo Valle Maurcio, da Academia Mineira de Letras, autor de Grotes, Janela de Sobrado, Beco da Vaca e Taipoca, alm de outros escritos, inscreve-se como uma das glrias imortais da terra dos montes claros. Em suas obras misturam-se valores, da mesma terra e da mesma regio, como Haroldo Lvio, Antnio Augusto Souto, Konstantin Cristoff, Milena Maurcio e outros. Na biografia de Joo Chaves associam-se as figuras marcantes de Amelina Chaves e Manoel Hygino dos Santos. Na leitura de Taipoca, apreciamos o Serto em sua inteireza viva, embora com motivos urbanos, que se interligam e se projetam no contexto do Serto. Em Beco da Vaca, uma coletnea de crnicas publicadas pela imprensa, ele no foge da marca registrada de suas obras. O livro no uma ruela do Serto, uma avenida de cultura. Em suas memrias, retratadas em Janela do Sobrado, revivemos Montes Claros. Como toda verdadeira obra literria, seus livros so atemporais.
Amelina Chaves, depois de nos brindar com O Ecltico Darcy Ribeiro, mostra-nos em Joo Chaves uma eterna lembrana, com Prefcio de Manoel Hygino dos Santos, o mito Joo Chaves, um dos maiores fenmenos da cultura montes-clarense de todos os tempos. Joo Chaves ainda canta e encanta na voz do vento, nas pedras no cho, no corao de todo seresteiro. A literatura est presente na poesia de Joo Chaves.
Guimares Rosa com acerto afirmou que h pessoas que no morrem: ficam encantadas. Joo Valle Maurcio e Joo Chaves esto encantados no silncio de suas sepulturas. Como Fnix eles renascem de suas prprias cinzas em cada instante em que deles nos lembramos.
A poesia de Joo Chaves est patente na sua arte de combinar os sons, mas a poesia sempre tem sido apresentada atravs de livros, revistas, jornais ou pela declamao do autor ou de terceiros em reunies scio-culturais. A informtica, como a cincia que visa ao tratamento da informao atravs do uso de equipamentos, est revolucionando o mundo literrio.


82645
Por Petrnio Braz - 4/9/2017 06:59:12
So 6:45h. desta segunda-feira. Acabo de desligar a televiso. Sinto necessidade de comear o dia bem informado, mas est ficando difcil aceitar as informaes que nos chegam pelos modernssimos meios de comunicao. Hoje parece que foi pior. Nada, sempre a mesma coisa: Bomba atmica na Coreia do Norte; assaltos em So Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, com mortes e mais mortes. Atropelamentos e mortes em todos os Estados. Bandidos fortemente armados. Casas de moradores indefesos assaltadas, Violncia nas estradas. Melhor mesmo voltar para cama, abrir um livro e viver das iluses que nos mostrada pelo autor. Que voc tenha um bom dia.


82611
Por Petrnio Braz - 21/8/2017 10:07:52
Uma imortal

A ideia da imortalidade, como uma busca desesperadora, est presente no ser humano, por ser ele o nico animal da face da Terra a ter certeza de que nasceu, est vivendo e morrer um dia. Mas, sem a certeza da morte, os humanos no teriam prazer pela vida.
Imagine-se, como na histria de Gregory Widen no filme Highlander O guerreiro imortal, atravessando os tempos, assistindo evoluo da humanidade e percorrendo o caminho trilhado por Connor MacLeod, nascido h mais de 400 anos nas colinas da Esccia!...
O excntrico argelino Jean Richepin estava certo ao asseverar que se fosse imortal inventaria a morte para encontrar algum prazer na vida e o rei Salomo, por inspirao da pomba Butimar, com sabedoria, escusou-se de beber o vinho da imortalidade, para no ser o mais infortunado dos homens.
No entanto, a procura da imortalidade est presente na conscincia do homem e muitos a alcanam atravs de suas realizaes terrenas. O prprio rei Salomo tornou-se imortal na lembrana dos homens.
A professora Augusta Clarice Guimares Teixeira, ou simplesmente Clarice Sarmento, imortalizou-se em vida com o nome gravado no Livro do Tombo da existncia luminosa entre os terrqueos. Ela graduada em piano pelo Conservatrio Brasileiro de Msica do Rio de Janeiro, especializao em iniciao musical para crianas pela Universidade Federal de Uberlndia, ps-graduao em msica e indstria cultural pelo Conservatrio Lorenzo Fernndez, de Montes Claros, formao em Canto e Flauta Doce e Estudo adicional de Teatro e Artes Plsticas. membro efetivo da Academia Montesclarense de Letras, da Academia de Letras, Cincias e Artes do So Francisco ACLECIA e scia do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Montes-clarense autntica, ela scia do Elos Clube Internacional da Comunidade Lusada, da Sociedade "Amigos da Cultura", do Rotary Clube Unio de Montes Claros. Fundadora e regente dos Corais Lorenzo Fernndez (regncia 1962 a 2007), Infantil Lidy Mignone CELF, Dulce Sarmento EEPPR, Villa Lobos CELF, Jnia Neiva CELF, Srgio Magnami CELF, Ceci Tupinamb CELF, CAAVA (masculino), Irm Olga CIC, Luz - empregados Cemig (regncia perodo 1986 a 1994), Elos Clube, Infantil Bem-te-vis do Serto - Escola Municipal Sebastio Mendes, AABB e Prefeitura Municipal de Montes Claros. Internacionalmente conhecida, Clarice Sarmento participou na Frana do Festival Ano do Brasil na Frana, em 2005, onde recebeu medalha de Honra. Tomou parte, como regente, de inmeros Festivais e Concursos de Corais realizados em Belo Horizonte e vrias cidades mineiras, assim como em outros Estados. Clarice Sarmento foi responsvel pela organizao do 1 e 2 Boletim de Pesquisa e Divulgao do Folclore no Norte de Minas. Publicou: "Literatura Folclrica", Coroaes e "Januria Canta".


82597
Por Petrnio Braz - 13/8/2017 20:15:50
Dia dos Pais
Os fenmenos psquicos podem interferir na capacidade fsica do ser humano, A cincia explica.
Na vspera do dia dedicado aos pais e sou um deles veio-me mente um fato inusitado que marcou minha vida e despertou a minha curiosidade na busca de uma explicao para o entendimento objetivo do ocorrido, dentro dos conceitos da razo.
Residia eu, com minha famlia, na cidade de Joo Pinheiro, onde exercia as funes de Secretrio Geral da Prefeitura Municipal, nos idos de 1974. Altas horas da noite, ou melhor, na madrugada de um sbado, bateram minha porta. Acordei assustado. Era um amigo de meu filho Marco Aurlio, ento com seus vinte e dois anos. Informou-me ele que havia acontecido um desastre na estrada de Paracatu, logo na sada de Joo Pinheiro. O carro meu carro tinha cado em um despenhadeiro. Perguntei pelo Marco e o informante declarou-me que ele tinha ficado dentro do carro. Meu sangue gelou. Em outro veculo corremos para o local do acidente, que no era distante. Em meu pensamento havia acontecido o pior.
Durante o percurso, o amigo do Marco informou-me que eles haviam decidido ir at Paracatu. Tinham bebido.
Parado no alto do barranco, quase ao nascer do sol, avistei a Belina l embaixo. Um despenhadeiro ngreme, com mais de dez metros de profundidade. Com dificuldade, de chinelos e pijama, alcancei o carro. A porta do lado do motorista estava aberta e o Marco deitado no banco dianteiro com as pernas para fora. Ao pegar em uma de suas pernas ele gemeu. Uma esperana clareou minha mente: Ele est vivo. Sem medir esforos, sem perda de tempo, retirei-o do carro e o levantei em meus braos. Sem pensar, sem analisar possibilidades, sem pedir ajuda, empreendi a subida do barranco. Chegando ao carro, acomodei-o no assento de trs e rodei para o hospital. Perdi a conscincia quando ele entrou no consultrio do mdico.
Voltei tarde ao local para verificar o estado do carro. Calado, tive dificuldades em descer. Quando tentei subir, segurando nas rvores, quase no conseguia. J no alto, olhando para onde estava o carro, comecei a meditar. Como tinha eu podido subir aquele barranco de chinelos, transportando nos braos uma pessoa adulta, to pesada quanto eu? Quem me conhece sabe que sou um homem alto e magro, no propriamente franzino de corpo, mas magro. No pratico esportes costumeiramente, a no ser minhas caminhadas. Vivo mais para o esprito do que para o corpo. Do alto do barranco visualizei-me subindo a encosta ngreme com meu filho nos braos. No acreditei, nem podia acreditar. Era impossvel, mas no foi!
A toda evidncia, uma fora misteriosa, de natureza psquica, havia se incorporado ao meu corpo fsico: o amor paterno.
Neste domingo de agosto rendo minhas homenagens a todos os pais e a mim tambm certo de que pai sempre aquele que rene as qualidades de prudncia, de lealdade e de afeio para com os filhos, sem pedir reconhecimento. Ser pai uma sublime misso.


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Por Petrnio Braz - 8/7/2017 08:59:12
Livro e Internet

Ea de Queirs em Prefcio dos Azulejos do Conde de Arnoso sentencia: "A arte tudo - tudo o resto nada. S um livro capaz de fazer a eternidade de um povo. Lenidas ou Pricles no bastariam para que a velha Grcia ainda vivesse, nova e radiosa, nos nossos espritos: foi-lhe preciso ter Aristfanes e squilo. Tudo efmero e oco nas sociedades - sobretudo o que nelas mais nos deslumbra. Podes-me tu dizer quem foram, no tempo de Shakespeare, os grandes banqueiros e as formosas mulheres? Onde esto os sacos de ouro deles e o rolar do seu luxo? Onde esto os olhos claros delas? Onde esto as rosas de York que floriram ento? Mas Shakespeare est realmente to vivo como quando, no estreito tablado do Globe, ele dependurava a lanterna que devia ser a Lua, triste e amorosamente invocada, alumiando o jardim dos Capuletos. Est vivo de uma vida melhor, porque o seu esprito fulge com um sereno e contnuo esplendor, sem que o perturbem mais as humilhantes misrias da carne!".
Preocupa-me, nos tempos atuais, o desprezo pelo livro, com a busca pela via da internet, dos conhecimentos necessrios formao profissional dos jovens universitrios. Por outro lado, a sociedade est materializada com valorizao dos bens materiais em detrimentos dos culturais. Verdade que, como ensinou Santo Agostinho, para se exercer as virtudes do esprito necessrio um mnimo de condies materiais, mas a cultura tambm um caminhou para a obteno de bens materiais.
No segredo, porque est incorporado sabedoria popular, que s teremos uma vida completa quando plantamos uma rvore, escrevemos um livro e temos um filho. Alguns no plantaram uma rvore, mas derrubaram muitas. Ter um filho o caminho natural da procriao, vinculado essncia da prpria vida. Plantar rvore e ter filho no uma exclusividade do homem. Os passarinhos plantam rvores e tm filhos. Eles disseminam as sementes. Todos os seres vivos tm filhos. As rvores produzem as sementes, que sero futuros vegetais de sua descendncia. Mas, escrever um livro prprio do ser humano; um sonho por muitos acalentado.
Quem j escreveu sabe que o importante comear, experimentar pela primeira vez. Escrever o que sente e s depois burilar o texto escrito. Esta ltima fase que caracteriza o escritor, que d forma e define o estilo. O importante principiar. Escrever o que sente e cortar depois o desnecessrio. Aqui a lio do filsofo francs Voltaire: escrever a arte de cortar palavras.
Quem escreve para ser lido diferente das demais pessoas. No um ser comum. Pode no possuir tesouros materiais, nada impede que os tenha, mas desfruta de uma deslumbrante existncia. Ele v os lrios do campo e a alma do ser humano; observa as luzes do dia e a escurido da noite; sente o silncio de um sorriso e a profundidade de um olhar; examina seus pensamentos e seus sentimentos. Ele v, observa, sente e examina todas as coisas realmente fundamentais. Ele pensa e cria.


82463
Por Petrnio Braz - 14/6/2017 23:50:11
Primeira Exposio Pecuria de Montes Claros

J est anunciado que a Expomontes/2017 ser realizada de 30 de junho at 09 de julho no Parque de Exposies, aqui em Montes Claros.
Por oportuno, em minhas mos um exemplar da Revista Zebu, de Uberaba/MG, edio de setembro de 1951, que traz em destaque a realizao da Primeira Exposio Pecuria realizada em Montes Claros, de 15 a 19 de agosto naquele ano de 1951, com apresentao de excelentes exemplares de bovinos, equinos, sunos, asininos, muares, caprinos e ovinos, da Fazenda Humait, realizada por iniciativa pessoal de um nico pecuarista e expositor: Ademar Dias de Figueiredo, o conhecido Nozinho Figueiredo. Um criador, s, realizou o histrico certame.
Documento de alta valia e de natureza histrica, que no devo reter em meu poder e, por esta razo, o entregarei ao Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, para o seu acervo e preservao.
O redator da Revista esclarece que: A organizao da 1 Exposio se deveu ao esprito de iniciativa e ao gosto pelos assuntos do criatrio nacional de gado, do sr. Nozinho Figueiredo, um dos mais destacados criadores de gado de nosso Estado.
A reportagem, que ocupa vrias pginas da Revista, reproduz fotos dos animais em destaque na Exposio e das importantes autoridades e pecuaristas presentes.
A Exposio foi destaque nos jornais de Belo Horizonte, tendo o expositor recebido, entre outros, cumprimentos via telgrafo de Juscelino Kubistchek, Jos Maria Alkmim, Jos Esteves Rodrigues, Amrico Rene Gianatti, pessoas de destaque, no cenrio politico e administrativo do Estado.
O jornalista Andr Weiss, enviado especial da Revista Zeb, escreveu: O gosto pelos certames pecurios, no Pas, se vai desenvolvendo geralmente, por todas as regies em que o criatrio representa pondervel parcela da sua economia, isto se devendo emulao de outras zonas e ao resultado que essas realizaes tm trazido ao adiantamento e aperfeioamento dos mtodos empregados nas atividades pecurias.
Cabe ser destacado que a 1 Exposio Pecuria de Montes Claros foi tambm um importante evento social.
Em verdade, o primeiro certame pecurio de Montes Claros, de repercusso nacional, foi uma realizao da Fazenda Humait, de propriedade de Nozinho Figueiredo, pelos seus efeitos definidos pelo prestgio, se constituiu em uma importante semente, que se multiplicou no correr dos anos para chegar Expomontes/2017 que acontecer de 30 de junho at 09 de julho no Parque de Exposies da cidade de Montes Claros (MG).


82292
Por Petronio Braz - 1/4/2017 10:57:40
Um relato de vida, uma autobiografia ou uma histria viva de Montes Claros. Um ou outro entendimento qualifica o livro de Jarbas Oliveira, lanado ontem em noite de autgrafos no auditrio do Parque de Exposies de Montes Claros: Montes Claros do Meu Tempo.
Jarbas Oliveira j viveu um bom tempo, e o viveu em Montes Claros, mesmo nascido em Taiobeiras. No livro, em um leve passar de pginas, verifico que ele compartilha essa vivncia com o leitor, em uma obra que alcana uma dimenso universal de histria. Como protagonista, ele pesquisou sua prpria vida e a ela deu vida, em uma sequncia cronolgica do tempo. Ele mostra ao leitor como chegou a ser quem , passando pela infncia, adolescncia, pela maturidade e, nessa relao de fatos, recria a histria moderna de Montes Claros.
Foi maravilhosa a solenidade, o apoio familiar que recebeu e que se extravasou na comemorao conjunta do lanamento do livro e de seu aniversrio de 66 anos, com direito a bolo e velas. Parabns, amigo.
Vou ler com carinho o livro e voltarei a falar sobre ele.


82182
Por Petrnio Braz - 12/2/2017 09:11:05
A lenda do Pequizeiro

Machado de Assis nos ensinou que d certo gosto deitar ao papel coisas que querem sair da cabea, por via da memria ou da reflexo, mas o mesmo Machado afirmou que se a pessoa pega a escrever, no h papel que baste, mas gosto de escrever.
Seria o umbuzeiro a rvore sagrada do serto no dizer insuspeito de Euclides da Cunha? Cuido que no. A rvore sagrado do serto o pequizeiro (Caryocar brasiliense).
No h dvidas de que o umbuzeiro (Spondias tuberosa), que vegeta em terrenos mais frteis, resiste bem s secas duradouras, sustentando-se nas quadras miserveis merc da energia vital que economiza nas estaes benficas das reservas guardadas em grande cpia nas razes (leia-se em grande quantidade nas razes), mas o pequizeiro integra com abundncia o conjunto das rvores frutferas do cerrado, com um grande leque de utilidades.
Quando ainda isolado era o serto, a gordura de seus frutos era utilizada para fabricar sabo com decoada, coisas que vi na infncia e na adolescncia. Hoje, com o encurtamento das distncias, ele, no perodo da safra (novembro a fevereiro), alimento e produtor de riquezas, gerador de rendas. A preservao do pequizeiro j virou smbolo da luta contra a devastao do cerrado.
O silvcola brasileiro, na riqueza de sua cultura brbara, na busca da origem das coisas que o cercam, criou a lenda do pequizeiro, que Marieta Teles Machado nos conta (Os Frutos Dourados do Pequizeiro, Editora UCG, 1986).
O guerreiro Malu encantou-se com a beleza da ndia Tain-racan e casou-se com ela, prometendo am-la enquanto vida tivesse. O tempo passou e eles no perceberam quantas vezes a lua viajou pela arcada azul do cu, quantas vezes o sol veio e se escondeu na sua casa do horizonte, sem que tivessem um filho. Passados trs anos, em uma noite ela perguntou ao guerreiro: Onde est nosso filho que Cananxiu no quer mandar? Malu alisou com carinho o ventre da formosa esposa. "E o nosso filho no vem", murmurou. Um vento forte perpassou pela floresta. Uma nuvem escura cobriu a lua, que no mais tornava de prata as guas mansas do rio. Troves reboaram ao longe. Malu envolveu Tain-racan nos braos e amou-a. "Nosso filho vir, sim. Cananxiu no-lo mandar".
Quando os ips floriram nasceu Uadi, o Arco-Iris, um lindo garotinho. Mas Uadi era filho de Cananxiu e ele o veio buscar na forma de Andrerura, a arara vermelha, e o levou para os cus preso em suas garras.
Tain-racan encostou a fronte na terra, onde pouco antes pisavam os pezinhos encantados de Uadi. Chorou. Chorou. Chorou trs dias e trs noites. Ento, Cananxiu se apiedou dela. Baixou terra e disse: "Das tuas lgrimas nascer uma planta que se transformar numa rvore copada. Ela dar flores cheirosas que os veados, as capivaras e os lobos viro comer nas noites de luar. Depois, nascero frutos. Dentro da casca verde, os frutos sero dourados como os cabelos de Uadi. Mas a semente ser cheia de espinhos, como os espinhos da dor de teu corao de me. Seu aroma ser to tentador e inesquecvel que aquele que provar do fruto e gostar, am-lo- para jamais o esquecer. Como tambm amar a terra que o produziu. Todos os anos, encherei, generosamente, sua copa de frutos, que os galhos se curvaro com a fartura. Ele se espalhar pelos campos, ir para a mesa dos pobres e dos ricos Quem estiver longe e no puder com-lo sentir uma saudade doida de seu aroma. Nenhum sabor o substituir. Ele h de dourar todos os alimentos com que se misturar e, na mesa em que estiver, seu odor predominar sobre todos. Ele h de dourar tambm os licores, para a alegria da alma".
Tain-racan sorriu. E o pequizeiro comeou a brotar.


82159
Por Petrnio Braz - 4/2/2017 11:52:25
O Estado e a Violncia

A violncia, provocada ou no pelo crime organizado, uma consequncia direta da diminuio do poder do Estado em face do cidado.
A Constituio brasileira de 1988, a chamada Constituio Cidad, fundamentada na defesa do cidado contra o Estado, ou melhor, contra o Regime Militar implantado em 1964, deu ao cidado direitos sem deveres expressamente definidos.
A violncia deixou de ser um fato social localizado nos grandes centros. No existe mais cidade ou campo, vida urbana ou rural imune s suas consequncias. A falta de segurana transformou a populao ordeira e laboriosa em refm dos criminosos, em todo o territrio nacional, situao nascida, em parte, por mais absurdo que parea, do desarmamento da sociedade civil obstaculando a autodefesa.
O direito vida, o maior bem de todo cidado, o legtimo e ainda legal direito autodefesa, no pode mais ser exercitado pelo cidado comum, que foi desarmado em benefcio de uma suposta paz social. O porte-de-arma deferido ao policial (civil ou militar) e ao bandido.
No atravs de algumas poucas armas, furtadas ou tomadas por bandidos de civis honestos, que eles se armam. Eles so armados por outros meios, que todos sabem, mas fingem ignorar.
A Constituio garante, como direito de todos os brasileiros, a vida e a propriedade; contudo, o Estado est impotente para a garantia desses direitos. A simples afirmao, tendente a justificar o injustificvel, de que o Estado, em passadas administraes, relegou a lugar secundrio a segurana pblica, no atende aos interesses maiores da sociedade.
A criminalidade , antes de tudo, fruto do descaso pela educao; produto do desrespeito ao cidado honesto, impossibilitado do exerccio natural da legtima defesa, em presena da ausncia do Estado; nasceu da crise de autoridade, implantada pelo despreparo ou pela irresponsabilidade dos governantes; vigora em presena da corrupo pblica, que mina os conceitos de cidadania; alimenta-se do exemplo diariamente exibido pelos meios de comunicao, especialmente pela televiso, que est se constituindo em escola de criminalidade, no s pelos filmes de violncia que exibe, mas tambm pelos desenhos animados e pelos noticirios; estabiliza-se, criando a insegurana generalizada, atravs do despreparo de alguns poucos, felizmente policiais, que muitas vezes agridem impunemente o cidado civil honesto.
Nem todos podem pagar por segurana particular, mas todos os cidados esto sendo obrigados a instalarem cercas eltricas em suas residncias, a colocarem grades em suas portas e janelas, a terem porto eletrnico com alarme e a criarem cachorros. Todos os cidados honestos esto presos dentro de suas prprias casas e desarmados, como cordeiros a serem imolados.
Que Pas este?
um Pas rico de povo pobre e oprimido.
Enquanto tudo isto ocorre, pergunta-se:
─ Para onde foi o ouro de Serra Pelada?
─ Para onde esto indo os diamantes da Serra da Canastra?
A Empresa canadense (no brasileira) Black Swan Resources informa por muito menos do que realmente deve ser que dever extrair quatro milhes de toneladas de diamantes da Serra da Canastra nos prximos cinco anos.
Impe-se, urgentemente, uma reformulao corajosa de alguns conceitos liberais ou neoliberais, sem retorno supremacia do Estado sobre o cidado.
Impe-se sejam definidos novos conceitos de Democracia.


82113
Por Petrnio Braz - 20/1/2017 20:01:38
Tempo de cultura

Bem aqui, no Centro Cultural,
na terra capital dos Gerais,
aconteceu erudito encontro
dos que so ditos imortais.
Apresentou-se Itamaury
com a vaidade aclarada,
para substituir a presidente,
que se encontrava acamada.
Compareceu Amelina Chaves,
simples, sem ostentao,
sem vangloriar o encanto
de sua dilatada produo.
Dris Arajo, poetisa de valor,
com o marido a seu lado,
declamou um belo poema,
e deixou o grupo encantado.
Apareceu o Drio Cotrim
com sua ensima edio,
dizendo que s escritor
quem escreve um monto.
Karla Celene abriu seu livro
indicado para o vestibular
afirmando que um s livro
pode o escritor eternizar.
Maria de Lourdes Chaves,
com seu pedigree cultural,
no estava ali prazerosa,
por no mostra o seu coral.
A luminar Ivana Rebello,
como musa do parnaso,
chegou com Lcia Becattini
com um pouco de atraso.
O Jorge Nunes Silveira,
tambm era esperado,
para dar um toque mgico
quele culto aglomerado.
Da Bahia aqui chegou,
para ser de mais-valia
a Zoraide Guerra Davi
que tem ampla regalia.
Veio Jos Jarbas Oliveira,
trazendo consistente
parcela de sua cultural,
para reforar o ambiente.
Clarice Dulce Sarmento,
uma musicista inteligente,
ocorreu naquele momento
para alegrar o ambiente.
Edson Ferreira Andrade,
esperava a reunio comear
para expor, argumentar
e sua erudio propalar.
Porque simples e discreta,
a Raquel Mendona ouvia,
nas cadeiras mais do fundo,
o que Juvenal Caldeira dizia.
Aristnio Canela estava presente,
como sempre imprevisvel,
cabea reclinada, indiferente,
tudo esperando impassvel.
Mesmo no muito frequente,
naquele dia ali chegou
a instruda Miriam Carvalho,
que a todos cumprimentou.
A Glorinha Mameluque,
aportou alegre, sorridente,
sem trazer, no momento,
um letrado ingrediente.
Com o livro de contas na mo
Mary Tupinamb, sem tardana,
no esperou todos chegarem
para iniciar a cobrana.
O Afonso Prates Borba,
integrante da confraria,
sabe que ser imortal
uma marcante honraria.
Estava eu ali presente e
de uma cadeira observava
cada um dos integrantes,
que aos poucos ali chegava.
Apareceu o Wanderlino
um nome de muito louvor,
mas para os bons literatos
no tem obra de valor.
Waldir de Pinho Veloso
neste dia estava ausente;
tambm o Dlio Pinheiro,
que no muito frequente.
H os que no comparecem,
mas se dizem imortais,
esto sempre ausentes,
ligados a bens materiais.
So muitos para relatar,
os nomes esto no papel,
mas nunca so vistos
naquela notvel Babel.
Logo a reunio comeou
com o vice-presidente.
Maria Luiza Silveira Teles,
estava no dia ausente.
Conversas, discusses,
sem um tema definido.
Todos falam, ningum ouve
e nada restou resolvido.


81970
Por Petrnio Braz - 21/11/2016 11:35:18
Darcy Ribeiro

Embora j habitual leitor de suas obras, busquei reconhecer, identificar, conferir Darcy Ribeiro. Diante da grandiosidade de seu valor humano e de sua obra, pareceu-me um ser imaginrio, que teria vivido no Norte de Minas, nos primrdios da ocupao portuguesa, buscando entender os conflitos entre os nativos e os colonizadores. Compreender a relao marcada por conflitos entre os habitantes primitivos da terra, em fase da colonizao.
Indaguei-me: o ser imaginrio e investigador teria convivido naquele espao e naquele tempo com os Guabas, Natus, Crixs, Xacriabs e Caiaps, senhores absolutos das terras do Grande Serto, adotado depois por Guimares Rosa?
No!
Ele viveu muito depois. Nasceu no Norte de Minas, bem verdade, j em plena Repblica, dizendo os registros que em 26 de outubro de 1922.
Assim, diligenciei encontr-lo em Montes Claros, mas ele havia buscado o Mundo.
Ento, veio-me o grande desafio. Onde e como encontr-lo?
Investiguei e, investigando, deparei-me com ele no Rio de Janeiro. Ali, descobri um ser humano com uma mentalidade evoluda, muito acima dos que com ele partilhavam espaos dentro de uma sociedade conservadora. Mas, no era um, eram inmeros Darcys. Vi o poltico, o idealista, o professor, mas logo a minha mente ficou turbada. No era mais o Rio de Janeiro, era Braslia, a nova capital da Repblica e ali fiquei perplexo. Ele, no alto do Poder, Chefe da Casa Civil, Ministro da Educao, criando universidades.
Na impreciso, busquei outra dimenso do espao-tempo e embrenhei-me pelo interior do Serto e l, no den amaznico, me deparei com um Darcy banhado pelo sol, estudando a natureza humana atravs de pesquisas entre os ndios, buscando uma apreciao analtica e comparativa de sua cultura.
De retorno civilizao, foi-me informado que ele, deserdado pela Ptria, estava longe da prpria casa. Mas, ele havia levado consigo o seu deslumbramento com a sociedade indgena e a fora da sua identidade.
Acomodei-me.
Esse Darcy, que estava fora de casa, com certeza era o mesmo que eu havia encontrado no Rio de Janeiro, em Braslia ou entre os ndios. Ele voltaria.
Voltou e foi, mais uma vez, um dos mais importantes lderes polticos e um dos mais conceituados intelectuais deste Pas, e novamente dividiu-se em campos outros de atividades produtivas.
Encontrei, e li, inmeras biografias do imortal Darcy Ribeiro. Mas, as biografias descritivas muitas vezes no veem a pessoa e era a pessoa que eu procurava. Registro que em 17 de dezembro de 1981 ele foi empossado como scio honorrio da Academia Montesclarense de Letras e, em 8 de outubro de 1992, foi eleito para a Cadeira n 11, sucedendo a Deolindo Couto na Academia Brasileira de Letras.
Quando Darcy Ribeiro ficou encantado em 17 de fevereiro de 1997, o cronista Zuenir Ventura assim se manifestou: Morreu o grande paj, foi embora o nosso bom selvagem, subiu aos cus o nosso feiticeiro. A utopia foiou sem sua encarnao. A poltica, a tica, a ertica e a potica perderam sua rima rica.


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Por Petronio Braz - 16/2/2016 15:44:08
Antnio Montalvo, em uma de suas alucinaes culturais, nos presenteou com uma joia literria, marcantemente sertaneja, dizendo que se a flor no nega mata o seu perfume, se o vento no nega s plantas a brisa que balana as folhas, tambm o literato no pode negar ao leitor o que escreve.
Porque escreveu, entre tantos norte-mineiros de valor, no se pode negar que Darcy Ribeiro, membro da Academia Brasileira de Letras, nos legou preciosidades literrias. No me refiro ao antroplogo, ao poltico, ao cientista social, mas ao literato.
"Termino esta minha vida j exausto de viver, mas querendo mais vida, mais amor, mais saber, mais travessuras", escreveu Darcy Ribeiro em suas memrias.
Quem no leu "O Mulo" e "Utopia Selvagem"? Dele, em minhas mos, numa reposio de livros nas estantes, trs outras obras: Ensaios Inslitos, Amrica Latina: A Ptria Grande e Teoria do Brasil. Resolvo ler os Ensaios Inslitos. Ensaios Darcyanos na expresso analtica de Ana Arruda Callado.
Com irnica profundidade ele, refutando a obviedade de nossa inferioridade racial e tropical, entre outras, leva-nos certeza de que somos um grande povo, deixando nessa observao a marca do seu socialismo altrusta, com os olhos no bem-estar desse mesmo povo.
Sem fugir das obviedades por ele apontadas e analisadas, sou levado a observar que no cotidiano da vida sempre podemos recomear. Isto bvio. Em vida no existe um fim. Retornando filosofia de Antnio Montalvo e repetindo Darcy Ribeiro, cumpre lembrar que o sol, todos os dias, faz de conta que morre e renasce. Um faz de conta que bvio.


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Por Petronio Braz - 22/1/2016 22:26:33
A Academia Montes-clarense de Letras, que este ano completa cinquenta anos de existncia e no ltimo dia 21 de janeiro em curso empossou sua nova Diretoria regularmente eleita, foi fundada e instalada em 13 de setembro de 1966 por uma pliade de personalidades ilustres, intelectuais iluminados, que navegavam pelas guas claras e transparentes da arte literria, entre eles Alfredo Vianna de Ges, Antnio Augusto Veloso, Jos Raimundo Neto, Padre Joaquim Cesrio dos Santos Macedo, Geraldo Avelar, Joo Valle Maurcio, Hermes de Paula, Maria Pires dos Santos, Orlando Ferreira Lima, Heloisa Neto Castro, Francisco Jos Pereira, Avay Miranda.
O importante sodalcio conta com quarenta membros, a exemplo da Acadmie de France e da Academia Brasileira de Letras.
Os fundadores da Academia Montes-clarense de Letras, em um ato de f, firmaram disposies iniciais vinculadas ao propsito de fixar neste Norte um espao voltado para o intelecto. Por esta razo, preocupa-me a aculturada viso do ser humano civilizado de nossos tempos com os bens materiais, em detrimento da busca racional do conhecimento de tudo que se encontra ao seu redor.
O nome Academia teve origem na escola fundada por Plato, na Grcia Clssica, que funcionava nos jardins da residncia, que havia pertencido a Academus. Sabe-se, tambm, que ao contrrio da Escola de Iscrates, onde o conhecimento se reduzia ao repassar do saber, na Escola de Plato, em presena da dialtica socrtica, os seus frequentadores iam ao encontro do conhecimento pelo questionamento, pela busca do esclarecimento, criando novos saberes, que geravam novas discusses. Dentro desse posicionamento, quando o Ocidente se debruou sobre a cultura grega, teve origem na Frana, em 1620, a Acadmie de France, fundada por iniciativa do Cardeal Richelieu.
Em 1897 criada, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras e, na sua esteira, inmeras Academias foram sendo criadas pelo interior do Pas, nascendo, em 1909, a Academia Mineira de Letras.
Scrates, na defesa apresentada em seu julgamento, afirmou: enquanto tiver um sopro de vida, enquanto me restar um pouco de energia, no deixarei de filosofar e de vos advertir e aconselhar, a qualquer de vs que eu encontre. Dir-vos-ei, segundo o meu costume: Meu caro amigo, s ateniense, natural de uma cidade que a maior e a mais afamada pela sabedoria e pelo poder, e no te envergonhas de s cuidares de riquezas e dos meios de as aumentares o mais que puderes, de s pensares em glria e honras, sem a mnima preocupao com o que h em ti de racional? E, se algum de vs me replicar que com tudo isso se preocupa, no o largarei imediatamente, no irei logo embora, mas interrog-lo-ei, analisarei e refutarei as suas opinies e, se chegar concluso de que no possui a virtude, embora o afirme, censur-lo-ei de ter em to pouca conta as coisas mais preciosas e prezar tanto as mais desprezveis.


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Por Petronio Braz - 23/12/2015 17:53:02
Estamos vivendo a supremacia do Poder Judicirio, sobre os demais Poderes. A Constituio diz que os Poderes so independentes, mas devem ser harmnicos. Mas a independncia requer responsabilidades e o nico Poder com respeito e responsabilidade perante a Nao (povo) est sendo o Judicirio. Sem ele, na atualidade, seria o caos. Os Poderes Executivo e Legislativo esto na lama da corrupo. Perderam o respeito pblico. At mesmo a soberania nacional est em risco. As Foras Armadas so a garantia dessa soberania e esto sendo vilipendiadas propositadamente a titulo de represlia. Na tranquilidade dos meus 87 anos, o barco pode at afundar, mas tenho na retaguarda trs geraes de descendentes. Dentro desse conjunto existe algum que pode me dizer o que deve ser feito?


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Por Petronio Braz - 17/12/2015 08:03:03
No sou politico. J fui. Mas uma coisa est me intrigando em tudo que est acontecendo neste Pas. No sou a favor nem contra nenhum politico, muito pelo contrrio, com o disse Jos Maria Alkmim. Podem ficar ou sair, no sou eu quem decide. Perdoem-me os que pensam de forma diferente, mas ser que todos os eleitos pelo voto direto do povo tm o direito de praticar atos de improbidade administrativa e ficarem imunes porque foram eleitos? Isto que Democracia? Os doutos membros do Ministrio Pblico esto chovendo no molhado quando procuram apurar atos de improbidade administrativa. Os infratores foram eleitos pelo povo (Prefeitos, Governadores e Presidente) e so imunes. Ns advogados estamos perdidos, no teremos servio.


80992
Por Petrnio Braz - 13/12/2015 17:41:03
Cada pessoa segue a sua vida. Isto natural. Mas existem pessoas especiais que merecem um tratamento diferenciado. Sempre tenho me encontrado, na Praa da Matriz, aos domingos pela manh, com Chita do Pandeiro, figura folclrica. Hoje ele permaneceu por mais de uma hora em minha mesa, com seu pandeiro em surdina, para no atrapalhar as conversas, exibindo gratuitamente a sua arte. De quando em quando fazia um malabarismo com o instrumento. Acompanhava as msicas de eram ouvidas, vindas de um carro estacionado nas mediaes. Ele, no momento, no sei antes, no bebe, no fuma, no usa drogas, mas sente-se que carente de reconhecimento, de apoio, de respeito sua arte.
Ele Chita do Pandeiro foi premiado no Programa Se Vira nos 30, do Fausto. uma figura mpar. Tem orgulho de sua arte, mas parece, no feliz. No tem uma renda fixa, pequena de seja, que garanta o seu sustento, que lhe d tranquilidade para exercer a sua arte.
Ao Estado (Unio, Estados e Municpios) compete a preservao dos patrimnios culturais, que no so apenas materiais, mas principalmente humanos. Chita do Pandeiro um patrimnio cultural de Montes Claros.


80988
Por Petrnio Braz - 12/12/2015 07:56:36
Estou indo agora a Vrzea da Palma para as comemoraes dos cinquenta anos de formatura da primeira turma de ginasianos da cidade. Eu era diretor do Ginsio e professor de matemtica e histria da turma. Passaram-se cinquenta anos, mas continuo ligado cidade, da qual sou cidado honorrio, e sua gente.


80966
Por Petrnio Braz - 6/12/2015 11:13:31
O Caf Galo
Nos subrbios de Paris e nas reas prximas aos arrondissements centrais, especialmente em Neuilly, Boulogne ou Levallois, existem os conhecidos cafs.
O hbito de tomar caf, na Europa, sempre esteve associado aos encontros sociais e culturais. Em Veneza, esses encontros ocorriam nos Bottegle Del Caf e ainda ocorrem nos tempos atuais, sendo famoso o Caf Florian.
Em Paris, muito conhecido o Caf Procope, onde os intelectuais se renem, durante as tardes, para declamarem poesias, ler livros e jornais ou simplesmente para passar o tempo.
No Brasil, ficou famosa a Rua do Ouvidor, que Joaquim Manoel de Macedo classificou como a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, ftil, noveleira, poliglota e enciclopdica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro.
Principalmente poliglota e enciclopdica, a Rua do Ouvidor era o ponto de encontro dos intelectuais da capital do Imprio e, posteriormente, da Repblica. Por ela passavam ou nela permaneciam, no apenas fidalgos libertinos, mas principalmente intelectuais. Os primeiros republicanos por ela passaram e nela discutiram os ideais revolucionrios. Fizeram histria.
Montes Claros, a capital do Norte de Minas, tambm possui a sua via pblica passeada e concorrida, leviana e indiscreta, bisbilhoteira e esbanjadora, ftil e noveleira, poliglota e enciclopdica: o Quarteiro do Povo.
So famosos o Caf Procope em Paris e o Caf Florian em Veneza, todavia, no menos famoso e conhecido o Caf Galo, em Montes Claros, situado exatamente no centro do Quarteiro do Povo.
O Caf Galo o ponto de encontro dos polticos, profissionais liberais, jornalistas e aposentados, principalmente no correr do meio dia e nos finais de tarde. Pessoas que venceram na vida e, por esta razo, podem dar-se ostentao de verem passar o tempo. Uma pliade de profissionais liberais, jornalistas, escritores e professores, que se deleitam em discutir o indiscutvel. E uma parcela considervel de aposentados, que se deliciam em ver desfilar as beldades da cidade.
Os primeiros so pessoas ativas, afirmadas na vida, de formao superior, graduados e ps-graduados, que podem se dar ao fausto de se reunir para os deleites maiores da intelectualidade, e os outros, no menos importantes, so criaturas que j desenvolveram, no devido tempo, as mais variadas atividades produtivas e, agora, podem, por direito, desfrutar, despreocupados, os prazeres da ociosidade.
H, em todas as vias pblicas, indiscretos bisbilhoteiros, fteis observadores que passam e, desconhecendo a magnitude e os valores dos que ali so frequentes, por no possurem os atributos filosficos da reflexo, da elevao do esprito acima da materialidade da vida, ou por serem desprovidos do respeito veneranda condio da aposentadoria, ficam a meditar a distncia, sem atributos para se aproximarem, considerando os cultores da intelectualidade como desocupados, e os aposentados como vagabundos.


80940
Por Petrnio Braz - 2/12/2015 11:34:43
Uma de Joo Cunha Ortiga - Pomplio Andrade, em So Francisco, pai de Tom Andrade, do Grupo Agreste, pediu ao Joo Ortiga um nome para seu bar, instalado na periferia da cidade e frequentado tambm por prostitutas. Joo Ortiga no pensou duas vezes: Querobinbar.


80931
Por Petrnio Braz - 28/11/2015 15:30:58
Existem pessoas que no podem ser esquecidas. Estou tentando coletar as tiradas (expresses repentinas) do Dr. Joo Cunha Ortiga, advogado brilhante na Comarca de So Francisco, promotor de justia nas Comarcas de Manga/MG, So Romo/MG e Montes Claros/MG, deu nome ao Frum da Comarca de Manga/MG. Quem souber de alguma agradeceria se me informasse. Elas do um livro de memrias.


80922
Por Petrnio Braz - 25/11/2015 10:17:05
A priso do senado Delcides Amaral, lder do Governo no Senado Federal, por deciso monocrtica de um ministro, deve estar sendo motivo de aplausos pela populao leiga.
Nos regimes democrticos vigora, como clusula ptrea, a separao dos poderes. A essncia desta teoria se firma nos trs poderes que formam o Estado: Legislativo, Executivo e Judicirio.
A priso de um senador, em pleno exerccio do cargo, assusta. Mesmo que tenha culpa. Ele no inocente, como inocentes no so muitos outros.
Existe um princpio constitucional que define que ningum pode ser considerado culpado antes do trnsito em julgada da sentena condenatria e que aos acusados em geral deve ser assegurado o direito ao contraditrio e ampla defesa. Uma priso sem observncia desses princpios condenao antecipada. Um processo montado no silncio do pretrio prprio de regimes ditatoriais.
Pessoalmente quero e espero que todos eu disse todos os envolvimento na corrupo contra a Petrobras sejam punidos e que os recursos retornam aos cofres do Estado.
Se ele praticou atos criminosos, como parece, deve ser julgado e condenado, o que repudio so essas prises cinematogrficas.
Aqui em Montes Claros prenderam cinematograficamente vereadores que depois foram julgados inocentes, mas a marca ficou.


80903
Por Petrnio Braz - 22/11/2015 15:37:25
O segredo bancrio na Sua, por presso americana, est chegando ao fim. Uma pena. Vou ter que repatriar logo o meu dinheirinho que est l, mas levar pra onde? Trazer pra c e aplicar em aes da Petrobras? Aplicar na poupana? Por aqui de quando em vez eles sequestram o dinheiro da poupana. E o Imposto de Renda e outros menores? Por aqui se paga 43% do se ganha em impostos. Por aqui os bancos costumam falir. Lembram-se da Caixa Econmica Estadual de Minas Gerais? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


80843
Por Petrnio Braz - 14/11/2015 13:07:17
Falaram que chovia hoje em Montes Claros. Ser que os tcnicos no esto enxergando ou no querem enxergar a nossa realidade climtica. Mara Narciso tem se posicionado numa anlise preocupante. No precisa ser tcnico no assunto para saber que vivemos numa rea onde prevalece uma grande bolsa de ar quente, por isto estamos no Polgono das Secas, sempre estivemos. Essa bolsa repulsa as frentes frias que vm do Sul e as jogam para o oceano. Mas essa bolsa era em mdia de 37 e era mais vulnervel s frentes frias. Hoje ela, em razo do aquecimento global, elevou-se para 40 a 42 e no tem frente fria capaz de bloque-la. o que pensa um leigo. Comeo a meditar negativamente. O aquecimento global um fato talvez irreversvel. Com mais dois graus estaremos em clima de deserto. Perdo pelo pessimismo.


80839
Por Petrnio Braz - 13/11/2015 21:34:58
Encerraram-se s 20:30h de hoje (13/11/2015) a eleio e a apurao de votos para a diretoria da Academia Montesclarense de Letras, para o prximo binio, saindo vitoriosa por dezesseis votos a quatorze a chapa integrada por Maria Luiza Silveira Teles , Itamaury Teles e Petrnio Braz. A nova diretoria dever tomar posse em dezembro prximo.


80779
Por Petrnio Braz - 2/11/2015 00:26:59
Yury Vieira Tupinamb de Leis Mendes, lder universitrio, presidente do Clube Literrio Cyro dos Anjos da Faculdade de Direito da UNIMONTES/Montes Claros e presidente do Centro Acadmico da mesma Faculdade, apresentou guisa de monografia de concluso do curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade Estadual de Montes Claros/MG, um trabalho de profundidade, buscando o grau de bacharel, quando em verdade j um cientista do Direito. O Direito Municipal tem merecido a ateno dos estudiosos a partir da Constituio de 1988, desenvolvendo trabalhos fundamentados em sua principiologia dogmtica. Nesse caminho, Yury Vieira Tupinamb de Leis Mendes desvenda a autonomia municipal luz da mesma Constituio, sublinhando a incluso, no corpo das normas fundamentais, do reconhecimento constitucional de ser o Municpio um ente federativo. Um trabalho de hermenutica, de interpretao doutrinria, que coteja o contedo das normas fundamentais para trazer-lhes uma compreenso e at mesmo dirigir o funcionamento do sistema jurdico.


80771
Por Petrnio Braz - 31/10/2015 09:33:46
Em Busca da Religiosidade Sertaneja

Estive, com Marcos Maia, na Editora da UNIMONTES, em dias do final de outubro do ano em curso (2015), levando os originais de seu livro Daqui pra frente tem risco de vida, para edio.
Tivemos oportunidade de uma longa e culta conversa com o prof. Jnio Marques Dias, de quem recebi um exemplar de seu livro Em Busca da Religiosidade Sertaneja, com selo da mesma Editora. Ele Mestre em Histria pela mesma UNIMONTES, professor de Histria de Minas e de Histria Social.
Demonstrou satisfao em conhecer-me pessoalmente e afirmou que, na UNIMONTES, no se discute ou no se pesquisa literatura sem que venha baila o nome de Petrnio Braz, Fiquei agradecido.
Antes de ler o livro ocorreu-me a lembrana, de natureza histrica, de que os seres humanos, at princpios do sculo XX, passavam mais da metade de seu tempo nas igrejas.
O livro fixa a religiosidade sertaneja atravs do catolicismo popular, que se define pelas das festas de devoo, festas populares de natureza religiosa, um misto de religio, religiosidade e cultura popular. Um trabalho de Histria Social, que averigua a funo social da Igreja, objetivamente conduzido, com profunda investigao do que poderamos definir como conflito entre os dogmas do cristianismo romano e as devoes e festas religiosas interioranas, focadas na venerao de imgens de santos.
Observa que a vinculao entre o Estado e a Igreja, ocorrida na Colnia e no Imprio, contribuiu para o distanciamento, nesses dois perodos histricos, entre os princpios emandos de Roma e as prticas introduzidas no catolicismo popular.
O Autor verifica a formao da religiosidade popular, vinculada s devoes, orientadas pelas irmandades leigas, muitas vezes conflitantes com os dogmas e rituais ortodoxos romanos. E busca informar a reao gradual dos sacerdotes, buscando minorar os costumes religiosos populares, os desvios introduzidos nas prticas dos fieis, especialmente a demasiada devoo aos santos (imagens), que excede a justa medida apregoada pela doutrina romana, que culminou, relembro eu mas no dito pelo Autor, com a retirada das imagens dos santos dos altares das igrejas catlicas.
Focado na regio de Montes Claros, no poderia deixar de referir-se aos Catops, como expresso da cultural religiosa popular, mas no chegou Serra das Araras, com a devoo a Santo Antnio.
O prof. Jnio traz lembrana, com destaque, as festas de devoo a Nossa Senhora do Rosrio, a So Beneditro e ao Divino Esprito Santos nos sculos XIX e XX, destronadas por novas devoes advindas da modernidade.
Um artigo pouco para ver o livro.


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Por Petrnio Braz - 30/10/2015 08:31:43
A msica em todos os tempos

Uma das grandes deficincias de minha formao, se outras tantas no existissem, constitui-se no desconhecimento da utilizao das notas musicais para a composio de ideias pela combinao de sons. No estudo da msica no passei das sete notas, mas amo a msica. Gosto de escrever ouvindo, em surdina, uma composio musical clssica.
Nada nasce por acaso por um processo de gerao espontnea. A essncia dos dez mandamentos do cristianismo j existia no Livro dos Mortos do antigo Egito, escrito 1.300 anos a.C.
O homem primitivo comeou a cantar, a criar musicalidade, imitando o canto dos pssaros. Recebi de Clarice Sarmento, por correio eletrnico, um resumo da histria da msica clssica, entre 1600 e 2000, que no posso egoisticamente guardar para meu deleite prprio. Ela sempre me oferta brindes fabulosos relacionados com a msica, sua maior paixo.
Dos dados que ela me enviou, extrai-se que no chamado perodo Barroco, a msica esteve ligada s autoridades eclesisticas e aos membros da nobreza, criando-se um sistema de empregador. Os nobres e eclesisticos pagavam aos compositores para cada obra e decidiam que tipos de msica desejavam. Isto limitou seriamente a liberdade do artista. Nesse perodo a msica instrumental tornou-se to importante quanto o coral. Floresceu a msica para violino, rgo, harpa, flauta, abo, trombone e trombetas. Ainda no so usados instrumentos de percusso. Foram os mais importantes compositores dessa poca: Antnio Vivaldi, Jahann Sebastian Bach, Domenico Scarlatti e Georg Frederic Handel.
Durante o perodo clssico, que vai de 1759 a 1820, ocorreram grandes mudanas no mundo. A Revoluo Francesa e as Guerras Napolenicas movimentaram a Europa. No mundo da msica, o sistema de apadrinhamento comeou a desaparecer e foi substitudo pelos primeiros concertos pblicos, onde as pessoas tinham que pagar para participar do evento. A msica do perodo clssico foi caracterizada por ser simples, equilibrada e no demasiado emocional. Conhecida como a msica absoluta, no era escrita para danar ou para comemoraes especiais, mas pelo prazer de apreciar a beleza da msica. Trs novas formas instrumentais foram desenvolvidas: o concerto, a sinfonia e a sonata.
Viena foi o centro musical da Europa. A maioria dos grandes compositores viveu boa parte de seu tempo naquela cidade. Nesse perodo destacam-se: Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven.
Durante o perodo Romntico, de 1820 a 1920, como se verifica dos textos mandados por Clarice Sarmento, a msica experimentou grandes mudanas. Os compositores expandiram as formas musicais e desenvolveram novas formas de manifestar a sua prpria personalidade. Foram eliminadas muitas restries anteriores sobre a durao do trabalho, nmero de movimentos e nmero de vozes ou instrumentos utilizados.
Viveu-se um ambiente de liberdade criativa, em que floresceu uma grande quantidade e variedade de obras, tanto instrumental como vocal. Foi durante esse perodo que apareceu a maior parte dos instrumentos da orquestra como os conhecemos hoje.
Os compositores romnticos tambm reuniram a poesia com a msica. A pera foi dedicada a expor o drama humano e no mais mitolgica, simblica ou platnica. Nasceu uma nova tendncia, o nacionalismo, que inspirou os compositores a incorporarem em suas canes e estilos da msica popular em seus pases.
A Rssia foi lder do movimento nacionalista com Tchaikovsky, Borodin e Rimsky Korsakov. Foi no perodo romntico que a msica teve a maior aceitao e divulgao para o pblico em geral e cruzou as fronteiras de todos os pases, para se tornar msica universal. As valsas de Strauss e Tchaikovsky, os noturnos de Chopin, as peras de Verdi, a dana hngara de Brahms so, hoje, parte da cultura de todos os povos.
A msica moderna e contempornea, de 1920 at 2000, tem incio com a msica impressionista, que um ramo derivado da msica romntica, que no segue padres definidos. O movimento impressionista na msica teve incio antes do modernismo. Ele se iniciou no meio do Sculo XIX e continuou at o meio do Sculo XX. Os compositores mais famosos deste estilo foram Claude Debusy e Maurice Ravel.
Motivado por uma reao em desfavor da msica impressionista, nasceu o estilo neo-clssico, num retorno ao perodo clssico, com uso de instrumentos modernos. O mais famoso compositor neo-clssico Igor Stravinsky, mas podem ser citados Sergei Prokafiev, George Gershwin e Dmitri Shostakovichi.


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Por Petrnio Braz - 23/10/2015 18:13:23
Daqui pra frente tem risco de vida

Daqui pra frente tem risco de vida, pea de teatro sobre a Conjurao do So Francisco de 1736, destinada a ser encenada, um trabalho de pesquisa e de criao, de autoria de Marcos Maia, que reabilita para a Histria o motim dos sertanejos.
Trama objetivamente desenvolvida com a presena no texto da preocupao de mostra e no apenas de contar uma histria. Os personagens so historicamente reais. Os cenrios escritos ou apresentados com pormenores e, nos dilogos, os personagens falam realisticamente.
A pea de Marcos Maia, tecnicamente produzida, ser sem dvidas bem recebi
Conheo o companheiro Marcos Maia j h algum tempo e, em sendo ele engenheiro, graduado pela Universidade de Itana, empresrio vitorioso, assustou-me receber dele os originais da pea teatral Daqui pra frente tem risco de vida. Ele, professor em Faculdade de Engenharia, est cursando o mestrado em Geografia, na UNIMONTES. Lembrei-me, contudo, que Euclides da Cunha, autor da maior obra da literatura em lngua portuguesa no Brasil, era engenheiro e gegrafo.
Informou-me ele que decidiu estudar a histria do serto e dar luz aos acontecimentos da revolta social que, acontecida na bacia do rio So Francisco, abafada pela Colnia, no revivida pelo Imprio, aps a independncia, nem pela Repblica. Esta fez renascer a Inconfidncia Mineira e nela fixou o prprio fundamento histrico da independncia.
E, por falar em histria, cumpre ser lembrado que os positivistas subestimam o rio So Francisco, como lembra Vanessa M. Braslia, ilustre professora do Departamento de Histria da Universidade de Braslia, declarando ser ele um rio sem histria, porque no tem documentos que a comprovem.
A pouco conhecida Conjurao do So Francisco foi o primeiro movimento sedicioso ocorrido no Brasil contra a dominao portuguesa. Pouco se divulgou sobre a Conjurao do So Francisco, quase nada se sabendo sobre a pessoa de Maria da Cruz, de ilustre famlia da casa da Torre, esposa de Salvador Cardoso de Oliveira, senhora do povoado de Pedras de Baixo, hoje municpio de Maria da Cruz, desmembrado de Januria, localizado s margens do rio So Francisco que, servindo-me das palavras de Euclides da Cunha, suportou as agruras daquele rinco.
Revoltados contra os pesados tributos, bem antes da Inconfidncia Mineira, os barranqueiros do So Francisco saram da conspirao silenciosa para a ao militar, em busca talvez no da liberdade administrativa da Colnia, mas do respeito aos seus direitos de cidadania.
Relata Diogo de Vasconcelos que na Semana Santa de 1736, em abril, a famlia Cardoso reuniu-se em Morrinhos, onde foi idealizado o plano de invaso de Vila Rica, ento capital da Capitania, para expulsar o governador Martinho de Mendona.
De ser lembrado, por necessrio, que eles foram muito alm dos inconfidentes. Nas entre os conspiradores no havia cultores das letras que se destacassem, que marcassem presena para as vistas da Histria. Tambm no houve mrtires, mas a histria deve ser lembrada como um marco do passado a exigir o reconhecimento do presente.
Sobre a Conjurao do So Francisco, registrada como o Motim do Serto do So Francisco, revivida por Marcos Maia, aparecem algumas referncias plidas: Carla M. J. Anastsia, em Vassalos Rebeldes, Edelson M. de Azevedo em Minas Insurgente, dissertao de mestrado; Maria Vernica Campos em Governo de mineiros, tese de doutorado; Irenilda R. B. R. M. Cavalcanti em O bom governo das Minas sob a tica de Martinho de Mendona; Luciano R. de A. Figueiredo em Furores sertanejos na Amrica Portuguesa: rebelio e cultura poltica no serto do rio So Francisco; Jonice dos R. P. Morelli em Escravos e crimes - fragmentos do cotidiano: Montes Claros de Formigas no Sculo XIX, dissertao de mestrado.
Os sertanejos revoltosos de 1736 levantaram-se corajosamente e se levantam agora nesta obra de Marcos Maia, com as mesmas vozes e dilogos registrados, embora tidos como perdidos, dos personagem que nunca morreram, que vivos se conservaram para dizer: o serto no morre.
De sua me herdou a coragem de enfrentar a vida, a nunca desistir, a audcia de viver com altivez, formando a sua personalidade. Guardou as tradies familiares e as historias que as pessoas carregam junto de si. Ela, a sua me, ensinou-o o valor da educao e do estudo, levando-o a ser perseverante em tudo que faz. Com ela aprendeu a ser alegre, e participativo nas questes comunitrias, a crescer na vida com a nica herana que lhe restaria ao final, o curso superior.
Com seu pai, pelas estradas da vida, aprendeu o gosto pela observao, pela natureza e pelas paisagens. Com ele, na sua infncia, viajou pelas estradas do serto, conhecendo pessoas e costumes.



80618
Por Petrnio Braz - 1/10/2015 21:17:57
Eu sou Psiu

Benditas as mos, que por vestirem o nada, tocaram as nuvens.
por isso que a poesia a mais perfeita fora de expresso da sabedoria humana. ela a medida das palavras, razo porque est representada, ao lado dos smbolos matemticos, entre as sete lmpadas da Capela de Pitgoras, na velha Grcia.
Embora essa Capela exista apenas na imaginao criadora do emrito prof. David Eugene Smith, da Universidade de Colmbia. As lmpadas, em seu conjunto, sugerem do prprio sentido da vida.
Desde Schopenhauer, o Mundo entendido como uma representao. A nossa vontade existe e se manifesta de acordo com a nossa prpria viso das coisas. O bem existe na medida de nossa bondade; o amor existe na medida do amor que transparece de ns mesmos. Tudo que existe produto de nossa viso e tem em ns mesmos a condio de sua existncia.
Nessa viso representativa da fora de expresso da sabedoria, Aroldo Pereira e sua equipe, no esforo diuturno de 29 anos, fez do Salo Nacional de Poesia Psiu Potico a maior representao cultural do Norte de Minas, dentro de um contexto universal.
O Evento cultural ser realizado em Montes Claros entre os dias 04 e 12 de outubro em curso, e notcia nacional.


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Por Petrnio Braz - 30/9/2015 19:47:34
Humanos, mas nem sempre
Inadvertidamente, no trnsito sufocante de Montes Claros, eu fechei um motociclista que me ultrapassou erroneamente pela direita, sem maiores consequncias, mas fui por ele grosseiramente desacatado com os mais horripilantes palavres e ofensas minha querida mezinha (que j dorme sossegada o sono da eternidade), no respeitou nem mesmo a minha idade provecta. Nessa hora, mantive a calma, pedi desculpas. Mil desculpas.
Normatiza a lei de trnsito que a ultrapassagem de outro veculo em movimento dever ser feita pela esquerda, obedecida sinalizao regulamentar e as demais normas estabelecidas, mas em Montes Claros os motoqueiros costuram, ultrapassam pela direita e pela esquerda, passam por cima e por baixo dos outros veculos. Podem tudo.
Manoel Hygino do Santos, jornalista montes-clarense, em artigo publicado no h
Hoje Em Dia, de 29 de novembro do ano passado, nos relembra que na formao gentica intrauterina do ser humano ele absorve a evoluo ocorrida por milnios, como lembra trabalho publicado pelo Dr. Joaquim Prado, livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Sociedade de Gastroenterologia de So Paulo, que vo influenciar no comportamento posterior do homem.
Em se considerando o retorno que ocorre na formao do feto, ou melhor, a presena da evoluo no correr dessa formao, aps a fecundao inicia-se a constituio do novo ser, rebuscando os gens dos seres primitivos que participaram do processo evolutivo, da bactria monocelular ao homo sapiens, passando principalmente pelos quadrpedes, que se fazem presentes, como uma reserva da memria gentica, em considervel categoria de seres humanos.
Segundo o Autor e lembra Manoel Hygino, quadrpedes, segundo o grau de grosseria, estupidez, safadeza e velhacaria de que so capazes.


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Por Petrnio Braz - 29/9/2015 06:50:48
O crime organizado

No mesmo momento em que a sociedade civil busca organizar-se para equacionar os meios de combate criminalidade, violncia que preocupa a todos, leio na Revista de Estudos Avanados da USP (So Paulo), n 61, um conjunto de artigos, um dossi sobre o Crime Organizado, da lavra de Srgio Adorno, Fernando Salla, Alba Zaluar, Guaracy Minnardi, Marco Antnio Tavares Coelho (autor de livros sobre o rio So Francisco e o Rio das Velhas), Luiz Eduardo Soares, Flvio Oliveira Lucas, Michel Misse, Jacqueline de Oliveira Muniz, Domcio Proena Jnior, Vera da Silva Teles, Daniel V. Hirata, Francisco Alexandre de Paiva Forte e Paulo Roberto Ramos. Cada um enfocando um aspecto especfico da presena do crime organizado, suas origens, suas consequncias sociais, a legitimidade da poltica de represso, enfim, a segurana pblica.
Sabemos que, infelizmente, o Brasil um dos pases mais violentos do mundo. O municpio de Montes Claros, para no fugir da regra, tem registrado mais homicdios por ms que em Portugal em um ano.
As causas de tanta violncia so as mais diversas possveis. A primeira e mais presente a carncia de respeito autoridade, visto que a prpria autoridade constituda tornou-se indigna de reverncia, em presena da corrupo oficializada.
Observa Srgio Adorno que a partir de 1970, na esteira das mudanas neoliberais, tem ocorrido o fenmeno da globalizao, que est diluindo as noes de nacionalidade e desenvolvendo nas naes em desenvolvimento uma abertura de espao para atividades ilegais ao tornar a propriedade do capital annima, com circulao monetria livre e apta para os financiamentos de operaes como o trfico de drogas, de pessoas e de rgos humanos, contrabando de armas, fraudes fiscais e financeiras, pirataria de mercadorias e de servios, falsificao de medicamentos, entre tantas outras modalidades.
Analisando a questo sob o prisma do sistema democrtico brasileiro, Alba Zuluar examina minuciosamente o assunto ponderando que o processo de redemocratizao, iniciado a partir de 1988, veio acompanhado por uma crescente taxa de crescimento da criminalidade em uma nao que foi construda pelos ideais da cordialidade e da conciliao e que mudou recentemente essas ideias depois da crtica de intelectuais importantes sobre a ausncia de cidadania nelas.
O retorno democracia, o trmino do regime militar, veio acompanhado de mecanismo de vingana pessoal e de impulsos agressivos incontrolveis. Adverte ele que um dos principais problemas de hoje a incapacidade governamental de controlar o uso de drogas ilegais, cuja circulao se opera por toda parte com uma logstica que impressiona pela sua eficcia. Pondera em seu artigo que os setores mais dinmicos praticam ilegalidades como o caixa dois das empresas, fonte para pagar as eleies dos candidatos que iro conceder privilgios s empresas envolvidas, tornando o Pas uma democracia eleitoral.
Por sua vez, Guaracy Mingardi atenta para o problema esclarecendo que o grande erro dos procedimentos de represso ao crime organizado est na expresso guerra. Esclarece que quando o Estado combate uma guerra, existe um inimigo identificvel, com liderana clara. As organizaes criminais possuem lideranas fluidas e esto de tal forma relacionadas com o aparelho do Estado que se torna difcil mirar uma sem acerta outra.
Numa linha diferenciada de anlise, Marco Antnio Tavares Coelho examina atentamente o tema criminalidade enfocando o depoimento de Marcola, apontado como o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), em So Paulo, que segundo ele simplifica tudo ao afirmar: vim da misria. A misria e a violncia andam juntas. Marcola afirmou que no acredita em Deus. Viveu algum tempo no Paraguai e se tornou um autodidata, um homem culto. L, entre outros, Nietzsche, Vitor Hugo, Santo Agostinho, Voltaire e at a Bblia. Criou regras de convvio nos presdios.


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Por Petrnio Braz - 27/9/2015 10:16:54
Reminiscncias de um Soldado de Polcia

Retornando, ontem, do Escambo de Livros do Ateli Felicidade Patrocnio (ela ainda fala portugus depois de ter permanecido quatro meses em Paris), revirando os meus guardados apanhei um livro para ser relido, um livro de memrias. Memrias de um Sargento de Milcias, de Manuel Antnio de Almeida. No, no era. Era outro, que j havia lido e deu-me vontade de reler. H livros que se l e esquece, outros existem que no se consegue terminar a leitura, mas h os que possuem existncia verdadeira, que prendem o leitor, que nos levam a voltar pginas j lidas e que lamentamos ter terminado.
Refiro-me ao livro de Georgino Jorge de Souza Reminiscncias de um Soldado de Polcia, que traz a presena do saudoso Konstantin Christoff, com um retrato a bico de pena ao Autor, de Georgino Jnior com as ilustraes, de Saul Alves Martins com a Apresentao e de Darcy Ribeiro com o Prefcio, edio independente de 1996.
Duas obras. Dois grandes autores. Memrias de um Sargento de Milcias foi escrita no auge do romantismo em literatura em lngua portuguesa no Brasil, no sculo XIX; Reminiscncias de um Soldado de Polcia do ps-modernismo, que se desenvolveu na esfera scio-poltica posterior aos anos 50 do sculo XX.
Mas, deixemos Leonardo Pataca e outros personagens de Memrias de um Sargento de Milcias e voltemos s Reminiscncias de um Soldado de Polcia, que so memrias, relatos pessoais de uma prpria vida, bem vivida. O autor fala de si, para conhecimento de todos os seus leitores e da prpria regio norte mineira, que no pode deixar de reverenciar seus grandes vultos, que fizeram histria.
Vi pela primeira vez o coronel Georgino Jorge de Souza, e somente o cumprimentei cerimonialmente, em um palanque na cidade de Vrzea da Palma/MG, quando da passagem por aquela cidade das tropas do 10 Batalho, em seu retorno de Braslia/DF, em 1964.
Como diretor do Ginsio Joseph Hein, da cidade, para l encaminhado pela Fundao Educacional Luiz de Paula, fui designado pelo prefeito para saudar a tropa e seu comandante em nome das autoridades locais. Mas foi somente dois anos depois, quando retornei a Montes Claros, que o nome do coronel Georgino Jorge de Souza comeou a se destacar em meus julgamentos pessoais.
No h espao para falar do Coronel em um artigo e, muito menos, para comentar o seu livro. Voltarei a ele.


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Por Petrnio Braz - 20/9/2015 18:13:24
Aliengenas do Passado

Na manh deste domingo (20/09/2015), em num momento de repouso transitrio (que ningum de ferro) antes de continuar a elaborao de um recurso (defendendo uma tese, pois ns advogados defendemos uma tese em cada manifestao processual) a ser apresentado Justia Federal, com prazo vencendo (ossos do ofcio), liguei a televiso e l estava Aliengenas do Passado.
Os aliengenas nos monitoram; somos criaturas deles, dizem os adeptos dessa teoria. Eles so to avanados que podem percorrer, vindos de seus astros de origem, centenas ou milhares de anos luz de distncia sideral, para apenas nos observar.
Sabemos que a nebulosa Sombreiro (eles por l devem dar a ela outro nome) est h vinte e oito milhes de anos luz da nova Via Lctea. Estamos vendo-a agora, como ela era h vinte e oito milhes de anos luz, mas ser que ela ainda existe? S iremos ficar sabendo daqui a outros vinte e oito milhes de anos luz.
Sentei-me frente do computador, pensativo. E o recurso? Ainda h tempo. Amanh, quando minha assistente chegar eu dito para ela.
Todos sabemos que existem, no nosso sistema solar, alm dos planetas e dos satlites desses planetas, milhares de pequenos corpos girando em rbita do sol: os meteoros e os cometas, Por mais que suas leis csmicas promovam um equilbrio, de quando em quando um desses pequenos pode chocar-se com a Terra, como j ocorreu no passado e, necessariamente, ocorrer no futuro. Mas no isso que criou a minha curiosidade.
Informaram-se (televiso) que eles os aliengenas tanto podem destruir a Terra conduzindo um desses meteoros ao nosso encontro, como podem desvi-los. Tudo faz crer que os nossos prprios cientistas j se preparam para esta faanha espacial.
Quando ir acontecer? Eu no sei, voc no sabe, Se acontecer, tudo morrer. No ficar ningum para ter saudades. Por isto devemos continuar vivendo como se nada estivesse por acontecer, seguindo a mxima de Epicuro: Por que ter medo da morte? Enquanto somos, a morte no existe, e quando ela passa a existir, ns deixamos de ser. E pronto.
Portanto, deixemos a Terra rotacionar no espao, o Universo expandir, as estrelas nascerem e morrerem, os meteoros girarem solitrios.
Vou voltar televiso (no me lembrem do recurso) para assistir a um filme de faroeste.


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Por Petrnio Braz - 24/8/2015 18:08:08
A Lei n 10.639 de 2003 introduziu o artigo 26-A na lei n 9.394 de 1996 que tornou obrigatrio o ensino sobre a Histria e a Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e mdio. Porm, de que adianta isso se, na maioria esmagadora de nossos Estados, no existe um contedo srio e verdadeiro da Histria do Negro para ser ensinado em nossas escolas
Quem no tem uma HISTRIA no poder jamais ter a verdadeira dignidade humana! por isso que roubaram a Histria do Negro na maioria dos Estados brasileiros. Em Minas Gerais denunciamos o roubo da Histria do Povo Negro, devolvemos essa Histria atravs dos livros e matrias divulgados pelo site MGQUILOMBO e acusamos quais foram e ainda so os seus ladres.
Ajude-nos a divulgar o dia Sete de Setembro como o dia da Dignidade Negra Mineira. Historiador Tarcsio Jos Martins, do Instituto Histrico e Geogrfico de Minas Gerais.


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Por Petrnio Braz - 18/8/2015 21:43:06
Uma negativa
Quando se busca alguma coisa, sempre est presente a esperana de alcan-la, porque ela uma crena emocional. No se obtendo o que se deseja, impe-se a perseverana.
Candidatei-me a uma vaga na Academia Mineira de Letras Jurdicas, para substituir o saudoso acadmico Jos Nilo de Castro, mas fui vencido pelo desembargador Kildare Gonalves Carvalho, professor de Direito Constitucional, membro do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, ex-secretrio de Estado, ex-Procurador-Geral do Estado de Minas Gerais, ex-Consultor-Chefe da Assessoria Tcnico-Consultiva do Estado de Minas Gerais, ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Cumpre, contudo, ser lembrado que Honor de Balzac foi barrado na Academie Franaise e mile Zola candidatou-se 24 vezes para um lugar na mesma Academia, sem sucesso.
Sabe-se que Alfred Hitchock, Charles Caplin, Natalle Wood, Marcelo Mastroiani no receberam, durante suas brilhantes carreiras, o cobiado Oscar da Academia de Artes e Cincias Cinematogrficas.
O no temporrio da Academia Mineira de Letras Jurdicas constitui-se em um estmulo. Tenho recebido um sim nos embates da vida, e este sim impe-me o dever de perseverana.


80163
Por Petrnio Braz - 28/6/2015 15:22:55
Artur Fagundes

Um poltico de renome, um adversrio temido, um amigo afetuoso, um poeta parnasiano: Artur Fagundes.
Depois de alguns anos de separao, reencontrei-me na ltima sexta-feira (26/07/15), no Centro Cultural, aqui em Montes Claros, com Artur Fagundes, em solenidade festiva de lanamento de mais um de seus livros: O Colibri Sonetos e Poesias.
O meu nome estava, na Portaria, na relao de convidados, mas eu no havia recebido o convite, devolvido pelo Correio. Mas, Joo Jorge, diretor do Centro Cultural, para atendimento ao Autor, encarregou-se de convidar-me, o que fez atravs de Isabel Lpo, por e-mail. No podia faltar.
O poltico, filiado ao PR-Partido Republicano, antes da Revoluo de 64, marcou sua passagem pelo seu dinamismo, pela sua fidelidade partidria. Foi um dos melhores deputados que o Norte de Minas teve. Contudo!
As fora polticas em So Francisco dividiam-se meio a meio entre a Coligao UDN/PR e a Coligao PSD/PTB. Eu era filiado ao PTB e meu pai ao PSD.
Nos anos 60, apareceu em So Francisco, apoiado pelo PR, como adversrio ferrenho, um candidato novo a deputado estadual, que motivava as multides com seus discursos nos comcios polticos. Adversrio com fora de convencimento, ns temamos a sua chegada para um comcio. No tnhamos porque gostar dele, apesar de sua lhaneza de trato.
Os anos passaram rpidos e eu, apesar de j residindo em Montes Claros (a partir de 1963) ainda atuava ativamente na poltica em minha terra natal, como ele e meus companheiros nos filiamos ao PDS (a politica municipal falava mais alto), e nos tornamos amigos. Amizade que se fixou e atravessou os tempos.
Chegou s minhas mos, em 2011, sem que eu tivesse participado de solenidades de lanamento, seu livro de sonetos Meu Relicrio. O nome Artur Fagundes renasceu em minhas lembranas e desejei reencontr-lo, mas no ocorreu. Ou ocorreu! Reencontramo-nos culturalmente pela leitura e releitura de seus sonetos petrarquianos. Era o intelectual que havia transformado a sua fora de convencimento nos comcios em sentimentos poticos.
Em seus sonetos, pela pureza parnasiana, pela perfeio da mtrica, da sonoridade e da rima, umas entrelaadas e outras alternadas, do lirismo clssico, eu me via lendo Raimundo Correia, Cames, Olavo Bilac, Vincius de Moraes.
Eu disse, talvez tenha sido ontem, que com as mundanas iluses dissipadas, encontro-me cansado da jornada de oitenta e seis anos. Cansado de procurar a felicidade, mas A felicidade lurea que chancela / A conquista pelo esforo dispendido / Quanto mais a gente anda em busca dela / Mais distante fica o prmio pretendido.


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Por Petrnio Braz - 27/6/2015 17:25:54
Cabo Raimundo

H pessoas que no morrem, como afirmou Guimares Rosa, ficam encantadas. O cabo Raimundo uma delas. Militar zeloso e orgulhoso de sua profisso, do ento Destacamento de Curvelo/MG, onde praticamente permaneceu durante todo o tempo da ativa. Estudioso, era um intelectual.
Pouco mais de quatro meses aps o lanamento de meu livro Serrano de Pilo Arcado - A saga de Antnio D, recebi dele correspondncia mandando-me fotografias e biografias de todos os oficiais da Polcia Militar de Minas Gerais que haviam participado, de uma forma ou de outra, das aes de captura de Antnio D, nos primeiros anos do sculo passado.
No faz muito tempo, comentando sobre ele disseram-me: Ele faleceu. Lembrei-me de Jos Maria Alkmin: Morreu para voc, mas ele est no meu corao. O cabo Raimundo no morreu. O seu nome permanecer vivo em Curvelo, nos anais da Polcia Militar e em nossa lembrana.
Sobre ele j escrevi, comentando artigo da lavra do coronel Geraldo Tito Silveira, que dele recebi.
O cabo Raimundo, aps receber baixa com promoo, sem farda por anos nunca havia sado rua sem uniforme militar assentou-se com um amigo em um bar para saborear uma gelada (nunca antes havia bebido em pblico).
Sua satisfao em estar civil no era maior do que a seu orgulho de ter sido cabo da Polcia Militar.
Em um dado momento assentaram-se, em uma mesa prxima, dois senhores. Conversa vai, conversa vem, l e c.
Um dos senhores da mesa prxima, dirigindo-se ao outro, falou em voz um pouco mais alta, como se estivesse tentando convencer ao outro:
Cabo que foi soldado no presta.
O cabo Raimundo assustou-se. Fixou sua ateno para ouvir melhor.
o queu digo. Cabo que foi soldado no presta.
O cabo Raimundo levantou-se colrico, ofendido. O maior orgulho de sua vida era ter sido cabo e conhecido como o cabo Raimundo. Ele suspendendo o ofensor pelo colarinho da camisa gritando:
Repita o que voc disse!
Eu disse que cabo que foi soldado no presta.
Seu vagabundo olhou para os lados pronto a esbofetear o ofensor, quando este completou:
Pois , seu moo. Cabo de bateria quando soldado no presta, no deixa passar a corrente.
Riram. O cabo Raimundo pediu desculpas e retornou mesa. O fato correu pelas ruas da cidade e chegou aos ouvidos do coronel Geraldo Tito Silveira, em Belo Horizonte.


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Por Petrnio Braz - 15/6/2015 18:15:46
A Imprensa Oficial de Minas Gerais, sob a direo geral do confrade Eugnio Ferraz, do Instituto Histrico e Geogrfico de Minas Gerais, abriu-nos o
PORTAL DA INCONFIDNCIA
Nas dcadas de 1970 e 1980 a Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais imprimiu, em 11 volumes, e sob os auspcios da Cmara dos Deputados, os Autos de Devassa da Inconfidncia Mineira, em edio comentada e h muitos anos j esgotada.
A partir de tais volumes digitalizados pelo Arquivo Pblico Mineiro, existentes na Biblioteca Luiz de Bessa, a Imprensa Oficial, mediante exaustivo trabalho tcnico, transformou as cerca de 5.500 imagens em formatao que possibilitou aplicao de um completo sistema de buscas praticamente isento dos comuns erros que aparecem nesse tipo de transposio.
E mais: ambas as formas podem ser vistas lado a lado, comparando-as, ou seja, os 11 volumes originais da edio dos anos 1970 e 1980 em imagem ao lado da apresentao em pdf que possibilita a utilizao do sistema de busca.
A iniciativa representa um salto enorme no sentido de democratizar as informaes contidas nos Autos de Devassa da Inconfidncia Mineira ADIM - sociedade, atravs do citado sistema de buscas e tambm com o gradativo acrescentamento, em cones especficos, da possibilidade de acesso a trabalhos cientficos afetos ao tema produzidos e disponveis atravs de links de instituies de ensino e pesquisa. Outros cones tambm sero continuamente alimentados com iconografias de cidades histricas mineiras, livros, revistas e jornais contendo materiais relativos ao assunto.
Tudo isto nica e exclusivamente no sentido de dotar os historiadores e pesquisadores de mais ferramentas e informaes que permitam, continuamente, trazer mais luzes a um dos maiores, seno o maior, movimento libertrio nacional.
Democratizando informaes histricas, a Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, este Estado da Liberdade, por sua essncia e natureza, tem plena convico de estar cumprindo sua misso institucional de fomento e apoio cultura.
Apoio que a Imprensa Oficial tambm recebe neste projeto das vrias instituies e entidades parceiras desta Autarquia, cujas marcas e breves opinies esto contidas a seguir, continuando as frutferas colaboraes recprocas agregadas recentemente.
O lanamento, na abertura da Semana da Inconfidncia de 2015, na cidade de Tiradentes, ainda mais acentua a responsabilidade histrica da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, nascida em Ouro Preto, cidade do lanamento, h 123 anos, precisamente no dia 21 de abril de 1892, do nmero inaugural do Dirio Oficial Minas Gerais.
Imprensa Oficial de Minas Gerais
Abrir: portaldainconfidencia.iof.mg.gov.br.


80106
Por Petrnio Braz - 15/6/2015 15:47:39
Bairro Major Prates em Montes Claros. Sou ainda muito novo (s 86 anos) e por esta razo pouco conheo da histria do bairro Major Prates, uma cidade dentro de Montes Claros. O escritor Edson Carvalho, em seu livro Bairro Major Prates Sua histria, seu comrcio e sua gente nos d conta de que ele o Bairro - foi idealizado e loteado, em 1962, em terrenos de uma fazenda de Milton Prates e de dona Genoveva Prates, por iniciativa urbanstica do menino Arlen de Paulo Santiago Filho (15/07/54). Mas Arlen s tinha oito anos.


80099
Por Petrnio Braz - 14/6/2015 10:44:52
A corrupo neste Pas crnica, sem dvidas, mas sempre existiram administradores idiotas ou burros. Quando prefeito, para construo do servio de abastecimento de gua de So Francisco, foi a So Paulo para comprar os canos para a rede de distribuio de gua, dezenas de caminhes de canos para transportar. Preo dado, preo discutido, preo abaixado. Finalmente, um diretor disse, para fechar a venda: Ns lhe damos 10% do valor da fatura. Ento reduzam os 10% no prprio valor da fatura. O diretor fez uma cara de incompreenso e deve ter pensado idiota.
Nesse Pas, at os tempos atuais, todos os administradores honestos so taxados de idiotas ou burros pelos prprios eleitores. Voto nele porque ele furta, mas faz.
Antnio Montalvo vendeu uma fazenda para asfaltar Montalvnia, raso exemplo de homem pblico.
Em So Francisco/MG, a safra de idiotas acabou em 1977.


80059
Por Petrnio Braz - 7/6/2015 11:42:19
Vamos juntos conferir:
Vermelho Escarlate resgata um gnero esquecido nos anos 60, o New Journalism. Estilo que consagrou gigantes como Tom Wolf e Truman Capote. Caracteriza-se pela mistura da narrativa jornalstica com a literria. Embora possa ser lido como fico, no fico. , ou deveria ser, to verdico, como a mais exata das reportagens, alertou Gay Talese, na poca.
J.C. Junot (Juvenal Cruz Junot) relata o amor insano de um msico de rock por uma artista plstica, assassinada no incio de uma carreira promissora.
O crime coloca a cidade na berlinda e desperta a ira de um serial killer, trazendo tona histrias que deveriam ser esquecidas. Explorado pela mdia, nos induz a acreditar que viver um ato sem platia e que a morte o espetculo glorioso da notcia.
O livro lanado pela Editora B uma armadilha para os aficionados pelo gnero, que no conseguiro parar antes do final, e um manual de jornalismo investigativo para quem deseja entender os segredos de um ofcio cada vez mais raro.


80051
Por Petrnio Braz - 4/6/2015 21:36:43
Na quinta-feira, feriado de Corpus Christi desse ano da graa de 2015, confortavelmente despreocupado frente da televiso a ver um filme, recebi a visita do amigo Paulinho Ribeiro, ilustre presidente da Fundao Darcy Ribeiro. Trazia ele a tiracolo, se possvel assim transportar uma coleo de quarenta livros, em complemento aos dez anteriores que ele me havia ofertado, integrantes da Biblioteca Bsica Brasileira, um sonho de Darcy Ribeiro tornado real pelos seus sucessores. Nada me agrada mais do que receber um livro. Quarenta, ento, um prmio lotrico. Os cinquenta livros da BBB complementam, com destaque, a minha modesta estante e reservei dois para serem lidos no final de semana prolongado.


79868
Por Petrnio Braz - 5/5/2015 09:42:27
Academia Montesclarense de Letras - Rei morto, viva o rei. Princpio ultrapassado que vigorou na Idade Media, no perodo ureo a Cavalaria. Pessoalmente, e s pessoalmente, entendo que no hora de serem abertas discusses sobre a sucesso de dona Yvonne Silveira na presidncia da Academia Montesclarense de Letras, por um respeito mesmo sua presena, por mais de trinta anos, na presidncia da mesma. A Academia chegou a ser sinnimo de Yvonne Silveira. O Quadro Social da Academia composto de quarenta membros, mas apenas pouco mais de dez por cento atuante, presente nas reunies. J se elegeu novos membros efetivos com a presena de apenas cinco acadmicos. A sede da Academia, no Centro Cultural, est lacrada h quase trs anos. Esta uma oportunidade para o restabelecimento de um congraamento mais amplo, buscando trazer ao convvio da Academia todos os seus membros efetivos. Temos uma Diretoria regularmente eleita, s seguir a cadeia sucessria. Ao atual presidente (1 vice-presidente), acadmico Wanderlino Arruda, caber essa misso: reativar a Academia. Os quarenta membros, todos culturalmente dignos de serem acadmicos, devem ser tratados de forma igualitria.


79788
Por Petrnio Braz - 20/4/2015 12:08:51
Por quem os sinos dobram

Os sinos dobram muitas vezes a finados, mas por quem eles dobram? Por quem os sinos dobram? um questionamento que ficou gravado em minha mente por muitos e muitos anos. titulo de uma obra prima de Hamingway, que li nos anos quarenta, quando cursava o segundo grau, e de um filme protagonizado por Gary Cooper e pela talentosa Ingrid Bergman, que fez poca no mesmo perodo. Um dos melhores filme j rodado em Hollywood.
Fernando Pessoa nos deleita dizendo que: O sino dobra a finados. / Faz tanta pena a dobrar! / No pelos teus pecados / Que esto vivos a saltar.
O jornalista Jorge Silveira e a professora Ivana Rebello, no livro TONINHO REBELLO - O HOMEM E O POLTICO, nos trazem lembrana o poema de John Donne, do Sculo XVI, que deve ter servido de mote a todas as manifestaes posteriores: A morte de qualquer homem me diminui / porque eu sou parte da humanidade / e por isso, nunca procure saber / por quem os sinos dobram / eles dobram por ti
Os sinos em Montes Claros dobraram a finados em 1992. Repicaram fortes para anunciar que, naquele dia, a cidade perdia um de seus mais ilustres filhos: Antnio Lafet Rebello.
Mas, os sinos de Montes Claros repicaram em regozijo, exaltao ou gaudio, pelo lanamento do livro TONINHO REBELLO, O HOMEM E O POLTICO, obra elaborada pelo jornalista Jorge Silveira e pela professora Ivana Rebello, ocorrido no auditrio repleto do Parque de Exposies, em Montes Claros/MG.
Li o livro e conheci melhor Toninho Rebello, o homem e o poltico. J sabia, e Montes Claros sabe, que as suas obras mudaram a cara da cidade, desnecessrio informar.
Os autores, Ivana Rebello e Jorge Silveira dispensam comentrios. Ela, doutora em Literatura de Lngua Portuguesa, professora de mritos reconhecidos. Ele, jornalista poltico de renome. Meus amigos.
Observa com acuidade Mara Narciso que o livro Toninho Rebello, o homem e o poltico, escrito pela sua sobrinha professora Dra. Ivana Ferrante Rebello e pelo jornalista Jorge Silveira, presta uma homenagem de amigos, pois no cita defeito algum no retratado. Isso no significa que a obra decepcione, ainda que se sinta a timidez de Ivana, escritora de muitos cabedais, em falar do tio, um homem reservado e srio. Grande fazendeiro, filho de portugus, Antnio Lafet Rebello teve uma criao rgida, e seu carter foi moldado por essa cartilha. Quando os autores falam que o ex-prefeito, falecido em 1992, era engraado, custa-se a acreditar. Porm, como certas caractersticas so hereditrias, eu conheci esse lado, indiretamente, pois fui colega da sua filha Cristina Athayde Rebello no primrio, ginsio, cientfico e faculdade de medicina, e via nela, e de forma marcante, esse lado espirituoso. Tambm convivi com sua outra filha Vera Lcia Athayde Rebello Gomes, j falecida, que tinha presena de esprito, com tiradas engraadas. Acreditei na informao do livro.


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Por Petrnio Braz - 4/4/2015 06:38:21
A lenda do Arco Iris

A lenda do Arco Iris nos veio do legado cultural indgena, e j existia muito antes do descobrimento, dizem. Mas ela somente teve vida a partir de Ildeu Brana e Pedro Boi, do Grupo Agreste. Mas, agora vai tomar corpo com o projeto cultural de Isabel Lpo, em parceria com Amelina Chaves, aprovado pelo Conselho Municipal de Cultura de Montes Claros, e que poder ser rodado em So Francisco.
O rio So Francisco, esclarece a autor, com todo seu esplendor e estreita relao com os moradores ribeirinhos, acumulou muitas histrias e lendas ao longo do tempo. Muitas dessas se tornaram livros, peas de teatro, e letras de msica. A msica A lenda do Arco ris fala da relao do pescador com o rio, do seu cotidiano de trabalho, dos sonhos e paixes de um homem ribeirinho.
A lenda do Arco Iris em videoclipe ser dirigida por Isabel Lpo e executado por uma equipe de filmagem de Montes Claros.
Observa a autor, em concluso, que o projeto A lenda do Arco Iris em videoclipe, tem plenas condies de ser desenvolvido. Trata-se de um projeto atraente, objetivo e acessvel s mdias do mundo contemporneo.
A msica A lenda do Arco Iris tem uma trajetria de sucesso de mais de trs dcadas, muito conhecida pelos norte mineiros e por apreciadores da musica regional de todo o pais.
No existe at ento nenhuma relao da musica com alguma cidade ribeirinha e tambm a nenhuma poca, pois iria limitar a fantasia contada na histria a apenas um grupo de ribeirinhos de uma cidade e uma determinada data. Desta forma, a histria pode ter vrias interpretaes pelo fato de no estar presa a nenhum local ou tempo. A escolha de atores e figurantes ribeirinhos far toda a diferena nos aspectos estticos e de expresso corporal, muito valorizado nos trabalhos cinematogrficos.
A criao desse videoclipe ser uma nova maneira de apresentar a musica para o publico que j a conhece, e tambm para as novas geraes que no tiveram a oportunidade de valorizar essa msica regional norte mineira.
Os encantos do rio So Francisco, e essa lenda maravilhosa que apresentada na letra da musica, poder ser apreciada com imagens de atores interpretando em paisagens deslumbrantes, representando todo a riqueza e simplicidade da vida ribeirinha norte mineira.
A realizao desse projeto ampliar os horizontes para a divulgao da musica, trazendo tambm benefcios para a arte e para o turismo no Norte de Minas.
As diversas experincias em trabalhos artsticos por parte da realizadora, aliado paixo e desejo de apresentar para o mundo as riquezas da regio, resultar em uma obra artstica de grande qualidade e reconhecimento pelos expectadores.
Isabel Cristina Lpo Sobral graduada em Histria pela UNOPAR e ps-graduada em cincias polticas pela ESAB. Isabel Lpo um nome atuante na cultura Montesclarense. Atriz desde 2012, j viveu vrios personagens desde o drama at a comdia. Recentemente realizou na Casa de Artes Laranjeiras, no Rio de Janeiro, curso de interpretao para TV e Cinema.


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Por Petrnio Braz - 29/3/2015 15:30:09
Uma questo de ordem
Imortalidade literria e vitaliciedade. Antes de adentrar na questo a ser levantada, cumpre-se tentar analisar, de forma objetiva, os institutos da vitaliciedade e da imortalidade literria.
A vitaliciedade, garantida pelas normas fundamentais da Constituio Federal, a condio que atribui a algum o carter permanente at a extino de sua vida. Os papas so vitalcios, os juzes so vitalcios, mas essa garantia pode sofrer soluo de continuidade em presena de processo com condenao ou de renncia, como j ocorreu com um papa. A extino da vitaliciedade, sem renncia, somente pode ocorrer como condenao. A vitaliciedade instituto de ordem constitucional.
A imortalidade literria tem histria. Ela tem natureza estatutria e nasceu com a criao da Academia Francesa de Letras, fundada pelo cardeal de Richelieu em 1635. Todas as Academias que se criaram, depois, tiveram por parmetro a Academia Francesa.
A eleio de um membro para uma Academia requer a instaurao de procedimento antecipado de qualificao, que ser submetido Assembleia Geral, que se constitui de todos os membros efetivos (como regra quarenta), Uma vez eleito e empossado, o membro investe-se na condio estatutria de perpetuidade, como define o 1 do Art. 1 do Estatuto da Academia Brasileira de Letras. Essa perpetuidade adquire a conceituao jurdica de vitaliciedade. Assim, somente se perde a condio de acadmico pela morte ou pela renncia.


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Por Petrnio Braz - 22/3/2015 13:28:15
Charles Emerson Bispo

Nos anos setenta e oitenta, um advogado novo se destacou em algumas Comarcas do Norte de Minas: Charles Emerson Bispo. Enveredando-se pelo Direito Eleitoral, chegou a pertencer ao colegiado de advogados do PDS, o maior Partido Poltico do Ocidente, nos anos oitenta. Advogado com poderes para requisitar avio para conduzi-lo a qualquer cidade de Minas Gerais, onde os interesses do Partido estivessem em jogo. A seu convite, estive com ele em Capelinha/MG, naqueles tempos idos, para suspender a posse de um Prefeito por deciso do presidente do Tribunal de Justia do Estado.
Passados j alguns anos de seu falecimento, sinto a obrigao de desmistificar uma vida, que poderia ter sido grandiosa, mas que foi carente dos condimentos necessrios guarida da histria.
Orador brilhante e destemido, com voz tonitruante, fez figura no Tribunal de Jri, porm sem muito sucesso na absolvio de seus clientes. Discursava para impressionar, no para absolver.
Detentor de uma mente privilegiada, ele decorou, quando aluno da Faculdade de Direito, o Cdigo Civil. Utilizava-se, com naturalidade e corriqueiramente, de intertextualidades em suas peties forenses e nos dilogos do dia-a-dia. Impressionou pessoas e fez admiradores.
Brilhou como um meteoro. Por carncia de tica profissional, a sua vida e o seu nome resultaram em nada. Nada ficou para a posteridade.
Logo aps o seu falecimento, escrevi e publiquei um artigo, plagiando Castro Alves: H de gemer por ele o gaturamo, que relembro, esperando que sirva de exemplo aos novos bacharis, que a cada semestre se integram classe dos advogados.
Ele faleceu sozinho, em um quarto qualquer, de uma casa qualquer, de uma rua qualquer, em Belo Horizonte. Faleceu sem a assistncia de um amigo, de um parente, de uma mulher. Separado da esposa e dos filhos, vivia s.
Nos dias finais de sua vida, desprovido de afetos pessoais, amargurado, no se maldizia do destino, embora vivesse recolhido dentro de uma roldana de magoas e dissabores. Em seu fadrio, a melancolia entremeada de amarguras como feridas abertas eram suas companheiras.
A vida no lhe foi amena. No silncio das noites, no idear da imaginao dos tempos vividos, nos ltimos anos de sua vida esteve acorrentado como Prometeu montanha de suas desiluses.
Faleceu ainda novo, absolutamente s. Em um cemitrio qualquer, em Belo Horizonte, dorme ele o sono da eternidade. Piedosas e annimas beatas havero de orar por ele, ao p da cruz abandonada que identifica a presena de seu sepultado corpo. Ele no estar s. Esta realidade da cruz abandonada fez-me lembrar a poesia de Castro Alves: O gaturamo / Geme, por ele, tarde, no serto.
O bacharel de invejvel cultura, leitor assduo dos clssicos, diplomado pela UFMG, deixou-se suplantar pelo homem sem escrpulos profissionais. E o homem comum, que nele existia, foi capaz de destruir o advogado. Coisas da vida.
No silncio de sua sepultura ele descansa sem a presena de amigos e parentes, dormindo em seu leito de desventuras, que a vida dentre as selvas do asfalto lhe comps. Ali, h de gemer por ele o passeriforme gaturamo.




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