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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Raquel Chaves    [email protected]
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Por Raquel Chaves - 1/3/2022 20:10:44

Alegrai-vos: um Anjo chegou de volta ao Cu, e seu nome N - eternamente N do Pentaurea


Raquel Souto Chaves




Sentada na varanda do Penturea Clube vejo a carroa chegando, conduzida por N e seus cavalos cmplices.

As crianas, correndo, vo ao seu encontro para mais uma aventura inesquecvel.

O sorriso no seu rosto revela a alegria de mais uma vez cuidar da inocncia que o cerca.


No colo, leva o beb que pela primeira vez faz o passeio, outras vezes viro.

So anos de dedicao e de amor pela funo que Deus lhe deu.

Vinde a mim todas as criancinhas...

De corao puro, mistura-se a elas, como se criana fosse tambm.

O carinho e o cuidado so vistos a olho nu.

Alegrai-vos: hoje, 1 de maro, o cu est em festa; recebeu uma estrela que brilhou na Terra, e brilhar para sempre, tambm l.

O que dizer de um solteiro sessento romntico, cheio de sonhos, caridoso e santo, que cuidou de tantas crianas, filhos de outras pessoas?

N cuidou do irmo cego, que at hoje limpa a casa onde moram, deixando-a esplndidamente lustrosa - deve ser o brilho que Deus lhe deu, no lugar da viso.

As crianas e seus pais lamentam a partida, com a certeza de que seu lugar no cu ser rodeado de anjos como ele.

Descansou, no mereceu sofrimento.

Cuidou das crianas como ningum.

Certa vez, uma criana brincando caiu e N a pegou no colo para cuidar do ralado que a queda lhe provocara.

O que ele no sabia (ou sabia) que, alm de cuidar da ferida , cuidou do coraozinho inocente que estava desprotegido naquele momento.

Obrigada, N, por ser estrela entre ns Irradindo o brilho que s um anjo pode espalhar.


81319
Por Raquel Chaves - 26/2/2016 17:05:23

A Avenida Coronel Prates, tipicamente decorada e com arquibancadas de madeira e palanque oficial armados, est pronta para receber escolas de samba e blocos caricatos de Montes Claros.
Os Reis Momo, Chico Marinheiro e Arnaldo Maravilha, com imensas chaves de isopor, abrem as portas da cidade para o perodo momesco.
abre alas que eu quero passar... anuncia o grande alto falante instalado no prdio da Prefeitura.
Gigantescos pandeiros e mscaras multi cores decoram o trajeto que tem incio na esquina da Macife e culmina na Rua Coronel Luis Pires, esquina da Santa Casa.
O prefeito Toninho Rabello pediu aos moradores para enfeitarem suas casas e ajudarem na decorao.
Na casa de Jackson Atade, sua esposa Magda usou lindas luminrias sanfonadas.
O Grmio Recreativo Mocidade Alegre do Roxo Verde pede passagem, com o enredo Joo Chaves o Bardo.
Jorge Caquinho, presidente da escola pe ordem nas alas.
Sandra, porta bandeira e Alton Neguinho, mestre sala, com coreografia nota 10 do um show.
Buchechinha, irmo de Batuta coordena a bateria.
Toninha, irm de Fatinha, Dos Reis, Tita e Veranice (passistas), a puxadora do samba enredo.
As filhas de Anbal Carroceiro, marujo das festas de agosto, mostram que sambar uma arte.
A Vanguarda Imperial, sob a regncia de Geraldino e Vanda Coelho, ganha a avenida com exuberantes fantasias compradas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Eles vm na comisso de frente e as filhas Valdeli e Roseli como destaques.
Nice David a autntica Carmem Miranda da Princesinha do Norte. Sua alegria contagia a todos.
Emerson Cardoso esfuziante no carro alegrico, de fantasia ornada com penas coloridas, se derrete ao sambar.
Iobe, Valria, Arnbio, Ildeu, e Jos Carlos Gontijo, na porta da Penso de propriedade de Geraldo Caires e dona Jara observam o desfile atentamente.
Palhaos e bailarinas surgem no Bloco do SESC guiados por Belezo e pela competente diretora Ada Camisasca.
Dr. Hermes e Dona Fina, acompanhados dos filhos Valria, Virglio e Virgnia aplaudem de p.
O Bloco Caricato Bi e Salom, nome dado em homenagem a dois solteires da cidade, solta a voz e canta:
Comeou com dez
Hoje canta a multido
Todo ms de Fevereiro
Em homenagem aos solteiros
Nosso bloco campeo ...
Na bateria que faz a cuca chorar: Ronaldo (Roxo), Altamiro (Batatinha), Vicentim e Valcir Maia, Jnior Leo, Virglio de Paula, Lai Chaves, Ronaldo Bicalho, Paulinho, Nem, Carlos Amrico Souto, Rafael Oliveira, Toninho Parrela (Bacana), Ablio, Rubinho Sena, Bbo, Z Geraldo, Valtinho e Valcir Carvalho, Do Car, Hlio Guedes (Pato), Z Gula, Gra Moleque...
As irms Valdane, Elgyta e Fabola Leo, Rosane, Raquel e Roslia Oliveira, Flvia Beatriz (Bia), Rosngela e Liva Maia, Ktia Mara, Rita, Mercs Costa, Flr e Eliana Lopes vestidas de Pierr e com samba nos ps brilham na avenida.
O Bloco Sac, idealizado por Josec Alves dos Santos, entra na avenida com pais e filhos cantando e danando harmoniosamente e mostra O Pas do Carnabral.
Cabral, Cabral
diz como surgiu o tal Brasil..
A bateria nota 1000.
Gra do Chica, Pedro e Tom assistem a tudo na varanda da "Repblica Puleiro dos Anjos", que fica em cima da Sorveteria Pinguim.
Nem, marido de Marlene Tavares, o presidente do bloco Feijo Maravilha, o prximo a se apresentar.
A novidade do ano a estreia do Bloco Unidos do Cu, do Bairro Roxo Verde.
Dona Marieta, esposa de Lourival Dantas, costurou as fantasias com esmero dia e noite. Os filhos Jlio Csar, Catulo, Ceclia, Clarete, Clia (Biela), Mnica, Clia, Betnia e Cssio que no mediram esforos para colocar o bloco na rua, desfilam esbanjando simpatia.
Jlio Csar e Cezo mandam bem na bateria atentos aos mestres Ba e Sidney Oria.
Reginaldo (Neginha), Ilzemar (Sco), e Cida (namorada de G) alm de passistas, ajudam na confeco dos adereos.
Veranice (Nga Brech) a mais animada e barulhenta do bloco. Seu irmo Alton puxa o samba composto por Biela e Cassinho.
Cupido Deus do amor flechou nosso apaixonado corao...
Borboleta na cabea
veja que sonho legal
revivendo a descoberta no tempo do carnaval.
Se Cabral agora voltasse
e visse que est tudo mudado
100.000.00 o preo do caf
Cacique agora deputado
no bicho que a gente leva f...
Famlia que samba unida, permanece unida. Didi, Nice, Niltinho e Alexandre confirmam o dito popular.
Mazinho e Cira Santamaria com os filhos Patrcia, Lesa , Fernanda e Jnior ,tambm.
Raquel e Jnior, filhos de Nestor e Ilda, Czinha, Toninha e Gzinho de Antnio e Zita Dures, Manoel bateria, Toninho, Lol, Cida e ngela, Roy e Eduardo de Raimundo Chaves com a sobrinha Danielle, Mrcia, Patrcia e Celinho, Carlcio, Carlos (Passarim) e Toninho, os filhos de Sr. Irnio e de dona Nita da Padaria Andrade, Joo, Di, Nena, Maria, Irenilda (Guth), Irenita, Tone e a esposa Regina, Washington e Wandeirez Bicalho, ajudam a coordenar o bloco e mostram garra e unio. So os melhores passistas que Montes Claros j viu. O prmio de primeiro lugar ficou para eles.
Al baixada da Matriz
povo feliz
vamos sambar
vamos brincar
vamos andar at o dia clarear
Quero ver meu povo sambando
quero ver meu povo cantando
quero ver meu povo na avenida
quero ver o sol raiando...


O Bosta ou Chul, bloco de mascarados com fantasias feitas de sacos de estopa, criado a partir de uma conversa despretensiosa entre Sr. Osvaldo, Fnca, Jos Maria, Tico Lopes, Joo Afonso Maurcio, Artur Leite e Lei Xavier,no Bar de Joaquim. traz o povo da Baixada da Matriz e encerra o desfile arrastando a multido. De rostos tapados esto Davidson Rego, Edite Leite, Lcia Rabello, Zlia Souto e os filhos Reinaldo (Repolho), Ricardo (Peru), Patrcia, Elaine, Juraci e Jlia Malveira, Tonha Versiani, Nilzinha e Lurdinha Maurcio, Alex, Jlio e Lus Vieira, Afrnio, Roberto, Ruy Muniz, Gilberto Preto, Clarice, Rita e Sueli filhas de Nivaldo e Sofia Maciel.
Em nossa casa da Avenida Coronel Prates, Bia, Cleber, Joozinho, Cludia de Tio Ulpiano e Paulo (vindos de Belo Horizonte) se preparam para o Baile de Salo do Automvel Clube.
J esto por l Armando, Henriquinho, Pedro, Celina, Lulu e Tupi.
Lus Cludio (Casco), Paulinho e Mnica Oliveira sobem a Rua Dr.Veloso. Genesco Rocha, namorado dela os aguarda na esquina do Hospital Santa Terezinha.
Zezinho Ferreira (Chiqueiro), Ucho e Marquinhos Ribeiro, Abel Sena, Z e Paulinho Aquino, Aroldo (Cabar) e Henrique Tourinho (Buteco), ninho e Marcelo Farias, Guu, Roboo Rodrigues,Cori Gonzaga Jairo e Julinho Drumond ,Danilo, Dalton, Dario e Dirceu Colares cortejam as moas.
Erico Freire, Wellington (Tiba), Neide Oliveira, Vnia Catani, Janine Ribeiro, Raimundo Souto (Paco Paco), Ndia Kojac, Ellen Parrela, Estvinho Barbosa e Paulinho Fialho entram no salo esfuziantes tocando buzinas e esguichando gua para aliviar o calor.
Vou beijar-te agora
no me leve a mal
hoje carnaval...
Paulo Baleeiro, sempre observador se encanta com tudo.
Bibi e Leila Tolentino, Carlos e Dete Oliveira, Joo Carlos e Baby Sobreira, Barreto e Lourdes, Joo Galo e Corina Abreu, Joo Carlos e Zez Moreira, atentos as crias danam at o sol raiar.
Theodomiro Paulino e Lazinho Pimenta acompanhados dos fotgrafos Valdeir, Nadson Alves e Dirceu no perdem um s flash e registram tudo para publicarem em suas colunas sociais.
Gentil Antunes, o que enxerga com o corao, veterano P de valsa flutua pelo salo ao som de:
Bandeira branca amor
no posso mais
pela saudade que me invade eu peo paz...
Quarta feira de cinzas, confetes e serpentinas voam levando o carnaval.



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Por Raquel Chaves - 3/2/2016 14:45:24

Faleceu ontem em sua casa, aos 77 anos, Ademar Toledo, o irmo de Ubirajara Toledo (Titio Bira). Toledo emprestou sua maravilhosa voz ao Grupo de Serestas Joo Chaves por longos 36 anos. Daqui a pouco, s 15:00, no Cemitrio Parque da Esperana, os velhos companheiros de cantoria, em noites de lua cheia, prestaro a ele a sua ltima homenagem.

Toledo era uma das belas vozes da nossa seresta. Alm de ser pessoa alegre, de fcil convvio, de largo e generoso corao. H muitas histrias que realam sua alma desprendida, e amiga.

Uma delas:

A Seresta Joo Chaves cantava certa vez num clube da cidade, no palco.

Na plateia, o ex-prefeito Simeo Ribeiro, ao fim de msica, em voz ouvida por todos, pediu:
Toledo, cad " o meu beijinho doce...". Pedia a msica.

O bom Toledo desceu do palco e, radiante, sapecou um beijo..nas faces do ex-prefeito.

Assim era a voz que agora se despede.


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Por Raquel Chaves - 24/3/2015 16:56:16
FESTA NO CU

Raquel Chaves


A lua cheia d prenuncio de festa no cu.

Um novo sarau vai comear

Dr. Hermes de Paula convoca os seresteiros de planto e ordena: a noite hoje de gala e os recm- chegados so os convidados de honra.

Os convidados chegam, trazendo um sorriso iluminado pelo reflexo da imensa lua cheia.
No gramado, com suave cheiro de jasmim e rosas de todas as cores e perfumes, foi montado um palco, e quem abre o Sarau Joo Valle Mauricio, declamando Palmeira Antiga, de autoria de Joo Chaves.

O poema foi escolhido em memria da parte velha da amada Montes Claros. O autor se emociona ao se lembrar da palmeira tombada na Praa da Matriz.

Eduardo Lima Goiabo, experiente locutor, com um vozeiro de dar inveja, deseja boas vindas e anuncia as agradveis presenas de Pedrinho Gonalves, o boa-praa da Antrtica, e Elthomar Santoro Junior, que partiu sem revelar o nome da verdadeira Rapariga do Bonfim, cantada em verso e prosa em Disparate, msica de sua autoria.

Onofre Burarama recebido ao som de ndia, e deixa as lgrimas carem ao se lembrar da esposa Luzia e dos pastos da sua Fazenda Itapu.

Seu Mariano, proprietrio da Auto Escola So Cristvo, a primeira de Montes Claros, sada Teresinha Souto, a quem ensinou dirigir.

Carlos Pereira, o Carlim da garganta de ouro, do palco embala a noite com msicas de seresta.
Lus Carlos Novaes, o admirado Per, trs no alforje, companheiro de todos os dias, suas crnicas e o livro Sapo na muda, para ofertar aos amigos.

Doutor Jason Teixeira, craque em diagnsticos, depois de longa conversa com os amigos mdicos, brinca com formosa mooila: - Voc j foi na morada minha! Com conotao de que a moa havia sido sua namorada, os presentes do imensas gargalhadas.

Zita Sapuca em companhia de Nice David, com alegria contagiante, pede passagem; abre alas que eu quero passar e convida Zacalex, o grego barulhento para acompanh-la na dana ao som de Bandeira branca.

Zim Bolo. com peculiar simpatia, desfila entre os convidados, de brao dado com a amada Duca, e distribui os famosos pastis que vendia em seu bar.

Rayo e Andrey Cristoff trocam geniais informaes com o pai Konstantim. Entre uma prosa e outra, Rayo se lembra de Gervsio, seu escorpio de estimao.

Analice solta a famosa e estridente risada ao ver a irm Mnica e o pai Toninho Pinguim.

Haroldo Lvio, o intelectual e grande memorialista, discute os mais variados temas e queixa se da saudade dos amigos do Quarteiro do Povo, onde vivenciou raros momentos.

Ruth Tupinamb, ao lado do marido Armnio Graa, de fantstica memria, narra fatos dos ureos tempos da querida Montes Claros, e avisa que continua a escrever suas magnificas crnicas.

Em homenagem grande quantidade de casais, Elthomar canta:

Os namorados sero velhinhos, velhinhos e enamorados...

Joo Bosco Martins, de saudosa memria, lembra-se da antiga Fbrica de Cimento, onde foi grande administrador.

Marilia Pimenta Peres, de vestido vermelho, beleza estonteante e imensa luminosidade nos olhos claros, passeia entre os convidados, como se flutuasse . Abraa as Amigas da Cultura, da qual era presidente.

Vilma Pereira Borges, vinda do jogo de vlei com Zlia Silqueira Souto, corre para os braos do irmo Pedrinho.

Jos Mendona Junior, o inteligente e vivo poeta Peninha, reporta os ltimos acontecimentos da cidade. No se contm ao encontrar a prima Aline Mendona, de quem f incondicional.

Mary Maldonado, exuberante e vestida com farda do Banz, solta a maviosa voz: "Montes Claros, Montes Claros terra de grande beleza... "
Relembra os tantos capacetes de Catop feitos por suas mgicas mos.

Celuta, da Casa das Rendas, com 96 anos, confirma a lucidez ao citar nomes das freguesas Rosalva Souto, Madelene Rebelo, Ins Miranda, Nazareth Prates, Cleonice Launghton, Maria Clara Leal, Mary Pimenta, Terezinha Pires, Umbelina e Haid Caldeira, Beatriz Avelar, irms do Colgio Imaculada Conceio e da Santa Casa...

Dilma Dias Mouro se junta aos seresteiros e exalta a lua branca, " de fulgor e de encantos".

Joo Doido no se cansa de repetir: "Terezinha minha!"

A noite vai alta, regada a muita seresta, boa prosa, poesia e mimos.

Sinh Catop, Joaquim Pol, Nenzinho Marujo e Miguel Marujo se despedem da Colnia Montesclarense cantando: "Adeus, at para o ano..."


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Por Raquel Chaves - 6/6/2014 17:50:39
Festa no Cu

Foi Deus que fez o Cu, o rancho das estrelas fez tambm o seresteiro para conversar com elas...
A segunda festa no cu carinhosamente preparada, tem incio.
O jardim do Paraso ricamente florido exala perfume dando boas vindas aos ilustres recm-chegados:
Josefina de Paula - embaixatriz da seresta, Hildebrando Tigrinho, Daniel Chaves, Haroldinho Veloso, Cori Gonzaga, Helena Netto, Wander Pirolli - jornalista e escritor Belo-horizontino que tambm amou esses Montes Claros, Fernando Lvio, Miguel Marujo, Natal da lotrica, Gonzaguinha, Gonzago, Jair Rodrigues cantores de fama Nacional e Edilson (Tla) da dupla irmos Saraiva.
No campo verdejante, debaixo de uma lua cheia estonteante e cmplice, Benedito e Nivaldo Maciel. Doutor Hermes, Virglio e Valmor de Paula. Raymundo, Sidney, Ulpiano, Henrique, Monzeca e Joo Chaves. Lus Procpio, Gilberto Cmara, Tel, Simeo Ribeiro, Mrio Ribeiro, e Beto Viriato aguardam o incio do Sarau. Sebastio Mendes (Ducho) e Sinval Froes afinam os instrumentos.
Joo Valle Maurcio discursa saudando os amigos queridos.
Ms de Junho frio, uma imensa fogueira aquece tambm os coraes. Fogos de artifcios estouram no ar e colorem o ambiente.
Os seresteiros de planto com solo de Raymundo Chaves cantam o Hino de Montes Claros: Oh no te esquea que eu te amo assim ,oh no te esquea nunca mais de mim.
Noite alta, cu risonho, todos familiarizados, inclusive os novos habitantes, a festa transcorre em clima de harmonia.
Dona Fina de doce voz em parceria com Adlia Miranda deixa fluir: Sereno cai no capim, abelha beijando a rosa s tu no pensas em mim... O marido Hermes em estado de graa beija lhe a face.
Daniel Chaves de violo em punho d uma mostra do muito que aprendeu. Aproveita para dizer a sua me Neusa que chegou bem e foi lindo o to sonhado encontro com seu pai. Clama ao Pai Maior que conforte o seu corao e fortalea a certeza de que est em um lugar de luz, o verdadeiro paraso.
Cori Gonzaga faz o violo chorar relembrando as msicas dos Grupos Razes e Agreste que fez parte.
Tla numa demonstrao de carinho e gratido solta voz embargada: obrigado meu velho, obrigado meu amigo. Obrigado papai por tudo que fez comigo... Pede a Deus para continuar abenoando o irmo e companheiro de dupla Adlcio Saraiva no caminho da msica.
Gonzago lamenta a seca do serto. Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de So Joo eu perguntei a Deus do cu por que tamanha judiao. Fernando Lvio e Miguel Marujo observam atentos.
O Bardo Joo Chaves toca bandolim e os participantes presentes em coro acompanham o irreverente Jair Rodrigues em A majestade o Sbia, Luar do Serto, Velho Realejo, Eu sei que vou te amar, Carinhoso e Eu sonhei que tu estavas to linda. Horoldinho Veloso, Helena Netto e Natal da lotrica solicitam: No deixe o samba morrer, no deixe o samba acabar. Tigrinho concorda.
Fechando a noite de gala, Gonzaguinha alinhava e afirma Viver e no ter a vergonha de ser feliz.
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... e Wander Pirolli conclui:
E a vida, bonita bonita e bonita!



75108
Por Raquel Chaves - 11/4/2013 08:51:46

Montes Claros cresceu!
Cresce no, Montes Claros.
E Montes Claros, amada patriazinha, contrariando o meu pedido, teimosamente insiste em crescer.
Os paraleleppedos foram substitudos por asfalto.
Na Avenida Coronel Prates, onde funcionou o Colgio Diocesano e posteriormente a Prefeitura, a Cmara Municipal e a Biblioteca Pblica, foi construdo o enorme supermercado.
Mataram a mangueira que todos os anos produzia frutos para os funcionrios daquela casa.
A residncia de v Nininha, e onde vivi minha feliz infncia, tem uma galeria de lojas.
Meu quarto no existe mais!
A alinhada casa, com piscina, do Dr. Lus Pires, jogada ao cho, virou abrigo de carros e motos.
Onde funcionou o consultrio do Dr. Mrio Ribeiro e foi tambm residncia de nio Pacifico Farias, agora restaurante.
A garagem e o quintal de Flix Pimenta so um grande estacionamento. A parte da frente: Azure Modas, Rita Cabeleireira e Loja de material eltrico.
No sobradinho onde morava a famlia de dona Fernanda Ramos (que partiu h pouco tempo), o Casaro das Noivas.
No antigo prdio da Macife, de Jos das Neves, funciona o Colgio Prisma, uma filial da Palimontes e uma agncia do Banco do Brasil.
A sorveteria Sibria (que tinha o manjar dos Deuses, sorvete de doce de leite) deu lugar padaria Puro Gro.
Ao lado da padaria, apareceu um arranha cus de apartamentos. Seu Landes e dona Netinha Tolentino moram l.
Na penso de seu Geraldo e dona Jara Caires, e onde funcionou o Conservatrio Estadual de Msica Lorenzo Fernandes, est a Casa dos culos e ticas Diniz.
Na esquina onde era a xito Empreendimentos, de Lus Pacifico Rodrigues, a Naturefarm e Minas Bahia Seguros.
Dona Terezinha, viva do Dr. Simeo Pires, mudou-se, e a antiga residncia agora Farmcia Real.
Dona Lena, me de Augusto "Bala Doce", faleceu e, supostamente, onde ela morava ser construdo um novo arranha cus.
A grade e o murinho da lustrosa casa de dona Odlia Dias viraram estacionamento para os clientes da Farmcia Homeoptica Artmisia. O mais belo roseiral, rosal, dos nossos jardins converteu-se em estacionamento de carros, acompanhando a degradao da avenida.
A fachada do Colgio Imaculada Conceio foi alterada, seguindo os tempos modernos.
O Colginho Imaculada, ao lado da casa de Dona Genoveva e onde cursei parte do primrio , abriga as irms de caridade. Do jardim, irm Vrla acena para as criancinhas que saem da missa na Capela do Colgio.
A casa de Benoni e Iara Mota tambm virou estacionamento.
Ao lado, parede e meia, na propriedade de Ademar e Maria Clara Leal, foi montada a clnica de exames IMED.
Subindo a Rua Presidente Vargas observo que a Venda de seu Carlos e o Bar Sibria no existem mais, agora um imenso posto de gasolina.
Em frente, demoliram a casa da minha professora de educao fsica, dona Ligia.
A sapataria de Tio Boi, tambm.
Na Rua Doutor Veloso, no Espeto de Ouro, onde eram servidos os melhores pratos da cidade, agora boutique Kai Lua.
O Centro Cultural Brasil Estados Unidos fechou.
Dona Marins continua morando na Rua Dr. Veloso, agora mais idosa.
Joo Doido no grita mais:Terezinha minha, no coreto. Virou anjo!
A Praa da Matriz, por onde corri muitas vezes, deixou de ser pacata e hoje frequentada por usurios de drogas. Nem a magia da fonte luminosa aguentou.
As serenatas feitas em noites de lua cheia, quando os apaixonados se declaravam nas janelas das mooilas, foram substitudas pela poluio sonora de shows e usinas de som em veculos.
As chacrinhas que realizvamos em nossas casas deram lugar as msicas eletrnicas tocadas por DJs em boates, sem revestimento acstico.
O ponche (bebida de groselha e ma) que os adolescentes tomavam nas festas, foi trocado por bebidas alcolicas em excesso.
O carro de madeira de Beto ronca ferro foi substitudo por milhares de veculos, deixando a todos estressados.
J no podemos afugentar o calor e jogar conversa fora assentados nas portas de nossas casas. O trfico de drogas, costumeiro em cidades maiores, trouxe insegurana para os cidados de bem.
impossvel caminhar pelas ruas de Montes Claros sem o risco de assaltos.
Nossos filhos no podem jogar ma, bola, pular corda, brincar de roda e esconde- esconde pelas ruas e caladas.
Montes Claros, diferentemente do que pedi, cresceu.
Cresceu de todas as formas, mas manteve a sua identidade de cidade hospitaleira.
E eu... Tambm cresci, embora tenha desejado ficar eternamente criana.
Crescemos, Montes Claros, eu e voc.
Para cima e para alto, devemos ir.
Cidade: Montes Claros
Pas: Brasil


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Por Raquel Chaves - 22/3/2013 10:37:14
O ms junho, o ano 1997. O endereo Rua Tupiniquins, 75, Bairro do Melo, em M. Claros, amada patriazinha.
Aqui, hoje acontecer uma festa.
O quintal decorado com bandeirolas que balanam ao vento, e a imensa fogueira confessam - Noite de So Joo.
O cu est estrelado, pintadinho de balo.
Os anfitries -Tio Z Estevam e tia Rosalva, recepcionam os convidados.
Celebraremos tambm os 50 anos de Tio Polique.
Debaixo da parreira Lauzim (morreu ontem, que saudade!) e banda afinam os instrumentos.
Convidados a postos, comea a festa - festa montesclarina.
No aparador, guloseimas, antigas receitas de famlia: ambrosia, bolo de fub, bolo amanteigado, roscas e biscoitos diversos, canjica, quento, amendoim torrado, p de moleque, bolo de mandioca...
No fogo montado no quintal, o cheiro da pipoca denuncia que ser a melhor pipoca da vida.
Os casais presentes danam ao ritmo do autntico forr p de serra.
Tio Z Estevam e tia Rosalva, muito felizes ao som de Asa branca, de Luiz Gonzaga distribuem simpatia e mimos.
- E a Quela, quando que voc vem morar conosco?
Desde menina, me pedem em adoo aos meus pais.
Mal sabem eles que meu corao j mora com eles.
V Ninha, elegantemente vestida, com cabelos escovados e com o perfume do talco Rastro, diz a todo minuto, aos netos, a cada um - voc o mais bonitinho da roda....
A famlia cresceu, muito.
Meus primos e irmos, nossos filhos, meus tios, minha av Nininha e demais convidados cantam parabns para Polique, cinquento.
E viva Polique, vida cheia de luz.
Viva So Joo.
Viva os donos da casa.
A festa transcorre at altas horas.
Que povo festeiro, s!
Em clima de confraternizao, chega ao fim. nos despedimos da lua cheia, cmplice, com a certeza de ter vivido uma noite inolvidvel, como dizia Pavo..
Agora, volto a este momento, nesta noite, para homenage-la, minha doce, querida tia Rosalva.
Primeiro, como mulher guerreira e brilhante, que hoje, 21 de Maro, ms em que se comemora o Dia Internacional da Mulher e o dia nacional da pesia, recebe da Academia Feminina de Letras da placa Professora Ivonne Silveira,como reconhecimento sua contribuio cultural. Depois, por suas muitas qualidades e, por ltimo, como nossa mezinha, oque tem sido desde a partida da nossa me Terezinha.
Nunca nos faltou com seu colo carinhoso, com a palavra amiga, oconselho certeiro, a orao fervorosa.
A senhora no permitiu que nos sentssemos rfos, preenchendo o vazio que ficou, com carinho e dedicao.
Hoje, por feliz coincidncia, tambm comemoramos o aniversrio da nossa matriarca geral, superior, sua me e minha av, Nininha Souto. Mulher de exemplos, que com certeza foram transferidos senhora
No poderamos esquecer aquele que foi o melhor e maior marido. Tio Z Estevam, l no cu tambm homenageia sua rosa.
Palmas e flores para quem transformou esta noite em um marco da nossa famlia.
Receba a homenagem sincera de todos e nossa eterna gratido.
Deus a recompensar por tudo.
Tenha sempre o nosso amor!


72183
Por Raquel Chaves - 2/7/2012 16:51:04
Viagem Exposio Agropecuria de Montes Claros

Raquel Souto Chaves

Sbado de um ms de julho, meu pai se arruma e pede a me para nos arrumar.
O passeio hoje no Parque de Exposies, onde acontece de quatro em quatro anos a Exposio Agropecuria Regional de Montes Claros.
Engomadinhos e de sapatos lustrosos, pai, me e sete filhos, no Veraneio vinho, saem com destino ao Parque Joo Alencar Atade.
A abertura da festa hoje, dia 03, aniversrio da cidade.
No modesto palanque de madeira, o Prefeito Antnio Lafet Rebelo, ladeado por bem sucedidos fazendeiros e dos deputados Genival Tourinho, Humberto Souto e Antnio Dias, faz seu discurso, exaltando a fora do homem do campo e as graas de Deus.
As chuvas este ano foram generosas, produzindo bons frutos.
Pontualmente, as 03h00m da tarde, no cu azul anil, comea a exibio da Esquadrilha da Fumaa da FAB.
Depois de vrias acrobacias, a vez da chuva de pra-quedistas. Um espetculo!
No solo, a Banda do 10 Batalho da Polcia Militar de Minas Gerais faz ecoar os seus acordes, depois da apresentao dos ces adestrados.
Rainhas e princesas, da festa, montadas em belssimos cavalos de raa, distribuem simpatia no centro do gramado.
A crianada vibra e comea a visita aos pavilhes para apreciao dos bois.
Nas barracas do Bar do Tco e Mangueirinha, meus pais, na companhia de Fbio e Madelene Rebelo, Geraldo e Thais Machado, Roberto e Marilia Rebelo, Ivan e Mercs Guedes, tio Z Estevam e tia Rosalva, tio Z Souto e tia Amlia, deliciam-se com a carne de sol da regio.
Edmundo Queiroz cavalga em um manga-larga marchador, preto.
A elegncia de pessoas conhecidas, com botas e chapus, aos meus olhos, transforma o Parque em passarela de desfile de modas.
Nos stands: Coopagro, Passonorte, Frigonorte, Cortnorte, leo Mariflr e Sion (fbrica de culos) expem seus produtos.
No stand das raes Purina, Marinho Rodrigues recebe amigos para um cafezinho e um bom bate papo.
Um gigante redemonho circula ao redor do gramado. poeira para todo lado.
Na pista de vaquejada, Geraldo Figueiredo, Nzinho Colares, Geraldo Maia, Air Lelis Vieira, os irmos Daul, Dezinho e Afonso Dias, Antnio Viana, Julinho Pereira, Joo Carlos Moreira, Afonso Brant, Vila Pereira, Onofre Burarama, Jaime Rebelo, Antnio Augusto Atade, Zezinho Figueirdo, Jos Corra Machado, Joo Rebelo, Z Brant...participam de leilo de gado.
O parque de diverses, a alegria da crianada, est cheio de novidades.
O trem fantasma e a montanha russa nos encantam.
Prximo ao carrinho de pipocas ,Lili, Dr. Mrio Ribeiro e dona Jaci, Dr.Konstatin e Iede Cristoff, Pedro e Rosarinha Narciso e Dr. Jason Teixeira aguardam os filhos descerem da roda gigante.
Em saborosa Ma do Amor deixo um dente de leite, que estava "mole" e que deveria ter sido arrancado h dias.
Expedito Guarinelo nos presenteia com bales a gs
Fim do dia. Meu pai comea a chamada para o retorno nossa casa.
Exaustos e sujos como porquinhos e cochilando no bagageiro do Veraneio, descemos a Avenida Geraldo Atade com destino Avenida Coronel Prates, onde fica a nossa residncia.
noite, nossos pais nos deixam sob o olhar atento de v Ninha e retornam ao Parque, para o show do cantor Srgio Reis e a apresentao das mulatas do Sargentelli e as chacretes do programa do Chacrinha.
A morena ndia Poti, de beleza exuberante, chama a ateno dos senhores presentes, causando cimes nas esposas.
Depois de um bom banho, da janta, da reza da noite e das boas lembranas do dia, adormecer, sonhar e acordar amanh em Montes Claros, terra de grande beleza para, mais uma vez , passar o dia no Parque, recheado de alegria, diverso, pureza e amizade.


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Por Raquel Chaves - 9/2/2012 15:02:58
Volta s aulas na minha infncia

Raquel Souto Chaves

Janeiro de um ano qualquer da minha infncia.
A matricula j foi feita no grupo Escolar Dom Joo Antnio Pimenta que funciona na Rua Viva Francisco Ribeiro, ao lado do Sesc.
Hora de comprar o material escolar. De mos dadas com minha me e na companhia de Roy e Eduardo descemos a rua Dr. Veloso. O destino a papelaria do Mec, na Avenida Filomeno Ribeiro, que fica parede e meia com a barbearia de Sinval, onde levados por nosso pai, Lay e Joo todo ms cortam os cabelos. Ao lado da barbearia a casa de Dr. Ubaldino Assis e Nilcea Veloso. O cheiro novo do material pode ser sentido do outro lado da rua. De lista em punho, minha me comea a separar o material de cada um. Os cadernos brochures com estampas de letras cursivas azuis nas capas brancas so um convite boa caligrafia. A caixa de lpis de cor com doze cores formam na minha imaginao um imenso e maravilhoso arco ris. Apontador, borracha, lpis, folha de papel almao, cartolina, caderno de caligrafia so adicionados s compras. Os plsticos de encapar cadernos vendidos no metro so de cores variadas. O meu da cor vermelha, o de Roy azul e de Eduardo verde, para evitar de enganados, trocarmos os cadernos. Na Praa de Esportes, crianas amigas nossas aprendem a nadar sob os olhares atentos do professor Sab. De volta para casa, passamos na papelaria So Geraldo para a aquisio das pastas escolares e das merendeiras. A minha de plstico e tem o formato de uma casinha com direito a chamin e tudo mais. A farra regada a pipoca e suco para encapar e colocar ttulos nos cadernos so interminveis.
Incio de Fevereiro, primeiro dia de aula.
O banho em regra parece refrescar at a alma. Cabelos e dentes escovados, colnia Seiva de Alfazema, uniforme de tergal azul marinho e camisa branca, meia , conga azul e branco. O cheiro de tudo novo incentiva ir escola. Na merendeira, po com salame envolto a um alvo guardanapo de linho branco e Q - suco de groselha na garrafinha plstica. Dona Terezita Figueiredo, diretora da escola com doura nos recepciona no porto da escola: Bem vindas crianas. Dona Edna Godinho nos encaminha at as salas de aula. O cheiro agradvel do delicioso mingau de fub que ser servido no recreio se espalha por todo o quarteiro. Na pasta junto ao material escolar impecvel, o sonho de: estudar, aprender, virar gente grande e um dia de alguma forma ser Doutora.


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Por Raquel Chaves - 27/6/2011 16:16:08

Noite de So Pedro no Penturea da minha infncia

Raquel Souto Chaves

O cu vermelho e a serrao do prenncios de que a noite ser fria.
Flores, bales e bandeirolas multicores de papel crepom em cumplicidade com o verde das folhagens e o amarelo dos bambs colorem o ambiente.
Na confeco dos adornos, Dona Fina, Marlene Farias, Leila Tolentino, Aparecida Leo, Duca Prates, Terezinha Souto... com a ajuda das filhas do o toque final decorao.
Sr.Rosalvo Neves com a esposa e os filhos (Zila, Roberval, Ronaldo...) chegam em uma Rural e oferecem os prstimos.
A gigantesca fogueira est sendo ultimada por Baixinho (funcionrio do clube).
Barraquinhas de bolos, bras, chs, quento, pipoca, paoca, biscoitos variados, p de moleque e guloseimas diversas preparadas por Tia Joeliza e suas cozinheiras de mos cheia, em grande fartura, aguam o paladar.
Na barraca do milho cozido, Dona Rxa capricha no fogo do fogo a lenha para dar conta do cozimento de sacos de espigas.
Dr. Hermes de Paula, Raimundo Chaves, nio Pacifico, Simeo, Oleno, Zim bolo, Kel, Altamiro Leo com o resto das proles montam estrados de camas sob o telhado de palha de coqueiro dos ranchos para quando o sono chegar.
O banho frio na ducha tomado antes do entardecer.
Agasalhados, comeamos a quadrilha improvisada, que tem como noivos Natalcia e Henrique Chaves, o padre Mauro de Gonha, o delegado Bibi Tolentino , os pais do noivo Aroldo Filp e a esposa Cla Mrcia e os pais da noiva Dona Rosita e seu Aquino.
O resto da crianada procura os pares e o anarri comea.
A procisso com o mastro de So Pedro, padroeiro da noite, acompanhada por Z do Jipe e sua sanfona: Que santo este que vamos levar?
o senhor So Pedro para festejar...
Depois de contornar trs vezes a fogueira e fazer os trs pedidos o mastro hasteado e alguns tmidos foguetes pipocam no ar.
Viva So Pedro!
Vivaaaaaa!
O arrasta p continua com Z do Jipe e o seu conjunto embalando os casais Rosalva e Z Estevam Barbosa, Maria e Sidney Chaves, Pedro e Rosarinha Narciso, Chiquito e urea, Fbio e Madelene Rebello, Bernadete e Jos Carlos Costa, Z Priquitim e Zeny, Mrio e Jaci Ribeiro, Roberto e Marilia Rebello e tantos outros enquanto ns crianas brincamos ao redor da fogueira soltando traques, chuvinhas e bombinhas de salo na agradvel companhia de Dr. Jason Teixeira e Dr.Hermes de Paula.
Tarde da noite fria, olho para o cu pintado de estrelas e, com imaginao frtil de criana, surpreendo-me quando dentro da lua, no lugar de So Jorge, enxergo So Pedro dando uma piscadinha como sinal positivo de que o meu pedido feito minutos antes iria se realizar - as festas juninas das famlias montesclarenses nunca vo se acabar.
E o cu continuou pintadinho de balo, o corao disparou e uma lgrima teimosamente insistiu em rolar...


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Por Raquel Chaves - 29/3/2011 12:58:00

Luto nas Festas de Agosto em Montes Claros. Morreu Miguel Sapateiro, chefe de uma das duas Marujadas. Miguelito, como era chamado pela esposa, estava em seu sitio prximo a Montes claros e teve uma trombose. Foi internado no CTI, onde passou a noite, lutou como todo bom Marujo, mas no resistiu s complicaes. A cultura - que perdeu Joaquim Pol h trs anos - est novamente de luto.


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Por Raquel Chaves - 22/2/2011 15:33:21
Morreu Zulmira,catadora de papel.Membro de famlias de Catops ,Marujos e Caboclinhos.Me de vrios filhos e av de tantos outros.Voz rouca.Franzina de estatura.Moradora do bairro Vera Cruz de onde saa todos os dias para atravessar a cidade e ganhar o seu sustento.Nas festas de Agosto de Montes Claros acompanhava dia e noite os cortejos e procisses.Devota de Nossa Senhora do Rosrio,So Benedito e Divino Espirito Santo.Diabtica.A cidade inteira a conhecia , acompanhada do seu carro de mo, cmplice. H um ms, foi vitima da covardia. Catando papel num lote vago, foi agredida por um adolescente que a atingiu, no p, com uma barra de ferro. Foi internada em hospital e a diabetes no deixou a ferida cicatrizar. Teve trombose e ontem faleceu.A alegria,o trabalho,a devoo e a humildade de Zulmira morreram por covardia e inconseguncia humanas. O enterro de Zulmira ser hoje as 5 horas da tarde no cemitrio Parque Jardim da Esperana.


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Por Raquel Chaves - 7/2/2011 17:52:58
Cresce no, Montes Claros

Raquel Souto Chaves

Cresce no, Montes Claros.
Me deixe correr descala pelas suas ruas de paraleleppedos.
Brincar de pega pega com meus primos, irmos e vizinhos ao chegar da escola.
Correr pelos canteiros centrais da Avenida Coronel Prates e rasgar o joelho ao pisar em falso sobre a tampa da caixa da torneira de molhar as suas frondosas rvores.
Acompanhar procisso.
Jogar Ma nos seus passeios.
Comer caarola italiana e pastel no Bar de Zim Bolo.
Assistir o entra e sai de pessoas, assentada nos degraus da Prefeitura onde antes funcionava o Colgio Diocesano.
Comprar material escolar na papelaria do MEC ao lado da Praa de Esportes.
Buscar biscoito de limo, nata, cco e farinha na casa de Laura Launghton.
Me lambuzar de picol de grosselha da Sorveteria Pinguim.
Atentar aos discursos dos vereadores na Cmara que funciona ao lado da minha casa.
Encontrar com pessoas conhecidas no ponto de nibus em frente ao Salo Paroquial da Igreja Matriz na Avenida Coronel Prates.
Acompanhar a minha me aos sbados a tarde no salo de Valdivina Cabeleireira no principio da rua Padre Augusto e escutar as conversas dela com Angelina Maia.
Aos Domingos a noite buscar canja de galinha no Restaurante Espeto de Ouro da rua Dr. Veloso.
Me sujar de p de trigo, fub e farinha e organizar a fila dos pobres no DAS departamento de ao social .
Andar e soltar barquinhos de papel pelas enxurradas.
Ensaiar as msicas da Campanha da Fraternidade com as mes Crists.
Me debruar na janela do meu quarto que d para a rua e cumprimentar a todos que passam.
Deixar janelas e portas abertas dia e noite para espantar o calor de 30 graus.
Sentir o perfume do Jasmineiro da casa vizinha.
Ir a sesso livre nas tardes de domingo nos Cines Montes Claros, da rua Governador Valadares, So Luiz, da rua Simeo Ribeiro e Ftima, da rua Dom Pedro II na companhia de amigos e rolar de rir dos filmes de Mazzaropi.
Assistir aos ensaios do Grupo de Seresta Joo Chaves na sala de visita da casa de Dr.Hermes de Paula.
Comer puxa feitas por D. Lurdes, na porta do Colgio Imaculada Conceio.
Comprar paoquinha de amendoim na venda de Tamiro da Avenida Afonso Pena esquina com Beco Padre Marcos.
A noite ir de braos dados com Regina ao MOBRAL, ao lado do Palcio do Bispo na praa Dr. Chaves.
Deixe Catops, Marujos e Caboclinhos visitarem os quintais de suas casas.
Manoel Quatrocentos galantear as moiolas nos bancos das suas praas.
Mazaropi anunciar bem alto o preo do Quebra queixo e as crianas correrem ao seu encontro.
Deixe que Joo doido, Lena doida, Iracema, Juventina, Requebra, Jlio galinheiro, Man quatrocentos e tantos outros continuem a dar vida as suas ruas.
Deixe Beto Ronca Ferro continuar seus passeios no potente carro de madeira e ferro que construiu e ao chegar na esquina ecoar o mais belo som de buzina que algum j ouviu.
Os catadores de Pequi, Umb e pan sarem com bacias nas cabeas oferecendo as mercadorias pelas suas ruas.
Deixe o apito do trem anunciar a sua partida.
Ao final do dia deixe que Padre Quirino e Padre Dudu possam se assentar na porta da rua da casa de V Ninha para prosear, comer bolo e tomar um caf redondo na companhia de Necssio, Jos Estevam, Jos Souto e quem mais chegar.
Cresce no, Montes Claros continue eternamente pequena e me permita continuar eternamente criana.
Assim seremos eternamente felizes!


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Por Raquel Chaves - 20/5/2010 15:11:58
Viagem no Trem do Serto

O Circo Orlando Orfei armou suas gigantescas lonas em Belo Horizonte. As entradas para o espetculo e as passagens de Trem de Ferro j esto garantidas. So duas cabines e quatro poltronas. A sada ser na sexta-feira, s 19 horas. Conto dias e horas para a chegada do embarque. Na estao ferroviria, localizada na Praa Raul Soares, o barulho estridente de um sino alerta que em instantes o trem vai partir. Funcionrios pedem aos passageiros que tomem os seus lugares. A correria geral, com receio de se perder a viagem. Os vages se abarrotam de conterrneos nossos. O maquinista e o manobrista, de roupas de brim azul e amarelo, com quepe na cabea, ocupam o primeiro vago de cor vermelha com detalhes amarelos. A brincadeira de pega pega comea aps o ensurdecedor apito do trem anunciar a partida. Dr. Simeo Pires com a esposa dona Terezinha e os filhos Beth, Leonardo, Eneida, Eduardo, Raquel, Simeo Filho e Neila esto no mesmo vago que ns. Crianas de Mato Verde, que embarcaram primeiro, aproximam-se e a algazarra comea. Meu pai j tomou assento no vago onde funciona o restaurante e minha me pe ordem nas cabines aonde iremos dormir. Nos corredores dos vages o agente de viagem chama a nossa ateno:
- Crianada, perigoso correr e passar de um vago para outro, todo cuidado pouco! Durante o percurso, vrias paradas para o embarque de novos passageiros. De Montes Claros a Belo Horizonte existem estaes em: Bocaiva, Buenpolis, Corinto, Curvelo, Sete Lagoas.... As passagens em formato retangular so diferenciadas por cores. As das cabines so rosa, as das poltronas amarelas e as de banco de madeira verde. Assim que o passageiro toma o trem a conferncia feita e a passagem picotada por um imenso furador de papel. s 21:00 horas o bife a cavalo pedido por meu pai no restaurante que funciona at as 22:00 horas rescende pelos vages mais prximos. Na cabine os lenis brancos esto convidativos. A cama de Eduardo (rapa do tacho) montada sobre a enorme mala de couro alaranjada (gravada de tachinhas douradas com as iniciais de minha bisav materna), aos ps das poltronas onde Bia e Joo esto acomodados. Nas cabines de duas camas estreitas escovo os dentes na minscula pia. Respinga gua pra todo lado. O chacoalhar do trem me d enjo. De janela aberta, embrulhada com uma manta xadrez vermelha e laranja, durmo com a brisa que sopra mansamente. A claridade e o sol forte no rosto do sinais de que estamos prximos do destino. Deitada na parte de baixo do beliche, observo a beleza das serras, pastos, fazendas e animais.
Essa estrada leva e trs dor e alegria...
A chegada estao de Belo Horizonte, recm pintada das cores azul e branco, por volta das 9:00 da manh, uma festa. Os passageiros, saudosos, correm para abraar os familiares que os aguardam.
Vim do serto l do meio da chapada...
Hospedados no Oeste Hotel, chegada a hora de tomarmos o txi e de nos deliciarmos com o espetculo do circo, o que dispensa comentrios. O lanche feito na lanchonete do SEARS nos revigora e o corre-corre para a escada rolante uma viagem fantstica de um andar para o outro. A visita ao Parque Municipal recheada de travessuras. Os jardins bem cuidados parecem uma verdadeira floresta. De volta para casa, no domingo, a viagem parece no ter fim (gostaria que no tivesse mesmo!). A viagem de trem continua na minha cabea de criana feliz do interior.
Ms que vem comearo as frias escolares. Inmeros montesclarenses viro de trem para matar a saudade da terra natal.
E ms que vem eu vou de trem pra Montes Claros...
Se Deus quiser!


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Por Raquel Chaves - 13/3/2010 08:56:24
Festa no Cu"

Raquel Souto Chaves

Quem parte leva saudades de algum que fica chorando de dor...
Depois, tu partiste, ficou triste a rua deserta....
Hoje, no cu, a noite de festa. A festa da colnia montesclarense. O tom azul anil deixa o cu mais iluminado. No imenso salo onde reina a paz, os convidados comeam a chegar. Joo Chaves, de terno preto engomado e gravata borboleta, de brao dado com sua Mercs, abre a fila de muitos convidados. Wilson Reis de tero na mo ora pedindo unio. A passos lentos, chega Tel, rindo de tudo e de todos. Nivaldo Maciel est em estado de graa, com a chegada da esposa Sofia (Cici) que lhe devolve o vigor da voz.
- Hoje tem aboio!
Raymundo Chaves solta o vozeiro, ao lado da extremosa e amada Terezinha Souto. E confirma: E Cristo amou ardentemente a cruz...
Sinval Fres, com o violo a tiracolo, alisa o bigode. Adlia Miranda se prepara para solar Sereno cai no capim. Benedito Maciel contempla a lua branca, de fulgor e de encanto. Beto Viriato serve a saborosa Viriatinha, de anos no tonel, para "esquentar o peito" dos conterrneos. Henrique Chaves dana com Natalcia, e profetiza em alto e bom tom: - "Melhor ser Henrique do que enriquecer". Luis Procpio sorri, com o seu jeito tmido. Tio Boi e Boyzinho, num canto do salo, confabulam e do gaitadas. Repolho pede para cantar uma msica de L Borges. Novaizim cumprimenta Joo Valle Mauricio e Mrio Ribeiro. Toninho Pingim veste uma camisa estampada e chama a ateno de todos. O bandolim de Ducho chora triste de saudade ao se lembrar da famlia e da agncia Thais, que fundou. Dr. Jos Estevam Barbosa aprecia a rosa de cor prpura no jardim do Paraso, enxergando nela sua Rosa que aqui ficou. Gilberto Cmara escuta na sua voz a voz do irmo Roberto, para quem tantas vezes cantou. Jos Souto repete que a sua Amlia " que a mulher de verdade". Joo Souto e Nininha trocam um dedo de prosa com Lourinho Alcntara. Joaninha Souto trata logo de fazer badalar o sino da capela ao lado. Man Quatrocentos com sua velha curnicha oferece rap aos convidados. Tla e Dinga pagodeando, cantam: Viver... e no ter a vergonha de ser feliz. Nelson Vilasboas e Dlson de Quadros chegam um pouco atrasados; acabaram de fazer um parto. Ulpiano e Sidney Chaves, Jlio Melo Franco, Dr. Loureno, Dr. Bento e Coronel Georgino trocam experincias jurdicas. Ademar Leal, com o neto Leal, Antnio Augusto Atade e o filho Fernando, Geraldo Figueiredo e Daul Dias, preocupados com a seca, pedem uma ajudazinha a So Pedro. Toninho Rebello mantm a certeza de ter sido o melhor prefeito da sua terra natal. Valtim Barreto e Jackson Atade relembram os colegas odontlogos. O farto buffet com direito a carne de sol e arroz com pequi foi preparado pelo casal Edson e Tereza Vieira e Duca Prates. Lazinho Pimenta, de caneta e caderneta em punho, aponta os mnimos detalhes para publicar na sua coluna Coquetel, de O Jornal de Montes Claros, o glamour da noite. Dedeto Barrigudo, Pedro Veloso, Felisberto Oliveira e Jos Lafet contam causos das Quebradas - que, tristeza!, vai acabar. Godofredo Guedes com o filho Pato e Z do Jipe, com sua sanfona, cantam e tocam ndia, a pedido de Bibi Tolentino. Irm Leila recebeu da Madre Superiora autorizao para participar do sarau. Dr. Hermes anfitrio da noite, com os filhos Virglio e Walmor, no cabe em si de felicidade ao ver ali todos os que convidou. O Baile de gala da saudade continua at o sol nascer. Do alto dos cus se ouve em unicoro: Montes Claros, Montes Claros, terra de grande beleza... E uma voz suave, acompanhada pela rabeca do Mestre Joaquim Pol, arremata: Quem as estrelas... ps no firmamento..., eu firmo e creiooo, fostes vs meu Deus...


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Por Raquel Chaves - 12/12/2009 18:37:54
Pelas ruas de Montes Claros, em vspera do Natal

Raquel Souto Chaves

O velho jornal esquecido na despensa da casa da minha av materna, neste final de novembro tem serventia. Com o intuito de comear os preparativos para a montagem do prespio e da rvore de Natal, ns, os netos, somos recrutados para por a mo na massa. Eu, Fred, Claudinha e Virginia somos os encarregados de tirar a poeira dos jornais. O p de carvo para tingir os jornais, Repolho e Raimundinho foram apanhar no fogo a lenha de dona Lica, na casa de Dr. Hermes. Aproveitam e trazem junto a rapa do doce de leite que acabou de sair do tacho. A purpurina, Danuza e Olga Maria foram buscar em casa na Rua Raio Cristoff. As sementes de arroz foram plantadas h mais tempo por Regina e Eduardo; a folhagem que brotou est verdinha. Alm dos animaizinhos de loua utilizados no prespio do ano passado, este ano usaremos os bichinhos de borracha que Roy ganhou de presente do seu padrinho, Expedito Guarinelo. As crianas vizinhas e amigas do uma mozinha. Andra e Cibele, filhas de Manoel e Mercs Versiani, vindas da parte velha da cidade, chegam com as mos abarrotadas de musgo. Suzana e Thas pedem ao pai, Dr. Lus Pires, um pouco da areia esquecida no seu quintal. L Brito, filha dos donos da Padaria Globo, na Rua Lafet, buscou na Vila Braslia os lrios de Natal mais perfumados que j vi. Graycinha, que mora na rua Dr. Veloso, pegou do prespio de sua me, Grayce Quintino, pedrinhas que foram catadas por Baro, seu irmo, na beira do rio So Lamberto. Jaqueline e Flix Junior aparecem com um imenso galho seco, apanhado no canteiro da praa Dr. Carlos. Este ano, a rvore ser frondosa. Memeco trata logo de dar uma demo de tinta branca. O vidro de cola Tenaz e as bolinhas minsculas de isopor para a rvore de Natal foram comprados por Joyce, Patrcia e Mera, na Papelaria Dom Quixote, na Rua Lafet, de propriedade de seu Benjamim. Seus filhos, R e Ge, aproveitam a companhia das trs e saem em disparada, para ajudar na construo do prespio e na montagem da rvore. Raul e Estevam esto encantados com a decorao natalina do Jia Supermercados, na Rua Januria esquina com Rua Joo Souto. O cheiro de pequi no carrinho de mo que est em frente xito Imobiliria, na esquina da Rua Padre Augusto com Avenida Coronel Prates, exala e d sinal de que as frias escolares esto comeando e os parentes chegando de outras cidades para o bom e merecido descanso na cidade do interior. A rvore que a famlia de Bade montou no jardim de sua casa ficou um primor. A Praa Coronel Ribeiro foi adornada de vermelho e verde. A decorao da varanda do Hotel So Jos toda dourada. Na rua Dr. Santos, Dr. Joo Vale Maurcio e dona Milene enfeitam a casa e o consultrio. Maria Melo sobe a rua com as mos cheias de compras; na porta do consultrio do dentista Mrio Viana comea um dedo de prosa. Acabada as montagens do prespio e da rvore de Natal, hora de aguardar a chegada da Noite Feliz e do Nascimento do Menino Jesus, e de escrever a cartinha a Papai Noel. Na minha, agradecimentos por nascer e viver em Montes Claros, e pedidos de Paz e Sade para toda a famlia.


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Por Raquel Chaves - 24/10/2009 16:00:25
Viagem pelas ruas de Montes Claros em 12 de outubro

Raquel Souto Chaves

A chuva mansa e criadeira que cai neste 12 de Outubro, Dia das Crianas, no nos impede de sair andando e brincando pelas ruas de Montes Claros. Na esquina da Avenida Coronel Prates com Rua Presidente Vargas, o Sr. Geraldo Cares, de Francisco S, recebe dois viajantes vindos de Buenpolis para se hospedarem em sua penso. No canteiro central da Avenida Keka, Lcia e Cludio recebem a autorizao do pai Santinho Amorim para brincarem com as outras crianas. Berenice e Cristina, de Tio Ney e Tia Maria, descem a Rua Padre Augusto montadas em uma bicicleta. Jaqueline Pereira e Ellen Parrela, esbaforidas, vo junto. Marcelo Brant sai em disparada para chamar Simone e Eduardo, seus irmos.
- Desta vez, no ficaremos de fora.
Ana Maria Barbosa, que mora na Avenida Afonso Pena e vive reclamando de ser excluda, anuncia a sua chegada com um tropico, na beira do passeio. rica, Marcelo e Marcone, de Valria de Paula, exibem os brinquedos que acabaram de ganhar. Os meninos de Beli e Pavaneli, Elder, Lincoln e Isabel, recm chegados de Pirapora, com as mos abarrotadas de jaboticabas fazem a festa. Algumas, as mais durinhas, so escolhidas para substiturem bolinhas de gude. Ariane, Arilene, Andria, Juliano e Mnica, defronte da sapataria de Caj, do sinal de que querem brincar tambm.Fred, Roy, Raimundinho e Eduardo na academia de Cato, trocam de cor de faixas e, minutos depois, aproximam-se, cantando vitria. Tone, de Jandira, vizinho de Dr. Simeo e do Sr.Geraldo Gomes, ao meio-dia em ponto, estoura foguetes em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Tio Vicente faz uma chuva de balas. menino correndo pra todo lado.
Ordem!, seu lugar!, sem rir sem falar...
A imensa bola que meu pai trouxe de Belo Horizonte repica no muro do Salo Paroquial. Polcia/ladro a brincadeira seguinte. Trs da tarde, Laura Laungton desce a escada do prdio onde mora na Rua Presidente Vargas com uma cesta de biscoitos para nos servir. O desengasga gato fica por conta de seu Carlos. A cana foi moda h poucos minutos em sua venda. O caldo est doce como mel. Depois de nos fartarmos com este banquete, a brincadeira continua. Tca e Joanes, de dona Terezita, jogam Ma com casca de banana no passeio de Dr. Luis Pires, que os observa, de cara fechada. Na brincadeira de cabra cega, Tata de Carlile Quintino leva horas para localizar um de ns. Pedro Paulo, de Maria Melo, pula corda com Tata e Cida, filhas de tia Lgia. Andria Maia, no jogo de Queimada, acerta Ninha, que sai resmungando. Do outro lado da rua, minha me mostra o relgio, chamando-nos para o banho. s 17:45 samos rumo a Matriz, para a missa.
- Boa noite dona Duduca e Seu Wilson!
- A paz de Cristo, Dona Nair.
Padre Dudu d inicio a celebrao. Acomodada no banco da frente, encosto a cabea no ombro da minha me e cochilo. Sonho correndo entre os bancos brincando de Pega-Pega. Acordo, minutos depois, com o safano e os pitos do vigrio querido:
- Acorda, menina. Presta ateno na missa, que a vida no s brincadeira!!!

(Estas lembranas eu as dedico s quatro crianas que morreram no trgico incndio no Feijo Semeado, esta semana, em Montes Claros, e a todos que, como eu, teimam em ser criana)


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Por Raquel Chaves - 17/9/2009 17:05:39
Viagem pelas ruas de Montes Claros, no 7 de Setembro

Raquel Souto Chaves

Nessa casa bendita, onde impera de Jesus o Evangelho to puro, vive um povo feliz que prspera e prepara da ptria o futuro, eia, pois, jovens filhas do norte, trabalhai por honrar a bandeira de um Brasil senhoril, bom e forte, a pulsar nesta terra mineira...

Cantando o hino do Colgio Imaculada Conceio encerramos a aula de educao artstica de irm Rosita. No ptio do Colgio, dona Lgia, professora de educao fsica, nos aguarda para o derradeiro ensaio da Parada do 7 de Setembro.
So 7 horas da manh.
Acordo, tomo uma boa ducha. O uniforme de gala, engomado e bem passado por Regina de v Ninha, dependurado na porta, alerta para o horrio. Cuidadosamente, comeo a vestir a farda branca e azul marinho. A meia , o par de luvas e a bona foram encomendados de Belo Horizonte, por minha.me. A saia de tergal azul marinho, plissada por Tiana Vasconcelos, me de Estefnia, est linda. A gola de marinheiro, azul arrematada com sutacho branco, e a blusa branca de mangas longas, feitas por Zulma Barbosa, caram como uma luva. O sapato preto, de verniz, meu pai comprou na Andra Calados, de Ruy Pinto . Perfumada, de cabelos escovados, de esprito patritico, chego ao Colgio a tempo de responder a chamada. A disposio na fila para o desfile por ordem de tamanho. Os pelotes, este ano, esto impecveis.
Na frente, Mra, Margarete Braga e Mariza Nobre, com as bandeiras do Brasil, de Minas e de Montes Claros, esto prontas para puxar o desfile. Graycinha, de Grayce Vieira, Maria Jos Maldonado, de Mary, Mnica, de Miguelzim, Maria Luza, de Dedeto e Lucizinha, Mrcia, de Joo Barrigudo, Eneida e Neila, de Dr. Simeo e dona Terezinha, Snia de Bi e dona Anita, Marcinha, de Dr. Lorenzo, Carlina e Regina, de Maria Clara Leal, Luciana, de Dr. Antnio Augusto Athayde, Andra, de Roberto e Cleonice Laungton, Mnica Versiani, Joyce, de tia Rosalva e tio Z Estevam, Jane, de Lagoa dos Patos, knia Medeiros, Tnia, de Zulma, Olga Maria e Danuza, de tia Amlia e tio Z Souto, Raquel, de seu Lineu e dona Cristina Vasconcelos, Jane e Maria Helena Loyola, Isabel, de dona Julieta, Clarete, de seu Wilson e dona Duduca, Ldia, Isabela e Tas, de dona Agmar, Vanessa, de Dr .Dlson e dona Edna Godinho, Simone e Evana, de Edlson e Aparecida Brando, Ivana, Maria Clara e Cludia, de Marlia e Roberto Rebello e eu - separando os pelotes -, formamos o maior e o mais organizado deles. O apito estridente de dona Ligia avisa que o desfile vai comear.
A fanfarra, composta por alunas dos cursos de Secretariado e Magistrio, est afinadssima este ano. Descendo a Avenida Mestra Fininha, os alunos do Colgio Dulce Sarmento, coordenados por Marcelino Paz do Nascimento, do um show de afinamento. Flix Richard, mestre de cerimnias no alto do palanque oficial, armado defronte Prefeitura na Avenida Coronel Prates, anuncia a abertura da Semana da Ptria pelo prefeito Toninho Rebello.

Depois de longo discurso, ouvimos a execuo do Hino Nacional pela Banda do Dcimo Batalho. A cerimnia prossegue com os Grupos escolares e Colgios sendo anunciados por ordem alfabtica. Primeiro, os grupos - Grupo Escolar Antnio Gonalves Chaves, Grupo Escolar Deolinda Ribeiro (Eduardo, meu irmo, desfila vestido de prncipe, encenando a histria da Independncia do Brasil), Grupo Escolar Dom Joo Antnio Pimenta, Grupo Escolar Francisco S , Grupo escolar Vidinha Pires ... Em seguida, os colgios: Abgar Renault, CB Moc, Escola Normal, Imaculada Conceio, Polivalente, So Jos (Marista), So Norberto (do Padre Murta. Lay, o terceiro l de casa toca bumbo na fanfarra) e Tiradentes, da Polcia Militar.
Encerrando a parada, o Exrcito Brasileiro marcha com fora.

Ns, crianas e adolescentes, seguimos marchando. Na esperana de realmente sentirmos o Brasil, algum dia, transformar-se num lugar bom e feliz. Ptria amada, Brasil .


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Por Raquel Chaves - 28/8/2009 16:24:02

Viagem pelas ruas de Montes Claros nas Festas de Agosto

Raquel Souto Chaves

"Montes Claros, Montes Claros terra de grande beleza, de fazenda Arrai das Formigas transformou-se numa linda princesa..."
A Marujada, os Catops e os Caboclinhos, vindos do Bairro Roxo Verde, me alcanam no incio da Rua Dom Pedro II. Hoje quarta feira, primeiro dia de festa das Festas de Agosto de Montes Claros. Juntos aos danantes esto Maria Jos e George, Nazareth e Terezinha, Zim Bolo e Duca, com os filhos Catarina Maria, Joozinho e ngela. No cruzamento da Rua Camilo Prates, Seu Nozinho Colares, Dona Maria, a filha Zez e o genro Joo Carlos mostram para os meninos Danilo, Dalton, Dirceu e Drio a bandeira de Nossa Senhora do Rosrio, que este ano de cetim azul anil e foi ornada pelas mos de Araniza Gama. Clarice, Kita, Cantidio e Jos Racine Freitas nos acenam, do outro lado da rua. Na Avenida Afonso Pena, Tamiro cerra a porta do seu comrcio em respeito Virgem, de sua devoo. Subindo o beco Padre Marcos, irm Rosita, irm Leila, irm Onizia, irm Fidalma, irm Irene e irm Marilda deixam o Colgio Imaculada Conceio para contemplarem a bandeira de Nossa Senhora do Rosrio. Leane e Dione Baliza descem a rua, esbaforidas, ao nosso encontro. Anibal carroceiro, piloto da marujada de Nenzim e Miguel, d sinal a os companheiros para que soltem a voz e cantem quem os ensinou a nadar: Foi, foi, marinheiro, foi a baleia do mar...
Man Quatrocentos, que este ano est vestido de mame-vov, fazendo parte da caboclada, atravessa a rua e beija a mo de Hermnia Vasconcelos. "Uh Lalaica!" Na esquina da Rua Padre Augusto, Miguelzim e dona Elza pem ordem nos filhos Rose, Miguel, Marilene, Marise, Mnica, Neide, Jos Carlos, Tudinha e Jos Antnio. Na Praa Portugal esto espera da bandeira, com teros nas mos, Neusa Dias, dona Zez Queirz, com Joo barrigudo, seu filho, Maria Pires, dona Fernanda Ramos, Dorinha Pimenta, Terezinha e Jos Braga (colega de meu pai na Receita Estadual), Valria de Paula, com o marido Mauro. rica, Marcelo e Marcone foram buscar a pipoca. Fbio e Madeleine Rebello puxam a fila dos filhos, Jnia, Rodolfo, Fabinho, Isabela, Cristiane e Raquel. Padre Quirino esguio e bem engomado, chama a ateno quando desponta, junto do cruzeiro. Luclia e Ima Martins me elogiam pelo belo servio de dois dias atrs:
- Parabns, Raquel, vocs deixaram o cho da igreja um brinco.
No passeio de nossa casa na Avenida Coronel Prates meus irmos e primos ajeitam o caixote de madeira, sobre ele colocam um pano de prato alvinho, emprestado de minha me, e comeam a vender o suco de xarope de groselha corby aos catops. O valor do copo pouquinho, mas os danantes ainda no conseguiram o "batismo" de uma s fita - esto sem dinheiro. O suco acaba saindo de graa. Tia Nenm vem chegando acompanhada de Toni, Dudu, Rita, Graa, Marcos, Joo e Paulo, para assistirem s apresentaes dos grupos em nosso quintal. Debaixo da velha parreira, Nivaldo Maciel com dona Sofia e a escadinha de filhos (Orlando, Ronaldo, Murilo, Maria do Carmo, Jos Carlos, Clarice, Maciel, Hamilton, Rita, Suely e Gra) abrem passagem para o mestre Zanza, que ao avistar V Ninha anuncia cantando: Olha a dona Nininha, ela minha madrinha....
Tio Paulo Henrique se encanta ao ver os caboclinhos, orientados por Joaquim Pol,encenarem a dana do cip. Hlio Moraes, com seu jeito manso, avisa-nos que esta na hora de levantar o mastro. Debaixo de uma salva de palmas, e do Viva Nossa Senhora do Rosrio, de Nonato Pampa, a bandeira sobe aos cus e permanece ao lado do cruzeiro, que tem aos seus ps grande quantidade de velas acessas. "Deus te salve casa santa!" O ritual prossegue nos dias seguintes, carregados de f e devoo, louvores e adoraes. No domingo, dia do encerramento, deixo a minha vela acessa aos ps das trs bandeiras - Nossa Senhora do Rosrio, So Benedito e Divino Esprito Santo - e com ela um s compromisso: "... para o ano, eu voltarei pra cumprir nova misso".
Aos catops confesso:

"Eu vou chorar, eu vou chorar, eu vou chorar se voc me abandonar..."

Adeus! At para o ano.

Aui! (comando do chefe dos catops, para que cesse a cantoria)


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Por Raquel Chaves - 13/8/2009 13:38:42

Montes Claros perdeu, no comeo desta tarde, a bela voz de Nivaldo Maciel, o ltimo grande seresteiro. Nivaldo estava internado na Santa Casa h mais de 30 dias. Por volta das 12h30m, aos 89 anos, com falncia mltipla dos rgos, calou-se a sua voz. Entre outras atividades, foi fazendeiro e vereador em Montes Claros por dois mandatos. (O enterro ser amanh, s 11h, e o velrio comear s 5h de hoje, na Cmara Municipal). Montes Claros v partir um dos seus grandes cidados. O Grupo de Serestas Joo Chaves perde mais uma voz de rouxinal. Nivaldo agora vai ao encontro dos amigos seresteiros Hermes de Paula, Raymundo Chaves, Sinval Fres, Gilberto Cmara, Lus Procpio, Adlia Miranda, Ducho, Virglio de Paula, Beto Viriato, Tel, Joo Chaves, do irmo Benedito, e tantos outros amantes da boa seresta.


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Por Raquel Chaves - 11/8/2009 14:58:41
Faleceu hoje, 11 de agosto, as 7 e 45 da manh, na Santa Casa ,Cleonice Guimares Sarmento, nossa querida Irm Leila do Colgio Imaculada Conceio, de complicaes da Diabetes. Partiu a exatamente um ms e 1 dia de completar os 71 anos, pois faria aniversrio em 10 de Setembro prximo. Irm Leila era filha de Adail Sarmento e de Maria Guimares Sarmento. Nos idos de 1980, foi diretora do Colgio Imaculada. Exmia professora. Lembro-me com saudades das suas aulas de Cincias, Histria e OSPB. Me de estatura, baixa, pele clarinha, sorriso bonito, muito cheirosa, andava pelos corredores do colgio a passos lentos, colocando ordem, e sempre atenta aos mnimos gestos das alunas.


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Por Raquel Chaves - 5/8/2009 22:20:04
Viagem pelas ruas de Montes Claros em vspera de Catop

Raquel Souto Chaves


A praa da Igreja do Rosrio, onde daqui a dois dias sero realizadas as Festas de Agosto, est sendo decorada. Fitas multicores de papel crepom voam pelos ares. Angelina , Tereza e Maria Alice Maia observam, embevecidas. O Ip roxo florido do ptio da Macife atesta que a festa dos catops, marujos e caboclinhos se aproxima. Eva e Regina, de V Ninha, chegam trazendo a chave da igreja (foram buscar no Palcio do Bispo). Jogo os chinelos de lado, estico a mangueira, ligo a torneira que fica ao lado do Cruzeiro de madeira, em um buraco no canteiro do meio da Avenida Coronel Prates (na semana passada cai neste buraco, quando brincava de policia-ladro. O joelho est uma pipa). P ante p, entro em casa, apanho sabo em p e vassouras, e volto para comear o servio. O cho de cimento queimado carece de ser esfregado com palha de ao. Num piscar de olhos, eu, Eva e Regina resolvemos o problema. Roy, Eduardo e Mra, meus irmos, Repolho e Peru, de Tio Rey, Paco e Fred, de Tia Clo, Estevam e Raul, de Tia Rosalva, Regina Clia, Srgio, Sandra e Silvaninha, de Dona Carlota costureira, Eduardinho, Felix Junior, Jaqueline, Fabiola e Marl, de dona Dorinha Pimenta, Cla Mrcia, de dona Marilene, Casco, Mnica e Paulinho, de seu Arnaldo, e Sorainha, de Dona Odlia, vendo o nosso movimento, pedem para ajudar. Com este batalho de meninos, depois de muito esfregar, o cho fica limpinho. Marcelo, Eduardo e Simone de Marion Ferrante, de caras fechadas, denunciam a tristeza de terem perdido a farra da limpeza. Dr. Hermes, vindo do seu consultrio na Rua Lafet, vistoria o servio e passando a mo em minha cabea delega:
- V l em casa e pea a Fina a toalha de linho bordada e engomada para forrarmos o altar.
Descendo a Rua Governador Valadares, Dcio cabeludo, Geraldim Alcntara, Tio Henrique, Boyzim, Virgilio de Paula e Rubinho Sena (vindo do conservatrio aps o ensaio do Banz) se manifestam, simulando a dana e o som dos catops. A poucos metros da igreja, na porta da nossa casa, meu pai chega com as compras que fez no Ita Supermercados. Seu fiel escudeiro, Otaclio cozinheiro, comea a socar a carne de sol seca no pilo para preparar a paoca que ser servida, acompanhada de cortezano, vinho e Q - suco, aos danantes que estaro depois de amanh em visita ao nosso quintal. Vindos da estao ferroviria, na Praa Capito Enas, recm chegados de Belo Horizonte, avisto Tio Ulpiano com Tia Elza e os filhos, Cludia e Ronaldo; logo atrs esto Raquel e Armando (filhos de tia Chiquinha), com a esposa Imaculada. Vieram prestigiar a festa. Juntos, ns, os sete filhos de Terezinha Souto, nossos primos e os meninos vizinhos, fazemos uma festa em torno da fogueira na calada do salo Paroquial, aguardando com ansiedade o nascer do sol de depois de amanh. Quando as festas comearem, prestarei bastante ateno em todos os detalhes para continuar a minha narrao.


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Por Raquel Chaves - 20/7/2009 15:48:59

Hoje Montes Claros acordou mais triste. Faleceu s 5 da manh aos 68 anos Antnio Reino da Silva - Toninho Pingim (da Sorveteria pingim na Avenida Coronel Prates esquina com Presidente Vargas), para mim e meus irmos Gumercindo apelido carinhoso dado por meu pai Raymundo Chaves. Aps mais de quarenta dias internado na Santa Casa de Montes Claros (s no CTI foram 30). Natural de Angelim no Pernambuco chegou aqui em 1964 com 23 anos de idade trazendo mulher e 5 filhos, 4 mulheres e um homem. A filha mais velha, Mnica, tinha problemas srios de sade. Em tratamento em So Paulo no resistiu e faleceu; ele e meu pai retornaram trazendo o corpo em uma kombi de sua propriedade. Separado da primeira esposa, anos depois se apaixonou por Ftima (com ele na foto) que lhe deu a 6 filha. Sujeito barulhento, brincalho, simples e trabalhador. uma alma boa. Era filho de corao desta terra, a mesma terra onde lutou, criou os filhos, fez grandes amigos, recebeu emocionado a medalha dos 150 anos da cidade, enterrou a sua primognita e onde ser sepultado - amanh pela manh.


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Por Raquel Chaves - 25/6/2009 16:38:39
Viagem pelas ruas de Montes Claros em noite de So Joo

Raquel Souto Chaves

noite de So Joo o cu fica todo estrelado fica todo iluminado pintadinho de balo... Este ano o meu vestido de quadrilha de fundo vermelho com pos brancos. As duas tranas foram feitas pelas mos carinhosas de Maria. Minha me retoca a minha maquiagem, o batom carmim transformado em rouge. No centro da bochecha uma bola de lpis creom simula uma pinta. A meia acabada com rendinha e o sapato de verniz vermelho e salto quadrado peguei emprestado de tia Clo. Retoco a boca com batom rosa pink, me despeo: beno pai, beno me. Estou indo pra quadrilha. Tchau! Me ajeitando, saio da avenida Coronel Prates caminhando pelas ruas de Montes Claros.
- Boa noite Dr. Simeo!
- A senhora est boa dona Terezinha?
Eneida aparece vestida de caipira.
- Vamos Raquel t na hora. Bade, Mnica e Robertinho da famlia Reis se despedem de Geraldina, Vilma e Terezinha e nos acompanham. Janice e Virgilio filhos de Geraldim e Zez Gomes saem da casa do seu av Benedito Gomes e se juntam a ns. Augusto bala doce, Mauro Mrcio de dona Zez Gontijo, Sorainha Narciso, Luisinha Dias com o filho Guila quentam fogo no passeio de suas casas. Clarice sarmento desce a escada do predinho onde mora de mos dadas com marido, um estrangeiro alto, forte e de olhos claros. Na casa de dona Genoveva Mota chegam seu Arlen e dona Rita com os filhos Cristina, Pedrinho, Luis e Rita. No cu o foguete anuncia o levantamento do mastro de So Joo. Marins e Luis Antnio Medeiros com os filhos a tira colo deixam sua casa para participarem da festana que acontece na casa de seu Coriolano Gonzaga vizinho de parede e meia. Iara e Benome de prosa com Maria Clara e Ademar Leal saboreiam uma gamela de pipoca com caf enquanto Dema, Ana, Caj, Carlina, Regina, Vicente e Benoninho brincam de chicotinho queimado.
- Boa noite Dr. Bento?
Seu Menardo, de chapu e terno, pai de Toni dono da confeces Fred que funciona no cmodo da frente de sua casa, ajeita os cabelos de Rita sua neta. Descendo a Rua Coronel Luis Pires, entramos no quartinho do terreno da Santa Casa onde uma senhora negra, alta e calada minuciosamente recorta as hstias para a comunho da missa que ser celebrada amanh por Padre Quirino na capelinha do hospital. Samos saboreando os retalhos de hstia que ganhamos da bondosa senhora. Denise filha de seu Ernesto da Papelaria Barroso nos avista e deixa sua casa correndo ao nosso encontro. Seu Edson e dona Teresa donos da banca de caldo de cana e pastel na Praa Doutor Carlos acabam a decorao da carroa que levar Ninha sua filha, caprichosamente vestida de noiva para o casamento da roa. Elenice, Edson, Edir e Elder esto os autnticos caipiras. Coronel Georgino na varanda de sua casa d gaitadas da situao. Jlio Melo Franco acaba o sermo do filho Jlio Csar que ser o padre da casana. Santuza sua mulher faz o lao de fita de cetim no vestido de Janice. Hildebrando da Rua Coronel Spyer est no passeio de sua casa com as filhas Mery e Marla aguardando o inicio da festa. Mara Lima com um vestido estampado confeccionado por sua Me Neide, aparece vindo da Rua Gabriel Passos. Seu pai Valdevi no perde um lance sequer com sua mquina fotogrfica. Ada Camissasca com os sobrinhos talo, Carla e Cludio acompanham a procisso do mastro. Que santo este que vamos levar? o senhor So Joo para festejar... A quadrilha vai comear cada um com o seu par.
"Anavant, Anarrier, balacer com seus pares...nos seus lugares"... Olha a chuva... mentira...
Olha o pai da noiva.... mentira...
Olha a cobra... mentira...
A noite continua aquecida pela imensa fogueira que montamos de dia. Os olhos esto midos de sono. De volta ao lar o cu continua pintadinho de balo.


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Por Raquel Chaves - 17/6/2009 15:30:15

Ele sofreu, Alex?
Machucou muito?
O que ele disse antes de morrer?
No me pergunte mais isso! Eu fiz tudo o que podia e sabia para salv-lo, mas no consegui. Infelizmente no consegui. Essa foi a resposta, em prantos (provavelmente vendo o amigo agonizando) de Alex, o intercambista norte-americano que estava no veculo dirigido por Ademar Tolentino Leal, de 22 anos, que capotou o carro por volta das 4 horas da manh de domingo na estrada de Juramento. Alex experiente salva-vidas e prestou os primeiros socorros ao irmo de corao, brasileiro. Quatro rapazes alegres e cantarolando deixaram Juramento, vindo de uma festa, com o intuito de, a alguns minutos, estarem de volta em seus lares. Um quebra-molas desviou o destino deles. O carro se desgovernou e o motorista, sem conseguir cont-lo, foi arremessado pela porta aberta no impacto, ribanceira abaixo. O motorista Leal (como era carinhosamente conhecido), no resistiu aos ferimentos.
Na ultima noite de sbado, ele no queria sair de casa, disse que queria curtir o carinho dos pais e terminar um servio, que vinha executando h trs dias no computador, para o pai. O jovem fazendeiro, depois de insistentes convites vindos pelo telefone celular, resolveu afinal sair, s 22h30min sem se despedir da me e informando ao pai que iria se encontrar com amigos, sem jamais supor que ficaria na curva do caminho. No enterro, comovente, a me pergunta ao filho, inerte: Por que voc saiu ontem, meu filho? Hoje, voc no volta pra casa para dormir com a gente n? Pra quem, mame vai arrumar a caminha toda noite, pinguinho? O pai, ao final, agradece a multido de amigos presentes: Deus lhes pague por tanta fora. A presena de vocs aqui, demonstra o quanto somos queridos e, apesar do pouco tempo que esteve aqui, Leal conseguiu fazer muitos amigos. A salva de palmas, na hora do ngelus ecoa e um amigo em prantos sada o Leal companheiro: valeu Leal. Uma voz feminina carregada de f e doura canta: e ainda se vier, noites traioeiras, se a cruz pesada for, Cristo estar contigo, o mundo pode at fazer voc chorar, mas, Deus te quer sorrindo... Dema e Lenice, pais do jovem Leal, seguem a vida com o corpo e a alma estraalhados. Com a fora Deus suportaro a ausncia fsica do filho amado. O mesmo Alex, norte-americano salva-vidas que tentou em vo salvar a vida do "irmo" brasileiro, passa horas a fio enxugando, carinhosamente, as lgrimas da me do irmo que se foi.


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Por Raquel Chaves - 25/5/2009 18:22:16
Viagem pelas Ruas de Montes Claros em noite de Coroao.

Raquel Souto Chaves


Maio chegou, me querida, ms de santa devoo...

Chegou o ms de maio e, com ele, chegaram as coroaes de Maria, o frio e o dia das mes... Mes de leite, mes de sangue, mes negras, mes do corao, me B, mes de criao, mes avs.
Retomo a minha viagem pelas ruas de Montes Claros, saindo do jardim da casa da minha v, Nininha, na Avenida Coronel Prates, onde acabo de colher as ltimas rosas para ofertar a Nossa Senhora, na primeira coroao da noite. Vestida de anjo da cor azul, tecido de cetim, casa de abelha, nas costas asas de penas alvinhas, nas mos a cestinha de ptalas de rosas, na cabea coroa de miangas; sob os olhares atentos da minha v, minha me e de Regina, descemos a Rua Gonalves Figueira. A primeira parada na casa de Padre Dudu, que nos aguarda na varanda.
Ninha de Deus! olha o avanado da hora. Vamos logo que os fiis me aguardam para a celebrao.

Descendo a rua de paraleleppedos, seguimos pelo beco Dona Eva, onde mora Rene Caldeira e Ailce, que nos acompanham para assistir a coroao. Defronte a sua casa, fica a Rua Hermenegildo Chaves. Aqui, na esquina, a de Geralda Freire, um pouquinho adiante do lado direito de quem desce, a casa de tia Joaninha Souto, que j se encontra na Matriz tocando o sino, convidando o povo para a coroao que vai comear s 18 horas. Especialmente nessa noite, estou em estado de graa. Em p, na parte mais alta do altar, fico na ponta dos ps sobre um banquinho de madeira para conseguir coroar Nossa Senhora.

Filha faz bonito. No se mexa, seno vai cair da. Solta a voz. Fica atenta que irm Rosita (minha professora de educao artstica no Colgio Imaculada Conceio) te observa daquele banco ali - recomenda minha me. Abro o peito e: Mezinha do cu eu no sei rezar, s sei repetir, eu quero te amar. Azul teu manto, branco teu vu. Mezinha eu quero te ver l no cu... A matriz repleta de anjos exala paz. O cheiro de incenso inebria a parte velha da cidade, em festa. Do lado de fora da igreja nos despedimos de dona Duduca, Grayce Quintino, Din, Geninha, Diomar, Maria Dures, Naninha, Ditinha, Nair Machado, Umbelina e Aidee Caldeira, Zez Queiroz, Mariazinha, Raimunda Santana e tantas outras da Arquiconfraria das Mes Crists e do Apostolado da Orao. Descendo a rua, somos cumprimentados por Landes e Netinha Tolentino, que esto sentados na varanda de sua casa. No princpio da rua Filomeno Ribeiro, numa roda de conversa, esto: Dr. Ubaldino Assis com a esposa Nilcea Veloso, Letcia sua irm e Neide Veloso. No principio da Rua Belo Horizonte esquina com Coronel Joaquim Costa, os feirantes montados em carroas chegam para entregar mercadorias vindas da roa para exposio e venda, amanh, no Mercado Central.

Na galeria foi inaugurada a Super Loja 23. Em frente, um eletricista testa as luzes para a inaugurao do Jia Supermercados. Apressados para a segunda coroao da noite, chegamos Catedral.
Corre Quela que a corao vai comear. Sussurra minha av ao p do ouvido. Desta vez estou acomodada no segundo degrau da escada para depositar, aos ps de Nossa Senhora, as palmas.

Pelas horas matutinas, fomos colher estas flores, mimosas cheias de odores, pelos bosques e campinas....

De volta para casa com a sola dos ps doendo, em conseqncia do sapato novo de verniz, tomo um bom banho e um copo de leite gelado. Desejo boa noite a todos, deito-me, e o filme torna a passar na minha cabecinha. Mais uma vez me vejo coroando:

Nunca, mudassem nunca estes caminhos. Que quando maio vem, vestem-se de flores. Nesta alegria idlica dos ninhos. Neste milagre de perfume e flores....


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Por Raquel Chaves - 1/4/2009 15:48:56
Viagem pelas ruas de Montes Claros Parte II

Raquel Souto Chaves

Estamos em abril. O calor est mais brando. Com a obrigao em dia, nos sentimos convidados a continuar o passeio pelas ruas da ainda pacata Montes Claros. Saindo da nossa casa na Avenida Coronel Prates, 102, entro na casa da minha av Nininha para pedir a beno, tomar caf com leite e comer uma boa fatia de bolo fresco preparado com manteiga e ovo caipira.
At j v! Um beijo, um abrao, uma bicota e sua beno.
Boa noite Dr. Lus Pires, acho que o senhor deixou a luz do seu consultrio acessa. Ao lado da sala de Abreugrafia (retrato do pulmo) do Dr. Lus Pires fica o Restaurante Quintal de nio Farias. Dr. Mrio Ribeiro, Dr. Joo Vale Maurcio, Dr. Jason Teixeira, Tio Rey, Lourinho Alcntara e outros senhores passam por ns, vindo da rua Gonalves Figueira. T na hora de tomar uma boa cana e tirar o gosto com o sarapatel dos Deuses. Eduardinho, filho de Flix Pimenta e Dona Dorinha nos aguarda na porta da sua casa. Dona Fernanda Ramos nos sada da sacada do sobradinho rosa onde mora. Com ela esto as filhas Nininha e Lulu. O porto do depsito de vidros da Vidronorte de Jos das Neves Corra permanece aberto. A macife (madeira, cimento e ferro) tambm. Com os ps na praa Portugal, cumprimentamos Dona Marilene (costureira de mo cheia), seu Augusto e os filhos Joyce, Cla Mrcia e Ico. Aqui apressamos o passo para deixar a terrina de puro inx no Restaurante Espeto de Ouro de Z Amorim, para mais tarde buscar a canja encomendada por meu pai ao garom Zezim beleza. Descendo a rua Doutor Veloso ouo de dentro do Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Ondina de Paula pronunciar fluentemente ingls dando aula de conversao para algum. Virgnia de Dr.Hermes e Dona Fina trabalha aqui como secretria.O ronco do motor do caminho de Beto ronca ferro (rum... rummm...) surge prximo casa de seu Jaime Rebello, pai de Toninho Rebello, ento prefeito. Assentados no murinho da varanda de casa esquinada Norberto Prates, Lay e Joo do gaitadas de se ouvir de longe. Julio (irmo de Norberto) passa pito neles. No consultrio de Dr Hermes na esquina com rua Lafet chega uma senhora convalescente de Rubola. Dona Ins ouve atentamente os acordes da flauta que o filho Joaquim de Paula faz ecoar. Com destino a Praa da Matriz, passamos em frente ao porto grande de madeira, estilo cancela do sobradinho dos Oliveira. O chafariz (cara de leo) jorra gua fresquinha e sacia a nossa sede. No coreto da praa, Joo Doido avisa a quem passa que: Terezinha minha! (e a de quem ouzar dizer o contrrio). Tia Joaninha Souto toca o sino da Matriz anunciando que a missa vai comear. Padre Dudu comea a celebrao convocando as Mes Crists, de farda azul marinho, ve preto e fita azul a se acomodarem na primeira fila dos bancos. Conta com a colaborao para no deixar as crianas interrompe-l. Nos bancos seguintes esto Benjamin Rgo (que mora bem ao lado da igreja) com o filho Jos Rgo, Dona Nair Machado e Jos Lafet com a esposa Sozinha (impecavis). Depois de ouvirmos o sermo do Padre Dudu corremos para o centro da praa para apreciar a beleza da fonte luminosa (at ento achava que isto s existia em cidade grande). No passeio onde funciona os correios, assentados na porta da casa esto Benedito e Nivaldo Maciel tocando violo e saudando o Cu de estrelas com canes de serenata. Mariana cabeleireira se aproxima para contemplar a lua cheia. Subindo a rua Simeo Ribeiro, encontramos seu Ducho com o inseparvel bandolim debaixo do brao e o filho Miguel, fechando a Distribuidora Thas, para daqui a pouco se apresentar com o Grupo de Seresta Joo Chaves no Restaurante Montes Claros, propriedade de um moreno bonacho apelidado de Baiano. Na parte inferior do restaurante, Joo Leopoldo Frana, na sua loja Cred Vest, solta a bela voz e confirma: Creio em ti ao ver que a chuva cai e faz a flor nascer....
Na esquina paramos para tomar o milk-shake da Cristal. Na rua Governador Valadares do lado direito est o Bazar So Geraldo. Seu Geraldo, sua esposa e Geraldim seu filho nos acompamham at a rua Dr. Veloso.
- Rua Dr Veloso, meu Deus! E a terrina de canja do meu pai que deveria buscar h horas no Espeto de Ouro? A esta hora, j deve estar gelada. Melhor passar sebo nas canelas. Hoje, o cipozinho de fedegoso funciona direitinho!


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Por Raquel Chaves - 11/3/2009 16:04:16
Viagem pelas ruas de Montes Claros

Raquel Souto Chaves

O sol escaldante e o calor de quase 40 graus de Montes Claros nos obrigam a sair de casa e perambular pelas ruas da cidade. Atravessmos a Avenida Coronel Prates, paramos na Pingim para cumprimentar Toninho Gumercindo e chupar picol de tamarindo. Subimos a Rua Presidente Vargas que h poucos anos atrs era chamada de rua quinze. Ao lado da fbrica de gelo da Pingim que Marreco toma conta, mora Boizim, fraterno amigo do meu tio Henrique. Ele esta sentado no alpendre que d para a rua com um chumao de jornais para ler. Do outro lado da rua fica o consultrio de doutora Maria de Jesus e do doutor Rameta. Atravessando a Avenida Afonso Pena no principio do passeio do lado esquerdo est a venda de Seu Carlos construda de armao de zinco. Ainda possvel montar comrcio com este tipo frgil de material. Os ladres so mais acanhados. No impulso entro para comprar balas de hortel, o espao pequeno e mal cabe Seu Carlos e o fregus. O calor algo insuportvel aqui dentro. Tio boi na sua sapataria que fica entre o conservatrio e a casa de dona Ligia, nossa professora de educao fsica no Colgio Imaculada Conceio; arremata o servio e conta causos de pescador. A sapataria do tamanho de um ovo esta cheia de rapazes. O cheiro de espetinho do Bar Sibria esta irresistvel. A fila a espera do bom assado j est grande. Novaizinho est sentado espera dos seus, tomando uma loira gelada e de bate papo com Dcio cabeludo. A fragrncia dos perfumes importados,da importadora Lee que ganhamos de presente de natal do nosso pai recende na Rua Simeo Ribeiro. No Armarinho Jabbur meu pai compra os culos para vista cansada e o pente de bolso. O rdio informa a hora, de dentro das Casas Buri. Os foges de 6 bocas(chamas), as tvs coloridas e as geladeiras duplex em exposio chamam a ateno dos consumidores. So as ltimas novidades em eletrodomsticos. Minha me negocia os produtos e escolhe a cor vermelha para decorar a cozinha. Um luxo s!
Amada amante lelelelele... Amada amanteeee lelelelele (som com a lngua). Juventina de botas de cano longo e salto alto, maquiagem de cor carmim nas bochechas, cabelo longo e muitos adereos, em alto e bom tom d sinais de que estamos prximos da Casa Alves. Descendo a Rua Camilo Prates minha me apressa o passo para entrar na Casa Ldo e comprar Creme Nvea e Laqu Lady. So 18:15 mas s bater na porta que a proprietria da loja abre para atender o cliente. Enquanto isso estamos na Farmcia Santa Terezinha conferindo o peso. A balana ainda analgica com visor e ponteiro imensos. Celuta e sua irm Ismar descem rua vindo da lida diria depois de fecharem a Casa das Rendas. O carrinho de pipocas Lili j est estacionado na Praa do Cimento. A inesquecvel pipoca feita na manteiga de garrafa, o que a torna irresistvel ao nosso paladar. Os cortes de pano da Minas Tecidos vistos da vitrine esto lindos. Jacinto comunica ao meu pai que os cortes de linho e cambraia que tanto gosta chegaram e esto com preos tentadores. O proprietrio da loja Zacalex, um grego barulhento, desce a porta da loja para o merecido descanso. O saboroso e refrescante refrigerante Graphete nos espera no Bar do Z Priquitim. Subindo a Rua Doutor Veloso, nas imediaes da casa de Antnio Augusto Tupinamb, Grayce Vieira e Eudes Veloso, o ar est impregnado do perfume do chul do rei (jasmim). Estamos em frente ao Hospital Santa Terezinha onde o meu tio Z Souto trabalha como mdico ortopedista. Aqui foi construda uma capelinha minscula, por isso todas as vezes que passamos fazemos o nome do pai. No canteiro a beira do passeio, que serve de cerca, tem uma plantao de fcus. Minha me lana mo de uma folhinha e a transforma no mais belo dos sons de apito. Aqui damos meia volta e descemos rumo a nossa casa, aliviados do calor e com as mos carregadas de compras.
Boa noite Doutor Hermes!
Sua beno Padre Quirino e Padre Dudu!
Montes Claros ainda o melhor lugar para se viver.


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Por Raquel Chaves - 12/1/2009 19:09:57
ta corgo bonito!

Raquel Souto Chaves

O cheiro de caladryl (pomada de cor rosa para queimaduras), impregnou-me o nariz e o corao nessa manh. O ms janeiro. As aulas terminaram em meados de dezembro e as crianas esto soltas pelas ruas da ainda pacata Montes Claros.
Meu pai est ao telefone conversando com Coriolano Moreira, que reside em Itapetinga, na Bahia, para confirmar nossa ida a Olivena e acertar os detalhes da nossa hospedagem em sua propriedade. As malas esto sendo feitas pelas mos carinhosas de minha me Terezinha, tia Clo e tia Rosalva. Deusdete, mecnico, revisa o veraneio dois sabores (duas cores) do meu pai, para que a viagem seja feita com segurana. Hora de arrumar o carro, para amanh, logo cedo, pegarmos a estrada. No veraneio, a feira de mantimentos e as malas so colocadas no bagageiro, de forma que sob as mesmas ainda sobre espao para abrigar as crianas (Roy, Eduardo, eu e Fred). Na matula, uma garrafa de caf redondo, paoca de carne seca, po com mortadela e biscoito espremido. Assentados nos bancos esto, tia Clo, Mra, Lai, Joo, Bia, me e pai. O carro igual corao de me, sempre cabe mais um. Em comboio, esto os carros de tio Z Estevam (abarrotado de gente) e o de Roberto Rebello (Marlia grvida de Regina) com as filhas Ivana, Cludia, Maria Clara e Mnica. Depois de uma longa soneca, ouo como em forma de cantiga: olha o corgo a os minino!. meu pai anunciando que j estamos beira-mar. Mais alguns quilmetros e chegamos ao destino. A molecada se encarrega de descer a bagagem enquanto os adultos limpam o casaro e preparam a janta. Meu pai, com o seu jeito fcil de fazer amizade, sai cata de um bom fazedor de mingau para nos abastecer durante a estada. Bem cedinho, o mingau de tapioca fresquinho, chega para o caf da manh. De pana forrada, rumamos para a praia que fica a pouqussimos metros da casa onde estamos hospedados. As brincadeiras de fazer castelo de areia, quebrar ondas e esconde-esconde por detrs dos coqueiros so divididas pela cumplicidade dos primos Joyce, Raul, Virgnia, Estevam e Fred, e das meninas amigas, filhas de Roberto e Marilia. A descoberta de martelar caranguejos e comer acarajs com muito vatap e caruru, uma delicia. Para tirar o sal do corpo, descemos para o Tororomba, o clube da cidade que possui uma cascata em forma de vu de noiva e uma piscina de gua medicinal de cor escura. Depois de um dia de sol forte, estamos como verdadeiros pimentes. Somos de pele muito clarinha, por isso, minha me recorre a ajuda do cheiroso Caladryl para aliviar o ardor das bochechas. Estamos iguaizinhos a um palhao. noitinha, depois de um bom e avantajado prato de comida (saciando uma fome de leo provocada por banhos de mar e piscina), seguimos para a nica pracinha da igreja existente na cidade, para brincarmos de pega-pega, nos cansar e daqui a pouco nos entregarmos ao bom sono cheio de sonhos e lembranas.
janeiro de anos atrs, ms de frias, ms de conhecermos o mar. ta corgo bonito, gente!.


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Por Raquel Chaves - 3/12/2008 16:49:04
SAUDAO A AMELINHA

Raquel Souto Chaves

Apanhada pela surpresa e emoo de ter sido convidada para saud-la, o fao com orgulho. Sado-a sim, tia Amlia em nome de Jos Veloso Souto, seu prncipe encantado que morria de amores por voc e que do alto do cu com certeza, est de largo sorriso estampado no rosto, em dia de festa por mais essa sua vitria. Sado-a em nome de Jnior, Bia, Nuza, Luti, Claudinha e Murilo; dos seus netos, da famlia Veloso Souto; sado-a principalmente em meu nome, pela admirao e carinho que tenho por voc. Sou testemunha viva da sua luta e trajetria de vida. Sado Amelinha do meu saudoso tio Z Souto; Amelinha de estatura mida, mulher forte, de fibra, um jequitib em forma de gente, exmia educadora, descendente de famlia tradicional. Amelinha me e av. Amelinha, mulher de f, de uma alegria contagiante, apesar dos percalos que a vida lhe imps. Amelinha me, sozinha na criao dos filhos, que herdaram dela e do pai, o tino para o trabalho e a luta; hoje todos bem casados e profissionais competentes. Amelinha, dos Prates e dos Barbosa, descendente de pessoas cultas e formadoras de opinio, mulher politizada, que prega a tica como norma de vida, to em desuso hoje em dia, e como se no bastasse tudo isto Vicentina atuante! Sua me D. Olga Prates,a abenoa e comemora, l do cu o sucesso da filha querida.
Com o lanamento de A chegada de Fernanda, O pssaro preto, Chocolate e Pipoca e Zeca Ventania e Toni Topete, voc tia Amlia presta servio literatura infantil da melhor qualidade, nas reas sociais e educativas; deixando cravado para a histria, o exemplo de determinao e amor pelo que sempre fez: educar.
Em uma tarde chuvosa, sob a cantiga dos pssaros, rodeada por rvores e grama verdinha, no Penturea Clube, li, reli, me envolvi e deliciei-me, com suas doces estrias, de linguagem simples, clara, comovente e educativa. As ilustraes so de um bom gosto sem fim!
Como voc mesma diz, tia Amlia: o grande segredo da vida ser um pouco melhor a cada dia, e empenhar-se para que os outros tambm o sejam. A sua parte, j vem sendo feita h tempos, e com imensa galhardia!
Voc para ns motivo de orgulho, e exemplo de fora, f, amor, alegria e ensinamento. Obrigada por existir e fazer parte das nossas vidas. Que venham muitos outros livros de sua autoria para enriquecimento da nossa cultura e nosso deleite. Montes Claros a sada, abraa e agradece, com a certeza de merecer de sua legitima filha honras como essa.


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Por Raquel Chaves - 13/11/2008 15:34:12
O Pai-ao

Raquel Souto Chaves

Senhoras e senhores, bem-vindos ao encantado mundo do circo!
O espetculo vai comear! Quem quer ver a alegria do Circo?
Crianas e adultos eufricos levantam as mos.
A vm eles! Com vocs: os palhaos!
Um deles o verdadeiro pai-ao: o palhao Pequi, que a todos faz sorrir.
Palhao do circo Zanchettini, que h cinco dcadas luta pela sua sobrevivncia, sob a forte batuta da matriarca dona Vanda, armado na cidade h poucos dias.
O pai ao pai de Felipe, o menino especial, deficiente fsico que entra no picadeiro, todo garboso, montado em um cavalo tambm especial; com uma cumplicidade que pode ser vista a olho nu. Falam a mesma lngua! O maior e melhor artista que o circo possui. Conseguiu transpor os obstculos que a vida lhe imps.
O tio Slvio, que tambm palhao, conduz a apresentao com olhos atentos aos mnimos gestos do sobrinho, com extremoso zelo. O Pai-ao - que foi abandonado pela esposa, quando esta soube que o filho era especial, partiu para nem nunca noticias buscar. O pai-ao Pequi continuou sua luta e criou o filho Felipe com a colaborao dos irmos. So dez filhos ao todo. Descendentes de dona Vanda, que no prximo ano com a graa de Deus completar 80 anos; a festana ser ali mesmo no seu mundo encantado, sob as lonas cmplices do circo, o mais fiel dos amigos. Sabe-se l, o que j aconteceu por ali! O casamento da filha Solange com o bilheteiro, secretrio e apresentador do circo Manoel; festas de aniversrio, luto, alegrias, tristezas...
A palhaa Magali, de pequeno porte, esposa do palhao Slvio, nora de dona Vanda; parecendo uma boneca, nos intervalos do espetculo deixa o palco para se juntar aos espectadores e distribuir simpatia. Os meninos, netos da matriarca e alguns irmos de Felipe, do segundo casamento do pai, do um show em monociclos. O malabarista e trapezista, Andr Luis, em seus nmeros demonstra o equilbrio de jovem e artista. So trinta e seis pessoas de uma mesma famlia: motoristas de carretas, artistas, montadores, administrados todos num misto de magia e encantamento. Tudo isto d sinal de que o circo no acabou! Tamanha beleza e lio de vida no tm preo!
Uma histria... Uma vida... Tantas outras viro!
Que no morra o circo, que no calem a voz do palhao!


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Por Raquel Chaves - 23/10/2008 15:12:33
Brincadeira de criana

Raquel Souto Chaves

Ordem! Seu lugar, sem rir, sem falar!...
Olha que bela laranja madura, veja que cores so elas....
Tempo mgico; encantado!
As brincadeiras de infncia da minha poca eram geniais, deliciosas e com uma grande pitada de ingenuidade e doura. Pula corda, pique no lugar, roda, casinha, futebol, boneca e tantas outras! Dentre elas, uma que eu considerava especial era o guisado. Quatro tijolos, alguns pedaos de pau e o fogo estava pronto! Meninas ainda, preparvamos as nossas comidinhas. Certa vez, fui presenteada por meu pai, com uma trempe para o fogo e um joguinho de panelas de ferro batido. Sentia-me a prpria cozinheira!
Nos dias de hoje, ou de pelo menos desde vinte anos atrs, no conseguimos mais enxergar as crianas como ramos naquele tempo. ramos considerados criana at os 15 anos de idade. Hoje chamam de pr-adolescncia, adolescncia e puberdade. As meninas de hoje se tornam mulheres com 10 anos de idade. Os meninos engrossam a voz e criam plos, com pouco mais de 11 anos. O que mudou? Hormnios em alimentos? Crianas com 13 anos hoje, namoram ou ficam, sem se quer saber de quem so filhos ou de onde vm. Os carrinhos de papelo, latas, cordo e carretel de linha deram lugar aos carros de controle remoto; as bonecas de pano confeccionadas por nossas babs, com as quais brincvamos de dar papinhas de mentirinha, foram substitudas por bonecas que cantam, falam, batem palmas, andam, fazem xixi e comem! Realizvamos aniversrio das nossas filhinhas e servamos batidas de ovo com farinha e acar.
Era comum brincarmos de ps no cho, nas ruas e caladas, sob os olhares atentos de nossos pais, tios e vizinhos; o que, nos dias de hoje se tornou impossvel, devido ao crescimento da cidade, a chegada do progresso e a total falta de segurana. As peladas (jogo de futebol) deram lugar s partidas de futebol em ginsios, com esprito de competitividade, sem um mnimo de esportiva, resultando em brigas entre torcedores chegando ao extremo de causar at mesmo mortes!
Quando maiorzinhos, um pouco mais fornidos, realizvamos horas danantes em nossas casas, sempre com inicio s 18 horas; bebamos ponches de mas com groselha, sem qualquer gota de lcool! (onde j se viu crianas ou adolescentes fazerem uso de bebidas alcolicas?).
Estas foram radicalmente substitudas por boates com ritmos danantes e alucinantes, e no lugar do ponche de mas, entrou o consumo excessivo de lcool e outras drogas. Freqentvamos as matins aos domingos no Cine Montes Claros, para assistirmos desenho animado ou alguma comdia. As crianas de hoje tem computadores, mp3, Ipod...; e contato direto com qualquer espcie de filme ou msica, e ficam at altas horas navegando, isolados...
Nos tempos idos, menino ia para a cama s oito horas da noite. Hoje, as festinhas comeam s dez! Criana naquele tempo honrava pai e me.
12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, da nossa mezinha do cu, dia das crianas... Mezinha do cu traga de volta as brincadeiras de criana da minha infncia, encha de doura, ingenuidade e pureza os coraes das nossas crianas!
Ensina aos seus filhos honrarem pais e mes...
Depende de ns,se este mundo ainda tem jeito!


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Por Raquel Chaves - 21/8/2008 10:49:10
Festas dos Catops

Raquel Souto Chaves

Tum... tumtum... tum.... tumtum...
O retumbar dos tambores ecoa no ar anunciando a chegada das festas de agosto de Montes Claros. Mais conhecida como Festa dos Catops, seus legtimos donos.
O corao bate a galope.
Quarta-feira os catops, marujos e caboclinhos pessoas simples, de carter invejvel, deixam seus lares nos longnquos bairros Vila Camilo Prates, Morrinhos, Santa Ceclia, Vila Ipiranga e Renascena e descem em busca do sagrado mastro de Nossa Senhora do Rosrio. A procisso segue com velas acessas. L da frente cantam em tom de pergunta: Que santo este que vamos levar? Nossa Senhora para festejar respondem os devotos em unicoro no fundo da fila.
Alguns descalos pagando promessas.
A graa foi alcanada. hora de agradecer.
Os danantes, vez em quando durante o trajeto param para afinar os instrumentos em fogueiras acessas nas portas de casas simples.
A caboclinha de olhos azuis e pouco mais de quatro anos no centro do seu grupo dana dormindo, desde cedo est cumprindo o oficio prazeroso que lhe foi delegado.
A lua no alto do cu e o calor intenso do sinais de que a festa ser mais vez iluminada.
Nas noites de quinta e sexta feira a festa continua com levantamento dos mastros de So Benedito e do Divino Esprito Santo.
A bandeira de Nossa Senhora pertence aos ternos dos mestres-catops Joo Faria e Zanza, a de So Benedito ao terno de catops do mestre Z Expedito, a do Divino Esprito Santo aos ternos de marujada do mestre Nenzim (falecido no ano passado, hoje coordenado pelo seu filho Tim) e mestre Miguel e da cablocada do mestre Joaquim Pol (falecido h pouco mais de um ms e que faria aniversrio natalcio no dia 18 de agosto). Os danantes buscam as bandeiras nas casas dos mordomos, seguem em procisso at a igrejinha do Rosrio para levantar os mastros debaixo de cantoria e fervorosa devoo.
Dentre os pedidos fora, sade, muita sade para que no morra a tradio de to maravilhosa festa.
Girndolas e foguetes explodem no cu sobre o olhar atento de Dona Fina de Paula que este ano pde participar da festa no porto da sua casa, onde vrias vezes os recebeu para fartos almoos. No se contia de tanta felicidade.
Os cortejos na seqncia de Nossa Senhora do Rosrio de cor azul, de So Benedito da cor Rosa e do Divino Esprito Santo da cor vermelho percorrem as ruas do centro da cidade, repletos de prncipes e princesas. Reis, rainhas, imperador e imperatriz (estes os festeiros), deixando os espectadores boaquiabertos. A banda do batalho fecha o cortejo tocando amo te muito do meu avo Joo Chaves. Na chegada igrejinha do rosrio o sino toca anunciando a presena dos donos da festa.
Deus te salve casa santa...
J na igreja o contra-mestre Sinh catop chega em sua cadeira de rodas. Com roupa alva, engomada, fitas multicores e penas de pavo na cabea e lagrimas nos olhos.
Joaquim Pol vem todo afoito com sua costumeira pressa comandar a retirada da caboclada e pedir a Socorro sua filha para no usar o chapu confeccionado em sua homenagem, pois foge totalmente a tradio.
Nenzim marujo durante o cortejo aparece empunhando a espada para guerrear com o neto de 10 anos que ainda chora a sua saudade.
Eu vi, vivi e senti. Como vivi. Como senti.
Domingo lua cheia as festas chegam ao fim.
A retirada...
Adeus at para o ano...


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Por Raquel Chaves - 8/7/2008 18:01:24

Viva o divino meu santin, querido, que com seus milagres que tem me valido..., com esta cano, cantada pelo seu grupo de caboclinhos h dcadas, Joaquim Pol, o grande e respeitado chefe da caboclada, anuncia que as Festas de Agosto esto a caminho. Segue convalescente.Sofre, sente dores dilacerantes, mas com a f no Divino Esprito Santo, que o move, e com a fora de um cacique guerreiro, que prossegue sua luta. No seu rosto, o sorriso estampado denuncia a alegria de chegar at aqui e poder brincar as Festas de Agosto. As visitas de festeiros e mordomos da bandeira j comearam, ele no esta presente fisicamente. Mesmo distncia, em um leito hospitalar, est atento a tudo e a todos. Carinhosamente pede Lena, suas esposa, para no esquecer os agasalhos e no deixar faltar o lanche das crianas, antes das apresentaes. Pe ordem na fila das crianas, marca o compasso da dana do cip, ensina ao Mestre Sala a forma correta de se manejar a bandeira, providencia as fardas dos caboclinhos de olhos claros e da mame vov; instrui Socorro, sua filha mais velha, a coordenar o grupo, me pede ajuda para por disciplina nos meninos, orienta nos consertos e confeco de novos instrumentos, pede a Dinzo, seu filho e sucessor, para afinar os instrumentos e fazer bonito nas apresentaes. Recomenda-o a no deixar de tocar para mim, na viola ou na rabeca, Amo-te muito e Saudade do Mato (ningum conhece a razo por que choro...). S para ver os meus olhos marejando... Que coisa fantstica!Levanta da, Joaquim! Passa sebo nas canelas, que o caminho das bandeiras este ano longo, e ns o esperamos para brincar e chefiar a caboclada, que mais uma vez vir para abrilhantar as nossas to queridas e tradicionais Festas de Agosto, dos nossos Montes Claros! Impressiona a fora e a coragem deste grande homem, pedreiro, danante, marceneiro, cacique, chefe da caboclada, brilhante e ilustre montesclarense, que assim como os outros mestres de catops e marujos, deveria ser agraciado, este sim, com o ttulo de cidado benemrito, como reconhecimento do tanto que j fez e faz pela autntica cultura de Montes Claros.Sua beno, Joaquim Plo.


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Por Raquel Chaves - 2/7/2008 14:01:25
Triste noite de So Joo

Raquel S. Chaves

24 de junho, dia de So Joo. Dia da mais longa e fria noite do ano. O dia hoje est mais triste. Montes Claros est de luto. Partiu Beto Oliveira.
Parte exatamente no dia de So Joo, dia escolhido por Deus para lev-lo para junto de si... Como todo bom bomio, amante da noite e da lua que se preze. Dia de tocar sanfona, de danar Lundu e Guaiano... Dia de cantar aboio e rastar o p no salo. Beto Viriato, da famosa, cheirosa e saborosa cachaa Viriatinha. Beto do Rebento dos Ferros, Beto seresteiro, Beto de Tonha (companheira de tantos anos!), Beto de margarida, sua extremosa irm, com quem morava; Beto de Maria Teresa, sua sobrinha querida, companheira de farra e de um copo ou outro de cerveja gelada... Beto de sua inseparvel sanfona. Beto de uma fidalguia mpar. Beto calmo, manso... Conheci Beto, ainda menina, era um dos grandes e fiis amigos do meu pai Raimundo Chaves. Meu pai costumava brincar dizendo que, at que Beto tirasse um p do cho, cupim j havia comido o outro, tamanha era a sua pacincia... Vez ou outra amos ao Rebento dos Ferros, onde esto plantadas, at hoje, as suas razes. ramos recebidos por Pedrinho, Tiozinho e Beto. A casa, de sala de visita grande, de paredes brancas e toras de madeira, era o ambiente propcio para os adultos jogarem conversa fora, tomarem caf com biscoito e trocarem sabedoria. No fundo da casa, a molecada nada na barragem e apronta traquinagens. E o almoo? Ah o almoo! De lamber os beios! O famoso frango caipira com angu de milho verde e picadinho de quiabo com carne seca. Passvamos um dia de completa diverso. Desde menina, me tratava com um carinho especial. Alm do Rebento, nos encontrvamos nas apresentaes do Grupo de Serestas Joo Chaves. Encantava-me ouvi-lo cantar Fazendeiro rico (msica lindssima, que s agora, venho saber que de sua autoria). Como poucos, tive o privilgio de ver e ouvir tocar sua famosa sanfona! Sempre que tinha oportunidade, dizia-me que sou linda, de corao grande. At pouco tempo, quando nos encontrvamos nas apresentaes da Seresta, em festas ou barzinhos, pude sentir a sua alegria de viver. Tomando sua cervejinha de pernas cruzadas e na companhia de alguma moiola. No dia 14 de junho, na sada da missa de um ano de saudades, do meu primo Repolho, encontrei-me com Tonha, na porta da Catedral, que me informou da sua internao Notei uma grande tristeza no seu semblante, disse-me que voc no merecia estar daquela forma. Concordo em nmero, gnero e grau! Pessoas como voc, Beto no merecem sofrer. Por isso, Deus resolveu aliviar a sua dor, te pegou pelas mos o colocou em um balo de So Joo e o levou para o lugar merecido: o paraso; onde provavelmente, j se encontrou com os amigos de noite alta e carraspana... Dr. Hermes, com certeza, j deu o grito; e agora, j esto perto de voc: Tele, meu av Joo Chaves, Sinval Fres, meu tio av Monzeca, Gilberto Cmara, Luis Procpio, Raimundim Chaves meu pai, com minha me Terezinha, amante de uma boa seresta, Virgilio de Paula e Adlia Miranda, e tantos outros montesclarenses que se foram. Grupo de primeira qualidade pode soltar a voz, que Montes Claros no alto dos seus 151 anos inteira, ouvira e se emocionara. Com a falsa modstia de que a genitora, de filhos ilustres, como voc. Descanse em paz.


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Por Raquel Chaves - 05/06/2008
Nininha, minha V Ninha

Raquel Souto Chaves

Comeo este meu relato com o corao embriagado de saudades!
Vivi, alis, vivemos eu, meus irmos, primos e toda a nossa famlia momentos de verdadeiro deleite ao lado da nossa querida V Ninha.
Lembro-me bem das nossas casas coladinhas, parede e meia, na avenida Coronel Prates. No caf da tarde sempre subia no p de jabuticabas que dava para a janela da cozinha dela e perguntava: V, cad o bolo, t pronto?
Ela costumava fazer o bolo e ns todos (netos) tnhamos uma forminha aproveitada de embalagens de sardinha, atum e goiabada.
Adorava ir casa dela.
Quando nos encontrvamos, pedamos um beijo, um abrao, uma bicota e a bno.
V Ninha vivia sempre cheirosa e me lembro bem das lindas embalagens de talco Rastro que usava com esponjas de pelo. Era extremamente vaidosa. Exercia a profisso de bordadeira com maestria. Confeccionava verdadeiras obras de arte. Bordava como ningum! Revejo suas pernas como se flutuassem nos pedais da sua mquina de bordar Singer.
Aos domingos, nos reunamos em sua casa para saborearmos verdadeiros manjares dos deuses, que ela caprichosamente preparava.
Encantava-me ao v-la vestida de me crist, com vu preto e farda azul marinho. Ramos a valer quando Joozinho, meu irmo, cantava para ela: Se voc quiser ser me crist, diga hoje mesmo, no deixe pra amanh. E o padre Dudu ele nosso amigo, amigo pra chuchu.
Conheci padre Dudu, padre Quirino e monsenhor Gustavo na sala de jantar da minha av.
Ao entardecer, eles iam visit-la e ela os recebia com o carinho de sempre servindo fartos cafs.
Mais tarde, amos todos nos assentar na porta da rua para espantar o calor e assim jogar conversa fora.
Desfrutvamos tambm das agradabilssimas presenas de tio Z Souto, tio Z Estevam, tia Rosalva, tia Cleo, tio Rei, meu pai e minha saudosa e amvel me.
Sempre presente estava tambm Necssio, seu sobrinho.
Certa noite, Necssio se manifesta dizendo que gostaria de arrumar uma noiva rica e bonita. Eu logo meti o bedelho e indaguei se a noiva tinha necessariamente de ser rica e ele sem nada entender disse que no.
Mas porque voc est me perguntando isso?
porque l em casa tem uma moa que t passando da hora de se casar. Referia-me a Bia, minha irm mais velha. Foi uma gargalhada s.
Nossa querida V Ninha, tinha um jeito todo especial de acalentar nosso corao infantil, assim, em cada oportunidade a ss com qualquer um dos netos, dizia-nos sempre em palavras de pura ternura como ramos bonitos e especiais. Descobri, desde menina, o quanto aquele corao transbordava amor genuno, puro, de me, uma me muitas vezes me; e como privilgio de poucos, recordo-me o quanto pude apreciar e saborear ser uma das netas da V Ninha.
Quando nos reunamos em sua casa para brincar, ramos recebidos com extremoso carinho e o ltimo a chegar era sempre o mais bonitinho da roda. E cada um de ns tinha a certeza de que, realmente, era o mais bonito da famlia.
V Ninha foi envelhecendo e eu crescendo...
Quando completou seus dignos 80 anos, uma vez por ms eu a levava para cortar os cabelos no salo de Mariana na Praa da Matriz. Mariana cortava e escovava os cabelos com excelncia, e V Ninha pedia que batesse o laqu Lady para maior fixao.
Fecho os olhos e sinto o cheiro saboroso do bolo quentinho saindo do forno. Sobre a penteadeira est a luxuosa embalagem de talco Rastro, vejo o frasco de laqu Lady de cor alaranjada e sinto seu perfume. Caminho por todos os cmodos da sua casa, vejo a cadeira de balano e a enxergo a balanar, sinto o cheiro de jasmim (como dizia minha me, o chul do Rei), as rvores da Avenida Coronel Prates esto exuberantes, a gua da enxurrada desce barrenta, e eu me ponho a brincar de salto alto, batom no bico e bolsas dependuradas a tiracolo. Como no enxergar V Ninha com sua doura, pele clarinha, olhos claros da cor do cu brilhando como fachos de luz e o sorriso encantador?
Saudades, muitas saudades de uma infncia que poucos seres humanos tiveram o privilgio de desfrutar. Infncia indescritvel com imensurvel amor.


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Por Raquel Chaves - 28/04/2008
Maio, ms de ternas recordaes.

Raquel Souto Chaves

Vem chegando o ms de maio, com ele, o Dia das Mes! Ms de maio pra mim, tem cheiro de alfazema, talvez por causa da flor maior, de perfume sem igual... O ms da dona do maior significado da vida: me.
Lembro-me bem dos presentes que confeccionamos na escola. Eu, ainda menina, no existia nada mais valioso! Eram feitos com o meu prprio suor e com indescritvel carinho. Utilizvamos material reciclvel: caixa de ovos, garrafa plstica e tantas outras coisas! O resultado eram lindos arranjos de flores artificiais.
Nas apresentaes do Dia das Mes, cantvamos como verdadeiros rouxinis a msica: Andei por todos os jardins, procurando a flor pra lhe ofertar, em lugar algum eu encontrei... ela se chama flor mame, e s nasce nos jardins dos coraes. Meus olhos se enchiam de lgrimas!
Desde menina sou muito emotiva. Perdi minha mezinha muito cedo, Deus assim o quis! Aprendi com ela lies de trabalho, dignidade, luta. Maio, ms das mes, ms de Maria, das doces coroaes do dia 22, data do aniversrio do meu av Joo Chaves. Vimos em nome do dia, da noite, dos passarinhos, da luz, da relva dos ninhos... Ensaivamos na casa da minha av Mercs, sob a batuta da minha querida tia Lola. A ciumeira era geral, pela disputa da coroa de Nossa Senhora, (... esta coroa Senhora colocar em vossa fronte...) e das palmas (... simbolizando a ternura que transborda de nossalma. Aceita me, terna e pura, como oferenda esta palma...). O meu vestido de anjo era confeccionado no mais alto capricho, pelas mos habilidosas de tia Rosalva; de cetim, com plumas nas mangas e casinha de abelha no peito, impecvel!
Fim da tarde chegada hora de nos vestirmos para a adorao a nossa mezinha do cu, no sem antes, colher belas flores para lhe ofertar. Sinto uma saudade indescritvel deste tempo! Por ocasio do centenrio do meu tio av Monzeca no ano de 1998 realizamos mais uma coroao, desta vez, com cheiro e gosto de saudade. No houve um que no se emocionasse! Coroaram Nossa Senhora, os bisnetos de Joo Chaves. Dentre eles o meu caulinha Paulo Estevo vestido como um verdadeiro anjinho. No me contive.
Nas coroaes da matriz ramos carinhosamente guiadas por Dona Mazinha. Foi a nica a conseguir de mim a entonao correta de Mezinha do Cu. Vez ou outra, nos dias de hoje a caminho do trabalho, a encontro na Rua Correa Machado, nos Morrinhos. Ganho o dia, quando sou saudada com um: tenha um dia abenoado na paz do Senhor. Voc um presente de Deus pra ns.
Maio, ms das mes, ms de Maria, ms do aniversrio do meu amado e saudoso pai Raimundo Chaves... E do meu inesquecvel tio Henrique (oh tangas, oh mangas... a mulher que o trem matou morreu... a o preo duro... melhor ser Henrique do enriquecer.) A festana era de arromba! Feijoada para 100 pessoas, festa com direito a seresta e tudo mais! Fartura sem fim. Tinha hora pra comear e o trmino era pra l das tantas da noite. A feijoada, de sabor incomparvel, era preparada por meu pai e por Seu Otaclio, no improvisado fogo lenha da casa de Mera, minha irm, na Rua So Joo 1299 bairro Todos os Santos. Ele montava sua cama ao lado, e assim passava a noite coando e cozinhando a danada, para no dia seguinte servir aos seus convidados. A funo de descascar um saco inteiro de laranja era dos filhos e netos. A couve, bem fininha, ficava por conta de seu Otaclio. As msicas cantadas pelo aniversariante e pelo Grupo de Serestas Joo Chaves saam do fundo do ba. (oh no te esqueas que te amo assim... depois tu partiste... ali onde eu chorei qualquer um chorava... que saudades da professorinha...) Em clima de total felicidade e descontrao, via tia Lola, tia Lgia, tio Ladim, tio Z Estevam, tia Rosalva, tia Amlia, tio Rey, tio Henrique, Natalcia, V Ninha, Regina, tia Clo, meus primos, irmos e tantas pessoas queridas. No final de noite fazamos o tradicional mexido da sobra da feijoada. A hora de nos despedirmos era uma tristeza s. Retornvamos aos nossos lares com a certeza de que, no ano seguinte, nos encontraramos novamente para mais uma vez festejarmos a vida. A partir do ano de 1993 deixamos a festana de lado. Em 05 de julho, meu pai partiu para a sua morada eterna. Foi com certeza, dar prosseguimento ao seu namoro com a minha mezinha, e se juntar a tantas pessoas que daqui se foram; para l realizar suas festas com fartura, msica da boa e tudo o mais. Eu daqui continuo com a certeza que, de lembranas e saudades tambm se vive.


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Por Raquel Chaves - 08/10/2007
Uh, lalaica!

Raquel Souto Chaves

Olha aquele fio l em cima, t pegando fogo!...
Uh, lalaica! Brincadeirinha!
Com o sorriso estampado no rosto, peguei mais um.
Foi assim, que nos idos de 1972, eu, com 8 anos de idade, na rua Governador Valadares o conheci.
Olhos imensamente tristes e claros (no sentido exato da palavra).
Sem maldade, alma pura; de uma humildade invejvel, cabelos grisalhos bem penteados, anel no dedo mindinho, insinuando ser de formatura, camisa social, terno, sapatos brilhando de tanto lustre.
Este Manuel Nunes da Silva, o inesquecvel e inigualvel, Man Quatrocentos, por quem tenho um carinho especial.
Por volta de 1983, eu trabalhava como telefonista, na Coopagro.
s 13 horas deixava o servio e ia para casa, nesta poca na rua Tefilo Otoni, bairro Roxo Verde.
Quando estava a poucos metros de casa, avistava Manuel, na porta do aougue de Edmundo, me esperando.
Boa tarde, Madmoiselle!
Me cumprimenta beijando a mo. Um autntico galanteador.
Convido-o para entrar e almoar;
Raquelina, voc tem a um esquenta peito? (referindo-se a uma boa cachaa) e uma pimenta verde para abrir o apetite?
Assentados mesa, eu e ele, dividimos a quentinha.
Durante muito tempo gozei da sua companhia nas horas do almoo.
Despojado de tudo e extremamente cavalheiro, como forma de agradecimento, ele sempre trazia-me aras, colhidos em lotes onde estivesse fazendo capina.
Lavava os araas, e um saquinho do extinto Caf Diplomata, que funcionava ao lado da Santa Casa, na rua Coronel Luiz Pires, era o mais bonito dos papis de presente.
Em um ms de junho, fomos a festa de Santo Antnio, no Max-Min Clube, e Manuel foi, como nosso convidado.
Danamos uns dois forrs, e ele no cabia em si de tanta alegria.
Lembro-me de Helvcio Alcntara, brincando com ele, dizendo que eu era mulher comprometida, e que aqueles forrs no iriam dar em nada que prestasse.
De volta para casa, ele procura nos bolsos, a sua curnicha de rap e no encontra. Paulinho teve que voltar ao clube para procurarmos.
Procuramos em todos os locais por onde passamos, e no conseguimos encontrar.
Resmungou o resto do caminho .
Manuel morava prximo Autonorte no Alto So Joo, em um cmodo. Aos finais de semana, passvamos por l, para deixar alguma coisa para ele comer.
Gostava muito de conversar com Manuel. Passvamos horas a fio, no porto de casa, nos fins de tarde. Fantasiosamente, me contava casos das estrelas de cinema, que dizia conhecer pessoalmente, inclusive as internacionais.
Vindo da lida ele sempre me presenteava com sua agradvel companhia.
Em um sbado me arrumei para ir a uma festa. Vesti uma roupa branca de linho, me perfumei e desci as escadas, para aguardar Paulinho no porto, pois j estvamos atrasados para o compromisso.
L fora, encontrei- me com Manuel.
Raquelina, voc esta linda de branco! Parecendo uma noiva!
Agradeci, e disse a ele ser bondade da sua parte, e que eu estava jogada para as traas, que ningum gostava de mim.
Que bobagem essa Raquelina? Paulinho louco comc! Por conta sua, ele mata um.
Nesse instante, no final da rua, surge Paulinho; e eu aliviada anuncio a sua chegada. Mais que depressa, ele arremata a conversa: Raquelina, Paulinho doido comc. Por conta sua ele mata um! Mas, se de tudo ele no te quiser, eu quero, viu?
Manuel morreu sem construir o seu castelo dos sonhos (para ele, este era o significado de casamento); talvez o seu maior desejo.
Como ltima homenagem, fui ao seu velrio e enterro, com a mesma roupa branca daquele dia.
Ainda nos dias de hoje, o imagino, com suas brincadeiras.
Olha ali, Manuel! Vem vindo uma moa parecida com Gina Lolobrigida, vestida de branco, acho que para se casar com voc. mesmo Raquelina? Disse, ajeitando a gravata e penteando os cabelos, cad? Uh lalaica! Desta vez, fui eu quem te peguei.


36808
Por Raquel Chaves - 28/07/2007
Carta a algum especial

Raquel Souto Chaves

08 de junho sexta feira. Deixo os meus afazeres s 19:00 horas, a caminho de casa atendo ao telefone, do outro lado ouo uma gargalhada e meu primo irmo Repolho me convida para ir a festa junina do Max-Min. De pronto aceito o convite. s 20:00 horas passo para te apanhar. Na hora marcada chegou trazendo Simone sua esposa e um sorriso encantador. Com destino festa eu, ele, Simone e o meu filho Paulo Estevo, rimos e brincamos o tempo todo.
Assumiu o compromisso de toda quarta- feira ir jogar peteca em nossa casa com Paulo Estevo. Compromisso que no teve tempo de cumprir. Falamos de laos de famlia, combinamos de ir ao Penturea para a festa de So Pedro dia 30 de junho. Comentou que quantas vezes fosse necessrio me apanhar, iria com imenso prazer, pois gostava muito da minha companhia. Chegamos ao Max- Min. Danamos, continuamos as brincadeiras e camos na gargalhada. No podia imaginar que aquele momento no se repetiria mais.
De sbado ate quarta-feira dia 14 no nos falamos por telefone, como era de costume. Por volta de 11:00 recebo uma ligao, avisando que havia passado mal. Comecei a ligar para descobrir o que estava acontecendo. Imediatamente fui ao seu encontro. Passamos o dia no hospital. Fui vrias vezes ao seu leito para acarici-lo. Em uma dessas vezes, sussurrei ao seu ouvido que quem estava ali ao seu lado, era trem chique, (maneira carinhosa com que me tratava) e que eu o amava muito. Pedi que se estivesse reconhecendo a minha voz apertasse a minha mo. Fui atendida prontamente.
Me emocionei quando Roy, meu irmo, perguntou a ele se estava reconhecendo a sua voz e ele disse no. Mas, quando foi indagado sobre quem era Biriba, ele respondeu com certa dificuldade: Roy.
Nos ltimos meses nos encontramos varias vezes para festejarmos a vida, como era de costume. Dia 24 de maro passamos o dia nas festividades do centenrio de nossa avo Nininha.
Em abril feriado de semana santa passamos trs dias juntos em um Haras prximo ao Penturea.
Final de abril passamos quatro dias no Penturea, ocasio em que voc fez uma belssima declarao de amor para mim e Roy. Incio de maio fomos ao Ax Montes. Voc estava puro amor e alegria, ao lado da mulher da senha.
Quando ainda no hospital recebi a notcia de que voc estava subindo para o cu, me senti como se estivesse tendo um pesadelo. Comentei com seu pai, meu querido e amado tio Rey, que das suas palhaadas, esta foi a nica que no tinha um pingo de graa. No seu velrio, comentei com Mera minha irm, que voc estava com um sorriso estampado nos lbios, provavelmente mais uma vez gozando as nossas caras.
Depois de tudo que passamos juntos aqui na terra, gostaria agora de saber como foi a sua chegada a no cu. Encontrou com a minha me, sua adorada tia Tet, e recebeu dela todos os mimos? Meu pai Raimundo Chaves te pediu, para apanhar o violo e acompanh-lo, quando resolveu soltar a bela voz para alegrar e enfeitar a sua chegada? Quantas vezes, V Ninha disse que voc e o mais bonitinho da roda? Tio Boi apareceu para participar da festa? E Regina, j a apanhou no colo? Tio Z Souto e Tio Z Estvam j deram o diagnstico de que seu problema era amor demais no corao e ele transbordou? Nenzim marujo chegou bem a? Roy quer saber como vai fazer sem a sua presena fsica, todos os fins de tarde no Bar Sibria. E as cavalgadas sem a sua presena e a de Simone? Quem vai colocar ordem na fila do Penturea na hora de fazer as reservas de apartamentos de madrugada? Lay, continua te aguardando todos os dias as seis da tarde no Skema Kente. Como vai ficar a torcida do Galo, sem o seu mais fervoroso torcedor?
Aproveito tambm para dar notcias nossas, vamos tocando a vida e sentindo imensa saudade do seu jeito de menino. Por falar nisso voc mais uma vez nos pregou uma pea, saindo de mansinho sem se despedir. A Expomontes comea essa semana, as festas de Agosto esto para chegar, tenho certeza de que voc estar l.
O lanamento do livro de seu pai foi adiado, mas quando chegar a hora certa faremos a festa e voc j sabe, no deve faltar. Edmarzim, e Beto que no via h anos, estiveram na sua missa de stimo dia e me confessaram gostar muito de voc. Paco Paco, Estevim, Roy e Peru esto inconsolveis. Sua me, minha tia Zlia disse querer enxergar em mim e Roy, voc. Simoninha te enxerga em todos os lugares e diz no saber o que fazer sem Tchu ao seu lado. Eu toda hora acho que o telefone vai tocar e que a qualquer momento o encontrarei na esquina mais prxima.
Tenho sonhado com voc o tempo todo sorrindo. Estamos dando amor e ateno a Simone e Nathlia. Pode deixar que no as esqueceremos nas horas das farras. Peru acabou com a ciumeira que tinha da sua amizade com Roy. Dga esta sentindo falta das suas chacotas e murros. Fiquei surpresa e consolada quando constatei que no dia 14 antes de se sentir mal abriu os meus emails. No mais Repas, companheiro velho, s tenho a agradecer primeiro a Deus pr me presentear com a sua amizade e depois a voc por tantos afagos, ateno e carinhos dispensados a mim. Receba o meu abrao amigo e as minhas oraes. Que a festana da sua chegada a continue por mais tempo e que outras pessoas amadas apaream. Descanse em paz, Nem. Beijo proc, at algum dia...


36805
Por Raquel Chaves - 18/07/2007
AVENIDA CORONEL PRATES, 102

Raquel Souto Chaves

Avenida Coronel Prates, 102 este o endereo da famlia Souto Chaves para onde me dirijo agora. Do outro lado da rua est a sorveteria Pingim. L encontro o inigualvel sorvete africano de chocolate e amendoim. O proprietrio Toninho grande amigo do meu pai, que o apelidou de Gumercino. Sujeito alegre ,barulhento e apreciador de tanajura assada. Conto nos dedos os dias para a chegada das chuvas. Comeo a catar as preciosas voadeiras, coloco-as em garrafas plsticas e troco por picols e sorvetes com Toninho. Para ele o produto no tem preo, para mim o sorvete possuiu um tempero a mais: o de aventura.
Na nossa casa acaba de chegar seu Joel, pedreiro, vindo l do Tabajara. Seu Joel um tipo mido, mas de corao imenso. Chega trazendo no alforje seu almoo. Comea as suas atividades. O servio grande. So dois quartos no nosso quintal e duas sutes na casa de V Ninha do outro lado do muro. Minha me est ali na prefeitura trabalhando e o almoo esta sendo preparado na nossa imensa cozinha.
s 11:30 hora de almoar. Dirijo - me at a varanda que d para o quintal da nossa casa e proponho ao seu Joel uma troca de comida. A marmita de seu Joel est amarrada por um pano alvinho, o que me apetece ainda mais. Destampo a marmita, e o cheiro sobe ao ponto de fazer minha barriga roncar de desejo para saborear a to cobiada comida. Seu Joel a princpio no se sente a vontade para trocar a marmita comigo. Alega que a comida simples, e que a minha me, pode no gostar da troca. Corro at a cozinha e conveno a minha me a autorizar a troca. Preparo um prato caprichado e levo para seu Joel. Ele j no tem como sair fora da negociao. Abro a marmita. O cardpio para mim dos melhores: feijo machucado do caldo grosso, arroz trs quarto, picadinho de batatinha, duas rodas de tomate fresco e quatro pedaos de carne seca frita. Para aumentar o paladar uma imensa pimenta verde e bastante cebolinha. Tudo isso preparado pela esposa de seu Joel no fogo lenha de sua casa. O cheirinho de fumaa est irresistvel. Para dar fim a essa preciosidade, utilizo uma colher. Fazemos a combinao de trocar outras vezes as marmitas.
Ao lado da nossa casa mora a famlia do Dr. Hermes de Paula .O nosso quintal d para o quintal deles. Dona Lica, me de dona Fina, est na cozinha dos fundos ao lado da sua fiel escudeira Maria Preta mexendo o tacho de doce de leite, esperando o ponto de corte. Ai que delcia! rica, , Marcone, Marcelo, Fred, Roy, Eduardo e eu estamos brincando de pique sobre a sombra das imensas rvores. Hora de dar um mergulho na imensa piscina que divide os quintais de Dr. Hermes e de sua filha Valria.
L no alto no Edifcio La Pires, os meninos vizinhos esto nos cobiando. Por l, aparece um cachorrinho marrom, dcil, brincalho e nos rouba a ateno. Brincamos o resto da tarde com o cachorrinho. Vamos dormir . No dia seguinte, o cozinho amanhece morto .Dr. Hermes logo d a penitncia: 14 injees para cada um de ns. O cachorrinho morreu com de hidrofobia, Raiva. Durante quatorze dias vamos todos em procisso para o seu consultrio na esquina da rua Doutor Veloso com rua Lafet receber a agulhada das mos de sua dedicada e carinhosa secretria Lucrcia.
Ao lado da casa de Dr. Hermes fica o salo paroquial da matriz. Toda sexta-feira tarde tem reunio das mes crists. V Ninha no perde uma. Leva - me a tiracolo. Quer que eu as ensine as msicas da Campanha da Fraternidade, que aprendi nas aulas de msica do Colgio Imaculada com a doce irm Rosita. Na garagem bem ao fundo funciona o DAS (Departamento de Assistncia Social), dirigido por Dona Eunice Boutique. Sacos e fardos de mantimentos chegam para serem distribudos aos mais carentes. Saio toda suja de trigo e fub.
noite tem reunio na cmara dos vereadores ao lado do Salo Paroquial. Me delicio, ouvindo alguns deles, com suas oratrias do alto da tribuna. Na sala ao lado funciona a Biblioteca Municipal. Quem me atende dona Adelina Xavier Venuto. Saio de l espirrando. O p dos livros que ajudei a catalogar e espanar me deixaram assim. Atchim!!!
Ms de agosto, o barulho dos instrumentos dos catops, marujos e caboclinhos anunciam a chegada deles nossa casa para tomar Cortezano, cachaa Viriatinha, Ki-suco, licor de pequi(corby) e saborearem as deliciosas farofas de carne e frango, preparadas por meu pai. Dr. Lus Pires em frente sua casa no mesmo passeio da nossa, instiga - me a subir no seu telhado para mais uma traquinagem. Regina de novo vem chegando da padaria com o po, que j no est mais quentinho. Saiu h tempo. Em frente a MACIFE encontrou se com Eva, de Dona Maria, que mora numa casinha prxima ponte que balana, entre os bairros Melo e Todos os Santos a beira do rio Vieira. Caram na prosa.
Na casa da avenida Coronel Prates, 102, casa dos Souto Chaves fui extremamente feliz, docemente feliz. L vivenciei tambm a mais triste cena da minha vida. Aos doze anos, altando cinco dias para completar treze, perco a minha doce e querida mezinha. O seu novo endereo agora no cu, junto ao bondoso Deus, e rodeada pelos mais lindos anjos que ali habitam. Agora chegada a hora de deixar as traquinagens de lado, criar responsabilidade e andar com as minhas prprias pernas. Tentarei seguir em frente. Afinal de contas, recebi de meus pais, avs e tios os mais preciosos ensinamentos: os da luta, honestidade, caridade, espiritualidade e o maior deles amar, amar sempre. Amar sem medidas.


36804
Por Raquel Chaves - 28/05/2007
margem do rio eu fui feliz.

Sexta feira, a semana est chegando ao fim.
Minha me se desperta s seis da manh e se pe a nos arrumar para ir escola. Carinhosamente, apronta as nossas merendeiras, escova nossos cabelos; solta os rolinhos que havia colocado nos cabelos ontem noite, passa a escova levemente e os fixa com laqu Lady.
Estamos prontos para a rotina diria.
Ela, bonita, cheirosa e elegante para comear mais um dia de trabalho na Prefeitura, ali mesmo, a poucos metros de casa, na Avenida Coronel Prates; ns, rumo escola, para mais uma manh de aula.
Hora do almoo. Voltamos da escola.
Minha me adentra corredor afora cantarolando... mesa todos assentados; pai, me e sete filhos para saborear o almoo carinhosamente preparado por Maria (a quem docemente adotei como irm). Acabado o almoo, cada um se prepara para continuar a labuta, e minha me volta sua luta. Trs horas da tarde, hora de levar o caf fresquinho, com bolo e po de sal, comprados por mim, na padaria Santo Antnio, da rua Doutor Veloso; de quebra, saboreio um sonho recheado, delicioso.
Na prefeitura, passo por Joo leite , Expedito Guarinelo ... chego ao gabinete de seu Toninho Rebelo, entrego a garrafa de caf e as guloseimas para minha me. Vou at o balco de atendimento, tiro minhas revistas do Avon da sacolinha de plstico, mostro para Graa Guimares e seus colegas de trabalho, para que possam fazer seus pedidos. Saltitante, deso a escada que d acesso ao ptio cheio de mquinas e mangueiras carregadas de mangas amarelinhas.
Volto para casa. Hora do banho.
Minha me retorna cantarolando, passa na casa de V Ninha, ao lado de nossa casa, e entra para pedir a bno.
J em casa, chegada a hora de olhar os nossos cadernos e livros para conferir as tarefas e arrumar as pastas para segunda-feira. Um bom banho, e hora de preparar as gostosuras para o final de semana: pudim, arroz-doce, bolo, canjica, hummm!....
Na garagem meu pai finaliza a arrumao do Veraneio com toda a tralha de pescaria; meus quatro irmos esto juntos, na mais completa alegria.
O jantar est servido.
22:00 horas, todo mundo na cama.
7:00 da manha de Sbado. Mal tnhamos conseguido dormir, tamanha a expectativa para entrarmos no grande Veraneio, com destino Ponte da Barra. A estrada de terra. Chegamos a Capito Enas, o bigode do meu pai est branquinho de tanta poeira! Andamos mais um pouquinho, e a sim, estamos na beira do rio, na Ponte da Barra.
Comeamos a arrumar o acampamento. Tudo em seu devido lugar, j podemos vestir as roupas de banho. Meu pai puxa um banquinho de madeira, pega a vara de pescar e se assenta na margem do rio com seu jeito todo sisudo de ser. Aprontamos a maior correria e tchibum! Estamos dentro dgua feito peixes. Do outro lado do rio aparece Valdir, filho de Joo da Barra, para nos dar boas-vindas, e avisar que o biscoito de goma est sendo amassado para o caf da tarde. Brincamos e nadamos at a hora do almoo, que foi preparado com todo esmero por minha me. Depois do almoo vamos at a casa de Joo da Barra; ele, esposa e filhos nos recebem sempre com o maior carinho do mundo. Na lateral da casa tem uma porta que me leva at cozinha, e na vitrola antiga um disco de vinil est tocando: Entrei pela porta da sala, ela chegou pela cozinha. Perguntei onde ela estava, respondeu: na casa da vizinha. Ela marcava a hora que eu chegava. Infelizmente o relgio atrasou. Cheguei cedo e quase que eu encontro meu bem nos braos de outro algum... Nunca mais esqueci essa msica, mesmo sem saber o compositor e o intrprete.
Do lado de fora, Roi e Eduardo (meus irmos), Fred e Luciano (meus primos) esto montados a cavalo. Eu, mais que depressa, arranjo um cavalinho e me ponho a cavalgar com eles mata adentro... (t sentindo o cheirinho de mato e esterco). Passando sobre a ponte, avisto o nosso acampamento e o rio descendo, caudaloso.
noitinha, j banhados e jantados, recebemos as pessoas da redondeza para tocar sanfona e viola, e meu pai cantar.
Tio Henrique faz levantar a poeira, quando tira para danar alguma moiola presente. Depois de muita festa e boas gargalhadas, os olhinhos esto midos. Deitamos para dormir no bagageiro do Veraneio, que meu pai transformou na mais cheirosa e confortvel cama. Uma imensa lona est aberta sobre o espao que estamos usando como acampamento, e assim, evitar, a neblina. Estamos privados de ver as estrelas e a imensido do cu.
Olhando para a direita, vejo o rio, espelhado a ele a lua e as estrelas, num brilho esfuziante. Rezamos, e quase no conseguimos agradecer a Deus o dia maravilhoso que passamos. Adormecemos, sonhamos, rimos dormindo, e a paz permanece ao nosso lado. Os pssaros e os galos cantam como um coral, avisando que hora de despertar e vivenciar mais um dia como o de ontem, que nunca mais se apagar de nossas lembranas. Domingo finda o dia... Amanh comea uma nova semana.

PS.: Carrego comigo o desejo imenso de vivenciar novos dias felizes, com meus descendentes.

Raquel Souto Chaves


36809
Por Raquel Chaves - 05/04/2007
Centenrio de Nininha Souto

Raquel Souto Chaves

Neste ltimo Sbado, 24 de maro tive o privilgio de participar do 1 encontro da famlia Veloso Souto. Centenrio de nascimento de Nininha Souto e lanamento de livro sobre a sua vida.
Que beleza!
O local escolhido no poderia ser melhor aprazvel Fazendinha Nossa Senhora das Mercs - de Ivan e Mercs Guedes. Lugar abenoado por Deus.
O vento soprava calmamente, o verde das folhas cintilava, o ar que se respirava era puro amor, amor puro.
Primeiro foi celebrada uma missa pelo Monsenhor Silvestre, com a ajuda do meu irmo Eduardo, na capelinha de vidro, que parecia flutuar. Durante a missa, enxerguei ali sentados nos bancos de madeira junto aos outros familiares, Nininha, minha v Ninha, em total sintonia com Deus. Volta e meia me olhava e me acariciava dizendo: voc est a mais bonitinha da roda.
Ao seu lado estava minha doce e querida me Terezinha Souto, com os olhos grandes, cor de jabuticaba, cabelos pretos bem arrumados, a me fitar e abenoar. Meu pai Raimundo Chaves chegou de mansinho e sussurrou ao meu ouvido: a cumade Nininha t que s alegria. Tio Z Estevam no banco da frente, est o tempo todo ao lado de tia Rosalva, Rosa, voc ta linda!
E Tio Z Souto, l no fim da fila, sorria com suas tiradas hilrias.
Meus olhos se inebriaram de lgrimas e no contive, chorei de saudades e emoo. De alegria tambm se chora. Neste momento chega Regina, vestida com blusa de frio, alisa minha cabea, me pede a mo e diz estar ali para mais uma vez deliciar da nossa companhia, minha, dos meus irmos, primos, tios, tias e amigos.
No final, Padre Quirino e Padre Dudu, l do altar, pediram para batermos palmas para Nininha.
Voc hoje t feliz, no Ninha?
Durante a missa, tia Clo e tio Paulo Henrique choravam de soluar. Tio Vicente ali presente, todo compenetrado brilhava os olhos, tamanha a sua admirao.
Acabada a celebrao, que emocionou a todos fomos saborear o almoo, cardpio de domingo de v Ninha - Arroz de forno, tutu de feijo, farofa brasileira, macarronada, rosbife de fil e lombo de porco. Nos paneles, o maior e melhor tempero era o dela, uma pitada de amor, uma de carinho, uma de saudade e uma de felicidade por ver seu povo ali na mais completa harmonia; coisa corriqueira aos domingos em sua casa. Vi Necsio degustando a comida sentado mesa de v Ninha, em um domingo de luz, na sua residncia na avenida Coronel Prates. Tio Rey era s alegria, ora chorava, ora sorria. ta trem mais bonito, gente! Meus irmos e primos se abraavam, era um chamego s! Os bisnetos de v Ninha, nossos filhos brincavam e se encantavam ao correrem pelo pomar e encontrar frutas fresquinhas e ovos de galinha. Conhecer tantos primos para eles foi um barato!
A tarde cai, o sol se esconde atrs dos montes... e eu mais uma vez me vejo em total estado de felicidade. Passei mais um dia ao lado dos meus, felicidade eterna em meu corao, pensando que terei sempre ao meu lado, toda a minha famlia, todas as geraes que jamais se desvincularo, passe o tempo que passar, estaremos sempre juntos e celebrando a vida.
Obrigada, tia Rosalva, por nos proporcionar tamanha alegria. Voc mesmo, muito especial.




Selecione o Cronista abaixo:
Avay Miranda
Iara Tribuzi
Iara Tribuzzi
Ivana Ferrante Rebello
Manoel Hygino
Afonso Cludio
Alberto Sena
Augusto Vieira
Avay Miranda
Carmen Netto
Drio Cotrim
Drio Teixeira Cotrim
Davidson Caldeira
Edes Barbosa
Efemrides - Nelson Vianna
Enoque Alves
Flavio Pinto
Genival Tourinho
Gustavo Mameluque
Haroldo Lvio
Haroldo Santos
Haroldo Tourinho Filho
Hoje em Dia
Iara Tribuzzi
Isaas
Isaias Caldeira
Isaas Caldeira Brant
Isaas Caldeira Veloso
Ivana Rebello
Joo Carlos Sobreira
Jorge Silveira
Jos Ponciano Neto
Jos Prates
Luiz Cunha Ortiga
Luiz de Paula
Manoel Hygino
Marcelo Eduardo Freitas
Marden Carvalho
Maria Luiza Silveira Teles
Maria Ribeiro Pires
Mrio Genival Tourinho
Oswaldo Antunes
Paulo Braga
Paulo Narciso
Petronio Braz
Raphael Reys
Raquel Chaves
Roberto Elsio
Ruth Tupinamb
Saulo
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Virginia de Paula
Waldyr Senna
Walter Abreu
Wanderlino Arruda
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