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montesclaros.com - Ano 23 - terça-feira, 4 de outubro de 2022

Rádio brasileiro, que hoje comemora os primeiros 100 anos, tem uma dívida de gratidão com o ministro Francisco Sá, presidente de honra da emissora que deixou o Rio de cabelo em pé, em 1922

Quarta 07/09/22 - 8h01

Hoje, dia 7 de Setembro, é comemorado o segundo centenário da Independência do Brasil.

É também o dia em que se comemora o Primeiro Centenário do Rádio Brasileiro.

Em 7 de Setembro de 1922 ocorreu a primeira transmissão de rádio no Brasil, exatamente no Rio de Janeiro, e como parte das comemorações do Primeiro Centenário de Independência.

Atônita, de cabelo em pé, a população testemunhou o som de músicas e vozes saindo "no ar".

São 100 anos de música, informação e entretenimento.


A magia do rádio está em sua constante mudança e adaptação.

E a história do Rádio Brasileiro - hoje centenária - passa por um nome extremamente ligado a M. Claros - o ministro Francisco Sá, de cujas mãos saiu a autorização da funcionamento da primeira emissora, a rádio idealizada por Roquete Pinto.

No último 8 de junho, o montesclaros.com registrou:

"Quarta 08/06/22 - 14h54 - Hoje, há exatos 98 anos:

"Por que desconhecer que eu vi em ti o centro e o guia da região na qual se esconde, obscuro e ignoto, o pequeno pedaço de terra em que deslizaram os meus primeiros dias, e onde alveja à margem do Gorutuba sussurrante, a minha humilde capela batismal? Tu és a irmã da cidade alpestre que é a sede do meu município natal"


Nao podemos, não devemos esquecer que o autor desse belo discurso, o ministro Francisco Sá - nascido em fazenda que hoje fica no município que leva o seu nome - é também o patrono do rádio brasileiro, que fará 100 anos em setembro.

Foi sua assinatura que permitiu a instalação da primeira rádio no Brasil, por Roquette Pinto, nos 100 anos da Independência do Brasil, em 1922. Palmas para M. Claros. Palmas para Francisco Sá. (M. Claros, depois sede do município onde o ministro nasceu, na época fazenda localizada em Grao Mogol).

O Ministro Francisco Sá - personagem também no Ceará, onde a principal avenida da capital Fortaleza leva o seu nome - sempre se referiu a M. Claros com grande reverência, e é considerado "o nosso melhor amigo".

BIOGRAFIA

Francisco Sá:

Nasceu na fazenda Brejo de Santo André, município de Grão-Mogol, no estado de Minas Gerais, 14 de setembro de 1862.

Filho de Francisco José de Sá Filho, rico fazendeiro e criador de gados, e Augustina Machado dos Santos Sá, sua família era proeminente na economia e política da região norte mineira.

Seu avô materno era Josefino Vieira Machado, barão de Guaicuí, republicano e abolicionista, e um importante negociador de diamantes que ampliou seus negócios, voltando-se para o ramo da navegação fluvial no Rio das Velhas, além de investir em lavouras de café, algodão, cana-de-açúcar e na instalação de serrarias para a exploração de áreas florestais.

Fez seus primeiros estudos no Seminário Episcopal de Diamantina.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou o curso de engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, tendo concluído na Escola de Minas de Ouro Preto, em 1884.

Formado, assumiu o cargo de secretário do presidente de província do Ceará, o mineiro Carlos Honório Benedito Otoni, nomeado por carta imperial de 24 de maio de 1884.

No ano seguinte foi nomeado engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Baturité, a primeira ferrovia do Ceará, que ligava a província a Pernambuco.

Casou-se com Olga Acióli, filha do comendador Antônio Pinto Nogueira Acióli, importante figura política da província do Ceará, e um dos dirigentes do Partido Liberal, vice-presidente do estado de 1892 a 1896, e presidente 1896-1900 e 1908 a 1912, quando foi deposto.

Foi deputado provincial por Minas Gerais em 1888-1889, deputado geral pelo Ceará em 1889, reeleito para as legislaturas 1897-1899, 1900-1902, 1903-1905, e senador em 1906-1909, 1912-1915, 1922-1926 e 1927-1930.

Esteve à frente da exploração de depósitos de salitre em Minas Gerais, o vale do Rio das Velhas, e Bahia, e foi engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Mogiana.

No governo do estado de Minas Gerais foi inspetor de terras e colonização, na gestão de Afonso Augusto Moreira Pena (1892-1894), e secretário da Agricultura, Comércio e Obras Pública, no governo de Crispim Jacques Bias Fortes (1894-1898), tendo renunciado para assumir mandato de deputado federal.

Foi nomeado ministro da de Viação e Obras Públicas (1909-1910) na presidência de Nilo Procópio Peçanha (1909-1910), que assumira após a morte de Afonso Pena (1906-1909).

À frente do ministério destacou-se pela criação da Inspetoria de Obras Contra a Seca (1909), que passou a coordenar as ações destinadas a prevenir e atenuar os efeitos da seca, antes distribuídas dispersamente dentro do ministério, que seria responsável pela construção de açudes, poços, canais de irrigação e barragens.

Ainda em sua gestão foi criada a primeira Comissão Federal de Saneamento da Baixada Fluminense (1909), além de implementar a expansão da malha ferroviária nacional, com a Rede Sul Mineira (1910); a Rede de Viação Cearense (1909), criada para administrar as empresas Estrada de Ferro de Baturité e Estrada de Ferro de Sobral; e Viação Férrea Federal da Bahia (1909).

Já senador, foi convidado para reassumir o Ministério da Viação e Obras Públicas na presidência do mineiro Artur da Silva Bernardes, estando a pasta envolvida na polêmica em torno do contrato da Itabira Iron Ore Company, companhia britânica de exploração de minério de ferro e seu representante no Brasil, o empresário norte-americano Percival Farquhar.

Teve suspenso seu mandato e afastou-se da política em 1930, com o golpe militar liderado por Getúlio Vargas, que depôs o presidente Washington Luís e fechou a Câmara dos Deputados e o Senado, restaurados apenas em 1934.

Morreu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1936. (Arquivo Nacional. Memória da Administração Publica Brasileira)

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A história também registra:


"A primeira rádio brasileira, com o prefixo inicial SQE depois SQIA, foi instituída como sociedade com fins exclusivamente educacionais e culturais, tendo como signatários os membros da Academia Brasileira de Ciências, liderados pelo antropólogo, etnólogo, médico, escritor, ensaísta e professor Edgard Roquette-Pinto, e pelo presidente da referida academia e diretor do Observatório do Rio de Janeiro, Henrique Charles Morize.

A fundação da rádio aconteceu na sala de Física da Escola Politécnica, no largo de São Francisco, na então Capital Federal.

Mais de trezentos sócios efetivos e associados assinaram a ata de fundação.

Havia, porém, um empecilho legal, uma norma que dificultava os cidadãos de possuírem aparelhos domésticos.

Roquette-Pinto indicou como Presidente de Honra da emissora recém fundada o ministro da Viação e Obras Públicas, Francisco de Sá, que dias depois revogava a medida restritiva."

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