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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023

Polícia Civil: "O advogado e o seu amigo foram colocados de joelhos, amordaçados e encapuzados. A partir desse momento..."

Quarta 18/01/23 - 15h54

Divulgao da Polcia Civil:

Montes Claros: PCMG conclui inqurito que apurou homicdio de advogado

A Polcia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG) concluiu, nessa tera-feira (17/1), o inqurito policial que apurou o homicdio do advogado desaparecido em 13 de dezembro do ltimo ano, na cidade de Montes Claros, regio Norte do estado.

De acordo com a delegada Francielle Drumond, que conduziu a investigao, assim que noticiado o desaparecimento do advogado de 34 anos foi instaurado procedimento para apurar o desaparecimento do criminalista.

No dia seguinte, o veculo dele foi encontrado abandonado em um motel na cidade de Contagem, Regio Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo a delegada, iniciaram-se vrios levantamentos no sentido de identificar as pessoas que teriam abandonado o veculo naquela cidade.

Posteriormente, os dois ocupantes do veculo foram identificados como sendo pessoas que teriam envolvimento com o desaparecimento da vtima.

Em 16 de dezembro, a Polcia Civil tomou conhecimento da tentativa de homicdio de um dos ocupantes do veculo.

Os suspeitos envolvidos na tentativa de homicdio estavam diretamente relacionados ao desaparecimento do advogado, e teriam tentado matar o outro envolvido por motivao de queima de arquivo com o receio de que ele pudesse denunciar a ao criminosa na qual estavam envolvidos.

O corpo do advogado foi localizado em 18 de dezembro e quatro suspeitos foram presos, inclusive o investigado que foi vtima da tentativa de homicdio.

O quinto envolvido no crime estava foragido na cidade de Uberlndia e foi preso em 30 de dezembro.

Dinmica do crime

Sobre a dinmica do crime, a delegada esclarece que a Polcia Civil apurou que a morte do advogado ocorreu na data do seu desaparecimento (13/12). Ele teria sido atrado por um dos suspeitos, seu amigo, at a residncia de um dos envolvidos.

L chegando, ambos foram rendidos mediante ameaas com uma arma de fogo, por outros dois autores que os aguardavam.

O advogado e o seu amigo foram colocados de joelhos, amordaados e encapuzados. A partir desse momento, o amigo foi desamarrado passando a auxiliar os comparsas na execuo do crime contra a vtima. A vtima morreu por enforcamento com um cinto no pescoo.

As informaes periciais preliminares davam conta de um traumatismo craniano, que ficou provado ter sido provocado aps a morte, quando a vtima teve seu
Corpo arrastado pelas escadas da casa onde foi morta.

O corpo do advogado foi removido do imvel onde ocorreu o crime para outro, onde seu corpo foi enterrado e ocultado sob concreto.

Motivao

A delegada ressalta que foi possvel PCMG apurar a participao dos cinco suspeitos e individualizar a conduta de cada um deles.

Apurou-se, ainda, que o homicdio foi premeditado e que o amigo da vtima foi o responsvel por planejar o crime.

A motivao estaria relacionada ao fato de esse amigo ser o responsvel por intermediar todos os emprstimos que o advogado fazia.

Ele pegava dinheiro emprestado com a vtima a juros de 10, 20% e repassava a juros de 40%.

Diante dessa cobrana abusiva de juros, objetivando conseguir a participao dos outros suspeitos, o amigo da vtima os influenciou, descrevendo a vtima como sendo uma pessoa violenta e perigosa ligada, inclusive, a faces criminosas, e que, uma vez que eles tambm eram devedores, com a morte do advogado ele continuaria recebendo os pagamentos devidos, porm com promessas de que haveria abatimento de juros e parcelamento das dvidas.

O inqurito policial foi concludo com o indiciamento dos cinco suspeitos por homicdio triplamente qualificado por motivo torpe, utilizando meio cruel mediante traio e emboscada, impossibilitando a defesa da vtima.

Trs deles foram indiciados ainda pela ocultao do cadver, e outro, pelo crime de furto.

Os cinco suspeitos continuam recolhidos no sistema prisional disposio do Poder Judicirio.

***

Jornal Estado de Minas, de BH:

Envolvido em morte de advogado se ofereceu para ajudar a encontrar vitima

Alexandre Mauro Barra Oliveira foi encontrado enterrado no quintal de uma casa no Bairro Independncia, em Montes Claros, em dezembro de 2022
Luiz Ribeiro - Clara Mariz

As investigaes da Polcia Civil (PCMG) apontaram que a morte do advogado criminalista Alexandre Mauro Barra Oliveira, de 34 anos, em Montes Claros, no Norte de Minas, foi arquitetada por um amigo ntimo dele. Segundo a apurao, logo aps o desaparecimento de Alexandre, o suspeito chegou a comparecer delegacia, juntamente com a me e a namorada do advogado, e chegou a consolar as duas, dizendo que iria ajudar na localizao da vtima.

O autor intelectual e outras quatro pessoas envolvidas no crime foram indiciadas por homicdio triplamente qualificado, por motivo torpe, utilizando meio cruel mediante traio e emboscada. O assassinato ocorreu em 13 de dezembro, dia do desaparecimento do advogado, cujo corpo foi encontrado no dia 19 de dezembro, concretado no quintal de uma casa.

O crime alcanou grande repercusso e o inqurito do caso foi concludo tera-feira (17/1). Segundo a Polcia Civil, a motivao do assassinato est relacionada com a agiotagem que era praticada pelo advogado.

A delegada Franciele Drumond, que presidiu o inqurito, explicou que o amigo ntimo de Alexandre Barra intermediava emprstimos feitos pelo advogado com juros abusivos. Ele pegava dinheiro emprestado com a vtima com juros de 10% a 20% ao ms e repassava para outros devedores com taxas acima de 40%.

Segundo a delegada, o autor intelectual do homicdio, identificado apenas pela inicial F., de 35 anos, convenceu os outros quatro envolvidos a participarem do crime, considerando que eles deviam emprstimos ao advogado.

Para isso, usou o argumento de que, com a morte de Alexandre Barra, eles teriam reduo dos valores das dvidas e dos juros.

De acordo com Franciele Drumond, um envolvido devia cerca de R$ 200 mil de emprstimos captados junto ao advogado (montante principal e correo). Outros dois participantes do crime deviam R$ 40 mil e R$ 35 mil, respectivamente. Com a morte de Alexandre, explicou a delegada, o amigo dele e intermediador dos emprstimos poderia ficar com todo dinheiro.


O advogado Alexandre Mauro Barra Oliveira desapareceu em Montes Claros no dia 13 de dezembro de 2022. Dois dias depois, o carro dele, uma caminhonete Toro, foi encontrado abandonado na garagem de um motel em Contagem, na Regio Metropolitana de Belo Horizonte.

Na noite de 19 de dezembro, o corpo da vtima foi localizado no quintal de uma casa no Bairro Independncia, em Montes Claros. O corpo tinha sido concretado.

Leia: Polcia prende trs suspeitos de assassinato no interior de Minas

Como foi o crime

De acordo com a delegada Franciele Drumond, Alexandre Barra foi atrado pelo seu amigo F. at uma casa no Bairro Carmelo. Chegando residncia, o advogado foi rendido, junto com seu amigo, por outros trs homens.

A rendio era uma simulao, porque depois que colocaram um pano na cabea da vtima, o amigo ajudou tambm na execuo do crime, afirma a policial. Ela explica que o advogado foi enforcado no mesmo local, no segundo pavimento da casa.
Em seguida, o corpo foi arrastado por uma escada, colocado no porta-malas de um carro e levado ao quintal da casa no Bairro Independncia (perto do Bairro Carmelo), onde foi concretado.

Ato falho ajudou desvendar homicdio

A responsvel pelo inqurito disse que, logo aps o sumio do advogado, o amigo ntimo dele compareceu delegacia para denunciar o desaparecimento, em companhia da me e da namorada de Alexandre Barra.

Inclusive, ele as consolou falando que iria ajudar na localizao do advogado, revelou Franciele Drumond.
No entanto, um ato falho do amigo e interessado em ajudar a famlia acabou chamando a ateno da polcia e mudou o rumo da investigao. Ainda quando o caso estava sendo investigado, o amigo de Alexandre Barra foi ouvido na delegacia.

Ele estava sendo ouvido como testemunha. Mas, quando perguntado o que estava fazendo na delegacia, ele informou que estava ali para depor a respeito do homicdio do Alexandre. Isso foi um alerta para a polcia porque a gente nem tinha conhecimento de que ele (o advogado) tinha sido morto, afirmou a delegada Franciele Drumond.

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