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montesclaros.com - Ano 23 - terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Polícia Civil: "O advogado e o seu amigo foram colocados de joelhos, amordaçados e encapuzados. A partir desse momento..."

Quarta 18/01/23 - 15h54

Divulgação da Polícia Civil:

Montes Claros: PCMG conclui inquérito que apurou homicídio de advogado

A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG) concluiu, nessa terça-feira (17/1), o inquérito policial que apurou o homicídio do advogado desaparecido em 13 de dezembro do último ano, na cidade de Montes Claros, região Norte do estado.

De acordo com a delegada Francielle Drumond, que conduziu a investigação, assim que noticiado o desaparecimento do advogado de 34 anos foi instaurado procedimento para apurar o desaparecimento do criminalista.

No dia seguinte, o veículo dele foi encontrado abandonado em um motel na cidade de Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo a delegada, iniciaram-se vários levantamentos no sentido de identificar as pessoas que teriam abandonado o veículo naquela cidade.

Posteriormente, os dois ocupantes do veículo foram identificados como sendo pessoas que teriam envolvimento com o desaparecimento da vítima.

Em 16 de dezembro, a Polícia Civil tomou conhecimento da tentativa de homicídio de um dos ocupantes do veículo.

Os suspeitos envolvidos na tentativa de homicídio estavam diretamente relacionados ao desaparecimento do advogado, e teriam tentado matar o outro envolvido por motivação de queima de arquivo com o receio de que ele pudesse denunciar a ação criminosa na qual estavam envolvidos.

O corpo do advogado foi localizado em 18 de dezembro e quatro suspeitos foram presos, inclusive o investigado que foi vítima da tentativa de homicídio.

O quinto envolvido no crime estava foragido na cidade de Uberlândia e foi preso em 30 de dezembro.

Dinâmica do crime

Sobre a dinâmica do crime, a delegada esclarece que a Polícia Civil apurou que a morte do advogado ocorreu na data do seu desaparecimento (13/12). Ele teria sido atraído por um dos suspeitos, seu amigo, até a residência de um dos envolvidos.

Lá chegando, ambos foram rendidos mediante ameaças com uma arma de fogo, por outros dois autores que os aguardavam.

O advogado e o seu amigo foram colocados de joelhos, amordaçados e encapuzados. A partir desse momento, o amigo foi desamarrado passando a auxiliar os comparsas na execução do crime contra a vítima. A vítima morreu por enforcamento com um cinto no pescoço.

As informações periciais preliminares davam conta de um traumatismo craniano, que ficou provado ter sido provocado após a morte, quando a vítima teve seu
Corpo arrastado pelas escadas da casa onde foi morta.

O corpo do advogado foi removido do imóvel onde ocorreu o crime para outro, onde seu corpo foi enterrado e ocultado sob concreto.

Motivação

A delegada ressalta que foi possível à PCMG apurar a participação dos cinco suspeitos e individualizar a conduta de cada um deles.

Apurou-se, ainda, que o homicídio foi premeditado e que o amigo da vítima foi o responsável por planejar o crime.

A motivação estaria relacionada ao fato de esse amigo ser o responsável por intermediar todos os empréstimos que o advogado fazia.

Ele pegava dinheiro emprestado com a vítima a juros de 10, 20% e repassava a juros de 40%.

Diante dessa cobrança abusiva de juros, objetivando conseguir a participação dos outros suspeitos, o amigo da vítima os influenciou, descrevendo a vítima como sendo uma pessoa violenta e perigosa ligada, inclusive, a facções criminosas, e que, uma vez que eles também eram devedores, com a morte do advogado ele continuaria recebendo os pagamentos devidos, porém com promessas de que haveria abatimento de juros e parcelamento das dívidas.

O inquérito policial foi concluído com o indiciamento dos cinco suspeitos por homicídio triplamente qualificado – por motivo torpe, utilizando meio cruel mediante traição e emboscada, impossibilitando a defesa da vítima.

Três deles foram indiciados ainda pela ocultação do cadáver, e outro, pelo crime de furto.

Os cinco suspeitos continuam recolhidos no sistema prisional à disposição do Poder Judiciário.

***

Jornal Estado de Minas, de BH:

Envolvido em morte de advogado se ofereceu para ajudar a encontrar vitima

Alexandre Mauro Barra Oliveira foi encontrado enterrado no quintal de uma casa no Bairro Independência, em Montes Claros, em dezembro de 2022
Luiz Ribeiro - Clara Mariz

As investigações da Polícia Civil (PCMG) apontaram que a morte do advogado criminalista Alexandre Mauro Barra Oliveira, de 34 anos, em Montes Claros, no Norte de Minas, foi arquitetada por um amigo íntimo dele. Segundo a apuração, logo após o desaparecimento de Alexandre, o suspeito chegou a comparecer à delegacia, juntamente com a mãe e a namorada do advogado, e chegou a “consolar” as duas, dizendo que iria “ajudar” na localização da vítima.

O “autor intelectual” e outras quatro pessoas envolvidas no crime foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, utilizando meio cruel mediante traição e emboscada. O assassinato ocorreu em 13 de dezembro, dia do desaparecimento do advogado, cujo corpo foi encontrado no dia 19 de dezembro, concretado no quintal de uma casa.

O crime alcançou grande repercussão e o inquérito do caso foi concluído terça-feira (17/1). Segundo a Polícia Civil, a motivação do assassinato está relacionada com a agiotagem que era praticada pelo advogado.

A delegada Franciele Drumond, que presidiu o inquérito, explicou que o amigo íntimo de Alexandre Barra intermediava empréstimos feitos pelo advogado com juros abusivos. Ele pegava dinheiro emprestado com a vítima com juros de 10% a 20% ao mês e repassava para outros devedores com taxas acima de 40%.

Segundo a delegada, o autor intelectual do homicídio, identificado apenas pela inicial F., de 35 anos, convenceu os outros quatro envolvidos a participarem do crime, considerando que eles deviam empréstimos ao advogado.

Para isso, usou o argumento de que, com a morte de Alexandre Barra, eles teriam redução dos valores das dívidas e dos juros.

De acordo com Franciele Drumond, um envolvido devia cerca de R$ 200 mil de empréstimos captados junto ao advogado (montante principal e correção). Outros dois participantes do crime deviam R$ 40 mil e R$ 35 mil, respectivamente. Com a morte de Alexandre, explicou a delegada, o amigo dele e intermediador dos empréstimos poderia ficar com todo dinheiro.


O advogado Alexandre Mauro Barra Oliveira desapareceu em Montes Claros no dia 13 de dezembro de 2022. Dois dias depois, o carro dele, uma caminhonete Toro, foi encontrado abandonado na garagem de um motel em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Na noite de 19 de dezembro, o corpo da vítima foi localizado no quintal de uma casa no Bairro Independência, em Montes Claros. O corpo tinha sido concretado.

Leia: Polícia prende três suspeitos de assassinato no interior de Minas

Como foi o crime

De acordo com a delegada Franciele Drumond, Alexandre Barra foi atraído pelo seu amigo F. até uma casa no Bairro Carmelo. Chegando à residência, o advogado foi rendido, junto com seu amigo, por outros três homens.

“A rendição era uma simulação, porque depois que colocaram um pano na cabeça da vítima, o amigo ajudou também na execução do crime”, afirma a policial. Ela explica que o advogado foi enforcado no mesmo local, no segundo pavimento da casa.
Em seguida, o corpo foi arrastado por uma escada, colocado no porta-malas de um carro e levado ao quintal da casa no Bairro Independência (perto do Bairro Carmelo), onde foi concretado.

´Ato falho´ ajudou desvendar homicídio

A responsável pelo inquérito disse que, logo após o sumiço do advogado, o amigo íntimo dele compareceu à delegacia para “denunciar” o desaparecimento, em companhia da mãe e da namorada de Alexandre Barra.

“Inclusive, ele as consolou falando que iria ajudar na localização do advogado”, revelou Franciele Drumond.
No entanto, um ato falho do “amigo” e “interessado em ajudar a família” acabou chamando a atenção da polícia e mudou o rumo da investigação. Ainda quando o caso estava sendo investigado, o amigo de Alexandre Barra foi ouvido na delegacia.

“Ele estava sendo ouvido como testemunha. Mas, quando perguntado o que estava fazendo na delegacia, ele informou que estava ali para depor a respeito do homicídio do Alexandre. Isso foi um alerta para a polícia porque a gente nem tinha conhecimento de que ele (o advogado) tinha sido morto”, afirmou a delegada Franciele Drumond.

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