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montesclaros.com - Ano 25 - quarta-feira, 22 de maio de 2024

Com dívida líquida de 1,1 bilhão de reais, grupo Coteminas - nascido em Montes Claros - entrou em recuperação judicial decidida por Vara Empresarial de BH. Companhia diz que "conseguirá a sua restruturação financeira e de todas as empresas do grupo"

Sexta 10/05/24 - 14h12

Parceira da Shein no Brasil, Coteminas entra em recuperação judicial

De acordo com o último balanço, a dívida da Coteminas envolve pagamento a mais de 15 bancos, o maior deles é o Banco do Brasil, no valor de R$ 410 milhões
Rafaela Gonçalves

Com dívida líquida de R$ 1,1 bilhão, o Grupo Coteminas entrou em regime de recuperação judicial nesta quarta-feira (9/5). A companhia têxtil, parceira da varejista chinesa Shein no Brasil, pertence ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e é dona das marcas Artex, MMartan e Santista.

Os problemas financeiros do grupo já estavam no radar do mercado desde 2021, quando os papéis da companhia caíram em 90%. “Desde o fim da pandemia, a companhia vem tendo seus negócios negativamente impactados pela combinação de fatores adversos que acarretaram dificuldades financeiras”, informou a empresa em fato relevante ao mercado.

A Justiça deferiu, em regime de urgência, a suspensão de cobranças de dívidas do grupo, a decisão foi da 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte (MG). Com isso, a companhia afirmou que “conseguirá a sua reestruturação financeira e de todas as empresas do grupo”.

De acordo com o último balanço, a dívida da Coteminas envolve pagamento a mais de 15 bancos, o maior deles é o Banco do Brasil, no valor de R$ 410 milhões. Em seguida aparece o Bradesco, com dívida de R$ 43 milhões, e o ABC Brasil, de R$ 36 milhões.

A parceria com a Shein foi firmada no ano passado, em meio a pressão do governo para que a varejista chinesa nacionalizasse sua produção. O acordo incluiu um empréstimo de US$ 20 milhões, cerca de R$ 100 milhões à época, para as operações da Santanense, companhia de tecidos para uniformes que integra o grupo.


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Do G1:


Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Coteminas

Empresa do setor têxtil pertence ao empresário Josué Gomes da Silva, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Por André Catto, g1

A empresa do setor têxtil Coteminas anunciou nesta quarta-feira (8) que entrou em processo de recuperação judicial.
A companhia, que pertence ao empresário Josué Gomes da Silva, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), já vinha enfrentando problemas financeiros e operacionais.
"Desde o fim da pandemia, a companhia vem tendo seus negócios negativamente impactados pela combinação de fatores adversos que acarretaram dificuldades financeiras", informou a Coteminas, em comunicado ao mercado.
No documento, a empresa também divulgou o trecho da decisão judicial que determinou a "suspensão de todas as ações e execuções" contra o grupo.

Na prática, com o processo de recuperação, as dívidas da companhia ficam congeladas por 180 dias, ao mesmo tempo em que sua operação é mantida. (entenda mais abaixo)
O pedido da empresa foi feito à Justiça em meio a uma disputa com o fundo FIP Ordenes, que alegou vencimento antecipado de debêntures (títulos de dívida) emitidas em 2022 pela Ammo Varejo, do grupo Coteminas.
No comunicado divulgado nesta quarta-feira, a Coteminas também informou que havia notificado o fundo Ordenes sobre a impossibilidade de executar as ações da Ammo.
"Neste contexto, com o objetivo de garantir a preservação das atividades empresariais e de ativos das companhias e suas controladas, que ficariam sujeitas a dano irreparável, as companhias informam que requereram recuperação judicial, em conjunto com outras empresas do grupo, e obtiveram deferimento de seus pedidos", disse a Coteminas.
A companhia também afirmou que, com a concessão do pedido, "conseguirá a sua restruturação financeira e de todas as empresas do grupo".

Como funciona a recuperação judicial
O que é a recuperação judicial?
A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias e a operação é mantida.

A recuperação judicial foi instituída no Brasil em 2005 pela lei 11.101, que substituiu a antiga Lei das Concordatas, de 1945. A diferença entre as duas é que, na recuperação judicial, é exigido que a empresa apresente um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores.
Na concordata, era concedido alongamento de prazo ou perdão das dívidas sem a participação dos credores.
Quem pode pedir recuperação judicial?
Empresas privadas de qualquer porte e com mais de dois anos de operação podem recorrer à recuperação judicial. Porém, a lei não vale para estatais e empresas de capital misto, bem como para cooperativas de crédito e planos de saúde.
Também não podem pedir recuperação judicial as empresas que já tenham feito outro pedido há menos de cinco anos e as comandadas por empresários que já foram condenados por crime falimentar (relacionados a processos de falência).
Como é feito o pedido de recuperação judicial?
O pedido é feito à Justiça por meio de uma petição inicial que contém, entre outras informações, o balanço financeiro dos últimos três anos, as razões pelas quais entrou em crise financeira, e a lista de credores.
Depois que o pedido é aceito, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação e as execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias.

A lei determina que a assembleia de credores aconteça em até 150 dias após o deferimento do processo pela Justiça, mas na prática, esse prazo costuma ser ultrapassado.

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Do Metrópoles:


Coteminas, do presidente da Fiesp, entra em recuperação judicial

Gigante têxtil, dona de marcas como MMartan, Artex e Santista, recorreu à Justiça para se proteger do vencimento antecipado de debêntures
Carlos Rydlewski

A Coteminas, que pertence ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva (foto em destaque), informou em fato relevante nesta quarta-feira (8/5) que entrou em recuperação judicial.


De acordo com a empresa, o pedido foi motivado pelo vencimento antecipado de debêntures do Fundo de Investimentos Odernes, que solicitou acesso a ações da Ammo Varejo, controlada pelo grupo Coteminas, como garantia pelo não pagamento de dívidas.

No fato relevante, a empresa afirmou que enfrenta uma combinação de fatores adversos que acarretaram dificuldades financeiras desde o fim da pandemia. “Nesse contexto”, diz o documento, “com o objetivo de garantir a preservação das atividades empresariais e de ativos” a Coteminas solicitou a recuperação judicial, que engloba outras indústrias do grupo, caso da Springs Global, Santanense e Ammo Varejo.


A Ammo, dona de marcas como MMartan, Artex e Santista, tentou abrir o capital em 2021, mas não conseguiu. Em junho de 2022, quis levantar cerca de R$ 300 milhões numa emissão de debêntures. Os papéis eram conversíveis em ações no prazo de cinco anos.

Do total inicialmente previsto, ela conseguiu colocar no mercado R$ 180 milhões, que ficaram com o Fundo de Investimentos Odernes. Em março de 2023, a Coteminas não conseguiu cumprir obrigações financeiras referentes a esses papéis.

Em abril do ano passado, a Coteminas formalizou a demissão de 721 funcionários de uma unidade fabril, em Blumenau, em Santa Catarina. Pouco antes disso, em abril, havia anunciado um acordo para produzir roupas no Brasil para a chinesa Shein. A parceria previa que 2 mil clientes confeccionistas da empresa brasileira seriam fornecedores da marca asiática para os mercados doméstico e da América Latina.

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