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montesclaros.com - Ano 21 - quarta-feira, 5 de agosto de 2020

José Fialho Pacheco

Este é o nome do mais brilhante repórter de Minas, um dos mais importantes do Brasil no século XX.

Conhecido e reconhecido como Fialho Pacheco, é disparado o recordista do Prêmio Esso de Jornalismo em Minas, com 5 lauréis, apesar de ter chegado à profissão aos 42 anos.

Tinha, e incompleto, o curso secundário, mas ninguém no seu tempo foi capaz, ou ousou, cobrir um acontecimento - especialmente na área policial - como ele, um autodidata nascido em Manhuaçu, filho de juiz e que, na juventude, foi sargento do Exército na Amazonia.

Nos seus anos últimos, ainda teve tempo, coragem e ousadia para ser prefeito da diminuta cidade de Juramento, muito próxima de Montes Claros, para onde o levou o amor.

Distante fisicamente das redações, e nunca do ofício de repórter, Fialho conservou entre os mais exigentes profissionais do seu tempo o elevado conceito de repórter imbatível, infatigável, vibrante, campeão de "furos" e da boa informação.

Partiu em 1 de fevereiro de 1989, dias depois de sofrer um derrame cerebral, ainda na primeira manhã, quando tombou sobre a máquina de escrever - uma extensão de sua vida de repórter animoso.

Seu corpo repousa no cemitério de Montes Claros, cemitério palavra grega que significa lugar de dormir, dormitório.

A frase exemplar na lápide resume a essência daquele cujo corpo ali repousa: "A vida de um jornalista é um varal ao sol . Jornalista sem vocação é como o médico que se formou porque atendeu aos apelos do pai. Um bisturi na mão de uma pessoa sem vocação é o mesmo que uma caneta na mão de quem não gosta de ser repórter". Pura verdade.

A lenda sobre Fialho Pacheco, a legenda do homem e do repórter que amou e perseguiu a notícia como ninguém, prossegue entre os que tiveram a ventura de conviver com ele na redação e ao longo de memoráveis reportagens.

Na velha redação do jornal Estado de Minas, no distante 2 de dezembro de 1974, ele datilografava freneticamente um texto, usando apenas os dedos indicadores. Ao fim do trabalho, com o cigarro que eternamente pendia dos seus lábios (sem nunca tragar), Fialho se encaminhou para um jovem colega e entregou-lhe 8 laudas, datadas e assinadas.

Era o seu memorial, finalizado de surpresa 15 anos antes de tombar sobre a máquina de escrever, na casa de Juramento.

São as páginas que se vai ler a seguir.

Foram cerimoniosamente guardadas por 32 anos pelo menino que as recolheu do homem que tinha, naquela hora, lágrimas nos olhos. Por que ? Nunca soube.

Parecia apenas segredo de amigo para amigo.

Fialho - apesar da linguagem intimista, quase confessional - nunca revelou o que pretendia com o gesto. Também não lhe foi perguntado.

Restou a lembrança, vívida, de uma cerimônia muda, rápida, intensa, que dura por uma vida inteira. Restaram outras lembranças.

Os dois haviam se conhecido na redação do jornal, no começo dos anos 70, e tornaram-se inseparáveis amigos, atuando em dupla - até o fim.

Eis Fialho Pacheco, por ele mesmo: