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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Alberto Sena    [email protected]
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Por Alberto Sena - 25/7/2018 07:53:28
X, Alzheimer Urbano

Alberto Sena

Em reflexes sobre o meu interesse em preservar a memria pessoal e coletiva de Montes Claros, chego a algumas concluses. A principal delas, aps consulta feita diretamente a minha alma, est relacionada ao fato de eu nunca ter conhecido os meus avs, tanto por parte de pai como por parte de me. Muitos dos amigos de infncia, vizinhos, dentre outros, tinham avs vivos. Eu no. No podia dizer: Vou l para a casa de vov ou vov.
de bom alvitre dizer logo, o no ter avs vivos nem os ter conhecido, a no ser a av Antonina, me de minha me, mas por fotografia, nunca vi o rosto dos demais avs, mas, isso no significou para mim nenhum trauma ou algo do tipo. s uma questo de curiosidade, querer saber sobre a herana de si mesmo. Somado a isso, a minha funo de escrevinhador tambm me impulsiona a buscar preservar a memria.
Quem me acompanha no dia a dia sabe, frequentemente, eu assino publicao de crnicas na mdia de Montes Claros, principalmente no site montesclaros.com desde 23 de fevereiro de 2010. s verificar para constatar, a maioria das crnicas est relacionada a Montes Claros, do tempo em que vivi a, do nascimento, pelas mos de Irm Beata, aos 22 anos de idade, quando de mala e cuia vim morar em Belo horizonte.
A distncia tambm contribuiu para formar o interesse pela preservao da memria coletiva de Montes Claros. Foi como catapulta e me levou a mergulhar nas lembranas vividas em minha terra querida. Se eu tivesse o dom da ubiquidade, poderia ter visto de perto o crescimento de Montes Claros, estando em Belo Horizonte. Como no o tenho, no vi, no assisti a cidade crescer e se expandir pelos quadrantes.
Daqui dos pncaros da Serra do Curral, j pude alertar em algumas oportunidades sobre o perigo de a memria de Montes Claros ser comprometida pelo Alzheimer urbano. Na cidade h gente da maior competncia para ajudar a evitar o avano da doena.
Alguns podero dizer, tarde. E eu digo: antes tarde do que mais tarde. Vamos imaginar o seguinte: em Montes Claros h um certo nmero de pessoas que se interessam pela preservao da memria coletiva dos montesclarinos e da cidade.
Que essas pessoas possam se reunir e discutir a questo tendo em vista formar uma equipe, cada um com a sua atribuio, com o objetivo de escarafunchar os escaninhos da memria de Montes Claros e, ao final, depois da trabalheira toda, publicar um ou mais livros. Como fez Hermes de Paula e deixou para as geraes.
Na minha modesta opinio, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) tem a obrigao de encabear uma iniciativa neste sentido. E por intermdio dela, envolver os vrios segmentos da sociedade montesclarina necessrios para a realizao do trabalho. Se isso no for feito j, a memria coletiva de Montes Claros ir se limitar preciosidade deixada para ns por Hermes de Paula.
Seno, vejamos. Contemplando Montes Claros como hoje, quem nasceu ontem sabe, a exploso da cidade culminou com o surgimento da BR 251, que precisa ser duplicada urgentemente. Sem entrar no mrito da estrada em si, ela trouxe para Montes Claros gente de toda parte do Brasil. A miscigenao acontecida capaz de arrancar do antroplogo Darcy Ribeiro alegria sem tamanho, esteja ele aonde estiver.
Mas, esse movimento sociolgico e pendular de brasileiros trouxe toda sorte de gente. De l para c, a violncia cresceu aos nveis de cidade grande. Basta fazer um rpido exerccio de memria. Antes, as casas de Montes Claros tinham muretas com portes e alpendres. Quem quisesse, de um salto podia transpor as muretas. Duma hora para a outra viam-se as muretas serem transformadas em muros altos.
Depois dos muros vieram as cercas eltricas. Lembro-me bem, que se chegou a cogitar impedir o alastramento delas, mas ningum conseguiu barr-las porque a prpria polcia, ao aceit-la confessava a sua incapacidade de dar segurana adequada populao. E todas as gentes se fecharam com medo da violncia.
No estgio atual, Montes Claros parece estar em estado de guerra. As concertinas utilizadas nos campos de batalha desde a Segunda Guerra Mundial, e a gente via s nas fitas de cinema, ressurgiram e passaram a enfear a paisagem urbana, muito mais do que os muros altos e as cercas eltricas.
Mas, a Montes Claros de ento, aquela das dcadas de 50, 60 e 70 ainda vive, embora sufocada pela metrpole a que a cidade se transformou. Se houver interesse comum tudo comea a partir do desejo; como caminhar, se o primeiro passo no for dado, no haver caminhada o m da energia csmica imantar a materializao da obra.
O que no deve mais acontecer uma simples justificativa do porqu no ter feito. Como dizia Darcy Ribeiro, um dos mais ilustres filhos dessa terra de Gonalves Figueira e de ndios Tapuia: Voc pode conseguir dinheiro em qualquer parte do mundo, desde que tenha na mo um bom projeto.


83439
Por Alberto Sena - 23/7/2018 08:08:16

Desta casa jorrou aluvio de lembrana

Alberto Sena

A casa em epgrafe secular. Posso afirmar isso. Mas, se no for, j quase secular, por uma razo simples, questo de aritmtica. Tenho 68 anos de idade e conheo essa casa desde criana. Certamente, ela j existia bem antes de mim.
Encaro-a, hoje, ao rev-la, aparentemente integra, como testemunha muda de muitos acontecimentos montesclarinos, porque, ali prximo, moraram personalidades importantes como Capito Enas, benemrito da antiga Burarama; e Olmpio Campos, ex-prefeito de So Joo da Ponte, assassinado em Montes Claros durante um comcio, em cima de um palanque.
Essa casa, ela poder ser vista na esquina de ruas General Carneiro e Joo Pinheiro. Conheo-a s do lado de fora, hoje pintada de azul clarinho, portas e janelas em azul mais forte. Eu a vi pela primeira vez, quando fui casa de Rubinho, primo meu, batizado Rubens Sena Almeida, filho de Cipriano Almeida e de minha madrinha Ambrosina, irm de me, Elvira. A casa de Rubinho ficava na esquina, mas do outro lado.
Essa bendita casa a nica sobrevivente da especulao imobiliria nas imediaes. E de importncia para a memria tanto dos seus proprietrios, certamente, como tambm para muita gente, imagino. Particularmente, a existncia e a resistncia dela so importantes para mim como tambm para o jornalista Felipe Gabrich, que morou ali prximo. E ouso garantir, tambm, que importante para a prima, membro da Academia Feminina de Letras de Montes Claros, Magela Sena - Geralda Magela Sena Almeida, irm de Rubinho.
Em conversa com Felipe, hoje, ele me conta que a casa era de Dona Anglica Souto, j falecida. Moram nela, atualmente, os filhos de dona Anglica, Geraldo, Francisco e uma irm deles que, no momento, o amigo no se lembrava do nome. Havia outros filhos dela, como Zeca, que teria morrido afogado no Rio Carrapato, praticamente inexiste hoje.
Ele, certamente, era da poca em que as mes temiam perder os seus filhos afogados nos rios de Montes Claros, como o Melo, por exemplo, Laginha e Pai Joo. Havia me que passava a unha no brao do filho logo ao chegar em casa, depois de ter ficado fora a tarde toda. Se ficasse a marca, um rastro branco, a surra era fatal.
Mas, a casa de Dona Anglica ali est em p e isto a parte mais importante. toda feita de adobe. As casas de adobe so deveras resistentes. Vm os ventos, e elas permanecem firmes. Vm o sol e a chuva e l esto elas como se tivessem sido edificadas sobre rocha.
Uma particularidade dessa casa o telhado. Em vez de caibros de madeira, os dela so de taboca, segundo Gabrich. E as telhas, so autnticas, feitas nas coxas. Sim, antigamente, os moldes dessas telhas eram as coxas.
Evidentemente, no se usa mais fazer telhas assim, mas a expresso, feito nas coxas permaneceu e tomou conotaes vrias e uma delas bem debochada, ao se referir a alguma coisa feita sem zelo.
Essa casa foi a essncia da conversa demorada com Gabrich, quando tratamos da importncia de preservar a memria de Montes Claros. Aqueles que tinham a histria da cidade na palma da mo j se foram, como Luiz de Paula, Hermes de Paula, Joo Valle Maurcio, Simeo Ribeiro Pires, entre outros.
Se no houver uma iniciativa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, do Museu Regional do Norte de Minas (MRNM) ou de quem mais se interessar, a histria da cidade ir desaparecer assim como os rios Carrapato, Melo, Laginha e outros desapareceram. O que de deixar qualquer um contristado. Os tempos atuais seguem em velocidade de Frmula 1.
De certa forma, tento resgatar alguma coisa sobre a memria de Montes Claros e minha. J est quase ao ponto de ir para o prelo mais um livro s aguardo o interesse de alguma editora este intimamente relacionado com a memria da cidade e de minha gerao, com destaque para as dcadas de 50, 60 e 70, intitulado Retratos de Ns Mesmos.
Penso o seguinte: uma pessoa acometida da Doena do Alemo, o cruel Alzheimer, perde a memria e isso muito triste. E uma cidade sem memria, devido a negligncia de seu povo, como um pai cujo filho desalmado abandonou-o ao esquecimento depois de receber tudo dele.
Na poca do antigo Primrio, no ento Grupo Escolar Gonalves Chaves, hoje Escola Estadual, as professoras ensinavam tudo sobre o municpio de Montes Claros. Pergunto: hoje em dia as escolas tm esse cuidado?


83413
Por Alberto Sena - 3/7/2018 11:55:35
MONTES CLAROS
HOMESSA! POR QUE CRESCEU TANTO?

Alberto Sena

Montes Claros...

Ora, com efeito!
Por que cresceu tanto?
Aonde foi parar a Vov Centenria?
Agora s uma mancha na lembrana!

Montes Claros...

Nunca saiu nem nunca sair de mim.
Porque bem sei.
A cidade cumpre a sua sina.
linda em sua feiura.
Mas linda em mim.
Que nela nasci, pelas mos da Irm Beata
J faz bem uma data.

Montes Claros...

Que eu amo e quero tanto!
S por um instante,
Se possvel fosse,
Gostaria de resgatar a cidade.
Daqueles tempos idos.
Guardados na mochila das eras.

Montes Claros...

Quando se podia em tranquilidade
Cantar serestas
Promover festas
Homessa!
Cresceu tanto!
Para o meu espanto!

Da Montes Claros de ento
Encontro s fantasmas
Espectros de Tuias a perambularem
Pelas estreitas ruas.

Montes Claros...

Cheia de gente
Carros e motocicletas
Quase deram adeus
s bicicletas
Em nome do progresso

Montes Claros...

Mas, no tem problema, no
Ainda assim amo
E como amo Montes Claros
Porque l est o meu umbigo
L onde mora quem faz jus ao provrbio
Vinho azeite e amigo
O mais antigo


83399
Por Alberto Sena - 28/6/2018 14:41:27
Wander Pirolli em 3 tempos

Tempo 3: Homem de corao de carne

Alberto Sena

Uma das alegrias de Piroli era quando podia sair da cidade para pescar. Ele ia com Lincoln Gonalves, Ricardo Eugnio, Julinho, Bebeto e tambm o filho, Bumba, ainda menino, que o inspirou a escrever Os Rios Morrem de Sede. Um dia, ele quis mostrar ao Bumba um rio de gua limpa. Viajou quilmetros e mais quilmetros e no encontrou nenhum.

No finalzinho da dcada de 70, entrante na de 80, Piroli foi convidado pelo ento diretor-executivo do Estado de Minas, Camilo Teixeira da Costa a criar um semanrio de compras, intitulado Jornal de Shopping. Eu me encontrava em Viosa, na Universidade Federal de Viosa (UFV), na Imprensa Universitria, dando um refresco do Caso Jorge Defensor, devido a ameaas recebidas. Piroli me ligou dizendo: Volta, porque temos um jornal (de Shopping) e uma rdio (Guarani Onda Rural) para ns. Voltei na maior alegria. Em vez de um jornal de compras, como o diretor queria, ele fez um semanrio com reportagens, artigos, fotos abertas. Concorria com o Jornal de Casa, do Dirio do Comrcio.

A Redao do Jornal de Shopping funcionava no 24 andar do Edifcio Acaiaca, na Avenida Afonso Pena, entre ruas Tamoios e Esprito Santo. Foi um belo jornal, mas Camilo Teixeira da Costa no se conformou. Evidentemente, porque sofria presso de Braslia em relao ao semanrio de Piroli, pela cobertura poltica incmoda para a elite, na ocasio.

Numa sexta-feira do incio do ano de 1982, Piroli e a redao haviam fechado as pginas do jornal, que circulava sbado e domingo, quando, sem aviso prvio, um recado da direo dos associados na primeira pgina, cercado, informava ser aquele o ltimo nmero. Sem dar maiores explicaes. Sem o conhecimento prvio de Piroli. Claro, ficamos rfos. Todos, este foi o sentimento.

Enquanto dirigia o Jornal de Shopping, Piroli publicou o livro Minha Bela Putana. Findo o jornal, reencontrei-o no Dirio de Belo Horizonte, publicao do Jornal Balco, mas foi por pouco tempo. O veculo fechou as portas um ano depois de lanado.

Concomitante ao Jornal de Shopping e at depois dele trabalhei com Piroli na Rdio Guarani Onda Rural, emissora de ondas curtas feita exclusivamente para o homem e a mulher do campo. Rdio chefiada por Andr Carvalho e o conterrneo Alair Almeida. Eu na chefia de redao, juntamente jornalista Cristina Bahia, e Piroli fazendo crnicas para alegria dos ouvintes do campo. A rdio de modo geral recebia pilhas e mais pilhas de cartas do homem e da mulher do campo. Uma das mais lindas experincias que vivi profissionalmente.

Como curiosidade, no Jornal de Shopping, uma vez, Piroli conversava ao telefone com Jaguar, diretamente do Rio de Janeiro, quando cochilou com o aparelho na orelha e ns ouvamos o ronco dele e a voz de Jaguar gritando do outro lado: Al, Wander; al... Foi um cochilo, e ainda com o fone na mo, o mestre explicou ter ficado at tarde ou at muito cedo na rua e no havia dormido.

Particularmente, orgulho-me de ter trabalhado com Piroli. Confesso, ele teve forte influncia em minha vida pessoal e profissional. Imagina, tinha 22 anos quando vim de mala e cuia de Montes Claros e fui trabalhar com ele.

Wander era de uma gerao de humanos de corao grande. Corao de carne. Tinha sempre palavra de estmulo equipe. Sabia utilizar profissionalmente os talentos da turma. S a presena dele tanto diante da mquina de datilografia, quando na Editoria de Polcia, quanto no Jornal de Shopping, diante do computador era suficiente para os seus comandados terem a liberdade de redigir os textos. E ele editava dando sublimes ttulos.

P.S.: Faziam parte da equipe escolhida por Piroli para fazer o Jornal de Shopping: Sebastio Martins, Gilberto Menezes, Lincoln Gonalves, Gilson Menezes, Mazza de Palermo, Roberto Arajo, Kao Martins, Bris Feldman, JD. Vital, Flix Fernandes Filho, Marco Otvio (Maro), Mrio Valle, Alberto Sena, entre outros.


83394
Por Alberto Sena - 26/6/2018 19:26:25
Wander Piroli em trs tempos

Tempo 2:

Ele formou uma legio de seguidores

Alberto Sena

Quando Piroli foi trabalhar no jornal Estado de Minas, egresso do jornal Binmio, ele j havia publicado o primeiro livro, A Me e o Filho da Me, de quando bomio, frequentador da bomia na Lagoinha, ele ficava na rua at altas horas e a me, como toda me, preocupava. Ele era uma cara com muito senso de famlia, dizia sentir culpa por ficar at tarde na rua, mas a boemia no saa dele, at que saiu um dia sem ter sado de fato. Como gostava de sorver uma pinguinha!

Ele gostava tanto de beber cachaa que mantinha debaixo da mesa, na redao do Estado de Minas e do Jornal de Shopping, um garrafo cheio. claro, do garrafo todos se serviam. Piroli tinha sobre a mesa uma xcara de loua, com a qual se servia de cachaa ao longo do dia como se fosse caf. E s dava uma trgua na bebida quando as crises de enxaqueca vinham. Ele tinha de ficar em ambiente escuro, dizia. E era verdade. Mas importante testemunhar, nunca vi Piroli embriagado. Estava sempre com o semblante sbrio, alegre. Quanto mais eu bebo mais sinto-me bem, dizia.

Teve uma vez em que nos encontramos cedo ali na confluncia da Rua Esprito Santo com Avenida lvares Cabral, onde havia uma lanchonete. Eu tomara caf em casa e ele me chamou para lhe fazer companhia. Piroli pediu meio copo duplo de cachaa; pediu para espremer uma laranja e mandou preparar quatro ovos quentes. Ele bebeu quase tudo de um s gole e mandou os quatro ovos em seguida.

Fumava que era uma chamin. Acendia um cigarro no toco do outro. Quatro maos por dia. s vezes eram cigarros de fumo de rolo. Vejo-o, agora, picando o fumo para fazer cigarro. Mos de dedos grossos, mas geis. S no se sentia feliz totalmente porque costumava dar giro de 360 em volta de si mesmo e era quando deparava com a crueza e a crueldade da realidade. Disse-me uma vez, no sou exemplo para ningum, mas era. O fascnio intelectual dele era o mais importante, no a extravagncia. Penso, aqui, agora, com as minhas mangas de camisa, que ele se sentia com poder para fazer o que quisesse devido ao seu porte fsico avantajado. Ningum conseguia acompanh-lo.

Mas ele, consigo mesmo, vivia muitos momentos de felicidade. Podia-se notar isso nos seus olhos verdes. E um desses momentos era quando jogava sinuca com os amigos. Podia no ser exemplo no tocante a extravagancia na bebida e no cigarro, mas, intelectual e politicamente, ele sem querer querendo formou uma legio de seguidores.

Uma coisa, muitos no entendiam: Por que Piroli era editor de Polcia e no de Cultura ou Poltica? Sendo um intelectual, escritor, jornalista formado na redao do jornal Binmio, para essas pessoas era um espanto. Mas, ns sabamos, ele estava no lugar certo. A Editoria de Polcia era como um rio de correnteza no qual pescava almas humanas e fazia contos expondo sua literatura e sua maneira tica, crtica, de fazer cobertura de polcia em tempo politicamente nublado.

Piroli amava a liberdade. Evidentemente, a Polcia Federal e o Dops tinham o nome dele em lista. Dele e dos demais da editoria. Foi a Editoria de Polcia chefiada por Piroli que deu ao EM um dos mais importantes prmios de reportagem de sua histria, o Prmio Esso, em 1977, com o Caso Jorge Defensor (Tito Guimares, Alberto Sena, Francisco Stelling e Geraldo Elsio estes dois ltimos s na cobertura da repercusso na Assembleia Legislativa) um operrio torturado pela polcia at ficar paraltico da cintura para baixo. Caso de repercusso nacional e internacional.

Piroli transformou a cobertura do setor de polcia. Antes dele havia reprter considerado de polcia ou da polcia. Ele nos tinha como reprteres cobrindo o setor de polcia. No tnhamos compromisso com a polcia, a no ser cobrir os acontecimentos no mbito das delegacias. E muitas das vezes nosso carro de reportagem chegava aos locais de ocorrncias antes da polcia.

O carisma de Piroli reunia em volta da mesa dele, antes de iniciar a jornada do dia, escritores como Oswaldo Frana Jnior, Luiz Vilela, Garcia de Paiva e outros, alm de toda a redao que a ele ia pedir bno. (Aguardem o Tempo 3, final, amanh).



83391
Por Alberto Sena - 25/6/2018 11:41:29

Wander Piroli em trs tempos

1Tempo :

E ele dizia no ser exemplo para ningum

Alberto Sena

Depois da publicao do livro Wander Piroli Uma manada de bfalos dentro do peito, de Fabrcio Marques, edio da Conceito Editorial, conforme o prometido ao autor, eu torno pblico um texto escrito sobre o mestre e amigo, Piroli. Foi um dos exemplares humanos mais importantes conhecidos nesses anos vividos. Alis, ele foi uma das pessoas com as quais aprendi uma quantidade para chegar at este estgio de vida.

Recordo-me como se tudo estivesse acontecendo agora, daquela manh de maio de 1972, quando o conterrneo jornalista Robson Costa me apresentou ao Piroli, a pedido do ento editor geral Cyro Siqueira, na Editoria de Polcia do jornal Estado de Minas. Piroli estava sentado mesa na redao e me assuntou com os olhos verdes perscrutadores de quem nascera no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte, l onde havia zona bomia e ele via e ouvia o som de navalhas cortando o ar da malandragem.

Trocamos poucas palavras e ele me entregou ao reprter Fialho Pacheco, o mais importante da poca do jornalismo romntico (cinco vezes Prmio Esso), com um ensinamento que considero fundamental:

- Vamos sempre buscar o porqu das coisas. Fulano matou? Matou. Por qu? O outro furtou, roubou? Sim. Por qu?

Havia, ainda, censura prvia imprensa. Pegamos o finalzinho dela. O sensor ficava nas oficinas. No se podia falar dos acontecimentos polticos e policiais sem correr o risco de censura. Era censura oficial de governo militar e, tambm, censura vinda do 2 andar do prdio da Rua Gois, 36, onde funcionava a Redao do Jornal Estado de Minas.

Sempre conseguamos burlar a censura. A equipe era da melhor qualidade: Paulo Emlio Coelho Lott (Peclott), Fialho Pacheco, Vargas Vilaa, Paulo Narciso, Joo Gabriel da Silva Pinto, Tito Guimares Filho, Marcos Andrade, Arnaldo Viana. No que houvesse instruo neste sentido, mas mostrvamos os acontecimentos em sua realidade nas linhas ou, seno, nas entrelinhas para burlar a censura tanto a oficial quanto a do jornal. Ele era visto ideologicamente como comunista, desde os tempos de estudante e advocacia. Em verdade, era um pouco de tudo, anarquista tambm. Era um homo, gigante bem-humorado. Passar um tempo com Piroli era um privilgio, porque de um aprendizado fora do comum.

Houve uma poca em que jogvamos futebol de salo, hoje futsal, na quadra do Olmpico. ramos adversrios. Tio Martins e outros colegas jogavam. Disputando com Piroli uma jogada, ele pisou literalmente na bola e escorregou, teve o tornozelo quebrado em alguns pontos. Fez at um rudo caracterstico de ossos partindo. Ele teve de ficar de molho durante uns dois meses porque puseram vrios parafusos no tornozelo dele.

Recordo-me de uma vez em que durante o fazimento de uma reportagem no mato, ali nos arredores do Bairro das Indstrias, o delegado Edson Deroma, da Delegacia de Furtos e Roubos, deu um tapa no rosto de um suspeito de haver assaltado um banco. Isso na frente dos reprteres. Com o cinegrafista da Itacolomi filmando. E na presena do superintendente da Metropol, delegado Igncio Gabriel Prata Neto. Pior, o indivduo nada tinha a ver com o caso. Narrei tudo ao Piroli e tnhamos de encontrar uma maneira de noticiar o fato, ao qual ele deu o ttulo; Delegado d tapa teraputico no rosto de suspeito de roubar banco.

Mas, para mim, Piroli era um humanista de corpo inteiro e alma. Ele nutria grande amor raa humana. Solidrio e de corao to grande quanto o prprio corpo. Foi um precursor do movimento em defesa do ambiente inteiro, numa poca em que a termologia criada na reunio de Cpula da Terra, em Estocolmo, era incipiente, ao publicar o segundo livro dele intitulado O Menino e o Pinto do Menino, baseado em uma histria do filho, Bumba, que ganhara na escola um pinto amarelinho e o levou para casa, isto , o apartamento onde a famlia morava. E agora, o que fazer com o pinto do menino?! (Aguardem o Tempo 2, amanh. Leiam o livro Wander Piroli Uma manada de bfalos dentro do peito, do poeta escritor Fabrcio Marques.).


83295
Por Alberto Sena - 10/5/2018 06:42:13
Carta s suas excelncias bandidas

Alberto Sena

No h por que chamar de Suas Excelncias bandidos. De nada adianta eles meterem-se dentro de um terno e se engravatarem para no parecerem bandidos, porque o so, de esprito, mente e corpo. E em primazia.
As Suas Excelncias de terno e gravata so as mais bandidas dentre todos os bandidos aprisionados ou em liberdade. de encabular o quanto so. Quem tem conscincia tranquila no entende como que Suas Excelncias bandidas conseguem pr a cabea no travesseiro e dormir sono honesto. Duvidamos que estejam conseguindo dormir naturalmente, sem o auxlio de sonferos. Em s conscincia achamos Suas Excelncias bandidas sero vtimas de si mesmas. Ser que no tm noo alguma do mal que fazem ao roubarem o dinheiro pblico e com a cara de pau maior do mundo se apresentarem sociedade como se fossem gente tica ocupada com o bem-estar do povo? Querem enganar a quem? A justia? S porque ela tem os olhos vendados? Mas todo o povo brasileiro est vendo.
As Suas Excelncias bandidas no tm desconfimetro para perceberem que no d para engolir gente desse tipo. As Suas Excelncias bandidas s olham para o prprio umbigo e tambm dos apaniguados. No podem sequer pr o p na rua sem correr o risco de serem apedrejadas ou ovacionadas. Desde que no seja com ovo caipira, tudo bem. Suas Excelncias no tero sade para usufruir de tanto dinheiro roubado da mo de quem padece toda sorte de dificuldade. Tiraram da boca de milhes de brasileiros o rango de todo dia ser que Suas Excelncias no enxergam isso, ou fazem de conta que no, para no terem pesadelos mais frequentes?
Se no fosse Suas Excelncias bandidas, o Brasil seria considerado hoje Pas de Primeiro Mundo. A montanha de dinheiro sada pelo ladro daria para transformar a Nao de modo a no haver necessitados.
Enquanto Suas Excelncias esto se banqueteando, ser que no sentem nenhum remorso, quer dizer, incmodo no estmago quando veem imagens de crianas padecendo fome? Pais de famlias desempregados; jovens, adultos e ancies morrendo mngua porque Suas Excelncias e suas mos cheias de dedos bandidos se metem nos cofres pblicos com voracidade, sem que pensem no dia de amanh.
Ningum vive para semente. Suas Excelncias havero de passar ainda bem e se creem ou no, um dia tero de dar conta de toda a bandalheira praticada em vida. Se a justia dos homens falha em quantidade, a Justia divina no. E na hora do pegar para capar, Suas Excelncias no tero outras Suas Excelncias para livr-las de punio.
Em verdade, em verdade, Suas Excelncias no dignificam nem a roupa que vestem nem a comida que comem. Consideram-se poderosos, mas no honram nem as calas que vestem. Historicamente ardero na fogueira da opinio pblica juntamente as suas geraes, porque nos anais da Repblica estaro registrados os malfeitos urdidos na calada das noites. Suas Excelncias que enviaram fortunas em dinheiro alheio para os parasos fiscais havero de arder no fogo dos infernos porque fizeram o Brasil dar passos para trs ao manterem os brasileiros na ignorncia para mais facilmente manipularem-nos.
Apesar de tudo que fizeram de mal ao Brasil e aos brasileiros, chegado o momento do despertar. Suas Excelncias to dependentes de votos para sobreviverem, no sero reeleitos e no sendo de fato iro amargar o ostracismo poltico, mas no se safaro da justia dos homens porque no tero mais salvaguardas.
As Suas Excelncias bandidas so como os porcos em chiqueiros de antigamente. Esto chafurdando na lama, ricos do dinheiro pblico, mas nada ficar encoberto e havero de lamentar pela eternidade adentro por terem praticado tanta crueldade, quando tudo tinham para serem colocados em pedestais.


83253
Por Alberto Sena - 16/4/2018 17:12:01
Prestao de contas

Alberto Sena

Outro dia mesmo, com 17 anos, iniciava carreira de jornalista diretamente na Redao de O Jornal de Montes Claros, e a cidade ainda estava com seus mais de cem mil habitantes. A carteira de trabalho foi assinada pelo jornalista e advogado Oswaldo Antunes, dono do jornal, na Rua Doutor Santos, 103, onde atualmente uma agncia bancria. Corria o ano de 1969. A primeira cobertura foi de Esportes, e logo depois, Polcia.
Passados menos de trs anos, me transferia para o jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte, onde tive a sorte de ser indicado pelo amigo Mrio Ribeiro ao editor Geral do Estado de Minas, jornalista Cyro Siqueira, levado pelas mos do amigo Robson Costa, jornalista filho de minha professora no curso Primrio, Dona Bernadete Costa, no ento Grupo Escolar Gonalves Chaves.
Cyro pediu ao Robson para me levar ao jornalista e escritor Wander Piroli, editor de Polcia (em maio deve ser lanado um livro sobre ele, da lavra do escritor poeta e jornalista Fabrcio Marques) e, ento, pude muito aprender com ele e com veteranos como Fialho Pacheco (cinco prmios Esso), Vargas Vilaa, Paulo Emlio Coelho Lott (Peclott), Roberto Drummond, Celius Aulicus (General), Andr Carvalho, Dlio Rocha, Sebastio Martins, Olympio Coutinho, Lincoln Gonalves, entre outros.
Passou-se meio sculo. Num timo. E neste momento vem a reflexo do quanto a vida humana no planeta curta. No quero dizer com isso que estou morrendo, embora tenha morrido vrias vezes a cada um dos humanos queridos que partem deste plano para uma das moradas do Pai. Pelo contrrio, estou no melhor da minha vida. Em paz, com sade e alegria de viver. Mas, evidentemente, nada posso garantir porque estou literalmente nas mos de Deus, disso tenho conscincia plena.
Depois desses anos todos como jornalista, nessa fase atual da vida pude perceber poder fazer algo mais. Com uma mquina fotogrfica na mo descobri uma outra maneira de ver a vida. E, desde ento, a cmera fotogrfica passou a ser a minha companheira. Ando sempre com ela. Qualquer coisa bonita ou feia, saco-a e disparo, como aconteceu no ltimo sbado, em um supermercado da capital, onde um mendigo apanhado furtando um pedao de carne quase foi estrangulado pelos seguranas.
No final de 2017, revelei a mim mesmo e ao mundo como escritor ao lanar o meu primeiro livro Nos Pirineus Da Alma, no qual relato em 192 pginas, sendo 34 com fotos coloridas, as nossas duas experincias minha e de Slvia Batista no Caminho de Santiago de Compostela, na Frana e na Espanha, onde percorremos 1.300 quilmetros a p, com mochila nas costas, em 40 dias somados (o livro est venda nas livrarias da Savassi, em Belo Horizonte, e nas livrarias de Montes Claros, podendo ser enviado pelos correios, bastando para isso, quem quiser, demonstrar o interesse para contato).
Outros livros esto a caminho, se Deus quiser, e o prximo deles poder ser lanado no final deste ano, de crnicas sobre a nossa Montes Claros querida, de quando ns podamos nos encontrar em cada esquina. Hoje, Montes Claros tornou-se metrpole, com os bnus e os nus de cidade grande, ao se expandir por todos os lados e crescer para cima, com os arranha-cus integrando a paisagem.
Acredito j ter ultrapassado a metade do meu tempo, mas isso no me incomoda porque o importante gostar de viver e sentir-se vivo. No ser casmurro nem ranzinza, sempre buscar ajudar a construir um mundo de paz, concrdia e bem-estar para todos os seres viventes. Quem me acompanha sabe, sempre h uma boa mensagem a divulgar, dentro do princpio do pensar consciente, pensamento holstico, com atuao local.
Graas ao Jornalismo, tive a oportunidade de dar volta ao mundo. Fiz viagens incrveis, e a principal delas foi a Israel onde pude seguir os passos de Jesus Cristo pela chamada Via Dolorosa, em Jerusalm. Visitei o Santo Sepulcro. Fiz o Caminho de Santiago duas vezes. Visitei as Muralhas da China. Fui ao Japo. E outros lugares mais. Como diz o meu amigo que h anos no vejo, Alair Almeida, no tenho o que me queixar da vida, seu queixo de burro.
Mas, no tive tempo de ganhar dinheiro. Em compensao, durmo diariamente oito horas de sono sereno, com a conscincia tranquila, pessoal e profissionalmente. Creio em Deus. Sinto Deus em mim. Diante de quem me coloco como um cano de PVC vazio. A gua no minha. Sou um servo reles cheio de gratido.
Sei que todos ns estamos de passagem pelo planeta Terra. No sei para onde irei ao atravessar a porta. No me preocupo com isso, ocupo. Sempre busquei ser ao invs de ter. No fui cooptado pelo consumismo. E se fosse para recomear, tudo faria novamente. Claro, com aprimoramentos vrios. Hoje, posso dizer de corao e alma cheia de sonhos por concretizar: nada sou.
Vivo porque em mim h uma centelha do Eu Sou.


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Por Alberto Sena - 9/4/2018 09:13:42

Mergulho na Praa de Esportes

Alberto Sena

A importncia do acervo de fotografias de Dona Dorzinha Maria Das Dores Guimares Gomes sempre ter realce quando o assunto for preservao da memria individual e coletiva dos montes-clarenses. A chamada doena do alemo tanto pode obscurecer a memria de um cidado como de toda uma populao que no tenha a sua histria registrada no papel por meio de textos e de fotografias.
A foto em epgrafe fez a mim, e certamente a todos de minha gerao dcada de 50 reviver a sensao de dar um mergulho nos ares da Praa de Esportes de ento, quando subamos as escadas at os pncaros do escorregador, como se alcanssemos o cume de uma montanha, e nos deixvamos escorregar sentindo o vento veloz sacudir os cabelos numa sensao de xtase somente sentida quando se criana.
Essa foto me fez reviver, no com a mesma nitidez como se tivesse acontecido no dia de ontem, mas recordo-me da alegria esfuziante como subia os degraus da escada para ter acesso ao cume do mundo; sim, era essa a sensao l do alto onde o menino tinha viso ampla, 360, e se atiraria pelo escorregador abaixo at bater com os dois ps em terra.
Essa foto me fez recordar das iluminadas manhs de domingo, depois da missa na Catedral de Nossa Senhora Aparecida ou na Matriz de Nossa Senhora da Conceio e So Jos, para cumprir com a recomendao materna, e s depois se podia ir Praa de Esportes, onde o esprito infantil parecia ganhar asas de condor e sobrevoava e saboreava os ares da liberdade em plenitude.
Revendo, agora, a cena dominical, a escada parece at perigosa para as crianas e olhe que havia outra maior, salvo engano, utilizada por crianas maiores. Mas era importante para exerccio das pernas logo cedo. Esse subir escada e descer escorregando de l de cima era algo sublime e no h palavras para explicar sua intensidade, inda mais depois de passado tanto tempo.
Naquela poca, a Praa de Esportes era o centro do Universo. E as manhs eram mais mgicas, porque em Montes Claros daquela poca, a vida transcorria calmamente; o trnsito de veculos era incipiente; as ruas eram tomadas por bicicletas. Raramente se via uma motocicleta. Havia as popularmente chamadas furrecas e os caminhes precisavam de uma manivela introduzida na frente, do lado de fora, logo acima do para-choque a fim de pegar no arranque.
No ar, respirando a fragrncia dos ares sertanejos misturados com o p vermelho caracterstico do Cerrado hoje devastado, a atmosfera era romntica. Ouviam-se msicas clssicas e os cantores nacionais como ngela Maria, Nelson Gonalves, Orlando Silva, entre outros, profissionais da melhor qualidade.
Na Praa de Esportes o verde predominava. Embora Montes Claros esteja em uma regio rida, havia gua suficiente para molhar as plantas. Os fcus eram podados periodicamente com tesouras enormes empunhadas em duas mos. Havia piscina de natao para criana e oficial para os adultos, onde se realizavam competies estaduais de nado e salto do trampolim, quando Aprgio exibia as suas qualidades.
Havia tambm duas mesas de pingue-pongue debaixo de um telhado sustentado por meia dzia de pilastras. Ali reinvamos na modalidade rodinha. Mandando para o outro lado todos os companheiros. Era, ento, quando me sentia rei sem coroa, mas reinando at que, cansado, abdicava do trono.
Para concluir e enfeixar as lembranas na foto do arquivo de dona Dorzinha, realando a sua importncia quase arquetpica, basta dizer, se um dia a foto no tivesse sido sacada por algum para ser doada anos depois ao acervo e ser agora exibida, para minha alegria e de muitos de minha gerao, este texto por mim assinado no teria existido. O que, num hipottico futuro do pretrito, eu teria muito a lamentar.
A Praa de Esportes, que ainda hoje motivo de polmicas, ainda est l. A ltima notcia dela, recentemente, dava conta de que o prefeito Humberto Souto iria construir nela um estacionamento de veculos. Prometia requalificar a Praa de Esportes, transformando-a em um dos melhores lugares de esporte e lazer de Montes Claros.
Se assim for, assim seja. Vamos bater palmas. Se assim no for... Bem, se assim no for ser, ento, uma outra histria.


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Por Alberto Sena - 16/2/2018 10:10:16
A repetio da "bestage", sete anos depois

Alberto Sena

A bestage que o ex-prefeito Luiz Tadeu Leite queria fazer com a Praa de Esportes Montes Claros Tnis Clube (MCTC) em 2011, sete anos atrs, o atual prefeito, Humberto Souto quer repetir, agora. Em vez de revitalizar ou requalificar a Praa de Esportes, devolver a ela a dignidade quase perdida, o prefeito vai transformar o espao, latente no cerne da memria dos montesclarinos, em estacionamento de veculos.
A notcia chegou, aqui, nos pncaros da Serra do Curral, por meio de um artigo assinado por Farley Soares Menezes, advogado especialista em Direito Administrativo e Direito Tributrio. Segundo ele, Humberto inicia a destruio da Praa de Esportes e resolve transform-la em estacionamento. Publicou, no incio do maior Carnaval de Montes Claros, o decreto 3645, de 9 de fevereiro.
Hoje, vejo a notcia publicada no jornal Gazeta Norte Mineira, com o secretrio Municipal de Esportes, Igor Dias, explicando, entre outras coisas, que a Praa de Esportes deficitria. Gasta por ms R$ 10 mil de energia eltrica e R$ 10 mil de gua sem possuir nenhuma fonte de renda. Os 79 estandes do chamado Calado Popular no pagam aluguel, e nem mesmo o restaurante local.
Mas ser que no h uma outra maneira de tornar o espao privilegiado da Praa de Esportes em algo na mesma linha esportiva para se tornar superavitrio? Sem desvirtuar a finalidade daquela rea to presente na memria de geraes de homens e mulheres, a maioria ainda presente, graas a Deus, para ver o fim do cenrio de suas muitas histrias?
Neste ponto me recordei da crnica dirigida ao ento prefeito Luiz Tadeu Leite, ocasio em que me utilizei da expresso bestage usual em Montes Claros, para criticar a tentativa de destruio da Praa de Esportes, espao privilegiado antes, nas dcadas de 50/60/70, e mais ainda nos dias atuais devido sua localizao na paisagem urbana.
Certos pontos da crnica escrita em 2011 encaixam direitinho no caso do prefeito Humberto Souto. Naquelas manhs e naquelas tardes de dcadas atrs, em Montes Claros, desde a infncia, passando pela adolescncia e a fase adulta, ser que o prefeito em algum momento pensou no desastre memria fsica da cidade, o fim da Praa de Esportes como patrimnio pblico? Ser que ele avaliou o dano memria cognitiva e transcendental de milhares de montesclarinos?
No me recordo de nenhuma vez ter encontrado o prefeito naqueles embates aguerridos em torno das mesas de pingue-pongue da Praa de Esportes. Nem nas saborosas peladas daquelas tardes e nos domingos, depois da missa na Catedral ou na Matriz.
Ele pode at ter vivido a Praa de Esportes de antes. E em algum ponto pode at ter a marca dele, mas se ele no tem a noo real do que faz, isto o suficiente para duvidar do amor que ele possa ter por Montes Claros. Transformar um lugar daquele em estacionamento algo to indigno da Praa de Esportes. Visa atenuar um problema e poder criar muitos outros.
Fazer o que o prefeito intenta fazer sinaliza claramente, como os claros montes ao redor, o desamor pela memria da cidade. As histrias de Montes Claros se vo perdendo por falta de ateno. Seria o caso de o Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros tomar uma atitude a respeito.
O Automvel Clube, com meio sculo de existncia, um lugar onde aconteceram encontros memorveis, tanto festivos quanto polticos, da noite para o dia foi desativado e sabe l o que poder acontece ao imvel, a essa altura correndo todos os riscos, inclusive o de vir abaixo para dar lugar a um edifcio. Afinal, a cidade est crescendo para cima.
A memria de Montes Claros vai indo de popa ao vento. Dilui feito fumaa. O clssico exemplo a Rua Doutor Santos. A transformao da principal rua da cidade aconteceu em menos de 40 anos. At a dcada de 70, ela possua graa. Casares antigos, que, se preservados, dariam um toque especial hoje desfigurada Rua Doutor Santos.
O prefeito Humberto Souto poder ficar marcado na histria de Montes Claros como o prefeito que deu o golpe mortal na nossa memria. Na memria de quem deu braadas na piscina olmpica; de quem fez acrobacias ao pular dos trampolins; de quem fez a galera gritar de emoo no Ginsio Darcy Ribeiro; de quem furtivamente, escolhia a Praa de Esportes como recanto para namorar.
Nem vou repetir aqui quesitos importantes tratados por outros defensores da manuteno da integridade da Praa de Esportes. Nem me julgo no direito de crucificar a administrao pblica porque h dcadas no vivencio o dia a dia da cidade. E, claro, quem defende a medida do prefeito para considerar nossa reao como saudosismo. Se achar isso, porque no entende da importncia da memria coletiva. Prefere o alzheimer urbano.
Mas, alertar o prefeito, sugerir a ele utilizar-se da medida do bom senso para no cometer bestage que o marcar para sempre, isto eu posso fazer daqui dos pncaros da Serra do Curral, como fiz quando o prefeito era Luiz Tadeu Leite. Posso e fao-o, agora, em bom montesclars: prefeito deixa de bestage.


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Por Alberto Sena - 3/2/2018 10:05:10
Corby parecia ser doce como o licor

Alberto Sena

As fotos inseridas por Wagner Gomes no Facebook, do acervo fotogrfico de Dona Dorzinha, me dele, so para mim como uma campainha que toca fundo na memria, e no contenho o mpeto de debulhar uma histria. Foi o que me aconteceu neste momento ao ver a foto de Corbiniano Rodrigues Aquino (Corby), que morava atrs da Praa de Esportes, em Montes Claros enquanto a minha famlia, prximo da casa dele, na Rua Marechal Deodoro.
poca, no conheci o Corby poeta, mas an passant o Corby comerciante. Mais tarde, em plena adolescncia, aos 13/14 anos, quando montado em uma bicicleta Monark de tamanho mdio, azul e amarela, ia ganhar alguns trocados fazendo cobrana de publicidades publicadas no O Jornal de Montes Claros, que conheci, um outro lado dele. Era um homem magro, sempre de bigode, extrovertido e falante. Gostava de ir casa dele fazer cobrana porque ele era bom pagador e a minha comisso estava sempre garantida.
Foi muito tempo depois que conheci o lado poeta de Corby. Antes, porm, devo dizer, ele inventou o licor de pequi da marca Corby, produzido at hoje e vendido no exterior. Ouvi dizer que a produo do licor limitada. Tenho em casa uma garrafa do xarope da mesma marca. bom para tomar com uma dose de cachaa, embora no seja adepto, mas de quando em vez, pode acontecer. Gosto de dividir com a minha cmplice homeopaticamente uma garrafa de vinho tinto seco em certas ocasies.
Houve uma vez, quando j morava em Belo Horizonte e era reprter do jornal Estado de Minas, cobrindo o setor agropecurio, fiz uma reportagem com Corby, na fbrica de produo de licor. Ele me levou para conhecer as dependncias da fbrica e me mostrou um tanque enorme cheio de pequis, onde ficavam curtindo para ser transformado em licor.
Por essa poca conheci o lado potico de Corby, homem operoso, sempre em atividade. Se no me engano foi ele o criador da Associao Comercial e Industrial de Montes Claros (ACI) e o primeiro presidente durante meia dzia de anos.
Procurei na internet, e numa publicao do historiador Drio Cotrim, Poetas ilustres in memoriam, encontrei alguma informao sobre Corby, que nasceu em Januria, morou em So Paulo (Ava) e foi para Montes Claros no ano de 1956, quando o menino aqui tinha seis/sete anos.
Segundo conta o historiador, a famlia tem engavetado uma coletnea de poesias, com promessa de public-la em livro. Se j publicou, no tenho notcia. Se no, convinha publicar, a fim de consagrar a memria de Corby, o primeiro dirigente do Mobral na cidade, pelos idos de 1972.
Com dois livros publicados Aconteceu em Serra Azul e Aconteceu, ele ocupou a Cadeira 27 da Academia Montes-clarense de Letras, e a de nmero 25 do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Em 30 de janeiro de 1987, Corby morreu.
Porque foi homem importante para Montes Claros, e aproveitando a ocasio de ver a foto dele includa no acervo de Dona Dorzinha, no deixei passar a oportunidade de homenagear Corby por tudo que fez e por ter nos deixado o saboroso licor. Para completar, melhor seria ver publicada a coletnea de poemas dele. No vivi a intimidade do homem, mas me parecia uma pessoa doce como o prprio licor de pequi. Segue uma amostra de poema corbiniano.


Pingos d`agua

Corby de Aquino

Chove. Um ar triste baila pelo espao
O sol se esconde amortecendo a frgua
E a terra boa colhe em seu regao,
Os milhes e milhes de pingos dgua.

Vertendo os cus as inocentes bguas,
As enxurradas crescem num ameao.
Cessam as lgrimas; d-se a desgua
E tudo se harmoniza passo a passo.

Tambm no turbilho da minha vida,
Quando o perfil de certo algum eu trao,
Meu ser inunda lgrimas sentidas.

E quando dos meus olhos so vertidas,
Sonho vendo apoiada no meu brao,
A imagem pura da mulher querida.



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Por Alberto Sena - 28/1/2018 06:23:06
O medo de me morrer

Alberto Sena

Penso que toda criana tem medo de a me morrer. Acho isso natural. Tinha muito medo de a minha me morrer quando eu era criana. Talvez, porque ela era asmtica e quando estava em crise, o peito dela arfava como o fole do ferreiro Simeo, pai de Pedro e Luiz, moradores prximos l de casa, na Rua Corra Machado.
O calor de Montes Claros aumentava o mal-estar de me. Era preciso ligar o ventilador, mas mesmo assim o problema dela me deixava angustiado. Passava na porta do quarto dela para ver como ela estava e tinha receio at de entrar.
De certa feita, acordei ali pelas 9h. Sonhei que me havia morrido. Claro, levantei-me assustado e chamei por ela. Ela no respondeu. Sa andando pela casa chamando as pessoas, mas no havia ningum em casa. Fui ao quintal e no vi ningum. S as galinhas e os perus fazendo glu-glu.
Outro pensamento no passou por minha cabea seno o da certeza de que me morrera e todos foram lev-la para o Cemitrio do Bonfim e no me acordaram. Foi quando abri a porta da rua para ver se encontrava algum. Levei o maior susto.
Na casa do vizinho estava uma chusma de gente. Fiquei l de casa espiando, pensando o que ser que aconteceu, quando vi minha me entre as pessoas. Fui l ver. A v de Tefilo havia morrido. Tefilo era um menino que de vez em quando jogava finca comigo e bolinha de gude.
Corri para perto de me, mas no contei a ela o meu sonho horrvel. Alis, nunca contei isso a ela. Estou contando agora, tanto tempo depois do ano de 1985, maio, 12, Dia das Mes, quando ela de fato partiu para outra dimenso.
Em verdade, acredito, enquanto dormia o meu inconsciente deu uma viajada e captou o que acontecia na casa do vizinho. S pode ter sido esta a concluso que chego lembrando do ocorrido, tanto tempo depois.
Na ocasio da morte da av de Tefilo senti um grande alvio em saber que no era minha me. Tinha eu uns sete anos de idade. Ela no me deixou entrar na casa para ver a v de Tefilo morta. Naquela poca, a percepo da morte era um escndalo. Principalmente porque algum me disse que o nosso corao preso por um fio fininho. Um fio. Se o fio partisse. Pronto. Bateramos as botas.
Hoje a minha percepo da morte bastante diferente. Alis, a morte no existe. O que acontece como o camarada passar pelo umbral de uma porta e alcanar uma dimenso diferente da nossa. Mas a vida continua. No Universo no existe morte. Existe vida. Ns estamos fadados a vivermos eternamente. O esprito imortal.
Particularmente, no tenho medo da morte. Muita gente o tem. O que acontece comigo um certo temor de como isso um dia se dar, porque, afinal de contas, no nasci semente. Mesmo porque a gente sabe que para ganhar vida a semente precisa morrer. assim que se d na agricultura. Sem a morte da semente no h planta.
O importante estar preparado para a passagem pela porta. uma ida sem volta. Biblicamente falando, a gente no encontra nenhuma passagem que fale de reencarnao neste plano de vida. Mas h citao de que, aqui, morre-se uma vez s. Ressurreio, sim, existe como promessa de Jesus Cristo, quando Ele voltar para julgar os vivos e os mortos.
Se voc me pergunta se gosto de viver neste plano de vida, eu respondo: gosto, muito; amo a vida. Mas no sinto apego nenhum. A comear que no d para ser feliz em um mundo onde a Humanidade vive feito barata tonta. No d para ser feliz diante de tanta injustia vista.
Como ser feliz, de fato, sabendo que h por a tanto conflito? O egosmo, com as suas ramificaes, torna a vida humana um tormento. um querendo engolir o outro. Os valores considerados verdadeiros sendo deturpados por valores falsos, sem raiz alguma.
Ao mesmo tempo, eu me ocupo comigo para que possa viver bem por dentro. Utilizo a minha cabea em benefcio de mim mesmo e dos que me cercam na convivncia da lida diria. Ocupo-me do viver. Se a morte certa, por que vou viver morrendo? Vivo, com alegria, at quando Deus quiser.


83033
Por Alberto Sena - 25/1/2018 09:55:12
Destino escrito com caneta tinteiro park 51

Alberto Sena

O casal Cesrio Peixoto e Josefina (Sinhazinha) era compadre dos meus pais. Eles haviam batizado a minha irm mais idosa, Terezinha Batista Mura T chamada, hoje com 88 anos, cheia da graa de Deus.
O menino, pois que mantenho com todo carinho o esprito infantil, vivia o perodo do quinto ao stimo ano de vida, na dcada de 50, quando aconteceram as experincias a serem contadas, tudo ocorrido em Montes Claros, onde nasci, terra pela qual sou apaixonado, e ser tema do meu prximo livro, se Deus quiser.
Cesrio Peixoto era um homem de estatura baixa, com protuberncia abdominal acentuada. Gostava de cheirar rap, se no me engano, fumava charuto. Tinha o nariz de tamanho acima da mdia, usava chapu de feltro e vestia terno de linho. Alm de gostar de comer colher de sopa cheia de pimenta malagueta, antes de dar a primeira garfada no prato, ele contumaz criador de galos de briga. Galos ndio, principalmente, os mais valentes.
Aos domingos, pai e ele se encontravam na rinha da Praa de Esportes, e l, em companhia deles, assistamos os mais violentos embates entre ndios galos e galos de outras raas. Acontecia com frequncia de um dar uma esporada fatal no adversrio e este sangrar ali mesmo na rinha. Sob os gritos dos apostadores vencedores e perdedores.
No estou criticando o costume, no era bom, mas era um costume e foi abolido pelo ento presidente da Repblica, que encalacrou o Brasil ao renunciar mandato pensando que o povo iria lev-lo nos braos de volta ao poder. Deu no que deu. Ter proibido as brigas de galos foi o maior feito de Jnio Quadros.
A amizade do meu pai com Cesrio Peixoto era ao ponto de ele, a mulher e a filha deles irem l em casa almoar e ns tambm amos casa deles para almoar ou mesmo fazer uma visita cordial, em uso naquela poca, nem to longe assim como se pode depreender.
Cesrio Peixoto foi muito importante para o menino. Por duas razes: ter me ensinado a jogar damas foi uma delas. Ele possua um tablado enorme, pelo menos aos olhos do menino. As pedras eram proporcionais ao tamanho do tablado. Eram pintadas de vermelho e azul. Aprendi a jogar e fui to bem que ganhava dele todas as partidas.
Foi indo, foi indo, ele me disse:
- Vou dar a voc esse jogo de damas de presente.
E deu. Este foi um dos meus primeiros espantos. Dei pulos de alegria e no parava de jogar com os irmos e com quem chegasse em casa para fazer uma simples visita.
O outro presente recebido das mos de Cesrio Peixoto, que para mim teve um valor simblico enorme, como se fora um sonho premonitrio, foi uma caneta tinteiro Park 51. De tanto gostar de v-lo escrever com a caneta, cresci o olho. E ele entendeu e me perguntou um dia:
- Gostou da caneta?
- Gostei eu disse, com sorriso banguela.
- Quando voc aprender a ler e a escrever, lhe darei a caneta.
Para mim foi o mximo. No demorou muito e j estava na escola aos sete anos e juntando uma ficha aqui e outra ali, aprendi a ler e a escrever e Cesrio Peixoto cumpriu com o prometido. Fiquei todo metido. Naquela poca no era comum uma criana de sete anos possuir uma caneta tinteiro Park 51.
Penso, hoje, aos 68 anos, que essa caneta foi marcante para mim ao ponto de determinar o que eu poderia ser ao longo da vida profissional, jornalista e escritor. Jornalista sou desde aos 17 anos, com carteira assinada a partir de1969 e registro profissional no Ministrio do Trabalho. Se, antes, de fato j me chamavam de escritor, agora, de direito, o sou ao publicar o livro Nos Pirineus da Alma, sobre as duas experincias no Caminho de Santiago de Compostela, na Frana e na Espanha.
Posso estar enganado, e se eu estiver enganado, por favor, me corrijam. Mas, o leitor no acha que essa caneta Park 51 foi determinante na minha vida profissional? Pensando bem, essa a melhor parte do meu caminho. Entre o jogo (de damas Cesrio Peixoto gostava era do carteado no Clube Montes Claros) e a Park 51, fiquei com a caneta tinteiro, e o significado disso da maior importncia para um escriba de mais de meio sculo de servios prestados.

*Quem se interessar em adquirir o livro Nos Pirineus Da Alma, em Belo Horizonte encontrado na Savassi, nas livrarias Ouvidor, Scriptum e Savassi Livros. Em Montes Claros, nas livrarias Palimontes, Nobel e Thais. Pode ser enviado pelos Correios, basta manifestar o interesse e entraremos em contato.



82978
Por Alberto Sena - 26/12/2017 08:35:17
De como uma coisa leva outra

Alberto Sena

Nesses quase quatro anos em que vivi fora de Belo Horizonte, com dois ou trs retornos porque era exigida a minha presena fsica, no tive a iniciativa de descer parte de baixo do prdio onde moro. Confesso que gostei do que vi e tanto gostei que fotografei as flores e as demais plantas ornamentais.
Recordei-me de quando estava em Gro Mogol cidade do Norte de Minas/Vale do Jequitinhonha, onde percorri lugares naturais maravilhosos que nem mesmo muitos dos nativos viventes l conheceram e no se interessam em conhecer para amar de fato a regio.
Subi serras com mochila nas costas. Desci encostas, entrei em grutas, cavernas, lapas, stios arqueolgicos, cachoeiras. Ouvi o canto de passarinhos mil, retratei alguns. Respirei o ar ainda puro da cidade histrica, to ou mais histrica do que as chamadas cidade histricas. Vivi vida simples e simplificada.
Contei a histria da cidade, exaltando o quase nada explorado Baro de Gro Mogol, que na regio viveu e explorou diamantes, os quais fizeram dele um dos homens mais ricos do Brasil colnia. Para mim um desperdcio a cidade no viver do turismo e da explorao positiva da figura do baro.
Mostrei a simplicidade de figuras humanas que jamais teriam a oportunidade de serem reconhecidas e valorizadas por meio de uma crnica e fotos. Fiz da minha pgina no Facebook uma revista, porque o lugar no possui nenhum meio de comunicao a no ser boca a boca e o alto-falante.
Se Gro Mogol tivesse ocorrido no na linha entre o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, mas no Continente Europeu, a essa altura, com 159 anos de emancipao poltica, os brasileiros estariam se arrancando daqui para visit-lo. Inclusive os prprios gromogolenses.
L passei os meus anos mais gostosos, posso dizer assim. Tudo devido ao lugar em si. Fiquei em contato direto com a Me Natureza. Minha alma se encheu de belas paisagens. Ningum na histria de Gro Mogol fez o que fiz por Gro Mogol, divulgando a cidade desde o primeiro dia que l cheguei at o ltimo, quando publiquei o texto intitulado Ai de ti Gro Mogol em defesa daquela bela urbe maltratada e da regio tambm. Com textos e fotos por mim produzidos e enviados ao mundo.
Agora, estou de volta a Beag e aqui vim voando nas pginas do meu primeiro livro Nos Pirineus da Alma que conta a nossa dupla experincia no Caminho de Santiago de Compostela, na Frana e Espanha, at a Catedral milenar. Com as emoes, as aventuras, a espiritualidade e o misticismo do Caminho. Quem o l faz o trajeto conosco.
Foi o livro que nos trouxe e ser lanado aqui em meados de janeiro, mas j se encontra nas livrarias de Montes Claros, Palimontes, Nobel e Thais. Em Belo Horizonte encontrado na Savassi, nas livrarias Scriptum, Ouvidor e Savassi Livros, ao preo de R$ 60,00.
Era para tratar, aqui, da beleza dos jardins do prdio onde moro, jardim cuidado por Alessandra. Mas foi o comentrio de Ftima Sapucay, comparando as flores do nosso jardim s de Gro Mogol, que me levou a mergulhar na beleza daquele lugar inesquecvel.



82966
Por Alberto Sena - 18/12/2017 14:54:16
GUARDA MEU ANEL BEM GUARDADINHO -

Alberto Sena

Quando li o convite de lanamento do livro O Anel Que Tu Me Deste, convite feito pela autora, professora, escritora e doutora em Literatura, Ivana Ferrante Rebello, imediatamente saltou do escaninho mais profundo da memria, aquela brincadeira infantil de passar o anel.
Vi-me numa roda de meninos e meninas em frente da nossa casa, na Rua So Francisco, em Montes Claros, no incio da noite, sob o torpor do calor montesclarino, brincando: Guarda meu anel bem guardadinho; guarda meu anel... E o anel ia de mo em mo espalmada.
O gesto era to acalentador! A gente sentia, como sinto ainda agora, o calor humano, a energia transmitida de mo em mo. E quem tinha o anel escondido entre as mos o deixava com algum ali na roda e depois lanava o desafio: Com quem est o anel? Quem adivinhava ficava com ele e a cena se repetia em meio a algazarra da meninada.
Ivana Rebello, pelo que pude perceber a partir de uma simples sntese do livro, feito por ela a meu pedido, mergulhou em um arqutipo para revelar a sua admirao por Joo Guimares Rosa, do qual especialista.
O Anel Que Tu Me Deste- Grande Serto: Veredas e a Histria de Amor Que Virou Livro certamente daqueles livros que a gente no quer interromper a leitura, principalmente se estiver espichado numa rede, em algum lugar do Serto, porque, afinal de contas, o Serto est em todo lugar.
O livro foi nascendo aos poucos, em trs anos de pesquisa, conta Ivana. E ela foi me dando um aperitivo dele de dar gua na boca. Parte de uma imagem dentro do romance: a pedra joia encontrada em Araua e que Riobaldo quer entregar a Diadorim, seu amor maior.
S mesmo quem conhece a obra de Joo Guimares Rosa, como Ivana conhece, seria capaz de escrever um livro desse a partir de uma imagem do grande romance. E ela continua: Mas Diadorim no a recebe e essa pedra via circular no romance de mo em mo e sempre com nomes trocados: ametista, turmalina, esmeralda...
Na viso de Ivana, esse trecho do livro nada mais do que um jogo de passar o anel, muito comum na nossa infncia. Nessa poca, no havia a parafernlia de meios dspares a desviar as atenes das crianas como existem hoje em dia. Parece que a pureza infantil daquela poca era mais pura do que a dos tempos atuais, quando os bebs, pode-se dizer, j nascem com celular na orelha.
Esse jogo Ivana continua a metfora da forma de escrita de Guimares Rosa: ele recolhe as histrias (anel) das mos alheias e as reelabora poeticamente, culminando em sua literatura. Ele repassa essa pedra-histria ao leitor. Da o ttulo do livro.
Pesquisadora, Ivana recebe essa pedra, como ddiva de amor. E ela vai mais alm, na anlise das cartas trocadas entre ele e sua mulher, Aracy, descubro que Guimares Rosa viveu uma linda histria de amor. O livro dela, como diz a dedicatria. o anel de casamento que ele oferece a ela. Enfim, so histrias de amor que entrelaam a fico e a vida.

P.S.: O lanamento do livro O Anel Que Tu Me Deste acontecer nesta quarta-feira, 20, s 20h, no Museu Regional do Norte de Minas (MRNM).


82947
Por Alberto Sena - 8/12/2017 20:48:15
AI DE TI GRO MOGOL

Alberto Sena

Em maro de 2018 completariam quatro anos que moramos em Gro Mogol. O verbo da frase est no futuro do pretrito no toa, porque estamos indo embora. Voltamos casa, na capital. Antes, porm, como jornalista, e agora escritor, com livro publicado Nos Pirineus Da Alma me sinto no dever de prestar mais este servio a Gro Mogol fazendo uma anlise rpida do que foram esses anos, aqui, vividos vistos e revistos.
Fao isso por amor a este lugar sui generis, que, pelas prprias belezas naturais aquinhoadas pela Natureza, j podia estar bem adiantado, no fosse o fato de ao longo dos seus 159 anos de emancipao poltica ter sido administrado de maneira equivocada. Nenhuma das administraes, inclusa a atual, levou a srio o turismo, vocao natural da regio.
Por qu? Porque os resultados do turismo no surgem da noite para o dia. O turismo exige investimentos a fim de criar infraestrutura adequada para recepcionar os visitantes. Pode ser que investimentos feitos hoje s venham a dar resultados prticos na administrao seguinte. Da os prefeitos terem certa averso em focar o turismo como a sua primeira prioridade.
O turismo seria a redeno do municpio, depois do advento do garimpo de diamante. Seria o diamante maior, em cima do qual a populao est sentada. Daria empregos, elevaria o nvel cultural dos gromogolenses. A sede seria bem cuidada e essa urbe de tantas histrias que se esfacelam transformaria numa Sua Sertaneja, com o aproveitamento adequado de seus recursos hdricos, caso do histrico Ribeiro do Inferno, maltratado e parcialmente poludo.
Para dar a Gro Mogol o que o municpio precisa, os administradores deveriam ter esprito pblico. Trabalhar visando o municpio e o povo, sem pensar em si mesmo. Fazer como fez Toninho Rebello, considerado o melhor prefeito de Montes Claros, que recusou salrio e trabalhou para a cidade e o povo. Depois dele, no apareceu nenhum outro.
Comparando, desde quando chegamos at hoje, a cidade piorou bastante. As praas ainda eram lindas quando chegamos. Noivas vinham de fora para fazer lbum de fotografias na Praa Ezequiel Pereira, praa da Matriz chamada. Basta recorrer s fotos de quando a praa era bonita e bem cuidada e fazer comparao com o estado dela, atualmente.
A praa Coronel Janjo, que no era to bonita quanto a da Matriz, mas parecia agradvel, simplesmente acabaram com ela na administrao passada e a atual nada fez em termos de obras na sede do municpio, nem para recuperar a praa cuja maquete at foi publicada na administrao anterior.
Para piorar ainda mais as coisas, os bandidos vieram a Gro Mogol e explodiram com dinamites os cofres dos dois bancos e da agncia dos Correios. Por causa disso, o comrcio local est quase s moscas. Os feirantes da zona rural que vinham a Gro Mogol trazendo mercadorias e aproveitava para resolver questes bancrias, foram para outras praas.
uma cena triste ver pessoas simples na porta do Banco do Brasil e na agncia lotrica, que faz as vezes de Caixa Econmica Federal, na expectativa de incerto atendimento. Conversei outro dia com Fabiana Arruda, irm do dono da lotrica, para saber o que afinal acontecia, porque uma hora no tem dinheiro e em outro momento os computadores esto fora do ar.
Ela informou que a lotrica trabalha sem nenhum lucro. Est simplesmente prestando servio porque havia recebido orientao da Caixa Econmica de no juntar dinheiro na agncia para no atrair os bandidos.
A lotrica, segundo ela, precisa de um banco para funcionar, e como em Gro Mogol no h mais banco (ambos funcionam a meia boca, como se diz) quem mais sofre a populao e o comrcio ambos desamparados.
E como a populao nem o comrcio dispem de meios para reclamar, e mesmo que tivesse talvez no reclamasse, porque a Prefeitura Municipal garante o salrio de boa parte da populao, a cidade depende o tempo todo de Montes Claros para quase tudo.
Na situao em que a sede do municpio se encontra, praticamente paralisada, nem conseguiu realizar o importante Festival de Inverno neste ano, houve quem sugerisse transplantar Gro Mogol em Montes Claros para que a cidade pudesse funcionar. Seria at mais econmico, inclusive, porque evitaria o trnsito dirio de gromogolenses indo a Montes Claros para solucionar os seus problemas.
Gro Mogol perdeu a sua grande oportunidade de se dar bem aos olhos do governo estadual por causa de um erro de estratgia poltica. Antes das eleies para o governo de Minas, Jos Afonso Bicalho Beltro Silva, filho desta terra, atual secretrio de Estado da Fazenda de Minas Gerais veio regio buscar apoio para Pimentel. No primeiro momento parecia ter conseguido, at que o lado majoritrio fez a opo errada e Jos Afonso largou Gro Mogol de mo.

P.S.: Hoje, 8 de dezembro, a cidade esteve toda a manh sem comunicao. No havia internet nem telefonia celular. Est quase chegando naquela situao: O ltimo a sair apague a luz. Luz? Da vela.


82938
Por Alberto Sena - 6/12/2017 11:31:01
P no Caminho

Alberto Sena

Algumas pessoas me perguntam quanto tempo levei para escrever Nos Pirineus Da Alma e tambm sobre outros detalhes no encontrados no livro. Aproveito o ensejo para responder a quem interessar possa, porque sinto em cada uma dessas pessoas o desejo de percorrer a trilha milenar, o Caminho de Santiago de Compostela, na Frana e Espanha at a famosa Catedral onde estariam os restos mortais do apstolo Tiago Maior.

Uns no fazem a caminhada porque no dispem de recursos para bancar as passagens de ida e volta e muito menos a estada. Aproveito para informar: o correto dizer estada, porque estadia de navio no porto. Quase sempre ouo as pessoas dizerem feliz estadia, e penso logo em um navio chegando ou saindo do porto, como acontece com a prpria vida, uns chegam e outros partem.

H os que no fazem o Caminho porque convivem com alguma dificuldade fsica. Mas nem toda dificuldade fsica seria empecilho para algum fazer o percurso. Encontramos pessoas, poucas, verdade, com limitao fsica e ainda assim tinham os seus motivos para fazerem a caminhada. Quem percorre 100 quilmetros, comprovadamente, com o passaporte da caminhada contendo os carimbos dos lugares por onde passou, recebe a Compostelana, documento comprobatrio, Cada um faz o seu Caminho. O importante dar o primeiro passo.

As pessoas mais velhas, mesmo sendo dotadas de esprito aventureiro, muitas delas j chegaram concluso de que no tm mais nimo para uma empreitada dessa, a p; andar mais de 800 quilmetros, correndo alguns riscos no to srios a fim de concluir tudo na famosa Catedral.

Mas a maioria das pessoas acha de duas uma, ou as duas: fazer o que fizemos uma loucura e at admitimos, mas como loucura lcida, porque ao fim e ao cabo a gente tem de admitir, uma faanha poder provar a si mesmo at onde vo os limites, sem que para isso seja necessrio cometer exageros. A outra ideia de que fizemos uma besteira sair andando com um pedao de pau na mo, gastando salto e sola de botina.

Cada um tem todo direito de pensar o que bem quiser a respeito do Caminho. Em nossa opinio, foi uma das coisas mais importantes em termos do nosso viver, sentimo-nos vivos, pisando o cho do planeta, livres, podendo andar e ouvindo o silncio contemplar as belezas de Deus semeadas por todos os cantos, at onde as vistas conseguem enxegar, na linha sinuosa do encontro da Terra com o Cu.

O livro Nos Pirineus Da Alma, agora respondendo aos que me perguntam quanto tempo levei para escrev-lo, a rigor esperei 15 anos. Para escrever foi at rpido. Neste momento penso e peso, uma experincia dessa no se pode pr no papel aodadamente. importante ibernar dentro da gente para desabrochar quando chegado o tempo.

Para fazer uma caminhada como a de Compostela necessrio um trabalho de preparao, a comear da prtica de andar e andar. Claro, cada um faz como quiser, mas convm munir-se de uma boa mochila e da indumentria apropriada, o que se pode encontrar nas casas comerciais do ramo.

de se supor que quem d ouvidos aos chamamentos do Caminho seja enfronhado minimamente nas coisas da internet. Assim sendo, convm acessar os vrios sites do milenar trajeto, por meio do Google. A quantidade de informao enorme e dessa maneira o peregrino de alma ir fazer uma caminhada abenoada.

O fundamental sair daqui do Brasil levando simplesmente o necessrio como muda de roupa, inclusive ntimas; artigos de higiene, de modo a no superar 10% do peso corporal. preciso entender bem, uma mochila pesada fica mais pesada ainda a cada passo. Leve-se em conta tambm, mochila pesada denota o materialismo da pessoa.

H os que fazem o Caminho com apoio de vans. Mas o gostoso mesmo viver a caminhada com mochila nas costas, cajado na mo e as possveis dificuldades encontradas. Nada acontece durante o percurso que no deveria acontecer. assim tambm com a vida. O Caminho de Santiago , portanto, como o viver aqui, l e acol. subjetivo. Est dentro de cada um de ns. A gente sai dele, mas ele nunca mais sai da gente.

P.S.: Em Montes Claros o livro "Nos Pirineus Da Alma" encontrado na Livraria Palimontes. Quem optar por receber pelos Correios, manifeste o interesse por meio de mensagem e entraremos em contato "in box".


82920
Por Alberto Sena - 30/11/2017 08:06:54
O povo quer a duplicao da estrada e no mel de coruja

Alberto Sena

Pode at parecer piada pronta, mas no . Trata-se da mais cruel realidade. A empresa que vem fazendo o recapeamento do asfalto na BR 251 descobriu uma mina dgua na altura de Francisco S, onde o asfalto recm capeado regurgitou com os primeiros chuviscos. O asfalto antigo l estava h anos e nunca se teve notcia de mina dgua. Mas foi s recapear para o asfalto subir em um trecho de cerca de dois quilmetros.
O mais incrvel em tudo isso que as autoridades do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) acreditam nessa verso estapafrdia e a vida continua daquele jeito, com paradas prolongadas para a empresa que prestou o desservio refazer a obra. Pior: uma coisa dessa acontece justamente quando as empreiteiras esto envolvidas com a Operao Lava Jato.
Quem passa pela BR 251 e sofre com aquele montueiro de carretas, caminhes, cegonheiras e tudo mais v que pela espessura do asfalto, o recapeamento no durar muito tempo porque buracos na pista recapeadas j esto surgindo.
Ser que o Dnit no fiscaliza? Fiscaliza, porque carro do departamento visto por l. Mas ser que o asfalto colocado est compatvel com a grana investida ali? Pelo jeito h algo de errado ali e preciso ser averiguado. Todo o Brasil sabe que as empreiteiras costumam oferecer asfalto de qualidade duvidosa incompatvel com o montante da grana recebida.
No possvel acreditar no trabalho de uma empresa que no dura nem um ms. Se as chuvas vierem para valer, ser o caos definitivo. Ademais, numa hora dessas, os pais e as mes da obra somem. So pais e mes desalmados, porque no aparecem para falar do desastre da obra.
Em verdade, esse recapeamento funciona como o bode russo. Quem conhece sabe, esto fazendo o recapeamento, quando o Dnit tinha que partir para a duplicao da BR. Ou pelo menos construir a terceira pista em determinados pontos. Colocaram o bode russo para calar a boca dos que reclamavam. Em verdade, o que todos querem a duplicao da estrada. O mais falcia.


82908
Por Alberto Sena - 27/11/2017 09:19:22
Silncio e Caminhar *

Alberto Sena -

Ns, montes-clarenses, ns brasileiros de modo geral estamos assistindo o Pas descer celeremente a ladeira. Estamos como o co correndo atrs do prprio rabo.
O problema brasileiro e da Humanidade no se resolve porque a raiz de egosmo, dio, rancor, mgoa e outros sentimentos negativos. Creio que quem se dispuser a tomar o poder base de aes violentas, acaso seja bem-sucedido, no oferecer um cenrio de paz e harmonia; jamais.
REVOLUO
Nesse quesito, fico com o pensamento e a prtica do Martma Gandhi A Grande Alma quando ele diz: A nica revoluo possvel dentro de ns. Qualquer outra mais do mesmo e se no fosse, tudo j estaria resolvido, e, no entanto, nada est solucionado aqui nem no mundo onde a oferta de qualidade de vida deteriora a cada dia.
Penso que para enfrentarmos os nossos problemas devemos utilizar o silncio e o caminhar como forma de protesto. Em vez de sairmos s ruas gritando frases de efeito, esbravejando, cuspindo sentimentos os mais negativos, vamos, todos juntos, em silncio, caminhar.
No vejo maneira melhor para vencermos essa batalha rdua travada diariamente. No vejo luz no final desse tnel. As eleies para presidente da Repblica esto s portas e para muitos de ns no h nenhum candidato capaz de promover as mudanas que o povo quer.
PROTESTO
Protestar caminhando e em silncio tem muito mais eficcia porque ajuda a encontrar soluo sbria para esse impasse. Estamos entre a cruz e a caldeirinha. E no sobreviveremos como nao espargindo os j conhecidos maus sentimentos.
Ao oferecer esse caminho comungo com a opinio do pensador francs David Le Breton, autor de livros como El silencio e Elogio del Caminar. Ele defende a abertura de espaos na nossa vida diria para o silncio, para meditar, para nos encontrarmos conosco mesmos. E, com a disciplina adequada, fazermos esses espaos cada vez maiores.
Muito antes de ler alguma coisa dele, eu percebi isso depois de fazer duas vezes a p o Caminho de Santiago de Compostela, na Frana/Espanha, em 2001 e 2002, motivo desta reunio para lanamento do correspondente livro Nos Pirineus Da Alma.
Nada melhor do que o silncio e o caminhar para encontrarmos ns mesmos e em seguida participarmos da nica revoluo possvel, conforme dizer de Gandhi.
MELHOR EXPERINCIA
O pensador francs fez recentemente a caminhada e disse (abre aspas), A minha melhor experincia nesse sentido, a definitiva, foi no Caminho de Santiago: quando cheguei, enfim, a Compostela, compreendi que eu havia me transformado completamente, depois de numerosos dias em marcha e em absoluto silncio. Foi um renascimento. Fecha aspas.
Ele do nosso tempo. Mas, antes dele, Martma Gandhi pde provar a eficcia da caminhada em silncio por meio da Marcha do Sal, um ato de protesto contra a proibio da extrao do sal na ndia colonial imposta pelos ingleses.
Gandhi percorreu a p 400 quilmetros para pegar um pouco de sal para si. Um nmero muito grande de indianos o seguiu.
Os ingleses nada puderam fazer contra porque ele no havia incitado os outros a seguirem-no. A marcha ocorreu de 12 de maro at 6 de abril de 1930.
ENCONTRAR PAZ
O silncio e sua prtica nos leva a esta possibilidade de encontro profundo. fortificante. Em silncio possvel encontrar paz e o amor incondicional vem com toda a fora transformadora, como j dizia Gandhi naquela poca: O amor a fora mais sutil do mundo. O mundo est farto de dio. E justamente isso que, no momento destri, corrompe e ensurdece os seres chamados humanos.
Jesus Cristo nos ensinou que, para falarmos com Deus no h necessidade do uso de muitas palavras. O silncio j diz quase tudo. Este pode ser um passo. Ningum deve ter medo de si mesmo. Andemos, pois, e pratiquemos o silncio diariamente. Vamos ajudar a transformar a Humanidade.

(* Discurso proferido na solenidade de lanamento do livro Nos Pirineus Da Alma, no Elos Clube Montes Claros)


82843
Por Alberto Sena - 31/10/2017 14:59:51
Vamos embora levados nas pginas de um livro

Alberto Sena

Posso dizer, sem medo de errar, os meus melhores dias da vida foram passados em Gro Mogol. Foi o lugar onde pude me realizar mais, pessoal e profissionalmente. Algum pode at achar isso um espanto, considerando que passei a maior parte de minha vida na capital, onde trabalhei s no Jornal Estado de Minas, 24 anos, onde tive, evidentemente, vida intensa, agitada, estressante, proveitosa. No posso reclamar. Seu queixo de burro, como dizem popularmente.
Em Beag tive o melhor aprendizado. Constitui famlia. Vivi a melhor fase do jornalismo nacional. Naquele tempo, as notcias tinham consequncia. As redaes eram feitas de intelectuais e escritores, diferentemente de hoje em dia, quando os assuntos se atropelam uns aos outros. E, politicamente, o Brasil nunca viveu caos semelhante, com a grande maioria dos polticos ocupantes de cadeiras no Congresso implicada em crimes de envergonhar at esttua.
Gro Mogol, para mim sinnimo de paraso. Nasci em Montes Claros, onde vivi at aos 22 anos, sem conhecer Gro Mogol. Desde criana ouvia dizer, infestado de barbeiro, e, talvez por isso, ao chegar idade adulta no me interessei em conhecer Gro Mogol.
Foi preciso o gromogolense Lcio Bemquerer construir o Prespio Natural Mos de Deus e me chamar, ainda na fase inicial, para ver a loucura que estou fazendo. De fato, Lcio construir um prespio podia ser uma loucura, mas loucura lcida. Obra que, a rigor, os gromogolenses no conhecem e por consequncia, no valorizaram.
Vim a Gro Mogol a primeira vez, em 2012 Vim, vi e, posso dizer, venci. Sabem por qu? Porque, aqui, eu me revelei para mim mesmo duas condies demasiadamente importantes. A primeira: tomei gosto pela fotografia, graas ao convite do cenrio local, rico em paisagens, um lugar onde h histria em cada pedra do calamento da cidade e na circunvizinhana. Onde o ar puro e a vida segue naquela pachorra, como se aqui fosse afastado do resto do mundo.
A segunda, e, para mim, a mais importante: aqui, pude concretizar a minha condio de escritor e tive ambiente para escrever alguns livros de Literatura. O primeiro ser lanado, em novembro prximo, em Montes Claros. Em seguida, em Belo Horizonte, relatando as nossas duas experincias na milenar trilha chamada Caminho de Santiago de Compostela. Tenho, potencialmente, s faltando compilar, livros de poemas, de contos, de crnicas e um romance escritos nesta cidade de pedras, e cada um ser lanado, como numa catapulta, a seu tempo, se Deus quiser.
Em Gro Mogol pude, ento, conviver mais de perto com os passarinhos e com as flores. Pude reviver o passado de menino, poca em que as casas tinham quintais, como os daqui. Comparando, Gro Mogol semelhante minha Montes Claros da infncia, hoje sufocada pelo crescimento e os problemas inerentes s cidades grandes.
Pessoalmente, no tenho do que me queixar, mas como costumo abordar temas que dizem respeito vida do meu semelhante no dia a dia, devido condio de jornalista, tenho um corolrio de assuntos a abordar, tendo em vista a melhoria das condies de vida do povo de Gro Mogol. Mas, no o caso de debulh-los, agora, para no empanar a leveza desta nossa conversa.
Estamos indo embora, mas, um dia, slo el de Arriba lo sabe, como diz o poeta espanhol, voltaremos para viver essa vida simples e simplificada, posso dizer, deliciosa. Passei esses ltimos anos como se estivesse em frias, porm, produzindo intensamente, como nunca.
Conscientemente, fiz um trabalho neste municpio, que, sem falsa modstia, j entrou para a histria de Gro Mogol. Ningum, em nenhum tempo, fez um trabalho semelhante ao que fiz, simplesmente por amor ao lugar onde, para mim, Deus demorou um pouco mais para criar.
Nesses mais de trs anos aqui vividos, diuturnamente divulguei Gro Mogol ao mundo, vrias vezes ao dia, por meio de crnicas, reportagens e fotos. Os frutos desse trabalho ainda viro, com mais intensidade, na medida do tempo. So como as ondas do mar. As notcias foram arremessadas ao espao. Um dia as consequncias viro na espuma do tempo.
Acalento a viso aqui tida logo ao me deparar com a magia e a beleza de Gro Mogol e regio. Um dia, quando a cidade for preparada de fato para receber turistas, eles viro de todas as partes do mundo para gastarem dlares e euros. Quando esse dia chegar, o nome desta urbe estar em todos os quadrantes do planeta.
No meu caso particular, era necessrio voltar s origens para, em seguida, dar-se a metamorfose. E o primeiro livro a porta. Voltar para Montes Claros seria a mesma coisa de ficar em Beag. Portanto, nesse tempo, Gro Mogol foi a minha Montes Claros da infncia que o progresso transformou irremediavelmente.
Vamos embora levados nas asas, quer dizer, levados nas pginas do livro Nos Pirineus Da Alma. Querendo ou no, quem a p trilhou por duas vezes o Caminho de Santiago, a partir da Frana, entrando Espanha adentro, perfazendo, ao todo, 1.300 quilmetros, querendo ou no, est preparado para viver em qualquer parte do planeta onde a querncia divina indicar.


82825
Por Alberto Sena - 25/10/2017 14:04:45
O Automvel Clube ameaado

Alberto Sena

O qu?! O Automvel Clube (AC) de Montes Claros ser vendido ou fechado? Que notcia essa que me chega minha caverna? Dentre as demais calor, falta dgua, criminalidade em alta etc. esta foi de lascar, porque as demais j eram sabidas. Nunca passaria por minha cabea a possibilidade de o AC encerrar atividades, justamente quando, particularmente, tinha a inteno de procurar a diretoria para saber se era do seu interesse adotar a Praa Joo Alves, em parceria com a Escola Estadual Gonalves Chaves, assimilando a sugesto do amigo Paulo Henrique Veloso Souto.
Para Montes Claros, qualquer coisa ruim que vier acontecer com o AC, grave. Daqui, contemplando as lonjuras sentado numa pedra e no topo da Serra Geral, Serra do Espinhao chamada, recordo-me quando tinha 15 anos e vi o incio da construo do prdio, isto , o incio da histria dele.
Fiz cobranas para a Zeta Incorporao e Construo, empresa do engenheiro Pimenta, responsvel pela obra que, definitivamente, marcou Montes Claros sobre todos os aspectos, principalmente polticos e sociais por ter sido palco de grandes acontecimentos.
Claro que, estando fora essa quantidade de tempo, uns 45 anos, no posso entrar no mrito dos motivos que esto a levar a atual diretoria a tomar uma medida drstica. O colunista jornalista Theodomiro Paulino, bastante identificado com o AC e vice-versa, disse no Facebook fiquei triste ao saber da notcia. E completou: Lamentvel, mais um patrimnio que se vai.
O professor Marcelo Walmor Ferreira ps o dedo na ferida ao dizer: Esse o desfecho de uma histria de grandes eventos polticos e sociais e que voc (Theodomiro), brilhantemente, fez e faz parte. E, segundo ele, tambm fruto de gestes que no deram o devido valor que o clube merecia.
Assim como eu, que tanto me interesso pela preservao da nossa memria coletiva, Marcelo Walmor fica pensando que as cidades so feitas exatamente disso, de homens e memrias, e se j no as temos mais, no temos cidade tambm. Isso no saudosismo, como ele mesmo diz, e na minha opinio, um ato jurdico de legtima defesa putativa, isto , estamos antecipando a defesa da sociedade montesclarina antes que o fato acontea, porque estamos diante de uma ameaa grave: a venda ou o encerramento das atividades do AC.
Alguma coisa precisa acontecer urgentemente para evitar o que pode ser um desastre para Montes Claros. Posso estar enganado, mas, a cidade fica sem um ponto atrativo e atraente, dentro da urbe, para sediar grandes acontecimentos, como sediou durante os seus 52 anos. Encontros polticos, festas memorveis realizadas por Lazinho Pimenta e Theodomiro. Carnavais... Ah! Os carnavais... Quantos passamos ali entrando pelas madrugadas. E as horas-danantes? Hum... Quantas histrias e estrias impregnam at as paredes?
O pior que poder acontecer ao AC o que alerta Georgino Jnior, a continuao do sepultamento da memria de Monscraro; daqui a pouco surge um espigo naquele lugar... (depois que a casa onde Mestra Fininha criou Darcy Ribeiro e Maro foi demolida pra virar estacionamento de veculos, um quarteiro abaixo do Automvel Clube, nada mais me espanta em relao ao patrimnio histrico da cidade).
Mrcia Maia achou muito triste, mas como voc (Theodomiro) mesmo disse mais um patrimnio nosso indo embora! Quantas lembranas! Ao que Jussy Marangon reagiu assim: No acredito (escrito em caixa alta); e a sociedade vai deixar?
Suzana Neiva de Melo Franco considera um absurdo. E faz uma indagao: Como uma parte da nossa histria acaba assim? Onde esto as lideranas polticas? O Automvel Clube da cidade. Tem que haver uma forma de reverter este triste quadro.
E o quadro alegado at onde sei, que o AC tem sobrevivido at aqui com 70 scios que pagam R$ 70,00 de mensalidade. Penso que, antes de tomar uma medida drstica como essa, a atual direo do clube devia fazer o que fez, chamar a ateno. Agora, os mais interessados na defesa da sua integridade devem se reunir para encontrar uma soluo plausvel para o problema.
Porque seno acontecer com o AC o que diz Georgia Maria Ferreira, mais um marco da nossa histria que se desfaz, assim como nosso pas, cada dia mais, nos tornamos uma sociedade sem memria, sem histria, muito triste mesmo! Talvez, se juntarmos os montes-clarenses e fizermos um movimento!


82816
Por Alberto Sena - 23/10/2017 10:05:54
O coaxar do sampo e da jia

Alberto Sena

Hoje, o sapo e a jia do Ribeiro do Inferno, aqui, de Gro Mogol (MG) esto coaxando meio diferente. Coaxar monocrdio, como para marcar os segundos. Um solta o coaxar com gosto e outro entra em cena a cada intervalo de um minuto, seno menos, mas com uma maneira estranha, um coaxar crocante e seriado, como tiros de metralhadora, com durao de alguns instantes. A cada intervalo deste, fica s o coaxar monocrdio do sapo (ou seria da jia?) como se fosse o rei do brejo, com a misso de marcar o compasso.
s vezes, o sapo e a jia parecem estar distantes. Neste momento, estariam mais prximos e justamente nesse ponto onde mora o problema, se que se pode chamar de problema o fato de estarem longe ou perto.
Afinal, os anuros tm tambm o direito de ir e vir. Ningum vai ficar vigiando os bichinhos, que muito bem podem estar l num dia e c noutro dia. Eles tm a capacidade de dar saltos e podem ir aonde quiserem em busca de petiscos. Para isso tm lngua comprida, elstica. Do uma lambida e a presa est no papo.
Onde tiver gua e comida, l os anuros estaro, agora e sempre. Eles no diferem muito dos homens, que desde os primrdios, tempos de Entradas e Bandeiras, procuravam sempre acampar prximos aos rios, por motivos bvios.
Agora, o coro deles volta a ser integrado pelo sapo com o coaxar seriado e crocante. A cada intervalo, ele ressurge, como se tudo fosse cronometrado. Eu no saberia fazer leitura do linguajar dos anuros, mas posso observar as mudanas no comportamento deles, de um dia para o outro.
Eles so aquilo mesmo e no enganam ningum. No usam mscaras como se fora o Zorro das histrias em quadrinhos. No fazem como fazem os outros tipos de sapos e de jias que pululam por a fazendo poltica entre aspas, se que o que fazem pode ser chamado de poltica, corruptos e bandidos como a maioria deles .
Se considerarmos os sapos e as jias como seres csmicos, como os esotricos acreditam, porque os anuros teriam sensibilidade capaz de captar as energias do espao, pode ser que eles estejam mais prximos porque encontraram mais comida, aqui, por essas plagas. Ou, seno, para lanar um alerta aos circunstantes, extensivo ao Brasil e ao mundo.
Acredito, baseado no meu parco anurs, que os sapos e as jias coaxaram um de um jeito e o outro de modo esquisito porque estariam percebendo algo vindo do oriente rumo ao ocidente (ou seria o contrrio?), para iniciar o que poder ser o princpio do fim da civilizao humana na face da Terra.


82799
Por Alberto Sena - 17/10/2017 17:57:04
Onde esto todos ?

Alberto Sena

O tempo voraz tanto quanto boca de fornalha de siderurgia. Passamos pela vida de muita gente e o contrrio tambm verdadeiro. Vamos vivendo. Vida em abundncia. Mas, ento, chega uma hora em que acontece de iniciar uma reviso, inda mais quando se estimulado a isso.
Recentemente, em Montes Claros, retornei Rua Corra Machado, onde vivi a adolescncia e os primeiros anos de vida adulta. Depois de mais de quatro dcadas, o boto das recordaes daquela poca foi, ento, acionado.
Pergunto, e quem puder responder, por favor, faa um comentrio. Por onde anda o ex-vizinho Eustquio, neto de Dona Tina, uma senhora simptica, pequena na estatura fsica, mas de grande corao? Ela viveu quase 100 anos. Criou Eustquio e outros netos vindos de Francisco S. Ns dividamos nossas apreenses da adolescncia.
E os irmos Paulo e Luiz, filho do ferreiro Simeo? Moravam na Rua Doutor Veloso, quase esquina da Rua Corra Machado. Quem estiver com eles, diga a ambos, por obsquio, quase meio sculo depois retornei casa onde a famlia deles morava. Quando apertei a campainha quem me atendeu foi uma senhora j de idade. Ela se identificou como sendo Alice, irm de Paulo e de Luiz. Deixei com ela um abrao aos dois. Ns dividimos espao nas jogadas de futebol, bolinha de gude e finca.
Algum sabe me informar o paradeiro do galego Dedinho, vizinho de Bonga, na Rua Joo Pinheiro? Ele era companheiro no futebol desde os bons tempos do campo do Unio. Jogamos juntos no juvenil do Cassimiro de Abreu. Depois disso nunca mais nem ouvi falar de Dedinho. Algum saberia dele?
E Slvio Guimares? Irmo de Helinho Guimares, mdico. Soube que formara em Medicina e nada mais. Slvio foi companheiro de brincadeiras de estilingue, at o dia em que ele, estilhaou o para-brisa de um caminho caamba do DER e deu at polcia. Com 11 anos de idade, eu e outros tivemos de ir delegacia de polcia para sermos apresentados ao coronel Coelho, sem ter nada a ver com o fato.
Cad Osmar, irmo de Geraldinha? Com ele jogava futebol, tampinha e juntos amos Escola Normal, no perodo ginasial. Lembro bem do cuidado da me dele com a roupa do filho. A camisa engomada, tanto quanto a minha, eram coisas de me. Nunca mais tive notcia dele. Tomou aquele comprimido para dor de cabea e... Sumiu.
Joo Carlos Gabrich, irmo de Felipe, outro sumido. Tive notcia dele, recentemente, por intermdio de Felipe. Joo Carlos mora na Serra do Cip. Feliz dele. Serra do Cip um dos lugares mais aconchegantes do planeta. Como Joo Carlos fazia um pouco de tudo: bolinha de gude, futebol, papagaio. Era com ele e o irmo dele, Ricardo, que, creio, vive em Montes Claros hoje, mas h muito tempo no o vejo tambm.
E os irmos Roberto e Ronaldo Lima? Roberto, sei, ele nos deixou, recentemente. Vivia em Januria. Que descanse em paz. O irmo dele, Ronaldo, o Roxxim, tenho notcias, ele meu amigo no Facebook. Mora em Janaba, aposentado do Banco do Brasil. Vivemos bons momentos, naquela poca, no foi mesmo, Roxxim?
Jsio, o que aconteceu com Jsio? Ele morava na Rua Corra Machado esquina de Rua Joo Pinheiro. A casa nem existe mais. Tinha alpendre e era pintada de verde escuro. Dali do alpendre divertamos com uma ousada brincadeira chamada pau de bosta. No vou nem entrar em detalhes sobre essa brincadeira condenvel.
E Danilo? Danilo morava numa casa atrs da Rua Corra Machado. Com ele passava horas jogando bolinha de gude ou, seno, empinando papagaio. Na manh em que meu pai morreu, 15 de janeiro de 1961, eu jogava bolinha de gude com Danilo quando minha irm, Lcia, chegou me chamando. Era para eu ir correndo. Fui.
Quem sabe do Zezinho? Ele morava quase na esquina da Rua Camilo Prates com Corra Machado. Foi colega de escola e de Tiro de Guerra, se no me engano. Morava em frente ao Juquinha, um camarada com alguma deficincia fsica, mas de cabea boa. Juquinha era o tcnico dos times de futebol armados no campo do Unio.
Como dizia no incio deste texto, a gente passa pela vida de tanta gente e tanta gente passa por nossa vida. inacreditvel. Duma hora para outra a prpria vida cuida de distanciar as pessoas umas das outras. Ficaram s as recordaes dos bons momentos vividos numa poca em que ramos aprendizes de felicidade.
E Ccero Bastos Ccero Estru, por onde anda? Ele morava na Rua Corra Machado. Quem sabe dele?


82797
Por Alberto Sena - 16/10/2017 10:02:08
Flatulncia descontrolada

Alberto Sena

Houve uma poca, em Montes Claros podem at no acreditar, mas houve em que a Rua Corra Machado, entre as ruas Doutor Veloso e Joo Pinheiro era um bom lugar de morar. O asfalto ainda no havia chegado. Com o caloro de sempre, na cidade, era comum as famlias levarem cadeiras para as portas das casas a fim de se refugiarem na rua tanto do calor como dos pernilongos.
Isso acontecia, s para se ter uma ideia, at pouco tempo antes da chegada da televiso. Na ocasio, em termos de veculo de comunicao, havia em Montes Claros a ZYD-7, Rdio Sociedade Norte de Minas, da rede verde e amarela Norte e Sul do Pas, falando de Montes Claros para o mundo, o jornal Gazeta do Norte, O Jornal de Montes Claros e depois o Dirio de Montes Claros. Passado algum tempo, veio o Big Boy, pseudnimo de Newton Alvarenga Duarte, disc jockey da Rdio Mundial responsvel por uma verdadeira revoluo no rdio brasileiro. Ele era a sensao das noites.
A televiso chegou e foi responsvel por retirar as famlias das portas das casas. Limitou-as s dependncias das salas e dos quartos, porque vieram as novelas e os demais programas televisivos.
Mas, neste momento, me vejo com a famlia sentado numa cadeira na porta da casa da Rua Corra Machado, depois de construda a calada de cimento.
Foi nos primeiros anos da dcada de 60. Fica fcil calcular a poca e compreender no estar to longe assim porque muitos dos personagens ainda esto vivos para confirmar o episdio a ser contado, acaso seja necessrio, para corroborar a veracidade desta estria e de outras do perodo.
Numa noite de calor quase insuportvel, estvamos todos, me pai j havia falecido e alguns dos filhos porta de casa e algum teve a feliz ideia de mandar comprar picol l na soverteria da Praa Coronel Ribeiro. Tinha de voltar rpido, de bicicleta, para evitar o derretimento dos picols.
Estavam na porta da casa vizinha duas moas irms, uma delas com o namorado, com quem acabou se casando. A irm dela ali estava naquela condio de vela, e, em certo momento, a moa deu de entrar e ficaram s os dois e ns na nossa porta, conversando animadamente e chupando picol.
Estvamos meio estremecidos com os vizinhos por causa de um problema criado por eles mesmos a partir de um bueiro de gua fluvial. No perodo chuvoso a gua da chuva passava de um quintal para o outro, a partir da Rua Doutor Veloso at alcanar a Rua Joo Pinheiro. A gua do nosso quintal tinha de escoar para o do vizinho, que, duma hora para outra cismou de fechar o bueiro a um canto do muro.
Resultado: o aguaceiro recebido dos outros quintais inundou o nosso e tivemos de usar um enxado para desobstruir a passagem dgua pelo bueiro. Houve bate-boca e por causa disso, a relao com os vizinhos me viva e filhos, duas moas e um rapaz ficou estremecida.
Ento, retomando a narrativa, estava o casal ali, namorando, quando, no se sabe se ele ou ela deixou escapar uma flatulncia alto e em bom som. Como no podia deixar de acontecer, o riso foi geral. A moa entrou correndo para dentro de casa sem olhar para trs, e o namorado dela se foi embora s pressas, envergonhado.
Passados alguns instantes, a moa reapareceu no porto ressabiada. Ela achava que o namorado havia se escondido no campo de futebol do outro lado da rua, onde havia um buraco redondo no muro por onde as pessoas costumavam passar. Estava tudo escuro dentro do campo desativado.
Como se estivesse pisando em ovos, a moa atravessou a rua e foi at ao buraco do muro. Ela se foi esgueirando como quem queria surpreender algum e ao chegar na boca do buraco soltou um grito estridente capaz de assustar qualquer pessoa. Mal sabia ela, o namorado j estava longe dali.
Foi um episdio tragicmico. A princpio, ningum entendeu o porqu de ela ter atravessado a rua pisando em ovos sendo que o namorado j havia ido embora. S ela no sabia e ficou decepcionada, alm de envergonhada. Ligeiro, a moa atravessou a rua e entrou correndo em casa, chorando. Ficou um tempo sem pisar os ps do lado de fora. Tudo por causa de uma incontrolvel flatulncia.


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Por Alberto Sena - 13/10/2017 07:35:09
Em busca de si mesmo no "Gonalves Chaves

Alberto Sena

No mais recente retorno a Montes Claros, por esses dias, casualmente, ia passando pelo porto da Escola Estadual Gonalves Chaves, na Praa Joo Alves, quando de repente o esprito infantil do menino de sete anos o impeliu a entrar. O porto estava aberto. Devia ser 10h30. Ele entrou pela primeira vez depois de dcadas e se encontrou na porta com a simptica senhora chamada Kelly, na portaria.
Explicou a ela ter sido aluno da escola, quela poca, dcada de 50, denominada Grupo Escolar Gonalves Chaves. Ele apontou as salas de aula onde havia estudado, do primeiro ao quarto ano primrio. E Kelly mostrou a ele a galeria de antigos diretores e o menino identificou as diretoras de quando ali chegou, aos sete anos de idade.
Uma delas era Dona Marucas, me de Roberto Avelar, um dos colegas dele no primeiro ano primrio. Ela estava entregando a direo para Dona Maria Celestina Almeida, irm de Cipriano Almeida, marido de sua tia Ambrosina Sena, irm da me dele, Elvira.
Por alguns instantes, o menino viu-se no ptio, antes rebaixado e para ter acesso a este, os alunos tinham de descer por uma escada em frente aos banheiros. Viu-se chutando bola de meia velha com os colegas e ainda pde ouvir o vozerio da meninada esbanjando alegria de viver, jogando queimada.
Hoje, o ptio j no o mesmo. Foi nivelado ao piso superior de entrada e a parte de baixo ganhou outras serventias. Mais de cinco dcadas depois, at que o prdio no sofreu tanta interferncia.
Ele recordou, onde hoje a garagem da escola havia uma rea de terra avermelhada e em determinado ponto fora construdo um pedestal de cimento onde instalaram uma cruz enorme, de madeira, pintada de tinta preta. O cruzeiro, como chamavam-no fora encontrado enterrado no terreno quando do incio da construo do prdio. Quem fim teria levado o cruzeiro?
Quando ele entrou pela primeira vez por aquele porto, em 1957, era de manh e estava acompanhado da irm de mais idade, Lcia, e ali se encontrava para fazer um teste. Era para Dona Maria Celestina escolher qual seria a professora que se encarregaria de desasn-lo. Dona Bernadete Costa era o nome dela. Com ela o menino ficou do primeiro para o segundo e do segundo para o terceiro ano.
No terceiro ano, ele foi aluno de Dona Alba Alkimim, me das professoras Vnia e Vilma Alkimim. Ela era tia de Eduardo Alkimim, um dos seus colegas. Eduardo deu a ele, um dia, quando j adultos, uma cpia de fotografia da turma, foto publicada, aqui, vrias vezes.
No quarto ano primrio, a professora dele era Dona Augusta, austera tanto quanto Dona Bernadete, esta me de Robson Costa, com quem ele trabalharia, anos depois, no O Jornal de Montes Claros. Noutra situao, mais tarde ainda, Robson o levaria a trabalhar no jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte.
Toda segunda-feira, Dona Augusta queria ver as mos de cada um dos alunos, a fim de verificar se as unhas estavam cortadas e limpas. As mos eram mostradas sobre um leno. Ela verificava tambm se cada um havia lavado o rosto de manh ao acordar. Com o seu jeito rigoroso, a professora se dizia encabulada como possvel algum s passar uma aguinha no rosto e pronto, fica at a marca da sujeira.
Mas, o interessante que, alguns poucos de ns no fizeram prova final para passar do primeiro para o segundo, do segundo para o terceiro e do terceiro para o quarto ano. Fizeram provas s no ltimo ano. Por qu? Porque tinham notas suficientes para serem promovidos. Enquanto os outros colegas ainda iam fazer prova final, eles j estavam gozando frias.
Entretanto, mais interessante, ainda, aconteceu no terceiro ano, no dia em que a Dona Alba pediu turma para fazer uma composio sobre determinado tema. O menino fez a dele no capricho e a entregou. A professora tinha o costume de ler os melhores trabalhos. Naquele dia, ela disse ter em mos uma composio muito bonita e prometia l-la por ltimo.
Quando chegou a vez, Dona Alba leu a composio e ao terminar de ler fez uma observao, lamentando: uma pena, mas a composio no foi escrita por ele. A reao dela dizendo isso no podia ser pior, porque injusta. E se o menino tivesse ficado traumatizado por isso, possvel que, hoje, ele no estivesse, aqui, escrevinhando sobre o ocorrido. Inda bem que teve discernimento para entender, e pensou de si para si mesmo: Se ela achou no ter sido eu o autor, porque a composio est boa demais!


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Por Alberto Sena - 9/10/2017 09:57:19
O significado de voltar a Montes Claros

Alberto Sena

Voltar a Montes Claros a mesma coisa de mergulhar na infncia, na adolescncia e na fase adulta at 22 anos de idade, quando se deu a partida definitiva para a capital. Retornar Rua Corra Machado, onde a famlia morou durante anos, um mergulho mais profundo ainda. Mas, ao mesmo tempo, um choque misto de decepo e de conformismo porque nada mais h que fazer, tudo j foi feito para mudar o quadro de antes, dcadas de 60 e 70.
Quando a famlia mudou para a Rua Corra Machado, vindo da Rua So Francisco, no havia ali asfalto nem calamento. Era terra mesmo, cascalho. Quando passava um carro o p subia. Mas, em compensao, no perodo das guas, a terra mida era um prato cheio para jogar finca e tambm bolinha de gude.
Em frente da casa havia um campo de futebol, e se ningum fosse chamar, no havia hora para almoo nem lanche da tarde porque a bola saciava a fome. Mas a sede, no. Com a boca seca e o corpo transpirando toda a gua, era preciso correr em casa e engolir rapidamente um ou mais copos dgua e correr de volta ao campo.
O ms de agosto era considerado o perodo dos ventos. E, ento, era chegada a poca de empinar papagaio. Precisava correr em busca de bambu e papel impermevel mais linha de carretel nmero 10 ou outra grossa chamada de cordonete. Alm de manivela de madeira de oito cruzetas. No mais, era subir aos cus com os papagaios. Acontecia, com a maior frequncia, de alguns deles voltarem respingados porque alcanaram as nuvens.
Indo Rua Corra Machado o mergulho no tempo causou impacto forte porque das casas de ento restam s quatro, no trecho entre as ruas Doutor Veloso e Joo Pinheiro. A casa de Dona Tina, av de Eustquio. A casa onde moraram, em perodos diferentes, Clarice Magalhes e Ftima Tolentino, alm da de Simeo ferreiro, pai de Paulo e Luiz. E a de Ngo R.
O campo de futebol desapareceu sem deixar vestgios, cortado por duas ruas em forma de cruz. Os Biondi j no moram l mais. Foram para Salvador (BA). Tudo mudou. Ficaram os espectros. Antes, Fernando Zuba se vestia de fantasma com lenol branco e noite assustava a rapaziada em meio escurido, at ser, enfim, descoberta a identidade dele e constatado ser fantasma de carne e osso.
O ruidoso barulho de hoje provocado pelo motor dos nibus que sobem a Rua Corra Machado provenientes da Avenida Cula Mangabeira no consegue abafar por completo os gritos da meninada se divertindo no campo. Os nomes de Bonga e o de Z Bispo; de Felipe e Joo Carlos Gabrich e de Marcelino, irmo de Moedeferro; dos irmos Roberto e Ronaldo Lima; de Chico Ornellas e Rubinho Sena s para citar alguns porque para lembrar de todos seria necessrio possuir memria de elefante, os nomes deles e de muitos outros ainda so ouvidos vindos de passado nem to remoto assim.
Os Gabrich j no moram mais ali, na Rua Joo Pinheiro. Marcelino no est mais no meio de ns. Z Bispo e Bonga resistem. Um encontro com este, ainda no mesmo espao onde viveu com a me, na Rua Joo Pinheiro, hoje sua oficina de restaurar motores, como sempre, foi dos mais agradveis.
Cuidadoso, Bonga guarda anotado em cadernos a relao dos jogos e as principais informaes sobre quase tudo vivido como tcnico do juvenil do Cassimiro de Abreu. Como jogador, Bonga foi grande sob todos os aspectos, principalmente na altura. Bastava levantar o brao para pegar no travesso.
importante salientar, ningum deve cair na bobagem de viver de passado. A melhor poca de nossa vida deve ser a atual. O passado foi bom, mas passou. O presente que importa. Nele semeamos o futuro. De modo que rever a rua mgica de ento, quando a vida parecia mera brincadeira, no acionou o boto da saudade, mas o da constatao, mais uma vez, de que tudo muda. Inda mais em cidade dinmica como Montes Claros.
Mais de 40 anos depois se pode notar, a cidade cresceu em todas as direes. E o fato de ser o terreno plano favoreceu a esse crescimento. Evidentemente, a BR-251 teve e ainda tem muito a ver com as transformaes de Montes Claros, ao trazer para a regio gente de todas as partes do Brasil.
Em verdade, em verdade digo, a Montes Claros de hoje cumpriu e cumpre sua vocao de cidade polo. De direito ainda no, mas de fato, a terra de Antnio Gonalves Figueira exerce o papel de capital do Norte de Minas, com a maior competncia, apesar de todos os percalos.


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Por Alberto Sena - 29/9/2017 10:47:08
O futuro chegou

Alberto Sena

Ao ouvir, daqui, das dobras da Serra Geral os clamores dos conterrneos montes-clarinos por gua; ao ver as imagens de sequido e de racionamento com rodzio; mesmo distante, mas, sofrendo com todos a situao, solidrio e tudo mais, nem assim posso deixar de fazer reflexo importante diante do quadro deplorvel apresentado.
Gente culpada ou considerada inocente colhe hoje os frutos da imprevidncia humana, queira ou no. Enquanto o cidado encontrar gua ao abrir a torneira, tudo bem, considerado normal. Era normal, porque o problema passa a existir quando do cano sai s o ronco, como acontece agora, para infortnio da populao de uma cidade grande como Montes Claros.
A regio faz parte do Polgono das Secas. O problema cclico, nunca ser corrigido, pelo visto, mas j podia ser atenuado com medidas srias h muito tempo. Entretanto, os polticos responsveis por encontrar sadas para o grave problema vieram se locupletando com o dinheiro pblico ao longo dos tempos e os problemas perduram. a famosa indstria da seca instalada, faz parte do mecanismo de corrupo.
Se o Norte de Minas fosse territrio israelense, a essa altura da existncia, Montes Claros e regio estariam exportando gneros de todo tipo para o mundo h muito tempo. A partir da maneira respeitosa como os israelenses cuidam da gua. E quem conhece sabe do tamanho da carncia deles porque sempre contaram com um s rio, o Jordo. Eles j esto fazenda a dessalinizao da gua do mar. Instalaram a maior usina do mundo.
A diferena que l, em Israel, as coisas funcionam. O dinheiro pblico no expropriado, inda mais da forma a mais vergonhosa como acontece no Brasil, a partir de um presidente da Repblica sem legitimidade e o tempo todo na corda bamba, querendo tampar o sol com a peneira. Insiste em ocupar o cargo para satisfao dos seus apaniguados.
Como montes-clarino, fico me perguntando o que aconteceu com os rios de Montes Claros? Cad os rios Melo, Carrapato, Laginha, Pai Joo. E o que foi feito do Ribeiro Vieira? Quem so os responsveis pelo fim dos rios e pelos maus tratos ao ribeiro? Faamos, pois, um exame de conscincia a fim de atirarmos em ns mesmos as primeiras pedras.
O Rio Congonhas era uma das esperanas de salvao para Montes Claros. O Congonhas tributrio do Rio Itacambirau, de onde a Copasa retira gua para abastecer a populao de Gro Mogol. Por mal dos pecados, o Rio Congonhas secou. E com o rio seco se foi tambm o sonho de construo de uma barragem para abastecimento de gua populao de Montes Claros.
Que a questo da gua o principal problema do mundo, daqui para a frente, ningum deve ter mais dvida disso. Basta espiar ao redor e verificar o que se passa aqui e em outros lugares. O ponto crucial o que fazer para correr aceleradamente contra o prejuzo. Estamos diante da fbula A Cigarra e a Formiga, de Esopo.
O futuro chegou. E chegou muito mais cedo do que se podia imaginar. Mas ainda haver de piorar mais daqui para a frente porque o Pas est mergulhado numa crise sob todos os aspectos e principalmente de carter, governado por polticos envolvidos de alguma ou de vrias formas na Operao Lava Jato.
No momento em que o governo federal entrega o nosso solo s multinacionais negociando o Aqufero Guarani e a Hidreltrica de So Simo, o que se depreende de um ato desnaturado deste a mesma imprevidncia geradora da atual escassez de gua no Norte de Minas, regio fadada desertificao.
Fosse o Brasil governado por gente dotada de esprito pblico, tendo em vista solucionar as questes polticas, econmicas e socioambientais da populao brasileira, o Aqufero Guarani jamais seria negociado.
Diante de tudo isso fica a sensao de viver em Pas eternamente em estgio de colonizao. Assim como fez Pedro lvares Cabral, ao invadir o Brasil, presenteando os ndios com seus badulaques, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.
No caso de Montes Claros, cabe Copasa encontrar a melhor maneira de resolver a questo do abastecimento. Com a Prefeitura Municipal de olho. Se a empresa fosse mais previdente teria detectado a escassez com anos de antecedncia. Agora, correr contra o tempo.
Sem energia, na pior das hipteses, possvel viver, apesar dos transtornos porque tudo para. Mas sem gua, no h a menor condio. Numa hora de escassez os seres chamados humanos do gua o real valor dela. Dcadas atrs ouvamos dizer: Chegar o dia e o dia j chegou em que trocaremos dois barris de petrleo por um de gua.


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Por Alberto Sena - 21/9/2017 10:06:58
"Nos Pirineus da Alma"em fase de diagramao - O material sobre o livro Nos Pirineus da Alma j est com o diagramador Clber Caldeira, de Montes Claros, profissional de primeira qualidade. Conta com prefcio da escritora doutora em Literatura, Ivana Rebello, posfcio do escritor e jornalista Itamaury Teles e contracapa do jornalista Felipe Gabrich.
O livro narra os lances mais importantes das duas experincias de Bento e Tudinha (Alberto Sena e Slvia Batista) no milenar Caminho de Santiago de Compostela, na Frana e na Espanha, por onde o apstolo Tiago Maior atuou em trabalho de evangelizao. O livro traz ainda um bloco de fotos legendadas por meio do qual as experincias so corroboradas. Aguardem, o lanamento ser feito primeiro em Montes Claros, brevemente.


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Por Alberto Sena - 18/7/2017 07:22:30
Bandidos explodem cofres do Bradesco e do Correio

Alberto Sena

Primeiro eles explodiram o cofre da nica agncia do Banco do Brasil. Foi em sete de junho. Um ms e 11 dias depois, eles voltaram com a mesma sede. Explodiram a agncia do Bradesco e dos Correios nesta madrugada, a 1h20. possvel que seja a mesma quadrilha. Deve ter achado fcil explodir do cofre do BB, e como depois do assalto tudo continuou do mesmo jeito de antes, eles usaram da mesma estratgia, fugindo em direo da BR 251, rumo a Josenpolis, numa HB20x cor prata.

Nesta madrugada, a populao de Gro Mogol acordou com a primeira exploso e o estampido de arma pesada certamente com o intuito de intimidar. Eles podem ter explodido trs ou mais bananas de dinamite. Fizeram at os sapos e as jias do Ribeiro do Inferno pararem de coaxar.

O telhado da agncia do Bradesco ficou todo comprometido. A situao do telhado podia ser vista do prdio ao lado, onde funciona o comrcio do sr. Epaminondas. O impacto das exploses sacudiu vidros de janelas a distncia. Muita gente foi para a Praa Coronel Janjo, onde fica a agncia do Bradesco. O panorama era o mesmo porta da agncia do Correio, que, em Gro Mogol vinha fazendo s vezes de Banco do Brasil. Tudo desabou l dentro da agncia, retirada do Bradesco se muito 200 metros.

Se com a exploso do cofre do BB a situao da cidade ficou lastimvel, com reflexos na comunidade e principalmente no comrcio, agora, sim, Gro Mogol vai precisar urgentemente de ateno por parte do governo estadual para o povo continuar sobrevivendo no dia a dia.

No comrcio daqui h a figura do fregus de caderno. Geralmente gente vivente na roa e quando sexta-feira vem trazer produtos para vender na feira. Aproveitando faz compras para pagar por ms. Depois do assalto ao BB, muitos deixaram de vir acertar dvida no comrcio local e ainda migraram para Salinas ou Francisco S.

Resta, agora, a agncia lotrica, que faz as vezes de Caixa Econmica Federal. Se depois do ocorrido ao BB no se tomou nenhuma medida de segurana tanto para o Bradesco como Correio e Lotrica, possvel que dagora para frente algo acontea neste sentido.

Pouco depois das exploses ouvidas nesta madrugada, e aps a fuga dos bandidos, nas imediaes das agncias do Bradesco e Correio s foi visto um carro da Polcia Civil. Segundo diziam, os homens do Peloto da Polcia Militar estariam perseguindo os bandidos.

Gro Mogol terra natal do atual secretrio de Estado da Fazenda de Minas Gerais, Jos Afonso Bicalho Beltro da Silva. Se, desta vez, ele no olhar para a cidade onde nasceu, Gro Mogol estar, como se diz, no mato, sem cachorro.

***

Polcia Militar - Polcia Militar procura suspeito de exploso de caixa eletrnico em Gro Mogol - Equipes de militares esto nas buscas de pelo menos 5 homens suspeitos de terem arrombado com explosivos, uma agncia bancria e agncia dos Correios em Gro Mogol. A Polcia Militar foi acionada via 190, e segundo denncia, estaria acontecendo um arrombamento no Banco Bradesco e nos Correios da cidade. Informaes preliminares so de que cinco indivduos em um veculo HB20 prata, aps estourarem o caixa (BDN) do Bradesco e arrobarem os Correios, pegaram como rota de fuga a estrada vicinal que liga Gro Mogol a Josenpolis e a Padre Carvalho. A ocorrncia ainda est em andamento. Equipes de militares esto em rastreamento. Mais informaes sero repassadas posteriormente.

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O Tempo - Bandidos arrombam agncia bancria e Correios no Norte de Minas - 18/07/17 - 07h38 Carolina Caetano - A Polcia Militar de Gro Mogol, no Norte de Minas, procura por cinco homens que arrombaram um banco e uma agncia dos Correios da cidade nesta tera-feira (18). De acordo com informaes iniciais da corporao, os bandidos chegaram em uma HB20 e deslocaram direto no Bradesco e no imvel dos Correios, no centro do municpio. O valor levado ainda no foi divulgado e militares pediram apoio de equipes de Francisco S e Cristlia. A ocorrncia ainda est em andamento.

***

Hoje em Dia - Terror sem fim: grupo fortemente armado ataca agncias no Norte de Minas - Gabriela Sales - 11h45 - Mais uma vez bandidos fortemente armados impuseram o terror a uma cidade do interior de Minas. Desta vez, moradores de Gro Mogol, no Norte do Estado, acordaram na madrugada desta tera-feira (18) com barulho de exploses e troca de tiros, quando grupo de criminosos atacou agncias do Bradesco e dos Correios. De acordo com a Polcia Militar, testemunhas disseram que cinco homens faziam parte do bando. Os suspeitos cercaram a agncia bancria, arrombaram e explodiram os caixas eletrnicos numa ao coordenada. Na agncia dos Correios, o cofre foi levado pelos bandidos. Durante a ao, a polcia interveio e houve troca de tiros, mas os suspeitos fugiram de carro no sentido das cidades de Josenpolis e Padre Carvalho, ambas no Norte de Minas. As policias Civil e Militar de Montes Claros realizam operao na regio na tentativa de localizar suspeitos. At o momento, ningum foi preso. A corporao informou que nenhum morador ficou ferido. As agncias do Bradesco e dos Correios ficaro sem atendimento populao.
Terror sem fim
Este foi o segundo caso de exploso de agncia bancria em menos de 24 horas no Norte de Minas. Na segunda-feira (17), moradores de Ibia tambm foram surpreendidos com vrias exploses durante ataque a uma agncia bancria da cidade. Na ao criminosa, dois frentistas foram feitos refns. Os suspeitos fugiram com cerca de R$ 22 mil em dinheiro. Dois homens de 19 e 23 anos foram presos tentando fugir em uma motocicleta. A dupla foi reconhecida por testemunhas como participantes da ao criminosa.
Estratgias
De janeiro a junho deste ano, 83 ataques a caixas eletrnicos foram registrados em Minas. No mesmo perodo de 2016 foram 127 ocorrncias, uma reduo de 34%. A PM informou que outras estratgias tm sido adotadas diante dos novos casos registrados. Segundo a corporao, dentre elas est o reforo de policiais nos destacamentos e pelotes do interior, alm da utilizao do servio de inteligncia. Mais de 700 novas viaturas foram entregues a cidades do interior neste ano. Troca de armamento e ampliao das equipes que mapeiam as rotas de bandidos tambm esto dentre os investimentos, segundo o major.
Histrico
No ltimo dia 10, moradores de Santa Margarida, na Zona da Mata, passaram momentos de terror aps um grupo fortemente armado roubar um banco, fazer refns e matar duas pessoas. No dia seguinte, em uma ao rpida e ousada, bandidos cercaram as casas de policiais e o quartel em Matias Cardoso, no Norte de Minas, para, em seguida, atacar uma agncia do Bradesco. No dia 13, uma agncia bancria de Coromandel, no Alto Paranaba, foi destruda por pelo menos 10 bandidos. Na ocasio, os criminosos trocaram com a PM.



82459
Por Alberto Sena - 13/6/2017 17:17:04

Joo de Deus quase foi pelos ares

Alberto Sena

Este homem sorridente o senhor Joo de Deus Soares Nogueira. Ele um tipo facttum, dito em Latim. Em portugus significa ser fazedor de tudo. Ou faz de tudo um pouco. Gente prestativa. O sorriso a marca dele. Ele vivo. Tem quatro filhos.
Hoje o senhor Joo de Deus trabalha na Prefeitura de Gro Mogol, mas, em 1983, quando tinha mais de 30 anos de idade, ele trabalhava como carvoeiro do Sinh. Nessa poca, acreditem, esse homem sorridente, de bem com a vida, viu a morte de pertinho. Ficou cara a cara com ela numa proximidade absurda de apenas dois dedos de distncia um do outro.

Vou contar a experincia maluca vivida pelo senhor Joo de Deus como ele me contou, ainda h poucas horas. Alis, recontou porque eu o provoquei. Encontrei-o no Horto Municipal, de chapu na cabea e o provoquei para Geraldo Fris o G Fris ouvir porque ainda desconhecia a estria dele. Foi assim, Joo de Deus contou:

- Eu trabalhava, na ocasio, na carvoaria. Me chamaram para ajudar a abrir uma cisterna. J estava funda, mas deu em pedra. Tinha de ser dinamitada.
Ele fez uma pausa. E eu o estimulei:
- E a, aconteceu o qu?
- Desci pela (...) com um cigarro aceso e duas bananas de dinamite. Acendi o estopim e dei sinal para me puxarem. Mas aconteceu um problema l com a (...) e eles comearam a brincar comigo.
- Por que voc no disse j ter acendido o estopim?
- Eu disse. Mas eles no acreditaram e ficaram brincando comigo.
- E enquanto isso o estopim estava chiando...
- Sim disse. E continuou narrando: - Eu pedia para ser puxado e nada. O estopim estava chegando. Implorei a Deus para apagar a chama. Implorei...
- No dava para voc mesmo apagar?
- Na hora fiquei tomado de pavor, nem pensei nisso.
- E ento, o que aconteceu?
- Faltava, se muito, uns dois dedos para as dinamites explodirem. O fogo se apagou sozinho.
- Foi um milagre?!
- Foi o senhor Joo de Deus confirmou.

Tudo porque ele Joo de Deus. Deus ouviu a prece dele e deu o sopro para apagar a chama. No fosse isso, Joo no estaria aqui, com o sorriso escancarado para nos contar a sua estria.


82450
Por Alberto Sena - 8/6/2017 12:05:17
Hora de sair do comodismo

Alberto Sena

Ainda sob o calor provocado pelas dinamites explodidas dentro da nica agncia do Banco do Brasil (BB), no Centro Histrico, trato nesta oportunidade sobre a participao do Peloto da Polcia Militar de Gro Mogol no episdio da exploso do cofre por uma quadrilha de bandidos; e outros pormenores.
No se trata de defender ou criticar os policiais comandados pelo tenente Ricardo Batista de Souza. Todos eles so bravos, mas vrios fatores contriburam para acabar com a virgindade de Gro Mogol no tocante a ataques de quadrilhas especializadas em explodir caixas eletrnicos.
No vou entrar no mrito da carncia material da nossa polcia sob todos os aspectos para no passar informaes aos bandidos. A realidade nua e crua. Levando em considerao o fator surpresa, pois o ataque foi planejado minuciosamente, o que os policiais do peloto poderiam fazer se todos estavam sendo vigiados?
Os bandidos tiveram tempo suficiente para identificar a casa de cada um. Perceberam a fragilidade e esquematizaram um plano de ao. E, porque so profissionais do ramo, executaram um ataque sem ferir ningum, mas fazendo barulho para intimidar. Foi mais fcil do que tomar biscoito da mo de uma criana.
Evidentemente, necessrio daqui para frente tomar srias medidas de segurana, e uma das principais dotar Gro Mogol de uma companhia da Polcia Militar. Com desculpa da expresso, acho ridculo haver na cidade s um peloto PM, sem nenhum demrito aos policiais, pois todos do muito de si para oferecer segurana pblica. Mas h muito tempo (at por uma questo preventiva) j devia ter uma companhia no municpio.
Mas no basta ter uma companhia sem dar a ela as garantias, as condies necessrias para exercer o trabalho de segurana pblica, tais como viaturas suficientes, armamentos superiores aos dos bandidos e tudo mais.
E quem o responsvel por dotar Gro Mogol de uma companhia da PM? Em primeiro lugar, cabe Cmara Municipal encarar a sua misso de representante do povo e reivindicar imediato reforo da segurana pblica.
Para isso, a Cmara precisa dar os passos necessrios nesse sentido acionando a Regional da Segurana Pblica em Montes Claros e o Comando do Batalho de Polcia. E, se for o caso e o caso ir a capital conversar com o governador Pimentel, que tem um gromogolense Jos Afonso Bicalho Beltro da Silva, secretrio da Fazenda a fim de reivindicar mais ateno para Gro Mogol.
Aqui, no tem delegado de Polcia Civil. Tinha. S agora foi nomeado um juiz de Direito para a Comarca e at ento a promotora de justia permanece, mas h sempre o risco de um e outro irem embora, porque aqui Comarca de 1 Instncia.
Em verdade, Gro Mogol nunca foi devidamente respeitada como Comarca das mais antigas. E, aqui, cabe refletir sobre o porqu de o municpio nunca ter sido respeitado como convm. A responsabilidade sobre isso recai primeiramente sobre a populao de modo geral.
Vivo aqui h trs anos e tive tempo suficiente para refletir sobre o comportamento das pessoas. Com algumas excees, o gromogolense de modo geral aptico. No costuma tomar atitudes coletivas. Se tomasse, grande progresso poltico j teria alcanado.
H no ar, alm das emanaes da Serra do Espinhao, um sentimento conformista da populao. As pessoas no participam das reunies da Cmara Municipal. Em um momento deste, caberia ao povo reivindicar os seus direitos pressionando os vereadores e principalmente o prefeito municipal para tomarem uma atitude em relao segurana de Gro Mogol.
A reao deve ser de dentro para fora. Est em jogo o sossego e no podemos deixar instalar nas cabeas a fobia da insegurana pblica. S faltava essa ocorrncia para se perceber que, enfim, Gro Mogol j no pode ser mais considerado um lugar onde a tranquilidade era marcante. As portas e as janelas das casas podiam ficar abertas. As chaves dos carros deixadas na ignio.
Adeus criminalidade zero na sede do municpio, porque na zona rural, muitos fazendeiros e sitiantes esto vindo para os centros urbanos acalentados pela iluso de mais segurana.
Para no alongar, eis uma sntese: se no houver, agora, uma reao popular por mais segurana pblica, a ponto de sair do comodismo e tirar dele as autoridades locais, as famlias de Gro Mogol podem esperar, infelizmente, por ocorrncias desse tipo e de outros tambm.


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Por Alberto Sena - 7/6/2017 15:49:55

Quadrilha explode cofre do Banco do Brasil - A direo dos Correios precisa agir rapidamente para auxiliar Lcio Panta. Ele est sozinho na agncia de Gro Mogol e por esses prximos dias ter de atender toda a demanda do Banco do Brasil atacado nesta madrugada por sete ou at 14 bandidos no se sabe ao certo. Eles explodiram o cofre da agncia com quatro dinamites e fizeram uma srie de disparos para o ar a fim de inibir qualquer reao. O cofre ficou desbeiado, diziam algumas pessoas hoje de manh porta da agncia bancria localizada no Centro Histrico, na esquina das ruas Rua Cristiano Relo e Antonio Bemquerer.
O Peloto da Polcia Militar, infelizmente, foi apanhado de surpresa. Os cabos Armon Costa Rosendo e Edmlson dos Santos Dimas sentiram-se impotentes porque eles estavam sendo vigiados e impedidos de agir. O tenente Ricardo Batista de Souza, comandante do peloto se encontrava em Montes Claros acompanhando a cirurgia de um filho e se inteirando dos fatos hoje de manh ao retornar a Gro Mogol.
O cabo Armon se encontrava em casa, havia acabado de chegar da Unimontes, em Montes Claros, e foi informado de que havia duas pessoas vigiando a casa dele e trs refns. Quem estava no quartel, segundo o cabo, recebeu uma ligao pelo telefone 190. Do outro lado um dos bandidos avisava ter o quartel sob mira.
O tenente Ricardo tambm teve informaes de que a casa dele estava sendo monitorada. Isso e tudo mais sinalizam ter sido a ao planejada com antecedncia. O cabo Armon desconfia da participao de policiais. Por qu? Porque em certo momento algum ouviu um deles perguntar para o outro, com sotaque baiano: E a, trouxe a macaca? Expresso tpica do linguajar policial. H suspeitas de que sejam baianos.
O gerente da agncia do BB de Gro Mogol, Lindiomar Castluber, capixaba de origem, estava em casa. Havia tomado um remdio para problema de coluna e foi dormir s 23h. Desligou o celular e s ficou sabendo do ocorrido mais tarde. Todas as imagens foram colhidas por cmaras da regional do banco. O gerente no revelou a quantia levada pelos bandidos. Mas supe-se ter sido alta porque ontem o carro-forte abasteceu a agncia.
Circula a informao sobre a presena de um estranho nas proximidades da agncia bancria. Ele teria sido visto por l durante uma semana, possivelmente estudando a rea e acompanhando a movimentao do lugar.
Infelizmente, depois dessa investida, Gro Mogol passa a figurar na lista das cidades onde os bandidos estouraram cofres de bancos. Antes, os gromogolenses achavam ser a cidade protegida e mesmo abraada pela Serra do Espinhao. Quem vai a Gro Mogol, de l no vai a lugar nenhum esta frase era dita e repetida. Teoricamente, quem vinha a Gro Mogol precisava voltar para pegar a BR-251, se quisesse ir a outro lugar.
Com essa ao dos bandidos, que estariam em mais de trs carros e pelo menos um teria passado pela Avenida Domingos Arrudas com os ocupantes atirando na altura do quartel, desceu pelo balnerio e teria alcanado a BR-251. Outros dois carros os que deveriam estar transportando o dinheiro foram rumo ao Vale das Cancelas, onde tambm alcanaram a rodovia federal.
Daqui para frente, as autoridades de Gro Mogol devem tomar uma atitude no sentido de dotar a cidade de uma companhia da Polcia Militar, com mais viaturas a fim de garantir a segurana da populao. A partir da ocorrncia, pouco depois de 1h da madrugada e durante a manh/tarde o assunto em todas as bocas era um s: o assalto agncia do BB.
Em virtude das exploses de dinamite, as estrutura do prdio podem ter sido abaladas. E se estiverem mesmo comprometidas, a nica agncia do BB ficar fechada e o atendimento passa a ser via agncia do correio, onde hoje uma s pessoa atendia a multido que para l acorreu. Da a necessidade de pelo menos mais um funcionrio para o atendimento externo. De qualquer forma, o transtorno ser grande porque a agncia do correio no oferece todos os servios ao ponto de substituir o BB.


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Por Alberto Sena - 2/6/2017 14:06:48

Grande Roberto Lima

Alberto Sena

Convivi com o advogado Roberto Lima na dcada de 60, em Montes Claros, muito antes de ele estudar Direito. poca explosiva aquela, quando quase tudo em termos de cultura, msica e artes de modo geral saam do casulo para virar borboleta.
Roberto veio a falecer nesta quinta-feira, 1 de junho. Tantas festas juninas ele viveu. E juntos vivemos, sob o friozinho medroso antes existente em Montes Claros, naquela dcada, no ms de junho, quando as fogueiras ardiam e os ares ficavam enfumaados.
Nessa poca, a famlia morava na Rua Corra Machado, 238, em frente ao campo do Unio. Roberto morava na Rua Doutor Veloso, a uns 200 metros l de casa. Ele e o irmo dele, Ronaldo, que chamamos de Roxxim, fazia parte de um grupo de amigos com os quais jogvamos futebol no campo do Unio.
Com os dois irmos tive boa convivncia, juntamente a outros amigos de ento como Ccero Estru, Ccero Cueco, Rubinho, Luiz Biondi, alm de outros. Morvamos todos na mesma regio.
Na poca, a Praa de Esportes era o melhor ponto de encontro da juventude. noite saamos juntos ou voltvamos juntos para casa. Ccero Cueco na Rua Camilo Prates; Ccero Estru na Rua Corra Machado, acima l de casa; Roberto e Ronaldo na Rua Doutor Veloso, para onde dava a janela principal da casa de Luiz Biondi.
Como no podia deixar de ser, a prpria vida cuidou de nos colocar em um tabuleiro de xadrez. Chega um momento, a nsia da vida por si mesma separa as pessoas. Cada um vai para um lado. Fui para Belo Horizonte. Roberto para Januria. Ronaldo para Janaba. Ccero Cueco foi cedo para outra dimenso. Ccero Estru foi para a capital. Rubinho, para Rondnia, depois Florianpolis e, em seguida, Belo Horizonte. Recentemente foi se encontrar com os amigos. E Biondi mudou-se para a Bahia.
Por um longo espao de tempo perdi contato com os irmos Roberto e Ronaldo. Para no dizer com os demais citados tambm. Com o advento do Facebook, resgatei Roberto e Ronaldo.
Sobre Roberto, motivo de inspirao para redigir este texto, vinha acompanhando-o todos os dias quando dava bom dia aos seus amigos com um texto de contedo espiritual. Sempre positivo, bem humorado, ele tinha uma legio de acompanhantes. Muitos deles carentes de uma boa palavra para avanar nas durezas da vida.
Recordo-me, por esses dias, Roberto fez um comentrio diferente, no Feed de Notcias. Ele havia sentido algo no peito e foi ao mdico. Eu at brinquei com Roberto sugerindo dar umas braadas no Rio So Francisco e tudo ficar bem. Mas, pude me informar depois, o problema dele eram artrias obstrudas, teria de receber cinco pontes safenas.
Ao redigir este texto confesso no saber ainda a causa mortis. Todo humano precisa de um pretexto para partir deste plano de vida. E quando isso acontece, pelo menos no meu entendimento, porque a pessoa completou o seu estgio de vida nesta nossa dimenso e partiu para outra. Em outras palavras, a morte no existe. O que existe o pretexto para partir. Seria eu acho como passar por uma porta aberta ou saltar uma janela de casa.
Pelo que pude acompanhar baseado nas inseres de suas mensagens no FB nesta fase de amigo virtual, Roberto foi o mesmo Roberto da dcada de 60, em termos de ndole, carter, essas particularidades que fazem o homem e a mulher ficar em p ntegro, com dignidade.
Roberto, enfim, era () uma alma boa que viveu entre ns. Ele dava de si s pessoas. No FB esto os registros de sua ao caritativa. Afinal, A caridade a plenitude da Lei.
P.S.: Era para redigir esse texto, ontem. Fiz o primeiro pargrafo, mas, interrompi-o. A emoo no deixou prosseguir. Terminei-o agora, 13h.


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Por Alberto Sena - 26/5/2017 15:00:31

UM JEITO CHAPLINIANO DE SER

Alberto Sena

Uma cidade se transforma em metrpole quando ela perde os seus tipos humanos. Nem sei se ainda existe algum tipo humano hoje em Montes Claros. No moro a desde fevereiro de 1972, mas presumo, pode haver um ou mais em cada um dos mais de 350 bairros de Montes Claros.
Na poca em que eu podia encontrar comigo mesmo em cada esquina, dcadas de 50/60/70 muitos eram os tipos humanos, a comear do principal deles, o negro Tuia, natural de Gro Mogol. Ele tinha a lngua cortada e carregava na cacunda a fama de ser ex-escravo. Era uma figura querida. Vivia com uma bituca de cigarro atrs da orelha, chapu amassado na cabea, vara em punho para afastar dele as pessoas inconvenientes. Tinha uma casinha azul de madeira na garagem do casaro onde funcionava a redao do O Jornal de Montes Claros, na Rua Doutor Santos, 103, onde hoje uma agncia bancria.
Alm de Tuia havia vrios outros. Muito j se falou a respeito deles. Havia o Requeijo. S de falar o epteto dele de sua boca saam os mais pesados improprios. Havia Joo Doido. Este andava pelas ruas meneando a cabea para um lado e para o outro. O tempo todo falava sozinho, dizia frases desconexas. Assim como tambm o pequeno apelidado de Galinheiro. Ele sempre estava segurando com a mo um saco s costas.
Mas havia outro, famoso chamado Manoel Nunes da Silva, epitetado Manoel Quatrocentos. Era um indivduo de estatura baixa, parrudo, olhos verdes, uma verdadeira mala velha, sempre sorridente. Manoel era chamado tambm de Man. Uns abreviavam chamando-o de Man 400.
Levou o apelido porque tudo dele, ao dar o preo do seu trabalho, era 400, 400 reis. E assim ficou. Mas o que mais o marcava eram as tiradas dele. Sempre acabavam em alalaika. A gente sabe o quanto os brasileiros so curiosos. Man tambm sabia, e, ento, alalaika neles.
Era vivido o Man. Viajou por alguns pases da Amrica do Sul. Talvez tenha vivido algum tempo na Argentina. Ele gostava de se exibir falando espanhol, ingls e francs. Nunca soube se afinal de contas, era mesmo poliglota. Inteligente e esperto, sim. Pode ser que tenha gravado algumas palavras nas trs lnguas e vivia repetindo-as. Quem for mais antigo do que eu e souber mais coisas sobre Man, tome dianteira.
Ele estava sempre acompanhado do inseparvel machado. Ganhava dinheiro rachando lenha, abatendo o que precisava ser cortado. Tinha uma maneira particular de segurar o machado. s vezes estava num dos ombros. Noutras vezes, ele segurava o machado numa das mos e o cabo ficava rente ao corpo com a ponta para cima.
Man conhecia muita coisa fora do mbito de Montes Claros. Os artistas da poca, fabricados em Hollywood, eram todos seus amigos e ele conhecia a intimidade de cada um, como se tivesse convivido mesmo com eles.
Uma prova, se assim posso dizer, da nobreza de Man a foto usada para ilustrar o texto. Pelas aparncias, ele tinha posses e bons costumes. Vestia-se bem. Na poca dele, as pessoas se vestiam assim terno, gravata e chapu dia e noite. A foto em frente a um carro denota o bom gosto dele. Se o carro era dele no se sabe. A foto me foi enviada por WhatsApp pelo sobrinho Andr Senna. Mesmo o carro no sendo dele, pelo menos Man esbanja elegncia.
Em Montes Claros, ele foi o precursor das pegadinhas. s vezes parava na esquina de uma das ruas do centro da cidade e ficava olhando para cima, com os olhos fixos nalgum lugar. As pessoas paravam e olhando para ele, perguntavam:
- O que est vendo?
- L ele apontava.
- L onde?
- l lalaika e saa rindo.
Havia quem no gostava dessas brincadeiras, mas no tinha como reagir contra ele. Era uma pessoa simples, fina, comunicativa, prestativa.
Man tinha um jeito chapliniano de ser. Ele deixava transparecer esse jeito toda vez ao aplicar em algum desavisado um bem humorado l laika.


82389
Por Alberto Sena - 14/5/2017 09:54:07
Carta para minha me Elvira

Alberto Sena

Me. Oh, me, a sua partida faz 32 anos. Foi no dia dedicado s Mes. Sei muito bem me, ningum vai embora antes da hora. Mas choro. Choro, no de dor, mas de emoo porque, afinal, tenho corao sensvel, e por mais incrvel possa parecer, no lamento a sua partida, tenho siso, herana sua. O Brasil e o mundo como esto, em turbulncia, a senhora teria dificuldades para aceit-los, aos 105 anos de idade, se conosco ainda estivesse. Sei, a senhora est bem. E isto o mais importante. Seria uma demonstrao de egosmo de minha parte querer a sua presena fsica se eu posso rever, de olhos fechados, e o corao aos borbotes, as lembranas boas dos nossos tempos vividos. Prefiro me realimentar de recordaes. Elementar seria no praticar os seus ensinamentos e os exemplos de mulher vibrante, firme, enrgica, de corao transbordante de alegria. Neste momento terno, eterno, me recordo, com emoo, de quando, junto ao fogo a lenha, enquanto fazia o almoo, eu ainda criana ouvia, para o meu encanto, o seu canto: ndia teus cabelos nos ombros cados/ Negros como a noite que no tem luar/ Teus lbios de rosa para mim sorrindo/ E a doce meiguice deste teu olhar/... No se sinta incomodada comigo. Com nenhum dos irmos. Aqui, neste plano de vida, estamos bem todos os seus filhos vivos. Cada um com as suas particularidades, como bem a senhora sabe, melhor do que eu. Como se diz por aqui, me me. Conhece as dificuldades e as alegrias s de olhar o semblante de cada um dos filhos e filhas. No meu caso particular, oh me, mantenho ntegro o esprito de criana, e este mesmo esprito de criana que neste momento dana entre as nossas lembranas. Agradeo a Deus por ter nascido filho seu. E agradeo-lhe por ser a minha me querida. Peo-lhe licena, neste momento sublime, o corao transbordando em lgrimas, para terminar esta carta cantando para a senhora a composio de Jos Marcelo de Andrade, que tanto lhe agradava, eternizada pela cantora lrica Maria Lcia Godoy: Elvira escuta os meus gemidos/ Que aos teus ouvidos iro chegar/...


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Por Alberto Sena - 13/5/2017 08:19:11
Nicomedes, craque dos ps cabea

Alberto Sena

Que Nicomedes de Almeida Teixeira me desculpe, mas s h pouco tempo soube, alm de zagueiro do Ateneu, meu clube do corao Cassimiro de Abreu e Ip ele se tornara professor de Literatura Portuguesa e Francesa. E, por via de consequncia, tornou-se escritor poeta, tendo escrevinhado o livro de crnicas e poemas intitulado Sentimentos Paradoxais, que, com muito gosto, acabei de ler. que sa de Montes Claros faz tempo. Embora tenha retornado vrias vezes, mais para buscar fogo, como se diz, sem querer perdi contatos no decorrer de mais de 40 anos. E, de certo modo, perdi tambm a relao com os acontecimentos do dia a dia da nossa terra montesclarina.
Depois de ler o livro pude concluir, ele no s sabia usar os ps com maestria como tambm a cabea. Afinal, a fase de jogador de futebol efmera, muito mais do que a prpria vida. Ao contrrio de vrios craques, que aps pendurarem as chuteiras ficaram a ver navios, sem saber fazer outra coisa para sobreviver, Nicomedes praticou a sua melhor defesa ao marcar o gol de cabea mergulhado no magistrio para lecionar lnguas Portuguesa, Francesa e Literatura.
O livro dele marcante. Por demais interessante, entremeado de experincias como professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Enquanto lia as crnicas e os poemas, imaginava, se aluno dele fosse, a essa altura estaria lhe cantando loas pelos exemplos de vida inseridos nas linhas e nas entrelinhas de suas crnicas e poemas publicados no Jornal de Notcias, de Montes Claros. Modesto, ele, segundo consta do prefcio escrito pelo jornalista Jorge Silveira, Sentimentos Paradoxais seria filho nico e isso me fez lembrar o dizer do escritor mexicano, Juan Rulfo, autor de Pedro Pramo e o Planalto em Chamas, clssico latino-americano.
Rulfo respondeu ao lhe perguntarem, 30 anos depois de escrever o seu nico livro, por que no fez outros: No quero cansar as mquinas impressoras, disse. Quero acreditar no ser de fato essa a pretenso de Nicomedes. Ele tem tudo para brindar os leitores com outros livros. Tanto de crnicas e poemas como romance. Afinal de contas, h uma Helena ao lado dele. Ela, que tambm Maria, a exemplo da me de Jesus poder inspir-lo a transformar a experincia dele no em vinho, mas em literatura, de modo a embriag-lo de entusiasmo para continuar o que comeou bem.
As crnicas dele so eivadas de humor e este um dos ingredientes primordiais para quem gosta de ler. Afinal, do contrrio bastam s durezas da vida a ns impostas no por designo divino, mas pelos homens travestidos de polticos a envergonharem a Nao, em todas as esferas de governos, do federal passando pelos estaduais aos municipais.
Sentimentos Paradoxais, em verdade, um livro que denuncia toda a sensibilidade do autor. Ele soube destrinchar, com leveza e amor, expresses e idias de autores renomados, como Vinicius de Morais, s para citar um.
O livro dividido em crnicas e poemas. Com sua verve potica, Nic, como chamado na intimidade, por intermdio da sua Helena, quatro filhas e a neta Lusa enaltece as mulheres, como fazia Vinicius, autor do clssico da Msica Popular Brasileira (MPB), Garota de Ipanema e tantas outras msicas-poemas de repercusso internacional.
Em resumo, o livro dele um exemplo de publicao bem humorada. Serve de lume para gregos e troianos nortearem a caminhada por esse planeta maravilhoso, que uma meia dzia de energmenos insiste em torn-lo obscuro como se o inferno fosse aqui. Ele foi mestre com a bola nos ps e tambm com a cabea, enquanto perdurou sua passagem pelo magistrio. Por isso posso felicitar os estudantes que puderam beber das guas de Nic.


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Por Alberto Sena - 10/5/2017 08:20:20
Agostinho, era este o nome dele

Alberto Sena

O nome dele era Agostinho. Digo era porque no acredito estar ele ainda vivo a essa altura da caminhada da Humanidade. Tinha os ps dobrados para dentro. Mantinha-se em p sobre os tornozelos. Os ps pequenos tinham a sola franzida e os dedos embolados, deformados. Alm disso, Agostinho era mudo, comunicava-se por sinais. Apesar de tudo, ele conseguia manter ares de quem tinha alegria de viver. Ria muito. Tinha riso para todo tipo de gente.
Agostinho morava no Asilo So Vicente de Paulo, na Rua General Carneiro, esquina de Rua Doutor Veloso, em Montes Claros. A poca era incio da dcada de 60. ramos todos adolescentes. Posso citar, aqui, nomes de amigos com os quais convivi na poca. Todos iro se lembrar do indigitado: os irmos Felipe, Joo Carlos e Ricardo Gabrich; e os irmos Roberto e Ronaldo Lima, Roxxim.
O cenrio era o campo de futebol da equipe do Unio. A entrada do campo pela Rua Corra Machado e os fundos davam para os fundos do Asilo So Vicente de Paulo. Para Agostinho bastava saltar o muro do asilo e estava dentro do campo. Nessa poca, o campo j passava por processo de desativao e ns nos arvorvamos donos do pedao. Passvamos o dia inteiro nele. Jogvamos futebol e tampa de cera Parquetina.
Nas primeiras vezes, Agostinho chegava ressabiado e ficava nos espiando disputar partidas de duplas. Quem ganhasse disputava com outra dupla, e assim por diante. Pedras facilmente encontradas e colocadas quatro passadas distante uma da outra demarcavam os gols. A dupla adversria ficava uns 20 metros distantes. A brincadeira era chutar para o gol adversrio e se houvesse rebate, saa-se para os dribles e o chute final. Era muito divertida a brincadeira.
De tanto Agostinho ficar urubuservando nossas disputas, ns o chamamos a participar e ele logo demonstrou aptido para goleiro. Mesmo tendo os ps para dentro e pisando sobre o que seriam os tornozelos, ele tinha impulso e nenhum receio de saltar para defender as bolas. Fazia cada ponte! No demorou e a toda mo ele era escolhido para jogar. Criou-se, ento, entre ns e Agostinho um lastro de amizade. E como dentro do asilo havia pomar, sempre ele estava trazendo alguma fruta para ns, certamente para demonstrar gratido.
Foi bom mesmo o tempo vivido ali no campo. Mas a partir de quando foi loteado e urbanizado, tudo mudou. No sei o fim tomado por Agostinho. Um dos amigos citados talvez saiba o que lhe aconteceu. ramos adolescentes na poca e as responsabilidades surgiram. A corrida era outra na tarefa de ocupar delas. Ficaram as lembranas. Neste instante, ao fazer os registros, revejo o semblante de Agostinho e ouo as risadas dele, banguela. Ele e ns ramos felizes e sabamos.
O tempo voou. Muita coisa mudou. Nem podia ser diferente. Fui para Beag, em 1972, e s voltei ao asilo, em 1985, quando minha me, Elvira, faleceu. O velrio dela foi prximo ao altar da igreja do asilo. O bispo Dom Geraldo celebrou a missa de corpo presente. Em vida, ela frequentou incontveis vezes a igreja do asilo. Me era fervorosa. Vrias vezes, eu menino testemunhei a relao dela com Deus. Fazia oraes, e o pedido dela era atendido.
No ano passado, por mera curiosidade, fui rever o lugar onde morvamos, na Rua Corra Machado, 238. A casa antiga no existia mais. Quem no tivesse a informao nunca saberia ter sido ali um campo de futebol, de onde saram craques como Marcelino (Atltico), Moe de Ferro, Jomar (Atltico), Joo Batista, Bonga, Bispo, que, inclusive, atuaram em times profissionais.
Iniciando a adolescncia, 1960, foi quando a famlia se mudou da Rua So Francisco para a Rua Corra Machado. Naquela poca, o campo ainda era utilizado. Foi logo em seguida iniciado o processo de desativao. Era uma boa diverso assistir aos treinos e aos jogos das arquibancadas de madeira.
De vez em quando acontecia de a bola de capota cair l em casa. Pai ainda era vivo e ficava buzina de raiva. Ameaava no entregar a bola, mas ao final e ao cabo acabava entregando. Mas deixava claro, da prxima vez...
Nada tenho contra incursionar ao passado a fim de comparar como est o lugar atualmente. Mas, as transformaes por que passaram aquela rea onde vivi com intensidade acionaram a tecla da saudade. Tratei de sair de l o mais rpido possvel, espantado com a quantidade de cercas concertinas por todos os lados.


82343
Por Alberto Sena - 26/4/2017 14:22:58
BRINCADEIRA DE CRIANA

Alberto Sena

Foi uma sensao estranha, como se de repente o movimento de rotao da Terra tivesse invertido e por alguns instantes tornara possvel retroagir no tempo, dcada de 50, quando se era criana, em Montes Claros. Tudo porque hoje cedo meninos brincavam de esconde-esconde debaixo da nossa janela. Particularmente, fiquei surpreso ao me deparar com a cena. E mais surpreendido, ainda, fiquei com a possibilidade de testemunhar in loco crianas alegres repetindo brincadeira nem to antiga.
Em qualquer outro lugar seria hoje cena considerada atpica. Mas, naquela dcada, no porque inexistiam atrativos tantos a desviarem a ateno das crianas como h hoje. Todavia, aqui, isso normal ainda bem porque se trata de uma cidade sui-generis a partir da sua localizao, na linha divisria entre o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha.
Onde j se viu um acontecimento deste nos dias atuais, quando as crianas nascem com celular na orelha como se fosse brinco e logo nos primeiros anos de vida operam computador e possuem e-mail, twiter, i-pod etc., sem nunca ouvir no pode porque seno pode traumatiz-las psicologicamente?
Vi quando um dos meninos apoiou o brao direito na parede e nele encostou a testa para comear a contagem antes de sair correndo: Um, dois, trs... Este momento me recordou de como fazamos a mesma coisa, um, dois, trs (...) e 31 de janeiro, quem eu pegar primeiro. E ento saa a procura dos amigos, aquele encontrado ia para o pique e tudo se repetia na alegria pueril.
As crianas vistas hoje cedo felizes a brincar no tinham celular escondido no bolso. Alis, nem bolso elas tinham. Usavam cales. E pude, ento, recordar de como gostoso brincar. E do quanto brinquei. As crianas precisam brincar. Os adultos criativos de amanh dependem das brincadeiras brincadas na infncia.
As crianas, hoje em dia, brincam de maneiras totalmente diferentes. Elas no saem do lugar. Sentadas diante do computador, utilizam-se de jogos e vdeos nem sempre com mensagens positivas, e isso um convite reflexo sobre o que ser dessa gerao de crianas quando a fase de adulto chegar.
Ao ouvir a voz de um menino, este certamente escondido, conversando com o outro distante, naturalmente o pegador, foi como se em um timo na tela da memria passasse o filme Amacord, de Frederico Fellini. A voz de um deles era disparada bem debaixo da nossa janela e a do outro vinha de longe como se escapasse do inconsciente. L vou eu, disse o primeiro. E ele foi. Procurou ali, l e acol e no encontrou ningum para pegar.
Foi semelhante ao ocorrido comigo quando busquei um lugar onde esconder para no ser encontrado me postando de ccoras sobre o eixo de um caminho estacionado porque enguiado. Ficava entre a carroaria e o eixo. Quem s espiava debaixo do caminho no via nada. Um dado da maior importncia: escondido onde estava tinha a viso total do ambiente. Dava para ver por entre as frestas da carroaria o pique, um poste de cimento.
Na primeira vez, eles to intrigados ficaram com o meu sumio, pensaram na hiptese de eu ter desistido da brincadeira. Todos os meus companheiros j haviam sido presos. Estavam enfileirados no poste, aguardavam-me para libert-los. No momento propcio, esguerei por debaixo do caminho e pisando leve para no chamar a ateno surpreendi os guardas e libertei todos os companheiros. Para alegria geral. Fugimos em desabalada carreira.
Todos queriam saber aonde eu me escondia. Consegui guardar o esconderijo em segredo por algum tempo, mas sob livre e espontnea presso apontei o lugar. Os meninos ficaram com cara de tacho, encabulados. Eles nem imaginavam o quanto de riso segurei para no denunciar o esconderijo, enquanto me procuravam. Conseguia ver a todos e ningum me via, embora passassem perto e espiassem debaixo do caminho.
Trazido de volta a realidade atual pela risada de uma das crianas ao descobrir o esconderijo da outra, pude avaliar, dcadas depois, o quanto importante a relao telrica para a sade mental dos pequenos. Mas havia grande diferena destes em comparao com os da dcada de 50. Os meninos vistos hoje cedo corriam calados de tnis, enquanto aqueles pisavam descalo o cho empoeirado (ou enlameado) de ento. Mas, o xtase era o mesmo.


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Por Alberto Sena - 10/4/2017 14:06:16
Meus 50 anos de jornalismo

Alberto Sena

Por esses dias me dei conta de ter o direito de poder comemorar, se quisesse, com festa de arromba, como diria Erasmo Carlos l na dcada de 60, os meus 50 anos de Jornalismo. Quem se der ao trabalho de fazer conta de aritmtica no me deixar afirmar sozinho como sendo verdadeiras e intensas essas cinco dcadas de Jornalismo, passando pelos segmentos de redaes, desde reprter noticiarista, redator a editor de Agropecuria, Meio Ambiente, Abastecimento e Economia.
Sem pejo, a quem interessa possa informo meus atuais 67 anos de idade e o ingresso no Jornalismo aos 17 anos, no O Jornal de Montes Claros. Meio sculo se passou e se olho pelo espelho retrovisor s agradeo a Deus por tudo vivido nesse rico perodo de minha vida pessoal/profissional, que, indubitavelmente influiu sobremaneira em minha formao profissional/pessoal.
Penso, s vezes, se eu no fosse jornalista e tivesse de optar pela minha verdadeira vocao seria jornalista de novo. Faria tudo novamente, cuidando de aperfeioar, evidentemente, a caminhada se a oportunidade fosse criada.
Sem querer ser presunoso, mas sendo, pude prestar e ainda presto bons servios por meio do Jornalismo tendo em vista o bem da coletividade.
A inteno no fazer proselitismo, mas por meio do Jornalismo sadio dei e continuarei dando a minha contribuio no dia a dia para o resgate dos valores humanos verdadeiros.
Por tudo j realizado at aqui, sinto satisfao enorme, porque sendo um reles exemplar da raa humana exero com a maior tranquilidade meu direito de dormir naturalmente oito horas por dia com a conscincia plena de ter cumprido da melhor maneira as minhas obrigaes em todos os veculos de comunicao por onde passei, em Belo Horizonte.
Em meio aos leitores deste texto comemorativo algum poder fazer a pergunta-chave, considerada: Este camarada deve estar com as burras cheias. No ganhei dinheiro com o Jornalismo. No tive tempo para isso. A satisfao pessoal ao me lembrar ter atingido profissionalmente uma quantia de anos to significativa no material. Nem tangvel. Porque de grande significado imaterial.
Tive e continuo tendo experincia profissional e pessoal maravilhosa com o Jornalismo porque cada vez mais posso conhecer-me e tambm os meus semelhantes, embora tenha a convico sobre ser o comportamento da Humanidade o mesmo desde sempre, incorrigvel, guardando a as propores da massa a cada sculo da existncia humana.
Quem me acompanha desde os meus primeiros passos sabe, penso sempre de maneira global, mas como no tenho o dom da ubiquidade, atuo localmente, como fao at aos dias de hoje estando em Gro Mogol, na linha divisria do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, cidade histrica onde nunca em sua histria secular teve um jornal impresso. Mas ter. Brevemente.
Fosse eu afeito a festividades, a essa altura podia fechar um ambiente amplo e com boa infraestrutura e ench-lo de convidados para me ajudar a comemorar essa metade de sculo como profissional de comunicao. Todavia, isso para mim no passaria de massagem de ego. Interessa-me mais lembrar a mim mesmo, vou passando depressa pelo mundo, certo de no ser deste mundo.
Depois de tudo vivido, ouvido e visto durante esse tempo de tamanha relatividade, tenho a grata satisfao de ter chegado neste ponto achando estar apenas na metade do caminho, porque o melhor est por vir. E, concluo se sa ileso at aqui, sem ser cooptado pelo mecanismo em vigor lamentavelmente no Pas, em todas as esferas Executivo, Legislativo e Judicirio posso registrar a alegria de nunca t-lo aceitado e por isso ter sido rejeitado por ele.
Vivo porque tenho uma centelha divina em mim. Sou rico de graas de Deus. Materialmente tenho o senso do equilbrio, sem entrar na corrente do consumismo. Agradeo a Ele por tudo vivido e por viver. E me ponho disposio como o mais reles dos seus servos. Em verdade, em verdade confesso, sou rico e peo para ser mais rico ainda, sempre, de graas.
Vejo o mundo em convulso. Mas sou como o beija-flor destemido tentando apagar o incndio na floresta com gua no bico. Sinto-me tambm como Dom Quixote de La Mancha. Na pior das hipteses, corro s o risco de semelhana com o personagem de um dos clssicos mais importantes da Literatura Universal.


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Por Alberto Sena - 16/3/2017 14:03:52
Nos olhos da minha me

Alberto Sena

Vi a morte da minha me chegando aos olhos dela. Foi uns dois dias antes de ela morrer. Sentada em um sof individual, na sala, ela mantinha os braos apoiados dos lados. Tinha o olhar fixo em um ponto. No parecia triste nem alegre. Contemplativo. Era como uma estrela em processo de ocluso depois de cumprir a misso divina de brilhar.
O sorriso dela j no era o mesmo sorriso de antes. Sorriso aberto de dentes alvos. Ela e o irmo dela, Abel, tinham sorriso largo. Alis, todos da famlia dela davam risadas. Tia Ambrosina, irm de me, era do mesmo jeito tia Geraldinha e tio Severo tambm quando havia motivo para tanto. Mas o tio Abel era o que gargalhava mais. Eu gostava de ver e ouvir as risadas dele. Sempre quando ele ia nos visitar, tinha alguma coisa engraada para contar, uma piada, um causo.
Mas, voltando minha me. Ao depara-me com a morte chegando aos olhos dela fiquei em alerta. Pareceram-me opacos. Ela me deu a impresso de uma coisa ou outra: sentia algum mal estar, alguma dor e no queria esboar, ou inconscientemente, sentia chegar a sua hora.
Acho mais verdadeira a segunda hiptese. As pessoas crentes em Deus so avisadas com antecedncia, certamente. No caso dela, ela se mantinha firme, serena. Claro, numa hora desta ocorre o fenmeno psicolgico chamado misonesmo, o medo do novo, do desconhecido. O semblante dela era de quem ia entrar por aquela porta para no mais voltar. A Casa do meu Pai possui muitas moradas, disse Jesus.
Ningum vai embora antes da hora. Nada acontece que no devia acontecer. Aconteceu? No adianta empregar a partcula se se tivesse feito isso ou aquilo... , a no ser para corrigir algo que, aparentemente, pode ter acontecido devido a um erro ou negligncia de algum. O que para mim foi o caso da minha me.
Nunca disse perdi minha me. No. Eu a ganhei porque sei, ela vive e est em mos de Deus. Vezes sem conta melhor do que se aqui estivesse. Ela ficaria espantada com os acontecimentos deste mundo, tamanha a desproporo em relao ao seu mundo, me de 11 filhos, sendo nove vivos. Eu sou o dcimo na ordem de nascimento dos filhos de minha me, Elvira, e do meu pai, Jos, Z Bitaca chamado.


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Por Alberto Sena - 14/3/2017 14:04:07
Oito presentes

Alberto Sena

Fiz o suprimento, hoje. Ganhei oito presentes. Duma vez s. Ganhei requeijo, de Salinas; marmelada, de So Joo do Paraso; pequi de Japonvar; mel de aroeira em garrafa, castanhas do par, castanhas de caju e amndoas portuguesas. Pergunto com toda sinceridade: tem presentes melhores do que estes?
Evidentemente, tem sim. E o leitor atento exclamar perguntando: O que ?! Respondo: o oitavo presente, que passou batido na contagem de quem l o texto. Quer dizer, a pessoa que me trouxe os presentes dentre todos o melhor. E foi de surpresa, sabe como ? Antes, ela dizia, talvez no tenha como ir ao Mercado Central de Montes Claros, voltando de Belo Horizonte.
Conformei-me com a explicao dela e pensei com os botes da camisa aos borbotes, mais tempo vou ficar sem o meu suprimento. No que eu tenha alguma coisa contra o requeijo, daqui, de Gro Mogol, mas o de Salinas tem um sabor especial.
A marmelada pode ser de qualquer lugar (menos as de Braslia (DF) marmelada de cachorro.), mas a de So Joo do Paraso tem o seu lugar. Inda mais a da banca de uma mulher, o nome dela desconheo. O tijolo do doce vem muito bem embalado, e segundo disse a quem me trouxe de presente, est novinho. E est mesmo. Antes da palha de bananeira, o doce coberto por insulfilm e abaixo da palha de bananeira, dentro de um saco plstico, est o doce propriamente dito.
O pequi... Ah! Achei que s ia ver pequi na safra de 2018. Para mim foi grande a surpresa quando ao me aproximar da janela do carro em que ela chegou. Senti logo o cheiro predominante de pequi. Claro, h quem no goste e respeito o desgosto de quem quer seja. Mas o pequi... No fosse o pequi, o sertanejo seria totalmente diferente do que .
Mel. O mel tem o seu lugar aqui na nossa mesa. Ouso fazer outra pergunta: h trabalho mais bonito do que o trabalho das operosas abelhas? Elas vo de flor em flor, rimam zumbido com amor e produzem essa delcia. E por falar nas abelhas, o mundo corre srio risco: os venenos jogados nas lavouras e outros fatores esto acabando com as abelhas. Sem abelhas no h polinizao das plantas. Sem polinizao das plantas no h multiplicao dos alimentos. No havendo alimentos estamos todos sob risco de irmos embalados para o belelu.
Quanto castanha do par, dizem os entendidos, contm um mineral chamado Celnio. Esse mineral atua diretamente na membrana protetora das clulas do corpo, retardando o envelhecimento delas. Se a clula fica exposta, sem a membrana protetora, acelera o processo de envelhecimento. Basta comer uma por dia. Castanha de caju tambm importante. Chamam-na de aliada dos diabticos e do corao.
Deixei por ltimo as amndoas portuguesas porque delas, com certeza, eu posso lhes contar uma estria. Estava eu e outros companheiros de viagem nos arredores de Lisboa, Portugal, ouvindo palestra de campo numa mina de carvo, debaixo de uma rvore. Foi no ano de 1994.
O tema era como minerar e aproveitar a gua do lenol fretico. O camarada portugus estava l falando quando, de repente, ao olhar para baixo vi sobre a relva, pela primeira vez, as tais amndoas, mas no atinei para a importncia delas. Ainda assim apanhei uma e comi. E sucessivamente vrias. Vi que caam da rvore debaixo da qual estvamos. Travei ento com elas os primeiros contatos. De l para c fiquei consumidor contumaz delas.
Se h lugar que gosto de ir de quando em vez o mercado. Acho excelente o Mercado Central de Belo Horizonte. Alis, foi considerado o terceiro melhor do mundo. O Mercado Central de Montes Claros tambm bom. Alis, o melhor da regio. Qui, um dos melhores de Minas Gerais. E do Brasil?
O mercado de Montes Claros, eu acho legal porque l vendem desses presentes recebidos nesta manh, 13 de maro. O de Belo Horizonte no me serviria com tanta eficincia e eficcia. No nego, l possvel encontrar algumas bancas que comercializam mercadorias do Norte de Minas. Mas, o de Montes Claros tem caractersticas prprias. Possui o olor do serto, do Cerrado, e aquela cor, como um verniz prprio no encontrado nem em outras partes do Cerrado.
Todavia, o mais incrvel a capacidade de Montes Claros de absorver a fama de produzir os presentes como os mencionados. No faz o melhor requeijo; no produz o pequi mais carnudo; no fabrica marmelada to gostosa quanto de So Joo; mel, certamente, no produz nem uma gota; e muito menos, ainda, castanhas. Mas fica com toda a fama. E os cobres.


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Por Alberto Sena - 11/3/2017 09:51:35
Carta aos Netos

Alberto Sena

Queridos netos, Levi, Melissa e Lissa,
Escrevo-lhes esta carta baseado na certeza de vocs lerem-na um dia e compreenderem bem a exposio feita abaixo. Nem imaginam o quanto gostaria de estar convivendo com vocs no dia a dia. Mas, por circunstncias alheias minha vontade, vejo os anos passarem-se e vocs crescendo sem eu ter a oportunidade de estar com os trs ao raiar do dia, sem poder brincar com vocs sentado no cho ou correr pelos espaos atrs de uma bola ou contando-lhes as mais incrveis histrias para influenciar bem na formao mental de cada um.
Vocs podero me dizer: Mas, vov, ns conversamos muito pelo celular, por meio do whatsapp. verdade. Ainda bem, porque se no fosse isso, confesso-lhes, eu me sentiria, a essa altura da vida, um av frustrado. Claro, visitamos pessoalmente cada um de vocs. Mas nem todo dia dispomos de recursos para entrar em um avio e ir ao seu encontro, Levi (7 anos), meu alemozinho amado.
Voc est em Bremen, na Alemanha. Sabe quanto custa ida e volta de passagem e mais algumas coisas? Mas, deixa estar, Deus conhece os nossos desejos e faz conosco o que quiser. Ele faz sempre muito mais. Sugiro meu caro neto, ganhar intimidade com Ele, na pessoa de Jesus Cristo. Gostei de saber, voc o capito da sua equipe de futebol. Um dia, Deus sabe, poder ser atacante no time Werder Bremen.
Achei mais interessante ainda saber da sua evoluo na escola como monitor e representante da turma. Ainda no lhe contei, mas um dos primeiros livros lidos por mim, quando fui alfabetizado, foi Os Msicos de Bremen, dos Irmos Grimm. E veja voc, tempos depois, ganhei um neto nascido em Bremen. Foi uma premonio, no mesmo? E o mais legal tambm o seu gosto pela msica, piano, bateria...
Obrigado por ser o meu neto querido, poliglota, fala alemo, portugus e ingls. No importa a distncia. Pode acreditar, espiritualmente estou com voc todos os dias. At o dia em que, pessoalmente, iremos a novamente. Slvia lhe manda um beijo. E eu tambm, claro! Peo a Deus para ench-lo de bnos. Abrao na mame (hoje o Dia Internacional da Mulher) e no papai.
MELISSA Querida Melissa (5 anos), lindinha! A voc digo quase a mesma coisa a respeito da impossibilidade de estar a, em Orlando (EUA) para uma convivncia pessoal. Mas no tenha a menor dvida, amo voc. Fico admirado com o quanto uma menina inteligente e sagaz. Fiquei de boca aberta ao assistir ao vdeo em que voc pratica karat. Aquele golpe dado no saco de pancada se fosse dado em vov, ai! Eu iria estrebuchar no cho. Claro que no faria isso comigo, no mesmo? Afinal, sou o seu av ausente, mas espiritualmente todo dia estou presente e vou com voc escola quando levada por seu pai ou sua me.
Gostaria de possuir o dom da ubiquidade para poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Mas isso reservado a Deus, cuja centelha divina est em mim, est em voc, est, enfim, em todas as pessoas em seu pai e em sua me, lgico!
Sei que o seu ingls est uma maravilha, hein?! Sem sotaque algum. At parece ter nascido a. Quantas vezes voc j foi Disney? E praia? Delcia! Pode deixar qualquer dia desses, se Deus quiser, iremos eu e Slvia fazer-lhe uma visita. Legal? Beijos, muitos, meus e dela. Que Deus a abenoe e guarde. Abraa por ns o papai e a mame.
LISSA Lissa (2 anos), minha neta Lissa, querida. Quando voc nasceu, fiz um texto em sua homenagem, com o ttulo: Nasce uma estrela. E voc j est brilhando. Assisti a sua desenvoltura naquele programa de televiso do SBT. Voc pegou o microfone e comandou o espetculo.
A distncia a nos separar, no tanta quanto a que nos separa de Levi e Melissa, mas haver de convir comigo, daqui a Foz do Iguau praticamente uma viagem internacional. Voc, minha linda, progride a cada dia. A sua voz cristalina.
Ontem (7.3.2017), quando voc me ligou da foi coisinha mais deliciosa do planeta. Percebo a sua evoluo daqui de longe, mas um dia iremos a aprender e apreender algumas coisas com voc. Seu pai tem muito a aprender com voc tambm.
Alis, cheguei seguinte concluso: as crianas j nascem prontas. Elas so levadas a desaprender tudo para aprender a viver neste mundo. uma pena, o que esto fazendo com o mundo.
Espero, com f em Deus, que, por meio de um milagre os homens e as mulheres possam construir para Lissa, Melissa, Levi e todas as crianas, um mundo de paz, justia. Um mundo onde o amor prevalea acima do desamor, que, nos dias atuais corre feito rastilho de plvora.
Amo voc, Lissa. Estou tambm com voc, querida, todos os dias, espiritualmente. O importante a qualidade dos encontros pessoais. Aguarde-nos com a graa de Deus nos veremos em breve.
Beijos de Slvia. Que Papai do Cu derrame sobre a sua cabecinha linda bnos em profuso. Abrace o filho meu, seu pai, por ns. Beijos do vov Alberto.


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Por Alberto Sena - 7/3/2017 10:45:22
Quando jogamos contra o Botafogo
Em General Severiano, no Rio de Janeiro

Alberto Sena

De uma feita, fomos ao Rio de Janeiro (RJ) cumprir compromisso com o time do juvenil do Botafogo, em General Severiano. A nossa equipe era do juvenil do Cassimiro de Abreu, no Bairro Todos os Santos, em Montes Claros. O tcnico nosso era Joo Bispo, mais conhecido desde sempre nos meios futebolsticos por Bonga. Data: finais da dcada de 60.
Eu e alguns outros da equipe estvamos em vias de terminar o Tiro de Guerra. Na poca, os sargentos nos liberaram e fomos de nibus dirigido por se no me engano o nome dele Lus Xavier, irmo de Ren, de Elias e de Muzinho. O pai deles era dono da Viao Xavier. Eles eram amigos desde quando a nossa famlia morou na Rua So Francisco e eles prximos na esquina com a Rua Corra Machado.
Lus e Ren dirigiam nibus. Mas no caso da viagem ao Rio de Janeiro, o motorista era Lus. Quem arranjara o compromisso com o Botafogo fora Toninho Santos, filho do ex-prefeito Pedro Santos. Salvo engano, ele tambm levou ao Rio de Janeiro, anos antes, o time do Ateneu, para fazer a preliminar de um jogo da Seleo Brasileira, no Maracan. Toninho gostava muito de l e, certamente, era torcedor do Botafogo.
Para cada um de ns a experincia de ir ao Rio de Janeiro enfrentar um time profissional, era o mximo. Em plenos 19 anos, o esprito fez uma progresso geomtrica, da Terra ao Cosmo, quando Bonga deu a notcia confirmada pelo entusiasta Toninho Santos, figura bonachona, torcedor do juvenil do Cassimiro de Abreu. Ele tinha olho clnico e sabia, dali iam surgir alguns jogadores para o time titular.
Foi uma viagem cansativa pela distncia. Samos de Montes Claros e num estiro s, como se fosse piloto de Frmula 1, Lus fez diversas vezes os pneus do nibus cantarem no asfalto. Na altura de Juiz de Fora (MG), aproveitando uma parada, dois colegas desceram do nibus para dar umas voltas e foram presos pela Polcia do Exrcito porque tinham os cabelos cortados a moda Prncipe Danilo, e seriam soldados desertores. Toninho Santos e Bonga tiveram que ir Polcia do Exrcito a fim de explicar o porqu de eles estarem ali. Foi um custo. E, de certo modo, atrasou a viagem.
Mas chegamos todos so e salvos. Porm cansados. Ficamos hospedados numa casa que Toninho Santos havia arranjado, e cada um se ajeitou nela como pde mesmo porque no havia acomodaes adequadas para todos.
Isso narrado hoje com o olhar atual, mas naquela poca, era motivo de farra. Em campo tudo mudava. Bonga era exigente e dava mostras paternais do tanto que esperava de cada um de ns. Basta dizer, proibia-nos de fumar. Quando acontecia de encontrar algum de ns com cigarro, ele tomava o mao e jogava fora. Desse jeito.
Bonga matinha um caderno, qui ainda exista at hoje entre os guardados dele, no qual anotava tudo relacionado com o time, como uma espcie de dirio. Tinha a data dos jogos, os locais se no campo do Bairro Todos os Santos ou fora, porque viajvamos por vrios lugares da regio o horrio, a formao da equipe, os gols marcados e mais no sei o qu.
Recordo-me, ao chegarmos ao Rio de Janeiro e depois de instalados na tal casa, samos para jantar no Caneco, o point do momento. No me recordo o que comemos, mas lembro-me de ter comido de sobremesa salada de frutas. Em seguida fomos dormir porque o jogo era na tarde seguinte.
No me recordo de como fomos para General Severiano, mas lembro-me bem de que no time do Botafogo havia um craque chamado Ferreti, que mais tarde jogou na equipe principal. O nosso time no foi o mesmo de sempre em campo e acabamos perdendo a invencibilidade por 4 a 1, todos os quatro gols marcados por Ferreti.
Do nosso time, recordo-me de Duilio, Helton, Adilson Gangaia, Elefante, Carlinhos Pinguim, Zoca, Esquerdinha (no sei se Paulo Amorim estava nessa), Alusio, Lois, Ronaldo Chamone e outros que algum pode ajudar a lembrar.
Se na ida Lus foi voando, na volta ele voou mais ainda e ficamos de cotovelo na mo com medo de acontecer alguma coisa, numa das curvas. Mas, ele provou ser bom mesmo ao volante. Antes desafiamos o Botafogo para uma revanche, em Montes Claros, e deu certo.
Com o Estdio Joo Rebello lotado, numa certa noite empatamos com o Botafogo em zero a zero. O goleiro Dulio pegou dois pnaltis e foi o bastante para ser levado pelo Botafogo.


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Por Alberto Sena - 1/3/2017 09:31:15
CONCERTINA E A INSEGURANA PBLICA

Alberto Sena

Quando pela primeira vez vim a Gro Mogol h cinco anos encontrei s uma casa com cerca eltrica. E com a manga esquerda da minha camisa, pensei sobre o quo desnecessrio era a cerca, a no ser para estimular o surgimento de outras. Mas foi um indicador importante para fazer a leitura do quanto a cidade era () tranquila e sossegada, em comparao com o ritmo de vida nas grandes cidades.
Outro indicativo foi encontrar casas com portas e janelas abertas. No via isso desde os anos da infncia e da puberdade vividos em Montes Claros, torro onde nasci. Em um dos retornos recentes a Montes Claros boquiaberta deparei-me com vrias casas dotadas de algo mais alm de uma mera cerca eltrica; encontrei concertinas em diversos lugares.
Para quem j viu cerca desse tipo em muros de casas residenciais e no sabia dizer o nome, por definio, arame de concertina uma barreira de segurana laminada, de forma espiralada possui lminas pontiagudas, cortantes e penetrantes. Ai de quem se atrever a ultrapass-la. Alm de cortante, ela carregada de certa quantidade de volts de energia eltrica.
Utilizada em aes militares para impedir a ultrapassagem de certo permetro, concertina considerada a evoluo do arame farpado. feita de ao galvanizado ou inoxidvel. Encontrar ferramenta convencional para cortar uma cerca feita de concertina no fcil.
Quando me surpreendi com as casas de Montes Claros dotadas de concertina a minha impresso era de estar em um campo de batalha. Deu at medo andar na rua. A fobia contamina. E, ento, me lembrei do vaticnio de Darcy Ribeiro sobre o dia em que estaremos presos em condomnios vigiados por homens armados e os chamados bandidos em liberdade.
Esse dia chegou. Chegou para as grandes cidades, onde as concertinas enfeiam a paisagem e do margem a imaginaes vrias sobre o ponto de degradao alcanado pela sociedade brasileira.
Se tivesse havido l atrs atitudes visando investimentos socioeconmicos, distribuio equitativa de renda e massiva ateno educao entre outras iniciativas ser que os governantes e a sociedade no teriam evitado tudo isto?
Em meus 50 anos de jornalismo tive tempo suficiente para constatar, denunciar e alertar o quanto toda essa parafernlia de segurana muitas vezes mais cara do que o investimento em gente humana, tendo em vista evitar os males hoje sofridos por toda sociedade na atualidade. O monstro foi construdo por ns mesmos. E, agora, estamos sofrendo as consequncias da imprevidncia humana.
Quanto a Gro Mogol, cinco anos depois de ter conhecido a cidade, observo a cada dia o aumento do nmero de cercas eltricas. E, ultimamente, concertinas. Da minha janela, sem sair do lugar, olhando em direo ao Poo das Moas observo uma casa recm-construda j com uma cerca de concertina. A mesma fobia estampada no rosto de quem vive em cidade grande aos poucos contamina tambm gromogolenses.
Em outras palavras, embora cidade pequena, com menos de seis mil habitantes, Gro Mogol j vem sendo atingida pelos males das metrpoles. Vejo, contristado, os sinais dessa realidade agressiva. Ela leva as pessoas a desconfiarem de todo estranho encontrado pela frente e culmina na deteriorao das relaes humanas.
Se essa fobia se instalar de fato, levando os gromogolenses a superestimar o problema da violncia urbana, Gro Mogol j ter ento perdido a paz e o sossego, hoje em dia quesitos fundamentais contra a neurose da guerrilha urbana encarnada e travada diuturnamente em todos os quadrantes do Brasil.
Felizmente, a cidade conta com a eficincia do Peloto da Polcia Militar, sob o comando do tenente Ricardo Batista de Souza. Pragmtico, ele projeta para Gro Mogol uma companhia da Polcia Militar. O que uma garantia maior, alm da proteo natural da geografia e da topografia da cidade nascida nas dobras da Serra do Espinhao, Serra Geral chamada.


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Por Alberto Sena - 23/2/2017 10:06:59
Medo de ver o sol nascer quadrado

Alberto Sena

Faz tempo narrei o episdio abaixo em epgrafe. Ouso tocar nele de novo porque os leitores j devem t-lo esquecido e, portanto, irei relembr-lo. E todos havero de convir comigo, a repetio se justifica por si mesma.
Entretanto, antes, devo esclarecer, me motivou a contar de novo o episdio uma foto do coronel Jos Coelho de Arajo, delegado de polcia poca responsvel pelo esclarecimento de um intrincado caso envolvendo certo menino de dez anos e outros da mesma idade.
Na foto publicada (no Facebook) por Wagner Gomes, destacada do arquivo fotogrfico de Dona Maria das Dores Guimares Gomes (Dona Dorzinha), o coronel Coelho, como era mais conhecido recebia uma placa de homenagem prestada por senhoras da sociedade montesclarina, tendo ao fundo Yvonne Silveira e ao lado Dona Maria Avelar Tonelli, Dona Graice Quintino Vieira e Dona Arlete Macedo.
No h nenhuma relao entre essa foto e o episdio a ser recontado. A foto do delegado, alm de ter despertado a lembrana do episdio, usada nesta ocasio s para ilustrar, porque o ocorrido se deu faz muito tempo e foi uma surpresa deparar-me agora com essa foto dele ainda mais novo.
Vamos ao episdio, sem mais prembulo. Pelos meus clculos, tudo se deu em 1960. Faz, portanto, 57 anos para ser exato. A idade do menino era de dez anos. O estilingue sempre pendurado ao pescoo, continha vrias marcaes no gancho para contar o nmero de caas abatidas. Uma loucura! O menino jamais faria isso novamente.
Estava ele em meio a um grupo de outros meninos, cada um armado com o seu respectivo estilingue. O lugar era a Rua Joo Pinheiro, em Montes Claros, nas imediaes de uma barroca, hoje inexistente, ao lado do ento campo do Unio. De repente, no momento em que passava pelo grupo um caminho caamba do Departamento de Estrada de Rodagem (DER), todos ouviram o estalido de vidro trincando e partindo em pedacinhos.
Um dos meninos do grupo havia atirado uma pedra de estilingue no parabrisa da caamba. O motorista parou o caminho, e, antes mesmo de inquirir quem havia feito tamanha bobagem, um deles se distanciou do grupo e jogou o estilingue no lado de dentro da cerca do quintal vizinho. E ficou como quem tinha coroinha de santo acima da cabea. Como o autor da faanha no aparecia, o menino, que nada tinha a ver com isso, mas no delatou o autor, saiu de cena. Todos se dispersaram.
Para surpresa dele, ato quase contnuo, noutro lugar da mesma rua, quando tratava de aprimorar a pontaria tendo como alvos lagartixas, ele ouviu os chamados apreensivos de uma das irms: Vai correndo l pra casa porque um soldado fardado foi procurar voc e papai est uma fera.
O menino foi sem entender direito o porqu de a polcia ter ido procur-lo. No havia feito nada de errado. Em casa chegando, levou palmada nos fundilhos e soube da intimao de um policial para comparecer delegacia de polcia a fim de esclarecer o caso do parabrisa da caamba.
No dia e hora marcados, ele foi levado pelo pai delegacia. Os outros meninos, ele nem soubera se tambm foram. O corao dele s faltava sair pela boca. Tinha medo de ficar preso. E j se imaginava preso em meio aos outros presos. Como que faria para comer e tomar banho? Um horror!
O delegado era o coronel Coelho, o da foto compartilhada do arquivo de Dona Dorzinha. Quando o menino adentrou com o pai na sala do delegado, os dois se cumprimentaram com um abrao e, em seguida, o delegado fez a seguinte pergunta:
- O que este menino est fazendo aqui?
O pai explicou a situao e o coronel Coelho, o surpreendeu ao dizer:
- Isso aqui no lugar para criana. Quantos anos ele tem?
O pai respondeu:
- Dez.
O delegado pediu desculpas. Ficou nervoso. Disse:
- Criana no pode ser intimada a comparecer a uma delegacia de polcia.
O menino ouviu as palavras dele aliviado. Pensou no mais correr o risco de ser preso e pagar por algo que no fizera.
De mo dada com o pai, ele foi embora da delegacia pisando em nuvens, livre do tormento do medo de ficar l para ver o sol nascer quadrado.

(Nunca ele soube se o caso fora, afinal, deslindado ou se ficara por isso mesmo.).



82191
Por Alberto Sena - 17/2/2017 11:12:45
CORTADOR DE UNHAS

Alberto Sena

Quando pr-adolescente sempre quis ter um cortador de unhas. Recordo-me como se fosse hoje, o meu irmo mais velho possua um, marca Trim. Achava interessante o cortador de unhas dele. Quis emprestado e ele me explicou, por uma questo de higiene, no ia emprestar porque cada um tinha de ter o seu. Entendi.
Antes, quem cortava as minhas unhas era o meu pai. As minhas e as dos irmos mais novos. Fazia uma fila. Ele empunhava uma tesourinha e cortava as unhas das mos e dos ps. Recordo-me que na escola, no ento Grupo Escolar Gonalves Chaves, em Montes Claros, os alunos tinham de exibir as mos sobre um leno em cima da carteira com as unhas devidamente aparadas.
Quem no tinha as unhas das mos aparadas ela mesma cortava. Perante a classe, isto era uma vergonha. Acaso isso acontecesse comigo e ao contar l em casa, o teto seria capaz de cair. Pai e me cuidavam de todos com o maior esmero. A minha camisa com o distintivo do grupo era engomada, branquinha de fazer gosto. As pessoas elogiavam o zelo de minha me.
Voltando ao cortador de unhas, quando o meu irmo cortava as unhas dele ficava observando e achava o instrumento a coisa mais prtica e rpida do que a tesourinha do meu pai. Pai faleceu quando a famlia morava na Rua Corra Machado, em frente ao campo de futebol do Unio, time antecessor do Cassimiro de Abreu. Eu tinha poca 11 anos.
O campo do Unio tornou-se para ns meninos da vizinhana um verdadeiro paraso. De manh, logo cedo, depois do caf, amos para o campo e s retornvamos quando uma das minhas irms gritava de cima do barranco: Mame chamando pra almoar. Isto, em poca de frias escolares, porque os estudos sempre foram prioridade l em casa. E as professoras eram exigentes.
No campo do Unio havia arquibancada de madeira. Era pequena, mas parecia suficiente para abrigar os torcedores. Na poca, ficvamos l vendo o treino dos jogadores como Marcelino, Moe-de-Ferro, Bispo, Bonga, Felipe Gabrich e outros.
Num certo dia, sentado no alto da arquibancada de uns cinco patamares, vi algo brilhar no cho e como achava ser alguma coisa interessante, quase num salto desci para ver o que era. Era um cortador de unhas. Estava meio enferrujado porque decerto perdido havia mais tempo e o cortador de unhas sofreu os danos das intempries. Estava semi-enterrado no cho.
Apanhei o cortador de unhas como se fora trofu. O corte estava afiado ainda e fiquei feliz porque daquele dia em diante podia cortar as prprias unhas. No tinha dinheiro para comprar um novo e mesmo se tivesse no sabia em qual loja encontrar.
Para us-lo lavei-o bem, porque me lembrei das palavras do meu irmo por uma questo de higiene, cada um deve ter o seu. Como eu no sabia de quem era, tive o cuidado de esteriliz-lo em gua fervente. Por um bom tempo utilizei-o da melhor maneira e at andava com ele no bolso para o caso de ter de cortar as unhas. Tinha sempre na lembrana a exigncia das professoras do antigo primrio unhas cortadas e leno no bolso.
Que fim levou o meu cortador de unha nem sei. Outros cortadores de unhas eu adquiri ao longo da vida. Mas, o melhor mesmo, eu o trouxe de Nova Iorque (EUA), em 1992, quando fui fazer a cobertura das reunies preparatrias para a Cpula da Terra, na Organizao das Naes Unidas (ONU), evento realizado no Rio de Janeiro, batizado Rio-92.
Comprei vrios, um para mim, para os filhos e nem sei quem mais, a US$ 0,10 cada. O meu, perdi-o anos depois dentro do carro, em Belo Horizonte. Lembro-me, estava com ele e por descuido o deixei cair. Desconfio de que esteja debaixo do assento do passageiro, onde o meu lugar, porque no dirijo. Quem dirige a mulher. Desse estresse do trnsito e de nenhum outro eu no sofro.
Um dia desses, quando o carro precisar ser levado oficina, eu vou pedir ao mecnico para retirar o assento de passageiro s para verificar se o meu cortador de unhas made in USA est debaixo dele. Tenho quase certeza, eu o encontrarei l.


82185
Por Alberto Sena - 14/2/2017 09:45:50
DENTRO DA NOITE

Alberto Sena

Tomei banho, vesti cala jeans, raridade naquela poca. Passei brilhantina nos cabelos e dei boa noite minha me. Ela me perguntou: Aonde voc vai? Perguntou s por perguntar, porque a resposta era a de sempre, pura. Eu no tinha um lugar certo para ir naquelas noites. Ia a vrios lugares em Montes Claros, dependia dos encontros com os amigos e as amigas.
Na poca, o ponto era na porta da sorveteria Cristal. De l a turma se arrancava para alguma festa ou outro programa. As opes eram poucas. Aumentaram depois da expanso de Montes Claros para os lados e a partir de quando se embonecou de metrpole de fato sem ser de direito.
Nem sei por que me vieram essas lembranas. Revelo com toda tranquilidade, no tenho saudade da vida vivida. Embora soubesse ser feliz porque me alegrava viver em Montes Claros at ver os amigos, um a um indo embora em busca de outro modo de viver. Na cidade grande.
Quem vive de passado sofre. Saudade vira doena, o banzo. Banzo era a doena dos negros escravos africanos arrancados do seio familiar e do torro natal para trabalho forado nos engenhos nordestinos e nas minas gerais. De tanta saudade da ptria querida, eles morriam de banzo.
No entanto, gosto das lembranas do meu viver. No sei como isso funciona com as outras pessoas, mas comigo trago na mochila muitas estrias. Com o passar do tempo elas viram histrias. Quem no tem nada para contar da vida vivida no viveu. Ou no prestou ateno s vivncias e fica pelos cantos medida do avano da idade.
Vivi pouco tempo em Montes Claros. Foi do nascimento at aos 22 anos. Depois de iniciar no O Jornal de Montes Claros, aos 17 anos, aos 22 j estava na Redao do EM, trabalhando com gente do mais alto nvel intelectual, a comear pelo jornalista e escritor Wander Piroli. Mais tempo eu vivi em Belo Horizonte, portanto. Amo aquela cidade. Mas, do modo em que est, interessa-me ir l s de vez em quando.
Nunca Montes Claros saiu de mim. Penso que deve ter tido maior peso o fato de ser o meu torro natal, nascido pelas mos de Irm Beata. Alguma influncia pode ter havido tambm devido a poca em que eu nasci no ps-guerra. Lembro-me, menino, de ouvir a preocupao dos mais velhos quanto a falta de querosene no mercado, combustvel de lampies e de lamparinas. Ouvia falar tambm de certo presidente Vargas que se suicidara e conversas sobre o fim da guerra.
O mais marcante nessas conversas de guerra foi a morte do meu tio Jos, irmo da minha me. Ele foi para o Nordeste, salvo engano Natal, no Rio Grande do Norte, onde tomaria um navio. Ia lutar na Itlia. Mas antes de embarcar, o tio morreu afogado, no sei se no mar ou em rio.
Na famlia pouca informao ns tivemos dele, a no ser um retrato ao lado de um colega, e outro moldurado e posto na parede da sala l de casa. Ele fazia uma pose bonita. Apoiava o queixo no punho fechado da mo direita.
O menino tinha o maior orgulho do tio Jos. De certo modo achava melhor ele ter morrido antes de lutar na guerra. Alis, eu nunca me senti bem com essa histria de guerra. No entendia porque precisava haver guerra. Como ainda no entendo. Um irmo matando o outro. Olha que coisa mais triste para uma criana.
Numa vez em que vi a fotografia na revista O Cruzeiro, de um homem franzino, vestido s de tnica branca, calado com sandlias e um cajado na mo fiquei impressionado. Era a figura do Martma Gandhi libertador da ndia do jugo ingls. Soube depois, muito depois, quando li a biografia dele e outros escritos. Gandhi, a Grande Alma.
O jovem logo abandonou a brilhantina. Ouviu o ritmo e as vozes de certo grupo de Liverpol. Eles fizeram meus cabelos crescerem livres sacudidos pelos ventos. Irreverentes, identifiquei-me com eles e segui em frente em buscar de sonhos outros.
Por sorte minha ou talvez porque fui marcado pelo toque das mos de Irm Beata, afinal, encontrei razo maior de viver dcadas depois ao viajar a Israel, a servio do jornal, onde pude seguir as pegadas do Homem de Nazar at o Glgota.
Considerando a relatividade temporal, tudo se deu num timo. Ainda me vejo na porta da sorveteria Cristal no aguardo dos amigos e das amigas para outros rumos tomar dentro da noite.


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Por Alberto Sena - 27/1/2017 10:56:53
Eucalipto estraga clima da regio . Deserto verde expe a ganncia de empresrios sem viso ambiental

Alberto Sena

Gro Mogol, municpio distante da capital quase 600 quilmetros, j foi muito mais longe de Belo Horizonte, na poca em que era considerado fim de mundo. Tanto verdade que dcadas atrs brotou na cabea de algum a ideia de encher de eucalipto a regio, pois que ningum iria se importar com a regio, mesmo em detrimento da fauna, da flora e do clima locais.
S o ex-governador Newton Cardoso, tem uma monocultura de eucalipto na regio, que para ser percorrida leva horas de carro. O ex-governador, se no o maior explorador de eucalipto na regio e uma dos maiores. Comparado com o que leva daqui, ele deixa pouco ou quase nada para o municpio.
Mas no s ele o responsvel pelo deserto verde na regio. Em p de igualdade com esto empresas como Vale do Rio Doce (Floresta Rio Doce), Plantar, Rima, Calsete e outras, alm do famigerado fazendeiro florestal. Todos contriburam para tornar ainda mais rida as reas integrantes do Polgono das secas (as secas eram cclicas, agora, com os eucaliptos, so permanentes). Essa corrida ao eucalipto originou srios problemas de grilagem de terras.
EM ABUNDNCIA Os mais antigos personagens de Gro Mogol contam, antes da vinda dos eucaliptos, o clima da regio era outro, bem mais agradvel. Chovia em abundncia, at alm do perodo considerado normal. A sede do municpio tinha fama de possuir clima temperado comparvel a certos lugares da Europa. Os rios esbanjavam gua, os ribeires e crregos tambm.
Atualmente, a no ser de madrugada, quando a temperatura cai um pouco, Gro Mogol ficou quase to quente quanto est Montes Claros. A luz solar incide nas pedras e estas refletem o calor ajudando tornar os dias e as noites muitas das vezes quase insuportveis. A vantagem que, aqui, venta devido s serras, e em Montes Claros vento quase s o do ventilador ou do ar condicionado.
POUCA CHUVA Nos ltimos cinco anos choveu pouco na regio. Nesta temporada tambm. Os crregos, ribeires e rios quase todos cortam poo anualmente. Muita coisa mudou na regio e o eucalipto apontado como o principal responsvel por isso. Por isso e por muito mais, porque destruiu a flora e afugentou a fauna.
Em eucalipto nada aparece alm de formigas e caturritas (aves predadoras de lavouras que usam as rvores de eucalipto como abrigo, mas no se alimentam delas), como explica em estudo especfico Rafael Said Bhering Cardoso, Mestre em Patrimnio Cultural, Paisagens e Cidadania pela Universidade Federal de Viosa (UFV).
Os impactos negativos do eucalipto so por demais conhecidos. necessrio as autoridades responsveis colocarem um basta na ganncia empresarial e impedir a expanso dos macios. fundamental no pensar s economicamente, mas ter viso mais ampla dos prejuzos que uma monocultura de eucalipto provoca. Quem ganha s o empresrio. Hoje, do plantio a colheita, tudo mecanizado.
TRINTA LITROS A quem sabe ler e raciocinar basta dizer, um p de eucalipto isoladamente visto em meio ao macio consome por dia 30 litros de gua. E o que isso pode gerar adiante seno um dficit hdrico nas regies onde so cultivados eucaliptos? o que acontece aqui, na regio de Gro Mogol. Numa linguagem popular, os eucaliptos chupam a gua da regio.
O problema grave. Ressecamento do solo significa maior exposio eroso. O eucalipto visando unicamente maior viabilidade econmica possvel empobrece o solo e o expe. Terra gente como a gente. Terra sente dores, como a gente. Terra empobrece tambm. Todo agricultor sabe disso. Para recuperar a terra necessrio alto investimento. A biodiversidade diminui e a diversidade da fauna tambm.
Para contrapor ao discurso falso de oferta de empregos e reflorestamento, a especializao da atividade gerou grande desemprego e pe em risco at mesmo a cultura de um povo. Esse problema pode acabar por gerar grande impacto social na regio. Tudo isto sem nada falar da transformao da paisagem, quando as florestas heterogenias so substitudas por monocultura de eucalipto. Clones que, a cada ano vai transformando um paraso natural em deserto verde.


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Por Alberto Sena - 18/1/2017 09:46:00

BEMQUERER REAPRENDENDO A VOAR

Alberto Sena

Emocionante. Esta palavra resume a garra, a fora de vontade e a convico do empresrio Lcio Bemquerer. Ele fez uma cirurgia na medula, na Santa Casa de Montes Claros e se recupera fazendo fisioterapia. Quem o viu logo aps a cirurgia, muito bem sucedida, tinha a impresso de que o Bemquerer iria comear a mexer com os ps meses depois.
A evoluo de Lcio surpreendeu o prprio mdico (...) que o operou. Surpreendeu o filho dele, Marcos Bemquerer e surpreendeu a mim tambm, porque trs dias depois de operado, ele j mexia com os ps. Agora, vendo-o fazendo fisioterapia, motivo de admirao ao fazer a comparao do antes com o agora. Quem o conhece se emociona.
Ele senta na cama, fica em p na janela, movimenta-se com o andador e, no ritmo em que vai logo estar andando dentro de um quadro de normalidade. Ele j pretende passar fins de semana em Gro Mogol, a fim de respirar os ares do lugar onde nasceu e construiu o maior prespio natural do mundo, o Prespio Mos de Deus.
O fisioterapeuta Guilherme Ruas est to otimista em relao recuperao do paciente tanto quanto o prprio Lcio. importante lembrar, ele fez uma cirurgia na medula e todos sabem o quanto ela fundamental. Significa dizer, a recuperao no acontece como num passe de mgica. necessrio querer se recuperar e ele quer porque o corpo no momento est assim, mas a cabea funciona a mil quilmetros por hora.
Lcio sempre foi homem ativo. Em Belo Horizonte, onde dirigiu a Associao Comercial de Minas (ACMinas), como consultor principal da Prosper e diretor executivo do Frum de Lderes da Gazeta Mercantil, o empresrio sempre se destacou pela agilidade na tomada de iniciativas para solucionar questes empresariais.
Quando na ativa, acometido do problema na medula, s diagnosticado h cerca de oito meses, o que ocasionou a cirurgia na Santa Casa, o empresrio foi convidado a ser ministro de Estado, a ser candidato a governador e tambm prefeito. Ele no aceitou nenhum dos convites por se achar empresrio por vocao sem a necessidade de se envolver com a poltica.
De tudo que fez por Gro Mogol, Montes Claros e Belo Horizonte, o Prespio Natural Mos de Deus, construdo por ele j aposentado e de volta a terra natal, talvez seja a sua maior obra, porque foi como tivesse atendido a um sinal vindo do cu como um blido.
Lcio vive cada dia como se fora o primeiro ou o ltimo. Hoje ele est melhor do que ontem. E assim vai. Essa certeza o empresrio tem, como tambm possui todo o tempo do mundo para fazer reflexes pessoais enquanto sente o corpo responder aos comandos dos exerccios dirigidos pelo fisioterapeuta, um trabalho de dedicao e amor, torcendo o corpo dele de todo jeito.
Dentro de mais um pouco, certamente, um novo homem ressurgir vestido na pele dele. E quando isto acontecer, Bemquerer ser a prova inconteste de que quando se quer alguma coisa, principalmente relacionada com a recuperao da sade, o denodo e a vontade suprema agindo dentro dele geram o milagre. Eis o homem em sua saga. Como a mitolgica ave chamada Fnix, ele est reaprendendo a voar.


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Por Alberto Sena - 4/1/2017 14:12:17
FUNERRIA NO CENTRO DE POLMICA

Alberto Sena

A notcia de possvel instalao de uma funerria na Praa So Sebastio, prximo ao Hospital Afrnio Augusto Figueredo, em Gro Mogol, o epicentro de uma polmica que vem atanazando a vida de seus vizinhos. O estabelecimento ainda nem foi instalado e j incomoda. Encontra-se em processo de reforma do imvel, onde at h pouco tempo funcionava o Centro de Ateno Psicossocial (Caps) transferido para o Bairro Bandeirantes, prximo ao ginsio Quita Benquerer.
Em Psicologia h um vocbulo Misonesmo que, traduzido, quer dizer, medo do novo ou do desconhecido. Geralmente isso acontece com todo tipo de gente. Trocando em midos, algo que costuma causar frio na barriga. Comum ouvir isso das pessoas, quando no tm idia do que ir acontecer diante de um desafio, um concurso, por exemplo, com poucas vagas, e a necessidade de obter xito.
O mais alto grau de misoneismo o medo da morte. Ningum sabe dizer o que poder acontecer depois de batermos as botas ou abotoarmos o palet ou ainda partirmos desta para outra, qui, melhor, e assim por diante. H vrias maneiras de dizer a mesma coisa. Os vivos de modo geral no gostam de tratar do assunto. Tm medo. Uns tm medo nem tanto da desencarnao, mas como a morte vem, se por doena lenta, sofrida ou no.
Tudo relacionado morte aflige qualquer cristo ou sacristo, para no dizer todo humano vivente. Basta ver o carro da funerria para as pessoas ficarem com palpitaes. A possibilidade de ser instalada em determinado lugar uma funerria, motivo de arrepio para muita gente. Para os vizinhos, ento, nem se fala.
No caso em tela, o imvel est em reforma para instalao de uma filial da Funerria Avelar, de Montes Claros. O imvel tem por vizinhos o Asilo So Vicente de Paulo, de um lado, e do outro, a casa do empresrio Lcio Bemquerer, o construtor do Prespio Natural Mos de Deus, um benfeitor gromogolense. Quase por unanimidade, as pessoas esto contra a instalao de uma funerria naquele local.
Alm de depreciar os imveis vizinhos dizem vozes que se levantam contra a funerria naquele ponto se for instalado velrio, ir trazer dissabores para a vizinhana porque a atividade exige cuidados especiais e a rea residencial. Os contrrios ao empreendimento ali acham muito mais vivel a instalao da funerria noutro lugar e at sugerem a Avenida Domingos Arruda.
Hoje, no perodo da manh, dois jovens trabalhavam na reforma do imvel. Eles j elevaram a parede na fachada e esto cuidando do telhado. Disseram que o dono do empreendimento est disposto a seguir em frente com a obra, mas nesse meio tempo cresce o descontentamento contra a funerria naquele ponto da Praa So Sebastio.


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Por Alberto Sena - 29/12/2016 14:22:22
Sem Juiz, delegado, padre e, talvez, promotora

Gro Mogol, uma das Comarcas mais antigas, municpio onde viveram o Baro Gualtr Martins Pereira e Francisco S, este responsvel por trazer linha frrea ao Norte de Minas, terra natal de Jos Afonso Bicalho, atual secretrio de Estado de Fazenda, reclama da falta de respeito das autoridades do governo de Minas, da justia mineira e da Diocese de Montes Claros, que deixaram o municpio com um brao amarrado a uma perna.
Contra o governo de Minas os gromogolenses reclamam da falta de um delegado de polcia. Corre por aqui a notcia de que a delegada Maria Anglica Fernandes Almeida Prado, em frias, no retornar mais a Gro Mogol no dia 8 de janeiro, como era previsto. Ela foi definitivamente absorvida pela Superintendncia Regional da Polcia Civil sediada em Montes Claros. Para substitu-la viria um delegado de Bocaiva. Vrios inquritos continuam parados na delegacia de polcia porque dependem de instrues de um delegado.
Contra o judicirio, a cidade reclama da falta de um juiz de Direito permanente. Uma montanha de dez mil processos no Frum local aguarda um juiz que possa dar andamento normal ao trmite processual. Em Gro Mogol, as pessoas at j se acostumaram com essa falta de ateno do judicirio, o que demonstra descrena na justia. Dizem: O juiz que mais tempo ficou aqui, permaneceu por dez meses. O mais recente, Wagner Mendona Bosque, vinha fazendo bom trabalho e talvez porque tenha demonstrado eficincia, foi transferido para a Comarca de Mantena, no Vale do Rio Doce.
Contra a Diocese de Montes Claros a reclamao devido retirada dos dois padres, Diogo e Alexandre. Eles chegaram recentemente e no devem nem ter se acomodado direito na Casa Paroquial e j esto de sada. Em menos de trs anos, quatro padres por aqui passaram, os dois mencionados e os padres Geraldo Magela e Ailton.
Entretanto, o que est ruim pode piorar um pouco mais se a promotora Gerciluce de Brito Sales Costa, recm-chegada a Gro Mogol tambm for embora. Pelo menos o que se ouve dizer. Ela j estaria pensando nisso. E se isso acontecer, estar de fato escancarada demonstrao de negligncia como Gro Mogol tratada.
Quem se habilitar conversar com um cidado gromogolense sobre essa situao tragicmica no ter a menor dificuldade em encontrar um. Todos reclamam, uns com os outros, mas alguma virose, como os mdicos costumam dizer, os impede de tomar uma atitude poltica de pr cobro a essa situao vexatria.
Os prprios advogados integrantes da Ordem dos Advogados (OAB), Seo de Gro Mogol, os mais interessados em ter uma justia que de fato funcione, tinham de intensificar as reivindicaes a quem de direito para resolver essas questes. So pedras no caminho do trabalho deles e na vida dos seus clientes. Se no reclamam, os gestores acham estar tudo funcionando s mil maravilhas.


82044
Por Alberto Sena - 21/12/2016 08:19:10
REFLEXO NATALINA

Uma sria reflexo sobre o comportamento dos seres chamados humanos imprescindvel seja feita aproveitando o ensejo do Natal e do Ano Novo. Acompanhe o raciocnio, depois cada um faa a sua reflexo e tire as concluses. Todo ano quando principia o final, ns nos apressamos em trocar mensagens vrias Feliz Natal (*), Boas Festas, Feliz Ano Novo. Entra ano sai ano a mesma coisa. Tanto que essas mensagens ficaram comuns e at parecem ter perdido o encanto.
Ao refletir sobre isso, chega-se seguinte concluso: esses desejos contidos nas mensagens perdem o vio porque no possuem fora suficiente para gerar consequncias positivas. Foram, como se diz, s de boca, no saram realmente l do fundo do corao ou da alma, a maioria das mensagens para cumprir formalidade ou demonstrar ser atencioso com o outro. Nada alm. Ao passar o Natal e o Ano Novo tambm tudo volta rotina de antes; e morre como promessa no cumprida.
Com a falta de atitude, com a falta de prtica diuturna do poder intrnseco e mgico das palavras contidas nas mensagens enviadas e recebidas, tudo acaba nisso s. Ns que viemos de longe e j faz tempo podemos perguntar: o mundo de hoje melhor do que o mundo de dcadas atrs?
A resposta sim e no. Sim porque a evoluo tecnolgica trouxe uma srie de condies favorveis melhoria da qualidade de vida, porm, o lado negativo demasiadamente negativo ao ponto de pr em risco a vida no planeta. Ningum, em s conscincia, ir discordar disso.
Enquanto as palavras e as mensagens se vo desgastando com o tempo, o mundo s deteriora. E um dos principais problemas dos dias atuais a falta de segurana sob todos os aspectos e principalmente a insegurana pblica nacional e internacional.
H vrias maneiras de desejar bom dia a algum. Evidentemente, depende de como a pessoa vai por dentro. Mas se todos ns desejssemos mesmo que o outro tivesse um dia bom ao ponto de dar-lhe a ateno merecida, como ser da raa humana, o mundo seria melhor, porque o movimento no sentido de melhorar o mundo comea dentro de cada um de ns.
Ser que estou cuidando de mim, dos meus pensamentos, das minhas palavras e das minhas aes devidamente, dentro de uma percepo holstica? Claro, em meio a ns h, certamente, gente desnudada de egosmo que faz milagres ao transformar as palavras em aes cotidianamente. Essas pessoas do a Terra o necessrio equilbrio.
Quanto mais melhoramos os recursos de comunicao, mais nos distanciamos uns dos outros. Vivemos um paradoxo irremedivel, porque assim caminha a humanidade, mergulhada no consumismo, mundo de obsolescncia programada, no qual as pessoas tm importncia se possurem bens materiais.
E assim, quanto mais falamos, s da boca para fora em paz, menos paz o mundo tem. Nada adianta vestir camisa branca em nome da paz. Quanto mais invocamos o amor, mais a Humanidade sofre com o desamor. H alguma coisa errada. As guerras a esto cada vez mais estpidas devido facilidade de matar. Mata-se at em nome de deus, como se Deus fosse ruim ao ponto de ordenar a morte de algum ou de uma populao inteira.
Posso me considerar defensor do otimismo e quero continuar acreditando na Humanidade porque sempre h Esperana, a me da F. Mas, pela leitura da caminhada humana, se no houver o resgate dos valores verdadeiros, se os homens e as mulheres habitantes do planeta no derem uma guinada de rumo, a tendncia da Humanidade, semelhante a uma grande boiada, ir inexoravelmente para o corredor do frigorfico, destino reservado a todo gado de corte.

(*) Feliz verdadeiro Natal a todos. Vamos homenagear o aniversariante durante o ano inteiro e em unssono cantemos parabns pra Ele. O mais disso so firulas.


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Por Alberto Sena - 12/12/2016 09:35:20
DO PEQUI NADA SE PERDE

Comi os primeiros pequis, hoje, no almoo. Huuummm... O meu organismo agradece. Todo ano, pequi e manga so duas coisas pedidas pelo crebro e o corpo pedem. Inda mais sendo, como eu sou filho de pequi foi meu pai que me ensinou a comer , no posso de modo algum deixar de ingerir a vitamina A do pequi mais as vitaminas do complexo B12, os sais minerais e a gordura natural desse fruto conhecido no serto norte mineiro como carne do sertanejo.
por demais importante saber roer o pequi. H o roedor amador e o roedor profissional. Evidentemente, me coloco na categoria de profissional e quem se interessar em saber como o profissional roedor de pequi, o seguinte: quem ri o pequi e o faz mudar de amarelo para branco sem necessariamente atingir os espinhos.
Costumo dizer, do pequi nada se perde. At mesmo os espinhos podem espetar a lngua de algum desavisado. No deixa de exercer a sua funo especfica, embora j seja possvel produzir pequi sem espinho. O que, particularmente, acho bom e no bom. Por que acabar com o meticuloso trabalho de algum com uma pina pinar um por um os espinhos da vida na lngua do roedor aodado?
Quem conhece de pequi sabe, um alimento completo. Dizem as bocas mais sensuais, o pequi afrodisaco. Nove meses depois da safra surgem os filhos de pequi. Meu caso. Numa contagem regressiva a partir de setembro so noves meses; certinho. E quem quiser saber se ou no filho de pequi, basta fazer a mesma contagem. Neste momento algum faz pausa para contar nos dedos. Aposto.
Entretanto essa pretensa qualidade de ser afrodisaco no existe. fruto da mentalidade frtil de roedores contumazes para valorizar o fruto, considerado por mim e por milhares, bendito. O que h o seguinte: no serto, muitas das vezes o sertanejo passa alguma dificuldade de bem se alimentar e por via de consequncia corre o risco de ficar fraquinho. Mas a, a, vem safra de pequi, e ele enche o bucho e fica firme para arrotar a energia do indigitado. Sacum?
E tem mais. Acontece de famlias, parentes e amigos se reunirem para catar pequi luz do luar sim porque pequi a gente cata; no p ele ainda no est bom. Cata aqui, cata acol, surgem namoros, casamentos e at ficncias. Ento vm as chusmas de pimpolhos.
No gosto de dizer isso no, mas a verdade deve ser dita: dei e reconheo isso, mesmo porque se eu no reconhecer talvez ningum reconhea por mim porque no est escrito em lugar nenhum; dei grande contribuio para o surgimento da Lei que probe o abate de pequizeiro no territrio nacional. Quando reprter na capital, durante mais de duas dcadas todo ano viajava pelo Norte de Minas a fim de produzir matrias sobre o pequi.
Foram tantas as reportagens, at incomodar o ento superintendente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), atual Ibama (dcada de 80), salvo engano, porque passado tanto tempo, o nome dele seria Antnio Gonalves. Ele me telefonou de Braslia dizendo: Acabo de assinar uma portaria proibindo o abate de pequizeiro em todo o territrio, baseado nas suas reportagens.
Senti um arrepio. Finalmente aconteceu o que muitos de ns defensores do pequizeiro sempre buscamos. O pequizeiro posto no pedestal como o fruto mais importante do Cerrado. Cerrado que se vai minguando a cada ano devido ao fogo e a sanha do agronegcio.
A portaria virou Lei com o passar do tempo. Entretanto no basta haver uma Lei se no houver fiscalizao capaz de coibir os abates clandestinos. O importante evitar e no s punir depois de pequizeiros tombarem em funo da ganncia dos empresrios rurais. Entre os sertanejos h um acordo tcito de no abater pequizeiro.
A rvore linda. Paradoxalmente, delicadeza rstica. O tronco protegido por uma espcie de cortia, como soe acontece com a vegetao do Cerrado apropriada para se proteger dos rigores do Sol do serto. As folhas so grossas expondo a beleza rstica da copa que se abre para receber as emanaes csmicas. Pra mim, o sabor do pequi vem do alto.
fundamental dizer sobre a procedncia dos primeiros pequis grandes, avermelhados, saborosos que comi no almoo. Vieram do Mercado Central de Montes Claros. Montes Claros que no produz pequi, mas leva a fama. Como leva a fama de ter requeijo, de Salinas; e marmelada, de So Joo do Paraso.


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Por Alberto Sena - 23/11/2016 21:27:21
TELHADO DE HISTRIAS

Alberto Sena

Telhado deste tipo, utilizado nas casas antigas, em estilo colonial, para mim como cachoeira de recordaes de quando vivia a infncia em Montes Claros, na Rua Marechal Deodoro e na Rua So Francisco, dcada de 50. Data vnia, se me permitem, gostaria de registrar aqui, em primeiro lugar, por intermdio desse telhado da foto, a importncia de ter passado a infncia na casa da Rua Marechal Deodoro.
Aqui, com as minhas mangas de camisa, presumo, a casa teria sido sede de fazenda. Era uma casa grande, pelo menos em minha lembrana, e levando-se em considerao o nmero de filhos trazidos ao mundo pelos nossos pais 11 seis mulheres e cinco homens. Um dos irmos no durou nem um ano. Morreu naquela casa, muito antes do meu nascimento, porque sou o dcimo e ele o quinto.
A casa no tinha forro de teto. As telhas ficavam mostra, com as vigas e os caibros. Quando chovia chuva acompanhada de ventania, os ventos pareciam uivos de lobos. O ar condicionado era natural. Entrava pelas gretas das portas e janelas ou por cima, por debaixo do telhado.
O mais importante de tudo era o pomar da casa. A princpio eram 22 jabuticabeiras. Uma mangueira, manga comum, uma delcia. Havia laranjeiras, inclusive um p de laranja da terra. Minha me fazia doce. Tinha mamoeiro, goiabeira e figueira. devido ao tamanho da casa e o pomar que presumo ter sido aquela casa sede de fazenda.
Ali foi o meu mundo da fantasia. Tinha a impresso de poder comunicar com os elementos da natureza. Eles pareciam sair das razes das rvores. Ficavam escondidos atrs de alguma moita ou de um tronco. O contato telrico era de primeirssimo grau.
A famlia viveu na casa da Rua Marechal Deodoro em duas ocasies. Esta que acabo de narrar foi a primeira. Na segunda vez, derrubaram a metade das jabuticabeiras. A mangueira continuava no lugar, mas o quintal havia sido reduzido pela metade. Construram um muro pintado de branco. No tnhamos mais a liberdade de ir ao Ribeiro Vieira, ainda lmpido, no limite do nosso quintal.
A casa da Rua so Francisco era semelhante, estilo colonial, portas e janelas verdes, parede creme e telhado igualzinho a este da foto. O ar condicionado era o mesmo. Quando chovia chuva forte, com relmpagos e troves, ns nos enfivamos debaixo da mesa de jantar e ficvamos na expectativa de o teto desabar.
Mas, em compensao, o quintal se revelou fascinante para todos ns, principalmente os mais novos. No tinha tanta frutfera, mas era o suficiente para a meninada brincar e brincar de caubi e de heris outros debaixo do mar de fedegoso que sucedia s chuvas de fim de ano. Ou na mangueira de manga comum onde cada um tinha o seu galho. Havia outra de manga-umbu, um coqueiro macaba e um p de urucum.
Ali a fase foi outra. Vieram os jogos de bolinha de gude e finca. As brincadeiras de esconde-esconde, salva bandeira e histrias mil lidas nas revistas em quadrinhos porque a essa altura j estudava o antigo primrio.
Isto e muito mais um telhado como esse da foto me faz recordar. J o telhado de telhas inglesas no me traz, pelo menos no momento, tanta recordao. Telhado de vidro eu nunca tive. Foi depois de mudarmos da casa da Rua So Francisco que a velocidade da vida comeou a aumentar, mas nem to celeremente como aconteceu na dcada de 70.
Fui pra Beag e l fiquei 43 anos morando em apartamento. Para um filho de quintal, morar em apartamento no mnimo um suplcio. Foi ento que, afinal, descobri Gro Mogol. E junto com a amada, escolhemos, aqui, como morada. At quando Deus quiser. O comando todinho Dele.


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Por Alberto Sena - 21/11/2016 11:05:30
PLUTA E OS FILHOS DA PLUTA

Alberto Sena

Ela vive na rua. Exatamente aonde, no sabemos. Mas foi dar a ela comida a primeira vez e pronto, a cadela se apaixonou por ns. No sai da frente de nossa casa. Ela era s pele e osso. Hoje est bem melhor. Pelo menos os ossos j no esto mais expostos.
Como que chama a cadela? Ela veio sem nome. Sem coleira. Muito menos sem uma identidade, alguma coisa escrita pendurada no pescoo. Chegou acompanhada da fome. Simplesmente. Desde ontem estamos tentando encontrar um nome pra ela. Hoje cedo encontramos um. Pluta.
Algum a abandonou por a. E ela deu de ficar prenhe. Nasceram quatro filhos da Pluta. Lindos. Raramente vemos Pluta com os seus filhos. Talvez possa ter alguma relao entre o fato de a cadela ter sido abandonada e os cuidados dela com os filhos nem to ortodoxos assim. Pelo jeito, eles esto ao deus-dar.
Toda vez que abrimos a janela da frente de casa, Pluta est em primeiro plano e, por via de conseqncia, a primeira a ser vista, olhando para cima, com aquele olhar famlico. A gente tenta conversar com ela e ela parece que entende. Principalmente os gestos, a cadela parece entender feito uma gente-humana.
Pluta deve saber fazer leitura labial, basta dizer alguma coisa e com a mo fazer um gesto de pera pra ela se acomodar no cho, na rua. E l a Pluta fica esperando at aparecer o prato de comida. No deixamos a comida em frente nossa casa justamente pra Pluta no ficar nossa porta, mas no teve jeito. Ela fica o dia quase inteiro por ali, sempre esperando alguma coisa. Quanto mais come mais Pluta quer comer. O estmago dela deve estar furado.
Infelizmente, no d para resolver o problema de Pluta e dos filhos da Pluta porque o que tem de ces abandonados em Gro Mogol, proporcionalmente ao que h em Belo Horizonte (mais de 30 mil), deve ser algo equivalente. Acho que passa da hora de encontrar uma soluo humana para o problema.
Enquanto isto, os filhos da Pluta me fazem recordar da dcada de 70, na capital, quando os primeiros menores abandonados surgiram nas ruas da cidade. Eram poucos. Se as autoridades tivessem tomado uma medida preventiva, eles no teriam virado pivetes, nem seriam em seguida trombadinhas e muito menos assaltantes a mo armada.
Com os ces abandonados que se vo multiplicando a cada ninhada nas ruas de Gro Mogol, daqui a pouco ns vamos trombar em filhos da Pluta nas curtas caladas das estreitas ruas. Pior, a maioria com os ossos das costelas expostos como a denunciar ao mundo uma faceta da crueldade humana.


81962
Por Alberto Sena - 17/11/2016 14:51:35
ENTRE NUVENS E PEDRAS

Alberto Sena
(Para a amiga Marij Rodrigues)

Vivo nas nuvens. Alimento-me de flocos como se algodo-doce fosse. Mas com os ps no cho. Amo contemplar as nuvens. exerccio importante para a mente. tambm lenitivo para a alma. Fao isso conscientemente. Naturalmente.
Contemplar nuvens, enfim deve fazer bem pra voc, como faz pra mim. Enquanto vejo olhos cados no cho, o meu olhar se eleva aos cus. fundamental retirar os vus. Enxergar as pessoas sem mscaras.
Amo contemplar pedras. Se lquen possui, ento, gosto de apreciar os desenhos. Pratico o exerccio da pareidolia. H pedras que so humanos petrificados. Como muitos por a esto. Nas ruas. Aos maus bocados.
Se quisesse, se o meu dinheiro desce, em momentos to soturnos da nossa contemporaneidade, estaria em Nova Iorque, ou em Beijing. Seno, na Vinte de Maro, na cidade de So Paulo. S pra ver gente em quantidade.
Em minha vida, apesar da pouca idade, vi muita; mas muita gente mesmo. Com alguns humanos convivi. Harmoniosamente. Com outros, profissionalmente. Mas, hoje, a essa altura da idade, busco viver. De preferncia longe da grande cidade
Agora, prefiro as nuvens e as pedras contemplar, sem arredar p do cho. Muitos no vivem de acordo com a sua querncia. Meu caso particular. Fao, aqui, a diferena, e para me fazer bem entender, tudo tem a ver com a minha crena.
Creio em Deus, criador de tudo. Enfim, sinto Deus em mim. Num bendito dia, Marij, Ele lhe soprou a vida. E fez a mesma coisa em mim. Vivamos, pois. Em meio s nuvens, sejam elas de qual cor for. E sobre as pedras. Nelas heras medram.


81950
Por Alberto Sena - 15/11/2016 08:58:24
CARTA SUPERLUA

Alberto Sena

Querida SuperLua, eu senti muito no poder v-la. Criei tanta expectativa em torno da sua chegada! Fiquei imaginando-a pertinho de mim. Cheguei a sentir seu calor, mesmo sabendo ser mero reflexo do Sol. Senti-a ao alcance de um zoom da minha maquininha de tirar retratos.
Mas, infelizmente, no deu certo. E esclareo logo, querida, para evitar disse me disse. No a vi simplesmente porque aqui, em Gro Mogol, onde toda Lua nasce nua, o Tempo no permitiu. E com razo. A poca de chuva. Esqueci-me de fazer um trato com ele.
Nuvens nimbostratus cobriram o cu de modo que o Sol em nenhum momento conseguiu encontrar uma fresta atravs da qual pudesse me dar um fio de esperana de mais tarde, ao anoitecer, surgirem estrelas em quantidade e a possibilidade de contemplar, oh, querida, a sua performance super.
Uma SuperLua rene numa todas as luas. Assim imagino. Recordo-me das luas sob as quais furtivamente fiz com a rapaziada serenatas para moiolas guardadas a sete chaves, em poca de mais glamour e romantismo. No momento do calor amainado, quando galos cantavam ao longe canto entrecortado por latidos de ces, ns ousvamos soltar a voz.
Sem contar s vezes, quando menino, ouvia as mais absurdas estrias relacionadas com o seu poder, Lua Super, poder de levar crianas teimosas para servir de petisco ao drago. Inda bem que so Jorge sempre aparecia para evitar a tragdia.
Escrevo-lhe, oh SuperLua amada, a fim de saber o que posso fazer para v-la brotar por detrs da Serra Geral. Amanh, o seu status se mantm? Se sim, hoje noite, quando me recolher para dormir ao som dos pingos de chuva que agora caem sobre o telhado, espero sonhar com a possibilidade de ver o dia raiar.
Farei um trato com o Sol. A ele pedirei audincia a fim de saber a cincia de como fazer para amanh noite eu abrir uma enorme fresta no cu para ter o prazer de ver resplandecer o claro da super amada Lua?


81932
Por Alberto Sena - 5/11/2016 12:32:57

ENCONTRO MARCADO COM O HOMEM DA CAVERNA

Alberto Sena

Encontrei o Homem da Caverna. Quem acompanha o caso, se recorda, me refiro ao homem que viveu, e pode-se dizer, ainda vive, numa caverna, antes com a mulher e os filhos, l no Curral de Pedras. Atualmente, ele vive em Montes Claros, no Bairro Major Prates, e anda as voltas com a papelada para entrar com ao na Justia a fim de receber indenizao dos 210,6 hectares que foram incorporados rea do Parque Estadual de Gro Mogol.
Jovecino (e no Juversino, como foi publicado noutra matria) tem sobrenome Silva Ribeiro e muito conhecido na sede do Municpio e tambm no interior, porque ele se diz cabo eleitoral do prefeito Jferson e do prefeito eleito, Hamilton Gonalves Cuta. Hoje em dia, ele vem a Gro Mogol uma ou mais vezes por ms, a fim de dar uma espiada na caverna e na rea onde plantou mais de 20 mangueiras, 13 cajueiros e 70 cafeeiros.
Jovecino diz ter posto os ps naquelas terras pela primeira vez em finais de 1988. Quando ele chegou l, o Curral de Pedras j existia e, segundo disse, ningum sabe ao certo a histria "porque antecede at ao surgimento de Gro Mogol".
L, ele manteve 15 homens vasculhando a rea em busca de diamantes. Disse ter encontrado muitos, mas hoje no um homem rico porque ps tudo a perder, porm assumiu um novo estilo de viver baseado na religio evanglica.
Ele guarda muitas histrias de quando garimpava naquelas terras. Uma vez noite, ele e a ex-mulher dele viram uma bola furta-cor cortando os ares at a uma distncia de uns cem metros. A mulher ficou apavorada, mas ele no, simplesmente entendeu ser aquilo uma manifestao do diamante. Jovecino est convencido de que onde tem diamante possvel deparar com situaes como essa.
Outra, segundo contou, foi ter ouvido vozes e at gritos no meio do mato sem haver ningum por perto. Isso se chama lefrozia, mas no soube explicar a pronncia nem a grafia certa nem o que venha a ser. (No dicionrio no achei nada parecido). Acho que est relacionada com os escravos, disse.
O meu encontro com o Homem da Caverna foi em Gro Mogol, ali na Praa Ezequiel Pereira, conhecida por Praa da Matriz, pouco antes do meio-dia. O Sol ardia na moleira. Procuramos uma sombra a fim de prosear um pouco e escolhemos uma das janelas fechadas da igreja, onde eu pudesse ter apoio para fazer anotaes.
Em realidade, como se poder constatar pelas fotos, o Homem da Caverna nada tem de cavernoso. Pelo contrrio, parece gostar de cuidar bem da aparncia. Ele no tem timbre de voz gutural como se imagina deviam ter os homens pr-histricos.
Com 66 anos, divorciado da me dos seus trs filhos e dois enteados, Jovecino ama aquelas terras e s no vive mais l porque a rea virou parque. Entretanto, como ainda no foi indenizado, mantm o vnculo at mesmo por conta da ao que pretende impetrar a fim de receber o que lhe devido. Tenho muita saudade dali, diz ele.
Perguntei o que h por l de mais perigoso, e principalmente para as crianas, pois ficaram com ele na caverna e nas proximidades at completar a idade escolar, Jovecino disse: Cobra cascavel. De vez em quando apareciam alguns filhotes de ona. como acrescentou. Por medida de precauo, as camas eram feitas de varas acima do cho, porque cascavel rasteja, no sobe.
Ficamos de nos encontrar noutra ocasio para irmos juntos caverna onde espero fazer fotos dele na entrada com as roupas que sempre usou quando de fato l morava e garimpava. E tambm para tentar encontrar novamente a lapa onde diz ter achado um pote de barro com a data do ano de 1837 e o deixou no mesmo lugar.


81927
Por Alberto Sena - 3/11/2016 08:25:42

Renascer de um homem chamado Benquerer

Alberto Sena

Hoje, ele est aposentado, mas quando se encontrava na ativa, enfrentando o dia a dia como empresrio no ramo de consultoria, a vida dele era uma correria. Quase ao mesmo tempo em que estava aqui tinha de pegar um avio e voar pra So Paulo, Rio de Janeiro ou capitais do Nordeste. Se pudesse computar o tanto de vos realizados ao longo da sua vida empresarial, certamente daria vrias voltas ao redor do globo terrestre.
O nome dele sempre foi sinnimo de prestgio. Nasceu em Gro Mogol, de onde saiu pr-adolescente e foi para Montes Claros, onde lanou a revista Encontro, publicao alm daquela poca, 1960. Logo se transferiu para a capital, onde viveu a maior parte da vida, e l ganhou o mundo. Trouxe benefcios para Montes Claros, Gro Mogol e Belo Horizonte. Depois de uma vida bem vivida profissionalmente, aposentado, ele fez o caminho de volta ao interior de si mesmo retornando terra natal.
O nome dele Lcio Lcio Marcos Bemquerer. Ele j foi atleta, jogou no Ateneu de Montes Claros, enfrentou o Botafogo, no Maracan, numa preliminar de Brasil e Checoslovquia. Foi sondado em diversas ocasies tanto para ser candidato a governador de Minas Gerais como tambm para prefeito de Belo Horizonte e ministro de Estado.
Ele no aceitou entrar na poltica em nenhum momento. A poltica dele sempre foi como empresrio, e mesmo aposentado, em Gro Mogol, criou o que considera como a sua obra maior, o Prespio Natural Mos de Deus, que completar cinco anos em dezembro.
Lcio submeteu-se a uma cirurgia na medula, h cerca de seis meses. Foi para ele o seu principal desafio. Pelo que se pode ver hoje, saiu-se vencedor, porque a sua recuperao surpreendeu, inclusive, os mdicos da Santa Casa de Montes Claros que o operaram.
Com denodo, o empresrio vem cumprindo todas as etapas da recuperao. Quando os mdicos acharam que ele s iria movimentar alguma parte do corpo em meses, com trs dias o paciente demonstrava disposio de viver e se recuperar ao movimentar os dedos dos ps.
Esforando-se ao mximo nos exerccios de fisioterapia, Lcio j est iniciando os primeiros passos em andador. Mantm boa disposio, inclusive de humor, ao ponto de inverter os papis, empurrou a cadeira de rodas com a esposa, Wilma Nunes, nela sentada. Daqui a pouco, ele estar de volta a Gro Mogol.
Ao que tudo indica, nem Mal de Parkinson ele tem. O problema que vinha carregando por mais de 13 anos era, simploriamente dizendo, na medula. Ao ser operado na Santa Casa de Montes Claros e depois de passado todo esse perodo em recuperao, no h a menor dvida de que um homem novo chamado Lcio Marcos Bemquerer retornar, andando com os prprios ps a Gro Mogol para retomar a frente do Prespio Natural Mos de Deus.


81902
Por Alberto Sena - 15/10/2016 12:15:43
(...) Fiquem atentos ao programa do jornalista e escritor Fernando Gabeira, na GloboNews. Ele vai apresentar o Prespio Natural Mos de Deus, de Gro Mogol, obra construda pelo empresrio Lcio Bemquerer, em oito meses e 19 dias. Gabeira esteve em Gro Mogol recentemente com o objetivo de conhecer o prespio. Ele veio diretamente do Rio de Janeiro e ficou encantado com a beleza da cidade e os seus arredores. Gabeira colheu farto material em Gro Mogol e dever apresentar tudo a partir das 18h30 deste domingo. Ele um nome conhecido nacional e internacionalmente. Projetar o prespio e Gro Mogol no Brasil e no mundo. Gabeira foi candidato a presidente da Repblica, e, na ocasio, obteve boa votao. Alm de intelectual, ele foi deputado federal. importante os gromogolenses de modo geral compreenderem e valorizarem o torro onde pisam. O turismo e o turismo religioso incluso a vocao de Gro Mogol. Est em curso o processo de fazimento, por parte do Sebrae, de um projeto de turismo envolvendo conjuntamente Botumirim, Cristlia, Itacambira e Gro Mogol. (Clique aqui para ler toda a mensagem na seo Colunistas)


81897
Por Alberto Sena - 13/10/2016 14:52:14
PRESPIO MOS DE DEUS NO MONTES CLAROS SHOPPING

O Prespio Natural Mos de Deus, de Gro Mogol, ps um brao dentro do Montes Claros Shopping, na Avenida Donato Quintino, 90, onde instalou um estande at janeiro do ano que vem. No espao cedido em parceria com a direo do estabelecimento, o construtor do prespio, o empresrio Lcio Bemquerer, instalou um aparelho de TV para mostrar o vdeo da obra abenoada pelo Papa Francisco e distribuir o material de divulgao, alm de exposio de posters com lindas imagens do prespio. Alaor Santos, o superintendente do shopping se mostrava entusiasmado com a idia de apresentar o prespio dentro do estabelecimento. A iniciativa est relacionada com o projeto da direo intitulado "Bem Cultural", que pretende mostrar os valores da regio em termos de msica, teatro, exposio de artistas plsticos, entre outros. No caso do prespio, como disse Alaor, o estande j podia ter sido montado h mais tempo, mas a cirurgia a que Lcio se submeteu adiou a parceria. Como afirmou, a permanncia do brao do prespio no shopping poder ser at quando "ele quiser e puder manter quem fique no estande durante o perodo que achar necessrio". O shopping funciona das 10h da manh s 22h. Lcio ficou radiante com a oportunidade de apresentar o Prespio Mos de Deus, dentro do Shopping Montes Claros. Essa parceria somada divulgao que o jornalista e escritor Fernando Gabeira far no seu programa na GloboNews poder catapultar a frequncia do prespio daqui para frente. o que se espera. Ainda em cadeira de rodas, o empresrio vem fazendo fisioterapia diariamente e pela boa recuperao que vem tendo, em breve estar em condies de se levantar e andar com autonomia. Ontem, Bemquerer recebeu a visita do poeta, folclorista, repentista, dono de um Grammy Latino, To Azevedo, que tem uma parceria com o prespio, no livro "A Folia de Reis no Norte de Minas, Vales do Jequitinhonha e Mucuri. O livro conta a histria do prespio como referencial turstico religioso do Norte de Minas. Ele se fazia acompanhar por sua esposa, Lola Chaves, seresteira de mo cheia. O gerente financeiro do shopping, Gustavo Carvalho, esteve tambm com Bemquerer e se mostrava entusiasmado com a parceria. Percebeu que a presena do prespio no estabelecimento despertou a ateno do pblico pela objetividade das informaes e a beleza plstica dos posters em exposio


81876
Por Alberto Sena - 5/10/2016 16:19:31
Gro Mogol

Em busca da cara de un "fake"

Alberto Sena

Logo cedo, aproveitando o bom tempo, essa chuva bendita, criadeira, fui sede do Peloto da Polcia Militar de Gro Mogol, a fim de fazer o BO Boletim de Ocorrncia para dar incio a abertura de inqurito policial a fim de apurar a procedncia e autoria de um vdeo levado ao ar por um fake.
O vdeo mostrava ainda mostra, porque tenho uma cpia que ser entregue delegada Maria Anglica fotos de pessoas alegres, em congraamento, aqui em Gro Mogol.
O fake capturou no Facebook uma foto minha com a minha esposa, foto sacada em um restaurante holands, quatro anos atrs, quando nem ainda cogitvamos morar em Gro Mogol, e, isoladamente incluiu no vdeo. Pelo menos no nosso caso, ele mexeu com as pessoas erradas e deve pagar por isso.
O fake, a meu ver, praticou crime ciberntico, por pelo menos duas infraes: usou a nossa imagem sem autorizao para fins imprprios, e nos causou danos morais. Se em Gro Mogol h o costume de pessoas covardes praticarem esse tipo de crime, e ficar por isso mesmo, conosco diferente. No estamos aqui para passarmos por isso.
Ns eu e ela podamos estar em qualquer lugar do mundo a essa altura da vida. Mas conhecemos Gro Mogol h quase trs anos e escolhemos como o lugar ideal para vivermos, devido as suas belas paisagens, o ar puro, a vida sossegada, vida simples e simplificada.
Particularmente, como jornalista profissional, autnomo, presto servio Prefeitura de Gro Mogol e ao Prespio Natural Mos de Deus. Alm disso, por conta prpria, no meu caso particular, simplesmente porque me apaixonei por Gro Mogol, me sinto na obrigao de divulgar a regio, assim como divulgo Montes Claros, minha terra natal (poderamos viver em Montes Claros, mas a ir para l melhor seria permanecer em Beag, onde vivi 43 anos e mantenho o apartamento como o deixei). De modo que divulgo Gro Mogol vrias vezes por dia, desde quando aqui cheguei at hoje.
Isso ningum fez por Gro Mogol em tempo algum. Nem far, s por paixo. Isso talvez possa gerar cimes ou algum sentimento negativo por parte de gente desqualificada, assemelhada aos ces vadios em um monte de capim eles no comem o capim nem deixam o boi comer.
Em outras palavras, quem produziu e divulgou o vdeo no faz o que fao por Gro Mogol, independentemente de gente do tipo covarde, que joga pedra e esconde a mo. Fico imaginando, se uma pessoa desta capaz de usar desse tipo de artimanha, alma srdida, se acaso vier um dia a conseguir algum poder, capaz de tomar as atitudes mais horrveis.
Temos nossas suspeitas quanto a procedncia de onde veio o vdeo e quem o produziu. O prximo passo entregar o material do fake fotografado e o pen drive com o vdeo Polcia Civil para abrir o competente inqurito policial.
Tenho meio sculo de exerccio profissional, em Montes Claros e na capital, com Prmio Esso de Jornalismo e outros mais nas reas de Agropecuria e Meio Ambiente.
Agora, vem um energmeno desse tentar nos nivelar a ele. Inda mais causando constrangimento a mim e minha esposa, companheira de todas as horas, belo-horizontina de nascimento. Ela no tem costume de vivenciar situao desta. Eu tenho.
Durante dez anos fiz cobertura do setor de polcia em Montes Claros, para O Jornal de Montes Claros, e para o jornal Estado de Minas. Como reprter, conheci o lado ruim da vida ao ponto de ser capaz de identificar um fake desse. Estarei, como reprter, acompanhando e reportando o passo a passo das providncias.

VEJAM NO QUE DEU CASO DE FAKE EM MIRABELA

Um caso do perfil fake que gerou uma sentena do juiz eleitoral de Mirabela (MG), Francisco Lacerda de Figueiredo, no igual ao caso do fake de Gro Mogol, mas serve para ilustrar o nosso caso. Em deciso liminar nos autos do processo nmero 248-65.2016.6.13.0185, ele determinou que o Facebook exclua o perfil Pedro Fagundes Dias, por se tratar de um perfil fake e por ter sido criado com a finalidade de denegrir a imagem do candidato a prefeito de Mirabela, Carlcio Mendes Leite.
No nosso caso, o autor do fake retirou o vdeo do Facebook, logo que a notcia da nossa tomada de providncias circulou. S que ele fez isso depois de termos fotografado tudo e copiado o vdeo em pen drive. O BO j foi feito no Peloto da Polcia Militar de Gro Mogol e agora vamos entregar tudo delegado Maria Anglica para abertura de inqurito.
Mas, voltando ao caso de Mirabela, o juiz tambm determinou que o Facebook fornea, no prazo de 48 horas, os dados cadastrais de quem criou e mantm o citado perfil, repassando os nmeros de IP`s utilizados, tanto no registro do perfil, quanto nas postagens realizadas.
O autor das postagens, aps a sua identificao, o que ocorrer nos prximos dias, est sujeito multa de at R$ 30 mil, como prev a Lei Eleitoral.
importante esclarecer que quem compartilhou as postagens consideradas caluniosas, difamatrias e injuriosas, tambm est sujeito s penalidades da lei, caso o ofendido acione a justia em relao a eles.


81844
Por Alberto Sena - 22/9/2016 15:23:38

Gabeira, reprter por excelncia

Alberto Sena

A primeira vez que encontrei Fernando Gabeira foi em 1989, quando ele se candidatou a presidente da Repblica, e fomos abraar o Morro da Pedreira, na serra do Cip, a 100 quilmetros de Belo Horizonte. O morro, todo feito de mrmore, estava sendo devastado. Havia mais de cem pessoas. Eu, como editor de Meio Ambiente de jornal, fui cobrir o evento. O morro foi salvo da destruio.
Ao final do abrao no Morro da Pedreira travei conhecimento com Gabeira, mineiro de Juiz de Fora. Ele precisava de uma carona at ao aeroporto da Pampulha e fomos conversando, entre uma cochilada e outra dele devido ao cansao causado pela campanha poltica.
Poucas semanas depois nos encontramos de novo em um congresso de Jornalismo, em Braslia, onde ele falou para centenas de jornalistas do Brasil inteiro e lembrou ao pblico, em certo momento, um texto com o qual a Federao Nacional de Jornalistas (Fenaj) me deu um prmio de reportagem com a matria intitulada, O roubo do Rio Verde revolta a Jaba.
Tanto tempo depois, nos reencontramos aqui, em Gro Mogol, onde ele veio fazer uma reportagem para a GloboNews a respeito do Prespio Natural Mos de Deus. Para Gro Mogol, que ser divulgada, alm do prespio, a vinda de Gabeira tem significado marcante porque ele um nome nacional e internacional.
Impressionante a vitalidade dele. Tendo como auxiliar Maurcio Lucindo de Souza, Gabeira monta o trip da cmera de filmar ou saca da cmera fotogrfica para fazer uma tomada. Parece um jovem reprter em incio de carreira tamanha mobilidade.
Ele comeou a gravar sobre o prespio na casa do feitor da obra, o empresrio Lcio Bemquerer, que, em cadeira de rodas se recupera de uma cirurgia na medula. Uma das tomadas foi dentro de casa e outra fora, diante da bela paisagem da Serra do Espinhao.
Gabeira quis saber da histria do prespio desde o incio. Os circunstantes tiveram que guardar silncio total para no empanar a entrevista porque os aparelhos so de alta sensibilidade.
Selecionei alguns momentos do fazimento da entrevista como tambm dos intervalos, quando acontecia de Gabeira at ajoelhar na sala para apanhar uma lente na sacola (Vejam as fotos).
Marcante nele, sem falar da competncia, da independncia profissional, da histria trazida na sua mochila de vida, a simplicidade dele, sob todos os aspectos na fala clara, calma e objetiva; na maneira de vestir, no modo racional de trabalhar.
Que ele possa voltar a Gro Mogol outras vezes, com mais vagar, pois a regio possui atrativos que uma pessoa com o olhar crtico dele, trabalhando em um canal de televiso de tamanha visibilidade poder mostrar ao mundo as maravilhas do nosso serto.


81835
Por Alberto Sena - 20/9/2016 19:33:26
Gabeira vem conhecer o prespio

Alberto Sena

O Prespio Natural Mos de Deus receber, amanh, a visita de Fernando Gabeira, mineiro de Juiz de Fora, jornalista, escritor, ambientalista, ex-deputado federal por quatro legislaturas. Ele vem do Rio de Janeiro a Gro Mogol exclusivamente para visitar o prespio.
Gabeira, como chamado, um especial exemplar da raa humana. Ele ser recepcionado, pessoalmente, pelo empresrio Lcio Bemquerer, depois de quatro meses em Montes Claros, onde se submeteu a uma cirurgia e est em processo de recuperao.
Atualmente, Gabeira tem um programa na GloboNews, e vem a Gro Mogol armado de sua cmera a fim de mostrar as particularidades do prespio considerado o maior do mundo.
Gabeira especial porque ele ocupa-se com o semelhante Por tudo que j fez (e faz), o nome dele est na histria do Brasil pela ao poltica contrria aos governos militares.
Sem sombra de dvida, Gabeira ir internacionalizar o prespio Mos de Deus, pois tem intercmbio com gente de vrias partes do mundo por onde viveu como correspondente de jornais brasileiros.
Gabeira viveu na Sucia e por extenso na Europa como um todo. Conhece o mundo inteiro. Viu, como jornalista, a queda do Muro de Berlim e fez coberturas jornalsticas de grande repercusso.
Ele escreveu mais de dez livros, um deles at virou filme O que isso, companheiro! Levado s telas pelo cineasta Bruno Barreto. Fez um outro exaltando as grandes lutas de mulheres mineiras, intitulado Planeta Minas, no qual registrou Dona Tiburtina, que comandou a poltica de Montes Claros em seus primrdios. Publicou tambm Entradas e Bandeiras, entre outros.
Gabeira considerado, nacionalmente, como uma das nossas reservas morais, tanto como um dos representantes da nossa espcie e como poltico, ambientalista, jornalista, escritor. Reprter por excelncia.
Gro Mogol pode se orgulhar da visita de Fernando Gabeira. Para quem ainda no o conhece, veja a entrevista dada por ele a Alberto Dines, no Observatrio de Imprensa, em 2013. Belssima entrevista.


81824
Por Alberto Sena - 16/9/2016 09:36:54
O LEO MARIFLOR E A PANA DE DEBA

Alberto Sena

Tenho um irmo que piadista militante. Ele sempre chega com alguma piada ou enquanto conversamos arruma logo um jeito de contar mais uma e assim juntos, porm, separados, eu aqui e ele l em Montes Claros, vamos vivendo a vida da melhor maneira possvel. s vezes rindo, noutras vezes dando gargalhadas.
Jos Venncio Batista, Z Venncio chamado, o quinto na escala de cima para baixo dos 11 filhos de Jos Batista da Conceio (Z Bitaca) e Elvira de Sena Batista. Feita a apresentao, preciso acrescentar, Z Venncio, na dcada de 60, foi um bom praticante do ludopdio chamado tambm de esporte breto, que se foi abrasileirando de tal forma e j faz algum tempo chamado de futebol.
Mas, j naquela poca gloriosa de 60, apesar das incertezas vividas pelos brasileiros, a partir de 1964, o Pas vivia os albores do surgimento da arte de jogar com os ps, e o esporte passou a ser chamado de futebol arte, ps taa Jules Rimet. Foi quando o mundo viu um sujeito de pernas tortas a bailar garrinchando com a bola no ps. E o mundo viu tambm surgir Pel, hoje o Rei do Futebol fu-t-bol, conforme dico dele.
Z Venncio era bom jogador de futebol. Alis, foi o futebol que o levou a trabalhar no Banco Econmico da Bahia. O banco possua um time de futebol e outro de futsal. Alm disso, ele era exmio jogador de pingue-pongue, com puxadas com rosca ou cheia de graxa, como costumvamos dizer, imbatveis. Era tentar responder e o adversrio mandar a bolinha na rede.
Para situar melhor o clima poltico da poca, em Montes Claros, a situao era a seguinte: havia um homem epitetado Deba, Hedelberto Freitas chamado, que na dcada de 50 e 60 entrante, era temido, tinha muita influncia poltica, mandava e desmandava na cidade. O que Deba falava, estava falado.
Dizem as ms lnguas que a casa dele era um reduto onde se homiziavam pistoleiros. Era l na casa dele e tambm na Jaba. Jaba era considerado na poca como fim do mundo, lugar onde os pistoleiros recorriam para fugir da polcia. Nem a polcia tinha coragem de ir atrs deles. Era um tempo da lei do mais forte.
O certo que nada acontecia na cidade sem que Deba tivesse cincia e participao. Ele era um homem alto, dono de um corpanzil de no fazer inveja a ningum, dotado de barriga proeminente. Ao mesmo tempo em que era temido, era amado. Enfim, um homem controvertido, mas respeitado.
Havia em Montes Claros, nessa mesma poca, um fbrica de leo de cozinha chamada Mariflor, cujo dono era Oldemar Santos, um empreendedor de renome na cidade. A fbrica de leo Mariflor mantinha uma publicidade na Rdio Sociedade Norte de Minas, ZYD-7, um dos baluartes da comunicao social de Montes Claros da poca.
A rdio possua um programa chamado Clube dos Calouros, que proporcionava a interatividade dos ouvintes. Como o rdio era o nico meio de comunicao, em toda casa havia um ou mais rdios. Os montesclarinos ficavam com os ouvidos grudados no aparelho. Havia at quem nem acreditava como que podia caber tanta gente dentro de um aparelho to pequeno.
Naquele bendito dia, a rdio estava lanando um concurso para premiar quem fizesse a melhor frase sobre o leo Mariflor, feito de algodoeiro. Apareceram vrios candidatos ao concurso. Um por um, os candidatos foram-se apresentando, at chegar a vez de Z Venncio, rapazote at ento.
E com vocs, Z Venncio com a sua frase disse o locutor da poca Adelchi Ziller. Antes, porm, anunciou o comercial do leo Mariflor, como sendo o melhor para mesa e cozinha. Evidentemente, Z Venncio meio nervoso, expectante, no via a hora de o espao comercial acabar.
Ziller voltou a anunciar: E com vocs.... Z Venncio apossou-se do microfone e lascou a frase vencedora do concurso: A boca de Deba disse e a barriga dele confirmou, o melhor leo o leo Mariflor. Z Venncio saiu da rdio correndo abraado com seis latas de leo Mariflor. Dona Elvira, senhora me dele e minha, ficou agradecida.


81810
Por Alberto Sena - 5/9/2016 08:22:28
Porque Montes Claros pulsa em mim

Alberto Sena

No consigo no falar de Montes Claros todas as vezes em que volto cidade, seja apenas para buscar fogo ou para outra necessidade.
Amo Montes Claros. a minha terra. Nasci na Santa Casa de Misericrdia, quando misericrdia fazia parte do nome, pelas mos de Irm Beata. E porque amo Montes Claros, julgo-me no direito de, volta e meia, pr o dedo em suas feridas. para ver se ainda h remdio para evitar mal maior.
Toda vez que vou a Montes Claros volto de l assustado com tudo que vi, senti e ouvi.
Vi o quanto a cidade mudou nos ltimos 40 anos por meio dos olhos de Raquel Mendona, com quem me encontrei casualmente na Rua Padre Augusto, quando dobrei a esquina vindo da Rua Doutor Santos. Vi nos olhos dela a luta incansvel, cotidiana, tentando salvar o que resta de memria fsica, urbana, de Montes Claros.
Senti o quanto a Vov Centenria (1957) se transmudou ao me encontrar casualmente com Pedro Narciso, ex-deputado, o primeiro secretrio de Estado do Abastecimento, secretaria criada pelo governador Hlio Garcia. Ns nos encontramos dentro de uma agncia bancria da Rua Doutor Santos.
Foi, ento, que, conversa vai conversa vem, ele me deu a notcia da queda sofrida pelo tambm ex-deputado Genival Tourinho, 83 anos, pea importante de resistncia ao regime de 1964. Num simples escorrego, dentro de casa, durante a madrugada, ao se levantar a fim de beber um copo dgua, causou-lhe um acidente com consequncias na cabea e no rosto.
Ouvi o quo barulhento est o Centro da cidade, ao conversar com Cica, irmo de Artur, com os quais bati bola e joguei homricas peladas no campo do Unio, quando morei na Rua Corra Machado, 238, regio desfigurada como de resto toda cidade est, na terceira gerao de transformao urbana.
No via Sica fazia mais de quatro dcadas e em meio barulheira da Rua Doutor Santos, em frente a uma agncia bancria, pudemos trocar um dedo de prosa sobre o quanto o campo do Unio foi importante para ns. Tinha magia, diverso sadia, estvamos em contato telrico permanente. Era uma pelada atrs da outra em meio ao p vermelho principalmente no meio-campo e na entrada da grande rea de ambos os lados.
Enquanto ns dois trocvamos lembranas, na Rua Doutor Santos, um vendedor ambulante de CD pirata disputava com o som de uma loja em frente a fim de saber qual fazia mais barulho somado voz de um locutor, microfone em punho, debulhando os preos e os artigos de uma loja.
Montes Claros precisa urgentemente reduzir os decibis dos rudos. o carro-forte que, numa r, arranca o espelho retrovisor do lotao. O lotao segue e o carro-forte fica estacionado com o motor ligado em frente a agncia bancria. Ali, as pessoas conversam aos gritos.
Por quase todas as caladas viam-se filas e mais filas, principalmente nas portas dos bancos. E o mais barulhento de tudo, as bicicletas com caixa de som encaixada na frente empurrada tranquilamente pelo condutor, como quem no quer nada.
Ambulantes com carrinhos de frutas transitam por todos os lados, o que particularmente considero ponto positivo pelo valor nutritivo das frutas, que os brasileiros no consomem tanto eu como todos os dias de cinco a mais pedaos de frutas diferentes. Isto um bom remdio para evitar o mdico, a farmcia, o hospital e o laboratrio.
Deixei por ltimo a parte mais gostosa. Mesmo que tenha sido rapidinho, fui ao Mercado Central e comprei uma marmelada coberta de folha de bananeira e um tijolo de requeijo de Salinas. Apesar do preo salgado, sem querer rimar com Salinas, mas rimando, valeu a pena.
Montes Claros , de fato e de direito, uma cidade incrvel se no existisse, teramos de criar uma urgente. Possui a fama de ser a terra do pequi, mas no produz o melhor pequi; tem fama de fazer o melhor requeijo, produzido em Salinas; a carne de sol no vai ao sol.
Apesar de possuir todos os males das cidades consideradas grandes, Montes Claros prima por um comrcio forte, lojas de roupas e de sapatos da melhor qualidade. Em meio ao caos aparente, uma Montes Claros moderna se desenvolve a olhos vistos. Os montesclarinos viventes na terrinha amada no precisam buscar mais os centros maiores para encontrar o que precisam, como em tempos nem to antigos assim.


81796
Por Alberto Sena - 29/8/2016 09:11:03

MONTES CLAROS

Mergulho em memrias da Praa de Esportes

Alberto Sena

Esta foto da Praa de Esportes de Montes Claros importante. Muito. Para mim e para vrias geraes que me antecederam ou vieram depois da minha. Para quem acaba de chegar e no conhece a Praa de Esportes, convm fazer a leitura da foto a fim de, juntos, possamos usufruir do sabor e da cor de nossas lembranas de um tempo rico, tanto quanto o tempo de hoje. Cada tempo possui as suas prprias riquezas. E h tempo para tudo, segundo o Eclesiastes bblico.
V-se daqui, em primeiro plano, a quadra de futsal. Olha, incontveis vezes dei bicudos naquela bola pesada. Eu s, no, h um lista de companheiros. De to enorme, no d para listar aqui a quantidade de amigos com os quais joguei futsal e enfiei bolas debaixo das pernas de muitos deles.
Claro, eu os estou provocando. Alguns deles esto no Facebook e se no me deixarem mentir sozinho, cairo de pau em riba de mim, mas mesmo assim vou citar os nomes de alguns. Os que no forem citados, por favor, sintam-se como se tivessem sido, porque eu prezo a boa memria, mas haja memria para guardar nomes de pessoas as quais no vejo desde muitos anos do sculo passado.
Eis uma lista parcial: Adauto, Helton Veloso e todos os irmos dele. At Wagner, que ocupou a Fundao Dom Cabral; os Gomes, Wagner, Eduardo (Doinha) Z Carlos, no, porque tive o gosto de jogar com ele; Felipe, Joo Carlos e Ricardo Gabrich; Rubens Sena, primo velho de guerra, que j no est mais no meio de ns; Cludio e Clber Veloso; Alosio, Joo Jos e Chico Gomes; Ronaldo e Roberto Lima; Cezinha, Reinaldinho... E vai por a afora. Ou adentro.
Essa quadra me leva a lembrar uma passagem na vida de jovem de 18 anos, quando fazia o Tiro de Guerra. Politicamente falando, o Brasil vivia perodo de governana militar. E at parecia, na poca, que os sargentos do TG 87 estavam fazendo exercer mesmo o poder. Eles eram rigorosos. Pra no dizer que exageravam.
Uma maneira de desforrar deles era jogando futsal nessa quadra da Praa de Esportes. Era bola debaixo da pernas deles ao ponto de apelarem com a gente.
A qualidade da foto no est to boa assim ao ponto de reconhecer quem est nela retratado. Pode ser que Maria Helena Flvio Almeida, casada com o craque Nicomedes Almeida, que tambm usufrua das benesses da praa como um todo. Pode at ser que ele a tenha conhecido l.
Adiante, l est a piscina olmpica. Muitas e muitas vezes assisti a realizao de campeonatos, poca do grande Sabu, treinador de natao. O grande Wilson tambm era de muita competncia, simpatia e presteza. Gostava demais de ver nadadores saltarem do trampolim fazendo acrobacias. As pessoas dependuravam no cerco piscina feito de canos de ferro e dali ficvamos contemplando a paisagem proporcionada pelas moiolas de ento com os seus mais e biqunis.
No imvel do lado ficavam os vestirios masculino e feminino. Ns andvamos sobre estrados de madeira sempre midos.
Observem bem, essa rea retrata um tico do que era Montes Claros de ento. Quem quiser e puder se dar ao trabalho, seria interessante ir l hoje sacar uma foto do mesmo ponto e fazer as comparaes.
Reparem quanto de coqueiros h. So coqueiros macabas, originrios do nosso serto. Vejam a quantidade de arbustos, que bem podem ser fcus recortado plantado no interior da praa, mas l longe se podem ver tambm rvores com copas de mangueiras.
H muito estou fora da minha querida Montes Claros. Por isso posso me arriscar dizer que a foto atual mostrando a mesma praa, no mesmo ponto, seria totalmente diferente.
Numa circunstncia desta, o importante pelo menos ter uma foto para pendurar na parede e depois fazer a leitura dela retratando um tempo bem vivido, como bem vividos todos os tempos podem ser, dependendo de como a pessoa por dentro.
No podia deixar de lembrar do porteiro da Praa de Esportes, Loureno, Lourinho chamado. Amigo, muitas das vezes deixava a gente entrar mesmo estando em atraso com a mensalidade. Por pouco ele no nos pegou numa situao embaraosa, em meio aos fcus da antiga quadra de tnis.


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Por Alberto Sena - 22/8/2016 08:16:22

MONTES CLAROS

Nem to antigamente, na Escola Normal

Alberto Sena

Este prdio da antiga Escola Normal Professor Plnio Ribeiro, de Montes Claros, tem enorme importncia para uma p de gente, simplesmente porque guarda parte da histria de vida de geraes de estudantes que l esfregaram seus respectivos fundilhos nas carteiras individuais. Trs fileiras, uma carteira atrs da outra. O quadro onde os professores escreviam a giz, chamado negro, era verde.
Por meio do exerccio da boa memria, companheira minha de toda hora, posso me ver, a mim e aos colegas, bem nessa sala com janelas para o Beco da Vaca, no andar de cima. Uma espichada no fio de memria, e nele vem nomes de pessoas da turma, como os irmos Ricardo e Fernando Deusdar, Virgnia Barbosa, Saulo Wanderley, Marco Antnio Rocha, Oselita Barbosa, Antonilda Canela. Lembro-me, inclusive, de Carlos Alberto Prates e Alberto Graa, mas estes foram de passagem como cometas.
Recordo pessoas conhecidas que pela Escola Normal daquela poca, dcada de 60, l estudaram. Mas a inteno desta vez debulhar lembranas do sobrado em si. No vem ao caso mergulhar em sua histria porque a essa altura seria chover no molhado. Se bem que em se tratando de Montes Claros, chover seria bom considerando a secura do tempo e a nossa preciso de guas dos cus para nos abenoar.
Olho para o sobrado neste estado denunciado pela foto e fico a imaginar o quo importante e ponha importncia nisso foi a restaurao dele para servir hoje de abrigo ao Museu Regional do Norte de Minas (MRNM), depois de ter sido Fafil.
Como no momento juntos espichamos o fio de memria, imaginemos eu, tu, ns, vs, eles que em vez de ter sido restaurado, o sobrado estivesse ruindo como se fora um gigante se exaurindo diante dos olhos indiferentes das autoridades e da populao. Um escndalo. S os escombros.
Percebem o vazio? Do espao e das lembranas de milhares de pessoas que subiram e desceram aquelas escadas de madeira e assoalho, fazendo rudo semelhante ao do gado transportado em vages da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB).
J nem sei mais o que existe da Montes Claros de ontem em meio cidade que cresce para cima, como se ganhar o epteto de capital fosse sinal de progresso e desenvolvimento de fato , mas pelas metades. Que progresso e desenvolvimento so esses que privilegiam poucos em detrimento de muitos?
Aqui, no meu bestunto, tenho seguinte opinio: as cidades tinham de ser feitas tendo em vista o bem estar das pessoas. Lugar onde os cidados indistintamente pudessem usufruir de espaos, jardins, parques. Sem tanta mquina poluidora dos ares. A Organizao Mundial de Sade (OMS) fez recentemente o alerta: os ares das grandes cidades esto envenenados.
Montes Claros construda nesse planalto corre esse risco. As pessoas passam a morrer a partir das narinas porque pela boca tanto se pode morrer de morte natural como envenenado pelos agrotxicos utilizados nas lavouras.
Penso, aqui, com as minhas mangas de camisa, que precisava informar a quem interessar possa, o sobrado foi construdo em 1886 para ser residncia e comrcio do coronel Jos Antnio Versiani (Juca Versiani), o que deve ter pesado na hora de decidir sobre a sua restaurao.
Mas me respondam uma coisa: por que outros imveis antigos no receberam nem recebem o mesmo tratamento dado ao sobrado da Escola Normal? E as casas da Rua Justino Cmara, ali perto, por que no foram restauradas? Alm de formarem conjunto bonito, se restaurados fossem, so como testemunhas mudas de um tempo em que se podia enxergar os cus de Montes Claros, agora empanados pelos edifcios, onde o morador do apartamento de cima no conhece o de baixo.
Enfim, a histria desse sobrado est umbilicalmente ligada histria de Montes Claros e, por extenso, a histria do serto norte-mineiro. Inda bem que hoje a imagem dele diferente desta fotografia. Assim, no olhmetro, a impresso a de que ele correu srio risco de desabar.
Na poca de estudante, na referida sala com janelas para o Beco da Vaca, durante a aula de Histria, dada pelo professor Pedro Santana, de repente uma parte do antigo forro desabou aps um estalido denunciador. Foi aquela correria para fora da sala achando que o resto em seguida cairia sobre nossas cabeas.
Se me permitem dizer, a essncia da inteno era mesmo mostrar a importncia da restaurao do que para ns representa a nossa prpria memria. Uma pessoa sem memria est acometida pela Doena do Alemo, conhecida por Alzheimer. Uma cidade sem memria uma tristeza. No mnimo.


81771
Por Alberto Sena - 15/8/2016 08:23:37

Montes Claros

Com a chave na ignio da memria

Alberto Sena

O acervo de fotos antigas iniciado por Dona Dorzinha Maria das Dores Gomes Guimares e levado adiante pelo filho dela, Wagner Gomes, sem dvida de grande importncia. Principalmente para mim. Por que? Simples, porque a cada foto exposta me leva a pr na ignio da memria a respectiva chave pretrita. Cada foto tem uma chave diferente.
Ao me deparar com essa fotografia da Rua Doutor Veloso, fundos do Cine So Lus, logo acionei a chave prpria e abri um dos escaninhos da dcada de 60. Estava tudo l. Bem guardado. Inclusive lembranas dos filmes vistos e revistos. Era um cine pequeno, menor que o cine Coronel Ribeiro e menor, mais ainda, do que o cine Ftima. Mas passava cada filme!
Perscrutando a foto com o olhar tipo Alain Delon, os olhos grudam nas paredes do Clube Montes Claros onde noites foram passadas e repassadas no escurinho da pista de dana. Naquela poca s os romnticos vo entender isso o gostoso era danar coladinho. Tenho comigo uma intrigante suspeio, a pedra de toque do esfriamento do calor humano de hoje em dia comeou a partir de quando os casais passaram a danar separados.
Baseado nas experincias do filsofo Anes Otrebla, possvel presumir isso. Porque se antes o contato era corpo a corpo, depois que os casais passaram a danar separados foi literalmente cortado o cordo umbilical. E deu no que deu. Hoje o contato virtual. E ponha virtual nisso. Vivemos os tempos glaciais do Poqumon Go. O que tem de gente tropeando na rua ou caindo em cada buraco, est no og nomeuqop.
Quem viveu a poca documentada pela foto, se vai recordar de que em frente ao clube, na porta de um prdio, era a trincheira de Gerinha Portugus, Cici Santamaria, Waltinho Fernandes, Fernando Arrupiado, Saulo Wanderley, Marco Antnio Rocha, Marco Aurlio Rocha e outros mais.
A turma fazia a diferena. Salvo engano, todos eles nascidos no ps-guerra. Ainda baseado nas filosofadas de Otrebla, a gerao nascida at 1949 bem diferente da que veio na dcada de 50. Aquela sofreu forte influncia da Juventude Transviada estimulada pela rebeldia de James Dean e de filmes como Amor Sublime Amor. Mas ao mesmo tempo era uma gerao romntica.
Gerinha Portugus, qual galinho garnis, e a turma dele viviam uma briga nem to surda contra outro chefe de turma Gerinha, o Malandro, dos Morrinhos, famoso por jogar capoeira. Quando circulava a notcia de que haveria embate entre uma turma e outra, crescia dentro da gente uma expectativa nervosa e ao mesmo tempo um sentimento de torcida para que eles se enfrentassem mesmo a fim de mudar a rotina da cidade. Mas nunca presenciei nem soube se realmente eles chegaram s vias de fato.
No prdio do Clube Montes Claros, onde o carteado era jogado e infelicitou a vida de muitos perdedores, havia do lado da Rua Presidente Vargas um cmodo onde funcionava a sapataria de Sebastio, Tio Boi chamado. O Tio era personagem interessante. Se ele no existisse, seria necessrio cri-lo.
Enquanto punha meia sola nos sapatos, s vezes com a boca cheia de pregos e ia cuspindo um aps pregar o outro na sola de couro dos sapatos, ele punha para fora a sabedoria intrnseca ao tcnico estrategista em futebol de salo, hoje futsal. A sapataria era frequentada pela juventude da poca, em meio ao cheiro de chul de sapatos masculinos e femininos.
S duma coisa Tio no gostava de falar nem de ouvir. Alis, duas. Bastava pronunciar a denominao jia (anuro leptodactilideo) para ele ficar com o corpo quase todo empolado. Tinha ojeriza s de ouvir falar jia. A outra, bastava a simples meno com os dedos insinuando que ia fazer-lhe ccegas dos lados das costelas. Tio s faltava morrer de ccegas. Virava fera.
Mas o gostoso mesmo era comer fil a cubana no restaurante Mangueirinha, tarde da noite, depois de vividas todas as pelejas noturnas. O Mangueirinha ficava ou ainda fica? na Rua Padre Augusto quase com Rua Afonso Pena. Tomando a direo contrria a dos personagens da foto, era s entrar direita logo depois do Clube Montes Claros para tirar a barriga da misria no Mangueirinha. Como o prprio nome diz, l havia uma mangueira, manga comum. Uma delcia. As mangas. E a comida, claro.
Como dizia no incio deste texto, indubitavelmente uma foto desse tipo da maior importncia. Quem concorda comigo que levante o dedo.


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Por Alberto Sena - 11/8/2016 08:30:24

Montes Claros

Confesso, na Praa de Esportes Vivi

Alberto Sena

A foto nmero 4.175, do acervo de Maria das Dores Gomes Guimares, Dona Dorzinha apitetada, com Martinha Abreu e Carmen Netto, ambas esperando pelos respectivos namorados, emblemtica. Incontveis vezes sentei-me naqueles degraus de escada vistos ao fundo, tendo acima uma espcie de portal com bougainvilles.
No imvel visto ao fundo funcionou, na dcada de 50, uma rinha de galo, onde aves se esfolavam em meio aos gritos dos apostadores. Penas voavam e no raramente dos galinceos escorriam sangue e alguns que levavam a esporada fatal estrebuchavam ali mesmo para decepo do seu dono.
At que um dia, j na dcada de 60, o ento presidente da Repblica, Jnio Quadros, empunhando a sua vassoura como emblema de campanha, mandou fechar todas as rinhas do Pas e proibiu, definitivamente, as brigas de galos. Essa proibio acabou sendo o maior feito dele, depois da renncia malfadada, da qual o Brasil se ressente at hoje.
Aquela rvore imensa l atrs d uma espiada na foto para apreciar uma p de jambo vermelho. Ali na Praa de Esportes havia no sei se ainda h vrios jambeiros vermelhos. Naquela poca em Montes Claros, at parecia que s existia jambo vermelho. Foi muito depois, j longe, que descobri a existncia tambm de jambo amarelo, por sinal, muito mais saboroso do que o vermelho.
O gramado onde Martinha e Carmen sentadas esbanjam charme, era no sei se ainda o que chamvamos de pista. Tinha o formato arredondado e era ali onde travvamos os maiores embates por meio de peladas que revelaram muitos craques.
Quase todas as tardes l estavam jovens como eu disputando par ou mpar para escolher os seus times. As peladas comeavam por volta das 16h e iam at o Sol se pr. Tinham o sabor de liberdade. Naquele tempo, as rivalidades praticamente no existiam ou pelo menos no se percebia como percebemos hoje em dia.
A pista servia para uma p de atividades alm da tradicional pelada. De manh, debaixo do Sol ardente de Montes Claros, se podia arremessar tampas de cera Parquetina em partidas individuais e em duplas. E todo acontecimento cvico tinha ali uma atividade, que tanto podia ser um desfile de escolas ou disputa de corrida.
Naquele poca, a Praa de Esportes era o centro do mundo. No havia Automvel Clube nem os outros clubes atuais, a no ser o Clube Montes Claros, na esquina das ruas Doutor Veloso e Presidente Vargas.
Ento, tudo acontecia na Praa de Esportes. Prximo ao p de jambo vermelho havia seis pilastras encimadas por um telhado onde se encontravam disposio dos associados duas mesas oficiais de pingue-pongue. Era uma festa.
Havia quem, como eu, que era viciado em pingue-pongue. Disputas homricas aconteciam. Cortadas zuniam para alegria dos que em volta das mesas assistiam os craques. Disputavam-se campeonatos de pingue-pongue. Nomes como Bichara, Z Venncio, Joo Jos, Jder, entre outros, eram invejados na arte de pingueponguear.
Sem falar, claro, que a Praa de Esportes era o lugar mais procurado pelos namorados. Tanto verdade que essas duas beldades da foto ali estavam espera dos seus respectivos.
A Praa de Esportes ali est, como sempre esteve, mas perdeu o seu charme. Ao longo do tempo a sua magia desvaneceu-se e embora esteja aberta, funcionando, foi motivo de polmica quando o ento prefeito Luiz Tadeu Leite cismou de vender parte do terreno.
A Praa de Esportes deve continuar ali, integralmente. Precisava ser valorizada, incrementada, no para resgate do charme e da magia, mas como alternativa para muitos praticarem esportes.
Nada mais posso dizer, porque, afinal, sa de Montes Claros faz mais de 40 anos, mas Montes Claros nunca saiu de mim.
Ento, esta uma oportunidade para reafirmar: confesso que vivi intensamente em Montes Claros. E aproveito para fazer aqui a minha declarao de amor por essa cidade, onde est enterrado o meu umbigo. Onde fiz levas e mais levas de amigos.


81714
Por Alberto Sena - 12/7/2016 10:19:46
OS OITENTANOS DE WALDYR SENNA

Alberto Sena

Os 80 anos de Waldyr Senna foram comemorados na tarde de hoje, 10 de julho, na fazenda Saracura, municpio de Juramento, onde ele e a sua Dizinha Maria Lusa Rodrigues Batista receberam parentes e amigos.
A fazenda Saracura sinnimo de paraso. Bastante florida, zelosamente cuidada pelo casal, os convidados tiveram recepo primorosa, com almoo farto, baseado em arroz com pequi da melhor qualidade.
Depois que Waldyr soprou as velas do bolo, arrodeado dos filhos e netos pronunciei um discurso representando todos os irmos, por meio de um improviso que tive o cuidado de levar por escrito e, nesta oportunidade, transcrevo-o para o conhecimento de quem interessar possa. Veja abaixo:

Ao dar-nos o privilgio de comemorar com voc, Waldyr, os seus oitentanos, quero lhe dizer, em meu nome e em nome dos nossos irmos:
O que temos de melhor a lhe oferecer como presente neste dia a nossa gratido.
Gratido por tudo que fez por nossa famlia e ainda faz desde aquela manh de 15 de janeiro de 1961, quando o nosso pai morreu. Evidentemente, voc j tem a sua recompensa em vida, e damos graas a Deus por voc.
Costumo dizer, Deus me deu quatro mes. A me biolgica, Elvira, e as outras mes peo vnia para citar os nomes delas e tambm homenage-las neste seu dia, Waldyr minhas irms T, Elza e Ladinha.
E tive dois pais, o pai biolgico Z Bitaca meu grande amigo. O outro voc, Waldyr, que nos assumiu, naquela poca, dando exemplo de irmo, no sentido lato da palavra, algo raro neste mercado atual da raa humana.
Mas a sua importncia vai muito alm do que fez por todos ns. A palavra gratido apenas resume e revela o nosso reconhecimento do seu valor. E revela tambm a nossa sinceridade.
A sua contribuio para o engrandecimento da nossa Montes Claros, para o desenvolvimento da nossa cidade em todos os segmentos da vida cotidiana inestimvel. A sociedade montesclarina sabe e reconhece isso.
Alm de ter sido bom filho, grande irmo (s vezes meio ranzinza, mas isso o de menos); alm de ser bom marido, pai e av tambm bom, voc foi responsvel pela formao profissional de diversas pessoas, frente do O Jornal de Montes Claros.
No que o fizesse de caso pensado. No. Simplesmente porque os seus exemplos e o seu tino jornalstico de nascena influam na vida minha e na de muita gente num tempo em que se podia praticar o jornalismo verdadeiro.
Voc foi e ainda o candeeiro a iluminar os caminhos dos seus semelhantes.
Hoje mesmo, voc, em companhia de sua querida Dizinha, sua companheira at que a vida os una ainda mais, porque no Universo existe s vida; veja o quanto voc e ela influem diariamente no comportamento poltico, socioeconmico e educacional de um sem nmero de jovens estudantes do Colgio So Mateus. A sua sina, meu irmo, a sina do casal, pelo que se pode constatar, formar gente.
Voc, Waldyr, foi e ainda um exemplo para todos ns. Voc sinnimo de trabalho. Ignoro quem trabalhe mais do que voc. Lembro dos tempos do O Jornal de Montes Claros. Voc trabalhava de manh, na redao, ia almoar em casa e seguia para o Banco do Brasil. Depois do expediente bancrio, voltava ao jornal. S ento ia para casa.
Abro, aqui, um parntese para lembrar uma curiosidade: (A chave da porta de entrada ficava atrs da placa do jornal, do lado de fora, ao alcance de qualquer pessoa. Imagina se hoje isso seria possvel, ali no nmero 103 da Rua Dr. Santos, naquela casa velha onde era a antiga redao do jornal?)
Ns nos orgulhamos de voc, Waldyr, e o mais maravilhoso de tudo estar aqui, sentindo todo o calor humano que nos envolve, neste lugar esplendoroso, fazenda Saracura, de histrias tantas, que para Dizinha caberiam em livros, aqui estamos para comemorar os seus oitentanos.
Para quem chega, nesta data, primeira metade de uma vida operosa, cheia de histrias para contar aos netos e aos bisnetos daqui a pouco, voc se encontra em bom estado de conservao e ainda tem muito jovem pela frente espera de sua metodologia de formar gente humana, poltica e eticamente tendo em vista o bem comum.
Desejamos-lhe paz, sade e alegria de viver. E que Deus o abenoe e guarde. Sempre".


81696
Por Alberto Sena - 2/7/2016 12:26:56
UM SCHERLOCK SEM HOLMES

Alberto Sena

Aproveitando a oportunidade de participar da reunio ordinria do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, como um investigador do tempo, fiz algumas incurses pelas imediaes da Rua Corra Machado, onde morei por ltimo antes de embarcar de mala e cuia para a capital mineira, em fevereiro de 1972. A inteno era encontrar resqucios daquela rua de antigamente, quando se iniciava a urbanizao do terreno onde antes era o campo do Unio.
Armado de minha inseparvel cmera fotogrfica semiprofissional, adentrei a rea a partir da Rua Joo Pinheiro. Primeiro passei, acompanhado de Silvia Batista, pela esquina das ruas General Carneiro e Joo Pinheiro, onde era a casa da tia Ambrozina, de lembranas tantas. Ela era me de Rubinho e Magela Sena Almeida. A casa deu lugar a um prdio. No encontrei nenhum resqucio dela. Mas, em frente, do outro lado da rua constatei, ainda em p, uma casa em estilo colonial da poca em que vivia em Montes Claros e no hesitei em fotograf-la.
Embora quase tudo estivesse mudado, pude encontrar a casa de dona Tina, j falecida, quando beirava os cem anos de idade, na Rua Corra Machado. Ela era av de Eustquio, um vizinho com o qual brincava ainda na adolescncia, jogando bolinha de gude e finca no perodo das guas. A casa de dona Tina ainda est em p. A nica diferena notada foi uma grade azul instalada por motivos bvios.
Mais adiante, na esquina das ruas Corra Machado e Dr. Veloso encontrei a marca do lugar onde havia um poste de ferro que a menininada usava para atanazar a vida de dona Pequenina, que em texto anterior tratei-a como sendo dona Pequena. Era uma mulher pequena, cabelos brancos. Nutria orjeriza dos capetinhas que batiam no poste com pedras, arrancando dele o rudo de metal parecido com o de sino.
Ainda na mesma esquina, do outro lado, a casa de Ngo R continua em p, protegida por um muro alto. A mangueira a mesma, nesta poca j com frutos em meio s flores. Ngo R era um rapaz bom de bola. Com ele jogmos peladas no campo do Unio, alm das indigitadas bolinhas de gude e finca. Soube poucos anos atrs que ele j no est mais no meio de ns e nem sei se a famlia dele ainda mora no local.
Embora tenha feito uma incurso de investigador do tempo, as visitas foram an passant porque no havia tempo de incomodar os habitantes da casa com perguntas como: a famlia de Ngo R ainda mora aqui? O que aconteceu com ele, prematuramente levado do meio de ns? Entre outras curiosidades.
Lembro que foi o pai de Ngo R, fazedor de casas, pedreiro chamado, quem fez o forro de madeira da casa onde moramos no nmero 238 da Rua Corra Machado. Vejo ainda agora a cena dele e de mais ajudantes instalando o madeirame para pregar as tbuas do foro. Antes do forro, uma das minhas diverses era subir at o telhado usando o umbral da porta.
Subimos a Rua Corra Machado e entramos na Rua Camilo Prates. Pouco depois da esquina ainda encontrei a casa de Juquinha, que nascera com deficincia, mas tinha cabea inteligente e durante bom tempo ele foi tcnico dos nossos times de futebol. Em frente a casa dele morava Zezinho, mas a casa de Zezinho no mais existe.
Seguindo pela Rua Camilo Prates, entramos direita na Rua General Carneiro, at a passagem de nvel do trem da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. Pouco antes morava a famlia de Roberto Cmara, com quem jogava pingue-pongue e tinha prosas inteligentes. Hoje, Roberto mdico do corao. Grande figura, devo a ele e mais alguns ex-atiradores do TG 87, a no excluso por indisciplina. Tinha 58 pontos perdidos e com mais dois seria excludo. Tinha de fazer exrcito em Beag.
Fotografei duas casas no local. Numa delas morava Roberto, estou certo disso. De l fomos pela Rua Bocaiva, sentido Praa Coronel Ribeiro. A meio quarteiro lembrei das partidas de pingue-pongue jogadas na Unio Operria. A casa continua a mesma.
Um qu de tristeza mesmo abateu-me ao deparar com a casa onde morou a famlia de Josimar e Jarbas Oliveira, no cho. Era uma casa em estilo colonial, feita de adobe. Quando estudvamos na Escola Normal, quase que diariamente passava na casa dele para irmos juntos ao antigo prdio atrs da Matriz de Nossa Senhora da Conceio e So Jos, hoje abrigando o Museu Regional do Norte de Minas, sob a batuta da operosa Marina Queiroz.
Ao final da incurso, pude concluir que, de investigador do tempo, no passei de um Scherlock sem Holmes.


81679
Por Alberto Sena - 24/6/2016 10:53:00
CARTA AOS FILHOS MEUS

Alberto Sena

Espero encontr-los bem. Com sade espiritual, mental e fisicamente. Por aqui, tudo vai indo sob as graas de Deus, na pessoa do seu filho Jesus Cristo. No tenho o que me queixar, seu queixo de burro. Tendo paz, sade e alegria de viver, essa trade me basta.
As mangueiras de Gro Mogol esto lindas precisavam ver. Floridas, nesta poca do ano, tornam-se um atrativo espetacular. Cada mangueira um universo dos que possuem o dom de voar. Vocs precisavam estar aqui para contemplar tudo isso.
Pela quantidade de flores, este ano vamos chupar muita manga at o cotovelo fazer bico. Mas, a gente sabe, Maalali, filha amada voc que vive na Alemanha, cidad alem e ensina portugus a alemes precisava saber tambm disso daqui a pouco os ventos iro fazer a seleo natural dos frutos. Se toda essa quantidade de flores virasse frutos, no haveria mangueira para suportar o peso das mangas.
Ano passado, oh, Matheus, primeiro dos homens filhos meus, ao contrrio do ano retrasado, as mangueiras de Gro Mogol no deram muitos frutos. Aqui, imagina voc, artista de rock pop em Orlando, nos EUA, as mangas costumam perder, em quantidade.
At parece, carssimo Rahvi, voc que se encontra a em Foz do Iguau (PR), as crianas e os adultos daqui j se enjoaram de chupar manga. Imagina, se estivesse, aqui, na safra o quanto voc poderia se lambuzar de manga. De Foz aqui um pulo. Os daqui talvez prefiram trocar por refrigerante um copo duplo de suco de manga natural. Pode uma coisa desta, Rahvi, meu cinegrafista e ator preferido?
As mangueiras que fazem a arborizao da cidade. Quase todas as casas tm quintal. Deste pormenor importante, Pedro, voc que de Beag aqui veio sabe como bilogo e economista prestes a se diplomar pela UFMG, quintal no est dando sopa em nenhum outro lugar.
O quintal da dona Valda, s para citar um exemplo, uma beleza. Voc a conheceu na sua estada em Gro Mogol. Ela mora na Rua Hilrio Marinho, prximo ao Prespio Natural Mos de Deus. Sozinha plantou tudo. Possui dezenas de qualidades de frutferas no quintal. l onde moram os passarinhos. Um dia, ela me disse, se tirar de mim o meu quintal, eu morro.
Aqui, oh, filhos meus, os ares so puros. No h nenhuma fbrica cuspindo fumaa envenenada na atmosfera. As paisagens so lindas. O viver simples e simplificado. No h aquele estresse prprio das cidades grandes.
O trnsito de veculos pequeno, mas os caminhes so barulhentos. Com a possibilidade de concluso do processo de tombamento do Centro Histrico de Gro Mogol, at agosto, como prometeu a presidente do Iepha, o trnsito de veculos pesados dever encontrar alternativa para evitar comprometer o patrimnio local, casario de final do sculo 18.
Estamos a pouco mais de 20 dias do Festival de Inverno Circuito Turstico Lago de Irap, evento organizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) em parceria com a Prefeitura Municial de Gro Mogol.
Quo bom seria se os quatro pudessem aqui estar para o Festival de Inverno, de 19 a 24 de julho. A expectativa comea a crescer com reservas antecipadas nos hotis e pousadas da cidade.
estimada a vinda de mais de 30 mil pessoas a Gro Mogol nos seis dias de festival. Dentro da programao haver o terceiro Festival da Cano, que distribuir R$ 15 mil em prmios aos ganhadores. Vocs, meus queridos, que tanto gostam de msica, iriam se divertir muito, estou certo disso.
A abertura do festival, na noite de 19 de julho, ser no Prespio Natural Mos de Deus, pela segunda vez. A primeira vez foi em 2014, seis meses depois de inaugurada a obra que j recebeu mais de 70 mil visitas e considerada o maior prespio do mundo na categoria natural e a cu aberto.
S para vocs no reclamarem por ainda no ter falado de poltica, se que se pode chamar de poltica o que se v por aqui. Estamos no epicentro de um terremoto de 10 graus na escala Richter. Particularmente, tenho f, uma hora as placas tectnicas iro se acomodar e um Brasil novo surgir.
Mas, aqui, em Gro Mogol, se vocs querem saber, o pessoal acha que tem muito candidato a prefeito cinco at agora para poucos votos nove mil eleitores. Mas j ouo falar em composies. Quanto aos vereadores, h quem esteja entre a cruz e a caldeirinha, com receio de no se reeleger. No basta ser candidato a prefeito ou vereador, imprescindvel ter proposta, dizer a qu vem.
isso, filhos meus. Mais adiante, quando a poltica local pegar no tranco enviarei mais notcias. Abraos e beijos.


81663
Por Alberto Sena - 20/6/2016 10:58:52
DONA PEQUENA E O POSTE DE FERRO
(Para Roberto Lima, pela lembrana)

Alberto Sena

Dona Pequena, como o epteto sugere, era de baixa estatura. Devia ter um metro e meio de altura. Parecia velhinha, velhinha. Mas no devia ser erada, ns meninos que achvamos ser ela muito antiga, qui, uma bruxa daquelas montadas em vassoura de piaava. Mas nem to bruxa ela era a coitada.
Dona Pequena morava com uma filha adotiva ou era neta? uma menina ainda adolescente, na esquina das ruas Doutor Veloso e Corra Machado, em Montes Claros da dcada de 60. Na poca, por vrios motivos que daqui a pouco sero do conhecimento de todos, ela era famosa no pedao. Fama gerada pelo azedume das reaes dela. Do adulto mais antigo criana ao abandonar a mamadeira, ningum ignorava a nossa personagem.
Em frente da casa de dona Pequena havia um poste de ferro antigo, sem nenhuma serventia. A no ser para infernizar a vida dela e o porqu quem aguardar um pouco ir saber. O poste devia ter sido esquecido aps a substituio por postes de cimento daquela poca. O poste de ferro era, enfim, um suplcio para dona Pequena. Evidentemente, na poca menino nenhum tinha essa compreenso do quanto o poste indigitado infernizava a vida da mulher.
No que representasse para ela perigo de cair sobre a casa. Nada disso. Menos ainda por culpa do poste em si, esttico ali na esquina preto feito breu. A meninada encapetada descobriu, bastava bater no poste com uma pedra para extrair dele um som metlico e dona Pequena, incomodada, nervosa, cuspindo improprios saa na porta com os cabelos brancos em p.
Havia no quintal dela duas ou trs goiabeiras. Goiabas vermelhas e brancas. As goiabeiras tambm ajudavam a preencher os dias de dona Pequena porque volta e meia um menino trepava no muro para apanhar goiaba. E a velhinha rodava a baiana. Soltava xingamentos deliciosos a trs por dois para regozijo dos meninos.
Naquela poca, na Rua Corra Machado havia um campo de futebol. Era do time do Unio, que dera origem ao Cassimiro de Abreu eterno rival do Ateneu. Quando a famlia mudou-se para aquela rua, o campo j comeava a ser desativado, porque o Cassimiro de Abreu construra um estdio no Bairro Todos os Santos.
Mas algumas partidas de futebol eram jogadas ali. Lembro-me bem de jogadores como Marcelino, ex-Atltico Mineiro; o irmo dele, Moedeferro; Bispo e o irmo Bonga, Hlio Guimares, Felipe Gabrich e outros. De vez em quando a bola ultrapassava o muro e caa dentro do quintal de dona Pequena. Ela, alm de no devolver a bola, esbravejava como gente grande.
Afora essas partidas de adultos, o campo ficava a maior parte do tempo por nossa conta. Nas frias escolares ento, o dia inteirinho a meninada ali jogava as famosas peladas. Arremessava tampa de cera Parquetina um para o outro, a longa distncia. A tampa traava no ar curva quase ao rs do cho e subia at as mos do parceiro. Uma gostosa brincadeira. Era um paraso ldico o campo. S o abandonvamos para irmos matin das duas horas no Cine Coronel Ribeiro, na praa do mesmo nome.
Mas ao passarmos pela porta da casa de dona Pequena, inevitavelmente, tnhamos de arrancar do poste de ferro trs sons metlico, pelo simples prazer, se se pode dizer assim, de incomodar a velhinha e ouvir os xingamentos dela. At que ela sasse na porta, a meninada j estava longe dando gargalhadas.
Os irmos Roberto e Ronaldo, que moravam na mesma rua, mas um pouco mais distante da casa de dona Pequena, alm de outros pivetes como Osmar, Eustquio, Dedinho e os demais, todos eram cmplices na tarefa cruel de incomodar dona Pequena. O mister fazia parte do mundo infantil ou pr-adolescente da meninada de ento. bom dizer, esses pecados j receberam h muito tempo a absolvio.


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Por Alberto Sena - 2/6/2016 09:31:40
A MORTE DIGNA DE UM BRAVO JORNAL

Alberto Sena

Recebi do amigo virtual Carlos Roberto Veloso, de Montes Claros, in box, a mensagem seguinte: Fazendo uma arrumao e triagem de meus guardados antigos, encontrei a ltima edio do O Jornal de Montes Claros, publicada em 11 de maro de 1990.
Como esse informativo foi a fonte de iniciao para muitos jovens de nossa cidade, inclusive aonde voc dedicou os primeiros passos profissionalmente, gostaria de saber se interessa ter esse exemplar. Se OK, informa-me que irei passar-lhe.
Respondi positivamente, claro, a mensagem e informei o meu endereo e ele ficou de me enviar o exemplar da derradeira edio do O Jornal de Montes Claros.
Disse-me mais Carlos Roberto: Lembro de voc e de outros como Robrio, Berginho, Tanajura, Robson etc. trabalhando no Jornal. Na poca meus pais eram amigos do escrivo Liz Paixo.
(Liz Paixo era um homem magro, meio casmurro ou casmurro e meio, mas competente como escrivo de polcia. Quando fui cobrir polcia para o JMC, ele e Guedes revesavam na oitiva dos envolvidos em inquritos).
Fui por intermdio de Liz Paixo prestar servios na Delegacia de Polcia (lembra do capito e depois major Abdo?) e os jovens reprteres cobriam a rea policial. Na poca do movimento de 1964. Enviar-lhe-ei o exemplar na prxima semana, visto estar indo hoje para minha propriedade rural.
Disse eu ento a Carlos Roberto recordar sim da poca e do major Miguel Abdo; tinha uma filha conhecida. Desejei-lhe um bom final de semana, evidentemente agradecendo pela gentileza.
Neste 31 de maio, ele me enviou outra mensagem afirmando ter postado nos correios o ltimo exemplar do Jornal de Montes Claros, espero j t-lo recebido. No havia recebido ainda e disse a ele, vamos aguardar at amanh.
Neste 1 de junho recebi o envelope pardo em mos, das mos do jovem dos correios. Estava no porto, conversava com uma pessoa e ele chegou. Sorrindo entregou-me o envelope. Tratei imediatamente de enviar uma mensagem ao amigo: Acabo de receber o jornal. Agradeo-lhe muito.
Ele, ento, respondeu-me: (...) Tenho certeza que, com voc, estar em boas mos. Agradeci pela confiana, afinal, havia me enviado a ltima edio do jornal onde iniciei em 1969, aos 17 anos. Trinta e oito anos depois de criado, em 1990, o jornal escola formador de jornalistas ainda em atividade na grande imprensa, publicava a ltima edio.
Em Belo Horizonte, ao ingressar na redao do jornal Estado de Minas, ouvi dizer pela primeira vez o quo melanclico e triste o fim de um jornal. Era a agonia do Dirio de Minas. Quase concomitantemente, ao fim do Dirio Catlico, que se tornou Jornal de Minas. O Dirio da Tarde, j extinto, cria relegada pelo Dirios Associados por causa do Estado de Minas, durante os seus 77 anos, alm do Dirio do Comrcio representavam a mdia impressa diria da capital. Na poca em que a notcia era prioridade.
Surpresa mesmo foi quando os Dirios e Emissoras Associados criaram o Jornal de Shopping. Era para ser um jornal de compras, como queria o diretor Executivo dos Dirios Associados, na poca, Camilo Teixeira da Costa. Mas o editor do jornal, Wander Piroli, jornalista e escritor consagrado deu aos leitores um semanrio de qualidade, que concorria com o Jornal de Casa aos domingos.
Dos jornais citados, s o Estado de Minas e o Dirio do Comrcio no morreram, mas entraram no estgio de agonia, da mesma forma como aconteceu aos outros. O fechamento do Jornal de Shopping, em 1982, foi de modo agressivo. O jornal j estava na grfica dos Dirios Associados para ser impresso, na noite de sexta feira. Circularia no final/incio de semana.
A surpresa estava na primeira pgina. A direo do DA ps uma nota informando aos leitores ser aquela edio a ltima, sem dar dar a menor satisfao ao Piroli e a redao. Nem se pode comparar esse ato do DA, indigno, com a maneira digna como o jornalista Oswaldo Antunes, dono do O Jornal de Montes Claros anunciou, em editorial primoroso, intitulado Calar antes do fim, a edio derradeira.
Vale a pena reler o texto. Comea assim: Este ser o ltimo nmero do Jornal de Montes Claros, depois de trinta e oito anos de trabalho e de bravura...


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Por Alberto Sena - 30/5/2016 09:38:20
TRILEMA

Alberto Sena

Aconteceram de duas uma: ou a terra tremeu outra vez ou foi uma ocorrncia sobrenatural, porque justificativa plausvel para o estalo na parede do apartamento do hotel onde nos hospedamos, em Montes Claros, no havia, pelo menos naquele momento.
Concomitante ao estalo, o quadro pendurado na parede assinado por Mrcia Nascimento, mulher do dono do hotel, inclinou para um dos lados. E o celular de Slvia Batista oscilou como se tivesse sob interferncia. A luz do apartamento piscou trs vezes.
Diante das circuntncias, no pensamos duas vezes: Pode ser um tremor de terra. Montes Claros deu para isso nas ltimas dcadas. A terra passou a tremer ou alguma ao antrpica provoca os abalos. De duas uma. Ou as duas.
Entreolhamos-nos e sugeri abandonarmos o apartamento. Imediatamente. Slvia fez meno de retornar para apanhar o celular e desaconselhei. Numa situao anormal, ao voltar para buscar alguma coisa pode ser fatal.
Vamos descer pelas escadas. Numa hora dessa, embora nunca tivssemos vivido nada igual, no se deve tomar o elevador. Enquanto descamos as escadas no notamos nada de anormal, mas ainda assim fomos at a portaria e como tudo parecia normal, conclumos ter sido uma ocorrncia sobrenatural.
Mas assombrao no existe, pelo menos do tipo fantasmagrico como lamos quando crianas nas revistas em quadrinhos. Relutamos um pouco se devamos ou no falar com os atendentes da portaria do hotel. Melhor falarmos, conclumos.
- Com qual frequncia acontece tremor de terra em Montes Claros? Perguntei e Cludio, um dos funcionrios do hotel respondeu:
- H muito tempo no temos notcia de nenhuma ocorrncia por aqui. Recentemente ocorreu na regio de Belo Horizonte ele disse.
- Sim. Mas, pergunto porque ouvimos um estalo e em seguida o quadro pendurado na parede do apartamento inclinou para um dos lados disse a ele.
Cludio olhou-nos com olhos inquiridores e respondeu em seguida:
- Deve ser a presso do gs concluiu.
Naquele momento o hotel era reabastecido de gs. Devia ser 8h. O caminho estava nas dependncias do hotel. Segundo o funcionrio, o estalo pode ter sido causado pela presso do gs no incio da operao de reabastecimento.
Cludio podia ter razo. Ou pelo menos a concluso dele parecia ter certa lgica. Retornamos ao apartamento e deixamos o quadro inclinado na parede, da maneira como ficou aps ouvirmos o estalo, como sinal de que algo de anormal aconteceu.
Se antes havia um dilema, ao final nos deparamos com um trilema: teria sido abalo de terra, algo sobrenatural ou presso do gs?
Por acaso, a televiso estava ligada baixinho nos assombrosos acontecimentos polticos l de Braslia, relacionados s gravaes de Srgio Machado.


81604
Por Alberto Sena - 27/5/2016 09:37:19
VOLTA AO PARAFUSO

Alberto Sena

Por esses dias encontrei-me diante da Escola Estadual Gonalves Chaves, em Montes Claros, na Praa Joo Alves, nem sei quantas dcadas depois de sair a ltima vez pelo seu porto. Recordei-me ento de quando menino de sete anos de idade entrei a primeira vez no prdio, por esse mesmo porto. Naquela poca, ano de 1956, a nomenclatura era Grupo Escolar Gonalves Chaves, e o curso era chamado Primrio.
A famlia morava na Rua So Francisco, quase esquina de Rua Corra Machado. Por determinao expressa de dona Elvira, minha me querida, Lcia, uma das minhas seis irms levou-me presena da diretora do grupo, dona Maria Celestina Almeida.
A diretora me conduziu a uma sala e me submeteu a um teste de seleo. Do teste recordo-me de uma figura apresentada por ela. Era uma casa de portas e janelas azuis. Fincada no cho e apoiada no telhado da casa havia uma escada de madeira. E no telhado, por incrvel possa parecer, havia um porquinho. A pergunta era: Como o porquinho chegou ao telhado? Respondi na bucha: Subindo pela escada.
Selecionado para a sala da professora dona Bernadete Costa, me do ainda futuro jornalista Robson Costa, que aos 17 anos encontrei no O Jornal de Montes Claros, e mais tarde, com 22 anos, com ele convivi na redao do jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte depois Robson foi para o Estado/Jornal da Tarde, So Paulo, onde faleceu aos 38 anos.
Dona Bernadete era professora rigorosa e eficiente. Com ela aprendi a ler e a escrever. Era uma mulher pequena, magra. Tinha voz cheia de autoridade. Quem no cumpria risca com as obrigaes cortava doze com ela.
Toda segunda-feira, os alunos devidamente enfileirados diante das escadas do prdio cantavam o Hino Nacional com hasteamento da Bandeira Nacional. Em seguida, os alunos selecionados declamavam poesia de Olavo Bilac, Ceclia Meirelles, Casimiro de Abreu, entre outros.
Por esses dias, em Montes Claros, com Lcio Bemquerer, a fim de apresentar o Prespio Natural Mos de Deus aos integrantes do grupo de orao So Pedro, no condomnio Vila Rica, onde mora dona Milene Maurcio, que organizou tudo, pude recordar daquela poca em que Montes Claros esbanjava sossego. De vez em quando passava uma sedan preta, carro de praa chamada.
O prdio da Escola Estadual Gonalves Chaves ainda conserva algumas das suas caratersticas originais. Pelo menos na fachada. A grade do muro parece a mesma, mas escondida por uma tira de lato de fora a fora, que no deixa ver o lado de dentro.
Na rea do lado direito do prdio, na parte externa, onde havia enorme cruzeiro em um pedestal de cimento, cruzeiro encontrado enterrado quando do incio da sua construo, simplesmente desapareceu. A rea tornou-se um estacionamento de carros.
O relgio estava a caminho do meio-dia. Vrios jovens chegavam ao prdio para o incio de mais um dia de aula. No havia ningum na entrada para nos dar informaes. E como no queramos Slvia e eu chamar a ateno dos alunos e parecer estarmos invadindo o colgio, preferimos nos conformar com a viso externa do prdio.
Mas a inteno era entrar e rever as salas de aula. E, principalmente, o ptio no centro do prdio. Para chegar ao ptio era preciso descer alguns degraus de escada. Pelo que pude apurar depois, o ptio j no existe. Tudo foi nivelado e ocupado.
Uma avalanche de lembranas perpassou-me a cabea. No curso primrio antigo sempre fui bom aluno. Tanto que s fiz prova final uma vez em todo o perodo para terminar a quarta srie primria. Fazia parte do grupo de alunos com notas suficientes para ser aprovado sem precisar fazer provas finais.

Ser aprovado com antecedncia, entrar em frias antes do restante da turma redundava numa alegria sem tamanho. Ao receber a notcia de que poderia ir para casa gozar frias antecipadas, ao sair do porto da escola arremeava a pasta ao alto com os cadernos e caixa de lpis de cor e gritava a todo pulmes: Estou de frias, passei de ano.
Era quando tinha o dia inteirinhozinho para viver a trabalheira de jogar bolinha de gude e finca porque a essa altura do calendrio chegara o perodo das guas. A terra estava mida e as ferramentas necessrias afiadas para traarem linhas no cho como quem risca e rabisca sonhos.
Ali na Praa Joo Alves diante do prdio da Escola Estadual Gonalves Chaves, dcadas depois, por um momento pareceu-me ouvir o vozerio dos colegas de ento, na hora do recreio, chutando bola de meia em meio poeira vermelha do ptio externo, hoje todo ocupado.


81596
Por Alberto Sena - 25/5/2016 08:09:28
BEM QUERER EXPE PRESPIO NO VILA RICA

Alberto Sena

Por momentos, perpassou o interior do salo de festas do Edifcio Vila Rica, em Montes Claros Avenida Mestra Fininha, 536, ao lado da Santa Casa a sensao da presena de anjos e querubins se elevando acima das cabeas de cerca de 40 pessoas do grupo de orao So Pedro, ali sentadas na expectativa de ouvir o empresrio gromogolense, Lcio Bemquerer falar do Prespio Natural Mos de Deus, de Gro Mogol.
Antes de tudo, necessrio se faz contar, dona Milene Antonieta Coutinho Maurcio, viva do mdico Joo Valle Maurcio, residente no edifcio teve a ideia de convidar Bemquerer para fazer a exposio sobre a sua obra. Ela organizou tudo: fez cartazes (ver fotos) com o prespio e afixou-os na parede ao lado de um lindo altar com um oratrio centenrio e representaes da Sagrada Famlia e dos Reis Magos.
Tudo leva a crer, os anjos e os querubins surgiram a partir do altar, escapados do oratrio. Ou teria sido do interior de cada uma das pessoas que lotaram o salo de festas? Pode ter sido de ambas as partes, tamanha a sensao de paz irradiada, sentida por todos como se existisse um s corao pulsante.
Quando Bemquerer chegou, acompanhado de Wilma Nunes, s 18h em ponto, uma hora antes da apresentao, conforme dona Milene recomendara, tudo j estava pronto. As cadeiras brancas estavam nos devidos lugares espera dos integrantes do grupo de orao. E o aparelho de televiso instalado pelo neto dela, Artur, filho de Liliane Maurcio, esposa de Joo Carlos.
Toda segunda-feira, h reunio na casa de algum, do grupo de orao. Na noite deste 23 de maio foi a vez de dona Milene receber o grupo. Gosto sempre de apresentar algo diferente na minha vez, disse ela. Cuidadosa, forrou o altar e as mesas com toalhas de linho bordado e engomado. Sobre a mesa maior exps diversas quitandas e duas sopeiras cheias de vaca atolada, sucos, refrigerantes e caf para serem servidos ao final.
Dando incio a mais um encontro, dona Milene se encaminhou frente de todos acompanhada da coordenadora do grupo de orao e ambas abriram a sesso em nome do Pai, do Filho e do Esprito Santo. Entoaram oraes e depois de fazer a apresentao rpida de Bemquerer, foi exibido o DVD de cinco minutos com a histria resumida do prespio, de quatro anos completos, j visitado por mais de 70 mil pessoas.
Aps a exibio, quando abriu espao para perguntas, Cruz, um dos integrantes do grupo quis saber se Bemquerer devoto de So Francisco de Assis e se a devoo o fizera criar o prespio, porque foi So Francisco quem fez o primeiro deles. Bemquerer respondeu no ter sido essa a motivao e confirmou a notcia da criao do primeiro prespio por So Francisco, em 1223, em Creccio, na Itlia. Por isso ns o homenageamos com uma escultura em pedra sabo, no prespio, disse.
O poeta Wanderlino Arruda, convidado por Milene, amigo de longa data de Bemquerer teceu comentrios a respeito dele e do prespio, visitado j faz tempo, deixando-o encantado com a obra nica no mundo. Como membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, Wanderlino aproveitou para informar sobre a posse de Bemquerer, em solenidade a ser realizada em Gro Mogol proximamente, como membro do instituto.
Em meio aos circunstantes houve quem dissesse: Se essa maneira de divulgar o prespio inventada por dona Milene tiver sequncia noutros condomnios de Montes Claros, ser de grande valia. A construo do prespio foi todinha com recurso prprio, mas a partir da sua inaugurao deixou de ser particular para se integrar ao patrimnio da humanidade, enfatizou Wanderlino.
Ao final, em meio confraternizao, observou-se com evidncia maior a manifestao dos anjos e dos querubins. Eles, em unssono, cantavam loas, numa experincia real de integrao dos cus com a terra, tendo em vista apaziguar os espritos por meio da prtica diuturna da certeza da existncia de uma irmandade universal.


81579
Por Alberto Sena - 19/5/2016 08:13:39

MEMRIA DE UMA RUA DESFIGURADA

Alberto Sena

A foto em epgrafe postada por Wagner Gomes, em nome da me dele, dona Maria das Dores Gomes Guimares, de memria viva no meio de ns, espelha com a clareza do Sol montesclarino, a minha, a nossa Montes Claros. Os pronomes possessivos esto no singular e no plural porque geraes de montesclarinos ainda vivos tm essa imagem epigrafada na memria.
A foto retrata a Rua Doutor Santos, trecho compreendente entre as ruas Baro do Rio Branco e Dom Joo Antnio Pimenta, Centro da cidade. Seria o caso de algum se interessar em sacar uma foto desse mesmo trecho e ngulo a fim de fazer uma comparao. exceo da casa onde morou a famlia de Sinhozinho Batista, tudo hoje est diferente.
Mas, apesar da voracidade do tempo a causar transformaes e no podia ser diferente porque a vida no esttica a minha, a nossa Montes Claros resiste em meio a metrpole dia a dia desenhada pelos que na cidade ficaram e nela vivem. Talvez quem ficou no perceba o quanto quase tudo mudou.
Enquanto a cidade estava circunscrita s famlias que deram a Montes Claros personalidade marcante, envolta em seus probleminhas corriqueiros, evidentemente, a vida era menos, muito menos estressante comparada aos dias atuais. Os montesclarinos de ento tinham tempo suficiente para dar caloroso bom dia s pessoas e com elas trocar figurinhas e conversar abobrinhas. Isto foi muito antes do quesito insegurana pblica influir no comportamento dos cidados.
As famlias eram conhecidas por apelidos. Era Fulano, filho de Sicrano, igualzinho ao que ainda vigora em Gro Mogol, onde na lista telefnica consta os apelidos dos assinantes, porque pelos nomes prprios as pessoas no so reconhecidas. Montes Claros perdeu isto e muito mais com o advento da BR-251.
No se pode negar, a rodovia, h anos clamando duplicao, trouxe benefcios para Montes Claros e regio e ao mesmo tempo transporta a produo de bens de toda ordem no seu movimento pendular noite e dia. Mas escancarou a cidade de tal maneira que, sem um plano diretor para pr ordem na casa, cresceu desembestadamente, e, agora, tem muito a reclamar.
Reclamaes parte, melhor retomar lembranas porque quem tem o que recordar vive muitas vezes a experincia positiva do passado sem necessariamente mergulhar nas guas do saudosismo, mas s pelo prazer de reviver porque possui histrias para contar.
Recordo-me que nesse trecho da Rua Doutor Santos moravam as famlias de Mrio Viana, dentista prtico; Jair Aminthas, este pai de Aminthas, Marcos e Ftima. Adiante, na esquina, Sinhozinho Batista, pai de Alcebades Batista, a quem solicito neste momento uma consultoria, por ser ele especialista em matria relacionada com a famosa rua.
A primeira casa direita diz ele dos nossos vizinhos, sr. Didi e dona Non; depois da casa de meus pais, era a casa de nossa querida amiga, dona Fininha; tinha a barbearia de Osmar e Cachang, o Bar Guarani, de Vadiolando Moreira, a lavanderia Estrela, a Vidraaria de Rosental Caldeira, uma penso, a casa de dona Duca, a Grfica Orion, a casa de Francisco Peres e outros vizinhos.
Agradecido pela consultoria do amigo, retomo a narrativa para dizer que do lado esquerdo da rua recordo-me da famlia do mdico Cristiano Borm e do tambm mdico Joo Valle Maurcio/Milene, pai/me de Mnia, Nair, Vitria e Liliane. Ao lado moravam Carlos Meira e famlia. Em frente, do outro lado da rua, Glson Peres, Glson Capeta, que fazia jus ao apteto.
A Rua Doutor Santos era a veia aorta da cidade. Teve vrias fases antes de chegar na atual, totalmente modificada e por demais barulhenta, com briga de sons dos comerciantes, cada um querendo fazer mais barulho do que o outro ao expor as suas mercadorias.
Entretanto, agora, no estertor, surge uma luz no final do tnel: a salvao urbanstica de Montes Claros pode vir a ser a recente escolha da cidade para estudo internacional sobre planejamento urbano, proposio da Unesco, via professor suo Jean-Claude Bolay, com a parceria da Unimontes. Esperana sempre haver.


81527
Por Alberto Sena - 28/4/2016 09:46:16
GRO MOGOL

MENOSPREZO AO DIAMANTE VERDADEIRO

Alberto Sena

Pode ser falsa impresso, e se for, antes de mais nada peo desculpas, mas a minha impresso a de que os gromogolenses residentes em Gro Mogol, na sede do Municpio, menosprezam o turismo. Quando poderiam ganhar com essa atividade to lucrativa.
Deviam, ao contrrio de menosprezar, provocar a implantao da indstria turstica, que nada polui e oferece uma cadeia de empregos diretos e indiretos, alm de especializaes, elevando ainda mais o nvel socioeconmico e cultural da cidade e regio.
O turismo praticado em todos os seus segmentos, profissionalmente, seria a redeno dessa urbe incrustada em pedras.
Seno vejamos: diante de potencial turstico enorme de Gro Mogol e regio, intrinsecamente perceptvel entre as fraldas da Serra do Espinhao, Serra Geral chamada; diante da beleza maltratada do Ribeiro (do Cu) do Inferno, balnerio inexplorado, que poderia estar sendo utilizado como fonte de renda para vrias famlias, tendo em vista o turismo latente; diante das reclamaes recorrentes de falta de opes de emprego, os gromogolenses parecem no enxergar o verdadeiro diamante; diante do costume quase coletivo de todos irem para a roa em todo final de semana; diante das histrias de Gro Mogol impregnadas nas pedras e nas paredes do seu casario no Centro Histrico; diante de tudo isso e muito mais, a impresso a de que os gromogolenses menosprezam o diamante que tm nas mos.
Importante pensar grande. A gente o que por dentro. O que pensa. Se pensa pequeno, ser pequeno. Se grande pensa, cresce. O importante ser. O ter consequncia. Tanto verdade que, h mais de dois mil anos Jesus Cristo nos legou a sublime observao: No o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai, porque sai do seu corao. Se o corao sofre o mal da pequenez, o indivduo no pensa grande. fundamental mudar o pensamento. Abrir os olhos para as possibilidades socioeconmicas e polticas.
Caso contrrio, Gro Mogol estar fadado a um destino injusto e sombrio por apatia e inoperncia dos homens e das mulheres que a fizeram. Diante das vrias opes oferecidas a partir do turismo devidamente estruturado, com infraestrutura para receber visitantes do Brasil inteiro e estrangeiros com dlares e euros.
A nica pessoa que encontrei em Gro Mogol atuando numa das vrias opes do potencial turstico da cidade e regio o guia Paulo Henrique. Ele, por iniciativa prpria, estudou e estuda a histria de Gro Mogol enquanto guia os turistas que aqui aportam.
E podiam ser muito mais, milhares, toda semana, mas sem infraestrutura para receber visitantes, os que se aventuram a vir correm o risco de morrer de fome porque as portas do comrcio se fecham e principalmente as dos restaurantes. Foram todos para a roa.
O turista para vir a Gro Mogol precisa antes ter assegurado lugar onde possa encontrar refeio. Dezenas de vezes j ouvi de turistas no final de semana as mais lamentveis observaes falta de uma recepo da cidade ao turista, e mais ainda aos que vm com disposio de gastar dinheiro e nada encontram para levar de lembrana.
A no ser o Prespio Natural Mos de Deus, nenhum outro lugar de Gro Mogol oferece tratamento de primeira, profissional, como encontrado nos pases de primeiro mundo.
Por esses dias, a cidade recebeu seis personalidades importantes que podero multiplicar (ou no) o nome da cidade como a bola da vez na rota do turismo mineiro e nacional. So eles: Mauro Guimares Werkema, psiclogo, jornalista, administrador de empresa, ex-diretor-presidente da Belotur, em Belo Horizonte, assessor do prefeito Mrcio Lacerda; Luiz e ngela Mitraud, ele consultor e ex-secretrio de Estado de Fazenda, e ela funcionria da Receita Federal, aposentada; Alencar Peixoto e Beth Pimenta, ele mdico mastologista em Belo Horizonte e ela empresria, ex-proprietria da marca de perfume gua de Cheiro; e ngela de Alvarenga Batista Barros, presidente do conselho administrativo da Montreal e presidente da Rede Cidad.
Eles gostaram de tudo. Ou quase tudo. Quem salvou o quesito alimentao foi o atendimento da cozinha e a sobremesa de um restaurante fora da cidade, localizado na margem direita da estrada de Gro Mogol, sentido Montes Claros; e a pizza da Laura.


81509
Por Alberto Sena - 25/4/2016 11:43:55
REENCONTRO MAIS DE 60 ANOS DEPOIS

Alberto Sena

A casa j no existe mais. Ficava na Rua Marechal Deodoro, logo atrs da Praa de Esportes, em Montes Claros. Mas as lembranas permaneceram. Inda bem. E agora so resgatadas a partir do reencontro de dona Catarina Eleutrio Maia, ex-vizinha na Rua Marechal Deodoro, seis dcadas depois, no Prespio Natural Mos de Deus. As lembranas permaneceram, mas esto parcialmente cobertas, como se os personagens sassem de uma nvoa tnue.
No lugar da casa h hoje uma oficina mecnica. Seria capaz de percorrer, neste instante, todos os seus cmodos de paredes impregnadas de histrias perdidas por falta de registro. Na frente da casa havia calada alta, com uma escada para adentrar a porta principal. Havia at uma pilastra de cimento para servir de amarra s alimrias.
A casa teria sido sede de uma fazenda. At mesmo pelo quintal enorme com um pomar de 22 jabuticabeiras, mangueira, goiabeira, laranjeira, mamoeiro e o Ribeiro Vieira correndo lmpido ao fundo. Esse mesmo ribeiro transformado em cloaca urbana.
Ela, dona Catarina Eleutrio Maia, hoje com 75 anos de idade, poca, devia estar com seus oito anos de idade. E Beto, como era chamado, vivia, os seus primeiros anos de vida. J peguei voc nos braos, ela revelou.
Essa revelao foi uma surpresa. E como coincidncia no existe, a interpretao mais plausvel sobre esse encontro inesperado com dona Catarina ainda est por concluir. ramos vizinhos de quintal separado por um muro. Ela era cunhada de dona Amrica Eleutrio, casada com um irmo dela. O marido de dona Amrica era Afrnio.
Dona Amrica e o senhor Afrnio tiveram filhos e um deles, Amlcar, foi amigo de infncia. O outro amigo do menino era Flvio, filho de dona Negrinha. Dona Negrinha aplicava injeo na bunda do menino quando acontecia de ficar doente. Era enfermeira. Parteira. Para deixar dona Negrinha aplicar-lhe injeo, o menino recebia CR$ 1,00, por vez. Era para no espernear nem chorar.
Dona Amrica veio do Sul de Minas, cidade de Bom Despacho e se radicou em Montes Claros, onde tornou-se pessoa querida e influente. Ela no mais est no meio de ns faz mais de dez anos, como informa dona Catarina, com quem Beto se encontrou por esses dias, no Prespio Natural Mos de Deus, em Gro Mogol.
Naquela poca, as crianas nem precisavam sair de casa para se divertir. Viviam o tempo dos quintais. Tinha tudo neles. Tinha a magia das manhs. Tinha os passarinhos se esgoelando no canto. Tinha as mangueiras, as jabuticabeiras, as laranjeiras. E coelhos. Sim, muitos. Numa ocasio, o menino correu atrs de um e o pegou com as prprias mos.
Foi assim, me lavava roupa no tanque do quintal distante um pouco da casa. De repente, ela ouviu algo se mexer numa moita prxima. Me percebeu logo: Tem um coelho aqui, corre. E o menino correu. Abriu os braos diante do arbusto e o coelho, esperto como ele s, fugiu.
Corre daqui, corre dali, Beto cercou o coelho no canto de um muro. Ele olhava o coelho nos olhos e o coelho o olhava nos olhos tambm esperando um momento propcio para dar pinote. Mas dessa vez o menino foi mais esperto e o coelho foi exibido me como um trofu. meu.
A conselho da me, o menino ps o coelho dentro de um caixote e o fechou com tiras de madeira. No final do dia, ele quis pr o caixote com o coelho dentro de casa, mas a me achou melhor que ficasse do lado de fora. No dia seguinte, o menino encontrou s alguns pedaos do pelo do coelho e manchas de sangue nas tiras de madeira do caixote.
Dona Catarina se recorda muito bem de que naquela poca Montes Claros era uma cidade tranquila, como Gro Mogol ainda hoje em dia. A vida aqui, em Montes Claros, est difcil e perigosa, ela disse pelo celular em conversa neste domingo. Dona Catarina tinha acabado de chegar da roa onde o rigor da seca maltrata a fazenda Canoas. Ela tem saudade da Montes Claros pacata, de quando no havia insegurana pblica para infernizar a vida.
P.S.: Essas lembranas emergiram a partir do encontro com dona Catarina Eleutrio Maia, mais de seis dcadas depois, no prespio de Gro Mogol, o maior do mundo.


81491
Por Alberto Sena - 18/4/2016 08:14:57
CASA DE HAROLDO LVIO EM REFORMA

Alberto Sena

Maria do Carmo Santos Oliveira, viva do escritor, cronista e historiador, Haroldo Lvio de Oliveira, falecido em janeiro de 2015, j faz alguns dias encontra-se em Gro Mogol cuidando da reforma da casa deixada por ele, na Rua Luiz Gonalves, 74, no Centro Histrico. Soube disso porque moro na mesma rua, algumas casas adiante, e vi a movimentao de pedreiros e pintores. Por esses dias coincidiu de estar passando na porta no momento em que Maria do Carmo chegava da rua.
Ela mostrou-me a casa toda por dentro. Nunca havia entrado l e confesso, tinha curiosidade em saber como o interior da casa. Vendo a fachada imaginava l dentro. Nada sei sobre a histria da casa. Pode ter sido sede de uma fazenda. A partir do seu estilo percebe-se ser antiga. No mnimo uns 200 anos, diz Maria do Carmo.
Uma casa com tanta histria leva a gente a pensar na Gro Mogol de 200 anos atrs. O movimento da cidade devia ser superior ao de hoje devido corrida ao diamante. Homens, principalmente, todos garimpeiros indo e vindo, estrangeiros de vrias partes chegando vidos por fazer fortuna. A Pedra Rica, a primeira ocorrncia no mundo de diamantes incrustados foi chamariz.
A casa de pedras, como de pedras so diversas casas de Gro Mogol. Umas esto com as pedras mostra e noutras as pedras esto escondidas por argamassa de reboco. A casa onde Haroldo Lvio viveu dias memorveis como cidado honorrio gromogolense guarda histrias impregnadas nas paredes, no telhado e no cho que Maria do Carmo e as filhas, Fabola Belkis, Luciana e Clarissa Mnica agora tm a misso de levar adiante.
Esta a primeira reforma da casa desde que Haroldo a comprou. Ele nunca tinha tempo de reformar, disse ela. Como se trata de um patrimnio historicamente importante e um bem estimativo, Maria do Carmo se armou de coragem e veio a Gro Mogol com a disposio de s ir embora depois de a reforma acabada.
Com a autoridade de quem sabe o que quer fazer ali na casa, ela contratou o mestre de obras Carlito Gomes. Ele assumiu a empreitada e aos poucos a casa foi ganhando feies renovadas, a comear da fachada, pintada de branco com janelas azuis, o que ficou melhor. Toda a fiao eltrica sob risco de um curto-circuito, foi substituda.
O muro da frente da casa foi substitudo. Ganhou porto para entrada de carros no ptio onde esto ps de manga ub e espada, alm do jardim. Nele esto sendo afixadas lanternas para realar o aspecto noturno coerente com a aura de Gro Mogol, uma das mais impressionantes cidades histricas mineiras.
Ao contrrio das paredes de casas construdas atualmente, estreitas e de tijolos furados, as paredes levantadas antigamente so largas, seja em casas de pedras, de adobe ou de enchimento. As paredes da casa da famlia de Haroldo tm meio metro de largura.
Com o seu toque feminino, Maria do Carmo refez o muro de pedras nos fundos da casa at meia altura e nele instalou uma cerca de arame farpado, para preservar a viso exterior.
A casa d fundos para o Ribeiro (do Cu) do Inferno. Os mveis so antigos, compatveis com o seu interior. Acontece de recebermos 20 pessoas duma vez, conta Maria do Carmo. O mais incrvel que todos ficam bem acomodados. Na cozinha, as enormes panelas confirmam a hospitalidade dela. Tm poder para alimentar um batalho.
Maria do Carmo procede como se estivesse contando com a aprovao de Haroldo. Teve um momento, antes de convidar para tomar caf com bolos, queijos e outras guloseimas, que ela perguntou: Voc acha que o Haroldo aprova isto? Sem dvida alguma, respondi. E emendei: Essa reforma significa que vai se mudar para Gro Mogol? Ela disse que no, mas virei com mais frequncia.
Acredito, quem parte no leva memria alguma da vida terrena, mas na hiptese de haver alguma possibilidade, a essa altura Haroldo sorri de satisfao pela maneira como Maria do Carmo conduz o processo de fazimento da reforma, como uma arquiteta em plena atividade.


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Por Alberto Sena - 14/3/2016 09:10:54

ENCONTRO COM BONGA, 4 DCADAS DEPOIS

Alberto Sena

Vi a silhueta de um homem alto atravs da porta de vidro. Vi tambm quando ele bateu na porta com os ns dos dedos. Mais prxima, Slvia foi atend-lo. Ouvi-o falar o meu nome. Pelo tom de voz no consegui identificar quem seria ele. Por minha cabea no passou o nome de ningum da convivncia no dia a dia.
Era o Bonga, epteto de Joo Bispo. Reconheci-o logo no primeiro instante. Havamos acabado de chegar duma subida Serra do Espinhao, de modo que ele me encontrou de short como costumo ficar em casa para aliviar do caloro. Eu no via o Bonga fazia umas quatro dcadas. Ele era o tcnico do juvenil do Cassimiro de Abreu, no bairro Todos os Santos, dcada de 60. Com ele atuei nos ureos tempos do futebol montesclarino.
Pelo jeito, Bonga continua o mesmo Bonga de sempre, fisicamente. Com algumas marcas decorrentes do tempo, sujeito ao qual todos estamos, mas o mesmo homem de aparncia sria, compenetrado naquilo que fazia e ainda faz. Brincava quando o momento era de brincadeira, mas quando era para valer, brincadeira ficava de lado.
Ele se ocupava tanto com os seus pupilos que baixou logo uma portaria verbal que, evidentemente, era desobedecida s escondidas: No meu time ningum fuma. Imagina uma proibio desta numa poca em que era considerado chique sair cuspindo fumaa como cano de descarga de carro. Quando via algum fumando, ele tomava o cigarro e o mao. Era desse jeito.
Em compensao, o juvenil do Cassimiro de Abreu formado por ele ficou invicto dezenas de partidas. Fomos bicampees em Montes Claros em cima do rival Ateneu. Ostentamos faixas e tudo mais. Bonga tratava o time como se fosse profissional. No faltava nada. O time revelou craques como Dulio, Zoca, Adilson, Carlinhos, Helton, entre outros. Duas torses de tornozelo seguidas me fizeram abandonar a carreira de ponta direita, quando em alta velocidade ia at a linha de fundo e servia os companheiros de ataque.
Bonga demonstrou possuir boa memria, recordou-se do apelido que me dera: Invisvel, por causa das minhas carreiras pela ponta direita. Disse-me ele ter guardado os registros das partidas, dia, hora, resultado, os gols marcados e os autores. Certamente, ele guardou tambm fotos e ser interessante poder um dia reencontr-lo em Montes Claros para rever os registros da poca, boa poca, quando a cidade era tranquila, mas prenunciava o que seria dcadas depois.
Bonga veio a Gro Mogol com a famlia Francimeire Arajo Bispo, a esposa; Franciele Arajo Bispo, a filha; e o amigo Edson Luiz, Lula chamado convidados para o casamento de Maria Fernanda, filha de lcio Paulino. O carro que o levaria de volta a Montes Claros estava na porta com o motor ligado. Portanto, no houve tempo para mais conversas alm da troca de nmero de telefone.
Apenas disse ele que trabalha no mesmo ramo de conserto de motores. Na poca em tela a oficina dele era um ponto de encontro dos jovens aficionados do futebol. O mesmo acontecia na sapataria de Tio Boi, que era tcnico de futebol de salo, hoje futsal chamado. Alm de consertar motores, o Bonga trabalha com os irmos Maristas, no Colgio So Jos.
Se a memria do Bonga boa, a minha tima. Recordo-me como se tudo estivesse acontecendo agora o dia em que fomos de nibus ao Rio de Janeiro para enfrentar o juvenil do Botafogo, em General Severiano. Foi uma viagem e tanto. Resultado, perdemos a invencibilidade, 4 a 1.
Bonga chamou o mesmo time do Botafogo a Montes Claros e no Estdio Joo Rebello ns empatamos em zero a zero. O mais importante que o nosso goleiro, Dulio, agarrou dois pnaltis. O Botafogo levou Dulio, que, segundo soube, atuou tambm pelo Flamengo e nunca mais ouvi falar dele.
Bonga se despediu. Antes, porm, pelo celular, Slvia sacou fotos. Depois, ele desceu os 22 degraus da nossa escada como se ainda fosse o goleiro do time titular do Cassimiro de Abreu, juntamente a seu irmo, Bispo, zagueiro, com a mesma postura ereta dos tempos do campo do Unio, dcada de 50, e de Todos os Santos, dcada de 60.
P.S.: O campo do Unio ficava em frente a nossa casa, na Rua Corra Machado, 238, e ia at os fundos da casa de Bonga, na Rua Joo Pinheiro. Era um lugar mgico. A vida seguia lenta, pachorrenta.


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Por Alberto Sena - 22/2/2016 08:20:45
O FUTURO MUDOU QUASE TUDO

Alberto Sena

Informa a nota: Vendido o lote do tradicional restaurante Skema, no Bairro Todos os Santos, ao lado do Orfanato Nossa Senhora do Perptuo Socorro. No local, agora ou mais adiante, ser construdo um prdio.
A notcia me remeteu, num timo, aos novos tempos da adolescncia, em Montes Claros, dcada de 60, quando prximo dali surgia o campo do Cassimiro de Abreu, onde por algum tempo atuei como ponta direita do chamado Time de Bonga. Vezes incontveis transitamos por ali. O pensamento perpassava o interior daquele prdio do orfanato e ficava imaginando o que se dava ali dentro onde centenas de meninos e meninas despossudos de pais viviam.
Na Montes Claros da poca no havia a Avenida Sanitria. Uma ponte sobre o Ribeiro Vieira gasta pelo uso e tempo fazia a ligao com o Bairro Todos os Santos. Ali morou por mais de quatro dcadas o meu irmo Waldyr Senna. O Ribeiro Vieira corria com mais velocidade e menos poluio, para no dizer que cloaca a cu aberto. Ali ainda era um lugar onde adolescentes da poca, estilingue pendurado no pescoo, encontravam mato e rolinha para caar.
Mas o futuro, hoje presente, era uma certeza. Um dia chegaria. Chegou. E quase tudo mudou. Vieram os prdios de apartamentos, vieram os muros altos, as cercas eltricas tambm vieram. S no contvamos, l atrs, com toda essa parafernlia de segurana, quando o jornalista Fialho Pacheco fez a previso. Ou a cidade se livrava das amarras para cumprir com a sua vocao de metrpole, ou implodiria, previu ele, em finais da dcada de 60, das vezes em que esteve em Montes Claros na condio de reprter do jornal Estado de Minas, e conversvamos em frente ao O Jornal de Montes Claros extinto, na Rua Doutor Santos, 103, Centro, onde hoje uma agncia bancria.
O atual vaivm de carros em meio s motocicletas comparveis a mosquitinhos, e gente, muita gente a trombar umas nas outras sobre as caladas curtas onde os pedestres fazem verdadeira ginstica para no serem apanhados por um veculo qualquer, desembestado, esse movimento era previsto. A diferena a de que na poca havia mais bicicletas do que motocicletas. Hoje o contrrio. Motocicletas e carros predominam.
Tudo se resume numa palavra: sina. Esta era e a sina de Montes Claros que se foi crescendo intempestivamente ao ponto de se tornar uma cidade para mim difcil dizer isto inspita, como inspita Belo Horizonte se tornou. Uma onde nasci e vivi 22 anos. A outra me acolheu durante 43 anos. Amo as duas cidades, mas de longe. Para morar, no mais. No se depender da minha prpria iniciativa, mas ningum pode afirmar, com certeza, nada sobre o dia de amanh.
Vezes sem conta atravessava aquela ponte e isso faz tanto tempo que a ponte nem deve existir mais. E tanto tempo sem retornar ao bairro a essa altura da corrida temporal, o Bairro Todos os Santos deve estar todinho tomado. Sem sequer um palmo desocupado. Mais um prdio vai surgir. A explorao imobiliria implacvel. ela uma das responsveis pela extino da memria do patrimnio pblico. Uma cidade sem memria como algum acometido de Alzheimer.
Isso tudo no quer dizer saudosismo. No. Quer dizer conscincia da necessidade de preservar a memria coletiva. Com algumas raras excees, Montes Claros no se ocupou com a preservao da sua memria, do seu patrimnio histrico, seno a Rua Doutor Santos e outros lugares no teria sido modificada a tal ponto de no ser reconhecida por montesclarinos ausentes da cidade a partir do Anos 70. E como Montes Claros possui histria, que se vai perdendo na voragem do tempo. Nalgum momento algum haver de recolher retalhos dos feitos de antepassados e a histria da nossa poca, daqui a meio sculo, quando os que vierem depois chamarem esse nosso tempo de passado.


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Por Alberto Sena - 25/1/2016 11:26:25
Um cometa passou por aqui

Alberto Sena

Ele estava durango kid. Telefonou-me dizendo se eu conhecia alguma penso prxima da Santa Casa de Belo Horizonte. Precisava fazer exames pra massagear o marca-passo do corao. Havia a possibilidade de ter de troc-lo. E de certo modo, ele parecia tenso. E no era para menos, mesmo em se tratando de uma pessoa experiente em matria de vencer dificuldades.
Entendi tudo isso como sendo uma maneira matreira da parte dele de se convidar pra ficar l em casa. S que no estvamos preparados para receber hspede algum a comear do fato de no haver quarto disponvel. Pensei rapidamente nas opes de improvisar alguma coisa e disse a ele.
Expliquei e ele entendeu se sujeitando a passar mal l em casa. Tive que arranjar um colcho e o estendi no terceiro quarto que fao de escritrio. Reposicionei o sof empurrando-o para o outro lado e mesmo que mal servido, ele disse estar bem acomodado.
No sei se ele pegou nibus lotao para chegar l em casa ou se veio da Rodoviria a p. Pelo jeito, suado como estava, meio ofegante, deve ter vindo a p para economizar a passagem.
Parecia esfomeado. A hora do almoo j havia passado e as louas j estavam na geladeira. Ele disse que no precisava esquentar nada. Tinha o costume de comer comida gelada. Comigo no tem esse negcio, no, disse. Eu fiz de conta que no ouvi e o pedi pra esperar um pouco e esquentei toda a comida. Ele se serviu e comeu feito um frade ou um mago?
Satisfeito, foi ao escritrio dar uma vasculhada nos livros hibernados na estante. Gostou do que viu. Folheou alguns clssicos da literatura e, enfim, pegou um livro de Guimares Rosa, Sagarana, se no me engano e pediu licena pra ler. Leu enquanto eu trabalhava.
Slvia no estava em casa. Quando ela chegou, ao final da tarde, preparou um farto caf e mais tarde um jantar com caldos, de modo que ele, com o jeito caracterstico, por todos conhecidos, filosofou com pde. Debulhou o esoterismo e at mesmo desceu aos tempos em que os ditos bruxos foram executados em nome da inquisio, na Idade Mdia. Falou das dcadas passadas quando se embrenhava pelo serto vivendo todas as dificuldades possveis e correndo todos os riscos trabalhou pelas bandas do Piau em lugares sem lei. Alis, lei havia, a do mais forte.
Sobrevivera, claro. E a prova disso era o fato de estar ali mesa conosco. A conversa se estendeu at mais tarde e j com sono, ele e ns fomos dormir. Durante noite percebi que ele foi ao banheiro e se levantou cedo. Encontrei-o sentado no sof lendo um livro.
Conversamos sobre literatura. Ele falou dos planos de publicar uns livros. Ainda disse a ele que o estilo dele estava mais para Gabriel Garcia Marques e pareceu ter ficado lisonjeado. O texto dele tem sustana. como uma iguaria condimentada. Ele sabe ser incisivo quando assim necessrio. Tem humor. Pra dizer a verdade, o texto dele tem todos os ingredientes necessrios para pescar o leitor desde a primeira frase.
Slvia o levou de carro ao Hospital das Clnicas. Perguntou se queria que ela o esperasse. Ele disse que no precisava e s retornou l em casa pra buscar os pertences. Recusou carona at a Rodoviria, optando por ir de lotao porque ainda estava cedo para tomar o nibus de volta para Montes Claros.
Depois desse dia encontrei-o outras vezes em Belo Horizonte e em Montes Claros. Juntamente a outros companheiros, participamos do livro Os filhos do drago cospem fogo.
Era irrequieto. Parecia ter necessidade de estar sempre fazendo alguma coisa. Parecia ter pressa. Sabia que as extravagncias feitas na juventude e no perodo vivido no Nordeste lhes deixaram uma marca indelvel: marca-passo no corao.
Intelectual, ele tinha o dom de conquistar as pessoas com a sua cultura e maneira fcil de lidar com os semelhantes. Tinha mente religiosa. Sabia retirar da Bblia Sagrada e de outros livros os ensinamentos que mais tarde poderiam lhe valer mais uma crnica para satisfao dos seus seguidores, desde os frequentadores do Caf Galo ao leitor que se encontra no mais recndito do serto norte-mineiro.
Ele foi um cometa. Passou no meio de ns. O cometa se foi, mas deixou rastro de luz para iluminar pessoas de boa vontade.


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Por Alberto Sena - 12/1/2016 09:06:35
VAMOS PESCAR NO RIO VERDE GRANDE

Alberto Sena

Tinha de dormir cedo para acordar no dia seguinte cedinho porque amos pescar no Rio Verde Grande, a poucos quilmetros do centro de Montes Claros. Se no me engano, o nome dele era Dezinho, melhor, o apelido. O nome dele mesmo nunca soube. E no ser agora que me vou recordar se acaso tivesse ouvido falar na poca, pois se muito o menino devia ter uns cinco anos de idade.
Dezinho era namorado de Rosa. Rosa era amiga de Ladinha, Geralda Batista chamada, minha irm da primeira leva de trs, nesta ordem: Terezinha, epteto T, a primeira; Elza e Ladinha. As trs esto hoje com mais de 80 anos. Mas naquela poca, Ladinha ainda era uma moa vistosa, amiga inseparvel de Rosa. O menino no passava de uma companhia, seno uma vela, pra ningum dizer que estavam sozinhas com Dezinho.
Ele era chofer de praa, possua um automvel tipo sed preta bem lustrada. O ponto de carro de praa era ali na Praa Doutor Carlos, debaixo duma latada de, se no me engano, bougainville. H duas espcies, uma que se alastra como chuchu em cerca e outra que vira rvore. O bougainville da Praa Doutor Carlos alastrava sobre armao de madeira elevada por pilastras. A praa era linda, naquela poca. E nossa. Hoje em dia tenho dvidas de quem a praa .
Naquela poca, depois de sair de Montes Claros pelo Alto So Joo, alm da linha frrea prxima ao Parque de Exposies Joo Alencar Athayde, nada mais havia a no ser o aeroporto com uma pista pequena donde dava pra descer avio teco-teco. Recordo-me at de um camarada aviador namorado de uma moa perto de casa. Toda vez que ele ia a Montes Claros ficava fazendo gracinhas pra namorada, mergulhando de avio prximo ao teto da casa dela. O menino via a hora de o avio cair.
A estrada at o Rio Verde Grande tinha cascalho e poeira. Era gostoso ver a paisagem passar e passava rpido. Ficava em dvida s vezes, se era a paisagem passando ou ramos ns dentro do carro chique de Dezinho. O rio era de fato grande. E caudaloso, pelo menos aos olhos do menino, que desde ento apreciava o canto dos passarinhos e o prazer da contemplao.
No rio j estavam outras pessoas, amigos e amigas de Dezinho, de Rosa e de Ladinha. Os homens saam armados de vara de pescar. Demoravam um tampo pescando e voltavam com dourados dos grandes, traras e surubins. Era um rio piscoso.
Eu disse era porque hoje em dia o Verde Grande j no faz jus ao nome. Deixou de ser verde pra assumir outra cor; grande no mais, e muito menos piscoso. Depois de outras idas e vindas ao rio, o menino virou adulto e nunca mais retornou l a no ser em 1988, quando reprter de jornal, em Belo Horizonte soube que o rio cortou poo pela primeira vez devido ganncia de um empresrio.
Ele fizera trs projetos agrcolas dois de agricultura (algodo e feijo) e um de pecuria de corte. E tomando como exemplo o que vira na Califrnia, instalou 11 pivs centrais de 500m de raio em seus projetos todos s margens do rio. Resultado, quando ele ligava os pivs chupavam toda a gua. Abaixo dele ningum mais recebia uma gota.
Nessa viagem a Jaba, o fotgrafo Eugnio Pacceli foi comigo. Fizemos reportagens denunciando o ato megalomanaco do empresrio. A manchete dada pelo ento editor, Mauro Werkema, foi: Roubo do Rio Verde Grande Revolta a Jaba (Reportagem premiada pela Fenaj Federao Nacional dos Jornalistas). O empresrio ficou p da vida porque passou a ser chamado de ladro de rio.
No dia seguinte publicao da reportagem, o rio voltou a correr normalmente e com o passar do tempo, o empresrio percebeu a burrada feita, pois o Verde Grande no tinha vazo para alimentar 11 pivs como ele vira na Califrnia onde os rios so alimentados pelo derretimento de geleiras. No final das contas, ele quebrou. E ajudou a quebrar a Superintendncia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) que financiou os trs projetos.
A essa altura da vida, ficaram ntidas na memria as imagens de Dezinho e dos amigos dele com dourados e surubins, em pescaria exitosa, e o rio seco devido ganncia de um empresrio igual a muitos responsveis diretos hoje pelo estrago ambiental prestes a comprometer a vida aqui e no planeta.


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Por Alberto Sena - 28/12/2015 09:24:04
Montes Claros vtima de si mesma

Alberto Sena

Ano passado tive de fazer a mesma coisa, fui a Montes Claros atender a exigncia do INSS para fazer prova de vida. Dizer que estou vivinho da Slvia. A no realizao do procedimento acarretar na suspenso do crdito do benefcio, advertia. Um ano j se passou e continuo no entendendo por que Gro Mogol no tem agncia da Caixa Econmica Federal (CEF).
Gro Mogol municpio muito mais velho do que a maioria dos que o cercam e, no entanto, relegado como se uma agncia lotrica fosse suficiente para resolver as questes bancrias. No, no suficiente, tanto no o que tive de me arrancar daqui para fazer prova de vida numa agncia bancria de Montes Claros.
Em Montes Claros, logo cedo, fui CEF na Rua Dr. Santos, l aonde dcadas atrs havia uma casa em estilo colonial, sede do extinto O Jornal de Montes Claros. Precisava me informar sobre o horrio de abertura da agncia. Eram 8h e j havia fila na porta. Informaram-me que o banco abriria as portas s 11h.
Achei que era como em Belo Horizonte, onde os bancos abrem as portas aos clientes s 10h. Resultado, eu tive que ficar perambulando pelas ruas quela hora ainda calmas. Voltei agncia pouco depois das 9h e encontrei uma fila enorme e nela entrei at que fui informado de que para prova de vida o atendimento s 10h.
Entrei na agncia e fiquei na fila prpria dos prioritrios. Enquanto aguardava a recomendao de ir ao andar de cima, fiquei imaginando ali dentro onde ficava a redao do JMC daquela poca, final da dcada de 60, incio da de 70. Vi a sala de Oswaldo Antunes, de Waldyr Senna e Lazinho Pimenta na redao catando teclas. Pude tornar a ver a oficina com o Tio Camura no comando da impressora.
Ali em p, vendo o vaivm de gente, foi como um exerccio de regresso. Por algum tempo, nem sei precisar, me vi ali na porta da casa velha de propriedade do empresrio, poeta/escritor Luiz de Paula Ferreira. Vi-me entrada da casa em conversas com Demerval, Baiano chamado; Rui e Toninho Barbosa, filhos do advogado Orestes Barbosa, ao mesmo tempo em que observava o movimento da rua de ento.
Naquela poca, a Rua Doutor Santos era uma passarela de moas bonitas. Alis, Montes Claros sempre foi lugar de mulher bonita. Essa fama corre o Brasil. Ao contrrio de hoje, naquela poca os carros desciam a rua. O trnsito de veculos era pequeno e no havia os nibus lotao. Potencialmente, sabia-se que a cidade iria explodir, mas ainda oferecia boa qualidade de vida.
Ao deixar a agncia bancria dei de cara com a realidade nua e crua. Posso resumir numa palavra o que vi e ouvi: loucura. H muito no ouvia tanto barulho. Era o motor do carro-forte estacionado porta da agncia; era a disputa de som entre uma casa comercial e outra prxima; era o som do vendedor de DVD pirata; era o ciclista levando uma caixa de som estridente com propaganda (ridculo isso, s aumenta a poluio sonora); eram os palhaos contratados por uma operadora de celular gritando, distribuindo panfletos logo jogados no cho.
Uma loucura, eu repito. Fiquei com vontade de sair correndo para longe dali. Toda essa barulheira somada ao vaivm de transeuntes disputando espao com carros, nibus, motocicletas e bicicletas. Foi prpria constatao do que fora previsto dcadas atrs sobre o futuro de Montes Claros. A diferena a de que, naquela poca, ningum podia imaginar a possibilidade de a cidade tornar-se invivel.
Para fugir do hospcio, quer dizer, da barulheira dali da porta da agncia bancria, onde esperava conduo, desci a Rua Dr. Santos e passei pela Praa Dr. Carlos. Que decepo! E pensar que foi uma das praas mais bonitas de Montes Claros. Fiquei devera contristado. Mas mais ainda fiquei ao chegar Praa Dr. Chaves, chamada tambm Praa da Matriz. Transmudada para pior, fonte seca, mal cuidada. Nem parecia a praa daqueles bons tempos da Escola Normal Professor Plnio Ribeiro, no sobrado onde hoje o Museu Regional do Norte de Minas.
Em determinados pontos da cidade o trnsito se parece com o de certos lugares da ndia vistos em vdeo circulante na internet. A essa altura, de duvidar da eficcia de um plano diretor anunciado pela administrao atual. Ser que vai conseguir pr termo desumanizao da cidade? Montes Claros perdeu o time. vtima de si mesma, isto , de seguidas administraes malfadadas.


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Por Alberto Sena - 18/12/2015 16:24:22
Tesouro no cho da Praa Janjo

Alberto Sena

Hoje de manh, quando ia ao Rodomercado a feira l ficou melhor do que na Praa Beira-Rio, mas precisa de uma disciplina, nada no cho, tudo em bancas e na altura da Praa Coronel Janjo, eu encontrei no cho um tesouro.
Toda pessoa gostaria de encontrar esse tesouro porque muito mais precioso do que o brilho do diamante. Brilha mais do que ouro exposto ao Sol. No me possvel avaliar o valor desse tesouro encontrado no cho porque no se trata de um bem material, mas espiritual. Algo que faz despertar quem s vezes necessita ouvir uma palavra para abrir os olhos espirituais e se transformar para mudar o curso da prpria vida. E do mundo.
Encontrei um envelope bem lacrado com cola, sem destinatrio nem remetente. Nada escrito no frontispcio nem do outro lado. Primeiro olhei quem pudesse t-lo perdido. No vi ningum por perto com cara de quem perdeu um envelope. Certamente, quem o deixou cair ia ao correio ou pode t-lo recebido de algum, em mos, por isso nada nele havia sido escrito.
Apalpei o envelope e pelo tato percebi haver dentro dele papel dobrado, como se dobra o papel de carta. Sem saber a quem entregar o envelope, fiquei diante de duas opes. Uma larg-lo no cho para quem o deixou cair encontrar. Outra era abrir o envelope. Tendo que escolher entre uma coisa e outra, optei por abrir o envelope.
Dentro dele havia um manuscrito datado de 30 de outubro de 2005 s 12h. O papel j estava amarelado pelo tempo. Cinco anos e quase dois meses. Logo de cara identifiquei o manuscrito como uma orao escrita por algum como um verdadeiro desabafo. A caligrafia era de quem nunca havia treinado naqueles cadernos de desenhar letra, seno seria mais fcil de ler o manuscrito.
E por ser eu um reles mensageiro, comparvel a um cano de PVC (o importante a qualidade da gua que jorra do cano) me senti na obrigao de transmitir o contedo do texto, que, se abrir os olhos de uma s pessoa e aliviar o corao de algum, j ter sido importante t-lo publicado.
Por minha conta e risco, resolvi dar um ttulo orao encontrada no envelope:
O TESOURO
Senhor Deus do Universo, criador do cu e da Terra e de tudo existente neles, escutai a minha prece: no me abandone Senhor. D-me uma maneira honesta de ganhar o meu sustento, para que eu possa assegurar a minha sobrevivncia at o final da existncia e tambm assegurar a sobrevivncia dos meus. Peo nem mais nem menos, meu Deus. Peo o equilbrio financeiro, para que eu possa ficar livre das preocupaes materiais e entregar a minha vida ao prximo, principalmente aos mais necessitados. Tome conta de mim Senhor, por inteiro, espiritual, mental e materialmente. Faa em mim a sua vontade. Abuse de mim. O Senhor que cuida de mim desde o meu nascimento no ir me ouvir, agora, que, eu creio, me sinto mais prximo Dele? A minha confiana est no nome do Senhor, que fez o cu e a Terra. Como a corsa suspira em busca de gua, aqui estou suspirando pelo Senhor para que me livre, a mim e os meus, dos infortnios. Amm.
Se me permitem dizer, essa orao encontrada nas circunstncias relatadas me recordou algo sado de livros do escritor alemo, Herman Hesse, Prmio Nobel de Literatura, autor de O Lobo da Estepe, Sidarta, Demian e outros livros de tima leitura principalmente para os jovens.
E por falar em jovens, Herman Hesse considerado o pai do movimento hippie, dentro do esprito paz e amor. Paz e amor deveriam ser os presentes mais cobiados neste Natal de Jesus Cristo. Se quem estiver lendo este texto ao final parar alguns minutos a fim de fazer uma reflexo sobre si mesmo e a qualidade dos seus pensamentos, e tambm sobre o crucial momento vivido pela Humanidade, no planeta em processo de desconstruindo, ser possvel, ento, encontrarmos maneira de construirmos um mundo melhor para os nossos filhos, netos, bisnetos etc.
Paz e amor no surgiro s porque ns os queremos. Como num passe de mgica. Paz e amor precisam ser buscados e praticados concomitantemente numa relao recproca, como numa via de trfego de duas mos, uma vai e outra vem.
Amemos de verdade. Com sinceramente, e seremos amados. Mas um no deve ficar esperando o outro tomar a iniciativa de amar. Tome a iniciativa. Ame. E ento estaremos participando da transmutao do mundo. Para melhor. Seguramente, bem melhor.


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Por Alberto Sena - 14/12/2015 08:17:59
GRO MOGOL
PEQUISOLOGIA; SURGE ESPECIALIDADE NOVA

Alberto Sena
Pequisologia a especialidade de quem se forma pequislogo. Todos ns podemos nos tonar pequislogo. Quem no conhece essa especialidade nova pergunta e respondo alto e em tom bom: pra ser pequislogo o camarada deve saber tudo sobre pequi, o alimento mais rico em vitaminas (em 100 gr de polpa possui 200 mil Unidades Internacionais (UI) de vitamina A), vitaminas do complexo B, gorduras e sais minerais.
O primeiro passo dado por quem se interessar a registrar no currculo mais essa especialidade, gostar de pequi, condio sine qua non. Devemos partir deste princpio, ningum se dispe de boa vontade a se especializar naquilo que no gosta. E se por acaso algum se sujeitar a ser pequislogo sem gostar de pequi, ser semelhante quele obrigado pelos pais a se formar em Direito sem ter a menor vocao.
Evidentemente, um pequislogo formado contrariado nunca ser daqueles de fazer parar o trnsito. Tempos atrs, na safra quase todas as casas de Montes Claros cheiravam a pequi na hora do almoo. Era divertido, e ao mesmo tempo estimulante do apetite. A gente ia passando s portas rumo a casa para almoar e o cheirinho gostoso de pequi penetrava as narinas e batia no fundo do estmago esfomeado.
Voltando nova especialidade, convm informar, um bom pequislogo no pode ter no currculo o registro do uso de garfo e faca pra comer o primeiro pequi. Quem fez isso jamais ser pequislogo daquele de fazer sentir a aproximao do cheiro ao dobrar a esquina.
Para tornar-se bom pequislogo preciso ser, como se diz, filho do pequi. Dizem ser o pequi afrodisaco. No, no . Pequi no contm nenhuma substncia afrodisaca. Afirmo baseado no depoimento do mdico Hermes de Paula, autoridade no assunto. Ele dizia no haver nada disso.
E explicava: o pequi sendo fruto rico alimenta bem o sertanejo. E bem alimentado, ele faz filho um atrs do outro. Na apanha do pequi no serto acontece tambm de amigos, vizinhos e outros embrenharem-se mato adentro e da surgirem namoros, casamentos e nove meses depois os filhos do pequi. Portanto, fundamental ser filho do pequi. E quem quiser saber se o basta fazer os clculos.
A safra de pequi comea no final do ano, ms de dezembro. Faa contagem regressiva. Entrego o meu caso como exemplo. Nasci em setembro. Pelas minhas contas, fui concebido em dezembro, safra de pequi. O meu caso com o pequi foi amor primeira roda.
Na safra, em final de semana, l ia meu pai e eu ao mercado fazer a feira e comprar pequi. Essa poca do ano parece ser a mais completa de todas porque safra no s de pequi, mas de manga e outras frutas de poca. Aqui, em Gro Mogol, a gente pode bem verificar isso. E, claro, aproveito ao mximo, porque comer frutos de poca muito mais saudvel.
Mas o pequi tem o seu lugar em qualquer circunstncia. Com ele no tem meio termo. Ou gosta dele ou no. Quem gosta, ama. Quem no gosta, detesta. Mas preciso haver compreenso, saber da importncia do pequi sob todos os aspectos, no s quanto questo gastronmica.
Pequizeiro no encontrado em todo o Cerrado, embora seja endmico do Cerrado. J foi sacramentado na literatura/poesia/msica/repente etc. Merece estar aonde se encontra, nos pncaros da fama. Tornou-se hoje to famoso que ganhou a 25 verso da Festa Nacional do Pequi.
Do pequi nada se perde. Da castanha branquinha e saborosa se pode fazer uma poro de pratos. Pequi vira licor, doce e no sei mais o qu. At os espinhos tm serventia para espetar a lngua de algum desavisado. Se bem que j inventaram pequi sem espinhos.
De tudo isso e algo mais os interessados na nova especialidade pequisologia devem saber antes de se submeterem ao vestibular. As vagas para o curso novo so pouqussimas. Podem ser contadas nos dedos de uma das mos. S quem tem quatro dedos numa das mos no poder fazer inscrio, em qualquer pequizeiro encontrado no serto.
Ser pequislogo depende tambm do estado de esprito de cada candidato. Quem tiver esprito de porco, no obter xito. Pior ainda ser se o esprito de porco for de porco-espinho, porque bastam os do pequi. Ora, bolas e bolotas!


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Por Alberto Sena - 9/12/2015 15:13:16
GRO MOGOL
PRESPIO MOS DE DEUS FAZ 4 ANOS

Alberto Sena

O Prespio Natural Mos de Deus, de Gro Mogol, completa hoje, 9 de dezembro, quatro anos. Recordo-me do dia em que o construtor da obra, o empresrio Lcio Bemquerer j radicado na cidade ligou dizendo:
- Vem ver a loucura que estou fazendo aqui.
- O que voc est fazendo?
Ele respondeu:
- Um prespio.
Descreveu as propores do prespio, realmente uma loucura. Lcida, claro.
Vivi em Montes Claros at aos 22 anos e j estava em Beag fazia uns 40 anos sem conhecer Gro Mogol, embora desde criana ouvisse falar do lugar infestado do bicho barbeiro quela poca. Vim ver atendendo ao convite dele. Vi Gro Mogol pela primeira vez, e posso dizer, fiquei porque gostei, seno me apaixonei pela cidade. Foi um caso de amor primeira vista.
As obras do prespio j estavam sendo iniciadas quando aqui cheguei. Vi os operrios trabalhando com entusiasmo porque iniciavam uma obra perene, abenoada. Imagino hoje o quanto os operrios devem se sentir orgulhosos por terem participado da construo do prespio. A obra ocupou seis lotes. E antes mesmo de ser concluda em oito meses e 19 dias, j era considerada o maior prespio do mundo.
Na relatividade do tempo, at parece foi ontem quando tudo comeou. O prespio trouxe a Gro Mogol mais de 60 mil pessoas, gente da regio e de todas as partes do Brasil e de diversos pases. Recebeu uma carta do Papa Francisco com Bnos Apostlicas para quem visitou e para quem visitar a obra, isto , para sempre enquanto durar a sade do planeta.
No se tem a menor dvida de que o prespio marcou uma nova era para Gro Mogol. Tornou-se referncia e o principal ponto de turismo religioso. Desperta nos visitantes reaes vrias de emoo e mesmo de pequenos milagres que Lcio Bemquerer admite sem admitir atribuindo tudo f de cada um.
O prespio conta do princpio ao fim a histria do nascimento do Menino Jesus, por meio de esculturas em cimento e pedra sabo. So oito as estaes. Na primeira delas Maria ouve a notcia de que ser me do Salvador ao receber a visita do Arcanjo Gabriel postado no alto de uma pedra.
Evidentemente, a estao mais expressiva a Manjedoura com as esculturas de So Jos, do lado de fora da lapa; Maria e o Menino Jesus, na estrebaria, observado por Rei Mago Gaspar, um boi e um burro a certa distncia. Importante dizer, as pedras enormes da lapa estavam ali h milhares ou milhes de anos espera da pessoa ungida, predestinada, a fazer dali um prespio inaugurado em 9 de dezembro de 2011.
O prespio fez a distncia de Belo Horizonte reduzir. De l veio gente multiplicadora de opinio. E perceptivelmente a obra influi no comrcio da cidade porque virou atrao. Muitos vm a Gro Mogol para conhecer o prespio e conhecem a cidade, usufruem das belezas naturais da regio, embora o contrrio tambm acontea de pessoas virem conhecer Gro Mogol e visitam o prespio.
de se esperar que o prespio, com o passar dos anos, tenha movimento semelhante ao da Lapa do Senhor do Bonfim, na Bahia, seno a afluncia do Santurio de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, interior de So Paulo. O importante que o lugar santo e a cada dia vem sendo santificado mais. A visitao santifica os lugares santos. Por isso o prespio hoje o mais importante lugar santo do Norte de Minas.


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Por Alberto Sena - 2/12/2015 11:34:20
GRO MOGOL
AVE, DONA PALMIRA

Alberto Sena

Admirvel a performance de Dona Palmira na solenidade de posse da Academia Feminina de Letras de Montes Claros. Alm de possuir memria de ali, demonstrou vitalidade de moa nos seus 90 anos, como disse Ivana Ferrante Rebello, doutora em Literatura, em seu comentrio no Facebook. Quanta competncia para interpretar poema to longo. Foram mais de oito minutos.
Dona Palmira eu a conheo s de nome. No tive o privilgio de com ela conviver em nenhum momento. E, confesso, gostaria de conversar com ela, usufruir de sua fala de me, de professora, de escritora. Gostaria de um dia ouvir as histrias dela em volta de uma panela de arroz com pequi e carne de sol, se for do agrado dela.
Como sertaneja, imagino, ela gosta de pequi, e sabe, em 100 gr da polpa esto concentradas 200 mil Unidade Internacionais (UI) de vitamina A. Nenhum outro alimento h que contenha tanta vitamina A, alm de outras vitaminas do Complexo B, gorduras e sais minerais.
Sei Dona Palmira professora de geraes em Porteirinha, cidade bela do Norte de Minas, donde viera morar em Montes Claros. Me do jornalista e escritor Itamaury Teles, que entrou na minha vaga no O Jornal de Montes Claros, dcada de 70. Nunca fui apresentado a ela porque em 1972 deixei a cidade pra viver 43 anos em Belo Horizonte.
Nunca vi interpretao to bonita. De fato recordou-me o tempo de ginsio na Escola Normal Professor Plnio Ribeiro, quando a nossa professora de Portugus, Dona Yvonne da Silveira declamava Jos, de Carlos Drummond de Andrade, e Essa Negra Ful, de Jorge de Lima.
Quanta fora na voz e vigor nos gestos de Dona Palmira. Nunca convivi com ela, mas acho, posso fazer a leitura dela como mulher, me, professora, amiga dos amigos por meio da interpretao do poema. O poema, eu no consegui ouvir o ttulo nem a autoria. Mas em pauta est no o poema, mas a belssima interpretao dela.
Por meio do vdeo na internet, por mim compartilhado to maravilhado fiquei com a atuao dela, acho ter vivido um bom tempo e posso dizer, no comum uma pessoa memorizar um poema desse tamanho. Menos ainda, acredito uma pessoa de 90 anos.
Dona Palmira mulher vivaz. Quem foi aluno dela deve se sentir orgulhoso de ter sido orientado por uma mulher da estatura intelectual dela. Parecia estar em casa e estava em casa com segurana e domnio de toda a situao. Praticamente, prescindiu do microfone. Imagino ser ela mulher de f como a minha prpria me, Elvira de Sena Batista. Alis, todas as mes se parecem quando chegam a certa idade. Dona Palmira so todas as mes juntas.
Aqui, no meu Gro Mogol h quase dois anos, no sossego da caverna ocupada nas dobras da Serra do Espinhao, eu fico a imaginar Dona Palmira na escola desasnando os alunos. Como pesquisadora, imagino-a vivamente interessada em historiar o passado a fim de preservar a memria. Memria que ela possui suficiente para gravar poemas grandes e pequenos.
Fico a imaginar a vitalidade dela em casa, envolvida com os filhos, numa poca em que a ecloso do ouro branco estava ainda por acontecer ou j havia acontecido? em Porteirinha.
Imagina voc, leitor atento conhecedor dessa mulher, o que so mais de oito minutos numa comparao temporal? Faa o teste. Voc vai ficar de olho no relgio acompanhando a passagem de um minuto. Um minuto s vezes uma eternidade. O mundo poder ser destrudo em um minuto, levando-se em conta a quantidade de armas armazenadas pelo egosmo e a ganncia dos povos. Imagine mais de oito minutos, quantas vezes isso poderia acontecer.
Mas Dona Palmira no estava ali pra destruir o mundo. Nada. Muito antes pelo contrrio. Ali, ela estava para demonstrar juventude. A sua garra de viver e de construir. Deve ser ela mulher aprendiz de todo dia, embora carregue na cacunda muita experincia. Aprende com os livros e na prpria escola da vida.
A plateia testemunha da interpretao de Dona Palmira, pelo que o vdeo mostrou, era formada pela nata da intelectualidade monsteclarina. A maioria atenta, no desgrudava os olhos dela e ela, com o vigor de quem grande, gigante at, embora de baixa estatura, poderia seno igualar, superar o gosto de viver de Dona Yvonne, que ascendeu aos cus aos 100 anos.


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Por Alberto Sena - 17/11/2015 08:12:47
GRO MOGOL
MUNDO DE APARNCIAS

Alberto Sena

Antes, muito antes de ser encontrado no mercado em caixas tetrapak, como se d hoje em dia, podendo durar semanas nas prateleiras dos supermercados, o leite era vendido em lates transportados da roa no lombo de cavalos.
O cavaleiro, geralmente um vaqueiro, vendia o leite nas ruas de Montes Claros gritando a plenos pulmes: Olha o leiiiteirooo... Ele no tinha buzina de borracha que faz func func, como fazem em Gro Mogol os vendedores de po em cima de motocicletas.
Tanto chegava suado o cavaleiro como o cavalo. Cada um cheirava mais do que o outro. Era, em realidade, uma mistura de cheiro de leite derramado e de urina do cavalo. Quando o animal urinava, era um jorro parecido com torneira aberta. Quando no vinha acompanhado da obra do bicho parecida com pelotas de minrio de ferro.
Os cheiros impregnavam a cala, a camisa, o chapu e as botinas do vaqueiro. E a partir disso se podia avaliar a higiene na ordenha das vacas. Mas tudo ficava bem com a fervura do leite. Inclusive o risco de ser acometido de aftosa e outras doenas decorrentes. Na poca no tinha outra maneira. Era desse jeito.
As mes deixavam os afazeres e iam para a porta das casas com o vasilhame a fim de comprar leite do leiteiro. Olha o leiiiteiiiro... Esgoelava l fora. O leite era vendido desse jeitim: depois de receber dinheiro e dar o troco, o vaqueiro de mo suja e suada enfiava no lato uma lata de um litro e despejava no vasilhame trazido pela freguesa. Geralmente eram as mulheres. O importante que o leite vendido naquela poca era verdadeiro, in natura.
O leite tinha de ser fervido, logo, seno azedava ou cortava, diziam. E cortava mesmo. Era para ser consumido rpido. A ordenha tinha sido feita de manh cedo e o produto devia ser vendido logo seno era prejuzo na certa para o pecuarista de leite, muitas vezes chamados gigols de vacas, sempre que o preo sofria majorao.
por ser produto perecvel que a gente deve questionar esse leite vendido em caixas tetrapak. Quem dera se naquela poca os pecuaristas tivessem facilidade de conservar o leite. Nessa embalagem agora esto nos oferecendo tambm sucos com gosto da fruta. Um perigo. Por causa disso e de outros fatores conheceremos uma gerao de obesos devido ao consumo de produtos com gosto de fruta, mas veneno a conta gota.
Voltando ao leite, com o surgimento do processo de pasteurizao, o produto podia ficar na geladeira e durava mais tempo. Mas l em casa, me Elvira no deixava de ferver o leite. Mal sabia ela que, segundo o Maratma Gandhi revelao feita em sua biografia leite de vaca acelera o processo de envelhecimento. E mais dizia ele: Leite de vaca para o bezerro.
Evidentemente, sempre pus mais f e confiana nas palavras de Gandhi, a Grande Alma, do que nas palavras de quem disse um dia numa roda de amigos e desatei a rir: Leite de vaca faz crescer cabelos nos ouvidos. Houve quem passasse bom tempo estudando a possibilidade de leite de vaca fazer crescer cabelos nos ouvidos.
Foi quando aqueloutro matutou durante bom tempo sobre essa antes desconhecida propriedade do leite de fazer crescer cabelos nos ouvidos que acabou inopinadamente chegando a uma concluso: Isso s pode ser conversa de bebum. Uma maneira de fazer como os polticos fazem h dcadas, legislar em causa prpria pra no beber leite e enfiar a cara s na cachaa.
No estou aqui contra o consumo de leite. H um ramo da economia e consumidores dependentes do produto e dos seus derivados. Passei por aqui s mesmo porque vi pela janela um homem montado a cavalo. A figura dele me recordou a dos leiteiros dos anos 50.
Quem viveu o perodo e vivo ainda est poder fazer as comparaes com os dias de hoje. As pessoas tomam leite aguado e sucos s com gosto de fruta. As crianas, em sua maioria, conhecem o ovo, mas no sabem da galinha. Comem a carne de boi, mas nunca viram, ao vivo e em cores, um boi. Nem sabem se ele faz mooommm ao mugir.
Sinceramente, no gostaria de nascer hoje neste mundo onde quase tudo parece ser, mas no .


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Por Alberto Sena - 30/10/2015 14:05:08
GRO MOGOL
PRESPIO CAUSA EMPOLGAO EM BH

Foi um encantamento s o resultado da apresentao do vdeo sobre o Prespio Natural Mos de Deus, de Gro Mogol, por parte do seu construtor, o empresrio Lcio Bemquerer, para 15 importantes personalidades influentes de diversos segmentos e principalmente do circuito turstico de Minas Gerais a fim de divulgar a obra.
A apresentao, no Clan Glass Business Tower Hotel, ao lado da Federao das Indstrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), empolgou os presentes e despertou neles o interesse de conhecerem a obra. Em novembro prximo, um grupo deles vir a Gro Mogol a fim de conhecer in loco a grandiosidade do prespio abenoado pelo Papa Francisco.
Beth Pimenta, empresria fundadora da gua de Cheiro e do Hotel Fazenda Capetinga, uma das participantes do encontro disse por meio de telefone celular, diretamente de Belo Horizonte, ter achado o vdeo sobre o prespio muito bom, todos ficaram encantados com a apresentao e se interessaram em ir a Gro Mogol, a fim de conhecer a obra.
Alm dela, tambm viram a apresentao do vdeo, a ex-deputada Maria Elvira, a deputada Luzia Ferreira (PPS), a escritora Tereza Casasanta, autora, entre outros, do livro Criana e Literatura, o presidente do Conselho Administrativo do Minas Tnis Clube, Srgio Bruno Zech, Gilson Siqueira, da diretoria da ACMinas e a diretora de Promoo Turstica da Belotur, Stela de Moura Kleinrath, entre outros. Stela se comprometeu em divulgar, no mbito da Belotur, um kit sobre o prespio distribudo a cada um dos participantes do encontro.
Cada kit composto do DVD sobre o prespio apresentado na ocasio; uma revista com reportagem bastante ilustrativa sobre a obra; a carta do Papa Francisco, com bnos para quem j visitou e para quem ainda visitar a obra; o livro e o CD do poeta e repentista To Azevedo, com a histria completa do prespio; e vrios prospectos comparando o prespio aos pontos de turismo religioso de Ftima (Portugal), Lourdes (Frana) e Caminho de Santiago de Compostela (Espanha).
Foi, segundo Lcio Bemquerer, um encontro dos mais produtivos, iniciativa que ele pretende abraar daqui para frente junto a agncias e operadoras de turismo, de modo a diminuir a distncia entre a capital e Gro Mogol, que alm do prespio possui belezas que o Brasil e o mundo precisam conhecer.


80747
Por Alberto Sena - 26/10/2015 08:19:08
MONTES CLAROS DE QUANDO
OS CES ANDAVAM DEVAGAR

Alberto Sena

Recordo-me, com frequncia, da constatao do meu filho Rahvi, nascido em Belo Horizonte, quando ele tinha uns trs anos de idade e o levei de trem de ferro a Montes Claros. De mo dada com ele amos pela Rua Dr. Veloso rumo ao Centro da cidade. Na confluncia com a Rua General Carneiro, prximo ao Asilo So Vicente de Paulo, vinha um cachorro vira-lata e Rahvi chamou-me ateno: Pai, aqui, at os cachorros andam devagar, no ? Corria a dcada de 80.
Confesso que nunca havia reparado isso. At o ano de 1972, quando de mala e cuia deixei Montes Claros para viver 43 anos em Belo Horizonte, nunca havia reparado que na minha cidade at cachorro andava devagar, de to pachorrenta era a vida na poca. Claro que quando deixei Montes Claros, Rahvi ainda no existia, pois veio luz na dcada de 80. Mas a observao dele foi importante porque de l para c pudemos us-la como termo de comparao para avaliarmos o quanto a cidade cresceu e tambm o quanto a velocidade desse crescimento aumentou o corre-corre da vida diria.
Morando em Belo Horizonte, evidentemente voltei a Montes Claros diversas vezes, mas a maior parte foram visitas, como diria me Elvira, pra buscar fogo. Com o passar do tempo, a cidade sofreu transformaes e muitos nem se deram conta disso. As referncias e os amigos se foram, cada um cumprindo o seu destino, de modo que no tinha mesmo como notar esse crescimento assustador, que fez de Montes Claros uma capital crescente tanto horizontal como verticalmente.
Constatao ao contrrio da que fez Rahvi na dcada de 80, eu pude fazer noutro dia, j morando em Gro Mogol, ao procurar o endereo de uma agncia de publicidade atrs do Parque Municipal de Montes Claros. Qual no foi o meu espanto ao constatar que a cidade havia ultrapassado longe os limites do parque?
Na dcada de 70, entre a cidade e o Parque Municipal havia s mato e a Rodoviria que o prefeito Toninho Rebello mandara construir. No sei se em muito ou pouco tempo, considerando a relatividade temporal, a cidade simplesmente inchou. E se antes at cachorro anda devagar, nas ltimas dcadas os montesclarinos e os ces se deram conta de que era necessrio imprimir velocidade seno ficariam pra trs ou seriam atropelados.
Os lances de Montes Claros de hoje que vemos na televiso no nos do a impresso de ser a mesma cidade. Parece mesmo com uma capital com os seus edifcios mirando as nuvens. O calor quase insuportvel de antes est devera insuportvel hoje porque a cidade virou uma bolha de calor. O calor do Sol refletido pelo asfalto e pelo concreto armado dos prdios, assim como acontece atualmente com Belo Horizonte.
Rahvi adulto hoje. Casou-se e pai de uma linda menina de um ano. Ele certamente nem ir se recordar mais da expresso marcante pronunciada quando menino. possvel que, quando a minha neta estiver com trs aninhos, e se em vez de mim Rahvi a levar pela mo na mesma confluncia de Montes Claros ruas Dr. Veloso e General Carneiro e se acontecer de um co vira-latas surgir de repente, ela, a minha neta, dir justamente o contrrio: Pai, aqui, at cachorro anda em alta velocidade, no ?
O que as administraes anteriores da cidade deviam ter feito h muito tempo, um Plano Diretor para pr ordem na casa, o que s agora vem sendo anunciado pelo prefeito Ruy Muniz. Se bem que o melhor prefeito de Montes Claros, Toninho Rebello tentou fazer um Plano Diretor, mas por motivos que desconheo foi impedido de executar.
Pelo que noticia a jornalista Mrcia Yellow, da assessoria de comunicao do prefeito, reunies neste sentido tm sido feitas discutindo, inclusive, como preservar crregos e nascentes. Aps essa fase de reunies tcnicas sero realizadas reunies com a participao popular. Resta saber se, de fato h tempo de resgatar crregos e nascentes neste torro rido que os ditos entendidos esto augurando um futuro que, particularmente, no gosto nem de pensar.
E por falar nisso, aonde foram parar os rios da nossa adolescncia, como Melo, Lajinha, Carrapato, Pai Joo, entre outros? O Vieira, que nos tempos de infncia passava ao fundo do nosso quintal, e era limpo bem podia ser tratado com carinho, virou cloaca a cu aberto.


80671
Por Alberto Sena - 13/10/2015 15:22:24
REENCONTRO DE LEMBRANAS

Alberto Sena

No via Reinaldo Nunes de Oliveira, da Emater-Minas, Reinaldinho chamado, desde a dcada de 70, quando ele, salvo engano, deixou Montes Claros para estudar Agronomia na Universidade Federal de Viosa (UFV), Zona da Mata mineira onde vivi pouco tempo. Quando nos conhecemos, no sculo passado, Montes Claros era cidade tranquila. Podia-se sair a qualquer hora do dia ou da noite sem insegurana pblica. A violncia e a neura dela se limitavam as grandes cidades, mas j apresentavam sinais do que seria num futuro ento longnquo, hoje presente nu e cru para todo montesclarino constatar.
Somos da gerao Beathes. Vivamos a Montes Claros vibrante dos melhores tempos, quando o Automvel Clube foi construdo ali na Praa Joo Alves e deu mais movimento vida pachorrenta da cidade. E posso at dizer que participei da construo do Automvel Clube porque adolescente fiz cobrana de scios proprietrios inadimplentes por meio duma empresa chamada Zeta Incorporaes, regiamente pago com comisso. Isso garantia a manuteno do jovem a caminho da maioridade.
Reinaldinho, bem mais do que eu, incorporou de fato o esprito dos besouros ingleses, e junto a amigos comuns, era baterista de uma banda. Recordo-me, foi naquela poca quando surgiu o grupo Os Brucutus, com Ricardo Milo, Hlio Guedes (Pato), Joo Batista Macedo, Haroldo Tourinho e Beto Guedes. Este j mostrava a genialidade das canes que faria, como Sal da Terra, verdadeiro hino ao amor e a vida.
Ele, Reinaldinho, tanto quanto eu, vivemos intensamente os dias e as noites de Montes Claros. Tanto tempo depois, reencontr-lo, desta feita em Gro Mogol trouxe-me ele uma avalanche de recordaes. Naquela poca, ningum imaginava o que seria no futuro quando crescesse. No nos preocupvamos com isso. Alis, futuro era algo to impalpvel que nos contentvamos com o prazer de viver o presente.
O lado melhor da vida montesclarina se resumia s horas-danantes nos clubes, poca em que os hormnios se encontravam em ebulio. Automvel Clube, Clube Montes Claros, Max Min, Penturea, Lagoa da Barra no havia maneira melhor de viver seno curtir os ares juvenis com as moiolas atraentes desta cidade.
Reinaldinho deu-me notcias de vrios amigos comuns. Foram boas notcias e notcias no boas de amigos com os quais vivemos naqueles ureos tempos. So os reveses da vida. Quem Deus tenha pena de todos ns.
Em dado momento, Reinaldinho fez a seguinte pergunta: Por onde andar Rosalina Fonseca, tem notcia dela? E foi ento que debulhamos uma espiga de milho de recordaes do quanto ela era de vanguarda. Nunca mais tivemos notcias dela. Recordei-me de t-la encontrado em Beag na dcada de 70. Ele, sim, era amigo dela. Pessoalmente nunca tivemos relao de amizade, mas evidentemente, era mulher cobiada naquela poca em que os montes ainda eram claros e vivamos os melhores anos de uma cidade pacata.
Mas, afinal, a que veio Reinaldinho a Gro Mogol? Ele, como coordenador tcnico da Emater-Minas em Montes Claros estava acompanhado da pedagoga Beatriz Cristina, da Coord. Regional de Bem Estar Social da Emater para tratarem, aqui, do Programa Brasil Sem Misria. A Unidade Regional de Montes Claros cuida de 22 municpios, dentre eles, Gro Mogol.
Segundo Beatriz Cristina, estamos atendendo 1.744 famlias de agricultores distribudas em 20 municpios; as famlias cadastradas receberam ou recebero um fomento no valor de R$ 2, 4 mil para investirem em projetos produtivos que foram planejados junto a tcnicos da Emater.
Os dois, Beatriz e Reinaldinho visitaram o Prespio Natural Mos de Deus. Era noite. As luzes do prespio disputavam brilho com as estrelas. Acompanhei-os pelas rampas dando informaes a respeito de como o prespio foi construdos em oito meses e 19 dias e inaugurado em 9 de dezembro de 2011.
Impressionados, os dois se despediram, uma hora depois de chegar, resumindo o prespio como obra de um predestinado. Quanto nossa amizade antiga, Reinaldinho no foi capaz de resumir em uma hora o que se passara me colocar a par dos acontecimentos montesclarinos sucedidos nesse intervalo de meio sculo da nossa existncia.
Em virtude disso, o amigo ficou de retornar a Gro Mogol noutra ocasio, com mais vagar. Isto , se ele no se perder l onde o vento faz a curva, a fim de colocarmos a nossa conversa em dia.


80615
Por Alberto Sena - 1/10/2015 08:43:31
PAPA FRANCISCO DESMORALIZA O CAPETA

Alberto Sena

O Papa Francisco ainda ser considerado o Papa dos Sculos. Depois de tudo j dito por ele e de tanta polmica levantada, por ltimo, saiu-se com mais esta: no h fogo no inferno. Ora, bolas, diria o poeta Mrio Quintana.
Se no h fogo no inferno, ento muda tudo. Dagora pra frente os montesclarinos, que esto ardendo debaixo de um Sol abrasador, no podero mais dizer: Aqui, t fazendo calor dos infernos. No podero mais, porque o Papa falou, no h fogo no inferno.
E se no h fogo, fiquei pensando com a manga esquerda da camisa, como que ficar daqui pra frente o italiano Dante Alighieri com a Divina Comdia, belssimo livro que deixa a gente de boca aberta, encabulado como que pode um humano escrever livro de tamanha beleza potica e profundidade, mergulhando ao imo desta raa bpede implume. Nele, Dante trata do inferno de fogo.
Muda ou no muda tudo, essa declarao do Papa? Ningum mais vai poder desejar ao prximo arda nos quintos dos infernos seu fdp. E agora? Como que ficaro as coisas? Ento, aquela figura diablica do capeta, como que fica agora se no h fogo no inferno? Evidentemente, no mais ser usada aquela figura horrorosa e abrasadora com um tridente espargindo fumaa pra tudo quanto poros.
O Papa, com toda a sua autoridade papal, vai me desculpar, mas ele no devia chutar o balde assim, a no ser que tenha ido l pra ver com os prprios olhos e sentir o clima do lugar. E adond que iro agora os mitos e as crendices? Ora, com efeito, diria a minha bondosa me Elvira. E agora?
O importante saber quem o responsvel por nos ter incutido esse medo de ao morrermos irmos arder num inferno de fogo. Por que e pra qu ser que fizeram isso com os ditos cristos ao longo dos milnios? Muita gente deve ter problemas psicolgicos e psicossomticos por causa dessa figura mais parecida a um arqutipo.
E querem mais? O Papa disse que Ado e Eva no so reais. Essa declarao dele faz mudar ainda mais as coisas. A gente j ia comear a acreditar que a Humanidade nascera de um casal, Ado e Eva, e vem o Papa e estraga tudo. Essa histria uma mera metfora, pois como que pode um casal gerar essa quantidade de gente, mais de sete bilhes de almas vivas?
E se a gente considerar que a Igreja Catlica j foi hegemnica e se considerava dona de Jesus, vem o Papa e diz que todas as religies levam a Deus. Se ele falasse isso umas dcadas atrs a Terra tremeria do ocidente ao oriente.
Essas declaraes do Papa se parecem com a recente declarao da Nasa sobre a existncia de gua em Marte. Parece brincadeira, os norte-americanos gastaram at hoje fortunas de dlares para descobrir o que a Bblia Sagrada j afirma a no sei quantos milnios as guas do alto.
A vida surgiu na gua, seno no haveria a necessidade de uma bolsa cheia dela pra nos dar a vida. No Oriente Mdio as pessoas sabem retirar gua do ar. Claro que h gua em todo o universo.
Posso estar errado e se o leitor achar que estou mesmo, por favor, me corrija, mas melhor teriam feito os norte-americanos se investissem juntamente a outras potncias, na soluo dos problemas dos humanos na Terra. Isto feito, depois, na minha ignorncia, acho, justificaria investigar o que h ao redor do nosso planeta at os confins das estrelas.
E voltando ao Papa Francisco, ele tem se mostrado simples, to simples ao ponto de substituir o trono por um de madeira, modesto, num claro exemplo compatvel com a sua origem religiosa.
Entretanto, o que mais chamou a ateno foi o comentrio de um internauta sobre essa questo de troca de trono. O que Francisco fez ao optar por um trono de madeira seria, na comparao dele, a mesma coisa de possuir uma BMW e um fusquinha e s usar o fusquinha, mas continua dono da BMW. No sabe ele que o Papa no dono do Vaticano.
No frigir dos ovos comam ovos todos os dias, o alimento mais completo o Vaticano, com toda a sua portentosa riqueza, deixaria Jesus Cristo, ao retornar, ele que no tinha nem aonde recostar a cabea, sem entender o que fizeram do Cristianismo Verdadeiro.


80563
Por Alberto Sena - 21/9/2015 11:56:50
Reencontro no Prespio Mos de Deus

Alberto Sena


O reencontro fora marcado algumas vezes, mas por motivos vrios no acontecera. Entretanto, desta vez, nada impediria o reencontro dos dois amigos fraternais de data longa, de quando jovens se estavam definindo na vida profissional, em Montes Claros. Dois dos fundadores da famosa revista Encontro, com Dcio Gonalves e Konstantin, na dcada de 60. Na poca, a cidade seguia celeremente rumo aos primeiros 100 mil habitantes.
Tanto tempo depois, eles Waldyr Senna Batista e Lcio Marcos Bemquerer se reencontraram em Gro Mogol. O pretexto foi o de conhecer o Prespio Natural Mos de Deus, que em dezembro prximo completar quatro anos, abenoado pelo Papa Francisco.
Waldyr veio de Montes Claros a Gro Mogol neste final/incio de semana, acompanhado de Dizinha Maria Lusa Rodrigues Batista a esposa, tendo como ajudante de ordem o filho mdico Andr Senna. Nenhum dos trs conhecia Gro Mogol.
O reencontro dos dois amigos se deu s portas do hotel Paraso das guas, ali pelas 11h da manh de sbado. As marcas do tempo esto em cada um, inevitavelmente. Ambos realizaram muito durante o percurso de tempo passado desde os embates estudantis em Montes Claros e o reencontro em Gro Mogol, neste sbado.
No d pra citar tanta realizao, mas da parte de Lcio Bemquerer, segundo ele prprio costuma dizer, a maior realizao o Prespio Natural Mos de Deus, o maior do mundo.
Da parte de Waldyr, que durante dcadas atuou primorosamente no jornalismo de Montes Claros, a maior realizao, se se pode ousar dizer por ele, o Colgio So Mateus, no Bairro Todos os Santos, em Montes Claros, com 1.200 alunos, de 1 ao 9 ano, modelo de escola que administra com a educadora Dizinha, numa relao de confiana mtua de meio sculo de casamento.
O teor das conversas dos dois amigos no foi revelado espontaneamente. Nem lhes foi perguntado. Mas no mnimo aguaria a curiosidade saber do que conversaram dcadas depois de um distanciamento provocado pelas circunstncias da vida. Um ficou em Montes Claros praticando jornalismo escorreito. O outro foi para Belo Horizonte onde fez Sociologia na UFMG e foi presidente da Associao Comercial de Minas (ACMinas).
Depois da recepo no hotel, Waldyr, Dizinha e Andr foram levados a conhecer a Matriz de Santo Antnio, a Capela Nossa Senhora do Rosrio e, em seguido, o prespio. At parece que o clima temperado veio por encomenda.
Do prespio, todos foram almoar salmo com alcaparras, arroz, batata saut e salada de verduras, tudo regado a vinho tinto seco da adega de Lcio Bemquerer, e cerveja. Inclusos, Geraldo Fris, do horto da Prefeitura de Gro Mogol, e Delmira Ribeiro, administradora do prespio. O almoo foi servido pela chef de cuisine Slvia Batista, com sobremesa de doce de leite e de limo galego. Tudo uma delcia!
Antes de os trs visitantes irem para o hotel, eles, acompanhados de G Fris, Delmira e a chef Slvia posaram para uma foto tendo ao fundo Herman Melville, o jumento irmo de propriedade do velho Juca, que, pretensiosamente pretende-se internacionaliz-lo, de modo a atrair turistas do mundo inteiro s para sacar uma foto com ele.
O mais importante de tudo foi o prazer de entabular conversaes de alto nvel com os ilustres visitantes e Lcio Bemquerer perpassadas pela poltica nacional, economia, educao, literatura, artesanato, entre outros temas pertinentes, inclusive com boas ideias para soluo da crise nacional. Que na previso mais otimista de Waldyr, dever durar uns cinco anos.
Dizinha, Waldyr e Andr foram recepcionados por Lcio Bemquerer e Delmira Ribeiro, em casa dele, na noite de sbado e na ocasio os dois amigos aos poucos foram pondo quase em dia temas que o tempo conservou nos escaninhos da memria de cada um.
Quanto ao prespio Mos de Deus, Dizinha fez questo de percorr-lo noite, sozinha, a fim de apreciar, com mais vagar a beleza das luzes, que o fazem brilhar feito estrela no firmamento. Ela fez oraes na Manjedoura e na Sala das Preces, dirigidas a Nossa Senhora das Graas.
Waldyr e Andr ficaram devera impressionados com a predestinao de Lcio Bemquerer de encontrar um prespio de tamanha importncia em pleno serto, na linha imaginria que delimita o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha.


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Por Alberto Sena - 16/9/2015 14:31:30
AOS SESSENTA E SEIS

Alberto Sena

Fazer 66 anos no di. Tem cor. Mas indolor. Tem cheiro. Sabor. Perfume. Lume. Mas no di.
Isto eu posso assegurar porque me vejo, aqui, diante de um nmero 6 olhando para o outro 6. Gmeos?! Meia/meia. Isto significa dose dupla. Multiplicao. Isto bom. Acredito.
Gostei do nmero. Posso at brincar com eles. Assim: 6 vezes 6 36; 6 mais 6 12. E assim: 6 e 6; 6 com 6; 6 a 6. Um 6 sozinho. Ou ainda um 6 bem adiante do outro 6, como fazemos, eu e ela, em longas caminhadas, mochilas nas costas.
Se eu viro 66 de cabea pra baixo, 66 vira 99. E, ento, 33 anos antes vejo o nmero de anos que viverei. Quem viver ver. O nmero 33 tem significado grande. Cumpri as duas primeiras partes de 33. Resta a derradeira parte os 33 para completar os 99.
Elucubraes parte, vamos em frente, se possvel, com muita arte. Porque viver, meu amigo (a) arte. preciso ser artista. Da nossa parte, achamos importante o que vamos absorvendo de bom no decorrer dos anos.
O nmero 6 nos transmite uma poro de coisas, dentre as quais a vontade de reler a pea teatral de Luigi Pirandello, intitulada: Seis personagens procura de um autor.
Linda pea. Lida pea.
Boa a bessa. Recomendo.
Estou feliz com os 66. Tudo graas ao bom Deus. Desejo um 66 feliz pra quem de 66. E pra quem aos 66 chegar, antecipadamente, eu felicito. Desejo paz e amor.
Tim-tim... Com vinho tinto seco argentino, chileno, francs, espanhol, italiano e ou, por incrvel parecer possa, de Andradas (MG), da Casa Geraldo.
Paz, sade e alegria de viver. Pra mim e pra voc ou pra voc e pra mim? Melhor assim.


80507
Por Alberto Sena - 8/9/2015 15:32:46
Nasceu no mbito do Facebook uma pgina intitulada Pela duplicao da BR 251. Jonas Antunes, de Montes Claros, que dentre outras muitas qualidades sobrinho de Oswaldo Antunes, dono do lendrio O Jornal de Montes Claros, JMC chamado, criou a pgina e estamos com ele e quem mais interessar possa aliment-la no Facebook.
Pela duplicao da BR-251. A ideia concentrar nessa pgina tudo que acontecer daqui para frente na rodovia, que leva a pecha de uma das malditas do Brasil diante do quadro de sucessivos acidentes que roubam preciosas vidas humanas.
O que mais nos deixa indignados que morrem famlias na rodovia e tudo parece ficar do mesmo jeito, como se nada tivesse acontecido, como se nada mais pudesse ser feito a no ser registrar estatisticamente mais um acidente que a mdia noticia. E pronto. Esse um exemplo gritante da banalizao da vida humana.
O movimento Pela duplicao da BR-251 no tem carter poltico partidrio. Mas um movimento poltico porque a gente sabe que abaixo de Deus a poltica que determina o nosso modus vivendi. a poltica que tem a obrigao de atender o mais breve possvel a nossa exigncia, porque exigncia de uma coletividade, de milhes de pessoas que se utilizam da BR-251 todo dia.
De Gro Mogol, por exemplo, diariamente sai um nibus com estudantes que fazem algum curso em Montes Claros. Os estudantes vo e voltam depois das aulas. Essa turma corre risco diuturnamente porque a rodovia recebe carga pesada sobre o asfalto em muitos pontos esburacados.
No pedimos, exigimos a duplicao da BR-251, j. Daqui pra frente todo acidente registrado naquela importante via a responsabilidade e sempre ser do governo federal, que se mostra omisso diante do quadro avassalador da rodovia.
No podemos mais ficar paralisados diante dos acontecimentos sem tomarmos atitudes. No basta ter vontade poltica para resolver os problemas. necessria ao poltica. Sem desviarmos da meta Pela duplicao da BR-251 vamos nos unir at alcanarmos o objetivo.
A nova pgina foi criada para ser ponto de convergncia de todos os problemas registrados na BR, que leva o nome de Jlio Garcia. No d mais pra ficarmos como espectadores inoperantes. Vamos fazer todo possvel para incomodar o governo federal at conseguirmos a duplicao da rodovia. A meta (o objetivo, a finalidade) : a duplicao j, da BR-251.
S quem depende dela sabe o quanto essa rodovia que corta Montes Claros trouxe de bom e de ruim para a cidade. Por um lado, contribuiu para o seu crescimento, mas por outro recebeu gente dos quadrantes do Brasil, nem todos de boa ndole.
O mais dramtico, entretanto, o que acontece no dia a dia da rodovia que regurgita carretas, cegonheiras, caminhes e carros de passeio. Se por um lado deparamos com motoristas irresponsveis ou movidos a rebites, que fazem ultrapassagens em locais proibidos e causam acidentes como o que se deu dia 5, sbado, por outro lado, a rodovia estreita para a quantidade de veculos que nela trafegam.
H muito tempo a BR-251 j devia ter sido duplicada. No caso particular dos montesclarinos e gromogolenses, todos deveriam se unir nesta pgina para exigir a duplicao da rodovia. Postem fotos e textos sobre ocorrncias registradas nessa rodovia e juntos seremos fortes para, enfim, fazer o governo federal se mexer. Basta de conversas. Queremos aes prticas j. Pela duplicao da BR-251.
J presenciamos vrias cenas que poderiam gerar graves acidentes nessa fatdica rodovia. O mais recente foi semana passada quando retornava a Gro Mogol vindo de Montes Claros. O motorista de uma carreta saiu do posto de gasolina como se no local tivesse um semforo aberto pra ele.
De duas, uma: ou o camarada irresponsvel de nascena e devia estar preso para no pr em risco a vida de ningum, ou ele estava base de rebites, opo mais provvel para explicar a ao dele. Se o motorista do nosso carro no fosse competente, ns teramos nos enfiado debaixo da carreta, simplesmente atravessada na nossa frente.
O motorista pisou no freio e ainda jogou o carro para o acostamento onde ficamos esperando o louco terminar a manobra para seguir em frente. O ar cheirava pneus. E o motorista da carreta ainda esbravejou-nos alguma coisa e fomos adiante certos de que escapamos por um triz. (Visite a pgina "Pela duplicao da BR-251", que em dois dias teve mais de 15 mil acessos).


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Por Alberto Sena - 31/8/2015 08:39:20
SER MONTESCLARINO ...

Ser montesclarino ... Condio para quem nasce em Montes Claros. Mas quem possui ttulo de cidado honorrio tambm pode se sentir montesclarino. E mesmo quem no possua ttulo e tenha nascido noutro lugar pode se sentir de Montes Claros, se de fato e com sinceridade amar e contribuir para melhorar a vida das gentes desta capital do Norte de Minas.
Sei de quem nasceu noutro lugar e porque mora em Montes Claros faz tempo, diz ser montesclarino. Uns negam o prprio torro aonde vieram luz. Claro, h quem faa isso porque ser de Montes Claros confere pessoa mais brilho do que se confessasse ter nascido noutro lugar.
Isto faclimo de explicar. E de entender. que Montes Claros, por ser cidade-polo, pra onde converge gente de todos os cantos do Brasil, possui luz prpria, e, naturalmente ilumina quem mora nesse Arraial das Formigas. Cidade plana, atualmente cresce pra cima.
Montes Claros deu ao mundo grandes personalidades que elevaram o nome da cidade aos pcaros da msica, da literatura e de vrios outros segmentos da vida humana.
Mas o fato de algum ter nascido em Montes Claros no quer dizer que seja de fato montesclarino, se o cidado no possui a garra para defender e gostar da cidade como patrimnio seu. Montes Claros necessita disso, inda mais em momentos to incertos como os tempos prenunciados.
Ser monsteclarino.. gostar de pequi. Ou no. Porque ningum obrigado a gostar de pequi. Quem gosta, gosta. Quem no gosta, detesta. Nem aguenta sentir o cheiro. Mas ainda assim deve ajudar a defender o consumo de pequi. E defender o pequizeiro, naturalmente. O seu abate proibido no territrio nacional.
Por um motivo simples: 100 gr da polpa de pequi contm 200 mil Unidades Internacionais de vitamina A. Alm de outras vitaminas, sais minerais e gorduras. A vitamina A de suma importncia para manter em p o esqueleto.
Pequi, fruto do pequizeiro, alimento forte. Garante sade ao sertanejo. E fonte de renda. Do pequi se pode extrair o leo. Faz-se paoca, doce, licor. O pequi fruto abenoado e por tudo isso mesmo quem no o aprecia deve ajudar a defender o pequizeiro, que no serto vem sendo abatido para virar carvo.
Ser monsteclarino .. Gostar tambm dos demais frutos do Cerrado santurio de fauna e flora sem igual, donde nascem o Rio So Francisco e as veredas que o alimentam. Rio da Unidade Nacional, fadado ao desaparecimento at 2030, segundo estudos cientficos. O Cerrado vem sendo destrudo sorrateiramente por grandes projetos agropecurios.
Ser montesclarino ... Gostar das festas do Divino. ser catop por dentro. E se possvel mostrar-se catop por fora com as vestimentas prprias e as fitas multicoloridas esvoaantes. dar vivas ao Esprito Santo, o Parclito, deixado pra ns por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ser montesclarino ... Gostar de serestas. gostar de gostar de ter nascido em Montes Claros e querer sempre defender a cidade maltratada, coitada, em administraes pblicas passadas. E que no pode cair em mos estranhas. Jamais.
Ser montesclarino ... Exercitar a capacidade de nos indignarmos, conforme recomenda-nos um dos melhores frutos da nossa terra, o professor Darcy Ribeiro. Montes Claros ruma celeremente a caminho do cumprimento de sua vocao prenunciada desde antanho.
Ser montesclarino ... Ser hospitaleiro, mas no bobo como em passado nem to distante, quando gente safada caia de paraquedas na cidade e fazia misrias. Principalmente polticos indignos que so como aves de arribao. Quando (faz bom tempo) principiam as eleies, eles vm; quando (faz mal tempo) acabam as eleies, eles vo.
E no querem nem saber de outra coisa a no ser locupletarem com o dinheiro pblico. Mas com os exemplos do juiz Moro muitos deles esto presos ou com as barbas de molho. Haja molho pra tanta barba.
Ser montesclarino ... Ocupar-se com a preservao da histria e da memria da cidade para que as geraes atuais e as que ainda viro possam valorizar a terra conhecendo o seu passado para construir no presente um futuro mais promissor.
Ser montesclarino, enfim, ... Ser gente, simplesmente. No existe um padro pronto e acabado, mas algumas caractersticas prprias dos antepassados, como carter, tica, honradez... Tudo na paz. De Deus. Se a violncia atualmente amedronta, ela veio de fora, porque a ndole nossa pacfica.
Ser montesclarino ...




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