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Mensagem: Há ontem e hoje Manoel Hygino O Brasil vive tempos aparentemente tranquilos, como seria de desejar para felicidade geral da nação, usando a expressão sobremodo utilizada por aqui. No entanto, é geral e aceita a convicção de que há uma crise, e não é de hoje, nem de agora. A história pode esconder fatos, mas não os anula ou apaga. Os lastimáveis acontecimentos dão razão ao que merece e exige posições seguras. Mais do que nunca, destaca-se o sentimento da ministra Cármen Lúcia na dramática sessão em que se exaltaram André Mendonça e Alexandre de Moraes — discussão que poderia ter conduzido a uma bravata mais declarada entre os dois contendores, cuja desavença é antiga e não ignorada. Cármen Lúcia, a única mineira e mulher na mais alta Corte de Justiça do país, confessou publicamente: “Eu não me perdi, mas experimentei a perdição”. Na realidade, contudo, na Alta Corte quase os participantes perderam a estabilidade, a serenidade e a compostura que naquela Casa sempre se protegeu e ensinou, com decisões sábias e oferecendo melhores itinerários. O ex-presidente da República Michel Temer buscou atenuar o clima tenso reinante; mesmo assim, ficou o racha de desmoralização na mais alta corte da nação. Marco Antônio Teixeira, coordenador de mestrado e doutor em gestão de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, raciocinou que, com a posição assumida no Supremo, “os ministros pensaram mais individualmente, ou em seus blocos, do que na importância que a instituição tem para o país e no papel que eles têm para preservá-la”. Não se esquecerá, contudo, a declaração de Pedro Simon, da velha escola política gaúcha, agora já em seus 96 anos. Repito o seu ponto de vista: “Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional”. Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar”.
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