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10/9/2014 -"...teve até o desfile de um mendigo novo, supostamente drogado, que andou pelo centro, o quarteirão fechado da rua Simeão Ribeiro, completamente nu, exibindo-se". A crescente degradação da Praça da Matriz e vizinhança pede:

»1 - Policiamento mais rigoroso
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           Haroldo Santos    haroldo.bh@terra.com.br

65525
Por Haroldo Santos - 14/1/2011 13:19:37
Montes Claros e seus tipos inesquecíveis

Lalaô foi um "doido", ou pelo menos como tal na época era julgado, que viveu na cidade de Montes Claros entre as décadas de 40 e 60. O seu verdadeiro nome não se sabia, mesmo porque não era divulgado, tamanha a popularidade do seu apelido.
Como ele, vários outros tipos populares inesquecíveis povoaram a vida de Montes Claros naquele período que foi considerado áureo, uma cidade bucólica e romântica, que tinha, entre outras atrações, o famoso Cassino Montes Claros, conhecido internacionalmente pela beleza das mulheres que habitavam "Rendez Vous" gloriosos então administrados com muito orgulho pelas próprias prostitutas, ao contrário de hoje, época dos executivos modernos, quando empresários cafetões e cafetinas requereram para si a atividade de explorar e administrar o lenocínio nas "New Sagitarius" da vida.
Região de pecuária de corte, a cidade tinha também um "comércio nervoso" em decorrência da sua localização estratégica de entroncamento viário entre o sul da Bahia, o Norte de Minas e toda a Região Sudeste, e projetou seu nome além das fronteiras. Quem nunca ouviu falar da famosa Carne de Sol de Montes Claros
Naquele tempo em que as pessoas tinham tempo e espaço para a vida em comunidade, eram comuns os chamados "tipos populares", presentes na história de toda cidade que se prezava.
Nós, que tivemos o privilégio de conhecer a Montes Claros daqueles velhos tempos, assistimos agora à existência de uma cidade sem uma identidade própria, onde o desenvolvimento industrial e o crescimento demográfico não planejado são acompanhados a passos largos por deformidades exuberantes na convivência sócio-econômica e urbanística.
O mundo moderno, dizem alguns, ficou pequeno com o aparecimento da Internet, a grande teia mundial de comunicação, entretanto, na verdade, ficou foi "grande demais" para os "pequenos detalhes" da vida quotidiana. O progresso científico-cultural, as invenções e as descobertas deste final de século, trouxeram soluções para a maior parte das dificuldades da humanidade, mas apesar disso, as cidades deterioram, com um número cada vez maior de problemas que não têm tido solução, e hoje, é praticamente impossível a identidade das comunidades com os seus chamados "tipos populares", tão comuns e indispensáveis à própria biografia das mesmas e qu8e se perderam no redemoinho do crescimento desordenado.
Daí a modesta intenção de tentar retratar nesta despretensiosa crônica alguns episódios pitorescos da vida de Montes Claros à época de Lalaô e seus congêneres.
Lalaô
Lalaô foi uma das figuras mais interessantes daquela época, inclusive pela polêmica em torno de sua própria condição psíquica, uns afirmavam que ele era doido, enquanto outros diziam que ele se fazia passar por doido para viver, sendo na realidade "muito esperto e espirituoso". E a respeito de suas "observações" sempre rápidas e espirituosas existem folclores, e lembramos como exemplo um fato ocorrido na famosa Rua 15, que era a rua do "footing" e dos bate-papos na época. Nesta ocasião, uma jovem senhora da sociedade montesclarense, recém-casada, e já esboçando orgulhosa a sua gravidez, passava pela referida rua quando ali se encontravam proseando um grupo de rapazes com o nosso personagem, e como ele sempre fazia, tecendo considerações diretas e espirituosas sobre todos os transeuntes, ao vê-la passar, não se conteve e exclamou, dirigindo-se à jovem senhora: -Ah. Agora eu quero ver você dizer que não "fez" nada....
Ele sempre tinha uma observação e um enfoque sobre cada pessoa, era um observador nato por assim dizer, e como um crítico mordaz e sempre atento, nada lhe passava despercebido, aguçado que era este seu espírito.
Um dos episódios mais pitorescos de sua história diz respeito exatamente à sua pseudo-condição de doido, o que ocasionalmente o transformava em um sociopata de convívio mais difícil, exigindo da Polícia, nestes momentos, o seu encaminhamento ao Manicômio de Barbacena para a internação e tratamento psiquiátrico, comuns à época.
Na época foi chamado na delegacia o Tião Peba, figura muita conhecida na cidade como seleiro e que exercia também as funções de acompanhante de pacientes que eram encaminhados ao famoso manicômio, e que foi incumbido pelo delegado de polícia de levar o nosso personagem por meio de transporte ferroviário.Tudo acertado, lá se foram os dois. Entretanto, ao chegar ao manicômio conduzindo Lalaô, Tião Peba foi surpreendido pela "engenhosidade" de raciocínio daquele "suposto doido", que disse de imediato ao porteiro na entrada do hospital:- "Olha moço, eu estou trazendo este velho doido de Montes Claros, mas estou deixando ele pensar que é ele quem está me trazendo. Logo que entrarmos no Hospício você trata de trancá-lo logo porque ele é muito perigoso".
Dito e feito, o esclarecimento só se deu algum tempo depois, quando Lalaô já tinha passeado bastante pela cidade, provavelmente tentando conseguir algum dinheiro para a sua pretendida volta, enquanto Tião Peba estava no manicômio tentando ainda se explicar.
De outra feita, num dos períodos de "estabilidade psíquica", e aproveitando seus dotes de pintor de paredes que era, ele foi contratado para pintar um logotipo enorme na fachada do famoso Curtume Montes Claros, uma construção antiga que se localizava no Bairro do Melo e que podia ser avistada de várias partes da cidade. Mas, ao combinar o preço, houve uma diferença de 5 mil reis (moeda da época) entre o orçamento e a oferta feita pelo proprietário. Ele não quis discutir, aceitou em princípio a oferta, colocou a escada no grande paredão que ficava voltado para a cidade e começou a pintar o nome da indústria bem no alto da fachada, em letras garrafais, "CU", e parou na segunda letra o seu trabalho.
Desceu da escada, procurou o contratante e disse-lhe: -Só continuo pelos 30 mil reis.
E não é necessário dizer que ele recebeu o preço integral para continuar bem depressa o seu trabalho, e completar o logotipo que parcialmente escrito denunciava um significado jocoso e não desejado quando avistado da cidade.

500 pelo cadáver
Antigo viajante da década de 40 na região de Montes Claros, oriundo, segundo diziam, de família importante de S. Paulo, este personagem desenvolveu uma grave neurite periférica alcoólica de caráter degenerativo que limitava intensamente a sua deambulação pelas ruas da cidade que antes o havia assistido brilhar nas pistas de dança do famoso Cassino Montes Claros nos seus áureos tempos de moço jovem e elegante.
Sempre trajando ternos bem cortados, sapatos lustrosos e cabelos bem penteados ele se tornou conhecido na cidade nos seus tempos de mancebo garboso, mas as noitadas na boemia e o uso constante de bebidas alcoólicas o transformaram num ancião precoce que levava várias horas para percorrer alguns quarteirões desde o seu barraco próximo à Santa Casa até o centro da cidade onde passava o dia, fazendo o mesmo percurso de volta em outras tantas horas no final da tarde.A sua limitação de movimentos que provocava um andar titubeante e muito lento e as suas feições já carcomidas facultaram-lhe o apelido de 500 pelo cadáver, e quando algum moleque gritava aquele apelido irritante, impotente para se locomover, ele usava a única arma que ainda lhe restava para rebater a zombaria, a sua língua ferina: -"É a ...... da mãe desgraçado, filho da puta".
Viveu assim vários anos, íntegro em uma pseudo-elegância que nunca perdeu, sempre de paletó, ainda que agora todo esfarrapado e sujo, mas sem perder a aparente fleuma que apresentava impecável na juventude, só que mantida ereta agora apenas pela inflexibilidade imposta pelas suas artroses e artrodeses articulares oriundas de sua doença degenerativa.
Manoel 400
Nas décadas de 50 e 60 os quitutes monstesclarenses tinham a participação especial de um personagem pitoresco: Manoel 400. Naquela época de fogões a lenha, as pequenas carroças de lenha que eram vendidas de porta em porta à semelhança do que acontece hoje com os caminhões de gás, precediam sempre à chegada de Manoel 400 que aparecia logo em seguida com o seu machado, sempre bem afiado, para desdobrar (cortar) aquela lenha possibilitando o seu uso no fogão.Tipo imprescindível naquela Montes Claros, ele também se fazia notar pelo seu aguçado "espírito de conquistador" com galanteios gentis, puros e sempre generosos para todas as moçóilas da cidade, e no seu perfil havia uma certa astúcia em "dar ferradas" apontando para os ares com a descrição de objetos hipotéticos e inexistentes e quando a pessoa ou pessoas solicitadas olhavam na direção por ele indicada imediatamente exclamava com um sorriso de vitória nos lábios :-Ô lalaika.
Era tal a sua pureza de espírito que se transformou num tipo imprescindível nos fundos de quintal, e à noite quando os rapazes se reuniam na rua 15 para ver o "footing", ali estava ele misturado aquela sociedade emergente, de banho tomado, cabelo glostorado (Glostora era um popular óleo para cabelos usado na época), com uma camisa de mangas curtas e uma gravata atada ao grosso pescoço de alterofilista (afinal era uma lenhador, o verdadeiro alterofilista), pronto para os seus galanteios e as suas imaginárias conquistas e "flertes".
Tuia
Tuia foi outro tipo inseparável da paisagem cosmopolita da cidade. Ele era um ex-escravo de feições agigantadas, com pés que, sem a limitação dos sapatos que nunca usou, cresceram exageradamente e apresentavam horríveis crostas ressecadas. Suas feições exuberantes, os lábios demasiadamente grossos e a grande projeção do lábio inferior que lhe provocava sempre uma sialorréia abundante, faziam de sua figura um verdadeiro representante dos contos de terror. Era um personagem que habitava "os arrepios e os medos" das crianças montesclarenses da época, que ao vê-lo geralmente apertavam as mãos dos pais com firmeza numa súplica de proteção .
Entretanto ele não era agressivo, e, ao contrário, era incapaz de qualquer ato de rebeldia ou agressividade.O seu lar por muitos anos foi o alpendre da casa em que funcionava a sede do O Jornal de Montes Claros, e ali ele era como um vigia daquela casa, fazendo parte integrante da paisagem da Rua Dr. Santos na velha Montes Claros que, como ele, também já era centenária naquela época.
Requeijão
Outro tipo popular que viveu na mesma época em Montes Claros tinha o apelido de Requeijão, e bastava que algum moleque traquinas o chamasse pelo apelido para que ele respondesse com um verdadeiro rosário de nomes e expressões indeclináveis, tal era o seu vocabulário de palavras impublicáveis.
Naquele tempo os bares típicos da época não ofereciam o conforto das lanchonetes e "fastfoods" de hoje com seus balcões e vitrines industriais resfriados e serviços de produção industrial preparados para o consumismo moderno dos sanduiches e "colas" da atualidade.
Eram instalações comerciais simples, com uma máquina de café e um balcão de madeira com vitrine de vidro e prateleiras forradas de papel manteiga para a exposição protegida dos quitutes regionais: fatias de requeijão e queijo, broas de fubá, bolos, biscoitos fofão, pés de moleque, doces de leite e de coco, todos produtos caseiros da melhor qualidade.
Mas como lembrávamos, era tal a ojeriza do personagem pelo apelido que ele era incapaz até mesmo de pronunciá-lo, e quando entrava num bar com vontade de se deliciar com uma boa fatia de requeijão ele simplesmente apontava para a vitrine dizia:
-Me dá um pedaço desta "desgraça" aí.

Mundinho Atleta
Uma das figuras mais carismáticas e constantes nas rodas de bate-papo do antigo Cafezinho do Zim Bolão, ponto obrigatório de reunião para as fofocas do dia, ele continuou emprestando e a sua presença na esquina do Café Galo, sucessor automático da antiga sede das fofocas montesclarenses. Muito magro ele sempre fez jus ao seu apelido em reverso e era saudado sempre como o futuro prefeito da cidade, fato que rebatia sempre dizendo que o prefeito em exercício era apenas um seu preposto, além do que, importantes mesmo eram as batalhas imaginárias travadas sob o seu comando, que o transformaram num general de 5 estrelas. Mundinho seguiu sua trajetória irretocável de figura imprescindível na história da cidade, uma história cheia de estórias.


Zé Amorim

E o Zé Amorim? Este não podia faltar nestas lembranças porque ele representou para a Montes Claros antiga o que o "Google" representa hoje para o mundo moderno, isto mesmo o "Google", porque ele dava notícia de tudo e de todos, sabia da vida de cada um e tinha aquela linguagem própria e extremamente satírica para descrever cada personagem da cidade. Entrar no Bar Maravilhoso, na Rua 15, correspondia a "entrar" hoje no "Google" para saber das últimas ou de todas as novidades.
Ele era singular, e seu olhar sobre a cidade foi sempre de uma riqueza indescritível, pena que ele não tenha deixado em letras suas palavras ricas na descrição analítica de seu tempo.
E esta era uma característica familiar, pois seu pai, Pedro Montes Claros, e seus irmãos, Tuca, Sinval e Bem Pau Véi, também tinham a língua afiada como uma navalha, que aliás era o instrumento de trabalho do seu pai, que foi barbeiro durante muitos anos e gozava da intimidade dos chamados coronéis da cidade.
Quem daquela época não se lembra de Bem Pau Véi com sua marca registrada de cumprimentar as pessoas: -Êh, leão desgraçado!!!
Alguns até se assustavam com seu jeito abrutalhado quando estava bêbado, e ele sempre estava!
Zé Amorim nunca deixou um freguês sem a sua pitada sarcástica de gozação, ou pela frente ou pelas costas, ele sempre dava seu diagnóstico.
Os irmãos Zacalex, gregos que vieram morar em Montes Claros, também sofreram suas gozações. Eles freqüentavam o sanitário do bar geralmente após o almoço para se aliviarem, e o Zé começou a notar um certo entupimento no vaso sanitário logo após o uso por um deles. O Zé que "não deixava por menos", resolveu dar o troco na hora certa, e numa das vezes que o Zacalex chegou e pediu a chave do sanitário o Zé foi logo retrucando: -Ô meu irmão, vou lhe dar a chave e você pode usar o vaso, mas vê se você "bitola", tá?
Também corria uma história sobre o Zé que morava na época no Bairro Roxo Verde em uma avenida movimentada que fazia a ligação para o Alto de São João. Numa tarde ele estava sentado em frente à porta da casa, onde seus animais viviam em total liberdade, gatos, cachorros, galinhas, etc..
Em determinado momento uma carreta carregada com sacos de semente de algodão atropelou e matou uma das suas galinha e aí o Zé ficou "macho" com a situação e disse:
-Isto não ficar assim não!
Imediatamente pegou a sua moto, uma Harley Davidson, e partiu atrás daquela jamanta que logo foi alcançada, e aí o Zé foi logo mandando o motorista parar para tirar satisfação com ele.
Mas ao parar a carreta o motorista se apoiou com o braço sobre a janela e o Zé viu se descortinar uma bíceps que mais parecia um quadríceps de tão forte, e o motorista perguntou:O que que foi, meu irmão?
O Zé, que nunca foi bobo,tratou logo de resolver bem a situação e perguntou ao motorista:
-Quantas toneladas o senhor está levando aí?
Ao que o motorista respondeu: -40 toneladas!
O Zé então finalizou: -Ah! Eu bem que havia calculado certo, porque a minha galinha ficou só a plastra lá no chão! Boa viagem para o senhor!
O irmão do Zé, o Sinval Amorim, de certa feita, tinha um dos seus apartamentos alugados a preço muito baixo no prédio que tinha o nome do seu pai, Edifício Pedro Montes Claros, e resolveu reaver o imóvel alegando necessidade de morar nele, mas a inquilina se recusou a sair do imóvel e como a justiça sempre foi muito morosa, foram anos e anos nessa pendenga judicial. O Sinval diariamente ia até à frente do apartamento, que ocupava o segundo andar, via a inquilina na janela e dizia;
-Vocês estão vendo aquele apartamento ali no segundo andar? Ele não é meu não, ele é daquela Filha da Puta que está lá na janela!...
Como estas várias outras figuras lendárias do verdadeiro folclore popular desfilaram sua importância social e porque não dizer cultural urbana, criando verdadeiros mitos dentro da comunidade e não serão esquecidas nunca por esta comunidade que sempre soube prestigiar estes valores antropológicos.
Este mundo aparentemente artificial, povoado de imagens irreais, fazia da vida da comunidade montesclarense uma verdadeira peça teatral, repleta entretanto de veracidades palpáveis, onde todos eram parte integrante do elenco deste imenso teatro real de figuras fantásticas, e fazia da cidade uma verdadeira escola de convivência urbana.
Montes Claros já não é aquela cidade de antanho, e hoje desvirginada pelo progresso já não há lugar para estes "pequenos grandes momentos" de pura poesia cultural e antropológica.
Quintuplicada em tamanho e número de habitantes já não há mais espaço nem tempo para uma parada no Bar Maravilhoso para saber das novidades nem tempo para as sábias reflexões daqueles montesclarenses inesquecíveis.
Parece que os ponteiros dos relógios já não se contentam com sua antiga rotina de velocidade circular e cederam lugar para relógios digitais, sem ponteiros, que parecem comandar o tempo mais depressa Esta era a Montes Claros daquela época, povoada de histórias e estórias, e como essas muitas e muitas outras ainda estão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de viver na Montes Claros do Velho Mercado Municipal, do antigo Cassino Montes Claros, da movimentada Praça de Esportes, do footing da Rua 15 e da Praça Cel Ribeiro e das famosas Horas Dançantes que fizeram o embalo dos montesclarenses naqueles tempos.
Velhos tempos! Grandes lembranças!


64259
Por Haroldo Santos - 2/12/2010 12:40:45

Centenário de nascimento de Mário Souza Santos - 29 de Novembro de 1910/2010

(Haroldo Alfredo Santos, filho, médico nascido em Montes Claros e residente em Belo Horizonte)

Com o sol ainda dormindo, ele já estava acordado para a labuta diária. Essa foi a rotina de vida de Mario Souza Santos, nascido em Caculé, Bahia, em 1910, mas "montesclarense da gema" como ele mesmo se identificava pois aqui chegou ainda jovem, aos 19 anos, no início de 1929, depois de uma curta passagem pela cidade de Porteirinha, e aqui se estabeleceu e residiu durante toda a sua vida.
Chegou como tropeiro, mas este foi só o início da sua jornada, porque lá dentro de si ele nunca deixou morrer uma vocação inata, ser fazendeiro. E foram precisos os estágios de comerciário (como balconista) e comerciante (proprietário da loja “A Branca de Neve”) para atingir o objetivo perseguido, a aquisição de terras que iriam formar as suas propriedades rurais, estabelecendo-se assim uma identidade que o acompanhou por toda sua vida, nos ajeitos e nos trejeitos.
Conhecia a terra como poucos e parecia ser um verdadeiro cúmplice a serviço da mesma, e foi assim que ele verdadeiramente se realizou e é assim que ele é reconhecido entre seus pares, um fazendeiro daqueles que não se fazem mais, daqueles que são considerados fazendeiros poéticos pela nova safra de fazendeiros empresários.
Seu Mario Santos, como era conhecido no Sertão Montesclarense, foi um homem sem vaidades, dedicou toda a sua vida ao trabalho e à família, e foi um verdadeiro exemplo de honradez, representando com dignidade a antiga assertiva de que um “fio de bigode valia mais que uma assinatura”. Sempre enfrentou as dificuldades como se fossem naturais, como se fizessem parte da vida, como obrigações a cumprir. Viveu o seu tempo numa luta silenciosa em que teimava manter os valores e diretrizes cunhados ao longo da vida e a teimosia sempre foi uma faceta do seu caráter porque era honesta e saia lá do fundo do seu coração. Mesmo porque nunca foi homem de aventuras e por isso mesmo teimava, e preferia não se aventurar muito em novidades, era teimoso inclusive nas suas idéias.
Foi sim um conservador, o que não o desdoura. Conservou, com sabedoria, os ensinamentos aprendidos a duras penas nas intempéries da vida e dizia sempre que nunca recebeu nada feito, mas por fazer. Tornou-se conhecido em várias regiões de Montes Claros e municípios vizinhos, os quais também conheceu palmo a palmo, no lombo de seus animais que considerava quase de estimação, tamanha a identidade com os costumes do campo (lembro-me de uma “besta” que era chamada de Morena, e que era a menina dos seus olhos, seu verdadeiro Rolls Roice).
Nas suas viagens ia conhecendo fazendas e fazendeiros de cada região com os quais se identificava e se tornava amigo, e mantinha um orgulho velado deste vasto conhecimento geográfico regional. Ele foi sempre um curioso e aprendeu a fazer de tudo um pouco, foi um autodidata.
Na minha longa convivência de filho eu tive um privilégio que na época de adolescente interpretava como obrigação: fiz muitas viagens com ele entre fazendas ou mesmo pelos pastos, em vistoria do gado e das terras, e viajava horas a fio perguntando sobre tudo que via ou que passava por nós, numa verdadeira “catilinária” rural.
Lembro-me de quando, ele montado em seu cavalo de nome Prateado e eu no meu cavalinho de nome Chumilim, íamos para a Fazenda Riacho do Fogo e lá chegávamos ainda com o orvalho sobre a grama e as folhagens, para ele começar a sua labuta diária.
Como era difícil para mim naquela época acordar de madrugada para acompanhá-lo, mas esta era a sua rotina e eu tinha que entrar nela. Não se conseguia vê-lo parado, tamanha a sua energia, e foi a sua experiência, esculpida no trabalho árduo e perene, que o transformou numa referência em toda a região. Era incansável em sua luta e labuta e eu não me lembro mesmo da palavra cansaço em toda a sua vida.
Nos currais aguardava o fim da ordenha para a vistoria do gado, quando aproveitava para curar gabarros e bicheiras, castrar novilhos e potros, tosar crinas e orelhas, marcar e vacinar novos animais. Depois dos currais vinha a vistoria dos pastos, das cercas, das aguadas e das roças plantadas e por plantar, milho, feijão, arroz, algodão, mandioca, etc.
Na Fazenda Riacho do Fogo uma das suas realizações, e certamente a de que mais se orgulhou, foi ter colocado água potável e encanada, sem o uso de nenhuma bomba hidráulica ou "carneiro", idealizando e realizando pessoalmente todas as fases do projeto, desde a captação até a distribuição por gravidade.
Sempre foi um polivalente e eu me orgulho de ter sido o seu companheiro em muitos momentos, atrapalhando algumas vezes, ajudando outras, mas sempre aprendendo alguma coisa ao seu lado. Atravessamos juntos muitas estradas barrentas com chuva escorrendo pela aba dos nossos chapéus, gotejando na ponta do nariz e descendo pelos lábios sedentos pelo calor do sertão.
Que saudades! Coisas simples, não é? Mas nelas, o segredo da vida se resume. São nelas que encontramos os momentos que nos marcam pelo resto de nossas vidas.
Ele foi um fazendeiro que marcou a sua época como um carvalho de raízes profundas e inabaláveis, entretanto, por detrás deste fazendeiro cunhado em têmpera de aço existia um outro homem, o pai, aliás, pai e mãe, porque depois de 8 anos de vida matrimonial harmoniosa e feliz com a esposa e os 3 filhos, ele sofreu o revés do destino perdendo a companheira inseparável que a doença inexorável ceifou precocemente.
Apesar da grande perda ele não se deixou abater e imbuído agora de responsabilidade dupla, cuidou de dar conta do recado, exercendo as funções de pai e mãe. E nunca se dobrou perante as dificuldades e na sua simplicidade procurou ensinar a vida numa dedicação quase obsessiva.
Nunca precisou de muitos afagos para demonstrar o seu carinho e na rigidez de sua postura transmitiu sempre a sinceridade do seu amor paterno conseguindo com seu trabalho, ensinar a trabalhar, com sua honestidade, ensinar o caminho, com sua dedicação, ensinar o amor e com sua simplicidade, ensinar o mais importante, o verdadeiro sentido da vida.
Foi sempre assim, um pai rígido mas um pai verdadeiro, um exemplo, o melhor que poderíamos desejar e talvez, e por isso mesmo, a vida lhe foi tão pródiga, permitindo-lhe esta verdadeira metáfora de sua vida no campo, simbolizar a árvore, onde ele simboliza o tronco e tem nos seus descendentes a copa frondosa com suas folhas e frutos.
Hoje aqui estamos reunidos para prestar-lhe esta homenagem póstuma, ainda que singela, numa demonstração de gratidão pelo seu exemplo de vida e dedicação, e agradecemos a Deus a oportunidade de fazê-la. Temos a certeza de que Deus, na sua bondade, está lhe restituindo o que por merecimento lhe é devido, e nesta oportunidade de reviver num relance fatos marcantes de sua vida marcante simbolizamos esta parábola perfeita que sintetiza uma vida completa.
Esta breve história de vida é a tentativa de trazer à nossa presença a aura de sua lembrança nestes momentos de saudade, saudade que é a doce presença da ausência e lembrança que é a doce presença da imagem que ficou para sempre nos nossos corações.
Querido pai, que Deus o tenha ao seu lado, neste lugar conquistado pela história de vida que você nos legou como a maior e melhor herança.
Você foi o nosso herói!...Saudades imensas!...




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Revelado na Alemanha que Adolf Hitler iniciou iniciou as batalhas da Grande Guerra sob uso de drogas, receitadas por seu médico

24/06/17 - 11h
M. Claros teve frio de 15 graus entre 4 e 5h desta manhã de São João. O sol voltou, e a previsão é de máxima de 27 graus hoje

24/06/17 - 10h
Especialistas divulgam quantas horas cada pessoa deve dormir, de acordo com a idade. Consulte o seu caso

24/06/17 - 9h
Manchetes dos jornais: “Polícia Federal conclui que áudio de diálogo de Temer não foi adulterado” - “Parte do FGTS será retida para governo economizar no seguro-desemprego” - “Diabetes – quatro vezes mais letal que Aids”

24/06/17 - 8h
Governo admite estudo para uso do FGTS como seguro-desemprego

24/06/17 - 7h
Polícia Federal vai entregar ao STF, segunda-feira, laudo que concluiu: gravação entre Temer e Joesley Batista não foi adulterada


23/06/17 - 18h
10ª rodada movimenta o Brasileirão neste fim de semana de São João

23/06/17 - 17h
Formada por Dedé e Manoel, zaga titular do Cruzeiro só deve estrear em julho

23/06/17 - 16h41
Filmagem sobre o Báltico mostra estranhamento entre caças da OTAN e da Rússia, com exibição ostensiva de armas

23/06/17 - 16h
Atlético perde dois jogadores por lesão; adversário de domingo é a Chapecoense

23/06/17 - 15h
Atriz Isis Valverde leva “bronca” em página do Detran por postar foto com pernas cruzadas no colo do namorado

23/06/17 - 14h
Cadastramento escolar 2018 termina hoje em Minas e deve ser feito pela internet

23/06/17 - 13h
Manchetes dos jornais:“STF valida delação da JBS, e Fachin fica como relator” - “Fachin dá cinco dias para Janot apresentar denúncia contra Temer” - “Delação da JBS é validada, e Temer deve ser denunciado”

23/06/17 - 12h
M. Claros tem segundo dia nublado, frio de 16 graus (às 5h) e ventos de 17 km. Dia hesita em crescer - e o sol permanece entre 06h24/17h32

23/06/17 - 11h27
Trecho da BR 135 entre M. Claros e Curvelo passa ao controle da PM. Polícia Federal cuidará das BRs 251 e 365, em direção à Rio/Bahia e Pirapora

23/06/17 - 11h02
"Mexer nisso é como mexer em caixa de marimbondos"

23/06/17 - 11h
Avião da FAB sofreu pane depois de decolar de Brasília. Nele, entre outros, ia o ministro Gilmar, após deixar tensa reunião do Supremo

23/06/17 - 10h47
Os assaltos. Na Avenida Afonso Pena, centro, tomaram malote de banco. Em bairro afastado, levaram ouro, celular e ferramentas

23/06/17 - 10h
Fogo começou no freezer. Pior incêndio da Inglaterra (desde a Segunda Guerra Mundial) teve origem em aparelho dos anos 2006/2009

23/06/17 - 9h
Derrota em jogo fraco faz Cruzeiro se afastar do G6 do Brasileirão

23/06/17 - 8h
"Maioria do Supremo barra tentativa de anular delação da JBS"- resume manchete espanhola sobre a votação de ontem no STF

23/06/17 - 7h
EUA suspendem importação de carne bovina fresca do Brasil. Indústria culpa reação à vacina de aftosa pelo problema


22/06/17 - 18h
Cruzeiro enfrenta a Ponte Preta hoje e desafio é jogar bem e vencer. A 98 FM vai transmitir o jogo às 19h30

22/06/17 - 17h
Quina de São João sorteará 130 milhões de reais no sábado. Prêmio não acumula

22/06/17 - 16h23
"O relator Álvares Cabral da Silva entendeu que o valor fixado em primeira instância foi baixo frente aos danos sofridos pela vítima, que acabou se mudando de Montes Claros em decorrência da agressão"

22/06/17 - 16h
Cardeais conservadores voltam a criticar o Papa por abertura da Igreja a divorciados

22/06/17 - 15h
Presidente do Atlético garante continuidade de Roger Machado no comando do time

22/06/17 - 14h
Cruzeiro terá desfalques no jogo de hoje contra a Ponte Preta. A 98 FM transmitirá a partida às 19h30

22/06/17 - 13h
Sobe para 22 o número de mortos no acidente entre ambulâncias, ônibus e carreta, em Guarapari

22/06/17 - 12h
M. Claros tem manhã nublada, temperatura de 21 graus e ventos de 25 km. Nada disto foi antevisto pela meteorologia

22/06/17 - 11h19
"Quinze policiais rodoviários federais e quatro empresários são presos em Minas"- divulga a Agência Brasil

22/06/17 - 11h
Salvamento de elefantinho (que se afogava) por elefantes adultos é imagem que corre pela internet e emociona o mundo

22/06/17 - 10h
Manchetes dos jornais: “STF indica que confirmará delação de Joesley Batista”- “STF sinaliza que, no fim, pode rever acordo de Joesley” - “Advocacia-Geral da União pede bloqueio de bens do Grupo JBS”

22/06/17 - 9h
Entre as 50 cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil, Minas tem 4 (BH, Juiz de Fora, Uberlândia e Uberaba). M. Claros não é citada

22/06/17 - 8h
Com o empate de 2 a 2 contra o Sport, Atlético volta a decepcionar no Independência

22/06/17 - 7h
Supremo Tribunal Federal vai retomar hoje votação para que Fachin continue como relator do caso JBS


21/06/17 - 18h
Galo receberá o Sport, hoje, em busca da 2ª vitória seguida no Brasileirão. A 98 FM vai transmitir o jogo às 21h45

21/06/17 - 17h
Cruzeiro volta a jogar amanhã pelo Brasileirão e deve ter novidades

21/06/17 - 16h
Sorteio de hoje da Mega-Sena paga 26 milhões de reais. (Um ganhou, com os números 01 - 9 - 24 - 38 - 48 - 49)

21/06/17 - 15h34
"As festas de junho não combinam com corrupção"

21/06/17 - 15h
9ª rodada do Brasileirão tem 6 jogos hoje e outros 4 amanhã

21/06/17 - 14h
Inverno começa com previsão de El Niño de baixa intensidade

21/06/17 - 13h
Técnico escala Ralph e mantém Atlético com 3 volantes, hoje, contra o Sport. A 98 FM vai transmitir o jogo às 21h45

21/06/17 - 12h
Manchetes dos jornais: “STF adia caso Aécio e manda Andrea para casa” - “STF decide hoje se Fachin permanece com caso JBS” -“Temer orientou divisão de verba desviada, diz Funaro”

21/06/17 - 11h20
Medo na área rural: "... estava outra vítima, uma mulher de 79 anos, acamada, tendo ela implorado que não adentrasse uma vez que sua irmã é doente e podia passar mal; neste momento uma outra vítima,(...), um homem de 70 anos, também pediu para..."

21/06/17 - 11h
Brasil supera Venezuela e México e já é o maior produtor de petróleo da América Latina

21/06/17 - 10h18
Salinas, a 218 km de M. Claros, teve madrugada de medo. Cerca de 10 homens, armados de fuzis, atacaram prédios da Caixa Econômica e do Banco do Nordeste. Fugiram pela Rio-Bahia

21/06/17 - 10h
Anvisa diz que vai recomendar veto ao projeto aprovado pela Câmara Federal que libera emagrecedores

21/06/17 - 9h
Hoje, o menor dos dias: luz solar entre 6h23m e 17h31m. Fez 16 graus às 5h, e a previsão é de 15 amanhã e 14 sexta

21/06/17 - 8h
Vacina contra HPV passa a incluir meninos de 11 a 15 anos incompletos e transplantados

21/06/17 - 7h
Agropecuária ajuda e Brasil abre 34 mil empregos em maio. Já o comércio fechou vagas


20/06/17 - 18h
A um ano da Copa do Mundo, somente Brasil, Rússia e Irã já estão garantidos

20/06/17 - 17h
Bancos têm 1,2 bilhão de reais do PIS à espera do saque de trabalhadores até 30 de junho

20/06/17 - 16h54
1ª Turma do STF, por 3 votos a 2, decidiu pela prisão domiciliar de Andrea Neves, do primo Fred e do assessor de Zezé Perrela. Prisão, ou não, do senador Aécio ficou para ser decidida em nova data

20/06/17 - 16h
Goleiro Fábio pede “menos ódio e mais sabedoria” a torcedores do Cruzeiro

20/06/17 - 15h
Minas tem 119 casos confirmados de chikungunya em 2017. Bocaiúva registra morte por dengue

20/06/17 - 14h05
"Nesse momento, porém, defiram-me um conselho: sejam bons, e que suas atitudes se inspirem na grandeza dos corações e na pureza dos gestos”"

20/06/17 - 14h
Cazares chega a 16 gols no Atlético e fica perto do 2º lugar entre os artilheiros estrangeiros do clube

20/06/17 - 13h
Supremo julgará daqui a pouco o novo pedido de prisão preventiva de Aécio Neves

20/06/17 - 12h
Manchetes dos jornais: “Polícia Federal conclui que houve corrupção no caso Temer” – “Para Polícia Federal, houve corrupção no caso Temer e Loures” - “Caixa cancela crédito para casa própria de novo”

20/06/17 - 11h
16 graus na madrugada de hoje, a um dia do Inverno, no calendário oficial. São as duas noites mais longas entre nós

20/06/17 - 10h
Jardim São Luiz, 10h da noite. Quatro assaltantes chegam de moto e tomam tudo de estudante, que fica descalço. (Na saída da cidade, mulher participa de assalto)

20/06/17 - 9h
Técnico acredita que atuação contra o Grêmio dá a certeza de que o Cruzeiro pode crescer no Brasileirão

20/06/17 - 8h
Caminhão e Fiat Siena batem de frente e pegam fogo, perto de Pirapora, na BR 365. Morreram os 4 ocupantes do veículo menor

20/06/17 - 7h
Caixa invoca falta de recursos e suspende novamente a linha mais barata de financiamento para imóveis de até 950 mil reais


19/06/17 - 18h
Se vencer o Grêmio hoje, Cruzeiro chega ao 4º lugar no Brasileirão. A 98 FM vai transmitir o jogo às 20h



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