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montesclaros.com - Ano 25 - segunda-feira, 17 de junho de 2024

Cobra píton é capturada a 203 quilômetros de M. Claros e vira celebridade. É da maior espécie do mundo, natural da Ásia e da África. Mata como a sucuri e jiboia, apertando suas presas

Segunda 20/03/23 - 8h36

Uma cobra píton com cerca de 3 metros de comprimento, nativa da Ásia e África, foi capturada em Carbonita, no Vale Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Há duas semanas, a serpente foi flagrada por moradores próximo a uma caverna, e neste domingo (19), uma equipe de resgate animal, composta por dez pessoas, conseguiu capturá-la.

A cobra, agora com status de celebridade, será levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA em Belo Horizonte.

Apesar de não ser venenosa e não apresentar riscos ao ser humano, a píton pode causar desequilíbrio no meio ambiente, pois não tem predador natural, isto é, não tem inimigo natural, e tem facilidade de procriar.

A píton pertence à família Pythonidae, um grupo de serpentes grandes e não venenosas que matam suas presas por constrição, assim como fazem as sucuris e jiboias.

Ela não ataca os humanos por natureza, mas podem morder e se contrair ao se sentirem ameaçadas.

Embora não sejam venenosas, grandes pítons podem causar ferimentos graves.

***

Jornal Estado de Minas, de BH:

Cobra que veio da Ásia causa medo e pânico em cidade mineira

Cobra píton foi capturada no Vale do Jequitinhonha depois de provocar apreensão na região por mais de 15 dias
Luiz Ribeiro

Medo e pânico, tendo como causadora uma espécie oriunda do outro lado do planeta. Esse foi o clima vivido por mais de 15 dias no município de Carbonita, no Vale do Jequitinhonha. O motivo de tanta apreensão foi uma cobra píton, de origem asiática, capturada na região na manhã do último domingo (19/3).

A serpente foi encontrada por uma equipe de resgate de animais do Centro Universitário Uni-BH e levada para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Belo Horizonte, onde chegou na tarde desta segunda-feira (20/3).

A assessoria do Ibama informou que, como não se trata de uma espécie da fauna brasileira, a píton, que tem cerca de 3 metros de comprimento, será encaminhada para um criador particular, ainda não definido.

A cobra começou a provocar apreensão na região desde a tarde do dia 5 de março (um domingo), quando foi vista pela primeira vez pelo professor Adilson de Paulo Ventura, às margens do Rio Araçuaí, na zona rural de Carbonita.

Adilson, que também diretor da Escola Estadual Mestra Aurora, de Carbonita, conta que estava passeando no local, a 300 metros da ponte sobre o rio (da MG 401, estrada Carbonita/Itamarandiba), quando encontrou e filmou “a cobrona”.

O professor, que foi avisado da presença da espécie por outras pessoas que estavam no local, relata que, ao ser encontrado, o réptil estava “dormindo”. Mas, passado algum tempo, acordou e começou a se movimentar.

“Percebi que não era uma espécie de cobra da região. Não imaginei que fosse uma píton. Pensei que fosse uma jiboia ou uma espécie de sucuri”, afirma Adilson, que filmou e divulgou o vídeo sobre o animal, postado, inicialmente, em um grupo de pescadores da região. Logo, a gravação viralizou nas redes sociais.

Na noite do mesmo dia, o morador de Carbonita pesquisou na internet e com ao auxílio do professor de biologia Luis Paulo Sant`anna, constatou que a cobra que encontrou e filmou à beira do Rio Araçuaí era uma píton.

”Também chegam à conclusão de que, como se trata de uma espécie da Ásia, a cobra foi solta na nossa região por algum criador clandestino”, relatou o professor.

Ele disse também que assim que o vídeo viralizou, foi espalhada notícia falsa em grupos de WhatsApp de que a cobra vista no Araçuaí tinha 10 metros de comprimento, gerando medo e pânico no município de Carbonita, sobretudo na zona rural, com os moradores com medo do ataque da cobra a animais domésticos.

O professor Adilson Ventura afirmou que, para desmentir as fake news, gravou outro vídeo, tentando tranquilizar a população de que a píton vista no Vale do Jequitinhonha, na verdade, media entre 3 e 4 metros de comprimento, explicando também que o animal não ataca seres humanos. Mesmo assim, não conseguiu impedir o medo provocado pela notícia falsa junto aos moradores.

Espécie invasora causou desequilíbrio na Flórida
Por outro lado, ambientalistas e biólogos alertaram que a píton, embora não seja venenosa e não represente riscos ao ser humano, pode causar desequilíbrio ecológico, por não ter um predador natural.

Inclusive, algumas dessas serpentes procriam sem a necessidade de cruzamento. Então ela pode procriar sem precisar ter outra", explicou Eduardo.

Os especialistas levam em consideração o que ocorreu no Everglades, área pantanosa do Sul da Flórida (EUA), onde houve a entrada de cobras píton na década de 1970. Anos depois, as serpentes se tornaram uma praga na região alagadiça, destruindo outras espécies da fauna e causando desequilíbrio ambiental.

Adilson Ventura conta que, visando impedir qualquer tipo de desequilíbrio ecológico na região, acionou as autoridades ambientais sobre a presença da “espécie invasora” no Rio Araçuaí. Acabou sendo formada uma força-tarefa, com várias tentativas de captura do animal oriundo do continente asiático.

Inicialmente, representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Carbonita foram até o rio Araçuai, mas encontraram apenas vestígios da píton. Chegou a ser feita uma “armadilha” , visando capturar o animal, mas sem sucesso.

A Polícia Militar de Meio Ambiente também fez buscas no local, recorrendo até ao uso de drone, também sem êxito.

Na tarde dese sábado (18/3), a equipe de resgate animal do Uni-BH, formada por dez pessoas, chegou à região de Carbonita e, na manhã de domingo, conseguiu capturar a cobra. O animal estava escondido em um local de difícil acesso, em uma pequena caverna, junto ao Rio Aracuaí.

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