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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Wanderlino Arruda    [email protected]
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Por Wanderlino Arruda - 25/3/2019 15:46:59
Professor Magnus Medeiros

Wanderlino Arruda

O grande e admirado Magnus Medeiros, companheiro dos melhores desde os nossos tempos da iniciante Faculdade de Filosofia, com aulas ainda no Colgio Imaculada, foi sempre um companheiro fiel de todos os momentos. Ele da turma de Geografia, com aulas lideradas por Dalva Dias, era sempre o melhor papo no intervalo das aulas, que comeavam pontualmente s dezenove horas. Incio de ensino superior, muita gente ainda no sabendo da seriedade exigida, as turmas eram enormes. No Curso de Letras, por exemplo, ns ramos sessenta e cinco, boa parte de advogados, professores, jornalistas, at o mdico Joo Valle Maurcio. Os formandos de Geografia terminaram com uma turma bem mais respeitvel, porque ns das Letras, s chegamos ao final com uma turminha de sete.

Com uma valorizao bem vistosa para todas as escolhas, os alunos de Geografia foram os lderes na festa de formatura, principalmente por contarem com Magnus Medeiros, professor de prestgio, marca de destaque no colunismo social, excelente capacidade de redao, elogivel grau de informao, porque sempre circulando pelos segmentos mais importantes da sociedade. Sua coluna foi sempre um ponto de destaque no noticirio, principalmente pelo alto nvel de conhecimento e de cultura, situao que ele soube cultivar durante todos os anos e todas as dcadas, a esta altura, acredito, em torno de um meio sculo.

Embora a boa redao ensina-nos usar o mnimo de adjetivos, nunca um bom redator, ou orador, conseguiu descrever e qualificar Magnus Medeiros sem um portentoso conjunto de complementos para destacar credibilidade, competncia, inteligncia, responsabilidade, elegncia, capacidade de bem-querncia, dignidade profissional, lealdade, tica, integridade, coleguismo, jeito bom de ser na vida. Tudo a favor de Magnus, que antes de ser jornalista, escrevia o nome com o, Magnos, nem sei se menos nobre que com u, bem mais latino. O sobrenome Medeiros, ento, tem sido sempre uma garantia maior e de elogivel marca.

Magnus, o grande e notvel montes-clarense, nasceu na cidade vizinha de Pirapora, vindo para c ainda criana, aqui estudando, aqui se fazendo, principalmente na Padaria Flor do Serto, do Sr. Tota, seu av, um bom vizinho de Godofredo Guedes e Dona Jlia, com a Rua Rui Barbosa, ainda na fase romntica das platibandas de casas e cmodos de comrcio de incio do sculo, a via pblica mais caprichada e cultivada na arquitetura, principalmente depois da Rua So Francisco.

Foi l que conheci o jovem Magnos Medeiros, cantor de voz primorosa, principalmente quando cantava New York, New York, ou msicas Agustn Lara e Nelson Gonalves. Foi no antigo Dirio de Montes Claros, Rua Doutor Santos, o nosso maior convvio no meio de muitas notcias e do entusiasmo de Jlio de Melo Franco e de Dcio Gonalves. Importante tambm citar a nossa participao na Revista Encontro, ponto de unio de muita gente boa da imprensa e das artes, entre elas, o saudoso Konstantin Christoff.

Vivamos quantos anos viver, a vida ser sempre rica quando a vivemos em benefcio de muita gente, quando fazemos o que sabemos fazer, e trabalhamos com o nosso maior desejo de produzir qualidade. Tenho certeza de que no inflaciono valores nesta minha fala sobre o amigo e colega, o companheiro e o confrade Magnus Medeiros, com quem alm do jornalismo, nunca deixei de participar dos movimentos de Cultura, principalmente no Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, onde ele ocupa, como fundador, a Cadeira nmero 15, que tem como Patrono o jornalista Ataliba Machado.

Gratificante destacar aqui, em final de crnica, que Magnos Denner Medeiros, uns trs anos mais novo do que eu, foi juntamente comigo, dos maiores amigos de Haroldo Lvio de Oliveira, o melhor de todos ns!


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Por Wanderlino Arruda - 5/12/2017 08:13:50
Momentos de Luiz de Paula

Wanderlino Arruda

MOMENTOS, de Luiz de Paula, amor e flor da natureza. Em Vrzea da Palma, nas beiras do Guaicu, em Montes Claros, ou em qualquer parte do mundo. Um livro realmente bom, mesmo que em leitura ligeira. Prosa e poesia de verdade, na seca ou nas chuvas. Tem quer ser, porque o autor foi batizado duas vezes, uma pelo ferreiro Bertolino, outra pelo padre da desobriga, e, por isso, virou poeta. MOMENTOS livro desafio, trabalho em espanto de vida, aceitao de mistrio. Suas pginas foram escritas em ureo e doce dealbar de msicas e de sonhos. Tudo plural: douradas iluminuras nas capas e, no interior, coloridos entre o branco e o preto, tudo bem serenado em universo de idias. Um luxo! Como disse o prprio autor, textos e pretextos de MOMENTOS nasceram como brotos das chuvas de So Miguel, multifacetada confisso entre o sacro e profano. Todo broto de vegetao foi visto em lupa de saudades. Visveis encanto e filosofia, memria potica e pinceladas de vida. Tudo pintura com acenos de ser em tudo fiel s origens. Escrivo de sonhos, menestrel de doces lembranas, Luiz compositor de ritmos, sem direito a esquecimento. Que tenham registros os currais de gado, os caminhos entre veredas, os bois de cem oitavas, a arte de navegar e fazer telhas, Imortalizem-se os bandeirantes, os vaqueiros, as partes da cozinheira ladina... Imortalizem-se a grandeza das pequenas coisas e os mnimos pedaos de espao-tempo. Que bom e agradvel foi ler MOMENTOS! Que bom foi conhecer Dona Bil, assadeira de roscas, Neco Meireles, oficial abridor de cisternas, a parteira Si Clara! Todo respeito para a professora Jlia, sessentona, de rgua e taboada, todo respeito para a rezadeira Regina, sacerdotisa de benzeduras para cura de um tudo, palavras e gestos seus como que tirando doena com a mo. Carinhoso desfilar de antigas profisses, com toda a certeza de que o tempo no atravessa duas vezes o mesmo rio. MOMENTOS o registro fiel de um maravilhoso tempo de pura ternura, trato vivencial de gente parceira de Deus. S podia ser escrito por Luiz de Paula Ferreira, autor de Montes Claros Vov Centenria, garimpador do ouro mais puro. Declaro-me feliz, muito feliz, e sinto-me identificado com o Vale do So Francisco, por estar manuscritando estas mal traadas linhas numa mesinha da Estao das Docas, Belm do Par, de onde contemplo as infindveis guas da Amaznia e sinto uma imensa saudade das plancies e dos claros montes do Norte de Minas. Academia Montes-clarense de Letras


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Por Wanderlino Arruda - 24/11/2017 10:27:49
Luiz de Paula Ferreira (1968)

Wanderlino Arruda

Luiz de Paula , sobretudo, um homem de sorte. Sua origem humilde tem sido um grande trunfo na sua vida, pois que desde pequeno, aprendeu a lutar. Escolas no lhe faltaram, mesmo que sob pesado fardo de sacrifcios. O trabalho foi contnuo, sem folgas, como uma grande oficina que forja poderosa vontade. Assim, a tmpera do seu carter foi modelada na prpria experincia, com um princpio filosfico adquirido no aconchego de um lar simples e genuinamente cristo. Otimista, inteligente, persuasivo, sempre acreditou em sua boa estrela. De grande versatilidade mental, excelente memria e com grande capacidade de ocupar-se de muitas coisas diferentes, sabe perceber a ocasio oportuna para agir, sem cada situao. E o entusiasmo uma espcie de bssola aponta-lhe os motivos e as possibilidades de brilho, tornando-se capaz de sair-se bem de todas as situaes difceis e inesperadas. Vem da, talvez, o seu sucesso na poltica. Tem imenso gosto pelas viagens e apreciao das novas cenas e situaes diferentes. Eterno estudante, quer estar sempre impulsionado a aprender algo de novo, obter novas experincias, de conhecer mais e mais, intrigado e fascinado por tudo que diferente. Conservador, mo hesita diante das dificuldades, sabendo descobrir bem as solues prticas e efetivas para cada problema. Tem uma grande qualidade para os amigos e um defeito para os adversrios, principalmente no campo poltico: sabe considerar sempre os dois lados de uma questo e tem aptido para servir em emergncias que exijam ao pronta e decisiva. Facilmente adquire amigos, no perdendo tempo com desiluses. Mais do que ningum sabe dar certo ar romntico aos assuntos comuns de sua vida. A esto a sua alma de verdadeiro artista e talvez do heri que todos ns temos dentro de ns mesmos. Outro ponto interessante: Luiz de Paula uma espcie de conservador e aventureiro, ao mesmo tempo. Ama o passado, vive o presente e no sabe como temer o futuro. Sem deixar de pensar em si mesmo, tem propsito definido pelas coordenadas do seu carter, em trabalhar sempre de modo til aos seus semelhantes, com uma admirao sem par pela humanidade inteira. Luiz de Paula um homem feliz, repito. Imaginem os Senhores que aquele solteiro, conquanto a alegre, bem-humorado, bem situado, artista, menestrel da boa vida, precisava ter muita sorte para dar-se e ser dado em casamento a uma moa to admirvel como Isabel, possuidora das boas qualidades que ele tinha e de mais de um milho de outras que ele no chega a ter. O casamento para Luiz foi ouro sobre o azul, nada melhor para construir um castelo de felicidades a um respeitvel e srio trovador, um nobre medieval do nosso sculo. Os filhos adorados aumentaram a alegria do casal e esse andarilho motorizado, quando no est na estrada, tem de estar gozando a tranquilidade e harmonia do seu lar. E no venha dizer depois que no foi Deus que inventou a mulher! Que o amor no a maior riqueza! Vou terminar sem fazer biografia, apenas como um psiclogo moda da casa. Aos que pensaram que iria eu fazer um discurso poltico, delineando programas, lanando plataformas, aplaudindo o homem pblico que viver um momento positivo em sua carreira de Deputado Federal, devo ter desiludido, enganado at. Procurei traar um retrato, surpreender o prprio homenageado, com ngulos e sua vida que ele talvez no tenha prestado ou mesmo no preste ateno. Mas antes de as Senhoras e os Senhores baterem palmas, mais por fora de uma conveno social do que pelos mritos da orao, quero dizer que tambm entrevistei D. Isabel sobre o seu ilustre consorte. O resultado foi interessante e posso bem imaginar as suas intenes, as implicaes psicolgicas mais recnditas. Os Senhores e as Senhoras vo decidir se ela falou como simples cidad, como esposa, como poltica, pois sempre existe e contgio, ou como simplesmente mulher. Eis a resposta: "Luiz o nico deputado que sai semanalmente de Braslia para fazer uma visita a sua base eleitoral, em Montes Claros, e eu, como sua eleitora, gosto demais disso".

( Discurso pronunciado durante as homenagens prestadas pelos amigos ao Deputado Federal Luiz de Paula Ferreira, em jantar no Automvel Clube de Montes Claros, em 12 de setembro de 1968.)


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Por Wanderlino Arruda - 23/11/2017 10:50:21
Chegada a hora de despedida. Deixou-nos hoje o nosso confrade, companheiro, irmo e amigo Luiz de Paula Ferreira, seis meses depois dos cem anos bem vividos.Certeza de uma recepo bem luminosa no Mundo Maior.


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Por Wanderlino Arruda - 23/11/2016 08:36:49
CEMITRIOS DE MINAS: CULTURA E ARTE

Wanderlino Arruda

Em nossa ltima reunio mensal do IHGMC, realizada em 29 de outubro, em nossa sede no Centro Cultural, o foco das atenes foi para a palestra proferida pelo arquelogo e historiador Fabiano Lopes de Paula, Cadeira 66, patrono Jos Lopes de Carvalho, com o tema "Cemitrios de Minas: cultura e arte", um lindo e proveitoso momento para muito de aprendizagem em aspectos histricos e artsticos. Com organizao perfeita e uma ilustrao digna de todos os elogios, tanto na apresentao de fotos em livros como na projeo dos slides, principalmente quando a nossa ateno foi chamada para o cemitrio ingls da antiga Minerao de Morro Velho, em Nova Lima. Desde a edio de nossa Revista n 11, do segundo semestre de 2013, o professor Fabiano, ilustre mestre da UFMG, nos permitiu fazer importante comparaes sobre a hierarquizao de espaos a partir do status social das pessoas, tanto nas cidades dos vivos como nas cidades dos mortos, os cemitrios. Assim na vida como na morte, cada criatura tem o seu lugar com ou sem escolha, valendo-se para tanto do poder de compra ou da posio de prestgio das famlias ou mesmo da conjuntura cultural. A cada um a posio que merece. Agora, a convite do nosso presidente, cel. Lzaro Francisco Sena, Fabiano Lopes de Paula, nascido no centro histrico de Montes Claros, Rua de Baixo, nome de um dos seus livros, teve todo tempo necessrio para expor e responder a perguntas, em tal forma de clareza que no deixou qualquer dvida a interessados e curiosos sobre a importncia social e artstica dos nossos campos santos. Para cada projeo, uma aula, para cada fotografia, a valorizao como documento, melhor forma de demonstrar a arte e o reflexo que o cemitrio tem na sociedade, um perfeito resgate da memria cultural, incentivador da preservao da arte tumular e dos trechos de grandes pensadores a respeito da morte. Para surpresa de muitos ou de todos, o cemitrio foi apresentado por um lado bonito e no cinzento, como geralmente ele conhecido ou imaginado. A cada projeo, Fabiano apresentou planejamentos arquitetnicos, arruamentos e setorizao, desenhos, coloridos, muitos e muitos detalhes de esculturas, rostos, flores, mincias que normalmente nos passam sem ser percebidas. Do Cemitrio do Bonfim, de Belo Horizonte, importantes informaes sobre os primeiros moradores da capital mineira. Do Cemitrio de Nova Lima, construdo e formatado pelos ingleses da antiga Minerao de Morro Velho, mais do que tudo uma harmonizao de smbolos manicos, frutos de influncias de ritos experimentados e vividos pelas lideranas do seu tempo. No deixou de fora mostras da Igreja Nossa Senhora da Conceio, em Ouro Preto, onde Aleijadinho foi enterrado, e o Cemitrio Municipal Nossa Senhora Aparecida, em Juiz de Fora, que um dos mais bonitos do Estado. Por tudo que nos ensinou o estimado confrade Fabiano Lopes de Paula, muito tem que lhe agradecer o IHGMC, hoje com quase cem por cento de associados. Afinal, pelo raciocnio do palestrante, os jazigos so uma fonte imprescindvel para melhor compreender os questionamentos, incertezas e desejos que os seres humanos tm em relao morte e, por consequncia, vida. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 16/11/2016 15:14:55
TEMPO DE NASCER

Wanderlino Arruda

O bom da vida que sempre houve e sempre haver oportunidades para engrandecermos nossa viso de mundo e acrescentar saberes nossa cultura. A cada momento uma chance de ver, ouvir e aprender a importncia do bem. Sempre lindo e proveitoso o texto de Eclesiastes sobre a existncia de um tempo para cada propsito: tempo de nascer, tempo de plantar, tempo de curar, tempo de construir, tempo de rir, tempo de danar... Agora, Manoel Hygino, hoje o mais sbio montes-clarense, vem nos esclarecer muito da Maternidade Hilda Brando, benemrita instituio de cem anos, que honra o nascer meninas e meninos em nossa ainda jovem capital de Minas. Uma chance encantadora de muito saber! O seu livro "Tempo de Nascer" um registro importantssimo da Santa Casa, companheira de vida e das vivncias de Belo Horizonte. Mais do que bonito e primoroso no aspecto editorial, fonte e destino de ricos registros deste o dia de So Joo de 1916, quase tempos de Curral del-Rei, quando era presidente do Estado o saudoso Delfim Moreira. Melhor dizendo: tempos do provedor Hugo Werneck, honra da nossa cincia nos campos da Medicina e exemplo maior na administrao e na inventividade. Tudo de bom na formao de conscincia para muitas geraes. Estou encantado com tudo: aspecto grfico, desfile de fotografias, distribuio da histria e das estrias, fluncia de todos os significados das muitas aes que engrandecem o amor causa da maternidade. O bom comeo se torna semente e plantao de exemplo para todas as geraes, um desfile de nomes ilustres que merecem ser lembrados no agora e no sempre, registros significativos em folha solta do provedor Saulo Levindo Coelho e do superintendente Marcos Rocha Andrade. Srio e responsvel em tudo que faz, Manoel Hygino sabe percorrer todos os caminhos que vo da beleza literria aos valores da anlise histrica. Membro ilustre da Academia Mineira de Letras, cronista e historiador, sabe escrever e descrever, narrar e registrar fatos, marcar e fixar personagens! Uma riqueza para todos os leitores, gratificante motivo de alegria para amigos que o admiram. Larga experincia desde os tempos de Montes Claros. "Tempos de Nascer" precisa e deve ser lido por todos que gostam de conhecer nossa Minas Gerais, seu jeito peculiar de ser e de trabalhar. So textos mais do que didticos que marcam cada momento da Maternidade Hilda Brando, as suas dificuldades, os seus sucessos. Mais ainda: um interessante desfile de fotos que fazem parte do patrimnio cultural do Museu de Histria Ablio Barreto, do acervo da Fundao Hospitalar, da Sociedade de Obstetrcia e Ginecologia, do Hoje em Dia, do Colgio Arnaldo e da Faculdade de Cincias Mdicas da Santa Casa. So imagens de agentes de sade de todas as categorias - mdicos, enfermeiro, estudantes, gente de apoio - em locais e situaes que precisam ser sempre lembrados e nunca esquecidos. Sinceros parabns ao estimado conterrneo Manoel Hygino, sinceros parabns Santa Casa de Misericrdia de Belo Horizonte, principalmente sua Maternidade Hilda Brando. Voltando ao Eclesiastes, importante lembrar que Deus fez tudo apropriado a seu tempo, pondo no corao do homem o anseio pela eternidade. Para todos ns, pobres mortais, nada melhor que ser feliz e praticar o bem. Institutos Histricos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 11/10/2016 15:43:24
HELOSA, YEDE E RUTH, TRS INTELECTUAIS NA AML

Wanderlino Arruda

Vinte e quatro de maro de 1985, solenidade no Conservatrio Lorenzo Fernandez, para a Academia Montes-clarense de Letras dar posse a novas confreiras. Noite de vivas e loas a trs mulheres encantadoras, legtimas representantes do ensino e das letras, da palavra falada e escrita, do magistrio e do jornal, da prosa e da poesia, do discurso formal e do relato histrico. Helosa Veloso, Yede Ribeiro e Ruth Tupinamb chegavam para viver e sonhar, progredir literariamente e acalentar emoes da amizade e do companheirismo. Foram minhas, como apresentador, as palavras que se seguem: "Helosa dos Anjos Sarmento, mulher de grande energia vital, dedicada, estudiosa dos problemas do ensino, guerreira da educao, amada-amante do trabalho, apresentamos-lhe as boas-vindas com os olhos cheios de amor-amizade porque gostamos muito de voc, muito sabemos da sua capacidade de aprender e ensinar, da sua sbia conscincia de convvio, do quanto valoriza o bom entendimento. Mente ativa sempre, independente, enrgica, responsvel, muito poder fazer por nossa Academia. Sua experincia de professora, diretora, delegada do ensino, conferencista, elaboradora de projetos, redatora de assuntos tcnicos, comunicadora de todas as horas, muito ser til ao desempenho de nossos trabalhos. Seu toque de arte nas letras tem o sentido prtico e dinmico de que todos ns necessitamos. Quem sabe ensinar com a maestria do seu saber muito poder fazer pelo semelhante, agora por seus pares, companheiros do mesmo ideal." "Yede Ribeiro Christova, campe de formao acadmica nos campos das letras e da pedagogia, professora de muitos ttulos, beletrista, poeta, fiscal do saber, orientadora de mestres e de alunos, seja bem-vinda nossa Casa. Os que continuam a viver a sadam com toda a fora do corao. Yede Ribeiro Chistova, constantssima no amor e no estudo, me e mulher do mundo das artes, slfide danante no vapor de luminescncias de tintas e vernizes, de dicionrios e tratados de teoria literria, seja bem vinda. Mestra susceptvel e generosa, experiente e afeioada a tudo que inspira a arte, voc tem todas as qualidades de lder conscienciosa, firme, equnime, jamais perdendo oportunidades de aprender e ensinar. Mulher que doma e sabe ser domada, esta Casa, agora toda sua. Ns a recebemos de braos abertos!" "Ruth Tupinamb Graa, que beleza de mulher! Um grande e luminoso corao, cheio de sabedoria e amor. Que belo sentimento de montes-claridade! Uma saudosista apaixonada por tudo que esta terra teve ou tem de romntico, de bonito e de charmoso. Uma memria privilegiada que um desfilar de encantos, translcidos sonhos de mocidade a gratificar venturas, a solidificar luzes de carinhos e de amizades! Ruth, tambm pedagoga, tambm professora, tambm me, filha e irm do saber escolar, supervisora do quando, do onde e do como instruir a juventude. Que grande historiadora, com que graa ela escreve em nossos jornais! Uma vez no Elos Clube, eu disse que cabe a ela, Ruth Tupinamb prosseguir a tarefa e o gnio de Hermes de Paula, na historiografia de Montes Claros, ela que pesquisa com amor e sabe das coisas como ningum, ela que redige com clareza a uma suavidade de invejar! Agora, na Academia Dona Ruth, no h outro caminho a seguir, mos obra no rumo da Histria. Mon tes Claros coloca-se sua espera, faz vnia sua passagem. Coloquem em letras de forma o nosso passado! Esta Casa toda sua. Esperamos disposio, no se faa de rogada!" A Academia sempre foi um desfile de emoes, um despontar de todas as alegrias, um coroamento de xitos buscados nos estudos e no cadinho do trabalho. S o esforo enobrecido estende o poder do amor. Quem ensina o que aprende, aperfeioa o aprendizado, numa constante e bela interao que nem a morte, pode extinguir.

Academias Montes-clarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 31/8/2016 09:33:11
A Academia Montes-clarense de Letras em 1968

Wanderlino Arruda

Novas perspectivas, muita animao para que a Academia Montes-clarense de Letras seja - no real - um centro de ideias, foco de ensino e aprendizagem, mostra e amostra do muito que poder fazer pelas Letras e pela Cultura. Finzinho de maio, dia 28, no Clube Montes Claros, foram tratados os seguintes assuntos: 1. Leitura de carta do presidente Antnio Augusto Veloso, comunicando viagem exterior, rogando ao acadmico Jos Raimundo Neto assuma a presidncia at o seu retorno; 2. Leitura de um ofcio da Irm Maria de Lourdes, declinando do convite para participar do quadro de membros efetivos da Academia; 3. Ficou deliberado transferir a Irm Maria de Lourdes para o quadro de Scios Honorrios; 4. Leitura do ofcio do Diretrio Acadmico Cyro dos Anjos, oferecendo a sua sala, na Fadir, para as reunies da Academia; 5. Proposta para lanamento de um concurso de contos, com participao dos universitrios da cidade. Um ms depois, os acadmicos Olyntho Silveira e Jos Raimundo Neto prestaram homenagem pstuma ao jornalista Ataliba Machado, fundador de dois jornais e da Revista Montes Claros em Foco, peridico que circulou oito anos sob a sua direo. Ataliba Machado havia falecido dois dias antes, fato que repercutiu muito em toda a cidade, pois pessoa querida e admirada. Como importante iniciativa, foi institudo um prmio destinado a um aluno de curso primrio, primeiro da escola. Fixada a entrega para o dia 3 de julho, data do aniversrio de Montes Claros, em reunio conjunta com o Elos Clube. Ano vai, ano vem, agora uma entusiasmada reunio na residncia do casal Fina/Hermes de Paula, presidncia do dr. Antnio Augusto Veloso, para entrega de certificados de outro concurso de redao para alunos do curso ginasial. Tudo muito solene e bonito, com presenas de professores e familiares. Haja emoo! A assembleia de 31 de maio, realizada na residncia do casal Milene e Joo Vale Maurcio, traz entre muitas resolues administrativas, a eleio da Diretoria para o binio 68/69. Presidente - Jos Raimundo Neto; Vice-presidente - Maria Ribeiro Pires; Secretria Geral - Yvonne Silveira; Secretrio - Hlio Oscar Vale Moreira; Tesoureiro - Orlando Ferreira Lima; 2 Tesoureiro - Geraldo Avelar; Bibliotecrio - Joaquim Cesrio Macedo; e Orador - Joo Valle Maurcio. Uma curiosidade: na Ata de 31 de maio, vale destacar as assinaturas de Cndido Canela, Laurinda Prates Canela, Helena Neto Alves, Alice Aquino Neto e Francolino Santos. Diz a Ata de 24 de junho que houve duas reunies realizadas na casa do casal Fina e Hermes de Paula. A primeira do Elos Clube de Montes Claros, que tinha como presidente o acadmico Orlando Ferreira Lima; a segunda, da Academia Montes-clarense de Letras, na presidncia o dr. Antnio Augusto Veloso. Em verdade, as duas instituies - Elos e Academia - tinham ali uma s finalidade, a entrega de prmios aos vencedores de um concurso de contos, promovido pelo Dirio de Montes Claros: 1 lugar - Maria Luza Nunes Silveira, com o conto "Marta"; e Clsio Tlio Silveira, com o conto "Gato Preto". 2 lugar - Augusto Otvio Barbosa, com o conto "Pulseira Fatdica". Meno Honrosa - Jos Ezequiel de Oliveira, com a crnica "Joo Cabecinha"; e Felipe Antnio Gabrich, autor de "A Morte de Charuto". Aps a entrega dos prmios, uma apresentao de dana e conto, programao do Elos Clube, a cargo da professora de Arte Musical, Ftima Pinheiro. Academias Montes-clarense e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 23/8/2016 09:31:43
SAUDADE, UM VER-NO-VENDO

Wanderlino Arruda

As palavras - independentemente do idioma, da poca, ou da cultura - podem suscitar todo tipo de emoes: alegria, tristeza, pasmo, terror, nostalgia, contentamento, pesar... As palavras podem desmoralizar uma pessoa at a apatia ou espica-la at o deleite, podem exalt-la a extremos de experincia espiritual e esttica. As palavras tm realmente um poder assustador. E tudo isso muita verdade, no acredito haja algum que duvide. As palavras tm uma fora, uma resistncia, um poder que suplantam quase tudo que existe no mundo. Passam exrcitos, passam imprios, passam repblicas, mas as palavras no passam. Elas so permanentes, mais firmes do que os granitos dos palcios e dos monumentos. As palavras de Scrates, escritas por intermdio de Plato, suplantaram todos os governos gregos e todos os seus regimes, tenham sido militares ou civis. Passaro as pirmides e a esfinge do Egito, mas as palavras do "Livro dos Mortos" no desaparecero. Passaram todos os sculos dos poderes de Roma, suas foras de guerra, seus princpios de direito, suas artes, sua globalizao, mas o seu latim clssico ou vulgar nunca passou, porque suas palavras permanecem. Deve ser por isso que ns dispomos, na Lngua Portuguesa, de uma palavra que no tem igual no mundo em sentido, em significado, em fora, tanto no aspecto denotativo (se isso possvel!) como no conotativo. a palavra saudade, de origem to obscura como o fundo dos mares portugueses, to misteriosa como a virgindade das selvas brasileiras, ou to cheia de calor como as terras de Angola ou Moambique, tambm de linguajar lusitano. De onde veio realmente o vocbulo saudade? Do latim solitate (soledade, solido)? Do rabe saudah? Dos arcasmos soydade, suydade? At Antenor Nascentes - que foi nosso melhor estudioso da etimologia - no convincente na explicao da origem. Influncia da palavra sade, como pode parecer uma analogia fontica? Dificilmente. No sendo possvel definir a matriz de onde sai esta filha to grata a todos ns, resta-nos apenas a satisfao e a honra de t-la em nosso vocabulrio, sem o perigo de competio por parte de qualquer lngua de dentro ou de fora de nossa famlia latina. O francs solitude est longe de ter o mesmo significado. Mesmo do esperanto (re)sopiro e rememoro esto longe de alcanar nossa expressividade. So termos que passam a quilmetros de distncia da riqueza semntica do que usamos. E o que mesmo saudade? Um sentimento que deve existir no corao de toda criatura humana, seja ela de qualquer raa, de qualquer parte do mundo, seja pobre, seja rica. A saudade no escolhe, no discrimina, no se faz de rogada para existir. Ela vem de mansinho ou vem fortemente, chegando quando menos se espera. A saudade amiga da solido, companheira inseparvel do amor, visita invisvel da amizade, s vezes pedao de paixo, em muitos casos suave perfume de momentos de carinho e ternura. Realmente, no fcil definir o sentimento da saudade. E talvez por isso que ela s exista, como palavra, na Lngua Portuguesa, na mstica do povo de nossa raa, principalmente no brasileiro, uma maravilhosa mistura de sangue tropical, fruto de trs origens: a branca, a negra e a tupi. Saudade dor que sufoca o corao e alegra a alma. Saudade presena do ausente, lembrana do bem-querer, um doce convvio com a distncia, uma alegre e agradvel tristeza do ver-no-vendo, do amar sem o objeto do amor...

Academias Montes-clarense e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 26/7/2016 16:26:25
Pedaos de histria da Academia

Wanderlino Arruda

A reunio de onze de outubro teve em sua primeira parte as homenagens ao professor Jos Raimundo Neto, falecido em Belo Horizonte, um dos fundadores da Academia Montes-clarense de Letras e seu segundo presidente, no binio 1968/1969. Foi relembrada pelo presidente Joo Valle Maurcio "os vrios e expressivos aspectos da vida do homenageado, inclusive a sua dedicao causa do ensino e sua famlia, que tinha nele um amparo seguro". "Jos Raimundo Neto foi um dos maiores educadores de nossa terra. Intelectual de notvel cultura humanista. De alma sensvel, sua vida foi sempre atuante, brilhando pelo valor de sua inteligncia". Vrios oradores enriqueceram os elogios ao falecido confrade. Os agradecimentos foram proferidos pelo seu cunhado e confrade Corbiniano Aquino. Vinte de outubro, encontro acadmico no Automvel Clube. O centro das atraes foi o lanamento do livro "Maria Clara", publicado no Rio de Janeiro pela Editora Dois Irmos, romance autobiogrfico da escritora Nazinha Coutinho, prefcio do antroplogo Darcy Ribeiro. A apresentao do livro foi feita pelo dr. Mrio Ribeiro Silveira, seu primo, principalmente por tratar-se em grande parte sobre sua famlia e ser um lado confessional das lutas de geraes. Vale uma leitura atenta da rica e encantadora ata lavrada pela secretria Felicidade Perptua Tupinamb, sntese perfeita dos encontros e desencontros na famlia Francisco Ribeiro/Maria Luiza, pais adotivos da menina Nazinha, que adulta e casada com o dr. Alfredo Coutinho, prefeito de Montes Claros de 1938 a 1941, teve notvel papel como me da historiadora Milene. Maria Luza de Magalhes Ribeiro, casada com o Coronel Francisco Ribeiro, foi a protetora das irms que vieram fundar o Colgio Imaculada Conceio, cedendo por dois anos a casa para o funcionamento inicial da escola, e doadora do terreno e da construo do Orfanato Nossa Senhora do Perptuo Socorro. o nome dela que - com justia - deveria estar nas placas da Rua Viva Francisco Ribeiro, que vai do centro de Montes Claros ponte do Bairro Todos os Santos. A reunio de quatorze de novembro de 1978, realizada tambm no Automvel Clube, foi dirigida pelo Venervel da Loja Deus e Liberdade, Iran Rego, e pelo presidente da Academia, Joo Valle Maurcio. Presenas de vrias autoridades. O objetivo foi o lanamento do meu livro "Tempos de Montes Claros", publicado pela Editora Leme, de Belo Horizonte. Apresentao pelo escritor Joo Valle Maurcio e pelos maons Georgino Jorge, Iran Rego e Humberto Plnio Ribeiro. Anlise pelo acadmico Olyntho Silveira, que destacou os aspectos histricos e literrios. Academias Montes-clarense e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 20/7/2016 18:00:34
EMOCIONANTE A NOITE PARA CYRO DOS ANJOS

Wanderlino Arruda

O dia dezessete de maio foi calendrio mximo em solenidades da Academia Montes-clarense de Letras, quando tudo foi preparado com muito carinho para a visita do escritor Cyro dos Anjos e de sua esposa Lilita, em atendimento a um convite quando da sua posse na Academia Brasileira de Letras. Grande o nmero de autoridades, luzidia comitiva de amigos e conterrneos, de professores e estudantes, de jornalistas e admiradores, e de quase todos os acadmicos da AML. Vrias as saudaes, dentre elas do escritor Orlando Ferreira Lima - em nome do prefeito Antnio Lafet Rebello - e duas feitas em versos pelos poetas Olyntho Silveira e Jos Prudncio de Macedo, sendo a de Olyntho um soneto e a do inesquecvel Z Capeta em versos prprios do serto. A acadmica Maria Ribeiro Pires brilhou com uma declamao de poema do seu tio Plnio Ribeiro. Importante dizer que Montes Claros, a exemplo de Caruaru, teve a honra de contar, ao mesmo tempo, com dois ilustres filhos na Academia Brasileira de Letras. Sem contar vantagens, um bom destaque para os daqui, pois muito importantes na administrao e na poltica brasileiras: Cyro, chefe do gabinete do presidente Juscelino Kubitschek; Darcy, ministro da Casa Civil e senador da Repblica. E por isso nunca nos faltou admirao por eles. Assim, diante de Cyro, era justo esperarmos por suas palavras. E valeu o tempo de ansiedade, porque foi bastante emocionado que ele fez seu agradecimento. Firme e sereno, afirmou que mais uma vez soube que emoes no matam. No morreu quando da sua eleio para as Academias de Letras de Minas e do Brasil, no morreu com as homenagens da Cmara Municipal de Montes Claros e no morreu agora, com tantos gestos gentis da Academia Montes-clarense. Ser porque ele era mesmo imortal? Mesmo morando em todo o tempo no Rio de Janeiro e em Braslia, cada vez mais era de Montes Claros, seu maior privilgio, pois toda a sua vivncia til escrita literria estava por aqui, no grande interior de Minas. Disse mais: valia a pena ser acadmico nas Academias Brasileira e Mineira, ou na Academia Montes-clarense, porque juntos e em convvio constante, os intelectuais aprendem muito mais e produzem com muito mais segurana, porque a unio faz mesmo a fora. Lilita, companheira de toda a vida de Cyro, foi reservada a parte artstica da noite, com uma apresentao do Coral do Conservatrio Lorenzo Fernandez, regido pela professora Clarice Sarmento, um encanto de musicalidade voltada para o folclore e para a nossa cultura. Claras as mensagens, sempre dirigidas a ela. E emocionada como marido, agradeceu dizendo que a noite em Montes Claros foi a mais bonita que ela e Cyro assistiram em muitos anos de vida, aqui e alhures. Coisa de muito encanto!

Academias Montes-clarense e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 14/7/2016 08:12:15
Wanderlino Arruda

VOC SABE O QUE CUTRUVIA?

Quase todos os dias para quem assiste novela "Velho Chico", a palavra cutruvia clama pela ateno, quando pronunciada por Lucy Alves, cantora finalista da segunda temporada do "The Voice", agora atriz e intrprete de Luzia, a brava mulher de Santo dos Anjos (Domingos Montagner). Ela sempre pronuncia o vocbulo cutruvia em voz alta, olhos flamejantes, um dio quase mortal, principalmente quando em posio de briga com a bonita Tereza (Camila Pitanga). Nem preciso saber o que significa cutruvia para entender que se trata de coisa ruim, xingamento para valer. Outro vocbulo, mais de passados captulos, era gitana, dito pela centenria Encarnao (Selma Egrei), em tom de ofensa quando se refere a Iolanda (Christiane Torloni), mulher do coronel Saru (Antnio Fagundes). Tambm bastante diminutivo em termo de considerao, um jeito de falar com incontrolado desprezo, tom de quem quer se ver livre de uma forasteira bastante incmoda. Coisa boa que no pode ser. Vinculada a uma poca que ningum interpreta como se de ontem ou de hoje, pois com roupas antigas de aparelhos modernos - celulares, por exemplo - "Velho Chico" tem divulgado um vocabulrio bem rico em expresses pouco comuns para grande parte dos brasileiros do Centro e do Sul, acredito at para os da parte Oeste, gente l dos lados do Pantanal ou mesmo dos rios da das beiradas da Amaznia. O prprio termo saru, dado famlia dos S Ribeiro, pelo menos de incio precisou de traduo lngua normal. Pois bem, senhoras e senhores, qual mesmo o significado das palavras cutruvia e gitana? So elas da lngua portuguesa ou de algum dialeto misterioso, servente apenas para xingatrios? So legtimas ou fazem parte de um vocabulrio prprio das corruptelas de falares do interior? Esto dicionarizadas ou tomam lugar em uma lista de espera para incluso lxical? Gitana segundo a Wikipedia, procede de "egiptano", porque no Sculo XV se pensava que os gitanos procediam do Egito. Gente cigana, nmade, mesmo que se diga de origem nobre e de um passado importante em terras egpcias ou da antiga ndia. Melhor dizendo para os sentimentos de D. Encarnao, gente sem origem, forasteira indesejvel como em alguns tempos atrs tambm eram chamados de "candangos", viajantes de paus de arara. Cutruvia, queira ou no, uma forma modificao menos nobre da palavra "cotovia", denominao de uma ave canora sempre ligada ao voo vertical e ao corrupio sonoro, em Portugal e em outros pases da Europa, nome at sagrado para os gauleses. Para no deixar dvida quando ao sincero desejo de ofensa manifestado por Luzia contra Tereza, cutruvia uma ave de comportamento liberal em termos de relacionamento, e que tem as seguintes tradues pejorativas no vocabulrio baiano e nordestino: quenga, meretriz, rapariga, madama, messalina, rameira, decada, cortes, prostituta, andorinha, bagageira, biscateira, mariposa, moa-dama, bruaca, cadela, catarina, catraia, dadeira, fuampa, fulana, fadista, gana, jereba, puta, mundana, perua, perdida, piranha, vigarista amante, mulher da vida, mulher de zona, mulher perdida, mulher errada, mulher de m nota, mulher de ponta de rua, mulher pblica, mulher vadia, mulher desprezvel. E em termos mais nobres: mulher que se relaciona com homens comprometidos, mulher que vive com o homem de outra. Academias Montes-clarense e Manica de Letras do Norte de Minas.


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Por Wanderlino Arruda - 29/6/2016 08:11:40
CONSTRUTOR DE AMIZADE

Wanderlino Arruda

De todas as pessoas que tenho conhecido mais de perto, o velho Joo Morais, meu av, parece ter sido o nico homem a viver oitenta e muitos anos de alegria em tempo integral. Era assim como se tivesse carteira assinada numa firma de felicidade, com todos os direitos, menos o de ficar triste e de deixar de ser alegre. Era, no tenho dvida, como um papai noel de ano inteiro, a distribuir presentes de fraternidade a todas as criaturas. Fazia ele da convivncia de todos os dias um painel harmonioso e de rica sabedoria. Conheci-o desde os meus primeiros anos, em sua fazenda perto de Salinas, numa casa-sede que ficava rodeada de pomar e jardim, entre o "Ribeiro", de guas cristalinas, e a estrada principal, onde ningum tinha direito de passar sem uma visita ainda que ligeira. Ali, cada visitante era recebido prazerosamente e, depois dos cumprimentos de praxe, levado para lavar a poeira dos rosto, tomar caf-com-leite e biscoitos de tapioca e participar de uma gostosa conversa. Sabendo dividir bem as horas de trabalho nas pastagens e na lavoura, vivia animadamente para o trato com as pessoas, contando estrias, relatando casos, recriando-os com enternecedora vontade transmitir felicidade. Vov foi, acima de tudo, um homem bom, o leme para muita gente neste mundo, que aprendeu com ele a andar no caminho certo, pois conselheiro melhor no havia naquele pequeno grande serto entre Rio Pardo e Salinas. Era um velho forte e musculoso, vermelho como um europeu, e tinha os cabelos brancos e fartos, que lhe davam um ar de juventude bem conservada e um enorme halo de simpatia. Quando eu era pequeno, pensava que sua cabea havia embranquecido pelo rigor do sol dos canaviais, onde trabalhou at poucos dias antes de morrer. Eu achava que ele tinha vindo aprimorar o mundo e as criaturas, num esforo de nunca parar, pois nem a doena que o acompanhou anos a fio o modificou em seus hbitos de homem feliz. Vi-o, muitas vezes, voltando tardinha, enxada ao ombro, embornal pendurado no pescoo, sorriso de ponta a ponta, a cantarolar algumas de nossas modinhas prediletas. Todas as noites, aps o jantar com toda a famlia - ningum podia faltar - deitava-se numa rede amarelecida de tanto uso, e o antigo violo passava a centralizar as atenes, numa suave evocao de lembranas e saudades, que s terminava bem tarde, quando o cansao vencia e todos iam dormir. Joo Morais, meu av, nasceu bem longe, na velha Bahia, pelas bandas de Caitet, creio, num dia de festa at da natureza. Desde rapaz, tropeiro de profisso, viveu a vida dos campos e das estradas, dormindo ao relento, comendo feijoadas com rapadura e farinha de mandioca, e respirando o sereno de todas as madrugadas. Ele mesmo contava que foi naquele tempo que conheceu uma moa morena e bonita chamada Ritinha, neta de ndios, de quem, seis meses depois do primeiro encontro, ficou noivo, e com quem, um ano mais tarde, se casou. E foi vendo a casa cada vez mais cheia de filhos e netos, fazendo e refazendo festas, que viveram mais de meio sculo em harmonia muito perfeita. No assisti , mas dizem que ele morreu conversando e sorrindo, como costumava fazer durante todos os dias da vida, pedindo a todos para no chorar ou sentir tristeza. Embora sertanejo e de poucas letras, foi um romancista verbal, narrador inigualvel desenhista de perfeitos quadrinhos existenciais de humanismo puro e sincero. Na verdade, meu av tinha uma experincia de vida, uma habilidade diplomtica, uma riqueza de inteligncia e bondade, dignas de muita admirao. Ningum que o conheceu deixa de dizer que ele era um velho alegre e agradvel, verdadeiro construtor de amizade, sempre ouvido com interesse e prazer. Academias Montes-clarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 22/6/2016 15:01:19
VIDA E GRATIDO

Wanderlino Arruda

triste, muito triste, ver como o mundo se acha cheio de ansiedades, de conceitos puramente materialistas e utilitaristas. Pessoas e mais pessoas se esquecem da beleza da vida, da generosidade de outras pessoas, e se colocam como pequenos donos de um pedao de meia-verdade, julgando-se numa independncia que no existe. Esquecem-se de que a existncia um insistente ensino, uma perseverante luta pela felicidade e que s podemos ser felizes na caminhada solidria, de mos dadas, unidos, com toda a alegria possvel, com toda coragem, ou pelo menos com um pouco de sorriso em agradecimento prpria vida. De nada adianta o transbordamento das paixes, a manuteno de arestas morais, o narcisismo, a supervalorizao, o pretenso domnio da inteligncia ou do poder, o dio sem direo ou mesmo direcionado. Tudo vo, o viver um crescimento espiritual de todo o tempo. Amar a si mesmo valioso, mas o que mais importante amar o semelhante. E amar impe sinceridade pessoal, desprendimento, uma viso clara de sonhos e realidades, um gostar, um querer bem sem limites. De nada vale o isolamento, a limitao, s a defesa do prprio interesse, a fanfarronice vazia e boba, uma falsa autoconfiana, o desprezo bulhento aos que amam a vida. De nada vale a falsa declarao de amor, sem identificao com o bem geral. preciso desnovelar-se num esforo de melhoria geral, abrir os olhos para a paz, a paz das quatro paredes da nossa casa, a paz da nossa rua, dos nossos companheiros de jornada, a paz do mundo. Para alcanarmos a alegria, necessrio desafadigar-nos das opacas viseiras da falsa autossuficincia, triste posio da pessoa infeliz. H ardorosos propagandistas de si mesmo que no passam do labirinto da sua prpria iluso, mas que caminham por caminhos to estreitos e to vulnerveis que nunca enganam a ningum. Falam de liberdade, pregam autonomia, fomentam guerras, exterminam simpatias, direcionam-se para o fanatismo, combatem falsamente os preconceitos, mas no sabem libertar-se da cordoalha da servido mental a que so jungidos a si mesmos. preciso restaurar a f nos semelhantes, semear a palavra de vida e da luz da esperana, viver com amor verdadeiro, perseverar no bem, tirar as lentes negras de diante dos olhos fsicos e espirituais. Trombetear importncia nunca foi medida levada a srio. A avidez de promoo pode ser atalho de caminhos, mas ser sempre lodaal de incompreenses. No se deve morrer de orgulho, porque nem sempre a existncia ajuntar o pequeno punhado de amigos que cada um tem. Eles podem espantar-se da nossa prpria inconscincia. Que cada um se submeta ao currculo da aprendizagem na academia da vida, propondo valorizar todas as lies que estudam e preparam a conquista de tesouros maiores da inteligncia e do sentimento. Cada perodo brinda-se com nova gama de experincias. importante saber tirar proveitos do equilbrio dos que so verdadeiramente equilibrados. importantssimo saber viver todos os momentos possveis da felicidade. Na verdade, ser feliz a nossa meta. E para ser feliz preciso saber retribuir bem, ter gratido. A vida no s pedir. muito mais agradecer!

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Por Wanderlino Arruda - 15/6/2016 10:35:54
O CARMELO E O GRUPO LISIEUX

Wanderlino Arruda

Em quatro dcadas, o Grupo Lisieux, fundado em 1976, recebeu e foi mantido por gente realmente ilustre, brao direito do Carmelo Maria Me da Igreja e Paulo VI. A primeira reunio foi realizada no Palcio Episcopal, presenas de Dom Jos Alves Trindade e das Irms Maria Margarida do Corao de Jesus, priora do Carmelo de Belo Horizonte; de Maria Anglica da Eucaristia e Ana Letcia do Corao de Jesus, alm de uma dezena de mulheres arrojadas, gente boa da sociedade montes-clarense. O nome escolhido para o Grupo Lisieux foi sugerido por Ruth Mota, como homenagem terra natal da Carmelita Santa Teresinha do Menino Jesus. Santa Teresinha de Lisieux, ou Teresa Martin, nasceu em dois de janeiro de 1873, em Alenon, Normandia, norte da Frana. Nome de batismo: Marie Franoise Thrse Martin. A filosofia do Grupo Lisieux a mesma do Rotary International: "Dar de si antes de pensar em si", uma prola de citao que merece uma reflexo mais apurada de todos que pensam e agem no bem. Com quarenta anos de trabalho e muita confraternizao, o Carmelo Maria Me da Igreja e Paulo VI, de Montes Claros, tem em sua direo a nossa ilustre amiga e companheira Lili Brant Penido. Em nome dela, ns cumprimentamos todas as confreiras do egrgio Sodalcio. A Ordem se liga, no Antigo Testamento, ao Profeta Elias, que residia numa gruta do Monte Carmelo, na Palestina. Ao longo dos sculos, este grupo de contemplativos atravessou oceanos e se estendeu pelo mundo inteiro. A finalidade do Carmelo atrair do Cu as graas, atravs da orao contnua e do sacrifcio material ou espiritual. As Carmelitas, em nmero de sete, vieram dos Carmelos de Belo Horizonte e de Trs Pontas para construir a primeira comunidade montes-clarense. A Priora foi Madre Maria Anglica da Eucaristia, uma querida montes-clarense. A espiritualidade das Irms Carmelitas encontra em Maria Santssima o modelo especial de orao e de trabalho. E quando em 1976 surgiu a inteno de se fundar em Montes Claros um mosteiro da Ordem Contemplativa das Carmelitas, tornou-se necessrio um Grupo de Apoio que divulgasse a ideia e trabalhasse na comunidade pela concretizao do Carmelo. Assim, a primeira reunio foi no dia 23 de junho, contou com o entusiasmo de Dom Jos Alves Trindade, tendo nele - um homem de reconhecida bondade - o incentivo natural, com a sinceridade de quem muito amava comunidade de Montes Claros. Da a ajuda sincera s senhoras Hilda Athayde, Terezinha Gomes Pires, Neuza Athayde, Geralda, Wilma e Terezinha Reis, as primeiras a colocar o mximo de esforo na implantao. Muito importante foi contar com a ajuda e orientao do Padre Henrique Munaiz. O Grupo Lisieux conta com cerca de quarenta participantes e inmeras simpatizantes, senhoras de vrias atividades e setores. So donas de casa, mes de famlia, mulheres de negcios, professoras e profissionais dos mais diversos ramos, mas que sempre encontram tempo para o trabalho em favor do Carmelo e da comunidade. Alm de suas reunies de trabalho, promove palestras, tardes de reflexes, conferencias e encontros, procurando sempre o crescimento pessoal. Fazem de suas reunies de trabalho uma convivncia amena e agradvel. O Carmelo de Montes Claros iniciou suas atividades no Bairro do Cintra, nas instalaes da antiga Casa Paroquial, gentilmente cedida pelo padre Joo Machado Gomes. A pedra fundamental para a construo definitiva foi lanada em 1978, em um terreno de 15.000m2 doado por Deraldo Rodrigues Caldeira. A inaugurao - com estilo moderno, linhas firmes e sbrias, criao do arquiteto Geovanni Brito e assistncia tcnica de Luiz Antnio Medeiros Filho e Thales Teixeira, ocorreu em 30/10/81, estilo moderno, com linhas firmes e sbrias, criao do arquiteto Geovanni Brito e assistncia tcnica de Luiz Antnio Medeiros Filho e Thales Teixeira. Toda a construo tem um princpio que rege a vida monstica e religiosa: "Ora et labora". No silncio das celas ou nas oficinas, cada monja se debrua sobre sua tarefa diria, confeccionando cartes, pinturas, fabricando hstias, matria do sacrifcio eucarstico. Diante de tudo que aconteceu e acontece, os sinceros parabns ao Grupo Lisieux e a todos que dele participaram e participam. Wanderlino Arruda Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 31/5/2016 11:40:54
A SEMANA DA CULTURA DE 1999

Wanderlino Arruda

Dezoito de outubro, salo nobre do Automvel Clube, sesso magna para abertura da Semana da Cultura, em parceria com o Consulado de Portugal, com a Sociedade das Amigas da Cultura e Elos Clube de Montes Claros. Mesa diretora: Yvonne Silveira, presidente; Miriam Carvalho, presidente das Amigas da Cultura; Victor Hugo Marques Pina, presidente do Elos Clube; Florinda Ramos Pina, representando a cnsul Fernanda Ramos; Iara Souto, secretria de Cultura; Joo Carlos Sobreira, representando o prefeito municipal; Maria Jos Colares Moreira, presidente do Comit Internacional para o Festival de Folclore; Clarice Sarmento, representando o Conservatrio Lorenzo Fernandez. Seguiu-se uma apresentao do Coral Lorenzo Fernandez, com os ttulos Carmina Burana e Aleluia. Tambm uma declamao da professora Thasa Terense Martins, a leitura dialgica da Carta de Pero Vaz de Caminha pelo ator Cludio Prates e a apresentao de mensagem da cnsul Fernanda Ramos pela professora Florinda Marques Pina. Final com trechos da pera O Guarani, pelos professores Antnio Carlos Lima e Maria Amlia, com acompanhamento da pianista Maria Lcia Macedo. Dezoito, vinte, 21 e 22 de outubro, no salo nobre do Centro Cultural Hermes de Paula, para mais uma etapa da III Semana da Cultura, em parceria com o Consulado de Portugal, com a Sociedade das Amigas da Cultura e Elos Clube de Montes Claros. A abertura, dia dezoito, no Automvel Clube, teve na presidncia Yvonne Silveira, cerimonial de Regina Peres, secretaria de Antnio Felix. Na mesa de honra, os representantes das entidades parceiras. A palestra sobre "Portugal e Brasil descobrindo-se h 500 anos" foi feita pelo professor Marcos Fbio Martins de Oliveira, da Unimontes. Logo depois, o jogral "Brasil", de Ronaldo de Carvalho. Vasta a programao, tambm com participao de Milene Coutinho Maurcio, Cludio Prates, Antnio Carlos Lima, Maria Amlia e Maria Lcia Macedo. Cerimonial da professora Edite Bastos, da Sociedade das Amigas da Cultura. Dia vinte, no Centro Cultural Hermes de Paula, presidncia do sr. Victor Hugo Marques Pina, com o tema "Portugal e Brasil descobrindo-se h 500 anos", pelo professor Marcos Fbio Martins de Oliveira. Vrias apresentaes: "Brasil", de Cassiano Ricardo, jogral dirigido pela professora Lygia Braga; "Cantando o Brasil e Portugal", pela professora Maristela Cardoso, acompanhamento da professora Maria Lcia Macedo. Mestre de Cerimnia, a elista Regina Barroca Peres. Dia 21, no Automvel Clube, na presidncia a professora Miriam Carvalho, presidente das Amigas da Cultura. Lanamento do livro "Razes e Asas", da professora Maria Lcia Becattini Miranda, com apresentao pela acadmica Yvonne Silveira. Poemas declamados pela professora Dris Arajo. Canes italianas pelo professor Roberto Jnior, acompanhamento da professora Maria Lusa Correia Pires. Cerimonial de Raquel Avelar, das Amigas da Cultura. Dia 22, no Elos Clube de Montes Claros, abertura pela presidente Yvonne Silveira, da Academia Montes-clarense de Letras. Mestre de Cerimnia, o acadmico Antnio Felix. Palestra "A Herana Cultural Portuguesa" pelo acadmico Wanderlino Arruda. "Cantando Portugal e Brasil" pelos professores Raquel Ulhoa e Roberto Jnior. Poesias portuguesas e brasileiras pela acadmica Zoraide Guerra David. O encerramento foi de um intenso brilho, com o Coral do Elos Clube, dirigido pela maestrina Clarice Sarmento.

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Por Wanderlino Arruda - 25/5/2016 08:10:46
UMA PARTE DA HISTRIA DA ACADEMIA

Wanderlino Arruda

Vinte e sete de novembro de 1969, sob a presidncia do professor Jos Raimundo Neto, a dcima primeira reunio da Academia na sala da Biblioteca do Clube Montes Claros. O primeiro assunto, logo depois da leitura da Ata: leitura de correspondncia do dr. Simeo Ribeiro Pires, pedindo desculpas por no poder tomar posse naquele dia. Em seguida, o acadmico Hermes de Paula apresentou os nomes sugeridos para patronos das quarenta cadeiras: Carlos Versiani, Mrio Versiani Veloso, Antnio Gonalves Chaves, Hermenegildo Chaves, Joo Antnio Gonalves Chaves, Honorato Jos Alves, Joo Jos Alves, Camilo Filinto Prates, Hermenegildo Prates, Carlos Cato Prates, Bencio Alves Prates, Joo de Freitas Neto, Artur Gustavo Rodrigues Vale, Eliseu Laborne Vale, Justino de Andrade Cmara, Antnio Teixeira de Carvalho, Antnio Augusto Teixeira, Ezequias Teixeira de Carvalho, Artur Lobo, Pedro Fernandes Pereira Correia, Urbino de Souza Viana, Ccero Pereira, Herculino Pereira de Sousa, Alfredo Coutinho, Geraldo Atade, Francisco Versiani Atade, Jos Toms de Oliveira, Ari de Oliveira, Jair de Oliveira, Desembargador Veloso, Plnio Ribeiro dos Santos, Francisco Ribeiro dos Santos, Pedro Augusto Teixeira Guimares, Dom Joo Antnio Pimenta, Joo Pimenta de Carvalho, Jos Correia Machado, Joo Martins da Silva Ma ia, padre Augusto Prudncio da Silva, Honor Sarmento, Antnio Ferreira de Oliveira, Antnio Augusto Spyer, Francisco S, Antnio dos Anjos, ngelo de Quadros Bittencourt. Nove de dezembro de 1968, quase atmosfera de Natal, a Academia, em convnio com o Conservatrio Lorenzo Fernandez, patrocinou o lanamento do livro "Baslio", do escritor e poltico Oscar Dias Correa, mesma noite da sua posse como membro honorrio da Academia. Ao ensejo, o grande jurista foi saudado pelo mdico Joo Valle Maurcio. A homenagem professora Diva Correa, esposa do autor, foi proferida pela acadmica Yvonne de Oliveira Silveira, cujo discurso sensibilizou a homenageada e a todos os acadmicos e convidados. No final da sesso, o dr. Oscar Dias Correa, homem pblico de fama em toda Minas Gerais, fez o agradecimento em seu nome e no de sua esposa, dizendo que a ideia de escrever o seu livro nasceu em Montes Claros, depois da leitura de "Groto", do dr. Maurcio, e "Brejo das Almas", de Olyntho e Yvonne Silveira, as duas publicaes, fonte de inspirao. Como sempre, as festividades foram concludas com muitos cumprimentos e um coquetel temtico baseado no tempo-espao de Natal e Ano Bom. 3 Vinte e um de fevereiro, ano da graa de 1969, noite de festas para receber mais trs membros importantes: professor Athos Braga - Cadeira n 21, Patrono Pedro Augusto Teixeira Guimares, dr. Abelardo Teixeira Nunes - Cadeira n 22, Patrono Antnio Gonalves Chaves, e dr. Jlio Csar de Melo Franco - Cadeira n 23, Patrono Herculino Teixeira de Souza, os trs saudados pelo acadmico Joaquim Cesrio dos Santos Macedo, que os considerou "trs nomes de destaque na intelectualidade montes-clarense". Com estas posses, o quadro social passou a contar com vinte e um membros efetivos. Os agradecimentos foram individuais, em discursos bastante aplaudidos, pois muitos os mritos de cada um: Athos Braga, o notvel professor e orador, um dos fundadores da Loja Manica Deus e Liberdade e do Instituto Norte Mineiro de Educao; Abelardo Teixeira Nunes, promotor de Justia, o poeta do Piau; Jlio de Melo Franco, o ilustre jornalista, famoso pela fome de leitura e pela inteligncia privilegiada.

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Por Wanderlino Arruda - 18/5/2016 09:25:17
A JOVEM CICERONE DOS MORRINHOS

Wanderlino Arruda

Quem viveu e trabalhou em Montes Claros algumas dcadas atrs teve oportunidade de viver tempos de grande interesse com a chegada de pessoas que queriam conhecer a cidade e - naturalmente - ver vitrines e entrar nas lojas para alguma compra. As mercadorias eram bem diferentes das de hoje, quando eram vendidos chapus, louas, tecidos, perfumes e at linhas e fitas. A razo dessas andanas feitas a p era a passagem dos forasteiros que vinham do interior de So Paulo, maioria endinheirada e que queria levar presentes para familiares. O comrcio era o maior da regio e, como diziam, tinha de um tudo para encher as vistas e provocar alegria. Como trabalhei, por alguns anos, na Imperial e na Casa Elza, sempre soube chegar logo depois das sete, para receber a freguesia que disputava posies no balco. Montes Claros foi sempre uma terra de curiosidades, de muita coisa para se ver, mesmo no sendo uma cidade turstica. Era importante visitar o mercado, a catedral, a igrejinha do Rosrio, o colgio das irms, e para quem gostava de andar mais, at o Parque de Exposies, inaugurado em 1957, ano do Centenrio. A partir de 1951, com todo o centro j calado, o caminhar sem poeira era uma glria. O movimento de carros s veio acontecer depois de 1960, quando apareceram os primeiros fuscas, os gordines e daufines. Tudo era festa, um prazer imenso de andar e perambular, at quando sem destino. Os dois primeiros edifcios foram a Ciosa e a Caixa Econmica, ambos no Centro. A Ciosa, construda pelo mdico Mrio Ribeiro, era uma enormidade na ocupao do solo e na altura, vrios andares de lojas, escritrios e apartamentos, alm da galeria ligando a praa Rua Lafet. Na galeria, o elevador, o primeiro de Montes Claros, sucesso para todas as idades. O prdio da Caixa Econmica, foi de construo mais elaborada, arquitetos de fora, muito mais alto, acabamento mais caprichado. Comercial s o trreo, destinado agncia gerenciada por Chico Pires, tempo ainda de Maria Salom, Dalva Medeiros e Tone Economirio. Do primeiro andar para cima s residncias de classe mdia alta, destinadas a moradores reconhecidos pelos nomes de famlia ou pelas profisses de destaque. Os elevadores bem mais modernos, tinham portas automticas. Tudo que at aqui foi dito para chegar histria de uma menina nascida em famlia pobre, criada sem pai, e sustentada com dificuldade por dona Elza, misto de mulher e santa, exemplo de dedicao e carinho. Na casa, o dinheirinho modesto e controlado era s para vestir, comer e pagar o estudo, nada mais. Moravam na rua Melo Viana, p dos Morrinhos. A jovenzinha, desde criana, era um primor de inteligncia e desenvoltura, bonita, elegante e mais do que comunicativa. Na campanha eleitoral de Pedro Santos subiu ao palanque com bastante desenvoltura, pose de candidata. E como tinha boa voz, sua funo foi cantar o jingle da campanha. Nome da menina: Tnia Raquel de Queiroz, hoje a querida mdica, professora e deputada federal Raquel Muniz, nica representante nossa no Congresso Nacional. Como amava sorvetes e cinema, e no tinha recursos, o jeito era esforar-se para conseguir algum para a sorveteria e tambm para as matins. Assim, todas as manhs, ia para a Estao, aguardando o pessoal que chegava de trem. Como a maioria no sabia andar pelo centro, Raquel oferecia-se como cicerone. Alm de lev-los aos consultrios e s lojas, vendia-lhes a oportunidade de andar de elevador, uma grande novidade. Levava-os aos prdios da Ciosa e da Caixa, cobrando pequena taxa ou trocando o servio por uma ida sorveteria Cristal, com direito de escolha do sabor. A atividade de guia turstica da mocinha Raquel foi um excelente ensinar e aprender, preparo certo e seguro para uma futura liderana, tudo com merecimento do maior sucesso. E com a graa de Deus!

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Por Wanderlino Arruda - 11/4/2016 11:30:34
50 ANOS DA ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRAS

Wanderlino Arruda

A fundao da Academia Montes-clarense de Letras aconteceu em uma agradvel tarde de 13 de setembro de 1966, em reunio convocada para acontecer no primeiro pavimento do Sobrado da Rua Coronel Celestino -em uma sala da Faculdade de Direito. A iniciativa foi do doutor Alfredo Marques Vianna de Goes, presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, que havia chegado a Montes Claros justamente para colocar em prtica a ideia de criar aqui uma instituio literria com maior amplitude, a exemplo de outras existentes em Belo Horizonte. Sempre amigo de nossa cidade, pois vizinho nascido em Curvelo, Vianna de Goes valeu-se do prestgio acadmico e sentiu-se vitorioso pela presena de excelentes companheiros das lides de escrita e de publicaes, um vistoso elenco de intelectuais montes-clarenses: professor Jos Raimundo Neto, dr. Antnio Augusto Veloso, dra. Maria Pires Santos, dr. Joo Valle Maurcio, dr. Hermes Augusto de Paula, padre Joaquim Cesrio dos Sa ntos Macedo, dra. Helosa Neto de Castro, professora Dulce Sarmento, dr. Hlio Oscar Vale Moreira, dr. Avay Miranda, dr. Geraldo Avelar, dr. Francisco Jos Pereira e cronista Orlando Ferreira Lima. Um alinhado grupo, realmente importante nas publicaes em livros e na imprensa, na oratria, no magistrio, na poltica, em instituies sociais e de cultura, o melhor em disponibilidade naquele momento e que, naturalmente, pde atender ao convite para o encontro. Ao todo, treze, que no final da reunio, foram considerados - ou se consideraram os fundadores. Tudo discutido, muitos detalhes aprovados, lista de presenas assinada, foram indicados para a tarefa de organizao o professor Jos Raimundo Neto, o dr. Antnio Augusto Veloso e o dr. Joo Valle Maurcio. Realizada a eleio para a nova diretoria, assumiu a presidncia o dr. Antnio Augusto Veloso. O local para as reunies e assembleias ficou para ser discutido na primeira oportunidade, provavelmente uma sala do Conservatrio de Msica Lorenzo Fernandez, ou mesmo uma sala da Fafil ou da Fadir, antigo e tradicional centro de cultura da parte histrica de Montes Claros. Pouco dias depois - 26 de setembro - constou da pauta a discusso e aprovao dos Estatutos e do Regimento Interno, estabelecendo em trinta o limite de cadeiras. Quanto aos patronos, tambm em nmero de trinta, a ideia foi de que seriam os prprios acadmicos, uma forma mais direta de se tornarem imortais. Claro que um bom assunto para ser estudado com mais calma. Quatro dias antes do final de 1966, foram empossados as professoras Yvonne de Oliveira Silveira e Sylvia dos Anjos Correia Machado, o escritor Olyntho da Silveira, o vereador Cndido Canela e o advogado Jos Prudncio de Macedo. Reunio solene com autoridades e convidados, foi mais do que brilhante a saudao aos novos imortais feita pelo padre Joaquim Cesrio dos Santos Macedo, notvel poeta e orador, com agradecimento pela nova imortal Yvonne de Oliveira Silveira. O presidente Antnio Augusto Veloso leu os nomes dos dezoito confrades e confreiras, anunciou as doze vagas para novas admisses e comemorou a reeleio do dr. Alfredo Marques Vianna de Goes na presidncia Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Nada mais houve a tratar, alm do coquetel e da noite festiva. Academias Montes-clarense de Letras e

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Por Wanderlino Arruda - 6/4/2016 14:42:20
PALMYRA SANTOS DE OLIVEIRA

Wanderlino Arruda

No dizer de Howard Whitman, "todos ns temos trs necessidades emocionais bsicas: sentirmo-nos estimados, importantes e seguros. preciso que algum goste de ns. Precisamos sentir que valemos alguma coisa. E precisamos sentir-nos a salvo de incertezas". Esta uma preciosa lio que aprendi em uma Selees de setembro de 1952, pouco menos de dois anos depois da minha chegada para viver e muito conviver em Montes Claros. Tenho absoluta certeza de que foi uma pgina da maior importncia em todos os momentos de minha vida, principalmente na observao e no acompanhamento das pessoas que realmente gostam e desfrutam desta cidade, como o caso da escritora Palmyra Santos de Oliveira, irm do meu amigo Jos Gomes e me de quase uma dzia de moas e rapazes, que tanto bem tm feito a este mundo de meu Deus. D. Palmyra rvore, ramo, flor e tambm fruto de um tudo de bom que a vida oferece e nos pode oferecer. Gosto dela, de como , de como se mostra, de como adm inistra cada minuto de existncia. Amada-amante de todas as realidades e de todos os sonhos! O livro "MONTES CLAROS, PORTEIRINHA E OUTROS AMORES MEUS...", segundo da lavra de D. Palmyra, que voc, leitor/leitora, vai ler, em seguida, um fiel atestado do muito que ela sabe e da enormidade de bons sentimentos com que ela viveu bons tempos de Montes Claros e excelentes tempos de Porteirinha, sedes dos seus domnios de amor, de servios cultura e de um importante plantar de amizades e carinhos. Tudo tem sido como um abrir janelas e respirar todos os azuis dos dias e das noites de uma vida de encantos. Tudo uma luminosa saudade para colorir santas lembranas, santssimos sentimentos que ela soube nutrir em cada olhar que teve e que provocou, em cada passo que deu ou que chamou para perto de si. Nenhum mistrio, porque a realidade tem que ser bonita, tem que ser visvel, luz do sol ou ao pisca-piscar da lua e das estrelas... Que cidade agradvel e gostosa era a Montes Claros dos seus tempos de menina e de menina-moa: ricos quintais, doces brinquedos na port a da rua, vizinhos alegres e bem informados, tudo um universo para aprender e ensinar, eterno palco em meio de um empolgado auditrio, ningum sabe se mais de crianas que de adultos, hoje somatrio de lembranas com dezenas de nomes de pessoas e de famlias: D. Consuelo, D. Inh, Fani Maurcio, Neusa, Nivaldo e Benedito Maciel, Juca de Chichico, Natlia Peixoto, Pndaro, Maria Ins, Tat, Umbelina, Artimnia, os tios Ulisses e Ambrosino, o av Viriato, o pai Manuel, a me D. Laura... Histria, estrias, casos e causos, muito ou tudo da mineiridade de D. Palmyra, tudo. Lindos momentos de pura amizade, evocaes de sabores, evocaes de saberes, sons e cores, afirmaes de f, perspectivas que s a paixo montes-clarense de incio de sculo pode aflorar. Neste livro a autora no faz economia de amor, no deixa qualquer sentimento para depois. Tudo, tudo mesmo, um constante hoje, um agora, uma sempiterna viso de quem sabe apreciar o mais aprecivel de cada segundo vivido e amado. A Rua Doutor Veloso, o largo So Sebastio, mais tarde Praa Coronel Ribeiro, a Rua Bocaiva, o centro da cidade, os bairros, as cercanias, as subidas e descidas, assim como as casas de comrcio e as residncias, cada coisa tem um valor, marca um sentimento, representa uma virtude. E as pessoas mais prximas do seu relacionamento - como a Gringa, Jos Galinha, Francisca, Tereza, Niqueda, Santa, Silvria, Maria Violo, Bela, D. Josina, assim como a feira, a viagem a Bom Jes us da Lapa, os passeios, os fatos surpreendentes, at os registros de genealogia, que coisa mais interessante! O tempo no pra, mesmo que a saudade faa as coisas pararem ou as fixe para a eternidade de quem ama e, em verdade, gosta de amar. Um momento de poesia vale tanto quanto um milnio de sentires, principalmente quando esse momento escrito e descrito por minha amiga, D. Palmyra, autora e dona deste Livro. O segredo - bem lembrou Mrio Quintana - no cuidar das borboletas, mas cuidar do jardim. Havendo jardim, muito haver de borboletas. Importante que o valor seja dado ao que realmente importa! Devemos sair rua ou ao mundo abertos aos caminhos e ao caminhar, sempre dispostos ao que possa acontecer - melhor dizendo - dispostos s venturas e aventuras. Penso em D. Palmyra na mesma medida que penso em Cora Coralina, porque para ambas a vida seria curta ou longa demais - e sem sentido - se no tocasse o corao das pessoas. Marcante o colo que acolhe, o brao que envolve, a palavra que conforta, o silncio que respeita, a alegria que contagia, a lgrima que corre, o olhar que acaricia, o desejo que sacia, o amor que promove. E isso no coisa de outro mundo, o que realmente d sentido vida. e ser! E que este livro da minha companheira de Instituto Histrico, me do presidente Itamaury, seja um precioso presente, um importante momento de leitura para voc, leitor/leitora, acredito gente boa tambm do meu corao! Parabns, sempre menina-moa, PALMYRA SANTOS - Santos, Teles, Oliveira - glria de Montes Claros, magnfica glria de Porteirinha, cidade me dos seus filhos Irani, Itamar, Iolanda, Itajahy, Iracy, talo, Ilacir, Itamaury, Isani, Ivan e Ilmar.

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Por Wanderlino Arruda - 22/3/2016 10:04:50
EDWIRGES TEIXEIRA -A DOUTORA DU

Wanderlino Arruda

Para a garota que nasceu em Mato Verde, em tempo de seca, Deus concedeu, em cada um dos seus dias, pginas de vida perfeita no livro do tempo, principalmente quando chegou para trabalhar em Montes Claros, em 1939. Menina-moa, de ps descalos e vestido de chita, tudo no seu viver e conviver tem sido mltiplos quilates do melhor ouro da inteligncia e da determinao. Fiel a si mesma e aos outros, vida particular e suas profisses, humilde, recatada, despida de orgulho, sempre soube edificar sua prpria biografia sem distncia entre sonhos e realidade. Tudo constncia e brilho de luz, tudo! Primeira escola na cidade natal, onde tambm estudei - as Escolas Reunidas - muitas leituras e muitos projetos nos apontaram para c. O desejo de progresso e a determinao de vencer nos conduziram a mltiplas experincias, conhecimento e reconhecimento do que havia de melhor em aprendizagem profissional. Fase de ascenso da cidade, Edwirges aprendeu cedo o cheiro e o trabalho de prtese nos laboratrios de famosos dentistas, entre eles os doutores Aslquer, Plnio, Jos Barbosa, Sebastio e Jos Moreira.
No balco da Bombonire da Rua Quinze, viu, em 1942, o incndio da Casa Luso-Brasileira e no Caixa do Bar de Clvis, conheceu Filomeno Ribeiro, Jaime Rebello, Benjamin Rego, Candido Canela e - acredito - outros importantes como Luiz Pires, Jos Esteves Rodrigues, Armnio Veloso, Joo Souto, Niquinho Teixeira, Nelson Vianna, Joo Chaves, alm dos doutores Honorato e Joo Alves, este marido de D. Tiburtina.
O apelido Du veio de D. Maria, esposa de seu primeiro patro, Daniel, porque o nome Edwirges parecia muito difcil de ser pronunciado. O namoro com Mundinho comeou em 1946, mas o casamento s aconteceu em 1950, tempo em que os limites de Montes Claros iam da Santa Casa linha do Roxo Verde e do final da Rua Bocaiva at a Praa Itapetinga. O Alto Severo era longe, os Santos Reis era para viagem a cavalo. J casada, morou na roa, morou em So Paulo, sempre e sempre sonhando em voltar para c. No nascimento do primeiro filho, dcada de cinquenta, conheceu a Irm Beata; em 1964, dentista prtica, tempos mais do que difceis, foi perseguida como se fosse comunista, s porque era prottica. O curso de madureza - ginsio e cientfico - foi de setenta a setenta e dois, com orientao do doutor Alcides Loyola. Pouco depois foi para Diamantina levando a filha adolescente e morando em pensionato, at conseguir ser dona de uma repblica de estudantes. Graduada com louvor em 1976, seu maior problema foi comprar um consultrio, s possvel porque j havia venda em prestaes. Na mesma profisso, formou seus filhos Raimundo e Rodolfo, sendo Raimundo o fundador da primeira Escola Superior de Odontologia do Norte de Minas, uma das melhores do pas. A filha Sueli tem curso superior de Design e gosta muito do que faz. Instalado o consultrio da Rua Padre Augusto, esquina com a Rua Camilo Prates, seu primeiro cliente foi o prprio senhorio, o dr. Antnio Augusto Veloso, seguido de D. Jacy Veloso, dr. Alfeu de Quadros, Osmane Barbosa e dr. Antnio Augusto Athayde, que dentre muitos e muitos outros, todos transformados em amigos. O trabalho srio e a competncia da doutora Edwirges Teixeira de Freitas tem sido contnuo e continuado, muitas vezes das oito s vinte e duas horas, algo que acontece at em fins de semana, descontado s o horrio da missa. No meu ponto de vista, nenhum profissional melhor neste Brasil. E que Deus permita ela continue assim ainda por alguns anos. Melhor para ela, melhor para todos ns, seus clientes e admiradores. No muito longe de chegar aos noventa, doutora Du, agora, s trabalha at s vinte. Para ter um pouquinho de tempo para assistir ao noticirio e s novelas... Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 16/3/2016 09:52:45
LUIZ DE PAULA E AS VELHAS FOTOGRAFIAS

Wanderlino Arruda

Luiz de Paula Ferreira, homem que foi sempre ilustrado e prtico, lido, corrido e curtido na vida, uma vez me disse, com um tanto de malcia no sorriso, que a nica arte que no progrediu no mundo moderno foi a dos fotgrafos e retratistas. Pelo menos, no que tocou a ele, jamais viu nada de melhoria nas fotos - at mesmo nas retocadas - os quais, a bem da verdade, at tm piorado muito. Por exemplo, quando ainda estava nos dezoito, nos vinte e cinco, nos trinta anos, as fotografias que ele tirou com Serafim Facella, eram bem mais bonitas, com a pele mais lisa, os olhos mais brilhantes, os cabelos bem fartos, soltos e retintos de boa e bonita cor. A musculatura era de encantar, cada parte e tudo no lugarzinho, tudo bem proporcionado, rugas nenhumas. J neste sculo, que vai bem adiantado, ele sempre teve at medo de posar, porque mesmo os melhores fotgrafos, com as melhores mquinas - digitais ou no - nada conseguem, nem mesmo uma vaga lembrana das antigas fotos cheias de charme e juventude. Uma lstima, uma involuo lastimvel no universo da fotografia! isso a, nem tudo progrediu neste mundo, vasto mundo de artistas e mortais e imortais. Acredito que a queixa de Luiz de Paula quanto aos fotgrafos deve ser a de todos ns que, merc de Deus, passamos dos cinquenta ou dos sessenta, dos oitenta, salvao talvez de raras excees, que no ouso dizer os nomes, para no ficar denunciando idade de ningum, principalmente das madames minhas amigas. Mas que a fotografia no progrediu com relao a este aspecto das feies humanas, isso realmente verdade. Os leitores mais antigos que faam um exame nos lbuns de famlia, uma comparao no porte, o meio-de-campo sem barrigas, a retido na coluna, o nariz afilado? Onde esto, idosa criatura, o busto bem levantado em posio de trs horas, o pescoo escultural, os cabelos sedosos e cheios, a boca sensual, cada curvinha em seu lugar? Oh! Como tudo mudou! Como os fotgrafos perderam uma tcnica to simples de iluminar a velha juventude! De fato, s a fotografia capaz de paralisar o tempo, capturar momentos, segurar uma jovial feio enquanto ainda existe. Nada mais na vida capaz de parar o tique-taque dos segundos ou da eternidade, solidificar minutos de uma existncia, movimentos incessantes como as das chuvas e dos rios. A fotografia um plasmar de realidade. o que : objetiva, concreta, verdadeira. O fotgrafo, o artista, o criador nada pode mudar, porque entre ele e o figurante existe a mquina, sempre fria, indiferente, veraz, permitindo quando muito s alguns retoques de Fotoshop ou de outros programas de imagens. O fotgrafo no pode ser como o pintor, que escolhe o tipo de tinta, escolhe a cor, trabalha mais com a imaginao do que com a realidade, um dos poucos profissionais ainda com direito a ser romntico num mundo de iluses e desiluses como o nosso. O fotgrafo, por mais criativo que seja, sempre encontrar limites sua ao. Mas exatamente porque a fotografia a priso do tempo, que ela se torna importante, atual para cada etapa, ao mesmo caso documento e denncia, repositrio de bons motivos de muitas lembranas, quantas vezes moldura de infinitas saudades. Com que grata recordao olhamos nossos traos dos anos de infncia, dos dias de adolescncia, da escola, da formatura, do casamento, da lua-de-mel, de momentos de posse em alguma instituio. Como so lindas as paisagens das nossas inexperincias, dos sonhos inacabados, das gostosas torturas da paixo jovem! Como importante o brilho de uma recordao! Tudo to grato aos olhos do corpo e da alma! Quem quiser saber mais s percorrer o Facebook de nossa saudosa Maria das Dores Guimares Gomes, to bem trabalhado pelo importante montes-clarense Wagner Gomes. Tem muita razo o meu amigo Luiz de Paula. Ele est certssimo na birra e na zanga para com os que tiram retratos. Bem que os fotgrafos poderiam descobrir nova fonte de juventude. Mesmo que esta no espalhasse nem um pouquinho a mnima verdade!

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Por Wanderlino Arruda - 8/3/2016 10:20:09
IVAN GUEDES

Wanderlino Arruda

Louvemos as pessoas, em primeiro lugar, pelas obras com que beneficiam o tempo e o espao e que beneficiam cada movimento do bom viver e da boa convivncia. Consideremos, sobretudo, seus atos de f, seus gestos de gentileza, sua atuao perante a famlia e os amigos. Consideremos, com o melhor da nossa conscincia, os que vivem sempre para o progresso dentro e fora do trabalho. Benditos os que permitem a esperana, os que tm palavras de estmulo, os que so e que esto no caminho do bem e do socorro ao prximo. Bem-aventurados os que, mesmo nos gestos simples de cada dia, se tornam benfeitores, que tm a felicidade no como estao de chegada, mas como um modo de se movimentar para o futuro. Para estes, no existem cargas mais leves, mas sim ombros fortes e apropriados tarefa de cada dia; no h ponto final no amor, porque o amor vida e a felicidade o melhor jeito de ser e de viver. Mesmo conhecendo com mincias a vida do amigo e do meu mais considerado colega de escola, surpreendo-me com "IVAN DE SOUZA GUEDES, este grande brasileiro", livro fruto das pesquisas e da lavra literria da historiadora Zoraide Guerra David, lente e foco ao mesmo tempo de uma vida cheia de grandeza, sincero retrato de corpo inteiro para o agora e para o sempre: Ivan e famlia - fundamento slido; Ivan e Montes Claros, terra dadivosa; Ivan, o empresrio; Ivan e a expanso da Minas Brasil; Ivan e sua inter-relao humana e comunitria; Ivan nas comemoraes especiais e nas homenagens que tem recebido; Ivan, uma referncia e o reconhecimento pblico. Tudo de vida e ao, tudo de f e esforo, tudo certeza no valor do trabalho, e acima de tudo, uma confiante esperana de quem sabe o que quer e a que veio. O importante no passar pela existncia, viver! Minha confreira Zoraide foi bastante feliz em todos os registros da biografia de Ivan, o filho do alfaiate baiano e intelectual Nino de Souza Guedes e de D. Maria do Carmo, bocaiuvense da melhor estirpe, excelente me de famlia e educadora; Ivan, o marido da doutora Mercs Paixo Guedes e pai dos jovens administradores Leonardo, Lyntton Jos, Luciano Frederico e Leandro Ivan, tudo gente do melhor que a vida de trabalho pode oferecer, uma verdadeira equipe. Em realidade, uma biografia frtil e bem apropriada diante da riqueza de informaes bastante conhecidas, sempre presenciadas por amigos e clientes desde a antiga Farmcia So Jos, de Juca de Chichico, onde Ivan vendia remdios durante o dia e aplicava injees durante a noite, parte por ser balconista, parte para ganhar mais uns trocados para ajudar a famlia e para pagar os estudos no Colgio Diocesano e no Instituto Norte Mineiro de Educao, escolas em que fizemos o segundo grau e conclumos o curso de Contabilidade. Sempre de p, sempre olhos nos olhos, sempre se movimentando, Ivan nunca se negou a ouvir um cliente em necessidade de um conselho ou do aviamento de uma receita mdica. Atendimento nota dez, o selo do sucesso! Como deixou claro Alberto Einstein em alguns escritos, "No podemos viver felizes, se no formos justos, sensatos e bons; e no podemos ser justos, sensatos e bons sem sermos felizes". "Evidentemente, ns existimos em primeiro lugar para as pessoas queridas, de cujo bem-estar depende a sua felicidade e a nossa; depois para todos os seres, nossos semelhantes, que no conhecemos pessoalmente, aos quais, entretanto, estamos ligados pelos laos da simpatia e fraternidade humana". Se o amor no eterno, eterna tem que ser a capacidade de amar. Para Cora Coralina, "Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre o tempo", pois como bem disse Benjamim Franklin "A melhor coisa que voc pode dar ao inimigo, o seu perdo; ao adversrio, sua tolerncia; ao amigo, sua ateno; aos filhos, bons exemplos; ao pai, sua considerao; me, comportamento que a faa sentir orgulhosa; a todas as pessoas, caridade; a voc prprio, respeito". Inteligente, empreendedoramente frtil, determinado, consciente no ser e no agir, Ivan nunca teve um dia sem proveito de aprendizagem e da realizao do bem. Sempre ao lado de Mercs e, ultimamente, dos filhos, cresceu e multiplicou ao mesmo tempo em que Montes Claros progrediu em tamanho e em qualidade. Das pequenas drogarias das ruas D. Pedro II e Camilo Prates, fincou p na Doutor Santos com Padre Augusto e, hoje, lidera o comrcio farmacutico no centro e praticamente em quase todos os bairros da cidade, cada ponto comercial com mais recursos e mais modernidade. Viajante internacional bom observador, soube, juntamente com Mercs, e mais tarde com os filhos, fazer todas as adaptaes que o seu comrcio permitia e o conforto da clientela podia exigir. Bonita, admirvel, material e espiritualmente encantadora a vida de Ivan, meu companheiro, meu amigo prximo em quase sessenta anos, seja na escola, seja na vida. Bem sei das quantas dificuldades teve que superar, do quanto teve que se esforar, do quanto teve que aprender ao longo da vida. Agora, que Zoraide Guerra David grava em letras e imagens este portentoso registro, muito mais justia ser feita por quem o conhece no dia-a-dia ou por quem tiver notcia deste livro "IVAN DE SOUZA GUEDES, ESTE GRANDE BRASILEIRO". Ivan e sua famlia tm todos os merecimentos. E que Deus os conserve sempre e sempre!

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Por Wanderlino Arruda - 25/2/2016 08:06:40
BONS TEMPOS NOS MONTES CLAROS

Wanderlino Arruda

No havia a Rua Lafet desembocando ali na Rua Carlos Gomes. O que havia l era s o esplendor do Alhambra, casa de mulheres gr-finas, chefiada com mo-de-ferro por Ana Reis, uma organizao de dar gosto. A Rua Lafet s foi aberta j no fim da administrao do Capito Enas Mineiro, quando este a ligou com a Rua Visconde de Ouro Preto, que at hoje conserva o nome. Era nesse encontro de esquinas que ficava o cassino, casa de festas, de jogos, de encontros, que tinha na placa o respeitvel nome de Clube Minas Gerais. Ao lado, em volta, pertinho, longe, dezenas de casas de mulheres, com janelas apinhadas de propaganda viva, contida algazarra de quem precisava acatar as exigncias das famlias vizinhas. Durante o dia, certo respeito. noite, agora sim, era hora de se divertir, podia levantar o som da msica, pois tempo e horrio de prazeres. Todos os homens, tendo dinheiro, estavam convidados! Foi por causa do cassino que no pude ficar morando na Penso de D. Ismnia, na Praa de Esportes. Menino ainda, no ficava bem passar, toda hora, em frente das casas ditas de tolerncia, subisse pela Rua S. Francisco, pela Carlos Gomes ou pela Altino de Freitas; pela rua Lafaiete, a nem pensar, era l o centro de tudo, a capital do pecado. Sabedor-mestre da situao, dr. Carlyle Teixeira, meu conselheiro, mandou-me para a Rua Afonso Pena, no beco do Padre Marcos, para a Penso de D. Tonica, lugar de gente muito mais sria. De l para a Loja Imperial, durante o dia, ou para o Colgio Diocesano, durante a noite, era um pulinho, e bem a salvo da malandragem ou da perdio. Assim era mais seguro, pensava ele. Engraado que, apesar de todo esse cuidado, por ser eu amigo de Anbal Rego, que, por sua vez, era ntimo de Ana Reis, raro foi o dia em que eu no passava pelo Alhambra, para ouvir rdio ou escutar conversas do mulherio de luxo, no sei que tempo eu encontrava para isso. O cassino eu via de cima, da sacada, l dentro a orquestra ou um tipo de conjunto musical dirigido por Godofredo Guedes, um mestre da clarineta, a dedilhar e soprar boleros, tangos e velhas msicas de jazz. Com dezesseis anos apenas, entrar na festa estava fora de qualquer cogitao. Este direito ficava com os rapazes mais velhos como Geraldo Borges, Geraldo Avelar, Dudu Cunha, Ildeu Gonzaga, Carlcio Athayde, ou meninos ousados como Bebeto Prates. De todos os frequentadores das casas de mulheres, o mais importante, o maior gal, era Dudu Cunha. Gr-fino, rico, bonito, vivia a poca de ouro dos donos de caminho. Nas noites em que ele chegava de Taiobeiras, toda a Penso de D. Ismnia s falava nas suas aventuras, no cuidado que ele tinha com as roupas, com os sapatos, com o perfume, no demorado barbear. Os filhos de Nego do , que vinham de Salinas, Gildsio Ramos, que parece, j morava em Montes Claros, todos ficavam alvoroados para acompanh-lo, tirando uma casquinha do seu sucesso. Era um espetculo para todos ns, os mais novos, mais sensacional do que um episdio de seriado do Cine Coronel Ribeiro. Dizem que, com Dudu, at Nivaldo e Benedito Maciel, os donos da noite, ficavam ofuscados, Montes Claros se curvava perante Taiobeiras! Fora da, num outro circuito de que eu s ouvia falar, as estrias corriam por conta de um rico comerciante chamado Kalil, de Ludendorff Pinto Cunha, de Jos de Souza Zumba, de Benjamim Moura e de jovens doutores bem conhecidos, entre eles Mrio Ribeiro, Joo Valle Maurcio e Konstantin Christoff, todos mais do que simpticos, elegantes e bem postos na vida. O tempo do Cassino no era mesmo para todos.

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Por Wanderlino Arruda - 17/2/2016 10:34:53
AS MANHS AZUIS DA IRM DE LOURDES

Wanderlino Arruda

Os anos passam e no h um s dia que eu no tenha alguma lembrana dos bons tempos de convvio com a Irm Maria de Lourdes, uma das mais lcidas inteligncias que conheci. que foram bem ricos os meus horrios como professor de Lngua Portuguesa e Literatura, alm de aulas de Contabilidade no Colgio Imaculada Conceio. Dos meus mais de sessenta anos de magistrio, desde que fui professor de Ingls na antiga Escola Normal, direo de Dona Tade, os tempos do Imaculada realmente marcam saudades. Lindas, importantes e entusiasmadas alunas, a maioria amigas at hoje, bons colegas de magistrio, disciplina e finura de trato de todas as irms, tudo sempre me representou motivo de boas lembranas, principalmente as conversas com a Irm de Lourdes sobre cultura e costumes das gentes lusitana e brasileira, principalmente as do nosso Norte de Minas. Nunca me canso de dizer da beleza dos versos de Irm de Lourdes nos cantos da manh de azul! Quo saudoso o So Francisco, seu vassalo e o rio-mar, tristeza e alegria de todas as lembranas da mocidade! Como foram e so lindas as manhs imponderveis, os fios de horizontes em contraste com as horas mais doces! Quanta sensao de cheiros e de cores de todas as rosas e dos arminhos dos verdes anos! Januria, Januria, h coisas mais lindas no amor? Todos os sonhos se realizam no espao-tempo de um belo corao. Tua poesia, Irm de Lourdes, teu `Caderno de Lembranas` a luz mais clara da infinitude da alma, um halo da cor do cu, reflexo de guas mansas que passam numa eternidade! Teus pescadores singraram um rio de sonhos e se alimentaram de brisas de todos os mares de santa imaginao! Gostei imensamente da amorosa adjetivao do `Caderno de Lembranas`, livro de poesia dos mais coloridos substantivos, abstratos para a vida comum e concreto para o pensar da artista. Versos de angelitude e de f, gratificantes do mais bonito poetar. No mundo, sem ser do mundo, reais no aqui e no agora, jamais abandonaram o espao-tempo de quem soube voar no mais verde da esperana. Irm de Lourdes foi e namorada do azul e, queira ou no, suas personagens tero sempre o colorido das guas e do cu do So Francisco: Celeida, Celeste; Marina e at Dulce, com doce de perfume de infinito! H nobreza nas flores, h nobreza nas pedras, haver sempre joias para enfeitar a amizade sempre prxima da pureza do encanto. Grata aos que sabem viver pelo estudo e pelo amor, Irm de Lourdes desfilou uma galeria de nomes de reconhecido valor: Yeda, Genoveva, Jacy, Helosa, Luiz de Paula, Antnio Augusto Veloso, das Irms Guiomar e Edmunda. Irm de Lourdes, como irm e como professora, teve, naturalmente, um mundo bem diferente do nosso. No tinha como no poderia ter muitas das nossas imediatas preocupaes, to naturais guerra da vida de todo dia. Seu universo foi povoado de muito futuro, quando pensava nas outras pessoas, e de muito passado, quando pensava em si mesma. O presente nunca lhe importava quando ela via - e era bom que isso acontecesse sempre - o lado bom dos que passavam pela sua amizade e carinho. Assim, suas flores eram lrios, rosas, jasmins, miostis, o to grato manac, todas vivas de transparncia, exalando perfumes de amor! O cristal, o diamante, a turquesa, a esmeralda eram nuanas do verde-azul do seu rio, ou do mar de Olivena to vivos no corao. Quando falava de rubis, no queria dizer outra coisa que o pulsar dos antecrespsculos presentes no seu So Francisco natal. As cidades de Irm de Lourdes acordavam a voz dos sculos e marcavam muitos sis de primavera no texto suave da Boa Nova, na mais linda das mensagens de todos os tempos. Atravs dos versos, o perfume do Lbano, lembranas dos cedros; a alma do Sio, mensagem de aguadeiras e de pastores bblicos, com orvalho de manhs de intensa luz; o barulho juvenil de Cades, a movimentao de danarinos e mercadores; a esperana de Jeric, lugar sagrado de encontro entre a verdade e a f. As cidades da Irm de Lourdes tinham o azeitonado tom de Olivena, o brilho de nvoa de Friburgo e todas as sequncias de matizes das mais ternas de todas as cidades do mundo: Januria e Montes Claros.

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Por Wanderlino Arruda - 11/2/2016 08:18:49
EVANY CAVALCANTE BRITO CALBRIA

Wanderlino Arruda

Somente a sabedoria nos coloca em situao de ver alm das aparncias, seja esta dos fatos, seja esta dos sonhos. S a sabedoria nos remete direto ao significado verdadeiro de cada acontecimento, de cada nesga ou lance de vida. Somente a sabedoria nos faz ver uma legtima dimenso potica e a funo quase divina de quem pensa e de quem faz o verso e o ritmo do verso, melhor dizendo, de quem e de quem se sente poeta.
Digo mais: s a minha experincia - no muito nova no campo literrio - me remete interpretao do muito bonito e encantador texto de Evany Cavalcante Brito Calbria, ao mesmo tempo histria e marca de famlia, ao mesmo tempo estrias e causos mineiros, entreouvidos e sentidos com a marca existencial da menina, sempre linda e criativa. Leitor atento de todos os poemas deste Infncia Verde, confesso que fao minha a conhecida posio de Ferreira Gullar em relao ao fazer potico e a esse universo que no conseguimos aprender no todo, porque nascido conosco no modo at mais do que pessoal. Somos seres do grafar e do laborar palavras e sentimentos. Temos o talento e a inspirao que chegam como relmpagos e por caminhos de sonhos, tudo dividido ou multiplicado, tempo-espao do ser, do viver e do conviver. S ao poeta a necessidade de espanto com as coisas e com os acontecimentos, flor e fruto da motivao que leva ao poema e poesia, algo muito mais do cu do que da terra. Em poesia o saber, o saber fazer e o querer fazer no so suficientes, porque de nada adianta a tcnica quando no h inspirao e/ou marcas de sentimentos. Mesmo para seres privilegiados por Deus para entregar ao mundo a ordenao lgica das palavras, s uma vivncia encantada nos permite construir - versos depois de versos - textos com cadncia e musicalidade, haja ou no rimas de dentro ou de fora. Para o poeta, a epopeia ou o lirismo - querendo ou no querendo um modo diferente de lidar com ideias - um superar limites racionais, quase sempre sem o controle da razo. Sinto-me feliz e prazeroso com os muitos textos de Evany, bonitos e elegantes do comeo ao fim, tudo gramaticalmente limpo e perfeito, resgate da infncia que o tempo no desviou em momento algum, sempre vida bem vivida em saudades do passado e em voos de esperana e de futuro. Na ideia de D. Olga, me e conselheira, em Evany a poesia um eterno querer bem, um dizer sim para todas as belezas do corpo e do esprito. Por mais que essa poesia se esquive de suas mos, Evany fugir ou fingir no pode, porque ela inteirinha um colorido momento de saudades, sempre e sempre uma pura alegria, cenrio de sonhos, vestida e revestida de amor. Sobre isso, a prpria Evany faz relembranas: "Eu tinha doze anos e uma vida inteira". Tinha e tem, digo eu, prefaciador do seu primeiro livro. No somente de imagens e de ideias, no somente arco-ris de beleza, Evany mulher decidida e incrivelmente organizada, sempre afeita ao trabalho de cada dia. A ela, por isso, posso atribuir em parte e com pequenas modificaes, os versos de Cames que dizem no aprender somente na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, seno vendo, tratando e pelejando. Afinal, o mundo vitorioso est nas mos das pessoas que tm coragem de sonhar e laborar, pessoas capazes de correr risco para viver todos os seus sonhos. Feliz de quem atravessa a vida tendo mil razes para viver. Um charmoso jogo de amor! Desejo a Evany todo o sucesso do mundo, certo de que a sua lavra potica est entre as dez mais bem aquinhoadas de nossa Montes Claros. Conscientemente hbil nos raciocnios e nos sonhos, Evany pode dizer como disse o poeta Manuel Bandeira: "No fao poesia quando quero e sim quando ela, poesia, quer." E como Cora Coralina: "Nunca escreverei uma palavra para lamentar a vida. Meu verso gua corrente, tronco, fronde, folha, semente, vida". Evany - ser especial - gua, fogo, brisa e vento... Telrica ainda menina, telrica moa, telrica mulher. espao, terra e tempo... uma trajetria do pensar e do viver com alegria, vereda frtil de amor e de carinho, uma imensa vontade de caminhar... ir e vir ao mesmo tempo!
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Por Wanderlino Arruda - 14/1/2016 08:48:45
Corbiniano R. Aquino

Wanderlino Arruda

Com tristeza e, ao mesmo tempo, alegria, vi mais um amigo e companheiro, Corbiniano R. Aquino, o to querido Corby, fazer a grande viagem de volta ao Mundo Maior, deixando-nos um tanto rfos de sua presena e bondade, sempre consideradas agradveis e proveitosas em todos esses anos em que estivemos juntos. Tristeza, porque, mesmo sabendo no-imortais, nunca esperamos de imediato a ausncia dos que nos so caros, principalmente os mais aprumados do nosso viver e conviver. Por mais que saibamos da realidade da morte nunca a aceitamos sem queixas e saudades e, assim, toda ausncia definitiva parece nunca vir no tempo certo, tem sempre um tom de antecipao. Alegria, porque nada melhor e mais gratificante do que a sensao de ver concluda uma vida e lutas e vitrias, a certeza do dever cumprido, o coroamento do xito, a consolidao das amizades verdadeiras. Corby foi grande amigo, constante, atual, um bom irmo, colega, condiscpulo na escola do trabalho, mestre-professor sensvel e determinado de todas as horas. Ele no passou pela vida simplesmente. Viveu-a no que ela tem de melhor, de mais til, na seara do esforo incansvel de cada dia, sem paradas, sem perguntar a que veio, mas com a sincera disposio de quem sabia porque estava no mundo. A boa hora para Corby era aquele tempo em que podia ser lucrativo em termos de cultura, de conforto, de progresso e evoluo para todos que lhe seguiam a trajetria da romagem terrena. Nunca s viver o bem social, um conjunto de valores isolado. Um no vigoroso e efetivo ao egosmo. O bem de Corby foi que pudesse, sem dvida, trazer a felicidade ao maior nmero possvel de pessoas. Viver, viver muito, mas acima de tudo, conviver! Sei que muitas pessoas s conheceram Corby como industrial e comerciante. Sei que muitas s o consideraram como lder classista, na ACI, como filantropo na Maonaria, como orador e conferencista em entidades pblicas e escolas. Alguns o conheceram como homem de fino trato, social e socivel, srio e alegre, amigo, acolhedor. Alguns o viram no cultivo da terra, vidrado em plantaes, pelo colorido das flores, por tudo que o solo produz, enriquece e embeleza a vida. Mas quanto eu gostaria que os nossos contemporneos tivessem aproveitado mais de sua inteligncia como escritor e poeta, de sua habilidade como desenhista, de sua lgica contundente nos assuntos da sabedoria e do esprito! Foi ele um grande pensador, homem de cultura em todos os aspectos. Autor de um livro publicado - "ACONTECEU EM SERRA AZUL" - e outro por publicar - "ACONTECEU" dois excelentes romances, muita coisa ainda vir a lume para lhe dar um reconhecimento pstumo. Bom advogado, respeitado qumico, redator consciente da gramtica, espero no demorar muito o dia em que Corbiniano seja citado como um dos nossos melhores intelectuais. Na imprevista ideologia da poltica e dos polticos mineiros, no basta nem satisfaz s o existir, preciso que haja recompensa. E claro que ele a merece. Ningum perde por esperar! A justia tarda, mas no falta. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


81055
Por Wanderlino Arruda - 5/1/2016 08:16:25
Fernanda Ramos foi sempre busca de vida

Wanderlino Arruda

Segundo Aristteles, a grandeza no consiste em receber honras, mas em merec-las. E conforme Edith Wharton, h duas maneiras de irradiar a luz: ser a prpria fonte de brilho ou o espelho que a reflete. Grandeza, honra, luz, fonte, espelho, reflexo, um universo de palavras indicativas de valor e mrito. Em todas estas ideias e seus significados posso emoldurar a mulher corajosa e cheia de ideais, que foi D. Maria Fernanda Reis de Brito Ramos, Cnsul Honorria de Portugal no Norte de Minas, minha amiga e mestra de longo tempo em vrios setores da vida. A mesma D. Fernanda que era capaz de elogiar sem rodeios ou demonstrar uma inconformidade sem indecises. Foi para esta mulher guerreira, que fizemos uma festa espiritual em comemorao aos seus oitenta anos, mais do que bem vividos. Multiplicando os seus janeiros por meses e dias ou por horas e minutos, e pudemos sempre estar certos de que qualquer medida de sua existncia veio gravada de proveitoso construir, do muito amar, de um esforo incrvel para melhorar a vida e o viver. Dela mesma e de muitos. Dona Fernanda foi um dnamo sem medida de voltagem, uma criatura sem limites na busca da perfeio, exigncia prpria, exigncia com quem estivesse sua frente ou ao seu lado. Sempre chuva, nunca neblina, nada em D. Fernanda foi calmaria, nada. Para ela, a vida foi busca incessante do que fazer, do como agir, do assinalar exemplos, uma corrida olmpica de pistas e de pdios. Era vencer ou vencer! A Montes Claros chegou D. Fernanda, jovem esposa de Artur Loureiro Ramos, para ser grandeza do comrcio e da indstria, vivncia e trabalho na Casa Luso-Brasileira, centro e corao da cidade. Forte acento no caprichado falar da Universidade de Coimbra, onde a Faculdade de Engenharia lhe permitiu belssima formao intelectual e liderana. Aqui o seu maior contato com a realidade regional e brasileira, a sua consolidao no trato de tudo e com todos. Atitudes fortes, cada atuao mais do que definida: a famlia, os amigos, as companheiras e os companheiros de intelectualidade, o trato social mais do que valorizado. Mnima a distncia entre o ser e o atuar. At no dia-a-dia foi moa de sorte, porque a Casa Ramos ficava exatamente na nica esquina das duas ruas caladas, a Rua Quinze e a Rua Simeo Ribeiro, quando toda inteireza urbana era vermelhido de poeira. Dona Fernanda esteve sempre de bem com a vida. Algum descanso na Fazenda Vista Alegre, algum tempo em reunies do Clube Montes Claros, do Automvel Clube, da Associao Comercial e Industrial. Importante na fundao do Elos de Montes Claros, na Sociedade das Amigas da Cultura, na Associao de Dirigentes Cristos de Empresas, no Instituto Histrico e Geogrfico. Importantssimas as atividades de D. Fernanda como lder elista: conselheira, diretora, presidente internacional. Sempre presente em encontros regionais e interpases, principalmente em convenes. Como presidente internacional tomou vrias iniciativas de elevada repercusso, valorizando grandemente o Brasil e Portugal, alm de benefcios aos pases irmos de fala lusitana. Um valioso exemplo de solidariedade e amor! Trs fatos marcaram definitivamente o seu prestgio: a vinda do Cnsul S Coutinho e esposa na fundao do Elos de Montes Claros, a homenagem que a dra. Manuela Aguiar, deputada federal em Lisboa, veio trazer-lhe pessoalmente na Sociedade das Amigas da Cultura de Minas Gerais e a sua escolha pelo governo portugus para o cargo de Cnsul Honorria no Norte de Minas. Quantos e quantos dirigentes do Elos Internacional vieram a Montes Claros a seu convite, por fora do seu valor! Lembro-me como se fosse hoje da grande festa de inaugurao do Consulado, na sua antiga residncia da Avenida Cel. Prates, agora Praa Portugal. Muito difcil repetir o sucesso de D. Fernanda Ramos como o da sua presidncia na ADCE, dias realmente dourados para o prestgio da instituio. Com que entusiasmo D. Fernanda planejou, construiu e manteve o Hotel Fazenda Vista Alegre, local aprazvel no s para hospedagens, como tambm para realizao de eventos. Lon Denis, o sbio pensador francs, sempre achou que no basta crer e saber. sempre necessrio viver e fazer praticar na vida princpios superiores. Nossa existncia tem que ser alegre, harmoniosa, plena de bnos de paz e de amor, sempre e sempre despertando esperanas. No h como negar ser o amor a realidade mais pujante, porque o amar o grande desafio. O amor deve ser causa, meio e fim. por isso e por muito mais que Maria Fernanda Reis de Brito Ramos, nossa querida Cnsul, Companheira e Amiga, viveu e sobreviveu em razo dos seus muitos sonhos.

Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


81033
Por Wanderlino Arruda - 29/12/2015 10:13:03
CORREIO GALDINO, UM HOMEM DE FERRO

Wanderlino Arruda

Ser honesto difcil... mas vale a pena; afinal, quando houve conquista, quando houve vitria sem lutas, sem determinao, sem sacrifcios? Cada um escolhe o caminho que quer trilhar... e suas consequncias. Evillyn Barrueco Tendo de escolher dois cdigos de tica de toda a humanidade, escolho primeiro os Dez Mandamentos, recebidos por Moiss no Monte Sinai, trs no imperativo positivo (Amar a Deus sobre todas as coisas, honrar pai e me, guardar o descanso semanal), sete destinados a um povo ainda um tanto primitivo, com no, no, no... (No tomar o santo nome em vo, no matar, no roubar, no levantar falso testemunho, no cobiar as coisas alheia, entre elas a mulher do prximo). O segundo que elejo a Prova Qudrupla, criada por Herbert J. Taylor em 1932 e adotada pelo Rotary International em 1943, amplamente divulgada pelos Rotary Clubes no mundo, e que tem como objetivo desenvolver e manter altos padres nas relaes humanas. Contempla o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos: 1. a VERDADE? 2. JUSTO para todos os interessados? 3. Criar BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES? 4. Ser BENFICO para todos os interessados? So eternos padres que nunca falham, seja no plano pessoal, seja o coletivo. Um tanto machista o cdigo mosaico, o homem como centro de tudo, continua e continuar vlido e perfeito para qualquer civilizao, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, precisa ser adotado em nossa capital, Braslia, que JK chamava - por inspirao de D. Bosco - Cidade da Esperana. Falo de princpio de tica e de moral - uma eterna, outra conforme os costumes - para dizer do quanto me agradou e me seduziu a leitura do livro CORREIO GALDINO, UM HOMEM DE FERRO, do colega de Instituto Histrico e Geogrfico, professor Jos Ferreira da Silva, que em tempos antanho, foi meu aluno dos bons no Curso de Letras da Fafil. Foi leitura de um flego s para todos os depoimentos da gente sertaneja que conheceu o estafeta Galdino e com ele conviveu. Nem posso dizer que so repetitivos, porque todas os elencos de valores pessoais e morais sobre o pai de Jos Ferreira e dos seus dezesseis irmos saem diretamente das lembranas mais vivas de cada um, palavras que saram mais do corao do que da fala ou da escrita. De modo geral, todos na mais santa simplicidade, mesmo de gente que tenta ser erudita. Como no cdigo do Rotary, um entrelaamento de conceitos que representam, sobretudo, a verdade, os princpios de justia para todos os interessados, a criao de n ovas amizades, assim como o benefcio para todos, inclusive para o Correio Galdino, um homem feliz, maestro de bons exemplos. So sinnimos de honradez o decoro, a probidade, a compostura, a decncia, o pudor, a dignidade, qualidades e condies que Galdino sempre teve no trabalho e na criao dos filhos. Homem de praticamente nenhuma escola, foi ser sbio e didtico no exemplo o tempo todo, consigo mesmo, para com os outros e para com Deus, pois religioso com base no exemplo. So sinnimos de lealdade a dedicao, o cumprimento do dever, a confiana, a retido, a decncia, a honra e a sinceridade em tempo integral. Uma pessoa leal algum que fiel e dedicada, e que sempre cumpre as suas obrigaes no lar e na profisso, no pensar e no agir, no ser e no ter, no viver e no conviver.
E no caso de Galdino - grande figura da histria de Porteirinha - um ser de intenso entusiasmo, de grande interesse pelo sabia fazer e fazia bem, um intenso prazer, uma dedicao ardente, uma paixo, uma veemncia no ir e vir de cada dia, seja na estrada para Gro Mogol, seja no cabo da enxada para criar e cu idar de lavouras. Galdino, um homem srio e alegre ao mesmo tempo, bom contador de histria e de estrias, principalmente para as famlias e pessoas de quem ele gostava mais. Em todas narrativas prestados por seus amigos, uma comum, o fato de s viajar a p e, sempre que possvel noite. Confiava mais em si mesmo, nas suas foras, na sua sade, do que do trote dos animais estradeiros. As sandlias eram mais confiveis do que as selas ou as cangalhas. Nos embornais, o de comer e os documentos e dinheiros do leva e traz. Em um o que seu, noutro, a responsabilidade de entregar aos donos ou s autoridades da Comarca de Gro Mogol ou de sua cidade, a pequena Porteirinha.
O professor Jos Ferreira da Silva, nosso Pel dos tempos de Fafil, presta com este livro, CORREIO GALDINO, UM HOMEM DE FERRO, a mais relevante contribuio histria norte-mineira e sertaneja, aos bons costumes, s relaes humanas, aos deveres de famlia. Mesmo trabalhando sem direitos e somente com obrigaes, Galdino sempre manteve o sustento da casa e a criao dos filhos nos bons costumes, f, bom procedimento e escola como valores fundamentais. O homem de Deus, Phillips Brooks, aconselhou aos seus fiis: Viva de tal maneira que, se todas as pessoas forem como voc e todas as vidas forem vividas como a sua, a Terra ser um paraso. Da, o moderno Bill Gates dizer que "Antes de tentar arrumar o mundo, tente arrumar seu prprio quarto." Gente sempre presente e organizada como o Correio Galdino - ser completista na evoluo - s pode dar certo. Fico imaginando nos velhos tempos de funcionrio da ativa no Banco do Brasil, quando Haroldo Lvio de Oliveira, Waldir Sena Batista e eu redigamos os pareceres finais das fichas de cadastro. Tenho absoluta certeza de que - para o cliente Galdino - diramos tratar-se de pessoa de carter ilibado, de alta competncia no seu ramo de negcio, muito bem referido, ntegro, honesto, honrado, bom pagador, assduo em todas as atividades e merecedor de todo crdito como pessoa fsica ou jurdica. Galdino, Correio Galdino, um ser inesquecvel, um nome imortal. Verdadeiro exemplo de vida! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


81015
Por Wanderlino Arruda - 22/12/2015 17:42:30
Ofcios de outrora A lembrana dos Reis Magos salinenses me levou de volta antiga rua da Avenida, onde o L Latoeiro tinha sua pequena oficina, entre a casa das irms Galvo e a famlia Cardoso - parentes do Procpio Cardoso Neto. L tinha o lbio leporino, mas falava sem dificuldade, todos o conheciam e compravam sua arte. (...)

Mesmo tendo vivido em Salinas por menos de um ano, quando moram, primeiro em uma casa ao lado da igreja, depois numa rua que fazia esquina com uma avenida, um quintal imenso, porque de fundo, vejo-me encantado com todas as descries de Iara, que escreve melhor do que eu. O texto legtimo e perfeito; bonito e mais do que histrico, pois real em todos os detalhes. Sempre entendi a palavra artista com o significado de quem faz, quem mesmo sendo repetitivo, se mostra sempre criativo, inventando modo de diferente de produzir com as mos. Tanto fazer selas, rdeas, tacas de couro, loros, assim como criar figuras com biscoitos e pes sovados ou bolinhos de queijo, tudo era arte e obra de artistas. to sedutor o texto da artista Iara Tribuzzi, que me permitirei - mesmo que ela no me d licena - de us- como parte mais de importante do meu livro Dos Oitenta Anos, para demonstrar a vidinha deliciosa que tnhamos nas cidades de nossa meninice e juventude. E sei muito que ela estar de acordo comigo. J est escrito e revisado o trecho de livro que fala de uma viagem da minha famlia de So Joo do Paraso para Salinas, eu muito menino sentado no cabeote da sela de Tio Ablio Morais. Um grande abrao, Iara.


81005
Por Wanderlino Arruda - 17/12/2015 14:22:38
DARCY RIBEIRO, O MULO

Wanderlino Arruda

O lanamento do segundo romance de Darcy Ribeiro- "O MULO"- na Academia Montesclarense de Letras, numa descontrada noite de dezembro, de um ano Sculo XX, foi um reencontro de alegria e de contrastes, com um amado e temido filho da terra a derramar nos ouvidos o mel e o fel de santas heresias e virtudes. Ora terno, doente de romantismo, saudoso filho de dona Fininha Silveira, ora demolidor, prenhe de fora belicosa, irmo de Mrio Ribeiro, ora compulsivamente criativo, primo espiritual de Konstantin Christoff. que Darcy Ribeiro nasceu pouco adaptado ao modo e ao jeito dos mineiros, nunca afeito ao silncio, ao retraimento, mas, ao contrrio, incomodo para inteligncias e sentimentos preguiosos, bisturi ou ltego auto conduzido e sempre a si mesmo proclamado. Ao contrrio de Ciro dos Anjos, outro montes-clarense famoso no mundo das Letras, este sereno, machadiano, universalista, acomodado como um velho funcionrio pblico, a curtir um silncio invisvel, Darcy Ribeiro era e afigurou-se sempre agitado, fogoso, tropicalmente brasileiro, aquecido de alma e corpo, de lufa e de luta, instintivo, felino como um condor. De inteligncia selvagem, incontida, Darcy raciocinava como uma ventania de amor a tudo que era cultura. Curtido primitivamente no sol e no solo do serto de Montes Claros, fruto terico de ternura e de instinto, de voluptuosa ambio de mundo. Darcy foi um caldeiro efervescente de ideias como a querer viver em uma s vida todas as vidas. Mortal, teve pretenses de imortalidade e imortal se fez pelos feitos multifeitos. Bem brasileiro, latinamente apaixonado, trazia na alma o Mulo Darcy retalhos de peles de todas as cores: a cor do ndio, a cor do negro, lembranas atvicas do misticismo dos celtas, aguerrida fora de velhos godos, gosto de mando da alma ibrica, uma noo to grande de espao e de glria que s navegadores fencios poderiam ter impregnado o sangue de marinheiros do velho Portugal. Tem mais: Darcy era lbrico como um cristo novo, fogoso como um nmade cavaleiro rabe. Na verdade, foi um homem com a alma da raa, e no s da portuguesa, da ndia e da africana, misturadas no cadinho brasileiro. E da raa humana, pois sempre portador de muitas virtudes e de muitos defeitos, um caldo bem temperado de smens jorrados do chuveiro eterno, no sei porque nascido em Montes Claros. O MULO esta cidade sedenta de fora humanamente parceira de Deus na distribuio da vida e da morte; divinamente sequiosa na busca de amor, criadoramente envolvente na caa do mando e do poder. Sensual, oportunista, material, religiosamente mstica, faminta da novidade, sonhadora de futuro. O MULO um pedao de cada criatura que viva bria da prpria terra natal, homem ou mulher. O MULO tem muito de Joo Valle Maurcio na palavra e na sutileza, muito de Konstantin no arregalo da anatomia, no desenhar das foras; muito de Crispim da Rocha no faro do homem do mato, forte e inteligente; muito de Filomeno na sede do ter e do governar; muito de Plnio Ribeiro, no misticismo, no gosto do idear, no ser e no ser da vida. O MULO Darcy e Mrio Ribeiro, inconsequentes e perseverantes, sempre determinados. O MULO, centro de uma bem romanceada trama de Realismo e Naturalismo, barroco talvez pelos contrastes, hereditariamente marcado pelo destino, fruto do amor e do desamor, sem peias, sem origem e sem destino produto da terra e da carne, somos-isso verdade-todos ns, pequenas grandiosas criaturas no sofrer e no gozar. E que Deus nos perdoe. Amm.

Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


80981
Por Wanderlino Arruda - 9/12/2015 14:13:55
NGELO SOARES NETO

Wanderlino Arruda

Revisito a Histria, muitos anos depois de escrever sobre o HOTEL CACHOEIRA DE S. FELIX, mesmo considerando o longo tempo de seu lanamento, feito pelo meu querido e saudoso amigo ngelo Soares Neto. Fao-o, entretanto, lembrando ainda a eleio do ngelo para a Academia Montes-clarense de Letras e sua posse festiva em uma linda noite de janeiro. , assim, uma lembrana muito grata da leitura que fiz h mais de trinta anos, do romance escrito em Salvador pelo montes-clarense de Taiobeiras, o amado filho de D. Laura. Acrescente-se tambm a recordao de um interessante discurso feito no lanamento por Ubaldino Assis, tio e conselheiro do romancista, um desfilar de apontamentos entre o racional e o apaixonado, coisas de quando o ngelo era garoto, menino de recados do Banco do Nordeste, aluno do velho Instituto do Doutor Joo Luiz. O tempo passa, a experincia amadurece, as vises e as realidades da paisagem de muitos pedaos de Brasil vo se fixando na memria do escritor. A imensido de Braslia, o vertical, o horizontal, as linhas curvas da arte de Lcio Costa e de Niemeyer, a busca da solidariedade, o mando, o asfalto, o agreste, a imensido do planalto de Gois, tudo fica retido. Ao lado ou como superposio, o mar, o verde mar de Iracema, a lagoa azul de Iracema, a praa do Ferreira, a Aldeota, a cajuna, o caju, a graviola, o mercado, o calor de Fortaleza e, como smbolo do Cear, a serra do Baturit. De longe, como memria de infncia, o gerais, o serrado, o frio, a garoa, os pequis de Taiobeiras. Muito de Irec, de Itabuna, de Propri, de Guanambi, um mundo, um mundo desta terra descoberta por Cabral. De Montes Claros, ngelo reviveu uma gostosa vida de menino levado, parada dura no Grmio do Instituto Norte Mineiro, curso de contabilidade, primeiras namoradas, feijo-tropeiro, torresmo, quebra-queixo, seresta, cinemas aos domingos para ver os seriados, conversas perdidas na frente da casa de Konstantin, solteiro da rua D. Joo Pimenta. Acredito que, alm da diverso que era muita, aconteceu tambm muita leitura nos escritos de Cndido Canela, Olyntho e Yvonne Silveira, Nelson Viana, Joo Chaves, substrato que floresceu em muitas de suas ideias. Claro que a evidncia maior mesmo a da cidade do So Salvador, principalmente do Largo do Pelourinho, campo antigo de batalha de estudantes e intelectuais e at hoje de prostitutas e viciados, e de eternas batidas da polcia. De Salvador, ngelo reviveu seus melhores anos de Banco do Nordeste e da Faculdade de Direito, mas, principalmente, da penso-hotel-repblica, mundo de suas aventuras de amor e perdio. Professor de dana para americanas, guia turstico de fala francesa nos fins de semana, foi ele um jovem cidado baiano no Farol da Barra, no Terreiro de Jesus, na Praa Castro Alves, na Avenida Sete, na gr-fina Rua Chile, para no falar das incurses do Mercado Modelo, da Feira da gua dos Meninos, nas praias de Amaralina at chegar a Itapo. Dir-se-ia um universo de contradies do maravilhoso pago e do mstico cristo, produto da mescla cultural que s a Bahia consegue ter e reter. HOTEL CACHOEIRA DE S. FLIX um livro de confisso moda de Darcy Ribeiro, em "O Mulo". De repente, o autor se deita num div do analista e comea a contar suas experincias, suas vivncias, a vida das pessoas que passaram por sua vida. Pensa e sonha com o que foi real, dando mais foras aos temperos das comidas e no doce sabor dos beijos e abraos de corpo inteiro das namoradas ou das mulheres de encontros sem compromisso. De repente, o autor descobriu na fora telrica dos homens e mulheres rudes do campo, do casamento do indivduo com a natureza, das paixes de baixo de cobertores domsticos ou dos lenis enxovalhados das casas de tolerncia, um universo de perfumes de mocinhas de boa famlia e de fmeas de brilhantina barata, tudo numa vida mais agitada que um furaco antes de explodir. Felizmente, o autor falou tambm de artes, de sentimentos, de ternuras, de doces carcias, de inocncia, de momentos em que um minuto vale por um milho de sculos, onde o passageiro a eternidade. Tudo uma fotografia verbalizada de um bonito acontecido. H uma verdade, muito verdadeira: quando registrada, a palavra no passa. Nunca! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


80939
Por Wanderlino Arruda - 1/12/2015 11:17:54
MONTES CLAROS ANTIGA - FOTO 9000

Wanderlino Arruda

Agora que est chegando Foto 9000, repito que, com muita honra, escrevi o texto-legenda para a de nmero 7.000 do lbum de Montes Claros do sculo passado, mais famosa pgina do Facebook norte-mineiro, de Maria da Dores Guimares Gomes, nossa querida Dorzinha, magnfico trabalho jornalstico do meu amigo e irmo Wagner Gomes. Oportunidade de ouro, excelente chance de dizer do tanto amor que todos ns montes-clarenses, de nascimento e de corao, temos pela cidade e por todos os que a construram, vivendo em famlia ou dedicando-se ao trabalho do dia-a-dia em mltiplos setores e em multido de atividades. Desde janeiro de 1951 cheguei para viver e ser de Montes Claros, quando a estrutura urbana terminava no conjunto de prdios da Santa Casa, na Vila Braslia, no fim da Rua Bocaiuva, na Padre Teixeira, no viaduto do Roxo Verde e na derradeira curva da Rua Jacaraci, onde hoje impera a Praa Itapetinga. Ir ao Santos Reis, territrio do meu amigo Pedro Mendona, era vi agem a cavalo, projetada e preparada. Calamento de paraleleppedos s em parte da Praa Doutor Carlos e nas ruas Presidente Vargas e Simeo Ribeiro, em termos de hoje do Shopping Popular Rua Doutor Veloso, do antigo Big Bar Cristal. O mais, poeira e vermelhido, de tal modo que Cndido Canela, brincando, dizia que isso era bom porque dispensava o uso de toalha; depois do banho era s ficar no sol para secar e depois passar um espanador... Trs centros de referncias: a Matriz, a Catedral e o Mercado com torre e relgio. Intenso comrcio de atacado e varejo, as lojas mais luxuosas, a Casa Ramos, a Imperial e a Casa Alves. Bom no esquecer das Casas Pernambucanas e do Clube Montes Claros, onde mais tarde foi o Conservatrio Lorenzo Fernandez. A Prefeitura e a Cmara ficavam onde hoje o Centro Cultural Hermes de Paula, ao lado do Palcio do Bispo. A Praa da Matriz, onde JK foi recebido e entusiasmadamente carregado, era um local timo para cavalhadas e bate papo das comadres depois da missa. Muitos os caminhes, pouqussimos os automveis, bicicleta acredito menos do que dez, lembro-me das de meus colegas mais afirmados na vida: Raimundo Santana, Pai da Mata e do jovem Ivan de Souza Guedes. Jornais duas ou trs vezes por semana, a Gazeta do Norte e O Jornal de Montes Claros, este fundado pouco antes da posse do Capito Enas no cargo de prefeito. As notcias do dia ficavam por conta da ZYD-7, Rdio Sociedade Norte de Minas. Trs escolas secundrias: Colgio Imaculada Conceio, Instituto Norte Mineiro e Colgio Diocesano. Melhor orador o bispo Dom Antnio Almeida de Morais Jnior. Os outros destaques eram os jovens doutores Simeo Ribeiro Pires e Joo Vale Maurcio. Maravilha de tempo bom, hoje depositrio de muitas saudades. Salve e salve o importante trabalho do grande montes-clarense Wagner Gomes! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


80901
Por Wanderlino Arruda - 21/11/2015 12:21:11
MOC ANTIGA - FOTO N 07000

Wanderlino Arruda

Com muita honra, escrevo o texto-legenda para a Foto de nmero 7.000 do lbum de Montes Claros do sculo passado, mais famosa pgina do Facebook norte-mineiro, de Maria da Dores Guimares Gomes, nossa querida Dorzinha, magnfico trabalho jornalstico do meu amigo e irmo Wagner Gomes. Oportunidade de ouro, excelente chance de dizer do tanto amor que todos ns montes-clarenses, de nascimento e de corao, temos pela cidade e por todos os que a construram, vivendo em famlia ou dedicando-se ao trabalho do dia-a-dia em mltiplos setores e em multido de atividades. Desde janeiro de 1951 cheguei para viver e ser de Montes Claros, quando a estrutura urbana terminava no conjunto de prdios da Santa Casa, na Vila Braslia, no fim da Rua Bocaiuva, na Padre Teixeira, no viaduto do Roxo Verde e na derradeira curva da Rua Jacaraci, onde hoje impera a Praa Itapetinga. Ir ao Santos Reis, territrio do meu amigo Pedro Mendona, era viagem a cavalo, projetada e preparada. Calamento de pa raleleppedos s em parte da Praa Doutor Carlos e nas ruas Presidente Vargas e Simeo Ribeiro, em termos de hoje do Shopping Popular Rua Doutor Veloso, do antigo Big Bar Cristal. O mais, poeira e vermelhido, de tal modo que Cndido Canela, brincando, dizia que isso era bom porque dispensava o uso de toalha; depois do banho era s ficar no sol para secar e depois passar um espanador... Trs centros de referncias: a Matriz, a Catedral e o Mercado com torre e relgio. Intenso comrcio de atacado e varejo, as lojas mais luxuosas, a Casa Ramos, a Imperial e a Casa Alves. Bom no esquecer das Casas Pernambucanas e do Clube Montes Claros, onde mais tarde foi o Conservatrio Lorenzo Fernandez. A Prefeitura e a Cmara ficavam onde hoje o Centro Cultural Hermes de Paula, ao lado do Palcio do Bispo. A Praa da Matriz, onde JK foi recebido e entusiasmadamente carregado, era um local timo para cavalhadas e bate papo das comadres depois da missa. Muitos os caminhes, pouqussimos os automveis, bicicleta acredito menos do que dez, lembro-me das de meus colegas mais afirmados na vida: Raimundo Santana, Pai da Mata e do jovem Ivan de Souza Guedes. Jornais duas ou trs vezes por semana, a Gazeta do Norte e O Jornal de Montes Claros, este fundado pouco antes da posse do Capito Enas no cargo de prefeito. As notcias do dia ficavam por conta da ZYD-7, Rdio Sociedade Norte de Minas. Trs escolas secundrias: Colgio Imaculada Conceio, Instituto Norte Mineiro e Colgio Diocesano. Melhor orador o bispo Dom Antnio Almeida de Morais Jnior. Os outros destaques eram os jovens doutores Simeo Ribeiro Pires e Joo Vale Maurcio. Maravilha de tempo bom, hoje depositrio de muitas saudades. Salve e salve o trabalho do grande montes-clarense Wagner Gomes!

(*) Presidente da Academia Montesclarense de Letras e do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros


80786
Por Wanderlino Arruda - 3/11/2015 08:17:10
OS SONHOS DE JLIO VERNE

Wanderlino Arruda

Os sonhos de Jlio Verne, to lindamente vividos no fim do sculo dezenove, transformaram-se to grandemente em realidade, em nosso tempo, que hoje, o escritor francs quase no lido nem por jovens nem por adultos. Concretizada uma ideia, atendida a capacidade criativa, satisfeita a curiosidade, parte o indivduo para novos sonhos, novas tentativas de iluso. A inteligncia e a arte so sempre muito exigentes, dinmicas por excelncia, nunca se estacionando. E disso que feito o progresso humano, que no pode parar, pois tudo viraria rotina at certo ponto insuportvel, inconcebvel para a nossa tendncia evolutiva sempre para cima e para o melhor. Viver sonhar e realizar os sonhos! Jlio Verne foi o grande idealizador das coisas do futuro, criador do preceito de que "tudo que um homem pode sonhar outro pode realizar". Concebeu a televiso antes de ser inventado o rdio, chamando-o de fonotelefoto, isto , um aparelho que pudesse falar e mostrar imagens distncia. Imaginou o helicptero meio sculo antes de o homem aprender a voar. Apresentou planos para a construo de submarinos, aeroplanos, luzes de gs non, caladas e escadas rolantes, ar condicionado, arranha-cus, msseis dirigveis, tanques de guerra, alimentao comprimida, produo de oxignio, deslocamento de corpos no vcuo, um grande mundo, verdadeiro universo de invenes. Sem dvida alguma, Jlio Vernes, pai da fico cientfica, foi um antecipador de realidades, multifacetado vidente, iluminado intuitivo. Tive um dia a sensao de estar vivendo ao lado de Jlio Verne, de beber na fonte mais pura da gua de sua vida, de sua sensibilidade cientfica e literria. Foi uma dessas interpretaes confusas que todo mortal costuma fazer, principalmente os distrados e viajantes do mundo da lua, uma espcie assim de insight desfocado nos segundos de um oportunismo curioso.
Vagando nas proximidades do Louvre, em Paris, l pelos idos de 1966, li uma faixa de propaganda "Jlio Verne - hoje e amanh ", e entendi que se eu no aproveitasse na hora a oportunidade, perderia de ver uma exposio j quase prestes a terminar, isto , no dia seguinte, que por sinal seria o de minha volta a Portugal e ao Brasil. No pensei duas vezes e entrei, posso dizer, praticamente no automtico. Era uma exposio feita pela Fiat italiana, de uma forma extraordinria, com projetos, desenhos, aparelhos, mquinas de calcular, toda a parafernlia de suporte que o escritor francs usou para idealizar seus in ventos. Nada havia, porm, de marca de final da mostra quase cientfica. Tudo estava fresquinho, pois era a abertura ao pblico naquele mesmo dia.
O "Hoje e Amanh " era com relao ao presente e ao futuro de Jlio Verne e do seu melhor modo de sonhar... Poucas vezes na vida tive to grande sensao de enormidade da inteligncia de um inventor, de um crebro criativo capaz de vencer todas as barreiras da imaginao. Poucas vezes, antes e depois, pude formular intimamente uma admirao sem limites ao otimismo, confiana no destino lgico, crena de um mundo melhor digno do esforo da cincia e da poesia. Para mim, Jlio Verne, naquele momento, era a sntese da f que Deus sempre depositou no homem, no seu futuro, na sua trajetria evolutiva de criatura da inteligncia divina. Jlio Verne estava ali, atravs de toda uma ao vivencial, de todos um universo de pesquisas, simplesmente sonhando o possvel, o provvel, a destinao histrica da inventiva humana. Momento inconfundvel de respeito ao raciocnio livre, da valorizao ao direito de pensar e de sentir... No seria bom que voltssemos de novo, leitura de todos os escritores de fico, busca de compreenso de todos os inventores do futuro? S a realidade presente no satisfaz! Vale, vale muito a beleza e a riqueza dos sonhos! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


80675
Por Wanderlino Arruda - 14/10/2015 10:15:43
TEMPOS DE MATO VERDE

Wanderlino Arruda

Depois da leitura completa dos originais do livro A Trajetria de um Vencedor, de Jos Luiz de Almeida - misto de cuidados e lembranas - debruo-me nas anotaes como quem chega para reviver realidades e sonhos de um bom tempo de vida, juventude de venturas e aventuras, alegria de cada manh de escola e tardes de muito banho de rio e busca de umbus na gostosa fase entre o verde e o maduro. Lembro-me, como se fosse hoje, da madrugada de 1949, incio da viagem de Mato Verde para Taiobeiras, caminho cheio de coisas de mudana, famlia ainda pequena, Jurandi e Vilmar os mais novos. Meu pai e minha me apressavam-me para terminar de escrever as marcas de saudades que eu gravava com giz na calada, parte pelos amigos e por D. Zema, a querida professora, maior parte por deixar Pinha, a namorada loura, de olhos azuis da cor de um cu em dia sem nuvens. Eu no queria largar nada do que vivi em cinco lindos anos de existncia. Tudo representava uma experincia incrvel, prin cipalmente no gosto de ler, escrever e fazer discursos. Ainda bem novo, sem completar quinze, era eu autor de palavras cruzadas, bom fazedor de charadas, reconhecido por habilidade na escrita Morse, mesmo sendo o meu trabalho, no correio, feito por telefone. Era mestre na arte de engraxar, de vender biscoitos, fumo melado e pinga, e por correr de bicicleta e ganhar campeonatos em jogos de pio. Por ter aprendido muito de filosofia, histria e at de poltica em conversas de botecos e de farmcia, considerava-me - sem favor de terceiros - um hbil intelectual, e muito pouco me prendiam as pregaes do jovem Newton D`ngeles, padre culto e admirado, mesmo sendo a religio o meu centro de interesse. S faziam sentido as leituras que me atendessem curiosidade e pudessem marcar um mnimo de lgica na liberdade de pensar e agir, nenhuma peia para o livre arbtrio, que eu ainda nem sabia o que era. Por muitas vezes ao entrar em conversas de adultos, fui repreendido e at censurad o, nem sempre com educao, minha ou dos concorrentes nas ideias. Toda esta conversa tem muito a ver com este livro de Jorge Luiz de Almeida, tanto nas competncias e tendncias, como na coragem de enfrentar a vida. Ele e eu quase no mesmo ambiente, com certeza no mesmo encanto. Mesmo com o calendrio uns quinze anos depois, Mato Verde j cidade, rea urbana incomparavelmente maior, muito mais recursos, mais escolas, muito mais nomes de pessoas, bem mais sobrenomes de famlias. Queiramos ou no, o viver e conviver acabam sendo uma curiosa reescrita, fatos e personagens se superpondo, ganhando as mesmas tonalidades, repetindo os mesmos gestos, desenhando mapas bem parecidos. Quando chegamos a Mato Verde em 1945, para morar ao lado da penso de Hermes e D. Olindina, vizinhana tambm da famlia do av de Jorge, foi um maravilhoso comeo de experincias. Era um lugar mais do que tudo de valentia, comeando por Arabel, Aristides e Vital, homens a quem ningum podia negar o direito de usar um trinta e oito ou uma carabina. Todos garantido s por Levy Silva, o dono de Monte Azul. Na comemorao da vitria eleitoral do presidente Eurico Gaspar Dutra, um barulho infernal, nenhum foguete foi usado, s tirambaa de jagunos e patres, todo mundo correndo a cavalo pelas ruas e becos, epicentro na praa, cercanias do mercado. Houve uma noite que minha me ficou mais do que cansada de tanto servir caf com quitandas - biscoitos, bolos, broas, po sovado, manu - para meu pai receber as visitas de todos os importantes, que desejavam saber a que viera e o que ele iria. Meu entusiasmo maior foi conhecer o velho Janurio, major da Guarda Nacional e marido de Dona Pimpa, agente do correio. Ele vestia um uniforme realmente lindo e portava uma espada, para marcar muito respeito. Com Arabel e Tide, estava Vital, que agora preciso dizer que era o valente av de Jorge. Vital era alto, magro, cabelos revoltos, olhos de lince, sempre com um trinta e oito, que manejava com a mo canhota, tiro certeiro. Eta tempo bom!

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80653
Por Wanderlino Arruda - 8/10/2015 08:51:32
Mensagem: Sr. Gentil pai do Alemo. Morava na rua 15, ao lado do Big Bar, em frente a loja Ramos. Nem sei se aquela casa ainda existe. Era a casa mais central da cidade. Lembrei-me do Sr.Gentil quando se falou aqui neste montesclaros.com de homens de bons coraes. (...)

Importantssima a lembrana de Luiz Ortiga sobre um dos homens mais importantes da histria montes-clarense. Gentil Gonzaga foi homenageado h poucos dias em uma reunio da Academia Manica de Letras do Norte de Minas, presentes vrias netos, filhos de Ildeu Gonzaga. Foi Gentil, como membro do Rotary Clube, o coordenador de todos os recursos na construo do Colgio So Jos. Todo o trabalho rotrio, com uma organizao parceira, a Sociedade dos Amigos de Montes Claros, foi bancado com doaes, tendo os irmos maristas recebido prdio e terreno com tudo preparado para o funcionamento. Foram muitos os colaboradores, muitos, mas nenhum com mais participao que Gentil Gonzaga.


80631
Por Wanderlino Arruda - 5/10/2015 16:18:17
SUA MAJESTADE, NATHRCIO FRANA

Wanderlino Arruda

Sou dos que acreditam que a finalidade da vida o praticar o bem, o ser feliz, o estar sempre em paz com o passado e em confiana com o futuro. Sou dos que acreditam que o melhor dia da nossa vida o dia de hoje, a hora em que estamos vivendo. ........O bom proceder, no presente, redime as frestas que j se foram e prepara um porvir que, de alguma forma, nos garanta uma normalidade de mente e de corao, afastando possveis e desnecessrias preocupaes antecipadas. Assim, cada dia constituir-se- de novas oportunidades de trabalho e aprendizagem, novos meios de consolidar amizades, um tempo positivo de deixarmos a marca de nossa passagem pela caminhada na Terra. E parece que no estou sozinho no meu modo de pensar e de agir. Ainda existem muitas criaturas que se preocupam na alegre busca da felicidade, na afirmao de valores afetivos, no consubstanciar das riquezas eternas do amor. Gente que, convivendo com o mundo da mquina e recebendo os impulsos da moderna eletrnica, ainda no se desvinculou de qualidades que s dizem respeito ao bem-estar da alma das pessoas e das coisas. Gente que se sente feliz com a felicidade alheia, que se emociona com a alegria, que reparte sinceramente o bem com todos os semelhantes. Conversando, em noite acadmica, no Centro Cultural, com o Padre Aderbal Murta de Almeida, procuramos repassar antigos assuntos, reviver antigas lembranas, apontar fatos marcantes que engrandeceram o patrimnio ideolgico de Montes Claros, no cognitivo e no emocional da histria. Ele citou inmeros exemplos do grandioso, da bondade e da f, do amor de espontnea dedicao ao bem, daquele halo de luz que acompanha a escalada evolutiva de figuras que marcaram o nosso humanismo e a nossa cultura. Para resumir, ele props dois nomes, que, pessoalmente, consideraria os mais importantes na galeria do bem, no amar e no perdoar, na sabedoria do ser e do viver. Exps o primeiro, destacando o trabalho do Padre Marcos e, quando eu ia interromp-lo, tentando apontar o segundo, ele adiantou o nome que j estava na minha boca, lembrando-se clara e alegremente de Nathrcio Frana, o nosso grande Nathrcio. Olhei para Nivaldo Maciel, que conversava conosco, e vi que, pelo seu consentiment o, se demorssemos mais um pouquinho, ele teria pronunciado o mesmo nome, as mesmas palavras antes de ns. De fato, considerando o ponto de vista da capacidade do bem viver, do existir com sabedoria e majestade, do ser irmo e ser amigo, do companheirismo e da fraternidade, foi Nathrcio Frana a maior figura da histria de Montes Claros. Ningum, ningum mesmo, pde deixar de admir-lo, de sentir a elevao do seu amor, de compartilhar com justo orgulho a sua sempre visvel simpatia e o apreo com que ele tratava cada momento da existncia, numa f inquebrantvel que s as grandes almas sabem ter. No estivesse a sua passagem to perto no tempo e no espao, creio que a nossa considerao ainda seria maior. Nathrcio Frana foi, sem dvida, um momento inesquecvel de nossa vida, a majestade de um humanismo pleno de encantos.

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80610
Por Wanderlino Arruda - 30/9/2015 17:50:36
MONTES CLAROS, UMA CIDADE GOSTOSA

Wanderlino Arruda

Montes Claros, uma cidade bonita, agradvel, gostosa, muito perto do nosso corao. Uma cidade para a gente viver e amar, viver todos os dias e anos da vida, nos embalos da mocidade, na idade madura e na velhice. Montes Claros, sim, uma cidade gostosa, de muito charme, um lugar que marca sincera saudade. Se Montes Claros fosse gente, seria, por certo, uma mui querida namorada. preciso aprender a amar Montes Claros, caminh-la vagarosamente nas manhs de domingo, num dia de sol bem claro, quando as cores ganham brilho da prpria felicidade de ser. preciso ver Montes Claros, senti-la, perceb-la numa noite de primavera, amena, ou com muito calor, o sentimento das ruas mesclando com as doces brisas dos barzinhos com cheiros de viva alegria, conversao amiga que ningum mais sabe fazer acontecer do que ns mineiros. Ali esto os jovens vestidos de jeans de todas as cores, cabelos ao vento, celulares na mo, mquinas em passageiro silncio, prosas e sonhos de amor. Quem no gosta de Montes Claros, de onde mais vai gostar? - cantou Nivaldo Maciel, cantou Adlia Miranda, cantou Joo Leopoldo, canta Clarice, que hoje, bem longe, deve morrer de saudades. Montes Claros de Hermes de Paula, de Dulce Sarmento; Montes Claros de todos que a veem pelo menos uma vez na existncia. Querida, admirada, jamais esquecida, ontem e hoje rigor e ternura, sempre amada, uma cidade toda corao. Existe no mundo um lugar mais bonito do que a praa Doutor Chaves, numa tarde depois de chuva. Pergunte isso a Clia Machado Colares, pergunte ao meu amigo Joo Jorge, pergunte ao pessoal do Correio, pergunte aos que visitam a Matriz ou aos que l ficam sentados como se estivesse no meio de muita felicidade! Passe devagarzinho pela praa Honorato Alves, em frente Santa Casa, em frente casa que foi de Edgar Santos, sinta que gostosura! Tudo um encanto: a brisa, o perfume, a sombra, a algaravia dos passarinhos com que Reivaldo viveu e conviveu! V Praa da Estao, ao Automvel Clube, entre na Praa de Esportes, caminhe sem pressa, veja o bonito da natureza e da juventude! H muitos lugares belos, isso que h: o bairro Jardim So Luiz e o bairro Todos os Santos esto cobertos de verdes dos flamboyants, das espatdeas, das bougainvilles, das accias de intenso amarelo, quase ouro. H lugares bonitos como a praa da Estao, a Cel. Ribeiro, a Doutor Carlos, o Parque Municipal, o sobrado dos Oliveiras, a rua estreitinha dos Versiane Maurcio, Beco da Vaca. H o coreto, h a casa de Flamarion Wanderley, aquele mundo de rvore de Yara Moura, a capela dos Morrinhos, a Catedral, l longe as Quebradas dos saudosos Pedro Veloso e Arinha, e, bem no alto da estrada que vai para o Penturea, a fazendinha de Mercs e Ivan. Cidade de progresso, de poesia, de serestas, de trabalho bem proveitoso, tem na hospitalidade a maior virtude. Montes Claros repito, no apenas uma cidade, uma declarao de amor!

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Por Wanderlino Arruda - 17/9/2015 17:15:49
SABEDORIA DOS PROVRBIOS

Wanderlino Arruda

Comeam logo depois do Salmo 150, escritos pelo pai David, homem e rei, lutador de vinda inteira. Os provrbios, com menos flego de tamanho, vo apenas ao captulo 31, seguidos pelo Eclesiastes e, logo depois, pelos Cantares, tambm de grande beleza. A quem escreve o filho Salomo, mais famoso, tanto como construtor do Templo de Jerusalm, como pela imensa sabedoria, a ponto de ser chamado o mais sbio dos homens. Gente boa, os dois, pelo que deixaram para meditao de todos os sculos, ora racionalizando, ora confeitando de mel nossa vida, mostrando que nada mais salutar do que a prpria poesia. Provrbios de Salomo, filho de David, o rei de Israel: para aprender a sabedoria, e o ensino; para entender as palavras de inteligncia; para obter o ensino do bom proceder, a justia, o juzo e a equidade, para dar aos simples prudncia e, aos jovens, conhecimento e bom siso; oua o sbio e cresa em prudncia; e o entendido adquira habilidade para entender provrbios e parbolas, as palavras e enigmas dos sbios. O temor do Senhor o princpio do saber, mas, os loucos desprezam a sabedoria e o ensino. Filho meu, ouve o ensino de teu pai, e no deixes a instruo de tua me. Porque sero diademas de trana para a tua cabea, e colares para o teu pescoo. Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, no o consintas. Filho meu, no te ponhas a caminho com eles, guarda das suas veredas os teus ps. Guarda as veredas do juzo e conserva o caminho dos seus santos. Ento entenders justia, juzo e equidade, todas as boas veredas. Porquanto a sabedoria entrar no teu corao, e o conhecimento ser agradvel tua alma. O bom siso te guardar e a inteligncia te conservar, para te livrar do caminho do mal, e do homem que diz cousas perversas. Assim andars pelos caminhos dos homens de bem. Porque os retos habitaro a terra, e os ntegros permanecero nela. Feliz o homem que acha a sabedoria, e o homem que adquire conhecimento, porque, melhor o lucro que ele d do que o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino. Mais precioso do que prolas, e tudo o que podes desejar no comparvel a ela. A alongar-se da vida est na sua mo direita, na sua esquerda riquezas e honra. Os seus caminhos so caminhos deliciosos, e todas as suas veredas de paz. rvore da vida para os que a retm.
O Senhor com sabedoria fundou a terra, com inteligncia estabeleceu os cus. Pelo seu conhecimento, os abismos se rompem, e as nuvens destilam orvalho. Filho meu, no se apartem estas cousas dos teus olhos; guarda a verdadeira sabedoria e bom siso.

Academia Montes-clarense de Letras e Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros


80509
Por Wanderlino Arruda - 9/9/2015 10:11:47
CHICO PITOMBA

Wanderlino Arruda

Por ter chegado a Montes Claros em 1951, no tive a felicidade de ouvir e acompanhar o programa sertanejo dos notveis Chico Pitomba e Man Juca na ZYD-7, Rdio Sociedade Norte de Minas. Mas falar dos dois radialistas foi o que mais ouvi quando - com Luiz Gonzaga de Oliveira e Cerdnio Quadros - assumimos a programao da D-7 em 1955, tempo de Diretrio dos Estudantes de Montes Claros. Para quem no viveu naquela poca, bom dizer que a Rdio ficava no edifcio Maria Souto, Rua Quinze, ao lado da Gazeta do Norte e da Imperial, em frente s Casas Ramos e Jos Alves, quando quase tudo de notcias e de cultura saa dali. Agora, o escritor e historiador Drio Teixeira Cotrim passa para o relato impresso muito ou quase tudo de informao e de textos de Chico Pitomba e Man Juca - Cndido Canela e Antnio Rodrigues - um registro definitivo de um bonito e saudoso tempo da gostosa cidade dos Montes Claros, idos de 1945, quando os programas radiofnicos atraam muita gente e lotavam os auditrios. Ouvidos em todos os recantos do serto norte-mineiro, eles representavam o que havia de melhor na msica e na originalidade dos causos que eram contados, quase sempre tendo que repetir alguma coisa em vista dos pedidos dos muitos ouvintes, que gostavam mais deles do que de Jararaca e Ratinho, das rdios do Rio de Janeiro. Cndido Canela e Antnio Rodrigues - ou melhor Chico Pitomba e Man Juca - eram mais autnticos, mais legtimos na representao sertaneja, at superando os mais importantes e atuais programas de TV. Nas fazendas onde existiam aparelhos de rdio, o que era raro, no dia e hora do programa de Chico Pitomba e Man Juca, patres e agregados se juntavam na sala da casa grande para o programa, hora tambm de caf, biscoitos, broas e pes de l, que completavam a festa. Drio Teixeira Cotrim, com este livro, grava um notvel servio histria de Montes Claros, resgatando valores de um passado at distante, pois da primeira metade do sculo passado, quando a cidade vivia poeira e escurido, s com duas ruas caladas e com luz de um motor que parava de funcionar antes das onze da noite. Em 1945, a cidade tinha apenas quatro escolas secundrias - o Colgio Imaculada, o Colgio Diocesano, a Escola Normal e o Instituto Norte Mineiro de Educao. A Gazeta do Norte era o nico jornal, com duas edies por semana. Os sons da pacata Montes Claros vinham da fanfarra de Leonel Beiro e dos muitos alto-falantes dos bares, botecos e lojas de tecidos. Assim, um bom programa de rdio tinha realmente que marcar poca, sendo, agora, seu registro atravs de livro um momento to importante como daquele perodo de nova cultura. Dos dois radialistas, conheci somente Cndido Canela, poeta, humorista e proseador mais do que sensvel, amado e admirado, acredito por todo o mundo. Grande poeta, de nome nacional, pois vencedor de concursos em outros estados, mesmo revelia, sem ser candidato. Homem de sensibilidade, corao flor da pele, todo o tempo voltado s atividades intelectuais, coisas de muito esprito. Cndido, mais do que montes-clarense, foi um sertanejo autntico, amado-amante de tudo que era do povo simples e verdadeiro. Conheceu as mincias do falar e do viver da gente norte-mineira, sua poesia, suas manias, tudo! Nada havia de oculto para ele. Era um desnudador de conscincias, seja atravs da observao pessoal, seja por meio do dilogo franco, pois sabia aproveitar cada minuto da vida, principalmente no que se referia natureza, sua sempre maior paixo. Leitor vidrado de Catulo da Paixo Cearense, chegava a ser melhor do que o poeta nordestino. Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros e Academia Montes-clarense de Letras ​


80478
Por Wanderlino Arruda - 1/9/2015 09:14:33
SONHOS DE MARIA

Wanderlino Arruda

Quando se sonha sozinho apenas um sonho. Quando se sonha juntos o comeo de uma realidade (Cervantes) Em verdade, no s Cervantes falou de sonhos no sozinho e no coletivo, no pouco e no muito. Dois outros gnios da poesia e da msica disseram mais. Raul Seixas: Um sonho que se sonha s, s um sonho que se sonha s, mas sonho que se sonha junto realidade; John Lennon: Em um sonho comunitrio, as pessoas ou os sonhadores vo batalhar para concretizar o sonho, o plano ou o ideal, e o sonho que se sonha s, ...fica no papel, na mente no espao perdido nunca se realiza, nunca se concretiza! Assim e por isso, Maria Mendes Ferreira, menina da Fazenda Canto, do mesmo clima do Riacho dos Machados, aqui mesmo neste potico norte Minas Gerais, sonhou sozinha, sonhou com Sidnio, sonhou os filhos. Sonhou e escreveu - com leveza de texto - prosa-poesia, poesia pura. Lindo universo de boas lembranas, marca de coloridos, a mais autntica saudade, os seus sonhos, os SONHOS DE MARIA. Agradeo ao meu amigo, companheiro, irmo e colega Gy Reis, da Unimontes e do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, o convite para este Prefcio. Gosto tanto do trabalho e das ideias de Gy Reis, confio tanto no seu talento e direito de escolhas, que nem perguntei o assunto e os porqus do livro da mineira e mineradora Maria. Aberto o livro, folheado o ndice, percorrido o texto, tornei-me um encantado pela multido de sonhos e pelo gosto das muitas realidades.Quase cem escritas de quem nasceu num lugar sagrado para os registros de mil lembranas, todas gratas ao narrar e ao versejar. Cores, sonhos, gente nova e gente velha, iluso, vazios, vento, chuva, neblinas. Bichinhos de pelcia, rouxinois, cigarras. Muito de cantos de sabi, de oraes, de lgrimas. Olhares, tardes, sorte, flores, msica e esperana, amor, saudades. Entre o abstrato e o concreto, o singular e coletivo, Maria fala no s de Deus e do jardim da vov: diz de devaneios, dos dias de sol e da negritude da noite, assim como fala de Los Angeles (andando por suas ruas, parecem no ter mais fim) e de Crdoba, no ponto de vista dela, muito parecida com o Brasil. O livro verde claro, verde escuro, verde, primavera espalhando flor, jovens joelhos ajoelhando na grama molhada. Menina rica, gatinha solitria, quantas saudades doidas dentro do seu corao! Quais sero os pedaos? Quantas sero as saudades? Em algum tempo, os textos de Maria so de pureza inusitada, quase infantis: "Criana feliz quebrou o nariz / Foi pro hospital, tomou sonrisal". "Por que estou triste? Pergunto! / Os olhos respondem a chorar." "No vs o sino tocando? / No vs o povo rezando? / para te dizer adeus." Em SONHOS DE MARIA, as horas se tornam dias e o tempo acaba indo embora, mas as palavras que dizemos e as coisas que fazemos tocam as vidas e vivem prara sempre... "Sonho, esperana saudades / Todos no mesmo destino". Ontem e hoje, aprendi ficar sozinha dentro de mim." Dentro de voc mesma, Maria. Mas quando voc escreve, no tenho dvida, est dentro do mundo. No melhor das mentes e da sensibilidade de seus leitores. E que bom! Academia Montesclarense de Letras - Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 4/8/2015 15:25:35
BRINCANDO AOS RAIOS DO SOL

Wanderlino Arruda

Da terra os encantos,/das noites os prantos,/so hinos, so cantos/que sobem a Deus! Carlos Drummond de Andrade Quem sonha com poesia e vive com alma, ganha asas e alimenta brisas, voa para a esperana e toca msicas no acalanto de cada verso. Quem se sabe assim, sabe muito de real sabedoria, e sabe tambm que todas as palavras de Deus so, em tudo e por tudo, a mais legtima verdade. O poeta, sete vezes ao dia e na maioria do tempo, louva bondade e justia e nelas se alegra por infinitas vivncias de amor. Para mim um prazer imenso ler e sentir Brincando aos Raios do Sol, um livro encantador de Miriam Carvalho, colega e amiga, uma das mais lcidas inteligncias com que as letras mineiras podem contracenar. Ler seus versos ouvir boa msica, trilhar caminhos de muito alento, maravilhar-se com o melhor da culta e bela potica brasileira. Felicidade maior nele viajar em sonhos e prefaci-lo como quem toma banhos luminosos e se energiza com salmos de muitas cores. Assim, vejo-me importante com o convite do tambm escrever, e muito agradeo. A leitura do texto e do intertexto de Miriam como um saborear e um alimentar de doces eflvios em manhs excelsas, perfil de aleluias eternas. O livro de Miriam representa, em suas prprias letras e em mineira alma, vivncias de bonito sol levantando nuvens, friozinho de ombros nus, brilho estelar de olhos poticos, fins de madrugada, viglia inconstante, nvoa refrescante de uma noite que no quer permanecer. Nele o dia tem certeza e a tarde nunca cai sozinha ou se embriaga em sombras. Para Miriam, as coisas so certas ou incertas: crescem com existncia ou so esquecidas pelo tempo como se fossem querenas jogadas ao lu, enxaguadas por infinitos dias. Tomar que direo? - pergunta-nos Miriam - nossa aplaudida colega na ctedra universitria e na prosa de muita poesia. E ela mesma que responde em Brincando aos Raios do Sol: A no ser o vento mais prximo/o que carrega a iluso/no mesmo corpo/ou no mesmo campo ou no mesmo rio/ a alma distante/das coisas que vivem nela/reticentes e longnquas./ Um corao ungido de bnos/no quer deixar dobras na alma, /nos deixa deriva do tempo,/em corpo livre, mas cativo,/quem sabe magntico e lcido/em rotao universal do amor. A magistral poesia de Miriam Carvalho - no arremate de mil horas e no traar de sonhos - um jeito e um trejeito no olhar espiritual, recolhendo favos da noite em ricas iluses com dizeres indizveis. No seu mais ntimo versejar, "um resto de mim num retrato sem moldura, que vem engolindo mil bocas na dana nua". Em Miriam, os versos vm modernos e firmes como sino e sonho, hora de f em fonte e oratrio de mistrios retidos. Sua poesia - que elege a prpria vida - fala e audio com mil medidas no acontecer; sua poesia alheia serenidade, musical fluir que aponta o que ns somos, nem to divinos, nem to humanos. Muito importante ler Miriam com um sincero viver e o mais consciente pensar, alma para alma, alma dentro da alma, plena infinitude no conhecer Deus e saber o possvel de todas as belezas da existncia e do tempo divinamente humano. Vivendo e Brincando aos Raios do Sol, seja voc tambm poeta e artfice, e fruto opimo e inteligente do melhor dos mundos. preciso saber, saber querer, saber sonhar, porque so os sonhos que desenham as cores do nosso amar e viver. Senhor Deus da F da Esperana, Critas de todas as belezas do amor, que a tua vontade se estenda sobre tudo que Miriam pensa e escreve; deixa-a beber sempre em bondade fecunda e infinita, onde todas as lgrimas se suavizam e todas as dores se acalmam. D a Miriam Carvalho, Senhor, a fora de ajudar o progresso, a caridade pura, a f e a razo, a simplicidade que dela faz alma e espelho, de onde reflete a tua santa imagem. Academias Montes-clarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


80328
Por Wanderlino Arruda - 28/7/2015 08:06:43
Aposentar-se: Realizao dos Sonhos?

Wanderlino Arruda

Aos poucos, quando, para muitos, vem chegando ao final da carreira, importante pensar na sempre to sonhada situao de aposentado, fazer o exame de conscincia necessrio para interpret-la compreend-la, e/ou sabore-la por antecipao. Parece que no existe trabalhador que no pense, no sonhe com o que chama de merecida aposentadoria, o antigo otium cum dignitate. Conheo gente que tem quatro ou cinco anos de carteira assinada e j fala nos dias futuros em que no mais ter de cumprir horrio todas as manhs, aquela vocao de quem no nasceu para as amarras do assalariado, que todo empregado sempre teve, seja humilde, seja gr-fino. De mansinho vem a ideia de interpretao, o especular se realmente a aposentadoria mesmo um prmio. Com certeza, no sei se o cio no represente mais um castigo, algo de punio para modificar hbitos, desorganizar arraigados modos de vida, avacalhar o coreto do dia-a-dia dos trabalhadores e das famlias. J imaginou, quando de uma hora para outra, no tem o que fazer? Sabe l o que ficar o dia todo dentro de casa, aranhando, vivendo sem pressa, desarrumando e arrumando papis velhos, molhando jardim, passando a toda hora perto das panelas na cozinha, beliscando, comendo antes do horrio? Ou, de forma diferente, tendo de viver o dia todo no Quarteiro do Povo, de p em frente ao Caf Galo ou sentado nos duros bancos, conversando as mesmas conversas, "resolvendo" eternamente os mesmos problemas que os governos nunca resolvem? Francamente, estimado(a) leitor/leitora, no sei! O conselho de quem sabe e j passou pela experincia que o problema menor do aposentado ainda o financeiro, o dinheirinho que sempre menor do que o ms. Nesse at que se d jeito, podendo ser reforado com alguns ganhos aqui ou ali. O que precisa ser suportado com galhardia o descompasso violento entre algumas obrigaes e a ociosidade. H de haver uma preparao espiritual para receber os acontecimentos nunca como castigo, de saber o descobrir regalias e interpretar tudo como merecido prmio, abrir opes de lazer, visitas possveis que no incomodem os visitados, prtica de alguns esportes tambm possveis e, sobretudo, a conscincia do que no pode ou no deve ser feito. Em todo caso, vejamos alguns pontos positivos para os aposentados, nas palavras de um colega de muita experincia no assunto. O primeiro e mais agradvel a desobrigao dos horrios muito rgidos e da responsabilidade de sentir- pea importante de uma mquina que nunca para, servido do relgio, disciplina empresarial ou funcional, ou simplesmente administrao do tempo. Depois, h os favorecimentos da liberdade do ir e vir, do alimentar-se, do dormir na hora que mais convm, do no ter pressa, de ter todos os dias como domingos e feriados, do direito de tomar sol ou esconder-se do frio. Melhor, do viajar, de chegar e sair sempre sem pedir licena. Assim a vida. At as coisas boas trazem problemas. Se todos ns preocupamos tanto com o muito fazer, por que esquentarmos a nossa cabea com o dolce far niente, com o papo pro ar ou ficar de pernas pra cima? Melhor aprender a suportar a realizao dos sonhos. Isso, afinal, at que bom! Uma informao: o texto vale como conversa de quem se aposentou em 1990, com quarenta anos de carteira. Afinal, sou do tempo em que adolescente tinha mais que trabalhar.

Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 21/7/2015 08:14:12
ELOGIO DAS LETRAS

Wanderlino Arruda

Prefacios - Los griegos los hacan simples y cortos, a juzgar por ejemplo los que de Herdoto y Tucdides han llegado a nuestros das. Los latinos por su parte, tempranamente redactaban prefacios que en realidad podan luego adaptarse casi a cualquier obra. Los primeros captulos de la Conjura de Catalina1 y de la Guerra de Jugurta2 por Salustio, son ejemplos de este gnero. Y tal pareciera que Cicern tambin sigui esta misma idea. Prefcio, em literatura, foi sempre uma denominao dada a um texto introdutrio de um livro, onde o prefaciante descreve de forma sucinta o objetivo da obra, a sua estrutura e o seu contedo, bem como discorre sobre o autor. O prefaciante sempre uma pessoa conhecedora da temtica da obra e do seu idealizador, normalmente um amigo ou pessoa que conta muito em considerao. Segundo o Wikipedia, "El prefacio generalmente es corto cuando el mismo se orienta y se centra a ser una advertencia, y usualmente es largo cuando tambin incluye prolegmenos, motivaciones profundas o casuales, antecedentes, etc." Da, um excelente motivo para o escritor e historiador Drio Teixeira Cotrim e eu formatarmos este livro, todo ele composto de prefacios e comentarios sobre registros de experincias nossas na Literatura ou na Histria. Como a amizade no se busca, no se sonha e no se deseja, mas se exerce como uma virtude, Drio Cotrim e eu sempre estivemos juntos e inseparveis no trato das pesquisas, das experincias pessoais e profissionais em muitos situaes: no Banco do Brasil, no Rotary, nas academias de letras e de hidroginstica, nos Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros. So comuns entre ns o gosto pela pintura, pelas colees de coisas e ideias, pelas viagens, pelo conhecimento e reconhecimento de tudo quanto instituio de cultura.
A nossa convivncia praticamente diria uma prova de que a gente no faz amigos, mas sempre os reconhece. Acredito at que o desenvolvimento em cada um das melhores qualidades do outro. Como disse o filsofo Scrates, amigo de verdade no aquele que diz "v em frente", mas sim aquele que diz "vamos juntos".
Este pequeno livro ELOGIO DAS LETRAS foi, em verdade, intudo e organizado por Drio Cotrim, uma forma de registro do nosso convvio acadmico com a prosa-poesia e principalmente com a aplicao das lembranas em ensaios para a histria de Montes Claros e das regies norte-mineira e sul-baiana. uma forma de fixar nosso trabalho em favor da cultura, exercido diuturnamente, mesmo no sendo reconhecido por alguns crticos que julgam poderamos fazer muito mais. Bons ouvintes ou surdos aos comentrios, continuaremos na luta, agora e sempre, enquanto o Criador nos mantiver do lado de c. Melhor para ns! Academias Montes-clarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 5/5/2015 10:46:20
VIRTUDES E ASPECTOS DO ROMANCE

Wanderlino Arruda

narrativa do mundo total chamamos epopeia e damos um tom elevado. narrativa do mundo particular num tom particular e feita a um leitor particular, chamamos romance. o que diz Wolfgang Kayser que ainda explica estar a forma romanceada desde sempre buscando descrever reas mais precisas num mundo de fico, de alguma forma mais prximo do narrador e em rea contida mais pela experincia do que pelo sonho, experincia de leituras, do meio social ou profissional, por viagens, pelo resumo configurativo de personagens formadas em um campo de interesse. Uma coisa certa: o romance busca fertilmente o papel do acaso. Ele nos surpreende na tentativa de poetizar o mundo, miscigenando realidade e verossimilhana com o mximo de fantasia. Livre, solto, o autor no fica na obrigao de passar certificados de garantia, porque o mundo seu, e desde que coerente, faz dele tudo conforme sua vontade. O que no pode fugir ao dever da oniscincia, h sempre de saber tudo! Fora do gnero e do sentido da balada, da novela, do idlio, o romance antes de tudo uma narrativa de evento, personagem e espao. Se um desses elementos se torna portador de maior nfase, ressalta da um gnero. Assim, o romance de ao, o romance de personagem e o romance de espao. O historiador da literatura - afirma Kayser - poder confirmar esta diviso tirada da essncia das coisas. O mais fcil de entender o romance de ao ou de acontecimentos. Como o acontecimento arranja princpio, meio e fim, toda a realizao deste gnero apresenta arredondamento que no fcil de ser alcanado pelos outros gneros. quando o autor, poetizando o mundo, aparecendo-se ou no com o prprio eu, v-se como portador de acontecimentos e sensaes, confidente de dios e amores, de ambies e desprendimentos, de covardias e herosmos, e criador de todos os tipos prprios do dinamismo da vida: o criminoso, o ladro, o santo, o aventureiro, o mistrio, o amado, o amante e o desamado. Tudo fruto de uma inteireza plasmada pelo tempo e pelo espao.
Fao estes comentrios, lembrando-me com saudades do meu amigo e companheiro de Academia, Corbiniano Aquino, que conseguiu em "Aconteceu..." criar, descrever e movimentar interessante galeria de personagens, percorrendo um mosaico vivido, compsito, excntrico, um corte longitudinal numa sociedade que oferecia e oferece cores um tanto j perdidas na vida real. A empregada domstica, ainda hoje, pode ter prestgio de dona de casa e colocada como convergncia de todas as preocupaes e todos os zelos, fonte e destino de sentimentos que ainda sobrevivem para enobrecer o nosso corao. Padre, sanfoneiro, capataz, balconista, lavadeiras, moas e rapazes, velhos e meninos, o sacristo e o vaqueiro, o jaguno e a rapariga, todos se juntando para construir um ambiente rural ou urbano, como pode acontecer tambm com outros profissionais, exemplos de mdicos, engenheiros, arquitetos, delegados, detetives, gerentes e peritos, de modo a nos tirar mistrios e curiosidades.
"Aconteceu..." trouxe-nos, no bojo, os perfumes da vida na roa, o cheiro da sala de jantar e da cozinha de casa de fazenda, beijus quentinhos, bolinhos fritos, biscoitos escaldados, leite fresco, caf torrado em fogo-de-lenha e modo em pilo de jatob, mel de abelha, feito por abelha, tigelas de farofa, galinhas e leites assados servidos em travessas grandes. Trouxe tambm a escurido das noites sem luz eltrica e sem lua e a umidade das veredas e das beiras de crregos e pntanos, marcas de virgindade que j se transforma em lembranas. Foi a fixao de costumes coloridos de vida, de vozes e atitudes, de humanas qualidades e defeitos que os poucos anos do futuro cuidaro de transformar em passado extinto. Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 29/4/2015 09:09:39
VALE APOSENTAR-SE?

Wanderlino Arruda

Aos poucos, quando, para muitos, vem chegando o final da carreira, importante pensar na sempre to sonhada situao de aposentado, fazer o exame de conscincia necessrio para interpret-la compreend-la, e/ou sabore-la por antecipao.
Parece que no existe trabalhador que no pense, no sonhe com o que chama de merecida aposentadoria, o antigo otium cum dignitate. Conheo gente que tem quatro ou cinco anos de carteira assinada e j fala nos dias futuros em que no mais ter de cumprir horrio todas as manhs, aquela vocao de quem no nasceu para as amarras do assalariado, que todo empregado sempre teve, seja humilde, seja gr-fino. De mansinho vem a ideia de interpretao, o especular se realmente a aposentadoria mesmo um prmio. Com certeza, no sei se o cio no represente mais um castigo, algo de punio para modificar hbitos, desorganizar arraigados modos de vida, avacalhar o coreto do dia-a-dia dos trabalhadores e das famlias. J imaginou, quando de uma hora para outra, no tem o que fazer? Sabe l o que ficar o dia todo dentro de casa, aranhando, vivendo sem pressa, desarrumando e arrumando papis velhos, molhando jardim, passando a toda hora perto das panelas na cozinha, beliscando, comendo antes do horrio? Ou, de forma diferente, tendo de viver o dia todo no Quarteiro do Povo, de p em frente ao Caf Galo ou sentado nos duros bancos, conversando as mesmas conversas, "resolvendo" eternamente os mesmos problemas que os governos nunca resolvem? Francamente, estimado(a) leitor/leitora, no sei! O conselho de quem sabe e j passou pela experincia que o problema menor do aposentado ainda o financeiro, o dinheirinho que sempre menor do que o ms. Nesse at que se d jeito, podendo ser reforado com alguns ganhos aqui ou ali. O que precisa ser suportado com galhardia o descompasso violento entre algumas obrigaes e a ociosidade. H de haver uma preparao espiritual para receber os acontecimentos nunca como castigo, de saber o descobrir regalias e interpretar tudo como merecido prmio, abrir opes de lazer, visitas possveis que no incomodem os visitados, prtica de alguns esportes tambm possveis e, sobretudo, a conscincia do que no pode ou no deve ser feito. Em todo caso, vejamos alguns pontos positivos para os aposentados, nas palavras de um colega de muita experincia no assunto. O primeiro e mais agradvel a desobrigao dos horrios muito rgidos e da responsabilidade de sentir- pea importante de uma mquina que nunca para, servido do relgio, disciplina empresarial ou funcional, ou simplesmente administrao do tempo. Depois, h os favorecimentos da liberdade do ir e vir, do alimentar-se, do dormir na hora que mais convm, do no ter pressa, de ter todos os dias como domingos e feriados, do direito de tomar sol ou esconder-se do frio. Melhor, do viajar, de chegar e sair sempre sem pedir licena. Assim a vida. At as coisas boas trazem problemas. Se todos ns preocupamos tanto com o muito fazer, por que esquentarmos a nossa cabea com o dolce far niente, com o papo pro ar ou ficar de pernas pra cima? Melhor aprender a suportar a realizao dos sonhos. Isso, afinal, at que bom! Uma informao: o texto vale como conversa de quem se aposentou em 1990, com quarenta anos de carteira. Afinal, sou do tempo em que adolescente tinha mais que trabalhar. Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 18/4/2015 08:51:04
YVONNE SILVEIRA

Wanderlino Arruda

No basta crer e saber, necessrio viver a nossa crena, isto , fazer penetrar na prtica cotidiana da vida os princpios superiores que adotamos.
Lon Denis

Yvonne de Oliveira Silveira de Montes Claros e veio ao mundo em 30 de dezembro de 1914, numa casona de esquina das Ruas Padre Augusto/Doutor Santos, onde agora reina o Banco Ita. Tempo bom de infncia de Cndido Canela, Mrio Veloso, Waldir Bessone, Raul Peres, Ciro dos Anjos, Felicidade Tupinamb, tempo de suas amigas Walkiria Teixeira, Zuleica, Luza Froes, Dora dos Anjos, Idoleta e Maria Maciel. Tempo de seu futuro namorado, noivo e marido Olyntho Silveira. Tem duas origens interessantes: da famlia Peres, de tradio montes-clarense e do sangue alemo do seu pai Antnio Ferreira de Oliveira, louro de olhos verdes, sobrenome brasileiro, porque traduzido. Teve sete irmos: Wilson, Lvio, Zilda, Jos Larcio, Joo Hamilton, Paulo Nilson e Nilza. Muitos tios: Alexina, Francisco, Levy, Iracy, Raul, Rubens, Zelndia e Zlia. Francisco era o famoso Cica Peres. Raul, o doutor Raul Peres, agora chegando aos 104.

Foi criada pertinho do Largo de Cima, conhecedora perfeita da Praa Doutor Carlos, ouvinte de todo o barulho de fereiros e de animais amarrados em moires e palmeiras. Foi sempre uma alegria de menina que vivia entre canteiros de flores e hortas de alface, brincadeiras de quintal e de rua, com estrias dos mais velhos no escurecer da boquinha da noite, assentados na calada. O tempo corria lento, marcado pela posio do sol
e pelo sino do relgio da torre do mercado, um batido musical para cada meia hora e tantas e tantas pancadas coerentes com o nmero do mostrador; meio-dia e meia-noite, claro com doze lindas sonoridades. O que no era poeira do cho, era boniteza colorida dos pequis, dos cachos de banana, dos sacos de laranja, dos bacuparis e das pitangas, das carnes penduradas e cheirosas pingando gordura. Tudo, tudo entre a realidade e os sonhos.

Agora Dona Yvonne assim eu a sempre tratei mesmo como colega de faculdade - vive seu centenrio e faz a vida se transformar em obra de arte. Sempre parecendo que saiu do banho, cabelo arrumado, perfume de mos que oferecem flores, seu olhar de quem ama mais do que tudo a existncia. Em Yvonne Silveira, nada mais condizente que as palavras de Emmanuel construdas no sonho e concretizadas no amor: Duas asas conduziro o esprito humano presena de Deus: uma chama-se AMOR, a outra, SABEDORIA. Pelo amor, que, acima de tudo, servio aos semelhantes, a criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo, em favor dos outros, o reflexo de suas prprias virtudes; e, pela sabedoria, que comea na aquisio do conhecimento, recolhe a influncia dos vanguardeiros do progresso, que lhe comunicam os reflexos da prpria grandeza, impelindo -a para o Alto.

O Curso de Letras, o primeiro em nvel superior em Montes Claros, teve incio no Colgio Imaculada Conceio, em 1963, teve matrcula de 52 e formatura de somente sete: Yvonne, Saturnino, Hugo, Adilson, Lola, Irm Guiomar e Wanderlino. Quando o terminamos em 1967, para sermos professores universitrios em nossa prpria escola, Yvonne e eu tivemos de seguir para a ps-graduao na Universidade Catlica de Minas Gerais, ela na especializao em Teoria da Literatura, eu em Lingustica Geral, isso alm de termos de prestar exames de suficincia, ela na Universidade Federal em Belo Horizonte, eu na Federal de Juiz de Fora, porque o registro da Fafil iria demandar ainda algum tempo. J com muita prtica no ensino de Portugus e de Literatura, fomos na rea os primeiros a preparar
futuros alunos e candidatos ao vestibular. Da, da ctedra e da titularidade de professores, vivemos entre importantes geraes de estudantes que, hoje, marcam o jornalismo, a vida social, a batalha poltica e cultural em vrias partes deste Brasil. Fico encantado quando um aluno de Yvonne marca lembranas de suas aulas, principalmente por recordar cada minuto do entusiasmo dela, principalmente das muitas palavras de incentivo leitura e escrita. Como a sua estreia no magistrio foi aos doze anos, ela teve no mnimo oitenta e oito de oportunidades para despertar vocaes, quase um sculo de benfazeja prestao de servios cultura.

Disse muito bem Charles Chaplin que a vida uma pea de teatro que no permite ensaios. preciso que a gente cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento, antes que a cortina se feche e a pea termine sem aplausos. Acrescenta Fernando Pessoa que o valor das coisas no est no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. E por isso que existem momentos inesquecveis, coisas inexplicveis e pessoas incomparveis. No seria exagero dizer que os dois mestres sem conhecer Yvonne Silveira - escreveram isso tempos atrs baseados num modelo nela inspirado ou que ela inspira. Neste momento em que escrevo, ela est comemorando e ajudando a comemorar o Dia Internacional da Mulher, desfilando nobremente num escaldante sol de Vero, por vontade prpria e atendendo a um convite do Rotary de Montes Claros-Unio. Estou quase certo de que ela estar sendo fotografada e dando uma entrevista para os reprteres da TV e apresentando ideias para a moada dos jornais e das rdios. Voz de moa de trinta anos, com toda uma lgica no raciocnio e uma perfeita coerncia de ideias. Numa rara queixa esta semana, ela me disse, por telefone, que acha que est envelhecendo, pois se v distrada, sentindo umas tonteiras e tendo dificuldade para subir escadas. Claro que velha seria a av dela se ainda estivesse viva.

De publicao, Yvonne Silveira tem Montes Claros Crnicas,Cantar de Amigos - Poemas, Histria do Elos Clube de Montes Claros, Montes Claros de Ontem e de Hoje, e Folclore para Crianas, (em parceria com Zez Colares) e Brejo das Almas Contos e Crnicas, livro dela e do marido Olyntho Silveira. Foram muitos e muitos os prefcios para livros de amigos,
muitas as anlises literrias, muitos poemas e crnicas, muitas as peas para apresentaes de teatro. Professora de tudo quanto escola em Brejo das Almas e em Montes Claros, nunca houve na sua vida um dia de desemprego, trajetria do ensino primrio at a eficincia universitria. O cargo talvez mais elevado entre os muitos que tem exercido seja o de Diretora da Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras do Norte de Minas, nossa querida Fafil. Isso sem falar que foi professora de Histria das Artes no Conservatrio Estadual de Msica Lorenzo Fernandez, ao tempo de D. Marina. Presidente da Academia Montesclarense de Letras desde 1985, nunca teve vontade de deixar o cargo, nem vai deix-lo, dizendo-se sempre influenciada por Austregsilo de Athayde, da Academia Brasileira de Letras, e por Vivaldi Moreira, da Academia Mineira, que tiveram mandatos infinitos e existenciais. S aos quase cem anos, ela admitiu passar o cargo para algum mais novo/a, acredito uma grande conversa da boca para fora, porque de alma sempre nova, ela sempre sentiu a perpetuidade do seu mandato. Iluminar, iluminar tudo, iluminar todos, iluminar sempre, esse o seu lema, essa a sua trajetria, esse o seu dever, o que entende por sua misso.

Yvonne e Olyntho realizaram, l pela meia idade, uma mais do que querida adoo. Receberam, com muita alegria, Ireni, Ireni Mota Carlos, que lhes deu dois netos: Maria Luza e Pedro Vincius. O nascimento de Maria Luza Oliveira Silveira foi elegantemente comemorado com um soneto de Olyntho, um dos mais bonitos que ele escreveu. De Maria Luza, curso superior de Enfermagem, casada com Leandro Pimenta Peres, nasceu o bisneto Vincius Silveira Peres, que j anda como rapaz, d recados e faz as honras da casa quando chega uma visita. Moram todos numa linda manso da Rua Baslio de Paula, que liga a Vila Braslia ao Bairro Todos os Santos, desculpem-me a falta de modstia, uma rea das mais nobres. Para a poca de antanho do casamento, em Brejo das Almas, Olyntho e Yvonne se uniram j bem coroas (76 anos de vida em comum), ele com 23, ela com 18. E s se casaram depois de quatro anos de namoro, porque Olyntho no lhe dava sossego, passando dia e noite de bicicleta em frente casa de D. Cndida e Niquinho Oliveira, seu pai. Por falar em Niquinho, bom dizer que ele, na verdade, tinha um nome de literato e de orador e dois apelidos como farmacutico, um no Brejo, outro em Montes Claros: o normal era Niquinho Oliveira. O outro, que lhe foi posto por Joaquim Sarmento, um dos seus melhores amigos, era Niquinho Acar, s usado pelos mais ntimos. E por que Ninquinho Acar? Havia, na Camilo Prates, da Padre Augusto at a Praa Doutor Carlos, dois Niquinhos farmacuticos: Niquinho Teixeira e Niquinho Oliveira. O Oliveira, louro e branco, como disse antes, de olhos verdes; o Teixeira, um tanto quanto amorenado. Para distinguir melhor, Joaquim Sarmento apelidou-os de Niquinho Acar e Niquinho Rapadura, ficando assim bem mais clara a identificao. Yvonne e eu somos da fundao do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Ela tem como patrono o pai farmacutico Antnio Ferreira Oliveira e eu, o farmacutico Antnio Augusto Teixeira, ambos fundadores do Rotary de Montes Claros em 1926, o terceiro clube rotrio do Brasil.

Quando no era ainda normais as viagens para outros pases, Dona Yvonne fez duas aventuras na Europa. A primeira em 1981, lembro-me muito tendo de memria os comentrio do seu companheiro de turismo, Lazinho Pimenta. A segunda em 1991, com um turma de amigas, um ms inteiro percorrendo Portugal, depois de participar como representante brasileira em uma Conveno do Elos, no Faro, quando D. Fernanda Ramos
era presidente internacional. Sem dvida, fizeram muito sucesso, bela apresentao do elismo brasileiro, principalmente do nosso Elos Clube de Montes Claros, que sempre esteve na vanguarda. Desejo lembrar tambm aqui da admisso de Dona Yvonne na Academia Montesclarense de Letras, juntamente com Simeo Ribeiro Pires, Olyntho Silveira, Cndido Canela e Slvia dos Anjos, primeira turma convocada para se unir aos fundadores Alfredo Marques Vianna de Ges, Joo Valle Maurcio, Joaquim Cesrio dos Santos Macedo, Francisco Jos Pereira, Orlando Ferreira Lima, Helosa Neto de Castro, Antnio Augusto Veloso, Maria Ribeiro Pires, Dulce Sarmento, Jos Raimundo Neto, Hlio Oscar Valle Moreira, Avay Miranda e Geraldo Avelar. A curiosidade que os criadores da Academia no queriam
ter patronos, privilgio que ficaria para eles mesmos, quando morressem. Foi Yvonne Silveira que os convenceu a adotar a prtica normal.

Neste grandioso 2014, ano de seu centenrio, estaremos em constante festa, preparando e comemorando juntamente com ela todas as glrias que Deus lhe permitiu. Ana Valda Vasconcelos, representando o Elos Clube, Maristela Cardoso planejando pelos artistas, e eu, como presidente do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, estamos nos reunindo com muitas instituies para realizarmos importantes reunies festivas. Elos Clube, Academias de Letras, Instituto Histrico e Geogrfico, Rotary, Conservatrio, Fundao Marina, Ateli Felicidade Patrocnio, Associao dos Artistas Plsticos, Automvel Clube, Cmara Municipal e Assembleia Legislativa. As duas maiores manifestaes devero ser da Reitoria da Unimontes e da Secretaria de Cultura. O Reitor Joo dos Reis Canela j est preparando sua festa para o ms de maio.

Clssica e renascentista, sempre antenada a cada tempo, Yvonne Silveira conservadora ao mximo, alma de absoluta mineiridade. Intelectual tanto dormindo como acordada, ser sempre um dos smbolos de Montes Claros e de Francisco S, seu saudoso Brejo. Ontem como hoje teve e tem uma multido de admiradores e de amigos. Deo gratias!


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Por Wanderlino Arruda - 14/4/2015 09:40:03
ELOGIO DAS ELOGIO DAS LETRAS

Wanderlino Arruda

Prefacios - Los griegos los hacan simples y cortos, a juzgar por ejemplo los que de Herdoto y Tucdides han llegado a nuestros das. Los latinos por su parte, tempranamente redactaban prefacios que en realidad podan luego adaptarse casi a cualquier obra. Los primeros captulos de la Conjura de Catalina1 y de la Guerra de Jugurta2 por Salustio, son ejemplos de este gnero. Y tal pareciera que Cicern tambin sigui esta misma idea.
Prefcio, em literatura, foi sempre uma denominao dada a um texto introdutrio de um livro, onde o prefaciante descreve de forma sucinta o objetivo da obra, a sua estrutura e o seu contedo, bem como discorre sobre o autor. O prefaciante sempre uma pessoa conhecedora da temtica da obra e do seu idealizador, normalmente um amigo ou pessoa que conta muito em considerao. Segundo o Wikipedia, "El prefacio generalmente es corto cuando el mismo se orienta y se centra a ser una advertencia, y usualmente es largo cuando tambin incluye prolegmenos, motivaciones profundas o casuales, antecedentes, etc." Da, um excelente motivo para o escritor e historiador Drio Teixeira Cotrim e eu formatarmos este livro, todo ele composto de prefacios e comentarios sobre registros de experincias nossas na Literatura ou na Histria. Como a amizade no se busca, no se sonha e no se deseja, mas se exerce como uma virtude, Drio Cotrim e eu sempre estivemos juntos e inseparveis no trato das pesquisas, das experincias pessoais e profissionais em muitos situaes: no Banco do Brasil, no Rotary, nas academias de letras e de hidroginstica, nos Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros. So comuns entre ns o gosto pela pintura, pelas colees de coisas e ideias, pelas viagens, pelo conhecimento e reconhecimento de tudo quanto instituio de cultura. A nossa convivncia praticamente diria uma prova de que a gente no faz amigos, mas sempre os reconhece. Acredito at que o desenvolvimento em cada um das melhores qualidades do outro. Como disse o filsofo Scrates, amigo de verdade no aquele que diz "v em frente", mas sim aquele que diz "vamos juntos". Este pequeno livro ELOGIO DAS LETRAS foi, em verdade, intudo e organizado por Drio Cotrim, uma forma de registro do nosso convvio acadmico com a prosa-poesia e principalmente com a aplicao das lembranas em ensaios para a histria de Montes Claros e das regies norte-mineira e sul-baiana. uma forma de fixar nosso trabalho em favor da cultura, exercido diuturnamente, mesmo no sendo reconhecido por alguns crticos que julgam poderamos fazer muito mais. Bons ouvintes ou surdos aos comentrios, continuaremos na luta, agora e sempre, enquanto o Criador nos mantiver do lado de c. Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 7/4/2015 10:12:05
SUPREMO INTERESSE PELAS PALAVRAS

Wanderlino Arruda

Cada um tem o gosto que tem, isto , gosta do que quer gostar, com as preferncias de como melhor ocupar o tempo, viver a vida, dar vida prpria vida. H os que apreciam fazer regime e at sabem passar fome sem ficar triste. Uns gostam de comer, comer de tudo, de ficar gordo, e s vezes at com uma gordurinha bonita, luzidia, bem distribuda de forma a ningum botar defeito. H os que sonham resolver os problemas do mundo, saber muito, acompanhar a vida daqui e de alhures. Saem rua, leem jornais, frequentam o Caf Galo. H os que apreciam fazer negcios, tomar e emprestar dinheiro, comprar e vender, ver gente bem disposta e gente cansada.
Muitos ficam na Praa Doutor Carlos, do lado da Rua Quinze, na descida da Doutor Santos, nos pontos de txis, porque nestes lugares que todos conversam e h de tudo um pouco. A vida e o viver esto a desde quando amanhece o dia at a madrugada, para quem queria deleitar... ou sofrer um pouco...
Tenho um amigo e companheiro que, bom apreciador da cultura, gosta de palavras, gosta imensamente da inventiva social que d cobertura significativa e fonolgica a tudo que existe na Terra. Admira sinceramente a capacidade que o povo - ilustrado ou no - tem de nomear as coisas, revestir as ideias, inovar, polir o pensamento, colorir a semntica do pobre, do vivente da classe mdia e at dos ricos. Todas as vezes que Florival Rocha Primo encontra ou descobre uma nova palavra, mais do que depressa ela vai anotada para respeitoso exame da memria ou do dicionrio, para tomar posio importante no mundo de conhecimento. Da para a frente passa a ocupar um papel principal ou coadjuvante, dependendo da importncia. Primo, bem que poderia ser nomeado caador de palavras, pescador de preciosidades lingusticas, reitor dos significados da ltima flor do Lcio, to boa sua disposio... Muito tenho aprendido com o Primo, que nunca me nega uma palavra, boa ou m, em hora nenhuma! E o mais interessante sua alegria, quando, ao trazer-me uma curiosidade, demonstro j conhec-la, prestando-lhe informaes, porque, bem mais velho do que ele, s vezes tive oportunidade de ver primeiro. Uma palavra tem vrios aspectos tanto para o Primo como para mim, ou melhor, para as nossas manias. No s o simples vocbulo que interessa, a palavra nuinha, pelada, sem as roupagens da sua apresentao em pblico ou nos recessos dos livros. Procuramos ver sua histria, por onde tem andado, de onde veio, em que companhias tem vivido, se velha ou se nova, lusitana ou brasileira, ou se vem de outras paragens. Uma palavra para o Primo, para ser palavra de verdade, com "status", tem de trazer identidade, passaporte, Cpf, uma nobreza natural, e que no seja vulgar, porque palavra tem de ter pelo menos pedigree, como gostava de dizer meu tambm amigo Geraldo Loureno. assim a vida... Parece at que estou falando do Primo, do seu gosto de pesquisa, da sua amizade com o vocbulo, da sua curiosa minerao, para dizer que cada "doido" com sua mania... Creio que at para dizer mais, que a minha identificao com o Primo, com Georgino Jnior, com Drio Cotrim, assim como foi com Haroldo Lvio e com Reivaldo Canela, constitui "loucuras" de vrios e diferentes matizes, tem sido de valor inestimvel, to interessante que ainda no encontramos uma palavra certinha para revestir o significado desses acontecimentos. Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


79687
Por Wanderlino Arruda - 31/3/2015 09:05:23
SONHO DE SER JORNALISTA

Wanderlino Arruda

No sei bem porque, mas ser jornalista era um sonho que eu acalentava h muito tempo, bem antes de ter-me mudado para Montes Claros, nos meus adolescentes dias de Taiobeiras, tempos de convvio com tudo que um ainda quase menino poderia sonhar. Escrever para jornais e revistas, naquela poca j no me parecia uma coisa totalmente impossvel, tinha cheiro de realidade, com boa marca de prazo por acontecer. Na verdade, foi de l o bom comeo, nos meus primeiros exerccios de charadismo e de palavras cruzadas, quando no me limitava passividade das decifraes, mas indo com determinao a bem mais do que isso: passei a compor charadas e a construir os primeiros desenhos e armar as primeiras batalhas de vocbulos e siglas, encaminhando-os Revista "Libertas", que a Polcia Militar publicava em Belo Horizonte e "Revista da Marinha", que o Ministrio da Marinha editava no Rio de Janeiro. Era uma experincia e tanto, uma grande alegria ao ver textos e nome publicados e m letras de imprensa. Anbal Rego, amigo e companheiros de estudos, um dos melhores professores que j tive, muito me incentivou, procurando valorizar meus primeiros passos nesse tipo de atividade na imprensa. Desenhar a nanquim eu sabia de alguma forma, o que eu no sabia era datilografar, que era coisa difcil em cidade de interior. Foi a que Ageu Almeida, outro amigo, nas horas de folga da farmcia, me deu grande ajuda, ensinando-me, corrigindo e, mesmo, passando a limpo minhas primeiras produes. Foi uma boa escola, coisa de jamais me esquecer. Depois, vendo meu esforo, meu interesse, meu pai comprou uma mquina de escrever e um mtodo simplificado de datilografia. Foi para mim, no tenho dvida, uma fase de encantamento e alegria. Ainda me lembro de tudo como se fosse hoje: coloquei mquina e livro em cima da canastra de madeira e couro, que havia no meu quarto, bem em frente janela para aproveitar a claridade, e passei a gastar nos exerccios resmas inteiras de papel almao, batendo e rebatendo as quatro carreiras de teclas - dedos das duas mos - at adquirir razovel destreza para escrever bilhetes, cartas e pequenos relatos de acontecimentos de cada dia. Foi assim que - quase datilgrafo - cheguei a Montes Claros, em janeiro de 1951, j com meio caminho andado para trabalhar em jornal. Quando o prefeito Enas Mineiro e mdico Luiz Pires fundaram "O Jornal de Montes Claros", alvoroado, vi abrirem para mim as portas de uma nova profisso, sentindo mesmo que o grande sonho poderia transformar-se em realidade. Nada, porm, aconteceu, porque o excesso de trabalho no comrcio, as tarefas no Colgio Diocesano, a leitura de pelo menos um livro por semana, as cartas para a namorada, tudo, tudo no deixava tempo para o futuro jornalista. Na faixa dos sonhos quase reais, em um querer muito, acompanhei, mais do que interessado, a primeira fase do jornal, principalmente as polmicas entre professor Pedro Sant`Ana e o jovem mdico Joo Valle Maurcio. Depois veio a poltica estudantil no grmio do Instituto Norte Mineiro, com eleies perdidas e eleies ganhas, liderana construda quase a ferro e fogo. Foi tambm nesse tempo que recebi de Waldir Senna a presidncia do Diretrio dos Estudantes, numa velha sala da rua Doutor Santos, em frente ao Hotel So Jos. E da, para quem vinha de to longe na vida estudar de favor, o novo cargo era um brilho sbito, uma quase consagrao, nome diariamente no rdio e pelo menos duas vezes por semana nos jornais. Deve ter sido por isso que o professor Jos Mrcio de Aguiar, que no era to meu amigo como era de Haroldo Lvio, resolveu atender o pedido de Oswaldo Antunes e me mandar para o JMC. Antes, recomendou-me o mximo de respeito gramtica, cuidados no contato com o pblico, e mais do que isso: nunca esperar do jornalismo a riqueza de saldos bancrios, porque jornalismo teria que ser sempre um sacerdcio, ou mais do que isso. Trabalhei trs meses sem ver cor de dinheiro, tudo completamente de graa e at com alguma despesa sada do meu prprio bolso. Depois, o diretor destinou ao jovem e apressado reprter o diminuto salrio de mil cruzeiros, sominha que nem dava para pagar um ms inteiro penso de D. Duca. Um bom comeo. Claro, um bom comeo! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 23/3/2015 10:57:03
AS MULHERES E SEUS SIGNOS

Wanderlino Arruda

Confesso que entre as minhas muitas leituras quase no posso passar sem as dos horscopos. Por exemplo, no ponho um jornal de lado enquanto no estiver lida a coluna que fala da sorte no dia ou na semana. No me importa se vai ou no vai acontecer coisa alguma, se devo ou no acreditar. Interessa‑me, porque acho gostosa a combinao de ideias, o tom otimista dos autores, a sensao de mistrio, o nmero de probabilidades fantsticas. E sei que no estou s nessa empreitada, porque seno os jornais e as revistas no falavam tanto do assunto. Deve haver at muitos leitores muito mais apaixonados do que eu e do que voc. Ser? Conheo mais o que diz respeito aos nascidos no signo de Virgem, um povo leal e dedicado, afeito s letras, ao jornalismo, contabilidade, a tudo que concerne a papel e que nele escrito. Prticos, homem e mulher virginianos, so organizados e gostam de tudo certinho, arrumado como um relgio de hora certa, previsvel, a ponto de sustentar uma eterna crtica deles mesmos. Quando um virginiano casa‑se com uma virginiana, fazem mais do que um casamento: fundam uma organizao com caractersticas interessantssimas, incluindo nessa organizao os devaneios e as fantasias, desde que obedeam a esquema traado. Ponho como testemunhas disso meus bons irmos e colegas Mriam e Drcio, meus vizinhos de aniversrio. A mulher de libra no tem nenhum critrio na escolha do companheiro? Tudo o que ela quer unir-se a algum muito elegante, inteligente e que decida por ela, a quem ela possa dedicar-se e que satisfaa seus caprichos sofisticados. cheia de etiquetas e est sempre comprometida com as normas sociais. A libriana sempre se preocupa com a opinio das pessoas. J a mulher de Escorpio traz dentro de si o grito da liberdade instintiva. Inconformada, no sabe reprimir sua exuberncia afetiva e sensorial, sempre cheia de empatia e intuio. De grande fora de trabalho, assume tudo com garra. Outra mulher que adora a liberdade de movimentar-se a aquariana. Para ela, o ir e vir, conforme lhe convier, o essencial, assim como o relacionamento e a participao na vida das pessoas. J a canceriana uma mulher sensvel, dotada de grande capacidade de emocionar-se, permevel ao meio ambiente, misto de me e mulher, quase nem sabendo separar essas duas funes.
As leoninas so protegidas pelos deuses, segundo a mitologia, parentes do fogo e, por isso, fceis de incendiar-se. Brilhantes, intransigentes e dominadoras, pensam como bem entendem. As mulheres de Gmeos expressam com suas fantasias atravs do amor, ao contrrio das taurinas, que so bastante realistas a ponto de recusar as iluses e s ver a segurana e o que real. Sem compromisso, variada, leve, no sei se pode haver leitura melhor do que as dos horscopos. Pelo menos mais gostosa no h! Nem a de poesia bem feita! Academia Montesclarense de Letras e Academia Manica de Letras do Norte de Minas​


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Por Wanderlino Arruda - 20/3/2015 17:56:22
ESCOLA NORMAL Alberto Sena As fotos do acervo de dona Maria das Dores Guimares Gomes postadas no Facebook tm o condo de transportar qualquer pessoa, seja cristo, sacristo, evanglico ou budista, seno o ateu tambm, ao tempo em que fomos igualmente felizes e tnhamos a certeza de que ramos felizes. (...)

Alberto, Tambm tenho muitas saudades da antiga Escola Normal, principalmente na minha fase do sobrado, em 1954, quando iniciei-me no magistrio aos 20 anos, ainda com cara de adolescente. D. Jane, a professora de Ingls, teve que passar uma temporada nos Estados Unidos, e eu fui o escolhido para substitu-la nas aula, acredito por mais de um semestre. Uma aventura! Alguns anos meses mais tarde, parece que D. Tade, a diretora, gostou do meu trabalho e me convidou para dar aulas tambm de Portugus. Era um encantamento o conviver dentro e fora da escola, na Rua Coronel Celestino e no ptio interno, enorme, com todas as cores e sons do mundo, uma verdadeira algaravia. Estivemos juntos, acredito pelos idos de 1967 a 1969, curso cientfico, mas j no prdio novo, que vocs reivindicaram, parando as andanas do governador Magalhes Pinto, na Praa da Matriz. E que bom que o governador, homem fino e educado, sobretudo honesto, garantiu a promessa feita aos jovens e corajosos estudantes. Maravilhoso o ter saudades, Alberto!


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Por Wanderlino Arruda - 17/3/2015 16:15:58
COTRIM E VIRGEM DA LAPA

Wanderlino Arruda

No faz muito tempo, voei - como poeta e historiador - em nuvem de romantismo para pensar e repensar um prefcio sobre Itacambira, cidade antiga e moderna tomada de paixo pelo meu estimado amigo Drio Teixeira Cotrim. Tenho certeza de que cada palavra minha foi medida e pesada, posta em tela e moldura, como contributo a um dos livros mais caprichados entre os trinta e seis que ele escreveu e publicou. Como amigo e irmo, companheiro e confrade, minha deciso no foi a de fazer acrscimos, mas de contribuir para fixar o desenho da admirao por uma cidade to amada e admirada desde os dias de Ferno Dias Pais, seu desenhista de sonhos e real fundador. Afinal, trabalhar com Cotrim tem sido para mim um esforo normal de produzir e registrar culturas, seja no mundo das ideias, seja no mundo de construo da Histria. Entendo o Drio Cotrim como produtor de artes. E como bem disse Valry, arte o aproveitamento de coisas que transbordam e de acontecimentos que ultrapassam o viver e o fazer comuns.
Arte to importante que no se trata de dispndio gratuito de energia, e sim de utilizao de impresses e percepes que se encontram na memria humana em estado de disponibilidade. Arte o realizar com capricho e maestria, alm do normal, algo assim como um desenho que venha fixar ou ajustar destinos e vocaes, mescla de beleza e aventura. Sei que - por conceito de Kant, Spencer e do poeta Schiller - existem sempre traos marcantes entre a arte e o jogo, ocupaes que encontram em si mesmas a sua prpria finalidade.
Assim, a poesia e a histria acabam se mesclando em arte, transformando-se em encantos e sedues, caso clarssimo deste livro do historiador e poeta Drio Cotrim, enamorado por Virgem da Lapa, cidade em que a cultura se mostra mais do que significativa, presenas his tricas do homo sapiens, homo faber, homo ludens, poisis como funo ldica e de valores. Uma leitura atenta deste livro de Drio Teixeira Cotrim, que fao quase com contrio e f, leva-me a usufruir de toda memria, toda atuao e trabalho de pessoas mais do que conscientes do melhor da cidadania. Em todo o tempo um erigir e um reformar, clara inveno e criatividade que permitiram o maior xito de uma verdadeira civilizao. Construda inicialmente pelos sonhos de bandeirantes de So Paulo e do Nordeste - busca de pedras preciosas e criao de gado - Virgem da Lapa sempre se viu como exemplo de responsabilidade, imagem e reflexo do gosto pela vida em famlia e pela cultura, produo de bens e comrcio com vrias regies. Muitas as viagens dos tropeiros em distncias e lonjuras, envolvente a receptividade aos caixeiros e viajantes com notcias e mercadorias, tudo um luxo para olhos e coraes. O livro sobre Virgem da Lapa - bem informa o historiador - parte de um projeto antigo em virtude das suas andanas pelo Vale do Jequitinhonha, destaque para Minas Novas, Juramento, Gro Mogol, Araua, Itaobim e Jequitinhonha. H muito que ele vem admirando a beleza e o encanto do rio, sempre desejoso de escrever um pouco da sua histria. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 9/3/2015 09:28:47
DAS POSTURAS DA CMARA MUNICIPAL

Wanderlino Arruda

Mato saudades com as muitas lembranas dos tempos de Cmara Municipal de Montes Claros nas cercanias de cinquenta anos atrs, melhor dizendo, de 1962 a 1970, quando nossa edilidade se reunia na Praa Doutor Chaves, primeiro no prdio da Prefeitura, hoje Centro Cultural, depois num sobrado ao lado do Correio, em cima de uma loja de bicicletas. Lembro-me ainda mais quando passamos para a Avenida Coronel Prates, tambm prdio da Prefeitura, hoje supermercado do Bretas, ao lado da manso de Dona Fina e Hermes de Paula. A foi quase a maior parte dos meus bons tempos de mandato, quando o trabalho de vereador era de graa, colorido s pela vocao poltica, "servios relevantes em prol da cidade e do municpio". O motivo do saudosismo vem da leitura atenta de um livro-pesquisa organizado por Drio e Jlia Cotrim, publicado em parceria com a Editora Millennium do meu amigo Pedrinho, com o longo ttulo de "As Posturas da Cmara Municipal de Montes Claros de Formigas - 1858", sessenta e quatro pginas bem documentadas, sob o patrocnio do Instituto Histrico e Geogrfico e dedicado memria do "saudoso mestre e confrade Simeo Ribeiro Pires", nosso patrono. Quo belas foram as horas de leitura e releitura, de ida e de volta pelos textos, cada qual mais rico de detalhes e preciosas observaes, principalmente quanto aos costumes vigentes numa cidadezinha mineira e interiorana h quase duzentos anos. Era uma sociedade voltada tanto necessidade de trabalho pelo po de cada dia, como em temperar a vidinha pacata com a vocao de ser feliz atravs da diverso e da cultura. As pginas d`As Posturas da Cmara Municipal de Montes Claros de Formigas, registro dos mais antigos preceitos municipais escritos, obrigava os muncipes a cumprirem certos deveres de ordem pblica apropriados para os costumes de 1858. Uma percepo na vida social. constitudas por condies mnimas e necessrias a uma conveniente vida social com segurana, salubridade e tranquilidade, tudo pautado num consenso para um convvio pacfico e harmnico, com estabilidade das instituies e observncia dos direitos individuais e coletivos. Em resumo, como viver e conviver em paz e com procedimentos voltados para o progresso daqueles tempos e do futuro. O costume de fixar as normas de postura municipal surgiu a partir do imprio napolenico, e em decorrncia do crescimento das cidades. Postularam-se normas cada vez mais rgidas de procedimentos de conduta dos cidados, do uso dos bens urbanos, e a avanar sobre a regulamentao dos padres de higiene e salubridade das vias pblicas e das construes. Um minucioso elenco de normas, pautadas, principalmente, em proibies e restries, desde a forma de se vestir, ao consumo disciplinado de determinados alimentos. A esse conjunto de normas, regras e imposies de penalidades aos infratores, deu-se o nome, em Portugal e, por conseguinte, no Brasil, de Cdigo de Posturas, no qual inmeros assuntos eram tratados, entre eles o controle de animais soltos, os vendedores de ruas, a licena de comerciar, o policiamento, o regulamento do trnsito e do trfego, o horrio de funcionamento do comrcio, o controle de certas atividades profissionais - mascates, farmacuticos e den tistas, por exemplo. Tambm de assuntos ligados sade, como a vacinao, higiene pblica e de certas atividades como matadouros, chiqueiros, organizao dos cemitrios, proibio de despejos e lixos, licena para construir e tantos outros. Os pequenos povoados e vilas, apesar de todo o poder centralizador do governo imperial, assumia por iniciativa prpria, funes importantes de governo. Em 1824, com a proclamao da independncia, surge a Constituio Imperial, citando textualmente como competncia das Cmaras de Vereadores: "Especialmente o exerccio de suas funes municipais, formao de suas posturas policiais, aplicao de suas rendas e todas as suas particulares e teis atribuies". As posturas municipais eram um conglomerado de normas que regulavam o comportamento dos muncipes, desde suas relaes de vizinhana e cidadania, at relaes de cunho trabalhista, referentes a "criados e amas de leite". Algumas vezes - dependendo do grau eram to detalhadas que prescreviam castigos aos escravos s no interior das cadeias e no em locais abertos, evitando cenas infamantes aos olhos do povo na rua. Parabns ao amigos e colegas Drio Teixeira Cotrim e Jlia Maria Lima Cotrim, assim como s Editoras Cotrim e Millennium, pela iniciativa de marcar um importante perodo da histria de Montes Claros, sempre e sempre a cidade principal do Norte de Minas, ao mesmo tempo centro regional e entroncamento de todos os caminhos, escola sntese de todas as nossas artes e culturas. Claro que alm das congratulaes, o agradecimento maior de todos os estudiosos da histria deste Norte e de toda Minas Gerais.

Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 26/2/2015 14:58:23
Milene Coutinho Maurcio

Wanderlino Arruda

H poucos dias, a colunista Ruth Jabbur publicou uma foto das cinco geraes que tiveram como incio a escritora, museologista, pesquisadora e folclorista Milene Antonieta Coutinho Maurcio, que hoje completa 85 anos de idade: fotografia dela Milene, da filha Mnia Lucia Maurcio, da neta Daniella Maurcio Mouro, do bisneto Pedro Ivo Maurco Mouro e do tetraneto Bernardo Maurco Mouro, tudo gente bonita e bem posta na vida, pois com histria e estrias marcantes para quem admira e gosta de Montes Claros. Prometi a mim mesmo escrever sobre e para Milene, minha confreira da Academia Montesclarense de Letras e dos Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros, cinco longos anos atrs. Sempre esta promessa foi dvida em minha memria e nos meus compromissos de cronista voltados principalmente aos assuntos da regio. Olmpia, sempre atenta, me cobrou isso j no sei quantas vezes, mas s hoje, por determinao urgente-urgentssima do meu amigo e irmo Wagner Gomes, consigo alinhavar. E o fao com alegria, com emoo, porque de Milene sempre gostei e muita tem sido a minha admirao. Escritora de flego, pesquisadora do maior respeito, Milene Coutinho faz da escrita - quase como da famlia - o seu centro de existncia. Parece que nunca teve um dia de descanso, tantas foram as suas publicaes em jornais, revistas e livros. Destacam-se, por exemplo, Emboscada de Bugres, Tiburtina e a Revoluo de 1930, As Mais belas Modinhas, Magnificat, Vamos Brincar de Brincar, repositrios sobre a culinria mineira e do nosso interior do Norte. Emboscada de Bugres um importante depoimento sobre a grande e inesquecvel Dona Tiburtina, marca do episdio montes-clarense de seis de fevereiro, uma joia para o conceito jornalstico de Assis Chateaubriand. As mais belas Modinhas, rico registro sobre a musicalidade brasileira, teve prefcio do governador de Minas, Francelino Pereira, e comentrios sobre ningum menos que Carlos Drumond de Andrade. Magnificat, Representaes de Nossa Senhora, escrito a duas mos com a nossa confreira Maria das Mercs Paixo Guedes, tu do que a gente pode sonhar com a santa aura de Maria, me de Jesus. Vamos Brincar de Brincar contm o lado mais do que ldico da av, bisav e tetrav dos mais de oitenta de alegria do viver. Filha da escritora Nazinha e do entusiasmado professor e advogado Alfredo Coutinho, prefeito de Montes Claros quando ela nasceu, esposa do mdico e escritor Joo Valle Maurcio, secretrio de estado, Milene me de Mnia, Nair, Vitria e Liliane, av de nove netos, bisav de nove bisnetos e tetrav de Bernardo Maurco Mouro, descendente tambm de Mnia, Daniella e Pedro Ivo. Longa existncia, bonita dimenso de uma famlia bem criada e de brilho merecido, gente boa, muito boa, sempre envolta em importncia social, cultural e poltica. Nunca me canso de dizer que o romance "Maria Clara", de Nazinha Coutinho, um dos mais marcantes da nossa literatura montes-clarense, um encanto de escrita para atenciosa leitura. Emoldurada pelos sucessos das letras e das msicas, elogiada pelo trajeto social em todas as fases da vida, Milene teve como momento importante a publicao do livro Emboscada dos Bugres, acontecimento que pode ser assinalado com um incio de crnica do nosso saudoso e confrade ngelo Soares Neto: "No creio que o Automvel Clube tenha tido em toda sua histria uma noite como a do lanamento de Emboscada dos Bugres. E difcil, pelo menos, na tica do modesto escriba. Sei que ali j foi palco de eventos histricos. Isto uma verdade imutvel, contudo, o de ontem, noite, suplantou aos demais, quando foi lanado para o Brasil a obra maior de Milene Coutinho Maurcio, Emboscada dos Bugres - Tiburtina e a Revoluo de 1930, que lhe valeu um precioso passaporte para a histria nacional." Milene Coutinho Maurcio tem formao escolar bem aprimorada: magistrio pelo Colgio Imaculada Conceio, Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros e Museologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 25/2/2015 08:59:30
Marlia Pimenta Peres, linda forma de viver

Wanderlino Arruda

Um pensamento atribudo a Fernando Pessoa sobre o que devemos considerar na vida a cerca de gentes e coisas que o valor delas no est no tempo que duram. Est muito mais na intensidade com que acontecem, com que aparecem, j que "existem momentos inesquecveis, coisas inexplicveis, pessoas incomparveis". Suprema verdade! Assim tem sido a vida e o viver, o mundo e tudo que o compe. Cada criatura, queira ou no, tem o seu tempo-espao, seu horizonte, seu colorido, seus matizes em cada frao do relgio ou do calendrio. Melhor dizendo, somos recebedores e emissores de belezas e do bem que pouco ou muito podemos absorver e realizar. Somos donos do nosso destino. Todo este filosofar para dizer do quanto foi importante o tempo de vida da nossa querida amiga e confreira Marlia Pimenta Peres, que nos deixou rfos quando ela contava apenas sessenta e cinco anos de trajetria terrena. Sempre elogiada e mais do que admirada, Marlia foi antena receptiva de inumerveis ddivas que Deus permite s pessoas a quem Ele ama de verdade. Seus dons estiveram sempre no superlativo, merc dos seus dotes de inteligncia e da perfeio de sua beleza fsica e espiritual. Menina, moa e mulher, estudante ou professora, sua alegria se estendeu contagiante tanto a familiares como a colegas e amigos, tanto aos mais prximos como a todos, que mesmo de longe, ouviram falar dela. Tudo positivo e provocador de exemplos! Lembro-me muito bem dos quatro anos de melhor convivncia nas salas de aula e nas atividades do Curso de Letras da Fafil. Sinceramente interessada em todo o currculo, dedicou-se aos estudos de portugus, francs e lingustica, decididamente afeita s respectivas literaturas. Importante aluna, mais do que destacada e j com jeito de mestra, foi um encanto em todas as horas. Simptica figura de sua xar, Marlia de Dirceu, quanto me obrigou a estudar Tomaz Antnio Gonzaga, quanto me levou tambm a admirar a poesia mineira da Inconfidncia! "Marlia/ se tens beleza/ da Natureza um favor/ mas se aos vindouros teu nome passa/ s por graa do Deus do amor/ que tanto inflama a mente/ e o peito/ do teu pastor." Intelectual completa, Marlia Pimenta Peres ocupou - com nota dez - todos os postos de professora, literata, palestrante, protocolo e incentivadora do conhecimento. Tudo foi feito por ela para que seus discpulos gostassem de ler e de escrever, sonhassem e vivessem o brilho das artes. Figura notvel na Academia Feminina de Letras e presidente da Associao das Amigas da Cultura, todo o crdito pode ser-lhe atribudo por antigas e novas geraes. Mais que lamentar a ausncia de Marlia por sua ida to cedo, agradecemos ao nosso Pai Celestial por sua permanncia entre ns de quase sete dcadas de encantadora e linda forma de viver!

Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 11/2/2015 10:12:54
TONINHO REBELLO, LIVRO DE IVANA E DE JORGE

Wanderlino Arruda

De forma mais do que direta, o Eclesiastes usa o simbolismo do captulo trs para dizer que tudo neste mundo tem o seu tempo e cada coisa tem a sua ocasio, porque para isso Deus marcou um tempo certo. Esta verdade eterna, prpria e apropriada para qualquer momento, vem - agora - tambm aqui acontecer no dia vinte e cinco, com o lanamento do livro TONINHO REBELLO, O HOMEM E O POLTICO, de Ivana Rebello e Jorge Silveira, membros ilustres do Instituto Histrico e das Academias de Letras. Um acontecimento marcante para os que conheceram e para os que vo conhecer atravs da leitura o maior prefeito que, em oito anos, realizou em Montes Claros a melhor administrao de todos os tempos. Era mais do que chegado o instante preciso para esta justia histrica. O livro - realmente bom e muito bem escrito - fruto de duas inteligncias mais do que brilhantes - Ivana, doutora em Literatura, e Jorge, destaque maior do jornalismo, tem tudo para honrar a filosofia do Eclesiastes no registro bblico da ocasio para cada coisa. A histria de vida de Toninho Rebello precisava de tempo para ser maturada - pelo menos uma gerao depois - quando acontecimentos simples ou mais do que importantes na simplicidade de sua vida se tornassem registros realmente histricos. Com elementos comparativos do antes e do depois de suas administraes frente Prefeitura de Montes Claros, nada melhor do que o destaque aparecer j neste Sculo XXI, com tantas gestes boas e gestes ruins no comando do municpio. Entre todas, algumas realmente elogiveis, as de Toninho ainda foram as melhores e mais destacadas, porque de uma cidade provinciana, ele projetou uma reconhecida metrpole. Quem te viu e quem te v, Montes Claros! Para Ivan Rebello, o livro TONINHO REBELLO, O HOMEM E O POLTICO surgiu "de uma admirao mtua: minha e do jornalista e escritor Jorge Silveira, a quem muito respeito pela coragem; pelo exerccio do jornalismo seno, inteligente, e por seu zelo a Montes Claros. A ele, como grande jornalista que , coube a parte mais densa deste livro: aquela que testemunha o poltico, o prefeito, o idelogo. A mim, coube o retrato do homem de famlia, que, entre outras coisas, recobra lembranas de um menino comum, que corria nas ruas de Montes Claros. Sua vida pessoal no o diferencia de tantos que fizeram a histria da cidade; cresceu, casou-se, teve filhos e netos. Mas tambm nessa vida ntima ele se pautou pela conduta ntegra e severa. Para Jorge Silveira, que conheceu muito bem apenas o Toninho Rebello administrador e poltico, foi muitssimo importante juntar-se a Ivana na estrutura e produo do livro. "Convidei sua sobrinha, professora emrita e escritora, Ivana Ferrante Rebello, para compartilhar comigo estas memrias, cabendo-lhe mostrar aos leitores como foi e o que foi o Toninho pai de famlia, o Toninho irmo, o Toninho filho de seu Jaime, o Toninho av, enfim, o homem em todas as suas caractersticas e princpios familiares. Acredito que juntando as memrias de Antnio Lafet Rebello a quatro mos, teremos um retrato bem aproximado daquele que, em quase todos os sentidos, foi e continua sendo o paradigma de alguns conceitos to em desuso nos dias atuais como austeridade, tica, honra, honestidade, amizade, cidadania e patriotismo." Juntos e/ou separados, cada qual vendo Toninho pelo seu especial jeito de viver - do cidado e do administrador - Jorge e Ivana realizaram o que muitos de ns que lutamos entre o jornalismo e a literatura histrica gostaramos de fazer: grafar a verdade com toda beleza que ela pode ser sustentada, fazer justia a quem foi e merecedor dela. Parabns, companheiros, amigos e confrades. Somos-lhes devedores pela muita eficincia e bonito amor a Montes Claros! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 3/2/2015 11:05:08
CRNICAS HISTRICAS DE MONTES CLAROS

Wanderlino Arruda

Depois de "Montes Claros, sua histria, sua gente e seus costumes" publicado por Hermes de Paula em 1957, ano do centenrio, j estava passando da hora de termos um livro mais completo sobre a cidade e seu entorno norte-mineiro. verdade que muitos livros foram escritos, muitas crnicas publicadas, muito esforo despendido sobre fatos e personagens, mas quase tudo fruto de lembranas e de vivncias dos nossos cronistas e historiadores. Para formar arquivos e registros histricos com maiores amplitudes, at agora s o confrade e amigo Drio Teixeira Cotrim no tem poupado esforos e investimentos, pois dele hoje a maior e melhor biblioteca histrica de toda a nossa regio. Por qualquer lugar em que ele passou nos ltimos anos, nunca deixou de visitar institutos histricos e geogrficos, bibliotecas pblicas e arquivos de academias de letras. At em bibliotecas de rgos pblicos, principalmente de cmaras municipais, ele tem se preocupado pesquisar e fotografar docume ntos. Excelente disposio! Estou apresentando esta minha opinio - mais do que pessoal - porque ningum convive com Drio Cotrim ou participa do seu trabalho tanto quanto eu, j que somos companheiros em vasto universo de instituies, principalmente nos setores de literatura e histria. Mesmo assim, apesar de toda a proximidade e acompanhamento, tenho a mais grata surpresa ao ler, com absoluta ateno, o seu trigsimo stimo livro, que CRNICAS HISTRICAS DE MONTES CLAROS E OUTRAS CRNICAS MAIS. Quanta riqueza de informaes, quantos detalhes importantes, quanta beleza de estilo e leveza literria! Uma obra de elevado e reconhecido valor para ser guardada na memria intelectual e na memria do corao. Verdadeira joia para leitores de qualquer preferncia, principalmente para os que amam com paixo esta terra to representativa, que Montes Claros, a cidade da arte e da cultura. Formatado pela Editora Cotrim, do prprio autor, e publicado pela Millennium, do meu amigo Pedrinho, as 156 pginas de histria constituem um luxo para o nosso patrimnio de amor e de conhecimentos. Deve e precisa ser lido com urgncia, com o af de quem sabe apreciar o bem bom de Montes Claros. L esto Hermes de Paula, Konstantin Christoff, Dona Tiburtina, Simeo Ribeiro, Joo Valle Maurcio, Marciano Fogueteiro, Olyntho Silveira, Adail Sarmento, Reginauro Silva, Haroldo Lvio, Ruth Tupinamb, Cyro dos Anjos, Darcy Ribeiro, Lus Carlos Novaes, Padre Dudu, Godofredo Guedes, Raymundo Colares. L esto Petrnio, Yara, Yvonne, Raquel, Feli, Clarice, Ivana, Zoraide, e muito mais gente amiga que Deus ainda no levou e que todos gostaramos ficasse bem longe de levar. Neste ltimo pargrafo, quero dizer que, entre as muitas informaes, Drio Teixeira Cotrim fala da Cidade Alta e da Cidade Baixa, das ruas estreitas, das travessas, do corredor cultural, da velha matriz, da catedral, do velho mercado, dos chafarizes, dos cinemas, dos sobrades, dos tipos populares, da princesinha, filha de D. Pedro I, que morreu em Montes Claros e est enterrada perto do altar da Matriz, ao lado do fundador Jos Lopes de Carvalho. Da regio, ele diz muitas coisas da Barra do Guaicu, da Coluna Prestes, do Caminho Real, do canho de guerra, que hoje do Instituto Histrico, dos sertanistas e bandeirantes, do Frei Clemente de Adorno, de Francisco S, de Antnio Gonalves de Figueira, de Jernimo Xavier de Souza. Um lindo e importante passeio pelo nosso passado. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros.


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Por Wanderlino Arruda - 27/1/2015 09:57:37
REDIGIR, UMA FANTASIA NO TEMPO-ESPAO

Wanderlino Arruda

Entre todas as cincias humanas, a literatura tem um dos mais importantes papis, e, como a pintura e a escultura, informa sobre usos e costumes de pocas, povos e regies. O literato, como o artista plstico, obtm, de um acontecimento ou de qualquer coisa, o ngulo marcante, um prisma de viso, a denotao e a conotao que olhos normais no conseguem ver. Esse grau de sensibilidade, em todas as dimenses dos sentidos, s o artista consegue. E, por isso, torna-se diferente da sua gerao e mergulha-se numa supra realidade, num mundo de emoes estticas, criando imagens, sons e movimentos, descobrindo cores, formas e perspectivas, aflorando arrepios de dor, encantamentos de alegria e frescor de saudades. Nem sei o que seria da vida e da histria, se no existissem os artistas. Hoje minhas lembranas recuam no calendrio para o dia da posse de Joo Valle Maurcio como presidente da Academia Montesclarense de Letras, mais de quarenta anos atrs. Lembro-me como se fosse agora quando falei da importncia da literatura nos registros que atualizam as geraes, interpenetram sensaes de tempo-espao, mesclam e pontilham fatos, colocam o mundo em quase eternidade. Citei como exemplo um texto dele ligado nossa regio, relato de uma viagem, pela Central do Brasil, num trem-maria-fumaa, a partir do movimento alegre e comovido da antiga estao de Montes Claros. Era a histria de um rapaz montes-clarense que ia assistir festa do Senhor do Bonfim, em Bocaiva, um dos episdios mais gratos da nossa literatura norte-mineira. O jovem, na sua primeira viagem de trem, chegou emocionado estao, no meio de gestos, de gritos do velho Matias Peixoto, que, naquele dia, estava mais importante e altivo do que nunca, de guarda-p e bon, mais parecendo o dono da plataforma. O rapaz viu toda aquela gente que ia viajar ou ia despedir-se. Viu os funcionrios da Central, na azfama de ltima hora. Viu o chefe do trem, montado na mais alta importncia, soprar o apito anunciando a partida. Ouviu o maquinista dar a acelerao de sada. Viu mos que abanavam dando adeus, de dentro e de fora dos carros. Viu choro, viu risos, viu fisionomias saudosas de fazer d. Afobado, pulou nos degraus de dois a dois e viu o vago cheio, cheinho de passageiros. Olhou longe, olhou perto, tudo cheio, entupido de gente. Por sorte, descobre uma poltrona vaga, ao lado de uma jovem e palpitante morena, por sinal muito bonita e elegante, um encanto e pedao de mau caminho. Corre e toma posse do lugar, mais do que ligeiro. Sentado, acomodado, quase dono de si, olhava de lado, com rabo de olho, respira fundo, engole seco, pisca os olhos, levanta os ombros, encolhe-se todo de emoo. Quando volta ao natural, mexe-se, levanta o cotovelo, arruma-se e zs!... roa o brao da moa. Uma coisa deliciosa de formigamento gostoso, um friozinho na boca do bucho, um esquentamento nas orelhas. Tem vontade de cuspir, olha para o cho - v que no pode - olha para a janela, e o vidro est fechado. Tenta abrir, no consegue. Fora, mas no d jeito. Mas, com o movimento, encosta de novo na morena e sente o cheirinho bom de mulher nova, e fica ainda mais pra l de emoo. Depois de muito pelejar, o vidro desce e ele cospe l fora, afinal, descansado, conseguindo o primeiro alvio, depois de tanto conforto e desconforto. Da para a frente, o trem, prossegue balanando, fungando no compasso caf-com-po-manteiga-no e o escritor deixa o acontecido para a imaginao de cada leitor, inclusive da minha, que, ao mencionar o acontecido, apresento-o em nova roupagem, fantasiado, a meu modo, adaptado ao meu estilo.
Pois assim que entendo literatura, assim que sempre procuro transferir aprendizagem aos meus alunos, ensinando a arte de escrever, pintando, desenhando caracteres, marcando episdios, acicatando lembranas. Realista ou romntico, simbolista, concretista, modernista, ningum consegue fugir do que manda a vida e, por isso, o escritor, tem que ser ao mesmo tempo fotgrafo e pintor, msico e cinegrafista, buscando todas as nuances reais ou imaginrias de um acontecimento. Afinal, praticar literatura mais do que tudo fantasiar.

Academia Montesclarense de Letras Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 20/1/2015 10:58:34
IHGMC - NOSSA META O SUCESSO

Wanderlino Arruda

Passou mais do que depressa o tempo de oito anos desde que fundamos o Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, numa bonita noite de 27 de dezembro de 2006. Depois da diretoria de implantao de 2007, de que fui presidente, estamos no quarto mandato com foco maior no passado e muito interesse no presente, tudo fazendo para honrar a histria e a geografia de Montes Claros e da regio norte-mineira. Quadro social bem maior do que os das academias de letras, com cem cadeiras, temos no momento noventa confrades e confreiras, em vspera de dar posse a mais seis companheiros/as, de Montes Claros e de Gro Mogol, permanecendo apenas quatro posies vagas, ou melhor, quatro patronos aguardando os seus representantes. Reunimo-nos mensalmente no ltimo sbado de cada ms, no salo nobre do Sobrado dos Versiani Maurcio, sede da Secretaria de Cultura, cada reunio mais importante do que a outra, com elogivel e entusiasmada. Frequncia. Vrias vezes por ano, fazemos lanamentos de pelo menos dois livros nossos e muitos outros de autores locais e regionais. Realizamos palestras e conferncias, concedemos entrevistas, publicamos artigos e crnicas semanalmente e estamos sempre presentes no noticirio dos jornais, do rdio e da televiso. nossa misso manter a histria e o conhecimento sempre presentes, disposio de pesquisadores, dos que gostam de leitura e principalmente dos estudantes. Conhecido e reconhecido em todos os segmentos da cultura, o Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros publica a sua Revista em todos os semestres, sempre com circulao nacional e internacional. Cada autor fica responsvel pelo custeio do seu prprio espao, tendo por retribuio um exemplar para cada pgina publicada. At agora tudo deu certo, sem falhas e com elevado nvel de aprovao, principalmente pelo bom trabalho dos coordenadores e ex-presidentes Drio Teixeira Cotrim e Itamaury Teles de Oliveira, considerados ainda o elevado nvel tcnico das editoras Milennium, de Montes Claros, e O Lutador, de Belo Horizonte, nossas parceiras e amigas. Estamos nos esforando para publicar, se possvel ainda em 2015, no meu ltimo ano de presidncia, antes de passar a direo do Coronel Lzaro Francisco Sena, dois livros com as biografias dos cem patronos e de todos os membros do quadro associativo. Ser, sem dvida, a grande marca para imortalizar muitos nomes dos que fizeram a nossa histria e dos que sobre ela gravaram lembranas escritas ou proferidas. Nossa sede e secretaria se encontram no Centro Cultural Hermes de Paula, Praa Doutor Chaves, 32, onde estar brevemente funcionando tambm a Biblioteca Simeo Ribeiro Pires, acervo importantssimo que nos doado pelos familiares do nosso patrono. (Presidente)


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Por Wanderlino Arruda - 13/1/2015 17:59:13
PORTINARI

Wanderlino Arruda

Quem Sempre me falou, com maior ternura, sobre Cndido Portinari, foi o meu amigo Henrique Tondinelli Filho, companheiro, vizinho e scio de paixo pela pintura. Meu antpoda por nascimento, pois eu do norte e ele do sul, eu do So Joo, ele do So Sebastio do Paraso, Tondinelli e eu temos sido fraternalmente admiradores da filosofia e da arte. E foi assim e por isso, que o meu amigo Tondinelli, mesmo distncia, serviu-me de cicerone em uma das minhas vilegiaturas pelo interior de So Paulo, de passagem para uma temporada gacha.
Que lindo roteiro, iniciado por Furnas, Passos, So Sebastio ainda em M. Gerais. Depois de passar pela fronteira, no muito distante, l estavam duas pequenas e maravilhosas cidades paulistas, as bem limpinhas e romnticas Batatais e Brodsqui, terras de labor e amor do grande Portinari. Em todas as suas duas, os sinais da dedicao de um dos maiores gnios da pintura brasileira. Em Batatais, na Matriz, grande parte da sua obra religiosa; em Brodsqui, terra natal, o museu Portinari e toda aquela mstica de admirao pela existncia e pelo trabalho do filho ilustre. Em Brodsqui, tudo e sobretudo Portinari, um misto de encantamento e de cores, vida convivida pela saudade, traduo legtima de eternos matizes de um azul muito azul, cor do amor e do agrado de reconhecido mestre. Foi em Brodsqui o contato portinariano que me levou, mais tarde, a descobrir o que deveria ter sido descoberto h muito tempo, o que deveria ter sido natural e muito natural no roteiro de um tambm pintor. Por mais incrvel que parea, foi l o meu caminho para a visita Pampulha, em Belo Horizonte, muito pouco tempo depois, para ver e rever, agora com olhos de quem sabe ver, quadros e painis de Portinari. Foi l, como o foi em Batatais, o meu caminho para nova visita aos painis do Ministrio da Educao, no Rio de Janeiro, onde o artista criou fama. De l, uma nova caminhada ao Museu Nacional de Belas Artes tambm no Rio, para nova viso sobretudo do quadro Caf, aquele do verso da antiga nota de cinquenta, cheio de gordos carregadores. Por tudo isso, sou muito grato ao Henrique Tondinelli Filho, como eu, montes-clarense de corao e de trabalho, como eu, um muito apaixonado por cores e perspectivas, um vido perscrutador de galerias, feiras e exposies de artes. Usando as mesmas escalas estruturais dos pargrafos anteriores, quando falei de cidades e de estradas, posso dizer e afirmar, que o meu caminho para Portinari passou antes pelo caminho de Tondinelli. Como ningum ama o que no conhece, e o que os olhos no veem o corao no sente, para amar Portinari preciso conhec-lo, para conhec-lo bem necessrio passar por Brodsqui. De minha parte, Deo gratia!... Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 7/1/2015 11:53:41
HAROLDO LVIO, NOSSO INTELECTUAL MAIOR

Wanderlino Arruda

O meu texto pessoal sobre Haroldo Lvio, que nos deixou no primeiro dia de 2015, fica para depois. Agora, as opinies de colegas e companheiros da imprensa, que tambm so minhas. De Paulo Narciso: Aplicado, devotado, talentoso, o menino/jovem Haroldo Lvio, logo que se mudou para Montes Claros, entrou numa biblioteca e no saiu de l enquanto no acabou de ler o ltimo volume. Tornou-se, claro, o maior sbio entre ns, uma enciclopdia permanente, para qualquer consulta, ornada de generosidade, comedimento e pacincia. O nosso Scrates, no Jardim de Academus que escolheu. Por concurso, assumiu o Cartrio de Imveis de Porteirinha e acrescentou quela cidade os traos de seu desprendimento e de sua cultura. De Luiz Ribeiro: Escritor nato, dono de um texto incomparvel, com rara capacidade de ser, ao mesmo tempo simples e erudito, Haroldo sempre foi uma espcie de biblioteca ambulante, conhecedor profundo da nossa gente e da nossa histria. Aprendemos muito com ele. Pra mim, particularmente, ele sempre foi uma espcie de consultor. Em qualquer dvida ou necessidade de alguma informao sobre fatos histricos a respeito da histria de Montes Claros e do Norte de Minas, era s ligar para o Haroldo Livio que respondia com gentileza e disposio. Uma grande perda para a cultura da cidade, da regio e do estado. De Alberto Senna Batista: Haroldo Lvio, historiador, escritor, cronista, jornalista. Um intelectual que enriquece mais ainda o cenrio celestial. De Maria Luza Silveira Teles: Acredito que o homem tem duas asas: a asa do conhecimento e a asa do amor, que implica, tambm, a tica. Entretanto, poucos de ns desenvolvem, com equilbrio, essas duas asas. Meu amigo, Haroldo Lvio, que partiu no primeiro dia do novo ano, era um homem que soube desenvolver ambas. De Jos Ponciano Neto: Haroldo Lvio, era pessoa das mais educadas e inteligentes que j convivi. Sem dvida ser uma das perdas mais significativas na sociedade literria do Brasil. Era completamente despojado das vaidades, nunca visava lucro como notrio e muito menos como escritor, historiador e jornalista; para ele servir era um compromisso com a sociedade e com Deus. Amizade para Haroldo Lvio era tudo, sempre destacava os amigos como: Itamaury Teles, Jos Luiz, Wanderlino Arruda, Paulo Narciso, Ronaldo Almeida, Petrnio Brs, Yvonne Silveira, Prof. Juvenal, Lcio Bemquerer, Alberto e Waldir Senna e muitos outros, no fazia distino entre eles. De Itamaury Teles de Oliveira: Atencioso, afvel no trato, uma enciclopdia ambulante, seguro e preciso em suas intervenes, era a nossa referncia, nosso paradigma, como articulista, cronista, historiador, escritor, um operador das letras, enfim. Com memria prodigiosa, versava sobre assuntos diversificados, com fluncia e humildade, sem pompa ou circunstncia. Conhecia fatos e personagens da nossa histria e os relatava a quem o consultava como se tivesse acabado de reler sinopse sobre o tema.

Institutos Histricos e Geograficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 2/1/2015 11:10:39
HAROLDO, BARO DE GRO-MOGOL

Wanderlino Arruda

Com imensa tristeza, na hora em que Haroldo nos deixou, republico a minha crnica sobre ele, que foi um grande amigo e notvel companheiro - A histria bem normal de tudo de conformidade com os cnones do comrcio de nossos dias, fruto dos princpios da oferta e da procura. Negcio de toma-l-e-d-c, envolvendo naturalmente valores e moedas comuns de qualquer ato comercial. S pe romantismo numa operao dessas quem pode v-la com olhos de poesia, com traos romnticos de filosofia literria. Em tudo, no resta dvida, mesmo nos atos de pura barganha e interesses outros, a gente consegue dar um colorido de fantasia, bem prpria dos que vivem do trato das artes de das letras. que a verdade bem interessante, amigos. Haroldo Lvio, cidado brasileiro, brasilminense de nascimento, montes-clarense de corao, agora assina um atestado de amor terra de Gro Mogol. Assina e paga. Paga com toda a fora que o dinheiro pe e dispe no mundo moderno, mesmo em se tratando de coisas antigas. Haroldo Lvio - bom dizer logo - acaba de efetuar uma transao comercial de alto coturno na cidade de Gro Mogol. Comprou e pagou e tomou posse, com registro em Cartrio, mediante todas a clusulas, inclusive a de evico. Haroldo Lvio, ou melhor, Doutor Haroldo Lvio de Oliveira, brasileiro, advogado, casado com a sociloga, D. Maria do Carmo, hoje senhor de um solar antigo e sensorial na cidade de Gro Mogol. Senhor legtimo de uma antiga casa, grande e imponente, construda possivelmente por mos escravas, de paredes de pesadas pedras, escavadas com o suor do sculo passado. Caso de amor primeira vista, Haroldo embeiou-se pela nobre vivenda e sentiu-se imediatamente na pele de um poderoso gro-proprietrio, dono da segurana de uma fortaleza ao mesmo tempo urbana e histrica. Viu e gostou. Gostou e comprou. Comprou e pagou. Pagou por ser o incontestvel possuidor da possuda posse. A casa de Haroldo, amigos, no uma casa comum, que a escritura diz construda de alvenaria, de simples e perecveis tijolos. obra grantica, com paredes de meia braa, a sustentar janelas coloniais, portas imensas, de duas bandas, com pesadssimas traves e ferrolhos, frutos, no s da segurana mineira como da senhorial competncia de suados ferreiros de antanho. A casa de Haroldo, de telhado de aroeira lavrada a golpes de enx por mos competentes, tem repetidas ripas de jacarand! As paredes das salas mais nobres so revestidas com lambris e o piso digno das passadas de um comandante-centurio. Na frente, o arquitetnico ornato de uma resistente cimalha d o toque do poderio e da fora de uma escolha consciente do construtor e mestre-de-obras, orgulho da arte de cantaria. O fundo do nobre solar, aps generoso quintal de frutos opimos, divisa com as mais cristalinas guas do rio de areias brancas, leito de pedras polidas, barrancas atapetadas de grama verdinha e capim gordura. Ao longe, mas no muito distante, o perfil elegante de centenrias rvores a formar moldura com o azul de ferrugem das serras e a linha cinzenta-celeste do horizonte. Tudo uma graa, um encanto para os olhos e um prazer para o corao... Por tudo isso, pelo amor, pelo romantismo da deciso comercial, pela poesia, pelo gosto, pela nobre humildade e pela humilde nobreza de s conscincia, prevalecendo-me no sei de que autoridade, no tenho dvida de atribuir a Haroldo Lvio, culto e intelectual senhor das Minas Gerais, o Ttulo de Baro de Gro-Mogol. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 30/12/2014 08:39:14
PROFESSOR EZEQUIEL PEREIRA

Wanderlino Arruda

Acho que esta crnica deveria estar sendo escrita por Haroldo Lvio. Ele a faria bem melhor, com mais sabor telrico, uma vez que ele sente muito mais de perto a fora da terra de Gro Mogol, o cheiro do amor metafsico que perpassa pelas ruas tortas e pela velha praa nominada pela placa mais bonita que j vi, a placa da Praa Professor Ezequiel Pereira, bem o no centro da velha cidade. O Professor Zeca de Gro Mogol, municpio cheio de pedras escuras de verde-musgo e maduras de amarelo-dourado, lugar de guas to claras como o cristal mais claro, rvores de um verde to intenso que faz doer-nos a vista. Nascido l, ali tomando contato com a natureza e com o mundo, lendo e escrevendo as primeiras letras, construiu desde menino, um felicssimo alicerce de vida feliz. No sei quantos anos tive de convivncia com o Professor Zeca, nem posso precisar bem a poca dos nossos primeiros encontros, de quando eu comecei a beber na fonte inesgotvel de sua sabedoria, do manancial de erudio to maravilhoso que ele sabia muito bem guardar e expandir envolto numa sincera e natural simplicidade. Foi o Professor Zeca um dos homens mais cultos e mais humildes que pude conhecer at hoje, cultura que a gente tinha de minerar aos poucos atravs de perguntas, de colocao de assuntos que pudessem provocar sua vocao de ensinar, de esclarecer. Sabendo muito, por demais preciso nos seus conceitos de cincia, filosofia, religio e lingustica, parece que tinha medo, ou mesmo por excesso de amor, evitava ofuscar os que sabiam menos ou quase nada. O Professor Zeca era impecvel na limpeza. Limpeza fsica e de corao, limpeza de ideias, de vocabulrio, uma limpeza alegre, descontrada, despojada de qualquer tipo de pompa ou de orgulho. Sua presena colocava as pessoas to vontade como se elas estivessem numa respeitosa festa de famlia. Era um homem de bem, de todo o bem, tudo indica, sem qualquer defeito visvel ou invisvel. Os que conviveram mais tempo com ele - Olmpio Abreu, Laerte e Ney David, D. Deuslira Filpi, D. Lisbela, D. Lia Rameta, Joo Afonso - todos diziam nunca terem notado nele qualquer faceta negativa, por mnima que pudessem imaginar. Esprita dedicado desde os treze anos, juntamente com seu famoso irmo Ccero Pereira, Professor Zeca foi estudioso da doutrina at os 84, paciente nas anotaes, consciente nos conceitos, firme e sem desfalecimento at o fim. Um erudito, obediente codificao de Kardec, firme no escrever e no proferir palestras, mestre admirado de muitas geraes. No tempo certo, realizamos uma semana de comemoraes do centenrio de nascimento do Professor Zeca. Foram dias de repasse de feitos grandiosos de um homem que jamais sonhou com grandezas. Professor, coletor do Estado, chefe poltico, guarda-livros na antiga fbrica do Cedro, foi sempre metdico e seguro nas suas decises. Foi um dos fundadores da Fraternidade Esprita Canacy, no incio do sculo passado, companheiro de Aristeu de Melo Franco e de Sebastio Sobreira. O Professor Zeca no estudava s em portugus e no podia assim faz-lo numa poca em que muitos livros importantes no haviam sido traduzidos para nossa lngua. Lia diligentemente em francs, ingls, italiano, espanhol, esperanto. Eram excelentes seus conhecimentos de grego e de latim. Um intelectual exemplar. O Professor Zeca, Ezequiel Pereira, foi sempre um homem de bem! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 15/12/2014 10:05:25
ENTRE LINHAS, DE BIBI RIBEIRO

Wanderlino Arruda

El futuro pertenece a aquellos que creen en la belleza de sus sueos" - Eleanor Roosevelt - Segundo Albert Einstein, existimos em primeiro lugar para as pessoas queridas, de cujo bem-estar depende a sua e a nossa felicidade e depois para todos os seres, nossos semelhantes, principalmente aos que conhecemos, muitas vezes ligados pelos laos da simpatia e fraternidade. Em verdade, vivemos mais para os outros do que para ns mesmos, at porque muito difcil ser alegre quando estamos isolados, sozinhos, longe de quem gostamos e amamos. Viver em grupo, participar do coletivo ser sempre viver melhor, sermos mais alegres, sentir o conforto de cada momento, fazendo da prpria existncia uma obra de arte. O valor das coisas - bem disse Fernando Pessoa - no est no tempo que elas duram, mas sim na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecveis, coisas inexplicveis e pessoas incomparveis. Um grande conforto espiritual ler ENTRE LINHAS, primeiro livro de Bibi Ribeiro, menina dos mais lindos quinze anos, vida em efervescente magia de ideias e de letras, inteligente e deliciosa prosa-potica, tudo coloridamente enfeitado de encantos que s a juventude sabe e pode com simplicidade construir. Um sonho, ou melhor, mais do que sonho de uma menina-moa que j tem talento para fazer inveja a muita gente grande. Texto corajoso, fluente, temperado de liberdade e deciso, uma firmeza de propsito mais que admirvel. A jovem escritora tem visvel domnio da lngua portuguesa, frases e perodos curtos, pouca adjetivao, semntica apropriada a um bom e elevado nvel de cultura. A composio fluente, rpida, decidida, com linguagem direta para nunca se perder tempo, nem de quem escreve, nem de quem l. Dividido em textos normalmente pequenos, uma, duas ou trs pginas, excelente ilustrao de Victor Dumont, traos seguros e estilo bem atuais. Tendo iniciado tambm a escrever nos meus bons tempos de adolescncia, sempre soube que a melhor maneira de ser feliz contribuir para a felicidade de todos, ou pelo menos para a felicidade de muitos. Nunca me esqueo de que fica sempre um pouco de perfume nas mos de quem oferece flores. E nunca me esqueci de que a juventude s um momento, mas com uma chama que levamos no corao para sempre. Afinal, a imaginao mais importante que o conhecimento. Ento, menina-moa Bibi Ribeiro, viva o presente e caminhe decididamente para o futuro. Seus familiares, seus colegas e seus admiradores estaro sempre aplaudindo! Ao me referir a ENTRE LINHAS, no incio, como o primeiro livro de Bibi Ribeiro, filha dos meus amigos Christianne Malta e Marcus Vinicius Rodrigues, Marquinho da nossa Aquacenter, onde h dezoito anos fao hidroginstica, quero dar a minha opinio de que a menina tem talento e est destinada a um bonito sucesso na arte da escrita, pois tem um jeito encantador para a Literatura, vocao para a crnica, acredito com futuro promissor para o jornalismo. Promete muito! Wanderlino Arruda Academia Montesclarense de Letras Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 10/12/2014 16:59:23
ROTARY CLUBE DE MONTES CLAROS - NORTE

Wanderlino Arruda

A primeira vez que ouvi falar do Rotary Clube de Montes Claros-Norte foi pela voz educada e amiga de Nathrcio Frana, acredito em maro de 1969, quando ele me convidou para fazer parte da lista de fundadores. Era Nathrcio o encarregado, a pedido do Governador do Distrito 452, de tomar todas as providncias para a organizao do quadro de associados e apresentao dos documentos, assim como do levantamento das possibilidades de servios comunidade pelo novo clube. Trabalho difcil, suado, mas nunca impossvel para o dinamismo e a capacidade diplomtica de Nathrcio. A confiana nele depositada pelo Rotary International seria, muito antes do tempo previsto, marcada do maior xito, com o clube oficializado j em maio, com as primeiras reunies no Automvel Clube. Foi Benoni Mota o presidente, eu o vice, provisrios. Trinta e dois foram os nomes escolhidos, representantes de quase todos os campos profissionais da cidade. Lembro-me perfeitamente do zelo com que o Nathrcio Frana ensinava aos novos companheiros toda a trajetria de trabalho que deveramos seguir, a forma de realizar o trabalho do Rotary, as possibilidades de uma firme prestao de servios comunidade. O cuidado dele em semear a boa semente era tanto, sua sincera pregao de filantropia era to grande, que muitos dos convidados preferiram afastar-se logo, nem chegando a oficializar a admisso. O Rotary Norte teria de seguir o exemplo de energia do Rotary Montes Claros, que desde 1946 era campeo de progresso em todos os setores, decididamente um dos melhores clubes do Pas da dcada de cinquenta em diante. Estava lanado um enorme compromisso, iniciada uma entusiasmada luta. Dos velhos companheiros do tempo de recebimento da Carta Constitutiva, dos muitos que trabalharam pela afirmao do clube na primeira fase, olho hoje a relao, e pouco mais posso ver que uma imensa saudade. Quanta distncia o tempo tem provocado! De uns, uma eternidade: Antnio Brant Maia, Antnio Augusto Barbosa Moura, Jos Carlos Pereira, Gregrio Balesteros, Osmar Cunha, Hlio Vieira de Brito, Jos Comissrio Fontes, Jos Gomes de Oliveira, Ricardinho Francisco Tfani, Pacfico Rodrigues, Ubirajara Leite Toledo, Oswaldo Antunes, Gasparino Bicalho, muitos h um bom tempo no Mundo Maior, deixando entre ns um incomensurvel vazio. De outros, que a vida ainda nos faz companheiros, inclusive em outros Rotary Clubes, uma vontade sincera de que voltem para o nosso convvio a cada semana, a cada dia de atividades, com um recomeo de alegrias. Tenho certeza de que a felicidade de ontem seria a mesma de hoje! Em 2014, no ms de maio, o Rotary Clube de Montes Claros-Norte comemorou seus quarenta e cinco anos de atuao. Foi uma maravilhosa oportunidade de relembrar, perfilando velhas histrias de Hermes de Paula, toda a tradio rotria dos Montes Claros, o mundo de trabalho realizado pelo bom companheirismo de vrias geraes. Afinal, foi exatamente aqui o local de fundao do terceiro Rotary Clube brasileiro, logo depois do Rio de Janeiro e de So Paulo, num sonho, que, sem dvida, muito deu certo. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 3/12/2014 08:48:38
MONTES CLAROS DE OUTUBRO DE 1940

Wanderlino Arruda

Parece at uma onda de nostalgia, mas a verdade que os leitores mais vividos gostam de quando falamos de histria, algo que diz diretamente lembrana e aos coraes. Foi por causa de uma SELEES antiga que o Nathrcio Frana deixou para mim atravs de D. Nina e Joo Leopoldo, que comecei a escrever sobre velhos escritos, comentrios de tempos de antanho, como diria o cronista Haroldo Lvio. Da a focalizar a Revista ACAIACA de 1953, foi um passo, o que tambm, estou certo, agradou bastante, pois muitas foram as manifestaes que recebi pessoalmente e por telefone. Quando gerente do BB em Capito Enas, tive a grata surpresa de ser presenteado pelo meu amigo Netinho - Jacinto Silveira Neto, ex-prefeito de Capito Enas - com um velho exemplar, sem capa, da REVISTA MONTES CLAROS, editada pela Gazeta do Norte, dirigida pelo ainda jovem, poca, Jair Oliveira, l pelos idos de outubro de 1940. A capa, disse-me Netinho, tinha um bonito retrato de uma menina-moa q ue durante toda a vida foi vidrada em desfile de carnaval, Nice David. uma gostosura ler e ver as pginas publicadas em 1940, incio da Segunda Guerra, mundo de incio de evoluo maior, prefeito de Montes Claro o famoso Doutor Santos, engenheiros de obras Joaquim Jos da Costa Jnior e Newton Veloso. Uma foto que apresenta os trs juntos, simplesmente mostra que, naquele flagrante, era iniciada a colocao dos primeiros meios-fios da no mui central Rua D. Pedro II, via pblica ainda de poucas casas. Outra fotografia apresenta a Avenida Francisco S, vista do alto da Catedral, jardim ainda novo, laterais quase s de lotes vagos, l longe a estao da Central do Brasil, sem o monumento a Francisco S. O que vem mais de ilustrao correu por conta do jovem pintor e desenhista Godofredo Guedes, que aparece num autorretrato e muitas fotografias de moas e atletas, entre os quais Jos Gomes de Oliveira, j famoso desportista. Tinha na camisa, pelo lado da frente, um grande algarismo SETE. Os anncios dividiam-se em propaganda de profissionais liberais e de firmas do comrcio e da iniciante indstria. Dr. lvaro Marclio, Praa Dr. Carlos, 40; Dr. Hermes de Paula; Dr. Raul Peres; Praa Dr. Carlos, 110; Dr. Geraldo Athayde, advogado; Rua Presidente Vargas, 129; Dr. Joo Gomes Leite; Dr. Jos Ribeiro da Glria, dentista; Dr. Tardieu Pereira, Belo Horizonte; Francisco Jos Guimares, construtor; Juventino Gomes, encarregado de obras; Joo de Paula era usineiro em Curvelo, com exportao em alta escala de algodo em rama; Jos Dayrel, representante na Rua Bocaiva, 254. J existiam a Agncia Thais, com venda de aplices a prestao, jornais e revistas; a Farmcia Central, de Aluzio F. Pinto, com preparados qumicos nacionais e importados. Outros estabelecimentos que j no existem h muito tempo: A Ecltica, de Tiago Veloso; a Panificadora Montes Claros, de Jos Regino; o Bar Lder, na Rua Quinze; Portas de Ao Ondulado, de A. de Oliveira; Serraria Montes Claros, de Capito Enas; a Casa Montes Claros, de Custdio Rodrigues Pinheiro, com Waldelrio Moreira (Vav) de contramestre. Jos Batista da Conceio (pai de Waldyr e Alberto Sena Batista) tinha loja na Rua Lafaiete, 684 - A Bitaca - e vnia chapus de sol e de cabea, louas, calados, gneros do pas, etc. J anunciaram tambm a Chuva de Ouro, de Lionel Beiro de Jesus (loterias, cigarros e charutos). Alfaiataria Delly, Casa Alves, A Imperial, Casa Luso-brasileira. Tipografia Orion, Salo da Hora, Caf Glria e a prpria Gazeta do Norte, que tinha papelaria. Muito grato para mim o anncio do Bazar Loureiro, de Amndio Pais Loureiro, Rua Simeo Ribeiro (bijuterias, artigos para presente, brinquedos e camisaria), porque o Amndio e eu tornamo-nos amigos quando o conheci em Lisboa, oportunidade em que me dispensou grande hospitalidade, chegando a ponto de viajar longamente para as despedidas quando da minha volta ao Brasil. No bom realmente lembrarmos do passado? Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 24/11/2014 08:23:32
O GOSTOSO DO ROMANTISMO

Wanderlino Arruda

Foi com grata satisfao que recebi, num fim de semana bancrio, do chefe e colega Jos Lcio Gomes uma revista EU SEI TUDO, de dezembro de 1923, editada na cidade de So Sebastio do Rio de Janeiro. Papel brilhante, bem impressa, algumas pginas a cores, muitas com iluminuras que fariam a alegria visual e estalar de lngua de Haroldo Lvio, como se estivssemos diante de um prato substancial e suculento. No sei nem posso compreender do porqu e do como o antigo produz tanta atrao, fica to emocional diante do nosso gosto de cultura, desperta tanta curiosidade ainda mais do que diante do novo e do inusitado. Seria uma propenso natural de todos ns diante da linha romntica, do dj-vu, do rememorar dos nossos primeiros aos de vida e at de antes deles. Uma coisa certa: o antigo nos toca profundamente em todos os sentidos. Que coisa interessante era a revista EU SEI TUDO do primeiro quartel do sculo passado! De quando o Rio de Janeiro ainda era cidade pequena, embora a mais importante do pas, capital da Repblica, centro da intelectualidade brasileira, sem muitos dos efeitos da Semana da Arte Moderna realizada em So Paulo. Se voc quer saber, a revista ainda escrevia Espanha com "H", districto, anedocta, somno, principaes, bellas, illuso, egreja, grammatica litterria, reugmathismo, typo, bicyclette, actriz, dansa, e avio era ainda um mysterioso aeroplano, o telephone era um estranho aparelho, cinema era cinematgrafo. Os assuntos bem curiosos eram dispostos em tpicos at agradveis como Pginas de arte, Nossa terra, A scincia ao alcance de todos, alm de Novidades e Invenes, Romances, Contos e Aventuras, Percorrendo o mundo, Para recitar e Diversos. Longe de alcanar a ordem exigida pela imprensa moderna, a EU SEI TUDO era realmente um repositrio de informaes como uma pe rfeita caixa de surpresas. Claro que teria muito que comentar se fosse analisar toda a revista, principalmente no tpico de cincia ao alcance de todos, onde os redatores falavam do aparecimento de um assucar luminoso de nutrio para obesos, anesthesia pela respirao rpida, e de cavalos vencedores de tuberculose, alm de um aparelho electrico para frisar cabelos e de como se usavam ento as sombrancelhas e como os avies poderiam provocar chuvas. Interessantes os textos sobre as Sacerdotisas de Terpsychore, as obras de arte vivas, o substancial almoo de uma serpente, a mmia conselheira, como se fazia uma bailarina, e "os mais bellos olhos de scena muda". Como eram lindos os retratos das artistas Pola Negri, Mae Murray, Betty Wrubel e Corinne Griffty! Como eram curiosos os desmontes de ruas e mais ruas no centro do Rio na abertura da avenida Rio Branco. Tudo muito adequado para a poca, mas sensacional mesmo era uma bela reportagem sobre a arte de comer nos tempos de Luiz XIII, o gluto rei da Frana. Os artigos, se diferentes dos nossos deste sculo XXI, tinham o seu maneirismo, as suas etiquetas, o bom-tom elogiado pelos cronistas da poca. Tinham, como no poderia deixar de ser, a maior considerao pelos costumes mesa, dizendo at que uma boa refeio era uma das finalidades da existncia humana, assunto primordial para o ser feliz. Assim, no podiam deixar de cuidar da maneira de se comportar nessa grave circunstncia da vida, fosse na casa de um rico burgus, num festim real, ou mesmo na rstica casinha de um pobre coitado. Alis, nada melhor para ilustrar aqueles costumes do que as pinturas da poca, de Abraham Basse ou de von Tillborg, tambm publicadas pela revista. Como no tenho espao para grandes explanaes, digo apenas que o prato principal, nos sales gr-finos, era sempre o assado de carnes e que era proibida a presena de copos sobre as toalhas. Usados, sem nunca coloc-los na mesa, eram logo devolvidos aos que cuidavam do atendimento. Tanto quanto possvel, a comida deveria ser engolida a seco! Cerveja gelada - imaginamos hoje - seria coisa para outro sculo! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 17/11/2014 09:06:05
JOAQUIM SOARES DE JESUS

Wanderlino Arruda

Valho-me da filosofia do meu companheiro Alberto Bittencourt, Governador do Rotary em Pernambuco, para afirmar que Joaquim Soares de Jesus , sem qualquer dvida, uma personagem-soluo, que participa, com interesse, de todos os eventos, sempre disponvel, motivado, companheiro e amigo. Agindo com simplicidade, Joaquim sempre pea importante no tabuleiro de atividades e relaes no seu meio ou junto das suas muitas comunidades. Como personagem-soluo, integrou - desde muito moo - as mais importantes comisses de trabalho das cidades em que morou e dos seus entornos geogrficos, seja fazendo, seja ajudando a fazer. Como personagem-soluo, esteve, dia e noite, interessado nos resultados sociais e culturais. Quando houve problemas, no perdeu tempo e interesse, e sempre se concentrou em resolv-los. Grande Joaquim! No este Prefcio a minha primeira participao no livro MINHA HISTRIA, MINHA VIDA. J nos primeiros rascunhos, nos primeiros gestos de alinhavar escritos, Joaquim procurou ouvir os conselhos deste seu amigo, pelos muitos anos mais vividos, um pouco mais de experincia. Talvez mais do que isto, por ser mais do que conterrneos nas andanas, nos estudos e no trabalho por este Norte de Minas, alm das participaes em mltiplas instituies que moldaram e ainda moldam nosso carter. Acredito que nunca faltei com o incentivo e o louvor para que fosse materializado o seu sonho e o seu desejo, formadores de exemplo e cidadania. Juntos no ontem, junto no hoje, espero ainda muito mais juntos no amanh. Se pudssemos ter ainda mais conscincia do quanto nossa romagem terrena passageira, talvez pensssemos mais um pouco antes de postergarmos oportunidades de sermos mais felizes e de fazermos outras pessoas to felizes como ns, ou ainda muito mais. Queiramos ou no, sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de muitas pessoas que passaram por ela. A verdade que, a longo prazo, moldamos nossas vidas e moldamos a ns mesmos em processos que nunca terminam. Creio at que por isso que nunca devemos aprisionar nossos dons, nossos modos de ser, pois pequenos ou grandes sempre so vlidos para outras pessoas que nos fazem de espelhos. Algum em algum lugar tem fome de seguir bons exemplos. Desculpe-me o leitor, mas preciso dizer que at humildade tem que ter limites. Que no fiquem escondidos nem os pequenos nem os grandes amores, nem as pequenas nem as grandes amizades. Foi Madre Tereza de Calcut que disse: "No pense que o amor, p ara ser genuno, tenha que ser extraordinrio. O que preciso amarmos sem nos cansarmos de faz-lo". Foi Vinicius de Morais que escreveu: "Eu poderia suportar, embora no sem dor que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos". Espero que o livro MINHA HISTRIA, MINHA VIDA seja um alento de entusiasmo e de muito interesse para todos que o lerem. Um perfeito exemplo de grandeza para a vida do aprender e do trabalhar, para fixar boas razes do quanto vale a prtica do bem em todas as etapas desta viagem que Deus nos concede realizar por aqui. Como ningum pode exigir amor de ningum, podemos apenas dar boas razes para que gostem de ns. Sejam constantes, pois, as nossas aes para melhorar o mundo e as pessoas, pois embora pequenos, somos parte importante da criao. Assim, nada mais importante do que a solidariedade. Chico Xavier nos ensinou que o Cristo no pediu muita coisa, no exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifcios. Ele s pediu que nos amssemos uns aos outros. Da o sucesso de Joaquim! Parabns, querido Amigo e Irmo Joaquim Soares de Jesus. O seu livro marcar poca, servir de exemplo, constituir leitura proveitosa e agradvel. Alegrar os seus filhos e netos, alegrar muito e muito os seus admiradores, os que acompanham voc em muitas etapas da sua vida. Artista principal da pea, esteja certo que nunca estar sozinho no palco, pois seus exemplos foram sempre dignos de acompanhamento. E quem no estiver no alto, no meio do cenrio, estar num entusistico auditrio, de p e ordem para sempre aplaudi-lo. Voc nos ensina a olhar para fora e sonharmos, e a olharmos para dentro e despertarmo-nos. Voc personagem perfeita do que escreveu Fernando Pessoa, os supra Cames da Lngua Portuguesa: "O valor das coisas no est no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecveis, coisas inexplicveis e pessoas incomparveis" Que o Grande Arquiteto do Universo o proteja muito, nos proteja sempre! Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 10/11/2014 08:27:12
FAFIL, MAIS DE MEIO SCULO

Wanderlino Arruda

Creio que o grande laboratrio de ideias a usina dos sonhos tenha sido mesmo as salas de aulas da Universidade Federal de Minas Gerais, onde moas montes-clarenses terminavam diferentes cursos, to distantes uns dos outros que iam da Histria Pedagogia, das Letras Matemtica, da Geografia s Cincias Sociais. Diplomatas, portadoras de muito saber e incentivo de antigos professores da capital, Isabel Rebelo de Paula, as irms Baby e Mary Figueiredo, Snia Quadros Lopes, Florinda Ramos Marques, Dalva Santiago de Paula, ansiosamente, se uniram a outros idealistas, e o resultado foi o nascimento da Fafil - Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras do Norte de Minas aqui em Montes Claros. Verdade que no houve oposio ao seu trabalho e at no faltou crdito ou aquele sempre necessrio voto de confiana. Todo mundo acreditou nelas, com o Colgio Imaculada Conceio cedendo espao fsico e moral, a Fundao Educacional Luiz de Paula fornecendo recursos e entusiasmo, professores como Jorge Ponciano Ribeiro, dando logo a sua quota de servios. Foi uma beleza o comeo, um sucesso o primeiro cursinho de Montes Claros. Lembro-me bem, da primeira aula de francs que tivemos com a professora Baby Figueiredo, com texto solto, impresso fora de livro, uma novidade! Lembro-me do Adlia Miranda elaborando, como secretria, os primeiros relatrios, apertando os primeiros alunos retardatrios para no atrasarem no pagamento das mensalidades ou incio das aulas. Era uma experincia interessantssima com passagens de se emocionar! Era tanta sabedoria nova, um conhecimento to organizado, uma perspectiva de aprendizagem to grande, que problemas apareciam a toda hora, todos querendo aproveitar de tudo, sorver de vez todo um alimento que por no existir antes, estava sendo negado a quem muito o desejava. Acontecia ento o troca-troca de salas, uma espcie de minerao de assuntos, um descobrir quem era o melhor professor um abeberar de toda uma nova filosofia de vida. No posso contar tudo sobre as aulas de nossos cursos, nos primeiros dias do semestre, porque os acontecimentos vinham aos borbotes, quase sufocando a curiosidade, at confundindo as cabeas. Era como se fosse um vasto ciclo de conferncias de palestras, um eterno comcio. Hamilton Lopes, calouro, ensaiava os primeiros passos da poltica estudantil, Joo Valle Maurcio, Jos Nunes Mouro, Hlio Vale Moreira, Mauro Machado Borges, alunos mais vividos, mostravam uma compenetrao pouco natural de estudantes. Yvonne Silveira, esta numa santa vaidade de literata, se desmanchava em sorrisos e sutilezas numa alegria quase infantil. Tudo foi uma longa festa intelectual, uma corrida de muita sede fonte, todos considerando um grande privilgio, uma oportunidade a mais de vencer na vida, em campos profissionais j longamente seguidos. Pela primeira vez, vimos professorinhas ensinando para ver elenco de construtores do futuro! Olhado de longe, cinquenta e um anos depois, quase uma loucura. Mas que maravilhosa loucura! Que o diga Isabel Rebelo de Paula, a primeira diretora.
Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 3/11/2014 09:41:41
OUTRAS VEZES EM LISBOA

Wanderlino Arruda

Nova crnica sobre a viagem a Portugal com a mesma alegria de quase meio sculo atrs, tudo mais do que gratificante. Agora como dantes, as palavras de carinho recebidas em casa, nas reunies, nas visitas feitas e recebidas, de muitos e muitos dos amigos. Quando um assunto versa sobre alguma coisa de mais pessoal, fala mais ao corao, transubstancia sentimentos, vale pela carga ou sobrecarga de afetividade, diz o que muitos ou todos gostariam de dizer. Momentos de felicidade agradam e sensibilizam, graas a Deus! E o mundo est precisando muito de vibraes mais positivas, de alegria, de amizade sincera e franca. Assim, dou-me por satisfeito e volto ao assunto, o que estava mesmo nos meus planos ao falar das novas andanas pela ptria-me. possvel que a parte maior da felicidade em Lisboa e grande parte de Portugal tenha sido pela companhia de dos queridos anfitries Eusa Rego e Antnio Salgado e de Olmpia, Rzzia, Jonathan e Andrew, gente do corao, companheiros de viagem, que engrandecem o ato de viver. Nunca me esqueo da primeira viagem por l, principalmente de Dulce Sarmento e Antnio Ramos, hoje amigos no plano das saudades. Que bons colegas e quanta jovial sinceridade naqueles dois! Como amavam a vida! Fazia gosto v-los quedados diante da beleza, emudecidos de emoo diante do bem.
Antnio Ramos era homem de conhecer o que havia de melhor no mundo e por isso, era viajante incansvel ao lado de D. Flora, sua mulher. Dulce Sarmento, a arte personificada, uma f que beirava santidade, tinha na balana do belo a leveza dos anjos! Foi assim, no passado e agora, no meio de grupos admirveis que vi Lisboa, Sintra, Cascais, Coimbra, Setbal, Alcobaa, Almada, Ftima, Queluz, Santarm, Batalha, cidades que mais encantam os brasileiros e conosco se encantam tambm. No posso calcular em quanto a modernidade poltica tenha modificado a capital e o povo da nao portuguesa, depois da descolonizao da frica da volta dos retornados e do surto econmico da Unio Europeia. Mas, por mais que tudo isso tenha feito, acredito que Portugal ainda um pas tradicional, bonito e charmoso para nunca se esquecer! Por l, passei tambm duas vezes sozinho, solitrio, ruminando emoes no Castelo de So Joo, nas ruas estreitas de Afama, nas margens do Tejo, na Estufa Fria, s margens da Avenida da Liberdade e at no barulho das Praas do Comrcio e dos Restauradores. preciso tempo e corao para descobrir, conhecer Lisboa, eterna menina e moa, linda e encantadora. Como gostoso ouvir os falares do povo, principalmente os mais novos, os que, namorando, falam com a melodia do amor! Como bonito o idioma portugus falado nas tascas, onde os bebedores ainda no bbados soltam a lngua com a musicalidade que s os libertos pelo torpor do vinho conseguem! Tudo bonito quando estamos felizes: o barulho das crianas, o anncio dos vendedores, a algazarra dos desocupados! Sons, cores, movimentos, gestos, tudo alegria! preciso saber viver cada momento, tirar da vida os encantos que a vida tem, agradecer a Deus cada minuto bom que a existncia nos oferece, nos proporciona, nos permite. Merecedores ou no, gratificante aproveitarmos, fruirmos cada instante feliz. No importa onde nem quando. E se for em Portugal ou somente a Lisboa, ento nem preciso pensar: a realidade mais do que o sonho... Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 27/10/2014 08:19:24
OS SONHOS DE JLIO VERNE

Wanderlino Arruda

Os sonhos de Jlio Verne, to lindamente vividos no fim do sculo dezenove, transformaram-se to grandemente em realidade, em nosso tempo, que hoje, o escritor francs quase no lido nem por jovens nem por adultos. Concretizada uma ideia, atendida a capacidade criativa, satisfeita a curiosidade, parte o indivduo para novos sonhos, novas tentativas de iluso. A inteligncia e a arte so sempre muito exigentes, dinmicas por excelncia, nunca se estacionando. E disso que feito o progresso humano, que no pode parar, pois tudo viraria rotina insuportvel, inconcebvel para a nossa tendncia evolutiva sempre para cima e para o melhor. Viver sonhar e realizar os sonhos! Jlio Verne foi o grande idealizador das coisas do futuro, criador do preceito de que "tudo que um homem pode sonhar outro pode realizar". Concebeu a televiso antes de ser inventado o rdio, chamando-o de fonotelefoto, isto , um aparelho que pudesse falar e mostrar imagens distncia. Imaginou o helicptero meio sculo antes de o homem aprender a voar. Apresentou planos para a construo de submarinos, aeroplanos, luzes de gs non, caladas e escadas rolantes, ar condicionado, arranha-cus, msseis dirigveis, tanques de guerra, alimentao comprimida, produo de oxignio, deslocamento de corpos no vcuo, um verdadeiro mundo de invenes. Sem dvida alguma, o pai da fico cientfica, um antecipador de realidades, um vidente, um intuitivo. Tive um dia a sensao de estar vivendo ao lado de Jlio Verne, de beber na fonte mais pura da gua de sua vida, de sua sensibilidade cientfica e literria. Foi uma dessas interpretaes confusas que todo mortal costuma fazer, principalmente os distrados e viajantes do mundo da lua, uma espcie assim de insight desfocado nos segundos de um oportunismo curioso. Vagando nas proximidades do Louvre, em Paris, l pelos idos de 1966, li uma faixa de propaganda "Jlio Verne - hoje e amanh ", e entendi que se eu no aproveitasse na hora a oportunidade, perderia de ver uma exposio j quase prestes a terminar, isto , no dia seguinte, que por sinal seria o de minha volta ao Brasil. No pensei duas vezes e entrei, posso dizer, praticamente no automtico. Era uma exposio feita pela Fiat italiana, de uma forma extraordinria, com projetos, desenhos, aparelhos, mquinas de calcular, toda a parafernlia de suporte que o escritor francs usou para idealizar seus inventos. Na da havia, porm, de marca de final da mostra quase cientfica. Tudo estava fresquinho, pois era a abertura ao pblico naquele mesmo dia. O "Hoje e Amanh " era com relao ao presente e ao futuro de Jlio Verne e do seu melhor modo de sonhar... Poucas vezes na vida tive to grande sensao de enormidade da inteligncia de um inventor, de um crebro criativo capaz de vencer todas as barreiras da imaginao. Poucas vezes, antes e depois, pude formular intimamente uma admirao sem limites ao otimismo, confiana no destino lgico, crena de um mundo melhor digno do esforo da cincia e da poesia. Para mim, Jlio Verne, naquele momento, era a sntese da f que Deus sempre depositou no homem, no seu futuro, na sua trajetria evolutiva de criatura da inteligncia divina. Jlio Verne estava ali, atravs de toda uma ao vivencial, de todos um universo de pesquisas, simplesmente sonhando o possvel, o provvel, a destinao histrica da inventiva humana. Momento inconfundvel de respeito ao raciocnio livre, da valorizao ao direito de pensar e de sentir... No seria bom que voltssemos de novo, leitura de todos os escritores de fico, busca de compreenso de todos os inventores do futuro? S a realidade presente no satisfaz! Vale, vale muito a beleza e a riqueza dos sonhos! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 14/10/2014 08:14:09
NOMES DE CIDADES

Wanderlino Arruda

H algum tempo, Avay Miranda, companheiro da Academia Montesclarense de Letras, ao publicar seu primeiro livro, fez como acrscimo a incluso de uma monografia explicativa sobre a histria e o nome da cidade de Taiobeiras. Isso porque muita gente fica curiosa diante das denominaes, entre o bonito e o extravagante que usamos para indicaes histrico-geogrficas.
Tambm o saudoso Wilson Cunha fez toda uma campanha plebiscitria para mudar o nome de Porteirinha, em busca de um mais charmoso, evitando ao de trocadilhistas que teimavam trocar o "t" por um "q", coisa to dolorosa para porteirinhenses famosos como Palmyra Oliveira e Itamaury Teles. Se outros escritores ou outros prefeitos tambm ficarem preocupados com os toponmicos de suas cidades, acredito que as listagens geogrficas deste Brasil ficariam todas de instalaes trocadas, tal a variedade de nomes interessantes e gozados da nossa nomenclatura patrcia, em todos os estados da nao brasileira. So nomes interessantssimos, alguns at tendo radicais ou slabas bem prximos ao nome de Montes Claros, como Girau de Ponciano (AL), Bituruna (PR) e Tomar do Giru (SE), Carmo do Rio Claro e Rio Claro (SP), Monte Carmelo, Monte Verde e Mato Verde (MG), Claro de Poes aqui pertinho, assim como Monte Claro, em Gois. Com adjetivao quase como a nossa, existem Cu Azul (PR), Auriflama (SP), Espera Feliz (MG), Lagoa Dourada (MG), Monte Santo (BA). Veja que gostosura estas denominaes: Brejo da Madre-de-Deus (PE), Governador Dix-Sept Rosado (RN), Oliveira dos Brejinhos (BA), Querncia do Norte (PR), Catol do Rocha (PB), Cruz das Almas (BA), Conceio do Coit (BA), Livramento de N. Senhora (BA), Meleiro (SC), Olho d`gua das Cunhas (MA), Oriximin (PA), Riacho de Jacupe (BA), Limoeiro de Anadia (AL), Jardim de Serid (RN), Ilha Solteira (SP), Itaquacetuba (SP), Paragominas (PA), Fronteira de trs estados e Chapada dos Guimares (MT), centro geogrfico da Amrica do Sul. H cidades com nomes bblicos como Belm (PA), Cafarnaum (BA), Galileia (MG), Monte Sio (MG). H cidades com nomes estranhos como Exu (PE), Encruzilhada (RS), Cururupu (MA), Pindamonhangaba (SP), Quixeramobim (CE), Orob (PE), Pariquera Au (PA), Piaabuu (AL), Perquirituba (PB), Porcincula (RJ). H Quebrngulo (AL), terra de Graciliano Ramos, Buerarema (BA), quase harmnima antiga de Capito Enas, Pomerode (SC), onde quase s se fala o italiano, e nas horas vagas o alemo. O mais engraado o de No-me-toque (RS), o mais bonito, Encantado (RS), assim como o de Bela Vista do Paraso (PR). Estranho Afogados da Ingazeira (PE). Lindo o de Saudades (SC). Um captulo parte so as cidades com nomes de santos e de santas, ou ligao com eles. Santa Ceclia do Pavo (PR), Santa Cruz de Monte Castelo (PE), Santa Rita do Passa Quatro (MG), Santana do Cariri (CE), So Domingos do Capim (PA), So Gonalo do Amarante, (RN e CE), So Joo do Oriente (MG), So Sebastio do Grama (SP), So Valentim (RS), Santo Antnio da Patrulha (RS), So Gabriel de Cachoeiro (AM), trs de So Jos do Cerrito (SC), do Mipubu (RN), de Piranhas (PB), alm de um So Jos dos Quatro Marcos (MT). H muitos outros, muitos e muitos, mas - para terminar - porque o espao est acabando, as cidades de Passa Tempo (MG), Curimat (PI), So Desidrio (BA) e uma triste Janipolis, em So Paulo. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 6/10/2014 15:14:09
O BODE DE FELISBERTO

Wanderlino Arruda

A estria do bode desta crnica aconteceu na pequena So Gonalo do Rio Preto (exatamente o lugar que tinha antes, o nome do meu amigo Felisberto Caldeira), l pertinho de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. a estria de um bode de boa raa, escolhido a dedo, comprado caro e ficou famoso por acontecimentos que eu conto, da mesma forma que ouvi e entendi de colegas do Fundec, uma da maravilha do Banco do Brasil. Nada tiro, nada acrescento, pois, no quero ganhar ou perder. Vai tudo pelo preo de custo! Comeou tudo durante a etapa de estudos de um projeto de caprinocultura, quando os fundequeiros tiveram, parece, o maior entusiasmo do mundo, diante de uma populao realmente motivada. Estava toda a gente espera de um milagre; j que o Fundec um transformador de pobreza e misria em filo de ouro da rea social, unindo pessoas isoladas em povo organizado. Algo como o Banco do Brasil construindo uma nova sociedade, a exemplo do que sempre fez desde os tempos de D. Joo VI. Feitos os planos, o povo proclamou que queria uma bodicultura comunitria, muitas e muitas cabras num rebanho de bode chefe da melhor raa, para fazer inveja at s regies ricas. A palavra de ordem era a melhor e a ampliao imediata do lote caprino, com Fundec em mximo de discusses, que democracia bom e todo mundo gosta. Tudo resolvido, dinheiro nas contas, centenas de cabras j nos capris, a luta desliza para as expectativas da chegada do bode, cada capricultor pensando num bodo mais raudo, mais bonito e mais forte. No se falava noutra coisa, nem de dia, nem de noite. A palavra chave era BODE. E do melhor! Todo mundo alvoroado, aquele mundo de cabras e mais cabras, e nada de o bode chegar. Onde estaria o grande reprodutor para fazer urgentemente crescer o rebanho? "Queremos o nosso bode" - diziam todos. "Queremos o nosso bode" - deviam estar tambm dizendo todas as cabras. De quem era o maior interesse? Do povo ou das cabras solteiras? Grande esperana. Um danando frenesi! Era setembro, quando o bode chegou. Bonito, grando, tudo indicava um bodo macho, macho, aquele monstro de fazer inveja a expositor rico. Chegaram tambm com ele as festas. Chegaram as horrias na praa principal, com at discursos. Todos queriam v-lo, uma admirao sem igual. Tudo indicava ser um grande reprodutor. Mas como seria ele na hora do servio, quando tivesse de assinar o ponto? E o tempo foi passando em brancas nuvens. Passaram manhs, passaram tardes. L se foram dias e semanas. Mas, em lugar, de entusiasmo, do interesse, do orgulho local e regional, s apareceu desiluso. Para dizer a verdade, o bodo no queria nada. Nada mesmo! Vivia na mais indiferente solido, recuado, cabras roando nele, cabras cheirando, cabras lambendo, cabras fazendo m-m, e nada! Um desencanto! Uma terrvel falha de desempenho, nada de esquentar o motor nem um tnue desejo de ver bodinho novo nascendo. Terrvel situao, tristeza dos donos, tristeza do FUNDEC, tristeza mai s ainda das cabras. Principalmente delas! Estava, claro, em jogo o brio da comunidade. E o grito de guerra j era por nova aquisio. Ou por um remanejamento honroso. "Vamos trocar esse molenga". "Vamos comprar um bode de verdade". "Esse bicho no vale nada". Que lstima. Porm - e sempre existe um porm - o desespero no seria eterno. Eis que tudo se transforma, e nada se perde. Uma notcia corre to depressa como um furaco. H no ar um alvoroo, uma alegria sem medida, sorrisos com todos os dentes. Afinal, todas, todas as cabras apareceram prenhas, mais nenhuma solteira ou desamparada. Um sucesso! O nico problema que at hoje ningum sabe quando o bode mudou. Ningum soube, ningum viu. As cabras eram todas mineiras: trabalharam com bodo em silncio... Academia Montesclarense de Letras


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Por Wanderlino Arruda - 29/9/2014 08:20:06
QUANDO CHIQUINHO SUMIU

Wanderlino Arruda

No dia de novembro em que Chiquinho sumiu eu no estava em Braslia. Viajara semanas antes e nem vira o bichinho nem na chegada nem na sada numa permanncia de muito tempo. Hospedado no St. Paul Hotel, nem uma vez fui 703 Sul, no sei se por comodismo ou ingratido, embora l estivessem muitos dos meus colegas e amigos e tambm o Chiquinho. Foi uma pena. Agora que o Chiquinho desapareceu que eu vejo a perda, a dor de uma ausncia mesmo no deliberada. Perto de l, passei apenas duas vezes: uma noite, indo casa do Nelson Pereira de Souza, presidente brasileiro do Esperanto, e outra, numa manh de domingo, num passeio circular pela cidade para uma visita Walkria e Nabiran. Mas casa da Concessa e do Chiquinho, eu no fui. Soube do sumio do Chiquinho por notcia do colega Geraldo Eustquio, que l ficou hospedado durante um ms por sugesto minha. Ele contou-me do choro da Concessa, da angstia dos hspedes, da tristeza da Neide, da sensao de perda de todos, na hora do caf, na hora do jantar, e, principalmente, na hora da televiso, quando era mais firme a lembrana do Chiquinho deitado na almofada de fina seda, entusiasmado com os programas da Globo da viva Porcina. Eustquio contou-me ainda que a Concessa ficou intolervel, nervosa, cheia de queixume, longe da gentileza normal de que ela a maior portadora do mundo. Acabou at a alegria da casa e houve at reclamaes! Tambm triste, mesmo longo do epicentro da tragdia, no aguento ficar sozinho com a notcia, e telefono incontinenti para o Recife e falo do acontecimento com o meu grande amigo Tiago Marcos, ainda mais amigo da Concessa do que eu, pois quase conterrneo, ela do Rio Grande do Norte, ele de Jaboato, em Pernambuco. Tiago diz-me que nem pode acreditar, deve haver um engano, o Chiquinho deve estar esperando a hora de voltar! Falo-lhe do desespero da Concessa, de que fui informado, e ele me promete que logo estaremos em Braslia para ajudar a amiga. Se eu quiser, posso at esper-lo no Aeroporto, no domingo, tardinha. Vamos chegar juntos 703, Bloco J, como j fizemos de outras vezes em que trabalhamos em tarefas de treinamento de colegas do Banco do Brasil. Tiago sempre foi um dos maiores admiradores de Chiquinho, e com ele sabia at conversar... Quando telefono para Concessa para confirmar a reserva do apartamento em que vou ficar, e apresentar os meus sentimentos pela ausncia do Chiquinho, ela me diz que o Tiago j chamara para ela e dera conta dos dois recados, para ele a para mim. A presena telefnica dos dois amigos, parece, minorara um pouco o seu sofrimento e s Deus sabe quanto importante a solidariedade! Narrou todos os acontecimentos, dizendo que, no dia do desaparecimento do Chiquinho, ela e muita gente vasculharam com malha fina nada menos de nove quadras, da 903 at a 505. Mais fizera se no fora para to longo amor to curto o dia! No vejo a hora de telefonar para dar a notcia ao Jorge, ao Kalunga e ao Moacir, no Rio Grande do Sul, Ivone, Mitsu, ao Hiroshi, em So Paulo; ao Geraldo, em Tefilo Otoni, e, quem sabe, a mais algum neste grande Brasil que do Chiquinho sempre gostara. Esqueci-me de dizer que Chiquinho - ou era - o gato mais querido da minha amiga Concessa! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 22/9/2014 08:37:25

JOO CHAVES

Wanderlino Arruda

No acredito que algum tenha conhecido Joo Chaves para mais cedo ou mais tarde vir a esquece-lo. Joo Chaves no era um homem comum, desses que passam despercebidos num dia de feira no mercado, numa passagem pela rua, ou mesmo no longo espao da vida. No nasceu ou viveu para permanecer oculto ou no observado hora nenhuma. No tinha vocao de anonimato nem o sensabor das existncias simples. Mesmo no querendo impor-se, parecer, muitas vezes at com certa dose de timidez, no tinha como deixar de ser o centro das atenes em qualquer lugar onde estivesse. Tinha figura, tinha voz, tinha um qu de dureza e de poesia mescladas por um temperamento quase irnico e sagaz. Era uma pessoa constante e sempre presente. Conheci-o, ele j na casa dos sessenta, sentado prximo ao balco da farmcia de Mrio Veloso, numa roda de amigos, ali mesmo na esquina das ruas Padre Augusto e Camilo Prates, onde o bate-papo ia do poltico e do literrio at o familiar. No eram, como se podia ver, reunies to simples em que um ou outro fregus afoito ou intrometido pudesse entrar, procurar um dedo de prosa ou dar uma informao... Era um verdadeiro encontro de bares, gente bem posta na vida, intelectuais, comerciantes de prestgio, profissionais liberais, fazendeiros de muitas leituras, e gente nova ningum. Mulheres, s de "boas tardes" e "bons dias", "recomendaes famlia", quando muito... Crculo fechado, s de notcias importantes, assuntos graves, ideias reverenciadas com o domnio do perfeito saber... Vi Joo Chaves muitas vezes quando ele, mais popular, sentava-se com outros amigos nos bancos da praa Doutor Carlos, em frente Farmcia Americana ou da loja de Cica Peres, bem embaixo dos flamboyants. Era quando a prosa, os sorrisos ou mesmo os gracejos sobre assuntos do cotidiano nunca impediam que olhares discretos pousassem nas belezas virgens de muitas estudantes que por ali passavam, indo ou vindo dos colgios, ou subindo para o Instituto. De quebra, ainda havia o eterno feminino de belas senhoras das compras na Imperial, na Casa Alves, nas Pernambucanas, para quem olhares furtivos, de soslaio admirao, jamais poderiam faltar. Eram horas de alegrias na vida de Joo Chaves e de seus amigos. Mas, de todas as lembranas que tenho de Joo Chaves, a mais marcante a do homem estudioso do Direito, do devorador dos cdigos, do jurista brilhante, terror dos adversrios forenses. Encontrei-o vrias vezes rodeado de livros, grossos volumes encadernados e velhos pelo manuseio, arrumados, atirados de lado, abertos nas mesas, nas cadeiras e at nos ps da cama ou do lado do travesseiro. Sua biblioteca era a casa inteira da sala de visitas ao quarto de dormir. Colega de Lola, na Fafil, via Joo Chaves nem sempre com cara de amigo, mas com discreta ateno, homem educado que era. Deve ter morrido num momento de atenciosa leitura, mesmo que no tivesse um livro diante das vistas. Foi sempre um intelectual consciente. Um momento gratificante na vida de Montes Claros. Um tipo inesquecvel, como se personagem de uma velha Selees do Reader`s Digest! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 16/9/2014 09:10:57
H CEM ANOS, NASCEU YVONNE SILVEIRA

Wanderlino Arruda

Yvonne de Oliveira Silveira nasceu em Montes Claros em 30 de dezembro de 1914. Filha de Cndida Peres e do farmacutico, intelectual e rotariano Antnio Ferreira de Oliveira. Graduada em Letras pela antiga Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras do Norte de Minas, tem ps-graduao em Teoria Literria pela Universidade Catlica de Minas Gerais. Regente de classe e professora de Educao Fsica por dez anos, casou-se com o fazendeiro Olyntho Alves da Silveira, poeta, cronista, escritor e historiador. Dedicada s letras desde a adolescncia, Yvonne sempre colaborou com os jornais de Montes Claros e de Belo Horizonte, publicando excelentes textos. Participou de vrias e importantes antologias. Escreveu vrios livros. Em parceria com o marido, BREJO DAS ALMAS-CRNICAS E HISTRIAS; em parceria com Zez Colares, MONTES CLAROS DE ONTEM E DE HOJE e FOLCLORE PARA CRIANAS. Alm destas parcerias, Yvonne escreveu CANTAR DE AMIGA e MONTES CLAROS - CRNICAS, este organizado por Osmar Pereira Oliva, Editora Unimontes. Tem ativa participao na Comisso Mineira de Folclore. Eleita presidente da Academia Montesclarense de Letras h 29 anos, continua no cargo, segundo ela mesma, vitalcio. Foi fundadora da Academia Feminina de Letras de Montes Claros e participa do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia de Letras, Cincias e Artes do So Francisco. Foi fundadora e primeira presidente da Associao Amigas da Cultura. scia honorria do Rotary Clube de Montes Claros-Sul e do Elos Clube de Montes Claros. Professora emrita da Unimontes -Universidade Estadual de Montes Claros. Inteligente, estudiosa, muito prestativa, sempre atendeu a pedidos de colegas e amigos para reviso e prefcios de livros. Aluna do Conservatrio Estadual de Msica Lorenzo, foi-lhe concedido o ttulo de Honra ao Mrito pela grande e continuada contribuio. O Curso de Letras feito por Yvonne, o primeiro em nvel superior em Montes Claros, incio no Colgio Imaculada Conceio, em 1963, teve matrcula de 52 e formatura de somente sete: Yvonne, Saturnino, Hugo, Adilson, Lola, Irm Guiomar e Wanderlino. Quando o terminamos em 1967, para sermos professores universitrios em nossa prpria escola, Yvonne e eu tivemos de seguir para a ps-graduao na Universidade Catlica de Minas Gerais, ela na especializao em Teoria da Literatura, eu em Lingustica Geral, isso alm de termos de prestar exames de suficincia, ela na Universidade Federal em Belo Horizonte, eu na Federal de Juiz de Fora, porque o registro da Fafil iria demandar ainda algum tempo. J com muita prtica no ensino de Portugus e de Literatura, fomos na rea os primeiros a preparar futuros alunos e candidatos ao vestibular. Da, da ctedra e da titularidade de professores, vivemos entre importantes geraes de estudantes que, hoje, marcam o jornalismo, a vida soc ial, a batalha poltica e cultural em vrias partes deste Brasil. Como sua estreia no magistrio foi aos doze anos, Yvonne teve multiplicadas oportunidades para despertar vocaes, quase um sculo de benfazeja prestao de servios cultura. Fico encantado quando um aluno de Yvonne marca lembranas de suas aulas, principalmente por recordar cada minuto do entusiasmo dela, principalmente das muitas palavras de incentivo leitura e escrita. Na sublime idade de cem anos a que chegou, est presente em todas as solenidades e outros atos a que convidada, sempre no centro da mesa de honra. Yvonne de Oliveira Silveira Cidad Benemrita de Montes Claros desde em 1985. Presidente do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 8/9/2014 11:15:43

MEU AMIGO DUCHO

Wanderlino Arruda

Poderia demorar o tempo que demorasse, mas a esta crnica, depois de longo perodo de ausncia, teria de ser publicada. Escrevo sobre o meu amigo Ducho, pai de Glacira e Thas, de Lcia e Ftima, de Tarcsio e Expedito, de Tiozinho e Raimundo, pai de Miguel e marido de Dona Geralda. Claro que esta crnica era para ser escrita, h muito tempo, por ocasio das homenagens que lhe foram prestadas por alunos e professores do Conservatrio Lorenzo Fernandez. Deveria fazer parte do momento vivo de amor e admirao, na festa cantada em prosa e verso numa noite de maior alegria para os amigos de Sebastio Ducho, mestre da arte de ser feliz. Passado o momento, no passou a ocasio. Eis-me aqui falando dele. Realmente, para falar de Ducho no precisa de pressa. Ele foi o homem de calma constante, de boa disposio ntima, de alegria bem comportada, de sorriso srio, um desfilar vivencial de completa felicidade. Homem lcido, realista, racional e equilibradamente mstico, foi um filsofo elegante e de bom trato, sempre portador de uma palavra amiga, sem qualquer sina de ostentao. Ducho foi um homem, sobretudo, interessante, sbrio e limpo, parece estar sempre saindo do banho; amigo de todos. Era equidistante, no se apegava nem se afastava de ningum; um quase silencioso e respeitado companheiro, pois falava comedido como um velho marinheiro, voz suave de um vitorioso embaixador. No creio que Ducho guardasse no corao qualquer trao de ressentimento; pois seu olhar sempre foi de completa paz, um misto de Scrates e de Gandhi, parece conhecedor dos mistrios de Eleusis, um tipo de viajante feliz do Nirvana, com passagem pela Terra. Falando com Ducho, certa vez, sobre religio, perscrutando profundamente seu pensamento, perguntei-lhe sobre seu conhecimento esprita e at aonde ia sua convico nos postulados da codificao de Kardec, tal sua harmonia de ideias, um tanto de Buda e muito Krishnamurti. Ele sorriu com o mais amistoso dos sorrisos e, sem qualquer atitude crtica, disse-me que era um fiel respeitador de todas as opinies religiosas, mas que, por questo at de lgica, procurava situar-se sempre acima delas, jamais as tocando diretamente. Para se viver bem com todas, respeitava-as e aproveitava de cada uma o melhor. Era preciso sobre pairar do alto, no se envolver no tomar partido, ler de tudo, e retirar a essncia como aconselhou o sbio divulgador do cristianismo, Paulo de Tarso. A est o segredo obtido das suas observaes e de muita leitura, sempre foi homem de f, trilhando os mltiplos caminhos que nos conduzem a Deus. Para Ducho, o purgatrio, que o homem quase sempre construiu, poderia ser transformado em cu, se o estado geral das conscincias fosse melhor, se houvesse menos ambio, menos pressa, esse eterno jogo em busca do poder e da riqueza. Cada criatura deve legislar o prprio bem com a busca do equilbrio, da tolerncia, confiando na sabedoria divina, cuidando de no se ferir e no ofender os companheiros de romagem da vida. A felicidade pode ser encontrada, e ele sempre a encontrou. Afinal se no fosse assim, como teria estado diante dos seus milhares de amigos?... Vivendo os bons noventa anos, sade perfeita, prtica diria de longas caminhadas, Ducho, comerciante e artista, intelectual e exemplo de companheirismo, foi o melhor exemplo de companheirismo, o melhor exemplo vivo da soberania e da sbria distino do sertanejo dos Montes Claros. Um maravilhoso exemplo, que a prpria vida agradece e aplaude! Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 3/9/2014 08:41:23
MEDITAO

Wanderlino Arruda

sempre possvel termos, durante o dia ou durante a noite, uma pequena meia hora de meditao, aquele necessrio momento de examinar nossa conscincia, de fazer nossas contas espirituais. Por mais atribulada seja nossa vida, nosso horrio de trabalho, as necessidades de diverso, os atropelos naturais, preciso ter um momento de recolhimento ntimo, uma viagem ao mundo do ser e do no-ser, das realidades no concretas, uma mistura de ordem lgica e de fantasia. Uma parada para pensar sempre muito til. Um refazimento de ideias e de energias d novo alento a cada perodo futuro, garantindo-nos uma vida melhor, mais assumida, mais certa do que correto e do est ficando errado ou que precisa de conserto. Tenhamos uma ideia exata do nosso papel no palco da vida, pois, querendo ou no querendo, todos somos artistas de dramas e comdias a que a existncia nos conduz, nem sempre marcados pela nossa vontade. Qual est sendo o nosso desempenho? Estamos fazendo o melhor que podemos? Estamos seguindo fielmente o texto, ou estamos improvisando por instinto? De uma coisa podemos estar certos: a meditao, um parar para pensar e repensar ajuda muito. O trabalho mais perfeito quando d maior organizao. Se organizarmos a nossa casa, o nosso local de trabalho, se organizarmos as nossas horas de lazer, organizemos tambm a vida mental, o prisma espiritual de cada momento. S assim evitaremos o perigo cada vez maior do estresse, a causa principal de quase todos os problemas humanos. Aprendamos a viver e conviver cada minuto de nossa vida. Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 4/8/2014 08:22:10
LNGUA OU DIALETO?

Desculpe-me o leitor se volto ao assunto da lngua portuguesa no Brasil, continuando a alinhavar argumentos postos no tabuleiro das discusses, to ao meu agrado, como estudioso e amante desta ltima flor do Lcio inculta e bela. Tema que sempre me permitiu saudosas referncias ao trabalho universitrio de vinte e dois anos na Unimontes, no geral de interesse para a formao da cultura lusada-americana, sei que a lngua a formadora da arquitetura do sistema principal de comunicao e tem como argamassa o material mais duro e resistente do mundo: a palavra. Estudar a linguagem e a metalinguagem foi sempre um excelente trabalho e passatempo proveitoso de gente sria, realmente interessada no que h de mais sagrado e marcante da personalidade humana, pois do logos que vem todo o saber. Um motivo, entretanto, surge interessante e dinmico para a subida de mais um degrau, quando o competente jornalista e crtico literrio Hlio C. Teixeira, que muito honrou em colunas de jornais, e muito nos transmitiu da sua competncia, teceu comentrios e evocou melhores argumentos sobre a realidade do estilo brasileiro da lngua portuguesa. Confesso que foi exatamente o culto jornalista que, de modo direto, levou-me a examinar mais uma vez a documentao polmica sobre a nossa realidade lingustica e dialetal. Sei, por experincia prpria, em muitos anos no convvio da disciplina, na Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras, atravs de pesquisas dos alunos e mesmo das minhas como professor, que as diferenas constituem mais um estilo brasileiro que um divrcio formador de duas lnguas, pois ningum, at hoje, de s conscincia, deve ter pensado em criar um dicionrio bilngue entre Brasil e Portugal. Como bem disse o estudioso Hlio C. Teixeira, "jamais haver no Brasil, uma lngua inteiramente emancipada do idioma lusitano". Primeiro, porque uma lngua dispe de um fortssimo esquema de analogias, rigorosamente obedecido, onde cada falante pode gerar ou transformar frases, cri-las ou recri-las, mas jamais fugir, impune, estrutura do sistema. Pode, verdade, e isso at bom, fazer substituies nos eixos do paradigma ou do sintagma, mas, nunca, nunca mesmo, quebrar ou tentar quebrar o mecanismo das funes que cada elemento exerce. Foi, por esse motivo, que o rabe, estruturalmente bem diverso do portugus, apesar do domnio de mais de sete sculos na Pennsula Ibrica, deixou apenas cerca de setecentas palavras, menos de uma por ano, mas por mais incrvel que parea, nenhuma frase. A esto, de testemunhas, as palavras oxal e salamaleque, que eram frases na lngua rabe e no conseguiram resistir como tais no portugus. Por que, ento, tantas discusses? porque motivos deve haver, pois, onde h fumaa, h fogo. Ningum perderia tempo, se no encontrasse um alicerce onde se afirmar para emitir argumentos. Pena no dispormos, at hoje, seno de uns poucos mapas lingusticos alm dos levantados na Bahia, no Rio, em Minas Gerais e, me parece, apenas um em Trs-os-Montes. Se houvesse maior material cientfico, tudo seria mais compensador. Espero com ansiedade, o Mapa dos falares da Paraba, em que se encontrou empenhada de corpo e alma a minha amiga e professora Socorro Arago, Presidente do Crculo de Lingustica do Nordeste, de cujo trabalho me inteirei, recentemente, quando de minha visita sua Universidade, em viagem por Joo Pessoa. Sempre fui agradecido ao amigo Hlio C. Teixeira por suas bondosas referncias o meu trabalho, sempre tido por ele como fruto do amor lusitanidade. No sei, contudo, se bom despertar paixes em quem pode morrer de amor. Olhe que nossa lngua - aqui brasileira - j no to desconhecida e obscura, mas ainda de alto clangor, do tom e silvo da procela, fruto da saudade e da ternura... Foi o que falou Bilac. Falou e disse... Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas.


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Por Wanderlino Arruda - 28/7/2014 08:25:05
A VIDA MUITO MAIS AGRADECER

Wanderlino Arruda

triste, muito triste, ver como o mundo se acha cheio de ansiedades, de conceitos puramente materialistas e utilitaristas. Pessoas e mais pessoas se esquecem da beleza da vida, da generosidade de outras pessoas, e se colocam como pequenos donos de um pedao de meia-verdade, julgando-se numa independncia que no existe. Esquecem-se de que a existncia um insistente ensino, uma perseverante luta pela felicidade e que s podemos ser felizes na caminhada solidria, de mos dadas, unidos, com toda a alegria possvel, com toda coragem, ou pelo menos com um pouco de sorriso em agradecimento prpria vida. De nada adianta o transbordamento das paixes, a manuteno de arestas morais, o narcisista, a supervalorizao, a pretenso de domnio da inteligncia ou do poder, o dio sem direo ou direcionado. Tudo vo, porque o viver um crescimento espiritual de todo o tempo. Amar a si mesmo importante, mas preciso amar tambm o semelhante. E amar impe sinceridade pessoal, desprendimento, uma viso clara de sonhos e realidades, um gostar do outro, um querer bem sem limites. De nada vale o isolamento, a limitao, s a defesa do prprio interesse, a fanfarronice vazia e boba, uma falsa autoconfiana, o desprezo bulhento aos que amam a vida. De nada vale a falsa declarao de amor, sem identificao com o bem geral. preciso desnovelar-se num esforo de melhoria geral, abrir os olhos para a paz, a paz das quatro paredes da nossa casa, a paz da nossa rua, dos nossos companheiros de jornada, a paz do mundo. Para alcanarmos a alegria, necessrio desafadigar-nos das opacas viseiras da falsa autossuficincia, triste posio da pessoa infeliz. H ardorosos propagandistas de si mesmo que no passam do labirinto da sua prpria iluso, mas que caminham por caminhos to estreitos e to vulnerveis que nunca enganam a ningum. Falam de liberdade, pregam autonomia, fomentam guerras, exterminam simpatias, direcionam-se para o fanatismo, combatem falsamente os preconceitos, mas no sabem libertar-se da cordoalha da servido mental a que so jungidos por si mesmos. preciso restaurar a f nos semelhantes, semear a palavra de vida na luz da esperana, viver com amor verdadeiro, perseverar no bem, tirar as lentes negras de diante dos olhos fsicos e espirituais. Trombetear importncia nunca foi medida levada a srio, a avidez de promoo pode ser atalho de caminhos, mas ser sempre lodaal de incompreenses. No se deve morrer de orgulho, porque nem sempre a existncia ajuntar o pequeno punhado de amigos que cada um tem. Eles podem espantar-se da nossa prpria inconscincia. Que cada um submeta-se ao currculo da aprendizagem na academia da vida, propondo valorizar todas as lies que estudam e preparam a conquista de tesouros maiores da inteligncia e do sentimento. Cada perodo brinda-se com nova gama de experincias. importante saber tirar proveitos do equilbrio dos que so verdadeiramente equilibrados. importantssimo saber viver todos os momentos possveis da felicidade. Na verdade, ser feliz a nossa meta. E para ser feliz preciso saber bem retribuir, ter gratido. A vida no s pedir. muito mais agradecer! Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 22/7/2014 08:56:56
DA CRNICA E DO CRONISTA

Wanderlino Arruda

H coisas na vida de que no so ganhadores os que se levantam tarde, os que no tm coragem de acordar junto com os passarinhos, ao som dos primeiros cantos ou das primeiras trinadas. Quero dizer aqueles que s abrem os olhos e os ouvidos depois das sete ou das oito. Claro que perdem um pouco do melhor, da boa disposio fsica e mental, da prpria alegria do amanhecer. Falei uma vez das empregadas que vo padaria, dos pedreiros e serventes que vo ao trabalho de moto ou de bicicleta, das respeitveis senhoras que vo s missas, dos passantes apressados que fazem caminhadas ou iniciam viagens. Outros valores ainda podem ser arrolados e entre eles a cor da luz do sol nascente, o vento brando e gostoso, o orvalho dos jardins, a prpria existncia humana que, de manh, mais interessante. Mas o que quero mesmo dizer dos programas educativos que as TVs vm fazendo, entre elas a Fundao Roberto Marinho, todas as manhs, de segunda a sexta, durante meia hora, antes dos programas matinais, tambm bastante diretos e instrutivos. Falo das aulas destinadas aos alunos do segundo grau, de diversas matrias, um primor de didtica, tudo preparado por gente que sabe onde est e anda o nariz. Um dinamismo que d gosto! Cores, movimentos, sons, repeties bem feitas que no permitem ao espectador deixar de aprender. Neste ponto, a televiso tem seu melhor papel, a utilidade pblica que lava todos os pecados dos horrios enlatados e alienantes. Geografia, Matemtica, Histria, Cincias, Educao, Lngua Portuguesa, Literatura, excelente elenco de conhecimentos. De Literatura, por exemplo, a TV apresenta o que h de mais prtico e convincente. Costumo at dizer aos meus companheiros de caf, que saem depressa para o trabalho ou para o colgio, que uma aula preparada para o vdeo vale por algumas que um sofrido professor prepara para o esforo ao vivo, pois nunca seus recursos podero comparar aos de que a televiso dispe. Livros e autores, paisagens e costumes, sentimentos e gestos, tudo no melhor colorido, passa como um desfile maravilhoso em roupa de gala e luxo, prazerosamente limpinho e enxuto. Atores e declamadores profissionais, bem ensaiados, no deixam os textos em prejuzo de uma vrgula sequer. Ainda h pouco, o que passou sobre a experincia de Rubem Braga no jornalismo e na crnica no tem similar. Seu famoso escrito de muitos anos atrs - uma carta ao prefeito do Rio de Janeiro - foi uma delcia, o que at hoje pude ver de melhor em metodologia de redao. Alguns minutos que valem por uma vida de estudos. Como a apresentao do Rio de Janeiro, formou um cenrio inimitvel para a ordem da escrita! A beleza, a pressa, a violncia, o romantismo e a malcia do carioca deram a Rubem Braga as condies de deslizar no texto como quem mergulha ou nada em guas translcidas, sem esconder qualquer mistrio. Sendo viva, a crnica tem de espelhar a realidade, o cotidiano, aquele ngulo de viso que o leitor sempre acha que poderia ter sido escrito por ele mesmo. Uma espcie de ponto de vista comum, feito naturalmente com arte e bom gosto, como fez Rubem Braga a vida inteira! Assim, dois convites ao leitor/leitora: levantar cedo, observar e... quem sabe, sonhar ou redigir tambm o mais alegre do nosso viver! Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 14/7/2014 09:51:44
APRENDENDO ETIQUETA

Wanderlino Arruda

Confesso que sou leitor vidrado em regras de etiqueta. No perco uma linha do que se fala de educao e do bem-viver social, de como tratar as pessoas, de como buscar uma convivncia pacfica e polida com os nossos semelhantes, principalmente quando pelo menos um mnimo de elegncia exigido. Leio tudo. Seguir, obedecer s regras, fazer do bom trato uma linha de vida difcil, exige muita observao e muito esforo, mas sempre possvel se a gente for incorporando cultura pequenos e grandes conhecimentos nesse setor. Em verdade, cautela e cuidados sociais no fazem mal a ningum. Claro que a educao ou a finesse em sociedade, e por sociedade entender-se todo o relacionamento humano em qualquer parte, merece vasta gama de obedincias, uma forma natural de agir, o saber como, quando e onde tomar atitudes. preciso saber quem convidar, presentear, receber, desculpar-se. preciso saber vestir-se, dar festas, ir a festas, sair com colegas e pessoas amigas, ir rua, a um restaurante, a um barzinho, a um lugar da moda. Tambm preciso saber conversar ou escrever um bilhete, uma carta ou simples recado sempre que isso for necessrio, seja hora triste, seja hora alegre, nossas ou das criaturas com quem vivemos, de quem gostamos. preciso saber o melhor comportamento no trabalho, nos encontros, nos esportes, em toda e qualquer oportunidade. Falando nestas coisas, lembro-me com saudades de uma experincia que tive em 1979 bem no sculo passado, no Rio de Janeiro, perodo em que ministrava um curso de Lingustica para administradores do Banco do Brasil. Sempre que chegava do almoo, via no elevador, nos corredores e na entrada do auditrio do Centro de Treinamento um vasto mundo de mulheres elegantes e bonitas, lindas-lindas, cada uma mais educada do que a outra. Num local em que a grande maioria era sempre de homens, aquela quantidade de belezas no mnimo parecia curioso, logo no tardando as explicaes: estava sendo realizado ali um curso de etiqueta com uma professora da Socila, contratada pelo Banco para treinamento das secretrias de alta direo. Era isso a razo do belo visual e de toda finura do trato. Reunio de alta importncia, reunio de gente fina, o que outra coisa. Time de primeira linha, mesma professora que treinava as equipes internacionais da Varig. Dispondo da metade do tempo, pois s lecionava pela manh, por um caminho de razes, no tive outro jeito seno pedir ao chefe Dalton, que por sua vez pediu elegante professora, para que eu fosse aceito como ouvinte e fiel observador de todas as lies. Imagine, minha senhora, que situao! Um homem s no meio de quarenta mulheres mais do que civilizadas. Mesmo pegando o bonde j em meio de caminho, no houve alternativa, tive que aprender tudo ou quase tudo. que nas discusses sobre o papel da mulher, nunca pude deixar de representar o papel do homem, estabelecer o contraste de posies. Por mais educao que houvesse, foi briga de nunca acabar: "machista chauvinista, representante da tradicional famlia mineira, bandido!" Foi um sucesso de aprendizagem. E como! Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 7/7/2014 17:59:42
AINDA JOO MURA

Wanderlino Arruda

Mura mudou-se para Janaba em 1959, vivendo l 9 anos, at quando veio para Montes Claros, em 1967, j aposentado. L em Janaba, sua poltica era a do PSP, partido populista de Ademar de Barros. Por aquelas bandas, tambm foi comerciante e delegado de Polcia, alm de fazendeiro. Deixou de trabalhar duro mesmo foi em 1960, quando o antigo IAPC o colocou na vida boa, de quem no tem compromissos com horrios. Em Montes Claros, como em Janaba e Gro Mogol, viveu sempre no centro da cidade, pois, foi sempre metido a gr-fino! E o Mura maom? Aos 7 ou 8 anos, conheceu o antigo salo da "Aurora do Progresso", loja de 92 associados em Gro Mogol. Era um terror at pensar em Maonaria. As piedosas Filhas de Maria sentiam at arrepios s em ouvir falar do bode preto! Cruz credo, como podiam aqueles homens importantes e ricos mexerem com uma coisa perigosa destas? Tinham medo, mas, respeitavam. A Aurora do Progresso era uma das maiores lojas manicas do Brasil. Mura filho da Deus e Liberdade, desde 14.3.50, quando era Venervel o inesquecvel Sebastio Sobreira. Passou por Chico Tfani, passou por Joo de Paula, passou por Jos Gomes, passou, passou por todos, velhos e novos que lutaram para nos trazer este grande legado. Companheiro em 16.3.62 e Mestre em 13.7.62 foi mudando de avental, branco, branquinho, azul claro, vermelho, preto parecendo cartola do Vasco, branco de novo, com todos os enfeites do Grau 33, desenho bem trabalhado de pelicano. Ao grau 18, Cavaleiro rosa-cruz, com diploma do Supremo Conselho do Brasil, foi elevado em 30.12.1967. Lembro-me muito bem da festa do final de carreira, quando fomos, em 8.10.76, elevados ao 33, juntos com pequeno nmero de irmos. Mura o mais velho, eu o mais novo. Ele com muitos cabelos ou todos os cabelos brancos, eu com os cabelos pretos, mas, j quase sem cabelos. Chegvamos posio de Grandes Inspetores Gerais da Ordem. Pelo menos, ele Mura tinha todo merecimen to. Era um prmio ao trabalho e fraternidade desse velho guerreiro! Mura, fundador, um dos fundadores da Loja Estrela de Montes Claros. Mura, fundador da Loja Manica Deus, Paz e Liberdade II, de Janaba. Mura, reativador da Loja Manica Aurora do Progresso, de Gro Mogol, oficina que o viu nascer. Mura, heri da Deus e Liberdade, hoje membro-honorrio, scio por motivo de honra. Honoris causa. Mura, amigo e irmo: Suporta ainda o fardo de tuas obrigaes/Caminha valorosamente, segue a tua estrada/Do acervo de pedra bruta nasce o ouro puro/Do cascalho pesado emerge o diamante/Do peso que transportamos de boa vontade, procede nas lies de que necessitamos para a vida maior! Se o suor te alarga a fronte e se a lgrima te visita o corao, que a tua lgrima te visita o corao, que a tua carga j se faz menos densa, convertendo-se, gradativamente, em luz para a tua e nossa ascenso. Tudo isso amigo e irmo Mura, j nem sei de quando, graas ao Grande Arquiteto do Universo! *Presidente da Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 23/6/2014 08:22:58
O HISTORIADOR HENRIQUE OLIVA BRASIL

Wanderlino Arruda

Foi muito gratificante para mim, tempos atrs, fazer a apresentao da HISTRIA E DESENVOLVIMENTO DE MONTES CLAROS, do escritor e historiador Henrique Oliva Brasil, homem de f e de coragem, manancial de fortaleza e boa vontade, frente a tudo que era difcil na sua vida. Henrique Oliva Brasil, amigo e companheiro de Academia Montesclarense de Letras, era para mim um exemplo de capacidade de trabalho e de ousadia, um atestado existencial de tudo que a fora de carter, o desprendimento, o dinamismo pessoal podiam realizar. Nos muitos e muitos janeiros por que passou na vida, nem os minutos nem as horas foram problemas no seu trabalho e no seu esforo de incansvel homem estudioso. Cada dia de Henrique Oliva tinha um refinado objetivo, uma meta a alcanar, pouco importava a dificuldade, de nada valiam os empecilhos de qualquer espcie. De cabea erguida, marchava sempre em frente, olhando o futuro com a segurana de um jovem, sempre seguindo esperanoso e confiante. HISTRIA E DESENVOLVIMENTO DE MONTES CLAROS foi fruto de minuciosa pesquisa, de longos perodos de estudo, que s um minerador do ouro dos acontecimentos poderia conseguir fazer. Foi tarefa de muito tempo e de muito lutar, resultado e cadinho do amor de um sertanejo que desejava deixar bem marcado seu trao de vida no conhecimento e nas conscincias de todos ns, tambm amigos desta cidade e do seu progresso. livro que faz justia ao nosso processo histrico, sempre dinmico e de acordo com o esforo pioneiro de um bom punhado de geraes, normalmente voltadas com sincera afetividade para os valores humanos e humanizadores, sentimentos que engrandecem e eternizam cada um e todos os momentos. A HISTRIA E DESENVOLVIMENTO DE MONTES CLAROS s no traz em seu bojo todos os acontecimentos, todas as personagens, quando isso no foi possvel por falta de dados ou por falta de espao. Segui, de perto, sua longa elaborao e sei que Henrique Oliva Brasil, com pureza e iseno, jamais poupou esforos ou qualquer tipo de sacrifcio para chegar ao alvo da exatido, ao centro da verdade. Cada levantamento foi revestido de exaustiva pesquisa, muito prxima da mais acurada exigncia da moderna cincia histrica. O fato de no ser o autor graduado em Histria, alicerado em diploma universitrio, nunca impediu que o intelectual buscasse o que havia de melhor no estudo documental e na observao interessada, fatores valiosos para a perfeio dos resultados. Acima de tudo, o historiador teve sempre a honestidade de propsitos, uma santa vaidade de quem se compraz com o exato cumprimento de qualquer misso, por mais espinhosa que seja. Esperava que o leitor tambm participante da nossa Histria se sentisse satisfeito com a leitura ou o estudo sobre a importante e verdadeira vida de Montes Claros. Mais do que isso: espero que o leitor se faa sempre presente com incentivo e apoio aos historiadores que so os maiores apaixonados por esta cidade e por toda a regio, pedaos de territrio ligados nossa prpria existncia. Mais do que passado e presente, estou certo, o futuro e ns teremos de dar razo e fazer justia, alm de aplaudir estudiosos e escritores com o prmio do mrito de materializar em livros nossos principais acontecimentos. A lembrana dos esforos e do trabalho de Henrique Oliva Brasil estaro sempre vivos e nossa memria. Em nossas melhores consideraes e reconhecimento. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 4/6/2014 15:54:43
MESTRE DA VINCI

Wanderlino Arruda

Uma das mais notveis inteligncias que a humanidade j teve em toda sua histria. Uma habilidade intelectual e manual que - juntas - nem antes nem depois, jamais foi superada. Leonardo, o mestre Da Vinci, foi realmente um artista de talento. Em todos os sentidos, tanto na qualidade como na quantidade de criaes. No espao e no tempo, de tal modo que se coloca magistralmente at em nosso sculo, com invenes at hoje sendo incorporadas ao nosso acervo de cultura e de utilidades. H algum tempo, um caderno de rascunho de sua lavra foi vendido por milhes de dlares num leilo de raridades. Desenhos, projetos, receitas de inventos, tiradas filosficas, conselho sobre artes e saber da vida, tudo com valor de hoje. No houve campo de especulao humana por onde no passasse o seu gnio. Assim, passou pela botnica, pela hidrulica, pela arquitetura, pela estratgia militar, fez mergulhos pelo mundo submarino e revoadas pelos ares. De sua prancha saram desenhos de helicpteros, armas de guerra, hlices de navios, coletes salva-vidas. De seus lpis e pincis apareceram belezas de formas e de cores de nenhum modo ultrapassadas, nem antes nem depois, acredito em tempo algum. Na escrita, o livro "Brevirios", repositrios de notas dos cadernos, oferece-nos trechos que podem ser aplicados tanto na escola como na vida. So observaes de eterno interesse. Em qualquer avio moderno de passageiros, os coletes salva-vidas so de sua receita: "Para salvar-se de naufrgio, precisa-se duma roupa de couro que tenha as paredes do peito em dobro com a espessura de um dedo e que seja igualmente duplicada da cintura aos joelhos. Ao cares no mar, sopra para dentro e deixa-te ao sabor das ondas. Na boca devers ter um canudo que ligue com a roupa, por onde devers receber ar, quando a espuma te impedir de respirar". Sobre pintores que se queixam da vida: "H uma classe de pintores preguiosos que querem viver s sob o ouro e o azul; alegam ingenuamente que no trabalham bem porque so mal pagos. Gente reles! No sabem fazer nada que preste, mas dizem: esta est bem paga, mas esta outra medocre e aquela devido casualidade; mostram assim que tm obras para todos os preos. Assim, pois, pintor, tem cuidado que o af do lucro no prevalea sobre a honra da arte: a conservao desta honra mais importante que o prestgio das riquezas". A respeito das cores na pintura: "As cores, de longe, so ignoradas e imperceptveis. Para desenhar o realce mister que o olho do modelo esteja na mesma altura do olho do artista. Isso far com que a cabea fique natural, pois os transeuntes com quem cruzas na rua, todos tm os olhos altura dos teus e se os fizesses mais altos ou mais baixos, teu retrato no seria nada parecido. As roupas devem desenhar-se do natural. Os velhos devem parecer preguiosos e de lentos movimentos, as pernas vergadas nos joelhos e os ps aleijados, a espinha curvada, a cabea para a frente e os braos pouco estendidos. As mulheres em atitudes modestas, as pernas fechadas, os braos juntos, a cabea baixa e inclinada. As velhas devem ser representadas atrevidas, com movimentos vivos e raivosos, com frias infernais: os movimentos dos braos mais vivos do que os das pernas". Uma definio de paz: "Dizem que o castor, quando perseguido, por saber que seus testculos possuem virtudes mdicas, no podendo mais fugir, para, depois de fazer as pazes com os caadores, corta os testculos com seus dentes agudos e os deixa com seus inimigos". Uma definio de avareza: "Avareza a do sapo que come terra, mas nunca tanto quanto deseja, com medo que acabe". E sobre a arte, centro de sua vida: "A pintura sobrepuja todas as obras humanas pela sutil especulao que lhe pertence. Se vs, historiadores, poetas, observadores, no tivsseis visto com os olhos, nada podereis referir em vossos escritos, que so nascidos da pintura". Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros - Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 27/5/2014 19:13:07
UNIMONTES - FACULDADE DE DIREITO

Wanderlino Arruda

Normalmente, chegvamos casa do professor Jos Oliveira Fonseca, na Rua Carlos Pereira, s cinco da manh. Todos os dias, de segunda a sbado, l estvamos para a aula de anlise sinttica e de outras questes mais objetivas da lngua portuguesa. No ramos muitos, mas, ramos bastante curiosos e interessados, principalmente o Mauro Lafet, o Corbiniano Aquino, o Afrnio Nogueira, o Adil Oliveira e eu. Eles, candidatos ao vestibular de Direito em Pouso Alegre ou Niteri; eu, estudante do curso de Letras, aproveitando a maestria do professor Fonseca, o melhor que passou pela matria em Montes Claros. Era um tempo excelente, alegre, pleno de maduro entusiasmo, sonhos de pessoas que, a certa altura da vida, sabem o que fazer e com que se ocupar. O Afrnio acabava de deixar as aulas de primeiro estgio do Madureza e j cursava, noite, as ltimas unidades para enfrentar o segundo grau, num esforo tremendo de ano e meio entre a escola primria e a universidade. O Mauro, com toda aquela pose que Deus lhe deu, srio, compenetrado, sonhador, quase j exigia que o tratssemos de Doutor. Era tudo uma beleza, embora o professor nunca nos tenha dado um cafezinho para espantar o sono do levantar to cedo... Foi por a, madrugadas em transformao de aurora, manhs de gostoso friozinho para pouco agasalho, que o professor e ns fizemos as primeiras propostas para a fundao da Faculdade de Direito. Entre uma anlise e outra, entre um verso e um substantivo, uma nova observao sobre o futuro da segunda faculdade de Montes Claros. Quem estaria disposto a colaborar? Com quais advogados poderamos contar para a formao do corpo docente? Quem poderia ser o primeiro diretor? Onde funcionar? Onde buscar apoio financeiro? Eram perguntas e mais perguntas, to constantes e to assduas como os prprios formuladores. No durou muito tempo a temporada de sonhos e cogitaes e, em menos de um ms, j estvamos, na rua, buscando apoio, tendo-o encontrado no deputado Lezinho, tio do Mauro e homem prximo ao Governo, e no Inspetor Zezinho Fonseca, que ficou mais entusiasmado do que ns prprios. A luta tomara corpo, criava-se do esprito de sria deciso. O Mauro cada vez mais encantado e, antecipadamente, vitorioso. Iniciamos as primeiras consultas aos principais advogados, atravs de uma comisso - Mauro, Afrnio e eu - num desdobramento de trabalho feito antes por Francolino Santos e Corby. Ningum pode imaginar nem prever as reaes humanas e profissionais diante de um desafio. Quem poderia calcular onde estaria o interesse pessoal, o desprendimento, o entusiasmo ou, ao contrrio, o medo de futura concorrncia? Quem poderia acreditara naqueles sonhadores, querendo fazer as coisas de baixo para cima, invertendo toda a lgica aceitvel? Realmente, diante da proposta, futuros mestres mostraram-se ora alegres, ora tristes, na maioria das vezes terrivelmente irnicos. "Quem" era mesmo que queria fundar uma faculdade de Direito em Montes Claros? Que saberiam aqueles trs sobre esprito universitrio? Loucos, era o que pensavam que ramos... Por que no iam estudar por correspondncia como fizeram tantos outros, passeando de vez em quando? Seria mais fcil do que criar uma esco la... Dois fatores tornaram-se importantssimos em nossa luta: O JMC ficou contra, afirmando a no necessidade de formao de novos bacharis, o mundo j estava muito cheio de advogados; apareceram interessados em nosso trabalho o professor Joo Luiz de Almeida e os deputados Francelino Pereira e Ccero Dumont. Doutor Joo cedeu-nos as instalaes do Instituto para funcionamento da escola e se disps a ser o primeiro diretor; Francelino levou as ideias e os planos ao governador Magalhes Pinto; Ccero organizou os estatutos da Fundao. Ningum poderia segurar mais. O contra e o a favor estimularam ainda mais nossa frente de batalha. A reao da imprensa provocou um desafio, a ajuda dos amigos poderosos deu o tempero que faltava. Hoje uma histria feliz, com a Fadir completando praticamente meio sculo! Tenho bem guardadas as gravaes do dia definitivo da fundao, reunio realizada na Rua S. Francisco, na Delegacia de Ensino, sala de trabalho de Jos Monteiro Fonseca!

Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 19/5/2014 10:50:45
PRIMEIRA FACULDADE, NOSSAS FAFIL

Wanderlino Arruda

Creio que o grande laboratrio de ideias a usina dos sonhos tenha sido mesmo as salas de aulas da Universidade Federal de Minas Gerais, onde moas montes-clarenses terminavam diferentes cursos, to distantes uns dos outros que iam da Histria Pedagogia, das Letras Matemtica, da Geografia s Cincias Sociais. Diplomadas, portadoras de muito saber e incentivo de antigos professores da capital, Isabel Rebelo de Paula, as irms Baby e Mary Figueiredo, Snia Quadros Lopes, Florinda Ramos Marques, Dalva Santiago de Paula, ansiosamente, se uniram a outros idealistas, e o resultado foi o nascimento da Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras do Norte de Minas - Fafil - aqui em Montes Claros. Verdade que no houve oposio ao seu trabalho e at no faltou crdito ou aquele sempre necessrio voto de confiana. Todo mundo acreditou nelas, com o Colgio Imaculada Conceio cedendo espao fsico e moral, a Fundao Educacional Luiz de Paula fornecendo recursos e entusiasmo , professores como Jorge Ponciano Ribeiro, Maria Ribeiro Pires, Geraldo Majela de Castro, todos dando logo a sua melhor quota de servios. Foi uma beleza o comeo, um sucesso o primeiro cursinho de Montes Claros. Lembro-me bem, da primeira aula de francs que tivemos com a professora Baby Figueiredo, com texto solto, impresso fora de livro, uma novidade! Lembro-me de Adlia Miranda elaborando, como secretria, os primeiros relatrios, apertando os primeiros alunos retardatrios para no atrasarem no pagamento das mensalidades ou incio das aulas. Era uma experincia interessantssima com passagens de se emocionar! Era tanta sabedoria nova, um conhecimento to organizado, uma perspectiva de aprendizagem to grande, que problemas apareciam a toda hora, todos querendo aproveitar de tudo, sorver de vez todo um alimento que por no existir antes, estava sendo negado a quem muito o desejava. Acontecia ento o troca-troca de salas, uma espcie de minerao de assuntos, um descobrir quem era o melhor professor um abeberar de toda uma nova filosofia de vida. No posso contar tudo sobre as aulas de nossos cursos, nos primeiros dias do semestre, porque os acontecimentos vinham aos borbotes, quase sufocando a curiosidade, at confundindo as cabeas. Era como se fosse um vasto ciclo de conferncias de palestras, um eterno comcio. Hamilton Lopes, calouro, ensaiava os primeiros passos da poltica estudantil, Joo Valle Maurcio, Jos Nunes Mouro, Hlio Vale Moreira, Mauro Machado Borges, alunos mais vividos, mostravam uma compenetrao pouco natural de estudantes. Yvonne Silveira, esta num a santa vaidade de literata, se desmanchava em sorrisos e sutilezas numa alegria quase infantil. Tudo foi uma longa festa intelectual, uma corrida de muita sede fonte, todos considerando um grande privilgio, uma oportunidade a mais de vencer na vida, em campos profissionais j longamente seguidos. Pela primeira vez, vimos professorinhas ensinando para pessoas de muito mais idade, alguns at j velhos, todo um elenco de construtores em tempos presentes e tambm do futuro! Agora, visto de longe, cinquenta e dois anos depois, mais do que uma ousadia, parece quase uma loucura. Mas que maravilhosa loucura! Que o diga Isabel Rebelo de Paula, nossa primeira diretora. Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros Academias Montesclarense de Letras e Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 13/5/2014 08:25:42
FERNANDO PESSOA

Wanderlino Arruda

Se difcil falar de uma pessoa, penetrar no seu ntimo, senti-la e transmitir seus sentimentos, imagine quando essa personalidade dividida e subdividida, como aconteceu com o poeta portugus Fernando Pessoa, que tinha, no mnimo, cinco heternimos, cada qual com sua biografia, seu mundo, seu estilo. Ele mesmo, Fernando, uma caudal de vibraes humanas e poticas, uma sensibilidade to flora da pele e das ideias, que muitos chegaram a dizer nas raias da exuberncia sobrenatural. Foi quem marcou a mais forte presena na poesia portuguesa e europeia no ltimo sculo, j que ele comeou mesmo a escrever e a publicar em portugus a partir de 1912, numa espcie de reencontro com suas origens lusitanas. Pessoa influenciou muito dos seus contemporneos e continua at hoje arrastando uma falange de adeptos cada vez maior. Para o crtico Oscar Lopes, Fernando Pessoa a mais importante personalidade da tendncia ps-simbolista portuguesa. Para Joo Gaspar Simes, Pessoa tornou-se o mais imitado dos nossos poetas modernos, porque exprimira penetrantemente certas contradies inerentes sua camada numa altura em que elas estavam latentes, quando ainda se fingia acreditar em certas sinceridades ou sentimentos poeticamente expressos, em certos ideais ou emoes teoricamente caritativas ou cvicas que, no fundo, se havia esvaziado de qualquer contedo concreto, quotidiano ou intimamente pessoal. Na sua poesia, tudo isso se ironiza e problematiza com uma justeza inexcedvel de tom lrico, porque Pessoa ope-se metafsica sentimentalista romntica, que abstrai a sensibilidade da razo "o que em mim sente est pensando". " preciso fingir para conhecer-se". Fernando Pessoa fez uma distribuio de sua obra por vrios heternimos e tem dado por isso ensejo a numerosas discusses sobre sua unidade ou pluralidade, ou sinceridade, j que foi um ser altamente contraditrio. Na verdade, cada poeta de sua diviso criadora corresponde a um conjunto de posies polmicas determinadas. Cada um com vida prpria, cultura peculiar, sentimentos e problemas individuais, opondo-se ou identificando-se como seres humanos portugueses ou universais. Como no possvel dizer tudo em um s flego e espao de jornal, eis algumas pinceladas sobre os principais e mais conhecidos: ALBERTO CAEIRO - reage em verso prosaicamente livre contra o transcendentalismo saudosista, mostrando que o "nico sentido oculto das coisas / elas no terem sentido oculto nenhum"; contra o farisasmo, ento concorrentemente jacobino e devoto da poesia compassiva e sentimental. Caeiro apareceu em Fernando Pessoa com trinta e tantos poemas que ele escreveu de p, numa espcie de xtase, cuja natureza o prprio Pessoa afirmou no saber definir se mediunidade ou simples inspirao. Saiu da "O Guardador de Rebanhos". RICARDO REIS - exprime contra as concepes meramente abstratas de sobrevivncia post-mortem ou de progresso humano e em estilo que se pode designar com neo-arcdico, embora apresentando uma densidade de significado muito mais prxima do modelo horaciano; a antiga sabedoria epicurista egocntrica de dores e prazeres provveis. Ricardo Reis desde o princpio um alto poeta formal, de alto refinamento artstico. Sentia-se apto a trabalhar a forma mtrica ao verso maneira dos que perpetuam na poesia como lavrantes amorosos, requintados e astutos das formas e do virtuosismo esttico. Ricardo Reis proporcionou a Pessoa a primeira sensao de plena harmonia consigo mesmo e com a literatura. LVARO DE CAMPOS - prega nas odes em verso livre entusistico, a sabedoria futurista da sem-razo, da energia bruta, da vida jogada por aposta. lvaro de Campos era uma mentalidade trabalhada pela civilizao e pelo progresso. Engenheiro, ultrapassa de longe nas ambies at o prprio Pessoa. em verdade o mais simulado dos heternimos e entre todos, o mais mistificadoramente concebido. Pretendeu formar uma nova escola e o conseguiu. Desculpe-me voc se o assunto foi por demais erudito, tratando-se de apresentao crtica literria. Um dia, quem sabe, voltarei falando mais do homem do que do artista. Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 6/5/2014 09:38:23
E A VIDA CONTINUA

Wanderlino Arruda

Viver consagrar-se inteiramente vida, acompanh-la em cada tempo. Viver uma busca eterna de aprendizagem, uma aventura interminvel, um sustentar sozinho o mundo inteiro, acertando-se ou contradizendo-se, sempre em busca da prpria afirmao. Existir estar, ser, compartilhar com os outros no aqui e no agora, uma participao do que h de melhor no interior de cada um na alma das outras pessoas. Viver comunicar-se, o interessar-se pela vida, o sentir mundo, o reviver o histrico, o sonhar o futuro. No h vida isolada, pois, cada pessoa, como o real e o irreal das narrativas, estar integrada em vrios contextos, personagem menor ou maior com seus dramas pessoais, suas alegrias, suas vitrias ou derrotas, tudo, tudo influenciando os acontecimentos. Cada indivduo, de certo modo, o centro do mundo, partindo dele tudo que ir determinar as outras vidas que lhe dizem respeito. Filosofando sobre o complexo ato de estar na vida, de ser num minuto ou num espao maior da eternidade, preciso dizer que o essencial a forma que cada um liberta sua personalidade, influenciando, marcando presena, doando de si mesmo para crescimento da compreenso, do amor, da liberdade, da justia. O importante a integridade, o respeito, a paz. Melhor do que cada tema em particular o resultado da realizao da pessoa como indivduo e como coletividade. Do estar consciente, vem a conciliao e concretizao da parte boa dos sentimentos das emoes, mesmo que sejam desagradveis. As insatisfaes apenas arrastam as angstias e as injustias, o contraditrio. Se o mundo se tornou confuso, a pessoa ter de tomar pessoalmente as decises, fazer suas prprias escolhas, arriscando errar ou acertar, porque nunca h paz total. Se inevitvel vivermos sob tenses, aprendamos a viver. preciso comparar o amor com o teatro, um teatro sem plateia, onde todas participam e o cenrio pode aumentar ou diminuir a intensidade das emoes. Pode at acontecer que em alguns casos, a plateia no consiga entender o tema de uma pea, mesmo que esta seja eterna e universal. E quando no se entende, vem a distoro, a discordncia, podendo vir at o dio. o caso de pensar na liberdade, na democracia, que a ausncia de arbtrio, a no-violncia, a presena da igualdade. o caso de pensar que a sociedade esteja carente de justia, ou farta de violncia. Melhor, porm, acreditar com otimismo no futuro. As ideias expostas, leitor, no so minhas, embora, pudessem ser, como tambm podiam ser de algum que apreciasse a plenitude da vida, o realizar e o sonhar, o estar no mundo sem ser do mundo. As ideias foram de uma moa maravilhosa, plena de vida, interessada na paz e na justia, uma moa que falava de emoes e de igualdade, uma jovem que lia de trs a quatro livros por ms, que tinha preferncias precisas sobre teatro, msica, sobre poesia, que amava a pintura com toda sua alma. Estas ideias, leitor, foram de uma moa que acreditava na cultura, que lutava por uma instruo melhor para todas as pessoas, lendo, escrevendo, divulgando exemplos, amando a vida, ilimitada na criatividade. Foram e so afirmativas de quem gostaria de muito lutar para refazer o mundo, transformando-o para melhor, mais otimista, mais humano, um mundo ideal para dar e receber felicidade. Que estas imagens vivenciais sejam exemplo de que nem tudo est perdido, que a vida continua, e s o bem permanece, s o pensamento positivo constri o amor que lava a multido de pecados. Este raciocnio to perfeito e to lgico, leitor, foi expendido por uma jovem encantadora que, infelizmente, no se encontra mais entre ns no plano fsico, pois, h bastante tempo criatura da eternidade: Cludia Maria Athayde Soares. Academias Montesclarense de Letras e Manica do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 30/4/2014 09:00:23
FCIL ACABAR COM UMA IDEIA

Wanderlino Arruda

Claro que existem mil maneiras de acabar com uma ideia, sepult-la, disp-la em justo e eterno esquecimento, principalmente se essa ideia no for do interesse ou do agrado de quem tenha, no momento, o poder de deciso. Praticamente, todo presidente de reunio ou assembleia sabe disso, todo dirigente tem at uma frmula de soluo para cada caso, quando isso lhe de seu desejo. Assim, matar uma ideia nunca difcil, no d trabalho, basta um pouquinho de m vontade. O que difcil criar, construir, elaborar, fazer alguma coisa de til, beneficamente social, favorvel a todos os interessados, ajustvel famosa prova qudrupla que o Rotary gosta tanto de divulgar em todo o mundo, em todas as lnguas: " a verdade? justo para todos os interessados? Criar boa vontade e melhores amizades? Ser benfico para todos?" Matar uma ideia realmente fcil, nem precisa muita inteligncia ou muitos argumentos para isso. At os menos dotados de raciocnio conseguem. Qualquer um desses falsos lderes de qualquer campo de atividade consegue, principalmente nos chamados grupos de trabalho, nas famosas comisses, nos comits. Com os novos ricos, ento, que tudo fica aplainado para uma derrota, j que eles, querendo tudo poder, acabam no podendo nada e mergulhando em fracasso. Os polticos que superestimam seu poder de fogo, que se julgam grandes, que tudo fazem para aparecer, esses coitados, do at pena, principalmente os que se vendem por empregos ou representaes. Uns que trocam de partido todo dia, que vivem como baratas tontas procura de migalhas de prestgio ou de dinheiro, espcie de procuradores de partes, esses so verdadeiros sepultadores de ideias, vendilhes do templo de qualquer era. Quem deseja acabar com uma ideia no precisa fazer muito esforo, no precisa suar camisa, pode ser at um grande perdedor, um fracasso na vida em qualquer situao. Quem precisa sustentar ideias alheias quando as suas nunca chegam ao alvo vitorioso? Melhor que todos fracassem, que todos percam, que a iluso seja geral, porque assim ningum supera ningum, fica tudo do mesmo nvel. Afinal h o mundo dos que vencem e o mundo dos que s perdem, que nunca encontram uma vitria. H o mundo dos que acreditam e h o mundo dos que invejam, que ambicionam, dos que sempre so dependentes de outrem pelo poder ou pelo dinheiro, esse o mundo dos vendidos, dos alugados mesmo que seja por pouco tempo. Um pobre mundo de pobres sonhos... "Isso no me anima nem um pouco". " complicado demais". "Isso no est de acordo com as coisas que a gente faz aqui". "No possvel, e pronto". "Todo mundo vai dizer que somos uns idiotas", (e s vezes so mesmo!). "Este um assunto p ara outra reunio". "Isso no se adapta nossa filosofia". "Em time que est ganhando no se mexe". "Eu j vi essa histria antes". "No vem que no tem". "No vai funcionar". "Ningum vai entender sobre o que voc est falando". "Esse outro lado da histria". "Eu tenho uma ideia melhor". "Vamos formar um grupo de trabalho". "Vamos formar um grupo de trabalho", a melhor forma, s vezes, de desaparecer com uma ideia, principalmente quando esse grupo uma comisso de inqurito para fiscalizao de gente de muita ambio. De todas as formas para acabar com uma ideia a mais decisiva a formao do grupo de trabalho, de certos tipos de blocos. Nomear uma comisso tiro e queda! No h sugesto que fique de p, que tenha andamento, quando o presidente de uma comisso for o prprio autor da ideia. Os coordenadores de reunies sabem disso: quando algum fala muito, d muito palpite, quer resolver de vez todos os problemas da vida e do mundo, no precisa muita coisa para provocar silncio, basta uma nomeao de presidncia para dirigir outras pessoas. Quase sempre morre o grupo e sucumbe o ideal. Afinal, construir que difcil! Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 23/4/2014 09:40:13
MAR DE AVENTURAS

Wanderlino Arruda

Antes de mais nada, confesso que nasci muito longe do mar, algumas centenas de bons quilmetros de distncia, separado por cus e terras, pela Serra Geral, pelo Rio Pardo e por muitos outros acidentes geogrficos. Quem conhece sabe que a mineirssima cidade de So Joo do Paraso est cravada num recolhido serto entre a Bahia de Condeba e este Setentrio, longe, muito longe do mar, sem nenhuma condio de ter filho com vocao para marinheiro. A nica coisa parecida com mar que ns tnhamos por l, e nos bons tempos de fartura, era o manso e tranquilo verde canavial, lindo e extenso, adorvel vale de maravilhas, parecia feito para as peraltices do menino ou para as saudades do futuro adolescente sentimental. O mar s me veio aos dezenove anos. Ou melhor, s fui a ele depois de muitos anos de vida bem vivida em Salinas, Mato Verde, Taiobeiras e, principalmente, em Montes Claros. No era um mar to lindo como o de Macei, o mais lindo do mundo: falo do mar da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, que j em cinquenta e quatro, vivia cheio de manchas de leo, subproduto pouco simptico da presena constantes de navios e barcos petroleiros. O de Copacabana era verde-azul, bonito, violento, transparente, rolado em branqussimas espumas, mas distante para o convvio de um mineiro interiorano e retrado. O mar de Niteri, das barcas da Cantareira, do aerobarco, era um mar de vai-e-vem de incio e fim de dia til, promessa e lembrana de trabalho. Mar da Bahia, mar de Todos os Santos, de Itaparica, aonde fui, h muitos anos, com Olmpia, visitar um velho professor e de onde partimos, recentemente, com a turma toda, embarcados de carro e tudo num ferryboat, para um bom perodo de frias entre a praia e as dunas baianas. Mar de Santa Catarina em Cambori ou Florianpolis, mar dos passeios de barco pelas velhas ilhotas, cenrio de vetustas fortalezas, de construes do militarismo colonial, onde as paredes portuguesas de pedras brasileiras ainda esto de p, metro e meio de largura, cobertas de musgos e espinhos, testemunhando o tempo e o contratempo de nossa histria. Mar de Torres, no Rio Grande do Sul, revolto e atuante a esbater-se nas pedras e nos turistas. Mar de Ilhus, de Valena e de Olivena, mar sujo de Santos e So Vicente, poludo e proibido. Mar de Vila V elha, de Vitria, de Anchieta, da moderna Nova Almeida, todos no Esprito Santo, povoados de mineiros, de uma mineirada de nunca acabar. Mar de Fortaleza, verdes mares da terra cearense, mares de Alencar e de Iracema. Mar de Natal, de Joo Pessoa, mar de Boa Viagem em Recife. Mar de Olinda, transbordante de belezas de sonhos. Mas, de que mar e em que mar foi mesmo a minha aventura que quero dividir com o leitor? No mar doce do Amazonas, onde vi o encontro das guas do Rio Negro lado a lado com as do Rio Solimes, correndo coloridas, sem se misturar? Foi em Leixes, bero idolatrado da raa lusitana? Foi nos arredores de Lisboa, em Sintra, na Boca do Inferno, onde se afirma, morreu Fernando Pessoa, o Super-Cames? Foi em So Lus, de viagem para Alcntara, quando o barco revolto e balanando como bbado quase se v presa fcil dos ventos e das guas? No sei, no sei... Acho que foi o mar da vida, nem sempre azul, nem sempre verde-esperana, poucas vezes sereno, na maior parte do tempo, agitado. Navegante h quase oitenta, muita gua passou por baixo do barco e muito vento soprou de lado e por cima. Como dizia muito bem o sempre lembrado Guimares Rosa, viver perigoso. A vida em si j um grande perigo, um grande mar, um enorme mar de aventuras... Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros - Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 8/4/2014 08:14:45
NELSON VIANNA

Wanderlino Arruda

Escolhi, como patrono da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, um notvel homem de letras da nossa regio, um regionalista e srio pesquisador de costumes, literato de flego, um sentimental homem do serto, sempre vestido com roupagens de srio trato: Nelson Washington Vianna, o curvelano montes-clarense. Escolhi-o como desejo de marcar de modo definido minha admirao pela obra diretamente ligada s gentes do grande serto do Norte, ao agricultor, ao caboclo, ao vaqueiro, ao frequentador de feiras, ao fazendeiro, ao contador de causos, ao tocador de viola, ao solitrio das madrugadas e das bocas de noites e aos que, cansados das tarefas do dia, sentavam-se ou se sentam nos calcanhares para ouvir ou falar com a maior sabedoria do mundo. Nelson Vianna, com a sinceridade do cientista, contou muito da esperteza do interiorano de Minas, homo rusticus ou homo urbanus, sempre com a alma aberta criao de tipos, caracteres e personalidades de rara beleza para nossa literatura. Ele despertou um sentido novo de humor, uma figurao de inteligncia e perspiccia, um savoir-vivre e um savoir-faire difceis de se encontrar em outra literatura. Perscrutador impenitente, incansvel olheiro da fraqueza humana, quase libidinoso no modo de ver e interpretar, Nelson Vianna foi imaculadamente o grande reprter de uma vasta reportagem do homem sertanejo desse lado de c do mundo mineiro, que vem de Curvelo at os Montes Claros. Ele sempre viveu acompanhando vertentes e serrarias, capes de mato e serrados, veredas e gerais, cenrios de vida e de literatura to gratos aos nossos coraes. E pena que eu no tenha conhecido to bem Nelson Vianna como o conheceu Cndido Canela, Olyntho da Silveira, Vianna de Ges, como o estudou Haroldo Lvio. Homem distante, severo, de poucos amigos, no dava muita oportunidade aos mais novos para conversas e troca de ideias. Lembro-me de ter conversado com Nelson Vianna apenas uma vez, no vestbulo da casa de Osmani Barbosa. Estava eu naquela ocasio interessado em fazer uma pesquisa sobre a literatura do Grande Serto, exatamente no pedao de terra que fica entre o centro de Minas, a Serra das Araras e o Carinhanha. Precisava de dados comparativos de dois estilos que dissessem diretamente sobre o elemento humano, fruto telrico da paisagem sofrida, ponto de ligao entre a natureza e a vida do passado e do presente. Propus, ento, a ele uma entrevista - do homem e do literato - para que eu pudesse, depois, compar-lo com Guimares Rosa, o outro lado do trato com o comportamento sertanejo. Nelson Vianna espantou-se, olhou-me de frente, franziu o semblante, parece at que tremeu- e, considerou minha atitude uma audcia: fazer comparao dele com Guimares Rosa no tinha propsito, no havia paralelos; Guimares, o grande escritor, ele um joo-ningum. isso o que pensava. No, no era po ssvel, era um absurdo, no me daria entrevista alguma. Insisti, mostrei que a diferena de estilos no desmanchava a beleza nem a preciso descritivas da relao humana e humanstica do tema e que, embora divergentes, eram um s. De nada adiantou, foi irredutvel, iria pensar, poderia ser ou no ser... mais para o no ser. O encontro de frente e direto na casa de Osmani Barbosa com Nelson Vianna foi o ltimo, como tambm estava sendo o primeiro. Mudou-se o escritor, logo em seguida, para Belo Horizonte. Quando o vi de novo, foi andando l pelo quarteiro montes-clarense das Ruas Tupis e Rio de Janeiro, mas aparentemente distrado e, senhor ou no da vida, nunca me reconheceu. E at parece que a Montes Claros nunca mais voltou. Coisas que s o Haroldo Lvio deve entender... Presidente da Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 1/4/2014 08:13:58
ZAMENHOF E O ESPERANTO

Wanderlino Arruda

Eis uma vida interessante, que um dia o mundo inteiro ainda conhecer: a vida de Lzaro Luiz Zamenhof, um mdico polons, judeu, nascido na segunda metade do Sculo XIX, na cidadezinha de Bialistok, onde se falavam normalmente quatro lnguas. Criador da lngua internacional ESPERANTO, que a cada dia tem aumentado o nmero de falantes, chegar a poca em que Zamenhof far parte dos estudos de jovens e velhos, e a admirao pelo seu nome e por sua vida lhe dar pginas inteiras nas enciclopdias. No se trata de sonho esta minha afirmativa. Na verdade, qualquer caminho que a humanidade escolher, passar, no futuro, pelo Esperanto, a nica lngua que permitir o entendimento normal e fraterno entre todos os povos. Queiram ou no queiram os donos do mundo, sejam eles americanos, russos ou chineses como o foram a seu tempo os gregos, os romanos, os ingleses, ou como quiseram os alemes e italianos - nenhuma nao conseguir impor o seu idioma nacionalista. Nenhuma pt ria aceitar a dominao cultural de outra ptria. No existe imposio neste sentido. Os rabes dominaram a Pennsula Ibrica durante oito sculos e s deixaram l duas frases! Por outro lado, o Esperanto no lngua de ningum, de nenhuma nao, mas de todas ao mesmo tempo. No defende o Esperanto nenhuma cultura nacional, no tem chauvinismos, no tem grias de grupos ou de classes sociais. O Esperanto uma lngua neutra, desvinculada de ideologias raciais. Facilmente aprendido pelo falante de qualquer outro idioma, ser sempre uma lngua auxiliar e jamais ocupando o lugar das falas de qualquer pas ou regio. Com tendncia a ser amado e admirado, o Esperanto a mais fraterna de todas as formas de comunicao, nivelando e igualando falantes, fazendo desaparecer dominaes, nunca deixando margens para ningum ser humilhado. Um esperantista alemo ou americano ter a mesma categoria social de um esperantista brasileiro, angolano ou japons. O esperanto ser sempre uma segunda lngua para um chins, um espanhol ou um romeno. E uma segunda lngua nunca tem dono, ser sempre uma escolha, uma opo. o Esperanto a lngua mais fcil de s er aprendida no mundo. No tem segredos, no tem excees, no tem gramtica complicada nem excesso de regras. A gramtica do Esperanto de uma simplicidade que encanta: tem apenas dezesseis itens, fruto da mais absoluta lgica e inteligncia lingustica. Enquanto o francs dispe de 3.600 formas verbais, o Esperanto precisa de apenas doze. Enquanto o portugus utiliza de inmeras formas de plural para substantivos, adjetivos e verbos, o Esperanto tem apenas uma para substantivos e adjetivos. As preposies do Esperanto so perfeitas, definidas. As palavras que indicam tempo, lugar, quantidade, causa, razo, modo, qualidade tm sempre as terminaes fixas para cada caso assim tambm como as que denotam coletivos, indivduos, conjuntos, graus, parcelas. Aprende-se contar em Esperanto em apenas dez minutos. O contedo gramatical pode ser dominado em poucas horas. J houve na histria quem o tenha aprendido em horas: o genial Tolstoi, por exemplo, que chegou a traduzir do Esp eranto para o russo com menos de meio dia de estudo. No creio que exista outra experincia intelectual melhor ao que a aprendizagem do Esperanto. Tem o sabor da histria, a sensao da matemtica, a curiosidade da lgica, a luminosidade da geografia, o mistrio das artes. O Esperanto to perfeito, que criado por Zamenhof h cem anos, estudado e dissecado por linguistas do mundo inteiro em noventa e oito congressos internacionais, no teve at hoje uma nica modificao em sua estrutura. ainda a mesma lngua do sbio polons de Bialistok, com a mesma perfeita estilstica. E sem sotaques! Presidente da Academia Manica de Letras do Norte de Minas


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Por Wanderlino Arruda - 27/3/2014 08:13:37
INESQUECVEL ADLIA MIRANDA

Wanderlino Arruda

Como em fins de 1988, vejo ainda e sempre Adlia Miranda, doce e querida amiga, como a tenho visto desde os dias em que, quase menino, cheguei a Montes Claros. Ela, tambm garota, novinha, estudante no me lembro se do Colgio ou do Instituto, era colega de Mary, filha de Dona Tonica, proprietria da penso onde fiquei morando. Adlia fazia parte de um lindo grupo de Tiana Osrio, Belvinda e Lola Chaves, amigas da Mary, tudo gente fina, do melhor trato, um resumo social do melhor que havia. No demorou muito e todas se viram ligadas a mim, acredito mais pelo ingls que eu sabia e lhes era til do que propriamente pela minha alegria de viver e pelo meu esprito brincalho que as fazia rir o tempo todo. Elas gr-finas, elegantes, bem postas na vida. Eu, pobre estudante e balconista de duas mudas de roupa, um s par de sapatos, provinciano, salvando-me apenas pela garra de trabalho e estudos e pela confiana no destino que poucos jovens do mundo poderiam ter. Mentalmente, escrevendo esta crnica, vejo Adlia ainda em nossa sala de estudos da casa de Mary, janela para a Rua Afonso Pena, esquina com a Padre Marcos, aquele bequinho que saa do Colgio. Fugindo das horas movimentadas do almoo e do jantar, o ambiente fazia silncio para as almas jovens, interessadas e estudiosas. Pouco se falava de namoros, de cinemas, de footing, mas muito de gramtica, de histria, de geografia, de latim, territrios em que eu, mesmo nos primeiros dias, j circulava com a maior desenvoltura, inclusive com experincia de redao. Tempo gostoso e bom, quando eu me sentia importante, bem visto, cortejado por uma admirao que podia ser notada facilmente nos olhos de cada uma. Afinal, como podia aquele garoto de So Joo do Paraso saber tanta coisa que a escola no lhes ensinara? Adlia, ento, chegava a fazer-me confidncias do quanto os nossos encontros eram agradveis e proveitosos. Ningum faltava. Ningum atrasava. Era satisfao que transitava em todas as direes! Muitos anos depois, j longe das escolas secundrias, separados pelo trabalho e pela prpria dinmica da vida, vejo-me, de novo, junto a Adlia nos primeiros dias de Faculdade de Filosofia, quase no mesmo espao geogrfico da penso da me de Mary, uma vez que a FAFIL se instalou exatamente no prdio do Colgio das irms. L estava Adlia, secretria de todas as horas, doura de amizade, considerao sem igual, sempre presente em alma jovem e sincera, raro privilgio da vida. Adlia da mesma simpatia, sabor de mel no convvio ameno e prazeroso, suave em todos os momentos! "Quem no gosta de Adlia, de quem gostar?", eterna pergunta que a beleza de sua prpria voz apresenta nos cantos das serestas to vivas de Montes Claros! Doce Adlia, muitos e muitos anos de FAFIL, to amada em todo o tempo! Estimada, admirada, querida de todos, linda presena de uma eficincia sem igual. Adlia, a prpria FAFIL! Se no existisse, teria de ser inventada! De todos esses anos de FAFIL, tambm com Belvinda, com Lola, com tantos e notveis companheiros e companheiras de estudo e de trabalho, jamais ser esquecida a figura quase santa de Adlia Miranda, grande secretria! Para o quase meio sculo de bons servios, muitos tributos ainda sero cobrados em favor da importncia do trabalho de muitos dirigentes, de centenas de professores, de funcionrios estimadssimos, at de um punhado de bons alunos. Nenhuma figura, entretanto, em nenhuma poca, ser to importante como a de nossa doce Adlia, grande Adlia Miranda, amada e protegida de Deus e de todos os deuses da amizade e do amor! H algum tempo no Mundo Maior, acredito muito e muito admirada, tenho certeza de que todos os ambientes que a circundam so e sero sempre luminosos e cheios de sonoridades. To lindos como as suas melodias na seresta de Montes Claros e da nossa Minas Gerais!

* Institutos Histricos e Geogrficos de Minas Gerais e de Montes Claros


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Por Wanderlino Arruda - 20/3/2014 09:00:20
Academia Manica Inova com Participao Feminina

Wanderlino Arruda

A Academia Manica de Letras do Norte de Minas foi instalada na noite de quarta-feira, em evento realizado na Loja Manica Filhos de Hiram, em Montes Claros, com uma novidade: receber mulheres como Scias Honorrias. O presidente Wanderlino Arruda anunciou a filiao de Ivone Oliveira Silveira, presidente da Academia de Letras de Montes Claros que neste ano comemora 100 anos, alm de Amelina Chaves, viva do maom Almir Chaves e tambm da Academia de Letras de Montes Claros. Ser a primeira vez que mulheres participaro de uma Academia Manica de Letras. Desde o ano de 2009 que a Maonaria discutia a criao da Academia de Letras em Montes Claros, nos moldes da existente em Sete Lagoas e Juiz de Fora. A Academia Manica de Letras do Norte de Minas tem como diferencial sua jurisdio regional, pois envolve 75 lojas de 86 municpios, vinculadas ao Conselho de Venerveis do Norte de Minas (Convenorte). O presidente do Conselho, Silvio Cesa Carvalho salienta que a principal funo da Academia Manica de Letras fomentar a atividade cultural dentro da instituio. Alm da posse de 40 maons como scios efetivos, a Academia Manica de Letras do Norte de Minas tem scios honorrios, como o ex-reitor da Universidade Estadual de Montes Claros, Jos Geraldo de Freitas Drumond e o empresrio Luiz de Paula Ferreira, ambos egressos da Loja Deus e Liberdade, Thier Penalva, considerado um dos maiores pesquisadores sobre a Maonaria, Cesario Termando Rocha, Clio Brito, Drio Cotrim, Jos Jarbas Oliveira Silva e Waldir Senna Batista. Entre os benemritos, os Gro-Mestres Euripedes Barbosa Nunes, de Gois e Amintas Araujo Xavier, alm de Jorge Lasmar, da Academia Manica de Letras de Minas Gerais. O scio correspondente Joenildo Chaves, montes-clarense desembargador em Mato Grosso do Sul. Todos associados at agora so maons, ativos ou mesmo afastados. A exceo agora ser a filiao de mulheres; A filiao de Ivone Silveira e Amelina Chaves dever ocorrer na prxima sesso magna da Academia Manica, que poder ser no lanamento do primeiro livro, com os currculos e histria dos quarenta patronos, alm dos associados efetivos, honorrios, benemritos e correspondentes. A insero feminina na Academia Manica recebeu o apoio dos Gro-Mestres presentes a solenidade, Eurpedes Barbosa Nunes e Amintas Arajo Xavier. A escritora Ivone Silveira, que neste ano completa 100 anos de idade, parabenizou a Maonaria pela criao da Academia de Letras e convidou os novos acadmicos a trabalharem em parceria com a Academia Montesclarense de Letras, sob sua presidncia h 29 anos.


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Por Wanderlino Arruda - 17/3/2014 14:07:10
2014, Centenrio de Yvonne Silveira

Wanderlino Arruda

Yvonne e Olyntho Silveira realizaram, l pela meia idade, uma mais do que querida adoo. Receberam, com muita alegria, Ireni, Ireni Mota Carlos, que lhes deu dois netos: Maria Luza e Pedro Vincius. O nascimento de Maria Luza Oliveira Silveira foi elegantemente comemorado com um soneto de Olyntho, um dos mais bonitos que ele escreveu. De Maria Luza, curso superior de Enfermagem, casada com Leandro Pimenta Peres, nasceu o bisneto Vincius Silveira Peres, que j anda como rapaz, d recados e faz as honras da casa quando chega uma visita. Moram todos numa linda casa da Rua Baslio de Paula, que liga a Vila Braslia ao Bairro Todos os Santos. Para a poca de antanho do casamento, em Brejo das Almas, Olyntho e Yvonne se uniram j bem coroas (76 anos de vida em comum), ele com 23, ela com 18. E s se casaram depois de quatro anos de namoro, porque Olyntho no lhe dava sossego, passando dia e noite de bicicleta em frente casa de D. Cndida e Niquinho Oliveira, s eu pai. Por falar em Niquinho, bom dizer que ele, na verdade, tinha um nome de literato e de orador e dois apelidos como farmacutico, um no Brejo, outro em Montes Claros: o normal era Niquinho Oliveira. O outro, que lhe foi posto por Joaquim Sarmento, um dos seus melhores amigos, era Niquinho Acar, s usado pelos mais ntimos. E por que Ninquinho Acar? Havia, na Camilo Prates, da Padre Augusto at a Praa Doutor Carlos, dois Niquinhos farmacuticos: Niquinho Teixeira e Niquinho Oliveira. O Oliveira, louro e branco, como disse antes, de olhos verdes; o Teixeira, um tanto quanto amorenado. Para distinguir melhor, Joaquim Sarmento apelidou-os de Niquinho Acar e Niquinho Rapadura, ficando assim bem mais clara a identificao. Quando no era ainda normais as viagens para outros pases, Dona Yvonne fez duas aventuras na Europa. A primeira em 1981, lembro-me muito tendo de memria os comentrio do seu companheiro de turismo, Lazinho Pimenta. A segunda em 1991, com um turma de amigas, um ms inteiro percorrendo Portugal, depois de participar como representante brasileira em uma Conveno do Elos, no Faro, quando D. Fernanda Ramos era presidente internacional. Sem dvida, fizeram muito sucesso, bela apresentao do elismo brasileiro, principalmente do nosso Elos Clube de Montes Claros, que sempre esteve na vanguarda. Desejo lembrar tambm aqui da admisso de Dona Yvonne na Academia Montesclarense de Letras, juntamente com Simeo Ribeiro Pires, Olyntho Silveira, Cndido Canela e Slvia dos Anjos, primeira turma convocada para se unir aos fundadores Alfredo Marques Vianna de Ges, Joo Valle Maurcio, Joaquim Cesrio dos Santos Macedo, Francisco Jos Pereira, Orlando Ferreira Lima, Helosa Neto de Castro, Antnio Augusto Veloso, Maria Ribeiro Pires, Dulce Sarmento, Jos Raimundo Neto, Hlio Oscar Valle Moreira, Avay Miranda e Geraldo Avelar. A curiosidade que os criadores da Academia no queriam ter patronos, privilgio que ficaria para eles mesmos, quando morressem. Foi Yvonne Silveira que os convenceu a adotar a prtica normal. Neste grandioso 2014, ano de seu centenrio, estaremos em constantes festas, preparando e comemorando juntamente com ela todas as glrias que Deus lhe permitiu. Ana Valda Vasconcelos, representando o Elos Clube, Maristela Cardoso planejando pelos artistas, e eu, como presidente do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros, estamos nos reunindo com muitas instituies para realizarmos importantes reunies festivas. Elos Clube, Academias de Letras, Instituto Histrico e Geogrfico, Rotary, Conservatrio, Fundao Marina, Ateli Felicidade Patrocnio, Associao dos Artistas Plsticos, Automvel Clube, Cmara Municipal e Assembleia Legislativa. As duas maiores manifestaes devero ser da Reitoria da Unimontes e da Secretaria de Cultura. O Reitor Joo dos Reis Canela j est preparando sua festa para o ms de maio.

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Por Wanderlino Arruda - 10/3/2014 16:31:39
Yvonne Silveira e o Largo de Cima

Wanderlino Arruda

Yvonne de Oliveira Silveira de Montes Claros e veio ao mundo em 30 de dezembro de 1914, numa casona de esquina das Ruas Padre Augusto/Doutor Santos, onde agora reina o Banco Ita. Tempo bom de infncia de Cndido Canela, Mrio Veloso, Waldir Bessone, Raul Peres, Ciro dos Anjos, Felicidade Tupinamb, tempo de suas amigas Walkiria Teixeira, Zuleica, Luza Froes, Dora dos Anjos, Idoleta e Maria Maciel. Tempo de seu futuro namorado, noivo e marido Olyntho Silveira. Dona Yvonne tem duas origens interessantes: da famlia Peres, de tradio montes-clarense e do sangue alemo do seu pai Antnio Ferreira de Oliveira, louro de olhos verdes, sobrenome brasileiro, porque traduzido. Teve sete irmos: Wilson, Lvio, Zilda, Jos Larcio, Joo Hamilton, Paulo Nilson e Nilza. Muitos tios: Alexina, Francisco, Levy, Iracy, Raul, Rubens, Zelndia e Zlia. Francisco era o famoso Cica Peres. Raul, o doutor Raul Peres, agora chegando aos 104. Foi criada pertinho do Largo de Cima, conhecedora perfeita da Praa Doutor Carlos, ouvinte de todo o barulho de fereiros e de animais amarrados em moires e palmeiras. Tudo uma alegria para a menina que vivia entre canteiros de flores e hortas de alface, brincadeiras de quintal e jogos de rua, estrias dos mais velhos no escurecer da boquinha da noite, assentados na calada. O tempo corria lento, marcado pela posio do sol e pelo sino do relgio da torre do mercado, um batido musical para cada meia hora e tantas e tantas pancadas coerentes com o nmero do mostrador; meio-dia e meia-noite, claro com doze lidas sonoridades. O que no era poeira do cho, era boniteza colorida das dos pequis, dos cachos de banana, dos sacos de laranja, dos bacuparis e das pitangas, das carnes cheirosamente penduradas e pingando gordura. Tudo, tudo entre a realidade e os sonhos. Agora Dona Yvonne assim eu a sempre tratei mesmo como colega de faculdade - vive seu centenrio e faz a vida se transformar em obra de arte. Sempre parecendo que saiu do banho, cabelo arrumado, perfume de mos que oferecem flores, seu olhar de quem ama mais do que tudo a existncia. Em Yvonne Silveira, nada mais condizente que as palavras de Emmanuel construdas no sonho e concretizadas no amor: Duas asas conduziro o esprito humano presena de Deus: uma chama-se AMOR, a outra, SABEDORIA. Pelo amor, que, acima de tudo, servio aos semelhantes, a criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo, em favor dos outros, o reflexo de suas prprias virtudes; e, pela sabedoria, que comea na aquisio do conhecimento, recolhe a influncia dos vanguardeiros do progresso, que lhe comunicam os reflexos da prpria grandeza, impelindo-a para o Alto. O Curso de Letras, o primeiro em nvel superior em Montes Claros, teve incio no Colgio Imaculada Conceio, em 1963, teve matrcula de 52 e formatura de somente sete: Yvonne, Saturnino, Hugo, Adilson, Lola, Irm Guiomar e Wanderlino. Quando o terminamos em 1967, para sermos professores universitrios em nossa prpria escola, Yvonne e eu tivemos de seguir para a ps-graduao na Universidade Catlica de Minas Gerais, ela na especializao em Teoria da Literatura, eu em Lingustica Geral, isso alm de termos de prestar exames de suficincia, ela na Universidade Federal em Belo Horizonte, eu na Federal de Juiz de Fora, porque o registro da Fafil iria demandar ainda algum tempo. J com muita prtica no ensino de Portugus e de Literatura, fomos na rea os primeiros a preparar futuros alunos e candidatos ao vestibular. Da, da ctedra e da titularidade de professores, vivemos entre importantes geraes de estudantes que, hoje, marcam o jornalismo, a vida social, a bat alha poltica e cultural em vrias partes deste Brasil. Fico encantado quando um aluno de Yvonne marca lembranas de suas aulas, principalmente por recordar cada minuto do entusiasmo dela, principalmente das muitas palavras de incentivo leitura e escrita. Como a sua estreia no magistrio foi aos doze anos, ela teve no mnimo oitenta e oito de oportunidades para despertar vocaes, quase um sculo de benfazeja prestao de servios cultura. Vale muito comemorarmos seu centenrio o ano inteiro!

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Por Wanderlino arruda - 3/3/2014 17:23:43
VOLTA DAS FRIAS

Wanderlino Arruda

Ningum sabe explicar como e porque o tempo de frias, gasto sem fazer nada, passa to depressa e de modo to imperceptvel. Os dias e semanas voam encantados, bailando sobre nossa alegria pelos momentos que sobram da tribulao do sempre e do constante. Humberto de Campos, em uma de suas inesquecveis crnicas de fim de vida, l pelos idos de trinta, dizia que o tempo de alegria tinha a velocidade das borboletas, a agilidade multicolorida de asas que vo aqui e acol, saltitantes, a zombar da tristeza e da dor, que rastejam como lentas e lerdas lagartas. A alegria como o perfume, plena de presena, mas, sempre fugaz, passageira, marcando um fluxo de bem-estar. Alegria como o azul ou qualquer outra cor, que s aparecem com a luz, o tnue espao de claridade. Teo estas consideraes sobre o tempo e sobre a alegria, para dizer que no vi passar os dias e as horas de ausncia dos e-mails, do Facebook, das muitas pginas virtuais, quando no sei como nem de que ocupei todas as minhas horas de folga em longa viagem ao Uruguai e Argentina, que ganhei de presente, porque este ano marca o incio dos meus bons oitenta anos. Quase no mais Braslia - nas tarefas de organizar cursos e dar aulas para colegas mais novos, quase no viagens para falar do Rotary International, da Fundao Rotaria e at mesmo de literatura, tantos e tantos outros assuntos. Juntados s demais tarefas nas academias e no Instituto Histrico e Geogrfico, justo e normal o acmulo de cansao e disposio para o descanso. Janeiro, ressaca das festas do Natal, incio e fim de pequenas tarefas, transforma-se em mais um motivo de acomodao. Fevereiro chega e acabam-se as desculpas, esvaem-se os sonhos de folga e haja mos no servio, que o trabalho no espera por ningum. claro que com tudo isso, no precisava ficar ausente do viver normal de todos estes muitos anos de luta diria. Desculpas no valem. Nenhum motivo pode ou deve obrigar a ausncia deste convvio to doce de cada manh de domingo e dos dias normais de semana. como um som de piscina a revigorar o corpo e a alma, tonificando a amizade de quem l e quem escreve, mesmo quando quem escreve no escreve l to grandes coisas... Aqui estou, depois da Primavera e em pleno Vero, tempo-incio de novas jornadas, ano do centenrio de Yvonne Silveira, com programao que Ana Valda e eu estamos a elaborar e a incentivar. Tempo histrico, marco de muitas lutas de velhos e de novos bons companheiros. Tempo e saudades dos mais antigos, ainda diletantes, apesar dos sessenta anos de jornalismo, sessenta de bancos, de magistrio e de Rotary, pois, em tudo desde 1954, recm-sado do Grmio "Joo Luiz de Almeida" e do Tiro de Guerra, desenvolvimento na poltica estudantil, contatos com o mundo social de que era o tempero do Rotary Montes Claros, no velho hotel So Luiz, presidncia de Luiz de Paula , animao de Joo Souto. Que este incio de ano tenha sempre o sabor de todas as idas e vindas das letras de forma dos jornais e dos livros. Que este ano, quando espero lanar pelo menos dois livros, deixar perfeita e prestigiada a Academia Manica de Letras do Norte de Minas, fundar a Academia Montes-clarense de Artes e publicar no mnimo mil e duzentas pginas de histria atravs do nosso Instituto. Espero que o 2014 seja riqussimo em produo de cultura e em despertamento de muitos e muitos ideais. Acima de tudo demonstrar que idade - mesmo quando avanada - no pode ser motivo de acomodao ou de descanso. O centenrio da intelectual Yvonne de Oliveira Silveira vai dizer do quanto Montes Claros a cidade da arte e da cultura. Que Deus nos proteja e garanta a muita sade!

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Selecione o Cronista abaixo:
Avay Miranda
Iara Tribuzi
Iara Tribuzzi
Ivana Ferrante Rebello
Manoel Hygino
Afonso Cludio
Alberto Sena
Augusto Vieira
Avay Miranda
Carmen Netto
Drio Cotrim
Drio Teixeira Cotrim
Davidson Caldeira
Edes Barbosa
Efemrides - Nelson Vianna
Enoque Alves
Flavio Pinto
Genival Tourinho
Gustavo Mameluque
Haroldo Lvio
Haroldo Santos
Haroldo Tourinho Filho
Hoje em Dia
Iara Tribuzzi
Isaas
Isaias Caldeira
Isaas Caldeira Brant
Isaas Caldeira Veloso
Ivana Rebello
Joo Carlos Sobreira
Jorge Silveira
Jos Ponciano Neto
Jos Prates
Luiz Cunha Ortiga
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Manoel Hygino
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Marden Carvalho
Maria Luiza Silveira Teles
Maria Ribeiro Pires
Mrio Genival Tourinho
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Paulo Braga
Paulo Narciso
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