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10/9/2014 -"...teve até o desfile de um mendigo novo, supostamente drogado, que andou pelo centro, o quarteirão fechado da rua Simeão Ribeiro, completamente nu, exibindo-se". A crescente degradação da Praça da Matriz e vizinhança pede:

»1 - Policiamento mais rigoroso
»2 - Redefinição do uso da praça que é o marco zero da cidade
»3 - Outra reforma física
»4 - Maior empenho das autoridades no cumprimento das leis
»5 - Uma recuperação em todos os sentidos

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           Jorge Silveira    jorgensilveira@gmail.com

79517
Por Jorge Silveira - 28/2/2015 17:33:53
Uma revista e a inauguração do parque

Ao contrário do que acontece hoje, quando os administradores públicos gastam milhões com publicidade para se promoverem, num verdadeiro desperdício do dinheiro público, Toninho Rebello era avesso a qualquer tipo de promoção pessoal ou de sua administração. Em seu primeiro mandato (1967/70), nem tinha secretaria ou qualquer tipo de departamento para cuidar da comunicação. No segundo mandato, mesmo contra sua vontade, mas muito pressionado pelos assessores, nomeou o radialista Ubirajara Toledo para a área de imprensa. Tio Bira, como era conhecido, por um programa de rádio na ZYD-7, não tinha a menor experiência como assessor de comunicação, mas serviu a Toninho com uma fidelidade canina.
Não que Toninho tivesse qualquer ojeriza aos jornalistas. Ao contrário, era muito amigo de Osvaldo Antunes, diretor e proprietário de "Jornal de Montes Claros". E admirador confesso de Waldyr Senna Batista, secretário de redação do mesmo jornal. Tinha também muito boa relação com Júlio de Melo Franco, diretor do "Diário de Montes Claros", outro por quem nutria grande admiração. "Escreve pra caralho", me disse várias vezes, ao ler editoriais do Diário. Gostava também de um menino (menino mesmo) que começava na imprensa local, e que mais tarde, no Estado de Minas, seria prêmio Esso de Jornalismo: Paulo Narciso. Mas Toninho não dava muita bola para o que os jornais diziam dele ou da sua administração. Geralmente elogios às grandes obras em realização. E, principalmente, à seriedade e honestidade do governo municipal.
Por sinal, estes elogios irritavam Toninho. Várias vezes o ouvi dizer: "honestidade não é virtude. É obrigação. Prefiro que os jornais digam que sou bonito". Aí ficava difícil, pois ele era muito feio, com aquele narigão imenso. Mesmo sem conseguir um tostãozinho de publicidade, os jornais faziam muito mais elogios do que críticas à administração municipal. Toda vez que era procurado, para qualquer tipo de divulgação paga, Toninho vinha sempre com a mesma resposta: "pra que divulgar uma obra que o povo está vendo? É preferível gastar o dinheiro com mais obras. O povo não precisa de publicidade, precisa é de educação, saúde, rua asfaltada, áreas de lazer".
No final do seu primeiro mandato, ele se preparava para inaugurar o Parque Municipal Milton Prates, que ele considerava uma de suas obras mais importantes. Não apenas pelo aspecto de preservação ambiental - naquele tempo ele já se preocupava com o meio ambiente - mas principalmente por se tratar de uma área de lazer para as populações mais pobres. Ele dizia:
- No domingo, os mais privilegiados, ou mais ricos, vão para os clubes campestres, para os cinemas,viajam para as fazendas. Os pobres não têm nenhuma forma de lazer.
O Parque Municipal vai ser uma forma de as famílias menos privilegiadas poderem aproveitar o domingo e os feriados. Não há mais nada sadio e alegre do que um piquenique ao ar livre.
Toninho tinha razão. Até hoje, 40 anos depois, o Parque Municipal Milton Prates continua sendo a melhor forma de lazer para as famílias mais pobres de Montes Claros. Fica cheio aos domingos e feriados, mesmo não tendo sido conservado pelos prefeitos subsequentes da forma como merecia. Ao invés de preservar e aumentar o verde, construíram quadras pavimentadas e até mesmo um ginásio coberto em pleno parque, um verdadeiro atentado ao espírito do empreendimento. E vive, geralmente, em estado de pré-abandono, como se fosse uma obra de segunda categoria. O que se pode fazer? Nem todos têm a visão e o espírito público que eram marcas registradas de Toninho.
Mas voltando à véspera da inauguração do Parque Municipal, para o quê a prefeitura preparava uma grande festa popular. Na época, eu dirigia a revista Encontro, substituindo o grande jornalista e amigo Carlos Lindemberg, que por seu turno substituíra Lúcio Benquerer, Décio Gonçalves, Haroldo Lívio, Konstantin Cristoff e Enoque Sacramento. Isto na década de 60, quando até fazer jornal na cidade era um desafio. Revista, então, e da qualidade de Encontro, era quase um sonho impossível. O certo é que a revista circulou por mais de dez anos, grande parte sob a batuta de Lúcio (um cara fora de série, em todos os sentidos), depois de Lindemberg, ambos verdadeiros heróis em conseguir manter a revista em circulação.
E lá estava eu como diretor da revista, tentando não deixá-la morrer em minhas mãos. E procuro Toninho na prefeitura, para lhe pedir uma publicidade sobre o Parque Municipal.
A revista iria circular no dia da inauguração, com uma grande reportagem sobre a obra. Toninho me olha sério e pergunta: "publicidade pra quê? A obra está pronta e o povo vai conhecê-la no dia da inauguração. Não é a publicidade da revista que vai fazer o povo gostar ou não da obra. Seria um dinheiro jogado fora e você sabe que eu não faço isso".
Tentei argumentar que não era dinheiro jogado fora, que ele estaria ajudando a revista a se manter, o que era bom para Montes Claros, pois a revista era um orgulho para a cidade.
Ele me olhou novamente, sorriu de forma meio sarcástica e disse: "você me convenceu, rapazinho. Realmente é preciso ajudar a revista a se manter. Mas não com dinheiro público.
Pode fazer a tal reportagem, mas tire a nota em meu nome. Se eu gostar do que você escrever, eu pago. Combinado?"
Eu aceitei o desafio. E ele pagou. Do próprio bolso. Ajudou a revista a se manter por mais um tempo. Mas a reportagem, cá prá nós, foi um sucesso. Digna de uma revista da qualidade de Encontro. E que, muito mais, fazia jus às belezas naturais do Parque, com seu lago, sua área verde, suas árvores centenárias, até hoje um paraíso incrustado no meio da cidade, presente que Toninho doou a Montes Claros. E que não existiria hoje, não fosse a sensibilidade social e ambiental de Toninho.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, lançado em Montes Claros na noite de 25 de fevereiro)


79495
Por Jorge Silveira - 25/2/2015 06:26:17

Televisão: um sonho de Toninho

Mesmo antes de ser prefeito, Toninho Rebello tinha a ideia fixa de trazer o sinal de televisão para Montes Claros, onde muita gente já tinha o aparelho, mas via mais chuviscos do que imagem. Lembro-me que recém-casado, em 1965, eu ia muito à casa de minha sogra, para assistir o programa da "Jovem Guarda", comandado pelo Roberto Carlos, que no ano anterior tinha vindo à cidade para um show no Clube Montes Claros, numa promoção do colunista Márcio Figueiredo, meu amigo e colega de jornal. Eleito prefeito, em 1966, Toninho não mediu esforços, junto com Edes Barbosa, para viabilizar um sinal pelo menos sofrível para os telespectadores montes-clarenses. Por várias vezes, Toninho viajou pessoalmente com técnicos da TV Itacolomi (Edes à tiracolo) tentando descobrir os locais mais adequados para instalar repetidoras que trouxessem uma imagem de qualidade para Montes Claros.
Certa vez, viajei com ele até as proximidades de Gouveia, onde fora instalada uma torre repetidora. Foi uma viagem cansativa, por estradas esburacadas e poeirentas. Toninho tinha posto na cabeça - e quando ele botava algo na cabeça ninguém tirava - que a população de Montes Claros iria assistir a Copa de 1970 pela televisão com imagem de primeira. Não foi fácil - Edes Barbosa que o diga - pois naquela época, manter os links em condições satisfatórias não era tarefa das mais agradáveis. As torres repetidoras (e eram varias) ficavam localizadas geralmente nos picos dos morros mais altos. Chegar até elas era um sacrifício extremamente cansativo. Quando chovia, era quase inviável.
Mas Toninho conseguiu: o montes-clarense pôde acompanhar os jogos da seleção brasileira no México pela televisão, com uma imagem de alto nível. Naquela época, não era todo mundo que tinha o aparelho, que custava o olho da cara.
As casas que possuíam o aparelho ficavam lotadas nos dias de jogos, com amigos e vizinhos se acomodando como fosse possível para acompanhar Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino e Cia.
Eu mesmo assisti aos jogos na casa do meu vizinho Clemente Santos, lá na rua Irmã Beata, onde morei durante algum tempo. Clemente dos Correios, como era mais conhecido, era um aficionado do futebol, técnico do juvenil do Ateneu. O Brasil conquistou o tri no México e Montes Claros pôde vibrar com o
título graças à garra de Toninho Rebello e de Edes Barbosa.
Foi uma vitória quase pessoal de Toninho, ainda que ele achasse que era obrigação da prefeitura custear o link que trazia a imagem até os lares dos montes-clarenses.
Há outra história que mostra como Toninho era mesmo meio fanatizado com televisão. Já no final de seu segundo mandato, juntou-se com Elias Siufi, Geraldo Borges, Raimundo Tourinho, José Correa Machado e João Bosco Martins, formou uma sociedade e juntos criaram a TV Montes Claros, que foi ao ar pela primeira vez em 1980 (me socorre Elias, se a data é esta mesmo) e por muito tempo seria uma glória para a cidade. Nenhum deles pretendia ganhar dinheiro com o empreendimento mas apenas realizar um sonho. Elias dirigiu a TV Montes Claros com incrível competência, primeiro como afiliada da Bandeirantes, depois da Globo. Tive o prazer de trabalhar com ele por mais de cinco anos,de 1989 a 1994. Tenho grande admiração por Elias, a quem até hoje chamo de "chefe". Este é outro cara a quem Montes Claros deve muito. Mato grossense, de Campo Grande, mudou-se para a cidade na década de 1960, para comandar a ZYD-7, e daqui nunca mais saiu. Adotou e foi adotado por Montes Claros.
Mas não tenham dúvidas: não fosse Toninho, não teria havido TV Montes Claros. Foi ele, junto com Elias, que embalando o sonho de dar à cidade um canal próprio de televisão, juntou o capital necessário para o investimento, que não era pequeno. Não sei, posso estar errado, mas penso que se Toninho não tivesse morrido, Elias não teria vendido a TV Montes Claros. De qualquer forma, se a cidade chegou um dia a ter um canal próprio de televisão, de um grupo de empreendedores locais - ou seriam sonhadores locais - isto só foi possível pela capacidade visionária de Toninho e de Elias, que acreditaram no sonho e correram atrás. Mas como tem sido ressaltado aqui por diversas vezes, esta era uma das qualidades mais presentes em Toninho Rebello: a persistência com que perseguia os sonhos, especialmente se de alguma forma isto viesse a beneficiar a cidade que ele tanto amava.
Infelizmente, depois que deixou a prefeitura, Toninho sofreu muito vendo os projetos que deixara prontos sendo relegados a segundo plano (ou mesmo engavetados) pelos prefeitos que vieram depois. Várias vezes, bebendo um gole comigo, no restaurante Quintal, do Waltinho, Toninho me confessou que ficava triste por ver que muita coisa boa que projetara para a cidade não seria executada. Tomando sua pinguinha com coca-cola, mistura que ele mais gostava, prognosticava, sem mágoa, mas ressentido: "ao abandonar o projeto viário que deixamos pronto, os prefeitos estão condenando a cidade a conviver com um trânsito impossível num futuro próximo". Ele estava coberto de razão.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, a ser lançado na noite de hoje, 25 de fevereiro, no Parque de Exposições, em M. Claros)


79481
Por Jorge Silveira - 21/2/2015 18:51:52
O respeito com o dinheiro público

Se havia uma coisa da qual Toninho Rebello não abria mão, como prefeito, era um tremendo respeito com o dinheiro público. E exigia o mesmo comportamento de todos os seus auxiliares, indistintamente. Mas era ainda mais duro e exigente com aqueles secretários com os quais tinha mais intimidade.
Ou mais afeição. Estes ele tratava como um paizão, pois mesmo sendo um homem geralmente carrancudo, de semblante duro, tinha um coração mole como manteiga com aqueles de quem gostava um pouco mais. Ou muito mais, em alguns casos. Waltinho era um deles. Lourinho (Lourival Alcântara)
era outro. Ambos não tinham diploma, curso universitário, nem indicação política, mas ambos eram dois pés de boi. Não tinham medo de serviço pesado.
- Se eu preciso de que alguma coisa seja bem feita, com presteza, é só entregar para o Waltinho. Ou para o Lourival.
Se tiverem que descer ao inferno para cumprir a ordem, eles descem. Aí, posso ficar descansado, não preciso ficar cobrando. - Não foi nem uma nem duas vezes que Toninho me disse isto. E olha que, constantemente, ele ouvia de outros secretários que não devia confiar muito em Waltinho, pois ele bebia muito. "Por acaso você já o viu bebendo no serviço?", Toninho perguntava aos que falavam mal de Waltinho. "Não? Então deixe ele por minha conta". E era por causa desta confiança que o prefeito tinha nele, que Waltinho nunca o decepcionou. Muitas vezes - e não poucas - ia trabalhar numa tremenda ressaca, mas nunca faltava ao serviço. Sabia que tinha que corresponder à confiança e à amizade de Toninho, por quem tinha grande respeito e admiração.
Certa vez, Toninho estava no gabinete conferindo e assinando algumas ordens de pagamento. Ele não assinava nada, mas nada mesmo, sem conferir, mesmo tendo inteira confiança em Joel (Guimarães, secretário da Fazenda). Eu estava sentado conversando com Guarinello (Expedito, chefe de gabinete) quando, de repente, Toninho vira para Guarinello e lhe pede para chamar o Wanderley (Fagundes, secretário de Serviços Urbanos). Não disse para quê. Wanderley demorou, pois estava fora da prefeitura. Tinha saído com Ciríaco (Serpa de Menezes, secretário de Planejamento), para olhar algum problema na obra da Sanitária (Avenida Deputado Esteves Rodrigues), em construção e que seria a maior obra do segundo mandato de Toninho. Por sinal, para muitos, até hoje a maior obra construída em Montes Claros, que pode ser vista da seguinte forma: antes e depois da Sanitária.
Quando Wanderley chegou, Toninho lhe entregou uma ordem de pagamento e perguntou: "que despesa é esta? Não estou entendendo". Wanderley olhou e logo respondeu: "são as notas da viagem que fizemos a semana passada a Belo Horizonte, para aquela reunião no DER. Toninho parou o que estava fazendo, olhou para o Wanderley, e lhe disse em tom de censura: "na nota do hotel consta uma dose de uísque. Vou mandar o Joel estornar. A prefeitura não tem obrigação de pagar uísque para secretário. Você sabe disso. Se você não pode pagar do seu bolso, então não beba". Wanderley não aguentou e começou a rir. " Ora, uma simples dose de uísque, Toninho, que eu peguei no frigobar, à noite, antes de dormir. Nem me lembrei disso na hora de pagar a conta". Eu e Guarinello, que havíamos escutado a conversa, também achamos graça. Toninho continuou sério, assinando o resto da documentação. Nem deu bola para a explicação de Wanderley.
Ele era assim. Economizava o que fosse possível para o município. Ainda que em certos momentos tivesse que passar uma reprimenda em algum de seus auxiliares, como no caso do Wanderley (outro para quem Toninho tinha muita afeição).
Talvez por isso, o dinheiro da prefeitura tenha rendido tanto em suas duas administrações, época em que a cidade se encheu de obras, isto num tempo em que os recursos eram bem mais escassos do que hoje. E muitas dessas obras estão aí até hoje servindo à comunidade, como a Rodoviária, o Centro Cultural Hermes de Paula, o Parque Municipal Milton Prates, a Deputado Esteves Rodrigues, o Ceanorte, para lembrar apenas as mais importantes na cidade foi Toninho quem construiu. Segundo ele, "para amenizar a temperatura", pois Montes Claros era uma cidade muito árida e quente.
Como bom "mão de vaca" que era, o lago não custou um centavo sequer para o município, pois Toninho conseguiu que ele fosse construído pelo DNOCS, do qual seu secretário de Planejamento, Ciríaco Menezes, era funcionário.
O diretor regional do DNOCS, na época, Luiz Antônio Medeiros, está aí vivo para contar a história. Até porque, sem sua efetiva participação, talvez o lago não existisse. Depois de Toninho, em meus mais de 50 anos de jornalismo, nunca encontrei um homem público que tivesse tanto respeito com o dinheiro do contribuinte. Ao contrário, o que se vê por todos os cantos, em todos os governos, é um tremendo desrespeito com o dinheiro dos impostos, que serve para custear todos os tipos de mordomias, pouco sobrando para o essencial. Com Toninho, mordomia não existia. Nem carro oficial o gabinete do prefeito tinha. Toninho andava no seu próprio carro. Com gasolina paga do próprio bolso. No primeiro mandato, num fusquinha verde; no segundo, num corcel marrom. Difícil de acreditar, mas era assim.
Qual prefeito hoje, mesmo dos municípios mais pobres, não tem um carrão da prefeitura para rodar? Por sinal, a maioria dos prefeitos, tão logo se elegem, a primeira coisa que fazem é comprar um carro dos mais caros para a própria locomoção.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, a ser lançado na noite de 25 de fevereiro, no Parque de Exposições, em M. Claros)


79473
Por Jorge Silveira - 19/2/2015 8:44:04
O nascimento da candidatura única

Antes de Toninho Rebello se tornar prefeito de Montes Claros, eu o conhecia muito pouco, mesmo já militando na imprensa local, onde comecei em 1962. Tinha mais conhecimento com Jaiminho, seu irmão, já que meu sogro, Seimando Sarmento, comprava muito na loja dele (Jaiminho), ali na rua Governador Valadares, na esquina com a Praça Dr. Carlos. Fiquei conhecendo Toninho pessoalmente numa reunião entre produtores rurais, em que ele, Antônio Augusto Ataíde e Roberto Campos fizeram uma palestra com vistas à venda de ações do Frigonorte, que na época estava sendo construído com recursos da Sudene. Se não me falha a memória, isto lá pelos idos de 1965. Seimando fez questão de me apresentar a Toninho, de quem era companheiro de maçonaria e muito amigos. Não estou bem certo, mas me parece que na época Toninho era o presidente do Frigonorte. Alguns anos depois ele seria presidente do Cortnorte.
Sabia, de ouvir falar, que Toninho tinha sido muito importante na instalação da telefônica em Montes Claros, na fundação da Cooperativa Agropecuária e na construção do Parque de Exposição. Era uma das grandes lideranças rurais da região, muito respeitado por todo mundo. Nos meios políticos, seu nome já começava a ser cogitado para uma candidatura a prefeito, para a sucessão de Pedro Santos. Toninho era udenista meio roxo, mas como não tinha militância política, transitava muito bem entre próceres do PSD e do PR, partidos de maior expressão na cidade. Mas com o golpe militar de 1964, já se comentava abertamente que os antigos partidos seriam extintos pelo presidente Castelo Branco, para a criação do bipartidarismo.
Consultado sobre a possibilidade de sua candidatura, que havia sido lançada primeiro pela maçonaria, Toninho não aceitou a princípio. Como não tinha militância política, dificilmente teria condições de derrotar nomes tradicionais como Simeão Ribeiro (ex-prefeito), João Valle Maurício, Alfheu de Quadros, já comentados como possíveis candidatos.
Bateu o pé de que só seria candidato numa candidatura única. A maçonaria entrou no circuito e começou a pressionar para que os partidos se unissem e lançassem Toninho como candidato único. O movimento ganhou força, com o apoio da Associação Comercial e Industrial, que enxergava a necessidade de um prefeito que melhorasse a infra-estrutura da cidade, que começava a receber as primeiras indústrias incentivadas pela Sudene.
Segundo me contaram, o nome de Toninho Rebello como candidato único foi homologado em uma reunião na casa de deba (Hildelberto Freitas), com a presença das principais lideranças do PSD, PR, UDN, PTB. Estavam por lá Cel Lopinho, José Avelino, Dr. Alfheu Gonçalves de Quadros João Valle Maurício, Pedro Santos, João Athayde, José Linhares Dr. Loiola, Geraldo Correia Machado; os deputados estaduais Euler Araújo Lafetá e Artur Fagundes; os deputados federais Edgar Pereira e Luis de Paula, o advogado Carlos Mota políticos. Provavelmente havia mais gente, mas quem nos nos contou na época não se lembrou. O certo é que o nome de Toninho foi aceito por todos, tendo o Dr. Alfheu como candidato a vice. Toninho não estava presente e foi comunicado depois da decisão conjunta.
Interessante como há quase cinquenta anos e quando a política local entre PSD, UDN, PR e PTB era acuradíssima, muito mais do que hoje, todos se juntaram em benefício da cidade, esquecendo as divergências políticas e até pessoais.
Comprovar-se-ia depois que a união seria extremamente benéfica para o município, que em quatro anos experimentaria um desenvolvimento extraordinário. Neste curto período, de 1967 a 1970, Montes Claros deixaria de ser "a cidade da poeira e das muriçocas"- e dizem alguns também das raparigas - para assumir de fato o papel de capital do norte de Minas.
A experiência deu tão certo que seis anos depois a própria população daria seu veredicto: elegeu novamente Toninho Rebello, desta vez em disputa com mais cinco candidatos ( Pedro Santos, Hamilton Lopes, Pedro Narciso, José da Conceição Santos e Aroldo Tourinho). O reconhecimento do povo foi tão grande que Toninho teve mais votos do que os outros cinco candidatos juntos. O mais significativo: pela primeira vez Pedro Santos era derrotado. Pelo próprio eleitorado Toninho foi cognominado de "o candidato positivo".
Foi uma campanha memorável, na qual após cada comício Toninho era carregado nos braços do povo. Ele saberia retribuir: sua segunda administração seria ainda melhor do que a primeira. Transformou a cidade num verdadeiro canteiro de obras, preparando-a para o desenvolvimento que viria com os projetos da Sudene.
Foi uma época única. Daí para frente, Montes Claros nunca viveria outra igual. Saudosismo? Talvez. Mas quase todos que viveram aquela época concordam que em nenhum momento de sua história Montes Claros respirou tanto desenvolvimento. A cidade transformou-se num imenso canteiro de obras. Empresários de fora traziam indústrias para a cidade, com incentivos da Sudene, entusiasmados com a seriedade e competência da administração municipal. O final da década de 1970 e o princípio da década de 1980 foram sem dúvida os anos de desenvolvimento de Montes Claros. Tudo fruto do desprendimento e amor a Montes Claros de lideranças políticas que lá nos idos de 1966, deixando de lado as vaidades e o interesse próprio, escolheram dar ao município uma candidatura única. E como prefeito, um homem acima de qualquer suspeita, o produtor rural Antônio Lafetá Rebello, criador de gado, sem militância política, mas tido e havido como bom gerente e administrador. Confirmaria estas qualidades em seus dois mandatos como prefeito.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, a ser lançado na noite de 25 de fevereiro, no Parque de Exposições, em M. Claros)


79458
Por Jorge Silveira - 15/2/2015 14:25:39

Em quatro anos, a transformação

Tendo sido eleito como candidato único em 1966 (mais adiante contarei como se deu a escolha), o prefeito Antonio Lafetá Rebello tomou posse no início de 1967. Recebeu a prefeitura com salários atrasados em três meses. Pedro Santos, seu antecessor, não se notabilizava pela organização. Era grande medico, humanitário, atendia Deus e o mundo sem cobrar nada e por isso mesmo tinha milhares de votos sem precisar fazer campanha. Quando se elegeu, sucedendo o engenheiro Simeão Ribeiro Pires - o maior tribuno que já conheci - derrotou a dobradinha Maurício e Mário (os médicos João Valle Mauricio e Mário Ribeiro), considerada favoritíssima. Pedro Santos era tão desligado que uma vez foi fotografado, numa solenidade, calçando uma meia preta e outra branca. Não poderia ser um bom prefeito. Não tinha nada de administrador, mas tinha votos, pela grande alma que era. Por sinal, sua desastrada administração foi o motivo mais forte de as lideranças politicas do município optarem por uma candidatura única para sucedê-lo, convergindo para o nome de Antônio Lafetá Rebello. Toninho Rebello assumiu sabendo que ia administrar um pepino formidável. A cidade crescia ao deusdará. E as primeiras indústrias da Sudene chegando. A fábrica de cimento (Matsultur) e o Frigonorte já eram praticamente uma realidade. E quase toda a cidade sem calçamento, sem rede de esgoto sem escolas e postos de saúde nos novos bairros que surgiam. O mercado era tao antigo como a cidade, bem no centro (na praça Dr. Carlos) e ameaçava despencar na cabeça dos usuários. Rodoviária praticamente não existia, era uma coisa horrível e acanhadíssima próxima à Estacão Ferroviária. Era problema e mais problema para ser resolvido e Toninho sabia tudo que iria enfrentar. Mas não era homem de se intimidar. Ao contrário de Pedro Santos, primava pela organização.
Quando aceitou ser candidato, já tinha arquitetado tudo o que iria realizar.
Sua primeira ação, antes mesmo de assumir, foi escolher um secretariado de primeira grandeza, sem nenhuma interferência politica. Na chefia de gabinete, Expedito Guarinello, amigo e de sua extrema confiança. Para tomar conta do cofre, Orlando Ferreira Lima, homem seriíssimo e ex-fiscal de rendas do estado, acostumado com finanças. Para a Educação, outro amigo do peito, Julio Gonçalves Pereira, no qual depositava total confiança. Na saúde, o médico Ildeu Macedo, competente e de família tradicional. Para procurador da prefeitura, a escolha recaiu num jovem advogado, Afonso Prates Correia, privilegiada inteligência (quase um gênio), filho de português (Seu Correia). Mais tarde, Afonso chegaria a Sub-Procurador Geral da República, o que mostra como Toninho enxergava longe. Para a secretaria de obras, considerada primordial para o projeto que pretendia realizar, ele escolheu outro jovem promissor, com pouca experiência, mas que seria "o burro de carga" da administração: Geraldo Magela Maia, humilde, quase invisível, mas que ombreava com Toninho no trabalho incansável. Começava às seis da manhã e só parava já à noite. Almoçava quando dava. Não deixava obra parada por um segundo sequer.
Mas Toninho sabia que apenas um secretariado de primeira era pouco. Ia precisar de muito mais ajuda, pois tinha planos ambiciosos para a cidade. Assim, cooptou para ajudá-lo na área de projetos o jovem arquiteto José Correa Machado, da Construtora Casa Grande, que seria de inestimável colaboração na realização das obras da prefeitura, mais como um consultor. Foi o projetista do Centro Cultural. Machado ajudou Toninho inteiramente de graça, sem nunca receber um tostão. Mas se projetou muito e mais tarde se elegeria vereador e também secretário do prefeito Jairo Ataíde. Foi também presidente da Sociedade Rural de Montes Claros. Pouca gente sabe, mas Machado era o candidato escolhido por Toninho para sua sucessão, em seu primeiro mandato. Ele acabou não aceitando, pois além da Construtora Casa Grande, estava envolvido na implantação da SIOM, fábrica de óculos e de material óptico, com recursos oriundos dos incentivos fiscais da Sudene. E também previa que derrotar Pedro Santos seria tarefa quase impossível.
No programa de obras idealizado por Toninho, o carro chefe era a implantação de aproximadamente 200 quilômetros de asfalto em ruas da cidade sem nenhuma pavimentação, começando pela área central, que regorgitava de poeira na seca e de lama na chuva. Depois avançaria para os bairros, todos, sem exceção, sem pavimentação. Todos os Santos, São José, Vila Guilhermina, Santo Expedito, Alto São João, Funcionários, Cândida Câmara, Jardim São Luiz, Vila Brasília, Vila Ipê (hoje Edgar Pereira), Morrinhos, todos seriam asfaltados. Para bairros mais distantes, como Santos Reis, Três Pilastras, Delfino, Santo Antônio, Eldorado e outros, seriam asfaltadas as vias de acesso. Era muito asfalto previsto para muito pouco tempo. Toninho, então, motivou um grupo de empresários da cidade a formar a Pavisan, para disputar as muitas licitações que haveria nesta área de asfaltamento. A idéia deu certo e os engenheiros Jamil Habib Curi, Evanildo Guedes Fragoso, José Correa Machado, formaram a Pavisan, que seria responsável por grande parte dos serviços de asfaltamento realizados na primeira gestão de Toninho.
Mas a primeira grande obra de Toninho, tão logo se elegeu, pouca gente se lembra. Foi a construção de rede de esgoto e águas pluviais em toda a área central da cidade. Ruas como Dr. Santos Dr. Veloso, Camilo Prates, Afonso Pena, Presidente Vargas, Simeão Ribeiro e outras não possuíam rede de esgoto. Eram fossas em todas as casas. Antes mesmo de assumir, Toninho negociou com a DNOCS para que as obras fossem realizadas por aquele órgão federal. Muito amigo de Joaquim Costa, que era diretor regional do órgão na época, e com o apoio do deputado Edgar Pereira, em Brasília, conseguiu que o governo federal, através do DNOCS, realizasse toda a obra, com custo zero para a prefeitura. Foi sua primeira grande vitória poucos meses depois de assumir. Sem alarde, sem qualquer publicidade - a não ser a gratuita dada pelos dois jornais da cidade - mas com um trabalho sério e planejado, em seu mandato Toninho Rebello mudou completamente o aspecto urbanístico de Montes Claros. A cidade ficou pronta para receber as indústrias da Sudene. E recebeu dezenas. Mas isto é outra história, que deixo para historiadores mais competentes.
Além de asfaltar praticamente toda a cidade com asfalto de primeiríssima qualidade, de implantar a rede de esgoto e de águas pluviais em toda a área central, Toninho construiu dois novos mercados municipais (um na rua Joaquim Costa/esquina com Belo Horizonte, outro na rua Melo Viana), o Parque Municipal Milton Prates (com sua avenida de acesso), várias escolas e postos de saúde na cidade e na zona rural, tudo isso em apenas quatro anos. E entregou para seu sucessor Pedro Santos, uma prefeitura organizada e com alguns milhões em caixa. Fato que repetiria em 1983, quando transferiu a prefeitura para Tadeu Leite, que recebeu uma administração municipal enxuta e com o cofre abarrotado de dinheiro. Ao contrário da maioria dos prefeitos, Toninho conseguia não apenas realizar muito, mas também economizar como poucos.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, a ser lançado na noite de 25 de fevereiro, no Parque de Exposições, em M. Claros)


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Por Jorge Silveira - 10/2/2015 14:25:54

Palavra do autor

Quando resolvi colocar no papel as memórias dos dois mandatos de Antônio Lafetá Rebello como prefeito de Montes Claros (1967/70 e 1977/82), minha intenção foi perpetuar a gestão daquele que considero ter sido o maior administrador público da história do município. Opinião compartilhada quase por unanimidade por quase todos que viveram as décadas de 1960/1970 na cidade. Como jornalista, vivi intensamente estes dez anos de frenética movimentação administrativa, onde as obras se sucediam como num turbilhão.
Toninho Rebello, como era conhecido, transformou a Montes Claros provinciana da década de 1960 na verdadeira capital do norte de Minas. Construiu as maiores obras que até hoje existem na cidade, como o Terminal Rodoviário, o Centro Cultural, o Parque Municipal, o Ceanorte, a Avenida Deputado Esteves Rodrigues, a Avenida Mestra Fininha (de acesso ao Parque) e outras menos lembradas, mas também muito importantes, como toda a rede de asfalto, de primeiríssima qualidade, que implantou em toda cidade, e quase uma dezena de praças, como a Wanderley Fagundes, a Itapetinga, a Flamarion Wanderley e outras.
Como conheci muito bem apenas o Toninho Rebello administrador e político, convidei sua sobrinha, professora emérita e escritora, Ivana Ferrante Rebello, para compartilhar comigo estas memórias, cabendo-lhe mostrar aos leitores como foi e o que foi o Toninho pai de família, o Toninho irmão, o Toninho filho de seu Jaime, o Toninho avô, enfim, o homem em todas as suas características e princípios familiares. Acredito que juntando as memórias de Antônio Lafetá Rebello a quatro mãos, teremos um retrato bem aproximado daquele que, em quase todos os sentidos, foi e continua sendo o paradigma de alguns conceitos tão em desuso nos dias atuais como austeridade, ética, honra, honestidade, amizade, cidadania e patriotismo.
Como político e administrador, sei que Toninho Rebello ainda hoje seria ave raríssima na nossa fauna política. Se no cenário político nacional houvesse pelo menos uns 20% de homens com ele, provavelmente o conceito do cidadão em relação à classe política seria outro. E se o dinheiro público fosse administrado da forma como Toninho o fazia, no mínimo o país estaria em outra posição no “ranking” das nações emergentes. No caso de Montes Claros, se os prefeitos que vieram posteriormente tivessem seguido um mínimo dos conceitos administrativos deixados por Toninho, certamente a nossa cidade estaria em muito melhor condição, não esse desastre administrativo com o qual convivemos diariamente.
É bom deixar claro que tudo relatado nestas memórias são fatos verídicos. Não existe romance ou ficção. Se houver algum erro de data ou de nome, desde já me penitencio e peço desculpas, pois tudo aqui narrado foi escrito de memora ( que pode eventualmente falhar). Como jornalista e repórter do “Diário de Montes Claros”, vivi de dentro da prefeitura e do convívio com Toninho, os dez anos em que ele administrou o município. Foram dez anos dos quais extraí uma lição importantíssima: por mais bem feito que se faça qualquer coisa, só se chegará próximo da perfeição se tudo for feito com amor, com muito amor. A administração de Toninho foi quase perfeita por suas várias qualidades, mas antes de tudo e muito mais pelo amor que ele tinha por Montes Claros. Era um amor que ultrapassava todos os sentidos, chegando a ser mesmo compulsivo em alguns momentos. Mas foi exatamente esta compulsão que fez da administração de Toninho a maior de todas que se viu em Montes Claros no últimos 50 anos ou mais. Mas é melhor deixar para os leitores, especialmente os que não conheceram Toninho Rebello e que não viveram aqueles dez anos de intensa euforia administrativa, a análise e o julgamento do homem e do político Antônio Lafetá Rebello. Há ainda vivos muitos políticos que viveram e compartilharam das administrações de Toninho Rebello, como Pedro Narciso, Aristóteles Ruas, José da Conceição Santos, Iran Rego, Deosvaldo Pena, Júlio Gonçalves Pereira, Humberto Souto, Carlos Pimenta, Cláudio Pereira, Augusto Vieira (Bala Doce) e outros. Todos citados foram ou são políticos. Alguns como Júlio e Iran, secretários municipais de Toninho, um na primeira administração, o outro na segunda. Augusto Vieira líder de Toninho na Câmara Municipal. Mas todos, sem exceção, foram testemunhas do que era Toninho e do que foram suas duas administrações. Poderão avaliar (ou não) tudo o que é relatado nesta obra.
Quanto ao Toninho homem, ao Toninho família, acredito que os leitores não poderiam estar em melhores mãos do que estando com Ivana Rebello. Ivana é das pessoas mais cultas e mais inteligentes que conheci e conheço. Estou certo de que os leitores irão se extasiar com sua prosa agradável, com suas análises corajosas, com seu texto perfeito. Sei que muito mais do que completar, ela engrandecerá estas memórias. Sinto-me orgulhoso de tê-la ao meu lado, resgatando para Montes Claros e seu povo a história daquele que foi um dos maiores montes-clarenses de todos os tempos, exemplo de administrador, de político e de homem de família. Um outro Juca Prates ( ou mais um) no amor à sua terra. Desejamos, Ivana e eu, que além de resgatar a memória de Toninho Rebello, ela sirva de parâmetro para outros prefeitos. Desejamos que o respeito ao dinheiro público, a organização administrativa, a visão de futuro e o acendrado amor a Montes Claros, marcas registrados de Toninho Rebello, possam orientar os nossos próximos administradores.
Para que assim a cidade possa ter prefeitos mais conscientes de que a prefeitura não deve nunca ser acesso ou trampolim para interesses pessoais ou políticos. Mas sim, e unicamente, uma forma, a melhor forma, de dar aos cidadãos que aqui vivem e criam seus filhos uma melhor qualidade de vida.

(Extraído do livro "Toninho Rebello, o Homem e o Político", de Ivana Rebello e Jorge Silveira, a ser lançado na noite de 25 de fevereiro, no Parque de Exposições, em M. Claros)


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Por Jorge Silveira - 10/6/2008 13:43:35
O TIME DO SOÇAITE
JORGE SILVEIRA

No início da década de 60 em Montes Claros, em certo momento, o "footing" da Praça Cel. Ribeiro foi transferido para a Praça de Esportes, com a realização de um campeonato de futebol de salão que mobilizou toda a juventude da cidade. Nos dias de jogos, a praça ficava lotada. Não existia ainda o Ginásio Darcy Ribeiro e os jogos eram realizados em duas quadras a céu aberto.
Um dos motivos que levaram as garotas a transferirem o tradicional "footing" da Praça Cel. Ribeiro para a Praça de Esportes foi o time do Soçaite, que o Mimi resolveu formar para disputar o campeonato. Do pessoal de sua turma, ele e o Quinquinha eram os únicos que jogavam um futebol decente. O resto era tudo perna de pau. Ele então enxertou no time o Pindoba, irmão do Márcio Milo e na época goleiro do Ateneu, e formou a zaga com Fernando Etiene e Geraldo Renam (este também irmão do Márcio). Na frente jogava ele próprio, o Mimi, e o Quinquinha (que já tinha sido jogador do Cassimiro e era bom de bola). Na reserva, o Waldyr Aguiar, Agnaldo Drumond e o Márcio Milo, que entravam em todos os jogos, pois como a turma era do gole, cansava fácil.
O time era ruim de fazer dó, apesar de o Pindoba operar milagres no gol. Perdia para todo mundo. Mas deixava a mulherada em êxtase total. Era interessante como um time que não ganhava de ninguém, tinha a maior torcida do campeonato. E a mulherada ficava o tempo todo gritando os nomes do Waldyr, do Agnaldo e do Márcio, que geralmente estavam no banco de reservas. E o Mimi era obrigado a colocá-los, para atender às fanáticas torcedoras. Edvar Ró-Ró, Hélcio e eu, que não jogávamos bola, servíamos de técnicos. Ficávamos de fora, gritando com a turma de dentro.
Nos intervalos, Márcio, em vez de água, bebia "cuba libre". Agnaldo, "Hi Fi". Mimi dava-lhes aquela bronca, mas eles diziam que era para botar energia nas veias. Como na época eu era repórter esportivo do "Diário de Montes Claros", o Socaite, apesar de toda a sua ruindade, tinha sempre uma notícia de destaque no jornal. Na coluna social do Lazinho Pimenta, então, nem se diga. Era notinha obrigatória. O Lazinho era também torcedor entusiasmado do Soçaite e na arquibancada comandava a mulherada.
Mas o time só teve fôlego para um campeonato. A turma logo cansou e deixou o Mimi na mão. Na verdade, o pessoal gostava mesmo era de festa. E naquela época, com os vários clubes volantes existentes (o IT, o Gardênia e o Social Figueira), festa é o que não faltava em Montes Claros. Como dizia Agnaldo, com sua verve: "viriá é muito melhor do que ficar correndo atrás de bola". Viriá era uma palavra que a turma usava e que significava "juntar as virilhas". Quando a gente ia dançar, dizia que ia" viriá". Quem inventou a expressão, se não me engano, foi o Carlos Peres, numa festa em Coração de Jesus. A certa altura, ele levantou da mesa e disse "acho que vou viriá". E foi dançar. E a expressão pegou para sempre.
O time do Soçaite durou pouco, mas marcou época em Montes Claros. Quem foi jovem no início da década de 60, naturalmente deve se lembrar dele. Timaço, de bola, era a Fadir. Ou o time do Banco Hipotecário. Mas o time das garotas mais bonitas de Montes Claros era, sem dúvida, o Soçaite. Que de bola entendia pouco, mas que esbanjava charme e beleza nas arquibancadas. E com uma torcida daquela, será que era preciso jogar bola?


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Por Jorge Silveira - 5/6/2008 12:10:42
Este mural é de fato uma das melhores coisas da imprensa de Montes Claros, pois além de ser porta-voz das reivindicações da população, é recanto de cronistas, poetas e escrevinhadores sem muito talento, como é o nosso caso. Mas antes de tudo, este espaço serve como relicário único da história de Montes Claros, através daqueles que viveram tantas coisas boas que a cidade já proporcionou a seus filhos. Agora mesmo, em função de algumas reminiscências que andei contando neste espaço, fico sabendo que Élcio Teixeira e Waldyr Aguiar estão vivíssimos, o primeiro morando em Belo Horizonte e o segundo em Araxá. Há muitos e muitos anos não os vejo,pois infelizmente a vida tem dessas coisas, separa as pessoas, deixando apenas as lembranças. Mais feliz é a turma do Gerinha Português, pois como nos conta o nosso grande cronista Augusto Bala Doce Vieira, ela ainda se reune para rememorar as histórias da adolescência, pura adolescência dos bons anos 60 em Montes Claros. E você tem toda razão, Augusto, naquela turma do Mimi todo mundo já trabalhava, até porque todos eram mais velhos do que vocês da turma do Gerinha. Mas de uma forma ou de outra, com lambreta ou sem lambreta, participando ou não das "Festas da Cueca", o importante é que todos nós tivemos uma juventude feliz e repleta de bons momentos, numa Montes Claros sem violência e onde todos se conheciam e eram amigos. E por isso, todos nós nos demos bem na vida, podendo hoje, de cabeça erguida, olhar com orgulho o nosso passado. E contar as nossas histórias daqueles tempos em que "éramos felizes e não sabíamos". Será que não sabíamos?


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Por Jorge Silveira - 3/6/2008 17:05:27
CANDELABRO ITALIANO
JORGE SILVEIRA

Se as motos hoje são motivo de medo, desconfiança e apreensão por parte de motoristas e comerciantes, pois em Montes Claros são a principal arma de trabalho de bandidos e marginais, na década de 60 as lambretas e vespas eram sinal de glamour e de requinte para a rapaziada. Embalada pelo sucesso do filme "Candelabro Italiano" e pelo romance de Troy Donahue e Suzane Plesethe pelas lindas paisagens da Itália, a juventude montes-clarense se embevecia com as lambretas rodando pelas ruas da cidade.

Se não me falha a memória, a primeira lambreta (ou vespa) a rodar em Montes Claros no início dos anos 60 foi uma de Waldir Aguiar, que era considerado pelas moças da época um dos partidos mais interessantes da cidade. Ele fazia parte de uma turma que vivia nas crônicas do Lazinho Pimenta, formada pelo Mimi (Hamilton Didier Guimarães), Agnaldo Drumond, Márcio Milo, Edvard Ró-Ró, Élcio Teixeira e Quinquinha. Quando a lambreta virou "grife" no país, Mimi e Agnaldo também compraram uma. À noite, no "footing" na Praça Cel. Ribeiro, eles encostavam as lambretas em frente à casa do Sr. Ladislau Braga e ficavam escorados nos assentos, fazendo pose para as garotas que em grupos rodavam a praça. Era o máximo!

Em uma de suas crônicas, Augusto Vieira Neto, o nosso Bala Doce, relembrou a turma do Gerinha Português, formada basicamente pelo Saulo, Odorico, Lindolfo, Marco Antônio, José Augusto e Fernando Thomaz, e que se reunia ali em frente ao antigo Clube Montes Claros, hoje Conservatório Lorenzo Fernandez. Já a turma do Mimi, tinha como local de encontro, após o "footing" na Praça Cel. Ribeiro, o restaurante da Madame, o Mangueira, ali na rua Dr.Santos. Impreterivelmente, depois das 11 da noite, a turma estava lá, bebendo "cuba libre" e jogando conversa fora. Quase sempre, a noite iria terminar na casa da Leobina, onde o mulherio era de primeira. E aí as lambretas ajudavam, pois a casa da Leobina ficava longe, muito longe para os padrões da época.

O único mecânico de lambreta (ou vespa, como preferiam alguns) na década de 60 na cidade era o Osmarzinho, que mais tarde ficaria rico com a "Motosmar". Por sinal, ele é o principal responsável por este verdadeiro congestionamento de motos que se vê nas ruas de Montes Claros. Vendeu moto para Deus e o mundo. Acredito que ele mesmo não imaginava nunca que o romantismo que cercava as lambretas de antigamente (ele também teve uma) se transformaria nesta loucura de hoje, com a moto servindo de arma para bandidos e assaltantes.

O que mais marcou a época das lambretas em Montes Claros foi a "Festa das Cuecas", que Mimi realizava toda passagem de ano em sua casa, aproveitando que sua família viajava para Alagoas, para visitar parentes. Para entrar na festa, tinha que chegar de vespa, com uma garota na traseira. Como se vê, a festa era muito selecionada, pois eram poucos os que tinham vespa na cidade. E também não era qualquer garota que tinha coragem de comparecer, pois como o próprio nome da festa indicava, lá pelas tantas, com todas na cabeça, a rapaziada tirava a calça e ficava só de cueca. Os tempos eram outros e as meninas ficavam com medo de ficar "faladas".

A turma do Gerinha, que não tinha lambreta, só ficava sabendo por alto o que se passava na "Festa da Cueca". E babava de inveja, ao ler a notícia na crônica do Lazinho. Que por sinal era o único que não tinha lambreta com autorização para participar daquele que era o réveillon mais particular (e mais invejado) da cidade. Fora eu, que também tinha lambreta, ainda estão vivos aí para contar o que se passava naquelas festas, o próprio Mimi, que mora hoje em Maceió, e o meu bom amigo Márcio Milo. E se não estou enganado, o Edvard Ró-Ró, que é médico e reside em Uberlândia, segundo me disseram. Passados quase 50 anos, acredito que o pacto que todos tinham de não contar nada, mas nada mesmo, para preservar a reputação das garotas, já deve ter caducado.


34927
Por Jorge Silveira - 5/5/2008 18:17:05
Esta indagação feita pelo sr. Eduardo, mensagem 34.921, à prefeitura municipal, sobre a destinação de 600 mil reais para a realização do Carnamontes, deveria ser feita pelos nossos dignos vereadores, pois a eles cabe fiscalizar as ações do executivo. Como até hoje não houve resposta à indagação, feita há quase 30 dias atrás - e agora repetida - supõe-se que seja verdadeira. E neste caso, o município estaria destinando recursos públicos para um evento onde os lucros são destinados para empresas privadas. Meio esquisito, não? Já que a prefeitura não se digna responder a dúvida de um cidadão-contribuinte, aqueles poucos vereadores independentes deveriam cobrar de forma oficial uma resposta do sr. prefeito. Até por educação, qualquer cidadão deveria ser tratado com maior respeito pela municipalidade, pois afinal é a população que paga os salários do prefeito e de seus assessores. E é um direito de qualquer cidadão solicitar esclarecimentos sobre a destinação dos recursos da municipalidade. E é obrigação da prefeitura prestar contas à população. Quem prega tanta transparência na publicidade oficial, não precisaria nem ser cobrado naquilo que deveria ser um hábito do sr. prefeito e assessores: prestar contas de seus atos aos contribuintes. Quem exerce cargo público precisa estar consciente, sempre, que seu patrão é o cidadão, que paga impostos e sustenta o governo, seja federal, estadual ou municipal.


34909
Por Jorge Silveira - 5/5/2008 12:58:44
Atendendo o pedido do cronista montes-clarense José Prates, radicado hoje no Rio de Janeiro, a quem leio sempre com prazer, algumas pequenas informações sobre Janaúba, que completa 60 anos de emancipação político-administrativa agora em 2008. A cidade cresceu tanto, a partir da década de 80, com a implantação do Projeto de Irrigação do Gorutuba, que, provavelmente, o cronista José Prates não conseguirá mais reconhecê-la. Janaúba deve ser hoje o terceiro maior município da região, em população e em arrecadação, só perdendo para Montes Claros e Pirapora. Aquela Janaúba que José Prates conheceu não existe mais. Transformou-se quase numa pequena metrópole, grande produtora de frutas, especialmente banana, e bonito pólo turístico, com a barragem do Bico da Pedra, construída pela Codevasf, empresa pública federal com sede em Montes Claros. Janaúba tem também uma das pecuárias mais fortes da região e sua exposição agropecuária só perde na região para a de Montes Claros. Como pode notar, caro cronista José Prates, assim como ocorreu com a nossa querida Montes Claros, também Janaúba foi descaracterizada pelo progresso. Não existe mais o bucólico povoado surgido com a Estação da Central do Brasil e que se resumia em algumas pequenas ruas que desaguavam na Praça Dr.Roquete Azevedo (se não estou enganado, este é o nome da Praça). Janaúba é hoje uma cidade de médio porte, progressista e forte na agricultura, na pecuária e no comércio. E abriga um grande frigorífico, antigo Frigodias, hoje Independência, que abate 1.100 cabeças de gado por dia. Esta a Janaúba que você verá hoje, caso resolva retornar para revê-la.


34148
Por Jorge Silveira - 16/4/2008 18:27:21
As estatísticas da polícia podem até mostrar o contrário, mas parece que o aumento dos assaltos ocorre proporcionalmente à diminuição das blitzes contra os motoqueiros. Nos últimos dias parece que a polícia entrou de férias, não se viu blitz em lugar algum da cidade, e, por consequência, os assaltos aumentaram. Só no final de semana, foram quatro assaltos a postos de combustíveis. E os bandidos, sempre de moto, que é hoje a principal arma dos assaltantes. A polícia não pode abrir a guarda um instante sequer e as blitzes têm que ser diárias, sempre em locais diferentes, para intimidar aqueles que se aproveitam da negligência policial para praticar pequenos e grandes furtos, deixando a população da cidade apavorada, com justa razão. Para a cidade dormir tranquila, a polícia tem que estar sempre acordada e alerta. Qualquer cochilo, é uma festa para os bandidos. E assim, Montes Claros vai só subindo no ranking das cidades mais perigosas do estado. Será que o nosso desenvolvimento, tão cantado e decantado por alguns, tem valido a pena?


32999
Por Jorge Silveira - 12/3/2008 07:28:39
Tornou-se inviável operar com o Banco do Brasil depois que a instituição assumiu o pagamento do funcionalismo do estado. Não se consegue mais fazer nenhuma operação em qualquer das agências na cidade sem se perder de 30 minutos a uma hora. Quando a espera não é ainda maior. É um absurdo que o banco não tome nenhuma providência, na maior desconsideração com os clientes. E o pior de tudo é que na maioria das vezes há terminais com defeito, tornando a situação ainda mais desgastante. Independentemente do registro de queixas por parte dos cidadãos, o Procon deveria agir junto à instituição, exigindo que o banco melhore o atendimento, já que a situação é visível a olho nu. E são milhares de pessoas prejudicadas, que não têm a quem recorrer. Ou o banco aumenta a quantidade de terminais nos caixas-eletrônicos, ou abre mais agências na cidade, dando maior opção a seus clientes. Da forma que está é que não pode continuar, pois é um desrespeito e uma desconsideração com as pessoas.


32321
Por Jorge Silveira - 26/2/2008 07:52:39
Vendo a foto da antiga Praça Dr. Carlos e lendo a maravilhosa crônica de Ruth Tupinambá, bate uma enorme saudade da Montes Claros antiga, quando se podia jogar conversa fora à noitinha na porta das casas. Hoje, quem correr este risco, pode se dar muito mal, pois os bandidos andam soltos por toda a cidade. Apenas como esclarecimento, é bom lembrar que a derrubada do antigo mercado, de saudosa memória, ocorreu na administração do ex-prefeito Toninho Rebello, sem dúvida um dos maiores administradores da história do município, senão o maior. Ele optou pela derrubada do antigo mercado como única forma de transferir do local antigos comerciantes que insistiam em permanecer na velha construção, apesar de a prefeitura ter construído um novo mercado nas proximidades da Praça de Esportes (quem não se lembra dele, uma beleza de mercado quando inaugurado em 1967, se não me engano? Talvez a derrubada do velho mercado na Praça Dr. Carlos tenha sido um dos poucos erros do ex-prefeito Toninho Rebello, que poderia ter tombado o imóvel e construído ali o museu de Montes Claros. Se isso tivesse feito, hoje seria ainda mais lembrado, e com mais saudade. E talvez a praça Dr. Carlos não teria se transformado naquele monte de concreto!


31888
Por Jorge Silveira - 13/2/2008 18:08:01
Lideranças rurais se reuniram ontem no Parque de Exposições João Alencar Athayde para tratar do problema que está deixando produtores à beira de um ataque de nervos: a mais forte seca que já se viu na região nos últimos 50 anos. As conclusões do encontro foram óbvias e já alertadas aqui deste mural: o governo até agora não se lixou para o problema e o norte de Minas corre o risco de se transformar num cemitério de bovinos a partir de junho/julho. O presidente dos sindicatos rurais da região, Júlio Gonçalves Pereira, prevê que morrerão mais de 500 mil reses, caso perdure a situação atual, de falta de chuvas e de completa omissão dos governos federal e estadual. Já o presidente da associação dos irrigantes do norte de Minas, Orlando Pereira, pede o que também já foi alertado daqui: ou o governo concede energia elétrica mais barata para os produtores rurais da região, ou quem tiver irrigação vai ter que parar. Deve-se, neste caso, atentar para um detalhe importante: nesta época, ou melhor, desde novembro, o normal seria os irrigadores estarem mesmo parados, por causa das chuvas. Mas como praticamente não choveu, quem pode vem irrigando suas lavouras para não perdê-las. Só que nos meses nos quais a conta da Cemig deveria vir zerada, representando uma economia para os produtores, isto não está acontecendo. A fatura, altíssima, continua chegando. E como a situação, a cada dia que passa vai ficando mais angustiante, pois a natureza tem um ciclo do qual não adianta querer fugir, os produtores sabem que quando o governo resolver se mexer, vai ser tarde demais. Se prorrogar dívidas e abrir novos financiamentos ajudaria há dois meses atrás, hoje já não resolve muito. Se financiar plantio de cana e capineira há 60 dias atrás teria sido uma grande ajuda, hoje está quase inviável. Se uma revisão para baixo nas tarifas da Cemig e no ICMS também poderia ter sido um estímulo antes, hoje ajuda mas não resolve. Ou seja, o governo deixou a situação chegar a um ponto tal em que até as soluções vão ficando cada vez mais difíceis. Falta de alerta não foi, pois o assunto vem sendo tratado pelas lideranças rurais com os governos desde o mês de novembro. Mais uma vez confirma-se a sina do norte de Minas e uma das razões de seu atraso: os governos ignoram completamente a região, mesmo quando a situação é desesperadora como agora. E nossos políticos, Deus me livre... o jeito é apelar mesmo para São Pedro!


31854
Por Jorge Silveira - 12/2/2008 20:59:05
O Banco Itaú divulgou hoje o seu lucro em 2007: mais de oito bilhões de reais, o maior de toda a sua história. Suplantou, inclusive, o Bradesco, que na semana passada também havia divulgado um lucro acima dos oito bilhões. No entanto, o governo Lula faz questão de se colocar como "o governo dos pobres". Paradoxo difícil de explicar: no governo dos pobres, os bancos têm lucros estratosféricos, ganhando dinheiro como nunca ganharam em toda a existência. Por sinal, o lucro líquido do Itaú e do Bradesco foi mais do dobro do que o governo gasta no ano com o Bolsa Família (ou bolsa esmola). Governo do pobre ou dos ricos? Cada um analise como quiser.


31710
Por Jorge Silveira - 8/2/2008 13:13:07
Há poucos dias, aqui deste mural, comentávamos sobre como as contas da Cemig inviabilizam a agricultura e a pecuária para o pequeno e o médio produtor no norte de Minas. Quando vem a seca - e ela sempre vem - o jeito é se conformar em perder tudo, pois não há como irrigar ou ligar um desintegrador para moer cana, pois quem isto fizer cai nas garras da Cemig e em pouco tempo estará virtualmente quebrado. Mas vendo agora a situação da Coteminas, é de se concluir que não apenas a agropecuária sofre com o alto preço da energia cobrada em Minas. Também a indústria ressente do mesmo problema. Sinal evidente de que há alguma coisa errada neste circuito. Não é possível que uma empresa da qual o Estado é um dos maiores acionistas, se transforme na vilã do sistema produtivo. Acrescente-se que o próprio Estado, em sua gana arrecadadora, também contribui - e muito - para esta situação, pois ainda acresce as contas de energia com um alto percentual de ICMS. Enquanto isso, caros leitores deste mural, nossos deputados se preocupam com o próprio umbigo!


31364
Por Jorge Silveira - 28/1/2008 20:35:52
Vejam só a qualidade dos serviços realizados pela prefeitura: pela manhã, taparam com asfalto uma grande ondulação que existia na avenida Herlindo Silveira, principal via de acesso ao bairro Ibituruna. À tarde, as chuvas que caíram (e não foi nenhum temporal)se encarregaram de destruir todo o serviço realizado pela manhã. Ou seja: o dinheiro gasto escorreu pelo ralo em menos de seis horas. É dessa forma que empregam o dinheiro do contribuinte. Lamentável.


31299
Por Jorge Silveira - 26/1/2008 11:35:02
A chuva ameaça, ameaça, e não cai. Os institutos de metereologia estão ficando desmoralizados, pois anunciam que vai chover, mas as chuvas acabam ficando só na esperança do produtor rural norte mineiro. E o problema da seca é muito pior do que autoridades e mesmo a imprensa estão imaginando.Depois de quase nove meses sem chuvas, no ano passado, quando a região viu morrer cerca de 160 mil cabeças de gado, o período que deveria ser de chuvas e de recomposição das pastagens e das lavouras, não se concretizou. Não choveu praticamente nada em novembro/dezembro e janeiro foi ainda pior. As lavouras de milho, sorgo, feijão e cana se perderam. As pastagens não se recuperaram e o pouco que brotou o gado está comendo. Não vai haver nenhuma reserva para o período de seca propriamente dito, que seria a partir de junho/julho. A região tem oito deputados estaduais e dois ou três federais que, infelizmente, não conseguiram que os governos movessem uma palha em qualquer tipo de ação que pudesse amenizar a situação futura, que vai ser dramática. O plano de emergência anunciado pelo governador Aécio Neves mostrou-se completamente inócuo (como bem frisou o jornalista Waldyr Senna Batista neste mural). De que adianta distribuir sementes se não há chuvas? Recomposição de dívidas é bom para quem deve e não pode pagar, mas não mata a fome do gado nos pastos sem capim. A continuar como está, sem nenhuma providência realmente efetiva do governo, o norte de Minas vai virar um imenso cemitério de bovinos, dentro de mais alguns meses, pois vai faltar comida e água para o gado.Quando isso começar a acontecer, aí talvez nossos dignos representantes resolvam acordar da inércia em que se encontram até agora. Mas será tarde demais. Infelizmente.


31187
Por Jorge Silveira - 23/1/2008 14:10:55
A mensagem da professora Lourdes, de nº 31151, é de uma singeleza de cortar o coração de todos os montes-clarenses que amam seu torrão natal. E que vêem sua cidade se descaracterizando a cada dia, perdendo pouco a pouco sua identidade, como no caso da avenida Cel. Prates. E o que a professora pede, em tom quase de súplica, é apenas o direito de conhecer o projeto que a prefeitura pretende implantar na Praça Dr. Chaves, para que não ocorra o mesmo que aconteceu com a Praça Dr. Carlos, que o ex-prefeito Jairo Ataíde transformou em um monte de concreto. O prefeito Athos Avelino, que fala tanto em administração participativa, deveria discutir primeiro com a comunidade o projeto que será implantado na Praça da Matriz, como pede a professora Lourdes. Evitando, assim, quem sabe, mais um atentado contra a identidade e a tradição de uma Montes Claros que aprendemos a amar, mas que nossos administradores aos poucos vão cuidando de destruir, em nome de um dito progresso que nem todos gostariam de usufruir. A praça Dr. Chaves, centenária, na qual Nelson Viana passeava todos os dias, que abriga o Palácio Episcopal, a Igreja Matriz e o Solar dos Oliveira, alguns poucos marcos que ainda restam de nossa história, não pode perder nunca suas características. Não custa discutir o projeto com a comunidade, antes que se cometa novo crime contra a cidade!


30854
Por Jorge Silveira - 12/1/2008 10:48:54
Impressionante como as pessoas que viveram a Montes Claros de ontem (20,30 anos atrás)sentem uma certa nostalgia dos tempos passados. Há bem pouco tempo a cidade era um local bom de se viver. Não havia violência, drogas era coisa da qual só se ouvia falar nos grandes centros (ou nos filmes de Hollywood, como em "easy river"), a nossa juventude aproveitava a vida de forma sadia - o máximo que se fazia era fumar e beber uns cubas libres de vez em quando. Nossos jovens passavam grande parte do tempo (quando não estavam na escola) na Praça de Esportes, onde o mestre Sabu ensinava natação e basquete. Cassimiro e Ateneu tinham grandes times e o futebol no domingo era quase uma obrigação. Naquela época exportávamos grandes jogadores, como Manoelzinho, Jomar, João Batista, Manoelito, Chinesinho, Nuno e muitos outros. Não precisávamos de escolas particulares, pois a Escola Normal ministrava um ensino de primeira qualidade, com professores excepcionais, como José Márcio de Aguiar (Português), Francolino (Ciências), João Luiz de Almeida Filho (Matemática), Pedro Santana (História), Terezinha Guimarães (Francês), Dona Jane (Inglês)e Dulce Sarmento (Música), para lembrar de apenas alguns, pois havia mais uma infinidade de ótimos mestres. Nossos políticos tinham o "status" de um Toninho Rebello, um João Valle Maurício, um Mário Ribeiro,um Cândido Canela, um Pedro Santos (que além de político, era o médico dos pobres). Sim, naquele tempo havia médico que se dedicava a atender os pobres de graça! Realmente, a Montes Claros daqueles tempos era uma cidade onde dava gosto viver. Não é à toa que muitos sentem saudade. Sentem com toda razão, pois é natural sentir falta de uma cidade tão boa como Montes Claros já foi.


30808
Por Jorge Silveira - 10/1/2008 18:55:38
Deputados federais da base governista já anunciam que podem discutir a volta da CPMF a partir de fevereiro. O que vem demonstrar, mais uma vez, como os políticos brasileiros vivem completamente divorciados do pensamento popular. Todas as pesquisas feitas mostraram que a população aplaudiu o fim da CPMF, um imposto cumulativo que encarecia todos os produtos e pesava no bolso de todos os cidadãos. Entretanto, o governo parece não ter engolido a derrota no Senado e já coloca seus esfrega-botas para colocarem novamente em pauta o retorno da CPMF. É preciso que o povo reaja, dando uma resposta exemplar nestes deputados que vivem de puxar o saco do governo para atingir seus objetivos pessoais. O Supremo Tribunal Eleitoral divulga atualmente na televisão um comunicado que deveria ser seguido à risca pelos eleitores: ficar de olho no deputado que elegeu, cobrando dele posição coerente com os interesses da nação. Isto significa, nada mais, nada menos, do que defender os interesses da população como um todo e não o próprio bolso. Deputado é empregado do povo e não do presidente da República ou do governo. O eleitot deve ficar de olho naqueles que já falam em ressuscitar a CPMF e dar-lhes a merecida resposta nas urnas.


30765
Por Jorge Silveira - 9/1/2008 19:24:44
O que mais se vê neste mural são queixas contra a violência que tomou conta da cidade, transformando a nossa Montes Claros num lugar difícil de se criar nossos filhos. Entretanto, em tempo não muito distante Montes Claros era uma cidade pacata e boa de se viver. Os jovens podiam fazer "footing" na Praça Cel. Ribeiro ou serenata para as namoradas. As festinhas dos clubes volantes eram em casas de família e transcorriam senpre em clima de amizade e de companheirismo. Ninguém se preocupava com penetras ou com gangues das periferias, até porque Montes Claros praticamente não tinha periferia - e muito menos gangues. Aos domingos, a nossa juventude marcava ponto pela manhã na boate da praça de esportes e, à tarde, na matinée do cine Fátima. À noite, na hora dançante do Clube Montes Claros. Os pais sempre sabiam aonde estavam seus filhos e não se preocupavam se eles chegariam em casa sãos e salvos. Sempre chegavam. Hoje a situação mudou e é difícil dimensionar o exato momento em que a cidade se transformou neste inferno de violência, drogas e intranquilidade. A verdade é que a Montes Claros de ontem era infinitamente melhor do que a de hoje. Não tínhamos universidades, mas tínhamos médicos da família para atender em casa. A maior festa da cidade era a exposição agropecuária, de dois em dois anos e sem os shows caros de hoje, pois eram os bois, os cavalos e os rodeios que faziam a alegria de todos, adultos e crianças. Não havia televisão, mas a diversão era muito mais sadia nos cines Montes Claros, Fátima, Coronel Ribeiro e São Luiz. Pode parecer saudosismo, mas que a Montes Claros de ontem era bem melhor, é indiscutível. Se este mural existisse naquele tempo, ninguém iria se queixar da violência.


30678
Por Jorge Silveira - 7/1/2008 17:50:04
A seca continua assolando a região de forma assustadora e nossas ditas autoridades competentes continuam dormindo o sono dos justos. As medidas anunciadas pelo governador Aécio Neves pouco vão resolver, ainda que aplaudidas pela Amams, num puxassaquismo muito compreensível. O que as autoridades parecem não estar enxergando é que uma seca está adentrando a outra, já que o período que deveria ser chuvoso está passando e as chuvas ainda não vieram. Não choveu praticamente nada em novembro e dezembro de 2007 e o ano novo começou com um veranico de torrar. Qualquer fazendeiro, seja pequeno, médio ou grande, está em completo estado de choque, sem saber o que fará dentro de mais alguns meses, pois tudo o que se plantou até agora está praticamente perdido. E as pastagens não se recuperam, exatamente quando deveriam estar exuberantes. Se em 2007 morreram mesmo 150 mil reses, agora em 2008 será muito pior. O pequeno produtor, coitado, vai morrer de fome, enquanto o médio vai entregar para os bancos o pouco que ainda lhe resta. Só mesmo os grandes produtores, que tiverem condições de levar seu rebanho para outras regiões, conseguirão salvar alguma coisa. Quando nossos representantes políticos acordarem, será tarde demais. Como 2008 é ano eleitoral, espera-se que a classe rural da região saiba dar sua resposta nas urnas.


30589
Por Jorge Silveira - 4/1/2008 08:27:47
A Polícia (militar e civil) parece estar perdendo a luta contra os marginais, que a cada dia mais tomam conta da cidade. Os assaltos se multiplicam por todos os bairros e, quase sempre, os assaltantes são motociclistas (ou motoqueiros), que se utilizam da facilidade deste meio de transporte para a fuga. A Polícia Militar promove algumas blitzes de vez em quando, no sentido de tentar prender alguns desses marginais, mas tudo é feito de forma muito empírica, tanto que no final acaba apreendendo alguns veículos, mas nenhum bandido. E os furtos na cidade continuam com a mesma intensidade, atemorizando as famílias e principalmente os comerciantes.A Polícia precisaria usar de mais inteligência para ter melhores resultados. Por exemplo: as blitzes teriam que ser móveis e em diversos pontos da cidade ao mesmo tempo, para evitar que os bandidos burlassem o cerco policial. Como é feito atualmente, em pouco tempo todos os motoqueiros ficam sabendo onde encontra-se uma blitz (uns avisam aos outros)e evitam passar pelo local, a não ser os que nada têm a temer.Se as blitzes fossem móveis - e bem mais frequentes - os resultados poderiam ser melhores. Seja como for, é preciso que o nosso sistema de segurança seja mais efetivo e mais eficiente, pois como as coisas andam, a cada dia o cidadão honesto e trabalhador fica mais exposto aos marginais, que parecem não ter medo da polícia, até porque são muito pouco incomodados. Polícia boa é aquela que é admirada pela população e temida pelos bandidos. Exatamente o contrário do que ocorre nos dias atuais.


30174
Por Jorge Silveira - 12/12/2007 15:31:12
Qualquer medida que o governo tomar para amenizar os efeitos da seca na região será meramente paliativa caso não se ataque o que mais prejudica o produtor rural da região: a conta da Cemig. Como se pode conviver com a seca, se o produtor não tem condições de ligar um desintegrador para moer uma cana ou mesmo um irrigador para molhar uma capineira? Pois se isto fizer, terá que vender o gado para pagar a conta da Cemig, sob a qual incide uma tarifa de ICMS de 18%, mais cofins. Apenas para exemplificar: tenho um pequeno sítio na saída para Juramento e para não deixar meus poucos animais morrerem de fome, liguei o desintegrador uma hora por dia no mês de novembro, para moer cana para o gado. E irriguei minha capineira mais ou menos três horas durante a noite, dia sim, dia não. Ontem recebí a conta da Cemig referente ao mês de novembro: R$1.375,00. Ou seja, vou ter que vender parte do meu gadinho para pagar a conta. Agora, os especialistas dizem que para o pequeno produtor conviver com a seca é preciso ter um canavial e uma capineira para tratar do gado no período de estiagem. Como, se a Cemig não deixa e quebra qualquer um que ligar um simples desintegrador? Pelo que se vê, caso o governo queira mesmo diminuir os efeitos da estiagem na região, a primeira coisa que terá que fazer é diminuir a boca larga da Cemig em cima dos pequenos produtores (e dos grandes também), caso contrário tudo será mera demagogia e dinheiro jogado fora. Por sinal, o presidente da AMAMS, Valmir Morais, lembrou muito bem deste problema em recente pronunciamento à imprensa local. E ele conhece bem a situação, pois também é produtor rural.Fica aí o alerta para os nossos políticos para que assim eles não venham com simples medidas paliativas e que não resolvem o problema.


29667
Por Jorge Silveira - 20/11/2007 14:10:19
Esta história da votação da CPMF no Congresso Nacional é o exemplo escarrado da total falta de vergonha na cara dos políticos brasileiros. Quem antes criou e aprovou a nefanda contribuição, hoje é contrário à sua manutenção. Quem antes era radicalmente contra, ou seja, o PT, hoje é a favor. Os argumentos dos tempos passados viraram cinzas (ou palavras mortas), tanto para uns como para outros. O que vale, simplesmente, são os interesses do agora. O PT, que votou em bloco contra a criação da CPMF e depois duas vezes contra sua prorrogação, diz hoje que sua manutenção é imprescindível para o país fechar suas contas. O que significa que antes eles votaram contra os interesses nacionais. Já o PSDB e o PFL (hoje DEM), que criaram o monstrengo que surrupia a economia do povo, fazem agora das tripas coração para rejeitarem a filha bastarda. E nossos dignos representantes ainda pretendem que o povo acredite neles! Infelizmente, o Congresso Nacional representa hoje o que há de mais desacreditado entre todas as instituições do país. É uma lástima, pois este descrédito do Congresso abre caminho para que os amantes do totalitarismo já comecem a pensar num terceiro mandato. Falta pouco para que nos transformemos numa Venezuela!


29640
Por Jorge Silveira - 19/11/2007 08:27:23
A matéria do jornalista Waldyr Senna Batista da última semana retrata bem a situação da seca na região e, melhor ainda, a inércia da nossa classe política. Nunca tivemos tantos deputados tão ineficientes. A região já vive nove meses de seca, já morreram mais de 100 mil reses segundo cálculos de especialistas, e até agora os nossos caríssimos deputados ainda não se mexeram. Parece até que não é com eles!E o nosso tão badalado governador Aécio Neves também se faz de morto. Em outras ocasiões, como em 1976, como bem lembrou Waldyr Senna, o ministro Rangel Reis, o governador Aureliano Chaves, o superintendente da Sudene e todos os nossos deputados, se reuniram em Montes Claros, no Automóvel Clube, e a região ganhou a construção da Barragem do Bico da Pedra, além de poços, contratação de mão de obra para obras emergenciais, abertura de créditos especiais no BNB e BB, ampliação dos prazos para pagamento dos financiamentos, etc. Hoje, quando a seca é até mais prolongada e a situação ainda pior, as autoridades continuam vendo a banda passar. A situação retrata bem o que há muito já se constata: a classe política brasileira baixou de nível de forma impressionante. Não temos mais políticos como os de antigamente! E olha que em 1976 era tempo de ditadura!


22611
Por Jorge Silveira - 4/4/2007 09:41:21
Gosto de ler este mural, pois nele dá para sentir bem o sentimento da população, não só com relação à sua cidade, como também com os políticos responsáveis pela administração do país. E o que se vê é uma completa decepção com a classe política. Ninguém, mas ninguém mesmo, acredita na ação dos nossos políticos. E todos estão cobertos de razão, já que nenhum deles (com raríssimas exceções)se preocupa com os reais problemas da população, colocando sempre em primeiro lugar o próprio interesse pessoal. Quem conhece história, deve relembrar a "Queda da Bastilha", quando o povo francês se cansou dos desmandos da realeza e saiu às ruas para guilhotinar os nababos da Corte, que viviam em festas e orgias enquanto a população passava fome. Não estamos muito longe disso. Os políticos que se precavejam! A paciência do povo pode um dia se esgotar.


22445
Por Jorge Silveira - 28/3/2007 09:41:45
Eu vejo hoje o prefeito Athos Avelino ser verdadeiramente massacrado por uma parte da imprensa - em alguns casos com razão, em outros nem tanto - e fico pensando se ele tem sido muito diferente dos outros prefeitos que passaram pelo Executivo Municipal nos últimos 40 anos. Na verdade, em todo este espaço de tempo, prefeito de verdade, bom de serviço, competente e extremamente honesto, só me lembro de Toninho Rebello. Os outros, foram simplesmente os outros, meras repetições de incompetência e inutilidade, Montes Claros é de fato uma cidade infeliz com seus administradores. Athos, portanto, não é exceção, é apenas repetição.


21949
Por Jorge Silveira - 14/3/2007 10:15:06
O prefeito Athos Avelino deveria dar uma passadinha na Avenida José Correa Machado, para ver como o mato tomou conta do canal. Quem caminha por aquela avenida fica envergonhado de verificar como a nossa cidade está abandonada, em questões tão simples! Será que está faltando foice na prefeitura?




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"A previsão mais favorável era de 24 milímetros de chuva em Montes Claros, neste sábado e domingo. Mas, até aqui, a chuva já é de 70 milímetros. (...) Chove, e está bom"

01/03/15 - 9h32
"Ao invés de preservar e aumentar o verde, construíram quadras pavimentadas e até mesmo um ginásio coberto em pleno parque, um verdadeiro atentado ao espírito do empreendimento. E vive, geralmente, em estado de pré-abandono, como se fosse uma obra de segunda categoria"


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"Boas noticias. Foram duas pancadas de chuva, aos costumes. A segunda mais constante: deixou 30 milímetros de chuva na área central. Três vezes mais do que a meteorologia marcou. Foi uma chuva de acender as luzes do posteamento nas ruas, chuva geral, com nuvens bem escurecidas, solenes. Depois, com a cidade lavada, ares limpos, e leves, o sol ainda ....."

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