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montesclaros.com - Ano 23 - segunda-feira, 30 de janeiro de 2023


Manoel Hygino    [email protected]
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Por Manoel Hygino - 28/1/2023 07:39:56
Fim de novela?

Manoel Hygino

O ex-governador e vice-presidente Aureliano Chaves gostava de usar a expressão “tapar o sol com a peneira”. Pois foi exatamente o que aconteceu com o ex-comandante do Exército, general Arruda, com relação à ordem para acabar com os acampamentos em frente a dispositivos militares nas proximidades dos edifícios na Praça dos Três Poderes.

O noticiário da agência Metrópole, de Brasília, no dia 22, esclareceu,
textualmente: “O general Júlio César de Arruda perdeu o comando do Exército após enfrentar ordens indiretas de Lula. No mais incisivo dos embates, de dedo em riste, impediu a prisão de bolsonaristas extremistas”. Além do mais, seguia prestigiando o coronel Cid, sumamente alinhado com Bolsonaro, como se noticiava. Na noite de 8 de janeiro, com a intervenção federal já decretada, o general não autorizou a entrada da PM-DF na área militar para prender extremistas em frente ao QG.

A PM-DF seguia as instruções do interventor Ricardo Cappelli, nomeado pelo novo presidente. Naquela noite, Arruda dirigiu-se para o então comandante da PM-DF, Fábio Augusto Vieira, e desafiou: “O senhor sabe que a minha tropa é um pouco maior que a sua, né?”.

Lula vira como uma afronta a barreira formada por homens do Exército e, sobretudo, o uso de veículos militares blindados para impedir o avanço da PM. Um agravante: antes mesmo desse episódio, o presidente já estava furioso por o Exército não ter impedido a invasão ao Planalto. Ao fim daquele 8 de janeiro, o destino de Arruda já estava selado.

Só o que faltava para demiti-lo era encontrar um general estrelado que se mostrasse disposto a enfrentar com rigor as ameaças golpistas. Surgiu o do general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, que servira no Haiti e contra gente da favela do Alemão, no Rio. Prestigiado e legalista por origem, foi escolhido.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, fez o anúncio. Explicou em poucas palavras: “As relações, principalmente no Comando do Exército, sofreram uma fratura num nível de confiança e achávamos que precisávamos estancar isso logo de início para superar esse episódio. Queria apresentar o substituto, general Tomás, que a partir de hoje é o novo comandante. Hoje, nós estamos investindo mais uma vez na aproximação das nossas Forças Armadas com o governo do presidente Lula”.

Em mais de uma oportunidade, inclusive falando em Buenos Aires, em reunião com o presidente argentino e com outras autoridades e empresários, Lula afirmava que não podia submeter-se a uma situação que não condizia com a maneira de conviver entre o dignitário mais alto e um subordinado, mesmo que do Exército.


86600
Por Manoel Hygino - 25/1/2023 09:02:19
No front do Planalto

Manoel Hygino

A economia já perdera fôlego no final do ano passado, como se constatou pelos indicadores. Passados o Natal e as festas tradicionais, começou-se a pensar em 2023, sonhando perspectivas não sombrias, disseminadas por todos os países. No Brasil, os fatos registrados no primeiro mês já adivinhavam pesadelos.

Em minha terra, houve o verde, patrocinado pelas chuvas que chegavam, pacificando os corações e alegrando. Registrou-se a sucessão nos cargos mais altos da administração pública, depois dos bravios debates da campanha eleitoral não reconhecida como educada e respeitosa. Uma verdadeira guerra.

O professor universitário e jornalista, com longa experiência em grandes veículos brasileiros de comunicação, Aylê-Salassié, de seu quartel em Brasília, já em 5 de janeiro, prenunciava “as festas de posse e da transmissão de cargos, que não conseguem esconder o cenário desolado, sombrio mesmo que, com que se estabelece, silenciosamente, na Praça dos Três Poderes e dentro daqueles edifícios verdes da Esplanada. Tudo coincide com o fim da era Pelé, menino pobre que, com ousadia e criatividade pessoal, contribuiu para que os brasileiros se orgulhassem de seu país com todas essas ambiguidades, sem a necessidade de fazer guerra com ninguém, nem com Maradona, que virou seu amigo”.

Estas aparentes divagações emergem quando o presidente da República determinou a exoneração do ministro do Exército, nomeado em dezembro findo. Um ato até certo ponto inesperado, porque o novo ocupante do Palácio do Planalto parecia profundamente interessado em esquecer um passado bem recente e unir em torno da nova gestão as Forças Armadas, em que tanto o antecessor procurara influenciar visando à continuação do quatriênio, mesmo que mediante golpe.

Aliás, este motivou, incontestavelmente, o 8 de janeiro, uma nova data na crônica do Brasil sempre litigante em seus meandros. O ministro da Defesa Civil seguiu a orientação mais alta. Exonerou o chefe do Exército e nomeou outro incontinenti. A sorte estava lançada.

Luiz Inácio partiu para Roraima para ver a situação dos yanomami em emergência. O titular da Defesa foi claro e explicou que as relações no comando do Exército tinham sofrido uma fratura, que cumpria resolver com segurança e rapidamente. Aconteceu antes que um mês preocupante para a nação cerrasse as cortinas. Ainda bem.


86598
Por Manoel Hygino - 21/1/2023 07:15:49
O terrorismo

Manoel Hygino

Transcorridos dias desde 8 de janeiro, quando ocorreram os atentados contra as sedes dos três poderes da República, no local escolhido por Juscelino para instalar uma nova capital, distanciada da agitada vida no Rio de Janeiro, persistem dúvidas candentes sobre os agentes que levaram à dramática situação da mais bela capital deste século.

Ao comentário anterior dei o título de “Guerra Irregular”, também nome do livro de Alessandro Visacro, ex-oficial das Forças Armadas do Brasil e um especialista no tema. Ele escreve: “O público não precisa assistir ao desabamento de arranha-céus para ver-se diante de ataques terroristas. Sendo um ato de guerra irregular, abrange um enorme repertório de métodos, com objetivos, amplitude e características variáveis. Guerrilheiros, rebeldes e insurgentes sempre recorreram ao terror. Na verdade, guerrilha, subversão, sabotagem e terrorismo constituem ações de guerra irregular que se complementam”.

Deste modo, não será tão difícil classificar os acontecimentos do segundo domingo de 2023, na capital federal. Poderão autoidentificar-se os próprios componentes dor grupos que se formaram com determinado e claro objetivo, assim como os investigadores que fazem ou farão a apuração das partes, considerando principalmente os resultados do segundo turno da eleição.

O autor acrescenta ainda: “Assim como as demais formas de guerra irregular, o terrorismo sofreu notável expansão após o término da Segunda Guerra Mundial, com enorme incidência no Terceiro Mundo, abarcando as guerras de liberação nacional, as revoluções marxistas e as práticas de grupos reacionários da extrema direita”.

Para que se possa caracterizar um ato terrorista, é bom conhecer o que diz a Agência Brasileira de Inteligência: “Ato premeditado, ou que ameaça por motivação política e/ou ideológica, visando atingir, influenciar ou coagir o Estado e/ou a sociedade, com emprego de violência. Entende-se, especialmente, por atos terroristas aqueles definidos nos instrumentos internacionais sobre a matéria, ratificados pelo Estado brasileiro”.

Seja como for, as práticas de terrorismo, subversão e guerrilha difundiram-se de tal forma que afetaram, direta ou indiretamente, em maior ou menor grau, a quase totalidade das nações do globo, incluindo o Brasil.

O episódio em Brasília é típico.


86597
Por Manoel Hygino - 18/1/2023 12:17:08
8 de janeiro

Manoel Hygino

No domingo, 8 de janeiro, o mundo viu (porque as televisões mostraram a todo o planeta) cenas que não se quereria porque o Brasil constava como nação civilizada, além da maior do hemisfério sul-americano. A invasão das sedes dos três poderes em Brasília foi algo quase inacreditável, que nos retroage à invasão dos bárbaros na Europa.

O que aconteceu encontra dificuldades para descrições à altura, dadas as cenas de desapreço a bens altamente valiosos ao Brasil. Os estragos então perpetrados por seres humanos se comparam aos males causados por terremotos, incêndio e dilúvios, funestas desgraças que pudesse a imaginação conceber.

O ocorrido naquela tarde dominical foi prova convincente da crueldade e extensão das devastações como a dos bárbaros. Uma espécie de profunda noite envolveu a capital da República, glória e honra dos brasileiros, mundialmente reconhecida e admirada. E todo o projeto destruidor foi minuciosamente elaborado e discutido, antes de posto em prática. Um crime hediondo cuidadosamente urdido e consumado, com a participação de milhares de pessoas, agentes robôs de mandantes criminosos.

Baltazar Garzón, juiz espanhol que condenou à prisão Augusto Pinochet e a 640 anos o argentino Scilingo, dos voos da morte, a maldita Operação Condor, em entrevista a jornal brasileiro, observou com propriedade: “Não foi algo casual, nem espontâneo. É preciso chegar até o fim nas investigações e sancionar os autores intelectuais, assim como àqueles que financiaram esses atos violentos, de terrorismo e de graves atentados. Foi um verdadeiro atentado à democracia, um golpe de Estado que deve ser severamente condenado como tal”.

Garzón também declara: “Os problemas que enfrentamos são complexos, e as soluções também serão. Creio que os progressistas não devem minimizar o crescimento da ultradireita, pois, ao fazê-lo, podemos nos deparar com acontecimentos como o de 8 de janeiro, em Brasília. Colocaremos em risco a democracia se permanecermos indiferentes a esse fenômeno”.


86593
Por Manoel Hygino - 14/1/2023 07:56:12

Hora de Francisco Sá

Manoel Hygino

Sem desejarmos fazer coluna de registros históricos, não podemos, contudo, omitir-nos se os fatos o impuserem. Como agora. Segundo Joaquim Ribeiro Costa, na “Toponímia de Minas Gerais”, atualizada por Joaquim Ribeiro Filho, o município de Francisco Sá está comemorando, este ano, centenário, nos termos da Lei nº 843, de 7 de novembro de 1923, embora somente adquirisse o nome atual em 1938.

Tudo para chegar ao âmago. O nome da cidade, Francisco Sá, se deve aos relevantes serviços à região, a Minas e ao Brasil pelo homenageado, nascido de família proeminente na economia e na política norte-mineira. O avô do menino Chico era Josefino Vieira Machado, barão de Guaicuí, republicano e abolicionista, inclusive na navegação do rio das velhas, lavouras de café, algodão, cana-de-acúcar e serrarias.

Fez curso primário no Seminário de Diamantina, transferiu-se para o Rio de Janeiro, iniciando engenharia na Politécnica, concluído na Escola de Minas de Ouro Preto. Quando a província do Ceará foi presidida pelo mineiro Carlos Honório Benedito Otoni, Francisco Sá se viu conduzido a engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Baturité, a primeira do Ceará, ligando-a a Pernambuco.

Daí para frente, só novas incumbências e graves responsabilidades naquele tempo de constantes variações políticas regionais. Deputado provincial por Minas Gerais em 1888-1889, deputado geral pelo Ceará em 1889, reeleito para as legislaturas 1897-1899, 1900-1902, 1903-1905, e senador em 1906-1909, 1912-1915, 1922-1926 e 1927-1930. Esteve à frente da exploração de depósitos de salitre em Minas Gerais, no vale do Rio das Velhas, e Bahia, e engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Mogiana. Em Minas, foi inspetor de terras e colonização, na gestão de Afonso Pena (1892-1894), e secretário da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, com Crispim Jacques Bias Fortes (1894-1898), renunciando para assumir mandato de deputado federal. Nomeado ministro de Viação e Obras Públicas (1909-1910) por Nilo Peçanha (1909-1910), inaugurou o rádio no Brasil.

No ministério, destacou-se pela criação da Inspetoria de Obras Contra a Seca (1909), que passou a coordenar as ações destinadas a prevenir e atenuar os efeitos das estiagens, antes distribuídos dispersamente no ministério, responsável pela construção de açudes, poços, canais de irrigação e barragens. Era antecipação nacional de combate às secas e da própria Sudene.

Deve muito a nação à atuação de Francisco Sá, responsável em termos norte-mineiros, pela implantação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1926, finalmente, com muita festa, música e foguete, se inaugurou o ramal de Montes Claros, a mais importante cidade da região.


86591
Por Manoel Hygino - 11/1/2023 09:17:00
A guerra irregular

Manoel Hygino

Um profissional de imprensa foi mais uma vez vítima por estar no exercício de suas obrigações. Aconteceu no último dia 5, quinta-feira, nas proximidades de um acampamento instalado nas proximidades da Companhia de Comando da 4ª Brigada Militar, na avenida Raja Gabaglia. Mencionado profissional, fotógrafo do jornal “Hoje em Dia”, apenas cumpria ordens para produção de matéria sobre a permanência de grupos que ali se instalaram.

À distância, ele realizava seu trabalho, quando foi perseguido por manifestantes abusivamente. Viu-se, assim, pessoas sem atividade útil qualquer naquela ocasião e local, partirem para ataque a um cidadão que simplesmente cumpria sua missão.

O malogrado tentou escapar à fúria dos acampados, correndo a esconder-se detrás de um carro. Era o que lhe restava, mas foi derrubado e arrastado pelo piso da via pública, recebendo socos, chutes e até pauladas. Sofreu um corte na cabeça, o que o obrigou a atendimento médico em unidade de saúde. Quanto aos seus equipamentos, os resultados também foram perversos. A câmera fotográfica desapareceu e as respectivas lentes foram danificadas, impedindo seu uso a partir de então.

Como não poderia deixar de ser, prestigiosas entidades sociais e de profissionais de todo o país hipotecaram solidariedade ao trabalhador de comunicação, pedindo – ou exigindo – “justiça e punição” para os agressores, até porque não se trata do primeiro episódio do tipo, que se estende a outros atentados no Ceará, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Estas atitudes se tornaram costumeiras, sobretudo à porta dos quartéis causando intranquilidade e medo nas vias públicas, principalmente nas capitais.

Segundo autoridade no assunto, as guerras não são mais as mesmas. Em vez da confrontação militar, o mundo vem assistindo a uma série de embates “irregulares”, como terrorismo, guerrilha, insurreição, movimentos de resistência e conflitos assimétricos em geral.

É o caso da Raja Gabaglia, que exige atenção do poder público, se repetiu em Brasília, criminosamente. O que aconteceu na Capital Federal, domingo, foi uma exibição contra a democracia, com atos de terrorismo não típicos da índole do povo brasileiro. O prólogo foi em Belo Horizonte.


86589
Por Manoel Hygino - 10/1/2023 09:20:04
Bento XVI diz adeus

Manoel Hygino

Aconteceu como seu sucessor, Francisco, praticamente previra. O papa Bento XVI, de 95 anos, não resistiu ao agravamento de seu quadro clínico e da idade e faleceu com o ano 2022, enquanto as ruas de todo o mundo exultavam o número novo no calendário. As manifestações de pesar e solidariedade se repetiram por todas as nações, inclusive entre aquelas que não integram a Igreja de Roma, como a Ortodoxa russa.

Considerado um dos maiores teólogos deste nosso tempo, Bento XVI encerrou seu período à frente da Igreja em um aposento solitário no Vaticano, anos após participar no Brasil das festividades de canonização de Frei Galvão, o primeiro santo aqui nascido. Esteve presente em todos os atos, reconhecendo o milagre da restauração da saúde de Enzo, de 7 anos, desenganado pelos meios médicos.

Mas o notabilíssimo estudioso da Igreja, de sua história, de dúvidas que resistiam apesar da fluência do tempo, dos erros tornados públicos, como o desvio sexual de sacerdotes e de questões envolvendo o Banco do Vaticano.

O pontífice alemão não conseguiu resistir mais, contudo, às dores e atropelos e resolveu renunciar ao trono que Pedro inaugurara séculos antes. Em sua visita ao Brasil, em maio de 2007, Bento XVI teve ensejo, em várias ocasiões, de apelar em favor dos pobres e enfermos, enfim de todos os necessitados.

Às lideranças políticas brasileiras, usou um tom de cobrança, perfeitamente válido nesta hora de sucessão no comando da administração. Afirmou: “Cumpre formar nas classe políticas e empresariais um autêntico espírito de veracidade e de honestidade. Quem assume uma liderança na sociedade deve procurar prever as consequências sociais, diretas e indiretas, a curto e a longo prazos, das próprias decisões, agindo segundo critérios de maximização do bem comum, ao invés de procurar ganâncias pessoais”.

Visitando em Guaratinguetá, uma obra de reabilitação de dependentes químicos, admoestou: “O Brasil possui uma estatística, das mais relevantes, no que diz respeito à dependência de drogas e entorpecentes”. Logo imprescindível e urgente, prioritária, a reinserção dos que caíram no engodo criminoso das drogas e a volta ao abrigo do bem, do lar, da saúde e de Deus.


86587
Por Manoel Hygino - 7/1/2023 08:35:31
Agora, sem rei

Manoel Hygino

Seria, ou é, impossível alguma opinião, sequer uma simples frase, ao que já se disse e publicou sobre o passamento de Pelé, já pretérito, triste, para uma nação que ultimamente sente tantas dores e decepções. O pesar pelo falecimento do atleta do século foi uma explosão de um povo que acompanha o futebol como esporte maior e recarrega baterias para os deveres do dia e do porvir, com de precária alegria.

Pelé permanecerá, já lenda e história, enquanto o corpo do cidadão brasileiro de 82 anos descansará dos embates que caracterizaram uma vida quase em plenitude. Sem se imiscuir na vida política, julgou-se no direito ou dever de não jogar em 1974 “por desgosto em relação ao regime político do país”. Era a época da ditadura”.

Nascido no curato do Santíssimo Coração, elevado a paróquia por decreto imperial de 1832. Três Corações, no Sul de Minas, não é uma cidadezinha, como a descreveram alguns repórteres de rádio e televisão. É um núcleo com cerca de 100 mil habitantes, às margens de rodovia federal, em que se ergueu uma estátua ao herói do futebol. O nome atual lhe foi dado por lei de 1923, há um século.

Cidadão brasileiro reverenciado em todas as nações, Edson Arantes do Nascimento é um dos poucos esportistas que jamais se envolveu em disputas mesquinhas, em agressão física ao adversário, em participar de questiúnculas de vestiários e malévolas conversas da frivolidade social. Viveu a existência intensamente.

As gerações de hoje irão orgulhar-se por terem visto o craque eterno nos campos de futebol de todo o mundo, de tê-lo acompanhado em partidas sensacionais, o que constitui um privilégio.

O menino que saiu da terra natal aos 4 anos, de família humilde interiorana, no auge da carreira não deixava de dar graças a Deus por seu êxito e de rogar em nome dEle bênçãos para as pessoas de sua convivência, ou a quem devia algum tipo de agradecimento.

Edson Arantes do Nascimento exibia sorrisos quase sempre diante dos fotógrafos. Era bom humorado e otimista. Tinha razão: enfim sua mãe tinha nome adequado – Celeste. Com mais de cem anos, ela sobreviveu para assistir a glorificação do filho, rogando para que suba aos céus.


86584
Por Manoel Hygino - 3/1/2023 08:56:20
Um período difícil

Manoel Hygino

O novo governo da velha República tem início estigmatizado pelos desencontros das eleições realizadas em 2022 e que despertaram uma onda de dúvidas quanto ao futuro, acalentada duramente pelos temores legados por movimentos de pessoas e grupos associados ao quatriênio que terminou.

O brasileiro, agora desencantado com as perspectivas de um tempo mais pródigo e sadio, se revela ansioso por conquistar igualdade entre os segmentos da sociedade, nivelados no direito a uma vida digna material e espiritualmente. Pensa e remói incertezas.

O panorama mundial não é dos mais promissores, a América Latina novamente se envolve em perigosas expressões de desconfiança ou de desaprovação de seus dirigentes, e no Brasil, temos não poucas divisões e litigâncias, facilmente identificáveis pela mídia.

Aylê Quintão, jornalista mineiro radicado em Brasília, professor, com experiência em importantes veículos de comunicação e atuação no exterior, também se atribula diante das circunstâncias adversas da hora presente. Em recente artigo, manifestou-se: “Cerca de 13,7 milhões vivem abaixo da linha da pobreza extrema; milhões de trabalhadores estão desempregados; dez milhões são analfabetos. O saldo é de quase miséria e desigualdade, crescentes. Para a socióloga Renata Duarte, da UFPe, crianças nascidas em um contexto de pobreza têm maior probabilidade de se tornarem famílias pobres de amanhã. Todo cuidado é pouco. Não tiramos ainda a sorte grande. Recomenda-se calma. Nesse cenário ministerial confuso, não há e não haverá futebol nem Natal que salve o brasileiro. O Planejamento não resolve problemas, traça perfis. Sem bom senso, teremos de conviver ainda por muito tempo com um Brasil problemático”.

A Copa do Mundo se foi, os hermanos limítrofes ao Sul se consagraram, apesar de seus numerosos e difíceis desafios, inclusive da inflação que corrói orçamentos e destrói planos e sonhos. Para o Brasil, sequer sobrou a ilusão do próximo período carnavalesco e de fim de ano, já transcorrido, boicotado por salários baixos e, além e acima de tudo, com o espectro da Covid perambulando pelo grande território.

Não há soluções definidas e prontas para soluções em curto prazo. O novo governo, assentado há poucos dias, enfrentará uma guerra extensa e violenta em todos os quadrantes, enquanto os candidatos a cargos públicos na gestão recém-iniciada levantam as mãos e gritam: olha, eu aqui.


86580
Por Manoel Hygino - 31/12/2022 07:57:18
Escoteiros sempre

Manoel Hygino

A iniciativa de George Washington de Oliveira Souza, no final de semana, na capital da República, visando fazer explodir um artefato nas proximidades do aeroporto, está sendo investigada no âmbito da polícia civil. O que demonstra que a autoridade pública está atenta aos acontecimentos, como não poderia deixar de ser.

Em depoimento à polícia, o indivíduo suspeito declarou que planejara com manifestantes nas proximidades do Quartel General do Exército, a instalação de explosivos, em, no mínimo, dois locais da cidade- sede do governo federal, desse equipamento para “dar início ao caos” que levaria à “decretação do estado de sítio no país, podendo assim provocar a intervenção das Forças Armadas”.

Em resumo, empresário, por vontade pessoal, um indivíduo de nacionalidade brasileira, decidiu intervir na vida do país, depois dos resultados eleitorais do pleito deste 2022, com os quais não concordara. Acrescentou, ele, ainda, outros pormenores do plano frustrado, com instalação de uma bomba na subestação de energia elétrica em Taguatinga e de explosivos em postes de iluminação, naquela cidade do Distrito Federal.

Para seus propósitos perversos, esperava contar com outros simpatizantes de sua ideia, graças ao que conseguiria o desfecho de uma tragédia no centro dirigente dos destinos nacionais.

O famigerado planejador confessou que, para seu projeto, utilizava seus próprios meios financeiros, e seria seguido por pessoas solidárias, inclusive para aquisição de armas como as de que dispunha e trouxera do Pará, estado em que reside.

Num país que se julgava pacífico e que atribuiria maquinações dessa espécie às esquerdas, o plano macabro e terrorista esclarece que também a direita estava disposta ao embate que convulsionaria o Brasil. Temos de ficar em alerta, como escoteiros da pátria, em todos os rincões e com qualquer idade.

O novo governo, deste modo, começa lidando com um problema, que considero grave e, além disso, que exige providências urgentes para que as consequências não sejam mais funestas. O imprescindível e inadiável é que nascemos cidadãos deste país que habitamos e em que nascemos sejam antes de tudo patriotas, o que vem faltando, ininterruptamente quase.

Em todo caso, cabe esperar com confiança e fé.


86578
Por Manoel Hygino - 28/12/2022 09:33:11

Uma voz ao Sul

Manoel Hygino

Pode ser que esteja sendo vítima de pessimismo. Não é bem assim, mesmo vivendo em um período difícil do Brasil como nação, de país que abriga gente aqui nascida ou procedente de outros rincões do planeta. Mas os números e comentários de outros autores, que não eu, revelam a coincidência de pensamento e julgamento sobre temas marcantes da vida brasileira, sobretudo com as incertezas e rudezas da hora.

Mas, há também semelhança em termos de análise, e manifestação sobre autores daqui e dali. É o caso de Enéias Athanázio, do Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Tornou-se personalidade da história local e estadual, pelo muito que já difundiu sobre a província de que um mineiro foi presidente em priscas eras. Refiro-me a Antônio Gonçalves Chaves, que já passara pela chefia dos destinos de Minas por duas vezes, sendo honrado com a direção dos negócios públicos da bela província do Sul.

Minas e Santa Catarina se apresentam de mãos dadas em oportunidades várias. Uma delas, aliás, graças a Enéas, ardoroso admirador da obra de Godofredo Rangel e de Monteiro Lobato, representantes das três unidades da Federação ligadas por escritores de nível nacional.

As qualidades indiscutíveis do autor de Santa Catarina foram, mais uma vez, há pouco, enaltecidas em “Opúsculo”, o articulismo cultural de Enéas Athanázio, do mineiro Guilherme Queiroz de Macedo, que focalizou o precioso conteúdo da obra do escritor catarinense.

Ele se explica: “Diante de 75 livros já publicados por Athanázio (60 livros e 15 opúsculos), é impossível, dentro dos limites de espaço, citarmos todas as obras. Gostaria de destacar as seguintes obras: a novela literária ‘A Liberdade fica Longe’ (2001, 2007), uma das obras que sintetiza como se constitui o leitor e o escritor, através do gosto e do prazer estético pela leitura e escrita literárias. Dentre as obras enviadas pelo autor destaco ainda ‘Vida Confinada’, relato de autoficção do autor sobre a sua trajetória estudantil em um colégio interno católico no final das décadas de 1940 e início da década de 1950 do século XX, a qual foi objeto de abordagem em dois artigos publicados no periódico “Escrituras Brasileiras” (2008). Outra interessante obra literária do autor, entre 1999 e 2001, foi o livro ‘Fazer o Piauí: crônicas do meio norte’ (2000), sobre o intercâmbio do autor com os autores e a vida cultural daquele estado, cujos frutos mereceram posteriormente outra obra, denominada ‘Meu Amigo, o Piauí’, lançada em 2008”.


86575
Por Manoel Hygino - 24/12/2022 07:56:31
Minas, como ela é

Manoel Hygino

De querida senhora da sociedade de minha terra natal, Montes Claros, recebi a pergunta: “O que você acha que vai ser do nosso amado Brasil daqui para frente? Estou muito angustiada quanto aos acontecimentos nacionais”. O desembargador Rogério Medeiros me ajuda na resposta, citando Alceu Amoroso Lima, na revista “MagisCultura”: “As montanhas de Minas Gerais limitam os horizontes e os habitantes vivem de forma tranquila e pressa. Os mineiros são ensimesmados e meditativos”.

Affonso Romano de Sant’Anna observa: “Minas é um modo de ser e de estar”. A riqueza de Minas está inscrita no seu próprio nome – é um estado plural. Plural de montanhas, plural de minérios e de mineiros (...). “Os mineiros se divertem a si mesmos e aos demais falando da “mineiridade” (sabedoria) e da “mineirice” (esperteza)”.

Na política, Benedito, Alkmim e Tancredo Neves ilustram esse anedotário. E outros se especializaram nessa irônica interpretação, como Guimarães Rosa, Drummond e Fernando Sabino. O próprio genro de Benedito Valadares, governador de Estado quando nos demais eram interventores, o que explica o jeito e a maneira de ser mineiro: “Ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama. É plantar verde pra colher maduro. É não meter a mão em cumbuca. Não dar passo maior que as pernas. Não amarrar cachorro com linguiça. Porque mineiro não prega prego sem estopa. Mineiro não dá ponto sem nó. Mineiro não perde trem (...). “Evém mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz parte do decálogo, que alguém já elaborou. E não enlouquece: piora. Ou declara, conforme manda a delicadeza. No mais, é confiar desconfiando. Dois é bom, três é comício. Devagar, que eu tenho pressa (...). Um Estado de nariz imenso, um estado de espírito: um jeito de ser. “Manhoso, ladino, cauteloso, desconfiado – prudência e capitalização”.

Assim sendo, o homem de Minas deixa a viola da seresta e parte sem temor para uma revolução, como se fossem assemelhados. O que mineiro não aprova é perder a namorada ou uma batalha. Basta conferir na história, também varia em muitos setênios. Como disse Drummond, poeta e mineiro, “o Estado mais conservador da União abriga o espírito mais livre, porque a aparente docilidade esconde reservas de insubmissão, às vezes convertida em ironia”.



86573
Por Manoel Hygino - 21/12/2022 09:18:46
Quando Jesus nasceu

Manoel Hygino

Quem desejar conhecer mais a Bíblia sem se arvorar a dizer-se especialista, poderá seguir o meu exemplo: recorrer a “O livro de curiosidades da Bíblia”, de Pedro Rogério Moreira, ex-correspondente da Globo na Amazônia, embora uma coisa nada tenha a ver com a outra. O escritor, filho do ex-presidente da Academia Mineira de Letras, Vivaldi Moreira, e que lá o substituiu, esclarece sobremaneira quando se tem necessidade.

Como estamos na semana natalina, resolvi consultar Pedro Rogério sobre o aniversário de Jesus. Ele respondeu incontinenti: Os evangelistas não informaram o dia, nem o ano, do nascimento do mestre. As pesquisas documentais e astronômicas mais atuais, algumas baseadas em referências históricas encontráveis nos Evangelhos, mesmo as meteorológicas e cômicas (como a aparição do cometa tido como a Estrela de Belém), informam que Jesus deve ter nascido no fim do ano de 748 de Roma, correspondente ao ano 6 da Era Cristã. Já é algo de precioso chegar-se à conclusão.

Mas o escritor se julgou no dever de também perguntar: Por que a diferença entre o antigo calendário romano e o calendário cristão? Ele explica: Culpa cabe a um monge, chamado Dionísio, o Exíguo, a quem a Igreja solicitou que ficasse a data de nascimento de Jesus. E, segundo a “Vida de Cristo”, de Ricciotti, o Exíguo errou no cálculo astronômico, fixando-o no ano 753, e o mundo moderno aceitou e perpetuou o erro.

Outro pormenor que se aprende: Os chamados reis que foram adorar o Menino Jesus em Belém não eram soberanos, mas magos - segundo o único evangelista a mencioná-los, em Mateus 2.1. A interpretação dos estudiosos indica que eram astrônomos persas procedentes do Oriente, ou seja, sacerdotes do zoroastrismo.

Mais um pormenor: o evangelista não diz que eram três, nem os seus nomes não são citados. O Belchior, Baltazar e Gaspar foram dados pelo folclore dos primeiros séculos da cristandade, e os nomes “pegaram” e usados até este século XXI.

Para finalizar: o profeta Isaías foi quem denominou o Cristo, na sua antevisão do nascimento do Menino Jesus: “Nasceu para nós um menino; o nome que lhe foi dado é Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz”.


86570
Por Manoel Hygino - 17/12/2022 07:26:44
O novo limiar

Manoel Hygino

Estamos no limiar de um novo ano. Limiar é uma palavra bonita, curta e sonora. É a porta de entrada, o começo, princípio. Realmente 2022 se está esvaindo, agonizante. Depois do fracasso fragoroso do Brasil, disputa de uma competição de esporte em que era considerado um dos maiores do mundo, tudo parece gris, cinzento, sobretudo para este povo que se formou no hemisfério Sul da América e sonhou com o melhor e mais promissor.

E o escritor português Camilo Castelo Branco anotou em romance: “Não te digo que faças confissão pública dos teus erros, no limiar da Igreja”, a que outro conterrâneo acrescentaria: “Antes de qualquer ideia de desconfiança, coloque a sua comoção no limiar do raciocínio”, algo que soa como uma espécie de aconselhamento aos que alimentavam na Copa a expectativa de bom sucesso.

Num mundo em que perpassam tantas incertezas, um novo começo é sempre portador de desconfiança. Daqui a pouco, instala-se um governo gerado por uma terrível dicotomia política, por polarização jamais tão poderosa após a Revolução de 1930 e, depois, pelos efeitos da de 1964, sobre a qual tanto se discute sem resultar em propostas positivas práticas.

O que nos reserva a História depois dos acirrados debates eleitorais de 2022? O mundo atravessa difícil processo de tentativas de refazer-se no campo político, econômico, geográfico e social.

Ainda persistem sinais de desavenças que podem conduzir a enfrentamentos bélicos, que admitem até a ação nuclear.

Estamos numa terrível encruzilhada em que a guerra da Rússia contra a Ucrânia se tornou apenas uma experiência mal sucedida de conquistar quinhões de terra para favorecimento dos mais poderosos e ambiciosos.

Segundo advertiu recentemente o jornalista Aylê-Salassié, o mundo poderá entrar em guerra logo. Os mandões nos países de maior expressão territorial e forças militares desdenham as consequências, protegidos pelos aparelhos do Estado. Quem vai sentir a sua cidade destruída, sua casa invadida, fugir das bombas e morrer é a população civil. Em um cenário como esse, a palavra perde o sentido assim como o cidadão os direitos enraizados na cultura e a própria terra de origem.

Os líderes, perversos não se comprometem a respeitar limites, o próprio planeta, sem pensar na destruição e desolação que causam.


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Por Manoel Hygino - 13/12/2022 08:56:39
As capitais

Manoel Hygino

Belo Horizonte faz aniversário. São 125 anos desde sua inauguração naquele memorável 12 de dezembro de 1897, quando as atenções da República para cá se transportaram. Foi uma extensa campanha para a transferência da sede da capital do Estado para onde finalmente ela se implantou.

O historiador Waldemar de Almeida Barbosa, que para que veio 1927, sublinho como se deu a importante medida, que constituiu verdadeira guerra que os ouro-pretanos se moveram contra a mudança. Uma comissão foi obrigada a ir ao Rio para procurar o Marechal Deodoro, presidente da República, para pedir sua interferência no sentido de impedi-la.

Tamanho e tão sério ambiente de hostilidade da antiga Vila Rica contra os mudancistas, que o Congresso Mineiro se viu coagido a funcionar em Barbacena, a fim de decidir livremente.

Mas o que é mais valioso, como ressalta Almeida Barbosa, é que a providência, isto é, a transferência, teve o mérito de salvar Ouro Preto. Caso a capital tivesse lá permanecido, a criação de órgãos administrativos, a ampliação de empreendimentos indispensáveis à gestão pública, teriam resultado no sacrifício de notáveis edificações arquitetônicas antigas, além de relíquias artísticas e históricas.

São eles, aliás, que fazem da velha cidade, mais uma vez sob a direção do Prefeito Ângelo Osvaldo de Araújo Santos, a maravilha que atrai e recebe visitantes de todo o país e do exterior. Se Ouro Preto é, ainda hoje, o que é, deve-o inegavelmente a Belo Horizonte. A nova metrópole se tornou uma espécie de anjo salvador de Vila Rica, sucessora de Mariana como sede do governo.

Daí, a responsabilidade social do belo-horizontino ao zelar pela nova capital. Está, por via de consequência, contribuindo para preservar o notável legado que o passado atribuiu à antiga capital, de insuperável grandeza como reconhecido por organismos internacionais.

Não sem razão, Bouvard, chefe do serviço de urbanismo de Paris, declarou, em 1911, que cabe “aos poderes públicos apenas respeitar seu plano, e prosseguir na obra inteligentemente delineada”.


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Por Manoel Hygino - 10/12/2022 06:43:32
Sem nada para frente

Manoel Hygino

Um ano não apropriado à eleição para quem já está no poder. O presidente, cujo mandato está agonizante, que o diga. Bastaria lembrar que se computavam 33 milhões o número de pessoas passando fome. Mas recentemente, independente de Copa do Mundo, fica-se sabendo mais em torno de um problema essencial. Morrer por falta de comida na terra de Canaã não é algo admissível.

O IBGE revelou que, no ano passado, 62,5 milhões de habitantes do país eram considerados pobres. Isso significa 29,4% da população total, que anda pelos 212,6 milhões. É muita gente, mas se deve advertir que, dos mais de 62 milhões de apenados por falta de alimento indispensável, 17,9 milhões viviam em situação de extrema pobreza, correspondendo a 8,4% da população geral.

Dá dó, e ainda se deve levar em conta que ONGs, instituições filantrópicas e famílias bem intencionadas oferecem cestas básicas solidariamente, além de empresas que propiciam esse benefício a seus empregados. Os dados mencionados, aliás, refletem um quadro que se vem repetindo desde 2012, como ressalta a fonte.

Agência noticiosa enfatiza que esses números deprimentes equivalem à população inteira do Estado do Paraná. E não é invenção de mentes interessadas em divulgar o que é ruim ou humilhante; são informações emanadas de instituição digna de confiança e oficial.

De fato, o IBGE levanta os dados e analisa estatísticas em específicas áreas, como padrão de vida, trabalho e saúde, visando oferecer suporte técnico para as ações de governo. O Instituto observa que a evolução negativa para os carentes resultam da diminuição dos valores de socorro, a despeito da propaganda exposta principalmente pelas televisões.

Por outro lado, o crescimento de percentuais negativas de pessoas assistidas provenha da retomada incompleta do mercado de trabalho. Em resumo, o retorno das atividades econômicas não foi suficiente para impedir a perda de rendas e salários à época. Há mais um dado que se deve expor: o percentual de crianças de até 14 anos abaixo da linha de pobreza alcançou 46,2% no Brasil, o que é extremamente desalentador e inquietante. Como se comportará esse continente humano a partir das idades seguintes?


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Por Manoel Hygino - 7/12/2022 09:36:21
E agora, fazer o quê...

Manoel Hygino

Eu me pergunto: como se sentiriam o presidente Artur Bernardes e o imenso poeta Carlos Drummond de Andrade no momento histórico que Itabira e Minas ora atravessam diante da expressiva redução da produção de minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce?

Não se ignora e não se pode esquecer que a empresa é responsável por grande parte da arrecadação de tributos nas terras da velha província e pela ocupação de milhares de brasileiros.

Mas a situação agora é muito diferente da época do antigo presidente do estado e da nação. E a situação não é das mais confortáveis, a julgar pelos dados contidos nos relatórios oficiais. E não se poderá esquecer as informações por eles oferecidas.

A primeira é que a produção de minério de ferro em Minas registra uma queda, até certo ponto esperada, mas sumamente grave para uma unidade da Federação que muito já sofre pelas novas demandas da população e por tantas outras que cabe ao poder público resolver.

Nossa produção do minério revela um declive notável, pois chegou a 36,3% entre 2017 e 2021. Significa que de 194,9 milhões de toneladas baixou para 141,1 milhões, isto é, mostrando uma diminuição de 70,8 milhões. Isso, em resumo, equivale a todo o complexo Sudeste em 2021, que compreende a produção de Mariana, Itabira e Minas Centrais.

São fatos e números dolorosos para a economia mineira, exatamente quando não se sabe o que nos reserva nossa economia. Consequentemente, milhares de pessoas perderão seus vínculos empregatícios com a Vale em Minas. Em números frios são 20 mil, evidentemente com suas famílias e as perspectivas de futuro promissor.

É uma realidade que não se deveria esquecer, porque há décadas o minério era retirado e já sofria os efeitos da exploração. Para a Vale, nada de doer. Ela tem reservas em outros estados, a começar pelo Pará, que também oferece um produto de melhor qualidade que o nosso.
Eis a hora de perguntar ao poeta maior: e, agora, José?


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Por Manoel Hygino - 6/12/2022 08:42:25
Perigo à vista

Manoel Hygino

Há uma lastimável, sob todos os aspectos, onda de violência perpetrada por adolescentes em cidades do país. Minas não ficou de fora destes registros e ocorrências, que geram natural inquietação entre os brasileiros, porque surgem rotuladas pela aparência ou sinais de verdadeiro neonazismo. Em uma cidade do Espírito Santo, vidas de jovens estudantes de dois educandários e de professores foram ceifadas a tiros. Em escola de Contagem, seus bens foram danificados amplamente, enquanto símbolos nazistas foram desenhados nas paredes.

Sabe-se que os envolvidos poderão responder por vandalismo e racismo, por exibirem mensagens de ódio. As provas estão à vista, assinaladas por mensagens suásticas, em flagrante desrespeito à lei 7.716/ 1989. As autoridades, como não poderiam deixar de ser, foram despertadas para o problema e desenvolvem investigações. Estas exigem cuidados especiais por serem os autores menores, possivelmente impelidos por terceiros, talvez os próprios pais ou responsáveis.

Agora, acabo de ler em jornal o caso de um adolescente de 14 anos, flagrado com martelo e machadinha em uma escola da rede estadual de Ubá. Ele teria confessado aos policiais que pretendia realizar um massacre, inspirado em vídeos da rede social, Tik Tok.

Na sua mochila, encontrou-se caderno com desenhos de bonecos se atacando, além de bilhete com os dizeres: “Vou fazer massacre com um machado e martelo”.

Depreende-se que o problema é bem mais amplo do que se julgaria, fazendo-se indispensável que as autoridades ajam com cuidados, mas também com a firmeza e Lucidez impostos pelas circunstâncias.

Tem-se de admitir que não somente os partidários e fanáticos do nazismo de décadas atrás estão por detrás de projetos contra o Brasil e os brasileiros. Há adversários ideológicos, mas também equipamentos comerciais prontos a pôr em risco a nossa juventude e, por extensão, os planos e sonhos de grandeza da pátria.

Não podemos ignorar que, consoante a realidade, o Brasil vive uma situação alarmante em termos de violência de suas crianças. Entre 2020 e junho de 2022, pelo menos 4.279 crianças e adolescentes sofreram violência só em Minas Gerais. Assim mesmo, considerando apenas os 178 municípios do Estado, em que os Conselhos Tutelares usam o sistema que computa dados.


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Por Manoel Hygino - 3/12/2022 07:24:30
Hora da decisão

Manoel Hygino

Durante vários dias, o Brasil parou – quando não andava já bem das pernas – para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Futebol é um esporte que agrada aos nascidos nesta parte do planeta que se localiza no hemisfério Sul das Américas, o Novo Mundo celebrado não apenas por Colombo. Na primeira partida, tudo bem. A seleção, dita Canarinha, derrotou o contendor por 2 a 0. E agora?

Em verdade, a população deste território está preocupada com o valor das mensalidades escolares e com os preços dos comestíveis nos supermercados e feiras-livres, ou não livres. Eles andam pela hora da morte (para usar a expressão popular), até porque os valores são muito elevados para quem precisa alimentar famílias mais numerosas. Os integrantes da comissão de transição no âmbito do governo federal se estagnam sem definir por esta ou aquela proposta defendida na enorme comissão constituída.

Os membros de mencionado órgão parecem estar em dúvida, como aquele vendedor de abóboras do interior mineiro: não sabem se são a favor ou contra aquela medida, antes pelo contrário. Sabedoria de roceiro, que não é bobo, não senhor.

No final de contas, os técnicos consideram que as desigualdades sociais, regionais e de renda no Brasil contribuem para perpetuar uma estrutura de baixa mobilidade social no país. Esta situação dificulta a ascensão dos mais pobres e assegura a permanência dos mais ricos, os privilegiados, no poder.

Fazer o quê?

Até o início efetivo da gestão do novo presidente, muita água vai correr sob a ponte da vida nacional, possivelmente engrossando o caudal viscoso dos preços de artigos de primeira necessidade. Quem viver, verá.

O economista Breno Sampaio, autor, ou um dos autores de estudo em questão, comenta: “Uma parte do Brasil sustenta o discurso de que, se você se esforça na vida, você se dá bem”. Outro economista opina: “Somos uma sociedade bastante desigual em termos de oportunidade. O esforço não significa sucesso”.

Ainda, segundo os pesquisadores: “o papel da educação parece ser central na determinação da renda futura das crianças. E a qualidade do ensino tende a explicar as diferenças regionais. Um dos indícios é a constatação de que quanto mais novos são os filhos no momento da migração, maior é o impacto da mudança sobre sua renda futura”.

E a interrogação se mantém. Os pesquisadores recorreram dados e pareceres técnicos de vários países e organizações internacionais. Agora é esperar e rezar.


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Por Manoel Hygino - 30/11/2022 09:50:07
Esperando o BID

Manoel Hygino

A eleição de Ilan Goldfajn à presidência do BID tem dado o que falar, e se compreende perfeitamente. Embora o nome, ele é brasileiro e personalidade conceituada nos altos negócios do Brasil.

Sabe-se que o BID é importante fornecedor de crédito para países da América Latina e Caribe e, para chegar ao mais elevado posto da instituição, Goldfajn teve de enfrentar poderosos grupos e personalidades no mundo do dinheiro e do empresariado, inclusive os interesses de outros governos pretendentes ao cargo.

Desenvolto e rápido na manifestação de suas posições nas áreas que enfrentará, como já demonstrou no Banco Central, de que foi diretor, o novo presidente do BID não se deixou envolver pelas opiniões e manifestações daqueles que são contra seus pontos de vista. Ele sabe o que pensa e o diz com competência e argumentação de hábil contendor.

O que o move agora é o poder que adquiriu, ao ascender à presidência com 80% de votos do seleto eleitorado, sem se misturar com outros possíveis técnicos da área econômica. Não se trata, no caso específico, de uma Copa do Mundo, do lado de cá do planeta.

Ilan conhece o que tem em suas mãos. Apenas para o setor público, o BID dispõe de uma carteira de empréstimos de US$ 14 bilhões. Para a área privada, há uma divisão como a BID Investe, com aproximadamente, US$ 4,53 bilhões disponíveis.

Não é só: por sua BID Lab, há US$ 100 bilhões, que as destinam a financiar startups, que andam tão em moda internacionalmente. As nações das Américas e do Caribe especialmente estão de olhos gordos nestes créditos.

Não se esqueça, ademais, que uma das maiores negociações com o BID e o Brasil se concretizou com Minas Gerais, durante o mandato do governador Israel Pinheiro. Foi a de financiamento do Planoroeste o mais elevado empréstimo aos países representados no Banco, naquele período.

Recordo que, então Israel ressaltava o significado dos 145 milhões de cruzeiros aplicados de 1970 a 1975 pelo BID, enquanto o governo mineiro entraria com igual importância para concretização do projeto anunciado.

Seria oportuno que se inspirasse no passado e se avaliassem os resultados do projeto e da opção dada pelo BID naquela oportunidade. Um novo estado surgia naquela extensa região de Minas, abrindo expectativas para novos e vultosos empreendimentos. Os bons exemplos se encontram evidentemente no pretérito.


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Por Manoel Hygino - 29/11/2022 09:39:39
Oito bilhões mais

Manoel Hygino

No dia em que o Brasil comemorou mais um aniversário de Proclamação da República – 15 de novembro de 2022 -, a população mundial fez um registro: passou para 8 bilhões de pessoas. A imprensa pôde aproveitar o fato único, utilizando todos os meios de que dispunha. E o fez bem.

A Organização das Nações Unidas deu ênfase ao título, com justas razões. A entidade considerou “um importante marco no desenvolvimento humano”, mas ressaltou também “nossa responsabilidade compartilhada do cuidar de nosso planeta”.

São obvias as razões, a partir do fato de que “esse crescimento sem precedentes é resultado de um aumento progressivo da expectativa de vida, graças aos avanços em saúde pública, nutrição, higiene pessoal e medicina”.

Os avanços que conduziram à nova cifra apresentam ou representam deveres, dando continuação ao esforço que vinha de 1950, quando o planeta abrigava 2,5 bilhões de habitantes. Foi uma grande vitória, mas estabeleceu uma nova cadeia de deveres à humanidade. E a própria organização internacional, a ONU, advertiu para os enormes desafios para os países mais pobres, onde a evolução demográfica é mais acentuada.

Há de dar-se atenção ao fato e suas resultantes. O planeta ultrapassa a casa dos 8 bilhões de habitantes em meio à Conferência Mundial do Clima, a COP 27, no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh, por exemplo.

Os países ricos medem seus deveres, porque eles são os maiores responsáveis pelo aquecimento global, e também dos pobres, que pedem ajuda para enfrentá-lo, de chegarem a um acordo para reduzir de forma mais contundente as emissões de gases de efeito estufa derivadas das atividades humanas.

Uma pesquisadora da ONU foi enfática: “Nosso impacto no planeta é determinado muito mais por nosso comportamento de que por nossos números”. Traduzindo: teremos de trabalhar e produzir muito mais para dar conta do recado, milhões de bocas que exigem mais alimentos e milhões de corpos mais assistência.

Ainda bem que não somos a Índia. Esta, com 1,4 bilhão de habitantes, superou a China e já é o país mais habitado do mundo.

Neste fim de ano, cabe-nos, pois, meditar sobre o que cada habitante da Terra precisará fazer para diminuir o impacto da nova ordem das cousas. Ou, então, caminhar fragorosamente para o destino final, para o qual nós estamos preparando nuclearmente.

Não se trata de um mero aviso, mas de uma tragédia amplamente anunciada. Cada homem de nosso tempo e desta hora tem grave responsabilidade nesta emergência. O destino da humanidade está nas mãos de cada um e de todos.


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Por Manoel Hygino - 23/11/2022 09:55:07
A boa lição

Manoel Hygino

Estamos nos dias quase finais de 2022, vivendo os momentos ainda renitentes do pleito eleitoral, quando já se suponha que o assunto estivesse morto e sepultado. Não aconteceu assim, embora o distinto público que elege seus mandatários desejasse paz para devotar-se a seus fazeres e enfrentar suas responsabilidades na comunidade. Assim se faz em uma democracia que se preza.

Persistem as tentativas de impedir as pessoas de ir e vir, o que é essencial direito do cidadão. Há legislação específica e a ela se submete aquele que se diz patriota e democrata. Para conhecer o caminho a ser percorrido há experiências em países do planeta e, no Brasil, já as provamos e aprovamos, ou os reprovamos.

O mundo atravessa um período difícil, um dos mais preocupantes de toda a história da humanidade, em que o risco e o medo de uma guerra nuclear estão muito próximos. O arsenal atômico perpassa sobre todas as cabeças e corações, como uma perigosa e plúmbea ameaça.

Não podem as nações como o Brasil ignorar os fatos como são e as ameaças permanentes em torno de nós.

Não vamos atear fogo ao palheiro. A vida de milhões está em jogo, a começar pela nossa, de nossos filhos, ancestrais, vizinhos de casa e por limitações geográficas.

Ademais, é útil lembrar que o Brasil é o maior país do hemisfério Sul do novo mundo. Temos graves deveres perante a História e sucessivas futuras gerações. Temos obrigação, dar exemplo de bom comportamento, como se diz nas aulas de cursos preliminares.

O mundo, o planeta e tudo que nele vive estão em processo de evolução, que pode ser para o bem e o mal, cabendo aos brasileiros de hoje, nos instantes atuais, definir-se para a hora presente o tempo vindouro.

Não é lícito fazermos coro aos discursos de ódio e belicosidade que se fazem em hora dramática para o porvir de nossas nações e nossos povos. As melhores lições e pregações são pela paz e pelo amor.

Já vivemos períodos dolorosos e pérfidos de ditadura. Estamos em democracia desde 1985. Vamos honrá-la e dar-lhe força e grandeza.


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Por Manoel Hygino - 19/11/2022 08:41:50
Foi em 1889

Manoel Hygino

O 15 de novembro passou, neste 2022. Mas, não se pense que a transição da monarquia para a República foi tão simples. Considerou-se deposta a dinastia imperial e, consequentemente, extinto o regime monárquico. Então se constituiu um governo provisório, que adotou as medidas no caso indicadas.

Então, o novo governo expediu um documento à nação, que merece ser lido agora neste ano. A proclamação dizia: “O povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e, em decorrência, a extinção do sistema monárquico – representativo”.

Acrescentava:

“Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um governo provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem pública a liberdade e o direito dos cidadãos”.

Estavam suficientemente definidos os objetivos fundamentais. Não cabia dúvida. Era o período de transição, mas tudo muito às claras:

“Para comporem esse governo, enquanto a nação soberana, pelos seus órgãos competentes, não proceder à escolha do governo definitivo, nomearam-se cidadãos de conduta sabidamente digna”.

Os nomeados ficavam cientes de que o governo provisório “simples agente temporário da soberania nacional”, é o governo da paz, da liberdade, da fraternidade e da ordem. Por força dessa determinação, “para a defesa da integridade da pátria e da ordem pública, o governo provisório, por todos os meios ao seu alcance, promete e garante a todos os habitantes do Brasil, nacionais e estrangeiros, a segurança da vida e da prosperidade, o respeito aos direitos individuais e políticos, salvas quanto a estes, as limitações exigidas pelo bem da pátria, e pela legítima defesa do governo proclamado pelo povo, pelo Exército, pela Aramada Nacional”.

E mais: “o governo provisório reconhece e acata todos os compromissos nacionais contraídos durante o regime anterior, os tratados subsistentes com as potências estrangeiras, a dívida pública externa e interna, os contratos vigentes e mais obrigações legalmente estatuídas”.

É o que se pode fazer agora, mutatis mutandis.


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Por Manoel Hygino - 16/11/2022 10:39:51
O nosso petróleo

Manoel Hygino

Os excelentes dividendos distribuídos aos acionistas da Petrobras adverte-nos para o que constituiu a luta pela criação e implantação da empresa no país. Foram décadas de tenacidade dos defensores da ideia, enquanto numerosos insistiam na tese de que não havia petróleo por aqui no que eram fortalecidos pelos grandes grupos internacionais de exploração e distribuição do ouro negro.

Naquela época, os estudantes se engajaram na difícil empreitada. Em Belo Horizonte, a campanha do “Petróleo é nosso” encontrou cenário apropriado nas proximidades da Faculdade de Direito e Praça Afonso Arinos. Faixas foram estendidas entre os postes e houve tardes e manhãs de veementes discursos.

O repórter Edgar Morel, do jornal O Cruzeiro, nunca havia visto um poço de óleo e foi ao Recôncavo Baiano, onde surgira oficialmente o petróleo em solo brasileiro, em 21 de janeiro de 1939. Deveu-se à teimosia de Oscar Cordeiro, com 1,55 de altura, pobre, mas que acreditava existir óleo no Recôncavo, apenas 30 quilômetros de Salvador.

Para sua aventurosa empreitada, Oscar recorreu ao que havia de mais antiquado em termos de ferramentas da época e máquinas que, de tão velhas, só poderiam ser encontradas na Abissínia, e olhe lá, disse Morel. É preciso observar que isso caminha para 100 anos, pois, em 1933, quando perfurava o poço que se dizia de Lobato, e de onde Oscar viu aquela “coisa”, visguenta, jorrar.

Então, os jornalistas Lourival Coutinho e Joel Silveira puderam constatar o fenômeno, pois viram Cordeiro encharcar as “próprias mãos, embriagados de patriotismo”. Parecia algo tão importante quanto descobrir o Brasil.

Depois do acontecido, Oscar Cordeiro tomou coragem e se dirigiu ao Ministério da Agricultura para levantar recursos e continuar as pesquisas, utilizando — assim esperava — sondas e brocas. Acabou alijado do programa e até proibido de entrar no acampamento.

Edgar Morel observou: “o Conselho Nacional do Petróleo reiniciou a perfuração do poço e Getúlio anunciou a descoberta de petróleo no Brasil, ficando famosa sua fotografia mostrando a mão suja de óleo negro”.

O jornalista insistiu. Queria conhecer o pioneiro Oscar Cordeiro. Encontrou-o atirado à miséria, empregado na Bolsa de Mercadorias de Salvador, com o ínfimo ordenado mensal de R$ 4 mil.

Os técnicos concluíram que o poço era produto de má-fé e desídia, que atrasara em cinco anos o início da exploração petrolífera no Brasil. Conseguiram desacreditar Oscar, o pioneiro.


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Por Manoel Hygino - 14/11/2022 08:41:56
Brasil no mundo

Manoel Hygino

Enquanto os navios de cruzeiro chegam à costa trazendo muitas centenas de turistas procedentes de vários países a visitar a terra descoberta ou encontrada por Cabral em 1500, meditamos sobre o que aqui encontrarão. Em verdade, não vivemos no melhor local do planeta, mas não desconhecemos tampouco a situação de enormes dificuldades enfrentadas pelos demais países, até considerados mais ricos, poderosos e, talvez, mais felizes.

O mundo está tomado por problemas gravíssimos, não somente os de natureza econômica. Ainda não se descobriu um meio – ou mais de um – para viver em paz. Haja vista não apenas a insana guerra iniciada por Moscou com a Ucrânia já vai fazer um ano, para a qual não se prevê fim. Este depende, ou dependeria, principalmente da disposição de Wladimir Putin, que não se dispõe a abdicar de sua ambição de poder.

Em outro território do planeta, os países ensaiam interminavelmente uma guerra efetiva com mísseis cruzando os céus e concorrendo com outras naves de grande poder ofensivo, missões que não se pode adivinhar como e quando chegarão a término.

Afinal, com que sonham ou o que pretendem esses países, que poderiam oferecer notável contribuição a um mundo de tranquilidade em que bem se entendessem seus povos. E se sabe que ponderável parte do planeta Terra ainda é habitado por milhões de pessoas que desejam apenas paz, saúde e um pouco de alimentação, neste que é o vigésimo-segundo ano de um século, que poderia destinar mais de bens e serviços que fizessem parte da humanidade menos desventurado.

Assim caminha a humanidade, em meio a desigualdades crônicas, que os lideres não conseguem eliminar. No Brasil, sabe-se que ser mulher, preto ou pardo diminui as oportunidades de ascensão social e realização pessoal. E há vias e meios de consegui-lo.

Enquanto os passageiros descem no litoral brasileiro para uma temporada feliz por aqui, enfrentamos nossos dramas que podem ser avaliados pelas estatísticas, que desfazem a ansiedade internacional em busca de férias reconfortantes.


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Por Manoel Hygino - 9/11/2022 09:01:28
Drummond sempre

Manoel Hygino

O Brasil comemora, este ano, o centenário de ilustres filhos seus. Entre eles, dentre muitos já focalizados e outros que o serão no decorrer dos meses faltantes, de dois que nasceram nas montanhas. Nas montanhas, sim: Juscelino, que é de Diamantina, e Carlos Drummond de Andrade, de Itabira, e o topônimo define o suficiente.

Neste 2022, de tantas e tamanhas incertezas e de desagradáveis e perigosas certezas, em que a Covid-19 ameaça com uma nova e dramática da nova onde anunciada pelo coronavírus, tem-se assistido às acanhadas festividades de doze décadas do filho de D. Júlia, mas também, e com toda razão, de Drummond, com dois dês, como consta do batismo e do registro em cartório.

Nem as criminosas enchentes e respectivas mortes em Petrópolis, nem tantos sucessos e insucessos de acontecimentos que marcaram o calendário, foram obstáculos ao que se tem dito e publicado, inclusive pelas televisões, para lembra o poeta. Ele é gloriosamente lembrado em livro de Humberto Werneck, cujo conteúdo já é ansiosamente aguardado pelos intelectuais e escritores cá de nossa fecunda terrinha.

Stratford-upon-Avon agora se transportou para o interior mineiro, porque lá veio à vida e às letras brasileiras Drummond, o mais popular dos que fizeram poesia por aqui no século passado.

Fazendo estreia no ano em que nasci, com “Alguma Poesia”, ele conquistou lugar ao sol e à lua na cidade em que JK foi prefeito, para ascender ao Palácio da Liberdade e construir uma cidade extraterrestre no planalto.

Sem deixar de ser poeta, o que seria impossível, Drummond foi um arguto presente em todos os movimentos e momento marcantes da vida brasileira, sem medo de qualquer natureza.

Em plena revolução, a de 64, ele disse: “O maior erro de um Presidente da República, em nosso sistema de governo, está em considerar-se dono do País e de seus habitantes. Esquece-se de que é um servidor – um servente de ajuda no trabalho – como outros, e até mais tolhido e desamparado do que os outros, em seu período livre de exercício e na imensidão de obrigações que deveriam assustá-lo em lugar de enchê-lo de arrogância. É preciso muita lucidez, muita polícia íntima, para que o presidente se ponha no seu lugar, aparentemente o mais alto de todos e, no sentido moral, tão frágil e escravizado à lei quanto o de um mata-mosquito”.

Drummond nos deixou em 17 de agosto de 1987, dez anos antes do centenário de sua Belo Horizonte.


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Por Manoel Hygino - 8/11/2022 09:05:25
Eis a Venezuela

Manoel Hygino

Para o que caminha a Venezuela? Por um expressivo período de sua existência independente, até onde esta possa ser como tal considerada, o país viveu em sobressaltos. Sua população sofre desde sempre e os grandes grupos de pessoas que fogem para os países vizinhos quer apenas viver em paz e alimentado. O que se vê presentemente, com multidões escapando para o Brasil principalmente, é uma amostra do desamparo e fuga incessante em busca de um pouco de felicidade.

A história política da nação ao Norte merece ser conhecida para ser devidamente avaliada e julgada. Tempo houve em que se afirmava que, independentemente de dimensões geográficas, os países mais representativos da América do Sul, eram Venezuela e Uruguai.
O primeiro pela riqueza que fulgurava com exploração de grandes poços de petróleo na região do Lago Maracaibo; e o segundo, pela altivez e nível educativo de sua população, que jamais se dobrou ao poderio dos vizinhos mais fortes.

Na ditadura de Pérez Jiménez (e eu passei por lá à época), a Venezuela, beneficiando-se dos enormes ingressos de petrodólares, já figurava - como registra Carlos Taquari - como um dos maiores produtores de petróleo do planeta.

Com população de apenas 6,5 milhões de habitantes e PIB de 5,8 bilhões de dólares em 2010, sua população alcançou no período a maior renda per capita da América Latina. Nas ruas de Caracas, havia um desfilar de carros de luxo importados, embora a maioria não se beneficiasse com os resultados fantásticos da exportação do ouro negro. O governo se valeu da situação e construiu obras suntuosas.

Verbas para saúde a educação eram minguadas, embora atendessem às demandas dos militares no poder. Favelas surgiam e cresciam. Conjuntos habitacionais erguidos com dinheiro público se transformaram em cortiços. A agricultura ficou em plano inferior. Triste período da história! Quando Pérez Jiménez caiu, em 1958, ouve uma sucessão de caudilhos. Viveu-se uma pausa por somente 10 meses, em 1948. Para se ter uma ideia mais correta, bastaria lembrar que o próprio Simón Bolívar, que comandou a fase final da luta pela independência, se viu na obrigação de sair afastado por um golpe militar.

Hoje, quem está sucedendo a Hugo Chávez, um dos caudilhos proclamados, é Nicolás Maduro, obrigando a população já tão sacrificada à abdicação de seus anseios e sonhos, ao preço da miséria e morte.


86513
Por Manoel Hygino - 5/11/2022 07:35:12
As casas de Neruda

Manoel Hygino

Não acontece apenas no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo, entristece a notícia que leio nos jornais. A Fundação que administra o legado do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda, está fazendo um veemente apelo visando a levantar ajuda para manter o funcionamento de suas antigas casas, hoje casas-museus, em sua pátria.

Neruda se consagrou como um dos maiores poetas do mundo em seu século, e não foi por favor algum que a Academia Sueca lhe prestou a homenagem, sonhada pelos maiores autores do planeta. Também diplomata na gestão do comunista ou socialista Salvador Allende (1970 – 1973) gozava de prestígio universal, independentemente de posição ideológica. Sua criação estava sobre tudo e todos.

Visitadas, carinhosamente pelo jornalista e advogado Paulo Narciso, as casas-museus eram preciosas para Neruda, nascido no bosque andino, como gostava de enfatizar. Lá, viveu a infância, como relata em apreciada autobiografia – “Confesso que vivi”. De lá partiu, sem apresentações e companhia pelos caminhos do mundo, mesmo se sentindo perdido na cidade. Começou, assim sua rocambolesca imersão no universo da cidade grande enfrentando dificuldades e desejos. Como vagabundo, desceu na cosmopolita Valparaiso, um caminho sem volta.

A partir daí, conhece gente de toda espécie e natureza, percorre as Américas, aproxima-se de nomes já consagrados no meio literário, participa de congressos políticos, desembarca na Índia, acercando-se de pessoas que considera “desventurada família humana”. Em suas memórias, constituem alguns dos melhores trechos, pela natureza das descrições e das pessoas que com ele conviveram.

Ele próprio confessa: “Estas memórias ou lembranças são intermitentes e, por momentos, me escapam porque é exatamente assim. A intermitência do sonho nos permite suportar os dias de trabalho. Muitas de minhas lembranças se toldaram ao evoca-las, viraram pó como um cristal irremediavelmente ferido”.

Os que sonhariam visitar o Chile para conhecer as casas-museus poderão ficar desencorajados diante do seu possível fechamento, embora pontos turísticos importantes para apreciadores do notável poeta. Sobre ele e sua produção, muito falávamos durante minha época de Montevideo com o também poeta, Ruben Romero Arenillas, que não mais está entre nós. Ou cá nos Brasís, com o excelente ser humano e homem culto, que foi Abílio Machado Filho, secretário do governador Milton Campos, que não deixou de trazer livros inéditos por aqui, focalizando o vate da Isla Negra.


86509
Por Manoel Hygino - 3/11/2022 09:27:22
Números espantosos

Manoel Hygino

O Brasil amigo e cordial, que atraía pessoas de todo o mundo para conhecê-lo, não existe mais. A onda de violência que invadiu todos os estados, as capitais e cidades de maior dimensão geográfica e populacional, tanto quanto os menores distribuídos por todo o território, foram contaminados pela intolerância, pela bandidagem, pela violência, flagrante nos veículos de comunicação.

Embora esforços das autoridades, resultados positivos em favor da tranquilidade e da paz que deveria gerar convivência saudável entre seres humanos, não produziram bons frutos. É o que dizem as estatísticas, que realmente não deixam mentir.

Nossas cadeias e todo o tipo de presídio estão cheias de detidos e prisioneiros, passando por violação massiva de direitos, como se sabe. Mas milhares de outros infratores estão soltos, pelas ruas, praticamente impedindo a ir e vir dos cidadãos de bem, um fundamento da democracia.

Instrumentos foram criados nas últimas décadas, como lei Maria da Penha e antidrogas. No entanto, mulheres seguem vítimas de toda sorte de sevícias, sem se conseguir sequer amenizar o quadro ignóbil a que assistimos. Permanece uma situação de violação massiva e generalizada de direitos fundamentais que afeta um número enorme de pessoas.

Quanto às drogas, bastaria acompanhar por jornais, rádios e televisões a imensidão de toneladas, desde a maconha à cocaína e heroína, que circulam por nossas rodovias, portos e aeroportos, diariamente, sem que os vigilantes da lei consigam apreendê-las, sequer intimidar os criminosos, que agem em escala internacional.

Que fazer? Como fazer?

Quem se der ao cuidado de recorrer aos números da delinquência e do crime em escala internacional, constatará que estamos em posição de destaque, ocupando os lugares principais em assaltos, roubos, sequestros, homicídios, feminicídios, sem que se alcancem os objetivos colimados. Até quando?

Em 1992, época de Carandiru, o Brasil contabilizava 114,3 mil detentos, segundo órgão oficial federal. Quase 30 anos após, em dezembro de 2021, eram 835.643 pessoas com algum tipo de restrição de liberdade, isto é, 0,5% da população adulta. E a situação piorou.


86504
Por Manoel Hygino - 1/11/2022 09:06:37
Reflexões de após

Manoel Hygino

Ao fim e ao cabo da campanha eleitoral de 2022 no Brasil, pergunto-me preocupado com o futuro: Acabou mesmo? Certamente, ninguém afirmará que sim, num raciocínio em plena consciência. Marcas profundas resistirão à tênue limitação definida pela legislação.

Da audiência e assistência visual ou presencial dos acontecimentos dos últimos meses participaram homens e mulheres, de extensa gama de idades, de formação educativa familiar e religiosa, de convivência diversa, de múltiplas origens e disposições psicológicas, que receberam as informações e debates de maneira diferenciada.

A multiplicidade de fontes nos tempos atuais terão influenciado estes segmentos do povo de modo também diversificado e até antagônico.

A imprensa como tal, como sonharam na divulgação de texto impresso em papel, partiu para novos rumos e caminhos a partir das novas ferramentas e instrumentais por via eletrônica.
Os jornais, revistas e livros engolidos por novos meios, impensados há um século, há dezenas de anos. O pensamento expresso não é de um autor, de um grupo ideológico, porque a disseminação se tornou acessível a um número cada vez mais crescente de indivíduos. E, como resultado inevitável, vieram as redes sociais, que facilitam a interlocução e a propagação a distantes regiões, mesmo em outras línguas, provavelmente escapando ao escopo primeiro e fundamental.

Estamos chegando cada vez mais longe, mas nos estamos entendendo efetivamente? Nossas palavras e mensagens estão alcançando o público alvo? Indagações inúmeras e complexas são formuladas, sem talvez atingir seu objetivo inicial.

Além da eleição dos candidatos preferidos da maioria da população o que restará após 30 de outubro? Gerações e séculos aguardam respostas, que podem não vir. O manancial infindo de informações, de toda natureza, se terão perdido de vez no caudal do tempo? São dúvidas inarredáveis e cruéis.

E a imprensa, e seus utilizadores para propaganda de ideias e ideais podem ser interpretados erroneamente para gáudio e proveito pessoal ou grupal dos que querem e sabem utilizar-se da ferramenta para propósitos escusos e perniciosos.


86502
Por Manoel Hygino - 31/10/2022 08:51:49
No tempo do Jair

Manoel Hygino

Pedro Rogério Moreira está com novo livro na praça. Enquanto muitos se dedicaram no pós-pandemia a um retrospecto dos dias amargos que a Covid-19 nos coagiu, o escritor mineiro usou sua inspiração e capacidade de produzir a completar uma trilogia iniciada com “Memórias da Diverticulite” (Thesaurus Editora, 2019) e “O livro de Carlinhos Balzac” (Topbooks, 2021). Se o fez, é porque os dois anteriores alcançaram o êxito que mereciam.

Boni, o poderoso líder da Globo, isto é, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, na última capa da edição, dá o tom do que os leitores encontrarão em todos os livros de Pedro Rogério Moreira. “Livros fazem parte do enredo. Esta é uma das duas características da obra do escritor que na mocidade foi meu brilhante repórter na Globo; a outra é a escrita confessional, às vezes a ficção se misturando com a realidade autos biográficos”.

Assim é, de fato. E Pedro Rogério dá um passo a mais no tempo, retroagindo à época em que foi balconista da Livraria Itatiaia, na rua da Bahia, em Belo Horizonte, ponto de encontro obrigatório do que se considerava a fina flor da literatura na metrópole dos mineiros. Assimilou imensamente então, conviveu muito, e com pessoas que poderiam acrescentar-lhe à carreira a que se devotaria na imprensa e na literatura. Não a toa integra a Academia Mineira de Letras.

“Helô, Diário de uma paixão secreta” é o nome do trabalho. Conta a história de Toninho, empresário aposentado, viúvo sem filhos, morador do Rio de Janeiro, que conhece e se apaixona por uma jovem de 28 anos, bela executiva, que também reside nas imediações e com quem faz passeios lá pelos lados do aterro do Flamengo, em pleno século, sendo presidente da República Jair Messias Bolsonaro.

Bom de conversa, arguto, relacionado com os moradores do mesmo prédio, vive-se o ambiente adequado e conveniente a bons relacionamentos, de que participam um almirante reformado, a mana do protagonista e uma jovem que com eles mora, além dos personagens que emanam dos dois romances anteriores.

Formado o elenco, urde-se a trama, das mais inteligentes, atraentes, em que um dos episódios mais marcantes é o desaparecimento de Helô, o que obriga Toninho a uma perigosa busca nos becos tortuosos da favela da Rocinha.

Não cabe descrever tudo. Melhor mesmo é ir à leitura e lembrar também os bons tempos da Cidade dita Maravilhosa.


86493
Por Manoel Hygino - 25/10/2022 09:04:08
Nossas finanças

Manoel Hygino

Em junho, tivemos a ventura de publicar que, segundo o Banco Central, a atividade econômica no Brasil tivera alta de 0,69% no mês, comparativamente a maio. Desconsideravam-se os feriados e a oscilação relativas aos feriados, oscilação das atividades típicas de determinadas épocas do ano. Como a alegria é perene, a situação mudou.

A economia brasileira mostrou queda em agosto e interrompeu uma sequência de duas altas mensais, conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O indicador caiu 1,13%, considerando a série livre de efeitos sazonais. Em julho, a alta havia sido 1,67%.

Nem tudo, entretanto, estava perdido. O indicador do Banco Central desde agosto, em face do mesmo mês de 2021, manteve-se dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro, que esperavam de avanço financeiro de 2% a crescimento, mas abaixo da medida positiva de 5,1%. Vale dizer, não estamos no melhor dos mundos, mas resta-nos aguardar com otimismo o restante do ano.

Em pouco mais de três meses, há o que fazer, até porque o Boletim Focus deu a boa nova de melhora marginal da estimativa do crescimento do Produto Interno Bruto em 2022. A previsão da alta do PIB, no presente exercício, passou de 2,70% para 2,71% contra 2,65% há um mês.

Enquanto isso, economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de superávit da balança comercial em US$ 60 bilhões, antes US$ 65 bilhões de um mês atrás. Do jeito em que se encontram as finanças do Brasil e do mundo, em que até a China inspira dúvidas, o melhor mesmo é aguardar. Nada que aconteça surpreenderá.

Às nações compete produzir e, além de economizar, agir com prudência a fim de evitar que a situação se agrave, obrigando a substituição de chefes de governo, de primeiros-ministros de curta gestão, como aconteceu com a Inglaterra e pode ocorrer com a Itália.

A situação da economia mundial não é cômoda e fácil, cabendo a cada nação atuar com zelo para não agudizar o problema, cujos resultados perversos recaem sobre o cidadão e as empresas.


86490
Por Manoel Hygino - 22/10/2022 07:59:23
Minas sem fim

Manoel Hygino

Jornal da capital dedicou quatro páginas de sua edição de 14 de outubro à saga dos cavaleiros do Apocalipse, em matéria extensa assinada por Gustavo Werneck e que apresentou longo depoimento de Rogério Faria Tavares, presidente da Academia Mineira de Letras, em segundo mandato. Era espaço suficiente para que o dirigente do sodalício focalizasse dois protagonistas das letras do Estado, em época marcante da vida brasileira: 1922. Foi quando nasceram Otto Lara Resende, em São João del-Rei, e Paulo Mendes Campos, em Belo Horizonte.

Otto era filho de Antonio de Lara Resende, ex-aluno do histórico colégio do Caraça, pelo qual passaram figuras da maior expressão na política e da cena intelectual da velha província. Era estabelecimento de profundo rigor na prática religiosa e no ensino, símbolo de uma era de educação rígida e severa. Muito já se escreveu sobre o educandário, inclusive cenário do filme “Caraça, porta do céu”, produzido inteiramente e filmado cá nas montanhas.

Fundador do Instituto Padre Machado, Antônio Lara Resende trouxe-o para Belo Horizonte e, quando para cá se transferiu, mantendo o mesmo rigorismo do educandário dos padres, o que conduziu a uma querela pública quando expulsou alguns estudantes, não passíveis de penalidades maiores (nesse período, o autor destes registros, ligado a entidade de jovens, teve atuação direta e pessoal). Pois Otto fora aluno, no Instituto Padre Machado, quando conheceu, aos 15 anos, Paulo Mendes Campos, que jogava basquete no time antagonista do Colégio Santo Antônio.

Rogério Faria Tavares, em minúcias e fiel às fontes, a vida de Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, que se tornariam dois dos mais lidos e comentados autores brasileiros no gênero ou gêneros a que se dedicaram, alcançando aplauso em todo o país.

Inquestionáveis se demonstram as qualidades de Otto (que nascera asmático) e de Paulo, filho de Mário Mendes Campos, médico conceituado e escritor da melhor qualidade. Mas o que se publicou é apenas o que se diria de dois dos quatro cavaleiros do Apocalipse. Faltam, ainda, dois outros: Fernando Sabino e Hélio Pellegrino, que merecem lugar ao sol, neste ano centenário.

Paulo é citado e repetido em trecho de uma crônica: “Na velha cidadezinha de São João del-Rei, e cujo prefeito recebe 900 cruzeiros mensais, há mais asas do que inquilinos”.

Otto Lara Resende anota: “Mineiros fora de Minas, que carregamos. Minas para lá de suas fronteiras, também nós sabemos que Minas existe e não se acaba”.


86486
Por Manoel Hygino - 19/10/2022 08:52:34
O cerco da violência

Manoel Hygino

O real foi a 8ª moeda que mais se valorizou em relação ao dólar dos Estados Unidos em 2022. A moeda brasileira subiu 6,9% neste ano, segundo levantamento da Austin Rating. O estudo tomou como base a cotação do dólar divulgada pelo Banco Central.

Enquanto isso, o Kwanza, de Angola, foi a moeda que apresentou a maior alta no período (+29,7%) e o rublo russo e o dram (da Armênia) ficaram logo atrás como as que mais ganharam força no período.

O fato, contudo, não diminuiu a violência no Brasil, que já foi uma das nações mais pacíficas do planeta, de gente cordial e de fácil convivência. Quem quiser arriscar-se, é só dar uma volta pelo Rio de Janeiro e tomar uma rua errada em determinadas regiões.

A ex-ministra Damares Alves, eleita senadora por Brasília, fez revelação sobre a violência com crianças: "Isso tudo é falado nas ruas do Marajó, nas ruas da fronteira, no começo do meu vídeo eu falo Marajó porque é onde a gente começou um programa, mas o tráfico de crianças no Brasil acontece na fronteira. Em áreas de fronteiras a gente ouve coisas absurdas como o tráfico de mulheres e de crianças. Essa coisa de quando as crianças saem dopadas e seus dentinhos são arrancados onde chegam".

A ex-ministra Damares Alves, disse ter "ouvido nas ruas" relatos sobre estupro e tráfico de crianças no Marajó, como se sabe localiza-se no Brasil. Mas a situação não se restringe a algumas partes, mas por todo lado, a situação é complicada.

Em Minas Gerais, um jornalista comentou sobre a violência política: a violência política no Brasil bateu recorde nos dois últimos meses antes do primeiro turno das eleições deste ano. Em apenas 60 dias, foram registrados 121 assassinatos, atentados, ameaças, agressões, ofensas, criminalizações e invasões, somando 247 casos em 2022, 436% a mais que em 2018, com 46 casos. Uma pessoa foi vítima de violência política a cada 26 horas. Até 2018, casos desse tipo ocorriam a cada oito dias. O número cresceu drasticamente a partir de 2019 – 136 ocorrências, uma a cada dois dias; e chegou a 151 casos em 2020, a última vez que os eleitores brasileiros foram às urnas.

Os dados foram divulgados na segunda-feira (10/10), são da segunda edição da pesquisa Violência política e eleitoral no Brasil, elaborada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.

A pesquisa analisou o período entre 1º de agosto e 2 de outubro, e leva em conta apenas candidatos, lideranças partidárias e assessores. Foram considerados apenas os casos divulgados na mídia, o que sugere que podem ter ocorrido ainda mais situações de violência.


86485
Por Manoel Hygino - 18/10/2022 08:26:51
Um centenário válido

Manoel Hygino

Estamos no fim do ano. Mas ainda há muito a registrar, mesmo a festejar, antes que se mude o calendário. Entre os fatos presentemente dignos de comemorar, lembro o centenário de inauguração do Hospital São Lucas, o primeiro por aqui com as características que ele impôs à cidade. Considerado o primeiro de elite entre nós, no Dia do Médico e de São Lucas, um apóstolo que não conheceu Jesus, ele foi entregue à população em 18 de outubro de 1922, um ano marcado por acontecimentos importantes em nossa história.

Com suas dez décadas, o estabelecimento não ficou estacionado no tempo e nos registros oficiais ou sociais. Personalidades lá nasceram, mesmo um chefe da nação, os vultos importantes da política, das artes e da vida social por lá passaram e encontraram a necessária assistência. Tecnicamente, acompanhou a evolução que acontecia nas nações mais progressistas e interessadas em oferecer tratamento de alto nível a sua clientela.

Sigo a crônica do São Lucas, há décadas, até porque por lá passaram pessoas de minha família em busca de assistência imprescindível. Os nomes que integram seu corpo clínico estão inseridos na história da medicina mineira, e não esqueceria Juscelino, Júlio Soares, Lucas Machado, Dario de Faria Tavares e dezenas de outros, suficientes para ocupar toda esta coluna. Todas as pessoas que viveram este longo período da existência de Belo Horizonte têm o que contar sobre o estabelecimento da avenida Francisco Sales com Ceará, completando o quarteirão com Otoni e avenida Brasil.

Recordo com saudade e reverência aquele trecho da capital, em que aproveitei longo período de juventude, de estudo e de consolidação de velhas amizades. Constato, com alegria, que o São Lucas cumpre religiosamente seu dever, como ensinou o seguidor de Jesus, evangelista que não o conheceu, mas soube acompanhá-lo nos mais nobres sentimentos e nas lições de solidariedade e de amor ao próximo.

É bom dizê-lo.

Naquele ano já distante, mas não remoto, inaugura-se o São Lucas, para acolhimento de pacientes com recursos necessários à assistência recebida. Com essa pecúnia, mantinham-se os indigentes do outro lado da avenida Francisco Sales.


86484
Por Manoel Hygino - 15/10/2022 07:04:17
JK, 120 anos

Manoel Hygino

Em 2002, comemorou-se o centenário de Juscelino Kubitschek, ano que o Brasil soube com alegria festejar o nascimento de um presidente que se identificou com as melhores tradições da terra descoberta por Cabral. Agora, o registro mudou de figura. Muito aconteceu desde então e o Brasil se encontrava em campanha política, talvez a mais acirrada da República.

Mas a Academia Mineira de Letras, com seus 113 anos de existência, não poderia deixar de render homenagens a um dos acadêmicos mais ilustres e queridos, que é o menino nascido em Diamantina e cuja memória é religiosamente preservada.

Não mais o setembro, período em que a campanha se achava em ebulição, com troca de farpas e desaforos entre os candidatos. Mas, o presidente do sodalício, definiu programar uma homenagem pelos 120 anos de JK:

7 DE NOVEMBRO - 19:30 HORAS - AUDITÓRIO VIVALDI MOREIRA - SEDE DA AML
- Sessão solene: "Nos 120 anos de nascimento do acadêmico Juscelino Kubitschek "- com a presença de Maria Estela Kubitschek Lopes (filha) e de Jussarah Kubitschek Lopes (neta).

8 DE NOVEMBRO - 17 HORAS - IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS, NA PAMPULHA -
- Missa em Ação de Graças pelos 120 anos do acadêmico Juscelino Kubitschek. Celebrada pelo acadêmico dom Walmor Oliveira de Azevedo, nas presenças de Maria Estela Kubitschek Lopes e Jussarah Kubitschek Lopes.

A verdade verdadeira é que todos os colegas da Santa Casa adoravam trabalhar com Juscelino, como aconteceria depois na vida pública, em todos os cargos que ocupara. Um deles elogiava seu estilo liberal, a amável convivência, a todos cumprimentando com uma palmadinha nas costas.

Um dos companheiros chegou a observar que ele pensava e agia como o Padre Vieira – todos os homens, de qualquer nacionalidade ou raça são irmãos. Ser pobre e doente não constitui castigo de Deus, mas consequência da imprevidência individual ou das circunstâncias. Ajudar o pobre, recebê-lo, é meritório, pois ele representa a própria pessoa do Salvador.

Esta é a personalidade que a Academia homenageará em princípio de novembro, um mês após a eleição.


86481
Por Manoel Hygino - 13/10/2022 10:43:15
Montes Claros - 190

Manoel Hygino

Com 31 dias, outubro era o décimo mês do ano, segundo o Calendário Gregoriano, o oitavo do computo romano. Assinala os movimentos populares que resultaram no retorno de Luís XVI, de Versalhes a Paris, assim como da corte e da Assembleia Constituinte. Representava também o fim da ameaça de fome e uma reconciliação do trono com o povo. Cá no Brasil, é o período da revolução de 1930 e, no dia 5, da Revolução Portuguesa de 1910, além da de 19 de outubro de 1921.

Para o autor deste registro, contudo a alegria é pelo aniversário de sua mãe, no dia 5; a festividade religiosa do dia 12, agora é feriado na cidade paulista de Aparecida, que visitou ainda criança; e dos 190 anos de emancipação político-administrativa de Montes Claros, sua cidade de nascença, em 16 deste mês.

Eu, como todos que nasceram na urbe do Norte, prezamos imensamente o fato de termos vindo à luz da vida ali. Parece que aprendemos o verso do vate que determina: ama, com fé e orgulho, à terra em que nasceste. Foi o que se depreenderia das grandes comemorações do 150, organizadas com o máximo de cuidado e interesse por Hermes de Paula, médico e historiador, entusiasta e partícipe de tudo que de belo e bom a sua cidade oferece ao estado e ao país.

Não foi simples. Hermes, com demoro, devotou dois anos à efeméride, o que também lhe permitiu a elaboração e edição de “Montes Claros, sua história, sua gente e seus costumes”, com mais de seiscentas páginas, que passou a constituir uma espécie de Velho Testamento sobre o município.

A médica Mara Narciso, também jornalista, evoca aquela época: “Construíram-se o Colégio Marista São José e o Parque de Exposições João Alencar Athayde; e aconteceram avanços urbanísticos e uma arrancada civilizatória”.

“Juscelino, presidente da República e Bias Fortes, governador, compareceram aos eventos. O prefeito de Montes Claros era Geraldo Ataíde. A cidade não tinha hotel para hospedar essas figuras ilustres, que ficaram nas casas dos organizadores. A festa constou de desfiles, representações folclóricas, rodeios, cavalhadas, leilões de gado, inaugurações, baile de gala e muitas promessas. Com estimados 417,5 mil habitantes (2021) e a 422 km de Belo Horizonte, no Polígono das Secas, Montes Claros é o milagre do trabalho do seu povo. Que se possa usar o passado dos vultos desta terra para enaltecê-los, arrancando das suas lutas o estímulo para avançar rumo ao futuro promissor, para a maioria da população da cidade”.

A cidade norte-mineira se orgulha do que as gerações passadas construíram, mas estão seguras de que muito se está fazendo e muito se fará. É viver para conferir.


86476
Por Manoel Hygino - 8/10/2022 09:15:51
O obscuro porvir

Manoel Hygino

Bom, mas nem tanto. O cadastro geral de Empregados e Desempregados do país trouxe bons resultados em agosto, superando os números de julho. Foram abertas 278.639 vagas de emprego com carteira assinada contra 223.345 do mês anterior. O setor de Serviços apresentou mais postos de trabalho. Por outro lado, a média salarial passou para R$ 1.949,84, com elevação de 1,52%.

O mesmo não se dirá das contas do governo de agosto. O Tesouro Nacional informou que houve déficit primário de R$ 49,97 bilhões no mês. Isso representa uma queda expressiva, pois, em agosto, quando tinha mostrado superávit.

Antes que setembro acabasse, no dia 24, tinha-se outra informação pouco agradável. A trégua do mercado financeiro durara menos do que se desejaria. Um dia após forte queda, o dólar teve a maior alta diária desde abril e a Bolsa de Valores fechou no menor nível em uma semana. Não foi só.

O mercado financeiro global teve um dia de instabilidade após a divulgação de dados econômicos apontarem que a Europa está entrando em recessão. Além da escalada nas tensões entre Rússia e Ucrânia, a divulgação de que as intenções de compra por gerentes (índice usado para medir para onde vai a economia) caiu no continente e piorou o clima. E mais, os temores de recessão global impactaram os preços internacionais do petróleo. A cotação do barril do tipo Brent, usado nas negociações internacionais, caiu mais de 4%, e fechou a US$ 86,57. Era o menor nível desde janeiro, antes do início da guerra do leste europeu.

E o que virá à frente?

O Brasil inicia em janeiro um novo quatriênio governamental. Quem quer que se assenta no Palácio do Planalto enfrentará duros desafios. O país, polarizado politicamente, terá de haver-se com um pesado repto, estabelecido inclusive pelas maiores potências. Nem os mais sagazes e competentes analistas têm o condão de antever o que o porvir exigirá do Brasil, de sua gente já tão sacrificada. É ter confiança, honestidade e pé na tábua.


86470
Por Manoel Hygino - 4/10/2022 08:55:16
Novo quatriênio

Manoel Hygino

Professor, jornalista, escritor, consultor jurídico da Câmara dos Deputados, Edmilson Caminha, cearense por nascimento, é hoje, incontestavelmente, um dos mais conceituados e aplaudidos cronistas e articulistas do Brasil, e incluo-me entre seus admiradores.

Em 2008, publicou pela Thesaurus, de Brasília, “O monge do Hotel Boa Vista”, contendo parte da correspondência trocada com o não menos importante autor Antonio Carlos Villaça, falecido no Rio de Janeiro.

Villaça elogia uma pequena obra-prima de nossa ensaística: Retrato do Brasil, de Paulo Prado, realçando as qualidades desse “paulista, culto e rico, aristocrata e intelectual, coisa bastante difícil de ver hoje em dia”.

Em carta, ele comenta com Caminha que 1982 parece 1928, no pensamento de Prado: “O que mais me impressionou no livro foi a sua surpreendente e, de certa maneira, decepcionante, atualidade: o ‘post-scriptum” poderia ter sido escrito não em 1928, mas hoje, prova de que este pobre e mal disfarçado país pouco mudou nos últimos cinquenta anos, em sua tacanhice política e cultural.

“O Brasil, de fato, não progride; vive e cresce, como cresce e vive uma criança, doente no lento desenvolvimento de um corpo mal organizado” (pág. 143).

“Na desordem da incompetência, do peculato, da tirania, da cobiça, perderam-se as normas mais comezinhas na direção dos negócios públicos” (pág. 145).

O analfabetismo das classes inferiores (...) corre parelhas com a bacharelice romanticado que se chama a intelectualidade do país” (pág. 146).

"Um vício nacional, porém, impera: o vício da imitação” (pág. 146).

Sobre este corpo anêmico, atrofiado, balofo, tripudiam os políticos. É a única questão vital para o país – a questão política (pág. 147).

A questão militar, mal de nascença de que nunca se curou o país.

No último triênio de 2022, cada brasileiro poderia bem fazer uma análise ou meditação sobre o que ora ocorre. Em que evoluímos, se melhoramos, se o povo está satisfeito e feliz, como espera o quatriênio administrativo que se começa.

É um novo tempo, confiando-se em que se pode propiciar melhor futuro para a nação, com mais igualdade entre todos os segmentos sociais. Nossa gente merece.


86465
Por Manoel Hygino - 1/10/2022 08:58:41
A fome ameaça

Manoel Hygino

O presidente da República e candidato a reeleição contesta que 33 milhões de brasileiros estejam subalimentados e até passando fome. Não vamos contestar, até porque se vive o delicado momento de eleição do próximo ocupante do Palácio do Planalto.

Mas não se pode negar que a situação mundial quanto ao problema não é das mais confortáveis. A fome alheia nos envolve, porque fazemos parte do todo. Ademais, temos de conhecer que a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, tem advertido sobre o gravíssimo desafio, observando que cerca de 8,1 milhões de pessoas em todo o planeta estão em condições de subnutrição.

A própria ONU argumenta que, ao final desse 2022, a população do mundo chegará a 8 bilhões de pessoas e, daqui e mais oito anos, teremos 10 bilhões habitando este pedaço do universo, de modo que as perspectivas são sombrias ao extremo.

Fábio Zukerman e Ailin Aleixo, cofundadores da Akuanduba, consultores ESG, alertam que, há dois anos, os problemas com a seca resultaram na quebra de 45% da produção de soja no Rio Grande do Sul, enquanto em 2019 16 milhões de toneladas foram perdidas por falta da água que vem do céu.

Mencionados técnicos vão além: “Pesquisadores de universidade federal em Minas Gerais (Viçosa) garantem que nos próximos 25 anos as mudanças climáticas vão afetar diretamente a produção das lavouras. Na prática, o agronegócio pode perder até R$ 5,7 bilhões por ano com o desmatamento”.

E há mais a considerar: “Cerca de um quarto do sul da Amazônia – nos Estados de Acre, Amazonas, Rondônia, Pará, Tocantins e Mato Grosso do Sul – atingiu o limite crítico de redução das chuvas por perda de floresta. Em algumas dessas regiões, essa redução já comprometeu 48% do volume de chuvas anuais. Nesse ritmo, perderemos produção de alimentos, investimentos e lucro e ganharemos escassez, fome, desnutrição e pobreza, que atingirá tanto animais quanto pessoas.

A pergunta que fica é: o quanto realmente estamos preparados para esse cenário? O quanto realmente pequenos negócios, produtores e restaurantes têm lutado para mudá-lo? É preciso fazer mais, e correr sem se emaranhar nas próprias pernas”.


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Por Manoel Hygino - 28/9/2022 08:44:24
Como um museu

Manoel Hygino

Nestes dias em que há ameaça de chuva, que se espera despencar das alturas e falha, o desembargador Rogério Medeiros Faria de Lima, pôs-se a ler, como de seu hábito. E conta depois num bilhete via e-mail: “Releio hoje “Janela do sobrado”, memórias do montes-clarense Dr. João Valle Maurício, cujo centenário de nascimento celebrou-se este ano.

Era médico, escritor, professor e ex-reitor da atual Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros). Foi amigo de infância do conterrâneo Darcy Ribeiro, também nascido em 1922. Não precisava dizer, está implícito: ambos levados da breca. Ficaram fraternos para sempre. Ocupou o cargo de secretário estadual de Saúde no governo do honrado Francelino Pereira. Integrou a Academia Mineira de Letras”, como aconteceu com João Maurício.

Mas o magistrado tem algo mais a contar: “Quando eu era juiz de direito em Montes Claros, sentava-me em agradáveis bares, aos sábados, com os saudosos João Valle Maurício, Mário Ribeiro (também médico, irmão de Darcy) e outros septuagenários. Todos ainda peraltas e contadores de casos muito divertidos. João Valle Maurício costumava dizer que sua adolescência foi muito – digamos – “agitada”. Montes Claros tinha então 30 mil habitantes e 10 mil, ou seja, 10% da população, habitava as outrora chamadas “casas de tolerância”. Salvo engano, o antropólogo e escritor Darcy também relatava isso nas suas “Confissões”. Desculpem-me os politicamente corretos. Vou mudar de assunto. Vejam a dedicatória do livro, de 8/5/1995: “Ao Dr. Rogério, jovem e brilhante Juiz”. Brilhante é fruto da bondade e amizade do Dr. Maurício. Jovem? Fui...”

Mais vale a companhia de um bom livro. Certa feita li uma entrevista de Carlos Drummond de Andrade, onde o poeta mineiro reafirmava o seu antigo gosto pela leitura:

- O homem que lê nunca está só.

Morreu recentemente o genial comediante, jornalista e escritor Jô Soares. Divertiram-me muito os seus antigos programas televisivos semanais, assim como os do Chico Anysio.

Eu sei, a minha era passou. Vivo só da saudade, porque parei no tempo e não sigo o dito “progressismo”. Mas não incomodo ninguém e quero paz.

Releio antigos textos do Jô, amigo do meu amigo Eros Grau; ambos imortais da Academia Paulista de Letras.

Vejam a pérola colhida da sua coluna semanal na revista “Veja”: “O mau-caráter foi reprovado no exame de consciência” (Editora Abril, nº 1.127, p. 11)”.

Observação: Darcy e Maurício serão homenageados em 2 de dezembro, quando a Academia Mineira de Letras simbolicamente se transferirá para Montes Claros.


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Por Manoel Hygino - 27/9/2022 09:09:56
Pena de morte

Manoel Hygino

Com bons advogados, criminosos no Brasil não ficam por detrás das grades. Este é o julgamento dos apresentadores de televisão que têm programas diários nas tardes, em prestigiadas emissoras da maior cidade do país e do mais rico estado da União.

Para eles, por mais hediondos que sejam os crimes ou vultosos furtos e roubos, consegue-se brecha na lei que beneficia o marginal e sensibiliza os magistrados. Pelo menos é o que proclamam os profissionais do microfone que sugerem a pena de morte para aliviar a pressão nos presídios.

Estudo da Datafolha, em 2018, mostrou que 57% dos brasileiros desejavam a pena capital para criminosos condenados. Naquele ano, rebeliões e guerras de quadrilhas levaram o governo federal a determinar intervenções no Rio de Janeiro e Roraima. A ideia, contudo, não pegou.

Um dos líderes dos promotores de Justiça em Minas, Joaquim Cabral Netto, a propósito lembra Nelson Hungria, ministro do Supremo Tribunal Federal, mineiro da Zona da Mata, visceralmente contra a pena máxima, a ponto de defender daqui, Caryl Chessman, o bandido da Luz Vermelha, na Califórnia, em 1948.

Em conferência no Centro Acadêmico 21 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, argumentava: “Para erradicar o mal, não é preciso erradicar o homem. O que cumpre fazer não é matar o homem criminoso, mas o criminoso no homem”.

“A criminalidade não se extingue ou declina com a pena de morte. Ao invés de arrogar-se arbitrariamente o direito de matar, ao Estado incube promover a remodelação da própria sociedade, para que se apresentem melhores condições políticas, econômicas e éticas, eliminadoras das causas etiológicas do crime”.

No caso de Chessman, lembro bem, ele foi condenado e executado por roubos e estupros a casais de Hollywood. Oswaldo Faria foi aos EUA para descrever as últimas horas do criminoso para a Rádio Itatiaia. Na Revista Jus Navigandi, Carlos Biasotti, comentou que traduziu-se na época veemente protesto contra “esse resíduo de barbárie incompatível com o mais elementar espírito de solidariedade humana”.

O que pensaria a respeito a geração de hoje?


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Por Manoel Hygino - 24/9/2022 08:36:20
A economia agora

Manoel Hygino

Agora que as eleições batem à porta, os brasileiros, com legítimas razões, perguntam: estamos melhorando em termos de economia? Como será 2023, quando já tivermos um novo presidente na República e um novo governo?

Quem não entende do riscado, evidentemente queda em dúvida, porque o povão, o cidadão que sobrevive com seu salário, sente o Natal chegando com notícias pouco alvissareiras. As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central elevaram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 2,26% para 2,39%. Para ano que vem, a expectativa para o PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país é de crescimento de 0,5%.
Em 2024 e 2025, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,8% e 2%, respectivamente. É para rir ou chorar?

Grande parte dos jornais comenta que a economia entre nós já começou a caminhar, mas lentamente, em passo de tartaruga. Nada que justifique euforia, quer para as autoridades, quer para os consumidores, que diminuíram as queixas quanto ao valor das mercadorias.

O comércio varejista entrou no segundo mês com redução de faturamento. E só se compra quando se tem dinheiro. Não basta a inflação diminuir, porque a receita do trabalhador não aumentou. Se bem que há aqueles segmentos que vivem em alegria, sabe Deus como, apelando semanalmente para os festejos na periferia, que terminam em grande parte nas delegacias de polícia, quando não nos institutos de medicina legal.
Existe realmente um alívio para os consumidores? Porque não há razão efetiva para celebrações, mesmo que os economistas oficiais revelem certa tranquilidade. Lá fora, no exterior, tampouco aparecem motivos para alegrias e comemorações. A situação anda mal não somente pelas explosões de revolta da natureza com chuvas em volume alto em determinadas regiões, em temperaturas altíssimas na Europa, incêndios até no Canadá. Nem se comente sobre pandemia, porque os registros são trágicos e o presidente da Organização Mundial de Saúde ainda não a considera terminada. Pelo menos declarou à Imprensa de todo o planeta.


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Por Manoel Hygino - 21/9/2022 08:57:41
Um Andrada em cena

Manoel Hygino

Em tempo de campanha política e às vésperas do pleito de outubro, recordo Joel Silveira, um jornalista sobre o qual quase não mais se fala, que cobriu a II Grande Guerra, excelente no texto e formulador de perguntas perversas. Pois, em 1943, ele se programou para uma entrevista com Antônio Carlos, ex-presidente de Minas (dizia-se governador), ex da Assembleia Nacional, líder da Aliança Liberal, ministro da Fazenda e substituto eventual de Vargas, chefe da nação, pois a Carta não previa um vice.

Liberado dos compromissos políticos, no Rio de Janeiro, sede do governo da República, Antônio Carlos e Joel se encontraram, se bem que o mineiro lhe adiantara que entrevista não daria. Na mesa do Andrada, centenas, milhares de pedidos de empregos, cartas de apresentação, aposentadorias, melhorias de ordenado etc. Antônio Carlos só dizia: “perfeitamente, perfeitamente”, consoante definição de que é capaz de “tirar a meia sem tirar o sapato”.

Joel Silveira conta que, com 71 anos de idade, o Andrada não perdera nenhuma de suas características: o mesmo homem, fino, elegante, maneiroso, de bom humor, hábil em conduzir a conversa, não se atordoa, não fugia às perguntas, respondendo-as a seu jeito. Fora redator do “Jornal do Comercio”, de Juiz de Fora.

Em 1918, Antônio Carlos deixou o Ministério da Fazenda, de que era titular, dirigindo-se à Companhia Sul América, em que era segurado. Precisava fazer um empréstimo de sete contos de réis, uma ninharia. Durante o conflito mundial, passara por suas mãos todo o dinheiro do país, mas saiu pobre.

O presidente da Sul América, Moreira Magalhães, conhecedor do fato, ficou admirado. Como é que uma pessoa que, durante a Guerra, tinha ordem de sacar em banco contra todos os bancos da nação, necessitava com urgência daquele dinheirinho? Antônio Carlos foi chamado à diretoria e o presidente do estabelecimento se explicou:

- Quero abraçar o homem que, deixando o Ministério da Fazenda, vem pedir sete contos emprestados.

O ex-presidente de Minas e da Constituinte esclareceu como de outras vezes: “Os Andradas nunca se preocuparam com dinheiro”.


86454
Por Manoel Hygino - 20/9/2022 10:17:09
Conselhos vitais

Manoel Hygino

J. D. Vital, ou simplesmente Vital, é cidadão suficientemente conhecido e conceituado nos meios intelectuais mineiros. Jornalista e escritor, já publicou amplamente sua produção, entre os quais livros preciosos. Recentemente, empossou-se na Cadeira 10 da Academia Mineira de Letras, saudado por Danilo Gomes, marianense de nascimento e um dos maiores cronistas do Brasil.

Na Academia, presidida por Rogério Faria Tavares, Vital (é assim que gosta de ser chamado) ocupa a cadeira cujo patrono é Cláudio Manuel da Costa e cujo fundador foi Brant Horta, sendo o primeiro sucessor João Etienne Filho e segundo Fábio Proença Doyle.

“A pressa é inimiga da perfeição. Mas, necessária. A notícia tem prazo de validade. Por isso, o jornalista compreende o lado efêmero da condição humana, do poder e da glória. Tudo passageiro”
Vital fez um discurso, que eu diria dirigido aos jornalistas e que constitui uma espécie de advertência aos que não respeitam ou não prezam o labor desses profissionais. Deste modo, vou simplesmente transcrever um trecho do que o empossado declarou: Diz-se que “a pressa é inimiga da perfeição. Mas, necessária. A notícia tem prazo de validade. Habituados com a transitoriedade de seus escritos, mesmo os mais combativos contra a injustiça, a violência e a corrupção, logo transformados em papel de embrulho: lidam com o “giornale”, de “giorno”, em italiano. Por isso, o jornalista compreende o lado efêmero da condição humana, do poder e da glória. Tudo passageiro. A vida curta embrulhada em dor, paixão, fracassos, alguma alegria e a fragilidade do amor. Obstinados em registrar o diário, formam uma grei que segue à risca a recomendação do escritor, historiador e general romano Caio Plínio Segundo, Plínio, o Velho: “Nulla dies sine linea”. No encalço da perfeição, Plínio seguiu Apeles de Cós, que não passava um dia sem traçar uma linha, como observa Jacyntho Lins Brandão, já acadêmico, um das maiores autoridades em Literatura e cultura da Grécia antiga. “Os jornalistas, também não. Nenhum dia sem uma linha, na Remington, em que o ranzinza Agripino Agrippino Grieco escrevia com um dedo só”.

O lema AML é “Scribendi nullus finis”, nunca falta o que escrever. Vital termina. Recorro ao Latim do seminário e tão apreciado na Casa, para responder à confiança dos que me elegeram: “Ecce ego, quia vocasti me”; “Vocês me chamaram, aqui estou”.

Ex-assessor de Imprensa de Tancredo em Minas, o orador afirma inserido entre os escritores apressados, condenados escrever para o dia, na expressão do confrade Humberto Werneck. “Gente conformada com a certeza de que a pressa é inimiga da perfeição”. Mas necessária. A notícia tem prazo de validade”.


86448
Por Manoel Hygino - 17/9/2022 08:41:18
Gente nova na AML

Manoel Hygino

Ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte, professor da PUC-MG, deputado federal e membro da Academia Mineira de Letras, Patrus Ananias é um ás da oratória. Nascido em Bocaiúva, terra do sempre lembrado José Maria de Alkmim, foi aluno da professora Maria Antonieta Antunes Cunha e lhe coube saudar a mestra em sua posse na ilustre casa de tão nobres cultores das letras.

Em sua infância, a cidade natal de Patrus “parecia fechada às possibilidades do desenvolvimento, que se tornara uma palavra muito presente no Brasil dos anos 1950”. Em 1962, porém, “acolhendo os fluxos desenvolvimentistas da década anterior, tempos marcados pela presença das práticas e dos princípios democráticos que se impuseram às ameaças golpistas de 1952, 1955 e 1961”, a situação começou a mudar com um prefeito diferente e bom, dinâmico, empreendedor, tolerante, alegre, uma versão, com dimensões locais, de JK.

A cidade iniciou horizontes prósperos com Wan Dick Dumont. Ele pacificou e abriu Bocaiúva ao progresso, quando lá chegaram a professora Maria Antonieta Antunes Cunha e o marido, o médico Eunápio Antunes. A mudança no campo político se transportou à educação, cultura, artes, à literatura e à saúde. Promoveu-se uma nova revolução pacífica e amorosa, por obra e graça de Antonieta.

Introduzindo seus alunos no novo contexto, abriam-se os livros e as questões sociais e humanas da vida real. Passou-se a ver e sentir as letras de nossos autores com “a atenção aos desafios que a realidade nos impõe, presentes em tantas obras clássicas da literatura e das artes”, promovendo-se “uma revolução cultural”.

Secretária Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Antonieta fez o quase impossível. Foi forte e venceu resistências. Agora, está na Academia e muito contribuirá – disse Patrus – para que a entidade, sob a esplêndida liderança, amplie ainda mais os seus espaços de interlocução com a sociedade e, sobretudo, com as crianças e a juventude. Vai contribuir muito para que a literatura, que mais prezamos, tenha bons encontros e diálogos com a música, o teatro, o cinema, a pintura, a história, a filosofia. Espaço do saber aberto, compartilhado, dialogante, oferecendo novas perspectivas às possibilidades humanas.


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Por Manoel Hygino - 15/9/2022 09:06:08
Gorbachev, Elizabeth II

Manoel Hygino

Praticamente uma semana separou a morte de Mikhail Gorbachev da de Elizabeth II. Ele, falecido em 30 de agosto; ela, em 8 de setembro deste 2022 de tantos e infaustos acontecimentos para seus países e para a humanidade.

Ambos atravessaram décadas de profundas crises e transformações em todo o mundo, enfrentando os desafios impostos pelo tempo, pelos comandantes das mais importantes nações, verdadeiros impérios, que foram o da Rússia e da Grã-Bretanha.

No decorrer do longo percurso como protagonistas nas articulações ou como participantes ou colaboradores relevantes nas negociações que se processavam, souberam portar-se com dignidade e superior discernimento, para que se lograssem as soluções mais convenientes nas horas adversas.

Gorbachev manteve relações complexas com os novos líderes do Kremlin desde sua eleição a presidente da URSS com mandato de cinco anos, mas soube portar-se com a competência que se fazia imprescindível. Apresentou o projeto de reconstrução da economia, a perestroika, e proclamou a glasnost, a abertura do poder. Deu fim à guerra fria, com a derrubada do muro de Berlim, assim como promoveu medidas para pacificar nações poderosas em confronto.

Rússia, Ucrânia e Bielorrússia constataram que a União Soviética não mais existia e em 25 de dezembro de 1991 deixa a presidência assumida em período já crítico. Fora do poder, tornou-se um dos líderes mais polêmicos de sua geração. Exaltado pelas nações que queriam paz, internamente passou a ser até ridicularizado nas grandes cidades Russas.

Quanto a Elizabeth II, viveu como chefe de Estado as dificuldades e desafios de um mundo que se redesenhava, em meio aos mais preocupantes ensaios da II Grande Guerra. Com a renúncia do tio, que abdicou, e a ascensão do pai, George VI, soube acompanhá-lo e ao povo inglês no conflito que convulsionou o planeta.

Não foram poucos os desencontros na intimidade da família real, mas Elizabeth se sobrepôs com grandeza ao desprestígio do clã, abalada a simpatia pelo affair da princesa Diana, morta em acidente em Paris. Partiu para restauração da popularidade, conseguida pelas décadas de devotamento aos seus misteres como mãe e rainha.

Assumirá agora o rei Charles III, o monarca mais velho do Reino Unido.


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Por Manoel Hygino - 14/9/2022 08:43:19
Piso da enfermagem

Manoel Hygino

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, criticou a sentença do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu liminarmente o piso salarial da enfermagem.

O valor estabelecido era de, no mínimo, R$ 4.750. Lira publicou nas redes sociais que respeita as decisões judiciais, mas não concorda. “São profissionais que têm direito ao piso e podem contar comigo para continuarmos na luta pela manutenção do que foi decidido em plenário”.

A decisão cautelar do ministro foi concedida no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7222 e será levada a referendo no plenário virtual do STF nos próximos dias. Ao fim do prazo e mediante as informações, o caso será reavaliado. A ação foi apresentada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde), que questionou a constitucionalidade da lei 14.434/2022, que estabeleceu os novos pisos salariais.

Entre outros pontos, a CNSaúde alegou que a lei seria inconstitucional, porque a regra que define remuneração de servidores é de iniciativa privativa do chefe do Executivo, o que não ocorreu, e que a norma desrespeitou a auto-organização financeira, administrativa e orçamentária dos entes subnacionais.

Sabe-se, à suficiência, que o SUS é o sistema que mais oferece vagas no âmbito de saúde ao Ministério. Mais da metade dos leitos do Sistema oficial são disponibilizados pelos SUS, cujos relevantes serviços foram avaliados pela população durante os dias mais severos da pandemia. Milhares de vidas foram salvas por ele.

No entanto, para que possa atuar assim, o Sistema vinha enfrentando terríveis dificuldades, exatamente porque as tabelas de prestação de serviços estão desatualizadas, há anos. Os esforços não têm sido atendidos. Mas o trabalho não parou.

Os hospitais operam no vermelho. Seus administradores se comprometem, até pessoalmente, para que os estabelecimentos atendam convenientemente à população. A autoridade faz ouvidos de mercador, como se os apelos de reajuste não lhe dissessem respeito.

Agora, surgiu o reajuste da enfermagem. Mais do que justo. Mas quem paga? O Presidente da Câmara acha ruim. Os hospitais também; e o pessoal da enfermagem, sempre sacrificado. Imprescindível que se defina quem paga a conta, sem isso, nada feito.


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Por Manoel Hygino - 8/9/2022 08:34:59
Sem dizer adeus

Manoel Hygino

Animação, tão pouco vista em datas anteriores, faz-me pensar que o brasileiro se empolgou realmente com a data da Independência neste ano da graça de Deus 2022 da era cristã. De um instante para outro, esqueceram-se as multidões em torno de festivais de múltipla natureza, as ruas se encheram, os alto-falantes espalharam a longas distâncias sons pouco sentidos em ocasiões outras.

Patriotismo? Para expulsar para bem longe o choro dos que perderam seus entes queridos durante a terrível pandemia da Covid-19? Ou as eleições de 2 de outubro se superpuseram às perspectivas ainda não suficientemente claras da economia?

Quase 700 mil pessoas perderam a vida em dois anos e meio. Não é algo que se olvide de um momento para outro. Que o digam as famílias enlutadas e ainda em pranto pelos que partiram na viagem sem volta.

Que esperaremos de 2023, já que o ano presente evolui a findar? Entre janeiro e julho, 14 mil pessoas encaminharam à Receita Federal a declaração de saída definitiva do país. É como redigi: definitiva! São brasileiros que anularam a expectativa de dias melhores neste que é o maior país do hemisfério Sul do Novo Mundo?

A ida de brasileiros para o exterior, especialmente para os Estados Unidos, ocorreu com força no ano passado, devido a piora da crise econômica no nosso país e a liberação das pessoas vacinadas contra a Covid-19.

Aconteceu aviso prévio de adeus em apenas sete meses, representando também 90% do total do ano precedente. Um jornalista pergunta: o que explica esse movimento tão acentuado?

Quem indaga também responde. Certamente, o ceticismo com relação a um futuro melhor por aqui, depois de mais de 200 anos de Independência e 500 de descobrimento. O fluxo, contudo, não surpreende ou assusta. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 4,2 milhões de brasileiros vivem em terras estrangeiras.

Será que os que se vão de vez do Brasil o fazem por pressão da fome, que se amplia por novos quadrantes do território nacional? Mas, o que podem esperar, se também outras nações se acham ameaçadas por semelhantes catástrofes humanitárias?

O avanço da pobreza não é fenômeno restrito ao Brasil e às nações em desenvolvimento. Precisamos de devoção à igualdade, fundamentada na Justiça Social. É um primeiro passo.


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Por Manoel Hygino - 6/9/2022 09:29:37
O Dia 7

Regozijamo-nos, os da geração presente, por sermos partícipes das comemorações do sétimo dia de setembro, quando se festeja o bicentenário da Independência do Brasil. Eram transcorridos 522 anos da chegada ao território do Novo Mundo, em que se fundaria uma nação nova, a frota de Cabral - a frota de Cabral era composta por nove naus, três caravelas e uma naveta de mantimentos. O que diferenciava uma embarcação da outra era o formato das velas e o tamanho: enquanto as caravelas mediam 22 metros de comprimento e transportavam até 80 homens, as naus podiam chegar a 35 metros e tinham capacidade para 150 tripulantes.

Necessários, pois, mais de 500 anos para que os novos habitantes da terra pudessem julgar-se aptos a assumir a grave missão de sobreviver sem o jugo da nação europeia.

Era de esperar-se que, no dia 7 do nono mês deste 2022, que nossas cidades, que se contam aos milhares, apresentassem o aspecto da mais exaltada alegria e entusiasmo, que a tudo e todos trajassem com gala e que os sinos das catedrais e demais igrejas soassem em tangeres que advertissem tratar-se de uma data única desde 1500.

O coração de Pedro, por especial deferência, foi transportado desde o Porto para o Brasil para juntar-se simbolicamente aos ossos depositados no Museu do Ipiranga-SP. O coração, mantido num monumento-relicário, se destaca no recolhimento da grande nave da Igreja da Lapa, Portugal, próximo ao altar-mor. É um elegante mausoléu, encimado por uma urna lacrimal e assentada sobre um sarcófago de estilo grego, construído em granito proveniente das pedreiras em que combateram os soldados fieis a Pedro, na grande luta contra o irmão D. Miguel.

Os historiadores e a imprensa não falharam. Farto material se disponibilizou entre os interessados. O coração do primeiro imperador voltará a Porto, mas ficarão marcas inesquecíveis dos dias aqui passados.

A Independência não confere, automática e imediatamente, a liberdade. Depois do dominador ou colonizador pode suceder uma dominação estrangeira ou daqueles outros grupamentos, não melhores do que a anterior.

A liberdade tem raízes mais profundas e não se conquista e se estabelece pela conquista do poder público. Esta é a lição que a história nos alega com o 7 de setembro de 2022. Oxalá todos entendam.

O povo brasileiro não é propriedade de A ou B, não há dominados e dominadores.


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Por Manoel Hygino - 3/9/2022 09:44:51
Panorama sombrio

Manoel Hygino

Seria ótimo que nesse bicentenário da Independência do Brasil, a maior nação do hemisfério Sul das Américas desse uma inequívoca demonstração de maturidade nas eleições programadas. Cerca de apenas um mês separa as duas datas e o único país em que se fala a língua portuguesa mostraria que é grande não apenas em dimensões territoriais. O coração de Pedro I que aqui está se exultaria, mesmo em silêncio, pelo acerto de sua decisão no Ipiranga, em 7 de setembro de 1822.

Seria uma belíssima oportunidade para que os brasileiros, de todos os rincões, se rejubilassem por provar que o tempo de mando de ditadores ou homens fortes que recorreram à força ou a manobras oportunistas para impor suas decisões, é coisa do passado. Imagine-se como seria grandiosa uma manifestação desse teor que influiria positivamente nas definições do futuro e das gerações futuras.

Estudioso dos tempos pretéritos, o jornalista e escritor Carlos Taquari, que exerceu e exerce a profissão em grandes veículos de São Paulo, com missões em outros países, observa que a Venezuela detém recorde de tempo passado sob o governo de caudilhos, mais de um século, em verdade. A Bolívia coleciona o maior número de golpes militares, e hoje há bolivianos dispersos por todo o hemisfério para fugir das insânias e sofrimentos que na pátria padeciam.

A América Latina sofre com os efeitos e consequências de diretrizes das nações europeias colonizadoras. Sofre, e muito. Mas as nações colonizadas não fizeram por menos, como se constata e prova.

O mesmo autor se refere também a outras nações e aos governos que as estigmatizaram pesadamente. É o caso do México, que ostenta o pérfido título de aquela em que um partido político ficou maior tempo no poder em prejuízo para seu povo. O Chile varia com dirigentes de vária posições ideológicas e em detrimento dos interesses de seus cidadãos. De Cuba, não se precisaria rebuscar no passado porque sua crônica perversa segue em nossos dias. A Argentina se destaca pelo número de mortes e prisões resultantes de sua repressão política, não se precisando referir aos graves problemas econômicos destes anos recentes e até hoje.

Nem sequer chegamos às pequenas repúblicas da América Central. Não há limites para a tirania e a opressão. Setembro de 2022 no Brasil constitui uma oportunidade inigualável para comentar e criticar, condenar com veemência.


86427
Por Manoel Hygino - 31/8/2022 18:23:30
A nova chance

Manoel Hygino

O desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, que goza do privilégio de excelente memória, lembrou fato de junho de 1981, em sua cidade natal, São João del-Rei. Era o feriado de Corpus Christi, e o então senador Tancredo Neves recebeu o ex-presidente Jânio Quadros para um almoço no Solar dos Neves.

O hoje magistrado estava atento, estudava Direito, captou as conversas e guarda as palavras até hoje. Houve o almoço e, após, enquanto se bebia um saboroso licor, os presentes se manifestavam, satisfeitos. O presidente perguntou ao anfitrião: “Se lhe fosse dado escolher outra época para ter nascido, qual escolheria”? Tancredo respondeu, sem titubear: “Em Paris na Belle Époque!" Ao que Jânio retrucou, com seu português castiço: "Eu quisera ter nascido na Grécia, ao tempo de Platão”.

E cada qual justificou sua preferência. O jovem que ainda completaria 20 anos em 8 de setembro, tudo escutava boquiaberto.

Já andava lendo Platão, A República, para a disciplina Teoria Geral do Estado. A excêntrica aula, naquele princípio de tarde fria, em São João del-Rei, ele não esqueceu jamais...

Que diriam os sucessores de Jânio e Tancredo, agora que estamos em outro século e tantos foram os que passaram pela chefia da nação? Não conseguiram ele – Jânio e Tancredo, concluir os seus mandatos. Como foram difíceis estes períodos que fluíram do feriado religioso em São João del-Rei ao do bicentenário da Independência, em 7 de setembro vindouro.

Os dirigentes dos destinos nacionais neste ínterim têm sido marcados por acontecimentos múltiplos, muitos dos quais dramáticos. Poderiam ser piores, afirmaram alguns, mas os que passaram pela gestão dos negócios públicos, visando encontrar saídas para os desafios, talvez não tivessem ocasião para decidir onde viverem alegres momentos em algum lugar do mundo.

As eleições de agora nos abrem uma oportunidade nova para escolher um presidente da República. Eis uma nova chance para eleger quem se sinta disposto a enfrentar a incúria, a corrupção, a incompetência que ainda vicejam ou dominam a máquina administrativa.


86424
Por Manoel Hygino - 30/8/2022 10:28:55
Um planeta cansado

Manoel Hygino

Por iniciativa do advogado e escritor (dentre outros títulos que tem), Napoleão Valadares, nascido em Arinos, realizou-se naquela cidade mineira, com patrocínio do município, um Encontro de Escritores em maio último, com participação de quatro autoridades em cada tema escolhido: Anderson Braga Horta, Eugênio Giovenardi, Marcos Silvio Pinheiro e Wilson Pereira.

Vou cingir-me hoje ao segundo, nascido em Casca-RS, formado em Filosofia e Sociologia, ecologista com especialização em água, autor de diversos livros e membro de várias Academias e do IHG do DF. Ele está convencido de que “o planeta da sinais de cansaço”. Argumenta: “A evolução tornou a espécie humana diferente de todas as outras vidas”. “Somos, no planeta, os únicos viventes a usar o fogo, a derrubar árvores, a cultivar os campos, a desviar o curso dos rios...”. Essas diferenças entre o ser humano e os demais seres vivos romperam a harmonia original do planeta”.

Acrescenta: “A Terra leva no cangote 8 bilhões de humanos e outros tantos bilhões de não humanos que disputam diariamente o alimento e água para sobreviverem e se reproduzirem. A população do Brasil, segundo o IBGE, é de 212 milhões de pessoas e, de acordo com as informações da Confederação Nacional da Agricultura, o rebanho bovino alcança o inacreditável número de 216 milhões de cabeças”. Uma imensidão.

Apenas para ilustrar a grande competição pela comida e pela água, temos a segunda população doméstica de cães, gatos e aves canoras e ornamentais em todo o mundo. O país é o terceiro maior em população de animais de estimação.

Interrompemos, mas não paramos. A ONU alerta os governos dos 190 países estabelecidos no planeta para o fato de dois bilhões de seres humanos, isto é, um quarto da população mundial, lutarem contra a desnutrição e a dificuldade de acesso a água potável... Além disso, as mudanças físicas e climáticas que a terra enfrenta há bilhões de anos, intensificaram pela ação humana nos duzentos anos mais recentes.

E há muito mais, e esta realidade afeta a biodiversidade de toda a população mundial, especialmente nossos descendentes, que terão dificuldades enormes em administrar nossa herança climática e nosso espólio ecossistêmico.


86422
Por Manoel Hygino - 29/8/2022 13:30:45
A falta de água

Manoel Hygino

Não são boas as notícias recentemente divulgadas sobre o abastecimento de água em Belo Horizonte. É que, como informado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, a situação não é das mais confortáveis.
O organismo, há pouco, emitiu alerta sobre o quadro ora
constatado, que revela previsão de escassez. O objetivo do comitê é orientar e alertar os órgãos competentes sobre a possibilidade de um período de escassez.

De acordo com o secretário do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, a preocupação com o leito d’água deve ser constante. “Ele é o responsável por mais de 60% do abastecimento de Belo Horizonte e quase 50% da região metropolitana. Então, ele é muito significativo e importante para manter a disponibilidade hídrica da região”.

Votamos assim a um período dos mais difíceis na história da capital, cujo atendimento era sumamente precário, exigindo a ajuda utilíssima dos caminhões-pipa, como se faz até hoje na região norte-mineira, sempre sofredora de longas estiagens.

No agosto findante, a advertência do comitê já fora divulgada, mas é apenas o começo de uma crise que pode assumir proporções muito maiores. Bem verdade que não há ainda previsão de racionamento, mas o aviso prévio já constitui algo para incomodar a população, não só da capital, mas de toda sua região metropolitana.

Desde já, ficou o conselho: é imprescindível o uso racional de água, pois a escassez poderá afetar a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O comunicado se dá pelo fato de o Rio das Velhas ter entrado oficialmente em alerta no começo de agosto. Mesmo não havendo previsão para que aconteça racionamento, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) reforça a necessidade dos usuários do sistema se precaverem. Não é nada bom repetir o drama de décadas atrás, quando segmentos importantes da população se viam prejudicados.

O Rio das Velhas veio para salvar a situação, quando o presidente da República era Juscelino, ex-prefeito e ex-governador e conhecia bem de perto o problema. Mas a cidade continuou crescendo, a região metropolitana idem, e a abrangência do problema hoje teria dimensões muito mais expressivas. Uma população muito maior sentiria.



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Por Manoel Hygino - 24/8/2022 13:10:20
Cirurgias famosas

Manoel Hygino

O jornalista Gustavo Werneck iniciou a publicação em jornal de Belo Horizonte de uma série de reportagens sob o título de “Vidas em Transição”. Nela, focaliza casos pioneiros de cirurgias de redesignação sexual na capital e no mundo, assim como a primeira operação de desambiguação de sexo por aqui, o que se transformou em evento, como se diz hoje, com repercussão nacional.

Era o que se proclamara uma cirurgia para mudança de sexo de uma jovem aluna do Instituto de Educação, então Escola Normal. O médico autor da façanha fora o Dr. David Corrêa Rabelo, e que se viu considerado celebridade.

Nascido em Diamantina, em 1885, diplomado pela Faculdade do Rio de Janeiro, iniciou atividades profissionais no interior de Minas, na Clínica Geral, principalmente como médico de operários da construção ferroviária. Para especializar-se, praticou principalmente na França e Alemanha.

De volta, fixou-se em Belo Horizonte, entrou para o magistério da Faculdade de Medicina, fundada por uma entidade de médicos, começando ali como professor de Anatomia e, em seguida, passando à seção de Cirurgia, da qual fazia parte a Pediatria Cirúrgica e Ortopedia, da qual se tornou catedrático.

O também discípulo de Hipócrates, Pedro Salles, anotou em livro: “Sua tese marcou época em Belo Horizonte, por ter versado sobre um caso de hipospádias androginóide, em que houvera erro de registro civil do sexo do paciente, e David Rabelo, com uma operação, transformou em homem uma moça muito conhecida na cidade”.

Era 1917. Esclareça-se que o serviço clínico começou a funcionar no Hospital São Vicente a 15 de maio de 1921, em meio a grandes dificuldades, e o próprio instrumental era o particular, que Rabello trouxera da Europa.

David era um viciado em trabalho. Tanto, que preferia a mesa cirúrgica a uma sessão de cinema e teatro, como confessou.

Para esclarecer, Pedro Sales informou que a cirurgia que David Rabelo fez em si mesmo não foi de apendicite, mas de hérnia inguinal, que teve enorme repercussão à época. É o que me cumpria contar, embora haja um manancial inesgotável de material utilizável para pesquisadores no Centro de Memória da Faculdade de Medicina, desde 1949, da UFMG. A quem interessar possa, recomenda-se visitar àquela unidade, que funciona em anexo.

Os que se interessarem pelo tema terão ali farto e precioso material, sob cuidados especiais do Professor Dr. Luciano Amédée Perét Filho e sua equipe devotada, contando com o conhecimento e competência da historiadora Ethel Mizrahy.



86412
Por Manoel Hygino - 23/8/2022 11:33:12
Como fica o Brasil

Manoel Hygino

Evidentemente, todas as pessoas querem ouvir ou ler boas notícias. Na metade deste mês, por exemplo, divulgou-se que a agência de classificação de risco Fitch, uma das mais conceituadas do planeta, elevou a nota do Brasil na economia, passando a perspectiva de negativa para estável. Danado de bom, disseram os mineiros, entre os quais me incluo.

A Fitch informou que a decisão “reflete a evolução melhor do que a esperada das finanças públicas em meio aos sucessivos choques dos últimos anos, desde que atribuímos a perspectiva negativa em maio de 2020”. Isso porque, após o gasto recorde do governo em 2020, as contas públicas melhoraram em 2021 e 2022.

para pagar os juros da dívida pública) desde 2013, nos critérios do Banco Central. No ano passado, o setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais) obteve superávit primário de 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB).

A Fitch também projeta queda no endividamento do governo em 2022. Segundo a agência, a relação entre a Dívida Bruta do Governo Geral e o PIB deverá encerrar o ano em 78,8%, depois de ficar em 80,3% no ano passado e atingir o nível recorde de 88,6% em 2020 por causa dos gastos com a pandemia de Covid-19.

Depois, o porém: a própria agência recomenda a aprovação de reformas estruturais na economia. Aí surgem as dificuldades, porque entra a participação do Congresso e, no Legislativo, as propostas são muitas e as discussões são minuciosas e lentas.

E os números e fatos de julho apontam problemas, como também se observa pelos registros de outras agências, inclusive as nossas cá do Brasil. Por exemplo: O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras bateram recorde em julho, e são os maiores desde o início da pesquisa, em 2010; 78% das famílias brasileiras estão endividadas; 29% estão com contas atrasadas; famílias com renda acima de dez salários mínimos e as que recebem abaixo viram as dívidas aumentarem no mês passado; o setor de cartões de crédito cresceu 37% no segundo trimestre desde ano, com R$ 834,3 bilhões em transações no período.

No primeiro semestre, o crescimento foi de 36,5%. Passar o cartão é fácil, difícil é pagar a fatura.

Apesar da evolução recente, a Fitch destacou que a melhora nas contas públicas ocorreu no curto prazo. Para o processo ser sustentável, a agência recomenda a aprovação de reformas estruturais na economia brasileira.


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Por Manoel Hygino - 22/8/2022 10:20:09
Recursos para saúde

Manoel Hygino

O presidente da República sancionou projeto de lei, transformando em lei, estabelecendo novos pisos salariais mensais para enfermagem. É uma boa notícia para a categoria, fundamental às atividades de toda a rede de saúde do país.

Estipula-se que os enfermeiros passarão a receber o piso mensal de R$ 4.750, enquanto Técnicos em Enfermagem receberão 70% deste valor e Auxiliares de Enfermagem 50%.

No entanto, não sei se por omissão ou engano do Ministério da Saúde ou do Palácio do Planalto, esqueceu-se de indicar a fonte dos recursos imprescindíveis ao pagamento da diferença salarial a partir de agora. É como deliberar a composição de um cardápio novo, sem esclarecer onde buscar o dinheiro necessário ao dispêndio.

No que tange ao SUS, já se sabe das baixas remunerações pagas pela administração pública às entidades conveniadas que integram o sistema prestador de serviços. As associações participantes do programa vêm insistindo, há anos, por melhores remunerações, pois sobrevivem de pires na mão à cata de meios para cumprir seus programas de ação.

E prestemos atenção: a rede dessas entidades, as filantrópicas, são responsáveis pela disponibilização de mais de 50% dos leitos do SUS no país. Quer-se dizer: o Sistema existe em função do propiciamento de vagas pelas filantrópicas e outras entidades benemerentes.

No caso da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, o maior complexo do sistema em Minas, ela já posicionou, entrando com uma ação na Justiça para que os três entes federativos, mantenedores do SUS, isto é, União, Estado e Município, liberem R$ 3 milhões mensais para fazer face ao acréscimo previsto na nova lei. A não ser que a entidade interrompa a prestação de serviços em alguma área assistencial, o que não interessa a ninguém.

Advirta-se, ademais, que a Santa Casa já está profundamente empenhada em conseguir meios para recuperar o seu 10º andar, o do CTI, alvo de incêndio há cerca de um mês, e em cumprir seu programa de gestão, fundamental à assistência da população, que não é simplesmente belo-horizontina.

Alguns hospitais já pensam em parar. É o caso de um estabelecimento fundado pela Irmã Dulce em Salvador. É só o princípio. Se se ampliar o movimento, será um caos que atingirá parcelas já tão sofridas da população. Parece que pouco importa; agora essencial é o voto em outubro.


86403
Por Manoel Hygino - 17/8/2022 11:33:06
O Brasil caminha

Manoel Hygino

O título é “O romancista que não matou Brizola”, livro assinado por Edmilson Caminha, contendo artigos e crônicas, que exigem tempo e atenção do leitor, já acostumado à útil convivência com o escritor, jornalista e professor, nascido em Fortaleza, Ceará, é claro.

O que Caminha escreve agrada aos sentimentos e espírito. Elucidam, esclarecem, permitem julgamento dos fatos descritos, como na publicação da Sarau das Letras Editora, de Mossoró, RN, neste 2022 que evolui para ocaso. São dezenas de temas com numerosos episódios e personagens, inclusive a que serviu de título: Oswaldo França Junior, piloto da Aeronáutica, que conheci quando trabalhava na Manchete, foi um dos incumbidos de atacar o palácio do governo, em Porto Alegre, durante a ditadura militar, a fim de eliminar Leonel Brizola, líder do movimento de enfrentamento dos contrários ao movimento dos generais rebeldes de 1964.

Homem de seu tempo, como está na orelha, Edmilson Caminha não se cala diante do Brasil deste nosso tempo. Diz o texto que o bicentenário da Independência, em 2022, prevê eleição que poderá ter significado histórico para a política brasileira. E é verdade, permitindo-nos ou obrigando-nos, a todos, a nos manifestar, sobre a campanha que se desenvolve e como se revelam os candidatos, no cenário polarizado e extremamente delicado; ou ameaçador.

O novo livro de Edmilson não é para biblioteca, para onde irá depois. Neste momento, expõe imparcialidade na opinião e poderia ser comentado com as frases iniciais: “Penso no Brasil dos últimos cem anos, e duas frases me ocorrem. A primeira, com a lucidez aguda de Nelson Rodrigues: “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”; a outra, com o cinismo irônico de Delfim Netto: “Estamos passando por um século muito difícil...”, como se não fosse ele corresponsável pelo que ainda hoje nos faz sofrer o golpe de 1964”.

Ditas e repetidas as declarações, achadas conforme ou não, cumpre-se o dever cívico e saudável de passar à leitura, aprazível e esclarecedora da nova e preciosa obra do autor cearense. Nada de perder tempo, porque Edmilson nos reserva inclusive revelações relevantes, como as referentes ao Dicionário do Aurélio, que não se trata de criação única e exclusiva do mestre Buarque de Holanda.

A menos de sessenta dias para o pleito, os fatos e os conceitos que sugerem servem incontestavelmente para julgamento de acontecimentos de agora e poderão influir no sentido de se votar com segurança de escolher os melhores para os dias turvos que atravessamos.


86401
Por Manoel Hygino - 16/8/2022 10:57:07
A esperança do 5G

Manoel Hygino

Um carnaval, dos mais quentes, tem sido o lançamento do 5G no Brasil, como deve ter acontecido nos demais países. Em primeiro lugar, porque os homens amam a novidade, sobretudo quando vem envolvida em boas expectativas.

O homem comum deste país inventado por Cabral e seus companheiros de expedição pelo Atlântico, diante da farta publicidade em todos os meios de comunicação, fica olhando para os postes das ruas na tentativa de identificação de algum sinal do 5G.

Os jornais cá da terra dão ênfase à importância da tecnologia, a quinta geração da internet que já se vai disseminando Brasil adentro e que constitui uma espécie de milagre. Beneficiará milhões de pessoas e acenderá uma lâmpada de esperança para as famílias e o empresariado.

Cinco capitais já receberam a novidade: Brasília, Porto Alegre, João Pessoa, Belo Horizonte e São Paulo. A Anatel espera que a cobertura chegue em breve ao Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Goiânia, mas ainda não definição de datas.

Para ativação do sinal nessas capitais, as operadoras deverão disponibilizar uma estação a cada 100 mil habitantes. Até julho de 2024, todas as capitais e o Distrito Federal terão que chegar à taxa de uma antena a cada 30 mil habitantes.

No entanto, entra em cena o IBGE, um instituto oficial que tem o dever de só dizer e divulgar a verdade, nada mais que a verdade. Este organismo federal adverte que cerca de 40milhões de brasileiros não terão acesso à internet.

Deveras? Verdade! Quarenta milhões de pessoas deste território correspondente ao somatório dos habitantes de países como Austrália, Canadá e Portugal, em três recantos distantes do planeta. Vale observar que esse número por aqui está eliminado, de princípio, a ter benefício algum da nova tecnologia, permanecendo do jeito que vive. Ao Deus-dará.

Deste jeito e maneira, expressivo contingente de nascidos ou habitantes desta República federativa ficará distante do 5G e dos benefícios que ele trará. Para muitíssimos, contudo, é preferível um prato de feijão e arroz, com as verduras que possam chegar ao prato.

Nem falar em leite, evidentemente.

E a lei dos homens e da sociedade. Quem tem algo, adquire mais. Quem nada tem, permanece na expectativa quase sempre sombria de dias melhores. E haja esperança, que é outro alimento dos pobres e mais humildes.


86396
Por Manoel Hygino - 13/8/2022 10:20:37
O irmão indígena

Manoel Hygino

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500, mas os índios que por aqui existiam somente muito mais recentemente estão sendo efetivamente conhecidos, como suficientemente se começa a saber, pelos próprios donos da terra, como se costuma dizer. E eles estão se revelando em integridade, como se verifica.

Embora continuem embates em todo o território nacional, vê-se que nossos indígenas têm imensidão de si mesmos a mostrar à sociedade neste século fluente. A eleição de Ailton Krenak para a Academia Mineira de Letras é demonstração de que o povo tão bem descrito, embora resumidamente, por Caminha, tinha condições de revelar-se. Uma simples espera seria bastante.

Não podia adivinhar o autor da carta de batismo do Brasil que haveria tanta dor, tanto sacrifício, tanto sangue, para consumação de uma alta destinação histórica. O próprio Ailton, agora eleito acadêmico, narra em livro a saga dos Krenaks em inóspitas regiões, para se afirmar e expor sua grandeza.

Séculos se exigiram para assimilar de fato a relevância do significado. O processo não foi concluído, o empenho permanece e os registros por veículos de comunicação, pelos escritores das respectivas regiões e dos próprios indígenas, são reveladoras. A convivência diária, e a situação em que se encontram (e nos encontramos) com refregas que se espalham pelo território, com ênfase na Amazônia, oferecem um quadro vívido e preocupante.

No aqui, quase agora, há de aproximar-se obrigatoriamente das perseguições aos integrantes da comunidade indígena, transferida ao Reformatório Agrícola Krenak, uma chaga ainda viva na crônica de dor da tribo. Mácula que não se restringe, como se constata, à exposição, escravização e tortura de um povo no período colonial.

O ingresso de Ailton no sodalício da rua da Bahia, e publicação de suas obras, o conteúdo do número mais recente da Revista da AML, demonstram que caminhamos, embora em ritmo lento, para a melhor destinação do irmão indígena, que chegou antes de nós. Ele tem direito e merece seu lugar.

Por tudo isso que ficou dito, aconselha-se a leitura do número 91 da Revista da AML, com conteúdo precioso sobre a saga dos nossos irmãos índios. Eles chegaram aqui antes d própria história brasileira que conhecemos.



86392
Por Manoel Hygino - 11/8/2022 11:20:58
O drama cotidiano

Manoel Hygino

Por mais que se esforcem os homens de governo em criar um ambiente saudável no país ou pelo menos borrifar um jato de esperança entre os vários segmentos sociais, o resultado não tem sido satisfatório: os brasileiros estão envoltos por um manto de descrença de melhores tempos.

Nem tudo decorre da pandemia que ainda nos aborrece deixando rastros de dor. Os que têm de ir, principalmente aos supermercados e armazéns de bairros e vilas, manifestam seu descontentamento ao conferirem os preços e os minguados reais recebidos. As televisões mostram. Sem contar a repetição de imagens de barracos despidos do mínimo imprescindível à sobrevivência.

São 30 milhões, ou menos ou mais, mas são multidões que passam fome, em todos os estados e regiões. As cenas a que se assistem, são simplesmente dramáticas e se constata que o apelo é para os que têm alguma coisa, alguma sacola plástica com um pouco de alimento, a doam aos que de nada dispõem. Não esperam do poder público.

Anuncia-se que a taxa de desemprego ficou em 9,3% no trimestre encerrado em junho, queda de 1,8% na comparação com o trimestre anterior. É o menor patamar para o período desde 2015, quando a taxa ficou em 8,4%. O número de desempregados recuou 15,6% em relação ao trimestre anterior, representando 1,9 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.

É bonito dizer que a população ocupada é a maior desde o início da série histórica da pesquisa há dez anos. Uma década transcorrida! Há tantos milhares, porém, sem qualquer fonte de dinheiro para comprar o mínimo indispensável – a si e à família.

Não é o momento para vangloriar-se. Onde falta alimentação, falta saúde, e aí vem uma série de desencantos e sofrimentos.

Pesquisa recente aponta sobre a insegurança alimentar e divide em 3 níveis:

Leve – quanto o acesso aos alimentos no futuro, além de queda na qualidade adequada dos alimentos para não comprometer a quantidade;

Moderada – quando há redução quantitativa no consumo de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação;

Grave – quando há ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio, incluindo crianças. Nesse nível de insegurança alimentar, as pessoas convivem com a fome.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento, em sua mais recente projeção do crescimento da economia mundial, para 2022, revela o Brasil com uma das mais baixas taxas no planeta. Não é para rir.


86390
Por Manoel Hygino - 9/8/2022 13:16:39
O humor sadio

Manoel Hygino

No tempo especialmente difícil que atravessamos em que os homens públicos digladiam em termos de baixo calão para comentar os fatos e sobre as pessoas, pesa registrar o passamento do cidadão José Eugênio Soares, nacionalmente conhecido como Jô. É triste o seu adeus ao país em que nascera há 84 anos, caiu como uma névoa que obriga meditar sobre sua significação na sociedade.

Nunca foi visto e ouvido com acerbas críticas a quem quer que seja, a xingar a imprensa com palavrões, a usar o linguajar espúrio, a ferir quem quer que seja pela exposição de suas ideias. Foi um cavalheiro, na melhor acepção do vocábulo.

O humorismo é uma doutrina, uma forma de expressão a que os franceses chamam esprit, introduzida no vocabulário inglês pelos intelectuais. Já se disse que os britânicos sabem permanecer muito sérios enquanto estão troçando, sem darem a impressão de que brincam ou caçoam, no que consiste o que se chama humor. Nesse vinagre, a que se dá sempre o nome de humor, há sempre açúcar.

É coisa séria, pois. Já se afirmou que, no âmago dos grandes humoristas, há sempre uma ânsia de qualquer coisa de transcendente, encontrando-se, em cada uma, a mistura de idealidade e de espírito burlesco, de cômico e doloroso. Com isso, a crítica, tratada mais ou menos benevolamente flui a razão. Li alhures que o humorismo é uma ironia filosófica do sábio desenganado, que termina por rir de tudo que existe m volta e que não consegue mudar para melhor ou sanar de vez.

Enfim: o esprit corresponde à arriscada virtude da Justiça, o humorismo, a virtude da temperança e da humildade, acompanhando do sentimento de seus mistérios.

O fino comportamento, a espontaneidades, o humor malicioso, parecem despertar em todos os brasileiros algo assim, que não irá perder-se rapidamente ao fragor dos destemperos da vida cotidiana e de muitos homens que faze, política. Perdemos um severo, mas benévolo observador da sociedade que não perdia as minúcias, saliências e reentrâncias das ações de pessoas que pretendem estar acima ou além do circuito humano. Os romanos tinham razão: ridendo castigat mores.



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Por Manoel Hygino - 6/8/2022 10:45:59
Como em agosto

Manoel Hygino

Na madrugada de 18 de julho, em que falecera seu irmão Reynaldo, um ano antes, o cineasta Paulo Henrique Souto, de 75 janeiros, disse adeus a Montes Claros – sua terra e sua gente.

Depois de mais de mês internado com problemas cardíacos, o filho do comerciante João Souto e D. Nininha Veloso, cineasta de prestígio nacional, recolheu-se ao Bonfim, no cemitério de tarde dominical, para o descanso após décadas de operosa atividade no Rio de Janeiro.

Formado em Comunicação Social em Belo Horizonte e, em seguida, como ator no Tablado, de Maria Clara Machado na antiga capital da República, Paulo Henrique preencheu o lugar que lhe parecia reservado. Levou ao Brasil a cultura montes-clarense e norte-mineira, ainda não explorada tematicamente como necessário.

Conhecia, admirava e amava a terra natal de que se fez referência. Dele, disse Júnia Rebello Velloso, diretora de Projetos e Eventos da Secretaria de Cultura: “ele carregou sua terra na alma. Fez pontes, inspirou muitos no caminho e foi agregador quando se tratava de cinema”. De volta à sua cidade, recebia a todos, abria portas e incentivava realizações na arte e na cultura.

Defensor da preservação do cerrado, ator, produtor e diretor de cinema, produziu “Cabaré Mineiro” e “Escolhido de Iemanjá”, já reconhecido como profissional completo até pelos concorrentes.

Cuidou muito, especialmente dos costumes e tradições locais montes-clarenses, com ênfase das Festas de Agosto, que enfeitam e entusiasmam as ruas durante os meses de agosto, há quase dois séculos. Orgulhoso, transportou estas imagens às telas do território nacional. Tendo dirigido “Anibal, um carroceiro e seus marujos”.

A memória de Paulo Henrique permanecerá entre os conterrâneos, como as alegres festas do oitavo mês do ano. Memória não se apaga, pelas épocas vindouras, gerações montes-clarenses se encontrarão através daquilo que produziu esplendidamente o conterrâneo querido.




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Por Manoel Hygino - 2/8/2022 11:17:59
Entre duas guerras

Manoel Hygino

O jogo está praticamente feito, falta cumprir agora o tempo, que já se pode medir por dias. Definidos os candidatos em convenções partidárias, a imprensa admite que o restante da temporada poderá ser marcada por turbulência na campanha eleitoral.

Lula, um ex, e Bolsonaro, o atual presidente, permanecem na liderança das pesquisas. Os demais lutam para vencer resistências em suas próprias agremiações e aliar-se a outras num jogo arriscado. Nenhum capitão do Exército cá entre nós, alcançou a chefia do Executivo numa eleição, a não ser Bolsonaro, pretendente a um segundo mandato.

No dia 18 de julho, o antigo oficial verde-amarelo informou aos jornalistas que teria, como teve, uma conversa telefônica com Putin, logo ele anti-comunista de carteirinha, numa hora em que a guerra Rússia-Ucrânia se acha em pleno desenrolar. À tarde, dirigiu-se aos jornalistas chatos, sempre incômodos se não estão a nosso lado:

-Isso não pode vazar, é segredo de Estado, e esclareceu que falara com o titular do Kremlin por cerca de três horas: “falamos por três horas, muita coisa”.

No decorrer da troca de informações, aduziu que também falaria com Volodymyr Zelensky, pois poderia colaborar para o fim da guerra, mas observando que “não sabia o que ele teria a falar comigo. O Zelensky, né? Mas eu pretendo falar para ele o que eu acho, né? Se perguntar para mim alguma coisa, onde podemos colaborar, eu vou dar a minha opinião, já que só vou dar, se ele pedir”.

Enquanto isso acontecia, os russos atacavam novamente o território ucraniano, velhos e crianças morriam, e Putin confessava pela primeira vez, que desejava tirar Zelensky da presidência. Ele se teria negado a permitir que as forças de Putin tomassem o território vizinho, para assegurar o sonho soviético de ampliar suas fronteiras?

Pelo menos foi isso o que se depreende das palavras do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. Zelensky não concorda. No Brasil, a guerra será no voto.

A despeito de tudo, das fortes pressões, a Ucrânia não se dispõe a ceder. Segundo maior país da Europa, atrás somente da Rússia, conhece seu potencial como celeiro, embora dependente do gás. Resta esperar com paciência, armas e apoio do mundo ocidental.


86376
Por Manoel Hygino - 30/7/2022 08:12:09
Captar ou capturar

Manoel Hygino

A língua portuguesa anda em dificuldade para ser usada em nosso país. Sempre foi assim, mas agora revela novas facetas interessantes que chamam a atenção. Por exemplo, estamos seguidamente confundindo captar com capturar.

Busquei no conceituado Paschoal Cegalla e Aires da Matta Machado Filho, ex-confrade na Academia Mineira de Letras, informações que me habilitassem historicamente escrever sobre os motivos do engano. Nada. Suponho que na época de ambos não existia o problema.

Hoje, contudo, é extremamente costumeiro e contumaz pessoas finas, que se expressam por rádio, televisão e imprensa escrita dizerem que “capturam” imagens e sons através dos veículos eletrônicos. Pergunto eu: capturaram?

Até recentemente, capturavam-se bandidos que escapavam à sanção das leis, os espertos meliantes em suas várias especialidades, os que não querem cumprir prisão por fraudes e crimes, os fugitivos. Captar é outro vocábulo e outro sentido.

É bom conhecer melhor captar é atrair a si, apanhar por meios astuciosos, ardilosamente ou não: recolher, as boas graças, aproveitar. Consulte-se o dicionário. Quanto a capturar é prender alguém, apreender, arrestar.

Deste modo, os policiais não captam na via pública, em sua residência ou em esconderijo: lá eles são capturados para serem conduzidos à pena ou ao julgamento; como tampouco os ouvintes ou assistentes de tevê não “capturam” entrevistas, novelas ou programas esportivos.

O professor Aires, que sofria terrivelmente com a deficiência visual, teria talvez necessidade de “capturar” por algum instrumento ou ferramenta especial além dos óculos, as imagens que lhe faltavam em certos momentos. Mas foi um herói vencendo óbices para ver mais e mais nos ensinar. Ótimo.

Na eleição deste 2022, os candidatos vão captar ou capturar votos?


86371
Por Manoel Hygino - 27/7/2022 10:27:23
Um século de solidão

Manoel Hygino

Somente agora tenho acesso ao discurso pronunciado em 8 de dezembro de 1982, por García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, na Sala de Concertos de Estocolmo, Suécia. O interessante é que o grande escritor, às vezes ferindo o protocolo, exteriorizou uma profunda crítica aos europeus que colonizaram a América Latina, diante do rei Carlos XVI e da rainha, a brasileira Silvia. Ele não se constrangeu ou temeu ao abrir o verbo diante do mundo.

Em determinado trecho, afirmou: “talvez a Europa venerável fosse mais compreensiva se tratasse de nos ver em seu próprio passado. Se recordasse que Londres precisou de 300 anos para construir a sua primeira muralha e de outros 300 para ter um bispo, que Roma se debateu nas trevas da incerteza durante vinte séculos até que um rei etrusco a implantasse na história e que, em pleno século 16, os pacíficos suíços de hoje, que nos deleitam com seus queijos mansos e seus relógios impávidos, ensanguentassem a Europa com seus mercenários”.

Em trecho adiante, declarou: “a solidariedade com os nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de respaldo legítimo aos povos que assumem a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo”.

Explica-se: “a América Latina não quer e nem tem porque ser um peão sem rumo ou decisão, nem tem nada de quimérico para que seus desígnios de independência e originalidade se convertam em uma aspiração ocidental”.

À medida que evolui para o encerramento de sua ardente fala, o autor de “Cem anos de solidão” cresce na contundência acusativa ao colonizador: “Por que pensar que a justiça social que os europeus desenvolvidos tratam de impor em seus países não pode ser também um objetivo latino-americano, com métodos distintos e em condições diferentes? Não: a violência e a dor desmedida da nossa história são o resultado de injustiças seculares e amarguras sem conta, e não uma confabulação urdida a três mil léguas da nossa casa. Mas muitos dirigentes e pensadores europeus acreditaram nisso, com o infantilismo dos avós que esqueceram as loucuras frutíferas de sua juventude, como se não fosse possível outro destino além de viver à mercê dos dois grandes donos do mundo. Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão”.


86370
Por Manoel Hygino - 26/7/2022 10:42:44
Lá no Javari

Na Sé de São Paulo, solenidades - religiosas ou não - prestaram homenagem à memória do sertanista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, assassinados no Oeste da Amazônia, limite do Brasil com o Peru e Colômbia. O jornalista Aylê-Salassié F. Quintão, mineiro de nascimento, conhece a região, por ter acompanhado como repórter os trabalhos do Projeto Radam, que produziu relatórios e mapas da Amazônia desconhecida, e hoje vive em Brasília.

Ele conta que Che Guevara chegou a pensar em iniciar sua incursão revolucionária pela América do Sul a partir daquela tríplice fronteira. A região abriga não apenas uma longa faixa de limite seco, como é atravessada por alguns dos principais rios da bacia amazônica: Negro, Japurá, Içá, Purus, o próprio Amazonas e seus afluentes. O governo federal mantém instalados ali várias delegacias da Polícia e da Receita Federal, da Funai, do Ibama, da Funasa e outros, inclusive bases do Comando Militar da Amazônia. Mas, de verdade, as forças que atuam na região são outras.

O jornalista e professor Aylê, que já andou meio mundo em suas missões, revela mais sobre aquele pedaço do Brasil: “O governo brasileiro está em peso representado na Amazônia, mas, aparentemente, no Oeste ninguém respeita as leis. Servidores do Estado tem, inclusive, receio de trabalhar na região. Vez por outra é assassinado um fiscal, um indigenista (19 só este ano), um missionário. Entre as transgressões mais comuns por ali estão o contrabando, lavagem de dinheiro, mineração ilegal, narcotráfico, tráfico de madeira, de armas, de pessoas e de recursos naturais, tudo controlado por chefões, localizados nas cidades próximas, por políticos e até por cartéis do lado colombiano e peruano.

Vilas e cidades rarefeitas estão isoladas. As nações indígenas vivem no interior das matas. São os “Povos da Floresta”. Há municípios em que se fala quatro a cinco línguas diferentes. Além disso, no próprio Vale do Javari, os índios vivem em confronto entre si até por território, o que torna a demarcação das terras um tema prioritário e complexo. Em novembro de 2014, dois índios matis morreram durante contato com corubos isolados. Em resposta, 15 indígenas corubos teriam sido assassinados em outro encontro, em setembro de 2015. O mesmo aconteceu com alguns madeireiros. A Funai teve a sede ocupada pelos índios em Atalaia do Norte.

Na região, o que está em jogo não é bem o território indígena físico, mas, primeiro, os recursos pesqueiros, madeireiros e de garimpo, conduzidos pelo homem branco. Segundo, a rota Javari é usada para o tráfico de drogas e o contrabando”.


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Por Manoel Hygino - 23/7/2022 07:36:10
Minas e cultura

Manoel Hygino

Começo a leitura da revista “MemóriaCult”, fundada e dirigida por Eugênio Ferraz, que é engenheiro civil, com ativa participação em importantes iniciativas no campo cultural e social. Ex-superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, já deixara marcas de sua competência no Norte do país, que lhe ficou devendo obras valiosas de restauração em bens públicos. Cá no Sudeste, teve a iniciativa de propor o resgate da Casa de Contos, em Ouro Preto, que se transformou no que hoje é.

Diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais, editou obras marcantes da história mineira, dando-lhes a feição a que faziam jus. Sua trajetória pela velha Imprensa Oficial, que viera da Vila Rica, deu-lhe gestão moderna como merecia. Basta conferir do que ali se fez durante os anos sob sua direção, ser sempre recordada e elogiada.

Enquanto assim procedia, lançou a revista “Memória Cult”, que já tem mais de 30 edições, sempre enfatizando a grandeza de nossa história e de seus vultos e movimentos mais representativos. Por suas paginas, desfilaram nomes expressivos de nossa cultura, com colaboração preciosa e digna, como não poderia deixar de ser.

O número mais recente traz interessante entrevista de José Anchieta da Silva, presidente da Associação Comercial de Minas, ao ensejo do lançamento do II Manifesto dos Mineiros, renovando a permanência do espírito de Minas em momento histórico para a nação.

Em outras matérias, compareceram o professor Guilherme Queiroz de Macedo sobre a referida Casa de Contos, o magistrado Auro Aparecido Maia de Andrade, sobre detalhes da Inconfidência Mineira, a cidade de Rio Pomba por Manoel Hygino dos Santos, além de artigo sobre Sá Luiza de Cananéia, de José Antônio de Ávila Sacramento, da Academia de Letras de São João del Rei, além de artigo do jornalista e escritor Mauro Werkema sobre a organização do turismo nesta velha província e sobre os fluxos respectivos.

A edição de número 33 se deu graças ao interesse do deputado Agostinho Patrus, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, atento à disseminação da história entre nós. O parlamentar, descendente de família que veio para o Brasil, procedente do outro lado do mediterrâneo, segue o passo de seus ancestrais contribuindo com Minas e sua gente em incentivos e atividades que engrandecem o papel da velha província no desenvolvimento nacional.


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Por Manoel Hygino - 22/7/2022 12:34:04
Encontro em Ouro Preto

Manoel Hygino

Não se pense que julho terminaria sem, mais uma vez, a Academia Mineira de Letras homenageasse a segunda capital de Minas Gerais. Embora o sodalício dos homens das montanhas que produzem literatura, tenha nascido em Juiz de Fora, jamais se permitiria que a velha Vila Rica ficasse esquecida.

Tanto é verdade que para um sábado, dia 23, do sétimo mês do calendário, programou-se para 11 da manhã a transferência da sede da AML para Ouro Preto. Com o ato, comemora-se centenário de nascimento do patrono, acadêmico Alphonsus de Guimaraens, exatamente em julho, o de 1870, data não festejada na época própria por motivo sabido, isto é, em 2020.

Para compensar, o presidente da Academia, Rogério Faria Tavares, teve a iniciativa de aliar a solenidade à de lançamento da revista da Academia, fundada como se sabe, em 1922, pelo então presidente Mário de Lima. Local melhor para o evento não poderia existir: a Biblioteca Pública Municipal de Ouro Preto, a que recorreram mestres e autores da velha Província, e do Estado que a sucedeu, para gáudio dos ouro-pretanos e dos mineiros.

Faltando pouco para as eleições deste ano, é bom e incentivador saber que os montanheses não se enveredaram pelas estradas ínvias da intolerância política mesmo com o ambiente desgastante das querelas das lutas pelo poder. Na cidade que representa e simboliza os ideais de independência e de cultivo do amor pátrio, hoje e pela quarta vez, dirigida pelo prefeito acadêmico Ângelo Oswaldo, lembre-se Rogério Tavares:

“Lugar de sociabilidade, a Academia e o território da competência suave, fraterna e elegante, amparada pela mais fina filosofia humanista. Inspirada por valores como o pleno respeito pela diversidade, pela livre expressão do pensamento, em tudo contrária ao preconceito, à discriminação e ao elitismo, a instituição consagrou-se, ao longo do tempo, por reunir os mais expressivos prosadores, poetas, professores, filósofos, médicos, cientistas e estadistas mineiros, erguendo poderosa reputação de apreço pelo rico repertório cultural de nossa gente”.

Nenhum lugar melhor para reunir-se, pois, que Ouro Preto.


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Por Manoel Hygino - 20/7/2022 11:05:58
Sobre a BR-381

Manoel Hygino

Quando se apanha o jornal e se lê o título, pergunta-se se a notícia não é velha. Se ouvir o texto, também se incorre em igual dúvida. É que, pelo que se pode perceber, há coisas que não mudam. Passam-se dias, meses e anos e nada evolui ou se resolve. Fica tudo como dantes no Quartel de Abrantes, cidade que existe na margem esquerda do Tejo, o rio que embeleza e valoriza a região.

Em tempos atuais, indagamos em que ficou o rodoanel de Belo Horizonte, depois de dezenas de anos e de centenas de mortos no antiquado caminho que circunda a capital. É apenas uma interrogação e de trata simplesmente de um ínfimo pedaço do território mineiro.

Agora, leio que a Agência Nacional de Transporte Terrestre publicou convocação para audiência pública sobre o contrato de concessão do trecho da rodovia entre a histórica Sabará, na região metropolitana e Governador Valadares, bem distante, no Vale do Aço.

Pois o ponto final da rodovia, ou inicial, dependendo do viajor, tem o nome atual desde 1938, serviu de berço ao poeta Soares da Cunha, que lastimavelmente, não está mais entre nós, deixando de vez o pequeno porto de Figueira do Rio Doce, como conhecida a cidade antigamente.

Ligando a metrópole dos mineiros a extensa e promissora região, a BR-381 conseguiu somente o triste apelido de “Rodovia da Morte”, denominação que lhe cabe perfeitamente por ter-se tornado genocida.

Há um debate agendado para 2 de agosto, em sessão híbrida, isto é, virtual e presencial, tudo acompanhado de informações no site da agência. Quem sabe com emprego de novos instrumentos de comunicação, o desafiador problema será enfim equacionado e resolvido?
Temos de manter acesa a esperança, porque – como dizia a acadêmica Maria José de Queiroz, “no fim de cada estrada, Minas me espera, de alcateia, na esquina de mim mesma”. “Minas me diz presente”. Minas existe, vivo de sua herança”.

Mas nossos governos ignoram o belíssimo apelo da brilhante escritora. Obras, em todas as áreas de atividades, foram interrompidas e o reinício negligenciado. Quem perde são os municípios, os estados, a nação – os brasileiros, enfim.

Em termos, aliás, de negligência e omissão, o Brasil tem posição privilegiada. Uma dor e uma pena para a nação que tudo tem para ser grande não apenas pelas dimensões territoriais.
Nesta antevéspera de eleição, seria bom que o povo ponderasse sobre os candidatos e escolhesse o que melhor pudesse atuar e gerir no próximo quatriênio.



86358
Por Manoel Hygino - 16/7/2022 07:57:31
5G, chegando

Manoel Hygino

Notícias sobre o Brasil. Boas e más, como em todo este mundo mutável. O dólar sobe e desce, e a economia do planeta oscilando. O inverno astronômico no hemisfério sul, iniciado às 6h14 em 21 de abril, só terminará em 22 de setembro, depois do bicentenário da Independência. Na cabralina terra por portugueses descoberta (ou achada), faz frio no Sudeste e os que desejam calor têm de voltar à península ibérica. Por lá, os termômetros marcam mais de 40 graus.

Os juros seguirão em alta em nosso território, mas as autoridades argumentam que o aperto monetário se faz necessário em função da defasagem da política monetária. Os que vão ao mercado ou às feiras não entendem e reclamam. Em todo caso, o desemprego foi amainado. Por ora.

O Banco Central elevou para 1,7% o crescimento do PIB em 2022. Esperamos que o sucesso chegue aos bolsos dos consumidores e que reflita na restrita mesa do brasileiro, em que tanto falta, às vezes até a própria mesa. Uma coisa ficou clara: A arrecadação de tributos federais cresceu para R$ 165,3 bilhões em maio, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Bom de ler e ouvir.

Otimista, o ministro Paulo Guedes diz que o Brasil é uma potência energética e enorme mercado consumidor, que crescerá de 3% a 4% nos próximos anos. Em discurso, descreve cenários extremamente pessimistas para o exterior e muito generoso em âmbito interno. A tecnologia 5G chegou a Brasília, depois a Belo Horizonte e se estendendo pelas demais capitais, até 29 de setembro. Em certas regiões, o 5G compartilha a faixa de transmissão do 4G, o que faz com que ele não seja pleno.
O 5G puro ocupará na faixa de 3,5 GHz, faixa parcialmente ocupada por antenas parabólicas antigas que operam com sinal analógico na Banda C. As pessoas com esse sinal precisarão comprar uma antena nova e um receptor compatível com a Banda Ku, para onde está sendo transferido o sinal das antenas parabólicas. Famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com parabólicas antigas, receberão conversores novos.

A tecnologia 5G permitirá a conexão direta entre objetos pela rede mundial de computadores. Essa tecnologia tem potencial para aumentar a produção industrial, por meio da comunicação direta entre máquinas, e possibilitar novidades como cirurgias a distância e transporte em carros sem condutores.

Resta esperar para conferir.


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Por Manoel Hygino - 15/7/2022 12:09:16
Segurança e futuro

Manoel Hyginio

Diante dos generosos números recentes da economia e da área de segurança no país, ainda tive minhas dúvidas e sei que não estou sozinho. Imensamente gostaria, de que meus pontos de vista fossem enganosos, porque não me inclino a abonar as ideias de grandes avanços para o Brasil e para o brasileiro, que é, afinal, o que todos desejamos para o futuro.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública nos revelou que tivemos o menor número de homicídios desde 2011. Foram 47.503 registros, correspondentes a 130 mortes por dia. O trecho seguinte da notícia parece pôr em dúvida: o Brasil, contudo, permanece entre os dez países mais violentos do planeta.

Em todos os estados, houve redução de homicídios, com exceção do Norte e, das 30 cidades mais violentas no país, 13 estão na Amazônia legal. Entre os motivos, especialistas contam: estabilização de conflitos entre facções criminosas e a implementação de programas estaduais focados nos mais jovens. O número de armas no Brasil cresceu 474% de 2013 para cá. Os pesquisadores não consideraram o armamento como um fator que reduz a criminalidade.

Em resumo: mortes violentas caíram 6% no ano passado, segundo o Anuário. Aquilo a que assisto na televisão diariamente parecem que não é computada. Ou os jornais falados, como se dizia antigamente, estão me enganando. Pois, o próprio Anuário divulga que, apesar da melhoria no indicador, o Brasil ainda convive com violência extrema, sendo responsável por um em cada cinco homicídios que ocorrem no mundo (20,4% do total). A maior parte das vítimas dessas mortes violentas e intencionais no país é negra (77,9%), do sexo masculino (91,3%) e jovem entre 12 e 29 anos (50% do total).

Para o ministro Guedes, altos impostos fecham indústrias no Brasil, daí a necessidade de privatizar. Mas a privatização requer uma série de medidas preliminares e antecedem à própria proposta preconizada. É necessário prazo, tempo, e a sociedade já está cansada de esperar. Não é subindo para as alegres noitadas de fim de semana na periferia das grandes cidades que o problema será resolvido. Se fosse, tudo já estaria melhor e os brasileiros que meditam em perfeita paz.


86354
Por Manoel Hygino - 12/7/2022 08:54:04
Com o Supremo

Manoel Hygino

Não vi, mas tive ocasião de ler em coluna de conceituado jornalista, sobre a possibilidade de o próximo presidente da República poder indicar cerca de 31 magistrados, em dez tribunais brasileiros. Mas o fato indica a necessidade de uma reforma constitucional, que eximisse o presidente da República e os governadores de terem a prerrogativa de propor membros do Judiciário – ministros do STF, do STJ, do TST, dos TRFs e do TCU, e os governadores na composição dos Tribunais de Justiça dos Estados e dos Tribunais de Contas. Claro que é apenas uma conjectura, embora o Judiciário não devesse ficar dependendo do executivo como agora.

Algo tem de ser feito para evitar o que acontece presentemente, com uma barafunda entre os poderes, um invadindo a área alheia. O interesse da nação fica para planos ulteriores.

Em verdade, o Judiciário brasileiro sofre também com a elevada demanda de processos que se acumulam nas mãos dos ministros, do STF, o existindo ações que começaram a andar (?) antes da Carta de 1988.

Segundo o Portal da Transparência do Tribunal, há 20.662 tramitações, havendo uma Ação Cível Ordinária (a ACO 307), registrada em março de 1982, no dia de São José. Nem por milagre consegue tramitar. No entanto, é matéria da mais alta significação, pois envolve a definição dos limites territoriais entre Mato Grosso e Goiás, cujo primeiro relator foi o ministro Cordeiro Guerra. O processo sequer está incluído no calendário de julgamento.

Uma outra ação, de que já falei aqui, se transformou no processo mais demorado da história. É a ação movida por ninguém menos que a Princesa Isabel de Orleans e Bragança, pedindo a posse do Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro, onde, atualmente, funciona a sede do governo do estado. Somente 124 anos depois, o STF impôs uma derrota à monarquia e decidiu que as dependências pertencem ao povo.

Parece que este chegou a desfecho final. Ainda bem.

O caso de julgamentos tidos como urgentes é típico. Seguem fora de pauta e sem previsão de retomada, como é exemplo o marco temporal. Ele envolve as terras indígenas e trata da demarcação. Enquanto muitos morrem tudo continua como se nada acontecesse.

O próprio presidente da Corte adiou a apreciação da matéria, enquanto o circo dramático da Amazônia pegava fogo. No entanto, a medida prevê que os indígenas só poderiam reivindicar terras onde estavam fisicamente presentes na data da promulgação da Constituição de 1988, isto é, 5 de outubro.

Em minha opinião e com todo respeito, julgo que estamos tergiversando e agravando uma situação que, com o tempo, só tende a se tornar mais grave.


86350
Por Manoel Hygino - 9/7/2022 08:03:25
Discurso ainda válido

Fujo ao tema comum no noticiário dos jornais: de política, que vai tomando conta de espaços crescentes à medida que se aproxima outubro. E já estamos na segunda metade deste ano muito significativo para o Brasil, isto é, para cada um de nós, e para todos nós.

Preferi lembrar a posse do desembargador José Fernandes Filho, tão caro a todos os mineiros, na cadeira nº 24, da Academia Mineira de Letras, de que foi fundador o escritor João Lúcio e pela qual passaram Cláudio Brandão, Henrique de Resende, Sylvio Miraglia e Eduardo Almeida Reis, de quem tanta falta ainda sentimos.

Saudou o novo acadêmico, naquela noite em que os mineiros festejaram o São João, Patrus Ananias, ocupante da cadeira nº 29. Foi uma noite memorável, com o auditório Vivaldi Moreira tomado por ilustres figuras de nossa sociedade, do mundo jurídico, dos meios políticos, dando uma ideia muito segura do prestígio do empossante no sodalício presidido por Rogério Faria Tavares.

Vou restringir-me ao discurso de saudação pronunciado por Patrus, lembrando a posse de José Fernandes Filho na Secretaria de Estado da Educação, em plena vigência do regime militar. Fernandes advertiu para as graves responsabilidades de um gestor de educação no país. Constituía uma excelente síntese das reflexões sobre educação no Brasil, de Anísio Teixeira e Paulo Freire.

Disse ele: “O apelo e o desafio que temos de responder começam pela indagação acerca do quanto e do como podemos dar ao desenvolvimento social, econômico e político do nosso meio e de nossa Pátria. Então, o sistema educacional a ter vigor, há de ir além da mera transmissão de conhecimentos através de programas não raro tão belos quanto irreais. Educar, hoje, é, ao mesmo tempo, conscientizar e construir pessoas. Importa, antes de tudo, manter, despertar e suscitar a exercitação do espírito crítico. Não tem sentido a redução do educador à condição de máquina produtora de textos ou mera repetidora de palavras. O educador tem de analisar, escutando e perscrutando. Ao educar e para educar, deve o mestre educar-se. Mestre que não vejo só na sala de aula, no laboratório, na direção de equipes de vários gêneros, mas onde quer que
lhe for atribuída parcela, por mínima que seja, de responsabilidade na condução do processo pedagógico. O pedagogo recebe lições daquele ou daqueles a que lhe cumpre ensinar. Há uma pedagogia que se acha ou que se irá descobrir no educando. Consciente disso, o educador questiona a si próprio, suas teorias, seu saber e seu como saber e transmitir. Ensinando, aprende, aprendendo, ensina...”.


86346
Por Manoel Hygino - 7/7/2022 09:16:55
Números não mentem

Manoel Hygino

Não se pode, nem se deve fugir à realidade dos fatos, que parecem bons ou maus. No dia 15 de junho, o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central animaram a nação anunciando superávit primário superior a R$ 38 bilhões, recorde para abril, desde início da série histórica em 1997. Algo que merece realce efetivamente. O resultado foi superior ao esperado pelas instituições financeiras. Também as micro e pequenas empresas sentiram gáudio e otimismo pelo quarto mês seguido de bons resultados.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que andava meio calado, se rejubilou numa reunião de empresários em São Paulo. Disse: “O Brasil é um gigante verde com a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. Depois de muita luta política, a verdade brasileira está surgindo lá fora”.

Mas não estamos voando em céu de brigadeiro, sobretudo neste tempo chamado de pré-eleitoral, mas que já é do próprio. Antonio Machado, que entende de economia e administração, expõe seu ponto de vista: “Além do que será uma das eleições mais caras da história devido à fartura dos fundos eleitoral e partidário, dinheiro público dado aos partidos para bancar suas campanhas, o Congresso se aplica com denodo para torrar recursos – que não existem de fato. Registre-se, vêm da apropriação de verbas da saúde e da educação e da emissão de dívida – a pretexto de proteger os pobres dos males da inflação”.

E Minas Gerais não está fora da perfídia dos números e dos fatos. Os efeitos do bloqueio de quase R$ 50 milhões de onze universidades federais no Estado começarão a ser sentidos breve, possível até o fechamento das atividades de algumas instituições, como a tradicional de Viçosa, cuja área administrativa está a perigo.

Na verdade, as onze federais estão funcionando sob temor generalizado – tanto de sua direção, quanto dos estudantes. Assim padecem desse sentimento a Universidade Federal de São João del Rei, de Juiz de Fora, de Uberlândia, a de Alfenas, a de Ouro Preto, diante dos reflexos dos cortes já relacionados.

Ainda segundo Guedes, em meio a um cenário global, marcado por desaceleração e recessão, o Brasil vai pelo caminho oposto, com crescimento próximo de 2% em 2022, e de 3% a 4% nos anos seguintes. Por outro lado, estão sendo planejadas medidas visando a reduções significativas de tributos que incidem nos setores industriais, o que compensará a perda de poder aquisitivo dos cidadãos, além de favorecer um novo ciclo de investimentos no país.

Não seria, pois, a hora de rever o caso das universidades? O Brasil do porvir está sendo lá forjado.


86344
Por Manoel Hygino - 5/7/2022 08:53:16
Depois das chamas

Manoel Hygino

Belo Horizonte tomou conhecimento do incêndio no décimo andar do Hospital Central da Santa Casa, não só o primeiro a instalar-se na capital, no começo do primeiro decênio do século XX. O complexo assistencial, de tão grande dimensão, distingue-se de longe naquela parte da cidade.

Quem conhece um pouquinho de história do antigo Curral del Rei e mesmo restritamente o passado, viu acender na memória o desastre no Dieu, hospital de Paris, que pegou fogo em 1772, levando pânico à capital dos franceses e obrigando milhares de famílias a fazer o sepultamento dos internado mortos, então.

O Dieu, Deus, tinha capacidade para 1.100 pacientes em enfermarias com leitos individuais, e mais 600. Antes do trágico acidente, o edifício fora apenas um depósito de doentes e foco de contaminação. Com instalações desse tipo, não se podia esperar muito de bom e belo da velha estrutura hospitalar, terrivelmente insalubre, cuja inicial construção se dera no ano 861.

Centenas e centenas perderam a vida e o governo sentiu que precisava fazer algo. Constituiu, inclusive uma comissão para elaborar um projeto de reforma, reunindo os mais importantes profissionais para desenvolver estudos sobre a situação dos estabelecimentos de saúde. Começou-se, a partir de então, a definir um novo modelo de hospital, moderno e capaz realmente de defender e salvar vidas.

É o caso do atual Hospital Central, que a Santa Casa construiu em Santa Efigênia, a partir do chefe maior, o Provedor, José Maria de Alkmin. A Santa Casa dispõe presentemente de 1.186 leitos, todos destinados a pacientes SUS. Constitui o maior de Minas Gerais no gênero. A preocupação e desvelo com o enfermo é essencial. Praticamente todas as especialidades médicas lá se atendem. Seus profissionais são de alta competência para zelar por aqueles que vêm de todo o Brasil se tratar.

É gente que sabe cuidar do ser humano. A Santa Casa tem mais de 5 mil colaboradores, dia e noite em seus misteres. Quando as chamas se propagaram, no fim de junho, se pôde ver que eles trabalham por vocação, com o coração, com carinho, com desvelo. Evitou-se uma tragédia maior.

Agora é hora de ajudar na reconstituição e na reconstrução do que se perdeu. A alta direção, como não deixaria de ser, se pôs imediatamente em campo. Minas não pode adiar os plenos serviços que oferece ao país, por sua benemérita Santa Casa. O governo tampouco irá omitir-se, como o demonstrou, em âmbito federal, o ministro Queiroga, da Saúde, que veio sentir de perto o problema.


86340
Por Manoel Hygino - 2/7/2022 08:30:55
Vale uma cruzada

Manoel Hygino

Repercutiu muito no país o caso da menina de 11 anos, em Santa Catarina, que – levada a um hospital para interrupção de gravidez – teve o respectivo procedimento suspenso por uma juíza, que quis evitar o aborto. É assunto sério, que não tem merecido a devida atenção do poder público e a sociedade ficava de longe, como se tratasse de algo que não lhe diz respeito. O autor do ato sexual é um menino, de 14 anos e alega que houve consenso.

No entanto, não se trata de caso isolado. Milhares de casos são registrados anualmente, como informa o Datasus, ao revelar que 183,4 mil garotas de até 14 anos sofreram violência sexual entre 2010 e 2020, conforme registros de nascidos vivos do Ministério da Saúde. Conveniente esclarecer que qualquer relação sexual com menores de 14 anos, ainda que dito consensual, é considerado estupro de vulnerável pela lei brasileira.

O assunto exige atenção das autoridades, mas também das famílias, que têm a grave responsabilidade de zelar pelos seus integrantes. Mas o próprio sentimento dos deveres escapa a esses núcleos, grandemente desinformados ou mal formados.

O tema, aliás, foi objeto de recente artigo de D. Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e membro da Academia Mineira de Letras. Observa ele que, tão grande é a dimensão do problema, que, este mês, o assunto será tema do 10º Encontro com as Famílias, em Roma. Diz o alto prelado:

Compreende-se a urgência de se projetarem luzes na importante e inegociável experiência de se viver em família, especialmente quando são considerados os desafios humanos, com incidências de vicissitudes da contemporaneidade. A vivência em família garante, entre limites e possibilidades, uma modelagem singular indispensável para se avançar no caminho da santidade de vida, isto é, do bem e do gosto pela justiça, encharcando de solidariedade fraterna cada gesto. O contexto familiar inspira o ser humano a corresponder à vocação de ser sempre bom e fazer o bem, dedicando-se cotidianamente à transformação célere do mundo em um lugar de amor”.

O que se sabe é que, a cada dez minutos, uma criança ou uma mulher é vítima de abuso sexual no país, segundo o Fórum Nacional de Segurança Pública, com base em números de 2021, quando se registraram 56.098 ocorrências desse tipo, embora o volume deva ser bem maior. Mas não é hora de somente desistir de mudar esse quadro dramático. Pelo contrário, indica-se ou mesmo se exige uma cruzada com que se pretende enfrentar as adversidades que ameaçam as famílias.


86337
Por Manoel Hygino - 29/6/2022 09:45:01
O crime no país

Manoel Hygino

Não é apenas o caso do Amazonas, tornado objeto de atenção do mundo, mais uma vez. Mata-se demais no Brasil. A imagem do brasileiro cordial e bom companheiro, alegre, vai-se perdendo, muito rapidamente.

Não só o interior, remoto, recôndito, aparentemente mais desprovido de segurança pública. Quem assiste aos programas de televisão que noticiam os crimes mais evidentes de todos os dias, não mais se assusta com os homicídios, sequestros, roubos em plena luz solar, deixando rastros de sangue e violência em São Paulo e Rio de Janeiro, por óbvias razões.

São muitas as pessoas mortas em confrontos com a polícia no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A grande maioria é de gente trabalhadora, honesta, em plena atividade ou transitando pelas vias públicas, dirigindo-se ao trabalho que lhe assegura o difícil "pão nosso de cada dia", com preço aumentado até pela guerra no Leste europeu.

Os criminosos não agem mais sozinhos. Criaram-se organizações poderosas e versáteis, com ramificações internacionais. Sabe-se que somam 53 facções que disputam o controle do crime.

A polícia não é suficiente. Há dois anos, exatamente em 2020, mais de 200 policiais foram executados violentamente, mas 51 estavam de folga e 50 foram pressionados ao suicídio.

O jornalista Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, nascido em Minas, com conhecimento fundo do problema, professor, com livros publicados, é cônscio de que “o país está perdendo os seus jovens para a violência e o tráfico”.

Aylê observa: “Na Câmara Federal, a chamada “bancada da bala” defende, como solução, a redução da idade criminal, o retorno às medidas punitivas contra o comércio das drogas e até a flexibilização da compra de armas pela população. No extremo oposto, a Pastoral Carcerária Católica contrapõe-se aos posicionamentos dos deputados, em sua maioria de ex-delegados, militares e policiais. Ela reivindica o desarmamento do modelo da guerra ao tráfico, da militarização da polícia, das prisões provisórias e da privatização do sistema carcerário. No fundo ninguém sabe exatamente o que fazer, nem reúne forças suficientes para apontar uma solução”.

Nesta metade do ano, não há muito de que se pode vangloriar. Antes pelo contrário. Pior ainda é que as perspectivas são sombrias. Há insatisfação nas vias públicas e nos lares, nos ajuntamentos, inclusive pelas vicissitudes e intolerâncias. Há fome e desesperança, enquanto se aquece a disputa eleitoral. Oxalá se vislumbrem novos e promissores horizontes para os brasileiros. Elas contribuem para fortalecer os ânimos das gentes deste país.


86336
Por Manoel Hygino - 28/6/2022 09:16:03
São Francisco na torneira

Manoel Hygino

Enfim, a água do São Francisco está chegando. Demorou, demorou muito, mas enfim ela desce pela torneira. Durante séculos, Montes Claros esperou que o rio, serpenteando paralelamente, viesse ajudar a maior cidade do sertão mineiro a desenvolver-se mais, contribuindo para evolução das atividades produtivas e econômicas.

Bom, que agora se concretiza a aspiração de gerações. O fantasma do racionamento vai-se distanciando, como conveniente. Os que subíamos o rio em direção ao Norte, a Bom Jesus da Lapa, na tradicional romaria de agosto, sempre sonhávamos com a bênção da corrente líquida servir a uma população que fizera de MOC a quinta mais populosa cidade do Estado, como gosta de dizer Luis Ribeiro.

O sonho se torna realidade. E como é bom fazer o registro. Se conseguiu erguer um núcleo como MOC, com as dimensões que presentemente tem, fruto de sacrifício que não se perdeu nas entranhas do passado. Todos guardamos dolorosas lembrança de períodos em que se reclamava de não se poder adequadamente lavar a roupa de casa, de molhar os canteiros da horta ou do sacrifício de ter água para feitura do almoço e do jantar. Isso deverá fazer parte de um tempo morto e sepultado.

Numerosas famílias esperando esse momento, indústrias praticamente prontas para se instalar, o progresso batendo à porta com centenas de pessoas aguardando, com ansiedade, a oportunidade de emprego.

É imensa, sim, a alegria de fazer o registro, que abre novas perspectivas para a gente norte-mineira. Não só para ela, porque inúmeros serão os beneficiários.

Agora, tem-se de proteger a qualidade da água, lá nas margens, desde que nasce na serra da Canastra, no município de São Roque. Cuidados têm de ser tomados para que a água chegue aos consumidores com efetivas qualidades de pureza.

O brasileiro tem o mau costume de não zelar pelo bem que lhe é oferecido. Comprova-se em muitos lugares e circunstâncias, e, no fundo, somos os responsáveis por situações altamente danosas ao patrimônio com que a natureza nos brindou. A conscientização de nosso dever diante das dádivas superiores tem de ser promovida, para bem geral.

Não se pode admitir que o velho Chico se transforme em um caudal de dejetos e lixo.


86332
Por Manoel Hygino - 25/6/2022 13:26:41

Guerra é guerra

Manoel Hygino

Pedro Rogério Moreira, jornalista, escritor, membro da Academia Mineira de Letras, em que sucedeu ao pai Vivaldi, presidente perpétuo do sodalício, não para de publicar, o que é um alimento constante para seus vorazes leitores. Agora, editou “Eduardo Frieiro, pelo buraco da fechadura”, uma saparata da Revista da AML, volume LXXX.

Coincidentemente, a publicação se dá no período em que ainda nos encontramos abalados com a morte de Bruno Araújo Pereira, o indigenista, e do jornalista Dom Phillips, inglês, numa armadilha na perigosa região do Javari, como noticiam veículos de comunicação de todo o mundo civilizado. Chamo a atenção do detalhe porque Pedro Rogério foi correspondente da TV Globo na Amazônia, por muitos anos e permanece vivo e atuante.

O mineiro não temeu porque é imortal, certamente. Daí, ter escolhido Eduardo Frieiro, da Zona da Mata, protagonista de várias e comentadíssimas críticas pela Imprensa de Belo Horizonte. Frieiro não tinha medo. Cresceu de tipógrafo do “Minas”, órgão oficial do governo mineiro, subindo corajosamente todos os degraus da carreira. Preencheu páginas e páginas de cadernos escolares, formando um diário pessoal, a que ateou fogo, até porque era nitroglicerina pura.

Não descansou e partiu para um novo Diário, no qual se baseou Pedro Rogério para a separata de agora, “para atingir seus alvos prediletos: literatura e homens públicos”. Nele, o filho de Vivaldi escreveu o seguinte trecho:

“Em 6 de novembro de 1942, o médico psiquiatra Lopes Rodrigues, conhecido por sua idiossincrática personalidade, convidou Frieiro a ser um dos signatários da homenagem a Dom Cabral ao ensejo do jubileu episcopal do arcebispo de Belo Horizonte. Frieiro, educadamente, respondeu que não era uma boa ideia, pois se considerava irreligioso. Lopes Rodrigues insiste, e relata a Frieiro, na presença de várias pessoas, que visava muito amiúde o arcebispo; que Dom Cabral era “um conservador adorável”, e que os dois, “cada um com seu charuto à boca, refestelados em cômodas poltronas”, davam-se a jogos de espírito, “juízos sagazes, anedotas engraçadas, em que o prelado levava sempre a melhor”. Frieiro não se convenceu. Então, Lopes Rodrigues foi ao pé do ouvido de Frieiro e soprou-lhe, para os circunstantes não ouvirem:

- Dom Cabral é ateu como nós. E Frieiro, incontinenti:

- Se é assim, pode deixar o meu nome.


86329
Por Manoel Hygino - 22/6/2022 09:38:24
Os reais inimigos

Manoel Hygino

O tempo anda nebuloso em grandes áreas do Brasil. O aumento do preço dos combustíveis trouxe mais preocupação, quando não desalento, ao cidadão. Os mais pobres, os que se inserem na quota dos que passam fome, perguntam: que será de nós?

São mais de 30 milhões de vozes que ecoam, mas não têm resposta. Mas faltam alimentos para expressivos segmentos. As organizações criminosas, muitas, extensas e ricas, sabem onde suprir-se para suas façanhas. Na região amazônica, tão em destaque com a morte do indigenista Bruno e do jornalista Dom Phillips, existem mais de 50 rotas para o narcotráfico. E este é um dos mais poderosos do Brasil e da América do Sul e Central.

Rodrigo Soares, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa opina: “Sem os mecanismos tradicionais da Justiça, a violência acaba se tornando uma forma de estabelecer reputação e controle”. Estamos nessa.

Poucos terão lido a pequena notícia: a Polícia Federal prendeu um italiano transportando, ilegalmente, 70 ripas de madeira originária da espécie Pau-Brasil em pleno Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele foi preso quando tentava embarcar a carga para Milão, via Portugal. Quantos outros estarão praticando tais ações em pleno território do maior país do hemisfério?

Os índios vão aprendendo à medida que os dias correm. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari contestaram a PF. Esclareceram que a polícia já sabia das ameaças que os grupos criminosos tinham feito aos dois mortos na região. Não foram os primeiros nem serão os últimos.

Quantas vezes autoridades representantes de povos em todo o planeta, terão de pedir proteção aos que se opõem a essas organizações e seus malditos interesses? Enquanto isso, quedamos sofrendo o peso dos reajustes dos preços dos derivados de petróleo, sem que o poder público consiga impedir seus abusivos preços.

Até quando? Porque, na mesma semana, publicou-se: “Uma turista holandesa morreu no meio de um ataque de pistoleiros contra Celso Caldas de Lima – um traficante de drogas brasileiro – em um restaurante na cidade amazônica de Leticia, no sul da Colômbia, informou a polícia Caldas de Lima havia sido preso fazia 5 anos.


86327
Por Manoel Hygino - 21/6/2022 08:37:41
A missão não terminou

Manoel Hygino

No Amazonas, após dias de espera, aconteceu o que se temia com relação ao indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, na imensidão da floresta. Com a coletiva de imprensa, liderada pelo superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, ao cair da noite de 15 de junho, lançaram-se as primeiras luzes sobre os acontecimentos, presentes representantes de todas as forças atuantes no caso.

Alessandra Sampaio, esposa do jornalista britânico do “The Guardian”, disse muito em poucas palavras: “Este desfecho trágico põe fim à angústia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora, podemos leva-los para casa e nos despedir com amor. Hoje se inicia também nossa jornada em busca por justiça”. Mas, um ex-superintendente da PF acrescentou, com propriedade: “Todas as condições para isso acontecer continuam lá. Bruno e Dom não foram os primeiros e, é terrível, mas eu acho que não serão os últimos”.

Desde então, avançaram as informações sobre as circunstâncias em que os fatos ocorreram. Não se deve permitir que se polarizem opiniões e se deem versões políticas ao crime hediondo, que, como dito, não foi o primeiro, nem será o último. Em torno da Amazônia persistem interesses múltiplos e perigosos.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o IPAM, também se expressou em termos convenientes: “O triste desfecho preocupa, pois se soma a uma recente escalada de violência marcada por inadmissíveis ameaças contra indígenas, comunidades tradicionais, lideranças ambientais, cientistas, jornalistas, lideranças ambientais, cientistas, jornalistas e demais pessoas que trabalham pela proteção e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

É imprescindível que o governo, agindo com imparcialidade e espírito superior, com discernimento, lucidez e isenção, elucidará todos os aspectos que o grave problema exige.

É preciso se ter em conta que não se trata de apenas dois humanos que perderam a vida cruelmente. A ONU se manifestou, assim com vozes idôneas do mundo civilizado. O Brasil terá de provar também civilização e idoneidade. Pelos mortos, oraremos. É apenas o que podemos fazer, além de cobrar justiça pelo seu trágico fim, esperando que os graves eventos registrados na Amazônia comecem a ser esclarecidos, abrindo caminhos para um novo e feliz tempo em uma região única no planeta.


86324
Por Manoel Hygino - 18/6/2022 09:12:09
Como o tempo anda

Manoel Hygino

Frio intenso. O outono abrindo caminho para o inverno que desponta em 21 de junho, quando Santo Antônio, São João e São Pedro ainda preparam para assumir suas festividades. No Norte de Minas, já sertão, temperaturas da madrugada chegam a 6°C. Brasília, São Paulo registram 8°C e Belo Horizonte, num certo posto de observação, assinalou 4°C.

Um ciclone tropical – Yakecan – atuante no litoral evoluiu para Acre e Rondônia. Há exatamente 10 anos, nesta época, houve um tremor para os lados de Mirabela. Durou de 5 a 12 segundos, uma criança morreu.

Falava-se em erupção polar do século, nada confirmado, mas surgiam alterações aquáticas em lagoas e barragens. A gente de Sete Lagoas sofre tremores e medo.

José Ponciano Neto, técnico em recursos hídricos, supervisor de gestão de barragens, e o engenheiro Afonso Cláudio de Souza Guimarães dão explicações e procuram acalmar: “Uma das principais alterações ocorre com o fenômeno “Inversão Térmica” da água, ou seja: em estações de temperatura mais fria (outono/inverno), quando abaixo de 10⁰C/9⁰C; em poucos dias ou horas, a camada de fundo menos densa sobe para a superfície provocando revolvimento do sedimento (lodo/matéria orgânica) do fundo – até então estagnado – causando um reboliço. Com isso, a homogeneização das camadas, que antes estavam estratificadas.

Dependendo do estado trópico do corpo d’água – que é definido pelos os graus de trofia – quanto maior a concentração dos nutrientes e matérias orgânicas, mais favorece a eutrofização da água de uma barragem ou lagoa – futuramente (pós Inversão) provocando o surgimento das algas, que, podem ser cianobactérias, além da mortandade de peixes, que é normal, fase do choque térmico e a falta do oxigênio.

Em tais circunstâncias, a prevenção é essencial para evitar consequências indesejáveis. Mas as autoridades estão aí é para evitar danos e males. Os técnicos existem e trabalham com consciência profissional.

Mas que causam desconforto, não há dúvida. Foi essa a situação a que assistimos durante dias, causando incômodos vários.


86321
Por Manoel Hygino - 17/6/2022 09:15:25
O PIB de 2023

Manoel Hygino

A primeira semana de junho trouxe consigo novidades que poderão repercutir no segundo semestre do exercício financeiro. A mais importante foi o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrar alta de 1% no primeiro trimestre de 2022, diante do ultimo trimestre de 2021.

Enquanto alguns setores e empresários revelaram satisfação com a informação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se exultou. Tudo vai dar certo como ele preconizara, embora os resultados imediatamente anteriores, não tinham sido prazerosos, foi o que declarou.

Comparativamente ao primeiro trimestre de 2021, o PIB apresentou elevação de 1,7 % no primeiro trimestre de 2022, totalizando R$ 2,2 trilhões. Enquanto isso, o consumo das famílias evoluiu 0,7 % nos três primeiros meses de 2022, diante do quarto trimestre de 2021.

À primeira vista, melhoramos. No entanto, um grupo de empresários de diversos setores preferiu parar para examinar. Queria ficar mais seguro se o desempenho da economia nacional fora realmente positivo ou não. Levou-se em conta, primeiramente, que o resultado anunciado apareceu abaixo do previsto pelo mercado, que era de 1,2%, considerando que se admitira um resultado mais robusto, portanto, no exercício presente.

As opiniões se dividiram, levando em consideração as perspectivas para 2022. Como vai ficar? Um grande grupo do setor bancário, por exemplo, tem severas dúvidas com referência a 2023, porque já é nele que pensamos, porque o outubro das eleições já está chegando e muita coisa ainda poderá mudar. Mencionado grupo, por sinal, já faz cálculos e acha que o PIB sofrerá uma queda de 0,6% no ano que vem.

Em contraposição, outros bancos, também de primeira linha, projetam um crescimento em 2023 de 0,5% e 0,25% apenas. É pouca coisa, mas em todo caso ainda é positivo. Os fatos dirão quem tem razão, embora os baixos percentuais não reflitam a confiança de que o Brasil não conseguirá deslanchar efetivamente.

Quem lê ou ouve atentamente as notícias pela mídia, terá tomado conhecimento de que, em abril, o Brasil criou 19,6 mil empregos com carteiras assinadas, somando no ano 770 mil vagas. Evoluiu-se, sim; mas pouco. O próprio Ministério do Trabalho acha que não há expectativa de que se terá este ano o mesmo número de empregos de 2021, isto é, mais de 2 milhões de empregos. Isso representa afirmar que o número de desempregados continuará alto. O resultado é que 58,7 da população com elevado grau de insegurança alimentar persistirá. São 125,2 milhões de pessoas.


86317
Por Manoel Hygino - 14/6/2022 09:10:18
Iniciativa memorável

Manoel Hygino

Empolga-me a programação cultural-artística a que se propõe sem cessar a minha gente de Montes Claros. Creio que posso dizer sem medo de errar que não há outro município com as suas dimensões que, no interior brasileiro, realiza promoções para sua agenda como a cidade norte-mineira. Motivo, aliás, de honra e contentamento para este plebeu lá nascido.

Enquanto até as capitais mais se preocupam em discutir se continuam usando a máscara dos dias de pandemia, que soma mais de dois anos, as academias de letras de Montes Claros se propuseram e realizaram o 1º Festival Literário do Autor Montes-clarense (FLAM).

E o FLAM se transformou em sucesso, o que só diz bem da iniciativa, que só acompanhei de longe por motivos de ordem pessoal. A médica e jornalista Mara Narciso observou que o espaço era amplo e adequado. As obras que não tiveram oportunidade de serem lançadas devido à pandemia saíram da sombra e foram expostas nas vitrines, enquanto se promoveram convites especialmente para chamar a atenção dos leitores, nas mesas cobertas de tecido verde como se fora um altar.

No Centro Cultural Hermes de Paula se pôde apreciar ainda raridades como “Maria Clara”, de Nazinha Coutinho, “A Medicina dos Médicos e a outra....”, do próprio Hermes, “A Venda de Meu Pai”, de Luiz de Paula, “Janela do Sobrado”, “O Beco da Vaca”, “Rua do Vai Quem Quer”, de João Vale Maurício, tudo muito bem distribuído, graças à experiência e bom gosto de Júnia Velloso Rebello, idealizadora e executora intelectual da exposição, que dedicou espaço específico para a literatura infantil. Enfim, todos se sentiram realizados, o que indica automaticamente à conveniência de uma segunda mostra.

E houve mais: “A Arte Rupestre na pré-história do Médio São Francisco, livro do historiador Dário Teixeira Cotrim, também foi lançado no Centro Cultural, em homenagem muito justa ao saudoso antropólogo Leonardo Alvarenga da Silva Campos, autor do prefácio que recebeu orelha escrita pelo editor Pedro Ribeiro Neto.

Com relação ao livro do Dário, é bom que se diga que veio preencher uma lacuna e merecerá atenção e interesse de quantos se interessam pelo tema, e a cidade e a região têm muito a resgatar quanto à arte rupestre.


86310
Por Manoel Hygino - 11/6/2022 09:10:21
Hora de pensar

Manoel Hygino

Embora a farra semanal em direção aos bailes de periferia, embora o crescimento do público nas disputas esportivas, não se pode ignorar o diário direcionamento de multidões no Brasil em busca de abrigo para as noites de frio ou daqueles segmentos que passam fome. Contraria-se Pero Alves Caminha, quando previa que muito esta terra produziria porque é boa e, em se plantando, tudo nela se daria.

Estamos conduzindo mal os destinos da nação, há séculos. O resultado aí está e nos enche de dor e vergonha. Passar fome na terra de Canaã.

Os números da tragédia que as folhas publicam diariamente confirmam os fatos. Segundo os dados, 33,8 milhões de brasileiros sobrevivem hoje com menos de um salário mínimo por mês, como aconteceu em 2021. São informações do IBGE, portanto confiáveis.

Isso quer dizer que, em somente um ano, 4,4 milhões de pessoas recebem a renda mensal inferior a R$ 1.212, o maior contingente em toda uma década. Nem falamos nos milhões que não têm trabalho anotado em carteira, inclusive porque os empregadores pagam menos de um mínimo e não o registram, evidentemente.

E há mais: segundo o Dieese, 52% dos reajustes com data-base em março último não procederam à reposição da inflação, atirando mais para baixo a renda já insuficiente do trabalhador. Como se sustentam os adeptos dos folguedos e nas alegrias do fim de semana? De que vivem? Como conseguem para assumir as despesas extras?

Pero Vaz Caminha sonhava, mas era 1500. Presentemente, há cerca de 11,3 milhões de pessoas sem trabalho, enquanto cerca de 50 milhões seguem em situação de pobreza, das quais 12 milhões em extrema pobreza, com rendimento de R$ 155 mensal per capita. Não dá sequer para comprar alguns medicamentos. Daí, não serem poucos os que reclamam do SUS, que faz milagre para prestar assistência a mal alimentados e, em decorrência, dos doentes em potencial que se dirigem às UBS e UPAs.

Será que os numerosos candidatos aos mais importantes cargos que disputarão conhecem a imensidão dessa tragédia? Terão projetos ao menos para amenizá-la?

É hora de pensar: o eleitor e o candidato. Imagens medonhas a que se assiste pelas televisões como as das pessoas em busca de uma marmita em meio a sujeira das ruas, não são artimanhas dos cinegrafistas. Quando os mais beneficiados pela força divina conseguem dormir, não esquecem as cenas dolorosas e vergonhosas se transformam em pesadelos.

A inflação tem parte da responsabilidade nesse quadro tenebroso, mas não existe sozinha. Há uma série de fatores acompanhando o que os técnicos do governo deveriam propor, enquanto há tempo.


86303
Por Manoel Hygino - 7/6/2022 08:37:23
A transparência do poder

Manoel Hygino

Pobre não ganha eleição, primeiramente porque não vota. Imagine se os mais de 11 milhões de desempregados no país e os que não percebem sequer o salário-miséria pudessem depositar seu voto na urna! Aí, seria um Deus nos acuda. Mas a grande parcela destes sequer dispõe de um título eleitoral.

Segundo pulicou o jurista Sacha Calmon, a parcela de pobres nas estatísticas deste ano demonstrará que os temos em quantidade maior do que há dez anos atrás. Quer dizer, em última hipótese, que estamos andando em marcha a ré.

Em verdade, todos sabem ou pelo menos deveríamos saber, que a terra descoberta por Cabral, como consta da carta de Pero Vaz Caminha, é agora o décimo-quarto país que mais arrecada em termos de impostos no mundo, mas é o último que melhor aplica dinheiro em beneficio da população, que elegerá um novo presidente em outubro. É doloroso constatar e registrar.

Algumas empresas estão tentando minimizar este quadro cruel, inclusive não cobrando impostos do consumidor pelo menos um dia por ano. Evidentemente, já constitui algo que se deve destacar com alegria no cenário de insensibilidade e omissão de alguns que estão no poder e só praticam a lição inserida no “Otelo”, de Shakespeare: “Ponham dinheiro no bolso”.

O mal é que a receita não tem validade maior, porque grande percentual de pessoas sequer pode ir aos balcões de comercio porque não contam com quantia indispensável às compras. As filas dos que enfrentam o frio da semana para angariar uma marmita com alimentos não é fantasia. É a realidade nua e crua.

A qualidade de vida piorou, os segmentos de paupérrimos se ampliaram e as dificuldades ainda são crescentes. Quem suportará mais?

O veterano jornalista Luiz Carlos Azedo lembrou que Maquiavel já advertia que os principados só cuidavam de meditar sobre esta verdade, quando os governos tinham de passar da ordem civil para um governo absoluto.

De um modo geral, o ser humano não mudou muito e não é, cá entre nós, evolução favorável. Os próprios dados oficiais apontam para um aumento de número de empregados de carteira assinada, o que é um consolo, mas se observa que os informais estão na casa de 40 por cento da população.

O governo que assumirá, no ano que vem, vai ter de trabalhar muito para ajudar a situação.


86297
Por Manoel Hygino - 4/6/2022 09:09:07
Uma homenagem

Manoel Hygino

Professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ivan Domingues foi homenageado por colegas e amigos do país e do exterior, com a publicação de um livro integrado por capítulos da maior importância para aqueles que se interessam pela temática e que poderá, quem sabe, também sensibilizar outros com a cultura filosófica. Enfim, nem tudo são política, futebol e eventos musicais populares.

O volume em questão, que recebeu o título de “Minas e horizontes do pensamento”, foi organizado por Anna Carozzi, Carlos Ratton, Helder Carvalho e Jelson Oliveira, e publicado pela Editora Unisinos, da Universidade do Vale dos Sinos, de São Leopoldo, lá no Rio Grande do Sul.

Deixando o ensejo de me alongar sobre a obra para outra ocasião, após a leitura da obra, que soma praticamente 500 páginas, esclareço que ela teve a intenção, como diz a capa, de reverenciar um mestre, colega ou amigo, que é uma referência teórica de indiscutível legado para o cenário filosófico nacional, com pés no estrangeiro. Em torno de Ivan Domingues, festeja-se não o homem, mas o que ele fez consigo mesmo – o modo como ele se dispôs ao pensamento. Debruçado nessas minas, como que bebe a fonte e mirando o horizonte como quem toca o porvir, Ivan filosofou e, ao mesmo tempo, mostrou como se filosofa. “Aniversário é uma festa/Pra te lembrar/ Do que mata”, vaticinou Millôr Fernandes. Assim seja”.

O prefácio é de Marcelo Fernando de Araújo, também diretor da Coleção Ideias, que o volume integra, que sublinha o objetivo de homenagear o professor Domingues, no momento em que “o Brasil enfrenta a Covid-19, mas também uma indivisível crise sociopolítica”. Mas os autores da obra são de várias regiões brasileiras e mesmo de além-fronteiras nacionais”, de universidades públicas federais e estaduais, de universidades leigas e confessionais”.


86288
Por Manoel Hygino - 31/5/2022 11:29:30
Despedida do pleito

Manoel Hygino

Em meio ao imbróglio da campanha política, antecipadamente antecipada por todas as correntes e partidos, pode-se avaliar o teor dos pronunciamentos e entrevistas dos pré-candidatos, ou à presidência da República ou aos demais cargos a serem levados à consideração do eleitorado.

Há de se condenar ou de se criticar a manifestação deste ou daquele. Não poderia ser de outro jeito e maneira, principalmente diante da polarização estabelecida. Mas chamou a atenção o cuidado de o ex-governador de São Paulo comunicar à nação que se afastava da disputa à chefia nacional.

Não foi veemente, mas firme e claro, ponderado e sincero, ao que se depreende de suas palavras. Declarou Dória: “Sempre busquei e seguirei buscando o consenso, mesmo que ele seja contrário à minha vontade pessoal. O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano. Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve. Com a sensação inequívoca do dever cumprido e da missão bem realizada. Com boa gestão e sem corrupção. Saio com o sentimento de gratidão e a certeza de que tudo o que fiz foi em benefício de um ideal coletivo, em favor dos paulistanos, dos paulistas e dos brasileiros. Saio como entrei na política: repleto de ideais, com a alma cheia de esperança e o coração pulsante, confiante na força do povo brasileiro que têm fé na vida e em Deus”.

O orador não conseguiu segurar as lágrimas, o que constituiria uma prova de sincera convicção do que dizia. Houve outras pessoas em derredor que também usaram os lenços para enxugar as íntimas certezas de que havia pureza de sentimento.

Eu creio nas expressões que vêm de lá do mais fundo do coração das pessoas. Gostaria que todos se abrissem ao bem e ao bom. Dória falou a verdade? Eis a questão.

Lembrei-me das palavras de Joaquim Cabral Neto, membro do Ministério Público de Minas Gerais, que – chegando aos 80 anos – terminou um livro: “No fim do outono da minha vida, não sei até onde irei. Não importa. O passado não me pertence mais, nem o futuro; tenho apenas o presente. Valeu a pena viver procurando ser útil, deixando um exemplo de vida, com a certeza de que a vida continua”.



86284
Por Manoel Hygino - 28/5/2022 11:14:30
Ponto à venda

Manoel Hygino

No Brasil, quando a situação fica mais difícil, as autoridades pensam logo em vender algo de seu patrimônio para tentar resolver a dificuldade. É sempre assim, mesmo que se saiba que logo o problema voltará, porque não se deu a solução melhor. E o povo vai na conversa, depois de conhecer o mal que administrações federais causaram à empresa e à nação.

Recente pesquisa Ipespe divulgada há pouco mostrou que 67% dos entrevistados são favoráveis à privatização da Petrobras, caso haja segurança de que a venda da estatal leve à queda do preço dos combustíveis. Somente 49% dos ouvidos disseram não concordar com a alienação da companhia. Não basta atribuir a guerra Rússia/Ucrânia a responsabilidade pelas perspectivas de mais elevação nos preços dos derivados de petróleo. Anos atrás, o professor Aloysio Biondi opinou que as privatizações por aqui constituíram um desastre.

Amaury F. Brandão, de Pouso Alegre, já em maio de 2005, me escrevia, antevendo então fatos que se confirmaram, como o racionamento energético: “O governo confiou que bastaria leiloar as concessionárias para que elas suprissem a defasagem existente, mediante investimentos necessários”. As concessionárias nada investiram, a agência reguladora nada regulou e fiscalizou, de sorte que o país amargou um romântico apagão, com prejuízos para todos os setores produtivos. Convém lembrar que, ao se desfazer das concessionárias, o governo lhes entregou tarifas atualizadas desde 1955, num patamar de 135,7 contra uma inflação de 61,28%”.

Alcançado por surpresa desagradável – a necessidade de racionamento – havia o governo de erigir um culpado. E esse foi São Pedro, cujas torneiras ele se esqueceu de abrir. Na terra onde canta o sabiá, é sempre fácil encontrar um bode para responder pela incúria alheia. Essa transferência de responsabilidade faz-me lembrar uns versos, quando se pergunta: espelho, espelho meu! Há um governo mais omisso que o meu? Há um povo mais passivo que o meu? Sempre pronto a chapeladas, o governo criou o “Seguro Apagão” para ressarcir as distribuidoras do prejuízo que tiveram com a economia que a sociedade fez, de luz e força.

Chegou a vez da Eletrobrás, criada no governo da Revolução, mas não se podia esquecer a Petrobras, do velho Getúlio. Vender, eis a proposta, deste século, em cujo segundo decênio vivemos.


86277
Por Manoel Hygino - 25/5/2022 08:29:57
O último pedido

Manoel Hygino

O brasileiro é muito propenso ao perdão e ao esquecimento por males que lhe fazem, principalmente entre os segmentos mais humildes. É o que nos lembrou o historiador e médico Hermes de Paula, de Montes Claros, em obra monumental, lembrada por José Ponciano Neto, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas.

Na antiga forca da cidade, o primeiro condenado era conhecido como Joaquim Nagô, acusado do assassinato de Joaquim Antunes de Oliveira, no distrito de São José do Gorutuba.

Em 22 de abril de 1835, ao dar-se cumprimento da sentença, a corda se partiu, sendo emendada. Novamente, não resistiu ao reduzido peso daquele resto de corpo humano com físico cadavérico pela fome e maus-tratos sofridos na cadeia.

Curiosos que assistiam ao ato, pediram clemência para o réu... Nada, porém, conseguiram. O carrasco interrompeu por minutos, foi em casa, de onde trouxe um forte laço de couro ensebado... E o “negro foi enforcado irremediavelmente”. “Alguns anos depois, na Diamantina, um tropeiro agonizante confessava a autoria do crime para roubar”, comprovando, assim, a inocência de Nagô.

A alma de Joaquim Nagô criou foros de poderosa protetora dos aflitos. Até hoje é invocada para encontrar objetos perdidos, solucionar contrariedades e crises domésticas.

O último enforcado na antiga Vila de Formigas - segundo a obra citada, teria sido outro negro, também escravo -, nos meados do século passado, por haver assassinado, por vingança, o seu senhor, cel. Joaquim Alves, proprietário da fazenda dos Fonseca, hoje Nova Esperança.

Contam que Joaquim Alves tinha por hábito castigar seus escravos com extrema crueldade. Sobre a execução do mencionado escravo, vale a pena transcrever mais um trecho da excelente monografia de Hermes de Paula: “O criminoso foi condenado à morte, sendo conduzida para junto da forca - na hora da execução - toda a “população escrava” da localidade.

“O réu, do patíbulo, encarou seus irmãos de cativeiro, e assim pronunciou suas últimas palavras:

—“Trouxero oucês aqui para inzempro, proucês vê eu morrê e ficá cum mêdo... Num fica cum mêdo não, Sinhô é ruim, mata sinhô... In ante de morrê eu quero cumê um pedacim de marmelada...”.


86275
Por Manoel Hygino - 24/5/2022 09:49:55
Como anda o tempo

Manoel Hygino

Há uma guerra lá distante, entre Rússia e Ucrânia. Vidas destruídas, lares desfeitos, milhares de sequelados, tudo enfim que um conflito produz. Uma guerra que não é guerra, porque o presidente de uma das nações envolvidas não gosta do substantivo.

Enquanto isso, Putin adia a formalização, que permitiria a mobilização total das forças de reserva da Rússia. O presidente aproveitaria o 9 de maio, Dia da Vitória sobre Hitler, em 1945, para anunciar a conquista militar contra a Ucrânia, o que não sucedeu. Permanece a “operação militar especial”, com os mesmos resultados sombrios, mais do que isso, catastróficos.

No Brasil, procura-se fazer com que tudo pareça em boa ordem, embora os preços dos bens de consumo imprescindíveis não diminuíam. A Covid reduziu sua amplitude e extensão, mas em seu lugar entrou em cena a chikungunya, com crescimento de 40% de casos, relativamente ao ano passado. A zika não ficou atrás. Sua incidência revelou aumento de 53,9% em termos de ocorrências, com referência a 2021.

Verdade que a Anvisa aprovou o uso emergencial de medicamento, como já acontecera em 17 países, contra a Covid. É o molnupiravir, antiviral de uso oral, que demonstrou benefícios em pacientes leves e moderados, reduzindo a necessidade de hospitalização e a ocorrência de mortes. Mas só pode ser aplicado com avaliação e prescrição médicas, não valendo sequer recomendação do Planalto.

Outra notícia importante: a taxa de juros atingiu 12,75% ao ano, mas a expectativa é de que chegue a 13,25, diante das pressões inflacionárias decorrentes da nova onda da Covid na China e da guerra na Ucrânia. A taxa, assim, é a mais alta desde fevereiro de 2017.

Mas o Brasil vai muito bem, obrigado. Na terça-feira, tivemos um dia glorioso. Registrou-se que o brasileiro já pagara mais de R$ 1 trilhão em impostos, este ano. No ano passado, a importância só foi atingida 16 dias depois. Em 2021, pagamos R$ 2.592.601.562.926,43 em tributos no total. O número é bastante expressivo.

O contribuinte brasileiro revela, mais uma vez, sua indeclinável disposição de contribuir para o desenvolvimento nacional e para uma vida saudável de quantos nasceram ou escolheram viver aqui. Cabe aos que dirigem os municípios, estados e a União corresponderem às expectativas.

Mas, a inflação está crescendo há pelo menos 16 semanas.


86269
Por Manoel Hygino - 21/5/2022 07:49:39
Perguntas de história

Manoel Hygino

Em 1965, foi publicado meu segundo livro – “Considerações sobre Hamlet”, em que se descreve a história da famosa tragédia de Shakespeare. Seu personagem central tem sido interpretado por alguns dos maiores artistas de teatro e cinema em todos os tempos. Reporto-me às origens da história, para lembrar que o autor se inspirou na “Gesta Danorum”, de Saxo Grammaticus, um frade do século XII.

Esses pormenores voltam à memória agora que a guerra entre Rússia e Ucrânia passou a integrar o rol de notícias, nada agradáveis, em âmbito internacional. Não é apenas isso, contudo. Entrou em cartaz e em exibição nos cinemas do Brasil o filme “O homem do Norte”, um épico do diretor norte-americano Robert Eggers, de que participam nomes consagrados em Hollywood, com 137 minutos de duração.

E o que conta a película? Ela se reporta à lenda escandinava de Amleth (quase o Hamlet), mas a narrativa se aproxima da tragédia inglesa. Também ali um nobre mata o irmão para assumir o trono e o príncipe-herdeiro tem de enfrentar o tio para, finalmente, receber a coroa que lhe cabia hereditariamente.

Há sempre um senão e, no caso específico, é a rainha, que – em Shakespeare é Gertrudes e no filme recebe o nome Gudún, mãe do candidato ao trono, como na tragédia inglesa. Não há a namorada de Hamlet – a suave Ofélia, que enlouquece diante dos fatos macabros a que assiste no seio da família real. Na sétima arte, entra em cena a escrava eslava Olga, que é uma espécie da filha de Polônio, na peça do bardo de Stratford-upon-Avon.

Quem quiser conhecer mais deveria ler o meu livro, que lamentavelmente está esgotado e assistir ao filme, que, no entanto, é muito mais cruel que a peça. Em ambos os casos, os mais interessados ou curiosos perguntam: Teria existido o príncipe de fato ou se trata de uma criação dos autores e fruto da imaginação dos povos nórdicos? Enfim, o que é história e o que é estória?

Os antigos pesquisadores aceitavam, no caso de Shakespeare, que os traços gerais da narração seriam verdadeiros, a que se acresceram pormenores pelas novas gerações. Foi o que aconteceu na Universidade do Estado da Bahia, como fiquei sabendo em Revista Eletrônica. Shakespeare nunca é esquecido e razões há, é claro.
De todo modo, porém, um conto de vingança e ódio.


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Por Manoel Hygino - 18/5/2022 08:03:10
Direito à saúde

Manoel Hygino

Para o dia 21 de maio, programou-se comemorar o primeiro aniversário de inauguração do Instituto de Oncologia da Santa Casa de Belo Horizonte, que se pode identificar na avenida Francisco Sales, junto à Praça Lucas Machado. Neste período, demonstrou sua importância, o que se depreende pelas estatísticas apresentadas. Para tornar realidade a nova unidade de pesquisa e tratamento do insidioso mal, uma publicação será distribuída aos órgãos interessados e profissionais.

Muito investimento foi feito para concretizar o Instituto, um projeto longamente acalentado pela direção da SCMBH e por seus profissionais, com experiência reconhecida, tanto que parlamentares e empresas se dispuseram a contribuir com recursos. Há gente, felizmente sensível ao apelo das filantrópicas e dos seus pacientes.

Com o Instituto, já há avanços assistenciais e gerenciais significativos. Tudo passou a ser realizado em um único local, assegurando o atendimento integral ao doente oncológico. O neurocirurgião Marcos Delaretti, há poucos dias, aliás, publicou esclarecedor artigo em nossa imprensa, referindo-se à tecnologia empregada na guerra contra o câncer, possibilitando-se proporcionar, cada vez mais, bem-estar e qualidade de vida às pessoas. É verdadeiramente uma guerra, pois – como divulgou a Organização Mundial de Saúde – até 2030, a principal causa de mortes no mundo, superando as doenças cardiovasculares, é o câncer, com perspectivas assustadoras.

O mundo se empenha em combater a enfermidade. Belo Horizonte aderiu a um programa de alto significado social e humano, e aí está o Instituto de Oncologia, não apenas uma edificação visível num dos principais locais de Santa Efigênia.

É imprescindível manter acesa a chama, propiciando qualidade e segurança aos pacientes com tratamento oncológico. Como o novo estabelecimento, da Santa Casa, de efetiva contribuição como maior prestador de serviços no segmento oncológico em Minas, transformando a vida de numerosas pessoas e famílias.

A saúde é um bem inimaginável e todos têm direito a ela. As entidades particulares têm sido ágeis para o bom combate. Alegra saber que há quem pense em contribuir na luta pela saúde e na vida, pois nem tudo é futebol e baladas, como se assiste nos fins de semana, principalmente nos grandes centros urbanos do país.

Solidariedade de disposição de servir são imprescindíveis numa sociedade que precisa de cada um de seus integrantes.


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Por Manoel Hygino - 17/5/2022 09:40:49
O poderio russo

Manoel Hygino

Enganou-se quem pensou que a guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro seria de curta duração. Compreende-se, a despeito disto, os que se equivocaram. A hipótese da saída democrática para o entrevero não se concretizou. Até porque o presidente Putin não declarou uma guerra propriamente e sequer a palavra é usada nas mensagens oficiais.

Em primeiro lugar, a Ucrânia é muito extensa territorialmente, com 603 mil km², maior do que Minas Gerais, com 586 mil km² aproximadamente. Maurício Santoro, da UFRJ, situou bem o problema: “Da Ucrânia, nós estamos falando do maior país que fica integralmente na Europa, porque a Rússia tem uma parte na Ásia, é um país com 45 milhões de habitantes. É outra escala, muita coisa ruim pode acontecer disso. A Ucrânia faz fronteira com vários outros países europeus”.

Não é o mesmo que o conflito com a Geórgia, em 2008, mesmo sendo a terra natal de Stalin. A Otan tentou impor a filiação da Ucrânia a sua área de influência e atuação, mas não deu certo. O país de Zelenski procurou filiar-se à União Europeia, mas também houve negativa. Nem lá, nem cá. A Ucrânia permaneceu sozinha, mas já sem a Crimeia, transferida ao território russo, em 2014.

Ninguém sabe exatamente o que o presidente russo pretende, mas ele não é uma múmia paralítica e não sabe retroceder. Admitia-se que, na segunda-feira, 9 de maio, se daria a cartada final de Moscou contra a Ucrânia: mais guerra. Mas não foi assim. No Dia da Vitória russa sobre Hitler, em 1945, Putin decidiu colocar em ação um espetáculo apocalíptico na Praça Vermelha, centro de Moscou. Sem sutileza, se exibiu –pelos meios possíveis- seu projeto para advertir, sobretudo os Estados Unidos e Reino Unido que não se dispõe a voltar atrás.
Quem ler estas anotações, já terá visto a amostra ameaçadora. O “avião do Juízo Final” fez seus voos aterradores para demonstrar que a indústria bélica da Rússia não se estagnou.

Nessa gigantesca aeronave se implantou o núcleo do mais poderoso artefato de guerra. Dalí se comandará uma guerra jamais imaginada pela Casa Branca ou o Pentágono. Pelo menos, era o esperado.

Também foram apresentados mísseis intercontinentais para ogivas nucleares, além de armas de destruição em massa, inventadas para uma terceira guerra completa. O que, enfim, nós não queremos.


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Por Manoel Hygino - 14/5/2022 07:55:25
A greve do metrô

Manoel Hygino

A longa greve dos metroviários de Belo Horizonte chegou ao término. Mas o problema não está resolvido. Trata-se de algo que desafia as autoridades de um modo geral. Não se circunscreve apenas ao município, nem a seus dirigentes. Os três poderes estão envolvidos, pois Estado e União não podem eximir-se de participar.

Enfim, uma das maiores capitais do país, a primeira construída para esse fim na República, tem no transporte público urbano um dos maiores entraves a seu desenvolvimento e as dificuldades de seu povo.
Estamos há décadas enfrentando uma lamentável procrastinação, em detrimento do interesse maior de seus segmentos populacionais, que precisam e demandam por transporte urbano eficiente para cumprimento de seus deveres. Todos os munícipes sofrem, reclamam, sem que se dê solução, que enfim todos sabem qual seja.

Desta vez última, parou-se porque os metroviários não estão de acordo em que o sistema seja privatizado. É um direito seu, mas cabe ao poder público oferecer uma proposta que atenda a interesses superiores, que se avolumam à medida que os anos passam

Não se chega a conclusão conveniente com adiamentos. Por outro lado, se constata como o transporte ferroviário de superfície é fundamental à vida das pessoas e mais o será, com o crescimento da população e de suas atividades.

Em recente livro em que presta contas de sua atuação como gestor do Estado, o ex-governador Eduardo Azeredo descreve seus esforços para solucionar o problema. Conta de tratativas junto ao governo federal visando à liberação de recursos previstos para construção do nosso e dos demais metrôs do país. Para ele, o problema, principalmente o transporte por trens e metrôs precisa ser encarado de forma mais adequada.

Observa que o número crescente de veículos nas ruas e a ausência de obras estruturais dificultam a vida das pessoas, que terão de enfrentar, cada vez mais, engarrafamentos nas grandes cidades. E, como não poderia de ser, prejudicam-se os trabalhadores e as empresas a que servem, gerando reveses e acidentes mortais.

O que se espera é que não tenhamos de enfrentar mais paralizações para que o poder público se defina a trabalhar por nossas cidades maiores, entre as quais Belo Horizonte se inscreve. Não é pedir demais. Enfim, o volume de tributos pagos é bastante significativo, como mostram as estatísticas.


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Por Manoel Hygino - 11/5/2022 09:41:35
Aplicativo automatiza e acelera processo contratação de pessoas nas empresas

Manoel Hygino

Uma das dores de cabeça das áreas de Gestão de Pessoas e Recursos Humanos nas empresas é o trâmite e aprovação de documentos. Nos últimos dois anos, o processo ainda ficou mais demorado e complicado com a pandemia que obrigou muitas companhias a adotarem o sistema de home office. Muitas etapas que eram feitas pessoalmente, tiveram que ser realizadas virtualmente com uma infinidade de troca de mensagens.

A BHS, empresa especializada em estratégias de TI, foi uma das que passou a viver essa realidade (são cerca de 10 contratações mensais) e, aproveitando a sua expertise, desenvolveu o aplicativo Onboarding. O sistema conta com dois apps desenvolvidos para juntos automatizarem o processo de contratação de novos colaboradores, trazendo uma nova experiência e conectando as áreas envolvidas.

Para tornar o processo mais simples e amigável, um dos aplicativos do Onboarding foi desenvolvido de forma gameficada: o futuro colaborador percorre uma jornada de cinco etapas acompanhadas por porcentagens até o objetivo final, que é finalizar sua contratação. No outro, todas as equipes envolvidas acompanham essas etapas e validam as informações enviadas, gerenciando de forma virtual todo o processo.

O colaborador pode usar o aplicativo na versão mobile, acessa as etapas do processo e envia todas as informações e documentos necessários para concluir a contratação.

Além de otimizar todo o processo de contratação, o Onboarding é uma ferramenta que permite uma experiência positiva do colaborador no seu primeiro contato com a empresa. Ele se sente valorizado e parte da equipe.

O aplicativo de Onboarding foi desenvolvido utilizando PowerApps, Power Automate e o SharePoint Online para o armazenamento dos dados.

A BHS, empresa especializada em estratégias de TI, registrou um faturamento de R$ 54 milhões em 2020, o que represento um crescimento total de 32% em relação a 2019. No primeiro semestre deste ano, a receita total continuou a crescer se comparada à do mesmo período de 2020, com alta de 30%. Para 2021, a projeção é encerrar o ano com um faturamento 34% maior que o apurado no ano passado.

Com sede em Belo Horizonte (MG), a BHS foi fundada há 26 anos. Atualmente, a empresa conta com mais de 1.200 clientes no Brasil. Por anos consecutivos, a companhia vem sendo reconhecida como uma das melhores empresas para se trabalhar no país, segundo o Great Place ToWork.

Hoje, a BHS é uma das únicas cinco empresas latino-americanas detentoras de uma das certificações mais exigentes oferecidas pela Microsoft: a especialização avançada em Adoção e Gestão de Alterações (AdoptionandChange Management). Ao todo, a companhia possui 17 certificações da Microsoft.


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Por Manoel Hygino - 10/5/2022 08:33:16
O caso Daniel

Manoel Hygino

Ainda ocupa espaço nos meios de ocupação e tempo do distinto público. Refiro-me à graça concedida pelo presidente da República ao deputado Daniel Silveira. Por motivos óbvios, não sabe o cidadão julgar, conduzindo-se equivocadamente por razões partidárias ou de apoio ao chefe do Executivo.

Aos homens que dirigem os destinos nacionais cabe a grave responsabilidade de pesar as consequências de seus atos, considerando as consequências de posições que assumem em sua integralidade. O já rumoroso caso Daniel Silveira é bem típico e poderia contribuir para gravar a hora política, já tensa e ameaçadora neste quinto mês do ano.

Publicado no Estadão, no último 24 de abril, há algo que merece atenção e respeito. Quem se pronuncia é uma autoridade: Carlos Mário da Silva Velloso, de reconhecidas qualidades como escritor, membro da Academia Mineira de Letras e jurista de alto nível. Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), ex-presidente do STF e do Tribunal Superior Eleitoral, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) e da PUC Minas. Membro também da Academia Brasileira de Letras.

Afirma o professor em linguagem fácil e acessível: “O presidente da República tem competência para conceder indulto e comutar penas. Nessa atividade, entretanto, não pode desviar-se da lei, porque não vale a vontade do governante, vale a vontade da lei. Acresce que, sem a existência de uma pena legalmente fixada (a decisão pende de recursos), estaria sendo perdoada pena inexistente, formalmente. E vai além, desviando-se da finalidade do ato, pratica abuso de poder, dado que o decreto presidencial, no caso, constitui, simplesmente, tentativa – ao arrepio da cláusula pétrea da separação dos poderes –, de tornar ineficaz a decisão proferida pelo Supremo Tribunal. Ora, o que a Constituição outorgou ao presidente da República foi competência para conceder indulto. E o indulto nada mais é do que o perdão da pena imposta. É perdão que se concede para a realização de uma finalidade de interesse público, jamais para confrontar o Judiciário, jamais para corrigir a justiça ou injustiça da decisão judicial”.

Finalmente: “Comportando-se o Chefe de Estado, na prática do ato, nos parâmetros indicados na lei e na Constituição, não cabe o reexame, pelo Judiciário, do seu mérito. Fora daí, é ato nulo, porque inconstitucional, que assim deve ser declarado pelo Supremo Tribunal Federal. Persistindo o ato inconstitucional, constituirá perigoso precedente, retrocesso que coloca mal o país no concerto das nações”.


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Por Manoel Hygino - 7/5/2022 08:23:11
O Brasil que cresce

Manoel Hygino

O noticiário da mídia nem sempre é digerível, mas, algumas vezes, até consegue encher-nos de expectativas positivas. Não é por menos. Há mais de dois anos, duração da Covid no mundo e de outros males que nos afetam – inclusive na política ­–, estamos passando pelos sofrimentos da insegurança nos diversos campos de atuação laboral e de vida.

Mas, numa edição de jornal, no finalzinho de março, encontrei algo alentador. A economia do Brasil cresceu 4,6% em 2021 – divulgou o IBGE -, superou inclusive as perdas do primeiro ano da pandemia, quando a economia contraiu 3,9%. No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto cresceu 0,5%. Houve melhora em relação aos trimestres anteriores, quando o Brasil entrou em recessão técnica, caracterizada por duas quedas consecutivas do PIB.

O PIB per capita alcançou R$ 40.688 em 2021. Cresceram ainda comércio (5,5%), atividades imobiliárias (2,2%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade sociais (1,5%) e atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,7%).

“As indústrias de transformação (4,5%), com maior peso no setor, também cresceram, influenciadas principalmente pela alta nas atividades de fabricação de máquinas e equipamentos; metalurgia; fabricação de outros equipamentos de transporte; fabricação de produtos minerais não metálicos; e indústria automotiva. As indústrias extrativas avançaram 3% devido à alta na extração de minério de ferro”, informou o IBGE.

Esqueceu-se de contar que também cresceu a inflação, com a consequente onda de reclamações contra a elevação dos preços de inúmeras mercadorias, inclusive os bens de consumo diário da população. Quem quiser conferir, é só ir aos supermercados, armazéns e feiras.


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Por Manoel Hygino - 4/5/2022 09:46:44

João Valle, cem anos

Manoel Hygino

Deveria ser publicado este texto em 26 de abril, data do centenário de nascimento de João Valle Maurício, um dos mais brilhantes mineiros, nascido em Montes Claros, em 1922. Os óbices naturais ao desempenho das atribuições da existência não permitiram. Mas nunca é tarde lembrar-se dos bons, porque ele tem permanente espaço em nossa memória.

João Valle Maurício, filho de uma das queridas famílias do município, se realizou nas múltiplas atividades a que se dedicou, partindo do exercício de Medicina, em que atuou como médico, e mais: Integrou a Associação Médica de Minas Gerais, a Academia Mineira de Medicina, atuou como empresário no ramo hospitalar, na hora em que a população muito precisava.
Mais adiante, recebeu homenagens pelo devotamento a seus pacientes em muitas cidades do sertão, distinguido como Cidadão Honorário. Depois, nomeado secretário de Saúde do Estado, com gestão benéfica e reconhecida.

Participou de todas as iniciativas que visavam à proteção da saúde de nosso povo, inclusive na prevenção de doenças típicas, como o provou no exercício do cargo de secretário. Simultaneamente, esteve aliado a todos os movimentos sociais, artísticos, intelectuais e históricos de importância às comunidades do interior, abraçando as melhores causas.
Na área cultural, o polivalente João Valle Maurício soube manusear as letras com a maestria dos grandes compositores ou com a preciosidade dos artistas plásticos, como já se comentou. Sua produção literária vem dos tempos de sua juventude. Autor de muitos livros como Grotão, Tapioca, Pássaros na Tempestade, Rua do Vai Quem Quer, Janela do Sobrado e Beco da Vaca, dentre outros, pois deve estar lançando agora (ou o foi nestes dias) o romance Caraíbas, uma saga da história de sua/nossa cidade. Foi membro da Academia Mineira de Letras.

Em jornais locais, sempre publicou crônicas e “causos”, em que é tão fértil o território norte-mineiro, transformados em alegre passatempo de toda uma geração e motivo para as conversas de fim de semana. Mas não permaneceu mais em meio aos amigos e admiradores. Faleceu em 23 de março de 2000, deixando viúva Milene Antonieta Coutinho Maurício, escritora premiada, pedagoga, pesquisadora de invejável talento, de cuja união nasceram Mânia, Nair, Maria Vitória e Lilian, estas duas dando sequência à divulgação da obra do pai, que se inclui no rol dos centenários gratos em abril passado.




Selecione o Cronista abaixo:
Avay Miranda
Iara Tribuzi
Iara Tribuzzi
Ivana Ferrante Rebello
Manoel Hygino
Afonso Cláudio
Alberto Sena
Augusto Vieira
Avay Miranda
Carmen Netto
Dário Cotrim
Dário Teixeira Cotrim
Davidson Caldeira
Edes Barbosa
Efemérides - Nelson Vianna
Enoque Alves
Flavio Pinto
Genival Tourinho
Gustavo Mameluque
Haroldo Lívio
Haroldo Santos
Haroldo Tourinho Filho
Hoje em Dia
Iara Tribuzzi
Isaías
Isaias Caldeira
Isaías Caldeira Brant
Isaías Caldeira Veloso
Ivana Rebello
João Carlos Sobreira
Jorge Silveira
José Ponciano Neto
José Prates
Luiz Cunha Ortiga
Luiz de Paula
Manoel Hygino
Marcelo Eduardo Freitas
Marden Carvalho
Maria Luiza Silveira Teles
Maria Ribeiro Pires
Mário Genival Tourinho
Oswaldo Antunes
Paulo Braga
Paulo Narciso
Petronio Braz
Raphael Reys
Raquel Chaves
Roberto Elísio
Ruth Tupinambá
Saulo
Ucho Ribeiro
Virginia de Paula
Waldyr Senna
Walter Abreu
Wanderlino Arruda
Web - Chorografia
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Yvonne Silveira