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10/9/2014 -"...teve até o desfile de um mendigo novo, supostamente drogado, que andou pelo centro, o quarteirão fechado da rua Simeão Ribeiro, completamente nu, exibindo-se". A crescente degradação da Praça da Matriz e vizinhança pede:

»1 - Policiamento mais rigoroso
»2 - Redefinição do uso da praça que é o marco zero da cidade
»3 - Outra reforma física
»4 - Maior empenho das autoridades no cumprimento das leis
»5 - Uma recuperação em todos os sentidos

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           Raquel Chaves    raquel@montesclaros.com

78098
Por Raquel Chaves - 6/6/2014 17:50:39
Festa no Céu

“Foi Deus que fez o Céu, o rancho das estrelas fez também o seresteiro para conversar com elas”...
A segunda festa no céu carinhosamente preparada, tem início.
O jardim do Paraíso ricamente florido exala perfume dando boas vindas aos ilustres recém-chegados:
Josefina de Paula - embaixatriz da seresta, Hildebrando Tigrinho, Daniel Chaves, Haroldinho Veloso, Cori Gonzaga, Helena Netto, Wander Pirolli - jornalista e escritor Belo-horizontino que também amou esses Montes Claros, Fernando Lívio, Miguel Marujo, Natal da lotérica, Gonzaguinha, Gonzagão, Jair Rodrigues – cantores de fama Nacional e Edilson (Tóla) da dupla irmãos Saraiva.
No campo verdejante, debaixo de uma lua cheia estonteante e cúmplice, Benedito e Nivaldo Maciel. Doutor Hermes, Virgílio e Valmor de Paula. Raymundo, Sidney, Ulpiano, Henrique, Monzeca e João Chaves. Luís Procópio, Gilberto Câmara, Telé, Simeão Ribeiro, Mário Ribeiro, e Beto Viriato aguardam o início do Sarau. Sebastião Mendes (Ducho) e Sinval Froes afinam os instrumentos.
João Valle Maurício discursa saudando os amigos queridos.
Mês de Junho frio, uma imensa fogueira aquece também os corações. Fogos de artifícios estouram no ar e colorem o ambiente.
Os seresteiros de plantão com solo de Raymundo Chaves cantam o Hino de Montes Claros: “Oh não te esqueça que eu te amo assim ,oh não te esqueça nunca mais de mim.”
Noite alta, céu risonho, todos familiarizados, inclusive os novos habitantes, a festa transcorre em clima de harmonia.
Dona Fina de doce voz em parceria com Adélia Miranda deixa fluir: ”Sereno cai no capim, abelha beijando a rosa só tu não pensas em mim...” O marido Hermes em estado de graça beija lhe a face.
Daniel Chaves de violão em punho dá uma mostra do muito que aprendeu. Aproveita para dizer a sua mãe Neusa que chegou bem e foi lindo o tão sonhado encontro com seu pai. Clama ao Pai Maior que conforte o seu coração e fortaleça a certeza de que está em um lugar de luz, o verdadeiro paraíso.
Cori Gonzaga faz o violão chorar relembrando as músicas dos Grupos Raízes e Agreste que fez parte.
Tóla numa demonstração de carinho e gratidão solta à voz embargada: ”obrigado meu velho, obrigado meu amigo. Obrigado papai por tudo que fez comigo...” Pede a Deus para continuar abençoando o irmão e companheiro de dupla Adélcio Saraiva no caminho da música.
“Gonzagão lamenta a seca do sertão”. ”Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João eu perguntei a Deus do céu por que tamanha judiação.” Fernando Lívio e Miguel Marujo observam atentos.
O Bardo João Chaves toca bandolim e os participantes presentes em coro acompanham o irreverente Jair Rodrigues em A majestade o Sábia, Luar do Sertão, Velho Realejo, Eu sei que vou te amar, Carinhoso e Eu sonhei que tu estavas tão linda. Horoldinho Veloso, Helena Netto e Natal da lotérica solicitam: “Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”. Tigrinho concorda.
Fechando a noite de gala, Gonzaguinha alinhava e afirma “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”.
“Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...” e Wander Pirolli conclui:
“E a vida, é bonita é bonita e é bonita!”



75108
Por Raquel Chaves - 11/4/2013 08:51:46

Montes Claros cresceu!
Cresce não, Montes Claros.
E Montes Claros, amada patriazinha, contrariando o meu pedido, teimosamente insiste em crescer.
Os paralelepípedos foram substituídos por asfalto.
Na Avenida Coronel Prates, onde funcionou o Colégio Diocesano e posteriormente a Prefeitura, a Câmara Municipal e a Biblioteca Pública, foi construído o enorme supermercado.
Mataram a mangueira que todos os anos produzia frutos para os funcionários daquela casa.
A residência de vó Nininha, e onde vivi minha feliz infância, tem uma galeria de lojas.
Meu quartão não existe mais!
A alinhada casa, com piscina, do Dr. Luís Pires, jogada ao chão, virou abrigo de carros e motos.
Onde funcionou o consultório do Dr. Mário Ribeiro e foi também residência de Ênio Pacifico Farias, agora é restaurante.
A garagem e o quintal de Félix Pimenta são um grande estacionamento. A parte da frente: Azure Modas, Rita Cabeleireira e Loja de material elétrico.
No sobradinho onde morava a família de dona Fernanda Ramos (que partiu há pouco tempo), o “Casarão das Noivas”.
No antigo prédio da Macife, de José das Neves, funciona o Colégio Prisma, uma filial da Palimontes e uma agência do Banco do Brasil.
A sorveteria Sibéria (que tinha o “manjar dos Deuses”, sorvete de doce de leite) deu lugar à padaria Puro Grão.
Ao lado da padaria, apareceu um arranha céus de apartamentos. Seu Landes e dona Netinha Tolentino moram lá.
Na pensão de seu Geraldo e dona Jara Caires, e onde funcionou o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes, está a Casa dos Óculos e Óticas Diniz.
Na esquina onde era a Êxito Empreendimentos, de Luís Pacifico Rodrigues, a Naturefarm e Minas Bahia Seguros.
Dona Terezinha, viúva do Dr. Simeão Pires, mudou-se, e a antiga residência agora é Farmácia Real.
Dona Lena, mãe de Augustão "Bala Doce", faleceu e, supostamente, onde ela morava será construído um novo arranha céus.
A grade e o murinho da “lustrosa” casa de dona Odília Dias viraram estacionamento para os clientes da Farmácia Homeopática Artémisia. O mais belo roseiral, rosal, dos nossos jardins converteu-se em estacionamento de carros, acompanhando a degradação da avenida.
A fachada do Colégio Imaculada Conceição foi alterada, seguindo os tempos modernos.
O “Coléginho Imaculada”, ao lado da casa de Dona Genoveva e onde cursei parte do primário , abriga as irmãs de caridade. Do jardim, irmã Vêrla acena para as criancinhas que saem da missa na Capela do Colégio.
A casa de Benoni e Iara Mota também virou estacionamento.
Ao lado, parede e meia, na propriedade de Ademar e Maria Clara Leal, foi montada a clínica de exames IMED.
Subindo a Rua Presidente Vargas observo que a Venda de seu Carlos e o Bar Sibéria não existem mais, agora é um imenso posto de gasolina.
Em frente, demoliram a casa da minha professora de educação física, dona Ligia.
A sapataria de Tião Boi, também.
Na Rua Doutor Veloso, no Espeto de Ouro, onde eram servidos os melhores pratos da cidade, agora é boutique Kai Lua.
O Centro Cultural Brasil Estados Unidos fechou.
Dona Marinês continua morando na Rua Dr. Veloso, agora mais idosa.
João Doido não grita mais:”Terezinha é minha”, no coreto. Virou anjo!
A Praça da Matriz, por onde corri muitas vezes, deixou de ser pacata e hoje é frequentada por usuários de drogas. Nem a magia da fonte luminosa aguentou.
As serenatas feitas em noites de lua cheia, quando os apaixonados se declaravam nas janelas das moçoilas, foram substituídas pela poluição sonora de shows e usinas de som em veículos.
As “chacrinhas” que realizávamos em nossas casas deram lugar as músicas eletrônicas tocadas por DJs em boates, sem revestimento acústico.
O “ponche” (bebida de groselha e maçã) que os adolescentes tomavam nas festas, foi trocado por bebidas alcoólicas em excesso.
O carro de madeira de Betão ronca ferro foi substituído por milhares de veículos, deixando a todos estressados.
Já não podemos afugentar o calor e jogar conversa fora assentados nas portas de nossas casas. O tráfico de drogas, costumeiro em cidades maiores, trouxe insegurança para os cidadãos de bem.
É impossível caminhar pelas ruas de Montes Claros sem o risco de assaltos.
Nossos filhos não podem jogar maê, bola, pular corda, brincar de roda e esconde- esconde pelas ruas e calçadas.
Montes Claros, diferentemente do que pedi, cresceu.
Cresceu de todas as formas, mas manteve a sua identidade de cidade hospitaleira.
E eu... Também cresci, embora tenha desejado ficar eternamente criança.
Crescemos, Montes Claros, eu e você.
Para cima e para alto, devemos ir.
Cidade: Montes Claros
País: Brasil


74894
Por Raquel Chaves - 22/3/2013 10:37:14
O mês é junho, o ano 1997. O endereço é Rua Tupiniquins, 75, Bairro do Melo, em M. Claros, amada patriazinha.
Aqui, hoje acontecerá uma festa.
O quintal decorado com bandeirolas que balançam ao vento, e a imensa fogueira confessam -é Noite de São João.
O céu está estrelado, pintadinho de balão.
Os anfitriões -Tio Zé Estevam e tia Rosalva, recepcionam os convidados.
Celebraremos também os 50 anos de Tio Polique.
Debaixo da parreira Lauzim (morreu ontem, que saudade!) e banda afinam os instrumentos.
Convidados a postos, começa a festa - festa montesclarina.
No aparador, guloseimas, antigas receitas de família: ambrosia, bolo de fubá, bolo amanteigado, roscas e biscoitos diversos, canjica, quentão, amendoim torrado, pé de moleque, bolo de mandioca...
No fogão montado no quintal, o cheiro da pipoca denuncia que será a melhor pipoca da vida.
Os casais presentes dançam ao ritmo do autêntico forró pé de serra.
Tio Zé Estevam e tia Rosalva, muito felizes ao som de Asa branca, de Luiz Gonzaga distribuem simpatia e mimos.
- E aí Quela, quando é que você vem morar conosco?
Desde menina, me pedem em adoção aos meus pais.
Mal sabem eles que meu coração já mora com eles.
Vó Ninha, elegantemente vestida, com cabelos escovados e com o perfume do talco Rastro, diz a todo minuto, aos netos, a cada um - “você é o mais bonitinho da roda...”.
A família cresceu, muito.
Meus primos e irmãos, nossos filhos, meus tios, minha avô Nininha e demais convidados cantam parabéns para Polique, cinquentão.
E viva Polique, vida cheia de luz.
Viva São João.
Viva os donos da casa.
A festa transcorre até altas horas.
Que povo festeiro, sô!
Em clima de confraternização, chega ao fim. nos despedimos da lua cheia, cúmplice, com a certeza de ter vivido uma noite inolvidável, como dizia Pavão..
Agora, volto a este momento, nesta noite, para homenageá-la, minha doce, querida tia Rosalva.
Primeiro, como mulher guerreira e brilhante, que hoje, 21 de Março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher e o dia nacional da póesia, recebe da Academia Feminina de Letras da placa Professora Ivonne Silveira,como reconhecimento à sua contribuição cultural. Depois, por suas muitas qualidades e, por último, como nossa “mãezinha“, oque tem sido desde a partida da nossa mãe Terezinha.
Nunca nos faltou com seu colo carinhoso, com a palavra amiga, oconselho certeiro, a oração fervorosa.
A senhora não permitiu que nos sentíssemos órfãos, preenchendo o vazio que ficou, com carinho e dedicação.
Hoje, por feliz coincidência, também comemoramos o aniversário da nossa matriarca geral, superior, sua mãe e minha avó, Nininha Souto. Mulher de exemplos, que com certeza foram transferidos á senhora
Não poderíamos esquecer aquele que foi o melhor e maior marido. Tio Zé Estevam, lá no céu também homenageia sua “rosa”.
Palmas e flores para quem transformou esta noite em um marco da nossa família.
Receba a homenagem sincera de todos e nossa eterna gratidão.
Deus a recompensará por tudo.
Tenha sempre o nosso amor!


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Por Raquel Chaves - 2/7/2012 16:51:04
Viagem à Exposição Agropecuária de Montes Claros

Raquel Souto Chaves

Sábado de um mês de julho, meu pai se arruma e pede a mãe para nos arrumar.
O passeio hoje é no Parque de Exposições, onde acontece de quatro em quatro anos a “Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros”.
Engomadinhos e de sapatos lustrosos, pai, mãe e sete filhos, no Veraneio vinho, saem com destino ao Parque João Alencar Ataíde.
A abertura da festa é hoje, dia 03, aniversário da cidade.
No modesto palanque de madeira, o Prefeito Antônio Lafetá Rebelo, ladeado por bem sucedidos fazendeiros e dos deputados Genival Tourinho, Humberto Souto e Antônio Dias, faz seu discurso, exaltando a força do homem do campo e as graças de Deus.
As chuvas este ano foram generosas, produzindo bons frutos.
Pontualmente, as 03h00m da tarde, no céu azul anil, começa a exibição da Esquadrilha da Fumaça da FAB.
Depois de várias acrobacias, é a vez da “chuva” de pára-quedistas. Um espetáculo!
No solo, a Banda do 10º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais faz ecoar os seus acordes, depois da apresentação dos cães adestrados.
Rainhas e princesas, da festa, montadas em belíssimos cavalos de raça, distribuem simpatia no centro do gramado.
A criançada vibra e começa a visita aos pavilhões para apreciação dos bois.
Nas barracas do “Bar do Tôco” e “Mangueirinha”, meus pais, na companhia de Fábio e Madelene Rebelo, Geraldo e Thais Machado, Roberto e Marilia Rebelo, Ivan e Mercês Guedes, tio Zé Estevam e tia Rosalva, tio Zé Souto e tia Amélia, deliciam-se com a carne de sol da região.
Edmundo Queiroz cavalga em um manga-larga marchador, preto.
A elegância de pessoas conhecidas, com botas e chapéus, aos meus olhos, transforma o Parque em passarela de desfile de modas.
Nos stands: Coopagro, Passonorte, Frigonorte, Cortnorte, Óleo Mariflôr e Sion (fábrica de óculos) expõem seus produtos.
No stand das rações Purina, Marinho Rodrigues recebe amigos para um cafezinho e um bom bate papo.
Um gigante redemoínho circula ao redor do gramado. É poeira para todo lado.
Na pista de vaquejada, Geraldo Figueiredo, Nôzinho Colares, Geraldo Maia, Air Lelis Vieira, os irmãos Daul, Dezinho e Afonso Dias, Antônio Viana, Julinho Pereira, João Carlos Moreira, Afonso Brant, Vila Pereira, Onofre Burarama, Jaime Rebelo, Antônio Augusto Ataíde, Zezinho Figueirêdo, José Corrêa Machado, João Rebelo, Zé Brant...participam de leilão de gado.
O parque de diversões, a alegria da criançada, está cheio de novidades.
O trem fantasma e a montanha russa nos encantam.
Próximo ao carrinho de pipocas ,“Lili”, Dr. Mário Ribeiro e dona Jaci, Dr.Konstatin e Iede Cristoff, Pedro e Rosarinha Narciso e Dr. Jason Teixeira aguardam os filhos descerem da roda gigante.
Em saborosa Maçã do Amor deixo um dente de leite, que estava "mole" e que deveria ter sido arrancado há dias.
Expedito Guarinelo nos presenteia com balões a gás
Fim do dia. Meu pai começa a “chamada” para o retorno à nossa casa.
Exaustos e sujos como porquinhos e cochilando no bagageiro do Veraneio, descemos a Avenida Geraldo Ataíde com destino à Avenida Coronel Prates, onde fica a nossa residência.
Á noite, nossos pais nos deixam sob o olhar atento de vó Ninha e retornam ao Parque, para o show do cantor Sérgio Reis e a apresentação das mulatas do Sargentelli e as chacretes do programa do Chacrinha.
A morena Índia Poti, de beleza exuberante, chama a atenção dos senhores presentes, causando ciúmes nas esposas.
Depois de um bom banho, da janta, da reza da noite e das boas lembranças do dia, adormecer, sonhar e acordar amanhã em “Montes Claros, terra de grande beleza” para, mais uma vez , passar o dia no Parque, recheado de alegria, diversão, pureza e amizade.


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Por Raquel Chaves - 9/2/2012 15:02:58
Volta às aulas na minha infância

Raquel Souto Chaves

Janeiro de um ano qualquer da minha infância.
A matricula já foi feita no grupo Escolar Dom João Antônio Pimenta que funciona na Rua Viúva Francisco Ribeiro, ao lado do Sesc.
Hora de comprar o material escolar. De mãos dadas com minha mãe e na companhia de Roy e Eduardo descemos a rua Dr. Veloso. O destino é a papelaria do Mec, na Avenida Filomeno Ribeiro, que fica parede e meia com a barbearia de Sinval, onde levados por nosso pai, Lay e João todo mês cortam os cabelos. Ao lado da barbearia é a casa de Dr. Ubaldino Assis e Nilcea Veloso. O cheiro novo do material pode ser sentido do outro lado da rua. De lista em punho, minha mãe começa a separar o material de cada um. Os cadernos brochurões com estampas de letras cursivas azuis nas capas brancas são um convite à boa caligrafia. A caixa de lápis de cor com doze cores formam na minha imaginação um imenso e maravilhoso arco íris. Apontador, borracha, lápis, folha de papel almaço, cartolina, caderno de caligrafia são adicionados às compras. Os plásticos de encapar cadernos vendidos no metro são de cores variadas. O meu é da cor vermelha, o de Roy azul e de Eduardo verde, para evitar de enganados, trocarmos os cadernos. Na Praça de Esportes, crianças amigas nossas aprendem a nadar sob os olhares atentos do professor Sabú. De volta para casa, passamos na papelaria São Geraldo para a aquisição das pastas escolares e das merendeiras. A minha é de plástico e tem o formato de uma casinha com direito a chaminé e tudo mais. A farra regada a pipoca e suco para encapar e colocar títulos nos cadernos são intermináveis.
Início de Fevereiro, primeiro dia de aula.
O banho em regra parece refrescar até a alma. Cabelos e dentes escovados, colônia Seiva de Alfazema, uniforme de tergal azul marinho e camisa branca, meia ¾, conga azul e branco. O cheiro de tudo novo incentiva ir à escola. Na merendeira, pão com salame envolto a um alvo guardanapo de linho branco e Q - suco de groselha na garrafinha plástica. Dona Terezita Figueiredo, diretora da escola com doçura nos recepciona no portão da escola: Bem vindas crianças. Dona Edna Godinho nos encaminha até as salas de aula. O cheiro agradável do delicioso mingau de fubá que será servido no recreio se espalha por todo o quarteirão. Na pasta junto ao material escolar impecável, o sonho de: estudar, aprender, virar “gente grande” e um dia de alguma forma ser “Doutora”.


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Por Raquel Chaves - 27/6/2011 16:16:08

Noite de São Pedro no Pentáurea da minha infância

Raquel Souto Chaves

O céu vermelho e a serração dão prenúncios de que a noite será fria.
Flores, balões e bandeirolas multicores de papel crepom em cumplicidade com o verde das folhagens e o amarelo dos bambús colorem o ambiente.
Na confecção dos adornos, Dona Fina, Marlene Farias, Leila Tolentino, Aparecida Leão, Duca Prates, Terezinha Souto... com a ajuda das filhas dão o toque final á decoração.
Sr.Rosalvo Neves com a esposa e os filhos (Zila, Roberval, Ronaldo...) chegam em uma Rural e oferecem os préstimos.
A gigantesca fogueira está sendo ultimada por “Baixinho” (funcionário do clube).
Barraquinhas de bolos, brôas, chás, quentão, pipoca, paçoca, biscoitos variados, pé de moleque e guloseimas diversas preparadas por Tia Joeliza e suas cozinheiras de “mãos cheia”, em grande fartura, aguçam o paladar.
Na barraca do milho cozido, Dona Rôxa capricha no fogo do fogão a lenha para dar conta do cozimento de sacos de espigas.
Dr. Hermes de Paula, Raimundo Chaves, Ênio Pacifico, Simeão, Oleno, Zim bolão, Kelê, Altamiro Leão com o resto das proles montam estrados de camas sob o telhado de palha de coqueiro dos ranchos para quando o sono chegar.
O banho frio na ducha é tomado antes do entardecer.
Agasalhados, começamos a quadrilha improvisada, que tem como noivos Natalícia e Henrique Chaves, o padre Mauro de Gonha, o delegado Bibi Tolentino , os pais do noivo Aroldo Filp e a esposa Cléa Márcia e os pais da noiva Dona Rosita e seu Aquino.
O resto da criançada procura os pares e o anarriê começa.
A procissão com o mastro de São Pedro, padroeiro da noite, é acompanhada por Zé do Jipe e sua sanfona: “Que santo é este que vamos levar?
É o senhor São Pedro para festejar...”
Depois de contornar três vezes a fogueira e fazer os três pedidos o mastro é hasteado e alguns tímidos foguetes pipocam no ar.
Viva São Pedro!
Vivaaaaaa!
O arrasta pé continua com Zé do Jipe e o seu conjunto embalando os casais Rosalva e Zé Estevam Barbosa, Maria e Sidney Chaves, Pedro e Rosarinha Narciso, Chiquito e Áurea, Fábio e Madelene Rebello, Bernadete e José Carlos Costa, Zé Priquitim e Zeny, Mário e Jaci Ribeiro, Roberto e Marilia Rebello e tantos outros enquanto nós crianças brincamos ao redor da fogueira soltando traques, chuvinhas e bombinhas de salão na agradável companhia de Dr. Jason Teixeira e Dr.Hermes de Paula.
Tarde da noite fria, olho para o céu pintado de estrelas e, com imaginação fértil de criança, surpreendo-me quando dentro da lua, no lugar de São Jorge, enxergo São Pedro dando uma piscadinha como sinal positivo de que o meu pedido feito minutos antes iria se realizar - as festas juninas das famílias montesclarenses nunca vão se acabar.
E o céu continuou pintadinho de balão, o coração disparou e uma lágrima teimosamente insistiu em rolar...


67047
Por Raquel Chaves - 29/3/2011 12:58:00

Luto nas Festas de Agosto em Montes Claros. Morreu Miguel Sapateiro, chefe de uma das duas Marujadas. Miguelito, como era chamado pela esposa, estava em seu sitio próximo a Montes claros e teve uma trombose. Foi internado no CTI, onde passou a noite, lutou como todo bom Marujo, mas não resistiu às complicações. A cultura - que perdeu Joaquim Poló há três anos - está novamente de luto.


66267
Por Raquel Chaves - 22/2/2011 15:33:21
Morreu Zulmira,catadora de papel.Membro de famílias de Catopês ,Marujos e Caboclinhos.Mãe de vários filhos e avó de tantos outros.Voz rouca.Franzina de estatura.Moradora do bairro Vera Cruz de onde saía todos os dias para atravessar a cidade e ganhar o seu sustento.Nas festas de Agosto de Montes Claros acompanhava dia e noite os cortejos e procissões.Devota de Nossa Senhora do Rosário,São Benedito e Divino Espirito Santo.Diabética.A cidade inteira a conhecia , acompanhada do seu carro de mão, cúmplice. Há um mês, foi vitima da covardia. Catando papel num lote vago, foi agredida por um adolescente que a atingiu, no pé, com uma barra de ferro. Foi internada em hospital e a diabetes não deixou a ferida cicatrizar. Teve trombose e ontem faleceu.A alegria,o trabalho,a devoção e a humildade de Zulmira morreram por covardia e inconseguência humanas. O enterro de Zulmira será hoje as 5 horas da tarde no cemitério Parque Jardim da Esperança.


66025
Por Raquel Chaves - 7/2/2011 17:52:58
Cresce não, Montes Claros

Raquel Souto Chaves

Cresce não, Montes Claros.
Me deixe correr descalça pelas suas ruas de paralelepípedos.
Brincar de pega pega com meus primos, irmãos e vizinhos ao chegar da escola.
Correr pelos canteiros centrais da Avenida Coronel Prates e rasgar o joelho ao pisar em falso sobre a tampa da caixa da torneira de molhar as suas frondosas árvores.
Acompanhar procissão.
Jogar Maê nos seus passeios.
Comer caçarola italiana e pastel no Bar de Zim Bolão.
Assistir o entra e sai de pessoas, assentada nos degraus da Prefeitura onde antes funcionava o Colégio Diocesano.
Comprar material escolar na papelaria do MEC ao lado da Praça de Esportes.
Buscar biscoito de limão, nata, côco e farinha na casa de Laura Launghton.
Me lambuzar de picolé de grosselha da Sorveteria Pinguim.
Atentar aos discursos dos vereadores na Câmara que funciona ao lado da minha casa.
Encontrar com pessoas conhecidas no ponto de ônibus em frente ao Salão Paroquial da Igreja Matriz na Avenida Coronel Prates.
Acompanhar a minha mãe aos sábados a tarde no salão de Valdivina Cabeleireira no principio da rua Padre Augusto e escutar as conversas dela com Angelina Maia.
Aos Domingos a noite buscar canja de galinha no Restaurante Espeto de Ouro da rua Dr. Veloso.
Me sujar de pó de trigo, fubá e farinha e organizar a fila dos “pobres” no DAS departamento de ação social .
Andar e soltar barquinhos de papel pelas enxurradas.
Ensaiar as músicas da Campanha da Fraternidade com as mães Cristãs.
Me debruçar na janela do meu quarto que dá para a rua e cumprimentar a todos que passam.
Deixar janelas e portas abertas dia e noite para espantar o calor de 30 graus.
Sentir o perfume do Jasmineiro da casa vizinha.
Ir a sessão livre nas tardes de domingo nos Cines Montes Claros, da rua Governador Valadares, São Luiz, da rua Simeão Ribeiro e Fátima, da rua Dom Pedro II na companhia de amigos e rolar de rir dos filmes de Mazzaropi.
Assistir aos ensaios do Grupo de Seresta João Chaves na sala de visita da casa de Dr.Hermes de Paula.
Comer puxa feitas por D. Lurdes, na porta do Colégio Imaculada Conceição.
Comprar paçoquinha de amendoim na venda de Tamiro da Avenida Afonso Pena esquina com Beco Padre Marcos.
A noite ir de braços dados com Regina ao MOBRAL, ao lado do Palácio do Bispo na praça Dr. Chaves.
Deixe Catopês, Marujos e Caboclinhos visitarem os quintais de suas casas.
Manoel Quatrocentos galantear as moiçolas nos bancos das suas praças.
Mazaropi anunciar bem alto o preço do “Quebra queixo” e as crianças correrem ao seu encontro.
Deixe que João doido, Lena doida, Iracema, Juventina, Requebra, Júlio galinheiro, Mané quatrocentos e tantos outros continuem a dar vida as suas ruas.
Deixe Betão Ronca Ferro continuar seus passeios no potente carro de madeira e ferro que construiu e ao chegar na esquina ecoar o mais belo som de buzina que alguém já ouviu.
Os catadores de Pequi, Umbú e panã saírem com bacias nas cabeças oferecendo as mercadorias pelas suas ruas.
Deixe o apito do trem anunciar a sua partida.
Ao final do dia deixe que Padre Quirino e Padre Dudu possam se assentar na porta da rua da casa de Vó Ninha para prosear, comer bolo e tomar um café redondo na companhia de Necéssio, José Estevam, José Souto e quem mais chegar.
Cresce não, Montes Claros continue eternamente pequena e me permita continuar eternamente criança.
Assim seremos eternamente felizes!


58577
Por Raquel Chaves - 20/5/2010 15:11:58
Viagem no Trem do Sertão

O Circo Orlando Orfei armou suas gigantescas lonas em Belo Horizonte. As entradas para o espetáculo e as passagens de Trem de Ferro já estão garantidas. São duas cabines e quatro poltronas. A saída será na sexta-feira, ás 19 horas. Conto dias e horas para a chegada do embarque. Na estação ferroviária, localizada na Praça Raul Soares, o barulho estridente de um sino alerta que em instantes o trem vai partir. Funcionários pedem aos passageiros que tomem os seus lugares. A correria é geral, com receio de se perder a viagem. Os vagões se abarrotam de conterrâneos nossos. O maquinista e o manobrista, de roupas de brim azul e amarelo, com quepe na cabeça, ocupam o primeiro vagão de cor vermelha com detalhes amarelos. A brincadeira de pega pega começa após o ensurdecedor apito do trem anunciar a partida. Dr. Simeão Pires com a esposa dona Terezinha e os filhos Beth, Leonardo, Eneida, Eduardo, Raquel, Simeão Filho e Neila estão no mesmo vagão que nós. Crianças de Mato Verde, que embarcaram primeiro, aproximam-se e a algazarra começa. Meu pai já tomou assento no vagão onde funciona o restaurante e minha mãe põe ordem nas cabines aonde iremos dormir. Nos corredores dos vagões o agente de viagem chama a nossa atenção:
- Criançada, é perigoso correr e passar de um vagão para outro, todo cuidado é pouco! Durante o percurso, várias paradas para o embarque de novos passageiros. De Montes Claros a Belo Horizonte existem estações em: Bocaiúva, Buenópolis, Corinto, Curvelo, Sete Lagoas.... As passagens em formato retangular são diferenciadas por cores. As das cabines são rosa, as das poltronas amarelas e as de banco de madeira verde. Assim que o passageiro toma o trem a conferência é feita e a passagem picotada por um imenso furador de papel. Ás 21:00 horas o ¨bife a cavalo¨ pedido por meu pai no restaurante que funciona até as 22:00 horas rescende pelos vagões mais próximos. Na cabine os lençóis brancos estão convidativos. A cama de Eduardo (rapa do tacho) é montada sobre a enorme mala de couro alaranjada (gravada de tachinhas douradas com as iniciais de minha bisavó materna), aos pés das poltronas onde Bia e João estão acomodados. Nas cabines de duas camas estreitas escovo os dentes na minúscula pia. Respinga água pra todo lado. O chacoalhar do trem me dá enjôo. De janela aberta, embrulhada com uma manta xadrez vermelha e laranja, durmo com a brisa que sopra mansamente. A claridade e o sol forte no rosto dão sinais de que estamos próximos do destino. Deitada na parte de baixo do beliche, observo a beleza das serras, pastos, fazendas e animais.
“Essa estrada leva e trás dor e alegria...”
A chegada à estação de Belo Horizonte, recém pintada das cores azul e branco, por volta das 9:00 da manhã, è uma festa. Os passageiros, saudosos, correm para abraçar os familiares que os aguardam.
“Vim do sertão lá do meio da chapada...”
Hospedados no Oeste Hotel, é chegada a hora de tomarmos o táxi e de nos deliciarmos com o espetáculo do circo, o que dispensa comentários. O lanche feito na lanchonete do SEARS nos revigora e o corre-corre para a escada rolante é uma viagem fantástica de um andar para o outro. A visita ao Parque Municipal é recheada de travessuras. Os jardins bem cuidados parecem uma verdadeira floresta. De volta para casa, no domingo, a viagem parece não ter fim (gostaria que não tivesse mesmo!). A viagem de trem continua na minha cabeça de criança feliz do interior.
Mês que vem começarão as férias escolares. Inúmeros montesclarenses virão de trem para matar a saudade da terra natal.
“E mês que vem eu vou de trem pra Montes Claros...”
Se Deus quiser!


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Por Raquel Chaves - 13/3/2010 08:56:24
“Festa no Céu"

Raquel Souto Chaves

“Quem parte leva saudades de alguém que fica chorando de dor...”
“Depois, tu partiste, ficou triste a rua deserta....”
Hoje, no céu, a noite é de festa. A festa da colônia montesclarense. O tom azul anil deixa o céu mais iluminado. No imenso salão onde reina a paz, os convidados começam a chegar. João Chaves, de terno preto engomado e gravata borboleta, de braço dado com sua Mercês, abre a fila de muitos convidados. Wilson Reis de terço na mão ora pedindo união. A passos lentos, chega Telé, rindo de tudo e de todos. Nivaldo Maciel está em estado de graça, com a chegada da esposa Sofia (Cici) que lhe devolve o vigor da voz.
- Hoje tem aboio!
Raymundo Chaves solta o vozeirão, ao lado da extremosa e amada Terezinha Souto. E confirma: “E Cristo amou ardentemente a cruz...”
Sinval Fróes, com o violão a tiracolo, alisa o bigode. Adélia Miranda se prepara para solar “Sereno cai no capim”. Benedito Maciel contempla a “lua branca, de fulgor e de encanto”. Beto Viriato serve a saborosa Viriatinha, de anos no tonel, para "esquentar o peito" dos conterrâneos. Henrique Chaves dança com Natalícia, e profetiza em alto e bom tom: - "Melhor ser Henrique do que enriquecer". Luis Procópio sorri, com o seu jeito tímido. Tião Boi e Boyzinho, num canto do salão, confabulam e dão gaitadas. Repolho pede para cantar uma música de Lô Borges. Novaizim cumprimenta João Valle Mauricio e Mário Ribeiro. Toninho Pingüim veste uma camisa estampada e chama a atenção de todos. O bandolim de Ducho chora triste de saudade ao se lembrar da família e da agência “Thais”, que fundou. Dr. José Estevam Barbosa aprecia a rosa de cor púrpura no jardim do Paraíso, enxergando nela sua “Rosa” que aqui ficou. Gilberto Câmara escuta na sua voz a voz do irmão Roberto, para quem tantas vezes cantou. José Souto repete que a sua Amélia "é que é a mulher de verdade". João Souto e Nininha trocam um dedo de prosa com Lourinho Alcântara. Joaninha Souto trata logo de fazer badalar o sino da capela ao lado. Mané Quatrocentos com sua velha curnicha oferece rapé aos convidados. Tóla e Dinga pagodeando, cantam: “Viver... e não ter a vergonha de ser feliz”. Nelson Vilasboas e Dílson de Quadros chegam um pouco atrasados; acabaram de fazer um parto. Ulpiano e Sidney Chaves, Júlio Melo Franco, Dr. Lourenço, Dr. Bento e Coronel Georgino trocam experiências jurídicas. Ademar Leal, com o neto Leal, António Augusto Ataíde e o filho Fernando, Geraldo Figueiredo e Daul Dias, preocupados com a seca, pedem uma ajudazinha a São Pedro. Toninho Rebello mantém a certeza de ter sido o melhor prefeito da sua terra natal. Valtim Barreto e Jackson Ataíde relembram os colegas odontólogos. O farto buffet com direito a carne de sol e arroz com pequi foi preparado pelo casal Edson e Tereza Vieira e Duca Prates. Lazinho Pimenta, de caneta e caderneta em punho, aponta os mínimos detalhes para publicar na sua coluna “Coquetel”, de “O Jornal de Montes Claros”, o glamour da noite. Dedeto Barrigudo, Pedro Veloso, Felisberto Oliveira e José Lafetá contam causos das “Quebradas” - que, tristeza!, vai acabar. Godofredo Guedes com o filho Patão e Zé do Jipe, com sua sanfona, cantam e tocam “Índia”, a pedido de Bibi Tolentino. Irmã Leila recebeu da Madre Superiora autorização para participar do sarau. Dr. Hermes anfitrião da noite, com os filhos Virgílio e Walmor, não cabe em si de felicidade ao ver ali todos os que convidou. O “Baile de gala da saudade” continua até o sol nascer. Do alto dos céus se ouve em unicoro: “Montes Claros, Montes Claros, terra de grande beleza...” E uma voz suave, acompanhada pela rabeca do Mestre Joaquim Poló, arremata: “Quem as estrelas... pôs no firmamento..., eu firmo e creiooo, fostes vós meu Deus...”


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Por Raquel Chaves - 12/12/2009 18:37:54
Pelas ruas de Montes Claros, em véspera do Natal

Raquel Souto Chaves

O velho jornal esquecido na despensa da casa da minha avó materna, neste final de novembro tem serventia. Com o intuito de começar os preparativos para a montagem do presépio e da árvore de Natal, nós, os netos, somos recrutados para por a mão na massa. Eu, Fred, Claudinha e Virginia somos os encarregados de tirar a poeira dos jornais. O pó de carvão para tingir os jornais, Repolho e Raimundinho foram apanhar no fogão a lenha de dona Lica, na casa de Dr. Hermes. Aproveitam e trazem junto a rapa do doce de leite que acabou de sair do tacho. A purpurina, Danuza e Olga Maria foram buscar em casa na Rua Raio Cristoff. As sementes de arroz foram plantadas há mais tempo por Regina e Eduardo; a folhagem que brotou está verdinha. Além dos animaizinhos de louça utilizados no presépio do ano passado, este ano usaremos os bichinhos de borracha que Roy ganhou de presente do seu padrinho, Expedito Guarinelo. As crianças vizinhas e amigas dão uma mãozinha. Andréa e Cibele, filhas de Manoel e Mercês Versiani, vindas da parte velha da cidade, chegam com as mãos abarrotadas de musgo. Suzana e Thaís pedem ao pai, Dr. Luís Pires, um pouco da areia esquecida no seu quintal. Lú Brito, filha dos donos da Padaria Globo, na Rua Lafetá, buscou na Vila Brasília os lírios de Natal mais perfumados que já vi. Graycinha, que mora na rua Dr. Veloso, pegou do presépio de sua mãe, Grayce Quintino, pedrinhas que foram catadas por Barão, seu irmão, na beira do rio São Lamberto. Jaqueline e Félix Junior aparecem com um imenso galho seco, apanhado no canteiro da praça Dr. Carlos. Este ano, a árvore será frondosa. Memeco trata logo de dar uma demão de tinta branca. O vidro de cola Tenaz e as bolinhas minúsculas de isopor para a árvore de Natal foram comprados por Joyce, Patrícia e Mera, na Papelaria Dom Quixote, na Rua Lafetá, de propriedade de seu Benjamim. Seus filhos, Ró e Ge, aproveitam a companhia das três e saem em disparada, para ajudar na construção do presépio e na montagem da árvore. Raul e Estevam estão encantados com a decoração natalina do Jóia Supermercados, na Rua Januária esquina com Rua João Souto. O cheiro de pequi no carrinho de mão que está em frente à Êxito Imobiliária, na esquina da Rua Padre Augusto com Avenida Coronel Prates, exala e dá sinal de que as férias escolares estão começando e os parentes chegando de outras cidades para o bom e merecido descanso na cidade do interior. A árvore que a família de Baúde montou no jardim de sua casa ficou um primor. A Praça Coronel Ribeiro foi adornada de vermelho e verde. A decoração da varanda do Hotel São José é toda dourada. Na rua Dr. Santos, Dr. João Vale Maurício e dona Milene enfeitam a casa e o consultório. Maria Melo sobe a rua com as mãos cheias de compras; na porta do consultório do dentista Mário Viana começa um dedo de prosa. Acabada as montagens do presépio e da árvore de Natal, è hora de aguardar a chegada da “Noite Feliz” e do Nascimento do Menino Jesus, e de escrever a cartinha a Papai Noel. Na minha, agradecimentos por nascer e viver em Montes Claros, e pedidos de Paz e Saúde para toda a família.


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Por Raquel Chaves - 24/10/2009 16:00:25
Viagem pelas ruas de Montes Claros em 12 de outubro

Raquel Souto Chaves

A chuva mansa e criadeira que cai neste 12 de Outubro, Dia das Crianças, não nos impede de sair andando e brincando pelas ruas de Montes Claros. Na esquina da Avenida Coronel Prates com Rua Presidente Vargas, o Sr. Geraldo Caíres, de Francisco Sá, recebe dois viajantes vindos de Buenópolis para se hospedarem em sua pensão. No canteiro central da Avenida Keka, Lúcia e Cláudio recebem a autorização do pai Santinho Amorim para brincarem com as outras crianças. Berenice e Cristina, de Tio Ney e Tia Maria, descem a Rua Padre Augusto montadas em uma bicicleta. Jaqueline Pereira e Ellen Parrela, esbaforidas, vão junto. Marcelo Brant sai em disparada para chamar Simone e Eduardo, seus irmãos.
- Desta vez, não ficaremos de fora.
Ana Maria Barbosa, que mora na Avenida Afonso Pena e vive reclamando de ser excluída, anuncia a sua chegada com um tropicão, na beira do passeio. Érica, Marcelo e Marcone, de Valéria de Paula, exibem os brinquedos que acabaram de ganhar. Os meninos de Beli e Pavaneli, Elder, Lincoln e Isabel, recém chegados de Pirapora, com as mãos abarrotadas de jaboticabas fazem a festa. Algumas, as mais durinhas, são escolhidas para substituírem bolinhas de gude. Ariane, Arilene, Andréia, Juliano e Mônica, defronte da sapataria de Cajú, dão sinal de que querem brincar também.Fred, Roy, Raimundinho e Eduardo na academia de Catão, trocam de cor de faixas e, minutos depois, aproximam-se, cantando vitória. Tone, de Jandira, vizinho de Dr. Simeão e do Sr.Geraldo Gomes, ao meio-dia em ponto, estoura foguetes em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Tio Vicente faz uma chuva de balas. É menino correndo pra todo lado.
Ordem!, seu lugar!, sem rir sem falar...
A imensa bola que meu pai trouxe de Belo Horizonte repica no muro do Salão Paroquial. Polícia/ladrão é a brincadeira seguinte. Três da tarde, Laura Laungton desce a escada do prédio onde mora na Rua Presidente Vargas com uma cesta de biscoitos para nos servir. O “desengasga gato” fica por conta de seu Carlos. A cana foi moída há poucos minutos em sua venda. O caldo está doce como mel. Depois de nos fartarmos com este banquete, a brincadeira continua. Têca e Joanes, de dona Terezita, jogam Maé com casca de banana no passeio de Dr. Luis Pires, que os observa, de cara fechada. Na brincadeira de cabra cega, Tata de Carlile Quintino leva horas para localizar um de nós. Pedro Paulo, de Maria Melo, pula corda com Tata e Cida, filhas de tia Lígia. Andréia Maia, no jogo de ‘Queimada”, acerta Ninha, que sai resmungando. Do outro lado da rua, minha mãe mostra o relógio, chamando-nos para o banho. Às 17:45 saímos rumo a Matriz, para a missa.
- Boa noite dona Duduca e Seu Wilson!
- A paz de Cristo, Dona Nair.
Padre Dudu dá inicio a celebração. Acomodada no banco da frente, encosto a cabeça no ombro da minha mãe e cochilo. Sonho correndo entre os bancos brincando de Pega-Pega. Acordo, minutos depois, com o safanão e os pitos do vigário querido:
- Acorda, menina. Presta atenção na missa, que a vida não é só brincadeira!!!

(Estas lembranças eu as dedico às quatro crianças que morreram no trágico incêndio no Feijão Semeado, esta semana, em Montes Claros, e a todos que, como eu, teimam em ser criança)


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Por Raquel Chaves - 17/9/2009 17:05:39
Viagem pelas ruas de Montes Claros, no 7 de Setembro

Raquel Souto Chaves

“Nessa casa bendita, onde impera de Jesus o Evangelho tão puro, vive um povo feliz que próspera e prepara da pátria o futuro, eia, pois, jovens filhas do norte, trabalhai por honrar a bandeira de um Brasil senhoril, bom e forte, a pulsar nesta terra mineira”...

Cantando o hino do Colégio Imaculada Conceição encerramos a aula de educação artística de irmã Rosita. No pátio do Colégio, dona Lígia, professora de educação física, nos aguarda para o derradeiro ensaio da “Parada do 7 de Setembro”.
São 7 horas da manhã.
Acordo, tomo uma boa ducha. O uniforme de gala, engomado e bem passado por Regina de vó Ninha, dependurado na porta, alerta para o horário. Cuidadosamente, começo a vestir a farda branca e azul marinho. A meia ¾, o par de luvas e a boína foram encomendados de Belo Horizonte, por minha.mãe. A saia de tergal azul marinho, plissada por Tiana Vasconcelos, mãe de Estefânia, está linda. A gola de marinheiro, azul arrematada com sutacho branco, e a blusa branca de mangas longas, feitas por Zulma Barbosa, caíram como uma luva. O sapato preto, de verniz, meu pai comprou na Andréa Calçados, de Ruy Pinto . Perfumada, de cabelos escovados, de espírito patriótico, chego ao Colégio a tempo de responder a chamada. A disposição na fila para o desfile é por ordem de tamanho. Os pelotões, este ano, estão impecáveis.
Na frente, Mêra, Margarete Braga e Mariza Nobre, com as bandeiras do Brasil, de Minas e de Montes Claros, estão prontas para puxar o desfile. Graycinha, de Grayce Vieira, Maria José Maldonado, de Mary, Mônica, de Miguelzim, Maria Luíza, de Dedeto e Lucizinha, Márcia, de João Barrigudo, Eneida e Neila, de Dr. Simeão e dona Terezinha, Sônia de Bié e dona Anita, Marcinha, de Dr. Lorenzo, Carlina e Regina, de Maria Clara Leal, Luciana, de Dr. António Augusto Athayde, Andréa, de Roberto e Cleonice Laungton, Mônica Versiani, Joyce, de tia Rosalva e tio Zé Estevam, Jane, de Lagoa dos Patos, kênia Medeiros, Tânia, de Zulma, Olga Maria e Danuza, de tia Amélia e tio Zé Souto, Raquel, de seu Lineu e dona Cristina Vasconcelos, Jane e Maria Helena Loyola, Isabel, de dona Julieta, Clarete, de seu Wilson e dona Duduca, Lídia, Isabela e Taís, de dona Agmar, Vanessa, de Dr .Dílson e dona Edna Godinho, Simone e Evana, de Edílson e Aparecida Brandão, Ivana, Maria Clara e Cláudia, de Marília e Roberto Rebello e eu - separando os pelotões -, formamos o maior e o mais organizado deles. O apito estridente de dona Ligia avisa que o desfile vai começar.
A fanfarra, composta por alunas dos cursos de Secretariado e Magistério, está afinadíssima este ano. Descendo a Avenida Mestra Fininha, os alunos do Colégio Dulce Sarmento, coordenados por Marcelino Paz do Nascimento, dão um show de afinamento. Félix Richard, mestre de cerimônias no alto do palanque oficial, armado defronte à Prefeitura na Avenida Coronel Prates, anuncia a abertura da Semana da Pátria pelo prefeito Toninho Rebello.

Depois de longo discurso, ouvimos a execução do Hino Nacional pela Banda do Décimo Batalhão. A cerimônia prossegue com os Grupos escolares e Colégios sendo anunciados por ordem alfabética. Primeiro, os grupos - Grupo Escolar António Gonçalves Chaves, Grupo Escolar Deolinda Ribeiro (Eduardo, meu irmão, desfila vestido de príncipe, encenando a história da Independência do Brasil), Grupo Escolar Dom João António Pimenta, Grupo Escolar Francisco Sá , Grupo escolar Vidinha Pires ... Em seguida, os colégios: Abgar Renault, CB Moc, Escola Normal, Imaculada Conceição, Polivalente, São José (Marista), São Norberto (do Padre Murta. Lay, o terceiro lá de casa toca bumbo na fanfarra) e Tiradentes, da Polícia Militar.
Encerrando a parada, o Exército Brasileiro marcha com força.

Nós, crianças e adolescentes, seguimos marchando. Na esperança de realmente sentirmos o Brasil, algum dia, transformar-se num lugar bom e feliz. ”Pátria amada, Brasil “.


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Por Raquel Chaves - 28/8/2009 16:24:02

Viagem pelas ruas de Montes Claros nas Festas de Agosto

Raquel Souto Chaves

"Montes Claros, Montes Claros terra de grande beleza, de fazenda Arraiá das Formigas transformou-se numa linda princesa..."
A Marujada, os Catopês e os Caboclinhos, vindos do Bairro Roxo Verde, me alcançam no início da Rua Dom Pedro II. Hoje é quarta feira, primeiro dia de festa das Festas de Agosto de Montes Claros. Juntos aos dançantes estão Maria José e George, Nazareth e Terezinha, Zim Bolão e Duca, com os filhos Catarina Maria, Joãozinho e Ângela. No cruzamento da Rua Camilo Prates, Seu Nozinho Colares, Dona Maria, a filha Zezé e o genro João Carlos mostram para os meninos Danilo, Dalton, Dirceu e Dário a bandeira de Nossa Senhora do Rosário, que este ano é de cetim azul anil e foi ornada pelas mãos de Araniza Gama. Clarice, Kita, Cantidio e José Racine Freitas nos acenam, do outro lado da rua. Na Avenida Afonso Pena, Tamiro cerra a porta do seu comércio em respeito à Virgem, de sua devoção. Subindo o beco Padre Marcos, irmã Rosita, irmã Leila, irmã Onizia, irmã Fidalma, irmã Irene e irmã Marilda deixam o Colégio Imaculada Conceição para contemplarem a bandeira de Nossa Senhora do Rosário. Leane e Dione Baliza descem a rua, esbaforidas, ao nosso encontro. Anibal carroceiro, piloto da marujada de Nenzim e Miguel, dá sinal a os companheiros para que soltem a voz e cantem quem os ensinou a nadar: “Foi, foi, marinheiro, foi a baleia do mar”...
Mané Quatrocentos, que este ano está vestido de mamãe-vovó, fazendo parte da caboclada, atravessa a rua e beija a mão de Hermínia Vasconcelos. "Uh Lalaica!" Na esquina da Rua Padre Augusto, Miguelzim e dona Elza põem ordem nos filhos Rose, Miguel, Marilene, Marise, Mônica, Neide, José Carlos, Tudinha e José Antônio. Na Praça Portugal estão à espera da bandeira, com terços nas mãos, Neusa Dias, dona Zezé Queiróz, com João barrigudo, seu filho, Maria Pires, dona Fernanda Ramos, Dorinha Pimenta, Terezinha e José Braga (colega de meu pai na Receita Estadual), Valéria de Paula, com o marido Mauro. Érica, Marcelo e Marcone foram buscar a pipoca. Fábio e Madeleine Rebello puxam a fila dos filhos, Júnia, Rodolfo, Fabinho, Isabela, Cristiane e Raquel. Padre Quirino esguio e bem engomado, chama a atenção quando desponta, junto do cruzeiro. Lucília e Ima Martins me elogiam pelo belo serviço de dois dias atrás:
- Parabéns, Raquel, vocês deixaram o chão da igreja um brinco.
No passeio de nossa casa na Avenida Coronel Prates meus irmãos e primos ajeitam o caixote de madeira, sobre ele colocam um pano de prato alvinho, emprestado de minha mãe, e começam a “vender” o suco de ”xarope de groselha corby” aos catopês. O valor do copo é pouquinho, mas os dançantes ainda não conseguiram o "batismo" de uma só fita - estão sem dinheiro. O suco acaba saindo de graça. Tia Neném vem chegando acompanhada de Toni, Dudu, Rita, Graça, Marcos, João e Paulo, para assistirem às apresentações dos grupos em nosso quintal. Debaixo da velha parreira, Nivaldo Maciel com dona Sofia e a escadinha de filhos (Orlando, Ronaldo, Murilo, Maria do Carmo, José Carlos, Clarice, Maciel, Hamilton, Rita, Suely e Gêra) abrem passagem para o mestre Zanza, que ao avistar Vó Ninha anuncia cantando: “Olha a dona Nininha, ela é minha madrinha”....
Tio Paulo Henrique se encanta ao ver os caboclinhos, orientados por Joaquim Poló,encenarem a dança do cipó. Hélio Moraes, com seu jeito manso, avisa-nos que esta na hora de levantar o mastro. Debaixo de uma salva de palmas, e do “Viva Nossa Senhora do Rosário”, de Nonato Pampa, a bandeira sobe aos céus e permanece ao lado do cruzeiro, que tem aos seus pés grande quantidade de velas acessas. "Deus te salve casa santa!" O ritual prossegue nos dias seguintes, carregados de fé e devoção, louvores e adorações. No domingo, dia do encerramento, deixo a minha vela acessa aos pés das três bandeiras - Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Divino Espírito Santo - e com ela um só compromisso: "... para o ano, eu voltarei pra cumprir nova missão".
Aos catopês confesso:

"Eu vou chorar, eu vou chorar, eu vou chorar se você me abandonar..."

Adeus! Até para o ano.

Aui! (comando do chefe dos catopês, para que cesse a cantoria)


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Por Raquel Chaves - 13/8/2009 13:38:42

Montes Claros perdeu, no começo desta tarde, a bela voz de Nivaldo Maciel, o último grande seresteiro. Nivaldo estava internado na Santa Casa há mais de 30 dias. Por volta das 12h30m, aos 89 anos, com falência múltipla dos órgãos, calou-se a sua voz. Entre outras atividades, foi fazendeiro e vereador em Montes Claros por dois mandatos. (O enterro será amanhã, às 11h, e o velório começará às 5h de hoje, na Câmara Municipal). Montes Claros vê partir um dos seus grandes cidadãos. O Grupo de Serestas João Chaves perde mais uma voz de rouxinal. Nivaldo agora vai ao encontro dos amigos seresteiros Hermes de Paula, Raymundo Chaves, Sinval Frões, Gilberto Câmara, Luís Procópio, Adélia Miranda, Ducho, Virgílio de Paula, Beto Viriato, Telé, João Chaves, do irmão Benedito, e tantos outros amantes da boa seresta.


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Por Raquel Chaves - 11/8/2009 14:58:41
Faleceu hoje, 11 de agosto, as 7 e 45 da manhã, na Santa Casa ,Cleonice Guimarães Sarmento, nossa querida Irmã Leila do Colégio Imaculada Conceição, de complicações da Diabetes. Partiu a exatamente um mês e 1 dia de completar os 71 anos, pois faria aniversário em 10 de Setembro próximo. Irmã Leila era filha de Adail Sarmento e de Maria Guimarães Sarmento. Nos idos de 1980, foi diretora do Colégio Imaculada. Exímia professora. Lembro-me com saudades das suas aulas de Ciências, História e OSPB. Meã de estatura, baixa, pele clarinha, sorriso bonito, muito cheirosa, andava pelos corredores do colégio a passos lentos, colocando ordem, e sempre atenta aos mínimos gestos das alunas.


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Por Raquel Chaves - 5/8/2009 22:20:04
Viagem pelas ruas de Montes Claros em véspera de Catopê

Raquel Souto Chaves


A praça da Igreja do Rosário, onde daqui a dois dias serão realizadas as Festas de Agosto, está sendo decorada. Fitas multicores de papel crepom voam pelos ares. Angelina , Tereza e Maria Alice Maia observam, embevecidas. O Ipê roxo florido do pátio da Macife atesta que a festa dos catopés, marujos e caboclinhos se aproxima. Eva e Regina, de Vó Ninha, chegam trazendo a chave da igreja (foram buscar no Palácio do Bispo). Jogo os chinelos de lado, estico a mangueira, ligo a torneira que fica ao lado do Cruzeiro de madeira, em um buraco no canteiro do meio da Avenida Coronel Prates (na semana passada cai neste buraco, quando brincava de policia-ladrão. O joelho está uma pipa). Pé ante pé, entro em casa, apanho sabão em pó e vassouras, e volto para começar o serviço. O chão de cimento queimado carece de ser esfregado com palha de aço. Num piscar de olhos, eu, Eva e Regina resolvemos o problema. Roy, Eduardo e Mêra, meus irmãos, Repolho e Peru, de Tio Rey, Paco e Fred, de Tia Cléo, Estevam e Raul, de Tia Rosalva, Regina Célia, Sérgio, Sandra e Silvaninha, de Dona Carlota costureira, Eduardinho, Felix Junior, Jaqueline, Fabiola e Marlú, de dona Dorinha Pimenta, Cléa Márcia, de dona Marilene, Cascão, Mônica e Paulinho, de seu Arnaldo, e Sorainha, de Dona Odília, vendo o nosso movimento, pedem para ajudar. Com este batalhão de meninos, depois de muito esfregar, o chão fica limpinho. Marcelo, Eduardo e Simone de Marion Ferrante, de caras fechadas, denunciam a tristeza de terem perdido a farra da limpeza. Dr. Hermes, vindo do seu consultório na Rua Lafetá, vistoria o serviço e passando a mão em minha cabeça delega:
- Vá lá em casa e peça a Fina a toalha de linho bordada e engomada para forrarmos o altar.
Descendo a Rua Governador Valadares, Dácio cabeludo, Geraldim Alcântara, Tio Henrique, Boyzim, Virgilio de Paula e Rubinho Sena (vindo do conservatório após o ensaio do Banzé) se manifestam, simulando a dança e o som dos catopês. A poucos metros da igreja, na porta da nossa casa, meu pai chega com as compras que fez no Ita Supermercados. Seu fiel escudeiro, Otacílio cozinheiro, começa a socar a carne de sol seca no pilão para preparar a paçoca que será servida, acompanhada de cortezano, vinho e Q - suco, aos dançantes que estarão depois de amanhã em visita ao nosso quintal. Vindos da estação ferroviária, na Praça Capitão Enéas, recém chegados de Belo Horizonte, avisto Tio Ulpiano com Tia Elza e os filhos, Cláudia e Ronaldo; logo atrás estão Raquel e Armando (filhos de tia Chiquinha), com a esposa Imaculada. Vieram prestigiar a festa. Juntos, nós, os sete filhos de Terezinha Souto, nossos primos e os meninos vizinhos, fazemos uma festa em torno da fogueira na calçada do salão Paroquial, aguardando com ansiedade o nascer do sol de depois de amanhã. Quando as festas começarem, prestarei bastante atenção em todos os detalhes para continuar a minha narração.


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Por Raquel Chaves - 20/7/2009 15:48:59

Hoje Montes Claros acordou mais triste. Faleceu às 5 da manhã aos 68 anos Antônio Reino da Silva - Toninho Pingüim (da Sorveteria pingüim na Avenida Coronel Prates esquina com Presidente Vargas), para mim e meus irmãos “Gumercindo” apelido carinhoso dado por meu pai Raymundo Chaves. Após mais de quarenta dias internado na Santa Casa de Montes Claros (só no CTI foram 30). Natural de Angelim no Pernambuco chegou aqui em 1964 com 23 anos de idade trazendo mulher e 5 filhos, “4 mulheres e um homem”. A filha mais velha, Mônica, tinha problemas sérios de saúde. Em tratamento em São Paulo não resistiu e faleceu; ele e meu pai retornaram trazendo o corpo em uma kombi de sua propriedade. Separado da primeira esposa, anos depois se apaixonou por Fátima (com ele na foto) que lhe deu a 6ª filha. Sujeito barulhento, brincalhão, simples e trabalhador. uma alma boa. Era filho de coração desta terra, a mesma terra onde lutou, criou os filhos, fez grandes amigos, recebeu emocionado a medalha dos 150 anos da cidade, enterrou a sua primogênita e onde será sepultado - amanhã pela manhã.


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Por Raquel Chaves - 25/6/2009 16:38:39
Viagem pelas ruas de Montes Claros em noite de São João

Raquel Souto Chaves

“ É noite de São João o céu fica todo estrelado fica todo iluminado pintadinho de balão”... Este ano o meu vestido de quadrilha é de fundo vermelho com poás brancos. As duas tranças foram feitas pelas mãos carinhosas de Maria. Minha mãe retoca a minha maquiagem, o batom carmim é transformado em rouge. No centro da bochecha uma bola de lápis creom simula uma pinta. A meia ¾ é acabada com rendinha e o sapato de verniz vermelho e salto quadrado peguei emprestado de tia Cléo. Retoco a boca com batom rosa pink, me despeço: benção pai, benção mãe. Estou indo pra quadrilha. Tchau! Me ajeitando, saio da avenida Coronel Prates caminhando pelas ruas de Montes Claros.
- Boa noite Dr. Simeão!
- A senhora está boa dona Terezinha?
Eneida aparece vestida de caipira.
- Vamos Raquel tá na hora. Baúde, Mônica e Robertinho da família Reis se despedem de Geraldina, Vilma e Terezinha e nos acompanham. Janice e Virgilio filhos de Geraldim e Zezé Gomes saem da casa do seu avô Benedito Gomes e se juntam a nós. Augustão bala doce, Mauro Mércio de dona Zezé Gontijo, Sorainha Narciso, Luisinha Dias com o filho Guila quentam fogo no passeio de suas casas. Clarice sarmento desce a escada do predinho onde mora de mãos dadas com marido, um estrangeiro alto, forte e de olhos claros. Na casa de dona Genoveva Mota chegam seu Arlen e dona Rita com os filhos Cristina, Pedrinho, Luis e Rita. No céu o foguete anuncia o levantamento do mastro de São João. Marinês e Luis Antônio Medeiros com os filhos a tira colo deixam sua casa para participarem da festança que acontece na casa de seu Coriolano Gonzaga vizinho de parede e meia. Iara e Benome de prosa com Maria Clara e Ademar Leal saboreiam uma gamela de pipoca com café enquanto Dema, Ana, Cajú, Carlina, Regina, Vicente e Benoninho brincam de chicotinho queimado.
- Boa noite Dr. Bento?
Seu Menardo, de chapéu e terno, pai de Toni dono da confecções Fred que funciona no cômodo da frente de sua casa, ajeita os cabelos de Rita sua neta. Descendo a Rua Coronel Luis Pires, entramos no quartinho do terreno da Santa Casa onde uma senhora negra, alta e calada minuciosamente recorta as hóstias para a comunhão da missa que será celebrada amanhã por Padre Quirino na capelinha do hospital. Saímos saboreando os retalhos de hóstia que ganhamos da bondosa senhora. Denise filha de seu Ernesto da Papelaria Barroso nos avista e deixa sua casa correndo ao nosso encontro. Seu Edson e dona Teresa donos da banca de caldo de cana e pastel na Praça Doutor Carlos acabam a decoração da carroça que levará Ninha sua filha, caprichosamente vestida de noiva para o casamento da roça. Elenice, Edson, Edir e Elder estão os autênticos caipiras. Coronel Georgino na varanda de sua casa dá gaitadas da situação. Júlio Melo Franco acaba o sermão do filho Júlio César que será o padre da casança. Santuza sua mulher faz o laço de fita de cetim no vestido de Janice. Hildebrando da Rua Coronel Spyer está no passeio de sua casa com as filhas Mery e Marla aguardando o inicio da festa. Mara Lima com um vestido estampado confeccionado por sua Mãe Neide, aparece vindo da Rua Gabriel Passos. Seu pai Valdevi não perde um lance sequer com sua máquina fotográfica. Ada Camissasca com os sobrinhos Ítalo, Carla e Cláudio acompanham a procissão do mastro. “Que santo é este que vamos levar? É o senhor São João para festejar...” A quadrilha vai começar cada um com o seu par.
"Anavant, Anarrier, balacer com seus pares...nos seus lugares"... Olha a chuva... É mentira...
Olha o pai da noiva.... É mentira...
Olha a cobra... É mentira...
A noite continua aquecida pela imensa fogueira que montamos de dia. Os olhos estão miúdos de sono. De volta ao lar o céu continua pintadinho de balão.


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Por Raquel Chaves - 17/6/2009 15:30:15

Ele sofreu, Alex?
Machucou muito?
O que ele disse antes de morrer?
“Não me pergunte mais isso! Eu fiz tudo o que podia e sabia para salvá-lo, mas não consegui. Infelizmente não consegui”. Essa foi a resposta, em prantos (provavelmente vendo o amigo agonizando) de Alex, o intercambista norte-americano que estava no veículo dirigido por Ademar Tolentino Leal, de 22 anos, que capotou o carro por volta das 4 horas da manhã de domingo na estrada de Juramento. Alex é experiente salva-vidas e prestou os primeiros socorros ao irmão de coração, brasileiro. Quatro rapazes alegres e cantarolando deixaram Juramento, vindo de uma festa, com o intuito de, a alguns minutos, estarem de volta em seus lares. Um quebra-molas desviou o destino deles. O carro se desgovernou e o motorista, sem conseguir contê-lo, foi arremessado pela porta aberta no impacto, ribanceira abaixo. O motorista Leal (como era carinhosamente conhecido), não resistiu aos ferimentos.
Na ultima noite de sábado, ele não queria sair de casa, disse que queria curtir o carinho dos pais e terminar um serviço, que vinha executando há três dias no computador, para o pai. O jovem fazendeiro, depois de insistentes convites vindos pelo telefone celular, resolveu afinal sair, às 22h30min sem se despedir da mãe e informando ao pai que iria se encontrar com amigos, sem jamais supor que ficaria na curva do caminho. No enterro, comovente, a mãe pergunta ao filho, inerte: “Por que você saiu ontem, meu filho? Hoje, você não volta pra casa para dormir com a gente né? Pra quem, mamãe vai arrumar a caminha toda noite, pinguinho? O pai, ao final, agradece a multidão de amigos presentes: “Deus lhes pague por tanta força. A presença de vocês aqui, demonstra o quanto somos queridos e, apesar do pouco tempo que esteve aqui, Leal conseguiu fazer muitos amigos”. A salva de palmas, na hora do Ângelus ecoa e um amigo em prantos saúda o “Leal” companheiro: “valeu Leal”. Uma voz feminina carregada de fé e doçura canta: “ e ainda se vier, noites traiçoeiras, se a cruz pesada for, Cristo estará contigo, o mundo pode até fazer você chorar, mas, Deus te quer sorrindo”... Dema e Lenice, pais do jovem Leal, seguem a vida com o corpo e a alma estraçalhados. Com a força Deus suportarão a ausência física do filho amado. O mesmo Alex, norte-americano salva-vidas que tentou em vão salvar a vida do "irmão" brasileiro, passa horas a fio enxugando, carinhosamente, as lágrimas da mãe do irmão que se foi.


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Por Raquel Chaves - 25/5/2009 18:22:16
Viagem pelas Ruas de Montes Claros em noite de Coroação.

Raquel Souto Chaves


“ Maio chegou, mãe querida, mês de santa devoção...”

Chegou o mês de maio e, com ele, chegaram as coroações de Maria, o frio e o dia das mães... Mães de leite, mães de sangue, mães negras, mães do coração, mãe Bá, mães de criação, mães avós.
Retomo a minha viagem pelas ruas de Montes Claros, saindo do jardim da casa da minha vó, Nininha, na Avenida Coronel Prates, onde acabo de colher as últimas rosas para ofertar a Nossa Senhora, na primeira coroação da noite. Vestida de anjo da cor azul, tecido de cetim, casa de abelha, nas costas asas de penas alvinhas, nas mãos a cestinha de pétalas de rosas, na cabeça coroa de miçangas; sob os olhares atentos da minha vó, minha mãe e de Regina, descemos a Rua Gonçalves Figueira. A primeira parada é na casa de Padre Dudu, que nos aguarda na varanda.
– Ninha de Deus! olha o avançado da hora. Vamos logo que os fiéis me aguardam para a celebração.

Descendo a rua de paralelepípedos, seguimos pelo beco Dona Eva, onde mora Renée Caldeira e Ailce, que nos acompanham para assistir a coroação. Defronte a sua casa, fica a Rua Hermenegildo Chaves. Aqui, na esquina, a de Geralda Freire, um pouquinho adiante do lado direito de quem desce, a casa de tia Joaninha Souto, que já se encontra na Matriz tocando o sino, convidando o povo para a coroação que vai começar ás 18 horas. Especialmente nessa noite, estou em estado de graça. Em pé, na parte mais alta do altar, fico na ponta dos pés sobre um banquinho de madeira para conseguir coroar Nossa Senhora.

– Filha faz bonito. Não se mexa, senão vai cair daí. Solta a voz. Fica atenta que irmã Rosita (minha professora de educação artística no Colégio Imaculada Conceição) te observa daquele banco ali - recomenda minha mãe. Abro o peito e: “Mãezinha do céu eu não sei rezar, só sei repetir, eu quero te amar. Azul é teu manto, branco é teu véu. Mãezinha eu quero te ver lá no céu...” A matriz repleta de anjos exala paz. O cheiro de incenso inebria a parte velha da cidade, em festa. Do lado de fora da igreja nos despedimos de dona Duduca, Grayce Quintino, Diná, Geninha, Diomar, Maria Durães, Naninha, Ditinha, Nair Machado, Umbelina e Aidee Caldeira, Zezé Queiroz, Mariazinha, Raimunda Santana e tantas outras da Arquiconfraria das Mães Cristãs e do Apostolado da Oração. Descendo a rua, somos cumprimentados por Landes e Netinha Tolentino, que estão sentados na varanda de sua casa. No princípio da rua Filomeno Ribeiro, numa roda de conversa, estão: Dr. Ubaldino Assis com a esposa Nilcea Veloso, Letícia sua irmã e Neide Veloso. No principio da Rua Belo Horizonte esquina com Coronel Joaquim Costa, os feirantes montados em carroças chegam para entregar mercadorias vindas da roça para exposição e venda, amanhã, no Mercado Central.

Na galeria foi inaugurada a Super Loja 23. Em frente, um eletricista testa as luzes para a inauguração do Jóia Supermercados. Apressados para a segunda coroação da noite, chegamos à Catedral.
– Corre Quela que a coração vai começar. Sussurra minha avó ao pé do ouvido. Desta vez estou acomodada no segundo degrau da escada para depositar, aos pés de Nossa Senhora, as palmas.

“Pelas horas matutinas, fomos colher estas flores, mimosas cheias de odores, pelos bosques e campinas...”.

De volta para casa com a sola dos pés doendo, em conseqüência do sapato novo de verniz, tomo um bom banho e um copo de leite gelado. Desejo boa noite a todos, deito-me, e o filme torna a passar na minha cabecinha. Mais uma vez me vejo coroando:

“ Nunca, mudassem nunca estes caminhos. Que quando maio vem, vestem-se de flores. Nesta alegria idílica dos ninhos. Neste milagre de perfume e flores...”.


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Por Raquel Chaves - 1/4/2009 15:48:56
Viagem pelas ruas de Montes Claros – Parte II

Raquel Souto Chaves

Estamos em abril. O calor está mais brando. Com a obrigação em dia, nos sentimos convidados a continuar o passeio pelas ruas da ainda pacata Montes Claros. Saindo da nossa casa na Avenida Coronel Prates, 102, entro na casa da minha avó Nininha para pedir a benção, tomar café com leite e comer uma boa fatia de bolo fresco preparado com manteiga e ovo caipira.
Até já vó! Um beijo, um abraço, uma bicota e sua benção.
Boa noite Dr. Luís Pires, acho que o senhor deixou a luz do seu consultório acessa. Ao lado da sala de “Abreugrafia” (retrato do pulmão) do Dr. Luís Pires fica o Restaurante Quintal de Ênio Farias. Dr. Mário Ribeiro, Dr. João Vale Maurício, Dr. Jason Teixeira, Tio Rey, Lourinho Alcântara e outros senhores passam por nós, vindo da rua Gonçalves Figueira. Tá na hora de tomar uma boa cana e tirar o gosto com o “sarapatel dos Deuses”. Eduardinho, filho de Félix Pimenta e Dona Dorinha nos aguarda na porta da sua casa. Dona Fernanda Ramos nos saúda da sacada do sobradinho rosa onde mora. Com ela estão as filhas Nininha e Lulu. O portão do depósito de vidros da Vidronorte de José das Neves Corrêa permanece aberto. A macife (madeira, cimento e ferro) também. Com os pés na praça Portugal, cumprimentamos Dona Marilene (costureira de mão cheia), seu Augusto e os filhos Joyce, Cléa Márcia e Ico. Aqui apressamos o passo para deixar a terrina de puro inóx no Restaurante Espeto de Ouro de Zé Amorim, para mais tarde buscar a canja encomendada por meu pai ao garçom Zezim beleza. Descendo a rua Doutor Veloso ouço de dentro do Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Ondina de Paula pronunciar fluentemente inglês dando aula de conversação para alguém. Virgínia de Dr.Hermes e Dona Fina trabalha aqui como secretária.O ronco do motor do caminhão de Betão ronca ferro (rum... rummm...) surge próximo à casa de seu Jaime Rebello, pai de Toninho Rebello, então prefeito. Assentados no murinho da varanda de casa esquinada Norbertão Prates, Lay e João dão gaitadas de se ouvir de longe. Julião (irmão de Norbertão) passa pito neles. No consultório de Dr Hermes na esquina com rua Lafetá chega uma senhora convalescente de Rubéola. Dona Inês ouve atentamente os acordes da flauta que o filho Joaquim de Paula faz ecoar. Com destino a Praça da Matriz, passamos em frente ao portão grande de madeira, estilo cancela do sobradinho dos Oliveira. O chafariz (cara de leão) jorra água fresquinha e sacia a nossa sede. No coreto da praça, “João Doido” avisa a quem passa que: Terezinha é minha! (e aí de quem ouzar dizer o contrário). Tia Joaninha Souto toca o sino da Matriz anunciando que a missa vai começar. Padre Dudu começa a celebração convocando as Mães Cristãs, de farda azul marinho, veú preto e fita azul a se acomodarem na primeira fila dos bancos. Conta com a colaboração para não deixar as crianças interrompe-ló. Nos bancos seguintes estão Benjamin Rêgo (que mora bem ao lado da igreja) com o filho José Rêgo, Dona Nair Machado e José Lafetá com a esposa Sãozinha (impecavéis). Depois de ouvirmos o “sermão” do Padre Dudu corremos para o centro da praça para apreciar a beleza da fonte luminosa (até então achava que isto só existia em cidade grande). No passeio onde funciona os correios, assentados na porta da casa estão Benedito e Nivaldo Maciel tocando violão e saudando o Céu de estrelas com canções de serenata. Mariana cabeleireira se aproxima para contemplar a lua cheia. Subindo a rua Simeão Ribeiro, encontramos seu Ducho com o inseparável bandolim debaixo do braço e o filho Miguel, fechando a Distribuidora Thaís, para daqui a pouco se apresentar com o Grupo de Seresta João Chaves no Restaurante Montes Claros, propriedade de um moreno bonachão apelidado de Baiano. Na parte inferior do restaurante, João Leopoldo França, na sua loja Cred Vest, solta a bela voz e confirma: “Creio em ti ao ver que a chuva cai e faz a flor nascer....”
Na esquina paramos para tomar o milk-shake da Cristal. Na rua Governador Valadares do lado direito está o Bazar São Geraldo. Seu Geraldo, sua esposa e Geraldim seu filho nos acompamham até a rua Dr. Veloso.
- Rua Dr Veloso, meu Deus! E a terrina de canja do meu pai que deveria buscar há horas no Espeto de Ouro? A esta hora, já deve estar gelada. Melhor passar sebo nas canelas. Hoje, o cipozinho de fedegoso funciona direitinho!


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Por Raquel Chaves - 11/3/2009 16:04:16
Viagem pelas ruas de Montes Claros

Raquel Souto Chaves

O sol escaldante e o calor de quase 40 graus de Montes Claros nos obrigam a sair de casa e perambular pelas ruas da cidade. Atravessámos a Avenida Coronel Prates, paramos na Pingüim para cumprimentar Toninho Gumercindo e chupar picolé de tamarindo. Subimos a Rua Presidente Vargas que há poucos anos atrás era chamada de rua quinze. Ao lado da fábrica de gelo da Pingüim que Marrecão toma conta, mora Boizim, fraterno amigo do meu tio Henrique. Ele esta sentado no alpendre que dá para a rua com um chumaço de jornais para ler. Do outro lado da rua fica o consultório de doutora Maria de Jesus e do doutor Rameta. Atravessando a Avenida Afonso Pena no principio do passeio do lado esquerdo está a venda de Seu Carlos construída de armação de zinco. Ainda é possível montar comércio com este tipo frágil de material. Os ladrões são mais acanhados. No impulso entro para comprar balas de hortelã, o espaço é pequeno e mal cabe Seu Carlos e o freguês. O calor é algo insuportável aqui dentro. Tião boi na sua sapataria que fica entre o conservatório e a casa de dona Ligia, nossa professora de educação física no Colégio Imaculada Conceição; arremata o serviço e conta causos de pescador. A sapataria do tamanho de um ovo esta cheia de rapazes. O cheiro de espetinho do Bar Sibéria esta irresistível. A fila a espera do bom assado já està grande. Novaizinho está sentado à espera dos seus, tomando uma loira gelada e de bate papo com Dácio cabeludo. A fragrância dos perfumes importados,da importadora Lee que ganhamos de presente de natal do nosso pai recende na Rua Simeão Ribeiro. No Armarinho Jabbur meu pai compra os óculos para vista cansada e o pente de bolso. O rádio informa a hora, de dentro das Casas Buri. Os fogões de 6 bocas(chamas), as tv’s coloridas e as geladeiras duplex em exposição chamam a atenção dos consumidores. São as últimas novidades em eletrodomésticos. Minha mãe negocia os produtos e escolhe a cor vermelha para decorar a cozinha. Um luxo só!
Amada amante lelelelele... Amada amanteeee lelelelele (som com a língua). Juventina de botas de cano longo e salto alto, maquiagem de cor carmim nas bochechas, cabelo longo e muitos adereços, em alto e bom tom dá sinais de que estamos próximos da Casa Alves. Descendo a Rua Camilo Prates minha mãe apressa o passo para entrar na Casa Lêdo e comprar Creme Nívea e Laquê Lady. São 18:15 mas é só bater na porta que a proprietária da loja abre para atender o cliente. Enquanto isso estamos na Farmácia Santa Terezinha conferindo o peso. A balança ainda é analógica com visor e ponteiro imensos. Celuta e sua irmã Ismar descem à rua vindo da lida diária depois de fecharem a Casa das Rendas. O carrinho de pipocas Lili já está estacionado na Praça do Cimentão. A inesquecível pipoca é feita na manteiga de garrafa, o que a torna irresistível ao nosso paladar. Os cortes de pano da Minas Tecidos vistos da vitrine estão lindos. Jacinto comunica ao meu pai que os cortes de linho e cambraia que tanto gosta chegaram e estão com preços tentadores. O proprietário da loja Zacalex, um grego barulhento, desce a porta da loja para o merecido descanso. O saboroso e refrescante refrigerante Graphete nos espera no Bar do Zé Priquitim. Subindo a Rua Doutor Veloso, nas imediações da casa de Antônio Augusto Tupinambá, Grayce Vieira e Eudes Veloso, o ar está impregnado do perfume do “chulé” do rei (jasmim). Estamos em frente ao Hospital Santa Terezinha onde o meu tio Zé Souto trabalha como médico ortopedista. Aqui foi construída uma capelinha minúscula, por isso todas as vezes que passamos fazemos o nome do pai. No canteiro a beira do passeio, que serve de cerca, tem uma plantação de fícus. Minha mãe lança mão de uma folhinha e a transforma no mais belo dos sons de apito. Aqui damos meia volta e descemos rumo a nossa casa, aliviados do calor e com as mãos carregadas de compras.
Boa noite Doutor Hermes!
Sua benção Padre Quirino e Padre Dudu!
Montes Claros ainda é o melhor lugar para se viver.


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Por Raquel Chaves - 12/1/2009 19:09:57
Êta corgão bonito!

Raquel Souto Chaves

O cheiro de caladryl (pomada de cor rosa para queimaduras), impregnou-me o nariz e o coração nessa manhã. O mês é janeiro. As aulas terminaram em meados de dezembro e as crianças estão soltas pelas ruas da ainda pacata Montes Claros.
Meu pai está ao telefone conversando com Coriolano Moreira, que reside em Itapetinga, na Bahia, para confirmar nossa ida a Olivença e acertar os detalhes da nossa hospedagem em sua propriedade. As malas estão sendo feitas pelas mãos carinhosas de minha mãe Terezinha, tia Cléo e tia Rosalva. Deusdete, mecânico, revisa o veraneio dois sabores (duas cores) do meu pai, para que a viagem seja feita com segurança. Hora de arrumar o carro, para amanhã, logo cedo, pegarmos a estrada. No veraneio, a feira de mantimentos e as malas são colocadas no bagageiro, de forma que sob as mesmas ainda sobre espaço para abrigar as crianças (Roy, Eduardo, eu e Fred). Na matula, uma garrafa de café redondo, paçoca de carne seca, pão com mortadela e biscoito espremido. Assentados nos bancos estão, tia Cléo, Mêra, Lai, João, Bia, mãe e pai. O carro é igual coração de mãe, sempre cabe mais um. Em comboio, estão os carros de tio Zé Estevam (abarrotado de gente) e o de Roberto Rebello (Marília grávida de Regina) com as filhas Ivana, Cláudia, Maria Clara e Mônica. Depois de uma longa soneca, ouço como em forma de cantiga: “olha o corgão aí os minino!”. É meu pai anunciando que já estamos à beira-mar. Mais alguns quilômetros e chegamos ao destino. A molecada se encarrega de descer a bagagem enquanto os adultos limpam o casarão e preparam a janta. Meu pai, com o seu jeito fácil de fazer amizade, sai à cata de um bom fazedor de mingau para nos abastecer durante a estada. Bem cedinho, o mingau de tapioca fresquinho, chega para o café da manhã. De pança forrada, rumamos para a praia que fica a pouquíssimos metros da casa onde estamos hospedados. As brincadeiras de fazer castelo de areia, quebrar ondas e esconde-esconde por detrás dos coqueiros são divididas pela cumplicidade dos primos Joyce, Raul, Virgínia, Estevam e Fred, e das meninas amigas, filhas de Roberto e Marilia. A descoberta de martelar caranguejos e comer acarajés com muito vatapá e caruru, é uma delicia. Para tirar o sal do corpo, descemos para o Tororomba, o clube da cidade que possui uma cascata em forma de véu de noiva e uma piscina de água medicinal de cor escura. Depois de um dia de sol forte, estamos como verdadeiros pimentões. Somos de pele muito clarinha, por isso, minha mãe recorre a ajuda do cheiroso Caladryl para aliviar o ardor das bochechas. Estamos iguaizinhos a um palhaço. À noitinha, depois de um bom e avantajado prato de comida (saciando uma fome de leão provocada por banhos de mar e piscina), seguimos para a única pracinha da igreja existente na cidade, para brincarmos de pega-pega, nos cansar e daqui a pouco nos entregarmos ao bom sono cheio de sonhos e lembranças.
É janeiro de anos atrás, mês de férias, mês de conhecermos o mar. “Êta corgão bonito, gente!”.


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Por Raquel Chaves - 3/12/2008 16:49:04
SAUDAÇÃO A AMELINHA

Raquel Souto Chaves

Apanhada pela surpresa e emoção de ter sido convidada para saudá-la, o faço com orgulho. Saúdo-a sim, tia Amélia em nome de José Veloso Souto, seu príncipe encantado que morria de amores por você e que do alto do céu com certeza, está de largo sorriso estampado no rosto, em dia de festa por mais essa sua vitória. Saúdo-a em nome de Júnior, Bia, Nuza, Luti, Claudinha e Murilo; dos seus netos, da família Veloso Souto; saúdo-a principalmente em meu nome, pela admiração e carinho que tenho por você. Sou testemunha viva da sua luta e trajetória de vida. Saúdo Amelinha do meu saudoso tio Zé Souto; Amelinha de estatura miúda, mulher forte, de fibra, um jequitibá em forma de gente, exímia educadora, descendente de família tradicional. Amelinha mãe e avó. Amelinha, mulher de fé, de uma alegria contagiante, apesar dos percalços que a vida lhe impôs. Amelinha mãe, sozinha na criação dos filhos, que herdaram dela e do pai, o tino para o trabalho e a luta; hoje todos bem casados e profissionais competentes. Amelinha, dos Prates e dos Barbosa, descendente de pessoas cultas e formadoras de opinião, mulher politizada, que prega a ética como norma de vida, tão em desuso hoje em dia, e como se não bastasse tudo isto é Vicentina atuante! Sua mãe D. Olga Prates,a abençoa e comemora, lá do céu o sucesso da filha querida.
Com o lançamento de “A chegada de Fernanda”, “O pássaro preto”, “Chocolate e Pipoca” e “Zeca Ventania e Toni Topete”, você tia Amélia presta serviço à literatura infantil da melhor qualidade, nas áreas sociais e educativas; deixando cravado para a história, o exemplo de determinação e amor pelo que sempre fez: educar.
Em uma tarde chuvosa, sob a cantiga dos pássaros, rodeada por árvores e grama verdinha, no Pentáurea Clube, li, reli, me envolvi e deliciei-me, com suas doces estórias, de linguagem simples, clara, comovente e educativa. As ilustrações são de um bom gosto sem fim!
Como você mesma diz, tia Amélia: “o grande segredo da vida é ser um pouco melhor a cada dia, e empenhar-se para que os outros também o sejam”. A sua parte, já vem sendo feita há tempos, e com imensa galhardia!
Você é para nós motivo de orgulho, e exemplo de força, fé, amor, alegria e ensinamento. Obrigada por existir e fazer parte das nossas vidas. Que venham muitos outros livros de sua autoria para enriquecimento da nossa cultura e nosso deleite. Montes Claros a saúda, abraça e agradece, com a certeza de merecer de sua legitima filha honras como essa.


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Por Raquel Chaves - 13/11/2008 15:34:12
O Pai-aço

Raquel Souto Chaves

Senhoras e senhores, bem-vindos ao encantado mundo do circo!
O espetáculo vai começar! Quem quer ver a alegria do Circo?
Crianças e adultos eufóricos levantam as mãos.
Aí vêm eles! Com vocês: os palhaços!
Um deles é o verdadeiro “pai-aço”: o palhaço Pequi, que a todos faz sorrir.
Palhaço do circo Zanchettini, que há cinco décadas luta pela sua sobrevivência, sob a forte batuta da matriarca dona Vanda, armado na cidade há poucos dias.
O pai aço é pai de Felipe, o menino ‘especial’, deficiente físico que entra no picadeiro, todo garboso, montado em um cavalo também especial; com uma cumplicidade que pode ser vista a olho nu. Falam a mesma língua! O maior e melhor artista que o circo possui. Conseguiu transpor os obstáculos que a vida lhe impôs.
O tio Sílvio, que também é palhaço, conduz a apresentação com olhos atentos aos mínimos gestos do sobrinho, com extremoso zelo. O Pai-aço - que foi abandonado pela esposa, quando esta soube que o filho era especial, partiu para nem nunca noticias buscar. O pai-aço Pequi continuou sua luta e criou o filho Felipe com a colaboração dos irmãos. São dez filhos ao todo. Descendentes de dona Vanda, que no próximo ano com a graça de Deus completará 80 anos; a festança será ali mesmo no seu mundo encantado, sob as lonas cúmplices do circo, o mais fiel dos amigos. Sabe-se lá, o que já aconteceu por ali! O casamento da filha Solange com o bilheteiro, secretário e apresentador do circo Manoel; festas de aniversário, luto, alegrias, tristezas...
A palhaça Magali, de pequeno porte, esposa do palhaço Sílvio, nora de dona Vanda; parecendo uma boneca, nos intervalos do espetáculo deixa o palco para se juntar aos espectadores e distribuir simpatia. Os meninos, netos da matriarca e alguns irmãos de Felipe, do segundo casamento do pai, dão um show em monociclos. O malabarista e trapezista, André Luis, em seus números demonstra o equilíbrio de jovem e artista. São trinta e seis pessoas de uma mesma família: motoristas de carretas, artistas, montadores, administrados todos num misto de magia e encantamento. Tudo isto dá sinal de que o circo não acabou! Tamanha beleza e lição de vida não têm preço!
Uma história... Uma vida... Tantas outras virão!
Que não morra o circo, que não calem a voz do palhaço!


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Por Raquel Chaves - 23/10/2008 15:12:33
Brincadeira de criança

Raquel Souto Chaves

Ordem! Seu lugar, sem rir, sem falar!...
“Olha que bela laranja madura, veja que cores são elas...”.
Tempo mágico; encantado!
As brincadeiras de infância da minha época eram geniais, deliciosas e com uma grande pitada de ingenuidade e doçura. Pula corda, pique no lugar, roda, casinha, futebol, boneca e tantas outras! Dentre elas, uma que eu considerava especial era o guisado. Quatro tijolos, alguns pedaços de pau e o fogão estava pronto! Meninas ainda, preparávamos as nossas comidinhas. Certa vez, fui presenteada por meu pai, com uma trempe para o fogão e um joguinho de panelas de ferro batido. Sentia-me a própria cozinheira!
Nos dias de hoje, ou de pelo menos desde vinte anos atrás, não conseguimos mais enxergar as crianças como éramos naquele tempo. Éramos considerados criança até os 15 anos de idade. Hoje chamam de pré-adolescência, adolescência e puberdade. As meninas de hoje se tornam mulheres com 10 anos de idade. Os meninos engrossam a voz e criam pêlos, com pouco mais de 11 anos. O que mudou? Hormônios em alimentos? Crianças com 13 anos hoje, namoram ou ‘ficam’, sem se quer saber de quem são filhos ou de onde vêm. Os carrinhos de papelão, latas, cordão e carretel de linha deram lugar aos carros de controle remoto; as bonecas de pano confeccionadas por nossas babás, com as quais brincávamos de dar papinhas de mentirinha, foram substituídas por bonecas que cantam, falam, batem palmas, andam, fazem xixi e comem! Realizávamos aniversário das “nossas filhinhas” e servíamos batidas de ovo com farinha e açúcar.
Era comum brincarmos de pés no chão, nas ruas e calçadas, sob os olhares atentos de nossos pais, tios e vizinhos; o que, nos dias de hoje se tornou impossível, devido ao crescimento da cidade, a chegada do progresso e a total falta de segurança. As peladas (jogo de futebol) deram lugar às partidas de futebol em ginásios, com espírito de competitividade, sem um mínimo de esportiva, resultando em brigas entre torcedores chegando ao extremo de causar até mesmo mortes!
Quando maiorzinhos, um pouco mais fornidos, realizávamos horas dançantes em nossas casas, sempre com inicio às 18 horas; bebíamos ponches de maçãs com groselha, sem qualquer gota de álcool! (onde já se viu crianças ou adolescentes fazerem uso de bebidas alcoólicas?).
Estas foram radicalmente substituídas por boates com ritmos dançantes e alucinantes, e no lugar do ponche de maçãs, entrou o consumo excessivo de álcool e outras drogas. Freqüentávamos as matinês aos domingos no Cine Montes Claros, para assistirmos desenho animado ou alguma comédia. As crianças de hoje tem computadores, mp3, Ipod...; e contato direto com qualquer espécie de filme ou música, e ficam até altas horas navegando, isolados...
Nos tempos idos, menino ia para a cama às oito horas da noite. Hoje, as festinhas começam às dez! Criança naquele tempo honrava pai e mãe.
12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, da nossa mãezinha do céu, dia das crianças... Mãezinha do céu traga de volta as brincadeiras de criança da minha infância, encha de doçura, ingenuidade e pureza os corações das nossas crianças!
Ensina aos seus filhos honrarem pais e mães...
Depende de nós,se este mundo ainda tem jeito!


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Por Raquel Chaves - 21/8/2008 10:49:10
Festas dos Catopês

Raquel Souto Chaves

Tum... tumtum... tum.... tumtum...
O retumbar dos tambores ecoa no ar anunciando a chegada das festas de agosto de Montes Claros. Mais conhecida como Festa dos Catopês, seus legítimos donos.
O coração bate a galope.
Quarta-feira os catopês, marujos e caboclinhos pessoas simples, de caráter invejável, deixam seus lares nos longínquos bairros Vila Camilo Prates, Morrinhos, Santa Cecília, Vila Ipiranga e Renascença e descem em busca do sagrado mastro de Nossa Senhora do Rosário. A procissão segue com velas acessas. Lá da frente cantam em tom de pergunta: “Que santo é este que vamos levar?” “É Nossa Senhora para festejar” respondem os devotos em unicoro no fundo da fila.
Alguns descalços pagando promessas.
A graça foi alcançada. É hora de agradecer.
Os dançantes, vez em quando durante o trajeto param para afinar os instrumentos em fogueiras acessas nas portas de casas simples.
A caboclinha de olhos azuis e pouco mais de quatro anos no centro do seu grupo dança dormindo, desde cedo está cumprindo o oficio prazeroso que lhe foi delegado.
A lua no alto do céu e o calor intenso dão sinais de que a festa será mais vez iluminada.
Nas noites de quinta e sexta feira a festa continua com levantamento dos mastros de São Benedito e do Divino Espírito Santo.
A bandeira de Nossa Senhora pertence aos ternos dos mestres-catopês João Faria e Zanza, a de São Benedito ao terno de catopês do mestre Zé Expedito, a do Divino Espírito Santo aos ternos de marujada do mestre Nenzim (falecido no ano passado, hoje coordenado pelo seu filho Tim) e mestre Miguel e da cablocada do mestre Joaquim Poló (falecido há pouco mais de um mês e que faria aniversário natalício no dia 18 de agosto). Os dançantes buscam as bandeiras nas casas dos mordomos, seguem em procissão até a igrejinha do Rosário para levantar os mastros debaixo de cantoria e fervorosa devoção.
Dentre os pedidos força, saúde, muita saúde para que não morra a tradição de tão maravilhosa festa.
Girândolas e foguetes explodem no céu sobre o olhar atento de Dona Fina de Paula que este ano pôde participar da festa no portão da sua casa, onde várias vezes os recebeu para fartos almoços. Não se contia de tanta felicidade.
Os cortejos na seqüência de Nossa Senhora do Rosário de cor azul, de São Benedito da cor Rosa e do Divino Espírito Santo da cor vermelho percorrem as ruas do centro da cidade, repletos de príncipes e princesas. Reis, rainhas, imperador e imperatriz (estes os festeiros), deixando os espectadores boaquiabertos. A banda do batalhão fecha o cortejo tocando amo te muito do meu avo João Chaves. Na chegada à igrejinha do rosário o sino toca anunciando a presença dos donos da festa.
“Deus te salve casa santa”...
Já na igreja o contra-mestre Sinhô catopê chega em sua cadeira de rodas. Com roupa alva, engomada, fitas multicores e penas de pavão na cabeça e lagrimas nos olhos.
Joaquim Poló vem todo afoito com sua costumeira pressa comandar a retirada da caboclada e pedir a Socorro sua filha para não usar o chapéu confeccionado em sua homenagem, pois foge totalmente a tradição.
Nenzim marujo durante o cortejo aparece empunhando a espada para “guerrear” com o neto de 10 anos que ainda chora a sua saudade.
Eu vi, vivi e senti. Como vivi. Como senti.
Domingo lua cheia as festas chegam ao fim.
A retirada...
Adeus até para o ano...


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Por Raquel Chaves - 8/7/2008 18:01:24

“Viva o divino meu santin, querido, que com seus milagres que tem me valido...”, com esta canção, cantada pelo seu grupo de caboclinhos há décadas, Joaquim Poló, o grande e respeitado chefe da caboclada, anuncia que as Festas de Agosto estão a caminho. Segue convalescente.Sofre, sente dores dilacerantes, mas é com a fé no Divino Espírito Santo, que o move, e com a força de um cacique guerreiro, que prossegue sua luta. No seu rosto, o sorriso estampado denuncia a alegria de chegar até aqui e poder “brincar” as Festas de Agosto. As visitas de festeiros e mordomos da bandeira já começaram, ele não esta presente fisicamente. Mesmo à distância, em um leito hospitalar, está atento a tudo e a todos. Carinhosamente pede à Lena, suas esposa, para não esquecer os agasalhos e não deixar faltar o lanche das crianças, antes das apresentações. Põe ordem na fila das crianças, marca o compasso da dança do cipó, ensina ao Mestre Sala a forma correta de se manejar a bandeira, providencia as fardas dos caboclinhos de olhos claros e da mamãe vovó; instrui Socorro, sua filha mais velha, a coordenar o grupo, me pede ajuda para por disciplina nos meninos, orienta nos consertos e confecção de novos instrumentos, pede a Dinzão, seu filho e sucessor, para afinar os instrumentos e fazer bonito nas apresentações. Recomenda-o a não deixar de tocar para mim, na viola ou na rabeca, “Amo-te muito” e “Saudade do Matão” (“ninguém conhece a razão por que choro...”). Só para ver os meus olhos marejando... Que coisa fantástica!Levanta daí, Joaquim! Passa sebo nas canelas, que o caminho das bandeiras este ano é longo, e nós o esperamos para brincar e chefiar a caboclada, que mais uma vez virá para abrilhantar as nossas tão queridas e tradicionais Festas de Agosto, dos nossos Montes Claros! Impressiona a força e a coragem deste grande homem, pedreiro, dançante, marceneiro, cacique, chefe da caboclada, brilhante e ilustre montesclarense, que assim como os outros mestres de catopés e marujos, deveria ser agraciado, este sim, com o título de cidadão benemérito, como reconhecimento do tanto que já fez e faz pela autêntica cultura de Montes Claros.Sua benção, Joaquim Pólo.


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Por Raquel Chaves - 2/7/2008 14:01:25
Triste noite de São João

Raquel S. Chaves

24 de junho, dia de São João. Dia da mais longa e fria noite do ano. O dia hoje está mais triste. Montes Claros está de luto. Partiu Beto Oliveira.
Parte exatamente no dia de São João, dia escolhido por Deus para levá-lo para junto de si... Como todo bom boêmio, amante da noite e da lua que se preze. Dia de tocar sanfona, de dançar Lundu e Guaiano... Dia de cantar aboio e rastar o pé no salão. Beto Viriato, da famosa, cheirosa e saborosa cachaça Viriatinha. Beto do Rebentão dos Ferros, Beto seresteiro, Beto de Tonha (companheira de tantos anos!), Beto de margarida, sua extremosa irmã, com quem morava; Beto de Maria Teresa, sua sobrinha querida, companheira de farra e de um copo ou outro de cerveja gelada... Beto de sua inseparável sanfona. Beto de uma fidalguia ímpar. Beto calmo, manso... Conheci Beto, ainda menina, era um dos grandes e fiéis amigos do meu pai Raimundo Chaves. Meu pai costumava brincar dizendo que, até que Beto tirasse um pé do chão, cupim já havia comido o outro, tamanha era a sua paciência... Vez ou outra íamos ao Rebentão dos Ferros, onde estão plantadas, até hoje, as suas raízes. Éramos recebidos por Pedrinho, Tiãozinho e Beto. A casa, de sala de visita grande, de paredes brancas e toras de madeira, era o ambiente propício para os adultos jogarem conversa fora, tomarem café com biscoito e trocarem sabedoria. No fundo da casa, a molecada nada na barragem e apronta traquinagens. E o almoço? Ah o almoço! De lamber os beiços! O famoso frango caipira com angu de milho verde e picadinho de quiabo com carne seca. Passávamos um dia de completa diversão. Desde menina, me tratava com um carinho especial. Além do Rebentão, nos encontrávamos nas apresentações do Grupo de Serestas João Chaves. Encantava-me ouvi-lo cantar “Fazendeiro rico” (música lindíssima, que só agora, venho saber que é de sua autoria). Como poucos, tive o privilégio de ver e ouvir tocar sua famosa sanfona! Sempre que tinha oportunidade, dizia-me que sou linda, de coração grande. Até pouco tempo, quando nos encontrávamos nas apresentações da Seresta, em festas ou barzinhos, pude sentir a sua alegria de viver. Tomando sua cervejinha de pernas cruzadas e na companhia de alguma moiçola. No dia 14 de junho, na saída da missa de um ano de saudades, do meu primo Repolho, encontrei-me com Tonha, na porta da Catedral, que me informou da sua internação Notei uma grande tristeza no seu semblante, disse-me que você não merecia estar daquela forma. Concordo em número, gênero e grau! Pessoas como você, Beto não merecem sofrer. Por isso, Deus resolveu aliviar a sua dor, te pegou pelas mãos o colocou em um balão de São João e o levou para o lugar merecido: o paraíso; onde provavelmente, já se encontrou com os amigos de noite alta e carraspana... Dr. Hermes, com certeza, já deu o grito; e agora, já estão perto de você: Tele, meu avô João Chaves, Sinval Fróes, meu tio avô Monzeca, Gilberto Câmara, Luis Procópio, Raimundim Chaves meu pai, com minha mãe Terezinha, amante de uma boa seresta, Virgilio de Paula e Adélia Miranda, e tantos outros montesclarenses que se foram. Grupo de primeira qualidade pode soltar a voz, que Montes Claros no alto dos seus 151 anos inteira, ouvira e se emocionara. Com a falsa modéstia de que é a genitora, de filhos ilustres, como você. Descanse em paz.


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Por Raquel Chaves - 05/06/2008
Nininha, minha Vó Ninha

Raquel Souto Chaves

Começo este meu relato com o coração embriagado de saudades!
Vivi, aliás, vivemos eu, meus irmãos, primos e toda a nossa família momentos de verdadeiro deleite ao lado da nossa querida Vó Ninha.
Lembro-me bem das nossas casas coladinhas, parede e meia, na avenida Coronel Prates. No café da tarde sempre subia no pé de jabuticabas que dava para a janela da cozinha dela e perguntava: “Vó, cadê o bolo, tá pronto?”
Ela costumava fazer o bolo e nós todos (netos) tínhamos uma forminha aproveitada de embalagens de sardinha, atum e goiabada.
Adorava ir à casa dela.
Quando nos encontrávamos, pedíamos um beijo, um abraço, uma bicota e a bênção.
Vó Ninha vivia sempre cheirosa e me lembro bem das lindas embalagens de talco Rastro que usava com esponjas de pelo. Era extremamente vaidosa. Exercia a profissão de bordadeira com maestria. Confeccionava verdadeiras obras de arte. Bordava como ninguém! Revejo suas pernas como se flutuassem nos pedais da sua máquina de bordar Singer.
Aos domingos, nos reuníamos em sua casa para saborearmos verdadeiros manjares dos deuses, que ela caprichosamente preparava.
Encantava-me ao vê-la vestida de mãe cristã, com véu preto e farda azul marinho. Ríamos a valer quando Joãozinho, meu irmão, cantava para ela: “Se você quiser ser mãe cristã, diga hoje mesmo, não deixe pra amanhã. E o padre Dudu ele é nosso amigo, amigo pra chuchu”.
Conheci padre Dudu, padre Quirino e monsenhor Gustavo na sala de jantar da minha avó.
Ao entardecer, eles iam visitá-la e ela os recebia com o carinho de sempre servindo fartos cafés.
Mais tarde, íamos todos nos assentar na porta da rua para espantar o calor e assim jogar conversa fora.
Desfrutávamos também das agradabilíssimas presenças de tio Zé Souto, tio Zé Estevam, tia Rosalva, tia Cleo, tio Rei, meu pai e minha saudosa e amável mãe.
Sempre presente estava também Necéssio, seu sobrinho.
Certa noite, Necéssio se manifesta dizendo que gostaria de arrumar uma noiva rica e bonita. Eu logo meti o bedelho e indaguei se a noiva tinha necessariamente de ser rica e ele sem nada entender disse que não.
“Mas porque você está me perguntando isso?”
É porque lá em casa tem uma moça que tá passando da hora de se casar. Referia-me a Bia, minha irmã mais velha. Foi uma gargalhada só.
Nossa querida Vó Ninha, tinha um jeito todo especial de acalentar nosso coração infantil, assim, em cada oportunidade a sós com qualquer um dos netos, dizia-nos sempre em palavras de pura ternura como éramos bonitos e especiais. Descobri, desde menina, o quanto aquele coração transbordava amor genuíno, puro, de mãe, uma mãe muitas vezes mãe; e como privilégio de poucos, recordo-me o quanto pude apreciar e saborear ser uma das netas da Vó Ninha.
Quando nos reuníamos em sua casa para brincar, éramos recebidos com extremoso carinho e o último a chegar era sempre “o mais bonitinho da roda”. E cada um de nós tinha a certeza de que, realmente, era o mais bonito da família.
Vó Ninha foi envelhecendo e eu crescendo...
Quando completou seus dignos 80 anos, uma vez por mês eu a levava para cortar os cabelos no salão de Mariana na Praça da Matriz. Mariana cortava e escovava os cabelos com excelência, e Vó Ninha pedia que batesse o laquê Lady para maior fixação.
Fecho os olhos e sinto o cheiro saboroso do bolo quentinho saindo do forno. Sobre a penteadeira está a luxuosa embalagem de talco Rastro, vejo o frasco de laquê Lady de cor alaranjada e sinto seu perfume. Caminho por todos os cômodos da sua casa, vejo a cadeira de balanço e a enxergo a balançar, sinto o cheiro de jasmim (como dizia minha mãe, o chulé do Rei), as árvores da Avenida Coronel Prates estão exuberantes, a água da enxurrada desce barrenta, e eu me ponho a brincar de salto alto, batom no bico e bolsas dependuradas a tiracolo. Como não enxergar Vó Ninha com sua doçura, pele clarinha, olhos claros da cor do céu brilhando como fachos de luz e o sorriso encantador?
Saudades, muitas saudades de uma infância que poucos seres humanos tiveram o privilégio de desfrutar. Infância indescritível com imensurável amor.


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Por Raquel Chaves - 28/04/2008
Maio, mês de ternas recordações.

Raquel Souto Chaves

Vem chegando o mês de maio, com ele, o Dia das Mães! Mês de maio pra mim, tem cheiro de alfazema, talvez por causa da flor maior, de perfume sem igual... O mês da dona do maior significado da vida: mãe.
Lembro-me bem dos presentes que confeccionamos na escola. Eu, ainda menina, não existia nada mais valioso! Eram feitos com o meu próprio suor e com indescritível carinho. Utilizávamos material reciclável: caixa de ovos, garrafa plástica e tantas outras coisas! O resultado eram lindos arranjos de flores artificiais.
Nas apresentações do Dia das Mães, cantávamos como verdadeiros rouxinóis a música: “Andei por todos os jardins, procurando a flor pra lhe ofertar, em lugar algum eu encontrei... ela se chama flor mamãe, e só nasce nos jardins dos corações.” Meus olhos se enchiam de lágrimas!
Desde menina sou muito emotiva. Perdi minha mãezinha muito cedo, Deus assim o quis! Aprendi com ela lições de trabalho, dignidade, luta. Maio, mês das mães, mês de Maria, das doces coroações do dia 22, data do aniversário do meu avô João Chaves. “Vimos em nome do dia, da noite, dos passarinhos, da luz, da relva dos ninhos”... Ensaiávamos na casa da minha avó Mercês, sob a batuta da minha querida tia Lola. A ciumeira era geral, pela disputa da coroa de Nossa Senhora, (... “esta coroa Senhora colocar em vossa fronte”...) e das palmas (... “simbolizando a ternura que transborda de noss’alma. Aceita mãe, terna e pura, como oferenda esta palma”...). O meu vestido de anjo era confeccionado no mais alto capricho, pelas mãos habilidosas de tia Rosalva; de cetim, com plumas nas mangas e casinha de abelha no peito, impecável!
Fim da tarde é chegada à hora de nos vestirmos para a adoração a nossa mãezinha do céu, não sem antes, colher belas flores para lhe ofertar. Sinto uma saudade indescritível deste tempo! Por ocasião do centenário do meu tio avô Monzeca no ano de 1998 realizamos mais uma coroação, desta vez, com cheiro e gosto de saudade. Não houve um que não se emocionasse! Coroaram Nossa Senhora, os bisnetos de João Chaves. Dentre eles o meu caçulinha Paulo Estevão vestido como um verdadeiro anjinho. Não me contive.
Nas coroações da matriz éramos carinhosamente guiadas por Dona Mazinha. Foi a única a conseguir de mim a entonação correta de Mãezinha do Céu. Vez ou outra, nos dias de hoje a caminho do trabalho, a encontro na Rua Correa Machado, nos Morrinhos. Ganho o dia, quando sou saudada com um: “tenha um dia abençoado na paz do Senhor. Você é um presente de Deus pra nós”.
Maio, mês das mães, mês de Maria, mês do aniversário do meu amado e saudoso pai Raimundo Chaves... E do meu inesquecível tio Henrique (“oh tangas, oh mangas...” “a mulher que o trem matou morreu”... “aí o páreo é duro...” “melhor ser Henrique do enriquecer.”) A festança era de arromba! Feijoada para 100 pessoas, festa com direito a seresta e tudo mais! Fartura sem fim. Tinha hora pra começar e o término era pra lá das tantas da noite. A feijoada, de sabor incomparável, era preparada por meu pai e por ‘Seu’ Otacílio, no improvisado fogão à lenha da casa de Mera, minha irmã, na Rua São João 1299 bairro Todos os Santos. Ele montava sua cama ao lado, e assim passava a noite coando e cozinhando a danada, para no dia seguinte servir aos seus convidados. A função de descascar um saco inteiro de laranja era dos filhos e netos. A couve, bem fininha, ficava por conta de seu Otacílio. As músicas cantadas pelo aniversariante e pelo Grupo de Serestas João Chaves saíam do fundo do baú. (“oh não te esqueças que te amo assim”... “depois tu partiste”... “ali onde eu chorei qualquer um chorava”... “que saudades da professorinha...”) Em clima de total felicidade e descontração, via tia Lola, tia Lígia, tio Ladim, tio Zé Estevam, tia Rosalva, tia Amélia, tio Rey, tio Henrique, Natalícia, Vó Ninha, Regina, tia Cléo, meus primos, irmãos e tantas pessoas queridas. No final de noite fazíamos o tradicional mexidão da sobra da feijoada. A hora de nos despedirmos era uma tristeza só. Retornávamos aos nossos lares com a certeza de que, no ano seguinte, nos encontraríamos novamente para mais uma vez festejarmos a vida. A partir do ano de 1993 deixamos a festança de lado. Em 05 de julho, meu pai partiu para a sua morada eterna. Foi com certeza, dar prosseguimento ao seu namoro com a minha mãezinha, e se juntar a tantas pessoas que daqui se foram; para lá realizar suas festas com fartura, música da boa e tudo o mais. Eu daqui continuo com a certeza que, de lembranças e saudades também se vive.


36811
Por Raquel Chaves - 08/10/2007
Uh, lalaica!

Raquel Souto Chaves

“Olha aquele fio lá em cima, tá pegando fogo!...
Uh, lalaica! Brincadeirinha!”
Com o sorriso estampado no rosto, “peguei mais um”.
Foi assim, que nos idos de 1972, eu, com 8 anos de idade, na rua Governador Valadares o conheci.
Olhos imensamente tristes e claros (no sentido exato da palavra).
Sem maldade, alma pura; de uma humildade invejável, cabelos grisalhos bem penteados, anel no dedo mindinho, insinuando ser de formatura, camisa social, terno, sapatos brilhando de tanto lustre.
Este é Manuel Nunes da Silva, o inesquecível e inigualável, Mané Quatrocentos, por quem tenho um carinho especial.
Por volta de 1983, eu trabalhava como telefonista, na Coopagro.
Ás 13 horas deixava o serviço e ia para casa, nesta época na rua Teófilo Otoni, bairro Roxo Verde.
Quando estava a poucos metros de casa, avistava Manuel, na porta do açougue de Edmundo, me esperando.
“Boa tarde, Madmoiselle!”
Me cumprimenta beijando a mão. Um autêntico galanteador.
Convido-o para entrar e almoçar;
“Raquelina, você tem aí um esquenta peito?” (referindo-se a uma boa cachaça) “e uma pimenta verde para abrir o apetite?”
Assentados à mesa, eu e ele, dividimos a quentinha.
Durante muito tempo gozei da sua companhia nas horas do almoço.
Despojado de tudo e extremamente cavalheiro, como forma de agradecimento, ele sempre trazia-me araçás, colhidos em lotes onde estivesse fazendo capina.
Lavava os araças, e um saquinho do extinto Café Diplomata, que funcionava ao lado da Santa Casa, na rua Coronel Luiz Pires, era o mais bonito dos papéis de presente.
Em um mês de junho, fomos a festa de Santo Antônio, no Max-Min Clube, e Manuel foi, como nosso convidado.
Dançamos uns dois forrós, e ele não cabia em si de tanta alegria.
Lembro-me de Helvécio Alcântara, brincando com ele, dizendo que eu era mulher comprometida, e que aqueles forrós não iriam dar em nada que prestasse.
De volta para casa, ele procura nos bolsos, a sua curnicha de rapé e não encontra. Paulinho teve que voltar ao clube para procurarmos.
Procuramos em todos os locais por onde passamos, e não conseguimos encontrar.
Resmungou o resto do caminho .
Manuel morava próximo à Autonorte no Alto São João, em um cômodo. Aos finais de semana, passávamos por lá, para deixar alguma coisa para ele comer.
Gostava muito de conversar com Manuel. Passávamos horas a fio, no portão de casa, nos fins de tarde. Fantasiosamente, me contava casos das estrelas de cinema, que dizia ‘conhecer pessoalmente’, inclusive as internacionais.
Vindo da lida ele sempre me presenteava com sua agradável companhia.
Em um sábado me arrumei para ir a uma festa. Vesti uma roupa branca de linho, me perfumei e desci as escadas, para aguardar Paulinho no portão, pois já estávamos atrasados para o compromisso.
Lá fora, encontrei- me com Manuel.
“Raquelina, você esta linda de branco! Parecendo uma noiva!”
Agradeci, e disse a ele ser bondade da sua parte, e que eu estava jogada para as traças, que ninguém gostava de mim.
“Que bobagem é essa Raquelina? Paulinho é louco com’cê! Por conta sua, ele mata um”.
Nesse instante, no final da rua, surge Paulinho; e eu aliviada anuncio a sua chegada. Mais que depressa, ele arremata a conversa: “Raquelina, Paulinho é doido com’cê. Por conta sua ele mata um! Mas, se de tudo ele não te quiser, eu quero, viu?”
Manuel morreu sem construir o seu “castelo dos sonhos” (para ele, este era o significado de casamento); talvez o seu maior desejo.
Como última homenagem, fui ao seu velório e enterro, com a mesma roupa branca daquele dia.
Ainda nos dias de hoje, o imagino, com suas brincadeiras.
Olha ali, Manuel! Vem vindo uma moça parecida com Gina Lolobrigida, vestida de branco, acho que é para se casar com você. “É mesmo Raquelina?” Disse, ajeitando a gravata e penteando os cabelos, “cadê?” Uh lalaica! Desta vez, fui eu quem te peguei.


36808
Por Raquel Chaves - 28/07/2007
Carta a alguém especial

Raquel Souto Chaves

08 de junho sexta feira. Deixo os meus afazeres às 19:00 horas, a caminho de casa atendo ao telefone, do outro lado ouço uma gargalhada e meu primo irmão Repolho me convida para ir a festa junina do Max-Min. De pronto aceito o convite. “Às 20:00 horas passo para te apanhar”. Na hora marcada chegou trazendo Simone sua esposa e um sorriso encantador. Com destino à festa eu, ele, Simone e o meu filho Paulo Estevão, rimos e brincamos o tempo todo.
Assumiu o compromisso de toda quarta- feira ir jogar peteca em nossa casa com Paulo Estevão. Compromisso que não teve tempo de cumprir. Falamos de laços de família, combinamos de ir ao Pentáurea para a festa de São Pedro dia 30 de junho. Comentou que quantas vezes fosse necessário me apanhar, iria com imenso prazer, pois gostava muito da minha companhia. Chegamos ao Max- Min. Dançamos, continuamos as brincadeiras e caímos na gargalhada. Não podia imaginar que aquele momento não se repetiria mais.
De sábado ate quarta-feira dia 14 não nos falamos por telefone, como era de costume. Por volta de 11:00 recebo uma ligação, avisando que havia passado mal. Comecei a ligar para descobrir o que estava acontecendo. Imediatamente fui ao seu encontro. Passamos o dia no hospital. Fui várias vezes ao seu leito para acariciá-lo. Em uma dessas vezes, sussurrei ao seu ouvido que quem estava ali ao seu lado, era “trem chique”, (maneira carinhosa com que me tratava) e que eu o amava muito. Pedi que se estivesse reconhecendo a minha voz apertasse a minha mão. Fui atendida prontamente.
Me emocionei quando Roy, meu irmão, perguntou a ele se estava reconhecendo a sua voz e ele disse “não”. Mas, quando foi indagado sobre quem era Biriba, ele respondeu com certa dificuldade: “Roy”.
Nos últimos meses nos encontramos varias vezes para festejarmos a vida, como era de costume. Dia 24 de março passamos o dia nas festividades do centenário de nossa avo Nininha.
Em abril feriado de semana santa passamos três dias juntos em um Haras próximo ao Pentáurea.
Final de abril passamos quatro dias no Pentáurea, ocasião em que você fez uma belíssima declaração de amor para mim e Roy. Início de maio fomos ao Axé Montes. Você estava puro amor e alegria, ao lado da mulher da senha.
Quando ainda no hospital recebi a notícia de que você estava subindo para o céu, me senti como se estivesse tendo um pesadelo. Comentei com seu pai, meu querido e amado tio Rey, que das suas palhaçadas, esta foi a única que não tinha um pingo de graça. No seu velório, comentei com Mera minha irmã, que você estava com um sorriso estampado nos lábios, provavelmente mais uma vez gozando as nossas caras.
Depois de tudo que passamos juntos aqui na terra, gostaria agora de saber como foi a sua chegada aí no céu. Encontrou com a minha mãe, sua adorada tia Tetê, e recebeu dela todos os mimos? Meu pai Raimundo Chaves te pediu, para apanhar o violão e acompanhá-lo, quando resolveu soltar a bela voz para alegrar e enfeitar a sua chegada? Quantas vezes, Vó Ninha disse que você e “o mais bonitinho da roda”? Tião Boi apareceu para participar da festa? E Regina, já a apanhou no colo? Tio Zé Souto e Tio Zé Estêvam já deram o diagnóstico de que seu problema era amor demais no coração e ele transbordou? Nenzim marujo chegou bem aí? Roy quer saber como vai fazer sem a sua presença física, todos os fins de tarde no Bar Sibéria. E as cavalgadas sem a sua presença e a de Simone? Quem vai colocar ordem na fila do Pentáurea na hora de fazer as reservas de apartamentos de madrugada? Lay, continua te aguardando todos os dias as seis da tarde no Skema Kente. Como vai ficar a torcida do Galo, sem o seu mais fervoroso torcedor?
Aproveito também para dar notícias nossas, vamos tocando a vida e sentindo imensa saudade do seu jeito de “menino”. Por falar nisso você mais uma vez nos pregou uma peça, saindo de mansinho sem se despedir. A Expomontes começa essa semana, as festas de Agosto estão para chegar, tenho certeza de que você estará lá.
O lançamento do livro de seu pai foi adiado, mas quando chegar a hora certa faremos a festa e você já sabe, não deve faltar. Edmarzim, e Beto que não via há anos, estiveram na sua missa de sétimo dia e me confessaram gostar muito de você. Paco Paco, Estevim, Roy e Peru estão inconsoláveis. Sua mãe, minha tia Zélia disse querer enxergar em mim e Roy, você. Simoninha te enxerga em todos os lugares e diz não saber o que fazer sem “Tchu” ao seu lado. Eu toda hora acho que o telefone vai tocar e que a qualquer momento o encontrarei na esquina mais próxima.
Tenho sonhado com você o tempo todo sorrindo. Estamos dando amor e atenção a Simone e Nathália. Pode deixar que não as esqueceremos nas horas das farras. Peru acabou com a ciumeira que tinha da sua amizade com Roy. Dêga esta sentindo falta das suas chacotas e murros. Fiquei surpresa e consolada quando constatei que no dia 14 antes de se sentir mal abriu os meus emails. No mais Repas, companheiro velho, só tenho a agradecer primeiro a Deus pôr me presentear com a sua amizade e depois a você por tantos afagos, atenção e carinhos dispensados a mim. Receba o meu abraço amigo e as minhas orações. Que a festança da sua chegada aí continue por mais tempo e que outras pessoas amadas apareçam. Descanse em paz, Nem. Beijão procê, até algum dia...


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Por Raquel Chaves - 18/07/2007
AVENIDA CORONEL PRATES, 102

Raquel Souto Chaves

Avenida Coronel Prates, 102 este é o endereço da família Souto Chaves para onde me dirijo agora. Do outro lado da rua está a sorveteria Pingüim. Lá encontro o inigualável sorvete “africano” de chocolate e amendoim. O proprietário é Toninho grande amigo do meu pai, que o apelidou de Gumercino. Sujeito alegre ,barulhento e apreciador de tanajura assada. Conto nos dedos os dias para a chegada das chuvas. Começo a catar as preciosas voadeiras, coloco-as em garrafas plásticas e troco por picolés e sorvetes com Toninho. Para ele o produto não tem preço, para mim o sorvete possuiu um tempero a mais: o de aventura.
Na nossa casa acaba de chegar seu Joel, pedreiro, vindo lá do Tabajara. Seu Joel é um tipo miúdo, mas de coração imenso. Chega trazendo no alforje seu almoço. Começa as suas atividades. O serviço é grande. São dois quartos no nosso quintal e duas suítes na casa de Vó Ninha do outro lado do muro. Minha mãe está ali na prefeitura trabalhando e o almoço esta sendo preparado na nossa imensa cozinha.
Às 11:30 hora de almoçar. Dirijo - me até a varanda que dá para o quintal da nossa casa e proponho ao seu Joel uma troca de comida. A marmita de seu Joel está amarrada por um pano alvinho, o que me apetece ainda mais. Destampo a marmita, e o cheiro sobe ao ponto de fazer minha barriga roncar de desejo para saborear a tão cobiçada comida. Seu Joel a princípio não se sente a vontade para trocar a marmita comigo. Alega que a comida é simples, e que a minha mãe, pode não gostar da troca. Corro até a cozinha e convenço a minha mãe a autorizar a troca. Preparo um prato caprichado e levo para seu Joel. Ele já não tem como sair fora da negociação. Abro a marmita. O cardápio para mim é dos melhores: feijão machucado do caldo grosso, arroz três quarto, picadinho de batatinha, duas rodas de tomate fresco e quatro pedaços de carne seca frita. Para aumentar o paladar uma imensa pimenta verde e bastante cebolinha. Tudo isso preparado pela esposa de seu Joel no fogão à lenha de sua casa. O cheirinho de fumaça está irresistível. Para dar fim a essa preciosidade, utilizo uma colher. Fazemos a combinação de trocar outras vezes as marmitas.
Ao lado da nossa casa mora a família do Dr. Hermes de Paula .O nosso quintal dá para o quintal deles. Dona Lica, mãe de dona Fina, está na cozinha dos fundos ao lado da sua fiel escudeira Maria Preta mexendo o tacho de doce de leite, esperando o ponto de corte. Ai que delícia! Érica, , Marcone, Marcelo, Fred, Roy, Eduardo e eu estamos brincando de “pique” sobre a sombra das imensas árvores. Hora de dar um mergulho na imensa piscina que divide os quintais de Dr. Hermes e de sua filha Valéria.
Lá no alto no Edifício Léa Pires, os meninos vizinhos estão nos cobiçando. Por lá, aparece um cachorrinho marrom, dócil, brincalhão e nos rouba a atenção. Brincamos o resto da tarde com o cachorrinho. Vamos dormir . No dia seguinte, o cãozinho amanhece morto .Dr. Hermes logo dá a penitência: 14 injeções para cada um de nós. O cachorrinho morreu com de hidrofobia, Raiva. Durante quatorze dias vamos todos em procissão para o seu consultório na esquina da rua Doutor Veloso com rua Lafetá receber a agulhada das mãos de sua dedicada e carinhosa secretária Lucrécia.
Ao lado da casa de Dr. Hermes fica o salão paroquial da matriz. Toda sexta-feira à tarde tem reunião das mães cristãs. Vó Ninha não perde uma. Leva - me a tiracolo. Quer que eu as ensine as músicas da Campanha da Fraternidade, que aprendi nas aulas de música do Colégio Imaculada com a doce irmã Rosita. Na garagem bem ao fundo funciona o DAS (Departamento de Assistência Social), dirigido por Dona Eunice Boutique. Sacos e fardos de mantimentos chegam para serem distribuídos aos mais carentes. Saio toda suja de trigo e fubá.
À noite tem reunião na câmara dos vereadores ao lado do Salão Paroquial. Me delicio, ouvindo alguns deles, com suas oratórias do alto da tribuna. Na sala ao lado funciona a Biblioteca Municipal. Quem me atende é dona Adelina Xavier Venuto. Saio de lá espirrando. O pó dos livros que ajudei a catalogar e espanar me deixaram assim. Atchim!!!
Mês de agosto, o barulho dos instrumentos dos catopês, marujos e caboclinhos anunciam a chegada deles à nossa casa para tomar Cortezano, cachaça Viriatinha, Ki-suco, licor de pequi(corby) e saborearem as deliciosas farofas de carne e frango, preparadas por meu pai. Dr. Luís Pires em frente à sua casa no mesmo passeio da nossa, instiga - me a subir no seu telhado para mais uma traquinagem. Regina de novo vem chegando da padaria com o pão, que já não está mais quentinho. Saiu há tempo. Em frente a MACIFE encontrou – se com Eva, de Dona Maria, que mora numa casinha próxima à ponte que balança, entre os bairros Melo e Todos os Santos a beira do rio Vieira. Caíram na prosa.
Na casa da avenida Coronel Prates, 102, casa dos Souto Chaves fui extremamente feliz, docemente feliz. Lá vivenciei também a mais triste cena da minha vida. Aos doze anos, altando cinco dias para completar treze, perco a minha doce e querida mãezinha. O seu novo endereço agora é no céu, junto ao bondoso Deus, e rodeada pelos mais lindos anjos que ali habitam. Agora é chegada a hora de deixar as traquinagens de lado, criar responsabilidade e andar com as minhas próprias pernas. Tentarei seguir em frente. Afinal de contas, recebi de meus pais, avôs e tios os mais preciosos ensinamentos: os da luta, honestidade, caridade, espiritualidade e o maior deles amar, amar sempre. Amar sem medidas.


36804
Por Raquel Chaves - 28/05/2007
À margem do rio eu fui feliz.

Sexta feira, a semana está chegando ao fim.
Minha mãe se desperta às seis da manhã e se põe a nos arrumar para ir à escola. Carinhosamente, apronta as nossas merendeiras, escova nossos cabelos; solta os rolinhos que havia colocado nos cabelos ontem à noite, passa a escova levemente e os fixa com laquê Lady.
Estamos prontos para a rotina diária.
Ela, bonita, cheirosa e elegante para começar mais um dia de trabalho na Prefeitura, ali mesmo, a poucos metros de casa, na Avenida Coronel Prates; nós, rumo à escola, para mais uma manhã de aula.
Hora do almoço. Voltamos da escola.
Minha mãe adentra corredor afora cantarolando... à mesa todos assentados; pai, mãe e sete filhos para saborear o almoço carinhosamente preparado por Maria (a quem docemente adotei como irmã). Acabado o almoço, cada um se prepara para continuar a labuta, e minha mãe volta à ‘sua luta’. Três horas da tarde, hora de levar o café fresquinho, com bolo e pão de sal, comprados por mim, na padaria Santo Antônio, da rua Doutor Veloso; de quebra, saboreio um sonho recheado, delicioso.
Na prefeitura, passo por João leite , Expedito Guarinelo ... chego ao gabinete de seu Toninho Rebelo, entrego a garrafa de café e as guloseimas para minha mãe. Vou até o balcão de atendimento, tiro minhas revistas do Avon da sacolinha de plástico, mostro para Graça Guimarães e seus colegas de trabalho, para que possam fazer seus pedidos. Saltitante, desço a escada que dá acesso ao pátio cheio de máquinas e mangueiras carregadas de mangas amarelinhas.
Volto para casa. Hora do banho.
Minha mãe retorna cantarolando, passa na casa de Vó Ninha, ao lado de nossa casa, e entra para pedir a bênção.
Já em casa, é chegada a hora de olhar os nossos cadernos e livros para conferir as tarefas e arrumar as pastas para segunda-feira. Um bom banho, e hora de preparar as gostosuras para o final de semana: pudim, arroz-doce, bolo, canjica, hummm!....
Na garagem meu pai finaliza a arrumação do Veraneio com toda a tralha de pescaria; meus quatro irmãos estão juntos, na mais completa alegria.
O jantar está servido.
22:00 horas, todo mundo na cama.
7:00 da manha de Sábado. Mal tínhamos conseguido dormir, tamanha a expectativa para entrarmos no grande Veraneio, com destino à Ponte da Barra. A estrada é de terra. Chegamos a Capitão Enéas, o bigode do meu pai está branquinho de tanta poeira! Andamos mais um pouquinho, e aí sim, estamos na beira do rio, na Ponte da Barra.
Começamos a arrumar o acampamento. Tudo em seu devido lugar, já podemos vestir as roupas de banho. Meu pai puxa um banquinho de madeira, pega a vara de pescar e se assenta na margem do rio com seu jeito todo sisudo de ser. Aprontamos a maior correria e tchibum! Estamos dentro d’água feito peixes. Do outro lado do rio aparece Valdir, filho de João da Barra, para nos dar boas-vindas, e avisar que o biscoito de goma está sendo amassado para o café da tarde. Brincamos e nadamos até a hora do almoço, que foi preparado com todo esmero por minha mãe. Depois do almoço vamos até a casa de João da Barra; ele, esposa e filhos nos recebem sempre com o maior carinho do mundo. Na lateral da casa tem uma porta que me leva até à cozinha, e na vitrola antiga um disco de vinil está tocando: “Entrei pela porta da sala, ela chegou pela cozinha. Perguntei onde ela estava, respondeu: ‘na casa da vizinha’. Ela marcava a hora que eu chegava. Infelizmente o relógio atrasou. Cheguei cedo e quase que eu encontro meu bem nos braços de outro alguém...” Nunca mais esqueci essa música, mesmo sem saber o compositor e o intérprete.
Do lado de fora, Roi e Eduardo (meus irmãos), Fred e Luciano (meus primos) estão montados a cavalo. Eu, mais que depressa, arranjo um cavalinho e me ponho a cavalgar com eles mata adentro... (tô sentindo o cheirinho de mato e esterco). Passando sobre a ponte, avisto o nosso acampamento e o rio descendo, caudaloso.
À noitinha, já banhados e jantados, recebemos as pessoas da redondeza para tocar sanfona e viola, e meu pai cantar.
Tio Henrique faz levantar a poeira, quando tira para dançar alguma moiçola presente. Depois de muita festa e boas gargalhadas, os olhinhos estão miúdos. Deitamos para dormir no bagageiro do Veraneio, que meu pai transformou na mais cheirosa e confortável cama. Uma imensa lona está aberta sobre o espaço que estamos usando como acampamento, e assim, evitar, a neblina. Estamos privados de ver as estrelas e a imensidão do céu.
Olhando para a direita, vejo o rio, espelhado a ele a lua e as estrelas, num brilho esfuziante. Rezamos, e quase não conseguimos agradecer a Deus o dia maravilhoso que passamos. Adormecemos, sonhamos, rimos dormindo, e a paz permanece ao nosso lado. Os pássaros e os galos cantam como um coral, avisando que é hora de despertar e vivenciar mais um dia como o de ontem, que nunca mais se apagará de nossas lembranças. Domingo finda o dia... Amanhã começa uma nova semana.

PS.: Carrego comigo o desejo imenso de vivenciar novos dias felizes, com meus descendentes.

Raquel Souto Chaves


36809
Por Raquel Chaves - 05/04/2007
Centenário de Nininha Souto

Raquel Souto Chaves

Neste último Sábado, 24 de março tive o privilégio de participar do 1º encontro da família Veloso Souto. Centenário de nascimento de Nininha Souto e lançamento de livro sobre a sua vida.
Que beleza!
O local escolhido não poderia ser melhor – aprazível Fazendinha Nossa Senhora das Mercês - de Ivan e Mercês Guedes. Lugar abençoado por Deus.
O vento soprava calmamente, o verde das folhas cintilava, o ar que se respirava era puro amor, amor puro.
Primeiro foi celebrada uma missa pelo Monsenhor Silvestre, com a ajuda do meu irmão Eduardo, na capelinha de vidro, que parecia flutuar. Durante a missa, enxerguei ali sentados nos bancos de madeira junto aos outros familiares, Nininha, minha vó Ninha, em total sintonia com Deus. Volta e meia me olhava e me acariciava dizendo: “você está a mais bonitinha da roda”.
Ao seu lado estava minha doce e querida mãe Terezinha Souto, com os olhos grandes, cor de jabuticaba, cabelos pretos bem arrumados, a me fitar e abençoar. Meu pai Raimundo Chaves chegou de mansinho e sussurrou ao meu ouvido: “a cumade Nininha tá que é só alegria”. Tio Zé Estevam no banco da frente, está o tempo todo ao lado de tia Rosalva, “Rosa, você ta linda!”
E Tio Zé Souto, lá no fim da fila, sorria com suas tiradas hilárias.
Meus olhos se inebriaram de lágrimas e não contive, chorei de saudades e emoção. De alegria também se chora. Neste momento chega Regina, vestida com blusa de frio, alisa minha cabeça, me pede a mão e diz estar ali para mais uma vez deliciar da nossa companhia, minha, dos meus irmãos, primos, tios, tias e amigos.
No final, Padre Quirino e Padre Dudu, lá do altar, pediram para batermos palmas para Nininha.
“Você hoje tá feliz, não é Ninha?”
Durante a missa, tia Cléo e tio Paulo Henrique choravam de soluçar. Tio Vicente ali presente, todo compenetrado brilhava os olhos, tamanha a sua admiração.
Acabada a celebração, que emocionou a todos fomos saborear o almoço, cardápio de domingo de vó Ninha - Arroz de forno, tutu de feijão, farofa brasileira, macarronada, rosbife de filé e lombo de porco. Nos panelões, o maior e melhor tempero era o dela, uma pitada de amor, uma de carinho, uma de saudade e uma de felicidade por ver seu povo ali na mais completa harmonia; coisa corriqueira aos domingos em sua casa. Vi Necésio degustando a comida sentado à mesa de vó Ninha, em um domingo de luz, na sua residência na avenida Coronel Prates. Tio Rey era só alegria, ora chorava, ora sorria. “Êta trem mais bonito, gente!” Meus irmãos e primos se abraçavam, era um chamego só! Os bisnetos de vó Ninha, nossos filhos brincavam e se encantavam ao correrem pelo pomar e encontrar frutas fresquinhas e ovos de galinha. Conhecer tantos primos para eles “foi um barato!”
A tarde cai, o sol se esconde atrás dos montes... e eu mais uma vez me vejo em total estado de felicidade. Passei mais um dia ao lado dos meus, felicidade eterna em meu coração, pensando que terei sempre ao meu lado, toda a minha família, todas as gerações que jamais se desvincularão, passe o tempo que passar, estaremos sempre juntos e celebrando a vida.
Obrigada, tia Rosalva, por nos proporcionar tamanha alegria. Você é mesmo, muito especial.




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25/10/14 - 12h
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25/10/14 - 11h
Por causa do fuso horário, Brasil só vai saber quem é o presidente às 20 horas de domingo, 17h no Acre

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