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montesclaros.com - Ano 26 - domingo, 11 de janeiro de 2026
 

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Mensagem: BH, novo ano Manoel Hygino Estamos em 2026 e meditamos sobre o que aconteceu em Belo Horizonte em tanto tempo de existência como capital de Minas Gerais. Sentimos necessidade de lembrar que, no vindouro calendário, a metrópole comemorará 130 anos de inauguração. Em 1957, quando festejou 60 anos, eterno poeta de Itabira, o Carlos Drummond de muitas jovens amizades, comentava: “Primeira cidade do Brasil quanto ao ritmo de crescimento, eu sei; primeira quanto a crepúsculos; a única no mundo para quem teve 18 anos em tuas ruas, e com tuas noites abriu uma gravura na alma. Tuas noites, cidade minha, tuas noites mudaram muito? Era um cheirar a jasmim que se despencava da Serra e vinha entornar-se no Bairro dos Funcionários; e nele todo se embalsamava o sono das belas do Clube Belo Horizonte, ciosamente guardadas por leões de cerâmica e duras bengalas de irmão. Decerto não mudaste, cresceste: e ameaças crescer mais, crescer sempre; e não errou aquele Zé dos Lotes, lembras-te? De caroço no pescoço, que em teu alvorecer inaugurou o gordo negócio imobiliário. Não te censuro, filha, nem te panteio. Há uma hora terrível para as cidades, quando querem ser diferentes de si mesmas; quase nunca pousa um anjo e ordena-lhes “Para”, como a Assis, na Úmbria. Tua essência “Curral d’El Rey” dorme em alguma trave da casa da Fazenda do Leitão; deixa-a dormir; a velha igreja da Boa Viagem passa às vezes no vento, há quem lhe ouça os sinos; é folhear a história do bom Abílio Barreto, e essas mágicas se operam. Nem disso careço. Fecho os olhos e vejo Manuel das Moças, mesureiro, no Bar do Ponto; Alzira, branca e devastada, faz ouvir sua voz rouca na avenida Oiapoque; o Restaurante Colosso acolhe a fome dos estudantes; Batista Santiago compõe versos que o vento leva pelas esquinas da noite; o Dr. Mendes Pimentel e o Desembargador Rafael Magalhães (Platão e Sócrates?) deambulam ao anoitecer rumo ao Cinema Odeon. Belo Horizonte mais nova, com os bancos mais ricos do Brasil, a burguesia próspera se instalando em torno do lago da Pampulha, e São Francisco de Assis que nunca pode ver sua capela cantar (tem dessas coisas, és meio implicante). Andas tão bonita que nem dás confiança a antigos moradores. Eles envelheceram, é claro; e tu agora é que estás no primeiro viço. Recebe – de qualquer modo - esta cantiga de canhestro amor. Carlos Drummond de Andrade,1957.

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